terça-feira, 12 de junho de 2018


Eu já era fã de carteirinha da atriz Annette Bening. Sempre a achei uma das melhores.  Minha admiração cresceu ainda mais depois de assistir ao drama inglês “ESTRELAS DE CINEMA NUNCA MORREM” (“Film Stars don’t Die in Liverpool”), 2017. Annette vive a atriz norte-americana Gloria Grahame (1923-1981) em seus últimos anos de vida, quando namorou o jovem ator inglês Peter Turner (Jamie Bell), muitos anos mais moço. Pois foi justamente Turner quem escreveu o livro de memórias que serviu de base para o roteiro do filme, escrito por Matt Greenhalgh. Ou seja, a história é totalmente baseada em fatos reais, destacando a paixão que uniu uma veterana atriz esquecida e um jovem ator promissor. Dirigido com sensibilidade pelo diretor escocês Paul McGuigan (“Victor Frankenstein”), o filme traz Annette mais uma vez em estado de graça numa atuação deslumbrante. O ator inglês Jamie Bell, que ficou conhecido por seu trabalho no ótimo “Billy Elliot”, de 2000, dá conta do recado como o namorado apaixonado da atriz decadente.  Só para lembrar, Gloria Grahame foi uma atriz de grande sucesso em Hollywood nas décadas de 40 e 50, quando atuou em filmes como “A Felicidade não se Compra”, “No Silêncio da Noite” e “Assim Estava Escrito”, pelo qual ganhou, em 1953, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.                      

domingo, 10 de junho de 2018


“LOU” (“Lou Andreas-Salomé”), Alemanha/Áustria, 2016, marca a estreia no roteiro e direção de Corula Kablitz-Post, mais conhecida como diretora de documentários para a TV alemã. O filme, baseado em fatos reais, conta a história da psicanalista, filósofa e romancista Lou Andreas-Salomé, russa nascida em São Petersburgo numa família abastada e que desde jovem era fanática pelos filósofos gregos, os quais estudou a fundo. Lou era uma mulher fascinante, muito à frente do seu tempo. Despertou paixões e foi amante de homens como os filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée, assim como do poeta Rainer Maria Rilke. Como psicanalista, influenciou ninguém menos do que Sigmund Freud, de que foi aluna, amiga e colaboradora. O roteiro é baseado nas memórias de Lou, que resolveu, aos 72 anos, já bastante doente, contar todos os detalhes ao jovem filólogo Ernest Pfeiffer. O elenco é ótimo: Katharina Lorenz (Lou adulta), Nicole Heesters (Lou idosa), Liv Lise Fries (Lou jovem), Phlipp Haub (Pau Rée), Julius Feldmeier (Rilke), Alexander Scheer (Nietzsche), Merab Ninidze (Friedrich Carl Andreas), Mattias Lear (Ernest Pfeiffer) e Harald Schrott (Freud). O filme é excelente, e nem mesmo os inúmeros diálogos de muita erudição e citações filosóficas conseguem prejudicar o ritmo, sem em nenhum momento cair na monotonia. A recriação de época, incluindo os figurinos, é primorosa. Para quem gosta de exercitar os neurônios e ampliar o seu nível de cultura, “Lou” é um filme simplesmente imperdível.                      

sábado, 9 de junho de 2018


A atriz Jennifer Lawrence comanda o elenco de “OPERAÇÃO RED SPARROW” (“Red Sparrow”), ano de produção 2017, EUA. Elenco, aliás, dos mais estrelados: Joel Edgerton, Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Matthias Schoenaerts, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker, Thekla Hauten e Joely Richardson. É um filme de espionagem baseado no romance “Red Sparrow”, escrito por Jason Mathews, um ex-agente da CIA que resolveu ser escritor. O livro foi adaptado para o cinema pelo roteirista Jason Mathews e a direção ficou a cargo de Francis Lawrence, que não é parente da Jennifer e a dirigiu nos três filmes da Saga “Jogos Vorazes”.  Vamos à história. Depois de sofrer um grave acidente em pleno palco, Dominika Egorava (Jennifer), primeira bailarina do Bolshoi, vê sua carreira interrompida. Seu tio Ivan Egorov (o ator belga Schoenaerts), um importante oficial do serviço secreto russo, convence Dominika a ingressar numa escola de espiões chamada “Red Sparrow”. Em contrapartida, ele se compromete a cuidar da mãe doente de Dominika (Joely Richardson). Dominika se sobressai nos testes na escola e logo é designada para uma importante missão: descobrir a identidade de um informante que trabalha para a CIA. Ela terá que enfrentar Nathaniel Nash (Edgerton), um espião norte-americano com larga experiência em terreno russo. Embora tenha mais blá-blá-blá do que ação, o filme é bastante violento e tem muitas cenas de sexo, inclusive com Jennifer Lawrence, que deixou de lado a heroína juvenil de “Jogos Vorazes” para se transformar numa espiã voraz em sexo. Ela também aparece nua, comprovando plenamente sua fama de mulherão. Com uma reviravolta surpreendente no desfecho, o filme consegue prender a atenção do espectador, tornando-se um bom programa para uma sessão da tarde.                    

