sábado, 1 de outubro de 2016

O drama “CONSUMIDA” (“CONSUMED”), 2015, EUA, direção de Daryl Wein, aborda um assunto dos mais polêmicos da atualidade, ou seja, os alimentos transgênicos (geneticamente modificados), também conhecidos por OGMs. A história é centrada em Sophie (a feiosa Zoe Lister-Jones), uma jovem mãe de um garoto que começa a ter erupções alérgicas pelo corpo. Após consultar vários médicos e não chegar a uma conclusão satisfatória, Sophie começa a pesquisar tudo a respeito de alimentos transgênicos. Ela irá descobrir que o problema de seu filho pode estar ligado ao consumo de alimentos geneticamente modificados produzidos por uma empresa chamada Clonestra. Durante suas pesquisas, Sophie vai visitar a fazenda do agricultor Hal (Danny Glover, bastante envelhecido), cujas plantações estão sendo comprometidas pelas sementes geneticamente modificadas que chegam da fazenda vizinha pelo vento. O filme inteiro é dedicado à discussão sobre os prováveis efeitos danosos das OGMs. Nos créditos finais, aliás, há informações bastante interessantes e alarmantes sobre o assunto. Não há até hoje, por exemplo, estudos médicos e científicos sérios sobre os transgênicos e as suas eventuais consequências para o ser humano. No final do filme você certamente pensará duas vezes antes de consumir algum. O roteiro foi escrito pelo diretor Daryl Wein em parceria com a atriz Zoe Lister-Jones, sua esposa na vida real.                               
Exibido pela primeira vez na abertura da 19ª edição do Festival de Cinema de Málaga, em abril último, “TORO” foi comparado ao estilo dos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino. O filme espanhol, estrelado pelos astros Mario Casas e Luis Tosar, tem bastante violência e frenéticas cenas de ação, além de algumas mulheres bonitas. Toro (Casas) trabalhava para o poderoso Romano (José Sacristán), chefão mafioso que domina a região de Andaluzia. Um dia, porém, Toro abandona a gangue de Romano e segue em frente com os irmãos também marginais. Durante um assalto fracassado, um deles morre e Toro é preso. López (Tosar) consegue escapar. Enquanto Toro cumpre sua pena, López acaba roubando o mafioso. Quando sai em condicional, Toro é obrigado a interceder pelo irmão e aí também será alvo da turma pesada de Romano. O filme é bastante movimentado, graças ao roteiro de Rafael Cobos (do ótimo “Isla Mínima”) e à direção firme de Kike Maillo. Funciona como uma sessão da tarde para adultos, pois a violência corre solta.                            

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Adicione humor negro, cenas bizarras e doses caprichadas de surreal. Misture bem e você terá um filme como “QUEDA LIVRE” (“SZABADESÉS”), Hungria, 2014. Ao assistir, não tente entender o que está acontecendo. Apenas assista. Vou tentar explicar o roteiro. Uma idosa (Piroska Molnar) tenta o suicídio pulando do alto de um prédio de sete andares. Não consegue seu intento e volta ao prédio para tentar de novo. O elevador está quebrado e ela é obrigada a subir pelas escadas. À medida que passa pelos andares, uma história diferente acontece, sempre ligada a um determinado apartamento daquele piso. A aula de um guru; uma festa chique com a anfitriã nua; um boi jantando com uma família; um casal com fobia de germes fazendo sexo envolto em plástico; um ginecologista fazendo um parto ao contrário, ou seja, colocando o bebê de volta na mulher... E o filme segue até o fim mostrando essa série de situações absurdas, fruto certamente de uma mente doentia, no caso a do diretor húngaro Pálfi György, que também é autor do roteiro. Como já havia feito em filmes como “Taxidermia”, de 2006, György quis chocar a plateia. O filme integrou a mostra “Digital Project” do Festival de Cinema de Jeonju (Coreia do Sul). Vale a pena assistir para conhecer um projeto tão esquisito.                        

terça-feira, 27 de setembro de 2016

 

