
sábado, 4 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017


terça-feira, 24 de janeiro de 2017
“COME AND FIND ME” (na tradução literal, “Venha me
Encontrar”), EUA, 1h52min, 2016, escrito e dirigido por Zack Whedon (seu filme
de estreia). Trata-se de um suspense centrado no designer gráfico David (Aaron
Paul), que um dia conhece a fotógrafa Claire (Annabelle Wallis). Os dois se
apaixonam e acabam morando juntos. Claire tem um comportamento misterioso. Não revela
sua origem, não fala dos pais e nem da família. Seu passado é um enigma. Não
mais que de repente, Claire some do mapa sem deixar pistas, deixando David
desesperado. Ele começa a investigar o sumiço da amada por conta própria, o que
vai lhe acarretar uma série de problemas, inclusive físicos. David é agredido
por um amigo do casal, é detido e espancado por uma gangue numa loja de autopeças,
tem sua casa invadida por um intruso e, por fim, terá de enfrentar um estranho
que se diz agente do governo norte-americano. David finalmente descobre que
Claire esconde uma identidade secreta e um passado pra lá de misterioso. O roteiro é muito fraco, não explica, por
exemplo, a ligação de Claire com as pessoas que passam a perseguir David. O
desfecho, então, é ainda mais inexplicável. Nem com muita boa vontade dá para
recomendar.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
“INDIGNAÇÃO” (“Indignation”), EUA,
2016, primeiro filme escrito e dirigido por James Schamus, mais conhecido como
produtor e roteirista. A história é inspirada no romance homônimo escrito por Philip
Roth. Início dos anos 50, o jovem Marcus Messner (Logan Lerman, da franquia “Percy
Jackson”) consegue se livrar do recrutamento para a Guerra da Coreia
ingressando na conservadora Universidade Winesburg, em Ohio. Aqui, enfrentará o
preconceito por ser judeu num ambiente fervorosamente católico, se defrontará
com o rigoroso reitor Caudwell (Tracy Letts) em longas discussões por causa dos
seus posicionamentos e ainda conhecerá a aparentemente recatada Olivia Hutton
(Sarah Gadon), a bela estudante pela qual se apaixonará, embora ela seja
conhecida como “A Rainha do Boquete”. Marcus
se rebela contra o cenário de repressão moral da Universidade, enfrentando os
interrogatórios feitos pelo reitor Caudwell como se estivesse num tribunal. Esses
diálogos, com boas pitadas de erudição, valorizam e dão um sabor especial ao
filme. Se houvesse um selo de qualidade intelectual, eu certificaria “Indignação”.
A crítica especializada ficou dividida. Eu gostei muito e recomendo para quem curte cinema de qualidade.
“CAPITÃO FANTÁSTICO” (“CAPITAIN FANTASTIC”), EUA,
2016, roteiro e direção do Matt Ross. Lendo a sinopse, pensei que assistiria a uma
aventura juvenil ao estilo da Disney. Que nada! O filme, embora com um elenco recheado
de adolescentes e crianças, apresenta em seu desenrolar temáticas adultas,
principalmente nos diálogos afiados, inteligentes e, acima de tudo, muito
bem-humorados. O enredo é um tanto inverossímil – alguém criaria seus filhos,
hoje em dia, dentro de uma floresta? -, mas a história é tão bem trabalhada que
a gente deixa passar. Ben (Viggo Mortensen) vive com seus seis filhos no
interior de uma floresta selvagem do Pacífico Norte. Ele submete a turma a um rigoroso
treinamento diário, que inclui sobrevivência na selva, defesa pessoal,
alpinismo e primeiros socorros, entre outras práticas. Ao mesmo tempo, Ben ensina
filosofia, religião, política, biologia e física quântica, além dos ensinamentos
baseados na sociedade idealizada pelo pensador norte-americano Noam Chomsky. Por
causa da morte da mãe, Ben os filhos são obrigados a pegar a estrada para o
funeral com o objetivo de não deixar enterrar o corpo, e sim cremá-lo, como era
o desejo da falecida, budista de carteirinha. O filme entra numa fase road-movie. O choque com a dita civilização rende os momentos mais
hilariantes, principalmente quando a turma visita a casa de parentes. Resumindo:
o filme é encantador, comovente e divertido. Ou seja, imperdível!
