quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


“A Grande Beleza” (“La Grande Bellezza”), 2013, dirigido por Paolo Sorrentino, é um verdadeiro exemplo do que se convencionou chamar “Cinema de Arte”. Como tal, desperta reações e sentimentos variados. Uns gostam, outros detestam. Sorrentino fez uma crônica da Roma atual, revelando a face mundana da alta sociedade romana e sua decadência moral e intelectual. O cronista que nos levará a esta viagem é o personagem Gep Gambardelli (Toni Servillo, sensacional), um escritor de 65 anos que escreveu apenas um livro e que agora vive a maior parte do seu tempo frequentando as mais badaladas festas da capital italiana. Tal como Fellini fez em “A Doce Vida” e em “Roma”, a arquitetura da capital italiana, com seus mais representativos monumentos e locais turísticos, aparece como cenário de quase todas as cenas. O contraste com a modernidade é mostrado em várias situações, como na festa de aniversário de Gep, no início do filme. Enquanto os convidados dançam ao som de música techno, aparece ao fundo o Coliseu. “A Grande Beleza” é um filme, sem dúvida, instigante, e, por isso mesmo, merece ser visto. Grande parte da crítica especializada o colocou no pedestal das grandes obras-primas do cinema. Eu gostei, mas não chegaria a tanto. Assista e tire suas próprias conclusões. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Antes de ficar mundialmente famoso pela transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, em 1938, que narrava de forma realista a invasão da terra por alienígenas, levando pânico à população de Nova Iorque e dos EUA, e por ter dirigido “Cidadão Kane”, em 1941, seu primeiro longa e talvez o filme mais cultuado até hoje, Orson Welles era diretor de teatro. Em 1937, lançou a ideia de encenar as obras de William Shakespeare no Mercury Theater, em Nova Iorque. A primeira peça foi “Júlio César”. “Eu e Orson Welles” (“Me and Orson Welles”), filme inglês de 2008 dirigido por Richard Linklater, mostra os bastidores dessa produção teatral, mas com a inclusão de um personagem fictício, o jovem Richard Samuels (Zac Efron), de 17 anos, que conhece Orson acidentalmente na porta do Mercury Theater e acaba participando da peça. O filme enfoca com destaque como Orson era egocêntrico, megalomaníaco e prepotente, mas, sem dúvida, um gênio da arte. Quem o interpreta é o ator inglês Christian McKay, que impressiona não só pela atuação como também pela incrível semelhança com Orson. O elenco ainda conta com a charmosa Claire Danes e Ben Chaplin. A trilha sonora, basicamente com músicas de George Gershwin, é uma delícia. Só para lembrar: a peça “Júlio César” foi um grande sucesso da Broadway, com 157 apresentações sempre com casa cheia, o que alavancou ainda mais a competência de Orson.  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Europa Report”, suspense de ficção científica de 2013, tem em sua produção uma salada de nacionalidades. O filme é norte-americano, o diretor (Sebastián Cordero) é equatoriano e o elenco tem uma polonesa (Karolina Widra), uma romena (Ana Maria Marinca), um sueco (Michael Niqvist), um norte-americano (Christian Camargo), os sul-africanos Embeth Davidtz e Sharlto Copley, além do chinês Daniel Wu. A história: alguns estudos científicos realizados pela Europa Ventures, uma empresa privada de exploração espacial, aventaram a possibilidade de haver vida na Europa, uma das luas de Júpiter. Para confirmar essa teoria, um grupo dos melhores astronautas do mundo é treinado e enviado para a tal lua, numa viagem cuja distância será a maior percorrida no espaço pelo ser humano até aquele momento. Quando chegam lá, porém, as coisas não saem como o esperado e o resultado... Bom, você vai ver. O filme até que consegue manter um certo clima de tensão e suspense até o final, mas a sensação claustrofóbica pode incomodar.            

