sexta-feira, 26 de junho de 2015

“LONGE DOS HOMENS” (“Loin Des Hommes”), 2014, direção de David Oelhoffen, é um drama francês ambientado na Argélia em 1954, ano em que começa a Guerra da Independência do país contra os colonizadores franceses. Num pequeno colégio localizado numa região inóspita, árida e cercada por montanhas, o professor Daru (Viggo Mortensen) dá aulas de francês às crianças do vilarejo. Quando eclode o movimento, as autoridades policiais de uma cidade próxima, ocupadas demais com o início da revolução, pedem a Daru que levem um argelino para ser julgado numa outra cidade. Mohamed (Reda Kateb, ator que lembra, ao mesmo tempo, Anthony Quinn e Mário Moreno, o “Cantinflas”), o argelino, é acusado de ter assassinado um homem. Os parentes da vítima fatal querem vingança e partem no encalço de Mohamed. Em meio a essa perseguição e ao fogo cruzado entre franceses e rebeldes argelinos, Daru e Mohamed percorrem um caminho repleto de perigos. A amizade entre os dois é o grande trunfo do filme. Daru mostra um grande sentido de justiça e Mohamed de lealdade por aquele que o protege. A carga dramática da história foi amenizada pelo roteiro, também escrito por Oelhoffen, que reservou alguns diálogos bem-humorados entre Daru e Mohamed, além de uma fotografia deslumbrante dos cenários desérticos onde o filme é ambientado. É um filme, sem dúvida, bastante sensível, mas indicado apenas a um público mais restrito.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

“A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE (“The Age of Adaline”), 2014, EUA, é um drama romântico com um enredo fantasioso. Aos 27 anos de idade, Adaline Bowman (Blake Lively), nascida no começo do Século XX, sofre um grave acidente de carro, que cai num rio e é atingido por um raio. O efeito é o mesmo de um desfibrilador e ela praticamente ressuscita. E com uma vantagem a mais: a partir dali, não envelhece mais. Os argumentos científicos utilizados para tentar explicar o fenômeno são também fantasiosos. O filme pula para 2014 e lá está ela com a mesma aparência, contracenando com a filha Flemming (Ellen Burstyn) e reencontrando velhos amores, hoje literalmente velhos, como é o caso de William Jones (Harrison Ford), coincidência das coincidências, pai de seu namorado Ellis (Michiel Huisman). O filme é bom, bem produzido e vai agradar principalmente os espectadores mais sensíveis e românticos. A jovem atriz Blake Lively, mais conhecida por atuar na Série “Gossip Girl, tem sua grande chance como protagonista principal. E não decepciona. Além de bonita e charmosa, é muito competente. A direção é de Lee Toland Krieger (de “Celeste e Jesse para Sempre”). A história de Adaline lembra muito outro filme, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, com Brad Pitt, embora neste caso o homem nasce velho e vai rejuvenescendo. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. 

sábado, 20 de junho de 2015

“JIMI, TUDO A MEU FAVOR” (“Jimi All is by my Side”), 2013, Inglaterra, direção de John Ridley, é uma viagem cinematográfica indescritível aos anos psicodélicos de 1966 e 1967, acompanhando os fatos que culminaram no surgimento daquele que talvez tenha sido o maior guitarrista do Século XX: Jimi Hendrix. O filme é sensacional, com destaque para a recriação da época. Cenários, figurinos, trilha sonora, elenco, roteiro (do próprio diretor), tudo funciona com perfeição. E ainda tem um ator em estado de graça: o norte-americano André Benjamin (também conhecido nos EUA por Rapper André 3000), que interpreta Hendrix. O filme começa com o polêmico guitarrista sendo descoberto, tocando em bares de Nova Iorque, pela modelo inglesa Linda Keith (Imogen Poots), nada menos do que a namorada, na época, de Keith Richards (Rolling Stones). Ela convence o amigo e empresário Michael Frank Jeffery (Burn Gorman) a levar Hendrix para Londres com o objetivo de gravar seu primeiro disco, o lendário “Are You Experiences”, e realizar uma turnê com a banda “Jimi Hendrix Experience”. Entre as inúmeras cenas antológicas do filme está aquela em que Eric Clapton, já um astro da guitarra, concorda em dividir o palco com um músico desconhecido, um tal de Jimi Hendrix. Quando Hendrix inicia seu solo, Clapton abandona a guitarra e se refugia no camarim, sentindo-se humilhado. Outra cena maravilhosa é a que reproduz a histórica apresentação de Hendrix no Teatro Saville, em Londres, no dia 4 de junho de 1967. Com os quatro Beatles presentes, Hendrix improvisa na música “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, do LP do mesmo nome lançado dias antes. Ele ensaiou a música minutos antes de subir ao palco. O filme termina - uma pena! - pouco antes de Hendrix viajar para os EUA para sua apresentação no Monterey Pop Festival. Tomara que tenha continuação. Inexplicável que ainda não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial. De repente ainda será. Simplesmente IMPERDÍVEL!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

