sábado, 23 de julho de 2022

 

“NOVA ORDEM” (“NUEVO ORDEN”), 2020, coprodução México/França, 1h28m, roteiro e direção de Michel Franco (“Depois de Lúcia”). O filme estreou no Festival de Cinema de Veneza em setembro de 2020, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri. Também participou de vários festivais mundo afora, sempre causando polêmica e conquistando críticas elogiosas. Ambientado na cidade do México, num futuro próximo, mas que poderia estar acontecendo hoje, “Nova Ordem” tem como pano de fundo temas dos mais atuais, como a desigualdade social, luta de classes, violência e ditadura militar. Como justificou o diretor Michel Franco, “O mundo distópico do filme parece-me perto do que vivemos”. Vamos à história. Enquanto nas ruas e avenidas da cidade ocorre uma revolta popular, com saques a lojas, supermercados, matança e vandalismo generalizado, em uma mansão está acontecendo um casamento de alto luxo, reunindo importantes figuras da sociedade da capital mexicana. Os manifestantes invadirão a festa, matando e saqueando. O exército é mobilizado para tentar frear os ânimos, mas a situação piora cada vez mais, principalmente depois que a noiva é sequestrada e presa. Tudo isso resulta no estabelecimento de uma violenta ditadura militar, a tal nova ordem. Uma de suas várias polêmicas está no fato de mostrar os rebeldes e vândalos como cidadãos pardos e as vítimas brancas. Por isso, foi considerado racista. Estão no elenco Diego Boneta, Naian González Norvind, Dario Yazbek Bernal (irmão do também ator Gael Garcia Bernal), Fernando Cuautle, Lisa Owen e Mónica Del Carmen. Com cenas de extrema violência, “Nova Ordem” é um dos filmes mais impactantes e perturbadores dos últimos anos. Pena que está meio escondido na plataforma Amazon Prime, pois merece ser visto pelos amantes do cinema de qualidade. “Nova Ordem” foi exibido por aqui durante a programação da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Não deixe de ver.    

quarta-feira, 20 de julho de 2022

 

“A VIÚVA NEGRA” / “BLACK WIDOW” (“PENOZA – THE FINAL CHAPTER”), 2019, Holanda, disponível na Amazon Prime Video, 1h56m, roteiro e direção de Diederik Van Rooijen. O filme é praticamente o resumo de uma série holandesa chamada “Penoza”, que fez grande sucesso no período em que esteve no ar, de 2010 a 2017. Em “A Viúva Negra”, o diretor e o elenco são praticamente os mesmos. Com a morte dos personagens principais, o filme encerra a possibilidade de uma nova série. Carmen Van Walraven (Monic Hendrickx) está no Canadá trabalhando como garçonete em uma lanchonete, depois de fugir da Holanda, onde era uma famosa traficante de drogas. Para a polícia de Amsterdã, ela morreu em um tiroteio, embora seu corpo nunca tenha sido encontrado. Até que, depois de se envolver em uma confusão para defender uma colega de trabalho, Carmen é filmada e aparece no noticiário. Policiais holandeses conseguem trazê-la de volta para a Holanda, mas sua vida correrá grande perigo, pois tem muita gente disposta a se vingar, inclusive a filha de um poderoso traficante que ela supostamente matou. Além de Carmen, seus três filhos também correrão perigo. Também estão no elenco Maarten Heijmans, Loek Peters, Peter Brok, Stijn Tavern, Niels Gomperts e Sigrid Tem Napel. Dá para assistir numa boa sem ligar muito para algumas falhas do roteiro.                 

terça-feira, 19 de julho de 2022

 

“ASSASSINO SEM RASTRO” (“MEMORY”), 2022, Estados Unidos, disponível na plataforma   Amazon Prime Video, 1h54m, direção de Martin Campbell (“007- Cassino Royale”), seguindo roteiro assinado por Dario Sardapane. A história é baseada no livro “De Zaak Alzheimer”, de Jef Geeraerts. O ator irlandês Liam Neeson, apesar de já ter passado dos sessenta, ainda bate um bolão em filmes de ação, enquanto outros continuam tentando, como Van Damme, Stallone, Schwarzenegger, Bruce Willis, Jackie Chan, que também estão perto dos setenta, mas sem a vitalidade de Neeson. Em “Assassino sem Rastro”, Neeson é um veterano assassino profissional prestes a se aposentar, não só pela idade, mas por estar sofrendo de Alzheimer, a ponto de anotar no braço os nomes das suas próximas vítimas, endereços e telefones. Ele aceita um último serviço, mas se recusa a concretizá-lo, pois o alvo não passa de uma criança. Ao mesmo tempo, uma equipe do FBI, investiga uma rede mexicana de prostituição infantil, que sequestra crianças e as leva para os EUA para atender clientes pedófilos. Os destinos dos agentes do FBI e do assassino interpretado por Neeson entrarão em sintonia contra a gangue que explora o contrabando de crianças. Juntos, chegarão à poderosa chefona da organização criminosa, Davana Sealman (Monica Bellucci). Embora a crítica especializada tenha feito críticas negativas, eu achei um bom filme de ação, muito movimentado e agradável de assistir. O elenco conta ainda com Guy Pearce, Taj Atwal, Ray Stevenson, Natalie Anderson, Harold Torres, Rebecca Calder, Stella Stocker, Ram Fearon, Antonio Jaramillo, Kate Nichols e Lee Boardman. Para concluir, não poderia deixar de destacar a presença da atriz italiana Monica Bellucci, que aos 57 anos ainda se mantém digna de continuar sendo chamada de diva.             

