sábado, 10 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
“CALVÁRIO” (“Calvary”), 2014, Irlanda, roteiro e
direção de John Michael McDanagh (do ótimo “O Guarda”). A história é ótima. Ambientada
numa pequena cidade litorânea da Irlanda, começa com o padre James Lavelle
(Brendan Gleeson) no confessionário, ouvindo um homem que diz ter sido molestado
por um padre quando era ainda uma criança. Depois de fornecer detalhes
escabrosos sobre o que aconteceu, o homem encerra o assunto afirmando que vai
assassiná-lo no próximo domingo. O padre Ravelli passa a viver a tensão que precederá esse
dia fatídico, iniciando o seu período de calvário. Enumerando os dias da semana
antes do domingo tristemente aguardado, o filme faz uma clara referência às
etapas que antecederam a crucificação e morte de Jesus Cristo. Nesse período, o
padre tenta resolver o problema da filha Fiona (Kelly Reilly), que nasceu antes
de Ravelle ser ordenado. Fiona tentou se matar por causa de um amor fracassado.
Além disso, se vê às voltas com paroquianos nada católicos,
como uma mulher que trai o marido com um negro, uma outra mulher viciada em
cocaína, um homem rico que trata a Igreja com total desdém e um padre auxiliar
que não tem “jogo de cintura”. Embora todas essas situações sejam abordadas em
meio a diálogos inteligentes e bem-humorados, o clima de tensão até o desfecho
permanece sempre latente até o trágico desfecho. O filme é muito bom e a
atuação do ator inglês Brendan Gleeson melhor ainda. “Calvary” recebeu os
prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Ator (Gleeson) no Irish Filme & Television
Awards 2014 e também o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Berlim 2014.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
O
veterano cineasta alemão Werner Herzog escreveu e dirigiu “RAINHA DO DESERTO” (“QUEEN OF THE DESERT”), 2015, EUA, baseado na fascinante
história de Gertrude Bell (1868-1926), uma aristocrata inglesa que viveu
durante muitos anos no Oriente Médio e que trabalhou como representante do governo
britânico na região. Arqueóloga formada na Universidade de Oxford, resolveu
abandonar a tediosa vida em família para se aventurar no Oriente Médio nos
primeiros anos do século 20. Pelo seu conhecimento do mundo árabe, Gertrude
passou a representar o governo britânico na região, fez amizade com T. E.
Lawrence, que ficaria famoso como o Lawrence da Arábia, e ainda contribuiu e
participou da criação dos estados do Iraque e Jordânia. Uma história e tanto,
que também teve inúmeras aventuras e perigos. Em suas andanças pelo deserto, fez
amizade com os sheiks mais sanguinários, seduzindo-os com seu charme e
presentes. Nicole Kidman interpreta Gertrude, numa atuação bastante contestada
pelos críticos, que também não gostaram do trabalho de Herzog. Quando foi
exibido no Festival de Berlim, ganhou até algumas vaias. Eu não achei o filme
tão ruim assim. A história é fascinante, a produção caprichada e os cenários
deslumbrantes, embora concorde que Nicole não tenha atuado muito bem. Também
completam o elenco James Franco, Robert Pattinson (mais uma vez, um desastre) e
Damian Lewis. Vale pela história.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
“NINGUÉM QUER A NOITE” (“NADIE QUIERE LA NOCHE”), Espanha,
2015, direção de Isabel Coixet, conta a incrível aventura da exploradora
Josephine Peary (Juliette Binoche) para ir ao encontro do marido, o também
explorador norte-americano Robert Peary, lá pelos lados do Pólo Norte. Esses
dois personagens realmente existiram. Robert, inclusive, é considerado o
primeiro homem branco a chegar ao Polo Norte, em 1909. Pelo que a divulgação do
filme dá a entender, porém, a história do filme é fruto da imaginação do roteirista Miguel
Barros São duas horas de uma tela praticamente branca de neve, tempestades e um
frio de muitos graus abaixo de zero. Dá para tremer só de assistir.