“TIMBUKTU”, 2014, Mauritânia, é um filme altamente impactante e bastante esclarecedor sobre a questão islâmica. É inspirado numa situação ocorrida na pequena cidade de Timbuktu, na República Africana de Máli, em 2012, ocupada durante oito meses por extremistas religiosos, certamente adeptos do Estado Islâmico e tão radicais quanto. O diretor Abderrahmane Sissako adaptou a história e a transformou em filme, utilizando como cenário uma aldeia da Mauritânia, país vizinho, já que seria impossível filmar em Máli por questões políticas.   Os extremistas ditavam as leis, proibindo música e até os meninos de jogarem futebol, entre outras imposições absurdas e radicais. Apesar desse quadro dramático, o filme apresenta cenas de rara beleza e sensibilidade, como a dos garotos jogando futebol sem a bola, “sequestrada” pelos extremistas. Um verdadeiro balé visual, um verdadeiro “achado” do diretor, um dos momentos mais bonitos do cinema nos últimos anos. A trilha sonora, por sinal, é belíssima. Por outro lado, há cenas chocantes e de muito impacto, como o apedrejamento de um homem e uma mulher – enterrados até o pescoço - em praça pública. O filme também mostra a contradição de um povo que vive praticamente na antiguidade e que não dispensa o uso de celular, um dos maiores símbolos do Ocidente e da modernidade. Com “Timbuktu”, a Mauritânia concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (2015) pela primeira vez - não ganhou -  e foi o grande vencedor do Prêmio César 2015 (o Oscar francês), ganhando em 7 categorias, incluindo a de Melhor Filme. Enfim, um belo filme, uma pequena obra-prima que merece ser vista por quem aprecia cinema de qualidade.                 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

“TUDO INCLUÍDO” (“ALL INCLUSIVE”), Dinamarca, 2014, direção de Hella Joof, é uma ótima comédia. A história: três semanas antes de viajar com o marido para comemorar seu 60º aniversário na Ilha de Malta, Lise (Bodil Jørgensen) recebe um “presentão” antecipado. Seu marido a abandona por outra mulher mais jovem. Ela entra em depressão e não quer mais viajar, mas as filhas Ditte (Danica Cursic) e Sigrid (Maria Rossing) resolvem convencê-la a ir e também vão junto. Um dos problemas que pode afetar a convivência é que Ditte é completamente diferente de Sigrid. Ditte é solteira, adepta do sexo livre, fuma, bebe e adora uma balada. Sigrid é casada, tem três filhos, é um tanto tímida e muito séria. Mesmo com essas diferenças, as duas vão se unir e tentar fazer a mãe sair da depressão, o que inclui contratar um amante latino, Antonio (Diogo Infante), o barman do hotel. O ponto alto do filme é o relacionamento das três mulheres, que tentarão aparar velhas arestas, se entender e tocar a vida adiante. Trata-se de um filme muito divertido e, acima de tudo, bastante sensível. As três atrizes têm uma atuação inspiradíssima, principalmente Bodil Jørgensen como a mãe depressiva e depois expansiva, liberada. Um show de atriz e um filme simplesmente imperdível! 