quarta-feira, 6 de junho de 2018


“ADEUS ÍNDIA” (“VICEROY’S HOUSE”), 2017, coprodução Inglaterra/Índia, direção de Gurinder Chadha, é um drama histórico, baseado em fatos reais, contando os bastidores de como se deu a transição da Índia britânica para a sua independência, depois de 200 anos de domínio imperial inglês. O filme é ambientado em 1947, quando Lord Louis Mountbatten, bisneto da Rainha Vitoria, é designado para ocupar o cargo de último Vice-Rei da Índia e, como tal, encarregado de administrar todo o processo de transição, o que o levou a uma série de negociações com os líderes locais, incluindo até o honorável Gandhi. Difícil a sua tarefa, pois os muçulmanos não concordavam em viver com os hindus na Índia e, portanto, queriam a criação de um outro país, o Paquistão. Para conseguir realizar o seu trabalho Mountbatten (Hugh Bonneville) conta com o apoio incondicional de sua esposa Edwina (Gillian Anderson) e de sua filha Pamela (Lily Travers). Mountbatten bem que tentou apaziguar os envolvidos, mas logo verá que é impossível acabar com um ódio que vem de séculos (vide palestinos e judeus). Lançado no Festival de Cinema de Berlim, o filme foi massacrado pela crítica especializada. Eu gostei. Achei a produção impecável sob o ponto de vista histórico, além de um visual deslumbrante – os cenários são espetaculares – e uma primorosa recriação de época, destacando-se, principalmente, os figurinos. Não tenho dúvida em recomendar.                 

terça-feira, 5 de junho de 2018

“MADAME”, 2017, França, direção e roteiro (com a colaboração de Matthew Robbins) de Amanda Sthers. Um casal de norte-americanos (Toni Collette e Karvey Keitel) muda-se para a França e decide organizar um jantar para a alta sociedade parisiense, incluindo o prefeito da cidade e seu namorado. A mesa está arrumada para 12 pessoas, quando de repente surge um convidado extra, justamente o filho bêbado do anfitrião. A mesa, então, passa a ter 13 lugares, inconcebível para a supersticiosa Anne (Collette). A solução improvisada, já que o jantar aconteceria poucas horas depois, foi transformar a empregada Maria (Rossy De Palma) numa madame da alta aristocracia parisiense, com a recomendação de que não abrisse a boca, nem para falar, nem para comer ou beber muito. Triste ilusão. Maria toma uns vinhos mais e acaba até contando umas piadas inconvenientes, para desespero dos patrões. Só que no meio dos convidados está o cinquentão David Reville (Michael Smiley), um importante empresário francês que se encanta com Maria. A partir de então, o filme esquece o humor e parte para o romance. Se já era ruim como comédia, ficou ainda pior quando enveredou para a comédia romântica. Terminado o filme, fiquei me perguntando como estrelas consagradas como Harvey Keitel e Toni Collette se submeteram a trabalhar nesse abacaxi. Até a espanhola Rossy De Palma, de tantos filmes de Almodóvar, deve ter ficado constrangida.             

