sexta-feira, 8 de setembro de 2017



Premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora, o drama peruano “A PASSAGEIRA” (“Magallanes”), 2014, conta uma história que tem como pano de fundo os abusos cometidos por um coronel do exército na época (anos 80/90 do século passado) em que o governo peruano lutava contra o grupo radical Sendero Luminoso. Vinte e cinco anos depois de ter servido como soldado no quartel de Ayaucho, o agora taxista Harvey Magallanes (Damián Alcázar) tem uma surpresa ao fazer uma corrida com uma mulher que ele reconhece como aquela garota de 14 anos que viveu um ano como escrava sexual do tal coronel, seu comandante, hoje sofrendo de demência e entrevado numa cadeira de rodas. Magallanes quer saber como Celina (Magaly Solier) está vivendo e em quais condições. Ele descobre que ela está com dificuldades financeiras e ainda tem de cuidar do filho com deficiência, fruto daquela sua experiência como escrava sexual. Num misto de afeição e compaixão, Magallanes resolve ajudar Celina, nem que para isso chegue ao extremo de planejar um sequestro. O filme marcou a estreia como roteirista e diretor do ator peruano Salvador Del Solar, que se inspirou no livro “La Pasajera”, escrito por Alonso Cueto. O filme é ótimo e o trio principal de atores melhor ainda: o ator mexicano Damián Alcázar, a atriz peruana Magaly Solier (de “A Teta Assustada”) e o veterano ator argentino Federico Luppi.                                                    

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

“FOTÓGRAFO” ("Fotograf"), 2015, República Tcheca, roteiro e direção de Irena Pavlásková. Trata-se de um filme biográfico centrado na história do famoso fotógrafo tcheco Jan Saudek, ainda vivo, hoje com 82 anos de idade – Saudek colaborou com o roteiro e ainda fez a foto do cartaz de divulgação aqui reproduzido. Saudek começou a fotografar em 1950, aos 15 anos, e ganhou projeção nos meios artísticos pelo seu estilo inusitado, explorando o erótico e ao mesmo tempo o grotesco. Ele sempre teve fixação em mulheres gordas, mostradas geralmente nuas e em posições nada convencionais. Outra de suas marcas registradas era o tratamento de cores aplicado nas fotos depois da revelação. Sua obra está exposta nos museus mais importantes do mundo, consagrando um dos artistas tchecos de maior prestígio internacional. No filme, Saudek é retratado como um artista excêntrico, um mulherengo pervertido, alcoólatra, egocêntrico e irresponsável. O filme apresenta alguns fatos importantes que marcaram a vida de Saudek e influenciaram a sua criatividade. Filho de judeus, ele passou boa parte da infância num campo de concentração e, mais tarde, já como um fotógrafo conceituado, foi perseguido pelo governo comunista nos anos de chumbo da antiga Tchecoslováquia. Suas mulheres também ganharam espaço no filme, principalmente Líba (Marie Málková), sua secretária e depois amante. O filme é muito bem feito, um tanto perturbador, mas bastante interessante. Recomendo!                                                 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

“O MÍNIMO PARA VIVER” (“To the Bone”), EUA, 2017, teve sua estreia mundial pela Netflix no dia 14 de julho. Trata-se do primeiro filme escrito e dirigido pela diretora norte-americana Marti Noxon. A história toda é centrada na jovem Ellen (Lily Collins, filha de Phil Collins), de 20 anos de idade, que desde adolescente dá um trabalho danado pelo fato de ser anoréxica. Ela foi internada inúmeras vezes em clínicas especializadas, mas em nenhuma o tratamento teve sucesso. Perdendo peso a cada dia, Ellen ingressa num processo de deterioração física e sua saúde começa a ser afetada. Ou seja, se não voltar a comer normalmente irá correr risco de morte. Diante desse quadro, os pais resolvem encaminhá-la para um tratamento alternativo, sob a orientação do dr. William Beckham (Keanu Reeves), que mantém uma clínica para jovens anoréxicos. A terapia é a base do tratamento do dr. Beckham, mas Ellen será sua paciente mais difícil. Bonitinha e boa atriz, Lily Collins emagreceu bastante para interpretar Ellen. Quem sabe esse trabalho possa lhe render uma indicação ao Oscar/2018 de Melhor Atriz - a Academia adora premiar atores que emagrecem ou engordam para um papel. Numa das entrevistas que deu para a imprensa, Lily, de 28 anos, confessou que foi anoréxica quando mais jovem, o que a ajudou a desempenhar o papel de Ellen. O elenco conta ainda com Lili Taylor, Liana Liberato, Kathryn Prescott e Alex Sharp. O filme tem momentos sensíveis e certamente irá agradar, principalmente, o público feminino.   

