sábado, 17 de março de 2018


Selecionado para representar o Senegal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “FÉLICITÉ”, roteiro e direção de Alain Gomis, é um drama bastante pesado, centrado numa mulher bastante sofrida, maltratada pela vida. Ao contrário do que possa sugerir o seu nome, Félicité (Véronique Beya Mputu) é uma mulher infeliz, mas muito corajosa para manter e custear as despesas da casa e sustentar o filho Tabu (Gaetan Claudia), um jovem de 16 anos que ainda não encontrou um caminho na vida. Ela mora num bairro pobre de Kinshasa, capital da República Federal do Congo, e faz bico como crooner de uma banda num bar que para ser chamado de espelunca precisa melhorar muito. Quando seu filho sofre um grave acidente e precisa ser operado, Félicité vai à luta para arranjar dinheiro. Pede para todo mundo, inclusive para quem não conhece, expondo-se várias vezes a uma grande humilhação. E mesmo assim ela vai em frente. Triste acompanhar o drama dessa mulher batalhadora, cujo único prazer é cantar. Trata-se de um filme de grande impacto, dramático além da conta, mas que apresenta uma personagem de muita coragem, representada por uma ótima atriz. Enfim, um filme que não abre concessão para nenhum tipo de sorriso ou momento sensível. Estreou durante o 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, conquistando o Grande Prêmio do Júri.      

quarta-feira, 14 de março de 2018


“MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA” (“Mark Felt: The Man Who Brought Down The White House"), 2017, EUA, roteiro e direção de Peter Landesman. Quem não se lembra do famoso caso Watergate e a consequente renúncia do presidente Richard Nixon em 1974? Quem não se lembra também que tudo aconteceu depois que um informante misterioso entregou todo o esquema escabroso da Casa Branca (invasão à sede do Partido Democrata) aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post? Até 2005, a identidade do informante, na época apelidado de “Garganta Profunda” (“Deep Throat”), ficou escondida. Até que Mark Felt resolveu escrever um livro de memórias, “A G-Man’s Life”, juntamente com o advogado John D. O’Connor. Contou tudo, desde a tramoia da Casa Branca para esconder a responsabilidade de Nixon e o esquema engendrado pelo governo para nomear um homem de confiança para ocupar o posto de nº 1 do FBI no lugar do recém-falecido J. Edgar Hoover. Felt seria o substituto natural, já que era o nº 2. Além disso, Felt conta em detalhes o que aconteceu nos bastidores da Casa Branca e do FBI durante aquela grave crise política, para enfim confessar que foi ele mesmo quem entregou tudo aos jornalistas do Washington Post. O elenco é ótimo: Liam Neeson, Diane Lane, Maika Monroe, Josh Lucas Tony Goldwyn, Eddie Marsan, Noah Wyle, Tom Sizemore e Kate Walsh. Embora a crítica especializada não tenha gostado do filme, eu gostei muito, pois adoro todos esses filmes que revelam os bastidores de casos importantes, como foi o de Watergate. Eu achei um filmaço!       
                    

terça-feira, 13 de março de 2018


“A GAROTA DESCONHECIDA” (“Lafille inconnue”), 2016, Bélgica, roteiro e direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne, mais conhecidos como os Irmãos Dardenne. A história é centrada na jovem médica Jenny (Adèle Haenel), que assumiu interinamente os trabalhos de uma clínica pertencente a um experiente médico que foi seu mentor na faculdade e na fase de residência. Além de atender os pacientes na clínica, a dra. Jenny também tem como rotina de trabalho visitas a pessoas idosas e com dificuldade de locomoção. Em determinada noite, uma hora após fechar a clínica, a campainha toca e Jenny, dado o adiantado da hora, resolve não atender. Depois, porém, ela fica sabendo que quem tocou a campainha foi uma imigrante africana que na mesma noite seria encontrada morta. Pronto, acabou o sossego para a médica, que não se conforma com o fato da moça ter sido enterrada como indigente porque ninguém apareceu para reclamar o cadáver. A assim o filme segue com a dra. Jenny tentando achar a família da falecida, o que lhe acarretará alguns perigos por parte de alguns marginais. O pessoal que assistiu o filme no Festival de Cannes, público, jornalistas e críticos, não gostou. Numa das sessões, o filme chegou a ser vaiado. Realmente, não é o melhor dos Irmãos Dardenne, que já nos presentearam com ótimas produções como “A Garota da Bicicleta” e “A Criança”. De qualquer forma, impossível não elogiar a excelente atuação de Adèle Haenel, jovem atriz francesa que está entre as melhores de sua geração. Quem quiser conferir outros trabalhos magistrais de Haenel, recomendo “Amor à Primeira Briga” e “Os Homens que Elas Amavam”.       
                    

