sábado, 4 de fevereiro de 2017


De vez em quando é bom e até saudável assistir a uma bobagem, ou seja, aquele filme cuja proposta é apenas divertir, sem exigir muito do intelecto. É o caso da comédia “VIZINHOS NADA SECRETOS” (“Keeping Up With the Joneses”), 2016, EUA, roteiro de Michael Lesieur e direção de Greg Mottola, que ainda conta com um quarteto de protagonistas da melhor qualidade: Jon Hamm (da série “Mad Men”), Zach Galifianakis (“Se Beber, não Case”), a atriz escocesa Isla Fisher (“Animais Noturnos”) e a atriz e modelo israelense Gal Gadot (que será a nova Mulher Maravilha). A história: quando os filhos viajam para passar alguns dias num acampamento de férias, o casal Jeff e Karen Gaffney (Zack e Isla) passa o tempo bisbilhotando os vizinhos recém-chegados, Tim e Natalie Jones (Hamm e Gadot), que adotam um comportamento dos mais estranhos. Jeff e Karen logo se aproximam e acabam descobrindo que os novos vizinhos são espiões. A partir daí, acumulam-se inúmeras situações hilariantes, principalmente quando Jeff e Karen se envolvem numa missão secreta do casal de espiões, incluindo ótimas cenas de ação com perseguições e muitos tiros. Como disse antes, o filme é diversão pura, um programão para uma sessão da tarde com pipoca.                             


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


Não fosse a história baseada em fatos reais, eu acharia o enredo um tanto inverossímil. Mas é tudo verdade, o que valorizou ainda mais o drama independente norte-americano “MR. CHURCH”, 2016, que traz de volta às telas o ator Eddie Murphy, desta vez num papel sério. A história começa ambientada no início dos anos 70 e se estende por mais três décadas. Murphy é Henry Church, o “Mr. Church” do título, um cozinheiro profissional contratado para prestar serviços na casa de Marie Brooks (a ótima atriz inglesa Natascha McElhone). Quem o contratou foi o ex-namorado rico de Marie e pai de sua filha Charlotte, a “Charlie”, interpretada na fase adulta por Britt Robertson. O contrato era de seis meses – tempo de vida dado por um médico a Marie, portadora de um câncer terminal -, mas Mr. Church acabou dedicando sua vida inteira à família, servindo não apenas como cozinheiro, mas também como amigo e conselheiro. O filme é uma comovente história de dedicação e amizade, ensinamentos e cumplicidade. O filme realmente é encantador e bastante sensível. Ao comentá-lo, parte da crítica especializada mencionou a injustiça de não ter sido indicado ao Oscar 2017, assim como injusta foi a não indicação de  Eddie Murphy para Melhor Ator. O roteiro foi escrito por Susan McMartin e a direção é do veterano diretor australiano Bruce Beresford, do ótimo “O Último Dançarino de Mao” (2009) e de “Conduzindo Miss Daisy”, Oscar de Melhor Filme em 1989, entre outros inúmeros filmes. Belo filme que merece ser visto.     
                          
 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

“BELGICA”, 2016, é o segundo filme escrito e dirigido pelo diretor belga Felix van Groeningen, que já havia nos brindado com o espetacular “Alabama Monroe”, de 2012, indicado naquele ano para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Para escrever a história de “Belgica”, Groeningen conta que se baseou nas memórias do pai, Jo van Groeningen, que durante anos foi dono de uma casa noturna na cidade de Ghent, capital de Flanders Oriental. A história de “Belgica”, um bar/discoteca, é centrada nos irmãos Frank (Tom Vermeir) e Jo (Stef Aerts), que fundaram e administram a casa. Eles começam a ganhar muito dinheiro com o negócio, mas Frank, o mais velho, é irresponsável, gasta tudo em cocaína e em festas com muitas mulheres, apesar de ser casado. Jo é mais introvertido e responsável, apesar de também gostar de cheirar umas carreiras, mas tem uma namorada fixa. Grande parte do filme é dedicada aos shows apresentados na casa. Muito barulho, ambiente esfumaçado e brigas entre os frequentadores bêbados. Já que o bar não tem seguranças, são os próprios irmãos e alguns funcionários, inclusive mulheres, os responsáveis por manter a ordem e colocar para fora os arruaceiros. O relacionamento entre os irmãos começa a se desgastar por causa da irresponsabilidade de Frank, fator que, somado às dívidas acumuladas, ameaçam a sobrevivência do negócio. É um filme pesado, com personagens histéricos, muita gritaria, discussões e festas regadas a muita bebida e cocaína, o que pode desagradar e incomodar os espectadores mais sensíveis. Trata-se de um filme bastante interessante e Groeningen ainda tem crédito de sobra por ter feito “Alabama Monroe”.                            

