sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

“TRAÍDOS PELA GUERRA” (“DEN STØRST FORBRYTELSEN”), 2020, Noruega, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h06m, direção de Eirik Svensson, seguindo roteiro assinado por Lars Gudmestad e Harald Rosenløw-Eeg. Baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial, o filme conta a história trágica da família Braude, constituída de judeus originários da Lituânia e que se fixaram na capital norueguesa Oslo nas primeiras décadas do século passado. A trajetória dessa família foi retratada no livro “Den Størst Forbrytelsen”, escrito pela jornalista norueguesa Marte Brekke Michelet e lançado em 2014. No livro, que serviu como base ao roteiro do filme, Marte detalha também o que foi o holocausto na Noruega. No total, os nazistas invasores deportaram 773 judeus para campos de concentração, sendo que apenas 38 sobreviveram. Antes da invasão dos alemães, em 1942, os judeus noruegueses acreditaram estarem seguros, conforme garantias do governo do país. Mas o que se viu foi o colaboracionismo das autoridades do governo norueguês, que até formaram uma polícia especial de estado para colaborar com os nazistas na captura dos judeus – em 2012, o governo da Noruega anunciou um pedido oficial de desculpas. O roteiro é todo centrado na família Braude, pai, mãe e quatro filhos. Somente a filha conseguiu escapar, refugiando-se na Suécia. Nos principais papéis estão os atores Jakob Oftebro, Carl Martin Eggesbø, Pia Halvorsen e Michalis Koutsogiannakis. Fora a conjuntura histórica, que sem dúvida é o conteúdo principal, “Traídos pela Guerra” retrata de forma bastante realista o sofrimento dos noruegueses sob o jugo dos nazistas. Trata-se, portanto, de um filme muito triste e, ao mesmo tempo, impactante, mas muito bem realizado. Recomendo.         

 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

 

“UMA NOITE EM MIAMI” (“ONE NIGHT IN MIAMI”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma American Prime Video, 1h54m, filme de estreia na direção da atriz Regina King. E que estreia! Antes, porém, de iniciar meu comentário, aviso que o filme não é recomendado para o grande público, mas sim para o público grande, ou seja, o público adulto. Na verdade, o filme é uma adaptação da peça teatral homônima, escrita em 2013 pelo dramaturgo Kemp Powers, também autor do roteiro. Em sua peça, Powers teve a ideia de criar um encontro fictício em fevereiro de 1964 em um hotel de Miami, reunindo quatro dos principais ícones negros da época: o lutador de boxe Cassius Clay, o ativista Malcom X, o cantor e compositor Sam Cooke e o astro do futebol americano Jim Brown. As quatro celebridades se reuniram depois de assistirem Clay ganhar o título de campeão dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston. É um filme de diálogos, aliás muito bem escritos, relevantes e atuais, colocando em discussão temas como o racismo, os direitos civis dos negros e ainda a conversão de Malcom X e Cassius Clay para a Nação do Islã. Naquele mesmo ano, Cassius Clay mudaria seu nome para Muhammad Ali. Para interpretar os personagens principais, Regina King convocou Eli Goree (Cassius Clay), Kingsley Ben-Adir (Malcolm X), Aldis Hodge (Jim Brown) e Leslie Odom Jr. (Sam Cooke), todos ótimos e muito bem caracterizados. Também estão no elenco Lance Reddick, Michael Imperioli, Law Rence Gilliard Jr., Derek Roberts, Beau Bridges, Matt Fowker, Jeremy Pope e Christopher Gorgham. O surpreendente filme de Regina King estreou no Festival de Cinema de Veneza em setembro de 2020, foi exibido em inúmeros outros festivais – sempre com muitos elogios da crítica -, e culminou com três indicações ao Oscar 2021: Melhor Ator Coadjuvante (Leslie Odom Jr.), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (“Speak Now”). Não levou nenhuma estatueta. Acho que foi injusto também não ter sido indicado a Melhor Filme. Trocando em miúdos, “Uma Noite em Miami” parte de uma ideia genial, transforma-se em uma peça teatral e, finalmente, em um grande filme. Aliás, um FILMAÇO!, assim mesmo, com letras maiúsculas.              

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

 

“A OUTRA FACE DA GUERRA” (“DVSELU PUTENIS” – em inglês, “Blizzard of Souls”), 2020, Letônia, disponível na plataforma Amazon Prime, 2h3m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta letão Dzintars Dreibergs, mais conhecido como diretor de documentários. Trata-se de um excelente drama de guerra ambientado durante a Primeira Guerra Mundial. A história, baseada no livro de Aleksandrs Grins, escrito em 1934, é centrada no jovem Arturs Vanags (Oto Brantevics), de 16 anos, que vê a mãe ser assassinada pelos invasores alemães e resolve se alistar no exército imperial russo. Por causa da pouca idade, seu pai, que também é do exército, é obrigado a autorizar o seu alistamento. Dessa forma, Arturs e seu pai se alistam juntos, assim como o irmão mais velho de Arturs. O filme acompanha de perto a atuação de Arturs na frente de batalha. Só para lembrar, os combates naquele conflito eram corpo a corpo, onde as trincheiras eram a única proteção dos soldados. Além da falta de experiência como soldado, Arturs terá de enfrentar situações de alto risco, sem contar com invernos muito abaixo de zero, racionamento de alimentos e presenciar muitas mortes pelo caminho. Quando a guerra está praticamente no fim, Arturs terá que se alistar no exército da Letônia e lutar contra os próprios russos para defender a independência de seu país, já que a Rússia, agora sob o comando de Lênin e dos comunistas, pretende anexar vários países na base da violência. Dessa forma, “A Outra Face da Guerra”, além de ótimo filme, também é uma verdadeira aula de história. Como informação adicional, lembro que o filme foi o representante da Letônia na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. Filmaço!           