segunda-feira, 12 de março de 2018


Vencedor do Oscar/2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama chileno “UMA MULHER FANTÁSTICA” (“UNA MUJER FANTÁSTICA”), roteiro e direção de Sebastián Lelio (do espetacular “Glória”), teve sua primeira exibição ocorrida durante o Festival de Berlim, em fevereiro de 2017, causando grande polêmica. Afinal, sua história é toda centrada na garçonete/cantora transexual Marina (Daniela Vega, também transexual e cantora lírica na vida real). Ela mora com o namorado bem mais velho Orlando (Francisco Reyes), que logo no começo do filme sofre a ruptura de um aneurisma e acaba falecendo. Pressionada pela família de Orlando, que não se conformava com o romance – afinal, quando os dois se conheceram Orlando ainda era casado –, a polícia começa a desconfiar que Marina pode ter assassinado o companheiro. Mesmo sofrendo esse tipo de perseguição, incluindo a humilhação de ser proibida de comparecer ao velório e ao enterro de Orlando, Marina enfrenta tudo com muita coragem. Numa das cenas mais bonitas do filme, Marina está andando por uma rua e, de repente, é atingida de frente por uma violenta ventania. Ela se enverga, luta contra o vento e consegue se manter de pé. Daniela Vega é uma atriz espetacular. Um belo filme, sem dúvida, mas preferia que o austríaco “Corpo e Alma” fosse o vencedor do Oscar.   

domingo, 11 de março de 2018


“FEITO NA AMÉRICA” (“AMERICAN MADE”), 2017, direção de Doug Liman, com roteiro de Gary Spinelli, conta a incrível história, baseada em fatos reais, do piloto de aviação Barry Seal (Tom Cruise), que no fim dos anos 70 abandonou uma carreira segura como piloto da TWA (Trans World Airlines) depois de ser recrutado pela CIA para fotografar bases de guerrilheiros rebeldes e zonas dedicadas à produção de drogas em países da América do Sul e Central. Nesse trabalho, que entrou pelos anos 80, Seal contrabandeou armas para os “contras” da Nicarágua e depois, cooptado pelos traficantes colombianos, incluindo Pablo Escobar, transportou toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Ganhou rios de dinheiro, ficou milionário, mas depois teve de pagar o preço por essa vida arriscada e aventureira. Toda essa história é contada num ritmo alucinante, com muita ação. Os vôos arriscados e os perigos inerentes ao trabalho de piloto servindo aos traficantes são o ponto alto do filme. O diretor Doug Liman é especialista em filmes de ação. Dirigiu, por exemplo, “A Identidade Bourne”, “No Limite do Amanhã” e “Na Mira do Atirador”, entre outros. “Feito na América” também ratifica o astro Tom Cruise como um ótimo ator de filmes de ação. Neste, especialmente, ele dá show. Excelente entretenimento!                    

quinta-feira, 8 de março de 2018


“EM CIMA DO MURO” (“L’EMBARRAS DU CHOIX”), 2017, França, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”). Trata-se de uma simpática e agradável comédia romântica com alguns diálogos inteligentes e bons momentos de humor. Aos 40 anos, Juliette (a feiosa/charmosa Alexandra Lamy, 46 anos na vida real) conserva um defeito que carrega desde criança: é indecisa demais. Para escolher um esmalte ou uma roupa, depende sempre da opinião das amigas Joelle (Anne Marivin) e Sonia (Sabrina Ouazani), além dos conselhos do pai. Um dia, com a ajuda de Joelle e Sonia, Juliette entra num site de relacionamentos e acaba conhecendo Paul (Jamie Bamber), um bonitão escocês pelo qual se apaixona perdidamente. Ao mesmo tempo, porém, ela conhece Étienne (Arnaud Ducret), um charmoso professor de culinária. Pinta nova paixão. E agora? Qual deles ela escolherá? Mais uma indecisão que lhe trará grandes problemas. A partir daí, o filme ganha algumas situações muito engraçadas, pois Juliette, sem saber o que fazer, vai tentar “enrolar” os dois, mas não é esperta o suficiente. No gênero “comédia romântica”, trata-se de um filme acima da média, mesmo que não exija muito dos neurônios.                     