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os aficionados por boxe sabem perfeitamente quem foi Roberto Durán, o lutador panamenho que venceu, numa luta histórica em 1980, o então imbatível e invicto boxeador norte-americano Sugar Ray Leonard, tornando-se campeão mundial dos leves – ele seria também campeão mundial em outras três categorias. A história desse lutador, baseada em livro escrito por Christian Giudice, está devidamente contada, e com grande competência, em “PUNHOS DE AÇO” (“Hands of Stone”), EUA, 2016, roteiro e direção do venezuelano Jonathan Jakubowicz, com o também venezuelano ator Édgar Ramírez no papel principal. O filme relembra a infância pobre de Durán nas favelas de El Chorrillo, periferia da capital panamenha. Começou a boxear ainda garoto, nas brigas de rua. Chegou logo aos ringues e foi lutar nos EUA, quando então começou a ser treinado pelo lendário Ray Arcel (Robert De Niro). Batia pesado e, por isso, ganhou o apelido de “Manos de Piedra”. Lutou boxe de 1968 a 2001, conquistando milhões de admiradores por seu estilo agressivo. Além de reproduzir algumas lutas de Durán, destacando as duas em que enfrentou o mito Sugar Ray Leonard, o filme prioriza a vida particular tumultuada do lutador panamenho, sua relação com a esposa Felicidad Iglesias (a atriz cubana Ana de Armas), seu ódio pelos norte-americanos e o convívio difícil com o treinador Arcel. Além do ótimo elenco, que conta ainda com Ellen Barkin, Usher Raymond e John Torturro, o filme apresenta como um de seus principais trunfos as ótimas cenas de luta. Para quem gosta ou não de boxe, um programão!                         

 
“JACK STRONG – O ESPIÃO QUE DERROTOU UM IMPÉRIO” (“Jack Strong”), Polônia, 2014, roteiro e direção de Wladyslaw Pasikowsk. Uma superprodução do cinema polonês, com elenco multinacional integrado por atores poloneses, russos e norte-americanos, além de locações em Varsóvia, Gdansk, Moscou e Washington. Conta a história verídica do coronel do exército polonês Ryszard Kublinski (Marcin Dorocinski), que nos anos 70, em plena Guerra Fria, virou espião e informante da CIA. Responsável pelo planejamento e execução da invasão soviética na Tchecoslováquia em 1968 (episódio que ficou famoso como “A Primavera de Praga”) e também pela violenta repressão aos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, em 1970, o oficial polonês era bastante respeitado tanto na Polônia como na Rússia. Descontente com os rumos da política adotada pelo Pacto de Varsóvia, sob o comando dos russos, Kublinski resolveu um dia passar para “o outro lado”, transmitindo importantes informações e segredos militares para o pessoal do Tio Sam. São 128 minutos de muita tensão e suspense, graças ao espetacular trabalho de Pasikowski, mais conhecido como diretor do também ótimo “Aftermath” e como roteirista de “Katin”. As cenas de ação são ótimas, principalmente a da perseguição pelas ruas cheias de neve de Varsóvia. Destaque para o ator principal, o polonês Dorocinski, e para a participação do ator norte-americano Patrick Wilson como o contato da CIA, lembrando o personagem do ator Tom Hanks em "A Ponte dos Espiões". A produção polonesa, aliás, é muito melhor. Quem gosta de filmes do gênero espionagem e ambientados no período da Guerra Fria não pode perder “Jack Strong” (o codinome do espião). Um filmaço, simplesmente IMPERDÍVEL!                    




