terça-feira, 12 de novembro de 2019


“MUNDOS OPOSTOS” (“ENAS ALLOS KOSMOS”), 2015, Grécia, 1h53m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Christoforos Papakaliatis, que também atua no filme. Trata-se de uma ode a Eros (deus do amor na mitologia grega). São três histórias de amor, todas ambientadas em Atenas, desenvolvidas cada qual em uma conjuntura diferente. Na primeira, um imigrante ilegal sírio salva uma jovem grega de ser estuprada e acabam se apaixonando, sendo que o pai dela é um fascista e xenófobo radical, que comanda uma milícia que sai à noite espancando imigrantes. O segundo capítulo reúne um sujeito casado que conhece uma executiva de RH sueca que viaja para Atenas para promover mudanças drásticas numa empresa, incluindo o enxugamento do seu quadro de funcionários. Eles se apaixonam, mesmo que o destino lhes reserve uma surpresa bastante desagradável. Na terceira história, o amor reúne duas pessoas da terceira idade, um professor de história aposentado e uma dona de casa infeliz no casamento. Em todas as histórias, portanto, uma coincidência fica evidenciada: o amor é capaz de unir pessoas de “mundos opostos”, já que cada casal é formado por um grego – ou grega – e a outra pessoa de fora do país. No desfecho, os personagens dos três capítulos estarão interligados de alguma forma, mais um trunfo do primoroso roteiro. Como pano de fundo, o diretor Papakaliatis explora temas muito mais sérios, como a crise econômica mundial - em especial na Grécia -, a aparente falência do capitalismo, a situação política da Europa e ainda a questão do desemprego e dos refugiados. Com um certo exagero, o filme decreta que Eros (o Amor) pode ser a solução de todos esses problemas. E dá-lhe mitologia grega. Na primeira história estão Farris (Tawfeek Barhom), Daphne (Niki Vakali) e Antonis, o pai fascista (Minas Hatziavvas). Na segunda, Giorgos (o diretor Papakaliatis) e Elise (a bela atriz húngara Andrea Osvárti). E finalmente, no terceiro capítulo, estão Maria (Maria Kavoyianni, em atuação espetacular) e Sebastian (o ator norte-americano J.K. Simmons). Embora tenha sido recebido com desdém pela crítica especializada, eu achei o filme muito bom, sensível, sério e comovente. Cinema grego da melhor qualidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019


“PERSEGUIDO PELO DESTINO” (“LE FIDÈLE”), 2017, Bélgica, 2h10m, roteiro e direção de Michaël R. Roskam (indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro por “Rundskop”). Estreou no Festival de Veneza em setembro de 2017. Ação e romance são os dois principais ingredientes deste excelente policial belga, estrelado por Matthias Schoenaerts (“Ferrugem e Osso”) e Adèle Exarchopoulos (“Azul é a Cor mais Quente”). O belga Shoenaerts faz o papel de Gigi Vanoirbeek, um marginal metido a playboy que vive de assaltos com sua gangue, formada por amigos que, juntamente com ele, passaram a juventude em reformatórios destinados a jovens delinquentes. Com seu charme e alguns amigos importantes, Gigi frequentava a alta sociedade de Bruxelas. No camarote de um autódromo, ele conheceu a pilota de corridas Bibi Delhany (Adèle), filha de um rico empresário. Como era previsível, Gigi e Bibi se apaixonam e iniciam um ardente romance. Como fachada, Gigi dizia que tinha negócios com importação e exportação de veículos. Enquanto Bibi seguia com seus treinos e competições, Gigi continuava assaltando, agora bancos e carros-forte. O romance sofreria um forte abalo quando Gigi e sua gangue caem nas mãos da polícia belga. Um escândalo e tanto, afetando de forma trágica a vida de Bibi. Será que o seu amor por Gigi sobreviverá depois de tudo isso? Você encontrará a resposta no final, aliás, um surpreendente e triste final. O filme é muito bom, vale cada minuto de sua longa duração. Por sua atuação, o ator belga Schoenaerts firma-se como o novo astro bonitão do cinema europeu. E a jovem francesa Adèle também comprova que é uma ótima atriz, garantindo um lugar de destaque entre as melhores do cinema francês. Enfim, “Perseguido pelo Destino” é excelente. Não perca!  