“AS MONTANHAS SE SEPARAM” (“Shan He Gu Ren”), China, 2015, direção de Zhang-Ke Jia (“Um Toque de Pecado” e “Em Busca da Vida”). A história começa em 1999, na província de Shanxi. A jovem Tao (Zhao Tao), 18 anos, é disputada por dois amigos de infância, Zhang Jinsheng (Yi Zhang) e Liangzi (Jing Dong Liang). Zhang é proprietário de um posto de gasolina, rico, empreendedor. Liangzi é pobre, trabalha numa mina de carvão. Tao acaba casando com Zhang, enquanto Liangzi, para fugir da mulher amada, muda de cidade para tentar uma vida nova. Aí o filme pula para 2014. Tao está separada do marido e perde a guarda do filho, enquanto Liangzi, muito doente, volta para Shanxi com a mulher e o filho. O filme dá mais um salto e chega a 2025. Estamos na Austrália e, a partir daí, a história fica centrada no filho de Tao e Zhang, já um rapaz, e sua relação de amizade com a professora Mia (Sylvia Chang). O clima do filme é novelesco, melodramático, e alguns fatos incoerentes prejudicam o seu desenrolar, como o sumiço repentino e inexplicável de alguns personagens até então importantes, como Liangzi e a própria Tao. Resumindo, o filme é fraco, um tanto enfadonho, embora tenha uma bela fotografia e cenários deslumbrantes. O filme foi exibido na competição oficial do Festival de Cannes 2015, sendo recebido sem muito entusiasmo.                       

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

“LABIRINTO DE MENTIRAS” (“Im Labyrinth des Schweigens”), 2015, Alemanha, 127 minutos, filme de estreia do diretor italiano Giulio Ricciarelli, que também escreveu o roteiro, baseado em fatos reais, em parceria com Elisabeth Bartel. Berlim, 1958. Treze anos depois do fim da Segunda Grande Guerra, ao passar na porta de uma escola, um jornalista vê um professor que havia sido seu torturador em Auschwitz, famoso campo de concentração instalado na Polônia pelos nazistas. O jornalista faz a denúncia ao jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling), que inicia a investigação sobre os supostos crimes de guerra praticados pelos alemães (na época, se sabia pouco sobre o Holocausto). Determinado a punir os alemães que trabalharam em Auschwitz e foram responsáveis pelas mais diversas atrocidades, entre eles Adolf Eichmann e Josef Mengele, o procurador enfrentará inúmeros obstáculos. Um deles, colocado pelas próprias autoridades governamentais da Alemanha, que não gostariam que o assunto voltasse à tona. Ao longo de seu trabalho, Radmann descobrirá que o nazismo esteve bastante entranhado na sociedade alemã durante a guerra. O esforço de Radmann culminou, em 1963, com o famoso “Julgamento de Frankfurt”, ao final do qual foram condenados 18 alemães que cometeram atrocidades em Auschwitz. Candidato oficial da Alemanha ao Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2016, o filme foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Imperdível!                     

domingo, 25 de setembro de 2016

 

