quinta-feira, 24 de março de 2022

 

“ÁGUAS PROFUNDAS” (“DEEP WATER”), 2020, Estados Unidos/Austrália, produção original Amazon Studios, 2h33m, direção de Adrian Lyne, seguindo roteiro de Zach Helm e Sam Levinson. Trata-se de mais uma adaptação para o cinema de um livro da escritora Patricia Highsmith (“Deep Water”, de 1957). A história é centrada no casal Vic Van Hallen (Ben Affleck) e Melinda (Ana de Armas). Em crise conjugal, eles resolvem adotar um casamento aberto para evitar o divórcio, ainda mais pela filhinha Trixie (Gracie Jenkins). Vic e Melinda convivem com um grupo de amigos acostumados a festas particulares regadas a muito champanhe. São todos ricos e bem sucedidos em suas profissões. Nessas festas, Melinda costuma levar algum amigo e não volta para casa com o marido. Isso acontece várias vezes. Vic engole quieto as puladas de cerca da esposa, mas sua paciência tem limite e o ciúme começa a perturbá-lo. Ao mesmo tempo, os namorados de Melinda começam a morrer ou desaparecer, um deles afogado na piscina, o que remete ao título. E dá-lhe suspense do começo ao fim. Destaque para o desempenho da cubana Ana de Armas, hoje uma das mais requisitadas atrizes de Hollywood, esbanjando competência, beleza e sensualidade, como exige o papel de uma libertina. Ana de Armas, aliás, estava namorando com Affleck durante as filmagens. Logo depois, dizem as revistas de fofocas, engatou um breve namoro com o brasileiro Wagner Moura quando protagonizaram “Sérgio”. Outro destaque merece ser dado à atriz mirim Gracie Jenkins, que atua com uma espontaneidade e segurança impressionantes para a idade. Tanto é que a menina ganhou um clipe especial nos créditos finais. Realmente, uma gracinha. Completam o elenco Jacob Elordi, Finn Wittrock, Brendan Miller, Rachel Blanchard, Tracy Letts, Jade Fernandez, Dash Mihok, Devyn A. Tyler e Lil Rel Howery. Das inúmeras adaptações para o cinema das histórias de Patricia Highsmith, esta é uma das mais fracas, principalmente se comparadas com os clássicos “Pacto Sinistro”, de 1951, “O Sol por Testemunha”, de 1960, ou “O Talentoso Ripley”, de 1999, entre tantos outros. “Águas Profundas” também marcou a volta do veterano diretor inglês Adrian Lyne, de 81 anos, depois de 20 anos longe dos estúdios. Só para recordar, Lyne dirigiu filmes de grande sucesso, como “Flashdance”, “Atração Fatal”, “9 ½ Semanas de Amor”, “Infidelidade” e “Proposta Indecente”. Seu retorno, porém, não foi muito satisfatório. Muito criticado pela imprensa especializada, “Águas Profundas” realmente apresenta um resultado decepcionante.                                 

terça-feira, 22 de março de 2022

 

“INFILTRADO” (“WRATH OF MAN”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h58m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Guy Ritchie, que também assina o roteiro juntamente com Eric Besnard. O cineasta inglês Guy Ritchie, que ficou famoso por ter sido casado com a diva do pop Madonna, volta a trabalhar com seu conterrâneo, o ator Jason Statham, neste filme de ação, depois de 15 anos. Ritchie levou o brucutu Statham ao estrelato depois de dirigí-lo em dois ótimos filmes policiais ingleses, “Snatch: Porcos e Diamantes” e "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, ambos grandes sucessos de crítica e público. “Infiltrado” é uma refilmagem do filme francês “Assalto ao Carro-Forte” (“Le Convoyeur”), de 2004. Statham é Harry, ou “H”, um sujeito misterioso contratado para trabalhar em uma firma de segurança de valores, que mantém uma frota de carros-fortes que transportam milhões de dólares diariamente por Los Angeles. Em um de seus primeiros trabalhos, Harry elimina sozinho uma quadrilha de assaltantes, tornando-se um verdadeiro herói na empresa. Como outros assaltos se repetem, começam a desconfiar que há um informante infiltrado na equipe de seguranças. Harry é também um infiltrado, só que de outra maneira, ou seja, é o mocinho da história. Enquanto isso, os assaltantes planejam dar uma cartada final: um assalto dentro da própria empresa de segurança no final do dia do “Black Friday”, quando o montante a ser protegido chegaria a mais de 160 milhões de dólares. “Infiltrado” tem boas cenas de ação, tensão do começo ao fim e muitos, mas muitos tiros, bem ao estilo de Guy Ritchie. Também tem muita mentira, pois é impossível sobreviver depois de ser baleado tantas vezes, mas o herói sempre sobrevive. O que me incomodou bastante foi o jeito de falar do personagem de Statham, um cara grandão, com cara de mau, falando como se estivesse sussurrando, lembrando um asmático com enfisema pulmonar. Também estão no elenco Scott Eastwood (a cara do pai, Clint), Josh Hartnett, Niamh Algar, Holt McCallany, Andy Garcia, Eddie Marsan, Alex Ferns, Lyne Renée, Darrell D'Silva e Jeffrey Donovan. Somando os prós e os contras, o resultado final é um bom filme de ação, bastante movimentado e que não compromete nossa inteligência. Entretenimento garantido.                              