Josephine é uma mulher teimosa. Mesmo depois do conselho do amigo e também
explorador Briem Trevor (Gabriel Byrne), que a alertou sobre os perigos de viajar
em pleno inverno polar, lá foi ela para o meio da neve e das tempestades. Ela
sofre o diabo até chegar a um acampamento e se instala numa cabana
aparentemente segura. Mas o pior virá depois. Ela fica amiga de Allaka (Rinko
Kikuchi), uma jovem esquimó que mora num iglu perto da cabana. As duas irão
dividir um sofrimento ainda maior. O filme foi escolhido para a abertura do Festival
de Berlim 2015. Ainda da diretora Isabel Coixet, recomendo os filmes ”Fatal” e “Minha
Vida sem Mim”.
O drama
norte-americano “AMOR POR DIREITO” (“Freeheld”), 2015,
direção de Peter Sollett, coloca lado a lado duas das mais competentes atrizes
do cinema atual, a veterana Julianne Moore e a jovem Ellen Page. Elas arrasam
como o casal de lésbicas da história, baseada em fatos reais ocorridos no
Condado de Ocean Bounty, em New Jersey, nos primeiros anos da década de 2000 e
que já havia sido tema do documentário “Freeheld”, que ganhou o Oscar em 2007. A
policial Laurel Hester (Julianne) conhece a mecânica Stacie (Page), 20 anos
mais moça. Elas se apaixonam, resolvem juntar os trapos e vão morar juntas. Desde
que entrou para a polícia, Laurel sempre escondeu sua opção sexual para não
prejudicar a carreira, pois ela almejava o cargo de Tenente. Só que o destino lhe
reservou uma notícia trágica: um câncer em estágio avançado. A partir daí, o
filme entra na seara jurídica, já que Laurel quer deixar sua pensão de policial
para a parceira. Começa a briga judicial contra os vereadores do condado, que são contra a concessão. Quem
entra na briga, a favor de Laurel, é o advogado judeu Steve Goldstein (Steve
Carell), um ativista radical dos direitos da turma homossexual – ele mesmo é
gay. Laurel também conta com a ajuda do seu fiel parceiro na polícia, Dane
Wells (Michael Shannon). O embate jurídico toma conta da meia-hora final do
filme, ao mesmo tempo em que Laurel enfrenta seus últimos dias, resultando em
cenas bastante realistas e comoventes. É excepcional o trabalho de Julianne Moore
e Ellen Page, com grandes chances de indicações ao próximo Oscar. Page, aliás, ganhou
coragem para sair do armário e se declarar lésbica após as filmagens. Nos
créditos finais, o filme mostra fotos das verdadeiras Laurel e Stacie. Imperdível!
domingo, 4 de setembro de 2016
“COMO O VENTO” (“COME IL VENTO”), 2013, Itália,
roteiro e direção de Marco Simon Puccioni. A história é baseada em fatos reais,
no caso a trajetória de Armida Miserere (Valeria Golino), que por 15 anos (1988
a 2003) foi diretora de várias prisões na Itália, a maioria delas com bandidos
de alta periculosidade. Com muita coragem e pulso forte, Armida enfrentou a ira
de terroristas e organizações criminosas como a Camorra e a Máfia. Por causa
disso, ela era chamada de “Coronel” e também de “A Fêmea Besta”. Sua principal
motivação na luta contra o crime foi o assassinato, em 1989, do seu namorado
Umberto Mormile (Filippo Timi), educador na prisão de Milão. Ela não mediu
esforços para descobrir os responsáveis pelo crime, um mistério que seria solucionado
somente em 2001. Enfim, uma história de coragem que terminaria tragicamente em
2003, quando Armida, em estado de profunda depressão, atentaria contra a
própria vida. A atriz Valeria Golino, bem mais bonita que a personagem
original, dá um show de interpretação. Um gol de placa do diretor italiano
Puccioni, mais conhecido pelos seus documentários. Um filme instigante, forte,
uma história incrível de uma mulher sem medo. Um filmaço!
