domingo, 24 de julho de 2016

 
“MARGUERITE”, 2015, França, direção de Xavier Giannoli. A história é ambientada nos anos 20 em Paris. A rica baronesa Marguerite Dumont é apaixonada por ópera e sempre quis ser uma cantora lírica. Nos saraus musicais beneficentes privados que realizava em seu palácio, ela recolhia donativos para a campanha “Órfãos da Guerra” (pós 1ª Guerra Mundial), servia o melhor champanhe e convidava cantores líricos para apresentações com orquestra. Ao final de cada concerto, Marguerite se apresentava cantando. Só que tinha um problema: era completamente desafinada. O pessoal aplaudia, por pena e hipocrisia. Mas eram eventos sociais importantes que a alta aristocracia parisiense fazia questão de prestigiar. Até que um dia Marguerite resolve se apresentar ao público num grande teatro e, para isso, contrata um professor de canto. Embora tenha seus momentos de humor, graças à “qualidade” vocal de Marguerite, o filme chega a ser triste e melancólico. Afinal, Marguerite, em sua inocência, acredita piamente que é uma ótima cantora lírica. Um dia ela terá que se confrontar com a verdade, o que não será nada fácil. A história de Marguerite é baseada na norte-americana Florence Foster Jenkins, milionária que nas primeiras décadas do século XX mobilizou a fina flor da sociedade de Nova Iorque com seus ganidos. Depois desta versão francesa, está sendo lançada a de Hollywood, “Florence – Quem é essa Mulher?”, com Meryl Streep, que pretendo assistir e depois comentar. O filme francês é ótimo, com uma estupenda recriação de época e cenários deslumbrantes, além de uma trilha sonora da melhor qualidade. Estão no elenco Catherine Frot (divina), André Marcon, Micheu Fau, Sylvain Dieuaid e Denis Mpunga.   

sábado, 23 de julho de 2016

“TOM NA FAZENDA” (“Tom à La Ferme”), 2013, Canadá, direção de Xavier Dolan. Este foi o quarto filme escrito e dirigido pelo jovem diretor, roteirista e ator canadense. A história: após a morte do seu namorado, com quem vivia em Montreal, Tom (Dolan) entra em profunda depressão. Mesmo assim, resolve participar do funeral e visitar a mãe do falecido, Agathe (Lise Roy), e o irmão dele, Francis (Pierre-Yves Cardinal), que vivem numa fazenda. Como Agathe não sabe da opção sexual do filho, Tom esconde o romance, dizendo que era apenas amigo do morto. Para disfarçar ainda mais, Tom pede que uma amiga, Sarah (Evelyne Brochu), se apresente na fazenda dizendo ter sido namorada do jovem morto. Como em quase todos os filmes de Dolan, o clima é pesado, sufocante, com muita violência psicológica, agressões verbais e físicas. Enfim, um filme muito desagradável. Dolan sempre gostou de chocar a plateia. Quase todos os personagens que cria são emocionalmente desequilibrados, neuróticos e alguns até psicóticos, o que pode ser comprovado em “Mommy”, “Amores Imaginários” e “Eu Matei Minha Mãe”. Desde que surgiu como menino prodígio do cinema, ao dirigir “Eu Matei Minha Mãe”, em 2009, com apenas 20 anos de idade, Dolan manteve seu estilo e ganhou a simpatia dos críticos profissionais. "Tom à La Ferme" foi o vencedor do Prêmio da Crítica do Festival de Veneza 2013.  Se você prefere filmes mais leves, um entretenimento para relaxar, esqueça Dolan.                                     