sábado, 2 de setembro de 2017

“NEVOEIRO EM AGOSTO” (“Nebel im August”), 2016, direção de Kai Wessel, é um ótimo drama alemão que relembra um dos mais escabrosos crimes praticados pelos nazistas: a eutanásia. No caso, o assassinato de mais de 200 mil pessoas consideradas impuras pelo conceito ariano de raça pura. Ou seja, deficientes físicos e mentais, esquizofrênicos, mutilados, surdos-mudos etc. A história, baseada em fatos reais, foi contada no livro do escritor alemão Robert Domes lançado em 2008 “Nebel im August”. Domes também é o autor do roteiro, em conjunto com Holger Karsten Schmidt. A narrativa é centrada no garoto Ernest Lossa (Ivo Pietzcker), que, aos 12 anos, depois de passar praticamente toda a infância em orfanatos, acaba internado num hospital psiquiátrico comandado pelo dr. Werner Veithausen (Sebastian Koch). Seguindo ordens do governo nazista, dr. Werner inicia um programa de eutanásia no seu hospital, eliminando os mais doentes, além de realizar pesquisas médicas utilizando seus internos como cobaias. O esperto Ernest Lossa e alguns funcionários do hospital, como a Irmã Sophia (Fritzi Haberlandt), descobrem o plano e se rebelam. Tudo muito sórdido, chocante e, acima de tudo, revoltante. O desfecho, então, é de uma tristeza de dar nó na garganta. O elenco é ótimo, com destaque para o garoto Pietzcker em seu segundo filme como ator, além de Sebastian Koch, dos aclamados “A Vida dos Outros” (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007), “A Espiã” e “Ponte dos Espiões”. Embora rápida, também merece destaque a presença de Karl Markovics (“Os Falsários”) como o pai ausente de Lossa. Apesar do tema impactante e trágico, trata-se de um ótimo filme que merece ser visto. Os alemães merecem um crédito todo especial por terem a coragem de tocar numa ferida que jamais será cicatrizada.           


                                                 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Vocês já devem ter visto Daniela Escobar na tela da Globo, seja em novelas, minisséries ou até mesmo no insuportável “Dança dos Famosos” do Faustão. No cinema, participou de alguns bons filmes, como, por exemplo, “400 contra 1 – Uma História do Crime Organizado”. No drama “PARA SEMPRE” (“ANOTHER FOREVER”), 2016, coprodução Brasil/EUA/Holanda, ela assina a produção, o roteiro, juntamente com o diretor colombiano Juan Zapata, e faz a protagonista principal, Alice, uma mulher amargurada, desamparada e em fase depressiva depois da morte do seu marido John (Marlon Moreno). Nove meses depois, ela continua ligada ao seu grande amor e resolve viajar para os lugares onde o casal viveu alguns dos seus melhores momentos de romance. Amsterdam, por exemplo - o filme teve locações na Holanda, Áustria e Alemanha. Durante essa viagem, Alice chega a deixar o luto de lado ao conhecer o fotógrafo Tom (o ator alemão Peter Ketnath, de "Cinema, Aspirinas e Urubus), um caso fortuito que ela acaba não levando muito a sério. Falado em inglês, o filme apresenta momentos bastante sensíveis ao explorar a dor de uma perda irreparável. Daniela passa esse sentimento com delicadeza e grande competência. O filme participou da mostra “Marché Du Film” no Festival de Cannes 2016 e, no Los Angeles Independent Film Festival, foi eleito o “Melhor Filme Estrangeiro”.   

