quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Confesso
que nunca tinha ouvido falar do drama russo “COMO
TERMINEI ESTE VERÃO” (“Kak
Ya Provel Etim Letom”). O filme caiu na minha mão e resolvi assistir. Procurei referências e descobri que foi lançado
em 2010 durante o Festival de Berlim, sendo muito elogiado pelos críticos, pelo
público e pelo júri, que conferiu ao filme escrito e dirigido por Alexei
Popogrebsky o Urso de Prata. Além disso, também foi premiado em festivais de
cinema realizados em Londres, Dublin e Chicago. Realmente, o filme é muito bom,
foge do lugar-comum reinante e tem uma
fotografia (Pavel Kostomarov) maravilhosa. A história é toda ambientada numa
estação metereológica russa instalada numa ilha isolada no Oceano Ártico. Lá
trabalham o experiente Pavel (Grigroriy Dobrygin) e o jovem estagiário Sergei
(Sergey Puskepalis) – os dois atores são excelentes. A função dos dois na
estação é fazer leituras diárias da radioatividade do terreno e transmitir o
resultado das medições pelo rádio para o escritório central. Embora seja verão,
o frio é de lascar e a sensação de isolamento angustiante. Um dia, enquanto
Pavel sai para pescar trutas, Sergei recebe uma mensagem que decide omitir do companheiro, atitude que acaba
gerando ótimas situações de suspense e um pouco de humor. Uma reviravolta
acontece perto do desfecho, o que trará consequências nada positivas para o
relacionamento de Sergei e Pavel. Apesar do tédio que exala da tela, do ritmo
lento e apenas dois protagonistas, além de poucos diálogos, o filme é muito
interessante e merece ser conferido.
domingo, 18 de dezembro de 2016
“O VERÃO DE SANGAILE” (“Sangailè”),
Lituânia, 2015, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Alanté Kavaïté –
o primeiro foi “Écoute Le Temps”. A história é centrada na jovem Sangaïle
(Julija Steponaitite), de 17 anos, introspectiva e tímida, enfim, apática, que
tem uma fascinação obsessiva por aviões de acrobacia. Num desses shows
acrobáticos, durante o verão, Sangaïle conhece Auste (Aiste Dirziute), uma
jovem de sua idade que se diferencia porque é extrovertida, alegre e falante.
Auste consegue resgatar Sangaïle de sua apatia, convidando-a para sair com sua
turma. A amizade entre as duas acaba virando uma paixão desenfreada, com
direito a inúmeras cenas eróticas, exploradas com bastante sensibilidade pela
diretora Alanté. Apesar do romance, Sangaïle continua a enfrentar seus demônios
internos. Para tentar descrevê-los, a diretora exagera numa sequência de
situações absurdas e fantasiosas difíceis de entender, como aquela em que
Sangaïle se joga no mar e, aparentemente, tenta se afogar. Acho que a diretora
tentou realizar um filme de fundo psicológico, mas conseguiu apenas confundir o
espectador. De qualquer forma, o filme foi selecionado para representar a Lituânia
na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Aqui, foi exibido durante
a 40ª Mostra Internacional de Cinema, em outubro/novembro de 2016.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
A indústria do cinema no Vietnã nunca foi de produzir muitos filmes, mas de vez em quando nos presenteia com uma pérola, como foi o caso de “O Cheiro do Papaia Verde”,
de 1993, um drama sensível e comovente que foi premiado em Cannes, além de ter
sido o primeiro filme do Vietnã a concorrer ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. Outra pérola é o recente "FLORES AMARELAS NA GRAMA VERDE” (“Tôi
Thây Hoa Vàng Trên Có Xanh”), também candidato
oficial daquele país para disputar o Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. A
história, baseada no romance escrito por Nguyen Nhat Anh e que virou best-seller, é ambientada na década
de 80 num vilarejo da zona rural do Vietnã. Num cenário de extrema pobreza, mas
rodeado por uma Natureza deslumbrante, vivem os irmãos Tuong (Khang Trong) e Thieu
(Thinh Vinh). Eles levam uma vida normal comum aos garotos de sua idade (8 e 12
anos), vão à escola, caçam insetos para o sapo de estimação, enfrentam um vilão
infantil, adoram ouvir histórias assustadoras. O foco principal do filme, porém, é o processo de amadurecimento dos irmãos, a primeira paixão, os dramas vividos por algumas
famílias do vilarejo e o despertar para uma realidade que não faz parte da
inocência do mundo infantil, a pobreza em primeiro plano. O filme é dirigido com muita sensibilidade por
Victor Vu, que também assina o roteiro. A belíssima fotografia é mais um trunfo
desta elogiada produção vietnamita. Para quem curte cinema de arte, uma ótima
pedida.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