domingo, 10 de novembro de 2019


Confesso que fiquei em dúvida se assistia ou não à comédia mexicana “ESCOLA DE SOLTEIRAS” (“SOLTERAS”). A princípio, estava descartando-a já pelo título e, ao mesmo tempo, pela sinopse: mulheres desesperadas à procura de um marido procuram a a tal escola. Para minha surpresa, a comédia é ótima. Dei muitas e boas risadas, me diverti muito. Trata-se de uma produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 7 de junho de 2019. A história é toda centrada em Ana (Cassandra Ciangherotti), que, já passando dos 30, via quase todas as suas amigas se casarem – inclusive sua irmã gordinha - e ela continuava encalhada, pois Gabriel (Pablo Cruz), seu namorado há sete anos, não se decidia. Quando ela colocou Gabriel na parede, ele pulou fora. Uma de suas amigas, Tamara, feia de doer, conseguiu casar com um cara bonitão. Ana resolveu perguntar a ela como conseguiu fisgar o marido. Tamara deu a dica: uma Escola de Solteiras. Ana se inscreveu e começou a frequentar o curso. Daí para a frente, muitas confusões acontecem na vida da desesperada Ana, até que um dia chove na sua horta: aparece o simpático e bonitão Diego (Juan Pablo Medina). Pronto, agora é convencê-lo a levá-la ao altar, tarefa que não será nada fácil. A atriz Cassandra Ciangherotti, que eu não conhecia, é uma excelente comediante. Ela leva o filme nas costas. Graças a ela e ao trabalho do roteirista e diretor Luis Javier Henaine, o filme faz rir o tempo todo, numa sucessão de cenas hilariantes. Diversão garantida!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019


“UM HOMEM FIEL” (“L’HOMME FIDÈLE”), 2018, França, 1h15m, comédia romântica dirigida por Louis Garrel, que também assina o roteiro juntamente com Jean-Claude Carrière. Louis, aliás, atua na pele do personagem principal da história, Abel, jovem jornalista que vive um romance com Marianne (Laetítia Casta, esposa de Garrel na vida real). Ao surpreender Abel dizendo que está grávida, Marianne confessa também que tem um caso com Paul, um amigo de ambos desde os tempos da faculdade. Mesmo chocado com as duas notícias, Abel pergunta a Marianne se ele é o pai. Mais uma surpresa: ela diz que tem certeza que o filho é de Paul. Diante de tanta notícia ruim, Abel arruma as malas e se manda para outra freguesia. Nove anos depois, Paul morre prematuramente e Abel vai ao enterro. Depois disso, Abel passa a assediar Marianne, tentando reatar o antigo romance. Ele, porém, terá de enfrentar a discordância de Joseph (Joseph Engel), filho de Marianne com Paul, que não aceita dividir a mãe com ninguém. As maquinações do menino para afastar Abel são hilariantes. Além disso, Ève (Lily-Rose Depp, filha do ator norte-americano Johnny Depp e da atriz e cantora francesa Vanessa Paradis), a irmã caçula do falecido, se declara a Abel, afirmando amá-lo há muito tempo. Dividido entre as duas, Abel continuará demonstrando sua habitual insegurança afetiva e por aí vai essa história bastante sensível e bem-humorada. É um filme de relacionamentos e de romances complicados, com personagens carentes de afetividade.  O filme é a cara do excelente cinema francês que acostumamos a admirar e curtir há muitos anos. Para mim, não foi nenhuma surpresa a qualidade de “Um Homem Fiel”, lembrando que Louis Garrel entende muito de cinema, apesar deste ser seu segundo longa-metragem como diretor. Com apenas 36 anos de idade, Garrel é mais conhecido como ator de mais de 40 filmes, alguns deles de muito destaque, como foi o caso de “Os Sonhadores”, dirigido por Bernardo Bertolucci, e o recente “A Bela Junie”. Louis teve um professor e tanto: seu pai, o consagrado e veterano cineasta francês Philippe Garrel. “Um Homem Fiel” foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de Cinema Francês, realizado em vários estados brasileiros em junho de 2019. Resumo da ópera: o filme é excelente, não perca!   

