sábado, 7 de agosto de 2021

 

“VOTO DE CORAGEM” (“THE 2ND”), 2020, Estados Unidos, 1h33m, produção original Netflix, direção de Brian Skiba, seguindo roteiro de Eric Bromberg e Paul Taegel. É um filme de ação com muita pancadaria, tiros e uma história que poderia ser melhor aproveitada, não fosse tão mal filmada e executada, a começar pela infeliz escolha do elenco e pelo roteiro completamente absurdo e repleto de furos. Bem, vamos à história. Vic Davis (Ryan Phillippe), um major do serviço secreto, vai buscar o filho adolescente Shaw (Jack Griffo) na escola para passarem o final de semana juntos. A escola estava praticamente vazia, a não ser por mais uma estudante colega de Shaw, Erin Walton (Lexi Simonsen), que aguardava a chegada do motorista de seu pai, o juiz Walton (Randy Charach), da Suprema Corte. Só que quem aparece, dizendo substituir o motorista oficial, é um sujeito meio esquisito (Casper Van Dien), que logo desperta a desconfiança de Vic. Ao notar a presença de algumas pessoas suspeitas ao redor da escola, o agente não deixa a menina embarcar no carro e a carrega para dentro da escola, juntamente com o filho. Aos poucos, o espectador fica sabendo que a menina seria alvo de um sequestro a mando de um diretor da CIA, que queria forçar o juiz a aprovar uma lei de liberação de armas. Em geral, as cenas de ação são muito fracas, chegando a patéticas e risíveis, principalmente quando os sequestradores são atingidos por tiros e dão um pulo para trás soltando um gritinho. Ridículo. Como disse no início do comentário, a escolha do elenco foi muito infeliz. Desde os figurantes até os atores principais, todos atuam muito mal. Veralyn Venezio, a atriz que interpreta a mulher do juiz Walton, tem apenas uma aparição rápida, o suficiente para causar risos com seu jeito de coroa no cio. Outra cena lamentável e risível é quando o agente secreto aparece ostentando uma placa com os dizeres “I'm Here to Help” para que o juiz o identifique como o mocinho. Na verdade, ficou parecendo um pedinte cego ou surdo-mudo. O ator Ryan Phillippe, apesar dos seus 46 anos, está longe de ficar parecido com um agente especial treinado para matar. Além do corpo franzino, ele ainda conserva o mesmo rosto de adolescente em que apareceu em inúmeros filmes de Hollywood. Mais uma escolha errada do elenco. Para encerrar, tem ainda Casper Van Die, galã dos filmes de ação dos anos 90, que nunca foi um bom ator e agora nada mais é do que um canastrão de primeira. Conclusão: “Voto de Coragem” deve ser dado a quem assistir a essa bomba.    

 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

 

“BARTKOWIAK”, 2021, Polônia, produção original Netflix, 1h31m, direção de Daniel Markowicz, seguindo roteiro de Daniel Bernardi. Um misto de policial e filme de ação, cuja história é centrada no jovem Tomek Bartkowiak (Józef Pawlowski), um ex-lutador de MMA que caiu em desgraça após perder uma luta em que se constatou que estava drogado. Sem chance de lutar de novo, Tomek foi trabalhar como segurança numa boate. Curiosamente – olha que invenção do roteiro -, sua família é dona de uma boate em outra cidade e quem a dirige é o irmão de Tomek, Wiktor (Antoni Pawlicki). Acontece que o quarteirão onde fica a boate dos Bartkowiak é cobiçado por um empresário inescrupuloso para, em seu lugar, construir um grande projeto imobiliário. Dessa forma, na base da pressão psicológica e da violência, Rafal Kolodziejczyk (Bartlomiej Topa) aterroriza os comerciantes do quarteirão que se recusam a vender seus imóveis. Quando Wiktor aparece morto em um acidente na estrada, Tomek volta para sua cidade natal com o objetivo de verificar o que realmente aconteceu. É quando descobre quem está por trás de toda aquela violência. Além disso, fica clara a omissão da polícia e das autoridades municipais, certamente corrompidas pelo empresário da construção. Com a ajuda do seu ex-treinador Pawel Sozoniuk (Szymon Boglowski) e de sua filha Dominika (Zofia Domalik), Tomek enfrentará a gangue de Kolodziejczyk, que tem como um de seus integrantes o também ex-lutador de MMA Konrad “Blizna” Repec (Damian Majewski), justamente aquele que o derrotou naquela famosa luta. Vejam que roteiro inventivo. Para concluir, não levem muito em consideração a história mirabolante, pois a principal atração do filme são, sem dúvida, as cenas de luta e pancadarias em geral, muito bem coreografadas e filmadas. Em contraste com tanta violência, há que se destacar a beleza da atriz Zofia Domalik. Uma informação adicional sobre o título “Bartkowiak”, sobrenome do personagem principal. Trata-se de uma homenagem do roteirista Daniel Bernardi ao veterano cineasta polonês Andrzez Bartkowiak, hoje com 71 anos de idade, que por muito tempo trabalhou em Hollywood como diretor em vários filmes. Resumindo, vale a pena assistir "Bartkowiak" pelas cenas de ação.                        