“AURORAS NASCEM TRANQUILAS” (“A ZORI ZDES TIKHIE”), 2015, Rússia, direção de Renat Davletyarov. Trata-se da refilmagem do filme do mesmo nome produzido em 1972 e que foi nomeado para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1973. Baseada em fatos reais, relatados no livro escrito por Boris Vasilyev, a história é ambientada na província de Karelia (fronteira da Rússia com a Finlândia) durante a primavera de 1942. Aqui está instalada uma pequena unidade de artilharia antiaérea formada por jovens mulheres inexperientes sob o comando do sargento Fedot Vaskov (Pyotr Fyodorov). O filme enaltece o feito heroico dessas corajosas mulheres, que lutaram bravamente contra um batalhão de elite do exército alemão que planejava explodir as ferrovias de Kirov e do Mar Branco. Embora em menor número, a unidade feminina conseguiu conter os alemães até a chegada de reforços. O filme é historicamente interessante, pois faz menção a vários episódios da Segunda Grande Guerra ocorridos em território russo. O filme procura amenizar o pano de fundo trágico com alguns momentos de humor, principalmente durante o treinamento das jovens recrutas. Por falar nelas, são todas representadas por atrizes russas muito bonitas. Será que as personagens originais também eram? Duvido. De qualquer forma, o filme é bastante atrativo, com muita ação e suspense. Enfim, mais um bom drama de guerra que vale a pena ser visto.                 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um terrível e chocante fato histórico pouco conhecido é o tema central do excelente drama francês “AGNUS DEI” (“LES INOCCENTES”), 2015, roteiro de Madeleine Pauliac e direção de Anne Fontaine. Ao final da Segunda Guerra Mundial, soldados russos estupraram várias freiras de um convento no interior da Polônia. Muitas delas engravidaram e precisaram de cuidados médicos. A enfermeira francesa Mathilde Beaulieu (Lou de Laâge), que na ocasião trabalhava para a Cruz Vermelha no atendimento a cidadãos do seu país num acampamento próximo ao convento, foi procurada por uma das freiras para realizar o parto de uma delas. No convento, Mathilde viu que outras freiras precisavam de cuidados médicos, pois também estavam grávidas. Para isso, Mathilde teria de enfrentar duas grandes dificuldades. A primeira delas: as freiras não permitiam que fossem tocadas. Segunda dificuldade: Mathilde estava proibida de sair de seu posto. Ela saía escondida, na maioria das vezes de madrugada, para prestar atendimento às freiras. A jovem atriz francesa Lou de Laâge dá um show de interpretação. Também deve ser destacado o trabalho das atrizes polonesas que formam o resto do elenco, principalmente Agata Kulesza (madre superiora), Agata Buzek (irmã Maria) e Joanna Kulig (irmã Irena). Um filme forte, de grande impacto, que merece ser visto. Da mesma diretora, recomendo o ótimo “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, bem mais leve.       

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O drama biográfico canadense “BORN TO BE BLUE” (ainda sem tradução por aqui) é baseado na vida do lendário trompetista e cantor de jazz Chet Baker (1929/1988). A história é toda ambientada nos anos 60, quando Chet (Ethan Hawke) tenta recuperar a carreira depois de ficar preso por porte de drogas. Seu vício em heroína o levaria à decadência artística e à morte. O roteirista e diretor Robert Budreau (este é o seu segundo longa) centra a história no romance de Chet com Jane (Carmen Ejogo), uma atriz em início de carreira, e nos desafios enfrentados pelo músico para voltar à cena do jazz. Além das drogas, ele tinha problema com seus dentes da frente, arrebentados por capangas de um traficante para o qual Chet devia uma grana. Ele tocava com os dentes colados e, muitas vezes, tinha de segurá-los para não caírem durante as apresentações. O filme é simplesmente espetacular, um primor para os olhos e ouvidos. O desempenho de Hawke é incrível e a trilha sonora simplesmente deliciosa. Uma das cenas mais bonitas e emocionantes acontece num estúdio onde Chet se apresentaria para importantes produtores musicais. Ele canta e toca “My Funny Valentine”. Mesmo com o pedido dos técnicos do estúdio para que a plateia não se manifeste durante e depois da apresentação, já que seria tudo gravado, o pessoal não consegue segurar os aplausos no final.  É de arrepiar, assim como sua apresentação ao vivo no Birdland, famoso clube de jazz de Nova Iorque, onde ele toca e canta "Born to be Blue", a canção que dá nome ao filme. Na plateia, entre os que aplaudem Chet com entusiasmo, estão nada menos do que Dizzy Gillespie e Miles Davis, outros monstros sagrados do jazz. O filme estreou no Toronto International Film Festival, em setembro de 2015, arrancando elogios do público e dos críticos. Realmente, um filmaço. Simplesmente imperdível!    