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Depois de tantos anos sem fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular: “MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia, à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite, que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy, que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”), além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!            

terça-feira, 5 de novembro de 2019


Quer uma ótima dica de comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”), 2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel, o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de Loteria”. Imperdível!
           

domingo, 3 de novembro de 2019


“MISSÃO NO MAR VERMELHO” (“The Red Sea Diving Resort”), EUA, produção da Netflix (estreia mundial aconteceu no dia 31 de julho de 2019), 2h10m, roteiro e direção do cineasta Gideon Raff. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de mais um feito heroico de agentes do MOSSAD (Agência de Inteligência de Israel). Em 1977, um grupo desses agentes secretos conseguiu resgatar e dar fuga a centenas de refugiados da Etiópia, a maioria judeus, e depois levá-los para Israel. Para isso, tiveram que atravessar o Sudão, na época em plena guerra civil e religiosa. A estratégia de fuga incluiu a compra de um hotel abandonado, o “The Red Sea Diving Resort”, localizado no litoral do Sudão, às margens do Mar Vermelho, utilizando-o como local estratégico para a fuga dos refugiados, levados de barcos até um navio que depois os transportaria para Israel. O agente Ari Levinson (Chris Evans, o Capitão América), que se disfarçava de antropólogo nas suas missões na África, chefiava o grupo encarregado de salvar os etíopes. Suspense de tirar o fôlego e cenas de muita tensão fornecem a esta produção da Netflix os ingredientes necessários para recomendar “Missão no Mar Vermelho”, além, é claro, do heroico fato histórico (confesso que não me lembrava de ter lido algo a respeito). Além de Chris Evans, completam o ótimo elenco Haley Bennett, Alessandro Nivola, Ben Kinsley, Greg Kinnear, Alex Hassell, Michael k. Williams e Chris Chalk (ótimo como o violento Coronel Abdel Ahmed, perseguidor implacável dos refugiados). “Missão no Mar Vermelho” é o terceiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta israelense Gideon Raff, que atualmente finaliza o drama “Turn of Mind”, com Michelle Pfeiffer e Annette Bening.  

sábado, 2 de novembro de 2019


“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012, coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha. Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco, Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola. Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella), ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!    
           

quinta-feira, 31 de outubro de 2019


“STAN E OLLIE – O GORDO E O MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m, direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”). Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de 100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta, apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o “Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando. Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C. Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores, aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!             

quarta-feira, 30 de outubro de 2019


“VOX LUX: O PREÇO DA FAMA” (“VOX LUX”), 2018, EUA, 1h50m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Brady Corbet. A história começa em 1999, quando acontece uma terrível tragédia na classe do ensino fundamental de um colégio. A jovem Celeste (Raffey Cassidy) é uma das únicas sobreviventes. Sofre sequelas físicas e psicológicos, mas ganha notoriedade na mídia, o que alavanca sua carreira como cantora e compositora. Nessa atividade, ela ganha um empresário e protetor (Jude Law), que ainda a acompanhará por muitos anos. Celeste cresce e se transforma numa superstar da música pop. Nessa fase adulta, Celeste (agora interpretada por Natalie Portman) passa a ter um comportamento insuportável, se achando o máximo dos máximos, egocêntrica ao extremo e, pior, uma mulher amarga e, para coroar, alcoólatra. Além disso, nunca se dedicou como devia à sua filha adolescente Albertine (a mesma Raffey Cassidy que interpretou Celeste jovem). Grande parte da segunda metade do filme é dedicada justamente ao relacionamento entre mãe e filha, ambas tentando recuperar o tempo perdido. Muito também da segunda metade acaba virando um musical, com shows ao vivo de Celeste, muitas coreografias e inúmeros figurantes, provando a condição de Celeste como uma diva do pop. Não há muito mais o que se falar sobre “Vox Lux” (traduzido do latim, “A Voz da Luz”), apenas destacar o trabalho de Natalie Portman, uma atriz que se firmou no cenário cinematográfico de Hollywood depois de conquistar o Oscar de Melhor Atriz em 2010 pelo filme “Cisne Negro”. Há muito tempo que acompanho a trajetória de Portman, nascida em Israel e radicada nos Estados Unidos, desde que fez seu primeiro filme, “O Profissional”, de 1994, quando tinha apenas 13 anos. Também merece destaque o trabalho do diretor Brady Corbet em seu segundo longa-metragem. O primeiro, “A Infância de um Líder”, de 2015, foi premiado no Festival de Cinema de Veneza. Até então, Corbet era mais conhecido como ator de filmes como “Violência Gratuita”, “Melancolia” e “Acima das Nuvens”, entre outros. “Vox Lux” soa pretensioso demais, tem momentos de muito tédio e diálogos com a profundidade de um pires, tudo isso acompanhado da narração de Willen Dafoe, que me fez lembrar os filmes insuportáveis do insuportável diretor norte-americano Terrence Malick. Concluindo, “Vox Lux” é o tipo de filme que pode agradar ou desagradar. A mim, desagradou.       

