segunda-feira, 11 de julho de 2022

 

“O ATIRADOR: O FIM DE UM ASSASSINO” (“SNIPER: ASSASSIN’S END”), 2020, Estados Unidos, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Kaare Andrews, seguindo roteiro assinado por Oliver Thompson. Trata-se do oitavo filme da franquia “Sniper”, iniciada em 1993 com “Sniper, O Atirador”. Cada filme tem uma história diferente, embora com os mesmos personagens. Ou seja, dá para assistir um independente do anterior. Em “Sniper: Assassin’s End” o sargento Brandon Beckett (Chad Michael Collins), um atirador de elite do exército, é acusado de assassinar o presidente de Costa Verde, um país fictício da América Central. Yuki Mifune (Sayaka Akimoto), uma sniper japonesa treinada pela Yakusa, a máfia japonesa, recebe a missão de matar Brandon, contratada por uma organização criminosa. Brandon se esconde na propriedade rural do pai, o também sniper, agora aposentado, Thomas Beckett (Tom Berenger). É aqui que se passa quase toda a ação, envolvendo os mocinhos, agentes da CIA, e os bandidos, a mando de um grupo interessado em obter vantagens no mercado farmacêutico, razão do assassinato do presidente da Costa Verde. Há boas cenas de ação, mas não são muitas, o que prejudica o ritmo do filme. O desfecho é um tanto forçado, mas não chega a prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Lochlyn Munro, Emily Trennant, Ryan Robbins, Michael Jonsson, Bethany Brown, Vincent Gale, Jason Day, Alex Barima e Victor Favrin. Resumo da ópera: um bom programa para acompanhar uma pipoca.       

sábado, 9 de julho de 2022

 

“SPENCER”, 2021, coprodução Inglaterra/EUA/Chile, 1h57m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Pablo Larrain, com roteiro assinado por Steven Knight. A história acompanha a visita da princesa Diana (Spencer é seu nome de solteira) à propriedade real de Sandringham House, situada na zona rural de Norfolk, para os três dias festivos de Natal. Estamos no início dos anos 90, quando o casamento de Diana com o príncipe Charles está em plena crise. À sua espera estão seu então marido, os dois filhos, a rainha Elizabeth II e seu marido, príncipe Filipe. Ou seja, toda a família real reunida. Conforme o filme anuncia em seus créditos iniciais, trata-se de “Uma fábula inspirada numa tragédia real”. Diana é retratada como uma esposa infeliz, perturbada e à beira de um ataque de nervos, indicando que estava prestes a se divorciar, atingida em cheio pela descoberta de que seu marido a traía com Camilla Parker Bowles. Fica claro que Diana detestava as rígidas normas rígidas da família real. Entendi o filme como um estudo psicológico do estado mental de Diana e sua total infelicidade, com direito a ter alucinações, como as várias aparições do fantasma de Ana Bolena, esposa rejeitada pelo Rei Henrique VIII no século 16. Sem falar na enorme pressão exercida pelos paparazzi, que não a deixavam em paz nem mesmo no período natalino. Nesse aspecto, é preciso destacar a excelente performance da atriz Kristen Stewart, que realizou, sem dúvida, o melhor desempenho de sua carreira, tanto que foi indicada ao Oscar 2022 (a única indicação do filme). Aliás, Stewart está linda. O restante do elenco também merece um destaque especial: Jack Farthing, Sally Hawkins, Timothy Spall, Sean Harris, Stela Conet e Amy Manson. “Spencer” consagra ainda o talento do cineasta chileno Pablo Larrain, responsável por filmes como “No”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013, e “O Clube, indicado ao Globo de Ouro 2015. Além destes, também são dele “Jackie”, “Neruda”, “Tony Manero” e “Post Mortem”, entre outros. Resumo da ópera: “Spencer” é um filme de altíssima qualidade. Imperdível!     

quinta-feira, 7 de julho de 2022

 

“CASA GUCCI” (“HOUSE OF GUCCI”), 2021, coprodução Canadá/Estados Unidos, 2h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, que se inspiraram no livro homônimo escrito por Sara Gay Forden. O enredo contempla três décadas de história da famosa grife italiana Gucci, a partir de meados da década de 70, quando já era um verdadeiro império mundial da moda. O filme explora, principalmente, as questões familiares, envolvendo traição, ambição, vingança e assassinato. A história começa a partir do momento em que Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma jovem de origem simples, ingressa na família casando com um de seus principais herdeiros, Maurizio Gucci (Adam Driver). O poder da empresa ainda estava com os irmãos Aldo (Al Pacino) e Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), este último pai de Maurizio. O outro herdeiro era Paolo Gucci (Jared Leto), filho de Aldo. Aos poucos, Patrizia começa a se envolver nos negócios, saindo em defesa do marido durante as desavenças familiares e, principalmente, relativas à sua participação acionária. Algum tempo depois, Maurizio arranja uma amante e se divorcia de Patrizia, que não aceita a situação e parte para a vingança. Em 1978, com a cumplicidade da sua amiga vidente Giuseppina Auriema (Salma Hayek) e dois capangas, Patrizia combina o assassinato de Maurizio. O caso virou manchete mundial na mídia e chocou o mundo da moda. Anos depois, Patrizia e os comparsas são presos, julgados e condenados. Junto e misturado, isso tudo está no filme, graças ao primoroso roteiro. O diretor inglês Ridley Scott, mesmo aos 83 anos, esbanja vitalidade e competência, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Só para citar alguns: “Thelma & Louise”, “Blade Runner”, “Alien, o 8º Passageiro”, “Chuva Negra” e “Falcão Negro em Perigo”. O elenco é outro fator de destaque, especialmente o desempenho de Lady Gaga, na verdade a novaiorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta. Além de um talento enorme como cantora, ela se revela também uma excelente atriz. Acho até que pelo seu trabalho em “Casa Gucci” deveria ter sido indicada ao Oscar 2022. Mais uma injustiça da premiação. Destaque especial para o ator Jared Leto, cuja maquiagem deixou-o irreconhecível. Também está ótimo como um dos herdeiros Gucci. Além dos veteranos Al Pacino, Salma Hayek e Jeremy Iron, também em atuações destacadas, estão no elenco Jack Huston, Reeve Carney, Camille Cottin e Florence Andrews. Os herdeiros atuais da família Gucci criticaram o filme, afirmando em nota à imprensa: “A produção não se preocupou em consultar os herdeiros antes de descrever os Gucci como bandidos, ignorantes e insensíveis ao mundo ao seu redor”. Apesar dessa grande polêmica, “Casa Gucci” é cinema de Hollywood na sua melhor forma. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.   