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“COME AND FIND ME” (na tradução literal, “Venha me Encontrar”), EUA, 1h52min, 2016, escrito e dirigido por Zack Whedon (seu filme de estreia). Trata-se de um suspense centrado no designer gráfico David (Aaron Paul), que um dia conhece a fotógrafa Claire (Annabelle Wallis). Os dois se apaixonam e acabam morando juntos. Claire tem um comportamento misterioso. Não revela sua origem, não fala dos pais e nem da família. Seu passado é um enigma. Não mais que de repente, Claire some do mapa sem deixar pistas, deixando David desesperado. Ele começa a investigar o sumiço da amada por conta própria, o que vai lhe acarretar uma série de problemas, inclusive físicos. David é agredido por um amigo do casal, é detido e espancado por uma gangue numa loja de autopeças, tem sua casa invadida por um intruso e, por fim, terá de enfrentar um estranho que se diz agente do governo norte-americano. David finalmente descobre que Claire esconde uma identidade secreta e um passado pra lá de misterioso.  O roteiro é muito fraco, não explica, por exemplo, a ligação de Claire com as pessoas que passam a perseguir David. O desfecho, então, é ainda mais inexplicável. Nem com muita boa vontade dá para recomendar.                     

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“INDIGNAÇÃO” (“Indignation”), EUA, 2016, primeiro filme escrito e dirigido por James Schamus, mais conhecido como produtor e roteirista. A história é inspirada no romance homônimo escrito por Philip Roth. Início dos anos 50, o jovem Marcus Messner (Logan Lerman, da franquia “Percy Jackson”) consegue se livrar do recrutamento para a Guerra da Coreia ingressando na conservadora Universidade Winesburg, em Ohio. Aqui, enfrentará o preconceito por ser judeu num ambiente fervorosamente católico, se defrontará com o rigoroso reitor Caudwell (Tracy Letts) em longas discussões por causa dos seus posicionamentos e ainda conhecerá a aparentemente recatada Olivia Hutton (Sarah Gadon), a bela estudante pela qual se apaixonará, embora ela seja conhecida  como “A Rainha do Boquete”. Marcus se rebela contra o cenário de repressão moral da Universidade, enfrentando os interrogatórios feitos pelo reitor Caudwell como se estivesse num tribunal. Esses diálogos, com boas pitadas de erudição, valorizam e dão um sabor especial ao filme. Se houvesse um selo de qualidade intelectual, eu certificaria “Indignação”. A crítica especializada ficou dividida. Eu gostei muito e recomendo para quem curte cinema de qualidade.                 
 

 
“CAPITÃO FANTÁSTICO” (“CAPITAIN FANTASTIC”), EUA, 2016, roteiro e direção do Matt Ross. Lendo a sinopse, pensei que assistiria a uma aventura juvenil ao estilo da Disney. Que nada! O filme, embora com um elenco recheado de adolescentes e crianças, apresenta em seu desenrolar temáticas adultas, principalmente nos diálogos afiados, inteligentes e, acima de tudo, muito bem-humorados. O enredo é um tanto inverossímil – alguém criaria seus filhos, hoje em dia, dentro de uma floresta? -, mas a história é tão bem trabalhada que a gente deixa passar. Ben (Viggo Mortensen) vive com seus seis filhos no interior de uma floresta selvagem do Pacífico Norte. Ele submete a turma a um rigoroso treinamento diário, que inclui sobrevivência na selva, defesa pessoal, alpinismo e primeiros socorros, entre outras práticas. Ao mesmo tempo, Ben ensina filosofia, religião, política, biologia e física quântica, além dos ensinamentos baseados na sociedade idealizada pelo pensador norte-americano Noam Chomsky. Por causa da morte da mãe, Ben os filhos são obrigados a pegar a estrada para o funeral com o objetivo de não deixar enterrar o corpo, e sim cremá-lo, como era o desejo da falecida, budista de carteirinha. O filme entra numa fase road-movie. O choque com a dita civilização rende os momentos mais hilariantes, principalmente quando a turma visita a casa de parentes. Resumindo: o filme é encantador, comovente e divertido. Ou seja, imperdível! 


domingo, 22 de janeiro de 2017

 