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Mesmo com a presença de ótimas atrizes como Laura Dern, Michelle Williams, Kristen Stewart e Lily Gladstone, o drama independente “CERTAS MULHERES” (“Certain Women”), 2016, é uma grande decepção. O filme é dividido em três histórias sem ligação uma com a outra, a não ser o fato de serem ambientadas na cidade de Livingston, Estado de Montana. Na primeira, a advogada Laura Wells (Laura Dern) se vê às voltas com um cliente desequilibrado, Will Fuller (Jared Harris). Na segunda, Gina Lewis (Michelle Williams) passa por cima da indiferença do marido e do mau-humor da filha adolescente e resolve se dedicar à construção de uma nova casa. Na terceira, Jamie (Lily Gladstone) é uma jovem que trabalha numa fazenda cuidando dos cavalos. Um dia, ela vê algumas pessoas entrarem num lugar e vai conferir o que se passa lá dentro. Trata-se de uma aula de Direitos dos Alunos e a professora é a advogada Beth Travis (Kristen Stewart). Jamie fica obcecada por Beth e começa a assediá-la. O filme foi escrito e dirigido pela diretora norte-americana Kelly Reichardt (“Movimentos Noturnos” e “Wendy and Lucy”), que adaptou as histórias de três contos escritos por Maile Meloy. O filme estreou no Festival de Sundance/2016 e foi lançado no Brasil, depois de exibido no Festival de Cinema do Rio de Janeiro/2016, diretamente em Home Vídeo, DVD e Blu–Ray. Resumo da ópera: uma bomba que nem Kim Jong-un, o maluco ditador da Coreia da Norte, seria capaz de inventar.   
“BORBOLETA NEGRA” (“Black Butterfly”), 2017, EUA, roteiro de Justin Stanley e Marc Frydman, direção de Briam Goodman (é o seu segundo longa). Trata-se da refilmagem do suspense francês “Papillon Noir”, de 2008. O filme começa com o noticiário informando que três mulheres estão desaparecidas e que, provavelmente, tenham sido assassinadas, e que a polícia prossegue as investigações. A partir daí, a narrativa passa a acompanhar o escritor Paul (Antonio Banderas), que há anos comprou uma casa na montanha para se isolar e buscar inspiração para um novo livro ou para um roteiro de cinema. Só que a inspiração não vem e ele se entrega à bebida. Numa ida à cidade para se encontrar com Laura (Piper Perabo), uma corretora imobiliária – ele quer vender a casa, pois está sem dinheiro -, Paul se desentende com um motorista de caminhão. Os dois se reencontram pouco depois, e quem salva Paul de levar uma surra do motorista é Jack (Jonathan Rhys Meyers), um sujeito misterioso que está na estrada sem eira nem beira. Em agradecimento, Paul convida Jack para se hospedar em sua casa. O comportamento de Jack, porém, é muito estranho e logo leva o espectador a suspeitar que ele é o responsável pelos assassinatos anunciados no começo. E Paul irá se arrepender amargamente de tê-lo acolhido em sua casa. A surpreendente reviravolta  perto do desfecho dá uma boa aliviada na história, que caminhava num ritmo bastante morno e quase entediante. Resumo da ópera: como suspense, não decepciona, embora esteja longe de ser um ótimo filme. Ao contrário do fraco Banderas, o ator irlandês Jonathan Rhys Meyers dá conta do recado no papel de vilão. Curiosa é a pequena ponta como ator do polêmico diretor Abel Ferrara (“Napoli, Napoli, Napoli” e “Pasolini"). Vamos esperar que Banderas tenha melhor sorte em seu próximo filme, ainda em fase de produção: “Lamborghini: The Legend”, ao lado de Alec Baldwin e sob a direção de Michael Radford (”O Carteiro e o Poeta”).                                                   

domingo, 27 de agosto de 2017

“MAIS UMA VEZ” (“One More Time”), 2015, EUA, roteiro e direção de Robert Edwards (“Terra de Ninguém”). Simpático e agradável filme independente cuja história é centrada no ex-astro da música romântica Paul Lombard (Christopher Walken), que à beira dos 70 anos de idade ainda tem esperança de voltar aos holofotes. Ele ganhou muito dinheiro em sua carreira e mora numa ampla casa em Hamptons com a atual mulher Lucille (Ann Magnuson), a filha Corinne (Kelly Garner) e o genro Tim (Hamish Linklater). Jude (Amber Heard), a outra filha de Paul, é despejada do apartamento onde morava no Brooklyn e volta para a casa do pai. Jude é uma aspirante a estrela do rock, mas ainda não conseguiu nem ao menos gravar um disco. Por causa da música, ela e o pai sempre tiveram uma relação especial, o que provoca ciúmes na outra filha, Corinne.  O filme se baseia no cotidiano da família desde a chegada de Jude, as conversas à mesa de jantar e os saraus musicais. Christopher Walken dá mais um show de interpretação, provando que é um dos melhores atores ainda em atividade – é um dos meus preferidos. Amber Heard, além de bonita, é boa atriz e dá conta do recado, embora não tenha voz para ter sucesso na música. As histórias de bastidores de Paul são deliciosas, principalmente quando relembra sua convivência, segredos de bastidores e sua convivência com antigos astros da música, como John Lennon e Paul McCartney. Os diálogos também são bem elaborados e divertidos. Enfim, um programa bastante agradável, ideal para uma sessão pipoca.                                                