A comédia
“WILD OATS” (ainda
sem tradução por aqui, mas algo como “Aveia Selvagem” – título esquisito, não?),
2016, direção de Andy Tennant, reúne três das mais consagradas e competentes
atrizes de Hollywood: Shirley MacLaine, Jessica Lange e Demi Moore. A história
é centrada em Eva (MacLaine), que acaba de ficar viúva e aguarda receber um seguro
de vida de 50 mil dólares. Ao receber o cheque, tal qual não é sua surpresa:
por um erro de digitação ou falha do computador, o valor veio com a astronômica
quantia de 50 milhões de dólares. Ela não tem dúvida: convoca sua melhor amiga
Maddie (Lange), uma fogosa sessentona recém-separada, para uma viagem à
paradisíaca Las Palmas, nas Ilhas Canárias. A ordem é gastar todo o dinheiro em
diversão. É claro que a gastança chamará a atenção de alguns vigaristas que
tentarão roubar o dinheiro da viúva. Mas o problema não é só esse: ao verificar
o erro no preenchimento do cheque, a companhia seguradora convoca um
especialista para tentar recuperar o dinheiro e o envia a Las Palmas em
companhia da filha de Eva, Crystal (Demi Moore). A confusão, portanto, está
formada. Os raros momentos de bom humor ficam por conta de Jessica Lange, ainda
em grande forma para os seus 67 anos. Demi Moore, como Crystal, a filha da
viúva, aparece pouco e sem nenhum brilho. MacLaine sempre foi ótima em
comédias, mas nesta ficou devendo uma atuação digna de sua competência. Também
está no elenco a brasileira Rebecca da Costa, que faz carreira nos EUA como
atriz e modelo – ela já atuou até com Robert De Niro em “Profissão de Risco”, filme
de 2014. Mais uma bola fora do diretor Tennant, que já havia dirigido, entre
outros, as comédias românticas “Caçador de Recompensa” e “Hitch – Conselheiro Amoroso”,
que também não merecem recomendação.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
O drama chinês
“VOLTANDO PARA CASA” (“Gui Lai”) estreou
no 67º Festival de Cannes, em maio de 2014, na sessão Fora de Competição,
ganhando elogios da crítica e do público. Além da história de um amor
comovente, o filme apresenta como trunfos adicionais a direção do mestre Zhang
Yimou e a atuação soberba da atriz Gong Li. Ambientada durante os anos da
Revolução Cultural de Mao-Tsé-Tung, a história é centrada em Feng Wanyu (Gong
Li), cujo marido Lu Yanshi (Chen Daoming) está preso há anos num campo de
trabalhos forçados. Com o fim da Revolução Cultural, Lu volta para casa, mas
Feng não o reconhece. Ela sofreu uma espécie de bloqueio psicológico
em virtude de uma queda. O filme segue até o seu final mostrando o empenho do
marido e da filha Dandan (Zhang Huiwen) em fazer com que Feng o reconheça
novamente. A dedicação de Lu a essa empreitada, que dura muitos anos, é uma
verdadeira prova de amor, originando os momentos mais comoventes deste sensível
filme chinês. Hoje aos 50 anos, Gong Li, que vi pela primeira vez no clássico “Lanternas
Vermelhas”, de 1991, do mesmo Zhang Yimou, já não é tão bela como antigamente –
ela chegou a ser eleita uma das 50 pessoas mais bonitas do planeta pela revista
People Magazine -, mas continua uma atriz espetacular. Aproveito para
recomendar outros filmes dirigidos por Zhang Yimou: “Tempo de Viver”, “O
Caminho para Casa”, “Flores do Oriente” e “Nenhum a Menos”. E ainda, claro, “Lanternas
Vermelhas”.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
“UM AMOR À ALTURA” (“Un Homme à La Hauteur”), França, 2016,
roteiro e direção de Laurent Tirard. Trata-se de uma refilmagem da comédia
argentina “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho”, de 2013, que conta a
história de uma mulher bonita, recém-separada, que esquece o celular dentro de
um restaurante e logo recebe o telefonema de um homem que achou e guardou o
aparelho e quer marcar um encontro para devolvê-lo. Durante as conversas por
telefone, o homem mostra-se um verdadeiro galanteador, o que faz com que a moça
concorde num jantar como primeiro encontro, mas uma grande surpresa está
reservada: o homem tem apenas 1,36 de altura. Apesar do tamanho, ele é muito seguro
de si, charmoso e realizado profissionalmente – é um renomado arquiteto. Com a
convivência, os dois acabam se apaixonando. A versão francesa é quase uma cópia
da original argentina, explorando as mesmas situações e repetindo até mesmo a
maioria dos diálogos, além dos efeitos especiais para “diminuir” os atores que
interpretam o baixinho, no caso francês o ator Jean Dujardin (“O Artista”). A
versão francesa é tão boa quanto a argentina. Além disso, têm em comum a beleza
e o charme das protagonistas, as atrizes Julieta Diaz e a belga Virginie Efira.
