quinta-feira, 26 de novembro de 2015

“A GATINHA ESQUISITA” (“Das Merkwürdige Kätzchen”), 2013, é um filme alemão que marca a estreia no roteiro e direção do jovem suíço Ramon Zürcher. Não há história. O filme mostra o cotidiano de uma família de Berlim cujos integrantes são bastante esquisitos, aqui incluídos uma gata e um velho vira-lata preto. Toda a ação é desenvolvida no interior de um apartamento, onde o casal, os filhos, a avó, vizinho, prima e tia entram e saem toda hora, num vai e vem incessante. A menina grita quando qualquer aparelho eletrônico é ligado; o pai trafega medindo a pressão arterial; a filha mais velha joga cascas de laranja no chão e não entende porque elas caem com a parte branca para cima. E por aí vai, tudo muito surreal. A maioria dos diálogos não tem o mínimo nexo. Alguns deles são de uma espantosa profundidade filosófica. Quer um exemplo? A esposa comenta com o marido: “Gatos são as minhas cebolas”. Eis que o marido responde: “As cebolas são meus gatos”, e os dois acabam gargalhando. Ainda bem que o filme dura apenas 72 minutos. Exibido em festivais do mundo inteiro, o filme dividiu a opinião dos críticos, uns elogiaram, outros acharam deplorável. Em todo caso, existe gosto pra tudo, e esta produção alemã deve agradar quem curte filmes esquisitos. Aliás, nessa família, os humanos são muito mais esquisitos do que a pobre gatinha.  

 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Você já assistiu a algum faroeste dinamarquês? Agora surgiu a chance, com “A SALVAÇÃO” (“The Salvation”), 2014, direção de Kristian Levring. A história é ambientada em 1870 nos EUA. Os irmãos Jon (Mads Mikkelsen) e Peter (Mikael Persbrandt), ex-soldados do exército dinamarquês, chegaram à América sete anos antes para fazer fortuna. Não fizeram. Tornaram-se pequenos fazendeiros, donos de uma propriedade perto da cidade de Black Creek. Depois de sete anos, a mulher e o filho de Jon chegam aos EUA. Na diligência em que viajam para a fazenda, dois malfeitores assassinam a mulher e o filho de Jon. O dinamarquês não perdoa: mata os dois. Só que um deles é o irmão querido do chefão da região, Delarue (Jeffrey Dean Morgan), que parte para a vingança. O elenco é uma verdadeira miscelânea de nacionalidades. Mikkelsen é dinamarquês, Persbrandt é sueco, Eva Green e Éric Cantona franceses, Jonathan Pryce inglês. O único norte-americano é o vilão da história, Dean Morgan. A bela Eva Green, aliás, entra muda e sai calada, mesmo porque teve a língua cortada pelos índios. Para culminar, o final é forçado e constrangedor. Ah, as filmagens aconteceram em locações na África do Sul. Quem quiser arriscar, fique à vontade. Saudades daquele velho oeste, John Wayne, Clint Eastwood, Giuliano Gemma...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