segunda-feira, 4 de julho de 2022

 

“MADRES, MÃES DE NINGUÉM” (“MADRES”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h24m, roteiro e direção de Ryan Zaragoza. Mais do que um filme de suspense e terror, trata-se de um filme-denúncia, pois relata, de forma realista, a prática, nos Estados Unidos, da esterilização não consentida em mulheres grávidas que chegam ao país como imigrantes ilegais, principalmente mexicanas. Ao longo do século passado, mais de 64 mulheres e homens foram esterilizados à força nos EUA como parte do infame Movimento Nacional de Eugenia, cujo objetivo era restringir os direitos reprodutivos dos considerados geneticamente inferiores. Em 1975, um grupo de imigrantes mexicanas processou um hospital de Los Angeles onde foram esterilizadas sem permissão. Não deu em nada. A prática voltou neste século no Estado da Geórgia. A história de “Madres” é ambientada nos anos 70 e tem como personagem principal um casal de origem mexicana, Diana (Ariana Guerra) e Beto (Tenoch Huerta), ela grávida prestes a dar à luz. Eles chegam a uma pequena cidade da Califórnia e alugam uma casa assombrada pelo fantasma de uma mulher. Sem entrar muito nos detalhes da história para não estragar as surpresas, Diana acaba como paciente de uma dessas clínicas de esterilização. O filme tem o clima de suspense e alguns sustos, mas está longe de ser um filme de dar medo, ou seja, um terror digno do nome. Quando o filme começa há uma citação do escritor Joseph Conrad que explica o que vamos assistir: “A crença em uma origem sobrenatural do mal não é necessária; o Homem, por si só, é capaz de qualquer maldade”. Trocando em miúdos, “Madres” consegue o objetivo de denunciar uma prática execrável da medicina nos EUA (até hoje, nenhuma das vítimas foi indenizada).  

domingo, 3 de julho de 2022

 

“GREED – A INDÚSTRIA DA MODA” (“GREED”), 2019, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Michael Winterbotton, que também assina o roteiro com Sean Gray. Trata-se de uma sátira bastante ácida mostrando o lado obscuro e nefasto do mundo empresarial da moda, além de críticas pesadas à exploração de mão-de-obra, desigualdade social e a questão dos imigrantes ilegais que chegam à Europa. A figura central da história é o empresário inglês Richard McCreadie (Steve Coogan), que há 30 anos impera no mundo da moda fast fashion – segundo alguns críticos, o personagem foi criado à imagem e semelhança do empresário Philip Green, presidente da Arcadia Group, empresa de varejo proprietária de várias marcas e franquias. O enredo de “Greed” contempla quatro vertentes. A primeira, e mais destacada, refere-se aos preparativos da festa de 60 anos de McCreadie em cenário suntuoso na ilha grega de Mykonos com o tema “Gladiador”. Para isso, foi construída uma arena romana à beira da praia, com direito até a um leão. A segunda explora a infância e juventude do polêmico empresário, no tempo em que começou a manipular e enganar as pessoas. A terceira vertente diz respeito ao julgamento de McCreadie pela acusação de abuso financeiro e ético na indústria da moda, evasão fiscal, corrupção financeira e exploração implacável de mão-de-obra (ele pagava uma miséria para trabalhadores em Bangladesh, Mianmar, Índia e Sri Lanka). O filme ainda aborda a questão dos imigrantes ilegais que costumam desembarcar nas praias da Grécia, no caso de “Greed”, imigrantes sírios. O ator Steve Coogan está ótimo no papel do empresário ganancioso, prepotente, desonesto e manipulador, capaz de humilhar seus assistentes mais diretos com ofensas e xingamentos. Também estão no elenco Jamie Blackley (o jovem McCreadie), David Mitchel (o jornalista contratado para escrever a biografia do empresário), Isla Fisher (a ex-mulher), Shirley Henderson (a mãe dele), Sophie Cookson (a filha), Asa Butterfield (o filho), Shanina Shaik (a atual namorada), Dinita Gohil e Sara Solemani (assistentes). O filme conta ainda com rápidas participações especiais de Keira Knightley, Colin Firth, Keith Richards, Ben Stiller, Stephen Fry e Louis Walsh. Em resumo, o filme é ótimo, esclarecedor e impactante, além de bem-humorado. Imperdível!   

