
sábado, 1 de outubro de 2016

Exibido
pela primeira vez na abertura da 19ª edição do Festival de Cinema de Málaga, em
abril último, “TORO” foi
comparado ao estilo dos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino. O filme espanhol, estrelado
pelos astros Mario Casas e Luis Tosar, tem bastante violência e frenéticas
cenas de ação, além de algumas mulheres bonitas. Toro (Casas) trabalhava para o
poderoso Romano (José Sacristán), chefão mafioso que domina a região de
Andaluzia. Um dia, porém, Toro abandona a gangue de Romano e segue em frente
com os irmãos também marginais. Durante um assalto fracassado, um deles morre e Toro é
preso. López (Tosar) consegue escapar. Enquanto Toro cumpre sua pena, López acaba
roubando o mafioso. Quando sai em condicional, Toro é obrigado a interceder
pelo irmão e aí também será alvo da turma pesada de Romano. O filme é bastante
movimentado, graças ao roteiro de Rafael Cobos (do ótimo “Isla Mínima”) e à
direção firme de Kike Maillo. Funciona como uma sessão da tarde para adultos,
pois a violência corre solta.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Adicione
humor negro, cenas bizarras e doses caprichadas de surreal. Misture bem e você
terá um filme como “QUEDA LIVRE” (“SZABADESÉS”), Hungria,
2014. Ao assistir, não tente entender o que está acontecendo. Apenas assista. Vou
tentar explicar o roteiro. Uma idosa (Piroska Molnar) tenta o suicídio pulando
do alto de um prédio de sete andares. Não consegue seu intento e volta ao
prédio para tentar de novo. O elevador está quebrado e ela é obrigada a subir pelas escadas. À medida que passa
pelos andares, uma história diferente acontece, sempre ligada a um determinado
apartamento daquele piso. A aula de um guru; uma festa chique com a anfitriã nua;
um boi jantando com uma família; um casal com fobia de germes fazendo sexo envolto
em plástico; um ginecologista fazendo um parto ao contrário, ou seja, colocando
o bebê de volta na mulher... E o filme segue até o fim mostrando essa série de
situações absurdas, fruto certamente de uma mente doentia, no caso a do diretor
húngaro Pálfi György, que também é autor do roteiro. Como já havia feito em
filmes como “Taxidermia”, de 2006, György quis chocar a plateia. O filme integrou
a mostra “Digital Project” do Festival de Cinema de Jeonju (Coreia do Sul).
Vale a pena assistir para conhecer um projeto tão esquisito.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
“AS MONTANHAS SE SEPARAM” (“Shan He Gu Ren”), China, 2015,
direção de Zhang-Ke Jia (“Um Toque de Pecado” e “Em Busca da Vida”). A história
começa em 1999, na província de Shanxi. A jovem Tao (Zhao Tao), 18 anos, é disputada
por dois amigos de infância, Zhang Jinsheng (Yi Zhang) e Liangzi (Jing Dong
Liang). Zhang é proprietário de um posto de gasolina, rico, empreendedor.
Liangzi é pobre, trabalha numa mina de carvão. Tao acaba casando com Zhang,
enquanto Liangzi, para fugir da mulher amada, muda de cidade para tentar uma
vida nova. Aí o filme pula para 2014. Tao está separada do marido e perde a
guarda do filho, enquanto Liangzi, muito doente, volta para Shanxi com a mulher
e o filho. O filme dá mais um salto e chega a 2025. Estamos na Austrália e, a
partir daí, a história fica centrada no filho de Tao e Zhang, já um rapaz, e
sua relação de amizade com a professora Mia (Sylvia Chang). O clima do filme é
novelesco, melodramático, e alguns fatos incoerentes prejudicam o seu
desenrolar, como o sumiço repentino e inexplicável de alguns personagens até
então importantes, como Liangzi e a própria Tao. Resumindo, o filme é fraco, um
tanto enfadonho, embora tenha uma bela fotografia e cenários deslumbrantes. O
filme foi exibido na competição oficial do Festival de Cannes 2015, sendo
recebido sem muito entusiasmo.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
“LABIRINTO DE MENTIRAS” (“Im Labyrinth des
Schweigens”), 2015, Alemanha, 127 minutos, filme de estreia do
diretor italiano Giulio Ricciarelli, que também escreveu o roteiro, baseado em
fatos reais, em parceria com Elisabeth Bartel. Berlim, 1958. Treze anos depois
do fim da Segunda Grande Guerra, ao passar na porta de uma escola, um
jornalista vê um professor que havia sido seu torturador em Auschwitz, famoso
campo de concentração instalado na Polônia pelos nazistas. O jornalista faz a
denúncia ao jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling), que inicia a
investigação sobre os supostos crimes de guerra praticados pelos alemães (na
época, se sabia pouco sobre o Holocausto). Determinado a punir os alemães que
trabalharam em Auschwitz e foram responsáveis pelas mais diversas atrocidades, entre
eles Adolf Eichmann e Josef Mengele, o procurador enfrentará inúmeros obstáculos.