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Gerard Butler já provou que é bom ator. Com competência, atuou em filmes de ação (“300”, “Invasão à Casa Branca”, “Invasão a Londre”), em filmes românticos (“P.S. Eu Te Amo”) e comédias como “Caçador de Recompensa”, ao lado de Jennifer Aniston. No drama “UM HOMEM DE FAMÍLIA” (“A FAMILY MAN”), 2016, o ator escocês encarou um papel mais sério e conflituoso, o de um recrutador (“headhunter”) corporativo inescrupuloso de Chicago, Dane Jensen, que joga sujo, manipulando currículos e fornecendo informações falsas. Seu chefe, Ed Blackridge (Willem Dafoe) é um tirano obcecado por resultados e exigente com sua equipe, a ponto de obrigar o pessoal a trabalhar depois do expediente e aos finais de semana. Jensen entra nesse ritmo e pouco se dedica à esposa Elise (Gretchen Mol) e aos três filhos, o que provoca discussões que colocam o casal a toda hora à beira de uma crise conjugal. Ele diz que se dedica tanto a arrumar emprego para muita gente que se considera “um verdadeiro herói americano”. A situação fica pior quando Blackridge anuncia que vai se aposentar em três meses e que indicará seu sucessor entre Jensen e Lyn Vogel (Alison Brie), dependendo do desempenho de cada um até o final daquele período. Somente depois que Ryan (Max Jenkins), seu filho mais velho, fica gravemente doente é que Jensen começa a mudar os seus conceitos. Dirigido por Mark Williams – seu filme de estreia como diretor – e escrito por Bill Dubuque (“O Juiz” e “O Contador”), “Um Homem de Família” pode ser visto apenas como um filme mediano, sem muitos atrativos para merecer uma recomendação entusiasmada.                                              

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O suspense francês “NOCTURAMA”, 2015, escrito e dirigido por Bertrand Bonello,  explora um tema de bastante evidência neste início de século: os atos terroristas. No caso, ataques em Paris praticados por sete jovens, que explodem prédios públicos simbólicos dos poderes político e financeiro do país, assassinam executivos de bancos e incendeiam carros e até a estátua de Joana D’Arc, ao lado do Louvre. Não ficou claro, pelo menos para mim, qual a motivação dos cinco rapazes e duas moças. Não são muçulmanos – apenas dois ou três são descendentes de árabes – e não têm qualquer ideologia política.  São apenas jovens perdidos na vida, sem perspectiva de futuro numa Europa em plena recessão, talvez se rebelando contra uma sociedade injusta e um modelo econômico que privilegia apenas os ricos. Nada é esclarecido. O filme é elaborado como se tivesse duas partes, antes - o planejamento - e após os atentados. Depois de cometê-los, eles se escondem à noite numa grande loja de departamentos sem saber o que fazer quando o dia amanhecer. Com exceção do desfecho, que é movimentado, o restante do filme é bastante entediante. Bertrand Bonello é cultuado pelos críticos profissionais desde que dirigiu “L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância” e “Saint Laurent”). Nas entrevistas coletivas que concedeu à imprensa, ele garante que o projeto de “Nocturama” surgiu bem antes da onda de atentados que atingiu Paris em novembro de 2015, o mesmo acontecendo com as filmagens. A polêmica em torno do filme chegou ao Festival de Cannes 2016, que o retirou da programação. Dessa forma, ele estreou no Festival de Toronto e depois foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em outubro de 2016. No Festival de Mar Del Plata, foi o vencedor do prêmio de Melhor Fotografia. É um filme pesado, longe de um entretenimento agradável. Talvez seja interessante apenas por apresentar uma estética bastante inusitada.                                             

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Representante oficial da Grécia no Oscar 2015 para disputar a categoria “Melhor Filme Estrangeiro”, “LITTLE ENGLAND” (“MIKRA ANGLIA”), escrito e dirigido por Pantelis Vougaris, é uma adaptação do romance da escritora grega Ioanna Karystiani – na vida real, esposa do diretor. A história é toda ambientada na Ilha de Andros, cujos habitantes têm uma relação muito próxima com o mar. Os homens, em geral, trabalham nos navios seja como oficiais ou tripulantes, vivem viajando o tempo inteiro, enquanto suas esposas os aguardam – impossível não associar com a música “Mulheres de Atenas”, do Chico Buarque, que trata justamente dessa espera das mulheres por seus homens. O centro da história é a trajetória da família Santaferou desde o início dos anos 30 até o final da década de 40 do século passado. O patriarca da família é Savvas (Vasilis Vasilakis), capitão de navio que há 30 anos percorre os mares do mundo, com pouco tempo para visitar a esposa Mina (Aneza Papadopoulou) e as filhas Orsa (Pinelopi Tsilika) e Moscha (Sofia Kokkali). Desde crianças, Moscha e Orsa liam com orgulho as cartas do pai descrevendo os países que visitava. Mina criou as meninas com todo rigor e, quando chegou a hora de casá-las, faz tudo para encontrar os maridos certos, obrigando-as a aceitá-los – ambos, claro, capitães de navio. Orsa casa com um homem que não ama. Seu grande amor é Spyros (Andreas Konstantinou). Por outro lado, Moscha está feliz da vida com seu casamento, mas nem tudo será um mar de rosas. Embora o tom seja assumidamente novelesco, o roteiro é muito bem elaborado. A fotografia, o excelente elenco e os cenários deslumbrantes também merecem destaque. Enfim, um ótimo programa.                                         