Como mais um trunfo, o filme francês é dirigido por um craque em comédias. Tirard
tem em seu currículo ótimos filmes como “O Pequeno Nicolau”, “As Férias do
Pequeno Nicolau” e “Astérix e Obélix: A Serviço de Sua Majestade”. Achei a
versão francesa melhor, mais charmosa, mais engraçada. Qualquer uma das versões proporciona um ótimo entretenimento.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
“INVASÃO DE PRIVACIDADE” (“I.T.”), 2016,
EUA, roteiro e direção de John Moore. Suspense dos melhores. O empresário Mike
Ryan (Pierce Brosnan) decide abrir o capital de sua empresa de aviação e
convida potenciais investidores para apresentar um novo projeto. Durante a
exibição de um vídeo, porém, o sistema entra em pane e a apresentação corre o
risco de se transformar num grande fiasco. A turma de informática da empresa é
chamada em caráter de emergência para resolver o problema. E quem acaba
resolvendo é justamente um estagiário do setor, Ed Porter (James Frecheville). Ele
cai nas graças de Mike e acaba sendo contratado, inclusive para instalar
câmeras e outros apetrechos tecnológicos na mansão do empresário. Além disso,
Mike convida Ed para jantar e o apresenta à sua esposa Rose (Anna Friel) e à
sua filha única Kaitlyn (Stefanie Scott). Ed começa a se achar o dono do
pedaço, aparecendo sem avisar e assediando Kaitlyn. Mike acaba ficando furioso
com a situação, demite Ed da empresa e o proíbe de chegar perto de sua família.
Ed decide se vingar. Com seu conhecimento de informática, promove uma
verdadeira invasão de privacidade na vida do empresário, incluindo sabotar os
computadores de sua firma e até filmar e divulgar pela Internet um vídeo com
sua filha tomando banho. Mike até contrata um especialista (Michael Nyqvist,
irreconhecível) para destruir o sistema instalado em sua casa por Ed. A partir
daí, o filme vira um jogo de gato e rato, Mike contra Ed. A crítica
especializada detonou o filme e também o trabalho dos atores principais,
Brosnan e Frecheville. Não achei tão ruim. O filme tem todos os ingredientes de
um bom suspense: muita tensão, violência física e psicológica, reviravoltas e
bastante ação. É bom lembrar que o diretor irlandês John Moore tem no currículo
bons filmes de ação como “Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer” e “Max Payne”.
Acho que vale a pena conferir esta sua nova produção.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Mesmo
ambientado num único cenário, “O HOMEM
NAS TREVAS” (“Don’t Breathe”), EUA, 2016, é um suspense aterrorizante que
não perde o pique do início até o final. O clima de tensão começa quando três
jovens delinquentes, Alex (Dyllan Minnette), Rocky (Jane Levy) e Money (Daniel
Zovatto) resolvem invadir um casarão num bairro abandonado de Detroit. O trio
está acostumado a cometer esse tipo de crime: eles invadem casas, roubam tudo e
causam enorme destruição. No casarão de Detroit, a ação parece muito fácil,
pois o proprietário (Stephen Lang, que viveu o coronel Miles Awaritch, o vilão
de “Avatar”) é cego. Não contavam, porém, que se trata de um ex-militar do exército
altamente treinado e que tem, como guia e protetor, um enorme e feroz cão
Rottweiler, empecilhos que dificultarão, e muito, a empreitada dos invasores.
