“A
BELA E OS CÃES” (“AALA KAF IFRIT”), 2016, coprodução Tunísia/França,
roteiro e direção da diretora tunisiana Kaouther Bem Hania. Inspirada em fatos
reais ocorridos em 2012 em Túnis (capital da Tunísia) e relatados no livro “Culpada
de Ser Estuprada”, de Mariem Ben Mohamed, a história é toda centrada na jovem Mariam
(Mariam Al Ferjani), que, ao sair de uma balada acompanhada pelo jovem Youssef
(Ghanem Zrelli), acaba sendo estuprada por dois policiais. Ela vai ao hospital
pedir ajuda e pegar um atestado médico que comprovaria o que aconteceu. Os
médicos se recusam a fazer o exame, exigindo um boletim de ocorrência. Só que,
para isso, ela teria que ir à delegacia, onde possivelmente estariam seus
agressores. O filme acompanha o dilema da jovem, que é tratada como se fosse a
culpada de tudo o que aconteceu. Nesse contexto, o filme deve ser visto como
uma denúncia contra uma sociedade machista e patriarcal – como acontece em quase
todos os países árabes -, onde a mulher não passa de um ser de segunda classe.
É terrível e angustiante assistir ao sofrimento da jovem Mariam, imaginando que
tudo aconteceu de verdade. O filme tem grande impacto, embora o elenco seja
muito fraco. A atriz Mariam Al Ferjani é gorducha demais para ser chamada de “Bela”,
pelo menos para os padrões ocidentais. O filme estreou no Festival de Cannes
2017, competindo na mostra “Um Certain Regard”.
domingo, 11 de novembro de 2018
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
“HANNAH”, 2016,
coprodução Itália/França, é o segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo
diretor italiano Andrea Pallaoro – o primeiro foi “Medeas”, de 2013. Hannah
(Charlotte Rampling) é uma mulher na terceira idade que enfrenta uma fase
bastante difícil. Seu marido foi para a prisão, o filho a rejeita e a velhice
está chegando para acabar com qualquer sonho futuro. Hannah é o retrato da
infelicidade. Parece que nada deu certo em sua vida. Para sobreviver, ela
trabalha como faxineira em casas de alto luxo e suas únicas distrações são
nadar de vez em quando na piscina de um clube e participar de aulas de
interpretação teatral. Em nenhuma dessas atividades ela procura se socializar,
fazer amizades. Sua atitude é de uma solitária crônica. O diretor preferiu o
silêncio como forma de aumentar a dramaticidade da história. Há poucos diálogos,
cenas muito longas e praticamente nenhuma resposta para perguntas evidentes: Por
que o marido foi preso? Por que o filho a rejeita? Nada disso, porém, prejudica
o desenrolar da trama. O filme é todo da inglesa Charlotte Rampling. Ela
aparece praticamente em todas as cenas, comprovando que é uma senhora atriz –
agora atriz senhora – na vida real, tem 72 anos. Seu desempenho é espetacular, trabalhando
apenas com a expressão facial e entregando-se totalmente ao papel, incluindo
algumas cenas de nudez que ela encara sem o menor pudor. Esse trabalho lhe
garantiu o Prêmio de Melhor Atriz no 74º Festival Internacional de Veneza, em
2017.