domingo, 14 de junho de 2015

“AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU” (“Les Vacances du Petit Nicolas”), 2014, é uma divertida comédia francesa, sequência de “O Pequeno Nicolau”, que fez enorme sucesso em 2010. Embora tenha um pano de fundo infantil, com Nicolau e sua turma aprontando as maiores confusões, o filme deve agradar mais aos adultos, principalmente porque as cenas mais engraçadas envolvem os pais de Nicolau, interpretados por Kad Merad e a ótima Valérie Lemercier – os mesmos pais do primeiro filme (mudou o ator de Nicolau, agora interpretado por Mathéo Boisselier). A família e mais a avó (Dominique Lavanant) vão para um hotel na praia passar as férias de verão. Ao conhecer uma garota chamada Isabelle, Nicolau ouve uma conversa dos pais e acredita que eles querem forçar seu casamento com a menina. Nicolau e sua turma de amigos, então, farão tudo para desfazer a ideia do tal casamento. O melhor do filme, porém, é a transformação da mãe de Nicolau após receber o convite de um diretor de cinema italiano para ser a estrela do seu próximo filme, o que vai gerar situações hilariantes. As duas versões, inspiradas nos quadrinhos franceses publicados entre 1956 e 1964, foram dirigidas por Laurent Tirard (“Asterix e Obelix: Ao Serviço de Sua Majestade”). Diversão garantida do começo ao fim, essencial para esses tempos tão difíceis. 

sábado, 13 de junho de 2015

Difícil de encontrar uma comédia romântica de qualidade. Na verdade, uma raridade. De vez em quando surge alguma que merece ser recomendada, como é o caso de “SIMPLESMENTE ACONTECE” (“Love, Rosie”), Inglaterra, 2014. Tudo funciona bem, a começar pelos atores que fazem os protagonistas principais, Lily Collins e Sam Claflin, bonitos, charmosos e simpáticos. O filme não apresenta o chororô habitual do gênero, tem humor na dose certa e romance sem pieguice. Tudo bem que não dá para fugir dos clichês que caracterizam o gênero, mas é um filme bastante agradável, entretenimento garantido. Rosie (Collins) e Alex (Claflin) são amigos desde a infância. Amigos inseparáveis. Em nome dessa amizade, eles mantiveram a paixão enrustida por muitos anos. Cada um levou sua vida – Alex foi morar nos EUA -, casaram com outros pares e seguiram em frente, pouco sabendo um do outro. É claro que, um dia,  voltarão a se ver e você vai torcer para ficarem definitivamente juntos. A história é baseada no romance “Onde Terminam os Arco-Íris”, escrito pela irlandesa Cecelia Ahern e publicado em 2004. No livro, a história percorre um período de 45 anos. No filme, foi reduzido para 12 anos. A direção é do alemão Christian Ditter. Informação adicional: Lily Collins é filha do cantor e compositor Phil Collins. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