sábado, 16 de julho de 2022

 

“POR JUSTIÇA” (“JANA GANA MANA”), 2022, Índia, 2h45m, disponível na plataforma Netflix, direção de Dijo Jose Antony, seguindo roteiro de Sharis Mohammed. Mais um bom filme com a assinatura de Bollywood. Entretanto, não é tarefa fácil aguentar as quase três horas de duração, embora a história seja envolvente e o ritmo perto do alucinante. Claro que não poderiam faltar aquelas cantorias irritantes, mas que não prejudicam o resultado final. Depois que a professora universitária Saba Mariyam (Mamtha Mohandas), da Universidade Central de Ramanagara, é brutalmente assassinada, um clima de revolta se instala praticamente em todo o país, com manifestações contidas com violência pela polícia. O inspetor Sajjan Kumar (Suraj Venjaramoodu) é encarregado de investigar o crime, chegando a prender quatro suspeitos. A pressão popular exige que eles sejam linchados. Então entram em jogo questões políticas e os quatro são realmente assassinados. O caso vai a júri popular e o julgamento ocupa praticamente toda a segunda parte do filme. Muitas reviravoltas acontecem até o desfecho, favorecendo a história. Muitas questões, baseadas em fatos reais, são abordadas no tribunal, como a desigualdade social, o racismo do regime de castas, a violência contra as mulheres e a corrupção em alta na política indiana. Enfim, um filme sério que incentiva muitas reflexões. Recomendo, lembrando que a paciência também é requisito para ser um bom cinéfilo.        

quinta-feira, 14 de julho de 2022

 

“A PERFEIÇÃO” (“THE PERFECTION”), 2019, Estados Unidos, 1h31m, disponível na plataforma Netflix, direção de Richard Shepard, que também assina o roteiro com Nicole Snyder e Eric C. Charmelo. Um misto de terror psicológico e suspense, com pitadas de erotismo, pedofilia e violência física. A jovem Charlotte Willmore (Molly Grace) é um prodígio do violoncelo, a melhor aluna da The Banchoff Academy. Ela, porém, decide interromper sua carreira para cuidar da mãe doente. Dez anos depois, Charlotte (agora Allison Williams, de “Corra!”) tenta retornar à música e resolve procurar o seu antigo professor e tutor, Anton Banchoff (Steven Weber), que está em Shangai, na China, em busca de novos talentos. Numa grande forçada de barra do roteiro, Charlotte parte para a cidade chinesa a fim de reencontrar seu mestre. Para sua decepção, porém, Anton tem sob sua tutela um novo talento musical, a violoncelista Elizabeth “Lizzie” Wells (Logan Browning). Tudo caminha para uma crise de ciúme e uma disputa entre as duas. Ledo engano. Elas ficam amigas. Aliás, mais do que amigas... Em outra decisão forçada do roteiro, as duas partem juntas para uma viagem ao interior da China em um ônibus caindo aos pedaços. Lizzie fica gravemente doente, oportunidade para o roteiro associar o problema com algum vírus chinês. A partir desse momento acontecem várias reviravoltas para culminar em um desfecho dos mais impactantes. Para explicar o título, a perfeição musical é uma das exigências da The Banchoff Academy. Quem erra uma nota vai sofrer as consequências. Trocando em miúdos, “A Perfeição” é um filme bastante perturbador que chega a chocar em algumas cenas, incluindo escatologia e mutilação. Um ótimo programa para espectadores com estômago forte.     

terça-feira, 12 de julho de 2022

 

“ÁRVORES DA PAZ” (“TREES OF PEACE”) , 2021, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix (estreou na plataforma dia 10 de junho de 2022), 1h37m, roteiro e direção da atriz e produtora Alanna Brown, em sua estreia em longas-metragens. Vou logo avisando: é preciso ter estômago forte para chegar até o final, além de não sofrer de claustrofobia. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em 1994 durante a guerra civil em Ruanda (África oriental), envolvendo milícias da etnia tutsi contra os hutus. “Árvores da Paz” conta a história de quatro mulheres diferentes que se esconderam em um cubículo embaixo de uma cozinha: uma freira católica, uma jovem tutsi, uma mulher grávida e uma jovem branca norte-americana voluntária em uma missão de paz. Elas esperaram, em vão, a chegada de forças da ONU para libertá-las. Doce ilusão, pois a ONU não fez nada para acabar com o conflito. Simplesmente ignorou. Com pouca comida e água, além de nenhuma higiene, elas ficaram presas durante 81 dias, até o final do conflito. O elenco, excelente, conta com Ella Cannon, Omono Okojie, Eliane Umahire, Charmanie Bingwa e Tongayi Chirisa. Mesmo que toda a ação seja ambientada dentro de um cubículo, o filme em nenhum momento é entediante. Pelo contrário, a diretora Alanna Brown fez com que a emoção tomasse conta de cada cena. Premiado em vários festivais mundo afora - injusto não ter sido indicado ao Oscar -, “Árvores da Paz” consagra a valentia de quatro mulheres que enfrentaram o desafio e a coragem de sobreviver em condições sub-humanas. Essa história contribuiu para que as mulheres passassem a ocupar importantes cargos no governo de Ruanda. Filmaço!   

