domingo, 21 de agosto de 2016

“AVE, CÉSAR!” (“Hail, Caesar!”), 2015, EUA, direção e roteiro dos irmãos Ethan e Joel Coen. Trata-se de uma comédia tendo como pano de fundo a indústria cinematográfica. Ambientada nos anos 50, época de ouro de Hollywood, a história é centrada em Edward Mannix (Josh Brolin), principal assistente do estúdio Capitol Pictures. Mannix é uma espécie de relações-públicas, encarregado de zelar pela imagem dos seus principais artistas. Sua missão mais difícil será descobrir o paradeiro do astro Baird Whitlock (George Clooney), sequestrado em meio às filmagens do épico “Hail, Caesar!”. Além disso, é obrigado a escutar as reclamações de diretores e produtores com relação a atores e atrizes incompetentes, além de lidar com uma colunista de fofocas, representada em dose dupla por Tilda Swinton. A comédia é uma sátira inteligente sobre os bastidores nem sempre glamorosos de Hollywood. Ao mesmo tempo, os irmãos Coen fazem uma homenagem à época de ouro do cinema norte-americano (anos 40/50), evocando, inclusive, os musicais de Esther Williams (coreografias na piscina) e Gene Kelly. Aqui, cabe destacar o talento de cantor e dançarino do ator Channing Tatum. Dois outros grandes destaques do filme são os ótimos desempenhos de Josh Brolin e George Clooney, este perfeito como o ator cínico e canastrão sequestrado por uma organização chamada “Futuro”. Ainda estão no elenco Alden Ehrenreich, Scarlett Johansson, Frances McDormand, Christopher Lambert e Ralph Fiennes. Diversão garantida e da melhor qualidade!                

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Maior sucesso de bilheteria nos últimos anos na Argentina, “O CLÔ (“El Clã”), 2015, é mais um ótimo filme assinado pelo diretor Pablo Trapero. O drama argentino, baseado em fatos reais, conta a história da família Puccio, cujo patriarca, Arquímedes (Guillermo Francella), planejou e executou diversos sequestros no período de 1983 a 1985, utilizando sua própria casa como cativeiro das vítimas. Vítimas, aliás, que eram assassinadas mesmo depois do pagamento do resgate. Para colocar em prática seus crimes, Arquímedes contava com a colaboração de dois de seus filhos, Alejandro (Peter Lanzano) e Daniel “Maguila” (Gastón Cocchiarale), além de dois ex-oficiais do exército argentino, assim como ele, ligados ao governo na época da ditadura. Arquímedes, por exemplo, era membro do Serviço de Inteligência da Força Aérea e integrante da Anti-Aliança Comunista Argentina. A esposa de Arquímedes fingia que não sabia de nada, assim como as filhas. Embora relate uma história sórdida e macabra, o filme é excelente, roteiro enxuto e elenco de primeira. Seu lançamento mundial aconteceu no Festival de Veneza 2015. Logo depois, seria selecionado para representar a Argentina no Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Mais um gol de placa de Pablo Trapero, diretor de filmes excelentes como “Elefante Branco”, “Abutres” e “Leonera”.              

terça-feira, 16 de agosto de 2016

 

“JOGO DO DINHEIRO” (“MONEY MONSTER”), 2015, EUA, direção da atriz Jodie Foster, tem como pano de fundo as falcatruas do mercado financeiro – leia-se Wall Street. Depois de assistir ao programa de TV “Money Monster”, o jovem Kyle Budwell (Jack O’Connell) seguiu as dicas do apresentador Lee Gates (George Clooney) e investiu todas as suas economias (U$ 60 mil) na compra de ações de uma grande empresa de tecnologia. Perdeu tudo e resolveu se vingar justamente do apresentador de TV. E, pior, ao vivo. Ele entra no estúdio com um revólver, obriga Lee Gates a colocar um colete recheado de explosivos e ameaça ir junto pelos ares se o apresentador não explicar o que aconteceu. Patty Fenn (Julia Roberts), produtora do “Money Monster”, manda tirar o programa do ar, mas Kyle exige que tudo seja transmitido ao vivo. A audiência, claro, foi lá pra cima, pois o país inteiro não desgrudou da telinha. Enquanto alguém da tal empresa de tecnologia não explicasse o rombo de U$ 800 milhões que derrubou o valor das ações, Kyle continuaria mantendo apresentador, câmeras e técnicos de estúdio como reféns. Até o desfecho, portanto, muita ação e suspense para garantir o entretenimento. O filme comprova que Jodie Foster, além de excelente atriz, é uma ótima diretora, como já havia demonstrado no primeiro filme que dirigiu, em 1991, “Mentes que Brilham”.                