 

“FILHOS DO ÓDIO” (“SON OF THE SOUTH”), 2020, Estados Unidos, 1h46m, disponível na plataforma Netflix. Sem dúvida, um dos melhores filmes já realizados sobre a questão racial nos Estados Unidos. Méritos para o roteirista e diretor Barry Alexander Brown, cuja parceria com o cineasta Spike Lee (produtor executivo deste) vem de longa data. Brown foi editor de vários filmes de Lee, como “Faça a Coisa Certa”, "Malcom X” e “Infiltrado na Klan”, todos abordando a temática racial. No caso de “Filhos do Ódio”, trata-se da adaptação do livro “The Wrong Side of Murder Creek”, de Constance Curry, que conta a história do jovem branco Bob Zellner (Lucas Till), que no início dos anos 60 do século passado se aliou à luta anti-segracionista dos negros. Embora pertencente à uma família de membros da temida Ku Klux Klan – seu avô era um dos líderes -, Zellner se juntou aos principais ativistas negros da época, como Rosa Parks e John Lewis, tornando-se porta-voz contra a segregação racial no sul dos Estados Unidos. Por causa de sua militância, Zellner foi preso 17 vezes em apenas três anos. Sua trajetória é contada no filme desde que ingressou como voluntário no SNCC (Comitê Coordenador Estudantil Não Violento), em Atlanta (Geórgia) – ele morava em Montgomery (Alabama). Zellner abandonou a família, a noiva e os amigos para lutar pela causa dos negros. De forma bastante realista e explícita, o filme apresenta cenas de extrema violência, misturadas a imagens da época, quando a violência é real. Além de Lucas Till, estão no elenco Lucy Hale, Lex Scott Davis, Julia Ormond, Brian Dennehy, Jake Abel, Ludi Lin, Chaka Forman, Dexter Garden, Mike Manning, Shamier Anderson, Sienna Guillory e Sharonne Lanier. Duas notas sobre o elenco: este foi o último filme do veterano ator Brian Dennehy (o avô de Zellner no filme), que faleceu logo após o fim das filmagens; outro destaque é a presença da atriz Julia Ormond, envelhecida demais, quase irreconhecível. “Filhos do Ódio” é dedicado ao ativista John Lewis, morto em 2021. Um grande filme que merece ser visto.      

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

 

“ACREDITE EM MIM: O RAPTO DE LISA MCVEY” (“BELIEVE ME: THE ABDUCTION OF LISA MCVEY”), 2018, Canadá, disponível na plataforma Netflix, 1h27m, direção de Jim Donovan, seguindo roteiro assinado por Christina Welsh. É a história de um famoso caso policial ocorrido em 1984. Lisa McVey (Katie Douglas) é uma adolescente de 17 anos que trabalha como garçonete em uma lanchonete em Tampa (Flórida). Uma noite, quando voltava para casa depois do trabalho, ela é sequestrada por um homem que a manterá em cárcere privado durante 26 horas, período em que ela foi torturada e estuprada. Leitora de livros policiais e fã de filmes do gênero, Lisa tenta usar a psicologia para tentar sobreviver. Conta histórias tristes ao sequestrador, inclusive que cuida do pai doente e que precisa de seus cuidados. Mentira. Ela vive com a avó. Aos poucos, Lisa começa a sensibilizar o sequestrador, a ponto de ser libertada. Quando volta para casa e conta para a avó, esta não acredita nela, dizendo que tudo é invenção. Lisa então resolve ir à polícia e é também desacreditada. Somente o detetive Larry Pinkerton (David James Elliott) acredita em sua história e começa a desconfiar que o sequestrador de Lisa pode ser o mesmo serial killer procurado por pelo menos 11 mortes e mais de 50 estupros. Os detalhes descritos por Lisa ajudam os policiais nas investigações, culminando com a prisão de Bobby Joe Long (Rossif Sutherland), julgado, condenado e executado em maio de 2019, pouco depois da estreia do filme. A história é envolvente e chocante, muito bem adaptada para o cinema, com um excelente elenco. No desfecho, pouco antes dos créditos finais, a verdadeira Lisa McVey, agora aos 54 anos, aparece como a vice-xerife do Condado de Hillsborough, especializada no combate a crimes sexuais. Um filme muito interessante que merece ser conferido.                                                                                   

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

 

