sábado, 7 de abril de 2018


Representante oficial da Islândia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filmes Estrangeiro, “A SOMBRA DA ÁRVORE” (“UNDIR TRÉNU”), roteiro e direção de Hafsteinn Gunnar Sigurdsson,  é uma ótima comédia de humor negro. O enredo percorre duas vertentes. Na primeira, Agnes (Lára Jóhanna Jónsdóttir) surpreende o marido Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) se masturbando na frente do computador assistindo a um vídeo onde ele próprio faz sexo com outra mulher. O casamento entra em crise e Atli volta a morar com os pais. Na segunda vertente, a história é centrada em dois casais de vizinhos, um deles justamente os pais de Atli, Inga (Edda Björguinsdóttir) e Baldwin (Sigurour Sigurjónsson), que vivem a amargura da terceira idade, ela uma mulher insatisfeita e sempre disposta a encarar uma briga. Na casa deles, uma grande árvore impede que os vizinhos Agnes (Lára Jóhanna Jónsdóttir) e Atli (Steibór Hróar Steinbórsson) curtam o sol no terraço. Começa a desavença, incluindo o sumiço do gato de Inga e do cachorro pastor alemão de Agnes e Atli. Os casais se acusam pelo desaparecimento dos bichos, transformando a convivência num verdadeiro inferno, com direito a confrontos que terminam num verdadeiro banho de sangue. Apesar do contexto de intolerância, tudo é levado no maior bom humor, tornando essa comédia um ótimo entretenimento. Por aqui, foi exibido durante a programação da 41ª Mostra Internacional do Cinema de São Paulo, em out./nov. 2017.    

quinta-feira, 5 de abril de 2018


“EU, TONYA” (“I, TONYA”), 2017, EUA, direção do australiano Craig Gillespie (“A Garota Ideal”,  “Horas Decisivas”), com roteiro de Steven Rogers. Trata-se da cinebiografia da patinadora artística norte-americana Tonya Harding, que às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 participou de um plano macabro, juntamente com o marido Jeff Gillooly e mais dois amigos: ferir sua principal rival na época, Nancy Kerrigan, impedindo-a de disputar a competição. Na época, o caso ficou famoso no mundo inteiro, colocando-se entre as páginas mais tristes e chocantes do mundo esportivo. O filme mostra o início da carreira vitoriosa de Tonya, que aos 4 anos de idade já encantava os adeptos e os fãs da patinação artística no gelo. Ano após ano, Tonya conquistaria inúmeros torneios, tornando-se a estrela máxima do seu esporte, a única patinadora a realizar com perfeição o “Triple Axel”, o mais difícil e complicado movimento da patinação artística. Poucos sabiam, porém, que por trás dessa garota havia uma mãe obcecada, violenta e descontrolada, responsável direta não apenas pela trajetória de Tonya, mas também por tudo de mal que a garota seria capaz de fazer para conquistar suas vitórias. Tonya só era feliz quando estava no ringue de patinação com os holofotes e os aplausos do público. Na verdade, sua vida particular era um verdadeiro inferno, com sua mãe insana e o marido que a espancava quase todo dia. Não deixe de ver os créditos finais, que explicam os destinos que tiveram os principais personagens da história. Tudo isso está em “Eu, Tonya”, que consagrou a australiana Margot Robbie (Tonya) como uma ótima atriz, tendo sido indicada para receber o Oscar 2018. Seu trabalho é excelente. O diretor Gillespie tentou deixá-la menos linda, o que é impossível. Conseguiu pelo menos desglamourizá-la. Eu mesmo achava, antes deste filme, que Margot Robbie era mais bonita do que competente. Ela me convenceu também do contrário. Outro destaque do filme é a veterana Allison Janney no papel de LaVona Harding, mãe de Tonya, o que lhe valeu, com muita justiça, o Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante. Enfim, um ótimo programa para curtir na telinha.  

domingo, 1 de abril de 2018


“ELES” (“ILS”), 2006, escrito e dirigido por David Moreau e Xavier Palud. Competente terror francês, recheado de muito suspense e alta tensão. Conta a história de um casal de franceses, Clémentine (Olivia Bonamy) e Lucas (Michaël Cohen), moradores num casarão na zona rural próxima a Bucareste (capital da Romênia) – o filme não explica porque eles se estabeleceram por lá. Ela dá aulas de francês numa escola e ele é – ou tenta ser – escritor. Numa noite qualquer, eles escutam barulhos fora da casa e saem para ver o que está acontecendo. Um bando de intrusos cerca a casa e alguns tentam entrar. Como eles não aparecem na tela, até o desfecho o espectador fica imaginando quem seriam os intrusos: vândalos ciganos, zumbis, assaltantes ou até mesmo vampiros – afinal, a Romênia não é a terra do Drácula? Esse suspense prossegue em ritmo acelerado, prendendo e segurando a atenção até o final do filme. Dessa forma, como terror psicológico até funciona bem, mesmo porque tem alguns bons sustos e muita aflição, garantindo um bom entretenimento. No gênero, já vi vários filmes parecidos, alguns piores, outros melhores. Ah, esqueci de ressaltar que a história é baseada em fatos reais, como é explicado nos créditos finais.          

