segunda-feira, 21 de abril de 2014

No começo dos anos 80 foram descobertos enormes depósitos de óleo e gás a 500 metros de profundidade no litoral da Noruega, Mar do Norte. Diante dessa descoberta, o governo norueguês contratou e treinou mergulhadores profissionais para descer àquela profundidade e viabilizar a instalação de dutos para transferir os materiais para a superfície. Os mergulhadores pioneiros, que arriscaram suas vidas nessas perigosas missões, foram considerados heróis nacionais. O suspense norueguês “Mergulho Profundo” (“Pionner”), 2012, aproveita esse contexto histórico para contar a tragédia vivida por Petter (Aksel Hennie), mergulhador profissional que participou de uma das primeiras missões juntamente com o irmão Knut (André Eriksen). Num acidente de causas inexplicáveis, Knut morreu. Revoltado, seu irmão Petter não vai descansar enquanto não descobrir e denunciar os responsáveis pelo acidente, nem que arrisque sua vida enfrentando forças poderosas. Não há qualquer indicação de que o acidente realmente aconteceu. O que fica claro é que os mergulhares sempre corriam um grande risco nessas missões, como comprova uma pesquisa médica feita anos depois. Segundo essa pesquisa, 240 ex-mergulhadores do Mar do Norte sofreram danos cerebrais, além de doenças pulmonares e transtornos de estresse pós-traumático. A briga judicial por indenizações dura até hoje.

sábado, 19 de abril de 2014

“Quando chama o Coração” (“When calls the Heart”), EUA, 2013, é o filme piloto que deu origem à série de TV que começou a ser exibida em janeiro de 2014 pelo Hallmark Channel. Pelo aperitivo, já dá para perceber que é uma produção de época (início do Século XX) tipo novela das seis da Globo. Ou seja, um romance “água com açúcar” – com muito mais açúcar do que água. A jovem Elizabeth Thatcher (Poppy Drayton) - nada a ver com a Dama de Ferro -, uma das três filhas de um milionário nova-iorquino, resolve ser professora e começa a procurar emprego. Numa noite, vasculhando a enorme biblioteca da casa, encontra o diário escrito por sua tia Elizabeth (Maggie Grace), irmã do seu pai, que conta sua aventura como professora numa longínqua cidade do Oeste, perto da fronteira com o Canadá, num lugar chamado Vale do Carvão. Em seu relato, a tia ainda conta sobre sua paixão por um oficial da Polícia Montada, Wynn Delaney (Stephen Amell). Em flashback, o filme mostra as cenas da tia conforme os fatos relatados no diário. Entusiasmada com a experiência da tia, Elizabeth se enche de coragem e decide ir para o mesmo lugar. O filme piloto termina com a jovem chegando à cidade, realmente um fim de mundo. A história é baseada no romance “Love Comes Sofity”, de Janette Okke.                                                    