domingo, 22 de janeiro de 2017
Sem dúvida,
o melhor filme nacional dos últimos anos. Para a ABRACCINE (Associação
Brasileira de Críticos de Cinema), o melhor filme brasileiro de 2016. Além
disso, o drama “AQUARIUS” consagra
em definitivo o talento de Sonia Braga. Com uma atuação espetacular, ela é a
alma do filme. Vamos à história: a jornalista e escritora aposentada Clara
(Sonia) mora há muitos anos num aconchegante apartamento no antigo edifício “Aquarius”,
na Avenida Boa Viagem, em frente ao mar do Recife. Viúva, três filhos adultos e
alguns netos, Clara vive solitária e rodeada de estantes de livros e discos de
vinil. Todos os seus vizinhos fizeram acordo com uma construtora, que pretende
demolir o imóvel e construir um novo edifício. Menos Clara. Mesmo com as ofertas
irrecusáveis, ela está irredutível. E vai lutar bravamente contra a
construtora, que passa a utilizar métodos nada amigáveis para convencê-la a
aceitar suas propostas. Clara é uma personagem fascinante e explorada com muita
competência pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, também autor do
roteiro. Este é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Som ao Redor”.
Entre as grandes sacadas de Kleber está a trilha sonora, recheada de antigos
sucessos nas vozes de Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil e,
principalmente, Taiguara cantando “Hoje”. Emoção pura. O filme foi selecionado para
a mostra competitiva do Festival de Cannes 2016, durante o qual o elenco
protagonizou um patético protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.
sábado, 21 de janeiro de 2017
“ALWAYS SHINE” (a tradução literal é “Sempre
Brilhe”, mas não sei como chamará por aqui, se chegar), 2016, EUA, 85 minutos.
Trata-se de um filme com a pretensão de ser suspense, mas não passa de um drama
dos mais medíocres. Beth (Caitlin Fitzgerald) e Anna (Mackenzie Davis) são
grandes amigas e atrizes em busca de bons papéis no cinema. Beth é mais bem
sucedida, o que faz com que Anna morra de inveja. O clima entre as duas fica
ruim e então elas resolvem aparar as arestas num final de semana numa casa de
campo nas montanhas de Big Sur, na Califórnia. O que era para ser uma
reconciliação da amizade vira uma verdadeira guerra psicológica, aumentando o clima de tensão entre as duas. É o segundo filme dirigido pela
atriz Sophia Takal, com roteiro assinado por Lawrence Michael Levine, seu
marido. A história é fraca, mal contada, o filme se arrasta sem nada acontecer
até perto do desfecho, os diálogos são de uma profundidade milimétrica, coroando
um filme de mediocridade quilométrica. Nada mais a acrescentar, a não ser um
conselho: passe longe!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
“O PIROMANÍACO” (“PYROMANEN”), 2016, Noruega,
roteiro e direção de Erik Skjoldbjaerg, é um suspense inspirado no romance
policial “Far Jeg Brenner Ned”, escrito por Gaute Heivoll. Numa região rural ao
sul da Noruega, várias casas são incendiadas durante a noite, o que mobiliza a brigada
de bombeiros formada por cidadãos voluntários e comandada por Ingemann (Per
Frisch), cujo filho, Dag (Trond Nilssen) também faz parte. A polícia local
começa a investigar as ocorrências e as primeiras suspeitas dão conta de que
pode ser obra de algum piromaníaco vindo de fora. O maluco começa a ficar mais
ousado. De início, só incendiava casas vazias. Depois, com gente dentro. A
caçada ao autor dos incêndios aumenta cada vez mais e você acha que o mistério
só será resolvido no final. Ledo engano. Já na metade do filme, o espectador
fica sabendo quem é o verdadeiro culpado, o que de fato acaba amenizando o
clima de suspense. A partir daí, o diretor explora o aspecto psicopatológico do
piromaníaco, tentando explicar porque está agindo dessa forma. Para mim, a
explicação não acabou muito convincente. O desfecho enigmático também não me
agradou. Por esse, não ponho minha mão no fogo. A estreia do filme aconteceu durante a mostra Contemporary World
Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2016, sem provocar muito
entusiasmo tanto nos críticos quanto no público. Do mesmo diretor norueguês,
recomendo “Mergulho Profundo” (2013), este sim um ótimo suspense.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
“A QUALQUER CUSTO” (“Hell or High Water”), EUA, foi
exibido pela primeira vez em maio do ano passado no Festival de Cannes 2016.