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Decidi rever, comentar e indicar o ótimo drama israelense “A MISSÃO DO GERENTE DE RECURSOS HUMANOS” (em inglês, ganhou o título “The Human Resources Manager”), 2011, escrito e dirigido por Eran Riklis. Nesta segunda vez, ficou ainda melhor. A história, inspirada no livro “A Woman in Jerusalem”, de Abraham B. Jehoushua, é ambientada em 2002 e centrada no gerente de Recursos Humanos da maior panificadora de Jerusalém (Mark Ivanir, ótimo). Um atentado à bomba ocorre na cidade e entre as vítimas fatais está uma imigrante romena que trabalhava na empresa. Só que seu corpo ficou três dias no necrotério, sem que ninguém providenciasse sua identificação nem sua remoção. Um jornal sensacionalista acusou a direção da panificadora de ter negligenciado sua funcionária e aí o gerente de RH é obrigado a entrar em ação para garantir que a imagem da empresa não seja afetada. Esse trabalho envolve não apenas o reconhecimento do cadáver no necrotério (numa cena hilariante), como também providenciar a remoção do caixão para a cidade da Romênia onde vivem a mãe, o ex-marido e o filho adolescente da falecida. A partir daí, o filme vira um road movie pelo interior da Romênia, onde a burocracia reinante dificulta ainda mais o trabalho do gerente de Recursos Humanos. Apesar do fundo dramático, o filme é recheado de bom humor, o que valoriza ainda mais esse ótimo entretenimento. Do diretor israelense Eran Riklis, recomendo também “Lemon Tree” e “A Noiva Síria”.          
O diretor italiano Matteo Garrone, dos ótimos “Reality – A Grande Ilusão” e “Gomorra” – ambos premiados com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes – adaptou para o cinema três contos do livro “Lo Cunto de li Conti”, escrito por Giambattista Basile (1566/1632), e os reuniu no filme “O CONTO DOS CONTOS” (“Il Racconto dei Racconti”), 2015, Itália. As histórias são ambientadas em três reinos diferentes. A primeira delas no reino de Longtrellis, onde a rainha (Salma Hayek) quer um filho, mas não consegue engravidar. Para conseguir esse sonho, um mago recomenda que a rainha coma o coração de um monstro marinho, cozido por uma virgem. A missão de matar o bicho sobrou para o rei (John C. Reilly). A segunda história é ambientada no reino de Strongcliff, onde o rei (Vincent Cassel) se apaixona pelo canto de uma mulher que ele só consegue ver de longe. Só que a mulher é uma velha decrépita, suja e feia. A outra fábula acontece no reino de Highhills. O rei (Tobi Jones, de “Capote”) cria uma pulga que se alimenta do seu sangue e vira um bicho enorme. A filha do rei quer casar e resolve promover um torneio para achar um marido para ela. Quem ganha o direito de se casar com a princesa é nada menos do que um ogro. No filme, as histórias são desenvolvidas alternadamente, sem ligação uma com as outras. O clima de fantasia, de conto de fadas, impera durante toda a projeção, com alguns efeitos especiais muito bem feitos, proporcionando um entretenimento dos mais agradáveis. Apesar da produção italiana, o filme, que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2015, é todo falado em inglês. Diversão garantida!            

