sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Lúgubre, macabro, depressivo, sórdido, tedioso. Somados, esses adjetivos definem com propriedade o drama francês “UMA HISTÓRIA DE AMOR” ("Une Histoire D’Amour”), 2013, estreia na direção da atriz Hélène Fillières, que também escreveu o roteiro. O título, portanto, é bastante enganoso. Falando claramente, mentiroso. A história é inspirada no livro “Sévère”, de Régis Jauffret, lançado em 2010. Um rico banqueiro (o ator belga Benoît Poelvoorde) sofre de transtornos psicológicos. Um carente psicótico. É pervertido e adora o sadomasoquismo. Esse tipo de prazer ele consegue nos encontros com uma prostituta (Laetitia Casta), que por sua vez tem uma ligação com um homem mais velho (Richard Bohringer), mas não são casados. Uma confusão que não é esclarecida, assim como o fato dos personagens não terem nome. O enredo transcorre numa série de situações inexplicáveis, compondo cenas num ritmo de dar sono. Enfim, tedioso demais, pretensioso demais. Não dá para recomendar um filme que, depois de terminar, faz você pensar por que alguém teve a coragem de produzi-lo, além de gastar um bom dinheiro com a contratação de dois astros como Benoît Poelvoorde e Laetitia Casta. Dos últimos filmes franceses que assisti, este é, sem dúvida, um dos piores.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

“O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM” (“Le Procès de Viviane Ansalem”), 2014, co-produção Israel/França, foi escrito e dirigido pelos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz. Ronit também é a atriz principal do filme. Ela interpreta Viviane Amsalem, uma mulher que há três anos luta para se divorciar de Elisha (Simon Abkerian) - ele não comparece às primeiras audiências e nem por isso é punido. O motivo da separação? Ela não o ama mais. Simples e objetivo. Lá em Israel, porém, não é tão fácil assim. O filme acompanha as audiências no decorrer de anos, durante os quais os juízes – na verdade, rabinos – pendem claramente para o lado do marido. Informação: em Israel, só os rabinos podem legitimar ou dissolver um casamento. O cenário é o mesmo o filme inteiro: uma sala com os rabinos, um escrevente, os litigantes e seus respectivos advogados. Isso não significa que o filme é entediante. A força dos diálogos, os ótimos atores e um pouco de humor – principalmente durante o depoimento de algumas testemunhas - aliviam a tensão do ambiente, transformando o filme num bom entretenimento. Aliás, este foi o candidato de Israel ao Globo de Ouro e ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro. Do mesmo gênero e temática, recomendo também o iraniano “A Separação”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2012, este sim uma pequena obra-prima.  

