terça-feira, 20 de agosto de 2019


“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor, dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford (Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn), ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd. A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.    

domingo, 18 de agosto de 2019


Representante da Polônia na disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música, para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado, seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de curtir filmes de alta qualidade não deve perder.   

sábado, 17 de agosto de 2019


Se você tem claustrofobia, nem que seja na base do 1%, não assista de jeito nenhum o filme “CUTTERHEAD”, 2018, Dinamarca, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Rasmus Kloster Bro, jovem cineasta de apenas 33 anos mais conhecido como diretor de curtas e documentários.  84 minutos angustiantes, tanto para o espectador como para os personagens da história. Para se ter uma ideia, não se vê a luz do sol em nenhum momento. Durante a construção de uma nova linha do metrô da capital Copenhagen, a jovem Rie (Christine Sønderris), relações-públicas da empresa encarregada das escavações, percorre o canteiro de obras entrevistando e fotografando os trabalhadores, a grande maioria proveniente de outros países. Seu objetivo é mostrar posteriormente como vivem e trabalham os operários no interior daqueles infindáveis túneis. Quando Rie entrevistava o croata Ivo (Krsimir Mikic) e seu assistente Bharan (Samson Semere), imigrante nascido na Eritreia (África), um incêndio tomou conta das instalações, obrigando os três a se abrigarem num pequeno cubículo de aço. E aqui ficarão praticamente o filme inteiro, sem água, comida e, pior, sem ar. Pelo que a história dá a entender, todos os que estavam lá fora morreram em meio às chamas, inclusive os bombeiros que vieram resgatá-los. Quando estreou na Dinamarca e outros países da Europa, “Cutterhead” (não entendi o título em inglês, que traduzido literalmente é algo como “Cortador de Cabeça”), logo foi considerado por críticos e público como o filme mais claustrofóbico já feito. Realmente, é claustrofóbico, sufocante e angustiante, mas muito bom. Repito: quem tem medo de lugar fechado deve evitar.    

quinta-feira, 15 de agosto de 2019


“MUDO” (“Mute”), 2018, co-produção Inglaterra/Alemanha, estreou na Netflix no dia 23 de fevereiro de 2018, duração de 2h6m, direção de Duncan Jones, que também assina o roteiro com a colaboração de Michael Robert. Numa Berlim futurista (o ano é 2056), o bartender Leo Beiler (o ator sueco Alexander Skarsgard, filho do também ator Stellan Skarsgard, apaixona-se por Naadirah (a atriz alemã Seyneb Saleh), garçonete do mesmo night-clube, por sinal bastante luxuoso. Leo é o mudo do título. Quando criança, sofreu um acidente e machucou o pescoço. Seus pais, seguidores do grupo religioso Amish, não permitiram a operação que deveria ter sido feita e Leo ficou sem falar. Ou seja, o ator entra mudo e sai calado, a não ser bem no final, que não revelo para não estragar a surpresa. No auge da paixão do casal, Naadirah some misteriosamente e Leo fica desesperado, procurando a namorada pelos antros do submundo de Berlim. Os cenários futuristas da capital alemã lembram muito “Blade Runner – O Caçador de Androides” e “Os 12 Macados”, além de outros filmes menos cotados. A ambientação é noir, os carros trafegam via aérea – não estacionam, pousam -, muita luz neon, figuras exóticas e andrógenas – homossexuais a dar com pau (ops!) -, além da mais avançada tecnologia visual. Entre os principais suspeitos de terem algo com o desaparecimento de Naadirah estão Cactus Bill (Paul Rudd, de "O Homem Formiga"), um médico que desertou da base norte-americana, seu amigo pervertido sexual Duck (Justin Theroux, ex-marido de Jennifer Aniston), Maksim (Gubert Owuer), empresário ligado à prostituição e o travesti Luba (Robert Sheelan). Leo vai atrás de cada um tentando descobrir o paradeiro da namorada e quem é o culpado de tudo. Aí a violência rola solta. Embora muitos críticos tenham detestado o filme, eu o achei bastante interessante e assistível. O cineasta Duncan Jones, filho do astro David Bowie, já tinha realizado três bons filmes de ficção: “Lunar” (2009), “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos” (2016) e “Contra o Tempo”, este último o melhor deles. "Mudo" fica no meio termo, entre o razoável e o bom. 