sábado, 13 de agosto de 2016

“CEM ANOS DE PERDÃO” (“Cien Años de Perdón”), Espanha, 2015, direção de Daniel Caparsoro (“Apaches”). O título é uma clara referência ao velho ditado popular “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. A história gira em torno de um assalto a um grande banco da cidade de Valência. O plano da gangue é fazer reféns, roubar tudo que for possível e depois fugir fazendo um buraco no chão e alcançar um túnel de uma estação de metrô abandonada. O plano perfeito. Só faltou combinar com São Pedro, pois começou a cair uma chuva torrencial que em menos de uma hora inundou completamente o túnel, impossibilitando a fuga. Sem contar com um plano B, os assaltantes resolveram ganhar tempo negociando com a polícia. Em meio a toda essa confusão descobre-se que o assalto teria sido encomendado com o objetivo de resgatar um disco rígido com documentos que comprometem o primeiro-ministro espanhol. O governo resolve então acionar o serviço secreto, que a partir de então assume o comando das negociações com os assaltantes. O filme mantém um bom ritmo de suspense do começo ao final e jamais cai na monotonia. É claro que você vai querer ver até o fim para conferir como tudo vai terminar. No elenco, os atores mais conhecidos são Luis Tosar, Rodrigo de La Serna, José Coronado e Raúl Arevalo.              