quinta-feira, 30 de junho de 2022

 

“SOBREVIVA AO JOGO” (“SURVIVE THE GAME”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, direção de James Cullen Bressack, seguindo roteiro de Ross Peacock. Trata-se de um filme policial cuja história começa quando dois detetives tentam dar um flagrante numa gangue de traficantes. A estratégia não dá certo, os traficantes fogem levando como refém um dos policiais feridos na ação, o detetive David (Bruce Willis). O outro policial, Cal (Swen Temmel), sai em perseguição aos traficantes, que acabam invadindo uma fazenda, de propriedade do ex-soldado do exército Eric (Chad Michael Murray), cuja esposa e filha faleceram recentemente em um acidente. Com a ajuda de Eric, o detetive Cal tentará libertar o parceiro David e prender a quadrilha. Também estão no elenco Donna D’Errico, Kate Katzman, Sarah Roemer, Kristos Andrews, Sean Kanan e Michael Sirow. Mais uma enorme bobagem cinematográfica, talvez o pior filme deste século, mas com certeza deste ano. É um dos últimos filmes com o astro Bruce Willys, que recentemente anunciou o fim de sua carreira por motivos médicos – ele sofre de Afasia. Apesar de somar alguns créditos, Willys se despede de forma melancólica do cinema, pois nos últimos anos só fez porcaria, incluindo este “Sobreviva ao Jogo” e mais “Meia-Noite no Switchgrass”, “Ameaça no Espaço” e “Sobreviver à Noite”, entre tantos outros. “Sobreviva ao Jogo” realmente é o pior. Tudo é lamentável, desde o roteiro, o péssimo elenco e cenas de ação que lembram os filmes dos Trapalhões. Fuja a galope!     

terça-feira, 28 de junho de 2022

 

“VERDADE E JUSTIÇA” (“TÕDE JÁ ÕIGUS”), 2020, Estônia, 2h45m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, primeiro longa escrito e dirigido por Tanel Toom, mais conhecido como diretor de curtas. A história é baseada no livro homônimo do romancista Anton Hansen Tammsaare (1878-1940), considerado um dos mais importantes escritores da literatura estoniana. Elogiadíssimo pela crítica, o filme representou a ex-república soviética na disputa do Globo de Ouro e do Oscar 2021. Trata-se de um grande clássico épico, que acompanha a família de Andres (Priit Loog) durante 24 anos a partir de 1872. Disposto a se aventurar pelo interior do país, Andres compra, a prestação, uma fazenda numa região inóspita e pantanosa conhecida curiosamente como “Ascensão do Ladrão”, antes chamada de “Campo dos Abetos”. Andres chega com a jovem esposa Krööt (Maiken Schmidt), que está grávida. O casal enfrentará inúmeros desafios pela frente, principalmente muito trabalho,  além de um vizinho bêbado e encrenqueiro, Pearu (Priiit Võigemast). Os dois vivem às turras e acabam sempre no tribunal do vilarejo. O desafio maior, porém, são os filhos gerados por Krõõt, seis em poucos anos. A história acompanha a trajetória de muitos sacrifícios dessa família, gerando um drama muito pesado e triste, mas poderoso ao extremo. Além da história e do excelente elenco, a fotografia, de Rein Kotov – o mesmo do ótimo “Tangerinas”, de 2013 – é outro trunfo do filme, explorando ambientes internos e os cenários selvagens que permeiam a região. O filme é bastante lento, o que levou um crítico de mau humor a afirmar que se trata de “forte candidato ao maior ansiolítico cinematográfico de 2020”. Realmente, é lento demais, mas com muita qualidade. Filmaço!   

sábado, 25 de junho de 2022

 

“TUDO PELA ARTE” (“THE BURNET ORANGE HERESY”), 2019, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h42m, coprodução Itália/Inglaterra, direção do cineasta italiano Giuseppe Capotondi – é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “Hora Dupla”, de 2009. O roteiro é assinado por Scott B. Smith, que adaptou a história do romance homônimo escrito por Charles Willeford em 1971. De cara, é preciso avisar que não é um filme para qualquer público. Ou seja, é aquele filme que a gente costuma chamar “cinema de arte”. Trata-se de um suspense de ritmo lento, muitos diálogos densos e recheados de erudição, um pouco de filosofia e muita, mas muita arte, basicamente pintura. A história é centrada no crítico de arte inglês James Figueras (o ator dinamarquês Claes Bang), cuja competência e honestidade são bastante duvidosas. Em uma de suas palestras na Itália, ele conhece Berenice Hollis (Elizabeth Debick), que logo vira sua amante. Eles são convidados pelo milionário colecionador de arte Joseph Cassidy (Mick Jagger, ele mesmo) para visitar sua mansão à beira do Lago Como – o cenário é deslumbrante. Cassidy convence Figueras a roubar um quadro do pintor Jerome Debney (Donald Sutherland), que vive recluso numa cabana isolada perto da mansão. Há mais de vinte anos, depois que suas obras foram destruídas em dois incêndios, Debney se esconde da imprensa e de todo mundo. Portanto, se um de seus quadros for encontrado, valerá uma fortuna, conforme acredita o milionário Cassidy. O suspense começa a adquirir forma na história a partir do momento em que Figueras entra em ação para roubar esse possível quadro na cabana do pintor. A história é interessante, valorizada pela atuação do quarteto central, principalmente o ator dinamarquês Claes Bang e a atriz australiana Elizabeth Debicki. O roqueiro Mick Jagger prova mais uma vez que é um bom ator, além da ótima performance do veterano Donald Sutherland. “Tudo pela Arte” foi exibido na mostra “Fora de Competição” do Festival de Veneza e na mostra “Donostia Award Screenings” do Festival de San Sebastian, com muitas críticas favoráveis. Realmente, o filme é muito bom, mas, repito, não é para qualquer público.    