“A PEDREIRA” (“THE QUARRY”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h38m, direção de Scott Teems, que também assina o roteiro com a colaboração de Andrew Brotzman. Trata-se de um suspense policial com uma história bastante interessante, inspirada no livro homônimo de 1995 do escritor sul-africano Damon Galgut. Mas o filme tem o inconveniente de ser arrastado demais, perto da sonolência. Começa o filme e o pastor David Martin (Bruno Bichir) está na estrada a caminho de uma pequena cidade do Texas para assumir a igreja local. Ele vê um homem caído no acostamento e lhe presta socorro. Mal sabe ele que o homem que está socorrendo é um fugitivo da justiça, acusado de matar a esposa em um incêndio. Você logo imagina: o fugitivo (Shea Whigham) vai aprontar. E não dá outra. Ele mata o pastor, esconde o corpo em uma pedreira e assume a identidade da vítima, tornando-se reverendo, o que nos faz lembrar aquele dito popular “O hábito não faz o monge”. Logo que chega ao pequeno vilarejo, cuja população é de imigrantes mexicanos, ele é recebido por Cecília (Catalina Santino Moreno), responsável por cuidar da igreja e da casa do padre. Alguns dias depois, porém, dois irmãos ladrões acham o corpo na pedreira e roubam suas roupas, mas são detidos como suspeitos de terem cometido o assassinato. Enquanto isso, o falso reverendo até que consegue convencer os fiéis com seus sermões baseados na Bíblia - traduzidos por uma paroquiana. Mas o chefe de polícia local, xerife Moore (Michael Shannon), amante de Cecília, não confia muito no religioso recém-chegado e é essa desconfiança que assumirá a tônica da história até o seu desfecho. Desfecho, aliás, dos mais fracos, prejudicando o resultado final, que já não é dos melhores, mesmo com a presença do bom ator Michael Shannon.  


                                                      

 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

 

“TE AMO ATÉ A MORTE” (“LOVE YOU TO DEATH”), 2019, Estados Unidos, filme feito para a TV, produção da Sony Pictures Television, 1h27m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção da cineasta inglesa Alex Kalymnios, seguindo roteiro de Anthony Jaswinski. Drama pesado, de embrulhar o estômago, baseado em uma história real chocante e macabra ocorrida em 2015 na cidade de Springfield (Missouri), envolvendo um crime que chocou os Estados Unidos. As personagens reais são Dee Dee Blanchard e sua filha Gypsy Rose. Dee Dee foi assassinada pelo namorado da filha. O assassinato abriu as portas para uma verdade tétrica: Dee Dee praticava abuso infantil na filha. Para ganhar ajuda financeira do governo e viver da caridade da vizinhança, Dee Dee obrigava Gypsy a passar por uma doente terminal, paraplégica e com câncer, além de outras doenças. Gypsy, na verdade, era sadia. Na verdade, a doente era Dee Dee, que sofria de uma tal de "Síndrome de Münchhausen por Procuração". No filme, os principais personagens ganharam outros nomes: Dee Dee é Camile Stoller (Marcia Gay Harden) e Gypsy Rose passou a ser chamada de Esme Stoller (Emily Skeggs). De uma forma realista, o filme acompanha a rotina sufocante de mãe e filha, esta última obrigada a participar das mentiras da mãe e agir como se não tivesse muito tempo de vida. A situação começa a mudar depois que Esme conhece Scott (Brennan Keel Cook), que logo vira seu namorado. Também estão no elenco Tate Donovan, Alison Araya e Garfield Wilson. A atuação impressionante da veterana atriz Marcia Gay Harden, quase irreconhecível como a mãe gorda e dominadora, é um dos trunfos do filme, assim como o desempenho da jovem atriz Emily Skeggs. “Te Amo Até a Morte” é muito bom, merece ser conferido.                                                                              

 

“RÉDEAS DA REDENÇÃO” (“THE MUSTANG”), 2020, disponível na plataforma Netflix, coprodução França/Estados Unidos/Bélgica, 1h36m, direção da cineasta francesa Laure De Clermont-Tonerre, que também assina o roteiro com a colaboração de Mona Fastvold e Brock Norman Brock. Premiado no Festival de Sundance, trata-se de um dos filmes mais interessantes da Netflix. Mais pela história, baseada em fatos reais. Importante contextualizar. Pouca gente sabe – eu não sabia – que nos Estados Unidos existe um programa de reabilitação social de presos chamado “Cavalo Selvagem Recluso”, que ainda existe atualmente no Arizona, Califórnia, Colorado, Kansas, Nevada e Wyoming. Funciona da seguinte forma: cavalos selvagens (os Mustangs) que habitam as planícies inóspitas dos Estados Unidos são capturados e levados para “fazendas” ao lado das penitenciárias. Cada preso é responsável por adestrar um cavalo, que depois é levado a leilão. A maioria deles é utilizada pelas forças policiais de fronteiras. Em “Rédeas de Redenção”, a história é centrada no prisioneiro Roman Coleman (Matthias Schoenaerts), um homicida violento que cumpre pena em uma penitenciária rural do norte de Nevada. Por recomendação de uma psicóloga da penitenciária (Connie Britton), Coleman é inscrito no programa e torna-se responsável pelo cavalo mais selvagem do haras, ao qual ele chama de “Marquis”. Ao mesmo tempo em que encara o desafio de domar “Marquis”, Coleman tem de enfrentar a raiva de sua filha Martha (Gideon Adlon), que não o perdoa por tê-la abandonado. É com “Marquis”, porém, que Coleman testará os limites de sua incontrolável raiva, até fazer amizade com o animal. O elenco conta ainda com Jason Mitchell, Bruce Dern, Angel Alvarado, Glen Spillman, Jack Waggon, John Logsdon, Josh Stewart, Kelly Richardson e Santina Muha. Mas é realmente o ator belga Matthias Schoenaerts quem brilha. Um dos principais nomes do cinema europeu da atualidade, Schoenaerts já tem um currículo respeitável, que inclui excelentes filmes como “Inimigos Íntimos”, “Ferrugem e Osso” e “Operação Red Sparrow”, entre tantos outros. Palmas também para a atriz e agora diretora Laure de Clermont-Tonerre em sua estreia atrás das câmeras, realizando um filme poderoso e, ao mesmo tempo, bastante sensível. Não perca!