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

“NINA”, EUA, 2015, roteiro e direção da estreante Cynthia Mort. Trata-se da cinebiografia de Nina Simone, diva norte-americana do jazz e do soul que morreu em 2003, aos 70 anos. O filme exalta as qualidades musicais inegáveis de Nina como pianista, cantora e compositora, mas não deixa de explorar também o seu lado negativo. Nina era uma artista arrogante, irascível e, além disso, alcóolatra crônica. Na fase decadente, ela fazia shows em bares e era muito comum parar a música para xingar ou agredir alguém da plateia. Uma espécie de Tim Maia de saias. O filme também destaca o seu relacionamento com Clifton Henderson (David Oyelowo), enfermeiro que conheceu numa clínica de reabilitação e que depois se tornou seu amigo e empresário. A escolha da atriz Zoe Saldana para interpretar Nina causou uma grande polêmica. Isto porque Zoe é bonita e teve que se submeter a uma grossa maquiagem para parecer feia e tão escura quanto Nina. Não deu certo e o resultado acabou decepcionando não apenas os fãs da cantora, como também sua família, que detestou tanto a escolha como o trabalho da atriz. Apesar desse contratempo, o filme tem força dramática e dá uma boa ideia da personalidade da cantora, que também foi uma corajosa ativista contra a segregação racial. A trilha sonora é a cereja do bolo.             
Enquanto assistia “A VINGANÇA ESTÁ NA MODA” (“The Dressmaker”), 2015, roteiro e direção de Jocelyn Moorhouse, fiquei me perguntando o que estão fazendo nesse filme medíocre duas das melhores atrizes da atualidade, como Kate Winslet e Judy Davis (de tantos filmes de Woody Allen). É claro que não obtive resposta, mas cheguei ao final com a mesma impressão: o filme é muito fraco. Trata-se de uma comédia australiana de humor negro, ambientada em 1951, que conta a história de Mirtle “Tilly” Dunnage (Winslet), que ainda adolescente é expulsa de uma pequena vila no sertão da Austrália, acusada de ter cometido um crime. Depois de passar cerca de 20 anos fora, durante os quais fez um curso de estilista em alta costura em Paris, Tilly volta para casa para se confrontar com seus antigos algozes e contar sua versão sobre ao crime pelo qual foi acusada. Além disso, reencontra a mãe, Molly (Judy Davis), que ficou louca e vive na maior sujeira. Somente a moda conseguirá aproximar Tilly das moradoras da vila, o que remete ao título do filme. Alguns personagens estranhos surgem na história, como um policial (Hugo Weaving) que gosta de se vestir de mulher e um velhinho tão encurvado que só consegue enxergar o chão. Tudo muito caricatural, non sense. Se há alguma coisa a se elogiar, destaco o título nacional bem bolado e que condiz com a história, além dos ótimos desempenhos de Winslet e Judy Davis. Muito pouco para justificar a permanência em frente à telinha por 1h58m. O filme foi exibido pela primeira vez no 40º Festival de Toronto (Canadá), em setembro de 2015. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Se você gosta de assistir a um filme com alta dose de sensibilidade – e qualidade -, não perca o drama japonês “SABOR DA VIDA” (“An”), 2015, da diretora Naomi Kawase (“O Segredo das Águas”). É um filme simples, delicado, comovente, cuja história é ambientada numa pequena confeitaria especializada na confecção do tradicional doce japonês Dorayaki – trata-se de uma panqueca recheada com pasta de feijão vermelho. O gerente Sentaro (Masatoshi Nagase) toca o negócio sozinho, preparando os Dorayakis e também atendendo os clientes. Até que um dia aparece Tokue (Kirin Kiki), uma senhora de 76 anos, que se oferece para ajudá-lo. De início, Sentaro se recusa a contratá-la. No dia seguinte, porém, Tokue volta à confeitaria levando sua pasta de feijão para Sentaro experimentar. Ele fica encantado com o sabor, achando a receita maravilhosa. Ele então contrata Tokue, que o ensina a fazer a pasta do seu jeito. O sucesso é imediato e as filas de clientes aumentam a cada dia. Até que alguém percebe que as mãos de Tokue são deformadas por algum tipo de doença, o que chega ao conhecimento da dona da confeitaria, que obriga Sentaro a demitir Tokue. A sensibilidade do filme não está apenas na amizade entre Tokue e Sentaro, mas também nas observações da idosa a respeito da Natureza, principalmente relacionadas a pássaros, cerejeiras e feijões. O filme de Kawase, baseado no livro "An", de Durian Sukegawa, integrou a Mostra “Um Certo Olhar” do Festival de Cannes 2015, além de ter sido exibido por aqui no ano passado durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Impossível não se comover com a interpretação de Kirin Kiki, o que torna o filme ainda mais irresistível. Não perca!
Já que a Olimpíada é o assunto do momento, vale a pena assistir “RAÇA” (“RACE”), 2015, Canadá, direção de Stephen Hopkins. O filme relembra a incrível e fascinante história do corredor norte-americano Jesse Owens (o ator canadense Stephan James), que nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, conquistou quatro medalhas de ouro, contrariando e enfurecendo as autoridades nazistas, que apostavam na supremacia da raça ariana inclusive no esporte. O filme destaca a trajetória de Owens, um negro pobre que sofreu preconceito a vida inteira em seu próprio país, inclusive depois que virou herói olímpico. Num dos episódios mostrados logo após as Olimpíadas, Owens seria o homenageado numa grande recepção em Nova Iorque. Mesmo assim, ele e a esposa são obrigados a entrar pela porta de serviço. O filme também apresenta os fatos que marcaram os bastidores das reuniões do comitê olímpico norte-americano, que até o último momento era contra a participação dos EUA no evento de Berlim. Um de seus integrantes, Avery Brundage (Jeremy Irons), foi a Berlim negociar a participação norte-americana diretamente com Josef Goebbels (Barnaby Metschurat), ministro de propaganda nazista. Ficou acertado, por exemplo, que a Alemanha teria de aceitar negros e judeus na delegação dos EUA. Acordo firmado, mas não cumprido, como o filme mostrará adiante. O filme também destaca o trabalho de Leni Riefenstahl (a atriz holandesa Carice van Houten), a “cineasta de Hitler”. Outro destaque do elenco é Jason Sudeikis, que interpreta Larry Snyder, o primeiro técnico de Owens. O filme ainda apresenta alguns momentos bastante comoventes, como a amizade de Owens com o principal atleta alemão, Carl Long (David Kross). Resumindo, um filmaço!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Depois de conquistar o Oscar de Melhor Ator em 2003 com “O Pianista”, de Roman Polanski, Adrien Brody não emplacou nenhum outro grande sucesso, alternando participações em bons filmes como “Meia-noite em Paris” e “Grande Hotel Budapeste” com outros tantos de qualidade duvidosa, como é o caso do recente “MANHATTAN NIGHT” (ainda sem tradução por aqui), 2015, EUA, roteiro e direção do estreante Brian DeCubellis. A história, inspirada no livro homônimo escrito por Colin Harrison em 1996, é centrada no repórter policial Porter Wren (Brody), famoso pelo toque sensacionalista que dá às reportagens. Durante um coquetel oferecido pelo dono do jornal em que trabalha, Wren conhece a bela e sedutora Caroline Crowley (a atriz australiana Yvonne Strahovski). Mesmo ele sendo casado e ela noiva, os dois começam um caso. Só que, como Wren irá descobrir, Caroline se entregou com outras intenções, relacionadas com a morte misteriosa de seu ex-marido Simon Crowley (Campbell Scott) e uma fita de vídeo que compromete um grande empresário. Wren acaba se envolvendo numa trama que colocará sua vida e a da sua família em perigo. O filme tem um toque de policial noir, com algum suspense e reviravoltas, mas não convence, principalmente pelo roteiro um tanto confuso. Nada que mereça uma indicação entusiasmada, a não ser a presença marcante e estonteante da loiraça Yvonne Strahovski.