Sem dúvida, o melhor filme nacional dos últimos anos. Para a ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), o melhor filme brasileiro de 2016. Além disso, o drama “AQUARIUS” consagra em definitivo o talento de Sonia Braga. Com uma atuação espetacular, ela é a alma do filme. Vamos à história: a jornalista e escritora aposentada Clara (Sonia) mora há muitos anos num aconchegante apartamento no antigo edifício “Aquarius”, na Avenida Boa Viagem, em frente ao mar do Recife. Viúva, três filhos adultos e alguns netos, Clara vive solitária e rodeada de estantes de livros e discos de vinil. Todos os seus vizinhos fizeram acordo com uma construtora, que pretende demolir o imóvel e construir um novo edifício. Menos Clara. Mesmo com as ofertas irrecusáveis, ela está irredutível. E vai lutar bravamente contra a construtora, que passa a utilizar métodos nada amigáveis para convencê-la a aceitar suas propostas. Clara é uma personagem fascinante e explorada com muita competência pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, também autor do roteiro. Este é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Som ao Redor”. Entre as grandes sacadas de Kleber está a trilha sonora, recheada de antigos sucessos nas vozes de Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil e, principalmente, Taiguara cantando “Hoje”. Emoção pura. O filme foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes 2016, durante o qual o elenco protagonizou um patético protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.                                            

sábado, 21 de janeiro de 2017

“ALWAYS SHINE” (a tradução literal é “Sempre Brilhe”, mas não sei como chamará por aqui, se chegar), 2016, EUA, 85 minutos. Trata-se de um filme com a pretensão de ser suspense, mas não passa de um drama dos mais medíocres. Beth (Caitlin Fitzgerald) e Anna (Mackenzie Davis) são grandes amigas e atrizes em busca de bons papéis no cinema. Beth é mais bem sucedida, o que faz com que Anna morra de inveja. O clima entre as duas fica ruim e então elas resolvem aparar as arestas num final de semana numa casa de campo nas montanhas de Big Sur, na Califórnia. O que era para ser uma reconciliação da amizade vira uma verdadeira guerra psicológica, aumentando o clima de tensão entre as duas. É o segundo filme dirigido pela atriz Sophia Takal, com roteiro assinado por Lawrence Michael Levine, seu marido. A história é fraca, mal contada, o filme se arrasta sem nada acontecer até perto do desfecho, os diálogos são de uma profundidade milimétrica, coroando um filme de mediocridade quilométrica. Nada mais a acrescentar, a não ser um conselho: passe longe!                                          

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“O PIROMANÍACO” (“PYROMANEN”), 2016, Noruega, roteiro e direção de Erik Skjoldbjaerg, é um suspense inspirado no romance policial “Far Jeg Brenner Ned”, escrito por Gaute Heivoll. Numa região rural ao sul da Noruega, várias casas são incendiadas durante a noite, o que mobiliza a brigada de bombeiros formada por cidadãos voluntários e comandada por Ingemann (Per Frisch), cujo filho, Dag (Trond Nilssen) também faz parte. A polícia local começa a investigar as ocorrências e as primeiras suspeitas dão conta de que pode ser obra de algum piromaníaco vindo de fora. O maluco começa a ficar mais ousado. De início, só incendiava casas vazias. Depois, com gente dentro. A caçada ao autor dos incêndios aumenta cada vez mais e você acha que o mistério só será resolvido no final. Ledo engano. Já na metade do filme, o espectador fica sabendo quem é o verdadeiro culpado, o que de fato acaba amenizando o clima de suspense. A partir daí, o diretor explora o aspecto psicopatológico do piromaníaco, tentando explicar porque está agindo dessa forma. Para mim, a explicação não acabou muito convincente. O desfecho enigmático também não me agradou. Por esse, não ponho minha mão no fogo. A estreia do filme aconteceu durante a mostra Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2016, sem provocar muito entusiasmo tanto nos críticos quanto no público. Do mesmo diretor norueguês, recomendo “Mergulho Profundo” (2013), este sim um ótimo suspense.                                      

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

“A QUALQUER CUSTO” (“Hell or High Water”), EUA, foi exibido pela primeira vez em maio do ano passado no Festival de Cannes 2016. Recebeu muitos elogios da crítica especializada, que o considerou o melhor “neo-western” (faroeste moderno) dos últimos anos. O roteiro é assinado por Taylor Sheridan (“Sicario: Terra de Ninguém”) e a direção é do cineasta escocês David Mackenzie (“Encarcerado” e “Sentidos do Amor”). Ambientada no interior do Texas, a história é centrada nos irmãos Howard, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que começam a praticar assaltos a bancos. Tanner, recém-saído da prisão, onde cumpriu pena de 10 anos, quer dinheiro para gastar em cassinos e com mulheres. Ou seja, tirar o atraso do tempo em que ficou trancafiado. Toby, o mais contido, quer juntar dinheiro para saldar dívidas do rancho da família e garantir o pagamento de pensão aos dois filhos, que moram com a ex-mulher. Quem vai atrás da dupla é o policial Marcus Hamilton (Jeff Bridges), à beira da aposentadoria, e seu assistente de origem mexicana Alberto (Gil Birmingham). A perseguição se transforma num verdadeiro road-movie pelas estradas empoeiradas do Texas, que parecem não ter mudado muito em comparação com aquelas que eram mostradas nos antigos faroestes. Só que agora não são mais os cavalos que levam os bandidos e os mocinhos e sim potentes veículos off-road. Além de ação, o filme ainda tem bom humor, principalmente nos diálogos entre Marcus e seu auxiliar mexicano, recheados de comentários preconceituosos. Embora tenha gostado do filme, achei o desfecho um tanto forçado. Assista e veja se não tenho razão.        
 