Recebeu muitos elogios da crítica especializada, que o considerou o melhor “neo-western” (faroeste moderno) dos
últimos anos. O roteiro é assinado por Taylor Sheridan (“Sicario: Terra de
Ninguém”) e a direção é do cineasta escocês David Mackenzie (“Encarcerado” e “Sentidos
do Amor”). Ambientada no interior do Texas, a história é centrada nos irmãos
Howard, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que começam a praticar
assaltos a bancos. Tanner, recém-saído da prisão, onde cumpriu pena de 10 anos,
quer dinheiro para gastar em cassinos e com mulheres. Ou seja, tirar o atraso
do tempo em que ficou trancafiado. Toby, o mais contido, quer juntar dinheiro
para saldar dívidas do rancho da família e garantir o pagamento de pensão aos
dois filhos, que moram com a ex-mulher. Quem vai atrás da dupla é o policial Marcus
Hamilton (Jeff Bridges), à beira da aposentadoria, e seu assistente de origem
mexicana Alberto (Gil Birmingham). A perseguição se transforma num verdadeiro road-movie pelas estradas empoeiradas do
Texas, que parecem não ter mudado muito em comparação com aquelas que eram
mostradas nos antigos faroestes. Só que agora não são mais os cavalos que levam
os bandidos e os mocinhos e sim potentes veículos off-road. Além de ação, o filme ainda tem bom humor, principalmente nos diálogos entre Marcus e seu auxiliar mexicano, recheados de comentários preconceituosos. Embora tenha gostado do filme, achei o desfecho um tanto
forçado. Assista e veja se não tenho razão.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Aos 80
anos de idade, autor de 48 filmes, devidamente consagrado como um dos maiores
cineastas da atualidade e ainda em grande forma, Woody Allen acerta mais uma vez em “CAFÉ SOCIETY”, 2016, talvez seu melhor filme dos últimos anos. Além de ter escrito o roteiro e
dirigido, Allen também é o narrador da história, ambientada nos anos 30 do
século passado. O jovem Bobby (Jesse Eisenberg), de família judia, resolve sair
de Nova Iorque rumo a Los Angeles acalentando o sonho de trabalhar como
escritor em Hollywood. Ele tem um trunfo para isso: seu tio, Phil Stern (Steve
Carrell), é um poderoso agenciador de artistas. Para começar, Bobby aceita o
trabalho de mensageiro do escritório de Phil. Aqui, trabalha como secretária a
jovem Vonnie (Kristen Stewart), pela qual Bobby se apaixona. Está formada a confusão,
pois Vonnie tem um namorado famoso que quer casar com ela. A situação acaba sendo
não muito favorável a Bobby, que volta para Nova Iorque e vai trabalhar na
boate de luxo dirigida pelo irmão Ben, ligado a uma turma de gângsters. Com seu
trabalho na boate, Bobby acaba conhecendo Veronica (a loiraça Blake Lively),
por quem também se apaixona. A chegada de Vonnie a Nova Iorque, alguns anos
depois, vai perturbar a cabeça de Bobby. O estilo verborrágico do diretor, com diálogos inteligentes e irônicos, continua marcante no estilo do diretor. O filme apresenta ainda uma primorosa
recriação de época no que diz respeito a cenários e figurinos, com muita classe
e glamour, tudo isso valorizado pela fotografia do mestre italiano Vittorio
Scoraro. Como já é hábito em quase todos os filmes de Allen, a trilha sonora é