“CAKE – UMA RAZÃO PARA VIVER” (“Cake”), EUA, 2014, direção de Daniel Barnz. A advogada Claire Simmons (Jennifer Aniston), traumatizada por uma tragédia, cujas sequelas também afetaram seu corpo, faz parte de um grupo terapêutico de pessoas que sofrem de problemas psicológicos e dores crônicas. O suicídio ronda a mente dessas mulheres, e uma delas concretizou o ato, Nina (Anna Kendrick). Claire, que também pensa em fazer o mesmo, resolve investigar a fundo as razões que levaram Nina a cometer o suicídio. Para isso, se aproxima do viúvo, Roy (Sam Worthington). Mas quem realmente segura as pontas é a empregada mexicana de Claire, Silvana (a ótima Adriana Barraza). O relacionamento entre patroa e empregada resulta nos melhores diálogos e nos momentos de humor do filme, que no geral é um dramalhão daqueles. Aniston atuou sem nenhuma maquiagem e aparece feia e um tanto envelhecida. A idade (45 anos) também já não ajuda muito. Mas seu desempenho é ótimo, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro de 2015 na categoria de Melhor Atriz de Filmes Dramáticos – ganhou Julianne Moore por “Still Alice”, que depois também ganharia o Oscar. Se a consagração de Aniston não veio com algum prêmio, pelo menos ficou evidente que ela é uma excelente atriz.                                                                                          
Pura diversão. Assim é “O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E.), 2015, EUA, direção do inglês Guy Ritchie. Trata-se de uma paródia bem feita, com muito humor, ação e cenários deslumbrantes, da célebre série de TV dos anos 60. Tudo bem que agora a dupla principal é interpretada por dois bonitões sarados, os atores Henri Cavill (Napoleon Solo) e Armie Hammer (Illya Kuriakin), enquanto que os intérpretes originais – Robert Vaughan e David McCallum – eram mais franzinos e cerebrais. Nesta versão para o cinema, Solo (CIA) e Kuriakin (KGB) recebem a missão de trabalhar em conjunto para se infiltrar numa organização criminosa que ameaça o mundo com uma bomba nuclear. Destaque para a atriz sueca Alicia Vikander. Acostumada a papeis dramáticos (“O Amante da Rainha” e “Anna Karenina”), Alicia arrasa nas cenas de humor, provando que é uma atriz bastante versátil. Do alto de seus 1m90, a atriz francesa Elizabeth Debicki  também está ótima como a vilã Victoria Vinciguerra. A ação corre solta, bem ao estilo do diretor Guy Ritchie, que já provou enorme competência no gênero em ótimos filmes como “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”. Esqueça as mazelas do mundo e embarque nessa divertida aventura cinematográfica.  

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

“HORAS DE DESESPERO” (“No Escape”), 2015, EUA, roteiro e direção de John Erick Dowdle, faz jus ao título. A história é toda ambientada num país fictício do leste asiático, lá pelos lados da Tailândia. O engenheiro Jack Dwyer (Owen Wilson), sua esposa Annie (Lake Bell) e as duas filhas menores chegam ao país e se hospedam num hotel luxuoso. Jack acabara de ser contratado para trabalhar na subsidiária de uma tal empresa Cardiff. Poucas horas depois de chegarem à cidade, ocorre um violento golpe de Estado e a revolta se instala por todo o país. A matança é geral e o alvo passa a ser o hotel onde estão hospedados inúmeros estrangeiros, entre eles a família Dwyer. Daí para frente, o que se vê são realmente horas de desespero, de pura aflição. Jack tentará sobreviver protegendo a família contra os rebeldes, recebendo a ajuda de Hammond (Pierce Brosnan), um homem misterioso com jeito de pilantra. Mesmo com a presença de astros como Brosnan e Owen Wilson, a produção tem jeito de filme B, com ação e suspense de filme A. Aliás, o suspense é uma das especialidades do diretor Dowdle, como provam seus filmes anteriores - “Demônio”, “Assim na Terra como no Inferno” e “Quarentena”. É daqueles filmes para assistir entortando os braços da poltrona. Tensão do começo ao fim. Ou seja, ótimo entretenimento.   