domingo, 20 de agosto de 2017

“A IDADE DAS SOMBRAS” (“Mil-jeong”, título original, ou “Age of Shadows”, como foi lançado em países de língua inglesa), 2016, Coréia do Sul, 2h21m, escrito e dirigido por Jee-Woon Kim ("História de Duas Irmãs', “O Último Desafio” e “Eu vi o Diabo”). A história é ambientada no início da década de 20, quando os japoneses ocupavam a Coréia (o país ficou sob o domínio do Japão de 1910 a 1945). A narrativa é centrada num plano dos membros da resistência coreana de contrabandear uma grande quantidade de explosivos de Xangai (China) para Seul e cometer atentados contra as autoridades militares japonesas. A peça-chave do plano é o policial japonês Lee Jung-Chool (Song Hang-Ho), encarregado de se infiltrar e identificar as lideranças da resistência. Coreano de nascimento, Jung-Chool fará um jogo duplo até o desfecho da história, servindo a cada um dos lados do conflito. Trata-se de uma superprodução do cinema sul-coreano, um emocionante filme de espionagem repleto de ação e um suspense de tirar o fôlego. A sequência inicial, durante a qual um dos membros da resistência é perseguido pelas ruas de Seul por soldados japoneses é simplesmente espetacular. Tudo funciona muito bem, desde a impecável reconstituição de época, o roteiro e as cenas de ação realizadas num ritmo frenético, até a fotografia e a trilha sonora, com direito a Ravel e Louis Armstrong. O filme foi o representante oficial da Coréia do Sul ao prêmio de “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar/2017. Deixe de lado qualquer preconceito contra o cinema asiático e embarque nessa grande aventura. Vale a pena!                                      

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Exibido por aqui como uma das principais atrações do Festival Varilux de Cinema Francês 2017, o drama “CORAÇÃO E ALMA” (“Réparer Les Vivants”), de 2015, é o terceiro longa-metragem escrito e dirigido pela diretora Katell Quillévéré (os dois primeiros foram “Suzanne” e “Um Poison Violent”) - Katell nasceu na Costa do Marfim e mais tarde mudou para a França, naturalizando-se francesa. O roteiro foi adaptado do livro “Réparer Les Vivants”, de Maylis de Kerangal, e tem como pano de fundo a importância da doação de órgãos para salvar vidas. O filme é dividido em três segmentos. O primeiro conta a história de três jovens que sofrem um grave acidente numa estrada. Um deles, Simon (Gabin Verdet), entra em coma e logo tem decretada morte cerebral, para desespero de seus pais, Marianne (Emmanuelle Seigner) e Vincent (Kool Shen). Thomas Rémige (o ótimo Tahar Rahim), um dos médicos do hospital, tenta convencê-los a permitir a doação dos órgãos de Simon. Começa a segunda história, desta vez centrada em Claire (Anne Dorval), que tem uma doença cardíaca muito grave que só um transplante de coração a salvará. Não há muito tempo. Divorciada e com dois filhos jovens, Claire espera que seus médicos consigam logo um coração. Enquanto isso, tenta se reconciliar com a amante (Alice Taglione) mais jovem, uma pianista clássica de grande sucesso. O terceiro e último segmento explora os preparativos pré-operatórios e a operação em si, mostrada em detalhes como se fosse uma aula para estudantes de medicina, o que não deixa de ser interessante para nós, os leigos. Não vou contar o desfecho, deixando no ar a dúvida se a história terá um final feliz ou não. Uma coisa é certa: trata-se de mais um bom drama francês que merece ser visto.                                    

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Fazia algum tempo que Robert De Niro estava nos devendo uma atuação e um filme à altura de sua competência. Ele acaba de pagar essa dívida com a comédia “O COMEDIANTE” (“The Comedian”), 2016, roteiro da dupla Art Linson e Jeffrey Ross e direção de Taylor Hackford (“O Advogado do Diabo”, “Ray” e “Prova de Vida”), casado com a atriz inglesa Helen Mirren. De Niro interpreta Jack Burke, que três décadas antes fez um enorme sucesso numa série televisiva. Agora, em decadência, arruma uns trocados se apresentando em bares e eventos como comediante de stand-up. Ele apela para um humor debochado, escatológico, pornográfico e ofensivo. Numa de suas apresentações, Burke agride um espectador com o microfone, acaba preso e condenado a prestar serviços comunitários. Num abrigo para moradores de rua, onde serve comida, Burke conhece Harmony (Leslie Mann, ótima), por quem acaba se apaixonando. O filme tem ótimos momentos de humor, embora o personagem de De Niro seja desagradável e apelativo. O filme abre espaço para alguns comediantes de stand-up, mas fiquei em dúvida se foi uma homenagem ou uma crítica, pois um é mais sem graça que o outro – sabe aquele humor norte-americano, que só eles conseguem rir? Também estão no elenco Danny DeVito, Cloris Leachman, Harvey Keitel, Veronica Ferres, Charles Grodin e Edie Falco.                                