                                   

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Aos 80 anos de idade, autor de 48 filmes, devidamente consagrado como um dos maiores cineastas da atualidade e ainda em grande forma, Woody Allen acerta mais uma vez em “CAFÉ SOCIETY”, 2016, talvez seu melhor filme dos últimos anos. Além de ter escrito o roteiro e dirigido, Allen também é o narrador da história, ambientada nos anos 30 do século passado. O jovem Bobby (Jesse Eisenberg), de família judia, resolve sair de Nova Iorque rumo a Los Angeles acalentando o sonho de trabalhar como escritor em Hollywood. Ele tem um trunfo para isso: seu tio, Phil Stern (Steve Carrell), é um poderoso agenciador de artistas. Para começar, Bobby aceita o trabalho de mensageiro do escritório de Phil. Aqui, trabalha como secretária a jovem Vonnie (Kristen Stewart), pela qual Bobby se apaixona. Está formada a confusão, pois Vonnie tem um namorado famoso que quer casar com ela. A situação acaba sendo não muito favorável a Bobby, que volta para Nova Iorque e vai trabalhar na boate de luxo dirigida pelo irmão Ben, ligado a uma turma de gângsters. Com seu trabalho na boate, Bobby acaba conhecendo Veronica (a loiraça Blake Lively), por quem também se apaixona. A chegada de Vonnie a Nova Iorque, alguns anos depois, vai perturbar a cabeça de Bobby. O estilo verborrágico do diretor, com diálogos inteligentes e irônicos, continua marcante no estilo do diretor. O filme apresenta ainda uma primorosa recriação de época no que diz respeito a cenários e figurinos, com muita classe e glamour, tudo isso valorizado pela fotografia do mestre italiano Vittorio Scoraro. Como já é hábito em quase todos os filmes de Allen, a trilha sonora é repleta de jazz tradicional, o que torna o filme ainda mais delicioso.  


                                                                                  

 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Vencedor do Globo de Ouro/2017 como Melhor Filme Estrangeiro, o drama francês “ELLE” desponta como o principal favorito a conquistar o Oscar na mesma categoria. Além disso, Isabelle Huppert, que interpreta a principal protagonista, recebeu o prêmio como Melhor Atriz em Drama. Dirigido pelo veterano cineasta holandês Paul Verhoevan (“A Espiã”, “Instinto Selvagem”), o filme é centrado na empresária Michèle Leblanc (Huppert), executiva de uma empresa de videogames. Ela mora sozinha num casarão, que um dia é invadido por um sinistro homem com máscara de esqui. Michèle é agredida e estuprada, mas não vai à polícia denunciar o fato. Ela relata o ocorrido num jantar íntimo com o ex-marido e amigos. Para surpresa de todos, Michèle conta o que aconteceu de forma natural, como se contasse uma visita ao supermercado. Michèle é assim, uma personagem controversa, fria, neurótica e, de certa forma, malévola, personalidade de alta complexidade moldada por uma terrível tragédia ocorrida quando era apenas uma adolescente. O roteiro do filme, assinado por David Birke, foi inspirado no romance “OH...”, escrito por Phillippe Djian, e reúne situações de vários gêneros cinematográficos, como suspense, sedução e pitadas bem dosadas de humor negro. Mas o grande trunfo do filme realmente é o desempenho magistral de Isabelle Huppert. Ainda estão no elenco Laurent Lafitte, Anne Consigny, Virginie Efira, Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Christian Berkel e Charles Berlin. Um filme sem dúvida desconcertante e,
ao mesmo tempo, espetacular. Cinema da melhor qualidade. Simplesmente imperdível!                                                                      

