quinta-feira, 8 de setembro de 2022

 

“O BASTARDO” (“BASTAARD”), 2019, Bélgica, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Mathieu Mortelmans, que também assina o roteiro ao lado de Jan Pepermans e Stefanie Vanhecke. É mais um daqueles filmes que ficam escondidos em uma plataforma digital, sem muito alarde e divulgação, mas que merece ser descoberto por quem gosta de cinema de qualidade. Uma ótima estreia como diretor de longas do cineasta belga Mathieu Mortelmans, mais conhecido como realizador de séries e curtas. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é um drama familiar. O filme começa com uma tragédia: três rapazes saem de uma balada e sofrem um acidente que mata um deles, Robbie (Arne de Tremerie). Seu irmão mais novo Daan (Spencer Bogaert) e o amigo Wes (Lukas Bulteel) sobrevivem. O filme dá um salto de dois anos e mostra uma família desestruturada pela tragédia. Em casa, Daan convive com a depressão da mãe Nina (Tine Reymer), que não se conforma de ter perdido o filho mais velho, e com a ausência do pai Flip (Koen de Bouw), que se refugia em viagens e na cama de uma amante. Esse quadro se transforma de forma abrupta quando aparece na vida da família um jovem morador de rua, Radja (Bjardne Devolder), órfão de pai e mãe desde cedo e criado em orfanatos. Nina se encanta com o garoto e o convida para morar com a família, muito a contragosto de Daan e de seu pai. Fica bem claro desde que surgiu em cena que Radja esconde uma outra personalidade, que só Nina não percebe. “O Bastardo” é um filme intrigante, incômodo, aflitivo e muito tenso, à beira do chocante, adjetivos que sempre acompanham a análise de um bom suspense psicológico. Um filme surpreendente que merece ser visto pelos cinéfilos que respeitam seus neurônios. Não perca! 

                  

terça-feira, 6 de setembro de 2022

 

“FATAL FOLLOWING” (“THE CULT”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h30m, direção de Nigel Thomas, seguindo roteiro assinado por Jenny Paul e Kaila York. Não entendi por que o filme chegou por aqui com o título em inglês, ainda mais que, na tradução literal, pode ser entendido como “Seguimento Fatal”, com o sentido totalmente diferente do título original. O filme também recebeu outro título: “My Daughter’s Double Life”. Ou seja, tudo começou com uma grande confusão - falha da Amazon. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é o recrutamento de jovens para seitas clandestinas. A jovem Ally (Jacey Nichole), mimada e rebelde sem causa, se revolta com as ordens da mãe, Heather (René Ashton) e do padrasto Jack (Chad Bradford). Ela cai na lábia de Mariah (Alivea Disney), foge de casa e acaba em uma fazenda com outras jovens. Aqui, ela é obrigada a obedecer às ordens de Bridger (Jacob Young), o chefe de uma seita que acolhe jovens fugitivas da família. Heather não sossega enquanto não encontrar a filha, mesmo que tenha recebido a notícia de que Ally se afogou enquanto nadava em um riacho. Como o corpo não foi encontrado, Heather acredita que a filha ainda esteja viva. Perto do desfecho, uma reviravolta surpreendente acontece, minimizando um pouco a mediocridade do roteiro. Trocando em miúdos, mais um filme fraco recém-lançado pela Amazon. Não merece nem ser recomendado.              

 

“JACK, O ESTRIPADOR – A HISTÓRIA NÃO CONTADA” (“JACK, THE RIPPER”), 2021, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, roteiro e direção de Steven Lawson. O famoso serial killer, que apavorou o bairro de Whitechapel (Londres), em 1888, assassinando várias prostitutas de maneira cruel, nunca foi preso, mas já foi personagem de livros e filmes, a maioria dos quais apresentando uma hipótese diferente. Ou seja, apenas suposições e teorias. Neste novo filme, alguns novos suspeitos são sugeridos, mas apenas um será identificado no desfecho. Estamos em 1888, e o inspetor Edmund Reid (Phil Molloy), da Scotland Yard, está investigando a morte de três prostitutas. O modus operandi do assassino é o mesmo: primeiro corta a garganta e depois remove alguns órgãos internos, serviço de quem conhece a anatomia humana. Entre os suspeitos estão médicos - o próprio legista da polícia, locque Thomas (Jonathan Hansler) é um deles -, açougueiros e até um jornalista, sempre presente no local dos crimes. Uma reviravolta no desfecho esclarece para o espectador quem é o verdadeiro assassino. Claro, tudo imaginação do roteirista e diretor Steven Lawson. Fica evidente que o filme é uma produção de baixo custo, com elenco de ilustres desconhecidos, cenários pobres e figurinos baratos. Talvez feito para a TV ou para sair direto em vídeo. Ficou parecendo uma peça de teatro. De qualquer forma, mesmo sendo uma ficção (a não ser os crimes), é uma história interessante.            

domingo, 4 de setembro de 2022

 