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

“NORMAN: CONFIE EM MIM.” (“NORMAN: THE MODERATE RISE AND TRAGIC FALL OF THE NEW YORK FIXER”), 2016, é o primeiro filme em língua inglesa do diretor israelense Joseph Cedar (de “Beaufort” e “Nota de Rodapé”, ambos indicados ao Oscar de Filme Estrangeiro). A história é centrada em Norman Oppenheimer (Richard Gere), um sujeito que perambula por Nova Iorque tentando se aproximar de pessoas de destaque – políticos, empresários e até religiosos – e se oferecer como intermediário para os mais variados negócios. Uma espécie de lobista, que se apresenta com um cartão de visitas com a inscrição “Oppenheimer Strategies”. Um cara chato, inconveniente, falador ao extremo, que finge ser íntimo de pessoas importantes. Um dia ele conhece Micha Eschel (Lior Ashkenazi), um político israelense sem muita notoriedade. Três anos depois, porém, ele é eleito Primeiro Ministro de Israel. Micha não esquece seu amigo Norman, que três anos antes o presenteou com um caríssimo par de sapatos. O inverossímil permeia toda a história, a começar pelo personagem de Gere, cujo comportamento beira a esquizofrenia. Além de Gere e Ashkenazi, estão no elenco Michael Sheen, Dan Stevens, Charlotte Gainsbourg e Steve Buscemi. Só para esclarecer: a tradução do título original é “A Ascensão Modesta e a Queda de um Embrulhão Nova-Iorquino”. Complicado demais, assim como o filme inteiro. Alguns críticos profissionais gostaram, ressaltando uma certa semelhança com os filmes de Woody Allen. Discordo totalmente: Allen é infinitamente melhor.                                     

domingo, 13 de agosto de 2017

“BOKEH” (ainda sem tradução por aqui), 2017, EUA/Islândia, roteiro e direção de Geoffrey Orthwein e Andrew Sullivan. Trata-se de uma ficção científica centrada num casal de turistas norte-americanos que resolve passar as férias na Islândia. Um dia, ao acordarem, Riley (Mattew O’Leary) e Jenai (Maika Monroe) se dão conta de que não há viva alma na cidade – deve ser a capital, Reykjavik. Sumiu todo mundo, só ficaram os dois, não há comunicação com o mundo externo, a Internet não funciona. Enfim, estão totalmente isolados. A partir daí, o espectador é envolvido pela expectativa de saber o que aconteceu, assim como qual será o destino dos dois personagens. No início, o casal fica deslumbrado com a situação. Vão ao shopping, escolhem as melhores roupas, vão ao supermercado e levam tudo que interessa, sem pagar nada, pois não há ninguém para cobrar. Um verdadeiro sonho para os consumistas. Mas os dias vão se passando e a pergunta “O que está acontecendo?” vira uma obsessão. Depois vem o tédio. Eles tentam passar o tempo indo pra lá e pra cá buscando uma explicação. A história é inverossímil – claro, é uma ficção científica -, e o transcorrer do filme é entediante, pois nada de importante acontece até o trágico desfecho. Os diálogos, então, são de uma profundidade milimétrica. Mas uma coisa é certa: não dá para não ficar extasiado com os deslumbrantes cenários naturais da Islândia, como as geleiras, a Lagoa Azul, os geysers, os campos de flores e outras paisagens características da ilha. É tudo muito bonito, o que nos faz desconfiar que o filme pode ter sido patrocinado pelo governo da Islândia para incentivar o turismo. Só mais um detalhe: “Bokeh”, o título original, refere-se a um termo em fotografia que significa a validade estética do borrão em imagens fora de foco. Tudo muito estranho, como o filme inteiro.                                       