repleta de jazz tradicional, o que torna o filme ainda mais delicioso.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Vencedor
do Globo de Ouro/2017 como Melhor Filme Estrangeiro, o drama francês “ELLE” desponta como o principal favorito a
conquistar o Oscar na mesma categoria. Além disso, Isabelle Huppert, que
interpreta a principal protagonista, recebeu o prêmio como Melhor Atriz em
Drama. Dirigido pelo veterano cineasta holandês Paul Verhoevan (“A Espiã”, “Instinto
Selvagem”), o filme é centrado na empresária Michèle Leblanc (Huppert), executiva
de uma empresa de videogames. Ela mora sozinha num casarão, que um dia é
invadido por um sinistro homem com máscara de esqui. Michèle é agredida e estuprada,
mas não vai à polícia denunciar o fato. Ela relata o ocorrido num jantar íntimo
com o ex-marido e amigos. Para surpresa de todos, Michèle conta o que aconteceu
de forma natural, como se contasse uma visita ao supermercado. Michèle é assim,
uma personagem controversa, fria, neurótica e, de certa forma, malévola,
personalidade de alta complexidade moldada por uma terrível tragédia ocorrida quando era apenas uma
adolescente. O roteiro do filme, assinado por David Birke, foi inspirado no romance
“OH...”, escrito por Phillippe Djian, e reúne situações de vários gêneros
cinematográficos, como suspense, sedução e pitadas bem dosadas de humor negro.
Mas o grande trunfo do filme realmente é o desempenho magistral de Isabelle
Huppert. Ainda estão no elenco Laurent Lafitte, Anne Consigny, Virginie Efira,
Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Christian Berkel e Charles Berlin. Um filme sem
dúvida desconcertante e,
ao mesmo tempo, espetacular. Cinema da melhor qualidade. Simplesmente imperdível!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Joe
Albany foi um pianista norte-americano de jazz dos mais conceituados. Entre as décadas de 40 e
70, gravou vários discos e tocou com Lester Young, Benny Carter, Charlie Parker
e Joe Venuti, entre outras feras do jazz. O drama “A DECADÊNCIA DE JOE ALBANY” (“LOW DOWN”), 2015, EUA, ambienta a
história do músico na década de 70, segundo lembranças relatadas num livro
escrito pela filha do músico, Amy-Jo Albany, que depois escreveria o roteiro do
filme, juntamente com Topper Lilien. A direção coube a Jeff Preiss, mais
conhecido pelos seus documentários, um deles dedicado ao músico, cantor e
compositor Chet Baker. Abandonada pela mãe alcoólatra aos seis anos de idade,
Amy-Jo foi criada por Joe num ambiente nada saudável de músicos desempregados,
prostitutas e, como o pai, viciados em drogas pesadas, como a heroína. Joe e a filha viviam num quarto
de pensão na periferia de Hollywood, onde o músico ensaiava e reunia amigos
para algumas jams sessions. Amy-Jo,
então uma garota adolescente, delirava com as performances do pai, cuja relação
era de pura veneração quase incestuosa. Ela chegou até a se prostituir para
comprar heroína para o pai. O desempenho do elenco é espetacular, a começar por
John Hawkes como Joe Albany. Elle Fanning como Emy-Jo também dá um show de
interpretação, assim como Glenn Close, a avó paterna, e Lena Headey, como a mãe
alcoólatra. Um filmaço!