“PASSEI POR AQUI” (“I CAME BY”), 2022, Inglaterra, 1h50m, lançamento Netflix, direção do cineasta iraniano Babak Anuari, que também assina o roteiro com a colaboração de Namsi Khan. Mais um bom suspense policial da Netflix (estreou dia 31 de agosto). A história é centrada em dois jovens grafiteiros amigos de infância – Toby Nealey (George Mackay, de “1917”) e Jameel Agassi (Percelle Ascott) –, que saem pela noite afora pelos bairros chiques de Londres grafitando a mensagem “Passei por Aqui” em casas de pessoas ricas, uma maneira de descarregar suas frustrações. Afinal, são dois fracassados. Toby mora com a mãe, Lizzie (Kelly MacDonald), não trabalha e sempre se mostra agressivo quando a mãe cobra uma atitude. Quando Jameel descobre que a namorada Naserine (Varada Sethu) está grávida, decide não grafitar mais com Toby, que continua aprontando, mas desta vez sozinho. Sua situação, porém, acaba se complicando depois que grafita a casa de um importante e respeitado jurista, o juiz aposentado Hector Blake (Gugh Bonneville, da série “Downton Abbey”). Aqui, Toby descobrirá segredos escabrosos e acaba desaparecendo misteriosamente. A mãe e o amigo Jameel ficam desesperados e procuram a polícia. O que terá acontecido com Toby? A resposta só será dada perto do desfecho, quando segredos terríveis serão revelados. Não há dúvida de que se trata de um ótimo suspense, que mantém muita tensão do começo ao fim, deixando o espectador na maior expectativa do que vai acontecer na cena seguinte. No final, o vilão será revelado, mas ficou faltando explicar melhor suas motivações. Esta talvez seja a única falha do roteiro, mas que não prejudica o resultado final, que é muito bom.          

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 

“A FUGA DE AKILLA” (“AKILLA’S ESCAPE”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Charles Officer, que também assina o roteiro com a colaboração de Wendy Motion Brathwaite. Este é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Charles Officer, filho de imigrantes jamaicanos e ex-jogador profissional de hóquei radicado no Canadá. Ele é mais conhecido como diretor de séries, documentários e curtas. Neste seu filme de estreia, Officer realizou um belo trabalho. Embora a história seja ambientada em Nova Iorque e Toronto, o pano de fundo é a situação política da Jamaica. Por causa da guerra civil no país, muitos jamaicanos imigraram para os Estados Unidos e Canadá. É o caso da família de Akilla Brown (Saul Williams). A história começa em 1995, apresentando Akilla como um garoto de 15 anos morando com o pai e a mãe em Nova Iorque. O pai é traficante e um marido abusivo. Pior: recruta Akilla para traficar drogas. O filme dá um salto no tempo para 2020, quando Akilla já está em Toronto, trabalhando como traficante para a poderosa Athena, a “Grega” (Theresa Tova). Uma noite, quando Akilla vai se abastecer em um escritório da “Grega”, é surpreendido por quatro ladrões. Ele consegue prender um deles, um garoto de 15 anos chamado Sheppard (Thamela Mpumlwana, o mesmo ator que interpreta Akilla adolescente). Ao descobrir que o menino lembra muito sua própria história de vida, Akilla decide protegê-lo, atitude que colocará sua vida em grande perigo. Também estão no elenco Ronnie Rowe Jr., Colm Feore, Vic Mensa e Tony Nappo. “A Fuga de Akilla” é um bom drama de suspense envolvendo o tráfico de drogas, o recrutamento de jovens e a destruição das famílias, ao som sempre presente do reggae. Ao invés da ação propriamente dita, com tiroteios, pancadarias e perseguições, o roteiro privilegia o psicológico dos personagens, o que torna o filme mais criativo e interessante. Para assistir e refletir.      

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

 

“UM MARIDO FIEL” (“KAERLIGHED FOR VOKSNE”), 2022, Dinamarca, lançamento Netflix, 1h44m, direção de Barara Topsøe-Rothenborg. O roteiro, assinado por Anders Rønnow e Jacob Weinreich, é baseado no livro homônimo de Anna Ekberg. Trata-se de um suspense cuja história é centrada no relacionamento conflituoso do casal Christian (Dar Salim) e Leonora (Sonja Richter), ele um construtor de sucesso e ela uma ex-violinista talentosa que abandonou a carreira para cuidar do filho Johan (Milo Campanale), acometido de uma doença grave. Leonora descobre que Christian está tendo um caso com a jovem arquiteta Xenia (Sus Wilkins) e parte para a vingança, ameaçando delatar o marido a respeito de uma fraude. Ou ele deixa a amante ou ela o denuncia. Um grande dilema para Christian, que não vai deixar barato as ameaças da esposa e resolve tomar uma atitude drástica. Não dá para comentar mais para não estragar as surpresas do roteiro. “Um Marido Fiel” atende às expectativas de quem curte um bom suspense, tornando-se um ótimo entretenimento, tenso e angustiante. É o cinema dinamarquês voltando à sua melhor forma. Não perca!    