sábado, 31 de março de 2018


“COLHEITA AMARGA” (“Bitter Harvest”), 2017, Canadá, roteiro e direção do diretor alemão George Mendeluk. Trata-se de um drama histórico baseado em fatos reais, ambientado nos primeiros anos da década de 30 na Rússia.  Stalin ordenou a expropriação das terras produtivas dos agricultores ucranianos, alegando que elas pertenciam ao estado russo. Como os ucranianos não concordaram, Stalin simplesmente mandou seu exército confiscar tudo o que era produzido na Ucrânia. Além disso, como uma espécie de vingança, lançou o Projeto “Holodomor”, cujo objetivo era promover a morte da população da Ucrânia por inanição. O caso ficou conhecido como o “holocausto ucraniano”, pois causou a morte de cerca de 10 milhões de ucranianos. Esse lamentável fato histórico somente viria a público em 1991, logo depois da desintegração da União Soviética. Esse pavoroso genocídio colocou Stalin como um assassino  pior do que Hitler. “Colheita Amarga”, em sua fase inicial, é ambientado no vilarejo ucraniano de Smila, onde vivem as famílias de Yuri (Max Irons) e Natalka (Samantha Barks), ambas atingidas pela perseguição violenta de Stalin. O avô de Yuri é um herói de guerra ucraniano, Ivan Kachaniuk (Terence Stamp), opositor ferrenho de Stalin. Numa segunda fase, a ação muda para Kiev, para onde vai Yuri tentar a vida e ganhar dinheiro para enviar para sua família. O filme retrata de forma bastante realista o sofrimento do povo ucraniano, com muitas cenas de execução e tortura. Nem mesmo o romance entre Yuri e Natalka consegue amenizar o contexto dramático deste que foi considerado um dos maiores genocídios do Século XX. O filme merece ser visto por retratar um fato histórico tão importante.           

quarta-feira, 28 de março de 2018



“O SACRIFÍCIO DO CERVO DOURADO” (“THE KILLING OF A SACRED DEER”), 2017, Inglaterra. O título já não é muito convidativo. E a sensação de dúvida aumenta ainda mais quando a gente lê na sinopse que o filme foi escrito e dirigido pelo diretor grego Yórgos Lánthimos, conhecido no mundo da Sétima Arte como um autor de filmes esquisitos, tais como “Dente Canino” e “O Lagosta”. Ou seja, um diretor excêntrico e hermético. Tentei desvendar o segredo do título e descobri que se refere a uma tragédia grega escrita por Eurípedes. O diretor Yórgos levou tão a sério que o filme realmente virou uma tragédia, repulsivo, desconfortável, perturbador e lúgubre. E olha que o elenco não é tão ruim: Colin Farrell, Nicole Kidman e Barry Keoghan (de “Dunkirk”), só para citar os principais nomes. Vamos à história: em suas horas de folga, o médico Steven Murphy (Farrell), um renomado cirurgião cardíaco, sempre conversa com o jovem Martin (Keoghan). Há anos que os dois mantém uma relação de verdadeiros amigos. Há um elo bastante forte que une os dois: o pai de Martin morreu durante uma operação de coração realizada por Murphy. Aos poucos, Martin vai se aproximando da família do médico, da esposa Anna (Kidman) e dos dois filhos Bob (Sunny Suljic) e Kim (Raffey Cassidy). A partir daí, o filme se transforma num suspense psicológico até que interessante: será que o garoto vai atingir a família do médico para se vingar da morte do pai? Tchan, tchan, tchan... Não espere explicações plausíveis para o que você vai ver. Pior de tudo é que o filme venceu o Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.  