“Filhos do Divórcio” (“A.C.O.D. – Adult Children of Divorce”), EUA, 2013, é uma comédia bem legal.  Carter (Adam Scott) já passou dos trinta anos e ainda carrega consigo o trauma da separação dos pais, fato que aconteceu há muitos anos. A relação de Hugh (Richard Jenkis), o pai, com Melissa (Catherine O’Hara), a mãe, sempre foi turbulenta, com brigas homéricas, nas quais xingamentos e palavrões eram bastante comuns.  Depois da separação, porém, nunca mais se viram. Ele casou mais duas vezes e ela vive um casamento estável com um cara bonachão. As coisas pareciam estar em seus devidos lugares quando, de repente, o irmão mais novo de Carter resolve se casar. Carter vai pedir aos pais que concordem em ir ao casamento do irmão e que aturem a presença um do outro. Pronto, bastou para iniciar uma série de confusões envolvendo toda a família. Um jantar num restaurante japonês – a noiva do irmão de Carter é japonesa – reunindo as duas famílias é um dos pontos altos da comédia, que ainda tem no elenco a gata Jessica Alba, Amy Poehller e Jane Linch. A direção é de Stuart Zicherman. Um bom programa para uma sessão da tarde.                                                   
“Diário Perdido” (“Mères et Filles”), 2009, é um drama francês dirigido por Julie Lopes-Curval. Não que o título em português seja ruim, mas o original em francês, “Mães e Filhas”, é mais condizente com a história. Audrey (Marina Hands) viaja do Canadá, onde trabalha há anos, para a França com o objetivo de visitar os pais, Martine (Catherine Deneuve) e Michel (Michel Duchaussoy), que moram num vilarejo à beira-mar. Percebe-se desde o início que Martine é uma mulher amargurada e que sua relação com a filha não é das melhores. Audrey aproveita para rever a casa onde moravam os avós, fechada após a morte do avô. Escondido atrás de um velho armário, ela acha um diário escrito por Louise, sua avó. Entre receitas culinárias e anúncios de revistas dos anos 1950, Audrey encontra o relato de uma mulher infeliz no casamento e disposta a dar uma guinada em sua vida. Até as revelações do diário, a história “oficial” contada pela mãe Martine era a de que Louise havia fugido de casa, abandonando o marido e os filhos, talvez por causa de um amante. Ao ler e interpretar os fatos narrados no diário, Audrey vai descobrir que a história aconteceu de forma diferente, o que fará com que o desfecho do filme seja bastante surpreendente. Muito bem utilizado pelo diretor o recurso de fazer com que Andrey interaja com os personagens do passado na mesma cena, tornando reais os fatos como ela imagina terem acontecido. O filme é ótimo e merece ser visto.                                             

sexta-feira, 18 de abril de 2014

 

O suspense policial francês “Assassinato em 4 Atos” (“Le Marque des Anges – Miserere), 2013, dirigido por Sylvain White, apresenta uma trama bastante fantasiosa (nazistas fazendo experiências médicas em prisioneiros políticos no Chile, crianças cujo canto estoura os tímpanos das pessoas etc.). A história, baseada no romance de Jean-Christophe Grange, começa com o assassinato de um maestro de um coral de crianças. Ele é encontrado com os tímpanos estourados. A polícia francesa começa a investigar os motivos dessa morte. Paralelamente, de forma não oficial, também passam a investigar o crime o policial Frank Salek (Joey Starr) e o ex-policial Lionel Kasdan (Gérard Depardieu). Frank tem um fato do passado como motivo para tentar a captura do assassino e Kasdan vê nesse trabalho um bom motivo para sair da letargia de sua recente aposentadoria. A dupla vai descobrir uma forte ligação dos assassinos com os ideais nazistas e ainda um plano para assassinar uma importante autoridade. Depardieu está enorme de gordo e com dificuldades de se locomover, o que, convenhamos, não combina com um personagem que precisa perseguir bandidos. O filme até que tem bastante ação e suspense, o que prende a atenção, mas está muito longe dos melhores policiais franceses, talvez prejudicado por uma história tão mirabolante.                                       