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A comédia romântica “À Procura do Amor” (“Enough Said”), de 2013, dirigida por Nicole Holofcener, é muito agradável de assistir. É leve, divertida, com diálogos afiados e humor na medida certa. Conta a história do relacionamento amoroso da massagista Eva (Júlia Louis-Dreyfus, de “Seinfeld”) com Albert (James Gandolfini). Os dois são separados, têm filhos e mais uma característica em comum: são bem-humorados. Daí tantos diálogos engraçados. Eva arranja uma cliente, Marianne (Catherine Keener), que desabafa sobre o ex-marido, contando seus principais defeitos e manias, enfim, seus podres e até segredos de alcova. Por uma coincidência daquelas, esse ex-marido é justamente Albert. Eva fica na moita e se aproveita das confidências de Marianne para descobrir a personalidade do namorado e se aproveitar desse trunfo. Vai ter uma hora, óbvio, que o estratagema de Eva será descoberto e sua relação com Albert acaba na corda bamba.  Essa comédia é uma boa pedida para quem deseja relaxar e se divertir. Foi um dos últimos filmes de Gandolfini, falecido em junho de 2013. Fica a lembrança alegre e simpática desse competente ator. 

A comédia dramática chilena “Gloria”, de 2013, dirigida por Sebastián Lelo, conta a história de uma mulher (a ótima atriz Paulina Garcia) com 58 anos, separada há 12 e dois filhos adultos que não moram mais com ela há tempos. Ela trabalha, mas fora do escritório é uma mulher solitária. Para afugentar a solidão, ela frequenta bailes destinados ao pessoal da terceira idade. Adora dançar. Não tem um parceiro fixo: dança com vários. Até que conhece Rodolfo (Sérgio Hernández), um setentão também separado. Os dois começam a namorar, passeiam, jantam juntos e, claro, acabam indo para a cama. As cenas de sexo, várias, são bastante fortes em se tratando de pessoas mais velhas, o que poucos filmes têm a coragem de mostrar. O relacionamento vai se desgastar por culpa de Rodolfo, que não desgruda das duas filhas e da ex-mulher. O filme é muito bom e tem momentos deliciosos, como a turma que, num aniversário, canta “Águas de Março”. A cena em que Gloria se vinga de Rodolfo é hilariante. Pelo papel de Gloria, Paulina Garcia conquistou o prêmio "Urso de Prata" de melhor atriz no Festival de Berlim 2013. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Nos créditos de “O Conselheiro do Crime” (“The Couselor”), EUA - 2013, estão lá o consagrado diretor Ridley Scott, o roteirista e escritor Cormac McCarthy, autor do livro “Onde os Fracos não têm Vez”, e os nomes que formam o quinteto principal do elenco: Michael Fassbender, Penélope Cruz, Brad Pitt, Javier Bardem e Cameron Diaz. Ou seja, tinha tudo para ser um grande filme. Não é. Advogado (Fassbender) vai casar e quer ganhar dinheiro rápido. Para alcançar esse objetivo, envolve-se num plano para trazer do México para os EUA um grande volume de drogas no valor de 20 milhões de dólares. O plano dá errado, as drogas somem e a barra vai pesar para o advogado e dois de seus clientes (Bardem e Pitt), que acabam sendo caçados pelo pessoal de um poderoso cartel mexicano. Até começar a ação tem muito papo furado, diálogos sem nexo e o espectador acaba se confundindo um pouco sobre o enredo. Nem a reviravolta inesperada no final salva o filme, que o diretor Ridley dedicou à memória do irmão Toni Scott, falecido em 2012. Analisando-se os prós e os contras do filme, os contras ganham longe. Mas um pró tem que ser destacado: o charme e a beleza de Cameron Diaz, ainda em grande forma. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Embora o início seja levado em tom de comédia, “A Centelha da Vida” (“La Chispa de la Vida”) aos poucos vai se transformando num poderoso drama que culmina numa impactante mensagem. O filme aborda o desemprego na Espanha, o poder maléfico da mídia sobre as pessoas e a banalização da vida humana diante de alguns benefícios, principalmente políticos e financeiros. O filme é uma produção espanhola de 2011 dirigida por Álex de la Iglesia e traz no elenco a mexicana Salma Hayek, José Mota, Antonio Garrido e Carolina Bang, entre outros. A história começa com o publicitário Roberto Gómez (José Mota) saindo de casa para entrevistas de emprego. Antes considerado um gênio da publicidade por ter criado um slogan para a Coca-Cola (“Coca-Cola, a Centelha da Vida”), Gómez está desempregado há tempos e em dificuldades financeiras. Depois de ser rejeitado numa entrevista de modo humilhante, ele vai até o Hotel Paraíso, onde passou a sua lua-de-mel, tentar reservar um quarto para comemorar com a mulher (Salma Hayek) seu aniversário de casamento. Só que no lugar do hotel ele encontra um canteiro de obras, onde acaba se acidentando. Aliás, de modo bastante bizarro. Ao mesmo tempo, bem ao lado, o prefeito está recepcionando a imprensa para apresentar o projeto do museu com o teatro. É claro que o acidente com Gómez vai se transformar na atração principal, inclusive no noticiário nacional. Mais não conto para não dar pistas do final. É mais um grande filme espanhol que merece ser descoberto por quem gosta de cinema de qualidade. 
Nos destroços do automóvel que matou o escritor Albert Camus num acidente, em 1960, foi encontrado o manuscrito inacabado de um romance. O caderno, em péssimo estado, foi recuperado pela filha de Camus, Catherine, e lançado como livro em 1994 com o nome de “O Primeiro Homem”. Trata-se de uma narração autobiográfica de Camus, adaptado para o cinema pelo diretor Gianni Amelio em 2011, numa co-produção Itália/França. “O Primeiro Homem” (“Il Primo Uomo” / “Le premier Homme”) foi lançado no Festival de Toronto, ganhando o Prêmio da Crítica. A história mostra o retorno do consagrado escritor Jacquer Cormey (Jacques Gamblin) à sua Argélia natal em 1956 para visitar sua mãe, resgatar algumas recordações de infância e tentar levantar algumas informações sobre seu pai, morto durante a 1ª Guerra Mundial e que ele não chegou a conhecer. O enredo revela muitos fatos que contribuíram para a formação de Camus como escritor. Os encontros com o tio internado num sanatório e com um antigo professor são bastante comoventes. O filme tem como pano de fundo a situação política da Argélia, na época em que a Frente de Libertação Nacional intensificava a luta pela independência do país e promovia atentados à bomba. Não é um filme que vá agradar a todos os tipos de plateia. Mas é muito bem feito e interessante, principalmente para quem quiser conhecer um pouco mais da vida de Camus e da história política da Argélia. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

