sábado, 2 de agosto de 2014

O que pode ser mais perigoso, trabalhar numa usina nuclear ou transar com a namorada do seu amigo? O jovem Gary (Tahar Rahim) corre os dois riscos no drama francês “Grand Central”, 2012, dirigido por Rebecca Zlotowski. Sem perspectivas de trabalho, Gary concorda em participar do recrutamento para ingressar numa usina nuclear. Mesmo sem nenhuma experiência, ele vai trabalhar na equipe na equipe de manutenção e limpeza chefiada por Gilles (Olivier Gourmet). Nesse ponto, é interessante como o filme mostra, em detalhes, todo o processo rigoroso de segurança ao qual são submetidos os funcionários de uma usina nuclear. E, mesmo assim, os acidentes acontecem. E, quando acontecem, geralmente são fatais. Instalado num acampamento com o pessoal de sua equipe, Gary faz amizade com Toni (Denis Menochet) e sua namorada Karole (Léa Seydoux). É com ela que Gari vai ter um caso. O clima dramático do filme – que também gera um certo suspense – reúne as duas situações envolvendo seus respectivos riscos: o trabalho de Gari e seu caso com a namorada do amigo. O que acontecerá primeiro, um acidente na usina ou a descoberta do seu caso? O filme é muito bom e, para reforçar a recomendação, é preciso destacar o trabalho desses jovens e ótimos atores, Tahar Rahim e Léa Sedoux, duas verdadeiras feras do cinema francês atual. O filme estreou na Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013 e foi muito elogiado.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

“A Ravina do Adeus” (“Sayonara Keikoku”), 2013, é um drama japonês dos mais depressivos. Começa com a prisão de Satomi Tachibana (Anne Suzuki), acusada de ter matado o próprio filho – o corpo do bebê foi encontrado na tal ravina do título. A polícia continua as investigações e chega ao casal Tanako (Yoko Maki) e Shunsuke (Shima Onishi), moradores da casa vizinha. Shunsuke é levado a interrogatório e confessa que estava tendo um caso com Satomi. Até aí, a coisa fica toda esclarecida. Depois, porém, a história toma outro rumo e o casal passa a ser o foco central. Isto porque o repórter Watanabe (Nao Omori), de um jornal local, descobre um fato tenebroso envolvendo o passado de Shunsuke: na universidade, ele e mais três amigos estupraram uma estudante. Em flashbacks, o diretor Tatsushi Ohmori mostra o sentimento de culpa que tomou conta de Shunsuke após o episódio. Ao espectador, caberá uma inesperada surpresa com relação à identidade da vítima do estupro. O ritmo lento, com cenas muito longas, pode incomodar. Em alguns momentos, a cena parece ter sido congelada e você vai ter a sensação de que o aparelho de DVD travou. O mais desagradável, porém, para quem está a fim de um entretenimento, é o estado depressivo que domina os personagens. Antes de assistir, tome um Prozac.   
“O Grande Hotel Budapest” (“The Grand Budapest Hotel”), 2013, EUA, é mais um mirabolante filme do diretor Wes Anderson. Se você viu outros filmes dele, como “Os Excêntricos Tenenbaums” ou “Moonrise Kingdom”, já sabe o que vai ver: figurinos exóticos, inúmeros e excêntricos personagens e visual deslumbrante. Só que neste, o ritmo é de muita aventura, ação e humor. Para ambientar a história, o diretor criou um país imaginário, Zubrowska. O filme começa com Mr. Moustafa (F. Murray Abraham) contando a um escritor (Jude Law) a história de uma aventura que viveu na década de 30 quando era um mensageiro conhecido como “Zero” (Toni Revolori) no Grande Hotel Budapest. Ele era subordinado direto de M. Gustave (Ralph Fiennes), gerente do hotel, que tinha como hábito ir para a cama com hóspedes idosas cheias do dinheiro. Uma delas, Madame D (Tilda Swinton) morre e Gustave vai ao velório com “Zero”. No testamento, a falecida deixa como herança para Gustave um famoso e valioso quadro, o que contraria os interesses do filho Dmitri (Adrian Brody). Aí começa a aventura de Gustave e “Zero”, o que inclui altas doses de ação ininterrupta, com inúmeras situações que ratificam Anderson como um dos diretores mais criativos do cinema atual. E também um dos de maior prestígio, como comprova a enorme lista de atores famosos que toparam aparecer em pequenos papeis nesse filme: Edward Norton, Owen Wilson, Mathieu Amalric, Saoirse Ronan, William Defoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Bill Murray, Léa Seydoux e outros. Separe dois sacos de pipoca e embarque nessa aventura de Anderson.  