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A eutanásia, ou suicídio assistido, já gerou inúmeros filmes bons, o melhor deles – minha opinião - o francês “Amor” (“Amour”), de Michael Haneke, Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Outro excelente filme explorando o assunto é o dinamarquês “CORAÇÃO MUDO” (“Stille Hjerte”), 2014, dirigido por Bille August (“Pelle, o Conquistador”, “A Casa dos Espíritos”, “Trem Noturno para Lisboa”). Esther (Guita Nørby) tem esclerose múltipla e seu estado piora a cada dia. Com a aprovação do marido, o médico Poul (Morten Grunwald), e das filhas Sanne (Danica Cursic) e Heidi (Paprika Steen), ela decide cometer suicídio assistido. Antes, porém, convida a família para um último final de semana. Uma despedida. Como era esperado, cria-se um clima de tristeza geral e a decisão de Esther passa a ser contestada, gerando conflitos, arrependimentos e dúvidas. O filme é muito bom, mas o maior destaque realmente é o ótimo elenco, principalmente as veteranas atrizes dinamarquesas Guita Nørby e Paprika Steen, além da sérvia Danica Cursic. Muita emoção e momentos comoventes num filme bastante cativante. Imperdível!    

terça-feira, 19 de julho de 2016

“Este filme é dedicado às vítimas do Holocausto Soviético”. A frase, reproduzida nos créditos finais do drama estoniano “NA VENTANIA” (“RISTTUULES”), 2014, diz respeito aos milhares de cidadãos da Letônia, Estônia e Lituânia que morreram fuzilados ou nos campos de trabalhos forçados na Sibéria, para onde foram deportados pelo governo russo do ditador Stalin durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é centrado em Erna (Laura Peterson), enviada a um campo de concentração na Sibéria juntamente com a filha Eliide (Mirt Preegel). O roteiro foi todo inspirado nas cartas escritas por Erna para o seu marido Heldur (Tarmo Song), enviado para outro campo de prisioneiros. Se a história já é trágica por si só, a concepção estética criada pelo jovem diretor estoniano Martti Helde, de 28 anos, aumentou a níveis estratosféricos o clima melancólico do filme. Não há diálogos, apenas uma narrativa em off de trechos das cartas escritas por Erna. O filme é todo em preto e branco. A maioria das cenas apresenta os personagens e figurantes imóveis. Esse recurso estético, segundo o diretor, foi escolhido depois que ele leu um trecho da carta de um preso na Sibéria onde ele dizia que “Aqui na Sibéria, parece que o tempo parou”. Para chegar até o final é preciso que o espectador se arme de uma dose monumental de paciência, pois vai encarar um filme extremamente monótono, quase entediante, embora muito comovente. Por esse trabalho de estreia, o diretor Helde conquistou o Prêmio de Melhor Diretor Estreante no Festival Internacional de Cinema de Pequim 2015.   
“AMOR E REVOLUÇÃO” (“Colonia”), 2015, Alemanha, direção de Florian Gallenberger ("Sombras do Passado"), é mais um drama histórico inspirado em fatos reais ocorridos logo após a instalação da ditadura militar no Chile. Mais um capítulo obscuro – e desconhecido, pelo menos para mim – do infame regime comandado por Augusto Pinochet. Às vésperas do golpe militar, militantes esquerdistas do mundo inteiro estão no Chile para defender o governo de Salvador Allende. Um deles é o fotógrafo e artista plástico alemão Daniel (Daniel Brühl), que em Santiago reencontra sua namorada alemã, a aeromoça Lena (Emma Watson). Depois de uma noite de amor, eles acordam logo após o golpe militar e saem às ruas. Disfarçadamente, ele fotografa a violência da repressão, só que é descoberto, preso e enviado para uma prisão militar secreta, no subsolo de uma fazenda intitulada Colonia Dignidad, cujos moradores são fanáticos seguidores de um pregador embusteiro e violento, Paul Schäfer (Michael Nyqvist). Aqui, Daniel é violentamente torturado e, fingindo desequilíbrio mental, acaba como um dos membros da seita. Lena descobre o seu paradeiro e também ingressa na seita. Lena e Daniel se reencontram e começam a planejar sua fuga. A partir daí, o filme entra num clima de tensão que vai até o final, quando tentam sair do Chile. A produção do filme é uma verdadeira salada mista: é uma coprodução Alemanha/Luxemburgo/França, é falado em inglês, o diretor é alemão, assim como Brühl e parte do elenco, Emma Watson (dos filmes de Harry Potter) é francesa, mas criada na Inglaterra, e Nyqvist é sueco. O resultado final não ficou tão bom, embora valha a pena assistir pela história. Há outros filmes muito melhores sobre o período da ditadura chilena, como “No”, “Post Mortem”, "Machuca" e “Missing”.                              