quarta-feira, 7 de março de 2018


Selecionado para representar o Nepal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “SOL BRANCO” (“SETO SURYA”, título original, e nos países de língua inglesa “White Sun”), é o segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo nepalês Deepak Rauniyar – o primeiro foi Higway, de 2012. A história é ambientada num pequeno vilarejo montanhoso cuja população continua arraigada às tradições milenares do Tibete. Um de seus antigos moradores, Chandra (Dayahang Rai), chega à aldeia depois de lutar ao lado dos rebeldes maoístas – apoiados pela China, claro – contra o governo monárquico (a guerra civil se estendeu por 10 anos, de 1996 até 2006, ocasionando a morte de 12.700 pessoas). Chandra voltou para participar do enterro do pai. Ao chegar, Chandra passou a discutir com o irmão Suraj (Rabindra Singh Baniya) por motivos políticos e também por disputarem a mesma mulher. Pela tradição, o corpo do pai tem de ser levado pelos filhos, mas Suraj se recusa a fazê-lo com o irmão maoísta. Está criado o impasse, envolvendo ainda as lideranças do vilarejo e até mesmo as crianças. Apesar do contexto dramático, a situação acaba gerando um certo humor negro, o que torna essa produção do Nepal, de curta duração (89 minutos), um entretenimento dos mais agradáveis. Um dos trunfos do diretor Rauniyar foi a utilização de atores amadores, o que tornou a história mais realista.                   

segunda-feira, 5 de março de 2018



“TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME” (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”), EUA, 2017, roteiro e direção de Martin McDonagh. Com este sensacional thriller policial, Frances McDormand acaba de ganhar seu segundo Oscar como Melhor Atriz (o primeiro foi por “Fargo”, em 1998). Ela interpreta Mildred Hayes, uma mãe que teve a filha assassinada e que se revolta com o fato da polícia local, comandada pelo xerife Bill Willoughby (Wood Harrelson), não ter encontrado o assassino. Decide, então, comprar espaço publicitário em três outdoors de estrada e lá escreve acusações contra o xerife. O fato provoca uma série de reações não só por parte da polícia como também da população local, já que todo mundo adora Bill. Jason Dixon (Sam Rockwell), um dos policiais da cidade, toma as dores do chefe/xerife e começa a perseguir Mildred, que jamais se intimida. Pelo contrário, parte também para a violência – algumas cenas lembram o estilo de Tarantino. Frances McDormand dá um show como a mulher durona que não tem medo de partir para a briga. Outro destaque é o ator Sam Rockwell, também com justiça vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Sempre achei Rockwell um ótimo ator, mas pouco aproveitado por Hollywood. Quem sabe a partir de agora sua carreira deslanche de vez. Ponto também para o diretor Martin McDonagh, responsável por outros dois bons filmes, “Na Mira do Chefe” e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”, este último também com Sam Rockwell.                    

domingo, 4 de março de 2018


A história do thriller policial “BONECO DE NEVE” (“The Snowman”), 2017, EUA/Inglaterra/Suécia/Noruega, é baseada no livro do escritor norueguês de romances policiais Jo Nesbø, lançado em 2007 e adaptado agora para o cinema pelos roteiristas Hossein Amini e Matthew Michael Carnahan, sob a direção de Tomas Alfredson (“Deixe Ela Entrar” e “O Espião que Sabia Demais”). O elenco é de primeira: Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Toby Jones, Chloë Sevigny e – vá lá – Val Kilmer. Quem conhece sabe que são atores do mais alto nível e que protagonizaram alguns excelentes filmes. Não li o livro “The Snowman” para dizer se é bom. Mas a adaptação para o cinema deixou a desejar. Transformou-se numa trama confusa, de difícil entendimento e com muitos furos de roteiro. A história: o policial beberrão Harry Hole (Fassbender) e a novata na polícia Katrine Braft (Ferfuson) investigam o assassinato de várias mulheres. O serial killer deixa sempre sua marca: um boneco de neve com a cabeça da vítima. A complicação da trama ainda envolve a ex-esposa de Hole, Rakel Fauke (Gainsbourg), e seu atual marido, além de um antigo policial (Val Kilmer). Por falar em Kilmer, dá pena do ator. Ex-bonitão – quem não se lembra dele em “Top Gun”? -, Kilmer está inchado, envelhecido e falando com dificuldade - a impressão é que teve um AVC. Um triste final de carreira. O filme foi totalmente rodado na Noruega durante um inverno pesado e, se há algo a destacar, são as belas paisagens gélidas, favorecendo uma deslumbrante fotografia. Repito: o roteiro é bastante confuso que nem o desfecho consegue explicar. Elenco de primeira, para um filme de segunda.                      