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os países escandinavos estão se especializando em filmes policiais, de ação e de suspense. Bons exemplos não faltam: a trilogia sueca Millenium (um dos filmes teve até versão hollywoodiana recente com Danel Craig e Rooney Mara), o ótimo norueguês “Headhunters” e vários dinamarqueses, entre os quais “ID: Identidade Anônima” (“ID: Identitet Anonym”), de 2012. O filme começa com uma mulher (a ótima atriz sueca Tuva Novotny) toda machucada caída à beira de um rio na França e com uma pesada mochila nas costas. E pior: sem memória. Ela se hospeda numa pensão com o nome de Aliena e, ao abrir a mochila no quarto, acha um grande volume de dinheiro e um revólver. Sem saber o que fazer, ela sai andando pela aldeia em busca de alguma pista sobre o que aconteceu. Ao passar por uma banca de revistas, pega um folheto turístico escrito em dinamarquês e percebe que conhece a língua. Quando sai de um restaurante, depois de jantar, é perseguida por homens armados e consegue fugir. Resolve pegar um ônibus para a Dinamarca. Durante a viagem, no fone de ouvido de um passageiro, ela ouve uma voz masculina cantando uma ária de ópera. Ela identifica a voz e pergunta de quem é. Trata-se de uma gravação de Just Ore, um famoso barítono dinamarquês. Ela vai seguir essa pista e tentar descobrir o que aconteceu. De sua metade em diante, o filme volta em flashback até o momento em que tudo começou e, a partir daí, Ida (seu verdadeiro nome) vai entender e relembrar tudo o que aconteceu, com direito a muitas cenas de ação e suspense. Quem gostou do estilo dos filmes da trilogia Millenium vai gostar deste também.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O ótimo drama alemão “À Espera de Turistas” (“Am Ende kommen Touristen”), dirigido por Robert Thalheim, estreou no Festival de Cannes em 2007, mas, por alguma razão que não sei, só chegou aos cinemas do Brasil em 2013. O jovem alemão Sven (Alexander Fehling), ao invés de ingressar no Serviço Militar, faz a opção de integrar um trabalho comunitário na cidade polonesa de Oswiecim (ex-Auschwitz). Aqui, ele vai trabalhar no museu dedicado às vítimas do holocausto durante a 2ª Guerra Mundial. Uma de suas tarefas é servir de cuidador do velho Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um sobrevivente do campo de concentração que costuma dar palestras aos turistas que visitam o museu. Numa delas, um jovem turista pede para ver o número de prisioneiro tatuado no braço de Krzeminski. O jovem olha e diz que o número está meio apagado. “É que eu não quis retocar”, responde o velho, talvez no único momento de humor do filme. Krzeminski também é responsável pela manutenção e conserto das malas abandonadas pelos judeus antes de serem mortos nas câmaras de gás. Por razões óbvias, Krzeminski não recebe bem o jovem alemão e o trata de maneira bem rude, assim como os poloneses da cidade. Sven, porém, acaba se afeiçoando ao velho, entendendo a revolta dele pelo que seus antepassados fizeram. “À Espera de Turistas” é um filme forte, um tanto melancólico, mas bastante impactante e esclarecedor. E sua mensagem é clara: as feridas do holocausto jamais serão cicatrizadas.                                       

domingo, 13 de abril de 2014

O elenco é de primeira: Clive Owen, Billy Crudup, Mila Kunis, Marion Cotillard, James Caan, Zoe Saldana e Matthias Schoenaerts. O filme é americano, de 2013, e o diretor é francês (Guillaume Canet). “Laços de Sangue” (“Blood Ties”) é um drama ambientado em Nova Iorque – o ano é 1974 – e conta a história de Chris (Owen), que sai da cadeia depois de 9 anos preso por assassinato. Seu irmão mais novo, Frank (Crudup), que é policial, tenta ajudá-lo a se reintegrar à sociedade e a se reaproximar da mulher Monica (Marion) e dos dois filhos. Até arruma um emprego para ele numa oficina mecânica. Mas o gênio rebelde e violento de Chris vai levá-lo de volta ao crime. Enquanto isso, Frank está completamente obcecado pela ex-namorada Vanessa (Zoe Saldana), que está casada e tem uma filha com Anthony Scarfo (Schoenaerts), um ex-marginal que afirma estar limpo há tempos. A obsessão por Monica vai fazer com que Frank prenda Scarfo – o filme dá a entender que as provas foram forjadas pelo policial. Todas essas histórias paralelas servem de pano de fundo para o que realmente interessa, que é o relacionamento conflituoso entre os irmãos. O filme fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes 2013 e teve boa recepção por parte de público e crítica. É um bom filme, valorizado por um desfecho surpreendente e, principalmente, pelo ótimo elenco.          