                                                                       

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

“ILHA DE SEGREDOS” (“SCHWARZE INSEL”), 2021, Alemanha, 1h44m, disponível na plataforma Netflix, direção de Miguel Alexandre, cineasta nascido em Portugal e naturalizado alemão, que também assina o roteiro com a colaboração de Lisa Carline Hofer. Trata-se de um bom suspense capaz de prender a atenção do começo ao fim, com muita tensão e mistério. A história, ambientada numa das Ilhas Frísias, no Mar do Norte, tem início com a morte de uma senhora na praia, atacada por um cão violento. Logo após o velório e enterro da mulher, seu filho e a esposa sofrem um acidente na estrada e ambos também morrem. Todas as vítimas são da família Hansen e você logo percebe que não foram mortes casuais ou acidentais. Tem gente que está por trás dessas tragédias. Mas quem? Será algum tipo de vingança? O filme segue acompanhando a rotina do jovem Jonas Hansen (o estreante Philip Froissant), filho do casal morto no acidente e neto da idosa assassinada na praia. Ele mora com o avô, Friedrich Hansen (Hans Zischler), antigo diretor da principal escola da ilha e agora aposentado. A rotina dos estudantes do colégio é quebrada com a chegada de uma nova professora de alemão, Helena Jung (Alice Dwyer), que logo chama a atenção por sua beleza madura. Ela logo se mostra uma mulher misteriosa, dona de algum segredo. Enquanto isso, Jonas segue namorando uma colega de classe, Nina Cohrs (Mercedes Müller), até que ele e a professora acabam se aproximando perigosamente. Até que Nina aparece morta na praia. Enquanto isso, continua aquela velha dúvida: quem será o responsável pelas mortes? Aos poucos, o roteiro começa a dar dicas do que aconteceu e de quem pode estar por trás dos assassinatos. Todas as suspeitas levam à professora. Embora o roteiro tenha sido bem elaborado, achei que faltou colocar a polícia para investigar os fatos. De qualquer forma, vale a pena assistir, pois é um suspense de primeira.                                                                       

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

 

“JUSTIÇA EM FAMÍLIA” (“SWEET GIRL”), 2021, Estados Unidos, 1h36m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia na direção de Brian Mendoza, seguindo roteiro assinado por Gregg Hurwitz e Philip Eisner. A história é centrada em Ray Cooper (Jason Momoa), um pacato pai de família que, ao lado da filha adolescente Rachel (Isabela Merced), acompanha o sofrimento da esposa Amanda (Adria Arjona), acometida de um câncer terminal. A esperança é renovada quando uma empresa farmacêutica anuncia um novo remédio para a doença. Essa esperança dura pouco, pois a tal empresa resolve retirar o remédio do mercado. Depois que Amanda morre, Ray Cooper e a filha Rachel prometem se vingar, principalmente depois que descobrem que a retirada do remédio foi causada por uma questão burocrática e corrupção envolvendo uma senadora e os sócios da empresa farmacêutica. O caso complica ainda mais quando um jornalista procura Cooper para denunciar toda a maracutaia e é assassinado. O roteiro é tão mal elaborado, cheio de pontas soltas e situações inverossímeis, que fica difícil acompanhar o que está acontecendo. Quando a matança começa, o FBI entra em ação e fica também desnorteado, pois não sabe quem é o bandido e o mocinho. O ator Jason Momoa, por exemplo, com seu jeito troglodita de ser, não tem nada a ver com o viúvo sofrido e que vive atrás de vingança, mesmo porque apanha muito durante a história. O grandalhão combina mais com os filmes de super-heróis que costuma fazer, como “Liga da Justiça” e “Aquaman”. Quem vai se vingar mesmo é a sua filha, Rachel, mais um absurdo da história. Nem a reviravolta perto do desfecho salva esse verdadeiro abacaxi. Também são cúmplices Amy Brenneman, Justin Bartha, Manuel Garcia-Rulfo e Lex Scott Davis. Não dá para ver nem em uma sessão da tarde.                                                                        

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

 