segunda-feira, 4 de junho de 2018


“STEFAN ZWEIG – ADEUS, EUROPA” (“Stefan Zweig – Farewell to Europe”), 2016, coprodução Áustria/Alemanha, roteiro e direção de Maria Schrader. Trata-se de um drama biográfico enfocando os últimos seis anos do escritor, romancista, poeta, jornalista, dramaturgo e biógrafo austríaco Stefan Zweig. Em 1936, perseguido pelo nazismo, Zweig (Josef Hader) resolve fugir com a esposa Lotte (Aenne Scwarz) para a América do Sul. Já muito famoso no mundo inteiro como um dos principais escritores do Século XX, Zweig é tratado como uma grande personalidade, sendo convidado para proferir palestras em cidades como Rio de Janeiro, Buenos Aires e Nova Iorque. Ele se estabelece em Petrópolis (Rio de Janeiro) e lá escreve “Brasil, País do Futuro”, lançado em 1941. No ano seguinte, deprimido com a situação da guerra na Europa, ele se suicida juntamente com a esposa. O filme deixa muito a desejar com relação à obra do escritor. Não é mencionado nenhum dos livros que escreveu, principalmente importantes biografias de gente como, por exemplo, Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Stendhal, Maria Antonieta, Nietzsche, Balzac etc. Também pouco se fala sobre sua vida anterior, na Áustria. De qualquer forma, o filme é, sem dúvida, bastante interessante. Destaco com uma das cenas de maior impacto aquela em que Zweig participa de um congresso de escritores em Buenos Aires, durante o qual são citados, nome por nome, os intelectuais banidos pelo regime nazista, então presos ou exilados. De emocionar. Fora isso, vale citar o excelente trabalho do ator austríaco Josef Hader na pele do escritor. Um show de interpretação. A quem possa interessar, existe uma biografia bem legal sobre Zweig – “Morte no Paraíso”, de 1981 -, escrita pelo recentemente falecido jornalista Alberto Dines - a diretora Maria Schrader o leu para escrever o roteiro. Eu também li e recomendo, assim como o filme.             

domingo, 3 de junho de 2018


“SPIINNING MAN” (o filme ainda não chegou por aqui, portanto não tem uma tradução oficial; a tradução literal é “Homem Girando”), EUA, 2017, direção do sueco Simon Kaijser, com roteiro de Matthew Aldrich, baseado no romance do mesmo nome escrito pelo norte-americano George Harrar, lançado em 2003. Trata-se de um filme policial recheado de suspense, mas com desfecho dos mais fracos. Numa pequena cidade da Flórida, uma jovem líder de torcida (Odeya Rush) desaparece e as suspeitas da polícia recaem sobre o professor de Filosofia e Linguística Evan Birch (o ator australiano Guy Pearce). Tudo porque Birch, mesmo casado com Ellen (Minnie Driver), às vezes gostava de sair com algumas alunas.  O detetive Robert Malloy (o ex-007 Pierce Brosnan) tenta de tudo para provar a culpa do professor, seguindo seus passos dia após dia. Tudo faz crer que o filme caminha para algum final surpreendente, talvez uma reviravolta, mas o desfecho constrangedor não justifica termos ficado esse tempo todo esperando um grand finale. Com exceção de Guy Pearce, que tem boa atuação, os demais atores, inclusive Pierce Brosnan, atuam no piloto automático. Brosnan, aliás, está muito mal caracterizado, pois parece mais um empresário ou um alto executivo de Wall Street do que um simples detetive de uma cidadezinha do interior. Resumo da ópera: não passa de um filme B independente, evidentemente realizado com poucos recursos, apesar da presença dos dois astros. A história não convence. Como policial, deixa muito a desejar.            

sexta-feira, 1 de junho de 2018



“ZONA HOSTIL” (“Rescue Under Fire” nos países de língua inglesa), 2017, Espanha, primeiro longa-metragem dirigido por Adolfo Martínez Perez. Baseado em fatos reais que aconteceram com um pelotão do exército espanhol no Afeganistão, este drama de guerra oferece muita ação e suspense na medida certa. O pelotão pertence às Fuerzas y Cuerpos de Seguridad del Estado (FCSE), grupo militar enviado ao Afeganistão para dar suporte às forças norte-americanos no combate aos talibãs, assim como prestar ajuda humanitária à população civil em conjunto com equipes das Nações Unidas, principalmente na área médica. Toda a ação é centrada na rotina da equipe comandada pela capitã-médica Varela (Ariadna Gil) e nos soldados comandados pelo tenente Conte (Raúl Mérida). O pelotão entra mesmo em perigo quando um helicóptero que iria transportar soldados feridos em combate tomba em pleno deserto. Para protegê-lo, os soldados terão que enfrentar centenas de talibãs. As cenas de ação são muito bem-feitas e o filme mantém um ritmo bastante intenso do começo ao fim. Para adaptar a história para o cinema, os roteiristas Andrés M. Koppel e Luiz Arranz contaram com a assessoria do próprio exército espanhol, inclusive com a colaboração dos soldados que participaram daquela ação. Um bom programa para quem gosta de histórias ambientadas em zonas de conflito. Aliás, existe um outro excelente filme com uma história bastante semelhante, só que envolvendo soldados do exército norte-americano na Somália: "Falcão Negro em Perigo" (2001), dirigido por Ridley Scott. Este, na minha opinião, o melhor de todos nesse gênero.            