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

“O NOME DO FILHO” (“IL NOME DEL FIGLIO”), 2015, estreia na direção de Francesca Archibugi, uma das principais atrações da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de uma comédia italiana, na verdade uma refilmagem do filme francês “Qual o nome do bebê?”, de 2012. A história é inspirada numa peça de teatro escrita por Mathieu Delaporte e Alexandre de La Pattelière, justificando, portanto, o estilo teatral utilizado nas adaptações cinematográficas. Sandro (Luigi Lo Cascio) e Betta (Valeria Golino) recebem para jantar o cunhado Paolo (Alessandro Gassman, filho do grande Vittorio) - irmão de Betta -, sua esposa Simona (Micaela Ramazzotti), e o amigo Claudio (Rocco Papaelo). Ainda nos aperitivos, Paolo anuncia que escolheu o nome do seu futuro filho. O nome, associado a um antigo líder fascista, desagrada a todos os demais, principalmente Sandro, um fanático de esquerda. Aí começa toda a confusão. Muita roupa suja será lavada durante o jantar, mas o que importa mesmo é que os diálogos são ótimos, inteligentes, culminando com algumas revelações que irão colocar mais lenha na fogueira do ambiente. O sotaque italiano e a maneira exaltada de falar contribuem para deixar essa comédia ainda mais saborosa. As duas versões – a francesa e a italiana – são ótimas. Escolha qualquer uma e você estará garantindo muitas risadas.    
De “O Poderoso Chefão” a “Os Bons Companheiros”, este último o melhor de todos, sempre fui fã de filmes sobre a Máfia. Se a história for baseada em fatos reais, melhor ainda. É o caso de “ALIANÇA DO CRIME” (“Black Mass”), EUA, 2015, roteiro e direção de Scott Cooper ("Tudo por Justiça"), que conta a trajetória de James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais famosos de Boston, chefe da máfia irlandesa. Além disso, irmão de um poderoso senador, o que deixa a história ainda mais saborosa. Bulger é interpretado por um irreconhecível Johnny Depp, calvo e com lentes de contato que o fizeram ficar com os olhos claros. Nos anos 80, para se livrar de uma “família” da máfia italiana, concorrente de seus negócios ilícitos, Bulger resolveu ser informante do FBI. O filme apresenta fatos da vida pessoal do criminoso, sua relação com o agente do FBI John Connelly (Joel Edgerton) e, em detalhes, mostra como ele tratava os seus delatores e inimigos. A interpretação de Johnny Depp é sensacional, o que provavelmente o colocará como um dos favoritos ao Oscar 2016 (previsão minha, pois nem sei se será indicado). O filme é muito bom não apenas pela história em si, mas também pelo excelente roteiro e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta ainda com Dakota Johnson, Peter Sarsgaard, Benedict Cumberbatch, James Russo, Juno Templo, Corey Stoll e Kevin Bacon. Não deixe de ver os créditos finais, que contêm informações sobre o destino dos personagens envolvidos na história real. Resumindo, um filmaço! 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fazer papel de sujeito bonzinho não combina muito com Robert De Niro. Ainda mais num filme bonitinho, como é “UM SENHOR ESTAGIÁRIO” (“The Intern”), 2015. Prefiro o grande ator interpretando homens maus, como os mafiosos de tantos filmes, inclusive na comédia “A Máfia no Divã”. Nessa comedinha sem muita graça, De Niro é Ben Whittaker, um aposentado de 70 anos entediado com a rotina dos dias sem fazer nada, a não ser ir a velórios de amigos, programa cada vez mais frequente. Ao se deparar um cartaz de uma empresa anunciando a contratação de estagiários sêniors (mais de 65 anos), ele resolve se inscrever. Passa nos testes e começa a trabalhar. A empresa é um site de vendas de roupas fundado e administrado por Jules Ostin (Anne Hathaway). Ben é o único a trabalhar de terno e gravata. Com seu jeito de papaizão e bonachão, ele conquista a simpatia de todos e até de Jules, sem contar a massagista da empresa, Fiona (Rene Russo, ainda bonita e em grande forma). Não é aquele filme que faz gargalhar, mas tem seus momentos engraçados. O filme foi escrito e dirigido por Nancy Meyers, especialista em comédias, algumas muito boas, como  “Simplesmente Complicado”, “Alguém tem que ceder” e “O Amor não tira Férias”. Não espera muita coisa a mais do que apenas um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca e guaraná.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Primeiro filme de ficção lançado pela Netflix, “BEASTS OF NO NATION”, 2015, EUA, direção de Cary Fukunaga (da série “True Detective”) ganhou enorme repercussão não apenas pela ótima história – baseada no livro do escritor nigeriano Uzodinma Iweala - e pela excelente produção, mas também porque foi boicotado pelas distribuidoras e produtoras nos EUA – a Netflix exibe filmes pela Internet, prática comparada à pirataria.  A ideia era lançar o filme também nos cinemas e ganhar uma vaga na disputa do Oscar 2016. Deixando de lado a polêmica, o filme é muito bom, realista, de grande impacto. Pode incomodar os espectadores mais sensíveis, pois contém muita violência, cenários de extrema pobreza e crianças servindo como soldados, matando e sendo mortos. A história é ambientada num país da África em meio a uma violenta guerra civil, envolvendo o exército e grupos rebeldes. Todo mundo lutando contra todo mundo, uma matança geral. O garoto Agu (Abraham Attah) consegue fugir da sua vila dizimada e é recrutado como soldado pelo grupo rebelde chefiado pelo “Comandante” (o ótimo ator inglês Idris Alba), um líder carismático e sanguinário, especialista em fazer lavagem cerebral em meninos, transformando-os em verdadeiros assassinos. Resumindo: um filmaço!     

