sábado, 14 de fevereiro de 2015

“ASSALTO AMERICANO” (American Heist”), 2014, é um filme de ação canadense, estrelado por Hayden Christensen, Adrien Brody e Jordana Brewster.  Trata-se de um remake de “Facínoras Mascarados” (O Grande Roubo de St. Louis), de 1959. Frankie (Brody) sai da cadeia depois de 10 anos cumprindo pena por ter atirado num policial. Ele procura James (Hayden Christensen), seu irmão mais novo que também havia sido preso mas que agora procura se endireitar trabalhando como mecânico numa oficina de veículos. Frankie promete que vai mudar de vida, mas foi só encontrar dois antigos parceiros para voltar à criminalidade. O grupo planeja um assalto a um grande banco e James é “cooptado” a participar, o que também acabará envolvendo sua namorada Emily (Jordana Brewster), que trabalha na polícia como atendente de chamadas de emergência. O filme só empolga a partir do momento em que o plano de assalto é colocado em prática. Aí sim, a ação toma conta, com o acréscimo de muito suspense. O diretor de origem armênia Sarik Andreasyan acerta a mão nas cenas de tiroteio e perseguição. Apesar de repleto de clichês, trata-se de um bom programa para quem curte filmes de ação. Apenas um reparo à dupla de atores que protagoniza os irmãos. Fisicamente, Adrian Brody não tem qualquer semelhança com o ator canadense Hayden Christensen. Adrian é muito feio, narigudo e tem cabelos pretos, ao contrário do jovem galã Hayden, loiro e bonito. Talvez tenham sido gerados por pais diferentes, mas o filme não esclarece essa parte.                                                                       

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

É bom avisar: “HOMEM PÁSSARO” (“Birdman”), 2014, não é um filme muito fácil de digerir. O subtítulo já prenuncia essa afirmação: “A Inesperada Virtude da Ignorância”.  Tudo bem que é inovador, criativo e instigante, mas o público acostumado a assistir filmes com o formato tradicional pode sentir dificuldade em acompanhar o enredo. A história é centrada no personagem Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator decadente que um dia foi famoso ao interpretar o super-herói “Birdman” no cinema. Para voltar à ativa e provar que é um bom ator, Riggan resolve montar, dirigir e protagonizar uma peça de teatro na Broadway. Em meio a conflitos familiares com a filha e a ex-esposa, com a atual namorada que anuncia uma gravidez, uma crítica teatral mal-humorada e impiedosa, além de um novo ator substituto encrenqueiro e abusado, Riggan passa por um período de crise existencial, o que inclui duvidar da própria competência. O diretor mexicano Alejandro González Iñarritu (de “Amores Brutos” e “Babel”), que escreveu o roteiro, misturou humor negro, drama e acrescentou cenas surreais para contar a história. Ele também utiliza o recurso de longos planos-sequência – tomadas sem cortes. Além de Keaton, estão no elenco Emma Stone, Edward Norton, Naomi Watts , Zach Galifianakis e Andrea Riseborough. O filme teve 9 indicações ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor.                                                                  
Mesmo quem não tenha muito contato com a música clássica deve ter ouvido falar ou pelo menos ter lido ou visto em algum lugar o nome Paganini. Mais do que maestro e compositor, o italiano Niccolò Paganini (1782-1840) foi um virtuose do violino. Suas apresentações arrastavam multidões para os principais teatros da Europa e seu séquito de fãs incluía Choppin, Schumman e Schubert. “O VIOLINISTA DO DIABO” (“Der Teufels Geiger”), co-produção Alemanha/Itália de 2013, direção de Bernard Rose, não é uma biografia do artista, como dão a entender inúmeros blogs de cinema. O filme centra a história num episódio da vida de Paganini, mais especificamente sua tumultuada temporada de apresentações em Londres. No filme, Paganini é interpretado pelo violinista alemão David Garret, ele também um virtuose no instrumento. Na capital inglesa, o maestro italiano se apaixona por Charlotte Watson (Andrea Deck), uma cantora lírica em início de carreira. O filme mostra que Paganini, além de devasso e promíscuo, era egocêntrico e viciado em drogas. Mas o seu desempenho com o violino era sensacional, a ponto de muita gente acreditar que ele tinha um pacto com o Diabo. Ele era capaz, por exemplo, de tocar 12 notas por segundo, além de, muitas vezes, utilizar apenas uma corda do violino para executar um concerto completo.  Diziam até que ele devia sofrer de alguma disfunção genética, tal a velocidade dos dedos da mão esquerda. Nos palcos, com seu visual de roqueiro metaleiro, Paganini portava-se como um verdadeiro popstar, o que provocava até gritinhos das moçoilas da época. O filme vale a pena ser visto não só pela história em si e pelo seu polêmico personagem, mas também pela ótima trilha sonora. Estão ainda no elenco Jared Harris, Helmut Berger, Christian McKay, Olivia D’Abo e Joely Richardson.       