Se a entrada na casa foi relativamente fácil, sair será quase impossível.
Principalmente vivo. O diretor uruguaio Fede Alvarez sabe como utilizar a
câmera de modo a colocar o espectador dentro do cenário da ação. Alvarez foi
descoberto por Hollywood depois de ter realizado, em 2009, o curta “Ataque de
Pânico”, que mostra robôs invadindo Montevidéu. Em 2013, já nos EUA, escreveu e
dirigiu “A Morte do Demônio”, muito elogiado pela crítica. “O Homem nas Trevas”, cujo roteiro também foi escrito por Alvarez, é um baita suspense, um ótimo entretenimento para quem gosta de sofrer junto
com os personagens.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O veterano
diretor chinês Wayne Wang tem no currículo ótimos filmes, entre os quais
recomendo “Mil Anos de Orações”, “Flor da Neve e o Leque Secreto” e,
principalmente, “O Clube da Felicidade e da Sorte”. Mesmo um craque como Wang
pode, eventualmente, pisar na bola. Foi o que aconteceu quando dirigiu “ENQUANTO ELAS DORMEM” (“Onna Ga Nemuru Toki”), 2015,
Japão, cuja estreia (fora de
competição) aconteceu durante o 66º Festival de Berlim, em fevereiro de 2016. O
roteiro, escrito por Mami Sunada, Shinho Lee e Michael Ray, foi adaptado de um
dos mais conhecidos contos do escritor espanhol Javier Marías. No cinema, porém,
virou um verdadeiro conto do vigário. Indecifrável e lento. Enfim, difícil de
digerir. O filme explora temas como o voyeurismo e o desejo sexual, realidade
misturando-se com fantasia, tudo muito hermético para o espectador comum. Kenji
Shimizu (Hidetoschi Nishijima) é um escritor em crise criativa e existencial.
Ao hospedar-se com a esposa Aya (Sayuri Oyamada) num resort à beira-mar, Kenji
conhece o sr. Sahara (Takeshi Kitano), que está hospedado com a jovem Miki
(Shiori Kutsuna). A relação do idoso, de 72 anos, com a jovem de 20 anos, é um mistério.
Desde que Miki tinha 14 anos, por exemplo, Sahara sempre teve por hábito fotografá-la
dormindo – daí o título do filme. Quando Kenji vê as fotografias, fica totalmente
obcecado, passando a querer desvendar e entender o que está acontecendo. Eu
mudaria o título para “Enquanto a plateia dorme”...
“UM HOMEM CHAMADO OVE” (“En Man Som Heter Ove”), 2015,
Suécia, direção de Hannes Holm. Um drama com toques de humor, sensível e, de
certa forma, comovente. O roteiro foi inspirado no livro escrito por Fredrik
Backman. A história toda é centrada no sessentão Ove (Rolf Lassgard), um viúvo
solitário, rabugento e, acima de tudo, mal-humorado. Ele vive num condomínio fechado, do qual é o
síndico, catando bitucas de cigarro e discutindo com donos de cães e gatos. Sua
vida metódica ainda inclui visitas diárias ao túmulo da esposa. Sua depressão
chega ao limite quando é demitido pela fábrica onde trabalhava há mais de quarenta
anos, a ponto de tentar se matar várias vezes – tentativas frustradas por
alguém tocando a campainha ou por algum vizinho que insiste em fazer barulho. Por
mais impossível que possa parecer, será a chegada de uma família de imigrantes
iranianos que provocará uma enorme mudança no comportamento de Oven, provando
que mesmo as diferenças culturais não são obstáculos para o cultivo de uma bela
amizade. Como um motivo a mais para ser assistido, o filme foi indicado para
representar a Suécia na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
“CONEXÃO ESCOBAR” (“The Infiltrator”), 2016,
EUA, direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”). Durante cinco anos, na década
de 80, o agente federal norte-americano Robert Mazur trabalhou infiltrado no
cartel do traficante colombiano Pablo Escobar. Ele era o responsável pela
lavagem do dinheiro obtido com a venda de drogas nos EUA. Mazur contou toda a
história no livro “The Infiltrator”, agora adaptado para o cinema por
intermédio do roteiro escrito por Ellen Brown Furman. Mazur, aqui interpretado
pelo ator Bryan Cranston (indicado ao Oscar/2016 de Melhor Ator por “Trumbo”,