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cansada dos compromissos familiares, dedicando-se anos e anos a servir o marido e os filhos, sem receber ao menos um elogio, é natural que uma mulher de meia idade tenha a vontade de desaparecer da face da Terra. “Minha vontade é sumir!” é a exclamação preferida dessas batalhadoras donas de casa. A comédia dramática “LULU, NUA E CRUA” (“Lulu Femme Nue”), 2013, conta a história de uma dessas mulheres. Só que, ao contrário da maioria, esta resolve mesmo sumir. Lucie, chamada por todo mundo de Lulu, é casada, tem três filhos (uma adolescente e dois meninos gêmeos) e um dia resolve arrumar um emprego. Vai até uma cidade vizinha fazer a entrevista, que dá errado. Não mais do que de repente, ela resolve sumir por uns dias e fica na tal cidade, onde faz amizade e algo mais com Charles (Bouli Lanners), um ex-presidiário. Ela ainda fica amiga de uma idosa, Marthe (Claude Gensac), e de uma atendente de bar, Virginie (Nina Meurisse). Enfim, Lulu usa seu período de liberdade para conhecer pessoas, desfrutar de outras companhias, viver sem compromissos familiares. O filme é muito bom, principalmente pelo excelente trabalho dessa estupenda atriz francesa que é Karin Viard. As mulheres vão adorar a história e, com certeza, imaginar se teriam coragem de fazer o que Lulu fez. A nota triste fica por conta da diretora e roteirista Sólveig Anspach, nascida na Islândia e radicada na França, que faleceu em outubro último aos 54 anos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Não fosse a presença de Meryl Streep e a excelente trilha sonora – rock da melhor qualidade – e “RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PRA CASA” (“Ricki and the Flash”), 2015, seria mais um drama familiar mediano. Mas Meryl inunda a tela com sua habitual competência e versatilidade, transformando o filme num bom programa. Ela interpreta Ricki Rendazzo, que há muitos anos abandonou o marido e os três filhos para seguir a carreira de roqueira. Teve algum sucesso, lançou até um disco, mas depois passou a tocar em barzinhos de segunda classe com a banda “The Flash”. Até que um dia seu ex-marido Pete Brummel (Kevin Kline) telefona pedindo ajuda por causa da filha Julie (Mamie Gummer, filha de Meryl na vida real), que entrou em depressão por ter sido abandonada pelo marido. Ao visitar a filha, Ricki também reencontrará seus dois outros filhos, e não será fácil para ela explicar por que ficou tantos anos sem vê-los. Num desabafo perante uma pequena plateia, Ricki diz que se fosse homem seria perdoado. Mas é uma roqueira mulher, e mãe, aí ninguém perdoa. “Mike Jagger teve sete filhos com mulheres diferentes e nunca está presente. Ele é homem, aí todo mundo perdoa", diz ela. O roteiro leva a assinatura de Diablo Cody (pseudônimo de Brook Busey), de “Juno” e “Garota Infernal”, entre outros. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes” e “Filadelfia”). A trilha sonora traz hits de Tom Petty e Bruce Springsteen, entre outros. Repare nas apresentações da banda “The Flash”. O baixista, Rick Rosas, morreu logo após as filmagens. O filme é dedicado a ele. 

sábado, 14 de novembro de 2015

“A FAMÍLIA BÉLIER” (“La Famille Bélier”), 2014, direção de Eric Lartigau, é mais uma ótima comédia francesa. Toda a história gira em torno da família Bélier, dona de uma propriedade rural no interior da França. Os pais, assim como o filho adolescente, são surdos e dependem muito da filha Paula (Louane Emera), o único integrante da família que não herdou a deficiência. É ela quem administra a fazenda de gado e a fabricação de queijos, os negócios dos Bérlier. É ela quem negocia com fornecedores e clientes. É ela também que acompanha a mãe numa consulta com o ginecologista para traduzir as perguntas e respostas. Aliás, esta é uma das cenas mais hilariantes do filme. Não faltam piadas politicamente incorretas, como chamar o bezerro preto recém-nascido de Obama. Paula tem um sonho: ser uma grande cantora. Ao mesmo tempo em que auxilia a família, Paula participa do coral do colégio. O regente do coral, professor Thomasson (o ótimo Eric Elmosnino, de “Gainsbourg”), percebe que está diante de uma joia a ser lapidada e convence Paula a participar de uma importante audição em Paris. Será ela capaz de abandonar a família para realizar seu sonho? Louane faz sua estreia no cinema, depois de ficar conhecida por sua participação no reality show The Voice. Além de Louane e Eric, estão no elenco Karin Viard, a mãe (hilariante) e François Damiens, o pai. O filme é ótimo, garante boas risadas e alguns momentos bastante comoventes. Programão!  