quinta-feira, 31 de maio de 2018


“TRÊS VIDAS E UM DESTINO” (“Head in the Clouds”), coprodução EUA/Inglaterra/Espanha, 2004, escrito e dirigido pelo inglês John Duigan. Trata-se de um drama histórico romanceado, ambientado na Europa durante os tumultuados anos 30 e 40 do século passado. A história é centrada na amizade dos jovens Guy Malyon (Stuart Towsend), professor universitário, Gilda Bessé (Charlize Théron), fotógrafa e filha de um milionário aristocrata francês, e Mia (Penélope Cruz), uma refugiada espanhola que ganhava a vida como stripper em Paris. Guy e Gilda se conhecem na Universidade de Cambridge, ele se apaixona e depois vai atrás dela em Paris. Gilda é uma mulher independente, sai e vai para cama com vários homens e, ao que se presume, também com mulheres, inclusive Mia. Na capital francesa, os três acabam morando juntos e formando um previsível ménage à trois. Até que um dia Guy e Mia resolvem ir para a Espanha com o objetivo de ajudar a resistência ao governo fascista de Franco. Depois que o conflito termina na Espanha, Guy volta a Paris para procurar Gilda, mas aí começa a Segunda Guerra Mundial e a situação acaba ficando cada vez mais difícil. Mesmo ainda muito jovens, as atrizes Charlize Theron e Penélope Cruz, assim como o ator irlandês Stuard Towsend, já tinham uma carreira consolidada no cinema e, sem dúvida, valorizaram ainda mais este bom drama histórico. Destaque para a excelente recriação de época, principalmente os figurinos, dignos de um editorial de moda dos anos 30/40. Sem falar, é claro, na beleza e na competência das duas atrizes principais.          

quarta-feira, 30 de maio de 2018


“ATÉ NUNCA MAIS” (“À Jamais”), 2016, drama francês que mistura romance, suspense e uma pequena dose de terror psicológico. A história é baseada no romance “The Body Artist” (“A Artista do Corpo”), de 2001, do escritor e dramaturgo norte-americano Don DeLillo. Não li o livro, cuja adaptação foi feita pelo diretor Benoit Jacquot (“O Diário de Uma Camareira”, “Adeus, Minha Rainha”, “Três Corações”) e pela atriz Julia Roy. A história: o famoso cineasta Jacques Rey (Mathieu Amalric) morre num acidente de moto – ou será que foi suicídio? Sua jovem esposa Laura (Julia Roy) continua morando no casarão onde Rey escrevia seus roteiros e tentava inspiração para os seus filmes. A saudade do falecido é tanta que ela começa a ver o seu fantasma, seja na cama do casal, na mesa da cozinha e até na banheira onde costumavam tomar banho juntos. As aparições do “fantasma” são ridículas. Ele parece um morto-vivo ou um zumbi abobado. Laura não está nem aí, isto porque está completamente alucinada, à beira de internação, se deparando toda hora com o próprio fantasma. Além disso, passa as noites em claro vendo cenas de estradas à noite na internet. Coisa sem pé nem cabeça, assim como o filme inteiro. Num aspecto eu tenho de dar a mão à palmatória: nunca a tradução de um título foi tão bem escolhida: “Até Nunca Mais”!          

domingo, 27 de maio de 2018


“OS FANTASMAS DE ISMAËL” (“LES FANTÔMES D’ISMAËL”), 2017, França, roteiro e direção de Arnaud Desplechin. Acho que o cinema francês é, atualmente, o que oferece os melhores e mais interessantes filmes. Claro que, de vez em quando, pisa na bola. A pisada mais recente é este drama de roteiro complicado, o chamado “filme-cabeça”, que confunde os neurônios dos espectadores. E olha que o elenco é ótimo: Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gaisbourg, Louis Garreal e Alba Rohrwacher. O cineasta Ismaël (Amalric) vive um romance com a astrofísica Sylvia (Gainsbourg). Há 21 anos, ele foi abandonado pela primeira esposa, Carlotta (Cotillard), que sumiu de repente e poucos anos depois foi dada como morta. Só que a “falecida” volta para tumultuar o ambiente, colocando em risco a felicidade do novo casal. Sylvia fica enciumada e exige que Carlotta suma do pedaço, o que acaba resultando um grande conflito. Alternando-se com essa história, há uma outra: o caso de Ivan Dedalus (Garrel), que passa num teste para entrar para a diplomacia francesa e resolve casar com a jovem Arielle Faunia (Tohrwacher). Não há qualquer relação entre uma história e outra, a não ser que seja um filme dentro de outro, o que não fica muito claro, pelo menos para minha humilde inteligência. Acho que só confunde a cuca do espectador. Apesar de pretensioso e de difícil compreensão, o filme foi selecionado para abrir o Festival de Cannes 2017, além de ser indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Munique 2017. Ah, como destaque, recomendo a cena de nu frontal protagonizada por Marion Cotillard, sem dúvida a melhor coisa desse filme. Do mesmo diretor francês, recomendo “Terapia Intensiva” e “Três Lembranças da Minha Juventude”, bem melhores do que este.         