domingo, 7 de agosto de 2016

“NON ESSERE CATTIVO” (já vi traduzido em duas versões por aqui, “Não Seja Mau” e “Não Seja Rebelde”), Itália, 2015, direção de Claudio Caligari. Ambientado nos anos 90 em Óstia, distrito litorâneo de Roma, o drama é centrado em Cesare (Luca Marinelli) e Vittorio (Alessandro Borghi), dois amigos trambiqueiros e drogados, que gostam de arrumar encrenca e sair pelas baladas noturnas. São pobres, vivem de roubos e da venda de drogas. Trabalho honesto, nem pensar. Um dia, porém, Vittorio começa a ter visões por causa das drogas e passa a repensar seu modo de vida. Além disso, conhece Linda (Roberta Mattei), por quem se apaixona. Enquanto isso, Cesare não larga as drogas e passa a usar as mais pesadas, apesar dos conselhos da namorada Viviana (Silvia D’Amico) e do amigo Vittorio. Fica na cara que o final de Cesare não será dos melhores. Caligari, autor do roteiro e diretor (morreu logo após o final das filmagens), apresenta um retrato triste e nada animador de jovens sem valores, sem esperança e mais interessados em curtir a vida perigosamente, caindo na marginalidade. Um tipo de juventude nada diferente do que conhecemos por aqui e acolá. Repito: é um filme pesado, quase desagradável. Mesmo assim, foi um dos indicados para representar a Itália na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido premiado em vários festivais internacionais. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

“OS ANARQUISTAS” (“Les Anarchistes”), França, 2015, roteiro e direção de Ellie Wajeman. Paris, 1899: o jovem sargento da polícia Jean Albertini (Tahar Rahim) é encarregado de se infiltrar num grupo de anarquistas. A promessa de uma futura promoção faz Jean aceitar a missão. Ele começa ingressando como trabalhador comum numa fábrica, fazendo amizade com aqueles já conhecidos como militantes da causa anarquista. Integra-se tão bem ao grupo que é convidado para morar junto com os militantes num amplo apartamento. Jean é obrigado a participar das ações do grupo, que compreendem manifestações de protesto nas ruas, reuniões em locais públicos e até roubos. Entre os anarquistas está Judith (Adéle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Albertini. E vice-versa. Até o desfecho, o policial viverá o conflito de entregar a parceira amada. O ator Tahar Rahim, de origem argelina, mais uma vez apresenta uma atuação marcante, ao contrário de Exarchopoulos, cujo desempenho está longe do que se espera de uma atriz considerada uma grande revelação, principalmente depois que atuou no polêmico “Azul é a Cor mais Quente”. A atriz atua no piloto automático, fria e distante, sem qualquer emoção. De qualquer forma, o filme é muito bom, principalmente na recriação de época, através de cenários e figurinos. O filme foi exibido pela primeira vez na abertura da Semana da Crítica do Festival de Cannes 2015.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

“1001 GRAMAS” (“1001 Grams”), 2014, Noruega, direção de Bent Hamer. Com a minha habitual modéstia cinematográfica, confesso que até a metade do filme tentei entender o que estava acontecendo. Na segunda metade, até o final, captei algum sentido na história, mas mesmo assim acabei meio perdido nas elucubrações de Hamer, que já havia escrito e dirigido outros filmes esquisitos, como “Caro Sr. Horten”. O enredo, por si só, já é árido. A cientista Marie (Anne Dahl Torp) trabalha no Instituto de Medidas da Noruega juntamente com seu pai Ernst (Stein Winge), este um renomado cientista. Marie vive um momento difícil pós-separação e está bastante deprimida. Às vésperas de uma conferência científica sobre pesos e medidas em Paris, da qual participaria levando o protótipo do “quilo padrão” da Noruega, Ernst fica doente. Marie, então, é encarregada da missão e embarca para Paris levando o tal protótipo para apresentar na convenção. Não sei se isso acontece de verdade, mas, venhamos e convenhamos, não é um tema de fácil assimilação para nós, mortais e leigos espectadores. A depressiva Marie aparece com cara de profunda tristeza em todas as cenas e só é capaz de um sorriso no desfecho, quando está transando com o amante parisiense e tenta calcular a medida do que está lhe causando tanta satisfação. Ah, pelo menos o título do filme é explicado, mas não vou contar para não estragar a surpresa.     