segunda-feira, 11 de julho de 2022

 

“O ATIRADOR: O FIM DE UM ASSASSINO” (“SNIPER: ASSASSIN’S END”), 2020, Estados Unidos, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Kaare Andrews, seguindo roteiro assinado por Oliver Thompson. Trata-se do oitavo filme da franquia “Sniper”, iniciada em 1993 com “Sniper, O Atirador”. Cada filme tem uma história diferente, embora com os mesmos personagens. Ou seja, dá para assistir um independente do anterior. Em “Sniper: Assassin’s End” o sargento Brandon Beckett (Chad Michael Collins), um atirador de elite do exército, é acusado de assassinar o presidente de Costa Verde, um país fictício da América Central. Yuki Mifune (Sayaka Akimoto), uma sniper japonesa treinada pela Yakusa, a máfia japonesa, recebe a missão de matar Brandon, contratada por uma organização criminosa. Brandon se esconde na propriedade rural do pai, o também sniper, agora aposentado, Thomas Beckett (Tom Berenger). É aqui que se passa quase toda a ação, envolvendo os mocinhos, agentes da CIA, e os bandidos, a mando de um grupo interessado em obter vantagens no mercado farmacêutico, razão do assassinato do presidente da Costa Verde. Há boas cenas de ação, mas não são muitas, o que prejudica o ritmo do filme. O desfecho é um tanto forçado, mas não chega a prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Lochlyn Munro, Emily Trennant, Ryan Robbins, Michael Jonsson, Bethany Brown, Vincent Gale, Jason Day, Alex Barima e Victor Favrin. Resumo da ópera: um bom programa para acompanhar uma pipoca.       

sábado, 9 de julho de 2022

 

“SPENCER”, 2021, coprodução Inglaterra/EUA/Chile, 1h57m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Pablo Larrain, com roteiro assinado por Steven Knight. A história acompanha a visita da princesa Diana (Spencer é seu nome de solteira) à propriedade real de Sandringham House, situada na zona rural de Norfolk, para os três dias festivos de Natal. Estamos no início dos anos 90, quando o casamento de Diana com o príncipe Charles está em plena crise. À sua espera estão seu então marido, os dois filhos, a rainha Elizabeth II e seu marido, príncipe Filipe. Ou seja, toda a família real reunida. Conforme o filme anuncia em seus créditos iniciais, trata-se de “Uma fábula inspirada numa tragédia real”. Diana é retratada como uma esposa infeliz, perturbada e à beira de um ataque de nervos, indicando que estava prestes a se divorciar, atingida em cheio pela descoberta de que seu marido a traía com Camilla Parker Bowles. Fica claro que Diana detestava as rígidas normas rígidas da família real. Entendi o filme como um estudo psicológico do estado mental de Diana e sua total infelicidade, com direito a ter alucinações, como as várias aparições do fantasma de Ana Bolena, esposa rejeitada pelo Rei Henrique VIII no século 16. Sem falar na enorme pressão exercida pelos paparazzi, que não a deixavam em paz nem mesmo no período natalino. Nesse aspecto, é preciso destacar a excelente performance da atriz Kristen Stewart, que realizou, sem dúvida, o melhor desempenho de sua carreira, tanto que foi indicada ao Oscar 2022 (a única indicação do filme). Aliás, Stewart está linda. O restante do elenco também merece um destaque especial: Jack Farthing, Sally Hawkins, Timothy Spall, Sean Harris, Stela Conet e Amy Manson. “Spencer” consagra ainda o talento do cineasta chileno Pablo Larrain, responsável por filmes como “No”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013, e “O Clube, indicado ao Globo de Ouro 2015. Além destes, também são dele “Jackie”, “Neruda”, “Tony Manero” e “Post Mortem”, entre outros. Resumo da ópera: “Spencer” é um filme de altíssima qualidade. Imperdível!     

quinta-feira, 7 de julho de 2022

 

“CASA GUCCI” (“HOUSE OF GUCCI”), 2021, coprodução Canadá/Estados Unidos, 2h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, que se inspiraram no livro homônimo escrito por Sara Gay Forden. O enredo contempla três décadas de história da famosa grife italiana Gucci, a partir de meados da década de 70, quando já era um verdadeiro império mundial da moda. O filme explora, principalmente, as questões familiares, envolvendo traição, ambição, vingança e assassinato. A história começa a partir do momento em que Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma jovem de origem simples, ingressa na família casando com um de seus principais herdeiros, Maurizio Gucci (Adam Driver). O poder da empresa ainda estava com os irmãos Aldo (Al Pacino) e Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), este último pai de Maurizio. O outro herdeiro era Paolo Gucci (Jared Leto), filho de Aldo. Aos poucos, Patrizia começa a se envolver nos negócios, saindo em defesa do marido durante as desavenças familiares e, principalmente, relativas à sua participação acionária. Algum tempo depois, Maurizio arranja uma amante e se divorcia de Patrizia, que não aceita a situação e parte para a vingança. Em 1978, com a cumplicidade da sua amiga vidente Giuseppina Auriema (Salma Hayek) e dois capangas, Patrizia combina o assassinato de Maurizio. O caso virou manchete mundial na mídia e chocou o mundo da moda. Anos depois, Patrizia e os comparsas são presos, julgados e condenados. Junto e misturado, isso tudo está no filme, graças ao primoroso roteiro. O diretor inglês Ridley Scott, mesmo aos 83 anos, esbanja vitalidade e competência, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Só para citar alguns: “Thelma & Louise”, “Blade Runner”, “Alien, o 8º Passageiro”, “Chuva Negra” e “Falcão Negro em Perigo”. O elenco é outro fator de destaque, especialmente o desempenho de Lady Gaga, na verdade a novaiorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta. Além de um talento enorme como cantora, ela se revela também uma excelente atriz. Acho até que pelo seu trabalho em “Casa Gucci” deveria ter sido indicada ao Oscar 2022. Mais uma injustiça da premiação. Destaque especial para o ator Jared Leto, cuja maquiagem deixou-o irreconhecível. Também está ótimo como um dos herdeiros Gucci. Além dos veteranos Al Pacino, Salma Hayek e Jeremy Iron, também em atuações destacadas, estão no elenco Jack Huston, Reeve Carney, Camille Cottin e Florence Andrews. Os herdeiros atuais da família Gucci criticaram o filme, afirmando em nota à imprensa: “A produção não se preocupou em consultar os herdeiros antes de descrever os Gucci como bandidos, ignorantes e insensíveis ao mundo ao seu redor”. Apesar dessa grande polêmica, “Casa Gucci” é cinema de Hollywood na sua melhor forma. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.   