segunda-feira, 26 de março de 2018


Com “RODA GIGANTE” (“WONDER WHEEL”), 2017, Woody Allen comprova que ainda está em grande forma como roteirista e diretor, mesmo aos 82 anos. Este talvez seja seu melhor filme dos últimos anos, com uma trama bem apimentada e muito saborosa. É o Woody Allen de sempre: roteiro primoroso, diálogos inteligentes, trilha sonora com muito jazz antigo etc. Faltou um pouco mais de humor - não tem nem piada de judeu –, mas o resultado final é simplesmente irresistível. Ambientada nos anos 40, a história é centrada em Ginny (Kate Winslet), esposa de Humpty (James Belushi), operador de carrossel num parque de diversões na praia de Coney Island (distrito do Brooklyn, New York). Atriz fracassada, ela vive com Humpty um segundo casamento infeliz, ainda tendo que aturar os aprontos de Richie (Jack Gore), seu filho de 8 anos cujo único prazer é incendiar tudo que vê pela frente. Ginny acaba conhecendo o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake) e os dois começam um caso. O romance proibido vai bem até a chegada da jovem e bela Caroline (Juno Temple), filha de Humpty, que abandonou um poderoso namorado mafioso. Para desespero de Ginny, Mickey começa a se interessar por Caroline, e vice-versa. Como a situação vai terminar, só vendo o filme. A  fotografia do consagrado Vittorio Storaro, que já havia trabalhado com Allen em “Café Society”, é nada menos do que deslumbrante. Mas o grande destaque é, sem dúvida, a atriz inglesa Kate Winslet, que tem, certamente, o melhor desempenho de toda a sua carreira, principalmente nas cenas em que demonstra – sem querer demonstrar - um ciúme doentio. Sua atuação é simplesmente magistral. Por este seu trabalho, merecia ganhar o Oscar de “Melhor Atriz”, mas não foi nem indicada. Mistérios da Academia... Em seus filmes, Allen sempre criou personagens femininas interessantes e poderosas, tanto é que nada menos do que cinco atrizes ganharam o Oscar dirigidas pelo diretor norte-americano: Kate Blanchett, Dianne West, Diane Keaton, Mira Sorvino e Penélope Cruz. E Allen continua com a corda toda: atualmente, está filmando “A Rainy Day in New York” (“Um dia chuvoso em Nova Iorque”). Depois de Fellini e Mario Monicelli, Woody Allen sempre foi meu diretor preferido. Resumo da ópera: “RODA GIGANTE” é imperdível!                         


sábado, 24 de março de 2018


“MÁS NOTÍCIAS PARA O SR. MARS” (“Des Nouvelles de La Planète Mars”), 2015, França/Bélgica, roteiro e direção do alemão Dominik Moll. Trata-se de uma comédia muito engraçada sobre um engenheiro, Phillippe Mars (François Damiens), que de repente se vê às voltas com várias situações que vão deixá-lo à beira de um ataque de nervos. Começa que sua ex-mulher, Myrian (Léa Drucker), uma repórter de TV, é obrigada a cobrir um evento internacional em Bruxelas (Bélgica) e pede a Phillippe que cuide dos seus dois filhos adolescentes. Como se não bastasse, sua irmã Xanaé Mars (Olivia Cotê) promove uma exposição de quadros nos quais retrata os pais completamente nús e, mais tarde, obriga Phillippe a ficar com seu cachorrinho de estimação. O suplício de Phillippe ainda não terminou. Jérôme (Vincent Macaigne), seu colega de trabalho no escritório, tem um surto psicótico, é internado numa clínica e depois liberado, indo pedir “asilo” na casa de Phillippe, levando a tiracolo uma paciente pela qual se apaixona, a birutinha Chloé (a maravilhosa atriz belga Verlee Baetens, do ótimo “Alabama Monroe”). A confusão está formada, garantindo boas risadas durante a maior parte do tempo. Só que nos minutos finais, o filme perde o ritmo de comédia e passa a adotar momentos do mais puro sentimentalismo, sem prejudicar o resultado final. Em todo caso, vale pelos diálogos bem humorados e pelas situações divertidas. Uma delas, a aparição dos fantasmas dos pais de Phillippe, dois velhinhos simpáticos que alegram o ambiente. Sem dúvida, um ótimo programa.                     