domingo, 20 de março de 2022

“EXORCISMOS E DEMÔNIOS” (“THE CRUCIFIXION”), 2018, coprodução Estados Unidos/Romênia/Inglaterra, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção do francês Xavier Gens, seguido roteiro assinado pelos irmãos gêmeos Chad e Carey Hayes, estes últimos responsáveis pelos filmes da franquia “Invocação do Mal”, entre outros. O título nacional “Exorcismos e Demônios” parece fazer referência a um documentário. Nada disso. Apenas uma escolha mal feita. A história é baseada em fatos reais ocorridos na Romênia em 2005. O padre Daniel Corogeanu foi preso acusado de assassinar a freira Maricica Irina Cornici, de apenas 23 anos, durante uma sessão de exorcismo no monastério Santa Trinidad, no pequeno vilarejo de Tanacu.  No filme, a jovem jornalista investigativa Nicole Hawlins (Sophie Cookson), de um jornal de Nova Iorque, se interessa pelo caso e recebe a aprovação do seu editor-chefe para viajar para a Romênia. Seu objetivo é entrevistar o padre Dimitru (Catalin Babliuc) na penitenciária e também todos os envolvidos na sessão de exorcismo que vitimou a freira Adelina Marinescu (Ada Lupu). Ateia radical e convicta, Nicole terá de enfrentar situações que a farão rever os seus conceitos. Sorte que ela terá ao seu lado o jovem padre Anton (Corneliu Ulici), por quem Nicole tem uma atração muito especial e quase sexual. O desfecho reserva como gran finale um exorcismo surpreendente e com uma cena muito bem feita e impactante. Dos últimos filmes que assisti sobre possessões demoníacas, este revela-se bem melhor, garantindo muitos sustos e um clima de tensão do começo ao fim. Uma das falhas que notei está relacionada com o fato de a jornalista norte-americana falar com todo mundo em inglês, inclusive as pessoas mais simples do vilarejo. Isso me incomodou. Em todo caso, o filme funciona perfeitamente como um bom entretenimento para quem curte histórias de exorcismo.                            

sexta-feira, 18 de março de 2022

 

“MARÉ ALTA” (“MAREA ALTA”), 2020, Argentina, disponível na plataforma Netflix, 1h46m, roteiro e direção de Verónica Chen (“Rosita”, “Mujer Conejo”). É bom avisar: não é um filme para qualquer público. Ao apresentar sua sinopse, a Netflix também deixa claro que é “cinema de arte”, querendo dizer que se trata de um filme dirigido a um público especial. Realmente, trata-se de um filme meio estranho, lento e até entediante, pelo menos até perto do desfecho. A história é centrada em Laura (Gloria Carrá, excelente), uma mulher de meia-idade que sai de Buenos Aires para acompanhar as obras de um abrigo e churrasqueira na sua casa de praia. Na verdade, uma mansão. Em uma tarde, empolgada depois de várias taças de vinho, ela vai para a cama com Weisman (Jorge Sesán), chefe dos pedreiros. Ao sair de casa pela manhã, Weisman é surpreendido pelos seus trabalhadores, Toto (Cristian Salguero) e Huejo (Hector Bordoni). A partir desse flagrante, Laura fica a mercê dos pedreiros, que passam a desrespeitá-la o tempo inteiro. Chegam até a levar prostitutas para a casa e promover festinhas à base de muito vinho e cocaína. Apavorada, Laura tenta entrar em contato com Weisman, que não responde às suas chamadas. A situação vai se desenrolando até que Laura, até então demonstrando uma atitude passiva, resolve dar um basta. “Maré Alta” estreou no Sundance Film Festival 2020 (EUA), não conseguindo muitas críticas positivas, mas tem seus trunfos. A atriz é sensacional, o roteiro bem elaborado e o desfecho surpreendente. A trilha sonora, porém, é uma chatice. Quando acabei de assistir, fiquei pensando no título “Maré Alta” e tentei entender sua ligação com a história. Não consegui desvendar esse mistério. Trocando em miúdos, “Maré Alta” passa bem longe dos melhores filmes do excelente cinema argentino, mas tem seus méritos.                      

quinta-feira, 17 de março de 2022

 

“FALSIDADE” (“VALS”), 2019, Holanda, 1h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Dennis Bots, que também assina o roteiro com Alexandra Penrhyn Lowe, Tjebbo Penning e Pieter Van Den Berg. A história é baseada no livro homônimo de 2010 escrito por Mel Wallis de Vries, conhecida como autora de livros infantis e juvenis. “Vals” conta a história de quatro garotas, amigas de infância, que resolvem passar um final de semana em uma cabana em local ermo nas Ardenas. Personalidades diferentes, Kim (Romy Gevers), Abby (Abbey Hoes), Feline (Holly Mae Brood) e Pippa (Olivia Lonsdale) enfrentarão discórdias, ressentimentos e memórias afetivas, o que resultará em muitos conflitos, colocando em dúvida a amizade que as unia faz tempo. É quando a falsidade entra em jogo. Os desentendimentos começam quando elas conhecem três rapazes hospedados em uma casa próxima. Uma delas, a contragosto das outras, convida os meninos para uma noitada de queijos e vinhos, mais vinhos do que queijos. Depois disso, começam a surgir situações de suspense, como vultos aparecendo nas janelas, garota trancada no banheiro, outra na sauna, além do sumiço misterioso de outra. Quem será o responsável por tudo isso? Aquele sujeito mal-encarado do posto de gasolina, os rapazes ou até mesmo uma delas? Paralelamente a todo esse suspense, você será obrigado a acompanhar os arrastados, entediantes e irritantes diálogos entre as moças a um nível medíocre. Apesar do esforço das atrizes, do diretor e da equipe de roteiristas, o resultado final decepciona. Portanto, entre os prós e os contras, “Falsidade” ganha fácil nos contras. Um filme realmente muito fraco que mancha a imagem do cinema europeu.                   

quarta-feira, 16 de março de 2022

 