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O drama israelense “A PROFESSORA DO JARDIM DE INFÂNCIA” (“HAGANENET”), 2014, escrito e dirigido por Nadav Lapit, não é daqueles filmes fáceis de digerir. No início, parece que vamos assistir a um filme leve, alegre, com a participação de muitas crianças. Aos poucos, porém, o clima de tensão vai tomando conta da história, transformando o filme num dos mais perturbadores já feitos pelo cinema israelense. A história é centrada na professora Nira (Sarit Larry), que toma conta de crianças num jardim de infância de uma escola em Tel Aviv. Ela é casada, tem um filho no exército e sonha em ser poeta. Mas falta-lhe inspiração. Um dia, ela descobre que um de seus alunos, Yoav Pollak (Avi Shnaidman), de 5 anos, tem um talento incrível para a poesia. A babá do garoto, Miri (Ester Rada), conta que a inspiração chega quando ele, de repente, começa a andar de um lado para o outro. É nesses momentos que ele declama seus poemas, e Miri os anota. Abalada psicologicamente por não conseguir escrever poemas tão bonitos, Nira fica obcecada pelo garoto, chegando a copiar seus poemas para declamá-los nas reuniões de jovens poetas dizendo serem de sua autoria. Sua obsessão aumenta tanto a ponto de transformá-la numa quase psicopata. A atuação da atriz Sarit Larry é impressionante, principalmente a mudança de sua expressão de uma professora meiga para uma mulher rancorosa e maldosa. O filme estreou no Festival de Cannes 2014 e foi exibido por aqui como uma das atrações da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. Vale a pena conferir.                                      

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Para quem gosta de um bom suspense policial, repleto de tensão e reviravoltas, “UM CONTRATEMPO” (“Contratiempo”), 2016, Espanha, vai agradar em cheio. O filme começa com o empresário Adrián Doria (Mario Casas) indo com sua amante Laura Vidal (Bárbara Lennie) para sua casa de campo. No caminho, porém, acontecerá um contratempo, ou seja, um acidente de carro que culminará na morte do outro motorista. A partir daí, a vida dos dois amantes vira um verdadeiro inferno. Cada um dos amantes tem seu cônjuge, são bem casados e ficam desesperados que descubram o seu caso, ainda mais que Adrián é um empresário de sucesso, muito conhecido e respeitado. Dessa forma, tentam encobrir o que aconteceu na estrada. Mas não será fácil, pois os pais do rapaz morto não darão trégua até descobrir toda a verdade. O filme reserva muitas surpresas, o que mantém o interesse do espectador até o desfecho, quando acontecerá a grande reviravolta da história. No elenco, destaque também para as presenças marcantes de José Coronado e Ana Wagener. O destaque negativo é mais um desempenho medíocre do galã espanhol Mario Casas, mais canastrão do que ator, mas o restante do elenco segura as pontos, principalmente Bárbara Lennie. “Um Contratempo” merece uma visita.   


sábado, 5 de agosto de 2017

“HIPÓCRATES” (“Hippocrate”), 2014, França, marcou a estreia no roteiro e direção de Thomas Lilti. Trata-se de uma singela homenagem ao trabalho dos médicos, principalmente aqueles que estão se iniciando na profissão, os chamados residentes. A narrativa alterna momentos dramáticos com outros de bom humor, tornando o filme um ótimo entretenimento. A história acompanha um grupo de médicos residentes em sua rotina de plantões exaustivos, enfrentando suas inseguranças quanto a um diagnóstico ou mesmo suas dúvidas em decidir sobre o procedimento correto a aplicar num paciente. O diretor Lilti, também médico na vida real, é responsável por outro excelente filme sobre o tema da medicina, “Médecin de Campagne” (aqui traduzido por “Insubstituível”), lançado em 2016, com o astro François Cluzet. A história de “Hipócrates” é centrada em Benjamin Barois (Vicente Lacoste), um jovem de 23 anos recém-formado em Medicina, que começa sua residência num hospital de Paris cujo diretor é seu pai, o respeitável Dr. Barois (Jacques Gamblin). Nos primeiros dias de trabalho, Benjamin se vê à frente com inúmeros casos difíceis, um deles envolvendo um morador de rua alcoólatra que costuma tumultuar os plantões do hospital. Por isso, recebeu o apelido de “Tsunami” (Therry Levaret). Benjamin ficou responsável pelo paciente, que morreria horas depois. Sentindo-se culpado, o jovem médico recebe o apoio de outro médico residente, Abdel Rezzak (Reda Kateb), formado na Argélia – para exercer a profissão na França, o médico já diplomado em outro país é obrigado a fazer residência. A história destaca os bastidores do trabalho desses médicos, com suas inseguranças, falta de recursos e muito estresse. O filme foi lançado no Festival de Cannes 2014, com críticas bastante elogiosas. No ano seguinte, Reda Caleb conquistaria, merecidamente, o Prêmio César (o Oscar francês) de “Melhor Ator". Enfim, um filme bastante agradável de assistir. 