domingo, 18 de setembro de 2016

O drama “MEU AMIGO HINDU”, 2015, foi o último filme escrito e dirigido pelo diretor argentino – naturalizado brasileiro – Héctor Babenco, que morreu em julho de 2016. O filme é todo falado em inglês, certamente para facilitar o trabalho do ator Willem Dafoe, o principal protagonista. O restante do elenco é de primeira: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara Paz, Selton Mello, Ary Fontoura, Dan Stulbach, Dalton Vigh, Maitê Proença e Tânia Khalill. Conforme prometeu nos créditos iniciais – “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei” –, Babenco conta sua própria história de sofrimento na luta contra um câncer linfático. O longo tratamento ao qual foi submetido, antes e depois do transplante de medula óssea, toma conta de grande parte do filme. É num hospital de Washington (EUA) que ele conhece o tal amigo hindu do título, um garoto indiano de 8 anos também internado para tratar de um câncer. Babenco – que no filme é Diego Fairman – costumava contar histórias para o menino durante as sessões de quimioterapia. Os críticos profissionais não gostaram do filme. Eu não achei assim tão ruim. Concordo, porém, que não faz jus à competência habitual de Babenco, comprovada em filmes como “Pixote, A Lei do mais Fraco”, “Lúcio Flácio, Passageiro da Agonia”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Carandiru” e “Ironweed”, no qual dirigiu Jack Nicholson e Meryl Streep.   

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

“UM ROMANCE PROIBIDO” (“AMIRA & SAM”), EUA, 2014, roteiro e direção de Sean Mullin, estreante em longas – ele é mais conhecido como roteirista e diretor de curtas. O filme é um drama romântico com algumas – poucas - pitadas de humor. Conta a história de Amira (a atriz saudita Dina Shihabi), uma imigrante ilegal iraquiana que vive em Nova Iorque vendendo DVD’s piratas. Por intermédio de seu tio, Amira acaba conhecendo Sam (Martin Starr), ex-soldado americano que lutou no Iraque. No começo, Sam é rejeitado por Amira por causa da guerra – os americanos mataram seu irmão. Aos poucos, os dois acabam se apaixonando. Tudo muito previsível e forçado demais. Insosso demais. O ator Martin Starr é feio e sem graça, tem um jeito meio bobalhão. Com essa falta de carisma, fica difícil aturá-lo durante os 90 minutos de projeção. Dina Shihabi também não é bonita, mas tenta pelo menos ser espontânea, mas também não consegue angariar muita simpatia. Enfim, um casal sem aquele “tchan” para comover o espectador e fazê-lo torcer por um final feliz.  Aliás, para quem assistir, o final feliz será quando o filme termina. Descartável!   

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

“O EXÉRCITO DO CRIME” (“L’ARMÉE DU CRIME”), 2009, França, roteiro de Gilles Taurand e direção de Robert Guédiguian. Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes sobre a resistência francesa à ocupação nazista durante a Segunda Grande Guerra. Baseada em fatos reais, a história relembra a luta de um grande grupo de militantes autodenominado Exército de Libertação, responsável por inúmeros atentados que mataram oficiais e soldados alemães. Interessante que, além de franceses, o grupo tinha imigrantes romenos, espanhóis, poloneses, judeus, italianos, húngaros e armênios, pessoas que amavam a França, lutaram e morreram por ela. O maior mérito do filme foi destacar a vergonhosa e covarde colaboração das autoridades policiais francesas aos nazistas, principalmente na repressão ao pessoal da Resistência. Em fevereiro de 1944, 22 homens e uma mulher, militantes do Exército de Libertação, foram fuzilados pelos alemães, que depois distribuíram cartazes com a foto de cada um deles e com o título de “O Exército do Crime”. No ótimo elenco, os mais conhecidos são Simon Abkarian, Virginie Ledoyen e Jean-Pierre Darkoussin. Filme obrigatório para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse período negro - e ao mesmo heróico - da história mundial. Do diretor Guédiguian, recomendo também o maravilhoso “As Neves do Kilimanjaro”, um dos melhores filmes franceses deste século.     