terça-feira, 2 de agosto de 2016

“EM NOME DA LEI”, nacional, 2015, roteiro e direção de Sérgio Rezende. A história: o juiz federal Vítor (Mateus Solano) chega à cidade (fictícia) de Fronteiras, na fronteira com o Paraguai, disposto a acabar com o contrabando e o tráfico de drogas. Seu alvo principal é o chefão Gomez (Chico Diaz), que manda e desmanda na cidade e na região. Para executar o seu trabalho, Vítor conta com a ajuda da promotora Alice (Paolla Oliveira) e do policial federal Elton (Eduardo Galvão). Só que o juiz federal não é muito dado a estratégias e não aceita conselhos, nem mesmo do policial federal e da promotora, que estão há mais tempo tentando acabar com Gomez. Muita água vai rolar e muita gente vai morrer antes do juiz concluir o seu trabalho. A história é inspirada no juiz federal Odilon de Oiveira, que atuou na cidade de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) e enfrentou sem medo o crime organizado que comandava o contrabando e o tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai. O filme de Sérgio Rezende (“Zuzu Angel”, “Salve Geral”) tem muitos pontos fracos, o mais evidente deles é o romance forçado entre o juiz e a promotora. No elenco, o único que se salva é Chico Diaz na pele do chefão Gomez. De qualquer forma, o filme vale ser visto pelo menos para revitalizar nossas esperanças com relação à justiça em nosso País. Ainda poderemos contar com a luz no fim do túnel enquanto houver juízes como Odilon Oliveira e Sérgio Moro. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

“MENTE CRIMINOSA” (“CRIMINAL”), 2015, direção do israelense Ariel Vromen (“O Homem de Gelo”). Filme inglês de ação e suspense com um elenco de primeira, mas com um resultado final de segunda. Bill Bope (Ryan Reynolds), agente da CIA em Londres (o filme é todo ambientado na capital inglesa), é assassinado durante uma missão. Como seu cérebro guardava segredos importantes relativos a um terrorista internacional, Quaker Wells (Gary Oldman), diretor da CIA, convoca o neurocirurgião Franks (Tommy Lee Jones) para transferir as memórias do cérebro de Bope para Jericho (Kevin Costner), um presidiário violento e psicopata que aguardava sua vez no corredor da morte. De início, a operação não dá certo. E, pior, Jericho consegue fugir. Apesar de algumas boas cenas de ação, nada faz muito sentido, a começar pela escolha de um psicopata para receber as memórias do agente morto. Mais: Jericho começa a ter sentimentos com relação à viúva e à filha do agente falecido e à filha. A cena final, quando todos se encontram num aeroporto, inclusive o vilão, é ainda mais constrangedora. Resumo da ópera: nada funciona, nem o roteiro e muito menos o elenco – a atuação de Gary Oldman, por exemplo, fazendo o tipo histérico, beira o patético. Talvez a “Mente Criminosa” do título faça mais jus aos roteiristas do filme, Douglas S. Cook e David Weisberg. Abacaxi dos mais azedos...   
“FIQUE COMIGO” (“ASPHALTE”), 2015, França, escrito e dirigido por Samuel Benchetrit. O roteiro é baseado no livro escrito pelo próprio Benchetrit, “Les Chroniques de L’Asphalte”. Ambientado num prédio da periferia de Paris, o filme tem como pano de fundo a solidão, só que passa longe de um drama. O humor permeia toda a ação. No primeiro andar mora um tipo esquisito que um dia exagera nos exercícios numa bicicleta ergométrica e perde o movimento das pernas. Acaba numa cadeira de rodas. Só que ele havia se recusado a pagar o conserto do elevador e estava proibido de utilizá-lo. Em meio a esse problema, ele conhece uma enfermeira e se apaixona. Em outro andar do prédio mora uma ex-atriz de cinema agora esquecida que faz amizade com um jovem vizinho. Insegura pela proximidade de um teste, a atriz precisa de uma força psicológica e um ombro amigo, que encontra justamente no vizinho adolescente. Agora vem o momento surreal do filme: a cápsula de um foguete cai no prédio e despeja um astronauta norte-americano, que acaba acolhido no apartamento de uma simpática senhora de origem árabe. Um não fala a língua do outro, mas isso não será problema. Enquanto espera pelo resgate da NASA, o astronauta é mimado pela senhora e os dois acabam ficando amigos. O filme é ótimo, surpreendente pelas situações inusitadas e valorizado por um elenco de primeira: Isabelle Huppert, Michael Pitt, Valéria Bruni-Tedeschi, Gustave Kervern, Tassadit Mandi e Jules Benchetrit (filho do diretor). Programão!    