sábado, 3 de setembro de 2016

quarta-feira, 31 de agosto de 2016
“DECISÃO DE RISCO” (“Eye in the Sky”), 2015,
Inglaterra, roteiro e direção de Gavin Hood (“Infância Roubada”). A coronel
Katherine Powell (Helen Mirren), do exército inglês, está no comando de uma
operação que visa a captura de perigosos terroristas, entre eles uma cidadã
britânica que passou para “o outro lado”. Eles estão em Nairobi, no Quênia,
onde seus movimentos são vigiados por um avião-drone espião. As imagens são
transmitidas para o centro de operações onde está a coronel Powel e também para
uma sala de reuniões onde estão importantes autoridades do governo inglês, além
do general Frank Benson (Alan Rickman). As imagens também chegam a uma base nos
EUA, de onde o piloto Steve Watts (Aaron Paul) comanda o avião-drone. Os planos
de captura mudam quando descobrem que na casa onde os terroristas estão
reunidos encontram-se dois homens-bomba prestes a sair para praticar algum
atentado. Nesse caso, a ordem é exterminar o grupo utilizando um míssel
instalado no avião-drone. A situação, que já era tensa, transforma-se num dilema
para as autoridades, pois temem que o míssel possa causar efeitos colaterais,
atingindo a população civil, incluindo crianças. Aí ninguém quer tomar a tal “decisão
de risco”. O filme é ótimo, tem clima de suspense do começo ao fim e até
algumas tiradas cômicas, como a dor de barriga do Ministro das Relações
Exteriores. Entretenimento de primeira! O filme é dedicado ao ator inglês Alan
Rickman, que faleceu em janeiro deste ano.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Como
cinéfilo inveterado, não perco filmes biográficos de artistas ou que contam
histórias de bastidores do cinema. Por isso, não podia deixar de assistir –
para depois comentar - “LIFE: UM RETRATO
DE JAMES DEAN” (“Life”), 2014, EUA, direção do
holandês Anton Corbijn (“Um Homem Misterioso”, com George Clooney). O filme, cuja
primeira exibição aconteceu no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, conta
a história da relação entre o então desconhecido James Dean (Dane DeHaan) e o
fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). O encontro entre os dois aconteceu
em 1955 pouco antes da estreia de “Vidas Amargas”. Stock teve a intuição de que
Dean seria um astro famoso e propôs a ele um ensaio fotográfico para a revista Life.
Meio a contragosto, já que detestava os holofotes, Dean topou a empreitada, e o
ensaio fotográfico foi um grande sucesso, principalmente porque o
ator se consagraria no filme “Juventude Transviada” e morreria logo depois num acidente automobilístico. O filme também aborda o caso amoroso tumultuado de
Dean com a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi). O roteiro, escrito por
Luke Davies, foi baseado no livro “James Dean: Fifty Years Ago”, escrito pelo
próprio Dennis Stock em 2005. Também estão no elenco Ben Kingsley, como Jack Warner, e Joel Edgerton. Trata-se de um filme obrigatório para os
cinéfilos de plantão ou para quem quiser conhecer um pouco da personalidade de
um dos maiores ídolos do cinema, apesar de ter feito apenas dois filmes.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
“O VINHO PERFEITO” (“VINODENTRO”), 2013,
Itália, direção de Ferdinando Vicentini Orgnani. Um misto de policial, comédia
e mistério. O vinho aparece como importante protagonista, atuando como condutor
das atitudes dos principais personagens. A história, baseada no livro “Vinodentro”,
escrito por Fabio Marcotto, é centrada no especialista em vinhos Giovanni
Cuttin (Vincenzo Amato), preso como principal suspeito do assassinato da esposa
Adele (Giovanna Mezzogiorno). Só que na noite do crime ele estava com uma bela
e misteriosa mulher (Daniela Virgílio). O filme vai e volta em flashbacks que mostram como era o
relacionamento de Giovanni com a esposa e também como ele conheceu a mulher
misteriosa. Mas o fato principal de toda a história é a mudança na vida de
Giovanni depois que tomou sua primeira taça de vinho a convite de um misterioso
professor (Lambert Wilson). Aliás, não um vinho qualquer, mas simplesmente um
Marzemino, citado no folhetim da ópera Don Giovanni, de Mozart. A partir dessa
primeira taça, a vida de Giovanni começa a mudar radicalmente. De simples
funcionário do banco, ele é promovido a gerente e passa a se dedicar a conhecer
a fundo o mundo dos vinhos, transformando-se num sommelier dos mais respeitados. O filme é repleto de citações dos principais
rótulos do mundo, além de conversas didáticas sobre como se deve apreciar um
vinho e como analisá-lo. Para os enólogos de plantão, o filme é um copo cheio. Eu
achei bastante interessante, um filme diferente e bastante agradável de
assistir.