que perdeu injustamente para Leonardo DiCaprio), infiltrou-se no cartel com o
pseudônimo de Robert Musella, trabalhando com a ajuda dos agentes Emir Abreu
(John Leguizamo) e Kathy Ertz (Diane Kruger). Esse trabalho levou à prisão não
apenas vários chefões do tráfico, como também executivos do Bank of Credit and
Commerce International, instituição que lavava o dinheiro para o cartel. Mazur trabalha no limite do estresse, a cada momento vivendo o perigo de ver sua
verdadeira identidade de policial sendo revelada para os traficantes. Esses momentos de tensão são explorados com bastante competência pelo diretor
Furman.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
“CAVALOS DOMADOS” (“Broken Horses”), 2015,
EUA, é o primeiro filme em inglês escrito e dirigido pelo indiano Vidhu Vinod
Chopra. Ambientada numa cidade próxima da fronteira com o México, a história
começa com o assassinato do policial Gabriel Heckum (Thomas Jane). Seus dois filhos
adolescentes crescem e se separam mais tarde, seguindo rumos totalmente
diferentes. Buddy (Chris Marquette), o mais velho, faz parte da quadrilha do poderoso
e sanguinário Julius Hench (Vincent D’Onofrio), chefão envolvido com o tráfico
de drogas. Jake (Anton Yelchin, ator falecido em junho de 2016), o irmãos mais
novo, mora em Nova Iorque e segue promissora carreira como violinista clássico.
Ao retornar à cidade natal, depois de 8 anos, para anunciar seu casamento com
Vittoria (a atriz espanhola María Valverde) e convidar Buddy para padrinho,
Jake fica surpreso com a riqueza ostentada pelo irmão. Ao tentar descobrir como
Buddy ganhou tanto dinheiro, Jake acaba envolvido numa série de acontecimentos
que o farão se arrepender de ter feito a viagem. O drama até que vale para uma
sessão da tarde, mas está longe de ser um filme que mereça uma indicação
entusiasmada.
Depois de
escrever e dirigir o elogiado “Drive”, de 2011, o diretor dinamarquês Nicolas
Winding Refn achou que poderia ousar ainda mais. Escreveu e dirigiu também “DEMÔNIO DE NEON” (“The Neon Demon”), EUA,
2015, cuja estreia aconteceu no Festival de Cannes 2016, causando grande
polêmica – recebeu vaias da plateia. E polêmica é mesmo com Nicolas: durante suas
aparições públicas no festival francês, ele apareceu vestido com paletó, camisa
social, bermuda e chinelo de dedo. Ou seja, queria chocar e aparecer. Em “Demônio
de Neon”, ele conta a história de Jesse (Elle Fanning), uma jovem que chega a
Los Angeles para tentar a carreira de modelo profissional. Ela é contratada por
uma grande agência e logo vira a queridinha de fotógrafos e estilistas. Seu
sucesso gera ciúmes nas modelos mais antigas, como Sarah (Abbey Lee) e Gigi (Bella
Heathcote). O filme adota o suspense como gênero, utilizando muitas cenas
mórbidas e chocantes, incluindo canibalismo, necrofilia e outras aberrações. O
filme tem o ritmo lento, diálogos arrastados, muitos sem nexo, e um visual cuja
fotografia destaca as cenas como se iluminadas por lâmpadas de neon de diversas cores. O diretor também
utiliza bastante o recurso da câmera em slow
motion, o que torna o filme ainda mais enfadonho. Para coroar essa
verdadeira bobagem cinematográfica, ainda tem uma ponta do hoje canastrão Keanu
Reeves como proprietário de um motel sinistro.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
“O MASSACRE EM GUERNICA” (“GERNIKA”), Espanha,
2015, direção de Koldo Serra. O pano de fundo é a Guerra Civil Espanhola
(1936-1939). A história é toda ambientada em 1937 durante os dias que
antecederam o ataque da aviação alemã à cidade de Guernica, talvez o episódio
mais marcante e dramático do conflito. A ação acontece em Bilbao, onde um grupo
de jornalistas estrangeiros faz a cobertura da guerra. Eles frequentam e
transmitem as notícias de uma central de comunicação do governo municipal comandada
pelo dirigente russo comunista Vasyl (Jack Davenport), cujo trabalho é censurar