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
“9 DE ABRIL” (“9.april”), 2015,
Dinamarca, 93 minutos, direção de Roni Ezra. No dia 9 de abril de 1940, as
tropas alemãs de Hitler invadem a Dinamarca e a Noruega na chamada “Operação
Weserübung”. O filme foca a invasão da Dinamarca e os esforços de seu exército
para conter o avanço dos nazistas. A história é esclarecedora com relação ao
despreparo dos soldados dinamarqueses. Quando a notícia da invasão chega aos
quartéis, o exército é mobilizado. Cabe ao 2º Batalhão de Bicicletas, comandado
pelo Tenente Sand (Pilou Asbak), a missão de deter as tropas invasoras na
fronteira até que cheguem reforços de outras partes do país. Só que os
dinamarqueses não imaginavam o poderio dos alemães, que chegaram com milhares
de soldados apoiados por blindados, tanques e aviões. Os jovens soldados dinamarqueses,
despreparados para o combate e com munição contada – 40 balas de fuzil para cada
um -, não tiveram a mínima chance contra o poderoso e bem armado exército
alemão. Apesar disso, lutaram bravamente e, no final, sem os reforços
aguardados, tiveram de se entregar. Para aumentar sua decepção, também souberam
que o governo dinamarquês havia se rendido horas antes. Produzido para exibição
na TV dinamarquesa, o filme apresenta ótimas cenas de batalha e muita tensão. Nos
créditos finais, o diretor acrescentou depoimentos de soldados que participaram
daquele combate. Recomendo para quem gosta de filmes de guerra e curte fatos
históricos.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Depois de
conquistar o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro com “Paradise Now”, em
2006, o diretor israelense Hany Abu-Assad ganhou prestígio no meio cinematográfico
e foi parar em Hollywood, onde dirigiu “Entrega de Risco”, um filme de ação
mediano. Em 2013, ele escreveu e dirigiu “OMAR”, este sim
um filmaço. Tanto que, após sua exibição no Festival de Cannes daquele ano, foi
aplaudido de pé por 5 minutos. Palmas merecidas, pois realmente é um filme de
grande impacto. Conta a história de Omar (Adam Bakri), um jovem padeiro que
vive pulando o muro que divide o lado palestino de Israel para ver os amigos e
flertar com Nadia (Leem Lubany). Um dia, Omar acaba detido por uma patrulha de
Israel, sendo humilhado e espancado pelos soldados. Ele se revolta e combina
uma vingança com os amigos Amjad (Samer Bicharat) e Tarek (Eyad Hourani), que resulta
no assassinato de um soldado israelense. Omar é preso e torturado para entregar
quem deu o tiro no soldado. A partir daí, uma série de intrigas envolve o rapaz, incluindo
a desconfiança de Nadia e seus amigos de que ele agiu como traidor. Esse
conflito acompanhará Omar até o desfecho surpreendente. O diretor acerta ao retratar
uma realidade bastante desconfortável nos territórios palestinos ocupados por
Israel, onde as pessoas, tanto de um lado como do outro, vivem num constante
clima de forte tensão. Abu-Assad acertou também ao escalar nos papéis
principais alguns excelentes atores novatos. Somando tudo isso, um filme imperdível!