“INSENSÍVEIS” (“Insensible”), Espanha/França, 2014, é um drama bem pesado com pitadas de terror gótico e algumas doses de trash. A trama se desenrola com duas histórias distintas que vão se alternando até o final, quando acontece a ligação. No início dos anos 30, a comunidade científica mundial é convocada para um internato localizado numa montanha dos Pirineus, em território espanhol, para presenciar uma descoberta incrível: crianças imunes à dor. A notícia chega à Alemanha e Hitler envia o dr. Holzmann (Derek de Lint) para estudar o assunto. Já pensou um exército nazista com soldados que não sentem dor? Além disso, algumas crianças têm poder sobrenatural, a ponto de realizar cirurgias em cães – pasmem, a sangue-frio! O asilo servirá como pano de fundo para o diretor Juan Carlos Medina, também autor do roteiro, abordar fatos históricos envolvendo a Espanha, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a Ditadura de Franco. A história que segue em paralelo apresenta, nos dias atuais, o dilema do renomado neurocirurgião David Martel (Àlex Brendemühl), que sofre de câncer e precisa com urgência de um transplante de medula óssea. Na busca dos pais biológicos que poderão servir de doadores, o médico vai descobrir a história do tal asilo. É quando haverá a ligação das duas histórias. Pena que o desfecho é fantasioso demais e acaba destoando do restante do filme, que, aliás, é mais interessante do que bom. Recomendo sem muito entusiasmo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O drama “O FALSIFICADOR” (“The Forger”), 2014, EUA, direção de Philip Martin, traz John Travolta como o ex-presidiário Ray Cutter, um pai que sempre foi ausente para o filho adolescente Will (Tye Sheridan), situação que só piorou com a temporada na prisão. Tye sofre de uma doença incurável e, pelo jeito, não tem muito tempo de vida. Cutter ainda terá que cumprir 10 meses de pena, mas recorre ao pessoal do crime para soltá-lo antes em condicional. Cutter quer passar mais tempo com o filho. Um juiz recebe propina para soltá-lo. Para pagar a dívida, Cutter terá de realizar a falsificação do quadro “Mulher com Sombrinha”, do pintor impressionista Claude Monet, e roubar o original, exposto num museu de Boston. Para executar o plano, Cutter recorre ao pai Joseph Cutter (Christopher Plummer) e ao próprio filho. Em meio aos preparativos, Cutter ainda tem de atender aos últimos desejos de Will, o que inclui conhecer a mãe biológica Kim (Jennifer Ehle) e fazer sexo com uma prostituta. O melhor do filme é realmente a retomada da relação do pai com o filho, capaz de gerar bons e até divertidos diálogos. As cenas mostrando Cutter pintando a falsificação são bastante interessantes. Fora isso, o filme não tem atrativos suficientes para ser recomendado. Nem mesmo a presença de Travolta e de Plummer. Completam o elenco Abigail Spencer e Anson Mount.    
Nos últimos anos, a Suécia tem revelado ótimos escritores de romances policiais. Tão bons quanto os seus congêneres norte-americanos. Muitos desses livros foram adaptados para o cinema, como, por exemplo, a Série Milleniumm, do jornalista Stieg Larsson. “O HIPNOTISTA” (“Hypnotisoren”), Suécia, 2012, é mais um filme inspirado num romance policial, desta vez escrito por Lars Kepler. Uma família inteira é assassinada nos arredores de Estocolmo. Só sobrou o jovem Josef (Jonatan Bökman), levado ainda vivo ao hospital, mas num estado bastante grave, inconsciente. Encarregado da investigação, o policial Joona Linna (Tobias Zilliacus) pede ao dr. Erik Maria Bark (Mikael Persbrandt) que faça algumas sessões de hipnose com o rapaz para tentar descobrir alguma pista. O assassino fica sabendo e vai atrás da família de Erik. Com exceção da cena final, muito bem feita e de um suspense de entortar os braços da poltrona, o filme não tem muita ação e o suspense é mais psicológico. O filme merece ser conferido, ainda mais que o diretor é o consagrado Lasse Hallström, dos ótimos “Sempre ao Seu Lado”, com Richard Gere, e “A 100 Passos de um Sonho”, entre tantos outros. A atriz Lena Olin, casada na vida real com o diretor, também está no elenco, como Simone, a esposa de Erik.

sábado, 6 de junho de 2015

O drama romântico “DOIS LADOS DO AMOR”, que também recebeu o título “O DESAPARECIMENTO DE ELEANOR RIGBY” (“The Disappearance of Eleanor Rigby: Them”), é um drama romântico norte-americano de 2013. A história já havia sido contada em dois filmes anteriores, um sob o ponto de vista dela e outro sob o ponto de vista dele. Neste mais recente, o ponto de vista é de ambos. Daí o "Them". Vamos à história: o casamento de Eleanor Rigby (Jessica Chastain) com Connor Ludlow (James McAvoy) vai bem até que um acontecimento faz desandar a relação. Ela sai de casa, é vítima de um surto mental, tenta o suicídio e acaba voltando para a casa dos pais, Mary e Julian Rigby (Isabelle Huppert e William Hurt). Connor não se conforma com a situação e vai atrás de Eleanor na esperança de reatar o casamento. E assim vai o filme inteiro: ele tentando a reaproximação. Os personagens são infelizes, à beira da depressão. O filme é bem baixo astral. De qualquer forma, é mais uma produção para demonstrar o talento da ruiva Jessica Chastain, atriz das mais requisitadas atualmente pelo cinemão do Tio Sam, além de abrir espaço para a ótima Viola Davis e para os veteranos William Hurt e a francesa Isabelle Huppert. Dirigido por Ned Benson (“Heróis Imaginários”), o filme estreou no Festival de Cannes 2014 na Mostra “Um Certo Olhar”. Ah, o nome Eleanor Rigby tem tudo a ver com a música dos Beatles, dos quais Mary e Julian eram fãs na juventude. Pena que a música propriamente dita não esteja na trilha sonora.  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