terça-feira, 6 de novembro de 2018
“ACROSS
THE WATERS” (“Fuglene over sundet”), 2016, Dinamarca, roteiro e
direção de Nicolo Donato – é o seu segundo longa-metragem. Conservei o título
em inglês, pois ainda não há tradução em português, já que o filme não chegou
por aqui - e nem deve chegar. Trata-se
de mais uma história terrível e muito triste ambientada durante a Segunda
Guerra Mundial. Em 1943, rompendo um acordo que havia feito com o governo
dinamarquês, Hitler ordenou que suas tropas de ocupação na Dinamarca prendessem
todos os judeus para depois enviá-los para os campos de concentração. Muitos
conseguiram fugir para a Suécia, país neutro, mas os que não conseguiram foram
assassinados ali mesmo na Dinamarca. O filme é centrado na família do
guitarrista de jazz Arne Itkin (David Dencik), que fugiu às pressas de Copenhague
para tentar pegar um barco na vila de pescadores Gilleleje. Como milhares de
outros dinamarqueses, Arne, a esposa Miriam (Danica Curcic) e o filho Jacob, de
5 anos, foram surpreendidos pelos agentes da Gestapo quando tentavam embarcar. E
daí para a frente, só desgraça e tristeza. Para escrever o roteiro, o diretor Nicolo Donato se inspirou nas memórias do seu avô, um dos barqueiros de Gilleleje que ajudaram muitos judeus a fugir para a Suécia. Mais um capítulo lamentável das atrocidades dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é ótimo, tão bom que ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Rügen (Alemanha). Mais um episódio da história mundial que merece ser conhecido.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018

domingo, 4 de novembro de 2018
O velho ditado já
dizia: “Família feliz só no álbum de retratos”. Dentro desse contexto, o cinema
produziu inúmeros filmes, alguns excelentes, como “Festa em Família”, de Thomas
Vintenberg, “Álbum de Família”, de John Wells, com Meryl Streep e Julia
Roberts, e o melhor de todos, “Parente é Serpente”, do grande diretor italiano
Mario Monicelli. Descobri agora mais um excelente filme que também explora o
tema: o drama polonês “NOITE SILENCIOSA”
(“CICHA NOC”), 2017, escrito e dirigido por Piotr Domalewski. Como aqueles
citados no começo deste comentário, o filme polonês começa na melhor das
intenções: reunir a família para a ceia de Natal. Só que, como previsto, acaba
na maior baixaria, lavagem de roupa suja, agressões, revelações bombásticas e desunião
generalizada. Um resumo: o filho mais velho, Adam (Dawid Ogrodnik), que reside na Holanda com a esposa, vai passar o Natal com a família, numa zona
rural da Polônia. Com o passar do tempo, descobrimos que sua intenção não era
rever ou saudar a família, e sim tentar herdar a casa do avô, fazer dinheiro e
investir no próprio negócio. Tem o cunhado violento que bate na esposa; o pai
alcoólatra que ficou anos fora de casa e praticamente abandonou a família, e
por aí vai a cascata de acusações, culminando com uma revelação sórdida que vai
abalar ainda mais a relação entre Adam e seu irmão mais novo Pawel (Tomasz
Zietek). Ou seja, uma noite em que o espírito de Natal passou bem longe. O filme
é ótimo, tanto que conquistou nada menos do que 9 prêmios no Polish Film Awards
2018 (o Oscar polonês), entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Diretor e
Melhor Roteiro.
sábado, 3 de novembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018
“DAMASCUS COVER” (como
ainda não chegou por aqui – e talvez nem chegue -, não tem tradução),
Inglaterra, 2018, primeiro longa-metragem dirigido por Daniel Zelik Berk. O
roteiro foi assinado por Samantha Newton, que se baseou nos fatos reais reportados no romance “The Damascus Cover”, escrito pelo norte-americano Howard
Kaplan e lançado em 1977. Como quase todo filme de espionagem, você demora pelo
menos meia-hora para saber quem é quem e entender o que está acontecendo. Neste
“Damascus Cover”, o agente secreto israelense Ari Ben-Sion (o ator irlandês Jonathan
Rhys-Meyers), do Mossad, é designado para uma missão em Damasco, capital da
Síria. Disfarçado de empresário e com o nome de Hans Hoffmann, Ari tentará
fazer alguns contatos para ajudá-lo a tirar da Síria um cientista e sua
família. Em Damasco, Ari acaba conhecendo Kim (Olivia Thirlby), uma fotógrafa a
serviço de um jornal inglês, pela qual se apaixonará. O vilão da história é
Sarraj (Navid Negahban), o chefão do serviço secreto da Síria, que perseguirá e
tentará prender Ari até o final do filme. Em sua missão, Ari ainda se infiltrará num
grupo secreto de simpatizantes nazistas. Enfim, “Damascus Cover” tem suspense,
romance e ação, o que garante um entretenimento descompromissado. Vale pelo
fato de ser baseado em acontecimentos reais.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
“CUSTÓDIA” (“JUSQU’À LA GARDE”),
2017, França, primeiro filme escrito e dirigido pelo ator e agora diretor
Xavier Legrand. Uma ótima estreia, aliás, que mereceu o Prêmio de “Melhor
Diretor” no Festival de Veneza. A trama é centrada no casal Miriam e Antoine
Besson (Léa Drucker e Denis Ménochet), que acaba de se divorciar e agora estão
brigando pela guarda do filho Julien (Thomas Gioria). Em audiência no tribunal,
Miriam pede a guarda exclusiva do menino, alegando que Antoine é muito violento
e pode machucá-lo. A juíza do caso, porém, concede ao pai o direito de visita
semanal. A partir dessa decisão, mãe e filho viverão momentos de tensão a cada
visita do pai (o semblante do ator Antoine Besson é realmente assustador), que continua insistindo com Miriam para retomar o casamento. Nos
minutos que antecedem o desfecho, o diretor cria um clima de tensão sufocante e
angustiante capaz de gelar o sangue e eriçar os pelos da nuca do espectador.