segunda-feira, 4 de julho de 2022

 

“MADRES, MÃES DE NINGUÉM” (“MADRES”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h24m, roteiro e direção de Ryan Zaragoza. Mais do que um filme de suspense e terror, trata-se de um filme-denúncia, pois relata, de forma realista, a prática, nos Estados Unidos, da esterilização não consentida em mulheres grávidas que chegam ao país como imigrantes ilegais, principalmente mexicanas. Ao longo do século passado, mais de 64 mulheres e homens foram esterilizados à força nos EUA como parte do infame Movimento Nacional de Eugenia, cujo objetivo era restringir os direitos reprodutivos dos considerados geneticamente inferiores. Em 1975, um grupo de imigrantes mexicanas processou um hospital de Los Angeles onde foram esterilizadas sem permissão. Não deu em nada. A prática voltou neste século no Estado da Geórgia. A história de “Madres” é ambientada nos anos 70 e tem como personagem principal um casal de origem mexicana, Diana (Ariana Guerra) e Beto (Tenoch Huerta), ela grávida prestes a dar à luz. Eles chegam a uma pequena cidade da Califórnia e alugam uma casa assombrada pelo fantasma de uma mulher. Sem entrar muito nos detalhes da história para não estragar as surpresas, Diana acaba como paciente de uma dessas clínicas de esterilização. O filme tem o clima de suspense e alguns sustos, mas está longe de ser um filme de dar medo, ou seja, um terror digno do nome. Quando o filme começa há uma citação do escritor Joseph Conrad que explica o que vamos assistir: “A crença em uma origem sobrenatural do mal não é necessária; o Homem, por si só, é capaz de qualquer maldade”. Trocando em miúdos, “Madres” consegue o objetivo de denunciar uma prática execrável da medicina nos EUA (até hoje, nenhuma das vítimas foi indenizada).  

domingo, 3 de julho de 2022

 

“GREED – A INDÚSTRIA DA MODA” (“GREED”), 2019, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Michael Winterbotton, que também assina o roteiro com Sean Gray. Trata-se de uma sátira bastante ácida mostrando o lado obscuro e nefasto do mundo empresarial da moda, além de críticas pesadas à exploração de mão-de-obra, desigualdade social e a questão dos imigrantes ilegais que chegam à Europa. A figura central da história é o empresário inglês Richard McCreadie (Steve Coogan), que há 30 anos impera no mundo da moda fast fashion – segundo alguns críticos, o personagem foi criado à imagem e semelhança do empresário Philip Green, presidente da Arcadia Group, empresa de varejo proprietária de várias marcas e franquias. O enredo de “Greed” contempla quatro vertentes. A primeira, e mais destacada, refere-se aos preparativos da festa de 60 anos de McCreadie em cenário suntuoso na ilha grega de Mykonos com o tema “Gladiador”. Para isso, foi construída uma arena romana à beira da praia, com direito até a um leão. A segunda explora a infância e juventude do polêmico empresário, no tempo em que começou a manipular e enganar as pessoas. A terceira vertente diz respeito ao julgamento de McCreadie pela acusação de abuso financeiro e ético na indústria da moda, evasão fiscal, corrupção financeira e exploração implacável de mão-de-obra (ele pagava uma miséria para trabalhadores em Bangladesh, Mianmar, Índia e Sri Lanka). O filme ainda aborda a questão dos imigrantes ilegais que costumam desembarcar nas praias da Grécia, no caso de “Greed”, imigrantes sírios. O ator Steve Coogan está ótimo no papel do empresário ganancioso, prepotente, desonesto e manipulador, capaz de humilhar seus assistentes mais diretos com ofensas e xingamentos. Também estão no elenco Jamie Blackley (o jovem McCreadie), David Mitchel (o jornalista contratado para escrever a biografia do empresário), Isla Fisher (a ex-mulher), Shirley Henderson (a mãe dele), Sophie Cookson (a filha), Asa Butterfield (o filho), Shanina Shaik (a atual namorada), Dinita Gohil e Sara Solemani (assistentes). O filme conta ainda com rápidas participações especiais de Keira Knightley, Colin Firth, Keith Richards, Ben Stiller, Stephen Fry e Louis Walsh. Em resumo, o filme é ótimo, esclarecedor e impactante, além de bem-humorado. Imperdível!   