quinta-feira, 31 de julho de 2014

 
Não é novidade o fato de que muitos países da América do Sul serviram de refúgio a importantes oficiais nazistas após a 2ª Guerra Mundial, com o beneplácito dos seus respectivos governos. No filme argentino “O Médico Alemão” (“Wakolda”), 2013, o foco está no médico Josefe Mengele, famoso por fazer experiências científicas com seres humanos no campo de concentração de Auschwitz. A história do filme acontece em 1960, quando Mengele (Alex Brendemühk), com o nome falso de Helmut, está atravessando a região desértica da Patagônia em direção a Bariloche. No caminho, ele conhece a família de Enzo (Diego Peretti), que viaja com sua mulher grávida Eva (Natalia Oreiro) e os filhos. Enzo vai administrar uma antiga pousada da família e seu primeiro hóspede é justamente Mengele. A tensão vai aumentando porque o espectador sabe do passado tenebroso do médico. Aumenta ainda mais depois que ele se propõe a tratar de Lilith (Florencia Bado), que tem problemas de crescimento, e cuidar dos recém-nascidos gêmeos de Eva. Será que ele fará alguma atrocidade com a menina, com os bebês ou com a família? A resposta, só você vendo o filme. “O Médico Alemão” é baseado no livro “Wakolda”, escrito por Lúcia Puenzo, também diretora do filme, que concorreu pela Argentina ao Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. Sem dúvida, mais um gol de placa do cinema argentino.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A história já é interessante por si só. Fica ainda mais saborosa depois que sabemos que é baseada em fatos reais. Some-se um roteiro bem elaborado, com bastante ação, humor e suspense, além de um elenco afiado, e aí temos um filme digno de ser recomendado como um ótimo entretenimento. Trata-se de “Roubo à Máfia” (“Rob the Mob”), 2013, dirigido por Raymond de Felitta. Tudo acontece bem no início dos anos 90, quando Tommy (Michael Pitt) e Rosie (Nina Arianda) saem da prisão após cumprir pena por roubar uma floricultura. Eles saem dispostos a mudar de vida e até arrumam emprego numa agência cobradora de dívidas. Um dia, porém, Tommy decide assistir ao julgamento de um famoso assassino ligado à Máfia de Nova Iorque. Em seu depoimento, o réu “entrega” o endereço de alguns clubes ilegais onde a jogatina corre solta. Tommy vai a um deles e vê que há muito dinheiro nas mesas. Ele convence Rosie a roubar o clube. Em seguida, rouba mais dois. A Imprensa noticia os fatos e já chama o casal de Bonnie e Clyde. No último roubo, Tommy descobre um papel com a descrição de toda a estrutura da organização criminosa, incluindo o chefão Big Al (Andy Garcia), e passa a chantagear os mafiosos. O organograma chega às mãos da polícia e um grande número de chefões é preso. Mas a Máfia é a Máfia, e a vingança será maligna. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

