“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE
PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano
Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração
de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo
escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada
a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor,
dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens
principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e
filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford
(Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores
com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns
diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois
assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria
impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve
a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é
que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um
presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn),
ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme
dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas
bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva
do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele
destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário
completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando
seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve
Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd.
A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é
extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
domingo, 18 de agosto de 2019
Representante da Polônia na
disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve
a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e
dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um
pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor
envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória
do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão
tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia
de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre
os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se
apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande
chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do
regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem
Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como
pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para
filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música,
para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a
Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado,
seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com
uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três
categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel
recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o
filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de
curtir filmes de alta qualidade não deve perder.
sábado, 17 de agosto de 2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

terça-feira, 13 de agosto de 2019
“A ASSOMBRAÇÃO DE SHARON TATE” (“The
Hauting of Sharon Tate”), 2019, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Daniel
Farrands. Para quem não sabe, Sharon Tate foi uma atriz de grande sucesso nos
anos 60. Chegou até a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua
atuação em “O Vale das Bonecas” (1967). No mesmo ano, trabalhou no filme “A
Dança dos Vampiros”, dirigido por Roman Polanski, com quem se casaria logo
depois. No dia 8 de agosto de 1969, em sua luxuosa mansão em Los Angeles, Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais
quatro amigos seriam assassinados com requintes de crueldade por seguidores da
seita satânica comandada pelo maluco Charles Manson – Sharon tinha apenas 26
anos. O diretor Daniel Farrands, conhecido em Hollywood como roteirista de
filmes de terror como “The Amityville Murders” e “Halloween 6 – A “Última
Vingança”, aproveitou a história do trágico acontecimento ocorrido com Sharon
Tate e elaborou um roteiro imaginando como teria sido os três dias que
antecederam o assassinato. Recheou
de suspense, beirando o terror, concluindo por mudar o rumo da história, para depois retornar à trágica
realidade. A ideia até que foi boa, mas sua a concretização ficou devendo,
principalmente pela fraca atuação do elenco, tendo à frente a atriz Hilary Duff
como Sharon (a original era bem mais bonita), que passa o filme inteiro chorando
e tendo chiliques histéricos. Lembro que o diretor Farrands se inspirou numa
entrevista dada pela atriz poucos dias antes da tragédia, na qual ela dizia que
temia ser assassinada. No elenco também estão Jonathan Bennett, Pawel Szajda, Ben
Mellish e Lidia Hearst, bisneta do magnata da imprensa William Randolph Hearst
e filha de Patty Hearst, que ficou famosa depois de ter sido sequestrada, em
1974, por membros do Exército Simbionês de Libertação.
domingo, 11 de agosto de 2019
“CONSEQUÊNCIAS” (“The
Aftermath”), 2019, Inglaterra, produção da BBC, 108 minutos, roteiro escrito
por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, direção de James Kent. A história é baseada
no terceiro romance de Thidian Brook, lançado em 2013, com o mesmo título original
do filme. O ano é 1946, meses após o final da Segunda Grande Guerra. Hamburgo (Alemanha) foi uma das cidades alemãs mais afetadas
pelos bombardeios aéreos das Forças Aliadas. A cidade ficou praticamente
destruída. Para administrar sua reconstrução, a Inglaterra designou o coronel Lewis
Morgan (Jason Clarke). Depois de alguns meses, Morgan providenciou a vinda de
sua esposa Rachael (Keira Knightley), que estava morando em Londres. Para sua
nova residência, Morgan tomou posse da casa de Stefan Lubart (o ator sueco
Alexander Skarsgard), um rico viúvo alemão que vivia no local com sua filha e
empregados. Com a discordância de Rachael, Morgan deixou que eles continuassem
morando na casa, só que na parte superior. Rachael ainda se ressentia da morte
do filho em 1942, durante um bombardeio a Londres efetuado pela força aérea
alemã. Por isso, ela detestava os alemães e não podia suportar conviver na
mesma casa com Lubart e a filha. Porém, com a convivência diária e as seguidas viagens
de Morgan para missões especiais em outras cidades, Rachael e Lubat acabam se
aproximando mais do que o recomendável para uma mulher casada. E por aí vai a
história, caminhando para o final onde Rachael terá de se decidir entre o
marido e o amante. Vale pela reconstituição histórica, pelos cenários e
figurinos, e, principalmente, pela presença da bela e competente atriz inglesa Keira
Knightley.