terça-feira, 13 de setembro de 2016

“BISTRÔ ROMANTIQUE” (“Brasserie Romantiek”), 2014, Bélgica, longa de estreia do diretor Joël Vanhoebrouck. Comédia inteligente e muito divertida, cuja ação é toda ambientada no restaurante do título. Pasqualine (Sara de Roo), uma das proprietárias, é quem organiza as reservas e recebe os clientes. A relações-públicas da casa. Seu irmão e sócio, Angelo (Axel Daeseleire), é o chef da cozinha. É noite do Dia dos Namorados e, portanto, as reservas foram feitas só por casais, com exceção de um cliente: Frank (Koen de Bouw), antigo namorado de Pasqualine. Ela vai pirar depois de receber uma inusitada proposta de Frank. Entre os clientes da noite, um casal de meia-idade passando por um momento difícil no casamento, um quarentão tímido que marca encontro pela Internet, uma quarentona bonita prestes a se suicidar fazendo “roleta-russa” com uma caixa de bombons, um velho metido a besta querendo mostrar que entende de vinhos, enfim, tipos estranhos colocados em situações bastante divertidas. Ao mesmo tempo, a câmera invade a todo instante a cozinha do restaurante, mostrando o estressante trabalho de Angelo e seus assistentes na elaboração dos pedidos. É de dar água na boca. O filme é, literalmente, uma delícia. Imperdível!           
 
          

                                                 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“A MARCHA” (“La Marche”), França, 2015, roteiro e direção do belga Nabil Ben Yadir. Baseado em fatos reais, o filme aborda um assunto que continua mobilizando a Europa: a questão dos imigrantes. O filme francês relembra o caso que ficou famoso em 1983, ou seja, a marcha por direitos civis, pela igualdade e contra o racismo, organizada por um pequeno grupo de imigrantes árabes e alguns simpatizantes, entre eles o padre Dubois (Olivier Gourmet), a canadense Claire (Charlotte Le Bon) e o francês Sylvain (Vincent Rottiers). Inspirado nos exemplos de Gandhi e Martin Luther King, o grupo partiu de Marselha com o objetivo de chegar a Paris, em meio ao rigoroso inverno francês, num trajeto de cerca de 800 km. Durante o percurso, eles foram chamando a atenção da opinião pública e da mídia, o que era um dos objetivos da marcha, além de receber o ingresso de muitos voluntários e simpatizantes da causa pelo caminho. Aos poucos, a turma foi crescendo e, em Paris, já eram mais de 100 mil pessoas. A marcha assumiu tal importância que o presidente da época, François Mitterrand, fez questão de receber seus líderes. Depois da marcha, os imigrantes na França conseguiram algumas conquistas, mas, como se vê hoje em dia, ainda falta muito para serem considerados verdadeiros cidadãos franceses. Embora em outro contexto, o filme lembra muito o norte-americano “Selma”, que aborda a marcha organizada por Martin Luther King, na década de 60, pelo fim do racismo. Ainda no elenco do ótimo filme francês estão Hafsia Herzi, Jamel Debbouze e Lubna Azabal. Programão!        
 

          

sábado, 10 de setembro de 2016

Suspense dos melhores este “ZIPPER”, 2015, EUA, roteiro e direção de Mora Stephens, cuja primeira exibição aconteceu no Festival de Sundance/2015. O procurador federal Sam Ellis (Patrick Wilson) está em franca ascensão em sua carreira. Faz tanto sucesso que já é cogitada sua candidatura ao Senado. Em países sérios como os EUA, porém, o candidato a um cargo público é obrigado a manter um comportamento exemplar, além de um passado sem nenhuma mácula. Ou seja, ter a ficha limpa tanto na vida particular como na profissional. A história de Ellis começa numa festa com o pessoal do escritório para comemorar mais uma de suas vitórias no Tribunal. Copo vai, copo desce, Ellis acaba aos beijos com a bela estagiária Dalia (Dianna Agron), que confessa estar apaixonada por ele. O procurador, pensando nas consequências, dá um basta na hora. Para aliviar a tensão causada por Dalia, Ellis acaba procurando uma agência de “acompanhantes” de alta classe, embora tenha em casa uma esposa da melhor qualidade (Lena Headey, de “Game of Thrones”). Ellis fica viciado no sexo “clandestino”, não consegue manter o zíper fechado, o que justifica o título original do filme. Só que um dia o FBI começa a investigar a tal agência de “acompanhantes”. Ellis entra em pânico, pois precisa apagar suas “digitais” da tal agência para não comprometer a sua já anunciada candidatura ao Senado. Daí pra frente o suspense só aumenta e o filme fica ainda melhor. Completam o elenco Richard Dreyfuss, Ray Winstone e Alexandra Breckenridge. Programão!      
 