“Clube de Compras Dallas” (“Dallas Buyers Clube”), 2013, dirigido por Jan-Marc Vallée (“A Jovem Rainha Vitória” e “Café de Flores”) conta a história real e incrível do eletricista Ron Woodroof, diagnosticado como portador do vírus da AIDS em 1986 e de sua luta para se manter vivo e a batalha que travou contra a indústria farmacêutica dos EUA. Inconformado pelo fato de ser heterossexual (na época, todo mundo achava que só os gays e viciados em drogas eram infectados) e também pelo diagnóstico médico que lhe dava apenas 30 dias de vida, Ron passou a estudar a doença e descobriu tratamentos alternativos com um médico mexicano. Passou a contrabandear remédios para os EUA, inclusive de outros países, e começou a vendê-los no tal “Clube de Compras Dallas”, onde os “associados” pagavam uma taxa mensal de 400 dólares. É impressionante o trabalho do ator Matthew McConaughey na pele – e osso - do eletricista. Ele emagreceu mais de 20 quilos para fazer o personagem (pode esquecer aquele galã que você está acostumado a ver). É espetacular também o trabalho do ator Jared Leto como o transexual Rayon. Os dois carregam o filme nas costas (ops!). Este é o famoso filmaço super bonder: você não vai conseguir desgrudar da poltrona. Imperdível!