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

“NIGHTINGALE – Peter e sua Mãe”, 2014, é um filme produzido e exibido pela HBO – ainda não chegou aos cinemas. A direção é de Elliott Lester (“Blitz”). Os produtores são os mesmos de “Selma” e “12 Anos de Escravidão”, entre eles o astro Brad Pitt. Desconsidere a grande maioria dos sites e blogs de cinema que comentaram o filme sem tê-lo assistido, divulgando uma história que não tem nada a ver. Faço esse esclarecimento com toda segurança, pois assisti ao filme. Trata-se de um monólogo ao estilo teatral, o que deve desagradar a muitos espectadores. Só há um personagem, Peter (David Oyelowo), falando o tempo inteiro sobre a mãe repressora que finalmente o deixou em paz, sobre a liberdade de fazer o que quiser dentro de casa e sobre um antigo colega de exército que espera rever (parece que houve um caso entre os dois). Nem todo filme de um personagem só é chato. Já vimos alguns muito bons, tais como “Náufrago”, com Tom Hanks, “Até o Fim”, com Robert Redford, e podemos considerar ainda “Gravidade”, durante o qual Sandra Bullock passa a maior parte do tempo sozinha, perdida no espaço. O inglês David Oyelowo, de “Selma, Uma Luta pela Igualdade”, é um excelente ator e segura o monólogo com muita competência. O clima de tensão que acompanha o personagem faz com que a gente queira chegar ao final para ver o que vai acontecer.                                                             

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

“SELF/LESS” (ainda sem tradução por aqui), 2015, é um suspense norte-americano dirigido pelo indiano Tarsem Singh (de “Espelho, Espelho Meu” e “Imortais”). O tema remete a filmes de ficção científica, embora seja ambientado no tempo atual. O bilionário Damian (Ben Kingsley) tem câncer e poucos meses de vida. Sem nada a perder, ingressa num programa arrojado de troca de corpos, comandado pelo excêntrico Albright (Matthew Goode). O experimento dá certo e Damian assume a carcaça de Mark (Ryan Reynolds, de “Lanterna Verde”), um soldado do exército morto em combate no Afganistão. Devido aos remédios que é obrigado a tomar, Damian começa a ter alucinações e, numa delas, consegue visualizar Madeline (Natalie Martinez), a viúva de Mark, e a filha. O passo seguinte é tentar encontrá-las. O susto da mulher é grande, mas com muito tato ele consegue convencê-la de que é Mark. Mas não por muito tempo. Para piorar toda essa confusão, Damian descobre que os efeitos dos remédios não são permanentes e que Albright não passa de um farsante. A partir daí, Damian vai tentar desmascará-lo. O clima de suspense até que prende a atenção, mas a história é inverossímel demais, mesmo sendo uma ficção. De qualquer forma, é um filme movimentado e com ritmo alucinante até o seu final.  
“CRIMES OCULTOS” (“Child 44”), EUA, 2015, é um misto de drama, suspense e policial. Na década de 30, o ditador Joseph Stalin resolveu reprimir os ucranianos, que lutavam por sua independência. Stalin provocou a morte de 14 milhões de ucranianos (mais do que os judeus que Hitler assassinou no Holocausto), a grande maioria de fome. A matança deixou milhões de crianças órfãs. Aí vem a ficção. O filme conta a história de uma dessas crianças, Leo Demidov (interpretado em adulto por Tom Hardy). O enredo pula para 1953. Leo é um oficial do Exército russo, casado com Raisa (Noomi Rapace). Uma série de assassinatos de crianças começa a chamar a atenção das autoridades. Só que naquela época, a ordem de Stalin é que esses crimes sejam atribuídos a acidentes, como atropelamento de trem, quedas etc. “Não há assassinatos no paraíso”, conforme ditava a cartilha do governo russo. “Esse tipo de crime é coisa do Ocidente, do regime capitalista”. Os oficiais rezavam por essa cartilha. Até que o afilhado de Leo, filho de outro oficial, é assassinado. Aí ele resolve investigar por conta própria, contrariando seus superiores. O filme tem ainda no elenco Gary Oldman, Vincente Kassel e Joel Kinnaman. A direção é do sueco Daniel Espinosa. O filme é falado em inglês, mas os atores interpretam com sotaque russo, o que soa meio falso e ridículo. Embora seja o ator do momento (“Mad Max”), Tom Hardy é fraco, inexpressivo, atua no piloto automático. Muito pouco para fazer o personagem principal de um filme. Filme, aliás, que acrescenta pouco à cinematografia.                                                      