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Baseado nas memórias de infância da diretora Maya Forbes, que viveu o mesmo problema com o pai, maníaco-depressivo (hoje chamado de transtorno bipolar), “SENTIMENTOS QUE CURAM” (“Infinitely Polar Bear”), 2014, é um drama repleto de momentos comoventes, sensíveis e bem-humorados. O filme é ambientado no final dos anos 70, época da infância de Maya. A história: nos anos 60, o jovem Cameron (Mark Ruffalo) é diagnosticado como maníaco-depressivo e, a partir de então, passa por diversas internações em clínicas psiquiátricas. Mesmo enfrentando esse problema, alternando momentos de depressão com outros de euforia, ele conhece Maggie (Zoe Saldana), com a qual se casa e tem duas filhas, Faith (Ashley Aufderheide) e Amelia (Imogene Wolodarsky). Ao mesmo tempo em que enfrenta uma grave situação financeira, a família é abalada por um novo colapso nervoso do pai. Mesmo assim, Maggie resolve fazer um curso em Nova Iorque para abrir portas para um bom emprego e deixa as filhas aos cuidados de Cameron. Será ele capaz de assumir essa responsabilidade? Maggie banca esse desafio. A partir daí, o relacionamento entre o pai problemático e as filhas passa a ser o foco principal da história. Mark Ruffalo está ótimo, sem exageros na atuação, assim como Zoe Saldana. Interessante rever o ator Keir Dullea, que ficou famoso como o astronauta de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, como o pai de Cameron. O filme marca a – boa – estreia na direção de Maya Forbes, roteirista de filmes como “Diário de um Banana 3: Dias de Cão” e “O Roqueiro”, entre outros.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

“O RITMO SOB OS MEUS PÉS” (“THE BEAT BENEATH MY FEET”), 2014, Inglaterra, direção de John Williams, é um filme musical, não no sentido literal do gênero, mas porque tem muita música – rock, principalmente. O jovem Tom (Nicholas Galitzine) é tímido, vive isolado e é vítima constante de bullyng pelos colegas de classe, que o chamam de “Sr. Travado”. A vida de Tom é o rock. Seu grande sonho é ser um astro da guitarra. Sem a mãe saber, ele compõe, toca num velho violão e ouve muito rock no fone de ouvido. Tom se imagina tocando para grandes multidões, o que dá margem para o diretor criar clipes musicais durante o filme. Aliás, de muito bom gosto, como aquele em que ele está indo de carro, dirigido pela dona Morte, para uma “encruzilhada” no Mississipi, onde o lendário guitarrista de blues Robert Johnson teria vendido sua alma ao diabo para se transformar num grande músico. Quando Max Stone (Luke Perry), um famoso ex-guitarrista vai morar no apartamento vizinho, Tom vê a grande chance de aperfeiçoar seu desempenho na guitarra. A amizade entre os dois vai ajudar Tom a mudar seu comportamento. O filme marca a estreia de John Williams na direção e do ator Nicholas Galitzine no cinema. Ótimas estreias, aliás. Os veteranos Luke Perry e Lisa Dillon, como a mãe de Tom, também dão conta do recado. Enfim, tudo funciona bem nesse filme, garantindo um ótimo entretenimento. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Produzido em 2012 e somente lançado nos cinemas no começo de 2015, a comédia “O DUELO” é uma grata surpresa do cinema nacional. No centro da história, baseada no romance “Os Velhos Marinheiros”, escrito em 1961 por Jorge Amado, está o capitão de longo curso Vasco Moscoso de Aragão (o ator português Joaquim de Almeida), que chega à vila de Periperi, em algum lugar do litoral brasileiro, e de repente torna-se o ídolo da população, com suas histórias de viagens ao redor do mundo, incluindo lugares exóticos, amores e naufrágios. Chico Pacheco (José Wilker, num de seus últimos papeis no cinema) fica enciumado com o sucesso do comandante e faz questão de afirmar, a quem quiser ouvir, que o comandante não passa de um charlatão. E vai tentar provar essa afirmação. O roteiro e a direção são de Marcos Jorge, responsável pelo ótimo “Estômago”, de 2007. Jorge emprega recursos e efeitos bastante criativos na hora de compor uma nova cena, fazendo com que os personagens ingressem e saiam de um novo cenário conforme transcorre o enredo. O filme é muito bom, com destaque para a excelente fotografia e o ótimo elenco, que conta ainda com Claudia Raia, Tainá Müller (belíssima), Patrícia Pillar, Márcio Garcia e Milton Gonçalves. Finalmente, um nacional de qualidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Lúgubre, macabro, depressivo, sórdido, tedioso. Somados, esses adjetivos definem com propriedade o drama francês “UMA HISTÓRIA DE AMOR” ("Une Histoire D’Amour”), 2013, estreia na direção da atriz Hélène Fillières, que também escreveu o roteiro. O título, portanto, é bastante enganoso. Falando claramente, mentiroso. A história é inspirada no livro “Sévère”, de Régis Jauffret, lançado em 2010. Um rico banqueiro (o ator belga Benoît Poelvoorde) sofre de transtornos psicológicos. Um carente psicótico. É pervertido e adora o sadomasoquismo. Esse tipo de prazer ele consegue nos encontros com uma prostituta (Laetitia Casta), que por sua vez tem uma ligação com um homem mais velho (Richard Bohringer), mas não são casados. Uma confusão que não é esclarecida, assim como o fato dos personagens não terem nome. O enredo transcorre numa série de situações inexplicáveis, compondo cenas num ritmo de dar sono. Enfim, tedioso demais, pretensioso demais. Não dá para recomendar um filme que, depois de terminar, faz você pensar por que alguém teve a coragem de produzi-lo, além de gastar um bom dinheiro com a contratação de dois astros como Benoît Poelvoorde e Laetitia Casta. Dos últimos filmes franceses que assisti, este é, sem dúvida, um dos piores.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