          

                                                 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

 
“CALVÁRIO” (“Calvary”), 2014, Irlanda, roteiro e direção de John Michael McDanagh (do ótimo “O Guarda”). A história é ótima. Ambientada numa pequena cidade litorânea da Irlanda, começa com o padre James Lavelle (Brendan Gleeson) no confessionário, ouvindo um homem que diz ter sido molestado por um padre quando era ainda uma criança. Depois de fornecer detalhes escabrosos sobre o que aconteceu, o homem encerra o assunto afirmando que vai assassiná-lo no próximo domingo. O padre Ravelli passa a viver a tensão que precederá esse dia fatídico, iniciando o seu período de calvário. Enumerando os dias da semana antes do domingo tristemente aguardado, o filme faz uma clara referência às etapas que antecederam a crucificação e morte de Jesus Cristo. Nesse período, o padre tenta resolver o problema da filha Fiona (Kelly Reilly), que nasceu antes de Ravelle ser ordenado. Fiona tentou se matar por causa de um amor fracassado. Além disso, se vê às voltas com paroquianos nada católicos, como uma mulher que trai o marido com um negro, uma outra mulher viciada em cocaína, um homem rico que trata a Igreja com total desdém e um padre auxiliar que não tem “jogo de cintura”. Embora todas essas situações sejam abordadas em meio a diálogos inteligentes e bem-humorados, o clima de tensão até o desfecho permanece sempre latente até o trágico desfecho. O filme é muito bom e a atuação do ator inglês Brendan Gleeson melhor ainda. “Calvary” recebeu os prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Ator (Gleeson) no Irish Filme & Television Awards 2014 e também o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Berlim 2014.            

                                                 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O veterano cineasta alemão Werner Herzog escreveu e dirigiu “RAINHA DO DESERTO” (“QUEEN OF THE DESERT”), 2015, EUA, baseado na fascinante história de Gertrude Bell (1868-1926), uma aristocrata inglesa que viveu durante muitos anos no Oriente Médio e que trabalhou como representante do governo britânico na região. Arqueóloga formada na Universidade de Oxford, resolveu abandonar a tediosa vida em família para se aventurar no Oriente Médio nos primeiros anos do século 20. Pelo seu conhecimento do mundo árabe, Gertrude passou a representar o governo britânico na região, fez amizade com T. E. Lawrence, que ficaria famoso como o Lawrence da Arábia, e ainda contribuiu e participou da criação dos estados do Iraque e Jordânia. Uma história e tanto, que também teve inúmeras aventuras e perigos. Em suas andanças pelo deserto, fez amizade com os sheiks mais sanguinários, seduzindo-os com seu charme e presentes. Nicole Kidman interpreta Gertrude, numa atuação bastante contestada pelos críticos, que também não gostaram do trabalho de Herzog. Quando foi exibido no Festival de Berlim, ganhou até algumas vaias. Eu não achei o filme tão ruim assim. A história é fascinante, a produção caprichada e os cenários deslumbrantes, embora concorde que Nicole não tenha atuado muito bem. Também completam o elenco James Franco, Robert Pattinson (mais uma vez, um desastre) e Damian Lewis. Vale pela história.   

                                                 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

 
“NINGUÉM QUER A NOITE” (“NADIE QUIERE LA NOCHE”), Espanha, 2015, direção de Isabel Coixet, conta a incrível aventura da exploradora Josephine Peary (Juliette Binoche) para ir ao encontro do marido, o também explorador norte-americano Robert Peary, lá pelos lados do Pólo Norte. Esses dois personagens realmente existiram. Robert, inclusive, é considerado o primeiro homem branco a chegar ao Polo Norte, em 1909. Pelo que a divulgação do filme dá a entender, porém, a história do filme é fruto da imaginação do roteirista Miguel Barros São duas horas de uma tela praticamente branca de neve, tempestades e um frio de muitos graus abaixo de zero. Dá para tremer só de assistir. Josephine é uma mulher teimosa. Mesmo depois do conselho do amigo e também explorador Briem Trevor (Gabriel Byrne), que a alertou sobre os perigos de viajar em pleno inverno polar, lá foi ela para o meio da neve e das tempestades. Ela sofre o diabo até chegar a um acampamento e se instala numa cabana aparentemente segura. Mas o pior virá depois. Ela fica amiga de Allaka (Rinko Kikuchi), uma jovem esquimó que mora num iglu perto da cabana. As duas irão dividir um sofrimento ainda maior. O filme foi escolhido para a abertura do Festival de Berlim 2015. Ainda da diretora Isabel Coixet, recomendo os filmes ”Fatal” e “Minha Vida sem Mim”.  