sexta-feira, 23 de março de 2018


“O FILHO DE JOSEPH” (“Les Fils de Joseph”), 2016, França, escrito e dirigido por Eugène Green. A história é centrada no jovem Vincent (Victor Ezenfis), de 15 anos, criado pela mãe solteira Marie (Natacha Régnier). Vincent insiste que ela revele o nome do seu pai, que durante anos foi um segredo trancado a sete chaves. A mãe sempre tinha a mesma resposta: “Você não tem pai”. Um dia, porém, Vincent, garoto esperto, acaba descobrindo a identidade do pai, Oscar Pormenor (Mathieu Amalric), um importante editor de livros. Em meio a uma vingança planejada por Vincent contra o próprio pai, surge na história Joseph (Fabrizio Rongione), irmão de Oscar, que aparece do nada para pedir um empréstimo. Logo fica evidente que os irmãos nunca se deram e continuarão assim depois que Oscar recusa-se a atender ao pedido de Joseph. Papo vai, papo vem, Joseph faz amizade com Vincent, que fica interessado em Marie.  Até aí o filme fica interessante, mas perde o ritmo no final, principalmente quando, numa longa cena, Joseph, Marie e Vincent caminham na praia com um burrinho, uma referência explícita à cena bíblica de José e Maria a caminho de Belém. Trata-se de mais uma excentricidade do diretor norte-americano radicado na França, responsável pelo elogiado “La Sapienza”, também difícil de digerir. Na maioria de seus filmes, Eugène Green faz questão de colocar pitadas de humor negro, diálogos com pretensões intelectuais e uma certa erudição. Em "O Filho de Joseph", por exemplo, ele dá grande destaque a um quadro pendurado no quarto do jovem Vincent, "O Sacrifício de Isaac", pintado por Caravaggio no Século 17. Resumo da ópera: Eugène quis fazer um filme com pretensões intelectuais, mas acabou reforçando ainda mais a sua imagem de diretor excêntrico. Como informação adicional, lembro que assinam a produção Luc e Jean-Pierre, conhecidos como os Irmãos Dardenne, consagrados diretores belgas. “O Filho de Joseph” é apenas interessante, longe de agradar o grande público.                   


segunda-feira, 19 de março de 2018


“ROMAN J. ISRAEL” (“Roman J. Israel, Esq.”), roteiro e direção de Dan Gilroy (do excelente “O Abutre”, com Jake Gyllenhaal), conta a história de um advogado criminalista brilhante, Roman Israel (Denzel Washington), mas um tipo bastante estranho: gordo, desajeitado, roupas cafonas e um cabelo “black power” igual aos ativistas dos anos 60/70 – ele idolatra especialmente Angela Davis. Durante anos, ele atuou nos bastidores do escritório e dos tribunais, elaborando as estratégias de defesa que seu sócio, Willian Henry Jackson, utilizava, com grande sucesso nos julgamentos. Quando Willian sofre um ataque cardíaco e entra em coma, Roman é obrigado a assumir o seu trabalho nos tribunais. Só que Roman é um advogado radicalmente idealista, seguindo à risca os princípios morais e éticos da profissão. Pode estar diante de um juiz no tribunal ou de um importante promotor, ele não tem medo de enfrentar qualquer autoridade para fazer valer as suas convicções. Depois que seu escritório é fechado, ele passa a trabalhar para outro advogado de sucesso, George Pierce (o ator irlandês Colin Farrel), um verdadeiro “tubarão” no meio jurídico, advogado/empresário que só enxerga o Direito como uma forma de ganhar dinheiro, sem concessões à ética da profissão. Mais um grande trabalho de Denzel Washington, que, pelo papel, foi indicado ao prêmio de “Melhor Ator” no Oscar 2018. Denzel já havia conquistado a estatueta de Melhor Ator em 2002 por “Dia de Treinamento” e a de Melhor Ator Coadjuvante por “Glory”, em 1990. “Roman J. Israel” tem como seu maior trunfo justamente o desempenho de Denzel, embora a história também seja ótima e o filme muito bom.                     

sábado, 17 de março de 2018


Selecionado para representar o Senegal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “FÉLICITÉ”, roteiro e direção de Alain Gomis, é um drama bastante pesado, centrado numa mulher bastante sofrida, maltratada pela vida. Ao contrário do que possa sugerir o seu nome, Félicité (Véronique Beya Mputu) é uma mulher infeliz, mas muito corajosa para manter e custear as despesas da casa e sustentar o filho Tabu (Gaetan Claudia), um jovem de 16 anos que ainda não encontrou um caminho na vida. Ela mora num bairro pobre de Kinshasa, capital da República Federal do Congo, e faz bico como crooner de uma banda num bar que para ser chamado de espelunca precisa melhorar muito. Quando seu filho sofre um grave acidente e precisa ser operado, Félicité vai à luta para arranjar dinheiro. Pede para todo mundo, inclusive para quem não conhece, expondo-se várias vezes a uma grande humilhação. E mesmo assim ela vai em frente. Triste acompanhar o drama dessa mulher batalhadora, cujo único prazer é cantar. Trata-se de um filme de grande impacto, dramático além da conta, mas que apresenta uma personagem de muita coragem, representada por uma ótima atriz. Enfim, um filme que não abre concessão para nenhum tipo de sorriso ou momento sensível. Estreou durante o 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, conquistando o Grande Prêmio do Júri.      