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Joe Albany foi um pianista norte-americano de jazz dos mais conceituados. Entre as décadas de 40 e 70, gravou vários discos e tocou com Lester Young, Benny Carter, Charlie Parker e Joe Venuti, entre outras feras do jazz. O drama “A DECADÊNCIA DE JOE ALBANY” (“LOW DOWN”), 2015, EUA, ambienta a história do músico na década de 70, segundo lembranças relatadas num livro escrito pela filha do músico, Amy-Jo Albany, que depois escreveria o roteiro do filme, juntamente com Topper Lilien. A direção coube a Jeff Preiss, mais conhecido pelos seus documentários, um deles dedicado ao músico, cantor e compositor Chet Baker. Abandonada pela mãe alcoólatra aos seis anos de idade, Amy-Jo foi criada por Joe num ambiente nada saudável de músicos desempregados, prostitutas e, como o pai, viciados em drogas pesadas, como a heroína. Joe e a filha viviam num quarto de pensão na periferia de Hollywood, onde o músico ensaiava e reunia amigos para algumas jams sessions. Amy-Jo, então uma garota adolescente, delirava com as performances do pai, cuja relação era de pura veneração quase incestuosa. Ela chegou até a se prostituir para comprar heroína para o pai. O desempenho do elenco é espetacular, a começar por John Hawkes como Joe Albany. Elle Fanning como Emy-Jo também dá um show de interpretação, assim como Glenn Close, a avó paterna, e Lena Headey, como a mãe alcoólatra. Um filmaço!                                                                
 

              

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

“9 DE ABRIL” (“9.april”), 2015, Dinamarca, 93 minutos, direção de Roni Ezra. No dia 9 de abril de 1940, as tropas alemãs de Hitler invadem a Dinamarca e a Noruega na chamada “Operação Weserübung”. O filme foca a invasão da Dinamarca e os esforços de seu exército para conter o avanço dos nazistas. A história é esclarecedora com relação ao despreparo dos soldados dinamarqueses. Quando a notícia da invasão chega aos quartéis, o exército é mobilizado. Cabe ao 2º Batalhão de Bicicletas, comandado pelo Tenente Sand (Pilou Asbak), a missão de deter as tropas invasoras na fronteira até que cheguem reforços de outras partes do país. Só que os dinamarqueses não imaginavam o poderio dos alemães, que chegaram com milhares de soldados apoiados por blindados, tanques e aviões. Os jovens soldados dinamarqueses, despreparados para o combate e com munição contada – 40 balas de fuzil para cada um -, não tiveram a mínima chance contra o poderoso e bem armado exército alemão. Apesar disso, lutaram bravamente e, no final, sem os reforços aguardados, tiveram de se entregar. Para aumentar sua decepção, também souberam que o governo dinamarquês havia se rendido horas antes. Produzido para exibição na TV dinamarquesa, o filme apresenta ótimas cenas de batalha e muita tensão. Nos créditos finais, o diretor acrescentou depoimentos de soldados que participaram daquele combate. Recomendo para quem gosta de filmes de guerra e curte fatos históricos.                                                                
 

              

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Depois de conquistar o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro com “Paradise Now”, em 2006, o diretor israelense Hany Abu-Assad ganhou prestígio no meio cinematográfico e foi parar em Hollywood, onde dirigiu “Entrega de Risco”, um filme de ação mediano. Em 2013, ele escreveu e dirigiu “OMAR”, este sim um filmaço. Tanto que, após sua exibição no Festival de Cannes daquele ano, foi aplaudido de pé por 5 minutos. Palmas merecidas, pois realmente é um filme de grande impacto. Conta a história de Omar (Adam Bakri), um jovem padeiro que vive pulando o muro que divide o lado palestino de Israel para ver os amigos e flertar com Nadia (Leem Lubany). Um dia, Omar acaba detido por uma patrulha de Israel, sendo humilhado e espancado pelos soldados. Ele se revolta e combina uma vingança com os amigos Amjad (Samer Bicharat) e Tarek (Eyad Hourani), que resulta no assassinato de um soldado israelense. Omar é preso e torturado para entregar quem deu o tiro no soldado. A partir daí, uma série de intrigas envolve  o rapaz, incluindo a desconfiança de Nadia e seus amigos de que ele agiu como traidor. Esse conflito acompanhará Omar até o desfecho surpreendente. O diretor acerta ao retratar uma realidade bastante desconfortável nos territórios palestinos ocupados por Israel, onde as pessoas, tanto de um lado como do outro, vivem num constante clima de forte tensão. Abu-Assad acertou também ao escalar nos papéis principais alguns excelentes atores novatos. Somando tudo isso, um filme imperdível!                                                             
 