sábado, 27 de agosto de 2022

“INTRUSÃO” (“INTRUSION”), 2021, Estados Unidos, 1h33m, disponível na plataforma Netflix, direção de Adam Salky, seguindo roteiro assinado por Chris Sparling. Trata-se de um thriller bastante tenso cuja história é centrada em um casal que resolve se mudar de Boston (Massachusetts) para Corrales, no Novo México, praticamente do outro lado do país. Não há muita explicação para essa mudança radical, a não ser começar uma nova vida sem o estresse de uma grande cidade, mas tão longe assim? Henry Parsons (Logan Marshall-Green) é um renomado arquiteto e seu sonho sempre foi construir uma casa enorme, aquela que resolveu morar com a esposa Meera (Freida Pinto) em Corrales. Meera é terapeuta juvenil e em poucos meses já atendia em seu consultório na nova cidade. Uma noite, quando chegam em casa, percebem que alguém entrou e revirou tudo, roubando apenas um laptop e um celular. Eles avisam a polícia, que registra a ocorrência e promete investigar. O detetive Stephen Morse (Robert John Burke) estranha que a casa não tenha alarme ou câmeras de vigilância. Mais estranho ainda acontece dias depois, quando a casa é novamente invadida por três homens, mas desta vez Henry e Meera estão presentes. Com uma pistola que mantinha enterrada em um vaso, Henry consegue matar dois e mandar um para o hospital em estado grave. No meio de toda essa confusão, a polícia descobre que uma jovem está desaparecida. Ela é filha de um homem que trabalhou na construção da casa. Para acrescentar uma dose a mais de mistério, Meera começa a desconfiar que o marido está escondendo algum segredo, depois que viu algumas fotos tiradas durante as obras. Além de garantir um clima bastante tenso e alguns bons sustos, o filme conta ainda com uma trilha sonora das mais eficientes, principalmente nos momentos de maior tensão. A atriz Freida Pinto, embora nascida na Índia, é muito requisitada pelo cinema norte-americano e europeu, revelando-se muito competente. Resumo da ópera, “Intrusão” é um bom programa para quem curte filmes de suspense, garante dois ou três bons sustos e muita tensão até o desfecho. E não como negar: Freida é uma gata.          

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

“TUDO POR JOJO” (“FÜR JOJO”), 2022, Alemanha, 1h30m, disponível na plataforma Netflix, direção de Barbara Ott (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “A Luta”, de 2020), com roteiro de Stefanie Ren. Se houvesse uma eleição para escolher o pior filme do ano, este certamente ganharia no 1º turno com ampla vantagem. Trata-se de um drama centrado na relação de duas amigas de infância, Paula (Caro Cult) e Jojo (Nina Gummich). Elas cresceram juntas em uma pequena cidade localizada numa ilha e nunca se desgrudaram. Foram para Berlim estudar e alugaram um apartamento. A relação continuava ótima, até o dia em que Jojo arrumou um emprego no México e se mandou. Sozinha, Paula curtia uma depressão severa, pois sentia muita falta da amiga. Tudo piorou quando Jojo voltou para Berlim trazendo a tiracolo um namorado, Daniel (Steven Sowan). Essa surpresa acendeu o estopim do pavio de Paula, que já é curto. Quando a amiga anunciou que ia casar, Paula partiu para o ataque, fazendo tudo para separar os dois. Com sua obsessão doentia pela amiga, Paula tornou-se um dos personagens mais odiosos do cinema contemporâneo. Mimada, egoísta, frustrada, invejosa, arrogante, enfim, insuportável. Deu vontade de entrar na tela e encher a moça de alguns tapas anti-histeria. Ela conseguiu ser mais chata do que o próprio filme, que por si só é intragável, entediante e plenamente descartável (lixo limpo, lembre-se). Trocando em miúdos, só assista se estiver com muita raiva dos seus neurônios.   

terça-feira, 23 de agosto de 2022

 

O famoso serial killer Ted Bundy, que nos anos 70 do século passado, sequestrou, estuprou e matou mais de 30 mulheres nos EUA, já foi personagem principal de vários filmes, séries e documentários. Agora, acaba de chegar à Netflix “TED BUNDY: A CONFISSÃO FINAL” (“NO MAN OF GOD”), 2021, Estados Unidos, direção de Amber Sealey, seguindo roteiro escrito por Kit Lesser. Este também é baseado em fatos reais, ou seja, as entrevistas que o agente e psicólogo do FBI Bill Hagmaier (Elijah Wood) fez com o assassino (Luke Kirby) ao longo dos anos 80 no corredor da morte – Ted foi executado em 1989. A missão de Hagmaier era entrar na mente de Bundy, delinear seu perfil psicológico e arrancar mais confissões. O filme destaca todas essas conversas, que se prestam mais a estudantes de psicologia do que a nós, espectadores normais. É um pouco cansativo acompanhar esses diálogos, mas a competência dos dois atores principais consegue diminuir um transcorrer entediante. Além de bom ator, Luke Kirby tem uma semelhança física incrível com o verdadeiro Ted Bundy. Não gostei da escolha de Elijah Wood para o papel do agente do FBI. Aos 40 anos, Wood continua com a mesma carinha infantil de Frodo, o seu personagem em “Senhor dos Anéis”. Além disso, é baixinho e, provavelmente, não teria passado em um critério físico para ser agente do FBI. Completam o elenco, entre outros, Robert Patrick, Aleksa Palladino, Jessica Lynn Skinner, Rachel Tysior, Christian Clemenson, W. Earl Brown, Tom Virtue, Mac Brandt e Hugo Armstrong. O filme é interessante. Não mais do que isso.               