domingo, 17 de julho de 2016

É bom avisar logo de cara: “BLIND”, 2014, Noruega, não é um filme convencional, fácil de digerir. A história começa com as reflexões de Ingrid (Ellen Dorrit Petersen), narradas em off. Ela perdeu a visão recentemente, deixou de sair de casa e passa o tempo pensando no que teve a oportunidade de ver, relembrando visões e tentando descobrir as cores de um edifício, de um shopping, a raça de um cachorro etc. Enquanto passa o tempo todo sozinha no apartamento, Ingrid tem a sensação de que seu marido Morten (Henrik Rafaelsen) está sempre a observando, o que parece ser o prenúncio de alguma cena de suspense, o que não acontece. Ao mesmo tempo, a história coloca em cena personagens aleatórios como Einar (Marius Kolkenstvedt), um tarado viciado em sites pornô, e Elin (Vera Vitali), outra mulher que acaba ficando cega como Ingrid, mas com um comportamento bem mais neurótico. Estes dois últimos personagens parecem ter sido criados pela mente de Ingrid, que estaria escrevendo um romance. Ou não? Muitas das cenas parecem não fazer sentido, exigindo um esforço quase mediúnico do espectador para adivinhar o que está acontecendo. Elin, por exemplo, aparece com um filho, que depois vira uma filha. Elin aparece também em várias cenas com Morten, marido de Ingrid. Um filme difícil de entender. Trata-se da estreia do norueguês Eskil Vogt como diretor. Ele é mais conhecido como roteirista de filmes como “Oslo, 31 de Agosto” e “Mais Forte que Bombas”. De qualquer forma, “Blind” conquistou os prêmios de Melhor Filme Europeu no Festival de Berlim/2014 e o de Melhor Roteiro no Festival de Sundance (EUA), no mesmo ano.   

quinta-feira, 14 de julho de 2016

“MORTE EM BUENOS AIRES” (“Muerte en Buenos Aires”), Argentina, 2014, marca a estreia na direção de Natalia Meta, que também escreveu o roteiro, e também a estreia de Chino Darín (filho do astro Ricardo) como protagonista. Trata-se de um filme policial ambientado nos anos 80 cuja história é centrada nas investigações de um homicídio de um homem da alta sociedade portenha. Quem cuida do caso é o inspetor Chavez (o ator mexicano Demian Bichir), que nomeia como seu assistente direto o agente Gómez “El Ganso” (Chino Darín). Logo no começo das investigações, descobre-se que a vítima gostava de rapazes e logo aparece um suspeito, o afetado, prepotente e trambiqueiro Kevin González (Carlos Casella). É nele que o inspetor Chavez mira sua lupa, utilizando “El Ganso” como isca. O filme termina sem uma conclusão fácil para o espectador, que é obrigado a adivinhar quem, afinal, é o verdadeiro assassino. Achei exagerada e um tanto forçada a insinuação de que o inspetor Chavez, pai de família e um rígido policial, é chegado num lance homossexual. Ficou fora do contexto, assim como a correria dos cavalos pelas ruas de Buenos Aires. Se o filme não é tão bom, pelo menos tem a presença de dois bons atores, o mexicano Bichir, que atuou no último filme de Tarantino, “Os Oito Odiados”, e chegou a ser indicado para o Oscar de Melhor Ator pelo filme "Uma Vida Melhor", e Chino Darín, que tem talento – talvez nem tanto quanto o pai – e que se entrega de corpo e alma – principalmente corpo – ao papel do agente Gómez. Um filme apenas interessante, bem longe dos melhores argentinos.  