“O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM” (“Le Procès de Viviane Ansalem”), 2014, co-produção Israel/França, foi escrito e dirigido pelos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz. Ronit também é a atriz principal do filme. Ela interpreta Viviane Amsalem, uma mulher que há três anos luta para se divorciar de Elisha (Simon Abkerian) - ele não comparece às primeiras audiências e nem por isso é punido. O motivo da separação? Ela não o ama mais. Simples e objetivo. Lá em Israel, porém, não é tão fácil assim. O filme acompanha as audiências no decorrer de anos, durante os quais os juízes – na verdade, rabinos – pendem claramente para o lado do marido. Informação: em Israel, só os rabinos podem legitimar ou dissolver um casamento. O cenário é o mesmo o filme inteiro: uma sala com os rabinos, um escrevente, os litigantes e seus respectivos advogados. Isso não significa que o filme é entediante. A força dos diálogos, os ótimos atores e um pouco de humor – principalmente durante o depoimento de algumas testemunhas - aliviam a tensão do ambiente, transformando o filme num bom entretenimento. Aliás, este foi o candidato de Israel ao Globo de Ouro e ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro. Do mesmo gênero e temática, recomendo também o iraniano “A Separação”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2012, este sim uma pequena obra-prima.  

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

“O NOME DO FILHO” (“IL NOME DEL FIGLIO”), 2015, estreia na direção de Francesca Archibugi, uma das principais atrações da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de uma comédia italiana, na verdade uma refilmagem do filme francês “Qual o nome do bebê?”, de 2012. A história é inspirada numa peça de teatro escrita por Mathieu Delaporte e Alexandre de La Pattelière, justificando, portanto, o estilo teatral utilizado nas adaptações cinematográficas. Sandro (Luigi Lo Cascio) e Betta (Valeria Golino) recebem para jantar o cunhado Paolo (Alessandro Gassman, filho do grande Vittorio) - irmão de Betta -, sua esposa Simona (Micaela Ramazzotti), e o amigo Claudio (Rocco Papaelo). Ainda nos aperitivos, Paolo anuncia que escolheu o nome do seu futuro filho. O nome, associado a um antigo líder fascista, desagrada a todos os demais, principalmente Sandro, um fanático de esquerda. Aí começa toda a confusão. Muita roupa suja será lavada durante o jantar, mas o que importa mesmo é que os diálogos são ótimos, inteligentes, culminando com algumas revelações que irão colocar mais lenha na fogueira do ambiente. O sotaque italiano e a maneira exaltada de falar contribuem para deixar essa comédia ainda mais saborosa. As duas versões – a francesa e a italiana – são ótimas. Escolha qualquer uma e você estará garantindo muitas risadas.    
De “O Poderoso Chefão” a “Os Bons Companheiros”, este último o melhor de todos, sempre fui fã de filmes sobre a Máfia. Se a história for baseada em fatos reais, melhor ainda. É o caso de “ALIANÇA DO CRIME” (“Black Mass”), EUA, 2015, roteiro e direção de Scott Cooper ("Tudo por Justiça"), que conta a trajetória de James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais famosos de Boston, chefe da máfia irlandesa. Além disso, irmão de um poderoso senador, o que deixa a história ainda mais saborosa. Bulger é interpretado por um irreconhecível Johnny Depp, calvo e com lentes de contato que o fizeram ficar com os olhos claros. Nos anos 80, para se livrar de uma “família” da máfia italiana, concorrente