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

 

“A GAROTA DO TERCEIRO ANDAR” (“GIRL ON THE THIRD FLOOR”), 2019, Estados Unidos, 1h33m, filme de estreia de Travis Stevens na direção e roteiro, no qual recebeu a colaboração de Paul John Stone e Ben Parker. Disponível na plataforma Netflix, trata-se de um filme de terror, aliás, de terrir, pois eu me diverti muito, apesar dos sustos e a aparição de alguns seres sinistros. A história começa com um dos clichês mais tradicionais do gênero: uma casa mal-assombrada. É nela que chega Don Kock (Phil Brooks), o novo proprietário, que vai cuidar da reforma sozinho para não gastar. Ele é um sujeito complicado. Ex-presidiário, tenta recomeçar a vida junto com a esposa Liz (Trieste Kelly Dunn), que está grávida. Ela só mudará para a casa quando a reforma ficar pronta, o que levará, certamente, mais alguns dias. Don dormirá na casa até ela ficar pronta. Certo dia ele recebe a visita de uma bela moça chamada Sarah Yates (Sarah Brooks), que logo se entrega a Don, que não resiste à sua beleza e sensualidade. Enquanto isso, durante o dia, derrubando paredes e consertando encanamentos, Don não se dará conta de que está despertando os fantasmas de plantão. Aí começam a acontecer coisas misteriosas. Bolinhas de gude rolam pela casa, uma gosma preta sai dos encanamentos e – pasmem! – escorre sêmen pelas paredes. Nojento! De tanto ser perseguido pela garota tipo atração fatal e presenciar esses fatos sinistros, Don começa a enlouquecer. Enquanto tudo isso acontece, sua esposa chega para uma visita-surpresa e também terá de enfrentar toda essa loucura. Ela descobre, por exemplo, que na casa, há muitos anos, funcionava um prostíbulo – o que justifica todo aquele sêmen saindo pelas paredes. História maluca, não? Não dá para levar nada muito sério, por isso o negócio é se divertir. E isso o filme garante de sobra. Vale a pena conferir.                         

 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021





“A ÚLTIMA CARTA DE AMOR” (“THE LAST LETTER FROM YOUR LOVER”), 2021, Inglaterra, 1h50m, direção de Augustine Frizzell, seguindo roteiro escrito por Nick Payne e Esta Spalding. A história é baseada no best-seller de 2010 da escritora inglesa Jojo Moyes, com o mesmo título original do filme. Tudo começa com a jornalista Ellie Haworth (Felicity Jones), que descobre, no arquivo do jornal em que trabalha, uma carta de amor muito bem escrita, assinada apenas por B e destinada a uma tal de Jennifer. Seguindo seus instintos, Ellie acredita que seu achado pode se transformar numa boa matéria para o seu jornal. Ao mesmo tempo em que mostra a jornalista procurando outras cartas, o filme retorna ao passado – 1965, para ser mais exato- e apresenta a personagem Jennifer Stirling (Shailene Woodley), uma socialite que acaba de perder a memória devido a um acidente de trânsito. Ela é casada com um empresário rico, Laurence Stirling (Joe Alwyn), que, mergulhado em seus negócios, não dá muita bola para a esposa. Pois Jennifer é justamente a destinatária da carta de amor escrita por B. Entre idas e vindas ao passado, o filme desvenda quem é o misterioso B, ou seja, o jornalista Anthony O”Hare (Callum Turner), amante de Jennifer. Voltamos aos dias atuais e aqui está a jornalista Ellie cada vez mais interessada na história de Jennifer e seu amante. Ellie também está prestes a viver um caso de amor, justamente com o rapaz que toma conta do arquivo do jornal, o simpático Rory (Nabhaan Rizwan). Depois de uma incansável investigação, Ellie descobre que Anthony ainda está vivo, assim como Jennifer. Quem for mais sensível pode ser obrigado(a) a usar lenços de papel no desfecho. A recriação de época – anos 60 – é um dos destaques, principalmente os figurinos usados por Jennifer, que lembram os mesmos que a gente costumava ver em Jacqueline Kennedy. Enfim, “A Última Carta de Amor”, lançado recentemente pela Netflix, é um filme muito bonito, mesmo que trate de uma traição conjugal. Em nenhum momento será possível contestar as atitudes de Jennifer. Pelo contrário, a tendência é que os espectadores – principalmente elas – torçam pelo final feliz do romance proibido. Faço questão de destacar, por fim, a atuação magistral da atriz Shailene Woodley, o que já vale o ingresso. Simplesmente imperdível!                       

 

“ELVIRA, TE DARIA MINHA VIDA, MAS A ESTOU USANDO” (“ELVIRA, TE DARÍA MI VIDA PERO LA ESTOY USANDO”), 2015, México, 1h48m, disponível na Netflix desde 8 de abril de 2020, roteiro e direção de Manolo Caro. Trata-se de uma comédia dramática centrada na personagem de Elvira (Cecilia Suárez), uma dona de casa dedicada à família, o marido Gustavo (Carlos Bardem, irmão de Javier) e dois filhos pequenos. Uma noite, Gustavo sai de casa para comprar cigarros e não volta mais. A partir daí, a história destacará a angústia de Elvira com relação ao misterioso desaparecimento do marido. Ao invés de procurar a polícia, o que seria mais natural, ela resolve investigar por conta própria. Para isso, contará com a ajuda de uma vizinha, Luisa (Vanessa Bauche), para cuidar das crianças. Como precisa de dinheiro, Elvira se oferece para trabalhar na funerária da amiga Eloy (Angie Cepeda). Ela confessa: “Eu não sei fazer nada, a única coisa que sou boa é em chorar”. Eloy então contrata Elvira para trabalhar como carpideira, no que resulta em ótimas cenas de humor. Ao mesmo tempo, Elvira arruma um namorado, Ricardo (Luis Gerardo Méndez), funcionário da funerária que pode ajudá-la a descobrir o paradeiro do marido fujão, o que somente acontecerá no desfecho, revelando um fato dos mais surpreendentes. O filme tem um grande trunfo: o desempenho magistral da atriz Cecilia Suárez, que na vida real é casada com o ator mexicano Gael García Bernal. A trilha sonora é um achado, principalmente quando destaca a música “Suavecito”, de Laura León, interpretada por Julieta Vinegas. Trocando em miúdos, “Elvira” é um filme delicioso de assistir. Não perca!                      

sábado, 31 de julho de 2021

 