o material enviado pelos jornalistas, um dos quais é o norte-americano Henry
(James D’Arcy), do The New York Times. Seu personagem foi inspirado no
jornalista inglês George Steer, que denunciou o ataque dos alemães em matérias
publicadas no The Times, no The New York Times e no jornal francês L’Humanité. O
relato do jornalista sensibilizou Pablo Picasso, que logo depois pintaria um
painel que ficaria famoso no mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que destaca o
trabalho dos jornalistas, o filme também mostra os bastidores do planejamento
alemão para o ataque aéreo. Dá a entender, por exemplo, que o ataque não passou
apenas de um treinamento prático para os pilotos alemães. Sob o ponto de vista
histórico, o filme é bastante elucidativo, com informações muito interessantes
sobre o conflito que matou milhares de pessoas. Achei forçado demais o romance –
se é que existiu – entre o jornalista Henry e Teresa (Maria Valverde), principal
assistente de Vasyl no centro de comunicações. Só para esclarecer: o título
original foi escrito em dialeto basco – o diretor Koldo Serra é basco.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Uma
cabeça apenas não pensaria numa história tão fantasiosa. Foram precisos duas:
Daniel Kwan e Daniel Scheinert. Mais conhecidos como diretores de curtas e vídeos
musicais, os “Daniels” tiveram a ousadia de escrever e dirigir “SWISS ARMY MAN” (“Homem Canivete”, em tradução
literal, ou “Homem do Exército Suíço”; vamos aguardar a tradução quando o filme
chegar por aqui – se chegar), EUA, 2016. A história começa mostrando um homem
(Paul Dano, de “Os Suspeitos”) tentando se enforcar no que parece uma ilha. Num
primeiro momento, você é levado a acreditar que o sujeito é um náufrago. Prestes
a realizar o ato final, ele percebe que há um cadáver (Daniel Radcliffe, de “Harry
Potter”) recém-chegado à praia. Acredite se quiser: esse cadáver – na verdade,
um morto-vivo – sofre de uma incomum e barulhenta flatulência. Ele será o novo
amigo do náufrago. O cadáver é capaz de se transformar numa espécie de jet ski e sair para passear com o
náufrago a bordo. A maluquice não termina por aqui. O morto-vivo ainda tem
ereções e utiliza o pênis como bússula. Ah, eles ainda conversam sobre temas como a masturbação e o significado da vida. Quer mais? Assista, nem que seja por
curiosidade. Enfim, um filme sem pé nem cabeça, tronco e membros. Quando
estreou no Festival de Sundance (EUA), parte da plateia saiu no meio da
projeção. É preciso dizer mais?
sábado, 19 de novembro de 2016
“PROMESSA QUEBRADA” (“BROKEN VOWS”), 2015, EUA,
direção de Bram Coppens e roteiro da dupla Sean Keller e Jim Agnew. Trata-se
de um filme independente, cuja história
é a mesma de sempre, clichê dos clichês dos filmes de suspense. Mulher bonita,
Tara (Jaimie Alexander), vai a uma balada com as amigas, se encanta com o bartender e, depois de umas e outras,
acaba na cama com ele. Não dá para entender como ela não percebeu que o sujeito
tem um olhar maligno, daqueles que denunciam um psicopata. Pois Patrick (Wes
Bentley) é justamente um maluco perigoso, com uma ficha extensa na polícia por
crimes de assédio e violência. Rejeitado no dia seguinte por Tara, ele passa a persegui-la, utilizando chantagem e
muita pressão psicológica. O pior de tudo é que Tara está prestes a se casar
com Michael (Cam Gigandet). A perseguição levada a efeito por Patrick vai até a
lua-de-mel de Tara e Michael, durante a qual acontece o desfecho um tanto
forçado. O roteiro tem alguns furos que prejudicam o enredo. O principal deles
é o fato de Patrick estar livre, leve e solto, depois de tanto aprontar. Se fosse no Brasil, tudo bem... Eu
apostava num final cheio de suspense, surpresas, sustos e muito sangue. Nada disso. Wes
Bentley (“Interestelar”, “Jogos Vorazes” e “Lovelace”) até que se sai bem como
o psicopata. Do elenco, é o único que se salva. O filme é fraco, mas dá pra ver
sem compromisso.