sábado, 12 de abril de 2014

“Quando eu era sombrio” (“I Used to be darker”) é um exemplar clássico do cinema independente a mericano. Filme de baixo orçamento, com atores pouco conhecidos, liberdade total às ideias do diretor – no caso Mattew Porterfield – e lançamento restrito apenas a alguns festivais de cinema. Aliás, o filme foi bastante elogiado nos festivais de Sundance, Berlim, BAFICI (Buenos Aires) e Atlanta, este último concedendo-lhe o prêmio de Melhor Filme. A história gira em torno da jovem Taryn, que se refugia na casa dos tios Kim (Kim Taylor) e Bill (Ned Oldham), em Baltimore, sem saber que os dois estão se separando. Portanto, quando ela chega, pensando fazer uma surpresa agradável, encontra o clima pesadíssimo na casa. Para piorar, chega de Nova Iorque a filha do casal, Abby (Hannah Gross), para passar as férias escolares com os pais. O ambiente fica ainda mais insuportável, pois Abby, que nunca se deu muito bem com a mãe, vai responsabilizá-la pela separação. O filme tem um lado musical muito forte, pois Kim é cantora de uma banda de rock e Bill é um antigo guitarrista que abandonou a música para ganhar dinheiro em outra atividade. Os números musicais até que não são ruins, mas acabam cansando. Como curiosidade, o filme tem a participação, numa ponta – aliás, numa pontinha -, da atriz francesa Adèle Exarchopoulos, de “Azul é a Cor mais Quente”.
Quando foi lançado no Festival de Cannes 2013, “Azul é a Cor mais Quente” (“La vie d’Adèle”) ficou marcado por algumas polêmicas. Primeira, é claro, sobre as longas cenas de sexo quase explícitas entre as duas protagonistas principais, Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux) – há também outra cena de sexo bastante ousada entre Adèle e um namoradinho no começo do filme. Outra polêmica envolveu o elenco, particularmente as atrizes Adèle e Léa, e o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, acusado de ser um monstro tirano e torturador. O filme acabou ganhando a Palma de Ouro de Cannes e as duas atrizes dividiram o Prêmio de Melhor Atriz. Os prêmios foram mais do que justos, pois o filme é muito bom e o trabalho das atrizes é espetacular, principalmente Adèle, um fenômeno. Impossível não se emocionar com o seu desempenho. O filme é baseado na história em quadrinhos adulta “Le Bleu est une Couper Chaude”, criada pela francesa Julie Maroh. Em dúvida sobre a sua preferência sexual, Adéle (a personagem) é uma adolescente de 15 anos que se apaixona por Emma, lésbica assumida. Adèle leva Emma para jantar e apresentá-la aos seus pais, mas esconde o caso. O mesmo faz Emma, cujos pais conhecem e aceitam a opção da filha. Em suas três horas de duração, o filme vai acompanhar a paixão obsessiva das duas jovens. Embora todos os principais protagonistas sejam jovens, os diálogos são bastante inteligentes. Você já imaginou dois jovens estudantes do Ensino Fundamental aqui no Brasil discutindo Sartre? Independente das polêmicas, o filme é obrigatório para quem gosta de cinema de qualidade.    

quinta-feira, 10 de abril de 2014

“Vida de Adulto” (“Adult World”), de 2012, EUA, com direção de Scott Coffey, é uma comédia independente que estreou no Tribeca Film Festival em abril de 2013, sendo bem recebida pelo público. Conta a história de Amy Anderson (Emma Roberts), uma jovem de 22 anos que tem o sonho de se tornar uma grande poetisa. Há tempos que ela envia suas poesias a jornais, revistas e editoras, mas não consegue publicar nenhuma. Desempregada e sem dinheiro, Amy vive às custas dos pais. Numa discussão caseira sobre sua situação financeira e seu sonho profissional, a coisa acaba em briga e Amy resolve sair de casa. Para se sustentar, vai trabalhar numa loja de artigos pornográficos chamada Adult World. Algum tempo depois ela conhece, numa sessão de autógrafos, o poeta Rat Billings (John Cusack), um de seus ídolos, e pede a ele que a ajude a ser uma grande poetisa. A relação entre os dois não será nada boa, principalmente depois que ele resolve editar uma coletânea e promete incluir um poema de Amy – só que não avisa que a coletânea terá o título de “Poemas Ruins”. Emma Roberts é filha do ator Eric Roberts e, portanto, sobrinha de Júlia Roberts. Ao contrário da tia, ela é baixinha e apenas "bonitinha". É o seu primeiro papel como protagonista principal. Sua atuação parece um pouco forçada, mas se sai bem nos momentos de humor. Incomoda um pouco a sua voz esganiçada. Nada disso, porém, prejudica o filme, bom para assistir numa sessão da tarde com pipoca.                  