Um deles, colocado pelas próprias autoridades governamentais da Alemanha, que
não gostariam que o assunto voltasse à tona. Ao longo de seu trabalho, Radmann
descobrirá que o nazismo esteve bastante entranhado na sociedade alemã durante
a guerra. O esforço de Radmann culminou, em 1963, com o famoso “Julgamento de Frankfurt”,
ao final do qual foram condenados 18 alemães que cometeram atrocidades em Auschwitz.
Candidato oficial da Alemanha ao Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar
2016, o filme foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,
em outubro de 2015. Imperdível!
domingo, 25 de setembro de 2016
“AURORAS NASCEM TRANQUILAS” (“A ZORI ZDES TIKHIE”), 2015, Rússia,
direção de Renat Davletyarov. Trata-se da refilmagem do filme do mesmo nome
produzido em 1972 e que foi nomeado para disputar o Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 1973. Baseada em fatos reais, relatados no livro escrito por Boris Vasilyev, a história é ambientada na província de Karelia
(fronteira da Rússia com a Finlândia) durante a primavera de 1942. Aqui está
instalada uma pequena unidade de artilharia antiaérea formada por jovens
mulheres inexperientes sob o comando do sargento Fedot Vaskov (Pyotr Fyodorov).
O filme enaltece o feito heroico dessas corajosas mulheres, que lutaram bravamente
contra um batalhão de elite do exército alemão que planejava explodir as
ferrovias de Kirov e do Mar Branco. Embora em menor número, a unidade feminina
conseguiu conter os alemães até a chegada de reforços. O filme é historicamente
interessante, pois faz menção a vários episódios da Segunda Grande Guerra ocorridos em
território russo. O filme procura amenizar o pano de fundo trágico com alguns
momentos de humor, principalmente durante o treinamento das jovens recrutas.
Por falar nelas, são todas representadas por atrizes russas muito bonitas. Será
que as personagens originais também eram? Duvido. De qualquer forma, o filme é bastante
atrativo, com muita ação e suspense. Enfim, mais um bom drama de guerra que vale a pena ser visto.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Um terrível
e chocante fato histórico pouco conhecido é o tema central do excelente drama
francês “AGNUS DEI” (“LES INOCCENTES”), 2015, roteiro
de Madeleine Pauliac e direção de Anne Fontaine. Ao final da Segunda Guerra
Mundial, soldados russos estupraram várias freiras de um convento no interior
da Polônia. Muitas delas engravidaram e precisaram de cuidados médicos. A enfermeira
francesa Mathilde Beaulieu (Lou de Laâge), que na ocasião trabalhava para a
Cruz Vermelha no atendimento a cidadãos do seu país num acampamento próximo ao
convento, foi procurada por uma das freiras para realizar o parto de uma delas.
No convento, Mathilde viu que outras freiras precisavam de cuidados médicos,
pois também estavam grávidas. Para isso, Mathilde teria de enfrentar duas
grandes dificuldades. A primeira delas: as freiras não permitiam que fossem
tocadas. Segunda dificuldade: Mathilde estava proibida de sair de seu posto.
Ela saía escondida, na maioria das vezes de madrugada, para prestar atendimento
às freiras. A jovem atriz francesa Lou de Laâge dá um show de interpretação.