“SEM RETORNO” (“THE EASTERN FRONT”), 2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h50m, direção de Rick Roberts, seguindo roteiro assinado por Cheryl Neve. Sem medo de errar, este é o pior filme de guerra que já vi. Do começo ao fim, nada funciona. Os atores são péssimos, beirando o patético, e o roteiro é repleto de situações inverossímeis, que chegam ao ponto de ofender nossa inteligência. A história, ambientada em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial, acompanha a trajetória de soldados alemães retornando do front russo. Eles trazem duas prisioneiras russas, ambas enfermeiras, capturadas no meio do caminho. A namorada do tenente alemão faz parte do grupo, com roupas de civil. Pergunto: o que ela foi fazer no front russo? Um sargento passa o filme inteiro assediando a moça e o tenente, seu namorado, faz vistas grossas. Os absurdos começam por aí. E são tantos que não haveria espaço suficiente para enumerá-los. Apesar de ser um filme de guerra, há momentos tão entediantes que chegam a dar sono, com longos diálogos sem nenhum nexo ou profundidade. Mas o pior mesmo é o elenco. Nunca vi atores tão ruins. Como citei o diretor e o roteirista, vou nominar também os principais atores como cúmplices desse crime hediondo contra o cinema: Lauran Jean Marsh, Bethany Slater, Tim Seyfert, Mhairi Calvey, Neal Ward, George Weightman, Chris Wilson, Josh Harper e Jennifer Martin. Trocando em miúdos, fuja a galope.                  

segunda-feira, 14 de março de 2022

 

“EIFFEL”, 2021, França, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h3m, direção de Martin Bourboulon, que também assina o roteiro com a colaboração de Carolina Bongrand, Thomas Bidegain, Martin Brossollet e Natalie Carter. Belíssimo drama histórico, valorizado pelo ótimo elenco e por uma primorosa recriação de época. Toda a história é centrada na concepção do projeto e na execução da obra da Torre Eiffel, hoje o maior símbolo de Paris e também da França. O filme começa e lá está, em Nova Iorque, o engenheiro francês Alexandre Gustave Eiffel, recebendo as homenagens por ter executado a obra da Estátua da Liberdade, um presente da França ao Tio Sam. De volta à França, Gustave recebe a incumbência do governo de criar um projeto especial e espetacular para apresentar durante a Feira Mundial de Paris. Dessa forma, nasce o projeto da Torre Eiffel. O filme destaca o trabalho de Gustave no comando do projeto e na execução da obra. Ao mesmo tempo, o roteiro cria um romance fictício entre o engenheiro e a bela Adrianne (Emma Mackey, de “Sex Education”)), um antigo amor do passado que volta à tona 20 anos depois, com Adrianne agora casada com Antoine (Pierra Deladonchan), coincidentemente um colaborador de Gustave. A inauguração da Torre Eiffel aconteceu em 21 de março de 1889. Sua construção começou em 1887. Com 324 metros de altura (equivalente a 1.665 degraus do chão até o topo), a obra utilizou 18.038 peças metálicas e 2.500.00 de rebites. Ainda hoje, continua sendo a maior atração de Paris, tendo recebido, desde sua inauguração, mais de 300 milhões de habitantes. O engenheiro Alexandre Gustave Eiffel (1832-1923) executou outras inúmeras obras pelo mundo afora em países como o México, Peru, Chile, Uruguai, Ucrânia, Hungria e Portugal, entre outros. “Eiffel” é simplesmente imperdível, um drama histórico da melhor qualidade.                   

domingo, 13 de março de 2022

 

“UM DIA DIFÍCIL” (“SANS RÉPIT”), 2022, França, produção original Netflix, 1h36m, direção de Régis Blondeau, que também assina o roteiro com Julien Colombani. Mais conhecido como diretor de fotografia de mais de 40 filmes franceses, Blondeau estreia como roteirista e diretor. Na verdade, trata-se da refilmagem do filme sul-coreano “Ggeutggajui Ganda”, de 2014, ou “A Hard Day”, como foi lançado no mercado internacional - aqui, chegou com o mesmo título "Um Dia Difícil". O cinema francês tem apresentado excelentes filmes policiais (veja algumas dicas no final deste comentário). Apesar de bastante movimentado, tenso e com muito suspense, “Um Dia Difícil” não é tão bom. Tem muitos defeitos, principalmente no roteiro, com algumas situações difíceis de engolir, além de pitadas de humor negro que fogem do contexto sério que permeia a história. O foco central é o detetive Thomas (Franck Gastambide, quase um sósia do ator norte-americano Vin Diesel), um policial corrupto que veste a camisa do anti-herói e sempre se destaca como alvo principal da corregedoria. Sua pior encrenca estava ainda para acontecer. Dirigindo à noite por uma estrada, eis que atropela e mata um homem. Coincidência das coincidências, a vítima é um conhecido traficante. Dessa forma, não resta alternativa a Thomas a não ser esconder o cadáver. Foi seu maior erro, pois de repente começa a receber telefonemas de alguém que sabe o que aconteceu, prometendo denunciá-lo. A não ser que devolva o cadáver. Não será fácil para Thomas enfrentar a situação, ainda mais que o chantageador misterioso passa a ameaçar a filha e a irmã do policial. Muitas reviravoltas e tensão garantida até o desfecho. Completam o elenco principal Jamima West, Tracy Gotoas, Michaël Abiteboul e Simon Abkarian. Como prometido, sugiro alguns filmes policiais franceses com melhor qualidade: “Inimigos Íntimos”, “Bronx”, “Bac Nord”, “A Terra e o Sangue”, “Bala Perdida”, “Sob Pressão” e “Asfalto de Sangue”.                   

sexta-feira, 11 de março de 2022

 