terça-feira, 13 de agosto de 2019


“A ASSOMBRAÇÃO DE SHARON TATE” (“The Hauting of Sharon Tate”), 2019, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Daniel Farrands. Para quem não sabe, Sharon Tate foi uma atriz de grande sucesso nos anos 60. Chegou até a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua atuação em “O Vale das Bonecas” (1967). No mesmo ano, trabalhou no filme “A Dança dos Vampiros”, dirigido por Roman Polanski, com quem se casaria logo depois. No dia 8 de agosto de 1969, em sua luxuosa mansão em Los Angeles, Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais quatro amigos seriam assassinados com requintes de crueldade por seguidores da seita satânica comandada pelo maluco Charles Manson – Sharon tinha apenas 26 anos. O diretor Daniel Farrands, conhecido em Hollywood como roteirista de filmes de terror como “The Amityville Murders” e “Halloween 6 – A “Última Vingança”, aproveitou a história do trágico acontecimento ocorrido com Sharon Tate e elaborou um roteiro imaginando como teria sido os três dias que antecederam o assassinato.  Recheou de suspense, beirando o terror, concluindo por mudar o rumo da história, para depois retornar à trágica realidade. A ideia até que foi boa, mas sua a concretização ficou devendo, principalmente pela fraca atuação do elenco, tendo à frente a atriz Hilary Duff como Sharon (a original era bem mais bonita), que passa o filme inteiro chorando e tendo chiliques histéricos. Lembro que o diretor Farrands se inspirou numa entrevista dada pela atriz poucos dias antes da tragédia, na qual ela dizia que temia ser assassinada. No elenco também estão Jonathan Bennett, Pawel Szajda, Ben Mellish e Lidia Hearst, bisneta do magnata da imprensa William Randolph Hearst e filha de Patty Hearst, que ficou famosa depois de ter sido sequestrada, em 1974, por membros do Exército Simbionês de Libertação.  

domingo, 11 de agosto de 2019


“CONSEQUÊNCIAS” (“The Aftermath”), 2019, Inglaterra, produção da BBC, 108 minutos, roteiro escrito por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, direção de James Kent. A história é baseada no terceiro romance de Thidian Brook, lançado em 2013, com o mesmo título original do filme. O ano é 1946, meses após o final da Segunda Grande Guerra. Hamburgo (Alemanha) foi uma das cidades alemãs mais afetadas pelos bombardeios aéreos das Forças Aliadas. A cidade ficou praticamente destruída. Para administrar sua reconstrução, a Inglaterra designou o coronel Lewis Morgan (Jason Clarke). Depois de alguns meses, Morgan providenciou a vinda de sua esposa Rachael (Keira Knightley), que estava morando em Londres. Para sua nova residência, Morgan tomou posse da casa de Stefan Lubart (o ator sueco Alexander Skarsgard), um rico viúvo alemão que vivia no local com sua filha e empregados. Com a discordância de Rachael, Morgan deixou que eles continuassem morando na casa, só que na parte superior. Rachael ainda se ressentia da morte do filho em 1942, durante um bombardeio a Londres efetuado pela força aérea alemã. Por isso, ela detestava os alemães e não podia suportar conviver na mesma casa com Lubart e a filha. Porém, com a convivência diária e as seguidas viagens de Morgan para missões especiais em outras cidades, Rachael e Lubat acabam se aproximando mais do que o recomendável para uma mulher casada. E por aí vai a história, caminhando para o final onde Rachael terá de se decidir entre o marido e o amante. Vale pela reconstituição histórica, pelos cenários e figurinos, e, principalmente, pela presença da bela e competente atriz inglesa Keira Knightley.   


“O ANJO” (“EL ÁNGEL”), 2018, Argentina, 114 minutos, roteiro e direção de Luis Ortega. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Carlos Robledo Puch, que nos anos 70, ainda adolescente, aterrorizou Buenos Aires. Ele foi responsável por pelo menos 11 assassinatos, uma série de sequestros e mais de 40 roubos. “Carlitos”, como também era conhecido, foi preso e cumpre prisão perpétua – hoje, está com 67 anos. Na época, ele também ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte”, pois parecia mesmo um anjo com seu rosto angelical e cabelos loiros compridos e encaracolados. O ator Lorenzo Ferro, em sua primeira atuação no cinema, dá vida ao jovem bandido. Sua atuação é espetacular, além do fato de ser muito parecido com o personagem verdadeiro quando jovem. Ele contracena com Chino Darín (filho do astro Ricardo Darín), que interpreta Ramón, seu colega de escola e cúmplice em vários delitos. O diretor Ortega fez questão de sugerir uma espécie de atração homoafetiva entre os dois, não concretizada - pelo menos no filme. Mas deixa claro que havia uma ligação mais forte. Além da dupla principal, fazem parte do elenco ótimos atores como Cecilia Roth, Malena Villa, Mercedes Morán, Daniel Fanego e Luís Gnecoo. Além desse excelente elenco, outros destaques são a primorosa recriação de época, tanto nos cenários quanto nos figurinos, a trilha sonora e, sem dúvida, a história do jovem bandido que, mesmo fazendo o que fez, virou celebridade na terra de Maradona. Como curiosidade, o roteirista e diretor Luis Ortega é filho de Palito Ortega, um cantor popular que fez grande sucesso na Argentina nos anos 60/70. “O Anjo” estreou no Festival de Cannes em maio de 2018 com muitos elogios, além de ter sido indicado para disputar o Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi a melhor bilheteria no circuito comercial da Argentina em 2018, faturando mais de U$ 5 milhões. Informação adicional: o cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um dos produtores. O filme realmente é muito bom, mais um argentino de grande qualidade, de causar inveja a nosotros.  