quinta-feira, 30 de junho de 2022

 

“SOBREVIVA AO JOGO” (“SURVIVE THE GAME”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, direção de James Cullen Bressack, seguindo roteiro de Ross Peacock. Trata-se de um filme policial cuja história começa quando dois detetives tentam dar um flagrante numa gangue de traficantes. A estratégia não dá certo, os traficantes fogem levando como refém um dos policiais feridos na ação, o detetive David (Bruce Willis). O outro policial, Cal (Swen Temmel), sai em perseguição aos traficantes, que acabam invadindo uma fazenda, de propriedade do ex-soldado do exército Eric (Chad Michael Murray), cuja esposa e filha faleceram recentemente em um acidente. Com a ajuda de Eric, o detetive Cal tentará libertar o parceiro David e prender a quadrilha. Também estão no elenco Donna D’Errico, Kate Katzman, Sarah Roemer, Kristos Andrews, Sean Kanan e Michael Sirow. Mais uma enorme bobagem cinematográfica, talvez o pior filme deste século, mas com certeza deste ano. É um dos últimos filmes com o astro Bruce Willys, que recentemente anunciou o fim de sua carreira por motivos médicos – ele sofre de Afasia. Apesar de somar alguns créditos, Willys se despede de forma melancólica do cinema, pois nos últimos anos só fez porcaria, incluindo este “Sobreviva ao Jogo” e mais “Meia-Noite no Switchgrass”, “Ameaça no Espaço” e “Sobreviver à Noite”, entre tantos outros. “Sobreviva ao Jogo” realmente é o pior. Tudo é lamentável, desde o roteiro, o péssimo elenco e cenas de ação que lembram os filmes dos Trapalhões. Fuja a galope!     

terça-feira, 28 de junho de 2022

 

“VERDADE E JUSTIÇA” (“TÕDE JÁ ÕIGUS”), 2020, Estônia, 2h45m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, primeiro longa escrito e dirigido por Tanel Toom, mais conhecido como diretor de curtas. A história é baseada no livro homônimo do romancista Anton Hansen Tammsaare (1878-1940), considerado um dos mais importantes escritores da literatura estoniana. Elogiadíssimo pela crítica, o filme representou a ex-república soviética na disputa do Globo de Ouro e do Oscar 2021. Trata-se de um grande clássico épico, que acompanha a família de Andres (Priit Loog) durante 24 anos a partir de 1872. Disposto a se aventurar pelo interior do país, Andres compra, a prestação, uma fazenda numa região inóspita e pantanosa conhecida curiosamente como “Ascensão do Ladrão”, antes chamada de “Campo dos Abetos”. Andres chega com a jovem esposa Krööt (Maiken Schmidt), que está grávida. O casal enfrentará inúmeros desafios pela frente, principalmente muito trabalho,  além de um vizinho bêbado e encrenqueiro, Pearu (Priiit Võigemast). Os dois vivem às turras e acabam sempre no tribunal do vilarejo. O desafio maior, porém, são os filhos gerados por Krõõt, seis em poucos anos. A história acompanha a trajetória de muitos sacrifícios dessa família, gerando um drama muito pesado e triste, mas poderoso ao extremo. Além da história e do excelente elenco, a fotografia, de Rein Kotov – o mesmo do ótimo “Tangerinas”, de 2013 – é outro trunfo do filme, explorando ambientes internos e os cenários selvagens que permeiam a região. O filme é bastante lento, o que levou um crítico de mau humor a afirmar que se trata de “forte candidato ao maior ansiolítico cinematográfico de 2020”. Realmente, é lento demais, mas com muita qualidade. Filmaço!   

sábado, 25 de junho de 2022

 

“TUDO PELA ARTE” (“THE BURNET ORANGE HERESY”), 2019, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h42m, coprodução Itália/Inglaterra, direção do cineasta italiano Giuseppe Capotondi – é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “Hora Dupla”, de 2009. O roteiro é assinado por Scott B. Smith, que adaptou a história do romance homônimo escrito por Charles Willeford em 1971. De cara, é preciso avisar que não é um filme para qualquer público. Ou seja, é aquele filme que a gente costuma chamar “cinema de arte”. Trata-se de um suspense de ritmo lento, muitos diálogos densos e recheados de erudição, um pouco de filosofia e muita, mas muita arte, basicamente pintura. A história é centrada no crítico de arte inglês James Figueras (o ator dinamarquês Claes Bang), cuja competência e honestidade são bastante duvidosas. Em uma de suas palestras na Itália, ele conhece Berenice Hollis (Elizabeth Debick), que logo vira sua amante. Eles são convidados pelo milionário colecionador de arte Joseph Cassidy (Mick Jagger, ele mesmo) para visitar sua mansão à beira do Lago Como – o cenário é deslumbrante. Cassidy convence Figueras a roubar um quadro do pintor Jerome Debney (Donald Sutherland), que vive recluso numa cabana isolada perto da mansão. Há mais de vinte anos, depois que suas obras foram destruídas em dois incêndios, Debney se esconde da imprensa e de todo mundo. Portanto, se um de seus quadros for encontrado, valerá uma fortuna, conforme acredita o milionário Cassidy. O suspense começa a adquirir forma na história a partir do momento em que Figueras entra em ação para roubar esse possível quadro na cabana do pintor. A história é interessante, valorizada pela atuação do quarteto central, principalmente o ator dinamarquês Claes Bang e a atriz australiana Elizabeth Debicki. O roqueiro Mick Jagger prova mais uma vez que é um bom ator, além da ótima performance do veterano Donald Sutherland. “Tudo pela Arte” foi exibido na mostra “Fora de Competição” do Festival de Veneza e na mostra “Donostia Award Screenings” do Festival de San Sebastian, com muitas críticas favoráveis. Realmente, o filme é muito bom, mas, repito, não é para qualquer público.    