“O ANJO” (“EL ÁNGEL”), 2018,
Argentina, 114 minutos, roteiro e direção de Luis Ortega. Baseado em fatos
reais, o filme conta a história de Carlos Robledo Puch, que nos anos 70, ainda
adolescente, aterrorizou Buenos Aires. Ele foi responsável por pelo menos 11
assassinatos, uma série de sequestros e mais de 40 roubos. “Carlitos”, como
também era conhecido, foi preso e cumpre prisão perpétua – hoje, está com 67 anos.
Na época, ele também ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte”, pois parecia
mesmo um anjo com seu rosto angelical e cabelos loiros compridos e
encaracolados. O ator Lorenzo Ferro, em sua primeira atuação no cinema, dá vida
ao jovem bandido. Sua atuação é espetacular, além do fato de ser muito parecido com o personagem verdadeiro quando jovem. Ele contracena com Chino Darín
(filho do astro Ricardo Darín), que interpreta Ramón, seu colega de escola e
cúmplice em vários delitos. O diretor Ortega fez questão de sugerir uma espécie
de atração homoafetiva entre os dois, não concretizada - pelo menos no filme. Mas
deixa claro que havia uma ligação mais forte. Além da dupla principal, fazem
parte do elenco ótimos atores como Cecilia Roth, Malena Villa, Mercedes Morán,
Daniel Fanego e Luís Gnecoo. Além desse excelente elenco, outros destaques são a primorosa
recriação de época, tanto nos cenários quanto nos figurinos, a trilha sonora e,
sem dúvida, a história do jovem bandido que, mesmo fazendo o que fez, virou
celebridade na terra de Maradona. Como curiosidade, o roteirista e diretor Luis
Ortega é filho de Palito Ortega, um cantor popular que fez grande sucesso na
Argentina nos anos 60/70. “O Anjo” estreou no Festival de Cannes em maio de
2018 com muitos elogios, além de ter sido indicado para disputar o Oscar 2019
de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi a melhor bilheteria no circuito
comercial da Argentina em 2018, faturando mais de U$ 5 milhões. Informação
adicional: o cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um dos produtores. O filme
realmente é muito bom, mais um argentino de grande qualidade, de causar
inveja a nosotros.
domingo, 4 de agosto de 2019
“O CAPITÃO” (“Der
Hauptmann”), 2017, Alemanha, 1h59m, roteiro e direção de Robert Schwentke.
Baseado em fatos reais, o filme é ambientado durante as duas semanas antes do
final da Segunda Guerra Mundial, em abril de 1945. Já prevendo a derrota para
os Aliados, milhares de soldados do exército alemão resolvem desertar. Para
sobreviver, eles praticam saques em vilarejos e fazendas do interior da
Alemanha. “O Capitão” conta a história de um desses desertores, o soldado raso
Willi Herald (Max Hubacher), de apenas 21 anos, personagem que existiu de
verdade. Fugindo para não ser preso, passando frio, fome e sede, Herald encontra
um carro abandonado numa estrada deserta. Dentro, ele encontra o uniforme e os
documentos de um capitão, que talvez tenha também desertado ou sido preso. Herald
veste o uniforme de oficial e se abriga do frio dentro do veículo. Nisso
aparece um soldado dizendo que havia se desgarrado da tropa, mas na verdade era
outro desertor. O “capitão” Herald enquadra o soldado e o obriga a fazer
reverência a um oficial. Outros desertores aparecem acreditando que Herald realmente
é um capitão e passam a obedecê-lo, praticando saques pelo caminho, até chegarem
a um campo de prisioneiros destinado a desertores. Às autoridades do campo,