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Quem gosta de um bom suspense não pode perder “Filho de Caim” (“Fill de Caín”), produção espanhola de 2013 dirigida por Jesús Monillaó. É filme para você ficar tenso e gruado na poltrona do começo ao fim. Nico (David Solans) é um garoto de 15 anos muito estranho. Não tem amigos e só tem uma paixão: o jogo de xadrez. Ele se isola do mundo diante de um tabuleiro, jogando contra si próprio. Os pais, Carlos Albert (José Coronado) e Coral (Maria Molins) sempre adiam a contratação de um psicólogo. Até que Nico começa a mostrar o seu lado psicopata. O filme deixa bem claro que o problema do garoto é o pai. Albert e Coral decidem finalmente contratar um psicólogo, Júlio Beltran (Julio Manrique), que por coincidência havia sido namorado de Carol antes dela se casar com Albert. O tratamento parece que está dando certo. Julio até inscreve o jovem na escola de xadrez mais conceituada da cidade. Inteligente e com um QI altíssimo, Nico, na verdade, está manipulando todos à sua volta, inclusive o psicólogo, para conseguir o desfecho que havia planejado. Que não será, obviamente, muito agradável. O filme é excelente e os atores são ótimos, principalmente José Coronado, talvez o melhor ator espanhol da atualidade. Mas quem dá show mesmo é o estreante David Solans, que a cada olhar sinistro vai fazer você apertar com mais força os braços da poltrona.
Convém tomar um Dramin antes de começar a assistir “Até o Fim” (“All is Lost”). Afinal, serão 106 minutos no mar ao lado de Robert Redford, cujo personagem, um experiente navegador, não tem nome, profissão ou outra qualquer indicação de sua vida civil. Ele está navegando em seu belo veleiro de 12 metros pelo Oceano Pacífico (não há também explicação sobre o motivo da viagem). A embarcação tem o nome de “Virginia Jean” (quem será essa mulher?). Um dia, ele acorda com um estrondo: um contêiner à deriva bate no barco e provoca um rombo no casco. A água que entra danifica o rádio e os instrumentos de navegação. Mas isso não é o pior. Uns dias depois, vem uma violenta tempestade que acaba por afundar o veleiro. O jeito é se virar com o bote salva-vidas inflável. Impossível não associar a situação do navegador com a da astronauta vivida por Sandra Bullock em “Gravidade”. Ambos buscam sobreviver, sozinhos e abandonados à própria sorte: Bullock perdida no espaço e Redford no vasto oceano. Assim como em “Gravidade”, o suspense e a tensão predominam desde o começo até o final do filme. E mesmo com apenas um personagem, sem qualquer diálogo ou monólogo, “Até o Fim” não fica monótono em nenhum momento. O filme recebeu apenas uma indicação para o Oscar 2014 (Melhor Edição de Som), uma grande injustiça com Redford, que merecia concorrer a Melhor Ator.  