“MUDANÇA MORTAL” (“AFTERMATH”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h54m, direção de Peter Winther, que também assina o roteiro com a colaboração de Dakota Gorman. Trata-se de um suspense bastante movimentado, cuja história foi inspirada em fatos reais ocorridos em 2011 na cidade de San Diego (EUA), envolvendo o casal Jerry Rice e Janice Ruhter. No filme, eles são Natalie (Ashley Greene, bonita e boa atriz) e Kevin (Shawn Ashmore), jovem casal que vive uma crise no relacionamento depois de uma traição. Com o objetivo e fortalecer a relação, eles resolvem mudar para uma ampla e moderna casa, cujo preço encontra-se bem abaixo do mercado. Mal sabiam eles que a casa escondia segredos aterrorizantes. Já que o marido trabalhava bastante e ainda cursava faculdade à noite, Natalie vivia grande parte do tempo sozinha na casa, quando começou a perceber sons estranhos, objetos fora de lugar e vultos que perambulavam nas sombras. São momentos realmente assustadores. O filme não economiza nos sustos, o que é um atrativo a mais em filmes do gênero. Senti falta de um roteiro que explicasse melhor o que está acontecendo. Nem mesmo o desfecho surpreendente é capaz de explicar. Em todo caso, trata-se de um bom suspense que merece ser visto. Ainda estão no elenco Jason Liles, Britt Baron, Diana Hopper, Susan Walters, Paula Garcés, Alexander Bedria, Sharif Atkins e Jamie Calier.                                                                   

 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

 

“UMA NOITE EM BANGKOK” (“ONE NIGHT IN BANGKOK”), 2020, Estados Unidos, 1h44m, disponível na plataforma Amason Prime Video, roteiro e direção do cineasta tailandês Wych Kaosayananda. Trata-se de um suspense policial com um roteiro muito irregular, repleto de pontas soltas, situações inverossímeis e arrastado demais. Um sujeito misterioso chega a Bangkok, capital da Tailândia, com o objetivo de executar uma série de assassinatos. De início, você pensa que é um profissional contratado, mas logo fica evidente de que ele pretende vingar a morte da sua filha, da sua neta e do seu genro, ocorrida meses antes em um violento acidente de trânsito, provocado por um jovem embriagado na direção de um Porsche em alta velocidade. Durante as investigações, as autoridades forjaram uma situação em que as vítimas é que foram consideradas culpadas pelo acidente. Com sede de vingança, Kai Hahale (Mark Dacascos) vai a Bangkok para assassinar um a um. Para isso, escolhe uma noite e contrata uma motorista de aplicativo para os deslocamentos – a mesma motorista envolvida no acidente fatal. Não dá para entender como Kai planejou cada passo dos assassinatos, com nomes e sobrenomes, locais onde estarão, horários etc. Tudo muito mirabolante, mentiroso, fantasioso. Durante a jornada, Kai terá a oportunidade de conversar muito com a motorista, Fha (Vanita Golten), numa série de diálogos patéticos e sem qualquer nexo, momentos que podem levar o espectador a um gostoso cochilo. Entre as situações absurdas do roteiro, a pior talvez seja aquela que envolve a esposa de um policial, que está em casa de licença-maternidade e que, enquanto cuida do bebê, fica no computador ajudando o marido durante a caçada ao assassino. Além de Cacascos e Vanita, estão no elenco Julie Condra, Sireeporn Yoogthatat, Kane Kosugi, Hahajak Boonthanakit, AliceTantayanon, Michael New e Charlie Ruedpokanon. Sem dúvida, um dos piores lançamentos da Amazon Prime.                                                                    

 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

 

“MEU IRMÃO, MINHA IRMÔ (“MIO FRATELLO MIA SORELLA”), 2021, Itália, produção original Netflix, 1h50m, direção de Roberto Capucci, que também assina o roteiro com a colaboração de Paola Mammini. Drama familiar recheado de humor e sequências tocantes. Com a morte do patriarca da família, o cinquentão Nick (Alessandro Preziosi) volta a rever a irmã Tesla (Claudia Pandolfi), depois de 20 anos separados. Nick terá a oportunidade de conhecer seus dois sobrinhos adolescentes, Carolina (Ludovica Martino) e Sebastiano (Francesco Cavallo). Este último é um garoto problemático, diagnosticado com esquizofrenia avançada, mas que a mãe esconde a doença e o protege demais. “Sebas” vive conversando com amigo imaginário e com o qual combina viajar para Marte com o objetivo de levar a música clássica – o jovem é um excelente violoncelista. Quando o advogado da família reúne Nick e Tesla para ler o testamento, uma surpresa: eles terão de morar juntos durante um ano. É durante esse tempo que Nick terá a chance de recuperar o tempo perdido em que ficou sem ver a irmã e os sobrinhos. E é justamente com Sebastiano que ele terá a maior aproximação. A cena em que Nick toca piano e o sobrinho violoncelo é bastante comovente. O que seria um convidado inconveniente transforma-se numa pessoa que, com seu jeito franco de encarar a vida, ajudará a irmã na difícil responsabilidade de educar um filho problemático e uma filha rebelde. O filme é muito bom, sensível, o elenco é ótimo e o roteiro muito bem elaborado. Pena que o desfecho apela para a fantasia espiritual, querendo provocar lágrimas. Não precisava.                                                                       

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

 