quarta-feira, 14 de março de 2018


“MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA” (“Mark Felt: The Man Who Brought Down The White House"), 2017, EUA, roteiro e direção de Peter Landesman. Quem não se lembra do famoso caso Watergate e a consequente renúncia do presidente Richard Nixon em 1974? Quem não se lembra também que tudo aconteceu depois que um informante misterioso entregou todo o esquema escabroso da Casa Branca (invasão à sede do Partido Democrata) aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post? Até 2005, a identidade do informante, na época apelidado de “Garganta Profunda” (“Deep Throat”), ficou escondida. Até que Mark Felt resolveu escrever um livro de memórias, “A G-Man’s Life”, juntamente com o advogado John D. O’Connor. Contou tudo, desde a tramoia da Casa Branca para esconder a responsabilidade de Nixon e o esquema engendrado pelo governo para nomear um homem de confiança para ocupar o posto de nº 1 do FBI no lugar do recém-falecido J. Edgar Hoover. Felt seria o substituto natural, já que era o nº 2. Além disso, Felt conta em detalhes o que aconteceu nos bastidores da Casa Branca e do FBI durante aquela grave crise política, para enfim confessar que foi ele mesmo quem entregou tudo aos jornalistas do Washington Post. O elenco é ótimo: Liam Neeson, Diane Lane, Maika Monroe, Josh Lucas Tony Goldwyn, Eddie Marsan, Noah Wyle, Tom Sizemore e Kate Walsh. Embora a crítica especializada não tenha gostado do filme, eu gostei muito, pois adoro todos esses filmes que revelam os bastidores de casos importantes, como foi o de Watergate. Eu achei um filmaço!       
                    

terça-feira, 13 de março de 2018


“A GAROTA DESCONHECIDA” (“Lafille inconnue”), 2016, Bélgica, roteiro e direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne, mais conhecidos como os Irmãos Dardenne. A história é centrada na jovem médica Jenny (Adèle Haenel), que assumiu interinamente os trabalhos de uma clínica pertencente a um experiente médico que foi seu mentor na faculdade e na fase de residência. Além de atender os pacientes na clínica, a dra. Jenny também tem como rotina de trabalho visitas a pessoas idosas e com dificuldade de locomoção. Em determinada noite, uma hora após fechar a clínica, a campainha toca e Jenny, dado o adiantado da hora, resolve não atender. Depois, porém, ela fica sabendo que quem tocou a campainha foi uma imigrante africana que na mesma noite seria encontrada morta. Pronto, acabou o sossego para a médica, que não se conforma com o fato da moça ter sido enterrada como indigente porque ninguém apareceu para reclamar o cadáver. A assim o filme segue com a dra. Jenny tentando achar a família da falecida, o que lhe acarretará alguns perigos por parte de alguns marginais. O pessoal que assistiu o filme no Festival de Cannes, público, jornalistas e críticos, não gostou. Numa das sessões, o filme chegou a ser vaiado. Realmente, não é o melhor dos Irmãos Dardenne, que já nos presentearam com ótimas produções como “A Garota da Bicicleta” e “A Criança”. De qualquer forma, impossível não elogiar a excelente atuação de Adèle Haenel, jovem atriz francesa que está entre as melhores de sua geração. Quem quiser conferir outros trabalhos magistrais de Haenel, recomendo “Amor à Primeira Briga” e “Os Homens que Elas Amavam”.       
                    

segunda-feira, 12 de março de 2018


Vencedor do Oscar/2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama chileno “UMA MULHER FANTÁSTICA” (“UNA MUJER FANTÁSTICA”), roteiro e direção de Sebastián Lelio (do espetacular “Glória”), teve sua primeira exibição ocorrida durante o Festival de Berlim, em fevereiro de 2017, causando grande polêmica. Afinal, sua história é toda centrada na garçonete/cantora transexual Marina (Daniela Vega, também transexual e cantora lírica na vida real). Ela mora com o namorado bem mais velho Orlando (Francisco Reyes), que logo no começo do filme sofre a ruptura de um aneurisma e acaba falecendo. Pressionada pela família de Orlando, que não se conformava com o romance – afinal, quando os dois se conheceram Orlando ainda era casado –, a polícia começa a desconfiar que Marina pode ter assassinado o companheiro. Mesmo sofrendo esse tipo de perseguição, incluindo a humilhação de ser proibida de comparecer ao velório e ao enterro de Orlando, Marina enfrenta tudo com muita coragem. Numa das cenas mais bonitas do filme, Marina está andando por uma rua e, de repente, é atingida de frente por uma violenta ventania. Ela se enverga, luta contra o vento e consegue se manter de pé. Daniela Vega é uma atriz espetacular. Um belo filme, sem dúvida, mas preferia que o austríaco “Corpo e Alma” fosse o vencedor do Oscar.   