sábado, 24 de outubro de 2015

“3 CORAÇÕES” (“3 Coeurs”), 2014, roteiro e direção de Benoît Jacquot (de “Adeus, Minha Rainha”), é um drama francês que conta a história de um triângulo amoroso. O auditor fiscal Marc (Benoît Poelvoorde) está viajando a trabalho numa cidade da região de Provence. Ele perde o trem noturno que o traria de volta a Paris. Para “fazer hora”, ele entra num bar. Aqui, acaba conhecendo Sylvie (Charlotte Gainsbourg) e engata um papo que dura toda a madrugada. Paixão à primeira vista. Eles combinam de se encontrar dali a alguns dias em Paris. Só que o reencontro não dá certo e eles acabam não se vendo mais durante alguns anos. Nesse meio tempo, Marc retorna à cidade e conhece Sophie (Chiara Mastroianni, cada vez mais a cara do pai), com quem acaba se casando. Coincidência das coincidências: Sophie é irmã de Sylvie. Ambas são filhas de Madame Berger (Catherine Deneuve) - aliás, na vida real, Chiara é filha de Deneuve. Com o retorno de Sylvie, que estava morando nos EUA, a situação se complica de vez, pois Marc insiste em reviver a antiga paixão. A história é um tanto inverossímil, levando-se em conta que Marc, um quarentão beirando os cinquenta, é um sujeito feio, totalmente desprovido de charme, nada que atraia uma mulher. Ainda mais, duas. A trilha sonora conduz o espectador a um clima de suspense angustiante. O filme teve sua exibição de estreia no Festival de Veneza 2014, onde concorreu ao Leão de Ouro. É só mais um bom filme francês, o que, por si só, é uma ótima razão para ser visto.       

terça-feira, 20 de outubro de 2015

“CAREFUL WHAT YOU WISH FOR” (ainda sem tradução por aqui, mas algo como “Cuidado com o que você deseja”), EUA, 2014, direção de Elizabeth Allen Rosembaum. Trata-se de um bom suspense, que prende a atenção até o desfecho. A vida do jovem Doug (Nick Jonas, da série “Kingdom”) vai do paraíso ao inferno depois que o casal Lena (a atriz australiana Isabel Lucas) e Elliot Harper (Dermot Mulroney) aluga a casa vizinha de Doug, à beira de um lago. Elliot contrata Doug para fazer reparos num barco que acabara de comprar. A estonteante Lena vai fazer de tudo para provocar o garoto. Doug, é claro, não resiste ao charme da loira e acaba na cama com ela. Uma, duas, três e algumas outras vezes..., até ficar completamente apaixonado. Só que Lena tem outros planos, inclusive receber um seguro de 10 milhões de dólares. Doug acaba envolvido na história e entra na lista de suspeitos do xerife “Big” Jack (Paul Sorvino, enorme de gordo) e da investigadora da companhia de seguros Emma Alvarez (Kandyse McClure). Como todo bom suspense, o final reserva ao espectador uma reviravolta surpreendente, tornando o filme ainda mais interessante. Sem contar Isabel Lucas, uma tentação realmente irresistível. Confira!             