Javier Bardem comanda um elenco de ótimos atores no drama espanhol “Segunda-feira ao Sol” (“Los Lunes ao Sol”), que aborda o tema do desemprego e a falta de perspectivas para trabalhadores na meia idade. O filme é dirigido por Fernando Leon de Aranoa e, mesmo tendo sido feito em 2002, continua atual como nunca. Cinco trabalhadores cinquentões estão desempregados há três anos e vivem do seguro-desemprego. Apenas um montou um bar com a indenização. E é justamente neste bar, o Naval, que eles passam as horas ociosas, bebendo, conversando sobre suas frustrações, discutindo a situação econômica da Espanha e desabafando sobre seus problemas pessoais. Um ampara o outro do jeito que dá. É um filme bastante triste, principalmente quando mostra um deles indo a entrevistas para tentar arranjar um emprego. Pra contrabalançar, tem também seus momentos comoventes e alguns até engraçados, principalmente com o histriônico Santa (Bardem). Além de ter sido premiado em vários festivais internacionais, inclusive em Gramado, o filme concorreu ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2003.

domingo, 26 de janeiro de 2014

“Música da Alma” (“The Sapphires”), de 2012, dirigido por Wayne Bair (seu primeiro longa), é um ótimo filme australiano cuja história é baseada em fatos reais. Em 1968, Dave (Chris O’Dowd), um músico irlandês, trabalhava como tecladista num programa de calouros acompanhando os candidatos. Num dos programas, ele descobre quatro jovens aborígenes que arrasavam como vocalistas – na época, só para lembrar, os aborígenes australianos sofriam o mesmo tipo de discriminação racial que os negros nos EUA. Dave faz amizade com as moças e logo se torna não apenas o arranjador do grupo, como também seu empresário. Ele consegue convencer as jovens a mudar de gênero musical: do country para o soul. Elas começam a fazer sucesso e, como “The Sapphires”, embarcam para uma turnê no Vietnã para se apresentar em shows para os soldados. Além da história incrível, a trilha sonora é uma delícia - você não vai conseguir ficar parado (a) na poltrona. Se você estiver na dúvida se assiste ou não, acrescento que o filme foi apresentado, fora de competição, no Festival de Cannes 2012. Ao final, foi aplaudido de pé durante 10 minutos. 
Um ringue. Ou talvez um octógono. Qualquer um seria mais apropriado para servir de cenário ao drama “Álbum de Família” (“August: Osage County”), de 2013, dirigido por John Wells. Afinal, o filme inteiro mostra os conflitos da família Weston e seus agregados, todos reunidos para o funeral do patriarca (Sam Shepard). A guerra verbal, com diálogos ríspidos, agressivos e ofensivos, prevalece o tempo inteiro, principalmente durante o jantar em que o morto é homenageado. Algumas tiradas bem-humoradas amenizam o clima bélico e tornam o filme um pouco menos pesado. Uma revelação bombástica no final vai esquentar ainda mais e estragar de vez o ambiente. Meryl Streep, como a matriarca viúva viciada em remédios e com câncer na boca, dá mais um show de interpretação (Que novidade!), assim como Júlia Roberts, que faz uma de suas filhas mais histéricas. O restante do elenco também é ótimo: Chris Cooper, Juliette Lewis, Ewan McGregor, Dermot Mulroney, Margo Martindale, Julianne Nicholson, Abigail Breslin, Misty Upham e Benedict Cumberbatch. A história é baseada no livro e na peça teatral "August: Osage County", de Tracy Lett. Não apenas pelo excelente elenco e a qualidade do texto e dos diálogos ferinos, como também pela ótima adaptação cinematográfica, o filme merece estar na categoria de Imperdível! 