sábado, 3 de março de 2018



“BORG vs. MCENROE”, 2017, Suécia/Dinamarca, direção de Janus Metz Pedersen, com roteiro de Ronnie Sandahl. O filme apresenta os bastidores dos meses que antecederam a disputa do Torneio de Wimbledon de 1980, quando o tenista nº 1 do mundo, o sueco Björn Borg, tentaria sua quinta vitória consecutiva, atingindo um feito inédito. Em seu caminho, porém, estava o norte-americano John McEnroe. Tudo levava a crer que a final seria entre os dois, o que a mídia da época já alardeava como a partida do século. Os grandes tenistas tinham temperamentos completamente diferentes: Borg, de 24 anos, era frio e calculista, jogava no fundo da quadra e tinha enorme paciência para conquistar os pontos – por isso, era chamado de “IceBorg”; McEnroe, com 20 anos, era explosivo, sacava e corria para a rede para fechar os pontos, reclamava toda hora com o juiz de cadeira e brigava com o público. Enquanto Borg era idolatrado, McEnroe era odiado e sempre vaiado pelos torcedores. Pressionado com a perspectiva de conquistar o seu 5º título consecutivo de Wimbledon, Borg sofria com a pressão de sair vitorioso, o que gerou desentendimentos com o seu treinador Lennart Bergelin (Stellan Skarsgard) e com a namorada Mariana Simionescu (Tuva Novotny). Ou seja, Borg não era aquele tenista livre de sentimentos. Borg é interpretado com muita competência pelo ator sueco Sverrir Gudnason, que tem uma incrível semelhança física com o grande tenista. O ator Shia Labeouf faz um McEnroe bastante antipático e histérico, exatamente o perfil do original. Enfim, o filme deve agradar apenas aos amantes do tênis, principalmente aqueles que curtiram e acompanharam a trajetória dessas duas lendas do esporte. O filme teve sua estreia mundial durante o 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.                 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


“MARSHAL”, EUA, 2017, direção de Reginald Hudlin. Trata-se de um ótimo drama de tribunal, que ficou melhor ainda por ser baseado em fatos reais. Ambientado no início dos anos 40, o filme recorda um dos casos mais famosos do advogado Thurgood Marshall (Chadwick Boseman, o “Pantera Negra” atualmente em cartaz), que anos mais tarde seria o primeiro juiz afro-descendente a pertencer à Corte Suprema Americana. Em início de carreira, Marshall percorria o território norte-americano como advogado da ANPPC (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), defendendo os negros acusados, justa ou injustamente, por algum crime – ser negro nos EUA, naquela época, era meio caminho andado para a prisão. O caso retratado no filme relembra como Marshall atuou na defesa do motorista particular Josepho Spell (Sterling K. Brown), acusado de estuprar e tentar assassinar sua patroa, a socialite Eleonor Strubing (Kate Hudson, ótima como mulher fatal). Durante o julgamento, Marshall contou com a colaboração de Sam Friedman (Josh Gad), um advogado bastante atrapalhado e responsável por várias e ótimas cenas de humor. A surpreendente reviravolta no final torna o filme ainda mais interessante. “Marshall” disputará o Oscar 2018 na categoria Melhor Canção Original (“Stand up for Something”).             

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Mais do que um excelente filme, “O DESTINO DE UMA NAÇÃO” (“Darkest Hour”) é uma verdadeira e saborosa aula de História, cujo principal personagem é Winston Churchil, primeiro-ministro inglês que comandou a resistência aliada contra as forças alemãs de Hitler. O filme, escrito por Anthony McCarten e dirigido por Joe Wright, aborda os bastidores da política inglesa no início da Segunda Guerra Mundial, quando o Parlamento e o Rei George VI decidem destituir Neville Chamberlain do cargo de primeiro-ministro e colocar Winston Churchil em seu lugar. De início, Churchil é pressionado pelo comitê de guerra para negociar um tratado de paz com Hitler, pois havia o temor de que as tropas alemãs invadissem a Inglaterra. Churchil foi contra essa ideia e, com seus discursos de forte cunho patriótico, motivou o povo inglês a pegar em armas contra os nazistas. O filme dá grande destaque ao episódio de Dunquerque, quando 300 mil soldados ingleses foram encurralados no litoral francês pelo forte exército alemão. Churchil, interpretado com maestria pelo ator Gary Oldman, é humanizado e apresentado como um político surpreendentemente indeciso, apreciador de uísque e comidas gordurosas no café da manhã, além dos seus inseparáveis charutos e champanhe no almoço e no jantar. O filme disputará o Oscar 2018 em seis categorias: Melhor Filme, Ator, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. Estão no elenco, além de Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ronald Pickup, Ben Mendelsohn e Stephen Dillane. O filme é ótimo, simplesmente imperdível!          