segunda-feira, 28 de outubro de 2019


“YESTERDAY”, 2019, Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade, uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”. Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long & Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como “Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!     

domingo, 27 de outubro de 2019


“O OUTRO PAI” (“A Pesar de Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo, ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los, mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol: Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias: “Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante alegre e divertido. Vale a pena.    

sexta-feira, 25 de outubro de 2019


Divulgado como uma comédia dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas. E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam, fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos, o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer. IMPERDÍVEL!    

quarta-feira, 23 de outubro de 2019


“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017, coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento, causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga, inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em 1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle, o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da Califórnia.     

segunda-feira, 21 de outubro de 2019


Nunca fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista” e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009) e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.  A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena (Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”. Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”. Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.     



domingo, 20 de outubro de 2019


“OSCAR PISTORIUS: ASSASSINO OLÍMPICO” (“OSCAR PISTORIUS: BLADE RUNNER KILLER”), produção Lifetimes Movies (estreia mundial aconteceu dia 14 de fevereiro de 2018), 1h30m, roteiro e direção de Norman Stone. O filme conta a história da tragédia que envolveu o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, preso e condenado por assassinar a namorada Reeva Steenkamp no Dia dos Namorados de 2013. O filme apresenta Pistorius como o ídolo máximo do esporte da África do Sul, famoso no mundo inteiro por ter conquistado uma medalha de ouro nos jogos paraolímpicos de Atenas (2004) e outras três também de ouro em Pequim (2008), além de ter conseguido autorização para disputar as eliminatórias da Olimpíada de Londres (2012) correndo entre os atletas normais. Por causa de uma malformação congênita, Oscar teve as duas perdas amputadas abaixo dos joelhos aos 11 meses de idade e, alguns anos depois, para competir nas pistas, passou a utilizar próteses de fibra de carbono. Suas façanhas fizeram-lhe ganhar o apelido de “Blade Runner” (“Corredor de Lâmina”). Além da fama obtida nas pistas de corrida, Oscar era um homem bonito e charmoso, e por isso a mulherada o assediava o tempo inteiro. Num desses eventos realizados em sua homenagem, o atleta – interpretado no filme por Andreas Damm - conheceu a modelo Reeva (a atriz e modelo alemã Toni Garrn, tão linda quanto a original), com a qual teria um relacionamento bastante tumultuado. O filme mostra um Pistorius egocêntrico, opressor e extremamente violento, o que revoltou sua família, que tentou na justiça proibir sua exibição. Na época, o julgamento de Pistorius recheou as manchetes dos jornais e noticiários de TV no mundo inteiro. Aliás, o filme dedica um grande espaço às cenas de tribunal. No desfecho, antes dos créditos finais, o diretor Stone utilizou imagens do verdadeiro Pistorius durante o julgamento. Ele continua preso e deverá cumprir a pena de 13 anos em regime fechado. O filme é um documento bastante interessante dos bastidores de todo o caso. Quem assisti-lo não vai se decepcionar.   

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval), um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos radicais.

“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro, uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar, quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente assistir, e depois veja se não tenho razão.     