Uma aula de cinema de suspense, que faria inveja até ao mestre Hitchcock. Por aqui, além do circuito comercial, o filme
foi exibido como uma das atrações do Festival Varilux de Cinema Francês, em
2018, e durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro
de 2017. Um filmaço imperdível!
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
“TRISTEZA E ALEGRIA” (“Sorg
og Glaede”), Dinamarca, 2013, roteiro e direção de Nils Malmros. Esqueça a “Alegria”
do título. O filme é só “Tristeza”. Já começa de forma trágica. O cineasta
Johannes (Jakob Cedergren) chega em casa e é surpreendido pela notícia de que
sua esposa Signe (Helle Fagralid) acabara de assassinar a filha de 9 meses de
idade. Cabe aqui uma explicação: Signe há muito tempo é maníaco-depressiva,
deixou de tomar os remédios com a concordância do marido e, num surto
psicótico, acabou matando a filha cortando-lhe a garganta. Para tentar entender
o que aconteceu, Johannes procura o dr. Birkemose (Nicolas Bro), psiquiatra que
cuidava de Signe. Durante a conversa entre os dois, o filme volta no tempo e
conta como o romance entre Johannes e Signe começou. Signe tinha um ciúme
doentio do marido, principalmente com relação às atrizes que ele dirigia. Ela
não parava de chorar, um sinal evidente da doença. Quando a filhinha nasceu,
imaginava-se que Signe poderia melhorar, mas não foi o que aconteceu. Os dois
principais protagonistas são interpretados por ótimos atores, principalmente
Helle Fagralid. Não custa nada repetir: é um filme pesado, muito triste, mas
excelente sob o ponto de vista cinematográfico. Na verdade, foi um ato de grande
coragem do diretor Nils Malmros, que escreveu a história baseado no que
aconteceu em sua vida particular no início dos anos 80.
domingo, 28 de outubro de 2018
“TULLY”, EUA,
2018, chega para comprovar, de forma definitiva, o imenso talento da bela atriz
sul-africana Charlize Theron. Ela interpreta Marlo, mãe de duas crianças e prestes
a ter o seu terceiro filho. Grávida e com um baita barrigão, Marlo sofre o diabo
para cumprir os afazeres domésticos, como servir o café da manhã e levar os
filhos para o colégio. O mais difícil é lidar com o filho do meio, um garoto do
tipo autista, que só dá trabalho no colégio. O marido, Drew (Ron Livingston),
não ajuda muito, pois trabalha o dia inteiro e à noite prefere se isolar no
quarto para jogar videogame. Ou seja, não dá para contar com ele. Quando a
rotina fica pesada demais, principalmente logo depois do nascimento do bebê, o
irmão de Marlo resolve ajudá-la, contratando uma babá noturna, a Tully do
título, interpretada por Mackenzie Davis. A chegada de Tully fará com que Marlo
consiga relaxar e descansar. As duas começam a se dar tão bem que acabam
ficando amigas, a ponto de trocar confidências e intimidades. Segundo o
material de divulgação, Charlize engordou 23 quilos para representar Marlo. Sei
não. Acredito mesmo é que houve alguma trucagem ou então uma eficiente
maquiagem corporal. De qualquer forma, Charlize, mesmo gorda, continuou linda. O
filme foi dirigido pelo ator e diretor Jason Reitman (“Amor sem Escalas”, “Jovens
Adultos” – também com Charlize – e “Juno”. Além da presença da bela atriz,
outro trunfo do filme é o roteiro criativo, inteligente e bem-humorado escrito
por Diablo Cody, a mesma roteirista de “Juno”, pelo qual ganhou o Oscar de
Melhor Roteiro. “Tully” é um bom filme, mas acredito que vá agradar apenas o
público feminino.