“DESAFIANDO A ARTE” (“The Family Fang”), 2015,
EUA, segundo longa-metragem dirigido pelo ator Jason Bateman (o primeiro foi “Palavrões”,
em 2013). O roteiro foi escrito por David Lindsay-Abaire, baseado no romance “The
Family Fang”, de Kevin Wilson. A história é um tanto mirabolante e
estapafúrdia. Desde crianças, Annie e Baxter eram obrigados pelos excêntricos pais
Caleb e Camille a participar de performances públicas tipo pegadinhas para surpreender
e chocar quem estivesse por perto. Por exemplo, o menino ameaça assaltar um
banco com uma arma de verdade, aparece um policial (o pai) para tentar
desarmá-lo, a arma dispara e atinge uma mulher (a mãe), que finge estar morta,
a filha (Annie) ao lado desesperada. Todo mundo que está no banco grita de
pavor ao assistir a cena, para depois constatar que tudo não passou de uma
encenação. A família Fang fica famosa, é alvo de reportagens por todo país e
tema de discussões acaloradas entre especialistas de comportamento. Seria uma forma de arte, como dizia Caleb? Agora
adultos, Annie (Nicole Kidman), uma atriz em decadência, e Baxter (Bateman), um
escritor mediano, têm mantido distância dos pais, querendo esquecer o que
passaram na infância, ou seja, os “micos” que enfrentaram ao participar daquelas
performances malucas. Até que um dia, por causa de um acidente sofrido por
Baxter, os irmãos voltam a reencontrar os pais (Christopher Walken e Maryan
Plunkett). A reaproximação trará grandes surpresas e revelações,
incluindo um repentino sumiço dos pais. Teriam sido sequestrados e mortos ou se
trata de uma nova pegadinha? O desfecho esclarece tudo. O filme não consegue
engrenar em nenhum momento, mesmo com a presença de ótimos atores como Walken e uma quase irreconhecível Nicole Kidman, aqui de cabelos curtos e
escuros, longe da atriz esplendorosa de outros filmes. Bateman tentou fazer um
filme diferente, para um público restrito. Isso ele conseguiu. Recomendá-lo, portanto, é um tanto arriscado.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
“CHOCOLATE” (“Chocolat”), 2015,
França, conta a história do palhaço “Chocolat”, que nos anos do final do Século
XIX e começo do Século XX encantou os franceses fazendo dupla com “Footit”. Esquecida
durante décadas, essa história foi descoberta e adaptada para o cinema pelo
ator francês Roschdy Zem, também responsável pela direção. Um verdadeiro
achado. É realmente fascinante a trajetória de Rafael Padilha (1868-1917), um
ex-escravo nascido em Cuba que chegou à França para trabalhar num circo
mambembe do interior, fazendo o papel de um canibal africano. Ele é interpretado
magistralmente por Omar Sy (“Intocáveis”), que por si só vale o filme. O palhaço
profissional George Footit, o “Footit” (o ator suíço James Thierrée, cuja semelhança
com o avô Charles Chaplin é impressionante), propõe formar uma dupla: “Footit”
e “Chocolat”. O sucesso chega rápido e eles acabam sendo contratados pelo
empresário Oller (Olivier Gourmet) para trabalhar num grande circo sofisticado
de Paris. Com o sucesso e o dinheiro entrando, Rafael Padilha começa a gastar
descontroladamente, inclusive viciando-se em jogo, mulheres e em algumas substâncias
ilícitas, o que o levará a um final dos mais tristes. Além do aspecto
biográfico do primeiro negro a trabalhar num circo na França, o diretor Roschdy
Zem faz uma clara homenagem aos palhaços de circo. Ao mesmo tempo, explora o
racismo que predominava na época. Assim como em “Vênus Negra”, de 2010, onde uma
escrava é exibida como se fosse um animal, assim acontece com Rafael Padilha. O
filme é espetacular, emocionante e cativante, os dois protagonistas principais
dão show (os números circenses são ótimos), assim como o restante do elenco, com
destaque para Olivier Gourme, Alice de Lencquesaing e Clotilde Hesme, sem falar
na primorosa recriação de época. IMPERDÍVEL!