Herald afirma que recebeu ordens do próprio Hitler para eliminar esses
prisioneiros. Até ser desmascarado, Herald cometerá inúmeras atrocidades,
contrariando as autoridades do campo, que receberam a orientação de não
executar prisioneiros. Todo esse contexto sugere um drama pesado, com muita violência
e assassinatos. Confere, mas não é só. O roteirista e diretor alemão Robert
Schwentuke recheou o filme com momentos de muito humor e cenas hilariantes, principalmente
aquelas em que Herald tenta se impor na base de gritos e dos “Heil Hitler!”. Todo
esse humor é, na verdade, uma sátira mordaz ao nazismo e ao poder exercido por
uma farda. O grande trunfo do filme é a atuação do jovem ator suíço Max Hubacher,
sensacional. O diretor Schwentke também acertou em cheio quando optou pela
fotografia em preto e branco (do fotógrato Florian Ballhaus). Depois de uma
passagem por Hollywood, onde fez filmes de qualidade duvidosa, como os dois da série
“Divergente” e ainda “R.I.P.D – Agentes do Além” e “Red – Aposentados e
Perigosos”, o diretor alemão retorna ao seu país de origem realizando um filme excelente,
surpreendente e inteligente. “O Capitão” é um filmaço! (Não deixem de assistir aos créditos finais, durante os quais está reservada uma ótima surpresa).
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
“ROCKETMAN”, 2019, Inglaterra,
2h1m, roteiro de Lee Hall e direção de Dexter Fletcher. Trata-se da
cinebiografia do astro pop Elton John. Uma pérola rara do cinema, o filme do ano! Aposto todas as minhas fichas que “Rocketman” será o filme com mais
indicações para a disputa do Oscar 2020. E uma delas já tem a estatueta na mão:
a de Melhor Ator para o talentoso ator britânico Taron Egerton, 29 anos. Além de
excelente ator e dançarino, ele é ótimo cantor – é ele quem canta as músicas de
Elton. Mais do que uma cinebiografia, “Rocketman” é um filme extremamente
musical, com muitas cenas de coreografias e uma trilha sonora da melhor
qualidade. Tudo muito exuberante, colorido e extravagante, como Elton sempre
foi desde o início de carreira. O filme apresenta Elton desde criança, quando
ainda era Reginald Kenneth Dwight – o John surgiu em homenagem a John Lennon.
Mostra como o garoto era um virtuose no piano. Tímido, era praticamente
rejeitado pelo pai (Steven MacKintosh) e ganhava poucos carinhos da mãe (Bryce
Dallas Howard), que pulava a cerca com índices olímpicos. Elton cresceu levando
consigo o trauma da falta de carinho que nunca recebeu na infância. Até mesmo
depois de todo o sucesso, ele jamais esqueceu o descaso dos pais. O filme relembra
o grande momento da ascensão de Elton, não na Inglaterra, mas em Los Angeles, em
1970, quando começou a fazer shows no Clube Troubadour. Daí para a frente, só
sucesso, milhões de discos vendidos, fama mundial e veneração pela mídia e
críticos musicais. Elton, porém, teve o seu lado obscuro, álcool em excesso,
drogas e amores tumultuados – o astro demorou para “sair do armário”, temendo
danos para a sua imagem de roqueiro. O filme não esconde nada. Mais um gol de
placa do diretor Dexter Fletcher, o mesmo que terminou de filmar “Bohemian Rapsody”
depois da demissão do então diretor do filme Bryan Singer, acusado de assédio
sexual. “Rocketman”, que estreou no 72º Festival Internacional de Cinema de
Cannes, em maio de 2019, tem uma energia
vibrante, um filme espetacular. Repito: O FILME DO ANO!