domingo, 11 de março de 2018


“FEITO NA AMÉRICA” (“AMERICAN MADE”), 2017, direção de Doug Liman, com roteiro de Gary Spinelli, conta a incrível história, baseada em fatos reais, do piloto de aviação Barry Seal (Tom Cruise), que no fim dos anos 70 abandonou uma carreira segura como piloto da TWA (Trans World Airlines) depois de ser recrutado pela CIA para fotografar bases de guerrilheiros rebeldes e zonas dedicadas à produção de drogas em países da América do Sul e Central. Nesse trabalho, que entrou pelos anos 80, Seal contrabandeou armas para os “contras” da Nicarágua e depois, cooptado pelos traficantes colombianos, incluindo Pablo Escobar, transportou toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Ganhou rios de dinheiro, ficou milionário, mas depois teve de pagar o preço por essa vida arriscada e aventureira. Toda essa história é contada num ritmo alucinante, com muita ação. Os vôos arriscados e os perigos inerentes ao trabalho de piloto servindo aos traficantes são o ponto alto do filme. O diretor Doug Liman é especialista em filmes de ação. Dirigiu, por exemplo, “A Identidade Bourne”, “No Limite do Amanhã” e “Na Mira do Atirador”, entre outros. “Feito na América” também ratifica o astro Tom Cruise como um ótimo ator de filmes de ação. Neste, especialmente, ele dá show. Excelente entretenimento!                    

quinta-feira, 8 de março de 2018


“EM CIMA DO MURO” (“L’EMBARRAS DU CHOIX”), 2017, França, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”). Trata-se de uma simpática e agradável comédia romântica com alguns diálogos inteligentes e bons momentos de humor. Aos 40 anos, Juliette (a feiosa/charmosa Alexandra Lamy, 46 anos na vida real) conserva um defeito que carrega desde criança: é indecisa demais. Para escolher um esmalte ou uma roupa, depende sempre da opinião das amigas Joelle (Anne Marivin) e Sonia (Sabrina Ouazani), além dos conselhos do pai. Um dia, com a ajuda de Joelle e Sonia, Juliette entra num site de relacionamentos e acaba conhecendo Paul (Jamie Bamber), um bonitão escocês pelo qual se apaixona perdidamente. Ao mesmo tempo, porém, ela conhece Étienne (Arnaud Ducret), um charmoso professor de culinária. Pinta nova paixão. E agora? Qual deles ela escolherá? Mais uma indecisão que lhe trará grandes problemas. A partir daí, o filme ganha algumas situações muito engraçadas, pois Juliette, sem saber o que fazer, vai tentar “enrolar” os dois, mas não é esperta o suficiente. No gênero “comédia romântica”, trata-se de um filme acima da média, mesmo que não exija muito dos neurônios.                     

quarta-feira, 7 de março de 2018


Selecionado para representar o Nepal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “SOL BRANCO” (“SETO SURYA”, título original, e nos países de língua inglesa “White Sun”), é o segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo nepalês Deepak Rauniyar – o primeiro foi Higway, de 2012. A história é ambientada num pequeno vilarejo montanhoso cuja população continua arraigada às tradições milenares do Tibete. Um de seus antigos moradores, Chandra (Dayahang Rai), chega à aldeia depois de lutar ao lado dos rebeldes maoístas – apoiados pela China, claro – contra o governo monárquico (a guerra civil se estendeu por 10 anos, de 1996 até 2006, ocasionando a morte de 12.700 pessoas). Chandra voltou para participar do enterro do pai. Ao chegar, Chandra passou a discutir com o irmão Suraj (Rabindra Singh Baniya) por motivos políticos e também por disputarem a mesma mulher. Pela tradição, o corpo do pai tem de ser levado pelos filhos, mas Suraj se recusa a fazê-lo com o irmão maoísta. Está criado o impasse, envolvendo ainda as lideranças do vilarejo e até mesmo as crianças. Apesar do contexto dramático, a situação acaba gerando um certo humor negro, o que torna essa produção do Nepal, de curta duração (89 minutos), um entretenimento dos mais agradáveis. Um dos trunfos do diretor Rauniyar foi a utilização de atores amadores, o que tornou a história mais realista.                   