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

“MEU PAI, MEU HERÓI” (“De Toutes nos Forces”), 2013, direção de Nils Tavernier, conta uma história incrível e comovente baseada em fatos reais. Embora seja francês, o filme é inspirado no triatleta norte-americano Dick Hoyt, que disputou inúmeras provas “carregando”, literalmente, seu filho Rick, paraplégico. No filme francês, o jovem Julien (Fabien Héraud) vive numa cadeira de rodas, consequência de um problema ocorrido no parto. Seu pai, o engenheiro Paul Amblard (Jacques Gamblin), acaba de ser demitido e volta para casa com cara de poucos amigos, o que vai ocasionar conflitos de relacionamento com o filho e com a esposa Claire (Alexandra Lamy). Como no caso do norte-americano, Amblard também era triatleta, mas desde que o filho nasceu não disputou mais nenhuma prova. Ao ler a notícia num jornal sobre o pai norte-americano que disputava provas com o filho paraplégico (o mesmo no qual é baseada a história), Julien insiste com Amblard para se inscreverem numa prova do Ironman que será disputada na cidade de Nice. Depois de uma discussão na família, finalmente Amblard concede ao desejo do filho – a mãe, protetora, é totalmente contra - e concorda em iniciar os treinos. Chega o dia da prova e lá vão pai e filho para Nice. É claro que o espectador pode esperar um final emocionante. O filme chegou ao Brasil, e foi exibido na TV aberta, também com o título de “Com Todas as Nossas Forças”. A gente pode até conhecer inúmeros exemplos de pai herói, mas provavelmente nenhum fez tanto sacrifício pelo filho como Dick Hoyt/Paul Amblard. Ao lado do pote de pipoca, deixe à mão uma caixa de lenços de papel.   

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

“UMA SEMANA A TRÊS” (“The Longest Week”), 2014, direção de Peter Glanz, é uma comédia romântica bem ao estilo Woody Allen. Cenários de Nova Iorque, jazz orquestrado dos anos 30/40 como fundo musical dos créditos iniciais e na trilha sonora, narrador em off, diálogos afiados e irônicos, sessões de terapia etc. A história envolve três personagens principais:  Conrad Valmont (Jason Bateman), Dilan Tate (Billy Cudrup) e Beatrice (Olivia Wilde). Conrad mora desde criança no luxuoso hotel pertencente aos pais, foi criado por empregados, nunca trabalhou e agora, perto dos 40 anos, é obrigado a tomar um rumo na vida, começando por ser desalojado do hotel e sem a habitual mesada. Ele vai morar com um grande amigo, Dilan Tate (Cudrup), que o recebe como a um irmão. A amizade dos dois vai balançar quando aparece a bela Beatrice (Olivia Wilde), pela qual Dilan diz a Conrad que está completamente apaixonado. Conhecendo o amigo, Dilan pede que ele prometa jamais se aproximar de Beatrice. Conrad promete, mas não cumpre a promessa. E Beatrice, por sua vez, não resistirá ao charme de Conrad, que não conta a ela que está falido. Embora o ritmo caia um pouco na meia-hora final, o filme reserva bons momentos para quem gosta de um filme inteligente e bem-humorado. Os três atores principais estão ótimos, com uma ressalva a Olivia Wilde, que não está tão bonita como costuma aparecer na tela. Acho que por causa dos cabelos alisados e escorridos. Mesmo que seja apenas no estilo, talvez seja um pouco exagerado associar "UMA SEMANA A TRÊS" a Woody Allen, mesmo que não fique assim tão distante dos últimos filmes do grande diretor.                                                          