domingo, 28 de julho de 2019
“12 HORAS PARA SOBREVIVER: O
ANO DA ELEIÇÃO” (“THE PURGE: ELECTION YEAR”), 2016, EUA, 1h49m,
roteiro e direção de James DeMonaco. Trata-se do terceiro filme da franquia “The
Purge” – os dois primeiros, também escritos e dirigidos por DeMonaco , foram “Uma
Noite de Crime” (2013) e “Uma Noite de Crime: Anarquia” (2014). E vem o quarto,
esperado para o final de 2019. Num Estados Unidos fictício, há muitos anos que
é realizado o evento intitulado “Noite de Crime”, durante a qual vale tudo:
assassinar, torturar, estuprar, assaltar etc., sem qualquer punição. Para
participar dessa loucura, que virou um evento turístico, vem gente de todo o
mundo. Psicopatas e idiotas é que não faltam, mesmo na vida real. Nesta terceira edição, ambientada
em Washington, o ex-sargento da polícia Leo Barnes (Frank Grillo) é o chefe de
segurança da senadora Charlie Roan (Elizabeth Grillo). Em campanha para disputar
a presidência dos EUA, a senadora é radicalmente contra o evento e, por isso
mesmo, jurada de morte por seus organizadores, entre os quais gente do próprio
governo federal, políticos de extrema-direita e empresários da indústria de
armas. A ideia desse pessoal é aproveitar a “Noite de Crime” para assassinar a
senadora, utilizando para isso um exército de mercenários. Como filme de ação, “12
Horas para Sobreviver” até que funciona – aqui no Brasil vivemos “24 Horas para
Sobreviver”, e não é filme de ficção.
“SOBIBOR”, 2018,
Rússia, 1h58m, roteiro e direção de Konstantin Khabensky, que também atua fazendo
o papel do principal personagem, o oficial soviético Alexander Pechersky, prisioneiro
de guerra no famoso campo de concentração localizado na Polônia e local das
maiores atrocidades praticadas pelos nazistas, principalmente contra os judeus,
durante a Segunda Grande Guerra. Trata-se de uma superprodução russa, reunindo
inúmeros atores e atrizes de renome do cinema russo, além de milhares de
figurantes. Sem contar que, para a realização do filme, foi construída uma
réplica do campo de concentração de Sobibor com precisão histórica. Todos os
fatos mostrados em “Sobibor” foram narrados no livro de memórias “Alexander Pechersky:
Breakthrough to Immortality”, escrito pelo próprio oficial russo que liderou,
em outubro de 1943, a revolta e a fuga dos prisioneiros – 400 conseguiram
escapar e outros 100 foram mortos. “Sobibor” talvez seja o filme mais realista,
chocante e perturbador de todos aqueles que foram feitos sobre campos de
concentração durante a Segunda Grande Guerra. E, sem dúvida, um dos melhores
que eu já assisti. Algumas cenas são bastante impactantes, como aquela, no
início, em que dezenas de mulheres prisioneiras são encaminhadas nuas para um “banho”.
Outra cena chocante envolve a festa realizada por oficiais alemães durante a
qual os prisioneiros são obrigados a servir de cavalos puxando carroças e apanhando
de chicote. Haja estômago! Uma curiosidade é a participação do ator francês
Christopher Lambert como o oficial nazista Karl Frenzel, comandante do campo (suas
falas foram dubladas para o alemão). Aliás, o filme é falado em três idiomas:
russo, iídiche e alemão. Importante comentar que o rigor aos detalhes
históricos fez parte da criação do roteiro, no qual Khabensky foi auxiliado por
Aleksander Adabashyan, Anna Tchernakova, Andrei Nazarov e Ilya Vasiliev. “Sobibor”
foi o representante oficial da Rússia na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme
Estrangeiro. Um filmaço!
quinta-feira, 25 de julho de 2019
“EIS MEU CORAÇÃO” (“Behold
My Heart”, a tradução é minha, pois o filme até agora não chegou por aqui;
também é apresentado com um título alternativo, “Dark Was the Night”), 1h20m, EUA.