de seus negócios ilícitos, Bulger resolveu ser informante do FBI. O filme apresenta fatos da vida pessoal do criminoso, sua relação com o agente do FBI John Connelly (Joel Edgerton) e, em detalhes, mostra como ele tratava os seus delatores e inimigos. A interpretação de Johnny Depp é sensacional, o que provavelmente o colocará como um dos favoritos ao Oscar 2016 (previsão minha, pois nem sei se será indicado). O filme é muito bom não apenas pela história em si, mas também pelo excelente roteiro e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta ainda com Dakota Johnson, Peter Sarsgaard, Benedict Cumberbatch, James Russo, Juno Templo, Corey Stoll e Kevin Bacon. Não deixe de ver os créditos finais, que contêm informações sobre o destino dos personagens envolvidos na história real. Resumindo, um filmaço! 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fazer papel de sujeito bonzinho não combina muito com Robert De Niro. Ainda mais num filme bonitinho, como é “UM SENHOR ESTAGIÁRIO” (“The Intern”), 2015. Prefiro o grande ator interpretando homens maus, como os mafiosos de tantos filmes, inclusive na comédia “A Máfia no Divã”. Nessa comedinha sem muita graça, De Niro é Ben Whittaker, um aposentado de 70 anos entediado com a rotina dos dias sem fazer nada, a não ser ir a velórios de amigos, programa cada vez mais frequente. Ao se deparar um cartaz de uma empresa anunciando a contratação de estagiários sêniors (mais de 65 anos), ele resolve se inscrever. Passa nos testes e começa a trabalhar. A empresa é um site de vendas de roupas fundado e administrado por Jules Ostin (Anne Hathaway). Ben é o único a trabalhar de terno e gravata. Com seu jeito de papaizão e bonachão, ele conquista a simpatia de todos e até de Jules, sem contar a massagista da empresa, Fiona (Rene Russo, ainda bonita e em grande forma). Não é aquele filme que faz gargalhar, mas tem seus momentos engraçados. O filme foi escrito e dirigido por Nancy Meyers, especialista em comédias, algumas muito boas, como  “Simplesmente Complicado”, “Alguém tem que ceder” e “O Amor não tira Férias”. Não espera muita coisa a mais do que apenas um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca e guaraná.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Primeiro filme de ficção lançado pela Netflix, “BEASTS OF NO NATION”, 2015, EUA, direção de Cary Fukunaga (da série “True Detective”) ganhou enorme repercussão não apenas pela ótima história – baseada no livro do escritor nigeriano Uzodinma Iweala - e pela excelente produção, mas também porque foi boicotado pelas distribuidoras e produtoras nos EUA – a Netflix exibe filmes pela Internet, prática comparada à pirataria.  A ideia era lançar o filme também nos cinemas e ganhar uma vaga na disputa do Oscar 2016. Deixando de lado a polêmica, o filme é muito bom, realista, de grande impacto. Pode incomodar os espectadores mais sensíveis, pois contém muita violência, cenários de extrema pobreza e crianças servindo como soldados, matando e sendo mortos. A história é ambientada num país da África em meio a uma violenta guerra civil, envolvendo o exército e grupos rebeldes. Todo mundo lutando contra todo mundo, uma matança geral. O garoto Agu (Abraham Attah) consegue fugir da sua vila dizimada e é recrutado como soldado pelo grupo rebelde chefiado pelo “Comandante” (o ótimo ator inglês Idris Alba), um líder carismático e sanguinário, especialista em fazer lavagem cerebral em meninos, transformando-os em verdadeiros assassinos. Resumindo: um filmaço!     