sexta-feira, 29 de julho de 2016

“UM HOMEM ENTRE GIGANTES” (“CONCUSSION”), 2015, EUA, segundo filme dirigido por Peter Landesman – o primeiro foi “JFK, A História não Contada”. O roteiro foi baseado em fatos reais. Em 2002, ao realizar a autópsia no cadáver de Mike Webster (David Morse), ex-astro do futebol norte-americano que se suicidara, o dr. Bennet Omalu (Will Smith), neuropatologista forense de um hospital de Pittsburg, descobre que o falecido sofria de ETC (Encefalopatia Traumática Crônica), causada pelos impactos na cabeça durante os anos em que jogou futebol profissional. Dr. Omalu pesquisou o assunto e resolveu tornar pública a sua descoberta, contrariando os interesses comerciais e econômicos da poderosa NFL (National Football League). Outros casos semelhantes ao de Mike Webster começam a surgir, dando razão ao dr. Omalu. Mas o show deve continuar. E continuou. A NFL está aí, viva e cada vez mais poderosa. Também estão no elenco Alec Baldwin, Gugu MBatha-Raw e Albert Brooks. O filme é muito bom e a história melhor ainda. Imagine o que o Dr. Omalu teve de enfrentar, ainda mais sendo negro e nigeriano. Só para ilustrar: 90% dos casos de ETC foram constatados em ex-atletas de futebol e boxe. Aqui no Brasil, os casos mais conhecidos são do jogador de futebol Bellini e do boxeador Maguila. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

“UMA CAMINHADA NA FLORESTA” (“A Walk in the Woods”), 2015, EUA, comédia, direção de Ken Kwapis. Depois de duas décadas morando na Inglaterra e viajando por vários países para fazer reportagens sobre roteiros turísticos, o jornalista Bill Bryson (Robertg Redford) retorna aos EUA para curtir uma merecida aposentadoria ao lado da esposa Catherine (Emma Thompson) e dos filhos. Só que um dia, após comparecer ao velório de antigo amigo, Bill chega à conclusão de que ainda não chegou a hora de se entregar à velhice. Ele quer um novo desafio. Resolve, então, partir para uma aventura: enfrentar uma caminhada de 3.500 km pela Trilha dos Apalaches (“Apalachian Trail”). Sua mulher, porém, o aconselha a encarar o desafio com uma companhia. Surge então um antigo colega de colégio, Katz (Nick Nolte), um beberrão gordo e completamente fora de forma. E lá vão eles pela floresta e montanhas afora. Claro que não seguirão à risca o manual do andarilho aventureiro, pois hospedam-se em motéis e pegam caronas na estrada. A história é baseada em fatos reais, relatados no livro “A Walk in the Woods: Rediscovering America on the Appalachian Trail”, de Bill Bryson (o personagem de Redford). O filme é muito divertido. Parece que Redford e Nolte estão realmente curtindo a aventura e se divertindo de verdade nas filmagens. Curioso é ver a grande Emma Thompson num papel tão pequeno. O time de veteranos do elenco é reforçado pela ótima Mary Steenburgen. O diretor Kwapis (“Ela não está tão a fim de Você” e “Licença para Casar”) prova mais uma vez que entende de comédia. Diversão garantida!                                             