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A bela atriz norte-americana Katherine Heigl, protagonista de tantas boas comédias (”Vestida para Casar”, “Ligeiramente Grávidos”), desta vez encara um drama. Trata-se de “O CASAMENTO DE JENNY” (“Jenny’s Wedding”), 2014, direção de Mary Agnes Donoghue. Ela é Jenny, uma trintona que nunca acertou um namoro e agora, beirando os quarenta, é pressionada pela família a arrumar alguém para casar. Ela finalmente se decide, mas o “marido” não será bem a pessoa que a família esperava. Ao revelar sua paixão por Kitty (Alexis Bledel), com a qual divide o mesmo teto há cinco anos, seus pais, Eddie (Tom Wilkinson) e Rose (Linda Emond), extremamente conservadores, entram em polvorosa, assim como a irmã Anne (Grace Gummer). O filme inteiro coloca em destaque esse conflito familiar, a aceitação da escolha de Jenny e, finalmente, o seu casamento. No elenco, merece destaque a atuação do ator inglês Tom Wilkinson e da norte-americana Linda Emond. Também demonstra muita competência Grace Gummer, filha de Meryl Streep. Ao explorar um tema tão em evidência, como a aceitação ou não da opção sexual dos filhos, o filme nos motiva a refletir mais profundamente sobre a questão. Só por isso, vale a pena.     

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Produzido em 2014 e exibido no ano seguinte pela BBC, “O MENSAGEIRO” (“The Go-Between”, título original do filme e do romance escrito por L.P.Hartley) teve uma primeira versão para o cinema em 1971, com direção de Joseph Losey e com Julie Christie e Alan Bates nos papeis principais. Este “O Mensageiro”, portanto, é uma refilmagem. Mas uma refilmagem de grande categoria, com ótimos atores e uma recriação primorosa de época, além de uma fotografia deslumbrante. Como qualidade cinematográfica, portanto, não fica atrás do original. A história é ambientada em 1900 no interior da Inglaterra. A bela jovem Marian Maudsley (Joanna Vanderham) é cortejada pelo Lord Trimingham (Stephen Campbell Moore). É desejo de Mrs. Maudsley (Lesley Manville), a autoritária mãe de Marian, que os dois se casem. Só que Marian tem um amante, o fazendeiro Ted Burgess (Ben Batt). Leo, de 12 anos, sobrinho de Mrs. Maudsley, serve como garoto de recados entre os dois amantes, daí o título “O Mensageiro”. O caldo entorna quando a mãe descobre o caso da filha, numa cena em que a ótima atriz Lesley Manville dá um show de interpretação. Muitos anos depois, Leo (agora Jim Broadbent) reencontra Marian (agora Vanessa Redgrave) para decretar o desfecho da história. Aliás, um reencontro sem muita emoção, talvez o único defeito dessa caprichada produção inglesa.                                       

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O drama inglês “O DANÇARINO DO DESERTO” (“DESERT DANCER”), 2013, conta uma incrível história de coragem e amor à arte. No caso, a dança. Baseado em fatos reais recentes ocorridos no Irã, o filme marca a estreia em longas do diretor inglês Richard Raymond. A história: desde criança, o garoto iraniano Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie) adorava dançar. No colégio, era comum ele imitar a coreografia de Patrick Swayze em “Dirty Dancing”. Acontece que dançar em público, no país de Ahmadinejad, era e ainda é proibido. Afshin esqueceu a dança até ingressar na faculdade em Teerã, capital do País. Aqui, formou um grupo clandestino de dança, associando-se a Elaheh (a atriz indiana Freida Pinto), uma jovem iraniana filha de uma ex-dançarina. Inspirados em vídeos de Pina Bausch e Michael Jackson, que assistiam escondidos pela Internet, os dois criavam coreografias especiais. Só que não podiam mostrá-las em público. A solução foi organizar uma apresentação em pleno deserto. Tudo parecia ir bem até os fundamentalistas islâmicos entrarem em ação, em nome da moral e dos bons costumes. O fim da história todo mundo já sabe: Afshin foge para Paris, onde monta uma escola de dança bastante conceituada. Todo o enredo tem como pano de fundo a situação política do Irã sob Ahmadinejad, um regime de opressão no qual qualquer manifestação artística é pecado mortal.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