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O drama russo “SEM AMOR” (“Nelyubov” – em inglês, “Loveless”), escrito e dirigido por Andrey Zvyagintsev, estreou durante no 70º Festival de Cannes 2017 e conquistou o Grande Prêmio do Júri. Além disso, está entre os cinco finalistas que disputarão o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. A história envolve a relação desfeita do casal Zhenya (Mariana Spivak) e Boris (Alexey Rozin), que resolvem se separar de forma traumática, com brigas e acusações das mais ásperas. Principalmente por parte de Zhenya, que demonstra um ódio amargo pelo marido. As discussões chegam ao ponto de envolver a guarda do filho do casal, Alyosha (Matvey Novikov), um garoto entrando na adolescência. Zhenya diz que não quer ficar com o filho e Boris rebate dizendo que o menino precisa da mãe. Alyosha escuta toda essa conversa, sofre com o desamor dos pais e simplesmente desaparece do mapa, o que acaba gerando uma busca incessante por parte da polícia. A ausência de sentimentos em relação ao filho desaparecido fica mais do que evidente. Como se nada tivesse acontecido, Boris curte um romance com uma jovem bem mais moça, que está grávida, e Zhenya inicia uma nova vida amorosa indo morar com um namorado rico. O roteirista e diretor Andrey Zvyagintsev, que se revelou com o ótimo “Leviatã”, também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, elaborou um filme contendo uma elevada carga de dramaticidade, sem abrir concessão para qualquer tipo de sentimento que não seja a raiva e a falta de amor. Trata-se, portanto, de um drama bastante pesado e nada agradável. Mas, sem dúvida, um filme muito bem feito e impactante. Destaque para a atuação espetacular da atriz Mariana Spivak.            

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Um dos cinco finalistas ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro representando a Suécia e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017, “THE SQUARE – A ARTE DA DISCÓRDIA” (“The Square”) contém uma crítica mordaz e contundente à arte contemporânea e aos seus adeptos. Explora, por exemplo, essa coisa ridícula que chamam de instalações, cujo conceito ou finalidade ninguém sabe explicar direito, nem mesmo seus autores. Além de satirizar esse modismo que ousam chamar de arte, o filme também critica as classes privilegiadas e seu desprezo pelos mais necessitados – por incrível que pareça, Estocolmo também tem muitos moradores de rua que vivem pedindo esmolas nas ruas e nas estações de metrô. A história começa com o egocêntrico e prepotente Christian (Claes Bang), curador-chefe do Museu de Arte Moderna de Estocolmo dando uma entrevista para a jornalista norte-americana Anne (Elisabeth Moss). Ele quer divulgar a próxima exposição, cuja atração principal é uma instalação chamada “Square” (quadrado, em português). Aliás, a autora desse trabalho existe mesmo na vida real, a artista plástica argentina Lola Arias, que ficou pê da vida por não ter sido convidada para participar das filmagens. Ao mesmo tempo, Christian tem seu celular roubado e, com a ajuda de um colega de trabalho, tenta encontrar os ladrões. No meio de tudo isso que está acontecendo, Christian contrata uma firma de publicidade para divulgar a exposição. Os jovens publicitários apresentam uma alternativa pra lá de inusitada que tem tudo para dar errado... e dá. Entre as cenas de maior impacto engendradas pelo roteirista e diretor sueco Ruben Östlund (do ótimo “Força Maior”) está aquela em que, num jantar super-chique no museu, um “homem-macaco” faz uma performance bastante perturbadora. Outra cena chocante é aquela em que, no meio de uma entrevista coletiva, um homem com Síndrome de Tourette interrompe os trabalhos gritando ofensas e palavrões. Sem falar nas cenas em que aparecem os moradores de rua. O filme, falado em sueco, inglês e dinamarquês, é bastante instigante com sua sátira escancarada e debochada do excêntrico mundo da arte contemporânea. Tem boas chances de conquistar a estatueta, mas não é um filme muito fácil de digerir.      