“O amor é um Crime Perfeito” (“L’Amour est un Crime Parfait”), produção francesa de 2013, é um policial, com algumas doses de suspense, baseado no romance de Phillipe Djian. É dirigido pelos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu. A história é centrada no professor universitário Marc (Mathieu Amalric), que adora levar para a cama algumas de suas alunas. Até que uma delas, Bárbara (Marion Duval), depois de passar a noite com o professor, desaparece misteriosamente. Sua madrasta, Anna (Maïwenn), procura Marc para saber notícias e acaba desabafando sobre a sua condição solitária, já que o marido, um oficial do exército, está em missão no Mali. Caso à vista, com certeza. Enquanto isso, Marc é assediado sexualmente de forma agressiva por sua aluna Marianne (Sara Forestier), que, para seu azar, é filha de um importante mafioso. Marc tem uma relação muito estranha e de cumplicidade com a irmã Marienne (Karen Viard), com quem mora numa casa isolada na montanha. Marc costuma ter acessos de sonambulismo e delírios que o fazem esquecer de seus atos. Tudo para confundir espectador e levá-lo a desconfiar do professor. Apesar de ser um filme policial, não espere tiros, violência explícita e muito menos pancadaria. O suspense também não é de fazer você apertar os braços da poltrona. 
“O 30º Dia” (“Waking Madison”), 2010, dirigido por Katherine Brooks, é um drama norte-americano com pretensão de suspense, mas só ficou na pretensão. A história acompanha o trabalho da médica psiquiatra Elizabeth Burns (Elizabeth Shue) numa clínica especializada em tratar de jovens com transtornos mentais. O foco principal da médica é Madison Walker (Sarah Roemer), que sofre de Transtorno Dissociativo de Identidade (tem várias personalidades) e forte tendência ao suicídio.  Aliás, todas as pacientes da Dra. Burns, incluindo Madison, já tentaram o suicídio em várias ocasiões. O histórico de Madison inclui ainda a iniciativa de ter se trancado em seu apartamento para tentar descobrir as respostas que tanto a afligem. Ela grava um depoimento numa câmera de vídeo dizendo que, ao final do 30º dia, cometerá suicídio se não encontrar as respostas. Aqui, não é explicado se isso aconteceu antes ou depois da internação. Próximo ao seu final, o filme dá algumas reviravoltas para confundir ainda mais a cabeça do espectador. Você vai achar que tudo que assistiu não passou de ilusão, que os personagens não são reais, que são fruto da imaginação da médica ou de Madison. A confusão se estende até o final. Você vai achar que você é que está louco(a). Completam o elenco Imogen Poots, Taryn Manning e Erin Kelly.                         

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Tudo funciona às mil maravilhas na comédia francesa “Grandes Garotos” (“Les Gamins”), 2013, dirigida por Anthony Marciano. A história em si, o roteiro, o elenco, as piadas, a trilha sonora, enfim, um entretenimento garantido para quem quiser se divertir em frente à telinha. Começa o filme com o músico amador Thomas (Max Boublil) conhecendo a jovem executiva Lola (Melanie Bernier). Os dois começam a namorar e logo pensam em casar. Lola marca um almoço com os pais Gilbert (Alain Chabat) e Suzanne (Sandrine Kiberlain) para apresentar o noivo. Só que Gilbert está num péssimo momento: acabou de vender a empresa e passa os dias em frente à TV, num marasmo total. Quando Gilbert e Thomas ficam a sós, a impressão é que a conversa vai acabar mal. Pelo contrário, os dois vão se dar superbem - aliás, a química entre os dois atores é um dos trunfos do filme. Gilbert confessa que está cansado do casamento de 30 anos e diz que sente falta das coisas que fazia quando jovem. Thomas decide, então, colocar ação na vida do futuro sogro e os dois saem por aí aprontando, indo junto até mesmo a baladas. É claro que os dois vão se meter em grandes confusões, para desespero de Lola e de Suzanne. Uma das cenas mais hilariantes acontece próximo ao final do filme, quando Thomas vai a um congresso internacional onde Lola é a representante da França. Thomas pega o microfone da tradução instantânea justamente na hora em que um raivoso representante do Irã começa um inflamado discurso. É de rolar de rir. Diversão garantida!    
“Paixão Inocente” (“Breathe In”), 2012, direção de Drake Doremus, é um drama norte-americano independente que estreou no Festival de Sundance de 2013. A família Reynolds – Keith (Guy Pearce), a esposa Megan (Amy Ryan) e a filha Lauren (Mackenzie Davis) – mora numa ampla e confortável casa num subúrbio de Nova Iorque num clima de aparente felicidade. Com a chegada de Sophie (Felicity Jones), uma jovem inglesa de 18 anos que veio, por meio de intercâmbio, passar uma temporada na casa dos Reynolds para estudar música, essa felicidade estará correndo um tremendo risco. Ocorre que realmente os Reynolds não são tão felizes, principalmente o casal. É possível perceber isso durante as refeições da família, em pequenos detalhes como a troca de olhares, as expressões e os gestos. Mérito do diretor Doremus. Num misto de pena, admiração e atração, Sophie vai se aproximando cada vez mais de Keith, que não vai fugir da raia. A partir daí, o clima do filme, que já era tenso, vai aumentar ainda mais, chegando a beirar o suspense. Afinal, a cada minuto Keith e Sophie correm o risco de serem flagrados pela mãe ou pela filha. O filme é bom, valorizado ainda mais pelo excelente trabalho dos atores principais.                        