Também deve ser destacado o trabalho das atrizes polonesas que formam o resto do elenco, principalmente Agata Kulesza (madre
superiora), Agata Buzek (irmã Maria) e Joanna Kulig (irmã Irena). Um filme
forte, de grande impacto, que merece ser visto. Da mesma diretora, recomendo o
ótimo “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, bem mais leve.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
O drama
biográfico canadense “BORN TO BE BLUE” (ainda sem tradução por aqui) é baseado
na vida do lendário trompetista e cantor de jazz Chet Baker (1929/1988). A
história é toda ambientada nos anos 60, quando Chet (Ethan Hawke) tenta
recuperar a carreira depois de ficar preso por porte de drogas. Seu vício em
heroína o levaria à decadência artística e à morte. O roteirista e diretor
Robert Budreau (este é o seu segundo longa) centra a história no romance de Chet
com Jane (Carmen Ejogo), uma atriz em início de carreira, e nos desafios
enfrentados pelo músico para voltar à cena do jazz. Além das drogas, ele tinha
problema com seus dentes da frente, arrebentados por capangas de um traficante
para o qual Chet devia uma grana. Ele tocava com os dentes colados e, muitas
vezes, tinha de segurá-los para não caírem durante as apresentações. O filme é
simplesmente espetacular, um primor para os olhos e ouvidos. O desempenho de
Hawke é incrível e a trilha sonora simplesmente deliciosa. Uma das cenas mais
bonitas e emocionantes acontece num estúdio onde Chet se apresentaria para importantes
produtores musicais. Ele canta e toca “My Funny Valentine”. Mesmo com o pedido dos
técnicos do estúdio para que a plateia não se manifeste durante e depois da
apresentação, já que seria tudo gravado, o pessoal não consegue segurar os aplausos no final. É de arrepiar, assim como sua apresentação ao vivo no Birdland, famoso clube de jazz de Nova Iorque, onde ele toca e canta "Born to be Blue", a canção que dá nome ao filme. Na plateia, entre os que aplaudem Chet com entusiasmo, estão nada menos do que Dizzy Gillespie e Miles Davis, outros monstros sagrados do jazz. O filme estreou no Toronto
International Film Festival, em setembro de 2015, arrancando elogios do público
e dos críticos. Realmente, um filmaço. Simplesmente imperdível!
domingo, 18 de setembro de 2016
O drama “MEU AMIGO HINDU”, 2015, foi o último filme escrito
e dirigido pelo diretor argentino – naturalizado brasileiro – Héctor Babenco,
que morreu em julho de 2016. O filme é todo falado em inglês, certamente para
facilitar o trabalho do ator Willem Dafoe, o principal protagonista. O restante
do elenco é de primeira: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara
Paz, Selton Mello, Ary Fontoura, Dan Stulbach, Dalton Vigh, Maitê Proença e
Tânia Khalill. Conforme prometeu nos créditos iniciais – “O que você vai
assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei”
–, Babenco conta sua própria história de sofrimento na luta contra um câncer
linfático. O longo tratamento ao qual foi submetido, antes e depois do
transplante de medula óssea, toma conta de grande parte do filme. É num
hospital de Washington (EUA) que ele conhece o tal amigo hindu do título, um
garoto indiano de 8 anos também internado para tratar de um câncer. Babenco – que
no filme é Diego Fairman – costumava contar histórias para o menino durante as
sessões de quimioterapia. Os críticos profissionais não gostaram do filme. Eu
não achei assim tão ruim. Concordo, porém, que não faz jus à competência
habitual de Babenco, comprovada em filmes como “Pixote, A Lei do mais Fraco”, “Lúcio
Flácio, Passageiro da Agonia”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Carandiru” e “Ironweed”,
no qual dirigiu Jack Nicholson e Meryl Streep.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
“UM ROMANCE PROIBIDO” (“AMIRA & SAM”), EUA,
2014, roteiro e direção de Sean Mullin, estreante em longas – ele é mais
conhecido como roteirista e diretor de curtas. O filme é um drama romântico com
algumas – poucas - pitadas de humor. Conta a história de Amira (a atriz saudita
Dina Shihabi), uma imigrante ilegal iraquiana que vive em Nova Iorque vendendo
DVD’s piratas. Por intermédio de seu tio, Amira acaba conhecendo Sam (Martin
Starr), ex-soldado americano que lutou no Iraque. No começo, Sam é rejeitado
por Amira por causa da guerra – os americanos mataram seu irmão. Aos poucos, os
dois acabam se apaixonando. Tudo muito previsível e forçado demais. Insosso demais. O ator
Martin Starr é feio e sem graça, tem um jeito meio bobalhão. Com essa falta de
carisma, fica difícil aturá-lo durante os 90 minutos de projeção. Dina Shihabi também
não é bonita, mas tenta pelo menos ser espontânea, mas também não consegue angariar muita
simpatia. Enfim, um casal sem aquele “tchan”
para comover o espectador e fazê-lo torcer por um final feliz. Aliás, para quem assistir, o final feliz será
quando o filme termina. Descartável!