“O LIMITE DA SUBMISSÃO” (“The Duke of Burgundy”), 2014, é um drama psicológico inglês de fundo erótico, esquisitão e sinistro. Conta a história de duas mulheres, Evelyn (Chiara D’Anna) e Cynthia (Sidse Babett Knudsen), que moram juntas, são amantes e adeptas dos mais estranhos jogos sexuais, típicos de mentes doentias. Além disso, as duas mulheres são estudiosas de borboletas e mariposas, frequentando palestras sobre o assunto na universidade local. Parece que o diretor Peter Strickland – que também escreveu o roteiro - tentou fazer uma analogia entre a relação das lésbicas e o ciclo de vida dos insetos, mas não tive inteligência suficiente para entender. As cenas de sexo entre as mulheres são bastante contidas, sem nudez ou algo mais explícito. O filme é arrastado demais, monótono, lembrando às vezes os antigos filmes do falecido diretor brasileiro Walter Hugo Khoury, embora este trabalhasse com atrizes mais bonitas. O filme inglês é indicado apenas àqueles espectadores que gostam de assistir a filmes diferentes e excêntricos. Se depender da minha recomendação, fuja a galope...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

“EFFIE GRAY”, 2014, direção de Richard Lexton (“Um Inglês em Nova Iorque”) é um drama de época baseado num escândalo que abalou a sociedade inglesa em meados do Século 19. A atriz Emma Thompson leu a história e a adaptou para o cinema, escrevendo o roteiro. Ela também atua no filme. A história começa com o casamento da jovem escocesa Euphemia “Effie” Gray (Dakota Fanning) com o aristocrata inglês John Ruskin (Greg Wise), pertencente a uma família da alta aristocracia e um consagrado crítico de arte da época. Ruskin é um marido frio e insensível, não dá a mínima para a mulher. Tão frio e insensível que durante anos não foi capaz nem de tocá-la, não consumando o casamento. Essa infelicidade matrimonial, além do amor por John Everett Millais (Tom Sturridge), um pintor pré-rafaelita que se tornaria famoso, fez com que “Effie” entrasse na Justiça com pedido de divórcio. Além da belíssima fotografia – de Veneza e dos cenários rurais da Escócia, especialmente - e da caprichada reconstituição de época, o filme conta com um elenco de primeira linha. Além de Fanning, Thompson, Sturridge e Wise, atuam Julie Walters, David Suchet, Derek Jacob, Claudia Cardinale e Riccardo Scamarcio. Um filme para espectadores mais sensíveis.         