sábado, 25 de janeiro de 2014


Uma das tarefas mais difíceis é explicar o inexplicável. Ainda mais quando o inexplicável é um filme, o francês “Holy Motors”, de 2012, dirigido por Leos Carax. Inexplicável que alguém tenha elaborado tamanha maluquice, e, pior, encontrado alguém para bancar sua produção. Mais do que um ato heroico, assistí-lo é masoquismo puro. Chegar ao final, então, aí já é autoflagelação. Oscar (Denis Lavant) passeia por Paris dentro de uma limusine branca. Em seu interior existe um tipo de camarim onde ele se disfarça para representar um papel: uma velha mendiga, um sujeito asqueroso que anda no esgoto e outros tipos aberrantes. Ele desce da limusine, faz alguma estripulia e depois volta. São 115 minutos de puro surrealismo, sem pé nem cabeça. O elenco ainda traz Eva Mendes, Kylie Minogue, Michel Piccoli, Edith Scob e Elise Lhomeau. Alguns críticos profissionais adoraram. E, para explicar o inexplicável, escreveram verdadeiros tratados sociológicos, filosóficos e estéticos. Chegaram a dizer até que o diretor fez uma homenagem ao cinema. Se você gosta de filmes esquisitos, vai adorar. Se for o caso, assista também “Attenberg”, um filme grego pra lá de maluco.     

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O inglês Ben Kingsley, hoje com 70 anos, sempre foi um ótimo ator. Conquistou fama e grande destaque depois que ganhou o Oscar de Melhor Ator por “Gandhi”, em 1983. Nos anos seguintes, fez inúmeros filmes bons (“Hugo Cabret”, “A Ilha do Medo”, “A Lista de Schindler” etc), mas em papéis menores do que sua competência. Alguns até como vilão, o que ele também faz muito bem. É o caso desta co-produção EUA/Sri Lanka de 2012, “Um Homem Comum” (“A Common Man”), sob a direção do cingalês Chandran Rutnam. Kingsley faz o personagem do título, um cara misterioso que instala cinco bombas em locais diferentes da cidade de Colombo, no Sri Lanka. Depois, liga para a polícia local exigindo a libertação de 4 terroristas. Pela importância da exigência, o governo de Sri Lanka é mobilizado e, a partir daí, começa a caçada ao tal homem misterioso. O filme tem pouca ação, mas consegue manter um clima de suspense até o final, quando acontece uma reviravolta interessante na história. Estão ainda no elenco Ben Cross e Patrick Rutmam.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