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

“NIGHTINGALE – Peter e sua Mãe”, 2014, é um filme produzido e exibido pela HBO – ainda não chegou aos cinemas. A direção é de Elliott Lester (“Blitz”). Os produtores são os mesmos de “Selma” e “12 Anos de Escravidão”, entre eles o astro Brad Pitt. Desconsidere a grande maioria dos sites e blogs de cinema que comentaram o filme sem tê-lo assistido, divulgando uma história que não tem nada a ver. Faço esse esclarecimento com toda segurança, pois assisti ao filme. Trata-se de um monólogo ao estilo teatral, o que deve desagradar a muitos espectadores. Só há um personagem, Peter (David Oyelowo), falando o tempo inteiro sobre a mãe repressora que finalmente o deixou em paz, sobre a liberdade de fazer o que quiser dentro de casa e sobre um antigo colega de exército que espera rever (parece que houve um caso entre os dois). Nem todo filme de um personagem só é chato. Já vimos alguns muito bons, tais como “Náufrago”, com Tom Hanks, “Até o Fim”, com Robert Redford, e podemos considerar ainda “Gravidade”, durante o qual Sandra Bullock passa a maior parte do tempo sozinha, perdida no espaço. O inglês David Oyelowo, de “Selma, Uma Luta pela Igualdade”, é um excelente ator e segura o monólogo com muita competência. O clima de tensão que acompanha o personagem faz com que a gente queira chegar ao final para ver o que vai acontecer.                                                             

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

“SELF/LESS” (ainda sem tradução por aqui), 2015, é um suspense norte-americano dirigido pelo indiano Tarsem Singh (de “Espelho, Espelho Meu” e “Imortais”). O tema remete a filmes de ficção científica, embora seja ambientado no tempo atual. O bilionário Damian (Ben Kingsley) tem câncer e poucos meses de vida. Sem nada a perder, ingressa num programa arrojado de troca de corpos, comandado pelo excêntrico Albright (Matthew Goode). O experimento dá certo e Damian assume a carcaça de Mark (Ryan Reynolds, de “Lanterna Verde”), um soldado do exército morto em combate no Afganistão. Devido aos remédios que é obrigado a tomar, Damian começa a ter alucinações e, numa delas, consegue visualizar Madeline (Natalie Martinez), a viúva de Mark, e a filha. O passo seguinte é tentar encontrá-las. O susto da mulher é grande, mas com muito tato ele consegue convencê-la de que é Mark. Mas não por muito tempo. Para piorar toda essa confusão, Damian descobre que os efeitos dos remédios não são permanentes e que Albright não passa de um farsante. A partir daí, Damian vai tentar desmascará-lo. O clima de suspense até que prende a atenção, mas a história é inverossímel demais, mesmo sendo uma ficção. De qualquer forma, é um filme movimentado e com ritmo alucinante até o seu final.  
“CRIMES OCULTOS” (“Child 44”), EUA, 2015, é um misto de drama, suspense e policial. Na década de 30, o ditador Joseph Stalin resolveu reprimir os ucranianos, que lutavam por sua independência. Stalin provocou a morte de 14 milhões de ucranianos (mais do que os judeus que Hitler assassinou no Holocausto), a grande maioria de fome. A matança deixou milhões de crianças órfãs. Aí vem a ficção. O filme conta a história de uma dessas crianças, Leo Demidov (interpretado em adulto por Tom Hardy). O enredo pula para 1953. Leo é um oficial do Exército russo, casado com Raisa (Noomi Rapace). Uma série de assassinatos de crianças começa a chamar a atenção das autoridades. Só que naquela época, a ordem de Stalin é que esses crimes sejam atribuídos a acidentes, como atropelamento de trem, quedas etc. “Não há assassinatos no paraíso”, conforme ditava a cartilha do governo russo. “Esse tipo de crime é coisa do Ocidente, do regime capitalista”. Os oficiais rezavam por essa cartilha. Até que o afilhado de Leo, filho de outro oficial, é assassinado. Aí ele resolve investigar por conta própria, contrariando seus superiores. O filme tem ainda no elenco Gary Oldman, Vincente Kassel e Joel Kinnaman. A direção é do sueco Daniel Espinosa. O filme é falado em inglês, mas os atores interpretam com sotaque russo, o que soa meio falso e ridículo. Embora seja o ator do momento (“Mad Max”), Tom Hardy é fraco, inexpressivo, atua no piloto automático. Muito pouco para fazer o personagem principal de um filme. Filme, aliás, que acrescenta pouco à cinematografia.                                                      