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
“O EXÉRCITO DO CRIME” (“L’ARMÉE DU CRIME”), 2009,
França, roteiro de Gilles Taurand e direção de Robert Guédiguian. Este é, sem
dúvida, um dos melhores filmes sobre a resistência francesa à ocupação nazista
durante a Segunda Grande Guerra. Baseada em fatos reais, a história relembra a
luta de um grande grupo de militantes autodenominado Exército de Libertação, responsável
por inúmeros atentados que mataram oficiais e soldados alemães. Interessante
que, além de franceses, o grupo tinha imigrantes romenos, espanhóis, poloneses,
judeus, italianos, húngaros e armênios, pessoas que amavam a França, lutaram e
morreram por ela. O maior mérito do filme foi destacar a vergonhosa e covarde colaboração
das autoridades policiais francesas aos nazistas, principalmente na repressão
ao pessoal da Resistência. Em fevereiro de 1944, 22
homens e uma mulher, militantes do Exército de Libertação, foram fuzilados
pelos alemães, que depois distribuíram cartazes com a foto de cada um deles e com
o título de “O Exército do Crime”. No ótimo
elenco, os mais conhecidos são Simon Abkarian, Virginie Ledoyen e Jean-Pierre
Darkoussin. Filme obrigatório para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse período
negro - e ao mesmo heróico - da história mundial. Do diretor Guédiguian, recomendo também o
maravilhoso “As Neves do Kilimanjaro”, um dos melhores filmes franceses deste
século.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
“BISTRÔ ROMANTIQUE” (“Brasserie Romantiek”), 2014,
Bélgica, longa de estreia do diretor Joël Vanhoebrouck. Comédia inteligente e
muito divertida, cuja ação é toda ambientada no restaurante do título.
Pasqualine (Sara de Roo), uma das proprietárias, é quem organiza as reservas e
recebe os clientes. A relações-públicas da casa. Seu irmão e sócio, Angelo
(Axel Daeseleire), é o chef da
cozinha. É noite do Dia dos Namorados e, portanto, as reservas foram feitas só
por casais, com exceção de um cliente: Frank (Koen de Bouw), antigo namorado de
Pasqualine. Ela vai pirar depois de receber uma inusitada proposta de Frank. Entre
os clientes da noite, um casal de meia-idade passando por um momento difícil no
casamento, um quarentão tímido que marca encontro pela Internet, uma quarentona
bonita prestes a se suicidar fazendo “roleta-russa” com uma caixa de bombons,
um velho metido a besta querendo mostrar que entende de vinhos, enfim, tipos
estranhos colocados em situações bastante divertidas. Ao mesmo tempo, a câmera
invade a todo instante a cozinha do restaurante, mostrando o estressante
trabalho de Angelo e seus assistentes na elaboração dos pedidos. É de dar água
na boca. O filme é, literalmente, uma delícia. Imperdível!
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
“A MARCHA” (“La Marche”), França,
2015, roteiro e direção do belga Nabil Ben Yadir. Baseado em fatos reais, o
filme aborda um assunto que continua mobilizando a Europa: a questão dos
imigrantes. O filme francês relembra o caso que ficou famoso em 1983, ou seja,
a marcha por direitos civis, pela igualdade e contra o racismo, organizada por
um pequeno grupo de imigrantes árabes e alguns simpatizantes, entre eles o
padre Dubois (Olivier Gourmet), a canadense Claire (Charlotte Le Bon) e o
francês Sylvain (Vincent Rottiers). Inspirado nos exemplos de Gandhi e Martin
Luther King, o grupo partiu de Marselha com o objetivo de chegar a Paris, em
meio ao rigoroso inverno francês, num trajeto de cerca de 800 km. Durante o
percurso, eles foram chamando a atenção da opinião pública e da mídia, o que
era um dos objetivos da marcha, além de receber o ingresso de muitos
voluntários e simpatizantes da causa pelo caminho. Aos poucos, a turma foi crescendo e, em Paris, já
eram mais de 100 mil pessoas. A marcha assumiu tal importância que o presidente
da época, François Mitterrand, fez questão de receber seus líderes. Depois da
marcha, os imigrantes na França conseguiram algumas conquistas, mas, como se vê
hoje em dia, ainda falta muito para serem considerados verdadeiros cidadãos
franceses. Embora em outro contexto, o filme lembra muito o norte-americano “Selma”,
que aborda a marcha organizada por Martin Luther King, na década de 60, pelo
fim do racismo. Ainda no elenco do ótimo filme francês estão Hafsia Herzi,
Jamel Debbouze e Lubna Azabal. Programão!