MULHER
QUE SEGUE À FRENTE (“WOMAN WALKS AHEAD”), EUA, 2018, direção de
Susanna White (“Nosso Fiel Traidor”) e roteiro de Steven Knight. Trata-se de
uma história baseada em fatos reais. Em 1890, a viúva aristocrata Catherine
Weldon (Jessica Chastain), pintora nas horas vagas, resolve sair de Nova Iorque
e se aventurar numa perigosa viagem até Dakota do Norte. Seu objetivo era
pintar um retrato do lendário Touro Sentado (Michael Greyeyes), chefe dos índios
Sioux, que, depois de vencer inúmeras batalhas contra o exército norte-americano
e matar muitos homens brancos, vivia pacificamente como plantador de batatas
numa reserva indígena controlada pelos federais. Temerosa em lidar com um
grande guerreiro, Catherine foi aos poucos se aproximando de Touro Sentado, com
o qual começa uma forte amizade (o filme dá a entender que os dois tiveram um
caso). Catherine se engajou na briga entre índios e brancos pela disputa de
terras e enviou várias cartas a senadores norte-americanos e ao próprio governo
pedindo uma intermediação em favor dos indígenas. Esta sua atitude revoltou o
pessoal do exército e ela passou a ser perseguida e até espancada. O vilão da
história é o coronel Groves (Sam Rockwell), que sempre tentou dissuadir
Catherine a volta para Nova Iorque e ficar quietinha no seu canto. Pelo fato de
relembrar um fato histórico pouco conhecido por aqui, o filme vale a pena ser
visto. E ainda mais pela presença da excelente atriz Jessica Chastain, da qual
sou fã incondicional.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
“A
GAROTA OCIDENTAL – ENTRE O CORAÇÃO E A TRADIÇÃO” (“Nuces”
no original, que na tradução literal para o português significa “Núpcias”, o
que seria um título mais coerente com a história), 2017, Bélgica, roteiro e
direção de Stephan Streker (é o seu terceiro longa-metragem). Para escrever o
roteiro, Streker se inspirou num caso verídico ocorrido em 2007 no interior da
Bélgica envolvendo uma jovem chamada Sadia Sheikh. Na época, o caso gerou
grande comoção no país. No filme, a jovem chama-se Zahira Kazim (Lina El
Arabi), de 18 anos de idade, uma das filhas de Mansoor Kazim (Babak Karimi), um comerciante
paquistanês estabelecido em Bruxelas há muitos anos. O patriarca da família exige
que os filhos sigam as regras da religião muçulmana, assim como as tradições
milenares do Paquistão. Para agradar aos seus pais, Zahira, mais
ocidentalizada, usa o lenço sobre a cabeça e costuma disfarçar em casa fazendo-se
passar por uma muçulmana legítima. Numa de suas escapadas, Zahira acaba ficando
grávida do namorado, que foge da paternidade. Sem saber da situação de Zahira,
seus pais a obrigam a casar com um paquistanês, como manda a tradição, e
escolhem três pretendentes através da internet. Só que ela se apaixona por um
francês. Aí a coisa vai pegar para o seu lado, pois a família não deixará a
ovelha desgarrar-se do rebanho. Entre trágico e comovente, o desfecho coroa um
drama muito bem elaborado, com atores muito bons, principalmente a jovem atriz
francesa de origem marroquina Lina El Arabi, e uma história que privilegia um
passeio cultural pela intimidade de uma família muçulmana tradicional. O filme
é ótimo, tendo participado da seleção oficial de vários festivais de cinema
mundo afora, como Toronto, Edimburgo, Istambul, Roma e Roterdãm, recebendo
muitos elogios da crítica e do público. Imperdível!