“ATORMENTADO PELO PASSADO” (“ROMANS”), 2016, Inglaterra, primeiro longa-metragem dirigido pelos irmãos Ludwig e Paul Shammasian, mais conhecidos no meio cinematográfico como diretores de curtas. A história é centrada em Malky (Orlando Bloom), um operário que vive de bicos na área da construção civil. Ele namora a bela Emma (Janet Montgomery), tem muitos amigos e vive para cuidar da mãe (Anne Reid, em ótima atuação). Tudo vai bem até Malky ser contratado para a equipe de demolição da antiga igreja local. Seu passado vem à tona com a triste recordação de um fato ocorrido naquela mesma igreja há 25 anos: ele foi abusado sexualmente por um padre. A partir daí, Malky passa a agir com violência, entra em depressão e seu relacionamento com os amigos, com a namorada e com a própria mãe vira um verdadeiro inferno. Para piorar a situação, Malky descobre que o líder da nova igreja será o mesmo padre que o violentou. E por aí vai esse drama um tanto desagradável, pesado e arrastado, muito difícil de digerir por quem está a fim de um bom entretenimento. A fraca atuação de Orlando Bloom, mais conhecido por filmes como “O Senhor dos Anéis” e “Piratas do Caribe”, não justifica sua escolha para o personagem principal. Enfim, não dá para recomendar.        

sexta-feira, 25 de maio de 2018


“O QUE TE FAZ MAIS FORTE” (“STRONGER”), 2017, EUA, direção de David Gordon Green. Todo mundo lembra do atentado ocorrido no dia 15 de abril de 2013 durante a Maratona de Boston, quando a explosão de duas bombas matou três pessoas e deixou 264 feridas, muitas gravemente. Um dos feridos com maior gravidade foi o jovem Jeff Bauman, de 28 anos, que perdeu as duas pernas abaixo dos joelhos e se transformou num verdadeiro herói nacional ao ajudar o FBI a descobrir a identidade de um dos terroristas. Bauman escreveu uma autobiografia na qual se baseou o roteirista John Pollono para adaptá-la ao cinema. O filme conta em detalhes o sofrimento pelo qual Bauman (Jake Gyllenhaal) passou depois do acidente, os primeiros curativos (a cena é de arrepiar), as sofridas sessões de fisioterapia, as horas de desespero e angústia, o apoio dos pais e amigos e o tumultuado romance com a jovem Erin Hurley (Tatiana Maslany). Também ganham destaque no filme as homenagens que Bauman recebeu da cidade de Boston durante os concorridos jogos das equipes locais de beisebol e futebol americano. O foco principal, porém, é o esforço de Bauman para superar a tragédia com muita coragem e perseverança. Gostei do filme, mas fiquei muito triste ao ver a ótima atriz inglesa Miranda Richardson (que faz a mãe de Bauman) tão fora de forma, envelhecida e enorme de gorda, mas mesmo assim ainda muito competente.        

quarta-feira, 23 de maio de 2018


“OBEDIÊNCIA PERFEITA” (“OBEDIENCIA PERFECTA”), 2014, México, roteiro e direção de Luis Urquiza (seu primeiro e único longa-metragem). A história toca numa ferida das mais purulentas envolvendo a Igreja Católica, ou seja, o abuso sexual praticado por seus padres. No caso, o padre mexicano Angel de La Cruz (Juan Manuel Bernal), fundador da Ordem Cruz de Cristo, que durante quase duas décadas abusou sexualmente de jovens seminaristas – praticamente adolescentes. Seu jovem “preferido” era Julián (Sebastián Aguirre), que ao entrar no seminário de Angel ganhou o pseudônimo de Sacramento Santos. Baseado nos preceitos de Ignácio de Loyola, fundador da Ordem dos Jesuítas, Angel adotava como ensinamento básico e regra obrigatória a “obediência perfeita”, fazer tudo o que os padres superiores mandarem, inclusive “aquilo”. Toda a história contada no filme foi baseada no livro “Los Legionários de Cristo”, escrito por Ernesto Alcocer, cujo personagem principal é o padre Marcial Maciel Degollado (1920-2008), processado e depois excomungado pelo Papa Bento XVI. O diretor Urquiza disse, em entrevista, que resolveu fazer o filme depois que soube que o Papa João Paulo II, em sua gestão, acobertou o padre Marcial.  O filme não precisou escancarar em imagens explícitas os detalhes escabrosos da rotina do seminário, embora apresente cenas bastante perturbadoras envolvendo os padres e os jovens seminaristas. O filme é muito bom, com maior destaque para o desempenho do ator Juan Manuel Bernal como o padre Angel. Sua atuação é impressionante, fazendo você sentir uma  repugnância quase assassina pelo personagem, ironicamente chamado de Angel. Por esse trabalho, Bernal conquistou o Prêmio Ariel (o Oscar mexicano) de Melhor Ator em 2015.    

