“A Grande Beleza” (“La Grande Bellezza”),
2013, dirigido por Paolo Sorrentino, é um verdadeiro exemplo do que se
convencionou chamar “Cinema de Arte”. Como tal, desperta reações e sentimentos
variados. Uns gostam, outros detestam. Sorrentino fez uma crônica da Roma
atual, revelando a face mundana da alta sociedade romana e sua decadência moral
e intelectual. O cronista que nos levará a esta viagem é o personagem Gep
Gambardelli (Toni Servillo, sensacional), um escritor de 65 anos que escreveu apenas um
livro e que agora vive a maior parte do seu tempo frequentando as mais badaladas
festas da capital italiana. Tal como Fellini fez em “A Doce Vida” e em “Roma”,
a arquitetura da capital italiana, com seus mais representativos monumentos e
locais turísticos, aparece como cenário de quase todas as cenas. O contraste
com a modernidade é mostrado em várias situações, como na festa de aniversário
de Gep, no início do filme. Enquanto os convidados dançam ao som de música techno,
aparece ao fundo o Coliseu. “A Grande Beleza” é um filme, sem dúvida, instigante, e, por isso mesmo, merece ser visto. Grande parte da crítica especializada o colocou
no pedestal das grandes obras-primas do cinema. Eu gostei, mas não chegaria a tanto.
Assista e tire suas próprias conclusões.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Europa Report”,
suspense
de ficção científica de 2013, tem em sua produção uma salada de nacionalidades.
O filme é norte-americano, o diretor (Sebastián Cordero) é equatoriano e o
elenco tem uma polonesa (Karolina Widra), uma romena (Ana Maria Marinca), um
sueco (Michael Niqvist), um norte-americano (Christian Camargo), os
sul-africanos Embeth Davidtz e Sharlto Copley, além do chinês Daniel Wu. A
história: alguns estudos científicos realizados pela Europa Ventures, uma
empresa privada de exploração espacial, aventaram a possibilidade de haver vida
na Europa, uma das luas de Júpiter. Para confirmar essa teoria, um grupo dos
melhores astronautas do mundo é treinado e enviado para a tal lua, numa viagem
cuja distância será a maior percorrida no espaço pelo ser humano até aquele
momento. Quando chegam lá, porém, as coisas não saem como o esperado e o
resultado... Bom, você vai ver. O filme até que consegue manter um certo clima
de tensão e suspense até o final, mas a sensação claustrofóbica pode incomodar.
domingo, 2 de fevereiro de 2014


A comédia dramática chilena “Gloria”, de 2013, dirigida por
Sebastián Lelo, conta a história de uma mulher (a ótima
atriz Paulina Garcia) com 58 anos, separada há 12 e dois filhos adultos que não
moram mais com ela há tempos. Ela trabalha, mas fora do escritório é uma mulher
solitária. Para afugentar a solidão, ela frequenta bailes destinados ao pessoal
da terceira idade. Adora dançar. Não tem um parceiro fixo: dança com vários.
Até que conhece Rodolfo (Sérgio Hernández), um setentão também separado. Os
dois começam a namorar, passeiam, jantam juntos e, claro, acabam indo para a
cama. As cenas de sexo, várias, são bastante fortes em se tratando de pessoas
mais velhas, o que poucos filmes têm a coragem de mostrar. O relacionamento vai
se desgastar por culpa de Rodolfo, que não desgruda das duas filhas e da
ex-mulher. O filme é muito bom e tem momentos deliciosos, como a turma que, num
aniversário, canta “Águas de Março”. A cena em que Gloria se vinga de Rodolfo é
hilariante. Pelo papel de Gloria, Paulina Garcia conquistou o prêmio "Urso de Prata" de melhor
atriz no Festival de Berlim 2013.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Nos créditos de “O Conselheiro do Crime” (“The Couselor”), EUA - 2013, estão lá o consagrado diretor Ridley Scott, o roteirista e escritor Cormac
McCarthy, autor do livro “Onde os Fracos não têm Vez”, e os nomes que formam o
quinteto principal do elenco: Michael Fassbender, Penélope Cruz, Brad Pitt,
Javier Bardem e Cameron Diaz. Ou seja, tinha tudo para ser um grande filme. Não é.
Advogado (Fassbender) vai casar e quer ganhar dinheiro rápido. Para alcançar
esse objetivo, envolve-se num plano para trazer do México para os EUA um grande
volume de drogas no valor de 20 milhões de dólares. O plano dá errado, as
drogas somem e a barra vai pesar para o advogado e dois de seus clientes (Bardem
e Pitt), que acabam sendo caçados pelo pessoal de um poderoso cartel mexicano.