                                                 
O drama norte-americano “AMOR POR DIREITO” (“Freeheld”), 2015, direção de Peter Sollett, coloca lado a lado duas das mais competentes atrizes do cinema atual, a veterana Julianne Moore e a jovem Ellen Page. Elas arrasam como o casal de lésbicas da história, baseada em fatos reais ocorridos no Condado de Ocean Bounty, em New Jersey, nos primeiros anos da década de 2000 e que já havia sido tema do documentário “Freeheld”, que ganhou o Oscar em 2007. A policial Laurel Hester (Julianne) conhece a mecânica Stacie (Page), 20 anos mais moça. Elas se apaixonam, resolvem juntar os trapos e vão morar juntas. Desde que entrou para a polícia, Laurel sempre escondeu sua opção sexual para não prejudicar a carreira, pois ela almejava o cargo de Tenente. Só que o destino lhe reservou uma notícia trágica: um câncer em estágio avançado. A partir daí, o filme entra na seara jurídica, já que Laurel quer deixar sua pensão de policial para a parceira. Começa a briga judicial contra os vereadores do condado, que são contra a concessão. Quem entra na briga, a favor de Laurel, é o advogado judeu Steve Goldstein (Steve Carell), um ativista radical dos direitos da turma homossexual – ele mesmo é gay. Laurel também conta com a ajuda do seu fiel parceiro na polícia, Dane Wells (Michael Shannon). O embate jurídico toma conta da meia-hora final do filme, ao mesmo tempo em que Laurel enfrenta seus últimos dias, resultando em cenas bastante realistas e comoventes. É excepcional o trabalho de Julianne Moore e Ellen Page, com grandes chances de indicações ao próximo Oscar. Page, aliás, ganhou coragem para sair do armário e se declarar lésbica após as filmagens. Nos créditos finais, o filme mostra fotos das verdadeiras Laurel e Stacie. Imperdível!                                                 

domingo, 4 de setembro de 2016

 

“COMO O VENTO” (“COME IL VENTO”), 2013, Itália, roteiro e direção de Marco Simon Puccioni. A história é baseada em fatos reais, no caso a trajetória de Armida Miserere (Valeria Golino), que por 15 anos (1988 a 2003) foi diretora de várias prisões na Itália, a maioria delas com bandidos de alta periculosidade. Com muita coragem e pulso forte, Armida enfrentou a ira de terroristas e organizações criminosas como a Camorra e a Máfia. Por causa disso, ela era chamada de “Coronel” e também de “A Fêmea Besta”. Sua principal motivação na luta contra o crime foi o assassinato, em 1989, do seu namorado Umberto Mormile (Filippo Timi), educador na prisão de Milão. Ela não mediu esforços para descobrir os responsáveis pelo crime, um mistério que seria solucionado somente em 2001. Enfim, uma história de coragem que terminaria tragicamente em 2003, quando Armida, em estado de profunda depressão, atentaria contra a própria vida. A atriz Valeria Golino, bem mais bonita que a personagem original, dá um show de interpretação. Um gol de placa do diretor italiano Puccioni, mais conhecido pelos seus documentários. Um filme instigante, forte, uma história incrível de uma mulher sem medo. Um filmaço!                                           