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

 

“ENTERRADO” (“ZELAZNY MOST”), 2019, Polônia, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, longa-metragem de estreia no roteiro e direção de Monika Jordan-Mlodzianowska, até então mais conhecida como documentarista. E que ótima estreia. Monika realizou um drama que mistura romance, suspense, traição, culpa e arrependimento. Kacper (Barlomiej Topa) é o melhor amigo de Oskar (Lukasz Simlat). Trabalham juntos há anos em uma mina, saem juntos para beber e Kacper, solteiro, frequenta a casa de Oskar, que é casado com a bela Magda (Julia Kijowska). Numa noite de música e movidos a muita vodka, Kacper e Magda acabam transando, enquanto Oskar curte um bêbado sono. Dessa forma, começa o triângulo amoroso que resultará em uma tragédia. Apaixonado por Magda, Kacper quer se livrar de Oskar (mui amigo esse Kacper). Com essa intenção, Kacper, que é chefe de Oskar, o envia para um local perigoso da mina. Não dá outra. Acontece um desmoronamento e Oskar fica soterrado. Logo em seguida é iniciada uma grande operação de resgate, o que resultará em momentos de muita angústia e tensão. Este é mais um excelente exemplar da nova safra de filmes do moderno cinema polonês, que já nos contemplou recentemente com “Polônia à Flor da Pele”, “Morte às Seis da Tarde”, “Entre Frestas”, Rede de Ódio”, “Interrompemos a Programação” e “Como Me Apaixonei por um Gângster”, entre outros. “Enterrado” também é de grande qualidade, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Filme no Winchester Film Festival 2021 (Inglaterra) e indicado para o prêmio “Golden Lions” de Melhor filme no Polish Film Festival. A tradução do título para o português não foi a melhor opção, já que o título original quer dizer “Ponte de Ferro”. Cabe aqui destacar como um dos trunfos do filme a atuação da bela atriz Julia Kijowska (“Nina”, de 2018). “Zelazny Most” é daqueles filmes que merecem ser descobertos. É cinema de muita qualidade. Não perca!             

sábado, 20 de agosto de 2022

 

“COSAS IMPOSIBLES”, 2021, México, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h29m, direção de Ernesto Contreras, seguindo roteiro assinado por Fani Soto. Mais um daqueles filmes que a gente encontra escondidinho, sem muito alarde e quase nenhuma divulgação. E garanto: trata-se de mais uma pequena pérola. Um drama cativante e sensível, apresentando uma amizade improvável entre uma viúva solitária e um adolescente que trafica drogas para sobreviver. Eles moram em um conjunto de prédios populares na periferia de uma cidade, provavelmente a capital Cidade do México – acho uma falha não definir a cidade onde é ambientada a história, o que vale para outros tantos filmes. Matilde (Nora Velasquez) perdeu o marido Porfírio (Salvador Garcini) há pouco tempo e não lamenta a perda, já que ele a tratava abusivamente, incluindo agressões constantes. O grande problema, porém, é que Matilde é frequentemente assombrada pelo fantasma de Porfírio, que continua a azucriná-la mesmo morto. Por uma questão burocrática, ela encontra dificuldade para receber a pensão do falecido e começa a passar necessidades, não tendo dinheiro nem para comer, mas para o seu gato Fidel nunca falta comida. O adolescente Miguel (Bruno Coronel), seu vizinho no condomínio, sente pena e começa a ajudá-la, comprando comida para comer com ela. Daí nasce a tal amizade improvável de que falei no início do comentário, mas que, com o decorrer dos dias, consolida-se cada vez mais, a ponto de cada um desabafar com o outro seus problemas e segredos - a química entre os dois atores é o maior trunfo do filme. Miguel é o filho que Matilde nunca teve e ela é a mãe que ele não tem há tempos. Para minimizar a dose de dramaticidade, o roteiro inclui algumas pitadas de humor, a melhor delas quando Miguel ensina Matilde a fumar um baseado. Dessa forma, “Cosas Imposibles” consegue se impor como um entretenimento dos mais agradáveis. É, com certeza, mais uma joia do sempre surpreendente cinema mexicano. Imperdível!              

 

 

 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 

 

“CÓDIGO: IMPERADOR” (“CÓDIGO EMPERADOR”), 2022, coprodução Espanha/França, 1h46m, disponível na plataforma Netflix, direção de Jorge Coira e roteiro assinado por Jorge Guerricaecheverria. Trata-se de um suspense que mistura política, espionagem, tráfico de drogas e contrabando. A história é centrada no agente especial Juan (Luis Tosar), que trabalha para os serviços de inteligência do governo espanhol. Apresentadas durante o filme, suas missões são as mais variadas possíveis. Na principal delas, precisa incriminar um político íntegro e, para tanto, recruta uma prostituta drogada. Outra missão é desbaratar uma quadrilha de neonazistas que contrabandeou material radioativo para a Espanha. Também é contratado para limpar a barra de um jogador de futebol que costuma espancar a esposa. Outra missão leva Juan ao Panamá para adulterar os indícios que poderiam incriminar um importante juiz envolvido num assassinato. Em meio a todo esse trabalho, Juan vive um romance tórrido com uma imigrante filipina (Alexandra Masangkay) com a idade para ser sua filha. Um romance muito forçado, sem nenhuma credibilidade. Também estão no elenco Georgina Amorós, Laura Dominguez, Fran Lareu, Denis Gomes, Juan Carlos Vellito, Miguel Rellán e Maria Botto. Trocando em miúdos, o roteiro é bastante confuso, prejudicando o entendimento da história e contribuindo para um resultado final bastante negativo. O grande Luis Tosar já fez filmes muito melhores, como, por exemplo, “Cela 211”, cujo roteiro, também assinado por Guerricaecheverria, conquistou o prêmio Goya (o Oscar espanhol).         