“O BOMBARDEIO” (“SKYGGEN I MIT ØJE”), 2021, Dinamarca, disponível na plataforma Netflix, 1h47m, roteiro e direção de Ole Bornedal. O filme conta a história de mais um episódio pouco conhecido por aqui ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. No início de 1945, o governo inglês propôs a criação da “Operação Cartago”, cujo objetivo era bombardear o edifício utilizado como QG pela Gestapo em Copenhague, capital da Dinamarca. O ataque ficou marcado para o dia 21 de março de 1945. Deu tudo errado, culminando com uma grande tragédia. Depois que uma das aeronaves inglesas caiu nas proximidades da escola católica Institut Jeanne D’Arc, no centro da cidade, os pilotos dos demais aviões, vendo toda aquela fumaça, pensaram que o alvo do ataque era exatamente ali. A escola foi totalmente destruída pelo bombardeio inglês, causando a morte de 120 pessoas, entre as quais 86 crianças, além de mais de 100 feridos. Essa triste história nunca havia sido revelada e agora cai como uma bomba, denunciando um dos erros militares mais fatídicos daquele conflito. Os ingleses não devem ter gostado muito dessa revelação. Para aumentar ainda mais o contexto trágico, o filme, até chegar ao bombardeio, reúne vários subtramas na Copenhague ocupada pelos nazistas, como, por exemplo, a amizade ingênua entre três crianças, sessões de tortura nos porões do QG da Gestapo, um menino que perde a fala ao presenciar a morte de pessoas em um carro bombardeado e uma freira que se apaixona por um colaborador nazista. Tudo isso junto e misturado com competência pelo diretor Ole Bornedal, resultou em um filme ao mesmo tempo devastador e comovente, revelando uma história que ficou escondida no tempo. Imperdível!                    

quinta-feira, 10 de março de 2022

 

“NAQUELE FIM DE SEMANA” (“THE WEEKEND AWAY”), 2021, Estados Unidos, 1h29m, produção original Netflix (estreou na plataforma dia 3 de março de 2022), direção de cineasta australiana Kim Ferrant (“Terra Estranha”), mais conhecida como diretora de documentários. Quem assina o roteiro é Sara Alderson, autora do livro homônimo que inspirou o filme. A história é centrada na norte-americana Beth (Leighton Meester, de “Gossip Girl”), que mora na Inglaterra com o marido Rob (Luke Norris) e o filho pequeno. Ela recebe o convite da sua melhor amiga, Kate (Christina Wolfe), para passar um fim de semana na Croácia, talvez a capital Zagreb (a cidade não é nomeada, uma das inúmeras falhas do roteiro – no livro, a história é ambientada em Lisboa). Kate recebe Beth em um apartamento maravilhoso alugado para o fim de semana. No primeiro dia, elas saem para se divertir em uma casa noturna, onde conhecem dois bonitões. Depois da balada, Kate convida todos para o seu apartamento e, a partir daí, a noitada irá se transformar numa verdadeira tragédia. A começar pelo fato de que os dois sujeitos drogam as moças e roubam seus pertences. E, para piorar a situação, Kate desaparece misteriosamente. Beth se desespera com sumiço da amiga, vai à polícia e é a partir daí que a situação se complica ainda mais. Até o desfecho, muitas revelações e reviravoltas surpreendentes acontecerão. Mesmo assim, o filme não empolga, principalmente porque a história é realmente mirabolante, beirando o inverossímil. Além disso, mais uma chatice: a boa e bela atriz Leighton Meester passa o filme inteiro chorando. Irritante. Completam o elenco Ziad Bakri, Amar Bukvic, Luke Norris, Parth Thakerar, Adrian Pezdirc e Iva Mihalic. Resumo da ópera: prefira o livro.                   

terça-feira, 8 de março de 2022

 

“O VIOLINO DO MEU PAI” (“BABAMIN KEMANI”), 2021, Turquia, disponível na plataforma Netflix, 1h52m, direção da cineasta Andaç Haznedaroglu (“Você Já viu Vagalumes”), seguindo roteiro assinado por Murat Taskent e Palaspandiras. Acho que alguma fábrica de lenços de papel está financiando o cinema turco. É só lembrar dos recentes “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”. Agora acaba de chegar na Netflix “O Violino do Meu Pai”, mais um melodrama para provocar lágrimas. A história começa apresentando um grupo mambembe de músicos tocando ao ar livre em uma praça de Istambul. Quem dança e diverte o público, além de arrecadar as esmolas, é uma garota de 8 anos, Özlem (a estreante Gülizar Nisa Uray), filha do violinista do grupo, Ali Riza (Selim Erdogam). O drama começa quando Ali fica gravemente doente e acaba morrendo, deixando Özlem órfã – a mãe já tinha morrido. Encaminhada à assistência social, a menina teria apenas dois destinos: ou seria internada em um orfanato ou então entregue a alguém da família, no caso o seu tio Mehmet Mahir (Engin Altan Düzyatan), irmão de Ali e um famoso violinista internacional. Mehmet é arrogante e egocêntrico e logo de início descarta ficar com a menina. Sua esposa Suna (a bela Belçim Gilgin) tenta convencê-lo a adotar a sobrinha, uma árdua tarefa. Para não deixar escapar o que acontece depois, prefiro parar a história por aqui e deixar as surpresas escondidas. O filme tem alguns trunfos que o tornam muito agradável de assistir. Primeiro, a atriz mirim Gülizar, uma ruivinha esperta e fofa. Segundo, a ótima trilha sonora, com muita música clássica (Bach, Vivaldi, Satie, Bizet), músicas folclóricas turcas e até um tango, o maravilhoso “Por Una Cabeza”, de Gardel. Também devo destacar as belas imagens aéreas e paisagens urbanas de Istambul. A história é também muito comovente, garantindo um entretenimento para toda a família. Se você gosta de se emocionar, não deixe de ver.                   

segunda-feira, 7 de março de 2022

 