domingo, 4 de agosto de 2019


“O CAPITÃO” (“Der Hauptmann”), 2017, Alemanha, 1h59m, roteiro e direção de Robert Schwentke. Baseado em fatos reais, o filme é ambientado durante as duas semanas antes do final da Segunda Guerra Mundial, em abril de 1945. Já prevendo a derrota para os Aliados, milhares de soldados do exército alemão resolvem desertar. Para sobreviver, eles praticam saques em vilarejos e fazendas do interior da Alemanha. “O Capitão” conta a história de um desses desertores, o soldado raso Willi Herald (Max Hubacher), de apenas 21 anos, personagem que existiu de verdade. Fugindo para não ser preso, passando frio, fome e sede, Herald encontra um carro abandonado numa estrada deserta. Dentro, ele encontra o uniforme e os documentos de um capitão, que talvez tenha também desertado ou sido preso. Herald veste o uniforme de oficial e se abriga do frio dentro do veículo. Nisso aparece um soldado dizendo que havia se desgarrado da tropa, mas na verdade era outro desertor. O “capitão” Herald enquadra o soldado e o obriga a fazer reverência a um oficial. Outros desertores aparecem acreditando que Herald realmente é um capitão e passam a obedecê-lo, praticando saques pelo caminho, até chegarem a um campo de prisioneiros destinado a desertores. Às autoridades do campo, Herald afirma que recebeu ordens do próprio Hitler para eliminar esses prisioneiros. Até ser desmascarado, Herald cometerá inúmeras atrocidades, contrariando as autoridades do campo, que receberam a orientação de não executar prisioneiros. Todo esse contexto sugere um drama pesado, com muita violência e assassinatos. Confere, mas não é só. O roteirista e diretor alemão Robert Schwentuke recheou o filme com momentos de muito humor e cenas hilariantes, principalmente aquelas em que Herald tenta se impor na base de gritos e dos “Heil Hitler!”. Todo esse humor é, na verdade, uma sátira mordaz ao nazismo e ao poder exercido por uma farda. O grande trunfo do filme é a atuação do jovem ator suíço Max Hubacher, sensacional. O diretor Schwentke também acertou em cheio quando optou pela fotografia em preto e branco (do fotógrato Florian Ballhaus). Depois de uma passagem por Hollywood, onde fez filmes de qualidade duvidosa, como os dois da série “Divergente” e ainda “R.I.P.D – Agentes do Além” e “Red – Aposentados e Perigosos”, o diretor alemão retorna ao seu país de origem realizando um filme excelente, surpreendente e inteligente. “O Capitão” é um filmaço! (Não deixem de assistir aos créditos finais, durante os quais está reservada uma ótima surpresa).          

quinta-feira, 1 de agosto de 2019


“ROCKETMAN”, 2019, Inglaterra, 2h1m, roteiro de Lee Hall e direção de Dexter Fletcher. Trata-se da cinebiografia do astro pop Elton John. Uma pérola rara do cinema, o filme do ano! Aposto todas as minhas fichas que “Rocketman” será o filme com mais indicações para a disputa do Oscar 2020. E uma delas já tem a estatueta na mão: a de Melhor Ator para o talentoso ator britânico Taron Egerton, 29 anos. Além de excelente ator e dançarino, ele é ótimo cantor – é ele quem canta as músicas de Elton. Mais do que uma cinebiografia, “Rocketman” é um filme extremamente musical, com muitas cenas de coreografias e uma trilha sonora da melhor qualidade. Tudo muito exuberante, colorido e extravagante, como Elton sempre foi desde o início de carreira. O filme apresenta Elton desde criança, quando ainda era Reginald Kenneth Dwight – o John surgiu em homenagem a John Lennon. Mostra como o garoto era um virtuose no piano. Tímido, era praticamente rejeitado pelo pai (Steven MacKintosh) e ganhava poucos carinhos da mãe (Bryce Dallas Howard), que pulava a cerca com índices olímpicos. Elton cresceu levando consigo o trauma da falta de carinho que nunca recebeu na infância. Até mesmo depois de todo o sucesso, ele jamais esqueceu o descaso dos pais. O filme relembra o grande momento da ascensão de Elton, não na Inglaterra, mas em Los Angeles, em 1970, quando começou a fazer shows no Clube Troubadour. Daí para a frente, só sucesso, milhões de discos vendidos, fama mundial e veneração pela mídia e críticos musicais. Elton, porém, teve o seu lado obscuro, álcool em excesso, drogas e amores tumultuados – o astro demorou para “sair do armário”, temendo danos para a sua imagem de roqueiro. O filme não esconde nada. Mais um gol de placa do diretor Dexter Fletcher, o mesmo que terminou de filmar “Bohemian Rapsody” depois da demissão do então diretor do filme Bryan Singer, acusado de assédio sexual. “Rocketman”, que estreou no 72º Festival Internacional de Cinema de Cannes, em maio de 2019,  tem uma energia vibrante, um filme espetacular. Repito: O FILME DO ANO!          