“GRANDE TUBARÃO BRANCO” (“GREAT WHITE”), 2021, Austrália, disponível na plataforma Netflix, 1h40m, direção de Martin Wilson (é o seu filme de estreia), seguindo roteiro de Michael Boughen. Depois do “Tubarão” de Steven Spielberg, de 1975, que se tornou um clássico, assisti a muitos outros sobre o grande predador, mas nenhum chegou aos pés do original. Como fazia algum tempo que eu não assistia a um filme do gênero, resolvi arriscar e conferir esse “Great White”, recém-chegado à Netflix. Decepção total. Começa o filme e estamos em uma praia próxima de um recife chamado Hell’s Reef, provavelmente em algum lugar do litoral australiano. O local certo não é especificado no filme. Um jovem casal está em um barco brincando de pular na água quando aparece um tubarão e faz a festa. Enquanto isso, os empresários Charlie (Aaron Jakubenko) e Kaz (Katrina Bowden), proprietários de um hidroavião que costuma ser alugado por turistas para passeios à beira-mar e às inúmeras ilhas da região. Eles são contratados por Michelle (Kimie Tsukakoshi) para levá-la, com o marido Minase (Tim Kano), para o tal recife Hell’s Reef. Aqui, Michele quer jogar as cinzas do avô japonês que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial. Apresentado por Charlie como cozinheiro, Benny (Te Kohe Tuhaka) também embarca na aventura. Ao avistarem os destroços do barco daquele casal do início do filme, eles descem com o avião em uma praia e descobrem o cadáver do jovem sem as pernas. Enquanto assimilam a trágica descoberta, um tubarão, feito touro louco, investe contra o avião e o afunda. Sobrou para o quinteto um bote salva-vidas. Até o desfecho, eles tentarão sobreviver aos ataques dos tubarões – muitas cenas submarinas devem ter sido captadas no Discovery Channel, inclusive aquelas onde aparecem os tubarões. Muita enrolação até o desfecho, muito papo furado e um tempão sem nada acontecer. O elenco é péssimo, incluindo o tubarão, o roteiro nada criativo e as situações pouco convincentes. De bom mesmo, só a beleza da atriz Katrina Bowden e os cenários paradisíacos. É muito pouco. Concordo com os críticos que elegeram “Great White” como um dos piores - senão o pior - filmes já feitos sobre tubarão.                                                                    

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

 

“MUNIQUE: NO LIMITE DA GUERRA” (“MUNICH: THE EDGE OF WAR”), 2021, coprodução Inglaterra/Alemanha, 2h3m, disponível na plataforma Netflix, direção do cineasta alemão Christian Schwochow (do ótimo “Je Suis Karl”), seguindo roteiro assinado por Ben Power. Trata-se de um drama histórico ambientado em 1938, inspirado no livro “Munich”, de 2017, escrito por Robert Harris. O filme acompanha os bastidores dos preparativos para a viagem do primeiro-ministro da Inglaterra Neville Chamberlain (Jeremy Irons) para participar da Conferência de Munique, quando tentaria convencer Adolf Hitler a não invadir a Tchecoslováquia e ainda consolidar um pacto de não agressão à Inglaterra por parte dos alemães. Com a assinatura do ditador nazista, Chamberlain conseguiu adiar o início da guerra, proporcionando aos aliados um tempo para reforçar os seus exércitos. Isso é história. Pois bem, no filme aparecem alguns personagens ficcionais criados por Harris, por exemplo os jovens Hugh Legat (George Mackay) e Paul Von Hartmann (Jannis Niewöhner), o primeiro assessor e tradutor de Chamberlain e o segundo assessor do próprio Hitler (Ulrich Matthes). São estes dois personagens que darão molho à história, a amizade que os une desde a época em que estudaram juntos em Oxford, mas agora estão em campos distintos – e minados. O filme se desenrola com muito suspense, lances de espionagem e diálogos interessantes dos fatos históricos que antecederam o início da Segunda Guerra Mundial. Também estão no elenco Jessica Brown Findlay, Liv Lisa Fries, Sandra Hüller, Augusto Diehl e Anjli Mohindra. Além do ótimo elenco, é justo destacar a primorosa recriação de época. De tantas coisas que me agradaram, uma em especial me desagradou muito. O ator escolhido para representar Hitler. Achei muito diferente do original, mas nem isso prejudicou o resultado final. Para quem gosta de filmes históricos, como eu, trata-se de uma ótima opção.                                                                 

domingo, 23 de janeiro de 2022

 

“POLÔNIA À FLOR DA PELE” (“KRAJ”), 2021, Polônia, disponível na plataforma Netflix, 1h42m, roteiro e direção de Veronica Andersson, Flip Hillesland, Mateusz Motyka e Maciej Slesicki. Mais um gol de placa do surpreendente cinema polonês. Trata-se de uma comédia de humor negro muito interessante e criativa, apesar de muita violência explícita, sexo e nus frontais. Se você assistiu “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos”, você vai achar o filme de Almodovar um conto de fadas perto deste filme polonês. São seis pequenas histórias que nada têm a ver entre si, apenas uma característica: nervos à flor da pele e comportamentos explosivos. Vamos a um resumo de cada uma delas. Um policial de trânsito utiliza métodos nada convencionais para punir culpados por acidentes; um jovem pai, em liberdade condicional, tem o seu bebê sequestrado dentro de um mercado e não sossega enquanto não encontrá-lo; donos de uma empresa familiar esperam a visita de dois fiscais da receita federal e tentam esconder as maracutaias; uma curadora de galeria de arte descobre que seu ex-amante foi nomeado diretor da instituição; um casal pretende expulsar uma inquilina maluca que não paga aluguel e se recusa a sair do apartamento; vizinhos resolvem entrar em guerra utilizando fogos de artifício. Todas as histórias terminam em tragédia, muito sangue jorrando e violência extremada. Apesar disso tudo, o bom humor (negro) prevalece e diverte muito. Não adiante citar nomes do elenco, já que são praticamente desconhecidos para nós. Diversão garantida. Não perca! Ah, tire as crianças da sala.                                                                 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 