terça-feira, 26 de julho de 2016

“NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA”, 2015, segundo filme dirigido por Roberto Berliner (o primeiro foi “Júlio Sumiu”). A história é centrada no trabalho da médica psiquiatra Nise da Silveira, considerada a pioneira da terapia ocupacional no Brasil. O filme é ambientado em 1944, quando Nise (Glória Pires) ingressa no corpo médico do Centro Psiquiátrico Nacional D. Pedro II, no Engenho de Dentro (Rio de Janeiro). Ao descartar os tratamentos violentos da época, como a lobotomia e o eletrochoque, Nise entra em conflito com os outros médicos da clínica. Ela não permite que os doentes sejam chamados de pacientes. “Eles são nossos clientes. Nós é que temos de ser pacientes com eles”, diz ela numa cena. Isolada pelo corpo médico do hospital, ela decide criar o Setor de Terapia Ocupacional, onde monta um ateliê para os doentes esquizofrênicos, os quais, com o tempo, demonstram uma incrível habilidade com os pincéis. O trabalho de Nise ganhou repercussão no meio psiquiátrico nacional, que passou a respeitar e adotar os métodos de tratamento mais humanos implantados pela médica alagoana. Vale a pena assistir e conhecer o trabalho dessa mulher incrível, que venceu preconceitos lutando por seus ideais. À frente de um excelente elenco, Glória Pires mais uma vez comprova ser a melhor atriz brasileira da atualidade. Imperdível!   

segunda-feira, 25 de julho de 2016

“MARAVILHOSO BOCCACCIO” (“Maraviglioso Boccaccio”), 2015, Itália, roteiro e direção dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani. Filme de época, ambientado em 1348, quando a Europa era devastada pela peste negra. Dez jovens fogem de Florença (Itália) para não contrair a doença e se refugiam numa casa de campo. Para descontrair o ambiente, eles resolvem que cada um contará uma história por dia. No total, cinco novelas do clássico “Decamerão”, escrito por Giovanni Boccaccio, são acrescentadas ao filme. Algumas repletas de humor, como aquela que conta a história de um homem simples que acredita ficar invisível depois de encontrar uma pedra negra. Outras falam de amor, com final trágico ou feliz. Apesar do contexto de época e do estilo teatral da interpretação dos atores, o filme é leve e em nenhum momento monótono. As histórias são saborosas, os cenários campestres deslumbrantes e as atrizes do elenco lindas. Só para citar algumas: Jasmine Trinca, Paola Cortellesi, Vittoria Puccini e Carolina Crescentini. Os veteranos irmãos Taviani, de obras consideradas primas como “Pai Patrão” e “A Noite de São Lourenço”, além do recente “César Deve Morrer”, provam que continuam em plena forma. Vale a pena assistir, principalmente pelos contos encenados.     

domingo, 24 de julho de 2016

 
“MARGUERITE”, 2015, França, direção de Xavier Giannoli. A história é ambientada nos anos 20 em Paris. A rica baronesa Marguerite Dumont é apaixonada por ópera e sempre quis ser uma cantora lírica. Nos saraus musicais beneficentes privados que realizava em seu palácio, ela recolhia donativos para a campanha “Órfãos da Guerra” (pós 1ª Guerra Mundial), servia o melhor champanhe e convidava cantores líricos para apresentações com orquestra. Ao final de cada concerto, Marguerite se apresentava cantando. Só que tinha um problema: era completamente desafinada. O pessoal aplaudia, por pena e hipocrisia. Mas eram eventos sociais importantes que a alta aristocracia parisiense fazia questão de prestigiar. Até que um dia Marguerite resolve se apresentar ao público num grande teatro e, para isso, contrata um professor de canto. Embora tenha seus momentos de humor, graças à “qualidade” vocal de Marguerite, o filme chega a ser triste e melancólico. Afinal, Marguerite, em sua inocência, acredita piamente que é uma ótima cantora lírica. Um dia ela terá que se confrontar com a verdade, o que não será nada fácil. A história de Marguerite é baseada na norte-americana Florence Foster Jenkins, milionária que nas primeiras décadas do século XX mobilizou a fina flor da sociedade de Nova Iorque com seus ganidos. Depois desta versão francesa, está sendo lançada a de Hollywood, “Florence – Quem é essa Mulher?”, com Meryl Streep, que pretendo assistir e depois comentar. O filme francês é ótimo, com uma estupenda recriação de época e cenários deslumbrantes, além de uma trilha sonora da melhor qualidade. Estão no elenco Catherine Frot (divina), André Marcon, Micheu Fau, Sylvain Dieuaid e Denis Mpunga.