Acaba de chegar à Netflix esta joia do cinema holandês: “ANTONIA: UMA SINFONIA” (“DE DIRIGENT”), 2018, roteiro e direção de Maria Peters, 2h17m. Trata-se da adaptação para o cinema da história daquela que é considerada a primeira maestrina a reger uma grande orquestra: a holandesa Antonia Brico. O ano é 1926 e estamos em Nova Iorque. A jovem Willie Walters (Christanne de Brujin) é uma estudante de piano cujo maior sonho é ser maestrina. Ninguém lhe deu atenção e muito menos esperança, já que o cargo era tradicionalmente exercido por homens. Como na época as mulheres ainda enfrentavam uma sociedade machista, a moça teria de enfrentar enormes desafios. O primeiro deles: a total falta de apoio dos pais, gente pobre e humilde - o pai trabalhava como lixeiro. Willie foi à luta. Conseguiu emprego como pianista numa pequena orquestra que tocava num teatro de revista (o pessoal de hoje não sabe o que é isso). Em meio à sua trajetória, Willie conheceu Frank Thomsen (Benjamin Wainwright), um jovem milionário que atuava como mecenas de músicos e orquestras. Os dois se apaixonaram, mas Willie jamais deixou de lado o seu sonho. Impulsiva e determinada, batalhou tanto que conseguiu uma bolsa de estudos para estudar na Escola Estatal de Música e Belas Artes de Berlim, onde aprendeu regência com o maestro Karl Muck (Richard Sammel). Paralelamente a este seu empenho, Willie acabou descobrindo que era adotada e que seu nome de nascença era Antonia Brico. Ela resolveu abandonar o nome Willie e adotar Antonia em definitivo para seguir carreira. Com desconfiança total, Antonia estreou como regente profissional na Orquestra Filarmônica de Berlim. Um sucesso tão grande que foi convidada para reger outras orquestras pela Europa e, depois, para reger a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque. Aqui, também seria responsável pela primeira orquestra sinfônica de mulheres, com o aval da então primeira-dama norte-americana, Eleanor Roosevelt. Enfim, uma história incrível de uma mulher determinada e corajosa, muito à frente do seu tempo. Tudo funciona bem nessa produção holandesa, falada em inglês, holandês (neerlandês) e alemão: elenco, roteiro, recriação de época, figurinos, fotografia, trilha sonora e direção de arte. Em seu primeiro papel como protagonista principal, a atriz holandesa Christanne de Brujin arrasa do começo ao fim. Imperdível!                       

sexta-feira, 30 de julho de 2021

 

O MISTÉRIO DE BLOCK ISLAND (“THE BLOCK ISLAND SOUND”), 2020, Estados Unidos, 1h37m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção dos irmãos Matthew e Kevin McManus. Trata-se de um filme de terror série B, beirando a zona de rebaixamento. Começa com fatos inexplicáveis, continua com acontecimentos sem explicação e termina sem explicar o que aconteceu. Caberá ao espectador, no desfecho, mobilizar seus neurônios para tentar adivinhar o que viu na tela. Estamos na Block Island, uma ilha – que realmente existe – a 19 km do litoral do estado norte-americano de Rhode Island. Depois que começam a aparecer aves e peixes mortos na praia, o veterano pescador Tom (Neville Archambault) passa a apresentar um comportamento estranho, catatônico, macambúzio e sorumbático (dicionário na mão, por favor). Harry (Chris Sheffield), seu filho, liga para a irmã Audry (Michaela McManus, irmã dos diretores) e pede que ela venha à ilha para ajudar a cuidar do pai. Como Audry é bióloga, talvez apresente uma explicação baseada na ciência para desvendar o mistério das mortes dos animais. Só quem arrisca a palpitar é um amigo excêntrico de Harry, que atribui os fenômenos a uma força sinistra. Também acredita em teorias delirantes e eventos sobrenaturais. Quando Tom desaparece misteriosamente, seu filho Harry começa a ter um comportamento também estranho, com alucinações e visões fantasmagóricas. Seu pai sumido está sempre nelas dando ordens. Você fica ali assistindo a tudo e esperando que no desfecho haja uma explicação. Nada! Fica a dúvida se a tal força sinistra vem do céu ou do mar. Você vai dormir com essa dúvida e com uma certa raiva por ter assistido até o final.                  

quarta-feira, 28 de julho de 2021

 

O OUTRO IRMÃO (EL OUTRO HERMANO), 2017, disponível na plataforma Netflix, coprodução Argentina/Uruguai/Espanha, 1h53m, roteiro e direção do cineasta uruguaio Israel Adián Caetano. Trata-se de um thriller policial com pitadas de suspense. O esquisito Cetarti (o ator uruguaio Daniel Hendler), um ex-funcionário público demitido por justa causa (faltou um ano inteiro ao trabalho), vive isolado em Buenos Aires, bebendo e jogando conversa fora pelos botecos. Mas essa rotina mudará depois que recebe o telefonema de um sujeito estranho que lhe dá a notícia de que sua mãe e seu irmão foram assassinados. Para cuidar do enterro e outras providências, Cetarti viaja para o pequeno vilarejo de Lapachito, na província de Chaco. Há muitos anos afastado da mãe e do irmão, Cetarti não sabe ao certo o que encontrará na casa de seus familiares mortos. Uma casa muito simples e bagunçada, aliás, na zona rural de Lupachito. Quando chega da viagem, Cetarti é recebido por Duarte (Leonardo Sbaraglia), o estranho que lhe telefonara. Ele se apresenta como corretor de seguros e coloca-se à disposição de Cetarti para ajudar no que fosse preciso. Porém, por trás dessas boas intenções, há um plano maquiavélico para extorquir o coitado do Cetarti. Aos poucos, o espectador conhecerá a verdadeira personalidade de Duarte, que não passa de um pilantra acostumado a aplicar golpes e até praticar sequestros para ganhar dinheiro. Ele é tão mau-caráter que chega a estuprar uma senhora sequestrada. Resumindo, Cetarti cairá na lábia de Duarte a ponto de participar de um sequestro. Muita coisa acontece até o desfecho, que reserva uma grande reviravolta na história. O ótimo ator argentino Leonardo Sbaraglia, também muito requisitado pelo cinema espanhol, dá um show de interpretação como o malandro Duarte. Tanto é que conquistou, por esse papel, o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Málaga (Espanha). Também é destaque no elenco a veterana atriz espanhola Ángela Molina. Resumindo, “O Outro Irmão” não pode ser colocado entre os melhores filmes argentinos, mas não decepciona. Confira sem medo.               