De vez em quando aparece um filme para reviver alguma história envolvendo o grupo terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês). Um dos mais recentes (2012) é “Agente C – Dupla Identidade” (“Shadow Dancer”), filme irlandês dirigido por James Marsh. No início dos anos 90, Colette McVeigh  (Andrea Riseborough) foi presa pelo M15 (Serviço Secreto Inglês) por ter participado de um atentado a bomba em Londres. Para não ser presa e perder a guarda do filho, ela passa a ser informante do M15, o que vai obrigá-la a enfrentar um grande dilema, pois seus irmãos e amigos são terroristas do IRA. O clima de suspense é mais psicológico do que de ação, o que deixa o filme um pouco monótono. Mas o enredo é bem elaborado e o elenco ótimo. Além de Riseborough, trabalham Clive Owen, Gillian Anderson (Arquivo X) e Aidan Gillen.  O filme é baseado no livro escrito por Tom Bradby e foi lançado no Festival de Sundance. Depois, saiu direto em DVD.                 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Nos anos 60 e 70, o casal Elizabeth Taylor e Richard Burton protagonizou um dos mais tumultuados casos de amor entre celebridades do cinema. O relacionamento desses dois grandes astros começou nas filmagens de Cleópatra, em 1961/62, quando ambos eram casados (Liz pela quarta ou quinta vez) com outros parceiros e durou, entre trancos e barrancos, muitos anos mais. “Liz & Dick”, de 2012, filme feito para o Canal Lifetime, mostra os bastidores da vida amorosa do casal, incluindo cenas nos sets de filmagem, crises de estrelismo, bebedeiras e brigas homéricas em hotéis e restaurantes, sem falar no quesito dinheiro, que ambos torravam em quantidades estratosféricas. Liz é interpretada pela polêmica Lindsay Lohan (Megan Fox e Olivia Wilde foram cogitadas para o papel). Dizem que Lindsay, com seu jeito maluco de ser, deu muito trabalho durante as filmagens (como Liz dava também). O ator neozelandês Grant Bowler faz Burton. Mais do que o bom desempenho dos dois, sua semelhança com os verdadeiros é um dos trunfos do filme. Triste foi ver a atriz Theresa Russel, antes um monumento de mulher, bastante envelhecida, fazendo a mãe de Liz. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A atriz Greta Gerwig está se especializando em interpretar garotas frustradas, infelizes e, acima de tudo, abobadas. Foi assim no chatérrimo “Frances Ha” e agora em “Lola contra o Mundo” (“Lola versus”), uma comédia romântica produzida em 2012 e dirigida por Daryl Wein. Assim como Frances, a Lola vive tentando arrumar namorados e acaba sempre sozinha. O filme começa com Lola sendo abandonada pelo noivo, Luke, três semanas antes do casamento. Lola desabafa seus problemas com a amiga Alice (Zoe Lister Jones), que consegue ser mais chata e irritante do que a própria Lola. Os diálogos beiram o ridículo, girando em torno de relacionamentos amorosos, transas e futilidades em geral. O filme todo atinge a profundidade de uma xícara de café (curto). Talvez a frase mais inteligente, dita por Alice, seja “Eu não troco a calcinha há três dias”. Pelo menos foi bom rever Debra Winger, como a mãe de Lola. Dizem que Greta Gerwig é uma ótima comediante. Realmente, faz-me rir.   
“Fruitvale Station – A Última Parada” (“Fruitvale Station”), de 2013, é uma produção independente norte-americana que marca a estreia na direção de Ryan Coogler. E que estreia! O filme é sensacional. Foi justo que tenha conquistado o Prêmio “Um Certo Olhar” no Festival de Cannes e também premiado em Sundance. Logo no início, você já sabe como tudo vai terminar e, mesmo assim, o clima de tensão vai prendê-lo na poltrona pelos 85 minutos de duração. A história é baseada em fatos reais, o que proporciona maior dramaticidade. O jovem Oscar (Michael B. Jordan), de 22 anos, com uma namorada e uma filha pequena, sai da cadeia e tenta tomar jeito na vida. Só que não consegue arrumar emprego. Na noite de Ano Novo (31 de dezembro de 2008), sai com a namorada e os amigos para comemorar e ver os fogos. Num vagão do metrô, eles arrumam uma briga com outros passageiros e a polícia é chamada. Os policiais, despreparados e violentos, nem perguntam o que aconteceu. Já vão batendo... E aí a coisa vira tragédia. Tudo o que aconteceu foi filmado por passageiros do metrô. O elenco é ótimo, mas quem dá show é Octavia Spencer, que faz Wanda, a mãe de Oscar. Ela já havia conquistado o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Vidas Cruzadas”, em 2012. E, neste filme, comprova que é realmente uma atriz espetacular. Prepare-se para assistir a um grande filme.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