“O REFÚGIO” (“THE NEST”), 2020, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h47m, coprodução Inglaterra/Canadá, roteiro e direção de Sean Durkin. Prejudicado pela pandemia de Covid, este ótimo drama não obteve sucesso de bilheteria nos cinemas. Começou a ser admirado depois de chegar à plataforma Amazon Prime. Pena não tido maior sucesso de público, pois o filme é excelente. Estamos no início dos anos 80. Rory O’Hara (Jude Law) mora em Nova Iorque com a família, a esposa Allison (Carrie Coon), e os dois filhos, a adolescente Samantha (Oona Roche) e o pequeno Benjamin (Charlie Shotwell). Rory trabalha em um grande escritório e é muito bem sucedido como empreendedor, garimpando novos negócios. Mas Rory é um empreendedor ambicioso e ousado, pretende ir mais longe, ganhar muito dinheiro e ser dono do próprio negócio. Então, apesar dos protestos da esposa, decide mudar para a Inglaterra, pois acredita ter descoberto a mina de ouro em uma nova empresa. Com mania de grandeza e um ego do tamanho de sua ambição, Rory aluga uma mansão vitoriana no campo, longe de Londres, onde funciona seu escritório. Para agradar Allison, reservou um terreno da casa para a construção de um haras. Nas reuniões em que participa com sócios em potencial, Rory costuma destilar mentiras sobre sua riqueza, sua cultura e outros devaneios. Só que o negócio que pretendia alavancar não dá certo e a família começa a passar necessidades. A crise se instaura entre os O’Hara e é nesse ponto que se sobressai a ótima atriz Carrie Coon. Cansada de ver o marido sonhar cada vez mais, Allison assume o comando da situação e até arruma emprego como empregada na fazenda vizinha. Carrie Coon tem uma cena memorável durante o jantar em que o marido destila suas mentiras a um grupo de empresários. Ela entra no meio da discussão e fala toda a verdade que estava entalada na garganta. Um primor de atuação dessa ótima atriz norte-americana que merecia mais atenção de Hollywood. Jude Law também está muito bem no papel no papel de falso empresário rico que vive de aparências. Ainda estão no elenco Anne Reid, Michael Culkin, Andrey Alen, Stuart McQuarrie, Adeel Akhtar e Wendy Crenson. Tanto Carrie quanto Jude Law foram indicados como melhor atriz e ator ao Gothan Awards, prêmio importante do cinema independente. Drama da melhor qualidade. Não perca!                                                                 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 

“SEBERG CONTRA TODOS” (“SEBERG”), 2019, disponível na plataforma Amazon Prime Video, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h42m, direção do cineasta australiano Benedict Andrews, seguindo roteiro assinado por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse. Jean Seberg (1938-1979) foi uma atriz norte-americana de muito sucesso nos anos 60 e 70, principalmente depois que atuou em vários filmes franceses da chamada Nouvelle Vague. Um deles, “Acossado”, com direção de Jean-Luc Godard, a consagrou de vez. “Seberg Contra Todos” aborda alguns anos da biografia da atriz a partir de 1968, ano em que retorna para os Estados Unidos e se envolve na luta pelos direitos civis dos negros. Seberg (Kristen Stewart) começa a contribuir financeiramente com o movimento Panteras Negras e ainda se torna amante do ativista negro Hakim Jamal (Anthony Mackie). Essa relação era secreta, pois ela era casada e ele também, fora o fato de um negro ir para a cama com uma branca era considerado um crime pelos ativistas. John Edgar Hoover, então diretor do FBI, mobilizou seus agentes para monitorar cada passo da atriz nos Estados Unidos. Não satisfeito, Hoover e seus agentes iniciaram uma campanha de difamação de Seberg através dos jornais de fofoca, divulgando seu caso com o ativista negro e denunciando que ela estava grávida dele. Mentira, pois ela estava grávida de um mexicano que conheceu em uma filmagem no México. Pressionada psicologicamente, Seberg não suportou a pressão e tentou o suicídio várias vezes. Ela morreria em 1979, com apenas 41 anos, em circunstâncias bastante suspeitas, não elucidadas até hoje. O filme é muito interessante não apenas pela história da atriz, mas também por ser ambientado em um período dos mais profícuos da história política dos Estados Unidos. Kristen Stewart, que aprendi a admirar já faz algum tempo, tem uma interpretação primorosa, além de estar muito bem caracterizada como Seberg, principalmente com aqueles cabelos loiros curtos, uma marca registrada da jovem atriz. Aliás, a recriação de época, notadamente os figurinos, também é um dos destaques deste ótimo drama biográfico. Ainda estão no elenco Jack O’Connell, Margaret Qualley, Zazie Beetz, Vince Vaughn, Colm Meaney, Yvan Attal e Stephen Root. Simplesmente imperdível!                                                               