sábado, 10 de setembro de 2016
Suspense
dos melhores este “ZIPPER”, 2015,
EUA, roteiro e direção de Mora Stephens, cuja primeira exibição aconteceu no
Festival de Sundance/2015. O procurador federal Sam Ellis (Patrick Wilson) está
em franca ascensão em sua carreira. Faz tanto sucesso que já é cogitada sua
candidatura ao Senado. Em países sérios como os EUA, porém, o candidato a um
cargo público é obrigado a manter um comportamento exemplar, além de um passado
sem nenhuma mácula. Ou seja, ter a ficha limpa tanto na vida particular como na
profissional. A história de Ellis começa numa festa com o pessoal do escritório
para comemorar mais uma de suas vitórias no Tribunal. Copo vai, copo desce,
Ellis acaba aos beijos com a bela estagiária Dalia (Dianna Agron), que confessa
estar apaixonada por ele. O procurador, pensando nas consequências, dá um basta
na hora. Para aliviar a tensão causada por Dalia, Ellis acaba procurando uma
agência de “acompanhantes” de alta classe, embora tenha em casa uma esposa da
melhor qualidade (Lena Headey, de “Game of Thrones”). Ellis fica viciado no
sexo “clandestino”, não consegue manter o zíper fechado, o que justifica o
título original do filme. Só que um dia o FBI começa a investigar a tal agência
de “acompanhantes”. Ellis entra em pânico, pois precisa apagar suas “digitais”
da tal agência para não comprometer a sua já anunciada candidatura ao Senado. Daí
pra frente o suspense só aumenta e o filme fica ainda melhor. Completam o
elenco Richard Dreyfuss, Ray Winstone e Alexandra Breckenridge. Programão!
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
“CALVÁRIO” (“Calvary”), 2014, Irlanda, roteiro e
direção de John Michael McDanagh (do ótimo “O Guarda”). A história é ótima. Ambientada
numa pequena cidade litorânea da Irlanda, começa com o padre James Lavelle
(Brendan Gleeson) no confessionário, ouvindo um homem que diz ter sido molestado
por um padre quando era ainda uma criança. Depois de fornecer detalhes
escabrosos sobre o que aconteceu, o homem encerra o assunto afirmando que vai
assassiná-lo no próximo domingo. O padre Ravelli passa a viver a tensão que precederá esse
dia fatídico, iniciando o seu período de calvário. Enumerando os dias da semana
antes do domingo tristemente aguardado, o filme faz uma clara referência às
etapas que antecederam a crucificação e morte de Jesus Cristo. Nesse período, o
padre tenta resolver o problema da filha Fiona (Kelly Reilly), que nasceu antes
de Ravelle ser ordenado. Fiona tentou se matar por causa de um amor fracassado.
Além disso, se vê às voltas com paroquianos nada católicos,
como uma mulher que trai o marido com um negro, uma outra mulher viciada em
cocaína, um homem rico que trata a Igreja com total desdém e um padre auxiliar
que não tem “jogo de cintura”. Embora todas essas situações sejam abordadas em
meio a diálogos inteligentes e bem-humorados, o clima de tensão até o desfecho
permanece sempre latente até o trágico desfecho. O filme é muito bom e a
atuação do ator inglês Brendan Gleeson melhor ainda. “Calvary” recebeu os
prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Ator (Gleeson) no Irish Filme & Television
Awards 2014 e também o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Berlim 2014.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
O
veterano cineasta alemão Werner Herzog escreveu e dirigiu “RAINHA DO DESERTO” (“QUEEN OF THE DESERT”), 2015, EUA, baseado na fascinante
história de Gertrude Bell (1868-1926), uma aristocrata inglesa que viveu
durante muitos anos no Oriente Médio e que trabalhou como representante do governo
britânico na região. Arqueóloga formada na Universidade de Oxford, resolveu
abandonar a tediosa vida em família para se aventurar no Oriente Médio nos
primeiros anos do século 20. Pelo seu conhecimento do mundo árabe, Gertrude
passou a representar o governo britânico na região, fez amizade com T. E.