“MEMÓRIAS SECRETAS” (“Remember”), Canadá, 2015, direção de Atom Egoyan (dos ótimos “O Doce Amanhã”, “À Procura”, “O Preço da Traição”). O diretor egípcio, naturalizado canadense, acerta mais uma vez num drama repleto de suspense, com uma surpreendente reviravolta no desfecho e um desempenho magistral do veterano ator Christopher Plummer. Companheiros de sofrimento no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial, Zev (Plummer) e Max (Martin Landau), ambos agora à beira dos 90 anos, se reencontram numa casa de repouso para idosos nos EUA. Max planeja uma vingança contra o nazista Rudy Kurlander, responsável pelo assassinato da sua família e a de Zev em Auschwitz, e que estaria morando nos EUA provavelmente com outro nome. Max, preso a uma cadeira de rodas e respirando por aparelhos, pede a Zev que encontre e mate Kurlander. Só que tem um problema: Zev está apresentando sintomas de demência. O filme vira um road movie, acompanhando a aventura de Zev por várias cidades dos EUA. O clima é de suspense e tensão, culminando com um desfecho inesperado, a cereja do bolo de um ótimo filme. Além de Plummer e Landau, estão no elenco Jürgen Prochnow e Bruno Ganz. Filmaço!
 

domingo, 10 de julho de 2016

“XXY” é um drama argentino de 2007 que trata de um tema pouco explorado pelo cinema: o hermafroditismo. Escrito e dirigido por Lucía Puenzo (do ótimo “O Médico Alemão”), o filme conta a história de Alex (Ines Efron), uma garota de 15 anos hermafrodita. Seus pais, Kraken (Ricardo Darín) e Suli (Valeria Bertuccelli), sempre se recusaram submetê-la a uma cirurgia para resolver o problema. Cansados dos constrangimentos habituais, resolvem mudar-se para um vilarejo litorâneo no Uruguai, onde o biólogo marinho Kraken consegue um emprego. Tudo transcorre normalmente até a chegada de um casal amigo trazendo o filho Álvaro (Martin Piroyansky), de 16 anos, que na hora faz amizade com Alex. Uma amizade, aliás, que trará consequências para determinar o rumo dos acontecimentos. Segundo alguns entendidos que assistiram “XXY”, o problema de Alex não chega a ser o hermafroditismo e sim a Síndrome de XXY, também conhecida como Klinefelter. Como não conheço o assunto, para mim Alex é mesmo uma hermafrodita. O filme é muito bom, tanto que foi o vencedor do Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2007, além de ter sido premiado em vários festivais importantes, entre eles o Goya (Oscar espanhol).       

 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

“AMOR AO PRIMEIRO FILHO” (“ANGE & Gabrielle”), 2015, é uma comédia romântica francesa ainda não exibida por aqui nos cinemas. Foi lançada diretamente em DVD. Pena, pois o filme é bastante divertido e simpático, além de ambientado nos cenários deslumbrantes de Paris. O casal de protagonistas é formado pelo feio/charmoso Patrick Bruel e pela bonita Isabelle Carré, atores franceses muito competentes. Trata-se do primeiro filme escrito e dirigido por Anne Giafferi. Uma ótima estreia. A história: o arquiteto Ange Pagani (Bruel) é surpreendido em seu escritório com a visita de Gabrielle (Carré), até então, para ele, uma ilustre desconhecida. Ela diz que sua filha Claire (Alice de Lencquesaing) ficou grávida e acusa o filho de Pagani, Simon (Thomas Soliveres), de tê-la engravidado. Pagani fica uma fera, pois afirma que nunca soube que tinha um filho. O primeiro encontro entre Pagani e Gabrielle termina em desavença, tapas e ofensas, mas o espectador logo percebe que os dois vão acabar se apaixonando. Nem mesmo esse fato tão previsível prejudica o transcorrer da história, repleta de cenas divertidas (Pagani é hipocondríaco crônico e suas consultas com o médico são hilariantes). Para um gênero repleto de bobagens cinematográficas, esta comédia romântica é uma das poucas raridades que merecem ser vistas. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“BLACKWAY”, 2015, EUA, direção do sueco Daniel Alfredson (“A Menina que brincava com Fogo” e “Jogada de Mestre”). É um filme de ação e suspense baseado no romance “Go With Me”, escrito por Castle Freeman Jr. Aliás, foi com esse nome que o filme foi exibido no Festival de Veneza 2015, mas, quando lançado comercialmente, recebeu o título "Blackway". O vilão da história é Blackway (Ray Liotta), um ex-policial psicopata que um dia resolve assediar de forma violenta a jovem Lillian (Julia Stiles), atendente de um bar. Ela procura o xerife da cidade e denuncia Blackway. Com medo, o homem da lei a aconselha a deixar a cidade. Revoltada com a situação, ela procura ajuda junto aos trabalhadores de uma madeireira e consegue o apoio de Lester (Anthony Hopkins) e Nate (Alexander Ludwig). Lester também tem uma razão especial para se vingar de Blackway. Os três partem então para uma floresta onde Blackway tem seu reduto. O desfecho é mais do que previsível. Algumas cenas, de tão ruins, acabam sendo constrangedoras, como a briga no bar logo no início. Os Trapalhões faziam brigas bem melhores. O filme, no geral, é muito fraco e não entendo por que um ator da grandeza de Anthony Hopkins se propôs a participar. Quem sabe pela amizade com o diretor, que já o dirigiu em “Jogada de Mestre”. Portanto, fica a dica: se o filme chegar por aqui, prefira levar a família para comer uma pizza...