“O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS” (“L’HOMME QU’ON AIMAIT TROP”), 2014, direção de André Téchiné. A história é baseada em fatos reais. Em 1976, a empresária Renée Le Roux (Catherine Deneuve), proprietária do Palais de La Méditerranée, um luxuoso cassino na cidade de Nice, na Riviera Francesa, vive às voltas com uma grave crise financeira em seu negócio. Seu principal assessor é Maurice Agnelet (Guillaume Canet), um advogado ardiloso, ambicioso e manipulador. Na época, suspeitava-se que, por trás das manobras para arruinar o cassino de Renée, estava o empresário do cassino concorrente, Fratoni (Jean Corso), considerado um poderoso mafioso local. Em meio a toda essa situação, Renée recebe a visita de sua filha Agnes (Adèle Haenel), recém-separada e que chega disposta a arrancar dinheiro da mãe. Ela acabará se envolvendo com Maurice, contra todos os argumentos da mãe. O repentino desaparecimento de Agnes faz a história virar um rumoroso caso policial, com Maurice sendo acusado de assassiná-la e esconder o corpo. O mistério perdurou durante anos. Maurice foi réu em vários julgamentos, o último deles em 2014, trinta e sete anos depois do sumiço de Agnes. Não é dos melhores filmes do veterano diretor francês, mas vale pela história e, principalmente, pelo ótimo elenco e pelo cenário maravilhoso da Riviera Francesa. Guilhaume Canet, o ator francês do momento, já havia feito recentemente outro vilão num filme também baseado em fatos reais (“Na Próxima, Acerto no Coração”), no qual interpreta um policial psicopata.     
Se tiver, deixe de lado seu preconceito contra o cinema asiático e assista “FLORES DO AMANHÔ (Xiang Ri Kui”), 2005, um belo, sensível e comovente drama chinês escrito e dirigido por Zhang Yang (do cultuado e premiadíssimo “Banhos”, de 1999). Duas horas e nove minutos de puro prazer cinematográfico, tendo como pano de fundo o cenário político da China durante 30 anos. A história passa pela Revolução Cultural Proletária, a morte do grande líder Mao Tsé Tung, o Bando dos Quatro, até a época de Deng Xiao Ping. O filme começa em 1967, com o nascimento de Xiangyang (interpretado por três atores, da infância, juventude até a fase adulta). Seu pai, Gengnian (Haiyng Sun), preso pouco antes pelo regime de Mao, só irá conhecer o filho dez anos depois. Mimado pela mãe, Xiuqing (Joan Chen), o garoto só quer saber de brincar, enquanto o pai, recém-chegado, insiste para que ele se torne pintor, sua profissão até ser preso. A maior parte da história é dedicada à conflituosa relação entre pai e filho, o que rende cenas de grande força dramática. O filme retrata a evolução da sociedade chinesa diante dos novos tempos, incluindo uma mudança comportamental com relação à tradição secular de respeito aos pais e aos mais velhos em geral. Os atores são ótimos, principalmente Joan Chen e Haiyung Sun. Um filme delicado, uma pequena obra-prima do cinema chinês. Simplesmente imperdível!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