        
“Os Belos Dias” (“Les Beaux Jours”), 2013, é um belo drama francês dirigido por Marion Vernoux. O enredo é baseado no livro “Une Jeune Fille aux Cheveux Blancs”, de Fanny Chesnel. A história gira em torno de Caroline (Fanny Ardant), casada com Philippe (Patrick Chesnais). Aos 60 anos (na verdade, Ardant tem 65), Caroline acaba de se aposentar e vive uma fase de depressão por causa da morte de sua melhor amiga, há seis meses. Para fugir da solidão e do ócio, ela vai conhecer um clube para a terceira idade chamado “Os Belos Dias” (lembra o nosso infeliz termo “Melhor Idade”), que oferece várias atividades, entre os quais aulas de teatro, artes plásticas, informática etc. Depois de passar por uma aula de teatro, a qual detestou, Caroline ingressa no curso de informática e conhece o professor Julien (Laurent Lafitte). Apesar da grande diferença de idade (Julien tem trinta e poucos), os dois começam a sair juntos e logo estarão na cama. No início relutante, Caroline resolve se entregar de corpo e alma a essa paixão, perde a timidez e se transforma numa amante ousada e fogosa. Ela tem consciência, porém, que aqueles “belos dias” acabarão, em função, principalmente, da juventude do amante. Ela aceitará esse final numa boa? Será que o marido descobrirá sua traição? O desfecho responderá a essas perguntas. O filme deixa bem claro que a idade não é obstáculo para uma paixão ardente, daquelas de se pegar no elevador, no corredor etc. Apesar da idade, Fanny Ardant continua esbanjando  charme, beleza e classe, além de competência. Ainda é a grande musa do cinema francês.               

domingo, 27 de julho de 2014

“O Enigma Chinês” (“Casse-Tête Chinois”), de 2013, é um filme francês, dirigido por Cédric Klapisch, que mistura comédia, romance e algumas situações dramáticas. O escritor Xavier Rousseau (Romain Duris) é abandonado pela esposa Wendy (Kelly Reilly), que sai de Paris e vai morar com os dois filhos e o novo namorado em Nova Iorque. Xavier sente falta dos filhos e vai atrás deles. Em NY, ele acaba morando de favor com a amiga Isabelle (Cécile de France), lésbica que vive com a companheira Ju (Sandrine Holt). Isabelle espera um filho concebido por inseminação artificial com “material” doado pelo próprio Xavier. Para se sustentar, Xavier vai trabalhar de barman e entregador de encomendas. Ele ainda vai receber a visita de Martine (Andrey Tauton), uma antiga namorada de Paris, com seus dois filhos. Não bastasse toda essa situação complicada,  Xavier ainda sofre perseguição constante do pessoal da Imigração, o que vai dar margem a muitas confusões. O desfecho repete o grande clichê das comédias românticas: protagonista sai correndo para impedir que o seu amor embarque numa viagem. O filme é uma espécie de continuação do filme “Albergue Espanhol”, de 2002, do mesmo diretor e com os mesmos atores. Dentro do gênero, é uma produção acima da média. O que não dá para entender é um ator tão feio, tão sem graça e sem nenhum charme como Romain Duris (de "A Datilógrafa") fazer o papel de galã, cercado por tanta mulher bonita.
 