domingo, 28 de julho de 2019


“12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO” (“THE PURGE: ELECTION YEAR”), 2016, EUA, 1h49m, roteiro e direção de James DeMonaco. Trata-se do terceiro filme da franquia “The Purge” – os dois primeiros, também escritos e dirigidos por DeMonaco , foram “Uma Noite de Crime” (2013) e “Uma Noite de Crime: Anarquia” (2014). E vem o quarto, esperado para o final de 2019. Num Estados Unidos fictício, há muitos anos que é realizado o evento intitulado “Noite de Crime”, durante a qual vale tudo: assassinar, torturar, estuprar, assaltar etc., sem qualquer punição. Para participar dessa loucura, que virou um evento turístico, vem gente de todo o mundo. Psicopatas e idiotas é que não faltam, mesmo na vida real. Nesta terceira edição, ambientada em Washington, o ex-sargento da polícia Leo Barnes (Frank Grillo) é o chefe de segurança da senadora Charlie Roan (Elizabeth Grillo). Em campanha para disputar a presidência dos EUA, a senadora é radicalmente contra o evento e, por isso mesmo, jurada de morte por seus organizadores, entre os quais gente do próprio governo federal, políticos de extrema-direita e empresários da indústria de armas. A ideia desse pessoal é aproveitar a “Noite de Crime” para assassinar a senadora, utilizando para isso um exército de mercenários. Como filme de ação, “12 Horas para Sobreviver” até que funciona – aqui no Brasil vivemos “24 Horas para Sobreviver”, e não é filme de ficção.   


“SOBIBOR”, 2018, Rússia, 1h58m, roteiro e direção de Konstantin Khabensky, que também atua fazendo o papel do principal personagem, o oficial soviético Alexander Pechersky, prisioneiro de guerra no famoso campo de concentração localizado na Polônia e local das maiores atrocidades praticadas pelos nazistas, principalmente contra os judeus, durante a Segunda Grande Guerra. Trata-se de uma superprodução russa, reunindo inúmeros atores e atrizes de renome do cinema russo, além de milhares de figurantes. Sem contar que, para a realização do filme, foi construída uma réplica do campo de concentração de Sobibor com precisão histórica. Todos os fatos mostrados em “Sobibor” foram narrados no livro de memórias “Alexander Pechersky: Breakthrough to Immortality”, escrito pelo próprio oficial russo que liderou, em outubro de 1943, a revolta e a fuga dos prisioneiros – 400 conseguiram escapar e outros 100 foram mortos. “Sobibor” talvez seja o filme mais realista, chocante e perturbador de todos aqueles que foram feitos sobre campos de concentração durante a Segunda Grande Guerra. E, sem dúvida, um dos melhores que eu já assisti. Algumas cenas são bastante impactantes, como aquela, no início, em que dezenas de mulheres prisioneiras são encaminhadas nuas para um “banho”. Outra cena chocante envolve a festa realizada por oficiais alemães durante a qual os prisioneiros são obrigados a servir de cavalos puxando carroças e apanhando de chicote. Haja estômago! Uma curiosidade é a participação do ator francês Christopher Lambert como o oficial nazista Karl Frenzel, comandante do campo (suas falas foram dubladas para o alemão). Aliás, o filme é falado em três idiomas: russo, iídiche e alemão. Importante comentar que o rigor aos detalhes históricos fez parte da criação do roteiro, no qual Khabensky foi auxiliado por Aleksander Adabashyan, Anna Tchernakova, Andrei Nazarov e Ilya Vasiliev. “Sobibor” foi o representante oficial da Rússia na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro. Um filmaço!

quinta-feira, 25 de julho de 2019


“EIS MEU CORAÇÃO” (“Behold My Heart”, a tradução é minha, pois o filme até agora não chegou por aqui; também é apresentado com um título alternativo, “Dark Was the Night”), 1h20m, EUA. É um filme independente dirigido por Joshua Leonard, que também assina o roteiro com a colaboração de Rebecca Lowman. Sua primeira exibição aconteceu em 2018 durante o Galway Film Fleadh (Irlanda). Começa o filme e a gente se depara com uma família feliz: o pai Steven Lang (Timothy Olyphant), a mãe Margaret (Marisa Tomei) e o filho Marcus (Charlie Plummer). Steven é um marido amoroso e um pai sempre presente, dando-se às mil maravilhas com a esposa e com Marcus – de vez em quando, os dois até fumam um baseado juntos. A felicidade da família, porém, é abalada com a morte trágica de Steven, covardemente agredido no estacionamento de um bar. Margaret entra numa depressão profunda, parte para o alcoolismo e se enfurna dentro de casa. Marcus é obrigado a vigiar a mãe o tempo inteiro, o que faz com a maturidade de um adulto. Até que um dia a mãe, bêbada, confunde Marcus com o falecido. Constrangido e revoltado, Marcus resolve sair de casa. O amor de mãe fala mais alto e Margaret decide ficar sóbria para recuperar o filho. O drama até que tem seus momentos comoventes, mas o seu maior destaque realmente é a atuação de Marisa Tomei, uma ótima atriz um tanto rejeitada por Hollywood. Ela até chegou a ganhar um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em 1993, por seu trabalho em “Meu Primo Vinny”. Aos 54 anos, ainda está com cara de menina e em grande forma. O jovem Charlie Plummer também tem se revelado um bom ator, como já provou, por exemplo, em “Todo o Dinheiro do Mundo”, quando interpretou John Paul Getty II, o neto sequestrado do magnata John Paul Getty. Enfim, “Eis Meu Coração” não tem qualidade suficiente para motivar uma recomendação entusiasmada, mas é bom filme.  