“MINHA VIDA PERFEITA” (“MOJE WSPANIALE ZYCIE”), 2021, Polônia, 1h39m, disponível na Netflix desde o dia 28 de fevereiro de 2022, roteiro e direção de Lukasz Grzegorzek. Esta é, sem dúvida, mais uma pérola do cinema polonês, um drama familiar intenso, ao mesmo tempo bem-humorado e comovente. A história é centrada em Joanna (Agata Buzek), uma mulher de meia-idade que vive numa família bem bagunçada. Tem o marido Witek (Jacek Braciak), dois filhos acomodados, sem falar que o mais velho trouxe a mulher e o filhinho para morar na casa, além da mãe com Alzheimer em estágio avançado, acostumada a palpitar coisas sem nexo e fugir de casa de vez em quando. Quando a família se reúne, seja para o café da manhã, almoço e jantar, o clima sempre fica pesado, com muito bate-boca e algumas ofensas pessoais – já deu pra notar que o título é bastante irônico. Neste cenário, Joanna é obrigada em se desdobrar como esposa, mãe, dona de casa e filha carinhosa, fora o trabalho como professora de inglês em uma escola, do qual seu marido é o diretor. Para compensar o estresse, Joanna mantém um amante, que também é professor na escola. Além disso, gosta de fumar um baseado. Tudo vai bem, mesmo aos trancos e barrancos, até que um dia alguém resolve chantagear Joanna enviando mensagens pelo celular, prometendo contar todos os seus segredos. A coisa fica feia e ela terá que ser muito forte para enfrentar tantos desafios. O filme, que já é excelente, fica melhor ainda com o desempenho primoroso de Agata Buzek, uma das atrizes mais importante do cinema polonês atual. Estranhei e até fiquei surpreso quando li comentários de críticos especializados desfavoráveis ao filme. Pelo contrário, eu achei tão bom que posso recomendá-lo como uma pequena obra-prima do cinema europeu. Imperdível!               

quinta-feira, 3 de março de 2022

 

“MEU FILHO” (“MY SON”), 2021, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, direção do cineasta francês Christian Carion, que também assina o roteiro com a colaboração de Laure Irrman. É um bom suspense que prende a atenção até o desfecho. Trata-se, na verdade, de um remake do filme francês “Mon Garçon”, de 2017, também dirigido por Carion. A história da versão inglesa é ambientada em alguma cidade na região das Terras Altas da Escócia, o que garante cenários deslumbrantes. Começa com um grande mistério, o desaparecimento de um garoto de sete anos que estava em uma colônia de férias. Sua mãe, Joan (Claire Foy), liga para o ex-marido Edmond Murray (James McAvoy) contando a notícia trágica, e pede que venha ajudá-la. Quando Edmond chega, a polícia já está toda mobilizada nas buscas ao menino. O mistério leva a crer que o garoto possa ter sido sequestrado. Várias pessoas entram na lista dos suspeitos e o inspetor Roy, chefe das investigações, não descarta qualquer possibilidade, até mesmo o envolvimento do próprio pai do menino até o seu padrasto Frank (Tom Cullen). Não mais que de repente, o inspetor Roy é afastado do caso e não resta a Edmond agir por conta própria. Não dá para seguir adiante no comentário para não estragar as reviravoltas e surpresas que acontecerão. Além do roteiro bem elaborado, valorizando a tensão e o suspense, o filme tem ainda como trunfos dois excelentes atores, o escocês McAvoy (“Fragmentado”) e a inglesa Claire Foy, que ficou mais conhecida por interpretar a Rainha Elizabeth II na série “The Crown”. Também estão no elenco Jamie Michie, Paul Rattray, Robert Jack, Owen Whitelaw, Michel Moreland, Mark Barrett e Andrew Joan Tait. Como informação adicional, repito o que li no material de divulgação do filme, que destaca o fato do ator James McAvoy ter atuado quase que inteiramente na base do improviso, sem ter lido o roteiro. Sei não! Resumo da ópera: “Meu Filho” é um bom suspense. Nada mais.              

quarta-feira, 2 de março de 2022

 

“O EXORCISMO DE CARMEN FARÍAS” (“EL EXORCISMO DE CARMEN FARÍAS”), 2021, México, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h33m, direção de Rodrigo Fiallega (é o seu segundo longa-metragem), seguindo roteiro escrito por Molo Alcocer Délano. Este é mais um dos inúmeros filmes produzidos nas últimas décadas explorando o terror na base da possessão demoníaca. Nenhum deles, porém, foi mais assustador e aterrorizante como o clássico “O Exorcista”, de 1973, dirigido por William Friedkin. É o caso também desta produção mexicana, que aposta mais no terror psicológico do que no terror explícito. A história é toda centrada na jovem jornalista Carmen Farías (Camila Sodi), que vive uma fase difícil depois de perder o bebê durante a gravidez e logo depois a mãe. Em busca de outros ares, ela convence o marido Julián (Juan Pablo Castañeda) a se mudar para a casa que sua avó deixou como herança, em um vilarejo do interior. Como descobriria logo depois, a casa servia de sede para trabalhos de exorcismo. Carmen resolveu escrever uma reportagem sobre o assunto e convidou o padre exorcista (Juan Carlos Colombo) para uma entrevista na casa. Pois é nessa hora que o demo dá o ar da graça, dando o maior susto no padre. Sozinha na casa, já que o marido viajou a serviço, Carmen descobrirá muitos segredos sobre a avó e sua participação nas sessões de exorcismo – tudo gravado em fitas de vídeo. Se não é tão assustador e nem garante muitos sustos, o filme garante pelo menos uma tensão permanente e um pouco de terror explícito perto do desfecho. Trocando em miúdos, é um filme que não decepciona, mas que também não merece uma indicação entusiasmada.               