terça-feira, 2 de junho de 2015

O escritor norte-americano Philip Roth escreveu “The Humbling” em 2009. A história do livro foi adaptada agora para o cinema, sob a direção de Barry Levinson, e recebeu, no Brasil, o título de “O ÚLTIMO ATO” (“The Humbling”), trazendo no papel principal o grande Al Pacino. Ele é Simon Axler, um famoso ator de teatro que tem um surto durante uma peça, sofre um acidente e acaba numa instituição psiquiátrica. Quando sai do hospital, recebe a visita de Pegeen Stapleford (a insuportável Greta Gerwig), filha de antigos colegas de trabalho. Ela se declara a Simon, dizendo que desde criança é apaixonada por ele. E ainda diz que continua apaixonada, apesar da sua condição de lésbica assumida. O filme conta a história desse tumultuado romance, como também a frágil condição psicológica do ator diante da velhice iminente (no filme, o personagem de Pacino tem 65 anos de idade, enquanto o ator, na vida real, tem 74). Simon passa grande parte do filme conversando com seu terapeuta, Dr. Farr (Dylan Baker). O filme é verborrágico demais, com muitos diálogos sarcásticos e bem-humorados, ao estilo Woody Allen. O elenco conta ainda com Diane West (por sinal, atriz de muitos filmes de Allen), Kyra Sedgwick e Nina Arianda. Só para lembrar: o diretor Barry Levinson é o mesmo de “Rain Man”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1988. 
“OS ENCONTROS DA MEIA-NOITE” (“Les Rencontres d’Après Minuit”) é um filme francês certamente adaptado de uma peça de teatro para o cinema. Trata-se, na verdade, de um filme experimental, meio surreal, diálogos sem sentido e nenhum compromisso com o espectador comum que está a fim apenas de entretenimento. Minha paciência durou uns 30 minutos e se esgotou com tanta bobagem. Toda a ação transcorre apenas num cenário, o apartamento de um casal cuja empregada(o) é um travesti tarado. O casal, Ali (Kate Moran) e Matthias (Niels Schneider), espera alguns convidados para uma festa. Os convidados são um garanhão com fama de bem dotado, um adolescente, uma prostituta e uma estrela. Os diálogos têm a profundidade de um pires, tudo muito doido e sem nexo. O cenário é pós alguma coisa, talvez pós-modernista. O filme estreou durante a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2013 e marcou a estreia na direção de longas do diretor francês Yann Gonzalez, mais conhecido por seus curtas-metragem. Resumo da ópera: um filme chato, metido a besta, com a intenção de ser cult, um surto de megalomania criativa.       

segunda-feira, 1 de junho de 2015


Liam Neesson continua batendo um bolão em filmes de ação, apesar dos 63 anos de idade. Em “BUSCA IMPLACÁVEL 3” (“Taken 3”), França, 2014, o último da trilogia iniciada em 2008, o ator irlandês mais uma vez não nega fogo. Ele faz o ex-agente especial Bryan Mills, que cai numa cilada e é acusado de ter assassinado a ex-mulher Lenore (a atriz holandesa Famke Janssen, em grande forma aos 50 anos). Mills passa a ser caçado pela polícia, comandada pelo detetive Franck Dotzler (o sempre competente Forest Whitaker), e, ao mesmo tempo, tenta descobrir quem matou sua ex-esposa, o que vai levá-lo a enfrentar mafiosos russos comandados pelo temível Oleg Malankov (Sam Spruell). A trama ainda vai envolver a filha de Mills, Kim (Maggie Grace), que também correrá perigo. O filme é dirigido pelo francês Olivier Megaton – que também dirigiu o nº 2 da série - e o roteiro foi elaborado pelo também diretor francês Luc Besson. Os dois são especialistas em filmes de ação, o que é um aval e tanto. Para quem gosta de filmes com ritmo alucinante, pancadaria, perseguições e tiros, este não decepciona. É ação o tempo inteiro.
 