Lawrence, que ficaria famoso como o Lawrence da Arábia, e ainda contribuiu e
participou da criação dos estados do Iraque e Jordânia. Uma história e tanto,
que também teve inúmeras aventuras e perigos. Em suas andanças pelo deserto, fez
amizade com os sheiks mais sanguinários, seduzindo-os com seu charme e
presentes. Nicole Kidman interpreta Gertrude, numa atuação bastante contestada
pelos críticos, que também não gostaram do trabalho de Herzog. Quando foi
exibido no Festival de Berlim, ganhou até algumas vaias. Eu não achei o filme
tão ruim assim. A história é fascinante, a produção caprichada e os cenários
deslumbrantes, embora concorde que Nicole não tenha atuado muito bem. Também
completam o elenco James Franco, Robert Pattinson (mais uma vez, um desastre) e
Damian Lewis. Vale pela história.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
“NINGUÉM QUER A NOITE” (“NADIE QUIERE LA NOCHE”), Espanha,
2015, direção de Isabel Coixet, conta a incrível aventura da exploradora
Josephine Peary (Juliette Binoche) para ir ao encontro do marido, o também
explorador norte-americano Robert Peary, lá pelos lados do Pólo Norte. Esses
dois personagens realmente existiram. Robert, inclusive, é considerado o
primeiro homem branco a chegar ao Polo Norte, em 1909. Pelo que a divulgação do
filme dá a entender, porém, a história do filme é fruto da imaginação do roteirista Miguel
Barros São duas horas de uma tela praticamente branca de neve, tempestades e um
frio de muitos graus abaixo de zero. Dá para tremer só de assistir.
Josephine é uma mulher teimosa. Mesmo depois do conselho do amigo e também
explorador Briem Trevor (Gabriel Byrne), que a alertou sobre os perigos de viajar
em pleno inverno polar, lá foi ela para o meio da neve e das tempestades. Ela
sofre o diabo até chegar a um acampamento e se instala numa cabana
aparentemente segura. Mas o pior virá depois. Ela fica amiga de Allaka (Rinko
Kikuchi), uma jovem esquimó que mora num iglu perto da cabana. As duas irão
dividir um sofrimento ainda maior. O filme foi escolhido para a abertura do Festival
de Berlim 2015. Ainda da diretora Isabel Coixet, recomendo os filmes ”Fatal” e “Minha
Vida sem Mim”.
O drama
norte-americano “AMOR POR DIREITO” (“Freeheld”), 2015,
direção de Peter Sollett, coloca lado a lado duas das mais competentes atrizes
do cinema atual, a veterana Julianne Moore e a jovem Ellen Page. Elas arrasam
como o casal de lésbicas da história, baseada em fatos reais ocorridos no
Condado de Ocean Bounty, em New Jersey, nos primeiros anos da década de 2000 e
que já havia sido tema do documentário “Freeheld”, que ganhou o Oscar em 2007. A
policial Laurel Hester (Julianne) conhece a mecânica Stacie (Page), 20 anos
mais moça. Elas se apaixonam, resolvem juntar os trapos e vão morar juntas. Desde
que entrou para a polícia, Laurel sempre escondeu sua opção sexual para não
prejudicar a carreira, pois ela almejava o cargo de Tenente. Só que o destino lhe
reservou uma notícia trágica: um câncer em estágio avançado. A partir daí, o
filme entra na seara jurídica, já que Laurel quer deixar sua pensão de policial
para a parceira. Começa a briga judicial contra os vereadores do condado, que são contra a concessão. Quem
entra na briga, a favor de Laurel, é o advogado judeu Steve Goldstein (Steve
Carell), um ativista radical dos direitos da turma homossexual – ele mesmo é
gay. Laurel também conta com a ajuda do seu fiel parceiro na polícia, Dane
Wells (Michael Shannon). O embate jurídico toma conta da meia-hora final do
filme, ao mesmo tempo em que Laurel enfrenta seus últimos dias, resultando em
cenas bastante realistas e comoventes. É excepcional o trabalho de Julianne Moore
e Ellen Page, com grandes chances de indicações ao próximo Oscar. Page, aliás, ganhou
coragem para sair do armário e se declarar lésbica após as filmagens. Nos
créditos finais, o filme mostra fotos das verdadeiras Laurel e Stacie. Imperdível!