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

“KAUWBOY”, 2012, direção de Boudewijn Koole, é um drama holandês com um enredo bastante simples, baseado na amizade entre um garoto de 10 anos e uma gralha. É claro que algumas circunstâncias paralelas fazem parte da história, como a relação difícil de Jojo (Rick Lens) com o pai Ronald (Loek Peters) e a descoberta do primeiro amor, uma garota chamada Yenth (Susan Rader), sua colega na equipe de polo aquático. Mas o filme é centrado mesmo na amizade entre Jojo e a gralha, chamada de Jack, que o garoto encontrou no chão depois de cair do ninho.  Jojo leva a ave para casa e pretende criá-la como seu bichinho de estimação. E não conta para o pai, pois este é contra qualquer bicho dentro de casa. Ao mesmo tempo em que se afeiçoa à ave, Jojo vive a inocência de uma possível volta da mãe para casa – não se sabe se ela morreu ou abandonou o marido e o filho. Jojo ouve todos os dias uma fita gravada pela mãe, que era cantora e compositora. Os conflitos entre pai e filho ocorrem justamente quando Jojo insiste em dizer que a mãe vai voltar. O pai tenta, sem sucesso, fazer com que o filho caia na real: a mãe nunca mais voltará. Como filme de estreia do diretor Koole, “KAUWBOY” surpreendeu e encantou os júris de vários festivais pelo mundo afora, recebendo o “Prêmio Unicef” no Festival de Buenos Aires, de Melhor Filme da “Mostra Generation” no Festival de Berlim e Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Brasília. Desta vez, a gralha não foi de mau agouro.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

“VUOSAARI”, 2012, dirigido por Aku Louhimies, é um drama finlandês muito baixo astral, depressivo e melancólico, reforçado por um cenário gélido de inverno. O filme conta várias histórias paralelas de personagens infelizes, com problemas de relacionamento e outros tantos, que buscam saídas para encontrar a felicidade. Como o casal em crise, cujo marido arruma uma amante para suprir a frieza da esposa; um adolescente que sofre bullying no colégio e, em casa, vê a mãe enrolada com algum namorado estranho; a jovem que quer se tornar uma celebridade no mundo artístico e topa fazer qualquer sacrifício para isso; um imigrante negro, namorado de uma drogada, ameaçado por agiotas; uma jovem mãe com câncer, desesperada pela expectativa de deixar sua filhinha órfã; um fisiculturista que tem tendência a engordar e que descarrega sua frustração no filho adolescente; um menino cujo único amigo é um cachorro que a mãe quer se desfazer. Enfim, histórias de tristeza. O diretor Louhimies retrata um segmento da sociedade finlandesa em decadência, onde a felicidade está longe de existir e fazer parte do cotidiano. Todos os personagens vivem em Vuosaari (daí o título), bairro de Helsinque, a capital do país. Embora não possa ser recomendado como um filme para entreter – chega a ser desagradável -, não há como não destacar a sua qualidade e também o desempenho dos atores, quase todos desconhecidos por aqui. O sol brilha só no final do filme, como uma luz no fim do túnel, um sinal de esperança.    
Atenção, amantes dos filmes de ação com muita pancadaria, tiros e perseguições: “DE VOLTA AO JOGO” (“John Wick”), 2014, direção de David Leitch, não nega fogo nem economiza na matança. O sangue jorra em abundância. Um crítico contou cerca de 150 mortos. Eu não contei, mas acho que ficou por aí. O filme conta a história de John Wick (Keanu Reeves), um ex-assassino ligado à máfia russa instalada em Nova Iorque que volta à ativa (daí o título) depois que bandidos roubam seu carro e matam seu cachorro, ambos de estimação. Só que o autor desses crimes é justamente o filho do poderoso Viggo Tarasov (o ator sueco Michael Nyqviste, de "Millennium"), chefão da máfia russa para a qual trabalhava Wick. É claro que o nosso herói não quer saber e parte para a vingança. Destaque para a cena da matança numa discoteca, durante a qual Wick dá um show de competência assassina. Aliás, Keanu Reeves volta com tudo aos filmes de ação, participando sem dublê em nada menos do que 90% das cenas de ação. Seu personagem é um misto de Steven Seagal, Schwarzenegger, Van Damme, Jason Statham e um pouco também de Bruce Willis, porque também apanha pra burro. Estão ainda no elenco Willem Defoe, Adrianne Palicki, Bridger Moynahan, Ian Mcshane e John Leguizano. Sem levar em consideração os clichês abundantes já vistos em tantos outros filmes de vingança, o filme apresenta ótimas cenas de ação, tem bastante humor e o ritmo é alucinante do começo ao fim. É tiro e queda: entretenimento garantido! 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