domingo, 28 de agosto de 2016

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016
“UMA REPÓRTER EM APUROS” (“WHISKEY TANGO FOXTROT”), 2016, EUA,
direção de Glenn Ficarra e John Requa (“Golpe Duplo”). Apesar da presença da
comediante Tina Fey no papel principal e do título nacional infeliz, que passa
a ideia de uma comédia, o filme é muito sério. A história é
baseada no livro “The Taliban Suffle: Strange Days in Afghanistan and Pakistan”,
no qual a repórter norte-americana Kim Barker relata sua experiência como
correspondente de guerra no período de 2004 a 2009 no Afeganistão e no Paquistão.
No filme, a personagem passa a se chamar Kim Baker (Tina Fey). Os bastidores da
cobertura jornalística nas zonas em conflito são mostrados de forma bastante realista, apresentando
os correspondentes de guerra no seu cotidiano repleto de adrenalina, o esforço
e os desafios constantes para conseguir um “furo”, os perigos enfrentados
durante as reportagens e ainda as festas regadas a muito álcool e outras
substâncias. Tina Fey está ótima, assim como seus coadjuvantes principais,
Margot Robbie, Martin Freeman e Billy Bob Thornton. Faço um alerta: nos
cartazes de divulgação e nos sites e blogs de cinema, o filme é tratado como
comédia (é claro que quem escreveu não viu, só copiou a sinopse). Mas, repito, o
filme é sério e muito bom, um dos melhores que já vi sobre o trabalho dos
correspondentes de guerra. Imperdível!
domingo, 21 de agosto de 2016
“AVE, CÉSAR!” (“Hail, Caesar!”), 2015, EUA,
direção e roteiro dos irmãos Ethan e Joel Coen. Trata-se de uma comédia tendo
como pano de fundo a indústria cinematográfica. Ambientada nos anos 50, época
de ouro de Hollywood, a história é centrada em Edward Mannix (Josh Brolin), principal
assistente do estúdio Capitol Pictures. Mannix é uma espécie de
relações-públicas, encarregado de zelar pela imagem dos seus principais
artistas. Sua missão mais difícil será descobrir o paradeiro do astro Baird
Whitlock (George Clooney), sequestrado em meio às filmagens do épico “Hail,
Caesar!”. Além disso, é obrigado a escutar as reclamações de diretores e
produtores com relação a atores e atrizes incompetentes, além de lidar com uma
colunista de fofocas, representada em dose dupla por Tilda Swinton. A comédia é
uma sátira inteligente sobre os bastidores nem sempre glamorosos de Hollywood.
Ao mesmo tempo, os irmãos Coen fazem uma homenagem à época de ouro do cinema norte-americano
(anos 40/50), evocando, inclusive, os musicais de Esther Williams (coreografias
na piscina) e Gene Kelly. Aqui, cabe destacar o talento de cantor e dançarino
do ator Channing Tatum. Dois outros grandes destaques do filme são os ótimos desempenhos de Josh Brolin e George Clooney, este perfeito como o ator cínico e canastrão sequestrado por
uma organização chamada “Futuro”. Ainda
estão no elenco Alden Ehrenreich, Scarlett Johansson, Frances McDormand, Christopher
Lambert e Ralph Fiennes. Diversão garantida e da melhor qualidade!