 
“A TERRA E A SOMBRA” (“La Tierra y La Sombra”), 2015, Colômbia, marca a estreia na direção de longas de César Acevedo. Uma bela estreia, aliás, pois o filme é muito bom. Toda a história é ambientada numa região de plantações de cana-de-açúcar. O filme começa com a volta de Alfonso (Haimer Leal), depois de 17 anos, à sua antiga casa, onde vivem seu filho, a nora, o neto e sua antiga esposa. Seu filho Gerardo (Edison Raigosa) está gravemente doente, o que obrigou sua esposa Esperanza (Marleyda Soto) e sua mãe Alícia (Hilda Ruiz) a trabalhar como cortadoras de cana para suprir as despesas da casa. O filme é impactante ao mostrar a realidade nada fácil dos cortadores de cana, que trabalham muito e em condições insalubres, ganham mal e vivem abaixo da linha da miséria. Gerardo, por exemplo, que trabalhava como cortador de cana, acabou tendo sérios problemas respiratórios que o paralisaram na cama. Diante de tantas dificuldades, a família de Alfonso permanece unida e com força para seguir adiante. Todos os atores são amadores e suas faces sofridas fornecem maior credibilidade aos personagens. O filme conquistou o Prêmio “Caméra D’Or” (melhor filme de diretor estreante) e o Grande Prêmio da Mostra Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016. Por aqui, foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Um belo filme a ser conferido. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Representante da Áustria na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, “BOA NOITE, MAMÃE” (“Ich Seh, Ich Seh”) é um terror psicológico dos melhores. Não economiza nos sustos, nas torturas sádicas e no clima de tensão que percorre toda a duração do filme (1h40). Toda a ação é ambientada numa bela casa à beira de um lago. Os irmãos gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), de 9 anos, recebem a mãe de volta do hospital, onde passou por uma cirurgia de reconstrução facial depois de um acidente. Dia após dia, Lukas e Elias reparam que as atitudes e o comportamento da mãe mudaram e passam a desconfiar que a mulher não passa de uma farsante. O desenrolar dos acontecimentos também leva o espectador a duvidar da real identidade da mulher, mas, ao mesmo tempo, faz acreditar que ela pode ser a verdadeira mãe. Os gêmeos, porém, não têm dúvida: a mulher não é sua mãe verdadeira. Criar a expectativa sobre o que vai acontecer no final é o grande mérito do roteiro, escrito pela dupla Veronica Franz e Severin Fiala – eles também dirigiram. Aliás, sou obrigado a confessar: terminou o filme e eu não soube definir o que aconteceu. Assista e tire suas próprias conclusões.  
Em 1952, uma violenta tempestade atingiu a Costa da Nova Inglaterra (EUA), resultando no naufrágio de dois navios petroleiros. Um deles, o “SS Pendleton”, foi partido ao meio, deixando mais de 30 tripulantes à beira da morte. Numa missão quase suicida, um pequeno barco da Guarda Costeira sai em socorro dos possíveis sobreviventes. E consegue salvá-los, naquele que é considerado o maior ato heroico da Guarda Costeira dos EUA. Claro que a história dava um filme. A Disney apostou e bancou “HORAS DECISIVAS” (“The Finest Hours”), 2015, direção de Graig Gillespie (“A Garota Ideal”). O herói é Bernie Webber (Chris Pine), que topa conduzir o