É um filme independente dirigido por Joshua Leonard, que também assina o roteiro
com a colaboração de Rebecca Lowman. Sua primeira exibição aconteceu em 2018
durante o Galway Film Fleadh (Irlanda). Começa o filme e a gente se depara com
uma família feliz: o pai Steven Lang (Timothy Olyphant), a mãe Margaret (Marisa
Tomei) e o filho Marcus (Charlie Plummer). Steven é um marido amoroso e um pai
sempre presente, dando-se às mil maravilhas com a esposa e com Marcus – de vez
em quando, os dois até fumam um baseado juntos. A felicidade da família, porém,
é abalada com a morte trágica de Steven, covardemente agredido no estacionamento
de um bar. Margaret entra numa depressão profunda, parte para o alcoolismo e se
enfurna dentro de casa. Marcus é obrigado a vigiar a mãe o tempo inteiro, o que
faz com a maturidade de um adulto. Até que um dia a mãe, bêbada, confunde
Marcus com o falecido. Constrangido e revoltado, Marcus resolve sair de casa. O
amor de mãe fala mais alto e Margaret decide ficar sóbria para recuperar o
filho. O drama até que tem seus momentos comoventes, mas o seu maior destaque
realmente é a atuação de Marisa Tomei, uma ótima atriz um tanto rejeitada por
Hollywood. Ela até chegou a ganhar um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em
1993, por seu trabalho em “Meu Primo Vinny”. Aos 54 anos, ainda está com cara de menina e em grande
forma. O jovem Charlie Plummer também tem se revelado um bom ator, como já
provou, por exemplo, em “Todo o Dinheiro do Mundo”, quando interpretou John
Paul Getty II, o neto sequestrado do magnata John Paul Getty. Enfim, “Eis Meu
Coração” não tem qualidade suficiente para motivar uma recomendação
entusiasmada, mas é bom filme.
quarta-feira, 24 de julho de 2019

segunda-feira, 22 de julho de 2019
“O
MELHOR DOS INIMIGOS” (“The Best of Enemies”), 2019, EUA, 2h13m, primeiro
longa-metragem escrito e dirigido por Robin Bissell. A história é baseada em
fatos reais relatados no livro “The Best of Enemies: Race and Redempetion in
the New South” (“O Melhor dos Inimigos: Raça e Redenção no Novo Sul”), escrito
por Gray Davidson. O ano é 1971 e o cenário é a cidade de Durham, na Carolina
do Norte, onde, há muitos anos, o racismo faz parte do cotidiano da população.
Quando uma escola municipal frequentada por crianças negras é praticamente
destruída por um incêndio (criminoso?), a ativista dos direitos civis Ann
Atwater (Taraji P. Henson) pressiona o Conselho da cidade a abrir as portas de
um colégio particular, frequentado por brancos, para acomodar aquelas crianças que
ficaram sem aula. A partir de então, a cidade entra em clima de guerra, já que
os pais dos alunos da escola particular não aceitam que ela receba crianças
negras. Um dos membros do Conselho é o comerciante Claiborne Paul Ellis (Sam
Rockwell), dono de um posto de gasolina e, nas horas vagas, líder local da Ku
Klux Klan. Atwater tem de lidar com a forte oposição da
parte branca da cidade, incluindo o pessoal da KKK e toda a sociedade
conservadora. É justamente esse trabalho de Atwater que o filme destaca, numa
atuação inesquecível da atriz Taraji P. Henson, que se submeteu a uma maquiagem
especial e roupas com enchimento para parecer mais gorda. Sam Rockwell é um
dos melhores atores do cinema norte-americano, mas injustamente pouco aproveitado
por Hollywood. Ainda estão no elenco Wes Bentley, Anne Heche, Bruce McGill,
Caitlin Mehner e Babou Ceesay. Uma ótima estreia de Robin Bissell como
roteirista e diretor, mais conhecido até agora como produtor de filmes como, por exemplo, "Jogos Vorazes". "O Melhor dos Inimigos" é excelente. Não perca!