“MARINA” é uma co-produção Bélgica/Itália de 2013 que conta a história do cantor italiano Rocco Granata, baseada nas memórias escritas pelo próprio. No final dos anos 50, Granata foi um cantor de grande sucesso na Bélgica, na Europa e em vários países do mundo, tendo até se apresentado no Carnagie Hall, em Nova Iorque, em 1959. Ele ainda está vivo e, aos 76 anos, ainda toca (acordeão) e canta por aí. O filme contempla a história de Rocco até 1959, quando “estourou” nas paradas de sucesso com o hit “Marina”. Tudo começa em 1948, quando Salvatore Granata (Luigi Lo Cascio), pai de Rocco, sem emprego e sem esperança decide deixar a Itália e ir trabalhar nas minas de carvão da Bélgica. Um ano depois, Salvatore decide chamar sua família para morar com ele na Bélgica, sua mulher Ida (Donatella Finocchiaro), Rocco (Cristian Campagna quando menino e Matteo Simoni mais velho) e a irmã. O começo dos Granata em terra estrangeira é muito difícil, o que inclui não falar o flamenco, língua oficial da Bélgica. Para concretizar seu sonho de ser cantor e músico, Rocco vai enfrentar o conservadorismo do pai, que o obriga a trabalhar, como ele, nas minas de carvão. Até chegar ao sucesso, Rocco vai enfrentar inúmeros desafios, mas também conhecerá o seu grande amor, Helena (Evelien Bosmans), fonte de inspiração para a canção “Marina”. O diretor belga Stijn Coninx não economiza nos tons melodramáticos, atenuados apenas por algum humor e muita música. Preste atenção na cena em que o dono de uma loja de instrumentos musicais negocia a venda de um acordeão para o jovem Rocco: ele é o verdadeiro Rocco.                                        

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

“A DEMORA” (“La Demora”), 2012, Uruguai, direção de Rodrigo Plá, é um drama comovente, sensível e, ao mesmo tempo, muito triste, de cortar o coração. Mas muito bem feito, tanto que foi premiado em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no prestigioso Festival de Berlim. O filme centra toda sua ação na situação desesperadora de Maria (Roxana Blanco), uma quarentona mãe solteira de três filhos pré-adolescentes que se vira do avesso para colocar dinheiro dentro de casa e cuidar do pai Agustín (Carlos Vallarino), um senhor que sofre de confusão mental e perda de memória. Um dia, ela não aguenta mais e pede socorro à irmã, que poderia cuidar do pai por um tempo. A irmã inventa mil desculpas para se livrar da tarefa. Nem visitar o pai ela vai mais. Sem outra saída, Maria decide colocar Agustín num abrigo de idosos. Também não consegue. Num ímpeto desesperado, ela resolve adotar uma atitude radical, que muita gente pensa, mas não tem coragem de fazer: abandonar o velho numa praça. O que acontece depois, só vendo o filme. Aliás, o drama merece ser visto também pela sensacional interpretação da dupla central de atores, Roxana Blanco e Carlos Vallarino, ambos premiados pelo seu desempenho. Enfim, um filme que certamente emocionará quem vive ou viveu problema semelhante ao de Maria, um tipo de sofrimento que acaba com qualquer pessoa.                                      

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

“ONDE ESTÃO AS CELEBRIDADES?” (“Not another Celebrity Movie”), 2013, EUA, direção de Emilio Ferrari, é mais uma daquelas comédias do gênero besteirol - e quanta besteira. Os personagens das celebridades são interpretados por atores ou sósias profissionais. Trata-se de uma paródia do filme “Onze Homens e um Segredo”, dirigido por Steven Soderbergh.  Só que nesta sátira, o objetivo não é roubar um cassino e sim sequestrar Justin Bieber, que está apresentando uma temporada de seu show no Hotel e Cassino Riviera, em Las Vegas. A história mirabolante começa com Charlie Sheen acreditando que Justin Bieber é seu filho biológico. E, como tal, pode ajudá-lo a ganhar uma grana. Ele, então, planeja o sequestro do astro teen. Para isso, convoca seus amigos George Clooney, Brad Pitt, Robert De Niro, Tom Cruise, Justin Timberlake, Angelina Jolie e Lady Gaga. Quem patrocina a aventura maluca é Donald Trump. Em meio à atrapalhada ação de sequestro, ainda aparecem fazendo “pontas” Paris Hilton, Johnny Depp, Daniel Craig, Oprah Winfrey e Ashton Kutcher, além de outras celebridades. Como não poderia deixar de ser, é tudo levado na maior palhaçada, mas não dá para negar que a caracterização dos personagens e o desempenho dos atores e sósias são realmente fantásticos, em especial George Clooney, Angelina Jolie e Tom Cruise. Mesmo quem não curte o gênero besteirol pode se divertir.   