domingo, 20 de maio de 2018


Quem gosta de História, especialmente daqueles anos que precederam o início da Segunda Guerra Mundial (década de 30), não deve perder o drama biográfico “MASARYK”, 2016, República Tcheca, roteiro e direção de Julius Sevcik. A trama toda é centrada no diplomata e político Jan Garrigue Masaryk (Karel Roden), Ministro das Relações Exteriores da então Checoslováquia. Jan, filho de Tomás Masaryk, o primeiro presidente do país, teve participação importante nas reuniões que envolveram os chanceleres dos países europeus para tratar do assunto Hitler e sua política de agressão aos países menores como a Checoslováquia. As principais tratativas de Masaryk envolviam diretamente a Inglaterra e a França, então os únicos países capazes de enfrentar a poderosa Alemanha. Os bastidores dessas negociações praticamente tomam conta do filme, além da amizade de Masaryk com a jornalista e escritora norte-americana Marcia Davenport (Arly Jover). Outro destaque é a presença da bela atriz e supermodelo Eva Herzigová, que se mostra muito competente no papel de uma cantora de boate.  Apresentado durante a programação da 67ª Edição do Festival Internacional de Berlim, o filme é excelente e, repito, indicado especialmente para quem gosta de História.



“O INSULTO” (L’INSULTE”), 2017, Líbano (o título original, em francês, é por causa da coprodução com a Bélgica), roteiro e direção de Ziad Doueiri (“O Atentado” e “West Beyrouth”). Ambientada em Beirute, a história começa a ser desenrolada a partir de um incidente simples – o mecânico Tony Hanna (Adel Karam) lavava a sacada de seu apartamento quando a água saiu pelo encanamento quebrado e caiu sobre Yasser Abdallah Salameh (Kamel El Basha), engenheiro responsável por uma obra naquela rua. Um xinga o outro e vice-versa. Começa a troca de insultos. O desentendimento toma proporções maiores quando os insultos tocam nas feridas de ambas as partes, ou seja, Tony é um cristão libanês e Yasser um refugiado palestino. O conflito acaba na Justiça e o filme vira um “filme de tribunal”. Mais do que isso: transforma-se numa pendência jurídica que acaba mobilizando a mídia libanesa, levando o caso para as primeiras páginas dos jornais e para o noticiário televisivo. Graças a um primoroso roteiro, o filme aborda as mais importantes questões que envolvem o Líbano desde a segunda metade do Século 20, como os massacres de cristãos em Damour (1976) e dos palestinos em Sabra e Chatila (1982). Todos os fatos políticos da época são recordados durante o julgamento, tanto pela defesa como pela acusação. Apesar do tema árido e um tanto pesado, o filme conta com momentos de grande sensibilidade. Os atores são ótimos (Kamel El Basha foi eleito o melhor ator no Festival de Veneza). O filme é uma verdadeira aula de cinema, com destaque para o roteiro, que, a partir de um acidente aparentemente trivial, consegue abordar os principais aspectos políticos e religiosos que fizeram do Líbano um dos países mais conflituosos do Oriente Médio. O filme é tão bom que chegou ao Oscar 2018 como um dos cinco finalistas na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Assisti a todos e posso afirmar com toda certeza: “O Insulto” merecia ganhar a estatueta. Simplesmente imperdível!      
      