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
“BLOOD ORANGE”, 2016, Inglaterra, roteiro e direção de Toby Tobias. Filme de suspense ambientado numa luxuosa mansão em Ibiza (Espanha). Nela moram Bill (Iggy Pop), um ex-astro do rock em decadência e gravemente doente, e sua bela e jovem esposa Isabelle (Kacey Barnfield), que nas suas infinitas horas vagas costuma nadar nua na piscina, além de transar com um empregado da casa, David (Antonio Magro). Tudo caminha num ritmo enfadonho até aparecer Lucas (Ben Lamb, de “Divergente”), um antigo amante de Isabelle. Ele veio cobrar dela uma dívida relacionada com uma herança paterna. Até o desfecho, quando a história dá uma reviravolta com direito a um banho de sangue, o filme segue sem nenhuma novidade, arrastando-se num roteiro medíocre e com diálogos que beiram o ridículo. Para piorar, o elenco é péssimo, a começar pelo astro de rock Iggy Pop, que destaca-se apenas por sua figura grotesca e patética. A atriz inglesa Kacey Barnfield aparece nua várias vezes, mas quando abre a boca é um desastre. Antonio Magro, que faz o empregado, é o pior de todos. Ainda bem que não fala muito. Difícil saber o que é pior: o filme ou o elenco. Enfim, um dos piores filmes que assisti nos últimos anos. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial. Se for, passe longe.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
“NEGÓCIO DAS ARÁBIAS” (“A HOLOGRAM FOR THE KING”), 2016, coprodução
Alemanha/EUA. Jamais imaginei que Tom Hanks pudesse participar de um filme tão
ruim quanto “A Viagem”, de 2012. Os dois filmes levam a assinatura (de
roteiro e direção) do diretor alemão Tom Tykwer, que ficou famoso com o surpreendente “Corra
Lola, Corra”, de 1998, mas depois nunca mais acertou. Tykwer adaptou a história
para o cinema do livro “A Hologram for the King”, de David Eggers. No recente
abacaxi, Tom Hanks é o empresário Alan Clay, cuja empresa de TI está à beira da
falência. Ele então parte para a Arábia Saudita, onde sua empresa já conta com
três funcionários instalados, pasmem, numa tenda no deserto. A ideia é
apresentar um software de hologramas ao rei da Arábia Saudita. Enquanto não é
recebido pelo rei, que está sempre viajando, Alan preenche seu tempo indo a uma
festa na embaixada da Dinamarca regada a muita bebida e drogas, ou embarcando numa
viagem à vila de seu motorista, Yousef (Alexander Black), no meio do deserto
(lá, é tudo no meio do deserto - as locações aconteceram no Marrocos, no Egito e na Arábia Saudita). O roteiro ainda reserva como atração adicional uma absurda cirurgia
que Alan sofrerá para retirar um caroço das costas, o que o levará a conhecer a
médica Zahra (Sarita Choudhury), por quem se apaixonará. Quer mais? Assista e veja se não tenho razão. Ao participar do filme, Tom Hanks talvez tenha feito um negócio das arábias, mas para nós, espectadores, restou o deserto.
O grande Jean
Rochefort, meu ator francês preferido, volta às telas no drama “A VIAGEM
DE MEU PAI” (“Floride”), 2015, França, roteiro e direção de Philippe Le Guay
(do ótimo “As Mulheres do 6º Andar”). Ele interpreta Claude Lherminier, um
idoso que começa a sofrer de demência. Ele mora sozinho numa enorme casa
isolada e sempre está aos cuidados de uma governanta. Como Claude é um sujeito
difícil, as cuidadoras não param no emprego, para desespero da filha Carole
(Sandrine Kiberlain). Para piorar a situação, ele não para de falar da filha Alice,
que há muitos anos mora em Miami (Flórida) e que ele insiste em visitar – daí o
título do filme. Só que ele apagou da memória que Alice morreu tragicamente há
9 anos. Em seus delírios, Claude também volta à infância e revê episódios que
viveu durante a Segunda Guerra Mundial, além de recordações de sua mãe. Baseada
na peça de teatro “Le Père”, de Florian Zeller, a história explora as mazelas
da velhice e o fato de ser um fardo para os filhos. O contexto dramático,
porém, é amenizado por muitas pitadas de humor, o que torna o filme um
entretenimento bastante agradável. E tem, claro, a presença de Rochefort, a
quem passei a admirar e curtir desde “O Marido da Cabeleireira” (1990).
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