quarta-feira, 24 de julho de 2019


“MISTÉRIO NO MEDITERRÂNEO” (“MURDER MISTERY”), 2019, EUA, 1h37m, produção da Netflix. Kyle Newacheck assina a direção e James Vanderbilt o roteiro. Trata-se de uma comédia bem movimentada, com a presença de um elenco de peso, destacando-se Adam Sandler, Jennifer Aniston, Luke Evans, Terence Stamp, Gemma Arterton e o ator francês Dany Boon. Nick Spitz (Sandler) trabalha como segurança num supermercado de Nova Iorque, mas diz para a família e amigos que é detetive. Audrey (Aniston), sua esposa, é cabeleireira e sócia de um salão de beleza. Prestes a comemorar 15 de casados, Spitz dá de presente à mulher uma viagem à Europa. No avião, ao bisbilhotarem o bar da 1ª classe, eles acabam conhecendo o figurão Charles Cavendish (Evans), um ricaço sobrinho do magnata bilionário Malcolm Quince (Stamp). Cavendish convida o casal para se hospedar no iate do tio ancorado em Mônaco, com direito a assistir de camarote a uma prova da Fórmula 1. Além de Cavendish, Spitz e Audrey, estão hospedados no iate o filho do bilionário, uma ex-amante, a atual esposa chinesa, um coronel africano, um segurança particular, um guru indiano e até um piloto de Fórmula 1. Em meio a um jantar, quando falta energia no iate, o magnata é assassinado com uma facada. Quem seria o assassino? Nesse ponto, o filme faz menção ao famoso livro “O Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie, quando vários personagens poderiam ter cometido o crime. Mas, quem? Resolver esse mistério ficará a cargo do inspetor De La Croix (Dany Boon), com a ajuda do “detetive” interpretado por Sandler, cujas trapalhadas, tendo como “cúmplice” a esposa, são motivos para boas risadas (Sandler e Aniston já trabalharam juntos em outra comédia, “Esposa de Mentirinha”). Sandler, aliás, é um dos produtores do filme. A atriz Charlize Theron, que não faz parte do elenco, assina como produtora executiva. “Murder Mistery” foi o filme mais visto até agora entre os produzidos pela Netiflix. Em sua estreia mundial, nos dias 14, 15 e 16 de junho de 2019, a comédia foi assistida por 31 milhões de contas. Destaco no filme os deslumbrantes cenários de Mônaco, muito bem aproveitados pela produção. Jennifer Aniston continua em grande forma, bonita e charmosa. E que mulherão é a atriz inglesa Gemma Arterton... O destaque negativo fica por conta de Adam Sandler, que acho intragável e sem graça, principalmente quando faz papel de adulto abobado, como é o caso. Para resumir o que achei do filme, aproveito a definição de um colega comentarista: para assistir “Mistério no Mediterrâneo”, coloque o cérebro no colo e fique fazendo carinho nele como se fosse o gato de estimação. Deu pra entender?       

segunda-feira, 22 de julho de 2019


“O MELHOR DOS INIMIGOS” (“The Best of Enemies”), 2019, EUA, 2h13m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Robin Bissell. A história é baseada em fatos reais relatados no livro “The Best of Enemies: Race and Redempetion in the New South” (“O Melhor dos Inimigos: Raça e Redenção no Novo Sul”), escrito por Gray Davidson. O ano é 1971 e o cenário é a cidade de Durham, na Carolina do Norte, onde, há muitos anos, o racismo faz parte do cotidiano da população. Quando uma escola municipal frequentada por crianças negras é praticamente destruída por um incêndio (criminoso?), a ativista dos direitos civis Ann Atwater (Taraji P. Henson) pressiona o Conselho da cidade a abrir as portas de um colégio particular, frequentado por brancos, para acomodar aquelas crianças que ficaram sem aula. A partir de então, a cidade entra em clima de guerra, já que os pais dos alunos da escola particular não aceitam que ela receba crianças negras. Um dos membros do Conselho é o comerciante Claiborne Paul Ellis (Sam Rockwell), dono de um posto de gasolina e, nas horas vagas, líder local da Ku Klux Klan. Atwater tem de lidar com a forte oposição da parte branca da cidade, incluindo o pessoal da KKK e toda a sociedade conservadora. É justamente esse trabalho de Atwater que o filme destaca, numa atuação inesquecível da atriz Taraji P. Henson, que se submeteu a uma maquiagem especial e roupas com enchimento para parecer mais gorda. Sam Rockwell é um dos melhores atores do cinema norte-americano, mas injustamente pouco aproveitado por Hollywood. Ainda estão no elenco Wes Bentley, Anne Heche, Bruce McGill, Caitlin Mehner e Babou Ceesay. Uma ótima estreia de Robin Bissell como roteirista e diretor, mais conhecido até agora como produtor de filmes como, por exemplo, "Jogos Vorazes". "O Melhor dos Inimigos" é excelente. Não perca!   