sábado, 26 de julho de 2014

“Quando eu era vivo”, 2013, direção de Marco Dutra (“Trabalhar Cansa”) é uma das raras incursões do cinema nacional no gênero Terror Psicológico. A história é baseada no livro “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, de Lourenço Mutarelli. Começa o filme com Júnior (Marat Descartes) voltando ao apartamento do pai (Antonio Fagundes), depois de perder o emprego e se separar da esposa. Aparentemente, ele é uma pessoa normal. Bruna (Sandy Leah), sua prima, também mora no apartamento, num quarto alugado. Ao arrumar o quartinho dos fundos para fazer seu cantinho, Júnior encontra vários objetos que pertenceram à sua mãe, falecida há alguns anos. Em alguns flashbacks, Júnior relembra que a mãe era dedicada ao ocultismo e curtia o sobrenatural. Júnior encontra uma mensagem criptografada com a letra da mãe e acredita que, se conseguir decifrá-la, desvenderá alguns segredos do passado. A partir daí, Júnior transforma-se completamente, fica agressivo, neurótico e depressivo. Em alguns momentos, lembra o personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”. Pouca gente entendeu a presença da cantora Sandy no elenco. Uma jogada de marketing? Acho que sim, pois ela continua sendo a Sandy; até canta no filme. Nem o cabelo dela foi mudado. Fora isso, o filme não é de todo ruim, tem bastante tensão e alguns sustos - o de sempre, presença de espíritos, gaveta abrindo sozinha, objetos se mexendo etc. O desfecho, porém, ao invés de assustar, pode fazer rir. Ainda não foi desta vez que o cinema nacional acertou nesse tipo de gênero.  

 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

“Moscati, o Doutor que virou Santo” (“Moscati, L’amore che Guarisce”) foi produzido em 2007 pela TV italiana RAI. Conta a história do médico Giuseppe Moscati, um dos poucos leigos a ser canonizado pela Igreja Católica. O filme, com mais de três horas de duração, em duas partes, descreve a trajetória de Moscati desde que ingressou na Faculdade de Medicina de Nápoles, em 1903, até a sua morte, em 1927. Conta também como Moscati dedicava-se de corpo e alma aos pobres, indo medicá-los nos bairros miseráveis da cidade, no hospital público – chamado Hospital dos Incuráveis - e, de graça, em sua própria casa. Ele chegou a vender os móveis e objetos de arte de sua família para comprar remédios para os doentes. O filme destaca também o trabalho do médico prestando socorro às vítimas do terremoto causado pela erupção do Vesúvio, em 1906, e sua dedicação integral à erradicação da epidemia de cólera que atingiu Nápoles em 1911. Seus diagnósticos eram certeiros e, segundo muitos depoimentos, Moscati curou pacientes considerados casos perdidos. Um dos milagres a ele atribuídos diz respeito a um jovem já desenganado, vítima de leucemia. A mãe diz que sonhou com Moscati e, no dia seguinte, o jovem estava curado. Numa primorosa reconstituição de época, o filme mostra cenários deslumbrantes como palácios e mansões, além da arquitetura da cidade. O elenco conta com Beppe Fiorello (Moscati), Kasia Smutniak (Elena Cajafa) e Paola Casella (Cloe), entre outros. O filme tem mais de três horas de duração, em duas partes, mas vale cada minuto pela história de um homem que fez da sua vida uma obra de caridade e amor ao próximo. Imperdível!  