quinta-feira, 23 de junho de 2022

 

“ALERTA DE FUGA” (“ESCAPING DAD”), 2020, Estados Unidos, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Ross Kohn, seguindo roteiro assinado por Adam Balsam. Suspense que explora um tema em grande evidência: a violência doméstica. Darren (Jason Wiles) é um ex-policial e conceituado promotor de justiça. Ele tem uma família aparentemente feliz, a esposa Erin (Sunny Mabrey), a filha adolescente Amy (Grace Van Dien) e o filho pequeno Charlie (Andy Walken). Como diz o velho ditado, as aparências enganam. Darren é um sujeito violento e há tempos vive surrando Erin. Em eventos sociais, porém, ele faz de conta que comanda uma família feliz e é um marido carinhoso. Até que um dia Erin não aguenta mais, pega as crianças e foge com destino à Califórnia, onde mora uma grande amiga. Aí o filme entra em ritmo de road movie, quando Erin e os filhos são ajudados por um caminhoneiro bonitão, Wes (Trevor Donovan), uma evidente referência ao personagem de Brad Pitt no clássico “Telma & Louise”. O promotor faz de tudo para encontrar o trio fugitivo, chegando a afirmar, em programas jornalísticos de TV, que a esposa sofre de problemas mentais e é perigosa, pois roubou seu revólver. Tudo mentira. O filme funciona muito bem como suspense durante grande parte do filme, mas o desfecho é decepcionante. Parece até que queriam terminar logo e resolveram adotar uma solução rápida para o The End. Mas o resultado final, somando os prós e os contras, ainda tem alguns prós, um deles a beleza das atrizes Sunny Mabrey e de Grace Van Dien, filha do ator Casper Van Dien.       

terça-feira, 21 de junho de 2022

 

“COLISÃO” (“COLLISION”), 2022, África do Sul, 1h39m. produção original e distribuição Netflix, direção do cineasta francês Fabien Martorell, que também assina o roteiro com a colaboração de Sean Cameron Michael e Siphosethu Tshapu. Drama carregado de suspense envolvendo tráfico de drogas, drama familiar, sequestro, racismo e xenofobia. Ambientada na cidade de Johanesburgo, a história transcorre em várias frentes, a principal delas a rotina da família de um empresário cuja filha se envolve com traficantes. Em paralelo, apresenta ainda um poderoso traficante e um comerciante que odeia imigrantes nigerianos, um deles namorado de sua filha. O filme abre espaço também para tratar de xenofobia, ou seja, os sul-africanos alegam que os imigrantes que chegam ao país, principalmente os nigerianos, estão ocupando seus empregos e dominando o comércio. O núcleo central da história, porém, envolve o empresário Johan Greser (Langley Kirkwood), sua esposa Diane (Tessa Jubber) e a filha Nicki (Zoey Sneedon). O chefão do tráfico Bra Sol (Vuio Dabula) precisa de dinheiro para saldar uma dívida e resolve sequestrar a filha do empresário, exigindo uma grande soma para libertá-la. A tensão aumenta a cada minuto perto do desfecho, quando os personagens principais acabam se trombando, literalmente, numa grande colisão. Tudo bem que essa coincidência seja forçada demais, mas faz parte do enredo e não prejudica o resultado final. Enfim, “Colisão” é mais um bom filme do emergente cinema da África do Sul. Recomendo.  

segunda-feira, 20 de junho de 2022

 

“VOCÊS NÃO ME CONHECEM” (“YOU DON’T KNOW ME”), 2021, Inglaterra, minissérie em 4 capítulos, produção e exibição BBC One, disponível na Netflix, roteiro e direção de Tom Edge, sendo a história baseada no livro homônimo de 2017 escrito por Imran Mahmood. Trata-se de um drama de tribunal tendo como réu um jovem vendedor de carros, Hero (Samuel Adewsunmi), acusado de ter assassinado o traficante Jamil (Roger Nsengiymva). Depois de dispensar sua advogada, Hero defende ele mesmo sua inocência, apesar de todas as evidências favorecerem sua condenação. Tudo o que aconteceu é contado por Hero no tribunal, intercalado com inúmeros flashbacks e várias reviravoltas. No começo da história, ele conhece Kyra (Sophie Wilde) e se apaixona, mesmo desconhecendo o passado da moça. Quando ela some misteriosamente, Hero se desespera e tenta encontrá-la. E, quando consegue, acabará se envolvendo com a perigosa gangue intitulada Glockz, que comanda o tráfico de drogas e a prostituição no bairro barra-pesada Camden, ao norte de Londres, colocando em risco não só sua vida como a de sua mãe e sua irmã. A minissérie é levada em ritmo tão lento que beira o entediante, não apenas durante as cenas de tribunal, como também nas atitudes de Hero, cujo comportamento ingênuo acaba irritando. É possível encontrar várias falhas no roteiro, principalmente a ausência da polícia, o que seria obrigatória devido a todos os fatos mostrados. Como são apenas quatro capítulos, a minissérie não se torna tão cansativa, mas o resultado final é frustrante. Dizem que haverá uma segunda temporada, o que eu duvido.     