domingo, 21 de julho de 2019
“O
PROFESSOR” (“The Professor”), 2018, EUA, 1h31m, roteiro e
direção de Wayne Roberts. Trata-se de misto de drama e comédia, contando a
história de Richard Brown (Johnny Depp, ótimo), um professor universitário que
um dia recebe a notícia fatídica: está com câncer agressivo, com metástase, e
poucas chances de sobreviver nos próximos seis meses – um ano se receber o
tratamento. Arrasado, vai para casa decidido a contar logo para a esposa
Veronica (Rosemarie DeWitt) e a filha adolescente Olivia (Odessa Young). Só que
começa o jantar e Olivia toma a palavra e anuncia que é lésbica e está
apaixonada por uma amiga. Depois da notícia, Veronica tem um acesso histérico e
confessa que está tendo um caso. Richard resolve ficar quieto e não contar o
seu drama. Porém, diante de tanta tragédia, resolve mudar o seu jeito de agir. Diz
adeus às regras e passa a tomar atitudes com toda liberdade possível, deixando
de lado o politicamente correto, em cenas que resultam em boas risadas. Em seu surto libertário, ele chega a levar
seus alunos para um bar, liberando a bebida, ou para uma aula ao ar livre, contrariando
as orientações da conservadora diretoria da universidade. Este foi o segundo filme
escrito e dirigido por Wayne Roberts (o primeiro foi “Katie Says Goodbye”, de
2016). “O Professor” é excelente, um filme inteligente e bem-humorado. O elenco
conta ainda com as presenças de Danny Huston, Zoey Deutch e Ron Livingston. Mas
o destaque é mesmo Johnny Depp com uma atuação genial.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
“ACUSADA”, 2018,
Argentina, 1h54m, segundo longa-metragem dirigido por Gonzalo Tobal (o primeiro
foi “Villegas", de 2012), que também assina o roteiro com a colaboração de
Ulises Porra Guardiola. A trama é toda centrada na jovem Dolores Dreier (Lali
Espósito), acusada de ter assassinado a melhor amiga, Camila, durante uma festa de arromba. Há dois anos que
ela sofre com a perseguição da imprensa e depoimentos à polícia. Nesse período,
ela deixou de ir à escola e vive enclausurada dentro de casa, superprotegida
pelos pais Luis (Leonardo Sbaraglia) e Betina (Inés Estévez). Chegou a hora de
ir a julgamento, quando Dolores recebe as orientações do seu advogado Ignácio
(Daniel Fanego). Em todos esses momentos, não fica clara a culpa de Dolores,
embora existam algumas evidências que a incriminem. Como, por exemplo, o fato de
Camila ter divulgado pela Internet um vídeo onde Dolores está transando com o namorado.
Testemunhas ouviram Dolores afirmar que um dia mataria Camila por isso. Durante
todo o filme, Dolores permanece num silêncio misterioso, em certos momentos com
aparência de culpa e outros tantos como se fosse vítima de uma armação. Será
mesmo culpada? Ou foi seu namorado? Ou o próprio pai para vingar-se? Caberá ao
espectador responder. Para isso, terá que prestar muita atenção nos detalhes. A
primeira exibição do filme aconteceu no dia 4 de setembro de 2018 durante o 75º
Festival Internacional de Cinema de Veneza, recebendo elogios dos críticos e do
público. Lali Espósito também foi muita elogiada por seu desempenho. Lali – o nome
verdadeiro é Mariana Espósito – é uma celebridade artística na Argentina. Aos
27 anos, além de atriz, é uma cantora de muito sucesso por lá, tipo uma Anita
portenha. “Acusada” tem algumas cenas de julgamento, mas não chega a ser um
filme considerado “de tribunal”. Enfim, mais um bom filme argentino.
quarta-feira, 17 de julho de 2019
“A VIGILANTE” (“A Vigilante” também é o título do original), 2018, EUA, 1h31m, longa-metragem de estreia da roteirista e diretora australiana Sarah Daggar-Nickson. A história é centrada em Sadie (Olivia Wilde), uma mulher que largou o marido depois de sofrer violência doméstica. Um desses ataques do marido resultou na morte trágica do filho do casal. Traumatizada, Sadie ingressa num grupo de terapia destinado a mulheres que passam, ou passaram, por experiências semelhantes. Só que Sadie não fica só no blá-blá-blá das sessões. Ela parte para o ataque. Primeiro, compra um manual da Krav Maga, um estilo de arte marcial criada pelo serviço secreto de Israel, que ensina tanto defesa pessoal como golpes mortais. Treinando todo dia em casa durante anos, Sadie transforma-se numa arma mortífera. Mas só lendo o manual? Exagero, mas é cinema... Depois de ouvir os depoimentos de mulheres durante as sessões de terapia, Sadie parte para a vingança, espancando os maridos violentos. Sobrou até para uma mãe que torturava os filhos. Como esperado, um dia Sadie parte em busca do ex-marido (Morgan Spector) a fim de se vingar. E dá-lhe sopapos, sangue jorrando etc. Nascida Olivia Jane Cockburn em New York há 35 anos, a bela e competente Olivia Wilde – o sobrenome artístico foi adotado em homenagem ao escritor irlandês Oscar Wilde – estreou no cinema em 2004 na comédia “Show de Vizinha”. Em seguida, atuou em vários outros filmes, entre os quais “Cowboys & Aliens”, “O Preço do Amanhã” e “Terceira Pessoa”. Agora, em 2019, acaba de estrear como diretora no filme “Fora
de Série”, ainda sem data para ser lançado.