terça-feira, 8 de abril de 2014

“Metro Manila” (co-produção Reino Unido/Filipinas de 2012), dirigido pelo inglês Sean Ellis, justifica plenamente  toda a fama que o precede. Foi aclamado em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no Sundance Film Festival 2013, no qual fez sua estreia, além de ter sido indicado para concorrer ao Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro pelo Reino Unido, embora seja falado em filipino. Não é para menos. Este ótimo drama social, que a partir da sua metade ganha ação e suspense e se transforma num vigoroso thriller policial, conta a história de Oscar Ramirez (Jake Macapagal), um pequeno e pobre agricultor que abandona os campos de arroz no norte das Filipinas para tentar uma vida melhor na capital Manila (Metro Manila é o nome dado à região metropolitana da cidade).  Ele leva a esposa Mai (Althea Vega) e as duas filhas pequenas. O casal vai encarar a dura realidade de uma cidade grande e se deparar com gente da pior espécie. Oscar consegue o emprego de motorista numa empresa de segurança transportadora de valores e Mai vai trabalhar como dançarina numa casa noturna. Ao ser bajulado pelo seu chefe Ong (John Arcilla) na firma de segurança, Oscar não percebe que está sendo manipulado para participar de um golpe. Quando finalmente percebe, é tarde demais, pois ele já está envolvido até o pescoço na tramoia. Um incidente fatal, porém, vai fazer o plano ir por água abaixo. É aí então que Oscar deixa a ingenuidade de lado e parte para a ação, o que vai levar a um desfecho surpreendente e, ao mesmo tempo, tocante. Um filmaço simplesmente imperdível!    

domingo, 6 de abril de 2014

Os irmaõs Joel e Ethan Coen escreveram e dirigiram “Balada de um Homem Comum” (“Inside Llewyn Davis”), produção de 2013. Conta a história de Llewyn Davis (Oscar Isaac), que na Nova Iorque do início da década de 60 abandona um emprego na marinha mercante para tentar o sucesso como cantor e compositor de música folk, gênero que consagrou Bob Dylan e Joan Baez. O personagem Llewyn Davis foi inspirado num cantor que realmente existiu, um tal de Dave von Ronk. Um achado dos irmãos Coen. Fracassado, sem dinheiro, ele não tem nem onde dormir, nem casaco para vestir no inverno rigoroso de Nova Iorque. Passa as noites de favor na casa de um ou outro amigo. Apesar disso, é arrogante e se acha o máximo. Até que ele agrada a plateia quando canta num barzinho especializado em apresentações ao vivo de músicos de folk. Quando finalmente consegue um teste com um empresário importante que pode alavancar sua carreira, estraga tudo ao cantar a canção “The Death of Queen Jane”, cuja letra fala da morte de uma mulher durante o parto. Ou seja, sem nenhuma chance de conseguir sucesso junto ao público e nem de vendagem. Apesar do tom melancólico da história e do seu personagem principal, há ótimos e divertidos diálogos. O filme teve duas indicações para o Oscar 2014: de melhor fotografia e mixagem de som. Não ganhou nem um nem outro. Talvez tenha sido injusta a não indicação do ator guatemalteco Oscar Isaac, ótimo no papel de Davis.  
Anunciado como comédia, o filme francês “Pai por Acaso” (“Monsier Papa”), de 2012, é mais sentimental do que cômico. Filho de mãe solteira, o garoto Marius (Gaspard Meier-Chaurand), de 12 anos, sente falta de um pai. Sua mãe, Marie Vallois (Michèle Laroque), é presidente de uma empreiteira da construção civil e não tem muito tempo para dedicar ao filho. Ela sempre diz a Marius que seu pai está viajando pelo mundo e que no momento está na Amazônia. Revoltado, Marius começa a dar trabalho na escola e a cometer pequenos delitos, até ser detido num shopping center. Sem saber o que fazer, Marie tem a ideia de arranjar um pai “postiço” e consegue convencer Robert Pique (Kad Merad, também diretor do filme) a interpretar esse papel. A intenção inicial é promover apenas um único encontro entre os dois. Entretanto, Marius e Robert se dão tão bem que será muito difícil separá-los. Marie ainda tenta, contratando Robert para sua empresa e o enviando para comandar uma obra na África do Sul. O filme é muito agradável de assistir, tem lá seus momentos de humor e deixa uma mensagem muito clara para quem ainda acha que os pais biológicos jamais podem ser substituídos. Um programa gostoso para curtir com a família.