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

“AMOR E TULIPAS” (“Tulip Fever”), 2017, EUA/Reino Unido, direção de Justin Chadwick, EUA/Reino Unido, é um drama de época adaptado para o cinema do romance “Tulip Fever”, da escritora inglesa Deborah Moggach. A história é ótima e o elenco de primeira qualidade: Alicia Vikander, Christoph Waltz, Judi Dench, Holliday Grainger, Dane DeHaan e Cara Delevingne. O filme também é muito bom, agradável de assistir. Toda a história é ambientada em Amsterdã  em meados do século 17, quando a cidade holandesa vivia a febre especulativa do mercado de tulipas. A jovem Sophia (Vikander) sai do convento para se casar com Cornelis Sandvoort (Waltz), um rico comerciante de especiarias. Cornelis contrata o jovem pintor Jan van Loos (DeHaan) para elaborar um retrato do casal. Se arrependimento matasse... Sophia se apaixona pelo pintor, e vice-versa, e ambos iniciam um tórrido romance. Os amantes, porém, passam a correr um sério risco de serem descobertos a partir do momento em que Maria (Grainger), a empregada dos Sandvoort, fica sabendo dos seus encontros e começa a chantagear a patroa. A repentina gravidez de Maria dá margem a um plano diabólico criado por Sophia. O filme fica ainda melhor depois que o diretor Chadwick (de “Mandela: O Caminho para a Liberdade” e “A Outra”) acrescenta algumas cenas de suspense recheadas de humor, aliviando um pouco a carga dramática da situação. Trata-se, portanto, de um bom entretenimento, mesmo em se tratando de um filme de época, gênero que normalmente carrega no drama e na tragédia. Pode assistir sem medo de não gostar.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Mesmo que tenha sido bastante elogiado pela crítica especializada e de ter sido indicado para representar o Brasil no Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, confesso que relutei em assistir “BINGO, O REI DAS MANHÃS”, primeiro longa-metragem dirigido por Daniel Rezende, com roteiro de Luiz Bolognesi. Afinal, não me interessou muito o fato que o filme retratava a vida de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o palhaço Bozo com grande sucesso durante a década de 1980 nas manhãs da programação infantil da TVS, depois SBT. Devido a problemas de direitos autorais, no filme Barreto passou a se chamar Augusto Mendes (Vladimir Brichta), Bozo ficou sendo Bingo, Márcia de Windsor virou Martha Mendes (Ana Lúcia Torre) e a TV Globo foi retratada como TV Mundial (até Pedro Bial faz uma ponta). Um dos únicos nomes verdadeiros que permaneceu foi a de Gretchen (Emanuelle Araújo). Arlindo Barreto/Augusto Mendes não se conformava em manter sigilo sobre sua identidade verdadeira, conforme o rígido contrato que assinou ao ser contratado para interpretar Bozo/Bingo. Ele queria ser famoso e reconhecido não como o palhaço, mas sim como o ator que o interpretava. Essa frustração foi um dos motivos que levaram Barreto às drogas e à bebida, inclusive nos bastidores do programa. Para desespero de Lúcia (Leandra Leal), Barreto/Mendes não seguia o roteiro pré-estabelecido, preferindo improvisar. Numa dessas ocasiões, quando Gretchen se apresentava cantando “Conga”, ele começou a se esfregar na cantora, gerando uma cena, convenhamos, nada apropriada para o público infantil. O filme me surpreendeu pela qualidade da direção, do roteiro, da cenografia, da recriação de época e, principalmente, pela interpretação competente de Vladimir Brichta, que, confesso, não sabia que era tão bom ator. A trilha sonora é ótima, levando-nos a uma viagem musical aos anos 80. IMPERDÍVEL!   