quinta-feira, 23 de junho de 2022

 

“ALERTA DE FUGA” (“ESCAPING DAD”), 2020, Estados Unidos, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Ross Kohn, seguindo roteiro assinado por Adam Balsam. Suspense que explora um tema em grande evidência: a violência doméstica. Darren (Jason Wiles) é um ex-policial e conceituado promotor de justiça. Ele tem uma família aparentemente feliz, a esposa Erin (Sunny Mabrey), a filha adolescente Amy (Grace Van Dien) e o filho pequeno Charlie (Andy Walken). Como diz o velho ditado, as aparências enganam. Darren é um sujeito violento e há tempos vive surrando Erin. Em eventos sociais, porém, ele faz de conta que comanda uma família feliz e é um marido carinhoso. Até que um dia Erin não aguenta mais, pega as crianças e foge com destino à Califórnia, onde mora uma grande amiga. Aí o filme entra em ritmo de road movie, quando Erin e os filhos são ajudados por um caminhoneiro bonitão, Wes (Trevor Donovan), uma evidente referência ao personagem de Brad Pitt no clássico “Telma & Louise”. O promotor faz de tudo para encontrar o trio fugitivo, chegando a afirmar, em programas jornalísticos de TV, que a esposa sofre de problemas mentais e é perigosa, pois roubou seu revólver. Tudo mentira. O filme funciona muito bem como suspense durante grande parte do filme, mas o desfecho é decepcionante. Parece até que queriam terminar logo e resolveram adotar uma solução rápida para o The End. Mas o resultado final, somando os prós e os contras, ainda tem alguns prós, um deles a beleza das atrizes Sunny Mabrey e de Grace Van Dien, filha do ator Casper Van Dien.       

terça-feira, 21 de junho de 2022

 

“COLISÃO” (“COLLISION”), 2022, África do Sul, 1h39m. produção original e distribuição Netflix, direção do cineasta francês Fabien Martorell, que também assina o roteiro com a colaboração de Sean Cameron Michael e Siphosethu Tshapu. Drama carregado de suspense envolvendo tráfico de drogas, drama familiar, sequestro, racismo e xenofobia. Ambientada na cidade de Johanesburgo, a história transcorre em várias frentes, a principal delas a rotina da família de um empresário cuja filha se envolve com traficantes. Em paralelo, apresenta ainda um poderoso traficante e um comerciante que odeia imigrantes nigerianos, um deles namorado de sua filha. O filme abre espaço também para tratar de xenofobia, ou seja, os sul-africanos alegam que os imigrantes que chegam ao país, principalmente os nigerianos, estão ocupando seus empregos e dominando o comércio. O núcleo central da história, porém, envolve o empresário Johan Greser (Langley Kirkwood), sua esposa Diane (Tessa Jubber) e a filha Nicki (Zoey Sneedon). O chefão do tráfico Bra Sol (Vuio Dabula) precisa de dinheiro para saldar uma dívida e resolve sequestrar a filha do empresário, exigindo uma grande soma para libertá-la. A tensão aumenta a cada minuto perto do desfecho, quando os personagens principais acabam se trombando, literalmente, numa grande colisão. Tudo bem que essa coincidência seja forçada demais, mas faz parte do enredo e não prejudica o resultado final. Enfim, “Colisão” é mais um bom filme do emergente cinema da África do Sul. Recomendo.  

segunda-feira, 20 de junho de 2022

 

“VOCÊS NÃO ME CONHECEM” (“YOU DON’T KNOW ME”), 2021, Inglaterra, minissérie em 4 capítulos, produção e exibição BBC One, disponível na Netflix, roteiro e direção de Tom Edge, sendo a história baseada no livro homônimo de 2017 escrito por Imran Mahmood. Trata-se de um drama de tribunal tendo como réu um jovem vendedor de carros, Hero (Samuel Adewsunmi), acusado de ter assassinado o traficante Jamil (Roger Nsengiymva). Depois de dispensar sua advogada, Hero defende ele mesmo sua inocência, apesar de todas as evidências favorecerem sua condenação. Tudo o que aconteceu é contado por Hero no tribunal, intercalado com inúmeros flashbacks e várias reviravoltas. No começo da história, ele conhece Kyra (Sophie Wilde) e se apaixona, mesmo desconhecendo o passado da moça. Quando ela some misteriosamente, Hero se desespera e tenta encontrá-la. E, quando consegue, acabará se envolvendo com a perigosa gangue intitulada Glockz, que comanda o tráfico de drogas e a prostituição no bairro barra-pesada Camden, ao norte de Londres, colocando em risco não só sua vida como a de sua mãe e sua irmã. A minissérie é levada em ritmo tão lento que beira o entediante, não apenas durante as cenas de tribunal, como também nas atitudes de Hero, cujo comportamento ingênuo acaba irritando. É possível encontrar várias falhas no roteiro, principalmente a ausência da polícia, o que seria obrigatória devido a todos os fatos mostrados. Como são apenas quatro capítulos, a minissérie não se torna tão cansativa, mas o resultado final é frustrante. Dizem que haverá uma segunda temporada, o que eu duvido.     