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Quem gosta de filmes de
ação não deve perder “ONDA DE CHOQUE” (“Chai Dan Zhuan Jia” no
original; “Shock Wave” nos países de língua inglesa), 2017, Hong Kong, 2 horas
de duração, roteiro e direção de Herman Yau. É tensão e muito suspense do
começo ao fim. Infiltrado numa quadrilha de assaltantes de banco, o policial
Cheung Choi-San (o astro chinês Andy Lau) é responsável pela captura de vários
bandidos da gangue, um deles irmão do chefão Hung Kai-Pang (Jiang Wu), que
promete vingança. Sete anos depois, Kai-Pang, especialista em explosivos, reúne
uma grande quadrilha e toma de assalto um dos principais e mais movimentados
túneis de Hong Kong, fazendo centenas de reféns e ameaçando explodir tudo se o
seu irmão não for libertado. Pânico geral na cidade. É nessa hora que entra em
ação o policial Choi-San, agora agente e inspetor-chefe do Esquadrão Antibomba e
Eliminação de Armamento Explosivo. Se no começo do filme a tensão já era
enorme, fica ainda maior a partir de agora. Ação o tempo inteiro, muito
suspense, violência, tiros e explosões, tudo muito bem realizado pelo diretor
Herman Yau, especialista de filmes do gênero. Realmente, não dá para piscar. Uma superprodução de fazer inveja a Hollywood. Prepare um balde de pipoca e boa diversão!
domingo, 14 de julho de 2019
“JOGO
DUPLO” (“THE PADRE”), 2018, Estados Unidos/Canadá, 1h32m, terceiro
longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta canadense Jonathan Sobol.
Ambientada numa cidade qualquer do interior da Colômbia, a história é centrada
no vigarista que aplicava golpes vestido de padre. Por isso, ficou conhecido
como “O Padre” (Tim Roth). Em seu encalço estavam o juiz da corte norte-americana
e ex-oficial do exército dos EUA Nemes (Nick Nolte) e o policial local Gaspar
(Luís Guzmán). Pelo meio do filme, ficamos sabendo que Nemes tinha um outro
motivo particular para caçar “O Padre”. Enquanto isso, em meio às suas
picaretagens, “O Padre” acaba conhecendo a jovem Lena (Valeria Henríquez), que acaba
de fugir de casa para tentar ingressar nos Estados Unidos e resgatar sua irmã mais
nova, adotada por uma família norte-americana. Para essa missão, ela chantageia
“O Padre”, dizendo que, se ele não a ajudasse, ela o entregaria às autoridades.
Durante a fuga, a dupla planeja o roubo a uma igreja que possui objetos litúrgicos
de alto valor, inclusive um grande cálice de ouro. E dá-lhe perseguição, num
misto de suspense e road movie. Embora com excelentes atores como Nick
Nolte e Tim Roth, quem se destaca no elenco é a jovem atriz colombiana Valeria
Henríquez, cuja atuação lhe valeu uma indicação de Melhor Atriz no Canadian
Screen Awards. Resumo da ópera: nada de especial para recomendar “Jogo Duplo”,
que classifico apenas como mediano.
sexta-feira, 12 de julho de 2019

terça-feira, 9 de julho de 2019

segunda-feira, 8 de julho de 2019

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