sábado, 5 de abril de 2014

Uma reflexão sobre a China contemporânea. Foi assim que o filme “Um Toque de Pecado” (“Tian Zhu Ding”, ou no inglês “A Touch of Sin”) foi lançado nos cinemas e apresentado no Festival de Cannes de 2013, quando conquistou o prêmio de Melhor Roteiro. Se você estiver em busca de entretenimento leve, porém, passe longe. São quatro episódios, independentes uns dos outros, que contam a história de personagens comuns cuja única ligação será o desfecho trágico destinado a cada um deles. No primeiro episódio, um trabalhador se revolta contra a corrupção em sua aldeia; no segundo, um homem comete crimes brutais para ajudar a família; no terceiro, uma jovem recepcionista numa sauna masculina revida com violência o assédio sexual de dois homens; no último, um jovem não aguenta a pressão de ser explorado nos empregos. Não é um filme agradável de assistir, pois tem muitas cenas de violência explícita, duas delas contra animais. Mas é um filme importante por destacar o estilo de um diretor que está sendo considerado um dos melhores do cinema chinês atual. Uma coisa é certa: impossível ficar indiferente ao filme durante e ao final de sua exibição. É claro que muitos críticos profissionais escreveram verdadeiros tratados sociológicos para explicar as intenções do diretor. É melhor você assistir e tirar suas próprias conclusões. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

“Diana” é um filme inglês de 2012 que conta a história do romance da Princesa Diana (Naomi Watts) com o médico paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). O caso começou em 1995, quando Lady Di, separada do Princípe Charles e em processo de divórcio, conhece o médico durante visita a um amigo no Hospital Royal Brompton, em Londres. Eles ficaram juntos até poucos meses antes da morte de Diana, em agosto de 1997. A história é baseada no livro “Diana: her Last Love”, escrito em 2001 por Kate Snell. O curioso é que o médico paquistanês, cirurgião cardíaco, sempre negou – e nega até hoje – que teve um caso com Diana. Os ingleses odiaram o filme, não só atacando sua qualidade cinematográfica, mas, principalmente, por revelar a vida íntima de sua querida princesa. O filme, dirigido por Oliver Hirschbiegel, acirrou ainda mais a polêmica. Além do romance com o médico, o filme destaca a participação de Lady Di em causas humanitárias por todo o mundo, além da sua privacidade constantemente ameaçada pelos paparazzi, assédio que provavelmente tenha sido a causa do acidente que a matou. A atriz australiana Naomi Wattis está ótima como Diana, papel destinado inicialmente à americana Jessica Chastain (“A Hora mais Escura”). A maioria dos críticos profissionais não gostou do filme. Eu gostei e recomendo.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

“O Guardião das Causas Perdidas” (“Kvinden I Buret” ou no inglês “The Keeper of Lost Causes”), dirigido por Mikkel Norgaard, é um suspense dinamarquês de tirar o fôlego. Depois de ser baleado numa missão em que resolveu agir por conta própria, sem esperar a chegada de reforços, como estava combinado, o detetive Carl Morck (Nikolaj Lie Kaas) é transferido para um setor de casos arquivados sem solução. Muito a contragosto, é obrigado a aceitar como assistente o policial Assad (Fares Fares). O primeiro caso que reabrem envolve o desaparecimento de uma mulher, Merete Lynggaard (Sonja Richter), há cinco anos. As conclusões da época levam a crer que ela se suicidou, atirando-se ao mar de uma balsa. As investigações de Carl e Assad, porém, vão mudar o rumo da história. O resumo fica por aqui para não estragar as surpresas do enredo. O filme foi um grande sucesso de público quando estreou nos cinemas da Dinamarca, no final de 2013. E realmente, o filme é muito bom. Tem ação e suspense na dose certa, uma história bem elaborada, um vilão assustador e um detetive mal-humorado, arrogante, rebelde e estressado. Enfim, os clichês que fazem um bom filme policial. Um programão para quem curte o gênero.         