domingo, 19 de junho de 2022

 

“A IRA DE DEUS” (“LA IRA DE DIOS”), 2022, Argentina, disponível na Netflix, 1h38m, direção de Sebastián Schindel (“Crimes de Família”), que também assina o roteiro ao lado de Pablo Del Teso. A história é baseada no livro “La Muerte Lenta de Luciana B”, de Guillermo Martínez. Trata-se de um suspense psicológico com muito mistério, tendo como pano de fundo temas como vingança, abuso sexual, desejo, insanidade e culpa. A jovem Luciana (Macarena Achaga) trabalha há anos como datilógrafa do renomado escritor Kloster (Diego Peretti). Eles trabalham no escritório dele, em sua própria casa, e Luciana fica amiga da esposa e da filha do escritor. Um dia, sozinhos no escritório, Kloster não resiste e beija Luciana, que, ofendida, se demite e entra com processo na justiça por assédio e abuso sexual. A partir desse fato e com o decorrer dos anos, várias mortes acontecem na família de Luciana e também na de Kloster. Coincidências? Vingança? A polícia não encontra indícios para determinar o que aconteceu. Luciana chega a pedir ajuda a Esteban Rey (Juan Minujín), um conhecido jornalista investigativo, para descobrir evidências e incriminar Kloster. A tensão aumenta cada vez mais, contando com a excelente trilha sonora de Iván Wyszogrod, que faz com que o filme lembre os clássicos de Alfred Hitchcock. Além do primoroso roteiro, o filme é ainda mais valorizado pela ótima atuação do trio central: Diego Peretti, Macarena Achaga e Juan Minujín. Mas é o veterano Peretti que se sobressai, permanecendo o tempo todo com uma expressão assustadora. Mesmo que o desfecho seja um tanto frustrante e até enigmático, “A Ira de Deus” é mais um filme argentino de qualidade. Não perca!   

sexta-feira, 17 de junho de 2022

 

“TRAIÇÃO E DESEJO” (“TRUST”), 2021, Estados Unidos, 1h34m, disponível na Netflix, direção de Brian Decubellis, que também assina o roteiro com a colaboração de Kristen Lazarian e K.S. Bruce. Não precisava de tanta gente para escrever uma história tão fraca para um filme idem. Trata-se de um romance que parecia rumar para um suspense, ou um filme erótico, mas acabou na maior água com açúcar. Os personagens centrais são Brooke (Victoria Justice) e Owen Shore (Mathew Daddario, irmão da atriz Alexandra Daddário). Eles moram em Nova Iorque, são jovens, casados, felizes, bonitos e bem sucedidos profissionalmente, ela dona de uma badalada galeria de arte e ele jornalista apresentador de um programa de prestígio na TV. O relacionamento complica quando Brooke precisa ir a Paris com Ansgar Doyle (Lucien Laviscount), um pintor de quadros eróticos de grande sucesso, cujas obras começam a ser cobiçadas por colecionadores de arte também da Europa. É com um deles que eles se encontrarão na capital francesa. Como a fama do pintor é de um mulherengo insaciável, Owen se derrete em ciúmes e resolve curtir sua desconfiança em um bar, onde conhece Amy (Katherine McNamara), uma loira cheia de amor pra dar. O espectador fica no maior suspense: qual deles trairá o outro. Tchan, Tchan, Tchan! Quando retorna de Paris, é Brooke que se enche de ciúmes, desconfiando que o marido pulou a cerca. Uma ou outra reviravolta acontece para tentar dar um sabor à história, mas o resultado final é decepcionante. Como informação adicional, lembro que Victoria Justice e Matthew Daddario já trabalharam juntos em um filme de 2015, “Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo”, sem qualquer importância cinematográfica, assim como este “Traição e Desejo”.   

terça-feira, 14 de junho de 2022

 

“TOSCANA” (“TOSKANA”), 2022, Dinamarca, produção original Netflix, 1h30m, direção do cineasta iraniano Mehdi Avaz, que também assina o roteiro com a colaboração de Nikolaj Scherfig. A história mistura romance e gastronomia. O personagem central é o chef Theo (Anders Matthesen), proprietário de um restaurante fino em Copenhagen, cuja culinária já recebeu várias premiações, inclusive duas estrelas Michelin, uma das maiores honrarias gastronômicas do mundo. Determinado dia, Theo recebe a notícia da morte do pai, proprietário do Castelo Ristonchi, na região de Toscana, na Itália. Filho único, ele recebe o imóvel como herança e parte para a Toscana para sacramentar o negócio. Sua intenção inicial é vender o castelo e investir o dinheiro na ampliação de seu restaurante em Copenhagen. Chegando ao seu destino, ele conhece a simpática Sophia (Cristiana Bell’Anna), responsável por um pequeno restaurante anexo ao castelo. De cara, já é possível prever o destino dos dois, principalmente depois que eles se beijam, uma grande forçada de barra do roteiro. Só que Sophia está de casamento marcado, o que estraga os planos românticos de Theo. Mas a vida continua e ele não perde as esperanças. Com exceção da exuberante fotografia e das belas paisagens da Toscana, o filme é insosso, falta emoção, culpa de um roteiro preguiçoso e pra lá de fraco. Já que estamos falando de gastronomia, eu comparo “Toscana” a um prato servido frio. Falado em dinamarquês, italiano e inglês, o filme conta ainda no elenco com Andrea Bosca, Ghita Norby, Sebastian Jessen, Ari Alexander, Christopher Nissen, Karoline Brygmann, e Taue Ersted Rasmussen. Resumindo, “Toscana” esbanja belos cenários, mas deixa a desejar em conteúdo.    

segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

“THAR”, 2022, Índia, 1h48m, produção original Netflix, roteiro e direção de Raj Singh Chaudhary. Bollywood, o maior produtor mundial de filmes, de vez em quando surpreende. E de modo bastante positivo, exemplo deste policial ambientado nos anos 80 do século passado – não consegui descobrir se é baseado em fatos reais. Por incrível que pareça, tem muito do gênero faroeste moderno. No caso específico de “Thar”, a crítica especializada o rotulou de western noir. Tem deserto poeirento, cavalos, xerife e malfeitores. Só faltaram os índios, embora sejam todos indianos. Começa a história com um sujeito misterioso chegando a um pequeno vilarejo situado no deserto de Thar, na região do Rajastão, perto da fronteira com o Paquistão. É por aqui que passava, na época, a rota do contrabando de ópio. Uma dor de cabeça e tanto para o inspetor de polícia Surekha (Anil Kapoor). Um dia, chega ao vilarejo um sujeito misterioso que se identifica como Siddarth (Harsh Varrdhan Kapoor), que afirma ser colecionador e negociante de antiguidades. A polícia começa a desconfiar dele a partir do momento em que ocorre um homicídio, mas não há evidências concretas contra ele. Livre da desconfiança inicial do policial Surekha, Siddarth parte para a ação e aí a violência explícita toma conta. Só perto do desfecho é que o roteiro explica a motivação para a vingança de Siddarth. Além de uma tensão crescente, “Thar” apresenta um trunfo que só quem acompanha o cinema indiano é capaz de comemorar: a ausência daquelas cantorias e danças irritantes, uma das marcas registradas de Bollywood. Como curiosidade, o ator Harsh Varrdhan Kappor´, que faz o Siddharth, é filho de Anil Kapoor, o inspetor de polícia. Vale a pena assistir, pois o cinema indiano não costuma produzir filmes de faroeste.           

 

domingo, 12 de junho de 2022

 

“RAMBO: ATÉ O FIM” (“RAMBO: LAST BLOOD”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, disponível na Netflix desde 6 de junho de 2022, direção de Adrian Grunberg ("Plano de Fuga"), seguindo roteiro de Matt Cirulnick. Rambo está de volta. Estou falando de John Rambo (Sylvester Stallone), aquele personagem criado pelo escritor David Morrell que surgiu no filme “Rambo – Programado para Matar”, em 1982. Depois vieram “Rambo – A Missão”, de 1985, “Rambo III”, de 1988, e “Rambo IV”, de 2008. Portanto, “Rambo: Até o Fim” é o quinto da franquia, apresentando Sylvester Stallone aos 74 anos, mas fisicamente em ordem. Só o rosto aparece bem envelhecido, com aquela mesma cara afetada por uma cãibra, sem nenhuma expressão. A história mostra o velho soldado agora aposentado, morando em um rancho perto da fronteira dos Estados Unidos com o México. Com ele vivem a sobrinha Gabrielle (Yvette Monreal) e Maria Beltran (Adriana Boarraza), imigrante mexicana que ajudou a criar a menina. Tudo vai bem até que Gabrielle resolve conhecer o pai biológico que a abandonou ainda criança. Por intermédio de uma antiga amiga, ela descobre que o pai mora em uma cidade fronteiriça do México, famosa por sua violência. Mesmo assim Gabrielle resolve ir, contrariando os conselhos de Rambo e de Maria Beltran. Só que a viagem se transforma em um verdadeiro pesadelo. Rejeitada pelo pai, ela acaba indo para uma balada, onde conhece uns tipos bem suspeitos. Resultado: ela é sequestrada por uma gangue que explora o tráfico de drogas e a prostituição. Quando fica sabendo da situação da sobrinha, Rambo entra em ação e vai para o México tentar resgatá-la, tarefa que não será nada fácil. Até o desfecho, Rambo enfrentará, sozinho, um verdadeiro exército de bandidos, culminando com uma matança generalizada. Também estão no elenco a atriz espanhola Paz Veja, Sergio Peris, Óscar Jaenada e Marco de La O. Nos créditos finais, surgem várias cenas dos filmes anteriores de Rambo e, pelo título original, parece que este será o último filme do famoso personagem. “Rambo: Até o Fim” foi detonado pela crítica especializada, sem contar que teve indicações em 8 categorias para o “Framboesa de Ouro”, prêmio dado aos piores filmes do ano. O filme também não agradou o escritor David Morrell, criador do personagem. Após assisti-lo, Morrell disse: “Eu concordo com as críticas negativas de ‘Rambo: Até o fim’. O filme é uma bagunça. Tenho vergonha de ter meu nome relacionado a ele”. Tudo bem, o filme é mesmo fraco, mas deve agradar quem gosta de violência explícita, ou seja, os fãs do astro Stallone.     