domingo, 21 de julho de 2019


“O PROFESSOR” (“The Professor”), 2018, EUA, 1h31m, roteiro e direção de Wayne Roberts. Trata-se de misto de drama e comédia, contando a história de Richard Brown (Johnny Depp, ótimo), um professor universitário que um dia recebe a notícia fatídica: está com câncer agressivo, com metástase, e poucas chances de sobreviver nos próximos seis meses – um ano se receber o tratamento. Arrasado, vai para casa decidido a contar logo para a esposa Veronica (Rosemarie DeWitt) e a filha adolescente Olivia (Odessa Young). Só que começa o jantar e Olivia toma a palavra e anuncia que é lésbica e está apaixonada por uma amiga. Depois da notícia, Veronica tem um acesso histérico e confessa que está tendo um caso. Richard resolve ficar quieto e não contar o seu drama. Porém, diante de tanta tragédia, resolve mudar o seu jeito de agir. Diz adeus às regras e passa a tomar atitudes com toda liberdade possível, deixando de lado o politicamente correto, em cenas que resultam em boas risadas.  Em seu surto libertário, ele chega a levar seus alunos para um bar, liberando a bebida, ou para uma aula ao ar livre, contrariando as orientações da conservadora diretoria da universidade. Este foi o segundo filme escrito e dirigido por Wayne Roberts (o primeiro foi “Katie Says Goodbye”, de 2016). “O Professor” é excelente, um filme inteligente e bem-humorado. O elenco conta ainda com as presenças de Danny Huston, Zoey Deutch e Ron Livingston. Mas o destaque é mesmo Johnny Depp com uma atuação genial.       

sexta-feira, 19 de julho de 2019


“ACUSADA”, 2018, Argentina, 1h54m, segundo longa-metragem dirigido por Gonzalo Tobal (o primeiro foi “Villegas", de 2012), que também assina o roteiro com a colaboração de Ulises Porra Guardiola. A trama é toda centrada na jovem Dolores Dreier (Lali Espósito), acusada de ter assassinado a melhor amiga, Camila, durante uma festa de arromba. Há dois anos que ela sofre com a perseguição da imprensa e depoimentos à polícia. Nesse período, ela deixou de ir à escola e vive enclausurada dentro de casa, superprotegida pelos pais Luis (Leonardo Sbaraglia) e Betina (Inés Estévez). Chegou a hora de ir a julgamento, quando Dolores recebe as orientações do seu advogado Ignácio (Daniel Fanego). Em todos esses momentos, não fica clara a culpa de Dolores, embora existam algumas evidências que a incriminem. Como, por exemplo, o fato de Camila ter divulgado pela Internet um vídeo onde Dolores está transando com o namorado. Testemunhas ouviram Dolores afirmar que um dia mataria Camila por isso. Durante todo o filme, Dolores permanece num silêncio misterioso, em certos momentos com aparência de culpa e outros tantos como se fosse vítima de uma armação. Será mesmo culpada? Ou foi seu namorado? Ou o próprio pai para vingar-se? Caberá ao espectador responder. Para isso, terá que prestar muita atenção nos detalhes. A primeira exibição do filme aconteceu no dia 4 de setembro de 2018 durante o 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza, recebendo elogios dos críticos e do público. Lali Espósito também foi muita elogiada por seu desempenho. Lali – o nome verdadeiro é Mariana Espósito – é uma celebridade artística na Argentina. Aos 27 anos, além de atriz, é uma cantora de muito sucesso por lá, tipo uma Anita portenha. “Acusada” tem algumas cenas de julgamento, mas não chega a ser um filme considerado “de tribunal”. Enfim, mais um bom filme argentino.     

quarta-feira, 17 de julho de 2019


“A VIGILANTE” (“A Vigilante” também é o título do original), 2018, EUA, 1h31m, longa-metragem de estreia da roteirista e diretora australiana Sarah Daggar-Nickson. A história é centrada em Sadie (Olivia Wilde), uma mulher que largou o marido depois de sofrer violência doméstica. Um desses ataques do marido resultou na morte trágica do filho do casal. Traumatizada, Sadie ingressa num grupo de terapia destinado a mulheres que passam, ou passaram, por experiências semelhantes. Só que Sadie não fica só no blá-blá-blá das sessões. Ela parte para o ataque. Primeiro, compra um manual da Krav Maga, um estilo de arte marcial criada pelo serviço secreto de Israel, que ensina tanto defesa pessoal como golpes mortais. Treinando todo dia em casa durante anos, Sadie transforma-se numa arma mortífera. Mas só lendo o manual? Exagero, mas é cinema... Depois de ouvir os depoimentos de mulheres durante as sessões de terapia, Sadie parte para a vingança, espancando os maridos violentos. Sobrou até para uma mãe que torturava os filhos. Como esperado, um dia Sadie parte em busca do ex-marido (Morgan Spector) a fim de se vingar. E dá-lhe sopapos, sangue jorrando etc. Nascida Olivia Jane Cockburn em New York há 35 anos, a bela e competente Olivia Wilde – o sobrenome artístico foi adotado em homenagem ao escritor irlandês Oscar Wilde – estreou no cinema em 2004 na comédia “Show de Vizinha”. Em seguida, atuou em vários outros filmes, entre os quais “Cowboys & Aliens”, “O Preço do Amanhã” e “Terceira Pessoa”. Agora, em 2019, acaba de estrear como diretora no filme “Fora de Série”, ainda sem data para ser lançado.