segunda-feira, 5 de março de 2018



“TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME” (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”), EUA, 2017, roteiro e direção de Martin McDonagh. Com este sensacional thriller policial, Frances McDormand acaba de ganhar seu segundo Oscar como Melhor Atriz (o primeiro foi por “Fargo”, em 1998). Ela interpreta Mildred Hayes, uma mãe que teve a filha assassinada e que se revolta com o fato da polícia local, comandada pelo xerife Bill Willoughby (Wood Harrelson), não ter encontrado o assassino. Decide, então, comprar espaço publicitário em três outdoors de estrada e lá escreve acusações contra o xerife. O fato provoca uma série de reações não só por parte da polícia como também da população local, já que todo mundo adora Bill. Jason Dixon (Sam Rockwell), um dos policiais da cidade, toma as dores do chefe/xerife e começa a perseguir Mildred, que jamais se intimida. Pelo contrário, parte também para a violência – algumas cenas lembram o estilo de Tarantino. Frances McDormand dá um show como a mulher durona que não tem medo de partir para a briga. Outro destaque é o ator Sam Rockwell, também com justiça vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Sempre achei Rockwell um ótimo ator, mas pouco aproveitado por Hollywood. Quem sabe a partir de agora sua carreira deslanche de vez. Ponto também para o diretor Martin McDonagh, responsável por outros dois bons filmes, “Na Mira do Chefe” e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”, este último também com Sam Rockwell.                    

domingo, 4 de março de 2018


A história do thriller policial “BONECO DE NEVE” (“The Snowman”), 2017, EUA/Inglaterra/Suécia/Noruega, é baseada no livro do escritor norueguês de romances policiais Jo Nesbø, lançado em 2007 e adaptado agora para o cinema pelos roteiristas Hossein Amini e Matthew Michael Carnahan, sob a direção de Tomas Alfredson (“Deixe Ela Entrar” e “O Espião que Sabia Demais”). O elenco é de primeira: Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Toby Jones, Chloë Sevigny e – vá lá – Val Kilmer. Quem conhece sabe que são atores do mais alto nível e que protagonizaram alguns excelentes filmes. Não li o livro “The Snowman” para dizer se é bom. Mas a adaptação para o cinema deixou a desejar. Transformou-se numa trama confusa, de difícil entendimento e com muitos furos de roteiro. A história: o policial beberrão Harry Hole (Fassbender) e a novata na polícia Katrine Braft (Ferfuson) investigam o assassinato de várias mulheres. O serial killer deixa sempre sua marca: um boneco de neve com a cabeça da vítima. A complicação da trama ainda envolve a ex-esposa de Hole, Rakel Fauke (Gainsbourg), e seu atual marido, além de um antigo policial (Val Kilmer). Por falar em Kilmer, dá pena do ator. Ex-bonitão – quem não se lembra dele em “Top Gun”? -, Kilmer está inchado, envelhecido e falando com dificuldade - a impressão é que teve um AVC. Um triste final de carreira. O filme foi totalmente rodado na Noruega durante um inverno pesado e, se há algo a destacar, são as belas paisagens gélidas, favorecendo uma deslumbrante fotografia. Repito: o roteiro é bastante confuso que nem o desfecho consegue explicar. Elenco de primeira, para um filme de segunda.                      

sábado, 3 de março de 2018



“BORG vs. MCENROE”, 2017, Suécia/Dinamarca, direção de Janus Metz Pedersen, com roteiro de Ronnie Sandahl. O filme apresenta os bastidores dos meses que antecederam a disputa do Torneio de Wimbledon de 1980, quando o tenista nº 1 do mundo, o sueco Björn Borg, tentaria sua quinta vitória consecutiva, atingindo um feito inédito. Em seu caminho, porém, estava o norte-americano John McEnroe. Tudo levava a crer que a final seria entre os dois, o que a mídia da época já alardeava como a partida do século. Os grandes tenistas tinham temperamentos completamente diferentes: Borg, de 24 anos, era frio e calculista, jogava no fundo da quadra e tinha enorme paciência para conquistar os pontos – por isso, era chamado de “IceBorg”; McEnroe, com 20 anos, era explosivo, sacava e corria para a rede para fechar os pontos, reclamava toda hora com o juiz de cadeira e brigava com o público. Enquanto Borg era idolatrado, McEnroe era odiado e sempre vaiado pelos torcedores. Pressionado com a perspectiva de conquistar o seu 5º título consecutivo de Wimbledon, Borg sofria com a pressão de sair vitorioso, o que gerou desentendimentos com o seu treinador Lennart Bergelin (Stellan Skarsgard) e com a namorada Mariana Simionescu (Tuva Novotny). Ou seja, Borg não era aquele tenista livre de sentimentos. Borg é interpretado com muita competência pelo ator sueco Sverrir Gudnason, que tem uma incrível semelhança física com o grande tenista. O ator Shia Labeouf faz um McEnroe bastante antipático e histérico, exatamente o perfil do original. Enfim, o filme deve agradar apenas aos amantes do tênis, principalmente aqueles que curtiram e acompanharam a trajetória dessas duas lendas do esporte. O filme teve sua estreia mundial durante o 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.                 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