terça-feira, 27 de julho de 2021

 

CÉU VERMELHO-SANGUE (BLOOD RED SKY), 2021, Alemanha/EUA, 2h03m, direção de Peter Thorwarth, que também assina o roteiro com a colaboração de Stefan Holtz. Trata-se de uma produção original Netflix, repleta de ação, suspense e com a participação especial de vampiros. Tudo começa em um aeroporto da Alemanha, onde passageiros esperam embarcar em um voo para Nova Iorque. Entre eles, estão Nadja (Peri Baumeister) e seu filho Elias (Carl Anton Koch). A versão oficial que a mãe explica para o filho sobre o motivo da viagem é que ela pretende se submeter a um tratamento de medula. Mas, como se verá no transcorrer da história, Nadja reserva um segredo muito especial. Quando o avião levanta voo, um grupo de terroristas assume o comando, ameaçando matar quem não seguir suas ordens. Os sequestradores se passam por muçulmanos, quando na verdade não passam de bandidos comuns cujo objetivo é conseguir um resgate em dinheiro. Quando Nadja percebe que seu filho está em perigo, ela se transforma, literalmente, numa fera. A partir daí o filme entra num ritmo alucinante, tudo dentro da aeronave. Haja coração. Até o desfecho, muita coisa vai acontecer e o espectador acompanhará tudo segurando com força os braços da poltrona. A ação não para um segundo, muito sangue jorrando e sustos à vontade, tudo muito bem feito. O ator inglês Dominic Purcell, que normalmente atua como mocinho nos filmes, aqui é o vilão, chefe dos sequestradores. Destaque para a atuação da atriz alemã Peri Baumeister, que ficou conhecida após aparecer no papel de Lady Gisela na série “O Último Reino” e como Sara na série “Skylines”, ambas produzidas pela BBC inglesa. Também merece destaque o trabalho de maquiagem feita nos vampiros, especialmente na personagem de Nadja. Trocando em miúdos, “Céu Vermelho-Sangue” é um ótimo entretenimento. Imperdível!             

segunda-feira, 26 de julho de 2021

 

“RETRATOS DE UMA GUERRA” (“ASHES IN THE SNOW”), 2018, coprodução Estados Unidos/Lituânia, 1h38m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia como diretor de Marius A. Markevicius, seguindo roteiro de Ben York Jones. Trata-se de uma adaptação do livro “A Vida Entre Tons de Cinza” (“Between Shades of Grey”), da escritora lituana naturalizada norte-americana Ruta Sepetys, lançado em 2011. Baseado em fatos reais relatados no romance de Ruta, o filme retrata mais um episódio lamentável ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez envolvendo o exército de Stalin. Em 1941, enquanto os nazistas dominavam a Europa Ocidental, os russos invadiam o leste europeu. O filme concentra sua ação nos países bálticos, no caso a Lituânia, que em 1940 havia sido anexada à União Soviética. Independente de idade, ideologia, credo ou religião, milhares de lituanos foram presos e enviados para campos de concentração na Sibéria (os famosos gulags) e submetidos a trabalhos forçados. Enquanto os alemães utilizavam gás para matar os judeus, os russos deixavam suas vítimas morrerem de fome e frio. A história do filme é centrada na família da jovem desenhista Lina Vilkas (Bel Powley), enviada com a mãe e os irmãos para a Sibéria e, depois, para um lugar perdido no Círculo Polar. Também estão no elenco Martin Wallström, Sophie Cookson, Lisa Loven Kongsli e Peter Franzen. Falado em inglês, russo e lituano, “Retratos de Uma Guerra”, como não poderia deixar de ser, é um filme muito triste, que talvez faça mal para espectadores mais sensíveis. É desgraça e sofrimento do começo ao fim. De qualquer forma, é bastante esclarecedor quanto ao papel da União Soviética durante o conflito. Se os nazistas mataram 6 milhões de judeus, Stalin assassinou 25 milhões, fato só revelado depois da morte do ditador russo, em 1953. O filme poderia explorar o assunto de forma mais esclarecedora sob o ponto de vista histórico, mas resolveu ficar no superficial. Isso, porém, não desmerece a lembrança do fato que é sempre lembrado pelas comunidades lituanas em todo o mundo. Se você tiver com vontade de um entretenimento mais leve e alegre, não assista. Para terminar o comentário, lembro que o filme, na época de seu lançamento (2018) na Lituânia, bateu recordes históricos de bilheteria.                  

domingo, 25 de julho de 2021

“PLANO DE FUGA” (“PLAN DE FUGA”), 2016, Espanha, 1h45m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Iñaki Dorronsoro. Com esse mesmo título há também filmes como o de 2012, com Mel Gibson, e o de 2018, com Stallone, além de outros que não me recordo. Este espanhol é um bom policial, mas peca pelo roteiro confuso e um final um tanto inverossímil. A trama é centrada em Victor (Alain Hernández), um ladrão de bancos especialista em maçaricos que acaba de ser contratado pela máfia russa para roubar um grande banco. O filme demora a identificar Victor como agente da polícia infiltrado na máfia, revelação que surpreende o espectador. Em meio ao planejamento do roubo, Victor, que é casado e tem um filho, conhece e se apaixona por uma stripper, a bela Helena (Alba Galocha), que aparece na história apenas para embelezar uma ou outra cena, sem um protagonismo relevante. Também surge um antigo parceiro de roubos de Victor, o viciado em drogas Rápido (Javier Gutiérrez). Este sim terá uma participação importante na trama. A polícia descobre os planos da máfia russa e começa a investigar o caso. Quem chefia a equipe é um veterano detetive (Luis Tosar), que até o final tentará desvendar qual o plano do roubo e qual banco será o escolhido. Só que haverá uma reviravolta no caso, o que não cabe aqui revelar. O desfecho é surpreendente, mas um tanto improvável. Como afirmei no começo do comentário, o filme é um bom policial, com todos os ingredientes para agradar os fãs do gênero.               