terça-feira, 15 de maio de 2018


“LETRAS DA MORTE” (“HANGMAN”), 2017, EUA, direção de Johnny Martin e roteiro da dupla Charles Huttinger e Michael Caissie. Trata-se de um suspense policial que tem como maior atrativo a presença de Al Pacino como o detetive aposentado Ray Archer, que volta à ativa para ajudar o detetive Will Ruiney (Karl Urban) nas investigações para descobrir a identidade do serial killer responsável por várias mortes. O assassino é brincalhão, pois além de enforcar as vítimas, desenha do lado uma forca com aqueles espaços para colocar as letras. Como os crimes ganharam repercussão, a jornalista Christ Davies (Brittany Snow) é autorizada pelo comando da polícia a acompanhar os detetives aos locais dos crimes e nas investigações. Este é o quinto filme dirigido por Johnny Martin, mais conhecido em Hollywood por ter trabalhado como stuntman (dublê) em inúmeros filmes de ação. Tudo bem que “Hangman” não é nenhuma maravilha, mas dá para ver sem exigir muito dos neurônios. Como informação adicional, acrescento que o filme ganhou um zero bem redondo do pessoal do site Rotten Tomatoes, especializado em críticas de cinema e TV. A opção é sua.     
      

domingo, 13 de maio de 2018


“O ESTRANGEIRO (“THE FOREIGNER”), 2017, é uma coprodução China/Inglaterra reunindo dois grandes astros do cinema atual: Jackie Chan e Pierce Brosnan. É um filme de muita ação, explosões, perseguições e pancadaria. O empresário chinês naturalizado inglês Quan Ngoo Minh (Chan), dono de um restaurante em Londres, passa o filme inteiro tentando descobrir os autores do atentado à bomba que matou sua filha. Assumiu a autoria uma organização terrorista irlandesa. Para conseguir o seu objetivo, Quan pressiona o vice-ministro da Irlanda, Liam Henessy (Brosnan), a fornecer alguma pista. O chinês é “osso duro de roer” e vai fazer da vida de Henessy um verdadeiro inferno. A história é baseada no livro “The Chinaman”, escrito por Stephen Leather e adaptado para o cinema pelo roteirista David Marconi. O filme é dirigido por um especialista em filmes de ação, o neo-zeolandês Martin Campbell, o mesmo de dois filmes da franquia James Bond, “GoldenEye” e “Casino Royale”, além de “A Lenda do Zorro” e “O Fim da Escuridão”. Serve para uma sessão da tarde com pipoca.
    
      


“HABI, A ESTRANGEIRA” (“Habi, La Extranjera”), 2013, Argentina/Brasil (um dos produtores é o nosso diretor Walter Salles, além da participação da atriz Maria Luisa Mendonça). Trata-se do primeiro longa-metragem escrito e dirigido por María Florencia Álvarez, mais conhecida na Argentina como diretora de curtas. A história é centrada na jovem Analía (Martina Juncadella), de 20 anos de idade, que viaja de sua pequena cidade no interior da Argentina para a capital Buenos Aires com o objetivo de entregar algumas peças de artesanato. Ao tentar encontrar o endereço para entregar mais uma peça, ela entra por engano numa casa onde transcorre um velório muçulmano. Como foi bem tratada e recebida com carinho, ela resolve ficar e acaba participando das orações. A jovem gostou do ambiente e das pessoas e passa a frequentar a comunidade muçulmana, querendo aprender árabe e conhecer a religião, além de adotar alguns hábitos das mulheres, como, por exemplo, o uso do chador. Para ser melhor recebida, ela adota o nome de Habiba Rafat e diz para todo mundo que nasceu no Líbano. Dessa forma, uma viagem que seria um “bate-e-volta” transforma-se numa estadia de vários dias. Mesmo sem dinheiro, ela consegue alugar um quarto numa pensão espelunca, onde conhece Margarita (Maria Luisa Mendonça), uma brasileira radicada na Argentina e que vive às turras com o namorado cafajeste argentino. Claro que nem tudo será um mar de rosas, principalmente depois que ela conhece um jovem muçulmano e se apaixona. Enfim, um filme apenas interessante, mas longe de merecer uma recomendação entusiasmada.      