sábado, 3 de setembro de 2016

“LITTLE BOY – ALÉM DO IMPOSSÍVEL” (“Little Boy”), 2015, EUA, direção do mexicano Alejandro Gómez Monteverde. Ambientada durante a Segunda Grande Guerra na pequena O’Hare (Califórnia), a história é centrada no garoto Pepper (Jacob Salvati), de 8 anos. Ele se desespera quando o pai, James Busbee (Michael Rapaport), seu maior ídolo e parceiro, é enviado para o front nas Filipinas. Depois de participar de um show com um mágico (Ben Chaplin), Pepper acredita que o poder da mente pode acabar com a guerra e trazer seu pai de volta. O filme inteiro gira em torno dessa esperança do garoto, alimentada pelo padre Oliver (Tom Wilkinson), que o orienta a cumprir algumas tarefas para conseguir seu objetivo. Uma delas é fazer amizade com o japonês Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa), discriminado pela população local pela sua origem. Ainda estão no elenco Emily Watson, como a mãe de Pepper, e David Henrie, como o irmão mais velho. O astro do filme, porém, é sem dúvida o pequeno ator Jacob Salvati, cuja atuação garante momentos bastante comoventes. Embora não seja um filme religioso, o filme tem como pano de fundo a fé como elemento primordial da esperança e, na cabeça inocente de um menino, assume uma força ainda maior. O filme comove e diverte, garantindo um ótimo entretenimento para uma sessão da tarde com a família.                      

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

“DECISÃO DE RISCO” (“Eye in the Sky”), 2015, Inglaterra, roteiro e direção de Gavin Hood (“Infância Roubada”). A coronel Katherine Powell (Helen Mirren), do exército inglês, está no comando de uma operação que visa a captura de perigosos terroristas, entre eles uma cidadã britânica que passou para “o outro lado”. Eles estão em Nairobi, no Quênia, onde seus movimentos são vigiados por um avião-drone espião. As imagens são transmitidas para o centro de operações onde está a coronel Powel e também para uma sala de reuniões onde estão importantes autoridades do governo inglês, além do general Frank Benson (Alan Rickman). As imagens também chegam a uma base nos EUA, de onde o piloto Steve Watts (Aaron Paul) comanda o avião-drone. Os planos de captura mudam quando descobrem que na casa onde os terroristas estão reunidos encontram-se dois homens-bomba prestes a sair para praticar algum atentado. Nesse caso, a ordem é exterminar o grupo utilizando um míssel instalado no avião-drone. A situação, que já era tensa, transforma-se num dilema para as autoridades, pois temem que o míssel possa causar efeitos colaterais, atingindo a população civil, incluindo crianças. Aí ninguém quer tomar a tal “decisão de risco”. O filme é ótimo, tem clima de suspense do começo ao fim e até algumas tiradas cômicas, como a dor de barriga do Ministro das Relações Exteriores. Entretenimento de primeira! O filme é dedicado ao ator inglês Alan Rickman, que faleceu em janeiro deste ano.  

                                      

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Como cinéfilo inveterado, não perco filmes biográficos de artistas ou que contam histórias de bastidores do cinema. Por isso, não podia deixar de assistir – para depois comentar - “LIFE: UM RETRATO DE JAMES DEAN” (“Life”), 2014, EUA, direção do holandês Anton Corbijn (“Um Homem Misterioso”, com George Clooney). O filme, cuja primeira exibição aconteceu no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, conta a história da relação entre o então desconhecido James Dean (Dane DeHaan) e o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). O encontro entre os dois aconteceu em 1955 pouco antes da estreia de “Vidas Amargas”. Stock teve a intuição de que Dean seria um astro famoso e propôs a ele um ensaio fotográfico para a revista Life. Meio a contragosto, já que detestava os holofotes, Dean topou a empreitada, e o ensaio fotográfico foi um grande sucesso, principalmente porque o ator se consagraria no filme “Juventude Transviada” e morreria logo depois num acidente automobilístico. O filme também aborda o caso amoroso tumultuado de Dean com a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi). O roteiro, escrito por Luke Davies, foi baseado no livro “James Dean: Fifty Years Ago”, escrito pelo próprio Dennis Stock em 2005. Também estão no elenco Ben Kingsley, como Jack Warner, e Joel Edgerton. Trata-se de um filme obrigatório para os cinéfilos de plantão ou para quem quiser conhecer um pouco da personalidade de um dos maiores ídolos do cinema, apesar de ter feito apenas dois filmes.