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

 

“O HOMEM INVISÍVEL” (“THE INVISIBLE MAN”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h5m, roteiro e direção do australiano Leigh Whannell. Este é o oitavo filme realizado até hoje inspirado no conto clássico homônimo de H.G. Wells – o primeiro foi em 1933. A versão mais recente revelou-se um ótimo suspense, repleto de tensão, aflição e sustos, apresentando como trunfo adicional a excelente atuação da atriz Elisabeth Moss, que não passa um minuto sequer fora de cena do começo ao fim. Ela é Cecília Kass, uma mulher que sofre torturas físicas e psicológicas por parte do violento marido, o cientista milionário Adryan Griffin (Oliver Jackson-Cohen). Numa determinada noite, ela consegue fugir de casa depois de dopar Adryan. Ela vai para casa da irmã Emily (Harriet Dyer), ex-mulher do policial James Lanier (Aldis Hodge). Dominada pelo pânico a ponto de não conseguir sair na rua, Cecília ainda vive o trauma do antigo relacionamento. Até que chega a notícia da morte de Adryan, para alívio de todos. Ainda mais de Cecília, que ainda recebe uma herança milionária. Mas essa alegria durará pouco, pois coisas estranhas começam a acontecer. Ao alegar que algo invisível está atuando para deixá-la apavorada, Cecília é considerada louca e internada em uma clínica psiquiátrica. Mas a “coisa” invisível não a deixará em paz. Até conseguir provar sua versão, Cecília sofrerá um bocado, culminando com uma surpreendente reviravolta no desfecho. Algumas cenas são realmente de arrepiar os pelos da nuca, você esperando, como ela, surgir de repente algum movimento estranho na cozinha, na sala, no banheiro, no quarto. Tudo no maior silêncio. Haja coração! Também estão no elenco Michael Dorman e Harriet Dyer. Filmaço!                                                               

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

 

“O RESGATE – O DIA DA REDENÇÃO” (“REDEMPTION DAY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h39m, direção do cineasta marroquino Hicham Hajji – é o seu primeiro longa-metragem -, que também assina o roteiro com a colaboração de Sam Chouia e Lemore Syvan. É um filme de ação centrado no fuzileiro naval do exército norte-americano Brad Paxton (Gary Dourdan), condecorado depois de uma missão na Síria. Ele volta para casa e – primeiro clichê - sofre de pesadelos diários, o tal estresse pós-traumático. Sua esposa, Kate Paxton (Serinda Swan), uma renomada arqueóloga, acompanha o sofrimento do marido e promete jamais deixá-lo sozinho. Até o dia em é convidada para chefiar os trabalhos de escavação de uma cidade submersa no deserto de Marrocos, bem ao lado da fronteira com a Argélia. Kate fica em dúvida se vai ou não vai por causa do marido. Ele próprio resolve incentivá-la e ela embarca para Marrocos. No primeiro dia de trabalho, a equipe de Kate ultrapassa sem querer a fronteira com a Argélia e acaba sequestrada por terroristas, que exigem 10 milhões de dólares do governo norte-americano para soltá-la. Não se conhecia até aquele momento o esconderijo dos sequestradores, o que acabou atrasando uma eventual mobilização dos SEAL’S (soldados das forças especiais da Marinha dos EUA). Então o marido-herói resolve entrar em ação, com a ajuda de um ex-companheiro do exército. Eles entram em território argelino e, de uma maneira que só o cinema é capaz de inventar, conseguem descobrir onde estão os sequestradores e a arqueóloga. Se o filme já não é lá muito bom, ficou ainda pior com um desfecho dos mais esquisitos e patéticos, criado para você não entender absolutamente nada. Sem contar com algumas frases de diálogos que beiram o ridículo, tais como “Escute, filho, eu sou seu pai”, diz o pai ao filho herói, ou então “Eu sei que nada disso faz sentido. Vamos nos divertir”, diz o embaixador norte-americano em meio a toda aquela tensão, e ainda “Ora, ora, ora. Vamos começar esta festa!”, exclama o marido-herói antes de invadir o reduto dos sequestradores. Trocando em miúdos, bom mesmo é contar com a competência e a beleza da atriz canadense Serinda Swan, da série “Coronel”, ainda em cartaz na TV a cabo. Impressionante a semelhança física de Serinda com a atriz australiana Ruby Rose. Parecem irmãs gêmeas, com uma diferença fundamental: Serinda é mais feminina e Ruby mais machona, assumidamente lésbica. Em todo caso, as duas são muito bonitas. Ainda estão no elenco Andy Garcia, Samy Naceri, Erny Hudson, Brice Bexter e Martin Donovan. Entre os prós e contras, fique com os “prós” por causa de algumas boas cenas de ação e, claro, por causa de Serinda. Pode registrar como "contras" todo o resto.