segunda-feira, 15 de julho de 2019


Quem gosta de filmes de ação não deve perder “ONDA DE CHOQUE” (“Chai Dan Zhuan Jia” no original; “Shock Wave” nos países de língua inglesa), 2017, Hong Kong, 2 horas de duração, roteiro e direção de Herman Yau. É tensão e muito suspense do começo ao fim. Infiltrado numa quadrilha de assaltantes de banco, o policial Cheung Choi-San (o astro chinês Andy Lau) é responsável pela captura de vários bandidos da gangue, um deles irmão do chefão Hung Kai-Pang (Jiang Wu), que promete vingança. Sete anos depois, Kai-Pang, especialista em explosivos, reúne uma grande quadrilha e toma de assalto um dos principais e mais movimentados túneis de Hong Kong, fazendo centenas de reféns e ameaçando explodir tudo se o seu irmão não for libertado. Pânico geral na cidade. É nessa hora que entra em ação o policial Choi-San, agora agente e inspetor-chefe do Esquadrão Antibomba e Eliminação de Armamento Explosivo. Se no começo do filme a tensão já era enorme, fica ainda maior a partir de agora. Ação o tempo inteiro, muito suspense, violência, tiros e explosões, tudo muito bem realizado pelo diretor Herman Yau, especialista de filmes do gênero. Realmente, não dá para piscar. Uma superprodução de fazer inveja a Hollywood.  Prepare um balde de pipoca e boa diversão!

domingo, 14 de julho de 2019


“JOGO DUPLO” (“THE PADRE”), 2018, Estados Unidos/Canadá, 1h32m, terceiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta canadense Jonathan Sobol. Ambientada numa cidade qualquer do interior da Colômbia, a história é centrada no vigarista que aplicava golpes vestido de padre. Por isso, ficou conhecido como “O Padre” (Tim Roth). Em seu encalço estavam o juiz da corte norte-americana e ex-oficial do exército dos EUA Nemes (Nick Nolte) e o policial local Gaspar (Luís Guzmán). Pelo meio do filme, ficamos sabendo que Nemes tinha um outro motivo particular para caçar “O Padre”. Enquanto isso, em meio às suas picaretagens, “O Padre” acaba conhecendo a jovem Lena (Valeria Henríquez), que acaba de fugir de casa para tentar ingressar nos Estados Unidos e resgatar sua irmã mais nova, adotada por uma família norte-americana. Para essa missão, ela chantageia “O Padre”, dizendo que, se ele não a ajudasse, ela o entregaria às autoridades. Durante a fuga, a dupla planeja o roubo a uma igreja que possui objetos litúrgicos de alto valor, inclusive um grande cálice de ouro. E dá-lhe perseguição, num misto de suspense e road movie. Embora com excelentes atores como Nick Nolte e Tim Roth, quem se destaca no elenco é a jovem atriz colombiana Valeria Henríquez, cuja atuação lhe valeu uma indicação de Melhor Atriz no Canadian Screen Awards. Resumo da ópera: nada de especial para recomendar “Jogo Duplo”, que classifico apenas como mediano.   

sexta-feira, 12 de julho de 2019


“UMA QUESTÃO PESSOAL” (“UNA QUESTIONE PRIVATA”), 2017, Itália, 1h25m, roteiro e direção de Paolo Taviani. Trata-se de uma adaptação livre para o cinema do romance de Beppe Fenoglio, publicado em 1963. A história é ambientada na região de Piemonte durante a Segunda Guerra Mundial, quando os fascistas de Mussolini, em apoio aos nazistas de Hitler, perseguiam, prendiam e matavam os partisans membros da Resistência italiana. Uns anos antes, Milton (Luca Marinelli), Giorgio (Lorenzo Richelmy) e Fulvia (Valentina Bellè) eram amigos inseparáveis. Amavam passear, tomar um bom vinho, dançar e ouvir jazz. Fulvia não tirava da vitrola (muita gente talvez não saiba, mas vitrola era o toca-discos da época) o disco de Judy Garland cantando “Over the Rainbow” (trilha sonora do "O Mágico de Oz". Fulvia sabia a letra de cor e salteado. Resumindo: Milton e Giorgio se apaixonaram por Fulvia, mas aí veio a Segunda Guerra Mundial e separou o trio. Fulvia foi enviada para um lugar longe do conflito, Milton e Giorgio entraram para a Resistência, cada qual em um batalhão diferente. Quando Milton retornou à casa de Fulvia, encontrou a velha governanta. Conversa vai, ela deixa a entender que Giorgio teve um caso com Fulvia. Milton fica transtornado, louco de ciúmes, e sai à procura de Giorgio para esclarecer a verdade. Descobre, porém, que Giorgio foi aprisionado pelos fascistas, mas mesmo assim fará de tudo para chegar até ele. Apesar do contexto de guerra, o filme explora a paixão doentia de Milton por um amor antigo que dificilmente se concretizará novamente diante da situação de guerra. Para ele, a verdade sobre o relacionamento de Fulvia com Giorgio vira uma obsessão paranoica, “Uma Questão Pessoal”. Com o irmão Vittorio doente – faleceu em 2018 -, Paolo Taviani trabalhou praticamente sozinho no roteiro e na direção. Beirando os noventa, Paolo, ainda mais sem o irmão, talvez não tenha folego para continuar filmando. Se isso realmente acontecer, será uma pena para o cinema. Lembro que os Taviani foram responsáveis por grandes clássicos do cinema italiano, como "Pai Patrão" e "La Notte Di San Lorenzo", entre tantos outros.     