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

 

“OS 23: PRISIONEIROS NO IRAQUE” (“23 NAFAR”), 2019, Irã, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h41m, roteiro e direção do cineasta iraniano Mahdi Jafari. Que eu saiba, a história incrível desse filme jamais foi contada no cinema ou tenha sido notícia no mundo ocidental. Já é um aval e tanto para nos motivar a assisti-lo. Estamos em 1982 no meio da guerra entre Iraque e Irã (1980-1988). Dezenas de soldados iranianos são feitos prisioneiros durante a batalha pelo território de Khorramshahr, um dos motivos do conflito. Os prisioneiros foram levados a Bagdá e recolhidos à prisão de Estekhbarat. Os mais jovens, na verdade adolescentes entre 13 e 17 anos, foram separados, formando um grupo de 23. O único adulto a ocupar a cela com os jovens é um prisioneiro antigo que atua como tradutor quando os policiais querem dar ordens aos presos. O filme acompanha a rotina dos jovens, incluindo a obrigação de uma visita a Sadam Hussein, quando foram recebidos com flores e filmados bem vestidos junto ao ditador, o que serviria como sua propaganda de guerra (uma filmagem dessa visita é mostrada como realmente aconteceu). Os jovens ficaram revoltados ao saber das intenções de Sadam e protestam com o início de uma greve de fome, exigindo também que fossem liberados da prisão e enviados para o campo de prisioneiros iranianos, onde permaneceriam até o final da guerra. O desfecho reserva uma cena das mais tocantes, quando os jovens prisioneiros, já adultos, visitam o antigo companheiro de cela, o tradutor agora idoso Saleh Ghari. O filme é muito bom, principalmente por contar uma história incrível que poucos conhecem. Não perca!           

domingo, 27 de fevereiro de 2022

 

“ÁGUAS NEGRAS” (“DEAD IN THE WATER”), 2021, Estados Unidos, 1h32m, disponível na Amazon Prime Video, roteiro e direção da cineasta Nanea Miyata. Trata-se de um suspense bem mixuruca, beirando o patético e com grotescas e gritantes falhas e furos profundos no roteiro. Comparando os prós e os contras, os contras vencem de goleada. Tudo começa quando a jovem Tara (Catherine Lidstone) toma um chute no traseiro do namorado Derek (Sam Krumrine). Ela entra em depressão e procura o ombro da sua melhor amiga Amy (Angela Gulner) para chorar suas mágoas. Aqui já desponta o primeiro aspecto inverossímil, pois Tara é uma garçonete de lanchonete e Amy é uma dondoca muito rica e vulgar. Como forma de ajudar a amiga a esquecer o fora do namorado, Amy convida Tara para passar um final de semana em sua casa de campo, na verdade um casarão. Até esse momento, que acredito ser a metade do filme, nada acontece de verdade, a não ser um blá blá blá entediante entre as duas amigas, em diálogos de uma profundidade milimétrica. Se você chegou até aqui e não dormiu, você terá a oportunidade de ver a chegada de um bonitão misterioso que se apresenta às duas como Lucas (Peter Porte). Até o cego do violino enxerga que o sujeito não é nada confiável. Mas as duas amigas, carentes de homem, se encantam e até o convidam para se aconchegar, uma atitude que se arrependerão amargamente. Nesse meio tempo aparece no pedaço o tal do Derek querendo reconciliação com Tara. Entre as inúmeras falhas do filme, aponto duas que achei ridículas. Na primeira, Tara volta ao píer, a uns 50 metros da casa, para pegar uma lente de sua máquina fotográfica. É dia claro, mas quando ela chega ao píer já é noite. Falha grotesca. Outra: em um passeio pelo lago, Tara encontra um cadáver boiando. Ela sai gritando, mas quando chega em casa não fala nada para Amy nem chama a polícia. Afinal, quem era o morto? O filme não explica. E o blá blá blá continua firme. Os atores são péssimos, não passariam nos testes nem para a global “Malhação”, embora Catherine Lidstone seja uma morena bem bonita. Para coroar essa verdadeira blasfêmia cinematográfica, as legendas não estão em sincronia com o áudio. Enfim, “Águas Negras” é um suspense tão medíocre capaz de fazer o grande Alfred Hitchcock se revirar no túmulo. Fuja a galope desse abacaxi!         

sábado, 26 de fevereiro de 2022

 

“TEMPOS DE ESCURIDÃO” (“DE FORBANDEDE ÅR”), 2020, Dinamarca, disponível na plataforma Amazon Prime Video (dublado), 2h32m, direção de Anders Refn, que também assina o roteiro com a colaboração de Flemming Quist Møller. Não gosto de filmes dublados, sem o som original. Mesmo assim, resolvi assistir por se tratar de mais um episódio ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial - fatos históricos sempre foram do meu interesse. A dublagem, porém, é muito boa. Estamos em abril de 1940, quando os alemães iniciam a ocupação da Dinamarca. Assim como aconteceu na Noruega, dias antes, os dinamarqueses não opuseram resistência às tropas nazistas. Pelo contrário, até acharam que poderiam lucrar com a invasão. Este também era o pensamento dos empresários locais, prevendo a oportunidade de exportar seus produtos para o mercado alemão. O filme é centrado na família Skov, da capital Copenhague. Karl Skov (Jedsper Christensen), o patriarca, é um rico industrial que comanda uma fábrica de equipamentos. Além de enfrentar problemas econômicos relacionados à sua indústria, Skov, ao lado da esposa Eva (Bodial Jørgensen), era obrigado a administrar a rebeldia dos quatro filhos, nenhum deles disposto a ajudá-lo na empresa. Um era comunista, o outro nazista, um tocava pistão numa banda de jazz (rítmo considerado demoníaco na época) e finalmente Helene (Sara Viktoria Bjerregaard), que, a contragosto de todos, casou com um capitão da marinha alemã. Enquanto isso, mesmo com os protestos da esposa, Karl Skov negociava com os alemães, única forma que encontrou de salvar sua tradicional empresa. Mesmo que o pano de fundo seja a guerra, o filme não mostra batalhas, explosões, tanques etc. Isso tudo ficou em segundo plano, pois o objetivo da história é acompanhar a rotina tumultuada da família Skov. Além do ótimo elenco, o filme acerta na recriação de época, nos caprichados figurinos e nos cenários da antiga Copenhague. Vale uma conferida.         