pequeno barco para o alto-mar, enfrentando ondas de mais de 20 metros de altura e ventos com a força de um furacão. Além disso, no trajeto, perde a bússola e o motor do barco começa a apresentar defeito. Enquanto isso, na metade que sobrou do “SS Pendleton”, Raymond Sybert (Casey Affleck, irmão do Ben) assume o comando da tripulação, tentando fazê-la acreditar que o salvamento chegará. As cenas no mar são bem feitas e não há como o espectador não ficar tenso com a situação. O filme é um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca. E dramin, claro... Completam o elenco Eric Bana, Ben Foster e Holliday Grainger. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Baseada nas últimas semanas de vida do poeta romântico alemão Heinrich von Kleist, em 1811, a austríaca Jessica Hausner escreveu o roteiro e dirigiu “AMOR LOUCO” (“AMOUR FOU”), 2014. Em dificuldades financeiras e em crise existencial, Kleist fica obcecado pela ideia de se suicidar. O problema é que ele não quer morrer sozinho. Quer um suicídio duplo, conforme manda a tradição romântica da época, de preferência junto com a mulher amada. Ele tenta persuadir a prima Marie a entrar no seu jogo trágico. Não consegue. Então desvia sua atenção para a bela Henriette Vogel (Birte Schonoeink), esposa de um empresário bem sucedido que o recebe em casa para os saraus de sexta-feira, onde o poeta recita seus novos poemas e Henriette canta para os convidados. De início, Henriette foge ao assédio de Kleist. Porém, poderá mudar de ideia quando descobre que sofre de uma doença incurável e tem pouco tempo de vida. O tratamento dado à história é bastante teatral, a casa de Henriette funcionando como palco. Na maioria das cenas, Hausner utiliza a câmera fixa, com enquadramentos que lembram quadros de pintores clássicos da época. O filme foi apresentado no Festival de Cannes e venceu o Prêmio de Melhor Filme no Lisbon/ Estoril Film Festival. Alerto: não é um filme fácil de assistir. É monótono e, em alguns momentos, como nas cantorias dos saraus, terrivelmente entediante.
“MIDNIGHT SPECIAL”, 2015, EUA, roteiro e direção de Jeff Nichols (“Amor Bandido” e “O Abrigo”), é um filme de ficção científica ambientado nos dias atuais. A história é centrada no garoto Alton (Jaeden Liberher), de 8 anos de idade, que possui poderes especiais, entre os quais ouvir ondas de rádio e decifrar coordenadas de satélites. Além disso, não pode sair à luz do dia e é obrigado a usar óculos escuros, já que seus olhos emitem raios de luz. A notícia de um garoto com esses poderes chega não apenas à Imprensa, mas também às autoridades norte-americanas, entenda-se o FBI. Preocupado em proteger o garoto, seu pai biológico, Roy (Michael Shannon), o sequestra de onde estava vivendo, um rancho administrado por religiosos extremistas. Para isso, conta com a ajuda do amigo policial Lucas (Joel Edgerton). Daí para frente, o filme se transforma num road movie com algum suspense. Estão ainda no elenco Kirsten Dunst, Sam Shepard e Adam Driver. Como não sou fã de filmes de ficção científica, não gostei também deste – achei a história uma bobagem sem tamanho -, embora tenha sido elogiado pela crítica quando de sua exibição no Festival de Berlim. Recomendo apenas para os fãs do gênero.     
 