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“A GAROTA DA BICICLETA” (Girl on a Bicycle”), 2013, é o famoso filme “Nações Unidas”. É uma produção made USA, com direção de um norte-americano (Jeremy Leven, de “Don Juan DeMarco”) e tem nos principais papéis um ator italiano (Vincenzo Amato), uma atriz alemã (Nora Tschirner), uma atriz francesa (Louise Monot) e um ator inglês (Paddy Considini). Além disso, é todo ambientado em Paris. Trata-se de uma ótima comédia romântica, muito divertida e movimentada. Conta a história de Paolo (Amato), motorista de um ônibus turístico que percorre a capital francesa. Ele está noivo da aeromoça alemã Greta (Tschirner), mas isso não o impede, como bom italiano, de se enrabichar pela bela Cécile (Monot), a tal garota da bicicleta do título. Só que Paolo não poderia imaginar que, ao se envolver com Cécile, iria se meter na maior confusão, o que vai colocar em risco o seu noivado com Greta e envolver seu amigo Derek (Considini). Embora tenha sido rotulado de comédia romântica, é mais comédia do que romance e as situações são bastante engraçadas. Os quatro atores principais sustentam o humor com muita competência, em especial a alemã Nora Tschirner como a noiva desconfiada, e o italiano Vincenzo Amato como o atrapalhado Paolo. Louise Monot é linda e muito sexy, além de ótima comediante. Um filme delicioso e divertido, ideal para afastar o estresse. Simplesmente imperdível!  
“PÁLPEBRAS AZUIS” (“Párpados Azules”), 2007, é um drama mexicano premiadíssimo em vários festivais pelo mundo, tendo conquistado inclusive o Prêmio Especial do Júri no Sundance Film Festival, além de competir na 46ª Semana da Crítica Internacional no Festival de Cannes. Consagração exagerada, já que o filme não tem tantas qualidades para merecer tanto. A história é centrada na jovem Marina Farfán (Cecília Suarez), funcionária de uma loja que comercializa uniformes. Solitária, apática e introvertida, ela não tem amigos nem namorado, mora sozinha e seu semblante dá ideia de mulher infeliz. Na festa de 47º aniversário da loja, um sorteio premiará um funcionário com uma viagem de 10 dias, com tudo pago, para um hotel na praia de Salamandra. Marina é a vencedora. Só que tem um problema: o prêmio dá direito a um acompanhante. Ela logo pensa na irmã Lucy (Tiara Scanda). Não dá certo. Aí ela recorre a Victor Minas (Enrique Arreola), que ela conhece numa padaria. Victor, tal qual Marina, também é estranho e solitário. Os dois vivem numa solidão tão grande que o único prazer de ambos é justamente o prazer solitário. Antes da viagem, eles se encontram algumas vezes para se conhecer melhor. Os diálogos entre os dois são mínimos. O relacionamento é feito de silêncios. Um dia, ao sair para dançar com Victor, Marina pinta suas pálpebras de azul, cena que inspirou o título do filme. A produção mexicana marca a estreia do diretor Ernesto Contreras e da própria atriz Cecília Suarez. É um filme bastante interessante. Vale a pena conferir.                         