domingo, 4 de setembro de 2016
“COMO O VENTO” (“COME IL VENTO”), 2013, Itália,
roteiro e direção de Marco Simon Puccioni. A história é baseada em fatos reais,
no caso a trajetória de Armida Miserere (Valeria Golino), que por 15 anos (1988
a 2003) foi diretora de várias prisões na Itália, a maioria delas com bandidos
de alta periculosidade. Com muita coragem e pulso forte, Armida enfrentou a ira
de terroristas e organizações criminosas como a Camorra e a Máfia. Por causa
disso, ela era chamada de “Coronel” e também de “A Fêmea Besta”. Sua principal
motivação na luta contra o crime foi o assassinato, em 1989, do seu namorado
Umberto Mormile (Filippo Timi), educador na prisão de Milão. Ela não mediu
esforços para descobrir os responsáveis pelo crime, um mistério que seria solucionado
somente em 2001. Enfim, uma história de coragem que terminaria tragicamente em
2003, quando Armida, em estado de profunda depressão, atentaria contra a
própria vida. A atriz Valeria Golino, bem mais bonita que a personagem
original, dá um show de interpretação. Um gol de placa do diretor italiano
Puccioni, mais conhecido pelos seus documentários. Um filme instigante, forte,
uma história incrível de uma mulher sem medo. Um filmaço!
sábado, 3 de setembro de 2016

quarta-feira, 31 de agosto de 2016
“DECISÃO DE RISCO” (“Eye in the Sky”), 2015,
Inglaterra, roteiro e direção de Gavin Hood (“Infância Roubada”). A coronel
Katherine Powell (Helen Mirren), do exército inglês, está no comando de uma
operação que visa a captura de perigosos terroristas, entre eles uma cidadã
britânica que passou para “o outro lado”. Eles estão em Nairobi, no Quênia,
onde seus movimentos são vigiados por um avião-drone espião. As imagens são
transmitidas para o centro de operações onde está a coronel Powel e também para
uma sala de reuniões onde estão importantes autoridades do governo inglês, além
do general Frank Benson (Alan Rickman). As imagens também chegam a uma base nos
EUA, de onde o piloto Steve Watts (Aaron Paul) comanda o avião-drone. Os planos
de captura mudam quando descobrem que na casa onde os terroristas estão
reunidos encontram-se dois homens-bomba prestes a sair para praticar algum
atentado. Nesse caso, a ordem é exterminar o grupo utilizando um míssel
instalado no avião-drone. A situação, que já era tensa, transforma-se num dilema
para as autoridades, pois temem que o míssel possa causar efeitos colaterais,
atingindo a população civil, incluindo crianças. Aí ninguém quer tomar a tal “decisão
de risco”. O filme é ótimo, tem clima de suspense do começo ao fim e até
algumas tiradas cômicas, como a dor de barriga do Ministro das Relações
Exteriores. Entretenimento de primeira! O filme é dedicado ao ator inglês Alan
Rickman, que faleceu em janeiro deste ano.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Como
cinéfilo inveterado, não perco filmes biográficos de artistas ou que contam
histórias de bastidores do cinema. Por isso, não podia deixar de assistir –
para depois comentar - “LIFE: UM RETRATO
DE JAMES DEAN” (“Life”), 2014, EUA, direção do
holandês Anton Corbijn (“Um Homem Misterioso”, com George Clooney). O filme, cuja
primeira exibição aconteceu no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, conta
a história da relação entre o então desconhecido James Dean (Dane DeHaan) e o
fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). O encontro entre os dois aconteceu
em 1955 pouco antes da estreia de “Vidas Amargas”. Stock teve a intuição de que
Dean seria um astro famoso e propôs a ele um ensaio fotográfico para a revista Life.
Meio a contragosto, já que detestava os holofotes, Dean topou a empreitada, e o
ensaio fotográfico foi um grande sucesso, principalmente porque o
ator se consagraria no filme “Juventude Transviada” e morreria logo depois num acidente automobilístico. O filme também aborda o caso amoroso tumultuado de
Dean com a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi). O roteiro, escrito por
Luke Davies, foi baseado no livro “James Dean: Fifty Years Ago”, escrito pelo
próprio Dennis Stock em 2005. Também estão no elenco Ben Kingsley, como Jack Warner, e Joel Edgerton. Trata-se de um filme obrigatório para os
cinéfilos de plantão ou para quem quiser conhecer um pouco da personalidade de
um dos maiores ídolos do cinema, apesar de ter feito apenas dois filmes.
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