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sempre gostei de filmes sobre jornalismo, principalmente aqueles que envolvem os bastidores da política. Se for dos Estados Unidos, então, melhor ainda. É o caso do ótimo “THE POST – A GUERRA SECRETA” (“THE POST”), dirigido pelo grande Steven Spielberg, com roteiro de Liz Hannah e Josh Singer. O filme aborda um caso ocorrido em 1971, envolvendo a revelação, por parte dos jornais New York Times e The Washington Post, de um estudo sobre a Guerra do Vietnã encomendado por Robert McNamara, ex-Secretário de Defesa dos governos Kennedy e Lyndon Johnson. A revelação é fantástica e bombástica, pois revela que os governos dos EUA, desde Eisenhower, sabiam que a entrada nos EUA na Guerra do Vietnã seria um engano terrível (como realmente foi), colocando em risco a vida de milhares de jovens soldados norte-americanos. O New York Times revelou uma parte da história, sem muitos detalhes. O governo Nixon processou o jornal e proibiu que novas reportagens sobre o assunto fossem publicadas. Logo depois o The Washington Post conseguiria a íntegra desse documento secreto, num trabalho investigativo de um dos seus melhores repórteres. A decisão de publicá-lo ou não é a grande questão levantada pelo filme. A ordem teria que ser dada pelo editor-chefe Ben Bradlee (Tom Hanks), com o aval da proprietária do jornal, Kat Ghraham (Meryl Streep). O suspense domina o filme totalmente a partir da sua metade, garantindo um ótimo entretenimento. O filme foi indicado para disputar duas categorias no Oscar 2018: Melhor Filme e Melhor Atriz (Meryl Streep). 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Ao receber 13 indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz, além de ter vencido o Festival de Veneza, “A FORMA DA ÁGUA” (“The Shape of Water”), com roteiro e direção de Guillermo Del Toro (Vanessa Taylor ajudou no roteiro), é o grande favorito para vencer nas principais categorias do Oscar 2018. O filme tem tudo para agradar os fãs de cinema: ação, romance, fantasia, mocinho e bandido (no caso mocinha), suspense, humor e algumas pitadas de erotismo (sexo e masturbação), mas sem nenhuma apelação, além de um show de cenografia, fotografia e recriação de época. A história é ambientada no início dos anos 60 do século passado, quando a Guerra Fria estava no seu ponto mais crítico. Foi quando cientistas ligados ao Exército norte-americano capturam na Amazônia uma criatura estranha, um homem anfíbio. Os militares acreditavam que a descoberta poderia ser um trunfo para derrotar a União Soviética numa possível guerra. Dessa forma, o ser estranho é aprisionado para estudos num laboratório experimental secreto do governo dos EUA, onde trabalham como faxineiras Elisa Esposito (Sally Hawkins) e Zelda (Octavia Spencer). Elisa é muda, vive uma vida solitária e infeliz. Ela é quem vai conseguir se comunicar com o homem anfíbio, iniciando um improvável romance. A história também tem um vilão de qualidade, Richard Strickland, interpretado com maestria por Michael Shannon. O destaque principal vai para a atriz inglesa Sally Hawkins, que dá um show de interpretação sem falar uma palavra. “A Forma da Água” é, sem dúvida, um dos melhores filmes feitos nos últimos anos por Hollywood, graças, principalmente, ao diretor mexicano Guillermo Del Toro. Trump deve estar se remoendo... IMPERDÍVEL!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

“FUKUSHIMA, MEU AMOR” (“Grüsse Aus Fukushima”), 2016, Alemanha, roteiro e direção de Doris Dörrie (do maravilhoso "Hamami: Cerejeiras em Floor”). A relação do título com o filme “Hiroshima, Mon Amour”, de Alain Resnais, de 1959, não é gratuita. No filme do grande diretor francês, o tema era a cidade devastada de Hiroshima. No caso da diretora alemã, o assunto é a destruição quase que total da cidade de Fukushima, atingida por um terremoto, um tsunami e um acidente nuclear em 2011, transformando-se numa verdadeira “cidade-fantasma”. O filme começa com a desilusão amorosa da jovem alemã Marie (Rosalie Thomass), abandonada pelo noivo às vésperas do casamento. Tomada pelo desespero, ela resolve ingressar na organização “Clowns4 Help” (ONG semelhante aos “Palhaços sem Fronteira”), criada pela prefeitura de Fukushima para entreter os poucos habitantes que restaram na cidade. O filme, inteiramente em preto e branco (uma excelente escolha estética da diretora), dá destaque à amizade da jovem alemã com Satomi (Kaori Momoi), uma mulher de meia idade que perdeu toda a família na tragédia. Apesar do contexto dramático, o filme tem muitos momentos sensíveis e outros bastante bem-humorados, como a dificuldade da alemã em assimilar alguns ensinamentos da filosofia de vida dos japoneses. Entre as cenas de maior sensibilidade, destaco aquelas em que Satomi ensina Marie os rituais para fazer e tomar chá. “Fukushima, Meu Amor” é um belo filme, um ótimo entretenimento e cinema de alta qualidade. Não deixe de ver!       
“DÓLARES DE AREIA” (“DÓLARES DE ARENA”), 2014, República Dominicana/México/Argentina, roteiro e direção do casal Laura Amelia Guzmán e Israel Cárdenas, ela dominicana e ele mexicano. Um dos raros filmes feitos no país caribenho e muito elogiado pela crítica especializada, além de premiado nos festivais do Cairo, Chicago, Havana e Ceará. Vários críticos trataram o filme como “uma preciosidade do Cinema Latino-Americano”. A história é baseada no livro “Les Dollars des Sables”, escrito pelo francês Jean-Noël Pancrazi e lançado em 2006. O roteiro tem como pano de fundo o turismo sexual, prática muito em voga em cidades de praia do Caribe e do Brasil. O título do filme já explica o contexto da história. Na pequena cidade litorânea de Samana (República Dominicana), a jovem Noeli (Yanet Mojica) vive de aplicar golpes em turistas, principalmente italianos, franceses e alemães. O sexo, evidentemente, faz parte da programação. 0 cúmplice de Noeli é seu namorado e cafetão Toríbio (Ricardo Ariel). Uma de suas “vítimas” é a francesa Anne (Geraldine Chaplin, a filha do Charles). Embora de início Noeli tente enganar Anne, aos poucos uma relação muito forte de afetividade cresce entre as duas, apesar da enorme diferença de idade. Anne até promete a Noeli levá-la para viver em Paris, onde teria oportunidade de mudar de vida. Os acontecimentos futuros, porém, dificultarão esse plano. Com uma fotografia deslumbrante, o filme realmente é uma preciosidade que precisa ser conhecida, mesmo que não tenha sido exibido por aqui no circuito  comercial, o que foi uma pena. Somente foi exibido durante a 38ª Mostra de Cinema de São Paulo e no Festival do Ceará. Imperdível!      