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

 

“LAS MEJORES FAMILIAS”, 2020, coprodução Peru/Colômbia, 1h39m, disponível na plataforma Amazon Prime, terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Javier Fuentes-León. Trata-se de uma divertida comédia que poderia ter o título de “Acontece nas Melhores Famílias”. Ou seja, roupa suja lavada, revelações surpreendentes e muita confusão. O filme começa acompanhando as irmãs Luzmila (Tatiana Astengo) e Peta (Gabriela Velásquez), que vivem em um bairro pobre na periferia de Lima, em sua rotina diária de pegar dois ônibus até chegar ao local do trabalho de ambas, ou seja, duas mansões vizinhas localizadas em San Isidro, o bairro dos ricos. Cada uma trabalha em uma mansão. Suas patroas são Carmen (Gracia Olayo) e Alícia (Grapa Paoloa), duas viúvas e amigas de longa data. A amizade entre Carmen e Alícia é tão grande que há muitos anos as casas são interligadas. Os filhos cresceram juntos, também se tornaram amigos e agora todos estão na faixa entre 40 e 50 anos. Até que um dia, como fazem há muitos anos, todos se juntam para comemorar o aniversário de Carmen, assim como festejar a visita de um de seus filhos, Andres (Cesar Ritter), que viria da Espanha acompanhado da noiva espanhola (Jely Reategui). O almoço, porém, só chegaria à etapa dos aperitivos, pois uma revelação surpreendente e bombástica é jogada no ventilador. Confusão formada, o nível do estresse aumenta tanto que outras revelações são feitas, estragando de vez o que seria um encontro familiar agradável. As situações são hilariantes, incluindo uma avó viciada em maconha, além de alguns respeitáveis cinquentões saindo literalmente do armário. Além de homofobia, o filme aborda outros temas importantes da nossa sociedade atual, como a divisão de classes, aspecto que vários críticos levaram em conta para compará-lo ao sul-coreano “Parasita”. Em uma das inúmeras entrevistas que concedeu durante o lançamento do filme, o diretor Fuentes-León afirmou: “A comédia é um gênero que também pode falar de coisas muito sérias e nos permite colocar um espelho no qual a sociedade pode se olhar.” Para explicar a ideia do filme, ele disse: “É o mundo em que cresci, um mundo talvez esticado e exagerado para a sátira, para a comédia”. O filme foi exibido em vários festivais pelo mundo afora, incluindo a 15ª Festa Del Cinema Di Roma, o 25º Busan Film Festival (Coreia do Sul) e o Monte-Carlo Internacional, além do Los Angeles Outfest, do Lima Film Festival, Miami Film Festival e o festival de Málaga, sempre com críticas favoráveis tanto da crítica como do público. Realmente, “Las Mejores Familias” é uma comédia com pano de fundo social muito interessante e divertida.     

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

 

“SEIS MINUTOS PARA A MEIA-NOITE” (“SIX MINUTES TO MIDNIGHT”), 2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h39m, direção de Andy Goddard, que também assina o roteiro, com a colaboração de Celyn  Jones e Eddie Izzard. A história até que é muito interessante, baseada em fatos reais. Estamos no verão de 1939 e o mundo está mobilizado com a perspectiva do início de uma guerra, pois existe o perigo iminente da Alemanha invadir a Polônia, o que provocaria uma declaração de guerra por parte da Inglaterra. Em uma pequena cidade costeira ao sul da Inglaterra havia um internato para moças chamado Augusta-Victoria College. A escola realmente existiu, funcionando de 1932 a 1939. Era uma instituição anglo-alemã, especializada no ensino da língua inglesa e suas alunas internas eram, em sua maioria, filhas de altas autoridades do governo alemão e de oficiais nazistas. É neste cenário que surge o professor de inglês e literatura Thomas Miller (Eddie Izzard, também roteirista) em substituição ao antigo professor que desapareceu misteriosamente. Logo depois, em um dos passeios pela praia, as moças descobrem o corpo desse professor e, partir daí, tudo se transforma. Na verdade, o que acontece é uma conspiração que colocará em campos opostos espiões ingleses e alemães. O suspense rola solto até o final. O filme, porém, deixa muito a desejar. O roteiro é repleto de pontas soltas. Você espera que antes dos créditos finais sejam explicados os destinos dos personagens, principalmente no que se refere às alunas do colégio, que seriam embarcadas de volta à Alemanha antes do início da Segunda Grande Guerra. Outros personagens importantes na história também ficam à deriva. Fora que a escalação do elenco comprometeu, e muito, o resultado final, mesmo com a presença da grande Judi Dench, que atua no piloto automático como a diretora da instituição. Ainda estão no elenco a atriz suíça Carla Juri, Jim Broadbent, James D’Arcy, Celyn Jones, Nigel Lindsay, Kevin Eldon, Maria Dragus e Tijan Marei. O que me causou grande surpresa e decepção foi descobrir que o ator Eddie Izzard, que interpreta o professor, é, na verdade, uma atriz transgênero. Se o filme já é bem fraco, fica difícil de engolir esse fato estranho e inusitado. Vale uma conferida apenas pela história interessante, pois o filme é, sem dúvida, um verdadeiro abacaxi.            