 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

 

“UMA MÃE PERFEITA” (“UNE MÈRE PARFAITE”), 2022, França/Alemanha/Bélgica, minissérie em quatro capítulos, direção de Frédéric Garson, seguindo roteiro assinado por Carol Noble e Thomas Boulle. A história foi inspirada no livro homônimo escrito por Nina Darnton, baseada no famoso caso da jovem norte-americana Amanda Knox, presa na Itália em 2007 acusada de um assassinato. Na minissérie, recentemente lançada pela Netflix, o pano de fundo é um drama policial centrado na família Berg, residente em Berlim. Quando recebem a notícia de que sua filha Anya Berg (Eden Ducourant) é presa em Paris, acusada de assassinato, a mãe, Hélène Berg (Julie Gayet, ótima), pega o primeiro voo rumo à capital francesa. O marido, Mathias Berg (Andreas Pietschmann) e o filho, Luckas (Maxim Driesen), ficam em Berlim. Como é proibida de ver a filha, Hélène procura o advogado Vincent Duc (Tomer Sisley), seu ex-namorado da época em que ainda vivia em Paris. Enquanto isso, na delegacia, Anya é submetida a vários interrogatórios e cai em contradição várias vezes, confundindo o inspetor Mani (Cyril Gueï), responsável pela investigação. A vítima do crime é um rapaz de uma importante família francesa, o que complica ainda mais a situação de Anya. Aos poucos, a abordagem policial da minissérie logo se transforma em um drama familiar, expondo as mazelas da família Berg. Até o fim, mesmo com as evidências incriminando Anya, incluindo sua relação com um traficante, Hélène defenderá a filha com unhas e dentes. Também estão no elenco Inès Spiridonov e Julien Lopes. A cena final dá a entender que haverá uma segunda temporada, o que eu não acredito. De qualquer forma, a minissérie não chega a decepcionar.              

terça-feira, 7 de junho de 2022

 

“INTERCEPTOR”, assim mesmo sem tradução, como aparece na Netflix desde o dia 3 de junho de 2022, Austrália, 1h36m, direção de Matthew Reilly, que também assina o roteiro com a colaboração de Stuart Beattie. Imagine a situação: terroristas tomam a base de mísseis balísticos Tavlinka, na Rússia, e ameaçam atacar 16 das principais cidades dos Estados Unidos. A trama é descoberta e as duas bases antimísseis do exército norte-americano entram em alerta. Uma delas, porém, a de Fort Greeley, localizada em território dos EUA, já havia sido invadida e tomada pelos terroristas. Resta então a base SBX-1, instalada em uma plataforma no Oceano Pacífico. No dia em que a capitã JJ Collins (Elsa Pataky) chega ao comando da SBX-1, designada pelo alto comando militar, os terroristas a invadem, tentando inutilizá-la para que os mísseis russos não sejam interceptados. Com apenas um soldado para ajudá-la, a capitã terá de defender a base praticamente sozinha, já que seu colega não sabe nem mesmo utilizar uma arma. O filme garante emoção, tensão e muita ação do começo ao fim, garantindo um bom entretenimento. A grande atração é mesmo a bela atriz espanhola Elsa Pataky, casada com o astro de “Thor”, Chris Hemsworth, que, além de produtor-executivo, aparece em algumas cenas como vendedor de uma loja de eletroeletrônicos. Uma participação, convenhamos, totalmente desnecessária. Também estão no elenco Luke Bracey, Mayen Mehta, Aaron Glenane, Paul Caesar, Belinda Jombwe, Zoe Carides, Marcus Johnson, Kim Knuckey e Rhys Molddon. Resumindo, dá para se divertir numa boa.     

segunda-feira, 6 de junho de 2022

 

“TIO FRANK” (“UNCLE FRANK”), 2020, Estados Unidos, produção original Amazon Prime, 1h35m, roteiro e direção de Alan Ball – Ball ficou conhecido depois que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro por “Beleza Americana”, em 1999. “Tio Frank” é um drama familiar bastante sensível sobre o homossexualismo, valorizado pelas ótimas atuações do elenco, que conta com Sophia Lillis, Paul Bettany, Peter MacDissi, Margo Martin Dale, Steve Zahn, Judy Greer e Stephen Root. A história, ambientada no final dos anos 60 e início dos anos 70, envolve a família Bledsoe, residente em uma pequena cidade do interior da Carolina do Sul. Sob a ótica da adolescente Beth (Lillis), que também é narradora da história, o filme acompanha a rotina dos encontros da família, normalmente nos almoços de final de semana. Aos poucos, o espectador é levado a conhecer as personalidades de cada um, com destaque para Frank (Bettany), que esconde da família o fato de ser gay, motivo pelo qual resolveu se mudar para Nova Iorque, onde vive com o namorado Walid (Peter MacDissi, o melhor do elenco), um imigrante da Arábia Saudita que deixa o seu país para não ser decapitado por causa de sua opção sexual. Desde criança, Beth sempre admirou o tio Frank, com o qual sempre se sentiu à vontade para conversar, principalmente sobre literatura, seu assunto preferido. Quando Beth deixa sua pequena cidade para estudar na Universidade de Nova Iorque, ela terá a oportunidade de se aproximar ainda mais do tio Frank. É quando descobre que ele é gay. Quando recebem a notícia da morte de Mac (Root), o patriarca autoritário da família, Frank e Beth viajam para participar do funeral, levando Walid a tiracolo. A situação se complica a partir do momento em que o testamento deixado por Mac é lido. Uma chocante revelação é feita, afetando as relações entre os familiares. Meio escondido na plataforma Amazon, “Tio Frank” é um ótimo drama que coloca em discussão e até sugere uma reflexão sobre a homossexualidade, de uma maneira sensível e até comovente. Belo filme que merece ser descoberto.    

sábado, 4 de junho de 2022

 