domingo, 8 de janeiro de 2017
“UM DIA PERFEITO” (“Um Día Perfecto”), 2015,
Espanha, roteiro e direção de Fernando Léon de Aranda. A história é ambientada no
final dos anos 90 em algum lugar dos Bálcãs, quando o conflito étnico na ex-Iugoslávia
caminhava para o seu final e mostra o cotidiano de uma equipe de voluntários de
uma organização humanitária. Da equipe fazem parte o porto-riquenho Mambrú
(Benício Del Toro), a francesa Sophie (Mélanie Therry), o norte-americano B
(Tim Robbins) e o sérvio Damir (Fedja Stukan), guia e intérprete. Seu trabalho
é supervisionado pelo pessoal das Nações Unidas, que recruta a croata Katya
(Olga Kurylenko) para coordenar os trabalhos da equipe humanitária. Entre as
missões do grupo está o resgate do cadáver de um homem atirado no único poço de
água de uma cidade com o objetivo de contaminá-la. Para retirar o corpo, porém,
será necessária a utilização de uma corda. Lutando contra todo tipo de dificuldade,
incluindo a falta de cordas e os entraves burocráticos da ONU, a equipe terá de
se desdobrar para cumprir a difícil missão. Para amenizar o contexto dramático
da trágica guerra, Aranda impõe um tom irônico aos diálogos, acrescentando
altas doses de humor negro, como nas cenas em que o comboio da equipe é obrigado a desviar de vacas mortas na estrada sem saber para que lado devem ir para evitar as minas. Além disso, o pop impera na trilha sonora, com
Marilyn Mason, Lou Reed e Ramones. O filme estreou no Festival de Cannes 2015 e
ganhou elogios da crítica especializada. Do mesmo diretor, gostei muito mais de
“Segunda-feira ao Sol”, um retrato dramático do desemprego na Espanha no início
deste século.
“A INFÂNCIA DE UM LÍDER” (“THE CHILDHOOD OF A LEADER”), 2015, EUA,
roteiro e direção de Brady Corbet. Confesso que demorei um tempo para assimilar
o choque pela novidade estética proporcionada pelo jovem ator norte-americano de 28 anos e agora
diretor Brady Corbet, em seu primeiro longa-metragem. Trata-se de um filme que
passa longe de qualquer apelo comercial. Ou seja, é um filme difícil de
digerir, lento e um tanto soturno, com a utilização de uma fotografia em tons
esmaecidos, opacos, e uma trilha sonora que aumenta o já dominante clima de
tensão. A história foi inspirada no conto “A Infância de um Líder”, do filósofo
Jean Paul Sartre, e no romance “The Magus”, de John Robert Fowles. Um
representante do governo dos EUA chega à Europa, com a esposa e o filho, para
coordenar os trabalhos que resultarão no Tratado de Versalhes, que pôs fim à
Primeira Grande Guerra. Embora o pano de fundo seja a situação política da
Europa no pós-guerra, o enredo destaca a situação familiar vivida pelo
representante norte-americano (Liam Cunningham). Casado com uma mulher fria,
infeliz e inescrupulosa (Bérénice Bejo), ele tem dificuldades para educar o filho,
Prescott (Tom Sweet), que se mostra rebelde e sempre contraria as ordens do pai
e da mãe. O garoto não aceita ingerências, quer mandar na casa. Enfim, está
nascendo um verdadeiro tirano fascista. Talvez seja esta a principal e mais
evidente metáfora da história, como o desfecho ressalta ao mostrar um grande
líder (Robert Pattinson) sendo aclamado pelo povão em delírio, como aconteceria
pouco depois com Mussolini e Hitler. Por seu trabalho criativo e inovador,
Brady Corbet – mais conhecido como ator de filmes como “Melancolia”, “Acima das
Nuvens” e “Enquanto Somos Jovens” – conquistou dois importantes prêmios no
Festival de Veneza: “Melhor Realizador” e “Melhor Primeiro Filme”.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Mesmo com
uma trama inverossímil demais e um personagem que parece ter saído de uma
história em quadrinhos – só faltou a fantasia de super-herói – “O CONTADOR”
(“The Accountant”), 2015, EUA, funciona muito bem como um filme de
suspense e ação, garantindo um ótimo entretenimento. Christian Wolff (Ben Affleck)