sábado, 30 de maio de 2015

Em 2008, quando ainda eram ilustres desconhecidos, Kristen Stewart e Eddie Redmayne participaram do drama “O LENÇO AMARELO” (“The Yellow Handkerchief”), também traduzido por “OS CAMINHOS DO AMOR”. Stewart ficaria famosa logo depois, quando apareceu na saga “Crepúsculo”, e Redmayne mais recentemente, quando atuou em “Teoria da Vida”, pelo qual ganhou o Oscar/2015 de Melhor Ator. O filme conta a história dos jovens Martine (Stewart) e Gordy (Redmayne), que resolveram pegar estrada e sair sem rumo de sua cidadezinha. No caminho, dão carona para um estranho, Brett Hanson (William Hurt), que depois se revelaria um ex-presidiário recentemente saído da cadeia depois de cumprir pena por assassinato. Papo vai, papo vem, Hanson relembra que esteve envolvido com uma mulher chamada May (Maria Bello), pela qual se apaixonou e ainda está apaixonado. O filme é um road-movie pelos cenários um tanto tristes e pantanosos da Louisiana. Os atores são ótimos, mas o drama é meio arrastado, monótono, culpa do diretor indiano Udayan Prasad. O desfecho deve agradar os espectadores mais românticos. De qualquer forma, trata-se de uma opção interessante, principalmente por dar a oportunidade de conferir o trabalho de Kristen Stewart e o ator inglês Eddie Redmayne em início de carreira, ambos já bastante talentosos.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não li e nem tive vontade de ler o livro, certo de que se tratava de literatura de segunda classe, mas fiz questão de conferir o filme, o que comprovou o que eu já pensava sobre o livro. “CINQUENTA TONS DE CINZA” (“Fifty Shades of Grey”), 2013, não passa de um drama romântico erótico, baseado no romance homônimo escrito por E.L. James e que virou um best-seller mundial. Pelo tom erótico, o filme lembra um pouco “Nove e Meia Semanas de Amor”, de 1986 (tem até a cena do gelinho). Só que Dakota Johnson não chega nem perto do mulherão que era – e ainda é – Kim Basinger, nem o ator irlandês Jamie Dornan lembra o machão “pegador” Mickey Rourke. Mais parece um garoto mimado, o queridinho da mamãe. A direção é da inglesa Sam Taylor-Johnson (do ótimo “O Garoto de Liverpool”, sobre a juventude de John Lennon). Resumo da história: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante que um dia vai entrevistar o poderoso e jovem empresário Christian Grey (Jamie Dornan) para um trabalho da faculdade. Esquisitão e cheio de manias, Grey acaba se apaixonando por Anastasia. E vice-versa. O filme não dá uma explicação convincente sobre a razão pela qual Grey se transformou numa pessoa doente, um sádico sexual. Como o cara é rico, bonito e poderoso, a mulherada deixa se convencer e cai nas garras do jovem sedutor, submetendo-se às suas fantasias sexuais. O que acontece também com Anastasia. As cenas de sexo são bem feitas e nada apelativas. Apenas eróticas. Enfim, um filme apenas mediano, que não merecia todo a alarde que teve quando foi lançado, em 2014.        

terça-feira, 26 de maio de 2015

O drama australiano “PROMESSAS DE GUERRA” (“The Water Divine”), 2014, marca a estreia do ator Russel Crowe na direção de longas. A história, baseada em fatos reais, é muito bonita. Durante a I Guerra Mundial (1914-18), soldados australianos participaram das forças aliadas que ajudaram a Inglaterra a combater o império otomano em acirradas e sangrentas batalhas na Turquia. Entre os soldados estavam os três jovens filhos do fazendeiro Joshua Connor (Crowe), desaparecidos e, quatro anos depois, finalmente dados como mortos em batalha. Desesperada, a esposa de Joshua comete suicídio, mas antes pede a ele que vá para a Turquia resgatar os corpos para enterrá-los em solo sagrado, ou seja, na terra natal, Austrália. O filme conta a aventura de Joshua na Turquia para encontrar os restos mortais dos filhos. Joshua ficará frente a frente com o oficial turco (Yilmaz Erdogan) comandante do batalhão que matou seus filhos. A aventura de Joshua também incluirá ajudar os turcos a se livrar dos invasores gregos, o que garante alguns momentos ao estilo “Indiana Jones”. Como estreante na direção, Crowe até que não compromete. Tudo bem que exagerou um pouco no tom novelesco, pretendendo fechar a história com um chororô, mas não conseguiu. Tentou romancear o enredo, incluindo um flerte de Joshua com Ayshe (a atriz ucraniana Olga Kurylenko). Ficou no platônico. Um destaque positivo é a bonita fotografia, tanto dos cenários australianos quanto dos cenários na Turquia. Resumindo: o filme poderia ser muito melhor, fazendo jus à bela história por ele contada.   