quarta-feira, 16 de outubro de 2019


“ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL” (“HOTEL MUMBAI”), 2018, coprodução Austrália/Índia/Estados Unidos, 2h03m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta australiano Anthony Maras, mais conhecido como diretor de curtas (o filme é todo falado em inglês). A história é baseada num trágico fato real ocorrido na Índia em 2008. Integrantes do grupo islâmico radical Lashkar-E-Taiba, treinados no Paquistão, efetuaram 12 violentos ataques em várias cidades da Índia, resultando na morte de 164 pessoas e mais de 300 feridos.  Embora faça menção aos demais ataques, o filme é quase que inteiramente dedicado ao famoso Hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai. Aqui, 31 pessoas, entre hóspedes e funcionários, foram sumariamente executadas. Esse número só não foi maior graças à coragem de dois empregados do hotel, o chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e o garção Arjun (Dev Patel), que conseguiram salvar dezenas de hóspedes, desafiando os violentos terroristas. As cenas são de um realismo impressionante, com muita tensão, suspense e ação do começo ao fim, de tirar o fôlego. É impossível desgrudar os olhos da telinha. É o tipo de filme que faz a gente roer as unhas e amassar os braços da poltrona. Méritos não só para o diretor Anthony Maras, que arrasa em seu longa de estreia, mas também para o roteirista escocês John Collee. Ainda estão no elenco Armie Hammer, Nazanin Boniadi, Tilda Cobham Hervey e Jason Isaacs. Antes de estrear em circuito comercial no Brasil, em julho de 2019, “Hotel Mumbai” foi exibido em sessão especial no Festival de Toronto (Canadá) e no Festival de Adelaide (Austrália). Neste último, foi o preferido pelo público. Sem dúvida, o filme é sensacional e emocionante. IMPERDÍVEL!     

terça-feira, 15 de outubro de 2019


“MADE IN ITALY”, 2018, Itália, 1h44m, roteiro e direção de Luciano Ligabue. Drama recheado de humor, romance e política com o simpático e excelente ator Stefano Accorsi. Ele vive Riko, operário de uma fábrica de mortadela, salame e outros embutidos. Riko trabalha há 30 anos na empresa e sempre aguentou quieto o fato de nunca ter sido promovido. Quando não está em casa com a esposa Sara (a bela atriz polonesa Kasia Smutniak), ele se diverte com os amigos Carnevale (Fausto Maria Sciarappa), Max (Walter Leonardi) e Matteo (Filippo Dini) – um dos trunfos do filme são os diálogos entre os amigos, bem-humorados e sarcásticos. Enquanto isso, Sara se queixa que o marido não lhe dá a devida atenção e, depois de uma discussão boba, o casamento entra em crise, que piora quando Riko passa a desconfiar que ela está tendo um caso. O pano de fundo de toda a história é a crise política, econômica e social da Itália, tema que o diretor Ligabue insere em muitos diálogos e situações, uma delas a demissão de vários funcionários da fábrica onde Riko trabalha. Todo o contexto reflete não só a situação de penúria da Itália, como também como os italianos encaram a crise, discutindo responsabilidades e saídas. Ao mesmo tempo, valoriza e destaca vários cenários deslumbrantes de algumas cidades, principalmente Roma, para onde os amigos levam Riko para passear e esquecer dos problemas, incluindo os conjugais. Ao mesclar drama político/social, romance e comédia, Ligabue parece ter sido influenciado pela estética dos cultuados diretores italianos Nanni Moretti e Paolo Sorrentino. Interessante esclarecer que Ligabue também é um astro da música na Itália, cantor e compositor de grande sucesso. Aliás, a inspiração para escrever o roteiro de “Made in Italy” – seu terceiro longa - veio das letras das músicas que compôs para um de seus últimos discos, cujo título é homônimo ao do filme. O próprio Ligabue interpreta várias canções que fazem parte da trilha sonora. Embora tenha sido acolhido com alguma reserva por alguns críticos profissionais, eu achei “Made in Italy” um filme muito bem feito e agradável de assistir. Não foi à toda que seu roteiro foi eleito por jornalistas italianos como o melhor história original de 2018. Méritos não só para o diretor, mas também para a dupla principal. Stefano Accorsi é um ótimo ator, experiente e carismático, e Kasia Smutniaki, radicada há alguns anos na Itália, prova que está habituada a fazer papel de mulher apaixonada e sensível, mas também impulsiva como são as italianas. Aos 40 anos, acredito que Smutniaki tem tudo para se transformar na mais nova diva do cinema italiano, pois a grande Monica Bellucci já se aproxima dos 60. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial, o que será uma pena, pois é mais um grande filme "Made in Italy".     


domingo, 13 de outubro de 2019


O drama independente “MONSTROS E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny (Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso, o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men”  ganhou grande repercussão na mídia e elogios da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou clichê no cinema norte-americano.  



Quem torce o nariz para o cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”), 2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin. Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja, capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação, perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!