Até começar a ação tem muito papo furado, diálogos sem nexo e o espectador acaba se confundindo um
pouco sobre o enredo. Nem a reviravolta inesperada no final salva o filme, que
o diretor Ridley dedicou à memória do irmão Toni Scott, falecido em 2012. Analisando-se
os prós e os contras do filme, os contras ganham longe. Mas um pró tem que ser
destacado: o charme e a beleza de Cameron Diaz, ainda em grande forma.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014


terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Javier Bardem comanda um elenco de ótimos atores
no drama espanhol “Segunda-feira ao Sol”
(“Los Lunes ao Sol”), que aborda o tema do desemprego e a falta de perspectivas
para trabalhadores na meia idade. O filme é dirigido por Fernando Leon de
Aranoa e, mesmo tendo sido feito em 2002, continua atual como nunca. Cinco trabalhadores
cinquentões estão desempregados há três anos e vivem do seguro-desemprego.
Apenas um montou um bar com a indenização. E é justamente neste bar, o Naval,
que eles passam as horas ociosas, bebendo, conversando sobre suas frustrações,
discutindo a situação econômica da Espanha e desabafando sobre seus problemas
pessoais. Um ampara o outro do jeito que dá. É um filme bastante triste, principalmente
quando mostra um deles indo a entrevistas para tentar arranjar um emprego. Pra
contrabalançar, tem também seus momentos comoventes e alguns até engraçados,
principalmente com o histriônico Santa (Bardem). Além de ter sido premiado em
vários festivais internacionais, inclusive em Gramado, o filme concorreu ao
prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2003.
domingo, 26 de janeiro de 2014
“Música da
Alma” (“The
Sapphires”), de 2012, dirigido por Wayne Bair (seu primeiro longa), é um ótimo
filme australiano cuja história é baseada em fatos reais. Em 1968, Dave (Chris
O’Dowd), um músico irlandês, trabalhava como tecladista num programa de
calouros acompanhando os candidatos. Num
dos programas, ele descobre quatro jovens aborígenes que arrasavam como
vocalistas – na época, só para lembrar, os aborígenes australianos sofriam o
mesmo tipo de discriminação racial que os negros nos EUA. Dave faz amizade com
as moças e logo se torna não apenas o arranjador do grupo, como também seu
empresário. Ele consegue convencer as jovens a mudar de gênero musical: do country
para o soul. Elas começam a fazer sucesso e, como “The Sapphires”, embarcam
para uma turnê no Vietnã para se apresentar em shows para os soldados. Além da
história incrível, a trilha sonora é uma delícia - você não vai conseguir ficar
parado (a) na poltrona. Se você estiver na dúvida se assiste ou não, acrescento que o filme foi apresentado, fora de competição, no Festival de Cannes 2012. Ao final, foi aplaudido de pé durante 10 minutos.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Uma das tarefas mais difíceis é explicar o
inexplicável. Ainda mais quando o inexplicável é um filme, o francês “Holy Motors”, de 2012, dirigido por Leos
Carax. Inexplicável que alguém tenha elaborado tamanha maluquice, e, pior,
encontrado alguém para bancar sua produção. Mais do que um ato heroico, assistí-lo
é masoquismo puro. Chegar ao final, então, aí já é autoflagelação. Oscar (Denis
Lavant) passeia por Paris dentro de uma limusine branca. Em seu interior existe
um tipo de camarim onde ele se disfarça para representar um papel: uma velha mendiga,
um sujeito asqueroso que anda no esgoto e outros tipos aberrantes. Ele desce da
limusine, faz alguma estripulia e depois volta. São 115 minutos de puro
surrealismo, sem pé nem cabeça. O elenco ainda traz Eva Mendes, Kylie Minogue,
Michel Piccoli, Edith Scob e Elise Lhomeau. Alguns críticos profissionais
adoraram. E, para explicar o inexplicável, escreveram verdadeiros tratados sociológicos,
filosóficos e estéticos. Chegaram a dizer até que o diretor fez uma homenagem ao cinema. Se você gosta de filmes esquisitos, vai adorar. Se for
o caso, assista também “Attenberg”, um filme grego pra lá de maluco.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
De vez em quando
aparece um filme para reviver alguma história envolvendo o grupo terrorista IRA
(Exército Republicano Irlandês). Um dos mais recentes (2012) é “Agente C –
Dupla Identidade” (“Shadow Dancer”), filme
irlandês dirigido por James Marsh. No início dos anos 90, Colette McVeigh (Andrea Riseborough) foi presa pelo M15
(Serviço Secreto Inglês) por ter participado de um atentado a bomba em Londres.
Para não ser presa e perder a guarda do filho, ela passa a ser informante do
M15, o que vai obrigá-la a enfrentar um grande dilema, pois seus irmãos e
amigos são terroristas do IRA. O clima de suspense é mais psicológico do que de
ação, o que deixa o filme um pouco monótono. Mas o enredo é bem elaborado e o
elenco ótimo. Além de Riseborough, trabalham Clive Owen, Gillian Anderson (Arquivo
X) e Aidan Gillen. O filme é baseado no
livro escrito por Tom Bradby e foi lançado no Festival de Sundance. Depois,
saiu direto em DVD.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014
A atriz Greta Gerwig
está se especializando em interpretar garotas frustradas, infelizes e, acima de
tudo, abobadas. Foi assim no chatérrimo “Frances Ha” e agora em “Lola contra o
Mundo” (“Lola
versus”), uma comédia romântica produzida em 2012 e dirigida por Daryl Wein.