 

sábado, 31 de janeiro de 2015

“SNIPER AMERICANO” (“American Sniper”), 2014, EUA, dirigido por Clint Eastwood, conta a história real do soldado Chris Kyle, atirador de elite das forças especiais da Marinha dos EUA – os navy seals -, que em 10 anos, em missões no Iraque, assassinou 150 inimigos. Virou herói. No topo de edifícios, Chris (Bradley Cooper) era encarregado de alvejar qualquer pessoa que colocasse em risco os soldados americanos. Às vezes o inimigo era apenas um garoto ou uma mulher carregando uma granada ou um lança-morteiros. Para Chris, não importava quem era o inimigo, embora ficasse chateado nesses casos. Para ele, o que importava mesmo era salvar seus companheiros. Nos 10 anos (1999 a 2009) em que foi atirador de elite, Chris cumpriu 4 longas missões no Iraque, totalizando mais de mil dias. Entre os 150 inimigos que matou estava um atirador de elite recrutado na Síria e que já havia participado de Jogos Olímpicos. A esposa de Chris, Taya Renae (Sienna Miller), sofria muito quando o marido estava em missão, principalmente por temer que ele voltasse num caixão. O filme de Eastwood teve seis indicações para concorrer ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme e Melho Ator. Independente se ganhar ou não alguma estatueta, o filme é muito bom, apesar do tom um tanto patriótico adotado por Eastwood. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O drama “HOMENS, MULHERES E FILHOS” (“Men, Women & Children”), EUA, 2014, do diretor canadense Jason Reitman (de “Amor sem Escalas” e “Juno”), aborda um assunto bastante atual: a interferência cada vez maior da Internet em nosso cotidiano, em nossas ações, em nossas atitudes. A mensagem do filme é bastante clara: estamos conectados virtualmente, mas desconectados na vida real. Reitman exemplifica apresentando famílias de classe média disfuncionais, com problemas de relacionamento e, principalmente, falta de comunicação, além de adolescentes em crise. O casal que não se relaciona mais sexualmente e encontra uma saída nas redes sociais, o rapaz que abandona o time de futebol por causa de um jogo virtual, a menina que se torna obcecada por regime, a garota que quer ser uma celebridade cinematográfica e até uma vilã virtual, que costuma invadir o computador da filha e até responder e-mails em nome dela. Enfim, são várias histórias de pessoas psicologicamente abaladas e que têm, em comum, alguma influência nefasta da Internet. Embora com um elenco de peso (Jennifer Garner, Adam Sandler, Ansel Elgort, Judy Greer, Rosemarie Dewitt e Kaitlin Dever), o filme foi um grande fracasso nos EUA, onde ficou apenas um mês em cartaz com pouco público. Como curiosidade, a voz que narra a história em off pertence à atriz inglesa Emma Thompson. De qualquer forma, o filme não é tão ruim quanto parece, mas não é tão bom que mereça uma avaliação ou recomendação entusiasmada. Mas não deixa de ser interessante.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

“NASCIDO EM ALGUM LUGAR” (“Né Quelque Part”), 2012, é uma comédia francesa cuja história é inspirada em fatos que aconteceram com o próprio diretor, o francês de família argelina Mohamed Hamidi. No filme, ele é Farid (Tewfik Jallab), nascido na França de pais argelinos que saíram do país natal na década de 60. Ao receber a notícia de que a casa que construiu e em que morou num pequeno vilarejo da Argélia será desapropriada, Hadj (Mohamed Majder), pai de Farid, fica nervoso e é internado num hospital. Ele pede a Farid que vá até a Argélia e resolva o problema, não deixando desapropriar a casa de tantas recordações para a família. Quando chega ao vilarejo, Farid logo faz amizade com um primo trambiqueiro (Jamel Debbouze), o que lhe custará um grande aborrecimento. Com um pouco de conhecimento que adquiriu no curso de Direito que faz na França, Farid vai enfrentar as autoridades locais e tentar reverter a desapropriação não só da casa de seu pai como de outras pessoas do vilarejo. Em sua estada, Farid vai conhecer muito da cultura e das tradições argelinas, além da história de sua família. É nas conversas entre os moradores, com a participação de Farid, que o diretor Hamidi extrai os momentos mais engraçados do filme, mostrando que o bom humor também faz parte do cotidiano daquelas pessoas. O ator Mohamed Majder, que interpreta o pai de Farid, morreu logo após o término das filmagens, em janeiro de 2013, e a ele é dedicado o filme.  