quinta-feira, 10 de maio de 2018


Existem alguns bons motivos para assistir “THE FORGIVEN” (na tradução literal para o português, “O Perdoado”, mas não sei será traduzido assim por aqui), 2017, Inglaterra. O principal deles é a história em si, baseada em fatos reais, ou seja, o período pós-Apartheid na África do Sul, quando o presidente eleito Nelson Mandela constituiu a Comissão de Verdade e Reconciliação, com o objetivo de julgar os crimes cometidos entre 21 de março de 1960, quando houve o famoso massacre de Sharpeville, e 10 de maio de 1994, dia da posse de Mandela. O Arcebispo Desmond Tutu foi encarregado de presidir a Comissão. Nos julgamentos, as famílias das pessoas assassinadas, geralmente por motivos racistas, eram colocadas frente a frente com os assassinos (geralmente policiais do antigo regime), resultando excelentes cenas para o filme. Numa delas, a mãe de uma jovem que havia sido brutalmente morta encara o assassino, fala poucas e boas e no fim acaba o perdoando, num dos momentos mais tocantes do filme. Outro bom motivo é a presença de dois ótimos atores, Forest Whitaker como Desmond Tutu, e Eric Bana como Piet Blomfield, um assassino cruel sentenciado à prisão perpétua. Outro fator que merece destaque é o trabalho do experiente roteirista e diretor inglês Roland Joffé, responsável por clássicos como “Os Gritos do Silêncio” (1984), “A Missão” (1986), e “Vatel – Um Banquete para o Rei” (2000), entre tantos outros. Ao elaborar “The Forgiven”, Joffé baseou-se na peça “The Archbishop and The Antichrist”, escrita por Michael Ashton, que também colaborou com o roteiro. Enfim, estão aí expostos os motivos para você curtir esse excelente filme, que estreou, com elogios, durante o Festival de Cinema de Londres/2017.     
      

segunda-feira, 7 de maio de 2018


“UMA ESPÉCIE DE FAMÍLIA” (“Una Especie de Familia”), Argentina, 2017, roteiro e direção de Diego Lerman. Trata-se de um drama (dramalhão, na verdade) centrado na médica Malena (Bárbara Lennie), que, depois de perder um filho na fase de gestação, resolve adotar um bebê. Ela consegue a doação por intermédio de uma moça de família pobre que mora num vilarejo da província de Misiones, a 800 km de Buenos Aires. Tudo acertado, Malena ruma para acompanhar o parto de Marcela (Yanina Ávila), a tal mãe que concordou em doar a criança. Depois que o bebê nasce, porém, a família de Marcela surpreende com a decisão de entregar o bebê se a médica pagar 10 mil dólares. Além disso, quer que o marido de Malena, Mariano (Claudio Tolcachir), assuma a paternidade do bebê e o registre em seu nome. Imbróglio formado, resta a Malena conseguir o dinheiro e ainda convencer o marido a assinar o termo de paternidade. A situação engrossa de vez e mais não dá para contar porque o que vai acontecer talvez seja difícil de adivinhar. Deixo esse suspense para o espectador. O filme vale principalmente pela ótima atuação da bela e competente atriz espanhola Bárbara Lennie, que trabalhou sob a direção de Pedro Almodóvar em “A Pele que Habito”, além de ter participado do elenco do “Mel com Laranjas”. Mas a atuação que mais surpreende é a da estreante Yanina Ávila como a mãe biológica da criança. O filme foi exibido por aqui durante a 41º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017.     

domingo, 6 de maio de 2018


Confesso de cara que não foi fácil resistir até o final das 2h7min de duração do drama romeno   “ANA, MON AMOUR”, 2017, escrito e dirigido por Calin Peter Netzer, o mesmo diretor do ótimo “Instinto Materno”. A história é baseada no livro “Luminita, Mon Amor”, escrito por Cezar Paul-Bädescu (que também colaborou na elaboração do roteiro). O tédio já começa com dois estudantes de filosofia discutindo Nietzsche. Dessa forma erudita é que começa o romance entre Ana (Diana Cavallioti) e Toma (Mircea Postelnicu). A partir daí, o filme acompanha a relação tumultuada entre os dois durante muitos anos depois. Ana é uma mulher depressiva crônica, tem ataques de ansiedade e pânico e é emocionalmente perturbada, talvez porque tenha sido estuprada pelo padrasto quando era adolescente – pelo menos é o que o filme dá a entender. Toma é inseguro, também depressivo, fuma sem parar e se entrega totalmente aos defeitos de Ana, que se transforma numa obsessão para ele ao longo dos anos em que ficam juntos. Para aguentar o tranco, Toma se submete a sessões de psicanálise mostradas ao espectador de forma bastante tediosa. Um aviso importante para quem se sujeitar a acompanhar esse drama: tire as crianças da sala, pois tem cenas de nú frontal e de sexo explícito, aliás, de muito mau gosto. Outra cena que choca é aquela em que Toma é obrigado a limpar as sujeiras de Ana depois de um surto. A cena que achei mais interessante, porém, é aquela em que os editores do jornal em que Toma trabalha discutem a pauta da próxima edição. A ideia é colocar, como destaque, uma entrevista com o escritor brasileiro Paulo Coelho. Toma é contra, dizendo que Coelho não é bom escritor e que, por isso, não merece destaque, ao que foi contestado pelo editor-chefe, que defende a entrevista dizendo que nenhum escritor no mundo vende tanto quanto Paulo Coelho. O filme estreou no 67º Festival de Berlim e foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017.