quinta-feira, 22 de julho de 2021

 

Do pouco conhecido cinema de Gana, encontrei na Netflix o suspense “O NOVO PROFESSOR” (“DERANGED”), uma produção de 2017, com 1h38m de duração e roteiro e direção de Jameel Buari. Assim como o cinema da Índia é chamado de Bollywood e o da Nigéria de Nollywood, o cinema de Gana é Gollywood. Trata-se de mais um filme com o tema “atração fatal”, desta vez envolvendo uma aluna problemática e um professor de filosofia substituto. Benny Essiam (Ramsey Novah), o professor, está feliz da vida e muito motivado. Arrumou emprego em uma escola conceituada na capital Acra e sua mulher Kamila (Zinnell Zuh) está grávida depois de seis anos de tentativas. Em suas aulas, uma aluna com aparência nerd se destaca: Kaylyn Koleman (Nadia Buari, irmã do diretor).  Ela se mostra inteligente, em um nível bem acima dos colegas, e muito "interessada" nas aulas de Essiam. De repente seu comportamento começa a mudar, revelando uma admiração quase sexual por seu professor, a ponto de assediá-lo dentro e fora da escola. Essiam a rejeita sempre, mas sabe como é, mulher rejeitada, pode ser jovem ou mais velha, sempre vira uma fera. Então Kaylyn parte para o ataque e tenta de todas as maneiras convencer o professor a levá-la para a cama. A coisa engrossa, pois a moça é daquelas obcecadas e carentes ao extremo, chegando à beira da psicopatia. Você logo imagina o que vai acontecer. É bom não seguir diante com a história para não entregar as surpresas reservadas pelo roteiro e, principalmente, não revelar a grande reviravolta no desfecho. O filme é todo falado em inglês, a língua oficial de Gana, assim como acontece na Nigéria e em outros países africanos. Até o começo do século passado, Gana era uma colônia britânica conhecida também como Gold Coast. “O Novo Professor” é um bom suspense, mantendo um alto nível de tensão do começo ao fim. Recomendo.               

quarta-feira, 21 de julho de 2021

 

“UN PLUS UNE”, 2015, França, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Claude Lelouche, que também assina o roteiro com a colaboração de Valérie Perrin. Os cinéfilos mais antigos certamente se lembrarão do consagrado cineasta francês, responsável, entre outros, pelo clássico “Um Homem e Uma mulher” (“Un Homme et Une Femme”), de 1966. Em “Un Plus Une”, ele repete a fórmula do seu grande sucesso, ou seja, o romance entre um homem e uma mulher. No caso, Antoine Abeilard (Jean Dujardin, de “O Artista”), um conceituado compositor de trilhas sonoras, e Anna Hamon (Elsa Zylberstein), esposa de Samuel Hamon (Christopher Lambert), embaixador da França na Índia. Contratado para compor a trilha do filme indiano “Julieta e Romeu”, Antoine viaja para Mumbai (antiga Bombaim) e é recepcionado com um jantar na embaixada francesa. É aí que ele conhece Anna, uma mulher que se inspira na espiritualidade reinante no país de Gandhi. Há anos que ela tenta engravidar, mas não consegue. Então ela resolve viajar para o sul da Índia com o objetivo de visitar uma líder espiritual conhecida por Amma, a “santa que abraça”, e se banhar no Rio Gânges. No meio do caminho ela volta a se encontrar com Antoine, que a acompanha na viagem com a justificativa de querer curar sua crônica dor de cabeça. Enquanto isso, seu marido, o embaixador, hospeda a namorada de Antoine, Alice Hanel (Alice Pol), uma pianista que acaba de chegar da França. Quando os dois casais se reencontram, algumas verdades vêm à tona, complicando os relacionamentos. O desfecho, quando o filme avança quatro anos, reserva uma grande reviravolta. “Un Plus Une” é repleto de diálogos inteligentes, durante os quais se discute temas como arte, filosofia de vida, amor e espiritualidade. Os cenários também são destaque, com a câmera no meio do povo em várias cidades indianas, principalmente aquelas banhadas pelo Rio Gânges. A trilha sonora, composta por Francis Lai, o mesmo de “Um Homem e uma Mulher”, é outra atração do filme. Mas o grande trunfo, além da história, é, sem dúvida, o desempenho primoroso da atriz Elsa Zylberstein. Lançado com muitos elogios no Festival Internacional de Cinema de Toronto (Canadá), o filme consagra o diretor Claude Lelouche como um dos maiores cineastas da atualidade. Cinema da mais alta qualidade. Imperdível!               

segunda-feira, 19 de julho de 2021

 