 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

 

“RETORNO” (“PIPA”), 2022, Argentina, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Alejandro Montiel, que também assina o roteiro com Mili Roque Pitt. Este é o terceiro thriller policial baseado na série “Os Crimes do Sul”, da jornalista Florencia Etcheves. Os dois primeiros filmes foram “Desaparecida” e “Presságio”, ambos comentados neste blog. Afirmo, sem qualquer dúvida, que “Retorno” é o mais fraco dos três. A atriz Luisana Lopilato atua como personagem principal nos três. Como curiosidade, ela é casada com o cantor canadense Michael Bublé desde 2011. Em “Retorno”, Luisana é a ex-policial Manuela “Pipa” Pelari, expulsa da corporação há 10 anos depois de se envolver com uma poderosa traficante. Mãe solteira do adolescente Tobías (Benjamín Del Cerro), ela vive isolada em uma fazenda na região desértica do vilarejo de La Quebrada, também conhecida como “Quebrada de Humauaca”, ao norte da Argentina. Seu único contato social é com a tia Alícia (a atriz chilena Paulina García, de “Glória”), que também é fazendeira. Quando uma jovem de ascendência indígena é assassinada, a polícia local faz tudo para encobrir os assassinos, mas Pipa descobre a verdade e acaba se envolvendo nas investigações, colocando em risco não só a sua vida como a de seu filho. Estão ainda no elenco Inés Estévez, Mauricio Paniagua, Malena Narvay, Laura González e Aquiles Casabella. Como pano de fundo, o filme também traz à luz a questão política que envolve a exploração das populações indígenas naquela região da Argentina por parte de poderosos empresários. Mesmo com a presença das excelentes atrizes Luisana Lopilato e Paulina García – o restante do elenco é muito fraco -, “Retorno” não faz jus a uma recomendação entusiasmada e muito menos parece fruto do excelente cinema argentino.        

 

sábado, 13 de agosto de 2022

 

“MIMADINHOS” (“POURRIS GÂTÉS”), 2021, França, produção original Netflix, 1h35m, direção de Nicoles Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner. Apesar do título tão fraco e pouco inteligente em português – o título no original francês ainda é pior, “Podre Estragado” – trata-se de uma comédia que diverte, mesmo que não motive nenhuma gargalhada. O roteiro foi inspirado no filme mexicano "Los Nobles - Quando os Ricos Quebram a Cara Domingo", de 2013. O empresário milionário Francis Bartek (o veterano Gérard Jugnot, de “A Voz do Coração”, de 2004) mima demais os filhos, que na casa dos 30 não trabalham e vivem às custas bastante generosas do pai. A família vive no charmoso Principado de Mônaco. Stella (Camille Lou, ótima), a mais mimada, não faz nada além de frequentar as lojas mais caras, saindo delas com sacolas e mais sacolas das mais renomadas grifes. O gordinho Phillippe (o comediante francês Victor Artus Solaro) compra os carros mais caros do mercado e vive inventando ideias empresariais das mais esdrúxulas. Alexandre (Louka Meliava) é um predador sexual convicto, pulando de cama em cama, principalmente de mulheres casadas. Para piorar, Stella está noiva de Juan Carlos (Tom Leeb), um pilantra conquistador argentino louco para meter a mão na grana do sogro. Diante desse cenário infeliz, Francis resolve dar um basta. Com a cumplicidade do amigo Ferrucio (François Morel), ele bola um plano para fingir que está na miséria e dá a trágica notícia aos filhos. Dizendo fugir da polícia para não ser preso, Francis viaja para Marselha e se esconde na velha casa em que viveu na infância. E a ordem para os filhos foi: “Se quiserem comer vão ter que trabalhar”. Muito a contragosto, o trio mimado terá que batalhar para sobreviver. No entanto, a lição de moral do pai enfrentará desafios, mas no fim, como é previsível, tudo acaba dando certo. Um dos problemas dessa comédia é o ritmo inconstante. No começo, as situações de humor acontecem a cada minuto, mas a partir da metade o ritmo dá uma diminuída, o que, felizmente, não chega a prejudicar o resultado final, ou seja, um filme agradável de assistir. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois o destino de um dos personagens principais reserva uma grande surpresa.         