As belas paisagens do Alasca servem de cenário para o drama “WILDLIKE” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2014, roteiro e direção de Frank Hall Green. Quem pensa que o estado americano é só gelo vai se surpreender com a quantidade de verde, muita floresta e vegetação. A história: a jovem Mackenzie (Ella Purnell), de 14 anos, fica órfã de pai e sua mãe, com a desculpa de fazer um tratamento de saúde, a envia para morar um tempo com o tio (Brian Geraghty), irmão do falecido, lá nos confins do Alasca. Sem respeitar o parentesco nem a idade da sobrinha, o tio acaba partindo para o ataque sexual. Cansada e de certa forma enojada, Mackenzie foge e se embrenha sozinha pelo interior do Alasca. Ela quer voltar com urgência para Seattle, onde mora com a mãe. Só que no meio do caminho ela conhece Rene Bart (Bruce Grenwood), um homem de meia idade que está em busca de sossego e de um tempo para se recuperar da recente viuvez. Mackenzie e Bart começam então uma viagem pelo interior do Alasca, num road movie que vai agradar o espectador que curte a Natureza e belas paisagens. A jovem atriz inglesa Ella Purnell é uma espécie de Angelina Jolie teen, ou seja, uma “Lolita” de primeira, embora na vida real tenha 19 anos. Pode ser que eu me engane, mas acho que está nascendo uma nova estrela. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A comédia francesa “O QUE AS MULHERES QUEREM” (“SOUS LES JUPES DES FILLES”), 2014, tem um time de atrizes de tirar o chapéu – ou as calças, já que sexo é o tema predominante. Só para citar algumas: Laetitia Casta, Alice Taglione, Isabelle Adjani, Marina Hands, Alice Blaïdi, Audrey Fleurot e Audrey Dana, esta última estreando também como diretora. Em termos de beleza, destoa do grupo a atriz Vanessa Paradis, que, com seus dentes da frente separados, parece irmã do Alfred E. Neuman, personagem símbolo da revista Mad. Isabelle Adjani, que já foi considerada uma diva do cinema francês, está gorducha, mas não perdeu o charme. De qualquer forma, são todas ótimas atrizes e estão bem à vontade fazendo comédia. A história reúne 11 personagens mulheres, cada qual com seus problemas sentimentais. Uma delas é casada e tem quatro filhos, o que não a impede de ter um caso fora do casamento. Pior, com uma mulher. Outra descobre que o marido a trai e resolve se vingar dos dois. Tem aquela que não consegue atingir o orgasmo e ainda outra que tem sérios tiques nervosos, que só desaparecem quando o assunto é sexo. E assim transcorre o filme, com muitas situações engraçadas, diálogos espertos e algumas cenas bastante hilariantes. Na França, a comédia foi um sucesso de público, levando 1,4 milhão de espectadores aos cinemas. Sem dúvida, um programa bastante agradável.         

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O que os soldados norte-americanos fizeram com os prisioneiros de Abu Ghraib, no Iraque, é conto infantil comparado ao que é mostrado no drama inglês “OPERAÇÃO IRAQUE LIVRE” (“The Mark of Cain”), 2007, dirigido por Marc Munden. No primeiro caso, os fatos foram reais e revelados para o mundo inteiro. No caso dos ingleses do filme, não há referência de que os fatos tenham sido baseados na realidade. Mas mesmo assim chocam bastante. Em patrulha numa cidade do Iraque, um pelotão do exército inglês é alvo de uma emboscada, que resulta na morte do capitão Godber. Os ingleses prendem vários suspeitos e os levam presos. Como forma de se vingar do que aconteceu ao seu comandante, os soldados ingleses promovem inúmeras sessões de torturas brutais e constrangedoras. Tudo filmado e fotografado por celulares. Pano rápido e os soldados voltam para a Inglaterra. Um deles, porém, mostra as fotos para a namorada. Erro fatal. O material acaba nos jornais e abre caminho para o maior escândalo. Apenas dois soldados, Mark (Gerard Kedarnes) e Shane Gulliver (Matthew McNulty), são acusados de crimes de guerra, sofrendo uma grande pressão para não entregar os companheiros. Um filme sério, levado o tempo todo num crescente clima de tensão e de muito impacto. Vale a pena!
O elenco feminino é ótimo (Elizabeth Banks, Diane Lane, Dakota Fanning e Danielle MacDonald, esta última uma jovem e surpreendente atriz australiana). O filme, nem tanto. “EVERY SECRET THING” (ainda sem tradução por aqui), 2014, EUA, é um drama policial bem pesado, inspirado no livro “Cada Segredo”, de Laura Lippman. A história: a detetive Nancy Porter (Banks) está às voltas com um mistério: o desaparecimento de uma menina – morta ou sequestrada? No decorrer das investigações, as principais suspeitas recaem sobre Ronnie (Dakota) e Alice (Danielle), recém-saídas de um centro de detenção juvenil, onde cumpriram pena de 7 anos pelo assassinato de uma criança. A policial Porter passa a exercer marcação cerrada sobre a dupla, além de pressionar Helen Manning (Diane), mãe de Alice. É claro que a revelação surgirá somente no final do filme. Trata-se da estreia em longas da diretora Amy Berg, mais conhecida pela realização de documentários. O clima de suspense até que consegue prender a atenção, mas o filme, como um todo, está longe de uma indicação entusiasmada.