“MOONFALL – AMEAÇA LUNAR” (“MOONFALL”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h10m, direção do cineasta alemão Roland Emmerich, que também assina o roteiro com a colaboração de Harald Kloser e Spenser Cohen. É preciso muita imaginação para elaborar uma história com tantos absurdos e situações mirabolantes, mas em se tratando de ficção científica misturada com aventura espacial, tudo acaba sendo válido. E o diretor alemão, considerado o "Rei do Cinema Catástrofe", é especialista no assunto, pois foi o responsável por filmes como “Independence Day”, “Godzilla”, “2012” e “O Dia Depois de Amanhã”, entre tantos outros que fez depois que chegou a Hollywood. No caso de “Moonfall”, seus mais novo disaster movie, a Lua é a grande vilã. Uma força misteriosa desvia sua órbita em torno da Terra, ameaçando colocá-la em rota de colisão com o nosso planeta. Diante dessa tragédia iminente, entram em ação os heróis da história, os ex-astronautas Jocinda Fowler (Halle Berry) e Brian Harper (Patrick Wilson), além de KC Houseman (John Bradley), um cientista amador, personagem responsável pelos momentos de bom humor. O ritmo da ação é alucinante, com muitos efeitos especiais (espaciais) bem elaborados, principalmente as consequências terríveis acontecendo na Terra, como tsunamis, furacões e outros desastres ambientais. Completam o elenco Charlie Plummer, Carolina Bartczak, Donald Sutherland, Michael Peña, Eme Ikwuakor, Frank Schorpion, Maxim Roy, Kelly Yu e Stephen Bogaert. Resumindo, “Moonfall”, como aventura de ação espacial, é um bom entretenimento.  

quinta-feira, 2 de junho de 2022

 

“POSTO DE COMBATE” (“THE OUTPOST”), 2020, Estados Unidos, 2h04m, em cartaz na Netflix, direção de Rod Lurie, seguindo roteiro assinado por Paul Tamasy e Eric Johnson. O filme relembra os eventos reais que aconteceram no Afeganistão em 2009, quando uma base de soldados norte-americanos instalada em um vale isolado, cercado por montanhas, era constantemente atacado por milícias talibãs. Os fatos mostrados no filme foram baseados no livro “Posto de Combate: A História Não Contada de Bravura Americana” (“The Outpost: An Untold Story of American Valor”), escrito pelo jornalista Jake Tapper e lançado em 2012. Resumindo, a base chamada de “Camp Keating” era protegida por 54 soldados, alguns deles muito jovens e sem experiência de combate. Sua missão era tentar descobrir os movimentos dos talibãs na região e defender a população local. Em outubro de 2009, a base foi atacada por mais de 400 talibãs naquela que foi intitulada Batalha de Kamdesh. A resistência heroica dos norte-americanos valeu aos soldados várias honrarias militares, inclusive àqueles que morreram durante o combate. O elenco do filme conta com participação de Scott Eastwood (filho do Clint), Caleb Landry Jones, Orlando Bloom, Milo Gigson, Taylor John Smith, Celina Sinden, Cory Hardrict, Jacob Scipio, Jonathan Younger, James Jagger e Jack Kesy. O filme é intenso e envolvente, repleto de suspense e tensão, com o mérito adicional de colocar o espectador dentro da base, sentindo o perigo chegando a cada minuto. Mais uma vez, vou contrariar alguns críticos especializados que detonaram o filme. Eu gostei muito do resultado final e recomendo como um filmaço de guerra. Antes dos créditos finais, como uma homenagem póstuma, “Posto de Combate” apresenta as fotos dos soldados que morreram e, mais para o final dos créditos, alguns depoimentos dos que sobreviveram.  

segunda-feira, 30 de maio de 2022

 

“AS GAROTAS DE CRISTAL” (“LAS NIÑAS DE CRISTAL”), 2022, Espanha, disponível na Netflix, 2h19m, direção de Jota Linares, que também assina o roteiro com a colaboração de Jorge Naranjo. Nunca fui fã de balé clássico, muito menos no cinema, apesar de ter assistido alguns bons filmes sobre o tema, como “Billy Elliot”, de 2000,  “Cisne Negro”, que deu o Oscar 2011 de Melhor Atriz para Natalie Portman, e “Birds of Paradise”, de 2021. Agora chega o espanhol “As Garotas de Cristal”, um drama cujo pano de fundo explora os sacrifícios aos quais são submetidos os bailarinos de uma grande companhia de balé, no caso a National Classical Ballet da Espanha. Com a morte trágica de María Poza (Samantha Vottari), primeira bailarina da companhia, é escolhida para substituí-la no principal papel da peça “Giselle” a jovem e bela Irene (Maria Pedraza), para a inveja das suas colegas, que passam a tratá-la como inimiga, a ponto de colocarem cacos de vidro no chão do banheiro para machucá-la. Irene, porém, encontra no grupo uma amiga que será importante para ajudá-la a enfrentar os desafios dos duros ensaios comandados pela exigente Norma (Mona Martinez). Essa amiga é Aurora (Paula Lozada), que até o desfecho da história acompanhará de perto as dificuldades de Irene e irá apoiá-la de todas as maneiras. Completam o elenco Marta Hazas, Ana Wagener, Iria Del Rio, Silvia Kal, Andrés Lima, Olivia Gaglivi, Javier Lago e Juanjo Almeida. Esteticamente, “As Garotas de Cristal” é um belo filme, com uma primorosa fotografia (Gris Jordana) e, em especial, com as ótimas coreografias das cenas de balé. Claro que não é um filme para qualquer público, mas recomendo mesmo assim.