“BELEZA AVASSALADORA” (“HASEEN DILLRUBA”), 2021, Índia, 2h16m, disponível na plataforma Netflix desde 5 de julho de 2021, direção de Vinil Mathew, seguindo roteiro de Kanika Dhillon e Ankana Joshi. Mais uma ótima produção de Bollywood, entretenimento dos melhores. O filme começa com Rani Kashyap (Taapsee Pannu) andando pela rua e logo atrás uma grande explosão na sua casa. Rishabh (Vikrant Massey), seu marido, foi dado como morto. No início das investigações, o inspetor Kishore (Aditya Srivastava) começa a desconfiar que Rani é a responsável. A história volta no tempo e relembra como tudo começou, ou seja, o casamento arranjado de Rishabh com a bela e sensual Rany. Tímido ao extremo, ele não conseguia consumar o casamento na cama. Claro, Rany entrou naquela fase da carência afetiva e, não demorou muito, já estava debaixo dos lençóis com Neel (Harshvardhan Rane). O marido descobre a traição e parte para a vingança contra a esposa infiel, incluindo até mesmo tentativas de homicídio. Até o desfecho, muita coisa vai rolar e algumas reviravoltas acontecerão. Por isso, é melhor parar por aqui para não estragar as surpresas do roteiro. Trocando em miúdos, difícil definir o gênero ao qual o filme se encaixa. Tem suspense, investigação policial, comédia, drama e romance, resultando em um melodrama perturbador da melhor qualidade. O que incomoda nos filmes indianos, pelo menos para nós ocidentais, são as manias deles de balançar a cabeça a cada diálogo, comer com a mão, tomar chá com leite e incluir aquelas irritantes cantorias e coreografias. Apesar disso, existem muitos filmes indianos excelentes, e “Beleza Avassaladora” é um deles. Mais um acerto de Bollywood. Não perca!                 

domingo, 18 de julho de 2021

 

FIREBRAND (conservo o título original, assim como está na plataforma Netflix – fui atrás da tradução e cheguei a “Tição”, que, segundo os dicionários, quer dizer “Pedaço de lenha acesa ou meio queimada”), 2019, Índia, 1h56m, roteiro e direção da veterana cineasta Aruna Raje. Como em inúmeros outros filmes realizados por Bollywood, o pano de fundo é mais uma vez a condição das mulheres na Índia. A história é centrada em Sunanda Raut (Usha Jadhav), uma advogada especializada em divórcios. Nas cenas iniciais, ela aparece no tribunal defendendo mulheres que sofrem abusos físicos ou sexuais por parte de seus maridos e querem a separação. Sunanda vence todos os casos, ganhando grande repercussão na mídia. Sua fama levou a socialite Divya Patel Pradhan (Rajeswari Sachdev) a procurá-la. Divya quer o divórcio do empresário Anand Pradhan (Sachin Khedeka), exigindo uma grande parte do patrimônio do marido e ainda a guarda da filha. Esse caso terá muito importância para a vida pessoal de Sunanda, principalmente no que se refere ao próprio casamento com o arquiteto Madhav (Girish Kulkarni). Estuprada na juventude, Sunanda arrasta um trauma que a impede de se relacionar sexualmente com o marido. Por causa disso, o casal participa de sessões de terapia que ganham destaque na história por causa dos diálogos com o terapeuta e o tratamento ministrado por ele. A cineasta Aruna Raje, uma das primeiras mulheres diretoras de Bollywood, sempre explora em seus filmes todas essas questões envolvendo a posição inferior das mulheres numa sociedade de tradição machista como a indiana. Nos créditos finais, ela faz questão de dedicar o filme a todas as mulheres que sofreram violência física ou sexual, como é o caso de nada menos do que 35% da população feminina em um país com uma população de 1,3 bilhão de pessoas. Raje ainda lembra que um estupro é cometido a cada 20 minutos na Índia. “Firebrand” é mais um filme impactante e esclarecedor. E com uma enorme vantagem: não tem aquelas irritantes e insuportáveis cantorias e coreografias comuns na maioria das produções de Bollywood. Não perca!                

quinta-feira, 15 de julho de 2021

 

“A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA” (“THE GUERNSEY LITERARY AND POTATO PEEL PIE SOCIETY”), 2018, Inglaterra, 2h4m, roteiro e direção de Mike Newell (“Quatro Casamentos e um Funeral”). Não leve em conta o título esquisito, já que é o mesmo do livro escrito por Mary Ann Shaffer e Annie Barrows e que serviu de inspiração para Newel elaborar o roteiro. A história é bem interessante e tem como pano de fundo a paixão pela literatura, um romance açucarado e a Segunda Guerra Mundial. O ano é 1946. A escritora Juliet Ashton (Lily James) começa a ser conhecida pelos seus livros, angariando uma legião de fãs. Um de seus leitores é Dawsey Adams (Michiel Husman), um criador de porcos residente na Ilha de Guernsey, uma dependência da Coroa Britânica localizada no Canal da Mancha próximo à região francesa da Normandia. Dawsey faz parte da tal Sociedade Literária, criada por moradores locais para discutir livros e seus autores. Dawsey inicia uma troca de correspondências com Juliet, sendo que em uma delas conta como foi a ocupação alemã da ilha e como seus habitantes encararam a situação. Ao visualizar os fatos relatados como um rico material para um novo livro, Juliet, que acabara de ficar noiva, sai de Londres para visitar Guernsey. Aqui chegando, ela fica encantada com as belezas naturais da ilha e a simplicidade de seu povo. Ela é recebida com carinho pelo pessoal da tal sociedade literária e, ao ficar alguns dias na companhia de Dawsey, seu coração começa a balançar. Além de Lily James e o ator holandês Michiel Husman, estão no elenco Jessica Brown Findlay, Mathew Goode, Glen Powell, Penelope Wilton, Katherine Parkinson e Marek Oravec. Disponível na plataforma Netflix desde o dia 8 de abril de 2020, o filme inglês é muito agradável de assistir, não só pela história, como também pelo ótimo elenco e ainda pelos cenários paradisíacos da ilha de Guernsey, que, humildemente confesso, nunca ouvi falar. Imperdível!           

quarta-feira, 14 de julho de 2021

 