 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

“ROCK EM CABUL” (“Rock The Kasbah”), EUA, 2015, direção do veterano Barry Levinson. Richie Vance (Bill Murray) é um empresário norte-americano decadente, quase falido, que vende seus serviços dizendo (mentindo) que descobriu Madonna e outros astros da música. A fase é terrível e ele só tem uma cantora para empresariar, a jovem Roonie (Zoey Deschanel, ótima). Cansado de tentar colocá-la para atuar em bares de quinta categoria, ele aceita a ideia de um bêbado: levar Roonie para entreter as tropas norte-americanas no Afeganistão. Chegando lá, com medo da reação dos afegãos, Roonie foge e leva todo o dinheiro e o passaporte de Richie. A partir daí, o empresário se meterá em muitas confusões, principalmente depois de conhecer o mercenário Bombaim Brian (Bruce Willis), a garota de programa Merci (Kate Hudson, linda e sedutora) e, principalmente, a jovem Salima Khan (Leem Lubany). Esta última, descoberta por Richie enquanto cantava escondida numa caverna, é levada para cantar no programa Afghan Star, equivalente ao famoso American Idol. Só que Salima é uma jovem pachtun e sua família a proíbe de se apresentar na TV, ainda mais cantando em inglês. A vida dela e a de Richie correm perigo depois do sucesso da apresentação. Nos créditos finais aparece que o filme é dedicado à jovem Setara Hussainzada, que desafiou a família e os talibãs para cantar no Afghan Star. O filme é uma comédia e quem dá show é novamente Bill Murray. Uma das cenas mais hilariantes é quando ele fica desorientado depois de seu carro ser atingido por uma bomba. É pra rolar de rir. Diversão garantida!                           

sábado, 2 de julho de 2016

Imagine você lá em Londres no dia 8 de maio de 1945, comemorando com os ingleses o “Dia da Vitória”, ou seja, a derrota dos alemães e o fim da Segunda Grande Guerra. A produção inglesa “UMA NOITE FORA DO PALÁCIO” (“A Royal Night Out”), 2015, proporciona essa verdadeira viagem no tempo. O cenário de toda a ação é este, mas a história do filme é centrada nas princesas irmãs Elizabeth (Sarah Gadon), que alguns anos mais tarde seria coroada Rainha Elizabeth II, e Margaret (Bel Powley). Elas queriam ir para as ruas, incógnitas, para se juntar à multidão. E foi o que fizeram, com a devida autorização dos pais, o Rei George VI (Rupert Everett) e a Rainha Mãe Elizabeth (Emily Watson), e com a companhia de dois oficiais do Exército. Nas ruas, as princesas confraternizaram, fizeram amizades, dançaram e visitaram lugares pouco adequados para moças da realeza. A saída delas do Palácio de Buckingham, naquela noite, realmente aconteceu, mas os roteiristas Kevin Hood e Trevor de Silva, além do diretor Julian Jarrold (“Amor e Inocência”), certamente criaram fatos fantasiosos para dar maior sabor à história, como o namorico de Elizabeth com o aviador Jack (Jack Reynor) ou a bebedeira da princesa Margaret. O filme tem muito de conto de fadas e é muito agradável de assistir. Recomendo. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