 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

“Stockholm Östra” é um drama sueco produzido em 2011. A história é baseada num romance de Pernilla Okjelund. Johan (Mikael Persbrandt) atropela e mata uma menina de 9 anos, filha do casal Anna (Iben Hjejle) e Anders (Henrik Norlén). O caso vai a julgamento e Johan é inocentado – realmente, ele não foi o culpado pelo acidente, mas vai ficar bastante traumatizado pelo que aconteceu. Anders vai assistir ao julgamento – Anna não quis ir - e faz questão de encarar Johan. O acidente desestrutura o casamento dos pais da menina. E vai ficar muito pior quando, por uma dessas coincidências da vida – e da ficção –, Anna conhece Johan numa viagem de trem. E pinta um clima entre os dois, embora Johan saiba que ela é a mãe da menina morta. Anna, aliás, nunca comenta com Johan que perdeu uma filha. Anna fala da filha como se ela estivesse viva. O romance começa a ficar sério demais e acaba afetando os dois casamentos. Como a paixão é forte, eles se arriscam muito e Anders acaba descobrindo a traição da mulher. Em meio a essa situação um tanto desconfortável, Anna ainda descobre que está grávida. Mais não dá para contar. Sem dúvida, um bom filme, com excelentes atores e a mão firme do diretor Simon Kaijser da Silva. Ah, o título do filme é o mesmo do restaurante em que o casal de amantes costuma frequentar, numa estação ferroviária.            
“Pura Poesia Cinematográfica”. Este seria o slogan que melhor definiria o filme italiano “Shun Li e o Poeta” (“Io Sono Li”). A produção é de 2011, participou da 36ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo/2012 e recebeu vários prêmios em festivais pelo mundo inteiro. É o primeiro filme dirigido por Andrea Stegre, um especialista em documentários. O filme conta a história da chinesa Shun Li (Tao Zhao), que chega à Itália por intermédio de uma cooperativa que traz imigrantes chineses para trabalhar no país. Ela trabalha praticamente de graça, pois quer custear a vinda do seu filho de 8 anos para a Itália. Sem falar uma palavra em italiano, Shun Li vai trabalhar na “Osteria Paradiso”, uma taverna em Chioggia, cidade conhecida também como a “Pequena Veneza”, localizada ao sul da lagoa veneziana, pertinho da Veneza original. A taverna é frequentada por pescadores e trabalhadores italianos aposentados, que logo fazem amizade com Shun Lin, inclusive ensinando-a a falar italiano. Um dos pescadores é o velho Bepi (o ator croata Rade Serbedzija), apelidado de “Poeta” por gostar de fazer rimas. Ele se sensibiliza com a situação de Shun Lin e passa a ajudá-la, pois sabe, por experiência própria – chegou da Iugoslávia há 30 anos - como é difícil começar a vida num país estranho sem ao menos saber falar sua língua. Bepi e Shun Lin iniciam uma relação de amizade despida de qualquer outra intenção senão a solidariedade, a companhia e a pureza de sentimentos. As imagens do mar de Chioggia, valorizadas pela ótima fotografia, são deslumbrantes.  Um filme, enfim, sensível e comovente.           

terça-feira, 22 de julho de 2014

O cinema nacional não tem tradição de produzir filmes de suspense. E, quando o faz, nem sempre o resultado é satisfatório. São raros os que escapam. Este é o caso de “Confia em Mim”, 2013, o primeiro longa dirigido por Michel Tikhomiroff. Trata-se da história de Mari (Fernanda Machado), chef de um restaurante fino. Ela não é valorizada em seu trabalho, é atormentada pelo dono e, por isso, sonha em abrir o seu próprio restaurante para ter liberdade de criar novos pratos. Mas falta-lhe dinheiro e coragem. Num curso de degustação de vinhos, ela conhece Caio (Mateus Solano), um cara charmoso e sedutor que diz ser dono de uma empresa de importação/exportação. Os dois começam a ter um caso e ela revela sua intenção de abrir um restaurante e conta, na maior inocência, que sua mãe é rica e pode ajudar. Caio dá maior força à ideia e ainda se propõe a cuidar do investimento. Mari consegue R$ 200 mil e coloca tudo na mão de Caio. A partir daí, não dá para contar mais para não estragar as reviravoltas e surpresas que acontecem depois. O trabalho dos dois atores globais é muito bom, valorizando um filme que, por si só, merece ser conferido.    