segunda-feira, 31 de março de 2014

Produzido em 2012 e dirigido por Walter Doehner, o filme mexicano “Viento en Contra” é um policial com muita ação e suspense. Nesse ponto, não decepciona. Luiza (Bárbara Mori) é uma executiva em ascensão numa empresa de fundos de investimento na Cidade do México. Ela descobre, porém, um desvio de dinheiro da empresa para as Ilhas Cayman. A partir daí, passa a ser perseguida tanto por bandidos como pela polícia. O roteiro tem algumas mancadas. Uma delas: em fuga alucinada com o filho, ela diz que está morrendo de fome e resolve parar num restaurante chique para jantar, pede um suco de maçã para o filho e um copo d’água. “O que vamos pedir, mamãe?”, pergunta o filho. Ela responde: “Nada, não tenho dinheiro”.  O menino paga o suco e eles vão embora. Por que então entraram no restaurante? Impossível também não associar a interpretação dos atores ao estilo dos novelões mexicanos. Mas o filme não é tão ruim quanto parece e, para os padrões mexicanos, deve ser encarado como uma superprodução. As cenas de ação são bem feitas, a história prende a atenção e há uma reviravolta no final que realmente surpreende. A atriz uruguaia Bárbara Mori é muito bonita e dá conta do recado. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. 

domingo, 30 de março de 2014


Como a maioria das comédias românticas, “Noivos por Acaso” (“One Small Hitch”), 2013, não foge à regra: é previsível demais. Molly (Aubrey Dollar) está no aeroporto aguardando o voo para Chicago, onde sua mãe se casará pela segunda vez. Ela vai levar o namorado para a família conhecer, mas, enquanto espera a chamada para embarcar, fica sabendo sem querer que ele é casado. Claro que a relação vai acabar ali. Ela, então, fica arrasada, mas eis que aparece Josh (Shane McRae), um amigo de infância que também vai para Chicago visitar o pai que está muito doente. Josh conta a Molly que o sonho do seu pai, antes de morrer, é ver o filho casado ou pelo menos encaminhado nesse sentido. Sensibilizada, Molly topa fingir que é noiva de Josh. As duas famílias ficam entusiasmadas com a notícia do futuro casamento e aí começam as confusões. E mesmo com algumas reviravoltas, você já sabe de antemão quem vai formar o casal do “happy end”. O filme até que começa bem, mas não engrena. Em nenhum momento consegue ser engraçado nem engraçadinho. Apenas bobinho.  
“O Grande Herói” (“Lone Survivor”), 2012, é um drama de guerra baseado numa história real que aconteceu em 2005, durante a Operação “Asa Vermelha”, criada e planejada pela Marinha dos EUA para localizar e matar o líder terrorista talibã Shah, escondido numa vila remota no Afeganistão. Quatro soldados de elite, liderados pelo oficial Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), foram designados para a missão, até então considerada de fácil execução. Eles verão, porém, que na prática as coisas não acontecerão como o planejado. Ao se aproximarem da vila, os soldados são surpreendidos por três pastores de cabras. Ao invés de prendê-los, impedindo que avisem os talibãs, os soldados resolvem soltá-los. Por causa desse imprevisto, acham melhor abortar a missão e chamar os helicópteros para resgatá-los. Tarde demais. De repente, centenas de talibãs saem em seu encalço e aí eles vão sofrer na pele - e nos ossos – as consequências do escrúpulo que tiveram ao liberar os pastores. As cenas são de um incrível realismo, principalmente aquelas em que os soldados despencam morro abaixo, chocando-se contra pedras e árvores. Um filmaço, repleto de ação e suspense do começo ao fim. O famoso filme super bonder: você não consegue desgrudar da poltrona. Outro ótimo filme nessa linha é “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, dirigido por Ridley Scott, também baseado em fatos reais.