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“ALABAMA MONROE" (“The Broken Circle Breakdown”), de 2012, é um belo e comovente drama belga que conta a história do amor de um cantor, tocador de banjo e líder de uma banda country, Didier (Johan Heldenbergh), por uma tatuadora, Elise (Veerle Baetens). Ele é ateu e ela, apesar de toda tatuada, é religiosa. Eles se casam, têm uma filha e vivem felizes, mas não para sempre. Uma doença grave que terminará em morte irá quebrar o círculo de felicidade, o que remete ao título do filme. Apesar do tema dramático, o filme alterna momentos de bom humor e sensibilidade, principalmente quando a banda se apresenta nos palcos, agora com Elise como crooner. No meio de tudo isso, o diretor Felix Van Groeningen ainda encontra espaço para discutir a questão dos estudos das células-tronco e a eutanásia. Os dois atores principais são espetaculares. Como curiosidade, o filme é todo falado em Flemish, dialeto alemão do norte da Bélgica. Se você for de chorar, esqueça a pipoca e separe uma caixa de lenços de papel. Sem exagero, um dos melhores filmes deste século.  

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

“BABÁ FORA DE CONTROLE” (“Babysitting”), 2014, é uma comédia francesa bastante divertida, o que não deixa de ser uma raridade no cinema atual. A história é centrada em Franck (Philippe Lacheau), recepcionista de uma grande editora parisiense. Ele adora desenhar histórias em quadrinhos e quer seguir essa carreira. No dia do seu 30º aniversário, Franck planeja uma grande festa com seus amigos, mas seu patrão, sr. Schaudel (o ótimo Gérard Jugnot), o convoca para ser babá de seu filho Rémi (Enzo Tomasini), de 10 anos, por um dia. Com a promessa feita por Schaudel de analisar seus desenhos, Franck aceita a missão e cancela a festa. Só que seus amigos insistem na comemoração e, sem avisar Franck, farão uma surpresa que colocará a casa de Schaudel literalmente de pernas para o ar. Na manhã seguinte, a polícia localiza Schaudel para avisá-lo da bagunça na sua casa e que seu filho havia sumido. Schaudel e a esposa (Clotilde Courau) voltam apavorados para casa, onde assistem, ao lado dos policiais, a um vídeo gravado por um dos amigos de Franck registrando tudo o que aconteceu de noite e de madrugada. É uma sucessão de momentos hilariantes e situações bastante engraçadas. O filme não perde o pique do começo ao fim, num ritmo quase alucinante. O ator comediante Lacheau, além de atuar, escreveu e dirigiu, ao lado de Nicolas Benamou. Não deixe de ver e se divertir!               
Se no filme argentino “Abutres” (2010), dirigido por Pablo Trapero, Ricardo Darín era um advogado à espreita e forjador de acidentes de trânsito para depois ganhar indenizações das seguradoras, em “O ABUTRE” (“The Nightcrawler”), 2014, EUA, o ator Jake Gylenhaal é Louis Bloom, um cinegrafista amador que filma ocorrências policiais de madrugada para depois vender as imagens a telejornais matutinos. A cidade é Los Angeles, ou seja, garantia de material farto. Bloom é um sujeito fracassado, desempregado e trambiqueiro. Um dia, tem a ideia de se transformar numa espécie de paparazzo macabro, seguindo ambulâncias e viaturas da polícia para filmar pessoas morrendo. Ele vende as imagens para uma pequena emissora de TV local, cuja diretora de telejornais, Nina Romina (Rene Russo), é adepta de notícias sensacionalistas e imagens chocantes para elevar o índice de audiência. Bloom não tem escrúpulos em forjar situações, o que inclui arrastar vítimas de acidente de trânsito para conseguir um ângulo de filmagem melhor e ainda colocar seu assistente Rick (Riz Ahmed) em situações de perigo. Sua ousadia chega ao cúmulo de, antes de a polícia chegar, invadir uma casa para filmar os cadáveres de vítimas de um violento tiroteio. O filme é muito bom, chega a ter cenas realmente eletrizantes, e Gylenhaal está ótimo (merecia uma indicação ao Oscar). Chegou a emagrecer 10 quilos para fazer o personagem ficar parecido, segundo ele próprio, com “um coiote faminto”. Dan Gilroy, o diretor, é conhecido como roteirista de filmes como “O Legado Bourne” e agora dirige seu primeiro filme. Um destaque especial para a atriz Rene Russo - por sinal, esposa do diretor -, que aos 60 anos continua bonita e charmosa.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Para tentar decifrar as mensagens secretas nazistas criptografadas, o governo britânico criou o Projeto Ultra e convidou os maiores gênios da matemática e da lógica da Inglaterra para fazer parte da equipe. O trabalho desse pessoal é mostrado no filme “O JOGO DA IMITAÇÃO” (“The Imitation Game”), 2014. O personagem central da história é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), que por sua inteligência e espírito de liderança viria chefiar o grupo. Alan, com a ajuda de sua equipe, e mesmo a despeito da desconfiança das autoridades inglesas envolvidas no projeto, inventou uma máquina (considerada a precursora dos computadores atuais) bastante complexa que, depois de muito trabalho, conseguiu finalmente decifrar as mensagens dos nazistas, contribuindo para vitórias importantes dos aliados durante a Segunda Grande Guerra. A homossexualidade de Alan também é destacada no filme. Em 1952, Alan seria preso por atentado ao pudor e submetido a um tratamento hormonal conhecido como “castração química”. Ou era isso ou a prisão. Como o Projeto Ultra era supersecreto, as autoridades policiais não sabiam o que Alan havia feito. Dirigidos pelo norueguês Morten Tyldum (do ótimo “Headhunters”), ainda estão no elenco Keira Knightley, Matthew Goode, Mark Strong e Charles Dance. O filme é muito bom e, com justiça, recebeu 8 indicações ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme, Melhor Ator (Cumberbatch), Melhor Atriz Coadjuvante (Keira) e Melhor Diretor. Imperdível!