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quando a atriz é competente, tanto faz o gênero, ela sempre se sai bem. É o caso da atriz alemã Diane Kruger, que tem uma carreira bastante sólida no cinema francês. Consagrada em papéis sérios e dramáticos, pela primeira vez ela encara a principal protagonista de uma comédia. E dá show. Trata-se de “Um Plano Perfeito” (“Um Plan Parfait”), 2012, comédia francesa em que Diane faz o papel de Isabelle, uma solteirona prestes a se casar com Pierre (Robert Plagnol). Só que tem um problema. Todas as mulheres da família de Isabelle, da sua tataravó em diante, enfrentam uma maldição: o primeiro casamento sempre dá errado e termina em divórcio. Para escapar desse estigma, Isabelle, juntamente com a irmã – que está no segundo casamento –, bola um plano dos mais estapafúrdios: casar com um desconhecido na Dinamarca, onde é permitido se divorciar dez minutos depois do casamento. Durante a viagem para Copenhagen, porém, ela conhece Jean-Yves Berthier (Dany Boon), um “mala sem alça” tagarela e inconveniente, redator de um guia turístico. Daí para a frente, a viagem de Isabelle complica de vez. Para se ter uma ideia, ela vai parar com Jean-Yves no Quênia e em Moscou. Muito doido, não? Finalmente uma comédia que faz rir. E bastante. E ainda tem Diane Kruger. Não perca!
Boas doses de ação e suspense estão garantidas em “Sem Escalas” (“Non-Stop”), 2013, EUA, direção de Jaume Collet-Serra, embora a história inteira aconteça dentro de um avião. Bill Marks (Liam Neeson) é um policial encarregado da segurança nos voos de uma companhia aérea, prática adotada nos EUA após o 11 de Setembro. Desta vez, Bill embarca num avião com 150 passageiros que sai de Nova Iorque em direção a Londres. Logo após a decolagem, Bill recebe uma mensagem de texto em seu celular de alguém que ameaça matar uma pessoa do avião a cada 20 minutos se a companhia aérea não depositar US$ 150 milhões numa conta. Como num livro ou num filme de Agatha Christie, vários suspeitos começam a aparecer, o que leva o espectador a iniciar um jogo de adivinhação. Um dos suspeitos é o próprio Bill. A tensão aumenta depois que aparece o primeiro cadáver. Estão ainda no filme a ótima Julianne Moore, Michelle Dockery e Lupita Nyong’o, esta última como uma das aeromoças do avião. Ela trabalhou neste filme antes de “12 Anos de Escravidão”, pelo qual ganhou o Oscar 2014 de Melhor Atriz Coadjuvante.  Mesmo aos 61 anos, Neeson ainda dá conta do recado em filmes de ação, como comprovam os dois que fez antes deste, “Busca Implacável” partes 1 e 2. “Sem Escalas” vai fazer você comemorar o fato de estar sentado na poltrona de sua casa e não em uma desse avião.

domingo, 20 de julho de 2014

Antes de ser exibido em nossos cinemas, o drama nacional “Hoje eu Quero voltar Sozinho” estreou na mostra paralela Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro de 2014. Foi sucesso de público e de crítica. E com toda razão. O filme é uma verdadeira pérola de sensibilidade. Conta a história de Léo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que tem em Giovana (Tess Amorim) sua melhor amiga, confidente e anjo da guarda. É ela quem o defende dos bulliyngs no colégio e o leva para casa todos os dias. Até o dia em que chega Gabriel (Fabio Audi) para estudar na mesma classe. O garoto novo vai tumultuar a relação entre os dois amigos e despertar a homossexualidade latente de Léo. O filme é uma extensão do curta “Eu não quero voltar Sozinho”, de 2010, dirigido pelo mesmo diretor e roteirista, Daniel Ribeiro. Apesar do clima dramático, o filme é pródigo em cenas e diálogos bem-humorados, o que o torna leve e agradável. A impressionante interpretação do jovem ator Guilherme Lobo como o jovem cego é um dos pontos altos do filme, assim como a comovente cena final. Simplesmente imperdível!   