Assim como Frances, a Lola vive tentando arrumar namorados e acaba sempre sozinha.
O filme começa com Lola sendo abandonada pelo noivo, Luke, três semanas antes
do casamento. Lola desabafa seus problemas com a amiga Alice (Zoe Lister
Jones), que consegue ser mais chata e irritante do que a própria Lola. Os diálogos
beiram o ridículo, girando em torno de relacionamentos amorosos, transas e
futilidades em geral. O filme todo atinge a profundidade de uma xícara de café
(curto). Talvez a frase mais inteligente, dita por Alice, seja “Eu não troco a
calcinha há três dias”. Pelo menos foi bom rever Debra Winger, como a mãe de
Lola. Dizem que Greta Gerwig é uma ótima comediante. Realmente, faz-me rir.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

“O Voo das
Cegonhas”
(Flight of the Storks”), 2013, co-produção França/Alemanha/África do Sul. Até
que o filme começa com uma proposta legal. O jovem inglês Jonathan (Harry
Treadaway) é assistente do ornitologista Max Böhm num projeto que visa estudar
a migração das cegonhas da Suíça até a África. Quando chega à fazenda de Max,
Jonathan o encontra morto, vítima de infarto, dentro de um ninho de cegonha. Jonathan
resolve dar sequência ao trabalho e viaja para acompanhar a migração das
cegonhas, passando pela Bulgária, Turquia, Israel e África. Em cada um desses
lugares deveria haver um observador das aves. Jonathan descobre que estão todos
mortos. Descobre também que o projeto de estudo das aves era apenas fachada
para uma atividade ilícita. Numa guinada repentina, sem qualquer explicação, o
filme passa a mostrar a busca de Jonathan pela verdade do que aconteceu quando
ele era pequeno e morava com os pais no Congo. Daí pra frente, o filme vira uma
salada desconexa. O filme – na verdade uma minissérie em duas partes – é baseado
no livro homônimo de Jean Christophe Granjé, também autor de Rios Vermelhos e
Império dos Lobos. O elenco, dirigido por Jan Kounen, tem ainda Rutger Hauer,
Perdita Weeks e Clemens Schick. No total, são mais de 3 horas de duração (202 minutos), o que vai exigir do espectador uma dose cavalar de paciência. Não diga depois que não avisei.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Cate Blanchett faz a
personagem Jasmine, que dá o nome à comédia dramática “Blue Jasmine”
(2013), o mais recente filme escrito
e dirigido por Woody Allen. Blanchett arrasa como a dama da sociedade nova-iorquina,
rica e chiquérrima, que de repente fica sem dinheiro e, para não dormir na rua,
vai morar com a irmã pobre em São Francisco (as duas foram adotadas). Jasmine
era casada com um investidor milionário (Alec Baldwin), que é preso por causa
de falcatruas no mercado financeiro e perde tudo, deixando a mulher literalmente ao relento. Mesmo sem
grana nenhuma, Jasmine mantém a pose de socialite até cair na real, quando
acaba como recepcionista num consultório dentário. É muito engraçada – entre as
inúmeras engraçadas do filme - a cena em que sua irmã (Sally Hawkins) a apresenta
ao namorado e um amigo num barzinho, originando diálogos hilariantes. Jasmine é
histérica, tem surtos de depressão, costuma falar sozinha e também acaba
afogando as mágoas na bebida. “Blue Jasmine” foi uma grande sacada de Allen. A ideia do
filme, porém, foi de sua esposa Soon-Yi Previn, que contou a história de uma amiga que passou
pela mesma situação. Mais um Woody Allen imperdível!
“Gravidade” (“Gravity”) é um dos
melhores filmes de ficção científica envolvendo o espaço sideral. O melhor, na
opinião do grande diretor James Cameron. A maior façanha do diretor Alfonso
Cuorón, também autor do roteiro, foi manter um clima de ação e suspense do
começo ao fim com praticamente um personagem, a dra. Ryan Stone (Sandra
Bullock). Ao lado do experiente astronauta Kowalski (George Clooney), ela faz
parte da equipe que é enviada ao espaço para efetuar consertos no Telescópio
Hubble. Quando ela e Kowalski estão fora da nave, são atingidos por uma chuva
de destroços de um satélite desativado russo, perdem o contato com a base terrestre
da NASA e ficam literalmente perdidos no espaço. O filme é tão bem feito que leva
o espectador a se imaginar participando do martírio vivido pelos personagens. O
cenário é o mesmo o filme inteiro: a imensidão escura do espaço e, ao fundo, o
nosso deslumbrante planeta. Várias atrizes foram cotadas para o papel da dra. Ryan
Stone, inclusive Angelina Jolie. Robert Downey foi convidado para fazer Kowalski,
mas desistiu e o papel ficou para Clooney. A verdade é que, com qualquer ator
ou atriz, o filme continuaria sendo espetacular.
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