De vez em quando, um pouco de erudição e história não faz mal a ninguém. É o que proporciona o ótimo drama alemão “Hannah Arendt”, de 2012, da diretora Margarethe Von Trotta. Em 1961, a alemã Hannah (Barbara Sukowa), já uma consagrada filósofa política e professora universitária nos EUA, se oferece à Revista The New Yorker para ir a Jerusalém cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann, preso pelo Mossad na Argentina. Além da reportagem para a revista, ela queria aproveitar o trabalho para colher subsídios para seu estudo filosófico sobre “A Banalidade do Mal”. Os artigos da filósofa causaram uma grande repercussão na época. Ela escreveu, por exemplo, que Eichmann não era culpado direto pela matança dos judeus, pois obedecia ordens. Hannah não parou por aí. Escreveu também que os judeus – ela era judia - se deixaram dominar sem  resistência e ainda acusou alguns deles de colaboracionismo com os nazistas. Aí todo mundo se virou contra a filósofa, inclusive seus principais amigos. O filme conta toda essa história e ainda o envolvimento dela, na juventude, quando morava na Alemanha, com o filósofo Martin Heidegger. O pensamento e a filosofia de Hannah estão representados nos diálogos que ela tem com o marido e com os amigos e ainda durante suas aulas e palestras na universidade. Resumindo: um filme adulto e imperdível
“O Voo das Cegonhas” (Flight of the Storks”), 2013, co-produção França/Alemanha/África do Sul. Até que o filme começa com uma proposta legal. O jovem inglês Jonathan (Harry Treadaway) é assistente do ornitologista Max Böhm num projeto que visa estudar a migração das cegonhas da Suíça até a África. Quando chega à fazenda de Max, Jonathan o encontra morto, vítima de infarto, dentro de um ninho de cegonha. Jonathan resolve dar sequência ao trabalho e viaja para acompanhar a migração das cegonhas, passando pela Bulgária, Turquia, Israel e África. Em cada um desses lugares deveria haver um observador das aves. Jonathan descobre que estão todos mortos. Descobre também que o projeto de estudo das aves era apenas fachada para uma atividade ilícita. Numa guinada repentina, sem qualquer explicação, o filme passa a mostrar a busca de Jonathan pela verdade do que aconteceu quando ele era pequeno e morava com os pais no Congo. Daí pra frente, o filme vira uma salada desconexa. O filme – na verdade uma minissérie em duas partes – é baseado no livro homônimo de Jean Christophe Granjé, também autor de Rios Vermelhos e Império dos Lobos. O elenco, dirigido por Jan Kounen, tem ainda Rutger Hauer, Perdita Weeks e Clemens Schick. No total, são mais de 3 horas de duração (202 minutos), o que vai exigir do espectador uma dose cavalar de paciência. Não diga depois que não avisei.                                  

domingo, 19 de janeiro de 2014

Cate Blanchett faz a personagem Jasmine, que dá o nome à comédia dramática “Blue Jasmine” (2013), o mais recente filme escrito e dirigido por Woody Allen. Blanchett arrasa como a dama da sociedade nova-iorquina, rica e chiquérrima, que de repente fica sem dinheiro e, para não dormir na rua, vai morar com a irmã pobre em São Francisco (as duas foram adotadas). Jasmine era casada com um investidor milionário (Alec Baldwin), que é preso por causa de falcatruas no mercado financeiro e perde tudo, deixando a mulher literalmente ao relento. Mesmo sem grana nenhuma, Jasmine mantém a pose de socialite até cair na real, quando acaba como recepcionista num consultório dentário. É muito engraçada – entre as inúmeras engraçadas do filme - a cena em que sua irmã (Sally Hawkins) a apresenta ao namorado e um amigo num barzinho, originando diálogos hilariantes. Jasmine é histérica, tem surtos de depressão, costuma falar sozinha e também acaba afogando as mágoas na bebida. “Blue Jasmine” foi uma grande sacada de Allen. A ideia do filme, porém, foi de sua esposa Soon-Yi Previn, que contou a história de uma amiga que passou pela mesma situação. Mais um Woody Allen imperdível!                                 

 
“Gravidade” (“Gravity”) é um dos melhores filmes de ficção científica envolvendo o espaço sideral. O melhor, na opinião do grande diretor James Cameron. A maior façanha do diretor Alfonso Cuorón, também autor do roteiro, foi manter um clima de ação e suspense do começo ao fim com praticamente um personagem, a dra. Ryan Stone (Sandra Bullock). Ao lado do experiente astronauta Kowalski (George Clooney), ela faz parte da equipe que é enviada ao espaço para efetuar consertos no Telescópio Hubble. Quando ela e Kowalski estão fora da nave, são atingidos por uma chuva de destroços de um satélite desativado russo, perdem o contato com a base terrestre da NASA e ficam literalmente perdidos no espaço. O filme é tão bem feito que leva o espectador a se imaginar participando do martírio vivido pelos personagens. O cenário é o mesmo o filme inteiro: a imensidão escura do espaço e, ao fundo, o nosso deslumbrante planeta. Várias atrizes foram cotadas para o papel da dra. Ryan Stone, inclusive Angelina Jolie. Robert Downey foi convidado para fazer Kowalski, mas desistiu e o papel ficou para Clooney. A verdade é que, com qualquer ator ou atriz, o filme continuaria sendo espetacular.