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Maior
sucesso de bilheteria nos últimos anos na Argentina, “O CLÔ (“El Clã”), 2015, é mais um ótimo filme
assinado pelo diretor Pablo Trapero. O drama argentino, baseado em fatos reais,
conta a história da família Puccio, cujo patriarca, Arquímedes (Guillermo
Francella), planejou e executou diversos sequestros no período de 1983 a 1985,
utilizando sua própria casa como cativeiro das vítimas. Vítimas, aliás, que
eram assassinadas mesmo depois do pagamento do resgate. Para colocar em prática
seus crimes, Arquímedes contava com a colaboração de dois de seus filhos,
Alejandro (Peter Lanzano) e Daniel “Maguila” (Gastón Cocchiarale), além de dois
ex-oficiais do exército argentino, assim como ele, ligados ao governo na época
da ditadura. Arquímedes, por exemplo, era membro do Serviço de Inteligência da
Força Aérea e integrante da Anti-Aliança Comunista Argentina. A esposa de
Arquímedes fingia que não sabia de nada, assim como as filhas. Embora relate
uma história sórdida e macabra, o filme é excelente, roteiro enxuto e elenco de
primeira. Seu lançamento mundial aconteceu no Festival de Veneza 2015. Logo
depois, seria selecionado para representar a Argentina no Oscar 2016 de Melhor
Filme Estrangeiro. Mais um gol de placa de Pablo Trapero, diretor de filmes
excelentes como “Elefante Branco”, “Abutres” e “Leonera”.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
“JOGO DO DINHEIRO” (“MONEY MONSTER”), 2015, EUA,
direção da atriz Jodie Foster, tem como pano de fundo as falcatruas do mercado
financeiro – leia-se Wall Street. Depois de assistir ao programa de TV “Money
Monster”, o jovem Kyle Budwell (Jack O’Connell) seguiu as dicas do apresentador
Lee Gates (George Clooney) e investiu todas as suas economias (U$ 60 mil) na
compra de ações de uma grande empresa de tecnologia. Perdeu tudo e resolveu se
vingar justamente do apresentador de TV. E, pior, ao vivo. Ele entra no estúdio
com um revólver, obriga Lee Gates a colocar um colete recheado de explosivos e
ameaça ir junto pelos ares se o apresentador não explicar o que aconteceu.
Patty Fenn (Julia Roberts), produtora do “Money Monster”, manda tirar o
programa do ar, mas Kyle exige que tudo seja transmitido ao vivo. A audiência,
claro, foi lá pra cima, pois o país inteiro não desgrudou da telinha. Enquanto alguém
da tal empresa de tecnologia não explicasse o rombo de U$ 800 milhões que
derrubou o valor das ações, Kyle continuaria mantendo apresentador, câmeras e
técnicos de estúdio como reféns. Até o desfecho, portanto, muita ação e
suspense para garantir o entretenimento. O filme comprova que Jodie Foster,
além de excelente atriz, é uma ótima diretora, como já havia demonstrado no
primeiro filme que dirigiu, em 1991, “Mentes que Brilham”.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Decidi
rever, comentar e indicar o ótimo drama israelense “A MISSÃO DO GERENTE DE RECURSOS HUMANOS” (em inglês, ganhou o
título “The Human Resources Manager”), 2011, escrito e dirigido por Eran Riklis.
Nesta segunda vez, ficou ainda melhor. A história, inspirada no livro “A Woman
in Jerusalem”, de Abraham B. Jehoushua, é ambientada em 2002 e centrada no gerente
de Recursos Humanos da maior panificadora de Jerusalém (Mark Ivanir, ótimo). Um
atentado à bomba ocorre na cidade e entre as vítimas fatais está uma
imigrante romena que trabalhava na empresa. Só que seu corpo ficou três dias no
necrotério, sem que ninguém providenciasse sua identificação nem sua remoção.