Ao ser exibido no Festival de Berlim, em fevereiro de 2014, o suspense “AS DUAS FACES DE JANEIRO” (“The Two Faces of January”), EUA, 2013, dividiu os críticos. Na verdade, a acolhida geral foi bem morna, com poucos elogios. A história, baseada em livro da escritora de romances policiais Patricia Highsmith, é ambientada em 1962 e começa na Acrópole de Atenas, na Grécia.  Aqui, o guia norte-americano Rydal (Oscar Isaac) conhece Chester MacFarland (Viggo Mortensen) e Colette (Kirsten Dunst), turistas que vieram dos EUA. Rydal é um trambiqueiro notório, enganando turistas principalmente na hora de trocar seus dólares por dracmas (a moeda em uso na Grécia até ser substituída pelo euro em 2002). Depois de deixar o casal no hotel, Rydal encontra no táxi uma pulseira de Colette. Rydal está no corredor do hotel para devolver a pulseira quando surpreende Chester arrastando o corpo de um homem. A partir daí, Rydal torna-se cúmplice de um provável assassinato e, por causa de sua atração por Colette, vai ajudar o casal a sair de Atenas. Os três fogem para a Ilha de Creta e depois para Istambul, na Turquia. Já dá para advinhar que as paisagens são muito bonitas, valorizadas por uma excelente fotografia. Tanto a história como o desenrolar da trama e o tipo de suspense lembram muito os filmes de Alfred Hitchcock, o que já é um bom aval para recomendar este que é o filme de estreia do diretor iraniano Hossein Amini. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Uns escolhem escalar os picos mais altos do mundo, outros pular de bungee jump ou atravessar o topo de edifícios  equilibrando-se numa corda e ainda aqueles que se arriscam nadando entre tubarões. Enfim, há louco e aventureiro para tudo. “TRILHAS” (“Tracks”), 2013, conta uma dessas histórias malucas. Em 1977, a jovem australiana Robin Davidson (Mia Wasikowska), então com 26 anos, com o apoio da Revista National Geographic, decide atravessar o impiedoso deserto da Austrália a partir da cidade de Alice Springs até o Oceano Índico, totalizando uma distância de 2.700 quilômetros. Com um detalhe: a pé. E apenas com a companhia de sua cadela de estimação e quatro camelos – a viagem durou 9 meses. De vez em quando, em seu caminho, aparecia o fotógrafo da revista Rick Smolan (Adam Driver) para tirar algumas fotos. Uma aventura e tanto, repleta de perigos e sacrifícios. Em alguns momentos, tal era o seu nível de exaustão, Robin pensou em desistir. Mas foi até o fim, o que na época tornou a moça mundialmente famosa. Aliás, depois disso, Robin continuou aventurando-se pelo mundo afora, incluindo atravessar os EUA numa moto e trabalhar como guia turístico na Índia. Para quem gosta de viagens inusitadas e de sofrer junto com o viajante, “TRILHAS” é um ótimo programa.