 

domingo, 20 de fevereiro de 2022

 

“O CHARLATÃO” (“SARLATÁN”), 2020, disponível na plataforma Amazon Prime Video, coprodução República Tcheca/Irlanda/Polônia, 1h58m, direção da veterana cineasta polonesa Agnieszka Holland (“Filhos da Guerra”, “Na Escuridão”), seguindo roteiro escrito por Marek Epstein. Trata-se da cinebiografia do herbalista tcheco Jan Mikolásek (1889-1973), famoso por ter curado milhões de pessoas através da utilização de plantas e ervas medicinais. Além de gente pobre, ele tratou de celebridades do mundo artístico e figuras importantes do governo da então Tchecoslováquia, o que incluiu o próprio presidente Antonin Zápatocky, que esteve no comando da nação entre 1953 e 1957. A fama de Jan incomodou tanto os nazistas que ocuparam o país durante a Segunda Grande Guerra como depois os comunistas russos. Ele provou que não era charlatão e tinha orgulho de ser chamado de curandeiro. Ainda jovem, Jan aprendeu a diagnosticar os pacientes com uma velha curandeira, que o ensinou a constatar qualquer tipo de doença apenas olhando a urina coletada em frascos de vidro. Além disso, aprendeu também a receitar chás de ervas e plantas. O filme dá destaque também ao relacionamento homossexual do curandeiro com seu assistente, Frantisek Palko, que era casado. O elenco é ótimo: Ivan Trojan como Jan, Josef Trojan como o jovem Jan (Josef é filho do ator Ivan na vida real), Juaraj Loj como Palko e Jaroslavá Pokorná como Mülbacherová, a curandeira que ensinou Jan. Assim como o excelente elenco, tudo funciona muito bem no filme: roteiro, cenografia, fotografia, reconstituição de época e figurinos. “O Charlatão” estreou no Festival de Berlim 2020 e foi exibido por aqui durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Também foi o representante oficial da República Tcheca na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. Enfim, trata-se de um belíssimo filme biográfico que merece ser visto. Não perca!            

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

“TRAÍDOS PELA GUERRA” (“DEN STØRST FORBRYTELSEN”), 2020, Noruega, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h06m, direção de Eirik Svensson, seguindo roteiro assinado por Lars Gudmestad e Harald Rosenløw-Eeg. Baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial, o filme conta a história trágica da família Braude, constituída de judeus originários da Lituânia e que se fixaram na capital norueguesa Oslo nas primeiras décadas do século passado. A trajetória dessa família foi retratada no livro “Den Størst Forbrytelsen”, escrito pela jornalista norueguesa Marte Brekke Michelet e lançado em 2014. No livro, que serviu como base ao roteiro do filme, Marte detalha também o que foi o holocausto na Noruega. No total, os nazistas invasores deportaram 773 judeus para campos de concentração, sendo que apenas 38 sobreviveram. Antes da invasão dos alemães, em 1942, os judeus noruegueses acreditaram estarem seguros, conforme garantias do governo do país. Mas o que se viu foi o colaboracionismo das autoridades do governo norueguês, que até formaram uma polícia especial de estado para colaborar com os nazistas na captura dos judeus – em 2012, o governo da Noruega anunciou um pedido oficial de desculpas. O roteiro é todo centrado na família Braude, pai, mãe e quatro filhos. Somente a filha conseguiu escapar, refugiando-se na Suécia. Nos principais papéis estão os atores Jakob Oftebro, Carl Martin Eggesbø, Pia Halvorsen e Michalis Koutsogiannakis. Fora a conjuntura histórica, que sem dúvida é o conteúdo principal, “Traídos pela Guerra” retrata de forma bastante realista o sofrimento dos noruegueses sob o jugo dos nazistas. Trata-se, portanto, de um filme muito triste e, ao mesmo tempo, impactante, mas muito bem realizado. Recomendo.         

 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

 

“UMA NOITE EM MIAMI” (“ONE NIGHT IN MIAMI”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma American Prime Video, 1h54m, filme de estreia na direção da atriz Regina King. E que estreia! Antes, porém, de iniciar meu comentário, aviso que o filme não é recomendado para o grande público, mas sim para o público grande, ou seja, o público adulto. Na verdade, o filme é uma adaptação da peça teatral homônima, escrita em 2013 pelo dramaturgo Kemp Powers, também autor do roteiro. Em sua peça, Powers teve a ideia de criar um encontro fictício em fevereiro de 1964 em um hotel de Miami, reunindo quatro dos principais ícones negros da época: o lutador de boxe Cassius Clay, o ativista Malcom X, o cantor e compositor Sam Cooke e o astro do futebol americano Jim Brown. As quatro celebridades se reuniram depois de assistirem Clay ganhar o título de campeão dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston. É um filme de diálogos, aliás muito bem escritos, relevantes e atuais, colocando em discussão temas como o racismo, os direitos civis dos negros e ainda a conversão de Malcom X e Cassius Clay para a Nação do Islã. Naquele mesmo ano, Cassius Clay mudaria seu nome para Muhammad Ali. Para interpretar os personagens principais, Regina King convocou Eli Goree (Cassius Clay), Kingsley Ben-Adir (Malcolm X), Aldis Hodge (Jim Brown) e Leslie Odom Jr. (Sam Cooke), todos ótimos e muito bem caracterizados. Também estão no elenco Lance Reddick, Michael Imperioli, Law Rence Gilliard Jr., Derek Roberts, Beau Bridges, Matt Fowker, Jeremy Pope e Christopher Gorgham. O surpreendente filme de Regina King estreou no Festival de Cinema de Veneza em setembro de 2020, foi exibido em inúmeros outros festivais – sempre com muitos elogios da crítica -, e culminou com três indicações ao Oscar 2021: Melhor Ator Coadjuvante (Leslie Odom Jr.), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (“Speak Now”). Não levou nenhuma estatueta. Acho que foi injusto também não ter sido indicado a Melhor Filme. Trocando em miúdos, “Uma Noite em Miami” parte de uma ideia genial, transforma-se em uma peça teatral e, finalmente, em um grande filme. Aliás, um FILMAÇO!, assim mesmo, com letras maiúsculas.