sábado, 24 de outubro de 2015

“3 CORAÇÕES” (“3 Coeurs”), 2014, roteiro e direção de Benoît Jacquot (de “Adeus, Minha Rainha”), é um drama francês que conta a história de um triângulo amoroso. O auditor fiscal Marc (Benoît Poelvoorde) está viajando a trabalho numa cidade da região de Provence. Ele perde o trem noturno que o traria de volta a Paris. Para “fazer hora”, ele entra num bar. Aqui, acaba conhecendo Sylvie (Charlotte Gainsbourg) e engata um papo que dura toda a madrugada. Paixão à primeira vista. Eles combinam de se encontrar dali a alguns dias em Paris. Só que o reencontro não dá certo e eles acabam não se vendo mais durante alguns anos. Nesse meio tempo, Marc retorna à cidade e conhece Sophie (Chiara Mastroianni, cada vez mais a cara do pai), com quem acaba se casando. Coincidência das coincidências: Sophie é irmã de Sylvie. Ambas são filhas de Madame Berger (Catherine Deneuve) - aliás, na vida real, Chiara é filha de Deneuve. Com o retorno de Sylvie, que estava morando nos EUA, a situação se complica de vez, pois Marc insiste em reviver a antiga paixão. A história é um tanto inverossímil, levando-se em conta que Marc, um quarentão beirando os cinquenta, é um sujeito feio, totalmente desprovido de charme, nada que atraia uma mulher. Ainda mais, duas. A trilha sonora conduz o espectador a um clima de suspense angustiante. O filme teve sua exibição de estreia no Festival de Veneza 2014, onde concorreu ao Leão de Ouro. É só mais um bom filme francês, o que, por si só, é uma ótima razão para ser visto.       

terça-feira, 20 de outubro de 2015

“CAREFUL WHAT YOU WISH FOR” (ainda sem tradução por aqui, mas algo como “Cuidado com o que você deseja”), EUA, 2014, direção de Elizabeth Allen Rosembaum. Trata-se de um bom suspense, que prende a atenção até o desfecho. A vida do jovem Doug (Nick Jonas, da série “Kingdom”) vai do paraíso ao inferno depois que o casal Lena (a atriz australiana Isabel Lucas) e Elliot Harper (Dermot Mulroney) aluga a casa vizinha de Doug, à beira de um lago. Elliot contrata Doug para fazer reparos num barco que acabara de comprar. A estonteante Lena vai fazer de tudo para provocar o garoto. Doug, é claro, não resiste ao charme da loira e acaba na cama com ela. Uma, duas, três e algumas outras vezes..., até ficar completamente apaixonado. Só que Lena tem outros planos, inclusive receber um seguro de 10 milhões de dólares. Doug acaba envolvido na história e entra na lista de suspeitos do xerife “Big” Jack (Paul Sorvino, enorme de gordo) e da investigadora da companhia de seguros Emma Alvarez (Kandyse McClure). Como todo bom suspense, o final reserva ao espectador uma reviravolta surpreendente, tornando o filme ainda mais interessante. Sem contar Isabel Lucas, uma tentação realmente irresistível. Confira!