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
“RASTROS” (“POKOT”), 2016, Polônia, marca a volta da veterana e consagrada
diretora polonesa Agnieszka Holland à telona, depois de anos dedicados à
direção de séries televisivas. A história de "Rastros" é centrada em Janina Duszejko
(Agnieszka Mandat-Grabka), uma engenheira aposentada que trabalha como
astróloga e professora de inglês num vilarejo localizado no Vale de Klodzko,
cercado por florestas. Chamada pelo pessoal de “velha excêntrica”, Janina é uma
ferrenha defensora dos animais e inimiga mortal dos caçadores, que formam a
maioria da população do vilarejo. É contra eles que Janina dedica seu maior
tempo, principalmente depois que suas cadelas desapareceram misteriosamente. Ao
mesmo tempo, vários caçadores aparecem mortos, sem pistas aparentes para a
polícia. No depoimento de Janina aos policiais, ela aponta os animais como os maiores suspeitos, afirmando que se trata de uma espécie de vingança contra aqueles
que os perseguem e os matam. A dedicação de Janina em favor dos
animais chega ao ponto de afrontar o padre do vilarejo no meio da sua homilia numa missa, quando ele
defendia o direito dos caçadores de exterminar os bichinhos. Até perto do
desfecho fica a pergunta: quem anda matando os caçadores? Veja o filme e saiba
a resposta. Faço questão de destacar o espetacular desempenho dessa atriz
polonesa maravilhosa, Agnieszka Mandat-Grabka. Só a atuação dela vale o ingresso. Mas não é só de drama que o filme é feito. Também tem muito humor. “Pokot” estreou no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017,
sendo selecionado posteriormente para representar a Polônia na disputa do Oscar
2018 de Melhor Filme Estrangeiro. A crítica especializada não gostou. Eu gostei
muito e recomendo. Só para lembrar, a diretora polonesa é responsável por filmes excelentes, como "O Segredo de Beethoven", "Filhos da Guerra" e "Na Escuridão", entre outros.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
“LBJ
– A ESPERANÇA DE UMA NAÇÃO” (“LBJ”), 2017, EUA, roteiro e direção
de Rob Reiner. Trata-se de um drama histórico biográfico centrado na figura de
Lyndon Baines Johnson, que assumiu a presidência dos Estados Unidos depois do
assassinato do presidente John Kennedy, em novembro de 1963 – LBJ era o
vice-presidente. O filme explora o período de 1959 a 1964, destacando os
bastidores da política norte-americana. Lyndon Johnson assumiu a presidência
cercado de opositores, inclusive no próprio partido, o principal deles Bobby
Kennedy, justamente o irmão do presidente assassinado. Mesmo contrariando os
desejos dos políticos do sul, seu conclave eleitoral, Johnson teve a coragem de
lutar em favor da aprovação do Ato dos Direitos Civis, uma bandeira de John
Kennedy, que dava aos negros direitos iguais aos brancos. O filme é uma aula de
História daquele período tão tumultuado nos EUA - crise com Cuba, Guerra do Vietnã, manifestações antirracistas etc. O elenco é dos melhores: Woody
Harrelson (espetacular como LBJ), Bill Pullman, Jennifer Jason Leigh, Jeffrey
Donovan, Richard Jenkins e Michael Stahl. Filmaço! Ah, só para lembrar, o veterano
diretor Rob Reiner, de 71 anos, tem em seu currículo dois grandes clássicos do
cinema: “Conta Comigo”, de 1986, e “Questão de Honra”, de 1992.
domingo, 21 de outubro de 2018
“UM GAROTO COMO JAKE” (“A
KID LIKE JAKE”), EUA, 2018, direção de Silas Howard. A história foi adaptada da
peça escrita pelo autor norte-americano Daniel Pearle, que também assina o roteiro. Jake, o garoto do título,
tem 4 anos e já nessa idade saiu do armarinho. Adora contos de fadas e de se
vestir de princesa, sendo fã incondicional de Cinderela e Rapunzel. Seus pais, Alex
(Claire Danes) e Greg Wheeler (Jim Parsons), até que lidam bem com a situação, agindo
com naturalidade – Greg é psicólogo. Longe da presença do garoto, eles conversam
sobre o que está acontecendo. Num desses diálogos, o pai afirma que seu irmão
também gostava de brincar de bonecas, mas depois cresceu, se transformou num homão
de 1m90 e muito macho. Ou seja, vamos dar tempo ao tempo. Até que um dia eles têm
de preencher um formulário descrevendo a personalidade do menino, suas
preferências e atitudes, para tentar uma bolsa de estudos. Para isso, eles
pedem ajuda a Judy (a sempre ótima Octavia Spencer), a diretora da pré-escola de Jake. Essa
parte é bastante engraçada, os pais tentando disfarçar a opção do garoto, dando
a entender que ele é bastante inteligente, pois é capaz de citar de cor vários
contos de fadas. No começo do filme, achei que ia ficar no meio do caminho, mas
continuei a assistir e gostei muito. Um filme bastante interessante e agradável que merece
ser visto por toda a família.