SEQUESTRANDO STELLA (KIDNAPPING), 2019, Alemanha, 1h29m, produção original Netflix, roteiro e direção de Thomas Sieben. Trata-se de um remake do filme inglês “The Disappearance of Alice Creed”, de 2009. No caso do filme alemão, a história é centrada no sequestro de Stella (Jella Haase), uma jovem filha de um rico empresário, praticado por dois ex-presidiários, Tom (Max Von Der Groeben) e Vic (Clemens Schick). O filme começa com alguns minutos dedicados aos preparativos do sequestro, quando a dupla prepara o cativeiro para a “hospedagem” da vítima, incluindo a adaptação do furgão e a forração das paredes com isolamento acústico. Nessas primeiras cenas não há qualquer diálogo entre os sequestradores. O que achei mais intrigante foi o fato de o cativeiro ser em um apartamento e não numa casa isolada, como acontece em inúmeros outros filmes do gênero. Desde quando o sequestro é realizado, em uma rua, até a transferência da vítima do furgão até o apartamento, nenhuma outra pessoa aparece nas imagens. Aliás, é bom o espectador se acostumar com o fato de que o filme só terá três personagens, os dois sequestradores e a vítima, além do cenário ser apenas um do começo ao fim. Ou seja, o cativeiro. Mas se engana em pensar que o filme é tedioso. Pelo contrário, graças ao trabalho do diretor Thomas Sieben, o espectador em nenhum momento sentirá tédio. A tensão persiste até o final, não só pela situação e as reviravoltas, mas também pela expectativa de qual será o desfecho de tudo. “Sequestrando Stella” não é nenhuma Brastemp, mas passa longe de ser uma geladeira de isopor. É um bom filme que merece ser visto.          

segunda-feira, 12 de julho de 2021

“DIAS SEM FIM” (“ALL DAY AND A NIGHT”), 2020, Estados Unidos, 2h1m, produção original Netflix, roteiro e direção de Joe Robert Cole. Trata-se de um drama intenso e impactante centrado na trajetória de Jahkor Abraham Lincoln (Ashton Sanders), que cumpre prisão perpétua depois de ter assassinado um casal. O filme retrata sua vida desde a infância tumultuada até a idade adulta, quando acaba preso. Ele cresceu no gueto da cidade de Oakland (Califórnia), uma das cidades mais violentas dos EUA. Sua infância e juventude foram marcadas por brigas entre gangues, bullying na escola, muita maconha e várias prisões. Também cresceu sendo espancado violentamente pelo pai, James Lincoln (Jeffrey Wright), um marginal viciado em drogas. Em suas reflexões na prisão, transformadas em off no filme, Jahkor relembra sua intenção de seguir uma vida fora do crime, primeiro tentando se transformar num rapper, depois como vendedor numa loja de calçados. Desiludido com o fracasso em seguir profissões honestas, o jovem aceita trabalhar para o traficante Stunna (Yahia Abdul-Mateen II) e sua primeira missão foi assassinar um rival no tráfico, o que acabou o levando para a prisão perpétua. “Quem vê muita violência acaba se acostumando”, diz ele, numa das muitas frases em que tenta justificar sua trajetória no crime. Outra delas é “Quando cheguei à prisão reencontrei muitas pessoas que não via há tempos”. Inclusive o próprio pai, que cumpre pena por causa do tráfico de drogas. Também estão no elenco Isaiah John, Shakira Ja’Nai Paye, Christopher Meyer, Jalyn Hall, Kelly Jenrette, Regina Taylor e Ptosha Storey. Este foi o segundo longa dirigido por Joe Robert Cole, mais conhecido como roteirista de “Pantera Negra”. Ao mesmo tempo triste e violento, “Dias Sem Fim” apresenta um quadro bastante realista de quem cresce convivendo na pobreza com gangues perigosas e traficantes, como se vivesse numa bolha intransponível, sem conseguir visualizar outra saída senão a criminalidade. “Dias Sem Fim” é um drama que merece ser conferido, um verdadeiro soco no estômago. .         

domingo, 11 de julho de 2021

 

“MAJOR GROM CONTRA O DR. PESTE” (“MAYOR GROM: CHUMNOY DOKTOR”), 2020, Rússia, 2h18m, roteiro e direção de Oleg Trofim, produção original Netflix – estreou na plataforma dia 7 de julho de 2021. Quem costuma afirmar que só Hollywood faz os melhores filmes de super-heróis vai se surpreender com este ótimo exemplar do cinema russo. Trata-se de uma adaptação de uma série de histórias em quadrinhos muito popular na Rússia, intitulada “Major Grom”, criada por Artyom Gabrelyonov e publicada pela editora Bubble Comics. Ao contrário dos mais famosos filmes do gênero, aqui o super-herói não tem poderes e sim o vilão. O cenário é uma cidade de São Petersburgo com um alto índice de criminalidade. A polícia tenta, mas não consegue conter os bandidos. A população precisava de um super-herói e ele faz sua primeira aparição quando um jovem ricaço é julgado inocente depois de atropelar e matar uma criança. Ele dirigia bêbado e drogado e, mesmo assim, a justiça o libertou. O super-herói, cuja vestimenta lembra a do Batman, só que com a máscara bizarra de um pássaro, vai atrás do atropelador e o mata com sua arma letal, um poderoso lançador de chamas que sai dos seus braços. Chamado de “Dr. Peste”, o tal herói começa a tomar gosto pela matança e começa a assassinar não só bandidos, mas também inocentes. O major Igor Grom, famoso detetive da polícia de São Petersburgo, sai à caça do tal super-herói, que agora é tratado como serial killer. Igor Grom conta com a ajuda de seu parceiro novato Dima (Alexander Seteykin) e de Yulyay Pechelkina (a bela Lyubov Aksyonova), uma jovem delinquente resgatada da criminalidade por Igor. Essa caçada prosseguirá até o desfecho, com inúmeras cenas de ação muito bem elaboradas e de tirar o fôlego. Muitas reviravoltas ocorrerão até a prisão do Dr. Peste. Resumindo, o filme russo é ótimo, diversão garantida para uma sessão da tarde com pipoca. Não perca!       

quinta-feira, 8 de julho de 2021

 