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

 

“TODO LO INVISIBLE”, 2021, México (produção Tigres Pictures), disponível na plataforma Amazon Prime Video, Direção de Mariana Chenillo, que também assina o roteiro com Ari Brickman (também o ator principal). Jamais subestime aquele filme que chega sem muito alarde e fica escondidinho em alguma plataforma de vídeo, no caso a Amazon. Um dos exemplos é este drama mexicano com algumas pitadas de humor, qualificando-o como comédia dramática. A história é centrada do dentista Jonás (Ari Brickman), profissional dos mais conceituados da capital mexicana. Devido a um acidente com o airbag de seu carro, ele fica cego. Mesmo com a deficiência, ele cuida das duas filhas menores, enquanto Amanda (Bárbara Mori), sua mulher, trabalha em um cargo importante numa grande empresa. De vez em quando, a cegueira leva Jonás a ter alucinações, principalmente imagens de sua infância. Revoltado com sua situação, Jonás resolve processar a empresa fabricante do airbag, assessorado pelo amigo e advogado Saúl (José Maria de Tavira), ex-namorado de Amanda. Aos poucos, o ciúme vai tomando conta de Jonás, ocasionando uma grande crise no casamento. Se o filme por si só já é ótimo, é justo destacar o maravilhoso desempenho do ator Ari Brickman, que, além do roteiro, também assina a trilha sonora. Outro destaque merece a atriz uruguaia Bárbara Mori. “Todo Lo Invisible” é mais um excelente drama do sempre surpreendente cinema mexicano. Imperdível!    

 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

 

 

“PASSADO VIOLENTO” (“CLEAN”), 2021, Estados Unidos, 1h34m, disponível na plataforma Netflix, direção de Paul Solet, que também assina o roteiro com o ator Adrien Brody, que também atua. Mesmo tendo conquistado o Oscar de Melhor Ator por “O Pianista”, em 2002, Adrien Brody nunca me convenceu. Aliás, nos últimos anos não fez nada de muito importante. Em “Passado Violento”, ele continua com a mesma expressão, sobrancelhas arqueadas como alguém que vai chorar, cara de coitado crônico. Talvez por isso mesmo que ele acabou combinando com o personagem Clean, um sujeito com um passado tenebroso e que agora trabalha como coletor de lixo em Nova Iorque. Ele passa as madrugadas limpando o lixo das ruas e aproveita algumas quinquilharias, as recupera e vende em brechós. Logo de início a gente fica sabendo que ele busca redenção culpando-se por uma tragédia familiar do passado – o nome escolhido para o personagem sugere que agora está “limpo”. Em narração em off, o personagem filosofa sobre sua vida e o futuro que o aguarda. O filme se arrasta em ritmo de tartaruga manca, excessivamente lento e sonolento. Para piorar, a maioria das cenas acontece à noite. A ação começa mesmo perto do desfecho, quando Clean resolve livrar uma jovem das mãos de uma quadrilha de traficantes. Acontece que ele quase mata o filho do chefão da gangue, que resolve se vingar. Aí a ação pega para valer. Também estão no elenco Chandler Ari Dupont, Richie Merritt, Glen Fleshler e Mykelti Williamson. Não vou dizer que o filme é ruim, embora tenha sido massacrado pela crítica quando estreou no Festival de Tribeca 2021. Dá para assistir, mas exige uma certa dose de paciência.     


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

 

“A ILHA” (“GRAND ISLE”), 2019, Estados Unidos, 1h37m, distribuição Netflix, direção de Stephen Campanelli (fez parte muitos anos da equipe de produção do ator e diretor Clint Eastwood), com roteiro assinado por Rich Ronat e Iver William Jallah. Trata-se de um bom suspense policial bastante tenso do começo ao fim. O título em português não tem nada a ver com a história. Longe de ser uma ilha, Grand Isle é uma cidade do estado da Louisiana, onde a trama é ambientada. Tudo começa em uma delegacia, onde o detetive Jones (Kelsey Grammer) está interrogando Buddy (Luke Benward), suspeito de cometer um homicídio – a vítima, um jovem, foi encontrado morto na perua de Buddy. Aos poucos, Buddy conta o que aconteceu. Ele havia sido contratado para consertar a cerca de uma casa onde reside o casal Walter (Nicolas Cage) e Fancy (Kadee Strickland). Antes de terminar o conserto, porém, Buddy é obrigado a buscar abrigo na casa, pois acabava de começar um furacão. Aí começa toda a confusão, pois Buddy percebe que está nas mãos de um casal psicopata, Walter, um ex-militar veterano do Vietnã, e Fancy, uma sedenta ninfomaníaca. Buddy tenta se segurar diante da bela quarentona femme fatale, tarefa difícil, pois ele mesmo está em jejum há seis meses, desde que a esposa teve nenê. Além disso, o marido Walter vive bêbado e sempre com um revólver na mão. Como será que Buddy escapará do casal e da acusação de assassinato? Até chegar a essas respostas, o espectador viverá muita tensão diante da tela. Nicolas Cage continua o mesmo ator canastrão de sempre, mas pelo menos escolheu um bom filme para atuar, longe das porcarias que fez nos últimos anos. Além do título em português, outra coisa que me intrigou foi o fato da história ser ambientada em 1988, o que sugere ser baseada em fatos reais, o que não é mencionado nos materiais de divulgação. Resumo da ópera, “A Ilha” é um bom suspense, mantendo muita tensão do começo ao fim.    