sábado, 20 de outubro de 2018
“ESCOBAR
– A TRAIÇÃO” (“LOVING ESCOBAR”), 2018, Espanha, roteiro e
direção de Fernando León de Aranoa (“Segunda-Feira ao Sol”). Baseado no livro “Amando
a Pablo, Odiando a Escobar”, da jornalista colombiana Virginia Vallejo, este
talvez seja o melhor filme sobre a trajetória e personalidade, ascensão e queda de Pablo Escobar,
que durante a década de 80, como líder do Cartel de Medellín, foi o traficante
de drogas mais importante da Colômbia, responsável por alimentar de cocaína,
durante quase uma década, o mercado dos Estados Unidos. Em 1981, a jornalista
Virginia Vallejo (Penélope Cruz), apresentadora de grande popularidade da TV
colombiana, teve um caso com o famoso traficante (Javier Bardem), que na época era
casado com Maria Victoria (Julieth Restrepo). Humilhada pelo amante e correndo
risco de vida por causa dessa relação, Virgínia decide colaborar com a DEA
(agência anti-drogas do governo norte-americano), entregando os segredos mais
escabrosos do traficante. Em 1982, quando o governo dos EUA (Ronald Reagan)
decidiu fazer um acordo com o governo colombiano para a prisão e extradição de
Escobar, o traficante resolveu se candidatar a deputado federal para barrar o
projeto norte-americano. Venceu as eleições e continuou a traficar, até ser
morto em 1993, aos 44 anos. O filme é bastante esclarecedor quanto a
personalidade de Escobar, que um dia diz ao filho: “Se não te respeitam, façam
com que o temam”. A frase representa exatamente a filosofia do traficante
colombiano, para quem a lealdade era ponto de honra. Um ótimo desempenho de
Javier Bardem no papel de Escobar, mas achei que Penélope Cruz, mulher de Bardem
na vida real, exagerou na sua interpretação da apresentadora colombiana. De
qualquer forma, na minha opinião é um ótimo e definitivo filme sobre o famoso traficante
colombiano.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
“VIVA
A FRANÇA!” (“EN MAI FAIS CE QU’IL TE PLAÎT”), 2015, França, roteiro
e direção de Christian Carion. Trata-se de mais um drama histórico da Segunda
Guerra Mundial baseado em fatos reais. Em maio de 1940, quando era iminente a
invasão da França pelas tropas do exército alemão, os franceses residentes no
norte do país resolveram fugir para o sul, contrariando ordens do governo
central. Deixando tudo para trás, mais de 8 milhões de franceses marcharam para
o sul, transformando essa fuga no maior movimento migratório de toda a
História. “Viva a França!” aborda o tema centrando a trama na população de um
pequeno vilarejo, cujo prefeito Paul (Oliver Gourmet) convence todos a fugir da
aproximação das tropas nazistas. O filme acompanha a saga de velhos, mulheres e
crianças estrada afora, numa marcha triste, desesperançada, quase fúnebre. As
cenas mais fortes e chocantes são aquelas em que os comboios de civis são
metralhados por aviões alemães, caracterizando um dos mais hediondos e abomináveis
crimes de guerra. Além de Gourmet, estão no elenco August Diehl, Mathilde
Seigner, Alice Iaaz, Matew Rhys e Laurent Guerra. Ah, a trilha sonora é
assinada pelo grande Enio Morricone. O filme foi exibido no Brasil durante a
programação do Festival Varilux de Cinema Francês/2016.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
“OPERAÇÃO
FINAL” (“OPERATION FINALE”), 2018, EUA, direção de Chris
Witz, com roteiro de Matthew Orton, produção da Netflix (o que significa que provavelmente
não chegará a ser exibido nos circuitos comerciais). A história é toda baseada
em fatos reais, bastante conhecidos. Em 1960, portanto quinze anos depois do
final da Segunda Guerra Mundial, agentes do Mossad (serviço secreto de Israel) localizaram
o nazista Adolf Eichmann na Argentina, conseguindo sequestrá-lo e enviá-lo para
ser julgado em Israel. Como todo mundo sabe, Eichmann foi o grande idealizador
dos campos de concentração e da “Solução Final”, o holocausto de 10 milhões de
pessoas, a maioria judeus. Os bastidores de toda essa história estão neste ótimo
drama histórico, talvez o melhor já feito sobre a prisão de Eichmann. O filme
também dá destaque a um fato bastante tenebroso: a presença maciça de nazistas
na Argentina. O ator inglês Ben Kingsley rouba a cena como o assassino nazista,