Um jornal sensacionalista acusou a direção da panificadora de ter negligenciado
sua funcionária e aí o gerente de RH é obrigado a entrar em ação para garantir
que a imagem da empresa não seja afetada. Esse trabalho envolve não apenas o
reconhecimento do cadáver no necrotério (numa cena hilariante), como também
providenciar a remoção do caixão para a cidade da Romênia onde vivem a mãe, o
ex-marido e o filho adolescente da falecida. A partir daí, o filme vira um road movie pelo interior da Romênia, onde
a burocracia reinante dificulta ainda mais o trabalho do gerente de Recursos
Humanos. Apesar do fundo dramático, o filme é recheado de bom humor, o que valoriza
ainda mais esse ótimo entretenimento. Do diretor israelense Eran Riklis,
recomendo também “Lemon Tree” e “A Noiva Síria”.
O diretor
italiano Matteo Garrone, dos ótimos “Reality – A Grande Ilusão” e “Gomorra” –
ambos premiados com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes – adaptou para o
cinema três contos do livro “Lo Cunto de li Conti”, escrito por Giambattista
Basile (1566/1632), e os reuniu no filme “O
CONTO DOS CONTOS” (“Il Racconto dei Racconti”), 2015, Itália. As
histórias são ambientadas em três reinos diferentes. A primeira delas no reino
de Longtrellis, onde a rainha (Salma Hayek) quer um filho, mas não consegue
engravidar. Para conseguir esse sonho, um mago recomenda que a rainha coma o
coração de um monstro marinho, cozido por uma virgem. A missão de matar o bicho
sobrou para o rei (John C. Reilly). A
segunda história é ambientada no reino de Strongcliff, onde o rei (Vincent
Cassel) se apaixona pelo canto de uma mulher que ele só consegue ver de longe.
Só que a mulher é uma velha decrépita, suja e feia. A outra fábula acontece no
reino de Highhills. O rei (Tobi Jones, de “Capote”) cria uma pulga que se
alimenta do seu sangue e vira um bicho enorme. A filha do rei quer casar e
resolve promover um torneio para achar um marido para ela. Quem ganha o direito
de se casar com a princesa é nada menos do que um ogro. No filme, as histórias
são desenvolvidas alternadamente, sem ligação uma com as outras. O clima de
fantasia, de conto de fadas, impera durante toda a projeção, com alguns efeitos
especiais muito bem feitos, proporcionando um entretenimento dos mais
agradáveis. Apesar da produção italiana, o filme, que concorreu à Palma de Ouro
no Festival de Cannes 2015, é todo falado em inglês. Diversão garantida!
sábado, 13 de agosto de 2016
“CEM ANOS DE PERDÃO” (“Cien Años de Perdón”), Espanha,
2015, direção de Daniel Caparsoro (“Apaches”). O título é uma clara referência
ao velho ditado popular “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. A história
gira em torno de um assalto a um grande banco da cidade de Valência. O plano da
gangue é fazer reféns, roubar tudo que for possível e depois fugir fazendo um
buraco no chão e alcançar um túnel de uma estação de metrô abandonada. O plano perfeito. Só
faltou combinar com São Pedro, pois começou a cair uma chuva torrencial que em
menos de uma hora inundou completamente o túnel, impossibilitando a fuga. Sem
contar com um plano B, os assaltantes resolveram ganhar tempo negociando com a
polícia. Em meio a toda essa confusão descobre-se que o assalto teria sido
encomendado com o objetivo de resgatar um disco rígido com documentos que
comprometem o primeiro-ministro espanhol. O governo resolve então acionar o
serviço secreto, que a partir de então assume o comando das negociações com os
assaltantes. O filme mantém um bom ritmo de suspense do começo ao final e
jamais cai na monotonia. É claro que você vai querer ver até o fim para
conferir como tudo vai terminar. No elenco, os atores mais conhecidos são Luis
Tosar, Rodrigo de La Serna, José Coronado e Raúl Arevalo.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016


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