segunda-feira, 25 de maio de 2015

“PAS SON GENRE” (traduzido para o inglês como “Not My Type”, ainda não traduzido por aqui, mas algo como “Não é meu Tipo”), 2014, co-produção França/Bélgica, com direção de Lucas Belvaux. Trata-se de uma comédia romântica baseada na novela homônima escrita por Philippe Vilain. O professor de Filosofia Clément (Loïc Corbery) é transferido de Paris para dar aulas na Universidade de Arras - cidade ao norte da França. Ele conhece Jennifer (Émilie Dequenne), uma cabeleireira, e juntos vão viver um caso de amor. É claro que um dia a diferença cultural entre os dois vai pesar no romance. Além disso, o professor é calado, introspectivo, e só fala em Filosofia. Jennifer é expansiva, alegre, adora cantar e dançar. Tudo isso cria um abismo entre o casal. Só vendo o filme para ver como termina. O importante é destacar o trabalho da belga Émilie Dequenne, atriz que exala simpatia e muito charme. O feioso ator francês Loïc Corbery também não compromete, apesar de passar longe de um galã tradicional. O filme destaca também alguns lugares turísticos de Arras, realmente uma bela cidade. É um filme apenas simpático e que pode agradar ao espectador pouco exigente e que esteja a fim apenas de uma diversão sem compromisso com o intelecto. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Errol Flynn foi um dos mais importantes atores de Hollywood nas décadas de 30, 40 e 50. Fazia filmes de capa e espada, além de ter protagonizado o Robin Hood mais famoso do cinema. Na vida real, porém, além de alcóolatra, era um mulherengo de marca maior. Nos bastidores, costumavam chamá-lo de “Pênis ambulante”. Ele dava preferência a meninas bem mais jovens. A última delas, Beverly Hadland, tinha 15 anos quando Flynn a levou para a cama. E foi nos braços dela que o ator morreria, em 1959, aos 50 anos de idade. A história do romance de Flynn e Beverly é contada no filme “A ÚLTIMA AVENTURA DE ROBIN HOOD” (“The Last of Hobin Hood”), 2013, direção de Richard Glatzer e Wash Westmoreland. O papel de Flynn ficou para Kevin Kline, que, além de viver o ator com muita competência, ainda se parece muito com o próprio. Dakota Fanning, ótima, faz Beverly Hadland, e Susan Sarandon sua mãe, Florence. Beverly sempre quis ser atriz, no que foi incentivada pela mãe desde criança. Aos 15 anos, com certidão de nascimento falsa de 18, Beverly tentou ingressar no elenco da Warner Brothers, onde conheceu o já consagrado ator. Na esperança de que Flynn ajudasse Beverly, Florence fez vistas grossas para o romance, na verdade um caso que poderia acabar na polícia. Com a morte de Flynn, o romance proibido veio à tona e virou escândalo mundial. Vale pela história, pelos ótimos atores e pela reconstituição de época - repare a de Nova Iorque, um primor.   

quarta-feira, 20 de maio de 2015

“VÍCIO INERENTE” (“Inherent Vice”), 2014, EUA, é um drama bem-humorado baseado em livro de Thomas Pynchon. A história, ambientada em 1970 na cidade de Los Angeles, é centrada no detetive particular Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), que, a pedido da ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine Waterston), começa a investigar o desaparecimento do atual namorado dela, um empresário do ramo imobiliário. Em meio ao seu trabalho, “Doc” acaba se desentendendo com o detetive Christian “Bigfood” Bjorsen (Josh Brolin), encarregado oficial do caso. “Doc” passa o filme inteiro totalmente chapado, maconha como combustível – de vez em quando, cocaína. É um personagem asqueroso, sujo e maltrapilho, enfim, um hippie da pior qualidade. Seu único fator positivo é ficar igualzinho a John Lennon quando coloca aqueles óculos escuros redondinho. Joaquin Phoenix está ótimo no papel, provando que é um ator bastante versátil. A trama é meio complicada e pode confundir o espectador, principalmente pelos inúmeros personagens que aparecem no meio da história. Para complementar o quadro geral meio estranho, o escritório de “Doc” fica dentro de uma clínica médica. Tem até uma cena onde um grupo de rock aparece comendo pizza ao estilo do quadro da Santa Ceia. É claro que todo esse cenário é obra do diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “O Mestre”, “Magnólia”), acostumado em não economizar esquisitices. Vale pelo humor, ambientação de época e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta também com Reese Witherspoon, Benício Del Toro, Martin Short, Owen Wilson e Eric Roberts (o irmão da Júlia). Não chega a ser bom, mas um filme bastante interessante.