                                                                 


                                   

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Todo mundo conhece o envolvimento do ator norte-americano Sean Penn em causas políticas e humanitárias. Em seu quinto filme como diretor - “A ÚLTIMA FACE” (“THE LAST FACE”) –, Penn denuncia a situação dos refugiados africanos obrigados a sair dos seus países de origem para não serem mortos e faz uma crítica pesada à omissão dos países ricos. O roteiro, escrito por Erin Dignam, destaca os crimes de guerra ocorridos na Libéria e outros países africanos. A história é centrada num grupo de médicos voluntários de uma ONG chamada “Médicos do Mundo”, cujo papel é socorrer as populações em zonas de conflito, arriscando suas próprias vidas. Um desses médicos é o espanhol Miguel Leon (Javier Barden). Numa de suas missões ele conhece Wren Petersen (Charlize Theron), também médica e diretora de uma agência humanitária. Eles e mais alguns outros médicos tentam fazer o possível para salvar o maior número de pessoas, mesmo em condições bastante precárias, além de enfrentar a violência e o sadismo de soldados dos exércitos rebeldes. Sean Penn não economiza nas cenas chocantes. Se a sua intenção foi chocar as plateias, acertou em cheio. Por outro lado, fica evidente a influência do diretor Terrence Malick, com o qual Penn fez o abominável “A Árvore da Vida”. Como nos filmes de Malick, estão lá os cenários contemplativos da Natureza, com florestas e o céu avermelhado, ilustrando monólogos existencialistas narrados in-off por algum personagem. Essas partes são chatérrimas. Também fazem parte do elenco Adèle Exarchopoulos, Jean Reno e Jared Harris. O filme estreou na 69ª edição do Festival de Cannes 2016, concorrendo à Palma de Ouro. Recebeu duras críticas e ainda foi eleito o pior filme do festival. Também me decepcionou bastante.         

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O drama argentino “O AMIGO ALEMÃO” (“El Amigo Alemán”), 2012, roteiro e direção de Jeanine Meerapfel, apresenta como pano de fundo diversos acontecimentos históricos e políticos, como a queda de Juan Domingo Perón em 1955, até o período nefasto da ditadura militar argentina (1976-1983), além de explorar temas como o nazismo, os movimentos esquerdistas de 1968 na Europa e a queda de Salvador Allende no Chile. Um filme, enfim, situado num forte contexto político. A história é centrada em dois amigos de infância, vizinhos num bairro de classe média alta de Buenos Aires, Sulamit Löwnstein e Friedrich Burg. Amizade que tinha tudo para dar errado, pois ela faz parte de uma família de refugiados judeus e ele é filho de um casal de alemães também refugiados. Além disso, o pai de Friedrich teria sido um oficial da SS durante a Segunda Grande Guerra. Para desespero das duas famílias, Sulamit e Friedrich assumem o namoro e seus destinos estarão ligados por mais de trinta anos. O elenco é muito bom, com destaque para Celeste Cid, Max Riemelt, Benjamin Sadler, Noemi Frankel e Jean Pierre Noher. Mais um belo filme argentino, exibido por aqui como uma das atrações da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016.    

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Em 1955, o jornalista Denne Bart Petitclerc, do jornal The Miami Herald, escreveu uma carta para o seu ídolo, o escritor Ernest Hemingway, agradecendo por ter sido ele o grande incentivador de sua carreira. Hemingway gostou tanto da carta que telefonou para Denne convidando-o para visitá-lo em Cuba, onde morava há décadas. A partir dessa primeira visita, o jovem jornalista ficou amigo de Hemingway e de sua esposa Mary. A história dessa amizade é contada em “PAPA – HEMINGWAY IN CUBA”, 2016, EUA, direção de Bob Yari, o primeiro filme norte-americano filmado em território cubano desde 1959. Denne, no filme Ed Myers (Giovanni Ribisi), aproveitava suas visitas ao grande escritor para escrever reportagens não só sobre Hemingway, mas também sobre a situação política de Cuba, às vésperas da revolução comandada por Fidel Castro. Hemingway (Adrian Sparks, cuja semelhança com o escritor é impressionante) é mostrado como realmente devia ser, um beberrão contumaz, um gênio irascível, briguento e, naquela época em que a história é ambientada, em crise criativa e conjugal. Todas as filmagens ocorreram em Cuba nos lugares originais frequentados por Hemingway, incluindo seu bar favorito (“La Floridita”) e a casa onde morou o escritor com Mary (Joely Richardson, filha de Vanessa Redgrave), no vilarejo de San Francisco de Paula, a 25 quilômetros de Havana. Aliás, o roteiro do filme foi submetido à aprovação do governo cubano, que o aprovou sem restrições (tudo isso antes do fim do embargo promovido por Obama). Filmaço!