              

domingo, 8 de janeiro de 2017

“UM DIA PERFEITO” (“Um Día Perfecto”), 2015, Espanha, roteiro e direção de Fernando Léon de Aranda. A história é ambientada no final dos anos 90 em algum lugar dos Bálcãs, quando o conflito étnico na ex-Iugoslávia caminhava para o seu final e mostra o cotidiano de uma equipe de voluntários de uma organização humanitária. Da equipe fazem parte o porto-riquenho Mambrú (Benício Del Toro), a francesa Sophie (Mélanie Therry), o norte-americano B (Tim Robbins) e o sérvio Damir (Fedja Stukan), guia e intérprete. Seu trabalho é supervisionado pelo pessoal das Nações Unidas, que recruta a croata Katya (Olga Kurylenko) para coordenar os trabalhos da equipe humanitária. Entre as missões do grupo está o resgate do cadáver de um homem atirado no único poço de água de uma cidade com o objetivo de contaminá-la. Para retirar o corpo, porém, será necessária a utilização de uma corda. Lutando contra todo tipo de dificuldade, incluindo a falta de cordas e os entraves burocráticos da ONU, a equipe terá de se desdobrar para cumprir a difícil missão. Para amenizar o contexto dramático da trágica guerra, Aranda impõe um tom irônico aos diálogos, acrescentando altas doses de humor negro, como nas cenas em que o comboio da equipe é obrigado a desviar de vacas mortas na estrada sem saber para que lado devem ir para evitar as minas. Além disso, o pop impera na trilha sonora, com Marilyn Mason, Lou Reed e Ramones. O filme estreou no Festival de Cannes 2015 e ganhou elogios da crítica especializada. Do mesmo diretor, gostei muito mais de “Segunda-feira ao Sol”, um retrato dramático do desemprego na Espanha no início deste século.                                                          
 
              
 
 
                                                      

                                  
“A INFÂNCIA DE UM LÍDER” (“THE CHILDHOOD OF A LEADER”), 2015, EUA, roteiro e direção de Brady Corbet. Confesso que demorei um tempo para assimilar o choque pela novidade estética proporcionada pelo jovem ator norte-americano de 28 anos e agora diretor Brady Corbet, em seu primeiro longa-metragem. Trata-se de um filme que passa longe de qualquer apelo comercial. Ou seja, é um filme difícil de digerir, lento e um tanto soturno, com a utilização de uma fotografia em tons esmaecidos, opacos, e uma trilha sonora que aumenta o já dominante clima de tensão. A história foi inspirada no conto “A Infância de um Líder”, do filósofo Jean Paul Sartre, e no romance “The Magus”, de John Robert Fowles. Um representante do governo dos EUA chega à Europa, com a esposa e o filho, para coordenar os trabalhos que resultarão no Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Grande Guerra. Embora o pano de fundo seja a situação política da Europa no pós-guerra, o enredo destaca a situação familiar vivida pelo representante norte-americano (Liam Cunningham). Casado com uma mulher fria, infeliz e inescrupulosa (Bérénice Bejo), ele tem dificuldades para educar o filho, Prescott (Tom Sweet), que se mostra rebelde e sempre contraria as ordens do pai e da mãe. O garoto não aceita ingerências, quer mandar na casa. Enfim, está nascendo um verdadeiro tirano fascista. Talvez seja esta a principal e mais evidente metáfora da história, como o desfecho ressalta ao mostrar um grande líder (Robert Pattinson) sendo aclamado pelo povão em delírio, como aconteceria pouco depois com Mussolini e Hitler. Por seu trabalho criativo e inovador, Brady Corbet – mais conhecido como ator de filmes como “Melancolia”, “Acima das Nuvens” e “Enquanto Somos Jovens” – conquistou dois importantes prêmios no Festival de Veneza: “Melhor Realizador” e “Melhor Primeiro Filme”.                                           
 
              
 