é o tal personagem. Desenvolveu a Síndrome de Asperger, ou seja, é autista. Filho
de pai militar, cresceu aprendendo artes marciais, tornou-se atirador de elite
e, para coroar o currículo, se especializou como contador de organizações
criminosas, encarregado de lavar o dinheiro ilícito. Quando assumiu a
contadoria de uma empresa chamada Living Robotica, dirigida por Lamar Blackburn
(John Lithgow), Wolff virou bonzinho, o mocinho do filme, principalmente depois
de conhecer Dana Cummings (Anna Kendrick). Só que passou a ser caçado pela
Agência Federal norte-americana depois de ter executado várias pessoas em nome
de uma vingança. Dirigido por Gavin O’Connor (“Guerreiro” e “Em Busca da
Justiça”), com roteiro de Bill Dubuque, o filme conta ainda com a participação
de J.K. Simmons, Jon Bernthal e Cythia Addai-Robinson.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Coincidência
trágica, “ATENTADO EM PARIS” (“Bastille
Day”), coprodução Inglaterra/França/EUA, estreou nos cinemas franceses um dia antes
do atentado de Nice, em julho do ano passado, durante as comemorações do Dia da
Bastilha, que resultou na morte de 84 pessoas. O filme foi imediatamente retirado de cartaz e teve o nome mudado
para “The Take”. Trata-se de um ótimo filme de ação estrelado pelo brucutu
inglês Idris Alba (“Beasts of no Nation”, o primeiro filme produzido pela
Netflix). Ele é o agente especial da CIA Sean Briar, recrutado para investigar
um atentado terrorista à bomba em Paris, no qual morreram quatro pessoas. Briar
descobrirá que o jovem norte-americano Michael Mason (Richard Madden, da série
“Game of Thrones”), um habilidoso bateador de carteiras e ladrão de celulares, acabou
se envolvendo no crime ao roubar uma sacola de Zoe Naville (Charlotte Le Bon),
uma jovem francesa recrutada por nacionalistas radicais que intencionam colocar
a culpa nos árabes. Dirigido pelo inglês James Watkins (“A Mulher de Preto”),
o filme traz ótimas cenas de ação, principalmente aquela que mostra uma
perseguição de tirar o fôlego sobre os telhados da capital francesa. O bom
elenco ainda é valorizado pelas presenças de José Garcia e Kelly Reilly. Bom
programa para uma sessão da tarde com pipoca.
Representante oficial da Palestina na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, “O ÍDOLO” (“Ya Tayr El Tayer”) conta a
história verídica do jovem cantor Mohammed Assaf, que em 2013 saiu de Gaza para
vencer o Arab Idol – versão árabe do American Idol – no Cairo Opera House, na
capital egípcia. Escrito e dirigido pelo israelense Hany Abu-Assad (dos ótimos “Paradise
Now” e “Omar”), o filme pode ser visto em duas partes. A primeira mostra o
garoto Assaf (Kaís Attalah) e sua turma querendo montar um grupo musical, sonho
desfeito quando Nour, a irmã, fica gravemente doente. Ela sofre de
insuficiência renal e precisa de um transplante. Numa das visitas que Assaf faz
à irmã no hospital, ela pergunta por que contraiu a doença. Assaf responde que
se ela fosse uma criança sueca não ficaria doente dessa forma. “Deve ser por
causa das nossas frustrações”. Dá o que pensar. O filme dá um salto para 2012,
quando Assaf (agora interpretado por Tawfeek Barhom) trabalha como motorista de
táxi. Nessa parte, o diretor Abu-Assad explora a situação de calamidade vivida
pela população de Gaza, com imagens de bairros inteiros destruídos pelos
ataques de Israel. O desfecho, é claro, reproduz a vitória de Assaf no Arab
Idol, com direito a imagens do verdadeiro cantor no dia em que venceu a disputa,
tornando-se um grande herói para o povo palestino. Enfim, um filme biográfico e
musical com pano de fundo político, com alguns momentos sensíveis e até
comoventes, principalmente na primeira fase. Mas está longe de ser um grande
filme ou merecedor de um Oscar.
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