sábado, 19 de julho de 2014

O cinema argentino chega com mais um filmaço: “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho” (“Corazón de León”), 2013, dirigido por Marcos Carnevale. Trata-se de uma comédia romântica centrada na advogada Ivana Cornejo (Julieta Diaz). Um dia, ao discutir no celular com o ex-marido Diego (Maurício Dayub), do qual está separada há 3 anos, ela perde o controle e joga fora o aparelho no jardim de uma praça no centro de Buenos Aires. Algums horas depois, ela recebe o telefonema de um homem que diz ter encontrado o seu celular e quer devolvê-lo. Antes de combinar o encontro, eles ainda se falam algumas vezes e o papo do homem começa a encantar Ivana. Quando afinal se conhecem, num restaurante, ela terá uma grande surpresa: o homem tem apenas 1m35 de altura. Ele é León Godoy (Guillermo Francella), um bem sucedido arquiteto de fama internacional. De início, ela fica chocada, mas aos poucos irá desenvolver um carinho todo especial por ele. A pouca altura de León dará margem a muitas situações hilariantes. Portanto, esqueça o politicamente correto e embarque nessa ótima comédia. Se o filme por si só já é ótimo, há mais um motivo que o torna ainda melhor: a presença da atriz Julieta Diaz. Ela é a dona do filme. Julieta prova, mais uma vez, que, além de bonita, simpática e sensual, é uma grande atriz, talvez a melhor do cinema argentino atual. Carnevale também dirigiu outra comédia imperdível, "Elza & Fred", de 2005. 
O bom e velho Arnold Schwarzenegger está de volta à ação no filme “Sabotagem” (“Sabotage”), EUA, 2013, dirigido por David Ayer. Schwarzenegger faz o agente especial John Wharton, líder de uma equipe secreta ligada à DEA, agência do governo dos EUA que combate o tráfico internacional de drogas. A turma de Wharton, incluindo o próprio, é da pesada. São policiais violentos e sanguinários que não querem saber de seguir regras. Só para se ter uma ideia, Lizzy (Mireille Enos), a única mulher do grupo, é viciada em anfetaminas e outras drogas, mas briga e atira como poucos. Wharton e sua equipe invadem o QG de um cartel de drogas e roubam 10 milhões de dólares. Os traficantes partem para a vingança. Eles começam a matar os membros da equipe de Wharton com toques de crueldade – um deles é “crucificado” no teto de uma casa. A policial Caroline Brentwood (Olivia Williams), do FBI, é encarregada de investigar os crimes. Ela terá a infelicidade de conviver com os integrantes da equipe de Wharton e, num determinado momento, vai acabar desconfiando que um ou alguns deles podem ser os verdadeiros criminosos. O filme ainda terá uma vingança pessoal de Wharton contra um traficante mexicano que matou sua mulher e seu filho. É tiro e pancadaria do começo ao fim, sangue espirrando na telinha. Programão para quem gosta de filmes violentos. Estão ainda no elenco Sam Worthington, Josh Holloway e Terrence Howard.                     

sexta-feira, 18 de julho de 2014

“Filha de Ninguém” (“Nugu-ui Ttal-do Anin”), Coreia do Sul, 2013, é o terceiro longa do diretor Hong Sang-Soo. Trata-se de um drama altamente depressivo envolvendo a jovem Haewon (Jeong Eun-Chae), estudante de Cinema numa faculdade de Seul. Começa o filme e ela está se despedindo da mãe, que vai passar uma temporada com o outro filho no Canadá. No meio da longa conversa entre ambas, a mãe pergunta a Haewon se ela vai ficar bem com o pai, que não aparece o filme inteiro, o que talvez justifique o título do filme. Sentindo-se abandonada, Haewon marca encontro com seu amante SeonGjun (Lee Seon-Gyoon), professor de Cinema, que é casado e morre de medo do seu caso ser descoberto. Na faculdade, porém, todo mundo comenta sobre os dois, situação que vai levar Haewon a tentar terminar com o amante, que não aceita a separação e entra em depressão. Os diálogos são intermináveis e cansativos. Haewon é cheia de incertezas sobre o que quer da vida, o que a torna uma protagonista das mais chatas. O diretor exagera na utilização do recurso do zoom para aproximar os protagonistas do espectador, como se a gente não tivesse ouvindo o que eles estão falando. De interessante, o filme tem uma participação especial da atriz francesa Jane Birkin. E só. Do mesmo diretor, recomendo apenas “Em outro País”, também traduzido por “A Visitante Francesa”, com Isabelle Huppert, este sim um filme que vale a pena.