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Mesmo com uma trama inverossímil demais e um personagem que parece ter saído de uma história em quadrinhos – só faltou a fantasia de super-herói – “O CONTADOR” (“The Accountant”), 2015, EUA, funciona muito bem como um filme de suspense e ação, garantindo um ótimo entretenimento. Christian Wolff (Ben Affleck) é o tal personagem. Desenvolveu a Síndrome de Asperger, ou seja, é autista. Filho de pai militar, cresceu aprendendo artes marciais, tornou-se atirador de elite e, para coroar o currículo, se especializou como contador de organizações criminosas, encarregado de lavar o dinheiro ilícito. Quando assumiu a contadoria de uma empresa chamada Living Robotica, dirigida por Lamar Blackburn (John Lithgow), Wolff virou bonzinho, o mocinho do filme, principalmente depois de conhecer Dana Cummings (Anna Kendrick). Só que passou a ser caçado pela Agência Federal norte-americana depois de ter executado várias pessoas em nome de uma vingança. Dirigido por Gavin O’Connor (“Guerreiro” e “Em Busca da Justiça”), com roteiro de Bill Dubuque, o filme conta ainda com a participação de J.K. Simmons, Jon Bernthal e Cythia Addai-Robinson.                                         
 
              
 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Coincidência trágica, “ATENTADO EM PARIS” (“Bastille Day”), coprodução Inglaterra/França/EUA, estreou nos cinemas franceses um dia antes do atentado de Nice, em julho do ano passado, durante as comemorações do Dia da Bastilha, que resultou na morte de 84 pessoas. O filme foi imediatamente retirado de cartaz e teve o nome mudado para “The Take”. Trata-se de um ótimo filme de ação estrelado pelo brucutu inglês Idris Alba (“Beasts of no Nation”, o primeiro filme produzido pela Netflix). Ele é o agente especial da CIA Sean Briar, recrutado para investigar um atentado terrorista à bomba em Paris, no qual morreram quatro pessoas. Briar descobrirá que o jovem norte-americano Michael Mason (Richard Madden, da série “Game of Thrones”), um habilidoso bateador de carteiras e ladrão de celulares, acabou se envolvendo no crime ao roubar uma sacola de Zoe Naville (Charlotte Le Bon), uma jovem francesa recrutada por nacionalistas radicais que intencionam colocar a culpa nos árabes. Dirigido pelo inglês James Watkins (“A Mulher de Preto”), o filme traz ótimas cenas de ação, principalmente aquela que mostra uma perseguição de tirar o fôlego sobre os telhados da capital francesa. O bom elenco ainda é valorizado pelas presenças de José Garcia e Kelly Reilly. Bom programa para uma sessão da tarde com pipoca.                                        
 
              

 
Representante oficial da Palestina na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, “O ÍDOLO” (“Ya Tayr El Tayer”) conta a história verídica do jovem cantor Mohammed Assaf, que em 2013 saiu de Gaza para vencer o Arab Idol – versão árabe do American Idol – no Cairo Opera House, na capital egípcia. Escrito e dirigido pelo israelense Hany Abu-Assad (dos ótimos “Paradise Now” e “Omar”), o filme pode ser visto em duas partes. A primeira mostra o garoto Assaf (Kaís Attalah) e sua turma querendo montar um grupo musical, sonho desfeito quando Nour, a irmã, fica gravemente doente. Ela sofre de insuficiência renal e precisa de um transplante. Numa das visitas que Assaf faz à irmã no hospital, ela pergunta por que contraiu a doença. Assaf responde que se ela fosse uma criança sueca não ficaria doente dessa forma. “Deve ser por causa das nossas frustrações”. Dá o que pensar. O filme dá um salto para 2012, quando Assaf (agora interpretado por Tawfeek Barhom) trabalha como motorista de táxi. Nessa parte, o diretor Abu-Assad explora a situação de calamidade vivida pela população de Gaza, com imagens de bairros inteiros destruídos pelos ataques de Israel. O desfecho, é claro, reproduz a vitória de Assaf no Arab Idol, com direito a imagens do verdadeiro cantor no dia em que venceu a disputa, tornando-se um grande herói para o povo palestino. Enfim, um filme biográfico e musical com pano de fundo político, com alguns momentos sensíveis e até comoventes, principalmente na primeira fase. Mas está longe de ser um grande filme ou merecedor de um Oscar.