 

 

 

domingo, 7 de agosto de 2022

 

“LEONA”, 2018, México, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Isaac Cherem (seu filme de estreia como diretor), que também assina o roteiro com a colaboração de Naian González Norvind, que também atua como a principal personagem da história. Ao contrário do que o título sugere, “Leona” quer dizer “Leoa”, e não o nome de uma personagem. A história é centrada em Ariela (Naian), uma jovem artista plástica que se dedica a pintar murais pela Cidade do México. Ariela pertence a uma família tradicional judaica com ascendência síria que há vários anos se estabeleceu naquele país. Aos 25 anos, ela ainda não pensa em se casar, apesar dos apelos incessantes da família, que a toda hora recrutam um noivo judaico, como é tradição das famílias mais ortodoxas. Ariele, porém, acaba conhecendo e se apaixonando por Ivan (Christian Vázquez), um jovem “gói”, ou seja, não judeu. Entre idas e vindas, encontros e desencontros. Ariela resolve não rever os seus conceitos e permanecer fiel aos seus sentimentos, o que acarretará uma forte rejeição por parte de sua família. Por sua atuação, Naian ganhou, merecidamente, o prêmio de Melhor Atriz no Morelia International Film Festival 2018. Realmente, um desempenho magistral dessa jovem atriz  que já demonstrou enorme competência no excelente “Nuevo Orden”, disponível na plataforma Amazon Prime Video. Trocando em miúdos, “Leona” é cinema de qualidade, mais um excelente drama mexicano que merece ser visto.  

sexta-feira, 5 de agosto de 2022




“ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE YUBA COUNTY” (“BREAKY NEWS IN YUBA COUNT”), 2021, Estados Unidos, 1h36m, disponível na Amazon Prime Video, direção de Tate Taylor e roteiro de Amanda Idoko. Comédia de humor negro com um elenco de primeira tendo à frente a ótima Allison Janney, que tem em seu currículo um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2018 por “Eu, Tonya”. A história começa no dia do aniversário de Sue Buttons (Janney). Convencida de que o marido Karl lembrará da data, ela reserva uma mesa para dois em um restaurante chique, prevendo depois uma noite romântica. Doce ilusão. À tarde, Sue está passando por uma rua quando, de repente, vê o marido sair de uma floricultura com um buquê de flores. Ela segue Karl pensando que ele vai para sua casa, mas no meio do caminho ele para em um motel. Sue invade o quarto e surpreende Karl na cama com sua amante. Com o susto, Karl enfarta e morre. A amante (Bridget Everett) foge correndo e Sue tem a infeliz ideia de enterrar o o marido adúltero, junto com sua mochila, no jardim perto do motel. Ela não sabia que a mochila escondia uma grande soma de dinheiro, fruto de uma trambicagem. Para dar uma de inocente, ela anuncia pela imprensa que seu marido foi sequestrado. A partir daí, ela vira quase que uma celebridade na mídia. Enquanto isso, várias situações paralelas vão acontecendo, como uma dupla de ladrões querendo receber o dinheiro do resgate, além da investigação comandada pela detetive Cam Harris (Regina Hall) e seu atrapalhado assistente. Muita água vai rolar até o desfecho, muito sangue vai jorrar e o humor corre solto. Também estão no elenco Juliette Lewis, Mila Kunis, Awkwafina, Ellen Barkin, Jimmi Simpson, Samira Wiley, Clfiton Collins, Wanda Sykes e Keong Sin. Além do elenco afinado, méritos para a direção de Tate Taylor, também conhecido como diretor de "A Garota no Trem", "Histórias Cruzadas", "Ma", e "Get on Up: A História de James Brown", entre outros, e para a roteirista Amanda Idoko, que assinou as séries "Central Park" e "The Mayor". Só para esclarecer: Yuba é um condado do Kentucky. Trocando em miúdos, o filme é muito bom, diverte bastante, em portanto, merece ser conferido. 





       

 

 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

 

“CAÇADA SELVAGEM” (“DAUGHTER OF THE WOLF”), 2019, Canadá, disponível na plataforma Netflix, 1h28m, direção de David Hackl, seguindo roteiro assinado por Nika Agiashvili. É um filme de ação e aventura ambientado nas montanhas geladas do Alasca. Clair Hamilton (Gina Carano) é uma ex-militar com experiência de combate no Afeganistão que tem o filho sequestrado por uma gangue chefiada por um idoso psicopata chamado apenas de “Father” (Richard Dreyfuss). Esse apelido justifica-se pelo fato de que o bando é formado por seus filhos. Para soltar o menino, eles exigem uma grande soma de dinheiro, justamente toda a herança que Clair ganhou após a morte do pai. Com uma sacola levando o dinheiro do resgate, Clair começa a subir as montanhas para resgatar o filho. Logo ela encontra um dos sequestradores, obrigando-o a indicar o local onde o filho está preso. Até o desfecho – um final feliz previsível desde o começo da história -, Clair enfrentará toda a gangue com a ajuda (pasme!) de lobos selvagens, que em nenhum momento a atacam, justificando o título original. A bonitona Gina Carano é uma ex-lutadora de MMA, tendo abandonado os ringues para se dedicar à carreira de atriz. Está dando certo, pois é bastante requisitada para filmes de ação, quando quase sempre encarna personagens do tipo Rambo de saias. Atuação patética tem o veterano Richard Dreyfuss, que demorei a reconhecer no papel do velho psicopata. Também estão no elenco Brendan Fehr, Joshua Murdoch, Sydelle Noel, Stew McLean, Jason Brooks, Chad Riley, Brock Morgan e Nika Agiashvili (responsável pelo roteiro). O filme não foi bem recebido pela crítica especializada, mas acho que resultou em um bom entretenimento para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