domingo, 19 de junho de 2022

 

“A IRA DE DEUS” (“LA IRA DE DIOS”), 2022, Argentina, disponível na Netflix, 1h38m, direção de Sebastián Schindel (“Crimes de Família”), que também assina o roteiro ao lado de Pablo Del Teso. A história é baseada no livro “La Muerte Lenta de Luciana B”, de Guillermo Martínez. Trata-se de um suspense psicológico com muito mistério, tendo como pano de fundo temas como vingança, abuso sexual, desejo, insanidade e culpa. A jovem Luciana (Macarena Achaga) trabalha há anos como datilógrafa do renomado escritor Kloster (Diego Peretti). Eles trabalham no escritório dele, em sua própria casa, e Luciana fica amiga da esposa e da filha do escritor. Um dia, sozinhos no escritório, Kloster não resiste e beija Luciana, que, ofendida, se demite e entra com processo na justiça por assédio e abuso sexual. A partir desse fato e com o decorrer dos anos, várias mortes acontecem na família de Luciana e também na de Kloster. Coincidências? Vingança? A polícia não encontra indícios para determinar o que aconteceu. Luciana chega a pedir ajuda a Esteban Rey (Juan Minujín), um conhecido jornalista investigativo, para descobrir evidências e incriminar Kloster. A tensão aumenta cada vez mais, contando com a excelente trilha sonora de Iván Wyszogrod, que faz com que o filme lembre os clássicos de Alfred Hitchcock. Além do primoroso roteiro, o filme é ainda mais valorizado pela ótima atuação do trio central: Diego Peretti, Macarena Achaga e Juan Minujín. Mas é o veterano Peretti que se sobressai, permanecendo o tempo todo com uma expressão assustadora. Mesmo que o desfecho seja um tanto frustrante e até enigmático, “A Ira de Deus” é mais um filme argentino de qualidade. Não perca!   

sexta-feira, 17 de junho de 2022

 

“TRAIÇÃO E DESEJO” (“TRUST”), 2021, Estados Unidos, 1h34m, disponível na Netflix, direção de Brian Decubellis, que também assina o roteiro com a colaboração de Kristen Lazarian e K.S. Bruce. Não precisava de tanta gente para escrever uma história tão fraca para um filme idem. Trata-se de um romance que parecia rumar para um suspense, ou um filme erótico, mas acabou na maior água com açúcar. Os personagens centrais são Brooke (Victoria Justice) e Owen Shore (Mathew Daddario, irmão da atriz Alexandra Daddário). Eles moram em Nova Iorque, são jovens, casados, felizes, bonitos e bem sucedidos profissionalmente, ela dona de uma badalada galeria de arte e ele jornalista apresentador de um programa de prestígio na TV. O relacionamento complica quando Brooke precisa ir a Paris com Ansgar Doyle (Lucien Laviscount), um pintor de quadros eróticos de grande sucesso, cujas obras começam a ser cobiçadas por colecionadores de arte também da Europa. É com um deles que eles se encontrarão na capital francesa. Como a fama do pintor é de um mulherengo insaciável, Owen se derrete em ciúmes e resolve curtir sua desconfiança em um bar, onde conhece Amy (Katherine McNamara), uma loira cheia de amor pra dar. O espectador fica no maior suspense: qual deles trairá o outro. Tchan, Tchan, Tchan! Quando retorna de Paris, é Brooke que se enche de ciúmes, desconfiando que o marido pulou a cerca. Uma ou outra reviravolta acontece para tentar dar um sabor à história, mas o resultado final é decepcionante. Como informação adicional, lembro que Victoria Justice e Matthew Daddario já trabalharam juntos em um filme de 2015, “Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo”, sem qualquer importância cinematográfica, assim como este “Traição e Desejo”.   

terça-feira, 14 de junho de 2022

 

“TOSCANA” (“TOSKANA”), 2022, Dinamarca, produção original Netflix, 1h30m, direção do cineasta iraniano Mehdi Avaz, que também assina o roteiro com a colaboração de Nikolaj Scherfig. A história mistura romance e gastronomia. O personagem central é o chef Theo (Anders Matthesen), proprietário de um restaurante fino em Copenhagen, cuja culinária já recebeu várias premiações, inclusive duas estrelas Michelin, uma das maiores honrarias gastronômicas do mundo. Determinado dia, Theo recebe a notícia da morte do pai, proprietário do Castelo Ristonchi, na região de Toscana, na Itália. Filho único, ele recebe o imóvel como herança e parte para a Toscana para sacramentar o negócio. Sua intenção inicial é vender o castelo e investir o dinheiro na ampliação de seu restaurante em Copenhagen. Chegando ao seu destino, ele conhece a simpática Sophia (Cristiana Bell’Anna), responsável por um pequeno restaurante anexo ao castelo. De cara, já é possível prever o destino dos dois, principalmente depois que eles se beijam, uma grande forçada de barra do roteiro. Só que Sophia está de casamento marcado, o que estraga os planos românticos de Theo. Mas a vida continua e ele não perde as esperanças. Com exceção da exuberante fotografia e das belas paisagens da Toscana, o filme é insosso, falta emoção, culpa de um roteiro preguiçoso e pra lá de fraco. Já que estamos falando de gastronomia, eu comparo “Toscana” a um prato servido frio. Falado em dinamarquês, italiano e inglês, o filme conta ainda no elenco com Andrea Bosca, Ghita Norby, Sebastian Jessen, Ari Alexander, Christopher Nissen, Karoline Brygmann, e Taue Ersted Rasmussen. Resumindo, “Toscana” esbanja belos cenários, mas deixa a desejar em conteúdo.    

segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

“THAR”, 2022, Índia, 1h48m, produção original Netflix, roteiro e direção de Raj Singh Chaudhary. Bollywood, o maior produtor mundial de filmes, de vez em quando surpreende. E de modo bastante positivo, exemplo deste policial ambientado nos anos 80 do século passado – não consegui descobrir se é baseado em fatos reais. Por incrível que pareça, tem muito do gênero faroeste moderno. No caso específico de “Thar”, a crítica especializada o rotulou de western noir. Tem deserto poeirento, cavalos, xerife e malfeitores. Só faltaram os índios, embora sejam todos indianos. Começa a história com um sujeito misterioso chegando a um pequeno vilarejo situado no deserto de Thar, na região do Rajastão, perto da fronteira com o Paquistão. É por aqui que passava, na época, a rota do contrabando de ópio. Uma dor de cabeça e tanto para o inspetor de polícia Surekha (Anil Kapoor). Um dia, chega ao vilarejo um sujeito misterioso que se identifica como Siddarth (Harsh Varrdhan Kapoor), que afirma ser colecionador e negociante de antiguidades. A polícia começa a desconfiar dele a partir do momento em que ocorre um homicídio, mas não há evidências concretas contra ele. Livre da desconfiança inicial do policial Surekha, Siddarth parte para a ação e aí a violência explícita toma conta. Só perto do desfecho é que o roteiro explica a motivação para a vingança de Siddarth. Além de uma tensão crescente, “Thar” apresenta um trunfo que só quem acompanha o cinema indiano é capaz de comemorar: a ausência daquelas cantorias e danças irritantes, uma das marcas registradas de Bollywood. Como curiosidade, o ator Harsh Varrdhan Kappor´, que faz o Siddharth, é filho de Anil Kapoor, o inspetor de polícia. Vale a pena assistir, pois o cinema indiano não costuma produzir filmes de faroeste.           

 

domingo, 12 de junho de 2022

 

“RAMBO: ATÉ O FIM” (“RAMBO: LAST BLOOD”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, disponível na Netflix desde 6 de junho de 2022, direção de Adrian Grunberg ("Plano de Fuga"), seguindo roteiro de Matt Cirulnick. Rambo está de volta. Estou falando de John Rambo (Sylvester Stallone), aquele personagem criado pelo escritor David Morrell que surgiu no filme “Rambo – Programado para Matar”, em 1982. Depois vieram “Rambo – A Missão”, de 1985, “Rambo III”, de 1988, e “Rambo IV”, de 2008. Portanto, “Rambo: Até o Fim” é o quinto da franquia, apresentando Sylvester Stallone aos 74 anos, mas fisicamente em ordem. Só o rosto aparece bem envelhecido, com aquela mesma cara afetada por uma cãibra, sem nenhuma expressão. A história mostra o velho soldado agora aposentado, morando em um rancho perto da fronteira dos Estados Unidos com o México. Com ele vivem a sobrinha Gabrielle (Yvette Monreal) e Maria Beltran (Adriana Boarraza), imigrante mexicana que ajudou a criar a menina. Tudo vai bem até que Gabrielle resolve conhecer o pai biológico que a abandonou ainda criança. Por intermédio de uma antiga amiga, ela descobre que o pai mora em uma cidade fronteiriça do México, famosa por sua violência. Mesmo assim Gabrielle resolve ir, contrariando os conselhos de Rambo e de Maria Beltran. Só que a viagem se transforma em um verdadeiro pesadelo. Rejeitada pelo pai, ela acaba indo para uma balada, onde conhece uns tipos bem suspeitos. Resultado: ela é sequestrada por uma gangue que explora o tráfico de drogas e a prostituição. Quando fica sabendo da situação da sobrinha, Rambo entra em ação e vai para o México tentar resgatá-la, tarefa que não será nada fácil. Até o desfecho, Rambo enfrentará, sozinho, um verdadeiro exército de bandidos, culminando com uma matança generalizada. Também estão no elenco a atriz espanhola Paz Veja, Sergio Peris, Óscar Jaenada e Marco de La O. Nos créditos finais, surgem várias cenas dos filmes anteriores de Rambo e, pelo título original, parece que este será o último filme do famoso personagem. “Rambo: Até o Fim” foi detonado pela crítica especializada, sem contar que teve indicações em 8 categorias para o “Framboesa de Ouro”, prêmio dado aos piores filmes do ano. O filme também não agradou o escritor David Morrell, criador do personagem. Após assisti-lo, Morrell disse: “Eu concordo com as críticas negativas de ‘Rambo: Até o fim’. O filme é uma bagunça. Tenho vergonha de ter meu nome relacionado a ele”. Tudo bem, o filme é mesmo fraco, mas deve agradar quem gosta de violência explícita, ou seja, os fãs do astro Stallone.