domingo, 4 de outubro de 2015

“MISSÃO IMPOSSÍVEL: NAÇÃO SECRETA” (“Mission Impossible: Rogue Nation”), 2015. Para o espectador, missão impossível mesmo é não se divertir com tantas cenas de ação “impossíveis”, mentirosas e deliciosas como aquelas que tanto nos divertiram nos melhores filmes do James Bond – aliás, neste há até uma menção àquela famosa saída do mar de Ursulla Andress em “Satânico Dr. No”, só que numa piscina e com a atriz Rebecca Ferguson.  Dizem até que Tom Cruise não quis dublê nas cenas perigosas, incluindo aquela em que o agente Ethan Hunt (Cruise) aparece agarrado, pelo lado de fora, num avião em plena decolagem. A cena é, sem dúvida, espetacular, mas duvido que o próprio Cruise estivesse ali pendurado. Acho que é mais uma jogada de marketing para divulgar o filme. Este é o quinto filme da série “Missão Impossível”, iniciada em 1996, com a participação de Cruise em todos. O filme é dirigido pelo especialista em filmes de ação Christopher McQuarrie (do ótimo “Jack Reacher – O Último Tiro”, também com Cruise). “Em “Nação Secreta”, o agente especial Ethan Hunt é encarregado de desvendar quem está por trás de uma organização secreta chamada “O Sindicato”. Só que a agência (IMF) à qual pertence o agente Hunt é desativada pela CIA. Dessa forma, Hunt passa a trabalhar clandestinamente e acaba sendo perseguido pela própria CIA. A maioria dos críticos profissionais elegeu o filme como o melhor dos cinco. Tenho minhas dúvidas, mas, de qualquer forma, o filme é muito bom, garantia de um ótimo entretenimento. E tem Cruise em plena forma.  

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Produzido no formato de minissérie para ser exibido pela TV alemã em 2013, “OS FILHOS DA GUERRA” (“Unsere Mütter, unsere Väter”), direção de Philipp Kadelbach, é um drama de guerra dos mais competentes. A produção é caprichada, os atores são ótimos e a história é muito interessante, ainda mais que inspirada em fatos reais, o que somente é revelado nos créditos finais. Em 4h30 de duração (2 DVD’s), o filme conta a saga de cinco jovens amigos residentes em Berlim que se reúnem num restaurante em 1941 para uma despedida, durante a qual combinam de se reencontrar no mesmo local quando a guerra acabar. Dois deles, os irmãos Wilhelm (Volker Bruch) e Friedhelm (Tom Schilling), alistam-se no exército, Charlotte (Miriam Stein) também vai para a guerra como enfermeira voluntária, Greta (Katharina Schüttler) fica em Berlim para tentar carreira como cantora e, por fim, o judeu Viktor (Ludwig Trept) tentará escapar da perseguição nazista. O pano de fundo de toda essa história é a malfadada campanha do Terceiro Reich contra a Rússia. A série alemã ganhou nada menos do que 18 prêmios internacionais, incluindo o International Emmy de 2014 (categoria “Melhor Minissérie”).