“DEMÊNCIA” (“Dementia”), 2015, EUA, direção de Mike Testin. Trata-se de um filme de suspense cuja história é centrada em George Lockhart (Gene Jones), um setentão veterano e herói da Guerra do Vietnã. Ele sofre um AVC e os médicos também constatam o início de uma demência. Seu filho Jerry (Peter Cilella) e a neta Shelby (Hassie Harrison) resolvem então contratar uma enfermeira. Eis que surge Michelle (Kristina Klebe), aparentemente um anjo de pessoa. Shelby é a única a desconfiar da enfermeira. A partir daí, os fatos que se desenrolam até o desfecho trágico estão todos relacionados com o passado de George e a Guerra do Vietnã. Aliás, muito mal explicados. O filme é um suspense de quinta categoria, elenco fraco, história que não se sustenta, tensão superficial e uma solução para o desfecho pra lá de lamentável, com cenas constrangedoras. Nem a surpreendente revelação no final, causando uma reviravolta na história, consegue salvar. Não dá para indicar. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A produção cinematográfica da Romênia é bastante acanhada em comparação com outros países. Produz cerca de 10 filmes por ano, no máximo. Mas, se perde na quantidade, ganha na qualidade. Posso citar dois exemplos recentes: “Instinto Materno” e “Casamento Silencioso”. Na maioria deles, o pano de fundo tende a ser a política do país pós-comunismo. Não é o caso de um filme que resgatei de 2006: “AMOR LOUCO” (“LEGATURI BOLNAVICIOASE”), escrito e dirigido por Tudor Giurgiu. Trata-se da adaptação do romance homônimo escrito por Cecília Stefaneson. A história: Alex (Joana Barbu) sai da distante cidade de Pietrosita, zona rural da Romênia, e vai estudar na capital Bucareste. Na faculdade, faz amizade com Kiki (Maria Popistasu). Começam a namorar em segredo. Kiki, porém, passa a se revelar emocionalmente desequilibrada, além de manter um relacionamento muito estranho com o irmão Sandu (Tudor Chirila), beirando o incestuoso. O caldo engrossa quando Alex resolve levar Kiki para passar uns dias em sua cidade interiorana. Tratado de forma novelesca, o que me fez lembrar “Malhação”, com muito papo furado, o filme pode encantar o público mais jovem. O que eu mais gostei, porém, foi da interpretação das duas atrizes principais. Ah, também de bom posso citar o fato de que, ao contrário da maioria dos filmes que envolvem relacionamentos homossexuais, as (poucas) cenas de sexo não são apelativas. Pelo menos isso. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

O drama biográfico “REDENÇÃO” (“Machine Gun Preeacher”), EUA, 2011, direção de Mark Foster (“Guerra Mundial Z”, “007 – Quantun of Solace” e “O Caçador de Pipas”), conta a incrível história do norte-americano Sam Childers (o ator escocês Gerard Butler, de "300"), um ex-viciado em drogas que se tornou pastor da igreja pentecostal, depois um construtor de sucesso e, por fim, voluntário na África, ajudando crianças no Sudão e em Uganda, países envolvidos em sangrentas guerras civis. A história começa nos anos 90, quando aconteceu a conversão de Sam. Em 1998, depois de ouvir uma palestra de um pastor voluntário sobre os problemas enfrentados pela população pobre da África, Sam resolve viajar para Uganda com o objetivo de reconstruir as casas destruídas pela guerra. Durante esse trabalho, Sam se comove com a situação das crianças órfãs no sul do Sudão e resolve ajudá-las, construindo um orfanato (“Angels of East Africa”). Casado com Lynn (Michelle Monaghan), que o levou para a igreja, e pai de Paige (Madeline Carrol), Sam enfrentou muitos desafios na África e chegou até a pegar em armas para enfrentar os sanguinários mercenários do perigoso Grupo LRA. Nos créditos finais, o verdadeiro Sam Childers é apresentado em fotografias. Ainda no elenco, Michael Shannon e Katy Baker. Um belo filme e uma história que merece ser conhecida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“FIM DE SEMANA EM PARIS” (“Le Week-End”), 2013, Reino Unido, roteiro de Hanif Kureishi e direção de Roger Michell. Trata-se de uma comédia dramática, mas, no geral, é um filme melancólico sobre o desgaste de um casamento. Os professores universitários ingleses Nick Burrows (Jim Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) resolvem comemorar o 30º aniversário de casamento passando um final de semana em Paris. A ideia é relembrar a lua de mel que passaram na “Cidade Luz”, incluindo reservas no mesmo hotel. Só que, aos poucos, Nick e Meg percebem que a relação está um tanto desgastada. Não são mais o marido e a esposa apaixonados de trinta anos atrás. Nas andanças do casal pela capital francesa, eles discutem a relação, alternando alguns momentos românticos e outros de desentendimentos. O convite para jantar na casa de um ex-aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), provocará uma repentina mudança no relacionamento do casal. O roteiro força a barra em algumas cenas, como aquela em que Nick e Meg saem correndo pelas ruas de Paris (um casal normal de meia idade não faria isso nem teria esse fôlego) e outra onde eles fogem de um restaurante sem pagar. De qualquer forma, a dupla de atores é excelente e o cenário deslumbrante. Paris à noite é uma festa para os olhos, compensando alguns momentos tediosos do filme.