numa interpretação digna de Oscar (ele já é dono da estatueta de Melhor Ator por "Gandhi", em 1983). Outra boa presença é a do ator guatemalteco
Oscar Isaac como Peter Malkin, chefe da equipe do Mossad. Aliás, a cena em que
o israelense barbeia Eichmann com uma navalha é uma das mais angustiantes que
já vi no cinema. Também estão no elenco Joe Alwyn, Mélanie Laurent e Greta
Scacchi. Fiquei triste ao constatar que a atriz italiana Greta Scacchi, que faz
o papel de Vera Eichmann, esposa do nazista, está envelhecida e bastante
inchada, embora ainda moça (58 anos). Era uma atriz lindíssima, uma das minhas
musas do cinema. O diretor Chris Weitz tem uma boa carreira em Hollywood, com filmes como "A Bússola de Ouro", "Um Grande Garoto" e "A Saga Crepúsculo: Lua Nova". Este "Operação Final" talvez seja o seu melhor filme.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
“O PROFESSOR DO CAMPO” (“VENKOVSKÝ
UCITEL”) – A tradução do título em português é minha, baseada no título original
vertido para o inglês “The Country Teacher”. Tive a sorte de desencavar esse
excelente drama de 2008 produzido na República Checa, escrito e dirigido por
Bohdan Sláma. A história é centrada no jovem Petr Dolezal (Pavel Liska), um
professor de Ciências Naturais que sai da Praga para lecionar numa escola
pública da zona rural. Seu jeito não engana: ele é homossexual. Mas segura a
barra, ou seja, fica dentro do armário para não prejudicar sua reputação. Só
que ele acaba conhecendo a viúva Marie (Zuzana Bydzovská), com quem faz uma
forte amizade. A porta do armário começa a se abrir quando Petr se apaixona pelo filho de Marie, o adolescente Chlapec (Ladslav Sedivy). O pano de fundo homossexual
é tratado com muita sensibilidade pelo diretor Sláma, que soube dosar o drama
vivido pelo professor com momentos bastante comoventes. O ator Pavel Liska e a
atriz Zuzana Bydzovská – principalmente ele – dão um show de interpretação. Enfim,
o filme é ótimo, cinema da melhor qualidade.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
“A
FUGA” (“THE ESCAPE”), 2017, Inglaterra, roteiro e direção de Dominic
Savage (mais conhecido como roteirista e diretor de séries da TV inglesa). A
história: Tara (Gemma Arterton) é uma mulher que entrou na casa dos trinta e
começa a rever os seus valores. Ela é casada com Mark (Dominic Cooper), tem
dois filhos pequenos e mora numa bela casa num bairro de classe média alta. Ou seja, leva uma vida confortável. Mas sua rotina como dona de casa não é fácil: acordar e vestir as crianças, preparar o
café da manhã, levar os filhos para o colégio e ainda escolher e fazer o nó na
gravata do marido. É dose, sem contar o fato de que Mark acorda sempre disposto
a fazer sexo, mesmo que ela não esteja a fim. Essa árdua rotina acaba
provocando um surto depressivo em Tara, que expõe sua insegurança, infelicidade
e total incapacidade de ser um exemplo de dona de casa. Ela não aguenta mais e
um dia resolve “explodir”. Ou seja, pega um trem para Paris, passagem só de ida,
e fica perambulando pela capital parisiense para meditar. O que fazer com sua
vida dali em diante? Quando retorna a Londres, faz uma visita à sua mãe Anna
(Marthe Keller) em busca de um conselho. Tara quer liberdade. Sua mãe define
bem a situação: “Casamento e liberdade não combinam”. Simples assim. Será que
Tará voltará para a sua família? Assista ao filme para saber a resposta. É um
drama pesado, bem ao gosto do talento dramático da atriz inglesa Gemma
Arterton, que está ótima no papel. Seu coadjuvante, Dominic Cooper, é um
excelente ator, como já comprovou principalmente no excelente e pouco divulgado
“O Dublê do Diabo”, de 2011, quando faz o papel de sósia do sádico Uday
Hussein, filho de Saddam. O talento desses dois atores vale o ingresso. O filme
estreou no Toronto International Film 2017, recebendo rasgados elogios. Prefiro
indicá-lo como uma opção alternativa.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
“ESTADOS
UNIDOS PELO AMOR” (“ZJEDNOCZONE STANY MILOSCI”), 2016, Polônia,
roteiro e direção do jovem diretor Tomasz Wasilewski – o filme ganhou o Urso de
Prata como “Melhor Roteiro” no 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim.