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

“MEU REI” (“MON ROI”), 2015, França, escrito e dirigido por Maïwenn Le Besco. A história é centrada no relacionamento tumultuado da advogada Marie Antoinette Jézébel (Emmanuelle Bercot), a quem os mais próximos chamam de “Tony”, e Georgio Milevisk (Vincent Cassel), dono de restaurante e conquistador crônico. O filme começa com o acidente ocorrido quando Tony esquiava, o que lhe resultou num grave ferimento no joelho. Enquanto se recuperava numa clínica de reabilitação, ela relembra os dez anos em que ficou casada com Georgio, um homem sedutor e,  ao mesmo tempo, como demonstraria depois, possessivo, instável, egoísta e, de certa forma, violento. Mesmo casado e pai, Georgio continuou aprontando e Tony sempre perdoando. Até que um dia... Um crítico profissional definiu o filme como “Uma bela e dolorosa história de amor”, no que concordo plenamente. A diretora, e também atriz, Maïwenn, que já havia escrito e dirigido bons filmes como “Polissia” e “Baile das Atrizes”, acerta a mão mais uma vez, nos presenteando com um ótimo drama. O grande destaque do filme, porém, é a atriz Emmanuelle Bercot. Confesso que faz muito tempo que não via uma atuação tão espetacular. Só ela vale o filme inteiro, embora Vincent Cassel - o ex-marido de Mônica Belucci - também dá show de interpretação. Falar nisso, por esse filme, Emmanuelle foi eleita a Melhor Atriz no Festival de Cannes 2015. Merecia muito mais. "Meu Rei" também recebeu 8 indicações ao César (o Oscar francês). Sem dúvida, cinema de alta qualidade. Um ótimo programa.   

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O tema da eutanásia é o pano de fundo do drama francês “A ÚLTIMA LIÇÃO” (“LE DERNIÈRE LEÇON”), 2016, escrito e dirigido por Pascale Pouzadoux. Não suportando mais conviver com dores pelo corpo, incontinência urinária noturna, lapsos de memória e com todas as dificuldades que caracterizam a velhice, Madeleine (Marthe Villalonga) resolve se suicidar. Sua intenção é anunciada no almoço em que ela comemorava seus 92 anos com a família. Disse que estava cansada de viver e que não gostaria de dar trabalho para os filhos Diane (a simpática e ótima atriz Sandrine Bonnaire) e Pierre (Antoine Duléry). Dali a dois meses, ela tomaria uns remédios e acabaria com tudo. De início, os filhos não se conformam com a decisão da mãe e tentam demovê-la da ideia. Diane, em especial, resolve dedicar uma atenção especial à mãe nos meses que lhe restam de vida, enquanto seu irmão Pierre está mais preocupado com os seus negócios. O filme quase inteiro é dedicado à relação entre Diane e a mãe, o que rende alguns momentos comoventes e bastante sensíveis. Para escrever o roteiro, em conjunto com Laurent de Bartillat, a diretora Pascale Pouzadoux se inspirou no livro autobiográfico da filósofa Noëlle Châtelet, que relata os três últimos meses de vida de sua mãe, Mireille Jospin. Resumo da ópera: um bom programa para ver na telinha.