“MARSHAL”, EUA, 2017, direção de Reginald Hudlin. Trata-se de um ótimo drama de tribunal, que ficou melhor ainda por ser baseado em fatos reais. Ambientado no início dos anos 40, o filme recorda um dos casos mais famosos do advogado Thurgood Marshall (Chadwick Boseman, o “Pantera Negra” atualmente em cartaz), que anos mais tarde seria o primeiro juiz afro-descendente a pertencer à Corte Suprema Americana. Em início de carreira, Marshall percorria o território norte-americano como advogado da ANPPC (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), defendendo os negros acusados, justa ou injustamente, por algum crime – ser negro nos EUA, naquela época, era meio caminho andado para a prisão. O caso retratado no filme relembra como Marshall atuou na defesa do motorista particular Josepho Spell (Sterling K. Brown), acusado de estuprar e tentar assassinar sua patroa, a socialite Eleonor Strubing (Kate Hudson, ótima como mulher fatal). Durante o julgamento, Marshall contou com a colaboração de Sam Friedman (Josh Gad), um advogado bastante atrapalhado e responsável por várias e ótimas cenas de humor. A surpreendente reviravolta no final torna o filme ainda mais interessante. “Marshall” disputará o Oscar 2018 na categoria Melhor Canção Original (“Stand up for Something”).             

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Mais do que um excelente filme, “O DESTINO DE UMA NAÇÃO” (“Darkest Hour”) é uma verdadeira e saborosa aula de História, cujo principal personagem é Winston Churchil, primeiro-ministro inglês que comandou a resistência aliada contra as forças alemãs de Hitler. O filme, escrito por Anthony McCarten e dirigido por Joe Wright, aborda os bastidores da política inglesa no início da Segunda Guerra Mundial, quando o Parlamento e o Rei George VI decidem destituir Neville Chamberlain do cargo de primeiro-ministro e colocar Winston Churchil em seu lugar. De início, Churchil é pressionado pelo comitê de guerra para negociar um tratado de paz com Hitler, pois havia o temor de que as tropas alemãs invadissem a Inglaterra. Churchil foi contra essa ideia e, com seus discursos de forte cunho patriótico, motivou o povo inglês a pegar em armas contra os nazistas. O filme dá grande destaque ao episódio de Dunquerque, quando 300 mil soldados ingleses foram encurralados no litoral francês pelo forte exército alemão. Churchil, interpretado com maestria pelo ator Gary Oldman, é humanizado e apresentado como um político surpreendentemente indeciso, apreciador de uísque e comidas gordurosas no café da manhã, além dos seus inseparáveis charutos e champanhe no almoço e no jantar. O filme disputará o Oscar 2018 em seis categorias: Melhor Filme, Ator, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. Estão no elenco, além de Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ronald Pickup, Ben Mendelsohn e Stephen Dillane. O filme é ótimo, simplesmente imperdível!          

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O drama russo “SEM AMOR” (“Nelyubov” – em inglês, “Loveless”), escrito e dirigido por Andrey Zvyagintsev, estreou durante no 70º Festival de Cannes 2017 e conquistou o Grande Prêmio do Júri. Além disso, está entre os cinco finalistas que disputarão o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. A história envolve a relação desfeita do casal Zhenya (Mariana Spivak) e Boris (Alexey Rozin), que resolvem se separar de forma traumática, com brigas e acusações das mais ásperas. Principalmente por parte de Zhenya, que demonstra um ódio amargo pelo marido. As discussões chegam ao ponto de envolver a guarda do filho do casal, Alyosha (Matvey Novikov), um garoto entrando na adolescência. Zhenya diz que não quer ficar com o filho e Boris rebate dizendo que o menino precisa da mãe. Alyosha escuta toda essa conversa, sofre com o desamor dos pais e simplesmente desaparece do mapa, o que acaba gerando uma busca incessante por parte da polícia. A ausência de sentimentos em relação ao filho desaparecido fica mais do que evidente. Como se nada tivesse acontecido, Boris curte um romance com uma jovem bem mais moça, que está grávida, e Zhenya inicia uma nova vida amorosa indo morar com um namorado rico. O roteirista e diretor Andrey Zvyagintsev, que se revelou com o ótimo “Leviatã”, também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, elaborou um filme contendo uma elevada carga de dramaticidade, sem abrir concessão para qualquer tipo de sentimento que não seja a raiva e a falta de amor. Trata-se, portanto, de um drama bastante pesado e nada agradável. Mas, sem dúvida, um filme muito bem feito e impactante. Destaque para a atuação espetacular da atriz Mariana Spivak.