A história é ambientada no início dos anos 90 em Varsóvia, quando as mudanças
políticas – queda do Muro de Berlim e o fim do Comunismo – apontavam para a
recuperação da liberdade e da economia do país. Os poloneses, porém, tinham
suas dúvidas quanto ao futuro e viviam, digamos assim, uma crise de valores. O
filme acompanha a trajetória de quatro mulheres frustradas, infelizes e
neuróticas. Uma jovem mãe com o casamento em crise que se envolve com um homem
casado; uma diretora de escola apaixonada pelo pai de um de seus alunos, que
recentemente ficou viúvo; uma velha professora obcecada por sua jovem vizinha;
e uma mulher que vive uma crise no casamento e tem fixação por um padre. A
carência de cada uma delas também envolve a falta de sexo – todas elas, em
algum momento, aparecem nuas, assim como alguns de seus parceiros. Os nús,
principalmente, masculinos, beiram o grotesco. O quarteto de mulheres é formado
por excelentes atrizes: Julia Kijowska (Agata), Dorota Kolac (Renata), Marta
Nieradkiewicz (Marzena) e Magdalena Cielecka (Iza). A câmera do diretor está
sempre em movimento, o que dá uma dinâmica especial a cada cena. A câmera
também capta a intimidade dos personagens, parecendo transformar o espectador numa
espécie de voyeur. Resumo da ópera: é
um filme bastante interessante, com grande força dramática, retratando uma
sociedade à beira de mudanças radicais. O pano de fundo é justamente a situação
vivida pela Polônia naquela época. Quem quiser conferir in loco, o filme fará parte da programação especial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, prevista para ao final de outubro/2018.
domingo, 14 de outubro de 2018
“O
DIA TROUXE A ESCURIDÃO” (“El Día Trajo la Oscuridad”), 2013,
Argentina, direção de Martín De Salvo, com roteiro de Josefina Trotta. Trata-se
de um terror psicológico ambientado numa região rural da Argentina, que de
repente é atingida por uma doença misteriosa, um tipo de vírus da raiva. Virgínia
(Mora Recalde) mora com seu pai, que é médico e atende às famílias da
comunidade. Virgínia vive solitária na casa de fazenda, pois o pai sai toda
hora para consultas. Um certo dia ela recebe uma inesperada visita, de sua
prima Anabel (Romina Paula, de “Medianeras”), uma jovem misteriosa que parece
não estar nada bem de saúde. Anabel sai noite afora e volta de manhã toda suja.
Claro que tem coisa ruim por aí. O filme tenta segurar a tensão até o desfecho,
quando a terrível verdade é revelada. Mas o ritmo é lento demais, não acontece
nada durante um tempão e a única novidade é o lance lésbico entre as primas.
Segundo o diretor De Salvo, a história foi inspirada no conto “Carmilla”, de
Sheridan Le Fanu, escritor irlandês de histórias de terror do Século 19, além de receber forte influência dos contos de terror de Edgar
Allan Poe, principalmente no que ser refere aos nomes das personagens. O
material de divulgação afirma que o filme foi aclamado nos festivais de Berlim
e Roterdã. Sei não!
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