terça-feira, 9 de julho de 2019


“SUPREMA” (“ON THE BASIS OF SEX”), 2018, EUA, 2h1m, direção de Mimi Leder, com roteiro assinado por Daniel Stiepleman. Trata-se da cinebiografia da juíza Ruth Bader Ginsburg, segunda mulher a integrar a Suprema Corte dos Estados Unidos – ela foi nomeada em 1993 pelo presidente Bill Clinton. O filme começa lá pela segunda metade dos anos 50, quando Ruth ingressa na prestigiosa Universidade de Harvard, mesmo casada e mãe. Quando o marido foi transferido para Nova Iorque, Ruth conseguiu vaga na também prestigiosa Columbia para prosseguir seus estudos. Em ambas as faculdades, Ruth sempre foi a primeira da classe. Formada, saiu à procura de emprego em vários escritórios de advocacia. Foi recusada em quase todos, pois na época os homens eram os privilegiados com as vagas - além dela ser judia, é claro. Num dos escritórios, ouviu do entrevistador que as mulheres não eram bem-vindas por causa dos ciúmes que talvez provocassem nas esposas dos seus advogados. Na verdade, na sociedade norte-americana machista e conservadora da época, as mulheres não tinham muita chance – ela conseguiu vaga como professora universitária de Direito. A partir dessa desigualdade é que Ruth encontrou o filão para se destacar no Direito. Desafiou as leis que discriminavam as mulheres, defendeu a igualdade de gênero, enfrentou os tribunais com sua oratória envolvente, conhecimento e inteligência, culminando com a sua indicação à Suprema Corte. Uma história de coragem e perseverança. Para se ter uma ideia da sua importância, Ruth foi eleita, em 2015, pela Revista Time, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. No filme, Ruth é interpretada por Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), atriz inglesa muito competente, simpática e charmosa, mesmo baixinha e dentucinha. Na verdade, o papel seria de Natalie Portman, que desistiu na última hora. Completam o elenco Armie Hammer como Martin Ginsburg, marido de Ruth, Sam Waterston, Justin Theroux e a sempre eficiente Kathy Bates. Tudo bem que tem muito blá-blá-blá, mas blá-blá-blá do mais alto nível envolvendo leis, constituição e, acima de tudo, questões de justiça. Filmão!


segunda-feira, 8 de julho de 2019


“A MULA” (“The Mule”), 2018, EUA, 1h55m, é o mais novo filme dirigido por Clint Eastwood. Ele também interpreta o personagem principal, Earl Stone, um idoso de 90 anos preso depois de transportar, durante dois anos, mais de 1 tonelada de drogas a serviço do cartel mexicano Sinaloa. Utilizando sua velha pick-up e depois uma mais moderna, Stone levava drogas do México para Michigan. Stone foi escolhido porque tinha o perfil perfeito para passar sem desconfianças pela fronteira e pelas barreiras policiais. Além do fato de ser um idoso de aspecto ilibado, embora um péssimo pai e marido, era respeitado como cidadão que lutou durante a Segunda Guerra Mundial contra os nazistas na Itália e também como paisagista, decorador e floricultor. Porém, nem ele nem os traficantes contavam com a astúcia da equipe comandada pelo agente Colin Bates (Bradley Cooper), do Departamento de Narcóticos dos EUA. Ainda fazem parte do elenco de "A Mula" Dianne West, Taissa Farmiga (irmã de Vera), Andy Garcia, Laurence Fishburn, Michael Peña e Alison Eastwood (filha mais velha de Clint). Embora difícil de acreditar, a história é totalmente baseada em fatos reais. Ou seja, na vida do norte-americano Leo Earl Sharp (1924-2016), preso em 2011 e condenado a cumprir uma pena de três anos. Também conhecido como “El Tata”, Sharp trabalhou para o cartel de drogas comandado pelo poderoso chefão mexicano Laton, no filme interpretado por Andy García. Para escrever o roteiro, Nick Schenck (“Gran Torino”, também dirigido e interpretado por Eastwood) se inspirou na reportagem “A Mula de Drogas de 90 Anos do Cartel Sinaloa”, escrita por Sam Dolnick e publicada pelo Jornal New York Times em 2014. Para quem viu tantos filmes ótimos com a assinatura de Eastwood, "A Mula" certamente será motivo de decepção. Sem dúvida, um dos mais fracos do grande astro norte-americano. Em todo caso, Eastwood é Eastwood, e só por isso vale colocar o filme para rodar.