“INTERROMPEMOS A PROGRAMAÇÃO” (“PRIME TIME”), 2020, Polônia, 1h33m, produção Netflix (estreou mundialmente no dia 30 de janeiro de 2021), direção de Jakub Piatek (é o seu primeiro longa), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Czapski. Reverenciado pela crítica especializada depois de sua exibição no Sundance Film Festival (venceu na categoria World Cinema Dramatic), o filme é centrado em Sebastian (Bartosz Bielenia, de “Corpus Christi”), um jovem de 20 anos que um dia resolve invadir o estúdio de um programa ao vivo de TV. Armado com uma pistola, ele faz como reféns a apresentadora Mira Kryle (Magdalena Poplawska) e o segurança Grzegorz (Andrzej Klak). Estamos na cidade de Cracóvia na noite de 31 de dezembro de 1999, quando a Polônia – e o mundo inteiro – aguarda com muita expectativa a entrada de um novo século, a famosa virada do milênio. O rapaz exige que a emissora o coloque numa transmissão ao vivo para que ele leia uma mensagem ao distinto público. Enquanto tenta convencer a direção da emissora sobre sua intenção, policiais de elite chegam ao estúdio e, com dois negociadores, tentam convencer o rapaz a se entregar. Até seu pai é convocado para ajudar, mas a situação vai se complicando à medida que o tempo passa. Além da pistola, Sebastian diz que tem uma bomba na mochila. Muito suspense em torno do que vai acontecer e muitas perguntas ficam no ar para o espectador. Que mensagem ele quer divulgar? Quem é a pessoa que ele conversa por telefone? Será que alguém da emissora está envolvido, quem sabe para aumentar a audiência? Por que Sebastian escolheu justamente aquele programa? Enfim, são muitos questionamentos que invadem a cabeça dos espectadores e muitos deles ficarão sem resposta até o final. Achei que os críticos exageraram nos elogios, pois o filme mais parece uma peça de teatro (toda a ação se passa no estúdio) e se arrasta por um tempão sem nada acontecer. Pode conferir, mas não espere muito.            

       

 

       

quarta-feira, 7 de julho de 2021

 

“MEU IRMÃO” (“MON FRÈRE”), 2019, França, 1h36m, produção original Netflix, roteiro e direção de Julien Abraham. Uma história bastante impactante, que explora várias questões importantes relacionadas ao comportamento dos delinquentes juvenis franceses, principalmente aqueles originários de famílias de imigrantes. São colocados em pauta aspectos como violência doméstica, famílias desestruturadas, carência afetiva, traumas de infância e racismo estrutural, entre outros agentes apontados como responsáveis pelo desajuste social dos jovens e adolescentes. O filme começa com a prisão de Teddy (rapper MHD, nome artístico de Mohamed Sylla), de 17 anos, acusado de ter assassinado o próprio pai. Ele é enviado a um centro de detenção para jovens delinquentes. Aqui, ele chega como único negro entre os 12 internos e, por isso, já começa a sofrer “bulliyng” e pressão psicológica, principalmente por parte de Enzo (Darren Muselet), um jovem cheio de raiva e violento. O filme mostra com destaque o interessante trabalho da psicóloga Claude (Aïssa Maïga) para frear a raiva e conter os instintos violentos dos rapazes. Enzo manda no pedaço até a chegada de Mo (Najeto Injai), rapaz negro ainda mais violento. Durante sua permanência do reformatório, Teddy pensa no irmão mais novo e na avó, com os quais morava antes de ser preso, além de nutrir a esperança de reencontrar sua mãe, que mora em Amsterdam (Holanda), para onde fugiu depois de sofrer violência doméstica do marido (Mark Grosy), abandonando os filhos com a avó (Lisette Malidor). Em seu terceiro longa-metragem (os dois primeiros foram “Made in China” e “A Cidade Cor de Rosa”), o diretor Julien Abraham acerta a mão ao evidenciar os traumas de infância como fatores determinantes para o comportamento irascível dos jovens delinquentes. E também acerta ao propor a psicologia e o afeto como bases de tratamento para a sua recuperação. O filme é bastante tenso, pesado, mas tem seus momentos de alta sensibilidade. Não perca!            

       

 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

 

“GHOST LAB”, 2021, Tailândia, 1h57m, direção de Paween Purijitpanya, que também assina o roteiro com a colaboração de Vasudhorn Piyaromna. Este surpreendente filme tailandês não foi exibido nos cinemas por conta da pandemia de Covid/19. Chegou direto à plataforma Netflix no dia 26 de maio de 2021 e já fez inúmeros admiradores, como este que vos escreve. Trata-se de um suspense sobrenatural com pitadas de horror e humor, na verdade um “terrir”, com direito a muitos sustos. A história é centrada em dois médicos residentes em um hospital de Bangkok, Wee (Thanapob Leeratanakajorn) e Gla (Paris Intarakomalyasut) que se tornaram amigos inseparáveis. Durante um plantão noturno, eles veem o que acreditam ser um fantasma e decidem estudar o assunto, ou seja, encontrar provas concretas que comprovem a existência de fantasmas, ou espíritos, como costumamos chamar. Eles resolvem montar um laboratório no porão do hospital e dão o nome ao projeto de “Aurora Boreal”. Não dá para aprofundar muito mais na história com o risco de revelar as surpresas. Só adianto que um deles resolve cometer suicídio para depois tentar voltar como fantasma e então provar a tese da dupla. Prestem a atenção na beleza da atriz Nuttanicha Dungwattanawanish (olha o tamanho do sobrenome), que faz o papel de Mai, namorada de Gla. Resumindo, o filme é repleto de suspense, você sempre esperando o que vai acontecer na cena seguinte. “Ghost Lab” é um ótimo entretenimento, daqueles que prende sua atenção até o final. Uma ótima oportunidade de conhecer o tão pouco conhecido cinema tailandês. Recomendo.