 

“COMO ME APAIXONEI POR UM GÂNGSTER” (“JAK POKOCHALAM GANGSTERA”), 2021, Polônia, produção original Netflix, 2h59m, direção de Maciej Kawulski, que também assina o roteiro com Krzysztof Gureczny. Mais uma joia do sempre surpreendente cinema polonês, desta vez uma superprodução cuja história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida de Nikoden “Nikos” Skotarczak, considerado um dos maiores gângsters da história da Polônia. O filme acompanha a trajetória de “Nikos” (Tomasz Wlosok) durante três décadas a partir do começo dos anos 70, quando começou sua vida de crimes na cidade de Gdansk, berço político do sindicalista Lech Walesa, que mais tarde seria presidente da Polônia. Nos primeiros anos, Nikos, ao lado do irmão e de alguns amigos, roubava carros na Alemanha e Áustria e os revendia na Polônia. Dessa forma, “Nikos” enriqueceu e comandou a mais famosa máfia polonesa. Seu poder era tão grande que chegou a comprar o Lechia Gdansk, time de futebol da 3ª divisão. Com o investimento no clube, “Nikos” levou o time à divisão principal, chegando a conquistar a Copa da Polônia na temporada 82/83. O filme também apresenta o gângster como um mulherengo incorrigível e seu amor por uma prostituta que durou até o final de sua vida. Ao mesmo tempo em que acompanha a sua ascensão ao cargo de poderoso mafioso, o filme também mostra sua decadência, dedicando-se no final de sua vida ao álcool e às drogas. Ou seja, um relato bastante realista de quem foi um dos gângsters mais poderosos da Polônia. Seu mantra era: “É melhor viver um ano como um tigre, do que vinte como uma tartaruga”. Seu poder, porém, incomodava outras máfias, o que resultou no seu assassinato. Tudo isso é contado no filme a partir do depoimento de uma mulher enigmática a um jornalista que queria fazer uma reportagem sobre a vida de “Nikos”. Além do ótimo ator Tomasz Wlosok, que dá um show no papel do gângster, estão no elenco outros nomes conhecidos do cinema polonês, como Agnieszka Grochowska, Magdalena Lamparska, Julia Wieniawa, Mikolaj Kubaiki e Sebastian Fabijanski. Trocando em miúdos, um filme sensacional e imperdível!     

 

sábado, 30 de julho de 2022

 

Quem curte um bom filme de ação vai se deliciar com “AGENTE OCULTO” (“THE GRAY MAN”), 2022, coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h02m, disponível na plataforma Netflix, direção dos irmãos Joe e Anthony Russo (“Capitão América” e “Vingadores”), que também assinam o roteiro com a colaboração de Christopher Markus e Stephen McFeely. A história foi inspirada no livro homônimo de 2009 escrito por Mark Greaney. O elenco é de primeira: Ryan Gosling, Ana de Armas, Chris Evans (“Capitão América”), Billy Bob Thornton, Regé-Jean Page, Julia Butterrs, Jessica Henwick, Alfre Woodard e o brasileiro Wagner Moura, cada vez mais requisitado pelo cinema norte-americano. Anunciado como o filme original mais caro da história da Netflix – 200 milhões de dólares -, “Agente Oculto” realmente não economizou, como comprovam, além do elenco estrelado, as locações em vários países, começando pelos Estados Unidos e percorrendo França, Tailândia, Áustria, Croácia, China e República Tcheca. Vamos à história. Court Gentry (Gosling), um jovem presidiário cumprindo pena por homicídio, é recrutado pela CIA para se transformar em um agente oculto, ou seja, ninguém saberá sua identidade. Será conhecido apenas como “Sierra 6”. Seu trabalho compreenderá sair pelo mundo afora assassinando autoridades ou chefes de organizações criminosas. O filme dá um salto de 18 anos e Court aparece em mais uma missão importante na capital tailandesa Bangkok. Só que a vítima é um ex-agente da CIA que mantinha em seu poder um pen drive com informações que incriminam agentes do alto escalão da agência. Com o pen drive em suas mãos, Court será alvo de mercenários internacionais, entre os quais Lloyd Hansen (Chris Evans, ótimo), ex-agente da CIA e líder de uma organização criminosa internacional. As cenas de ação são de tirar o fôlego, principalmente aquelas de perseguição em Praga e Viena. Diante do grande sucesso alcançado pelo filme, a Netflix já anunciou que pretende produzir uma sequência. Vamos aguardar.