sábado, 26 de novembro de 2022

 

“AS NADADORAS” ("THE SWIMMERS”), 2022, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 2h15m, em cartaz na Netflix, direção de Sally El Hosaini, que também assina o roteiro com Jack Thorne. Baseado em fatos reais, o filme acompanha a incrível aventura de duas irmãs que fogem da Síria em 2015, por causa da guerra civil, e iniciam uma viagem repleta de desafios por vários países até chegar à Alemanha. Yusra (Nathalie Issa) e Sara Mardini (Manal Issa) são nadadoras treinadas pelo pai, o ex-nadador olímpico Ezzat Mardini (Ali Suliman). Desde 2011 elas sonhavam em representar a Síria em competições internacionais, sonho não concretizado pelo conflito interno. Na Alemanha, elas ficam abrigadas em um alojamento destinado a refugiados, onde conhecem o treinador de natação Sven Spannerkrebs (Matthias Schwerghöfer). Elas começam a treinar com o objetivo de participar dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Sara, porém, se machuca e é eliminada antes das provas eliminatórias. Yusra consegue os resultados e vai para o Rio defender a equipe de Refugiados, conseguindo grandes performances. Como dá para perceber pelo sobrenome, Nathalie e Manal, atrizes libanesas nascidas e radicadas na França, são irmãs também na vida real. O roteiro de “As Nadadoras” foi adaptado do livro “Butterfly: From Refugge To Olympian – My Story of Rescue, Hope anda Triumph”, escrito pela própria Yusra Mardini. O filme estreou em setembro de 2022 no Festival Internacional de Cinema de Toronto, recebendo muitos elogios tanto do público como da crítica especializada. Realmente, é um belo filme, um drama incrível que merece ser conferido. Imperdível!                         

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

 

“ATHENA”, 2022, França, produção original e distribuição Netflix, 1h39m, direção de Romain Gavras, que também assina o roteiro com a colaboração de Ladj Ly e Elias Belkeddar. Mais um filme em que o cinema francês coloca o dedo na ferida de uma grave questão social: como conviver com os imigrantes, como tratá-los sem desigualdade e como promover sua inclusão na sociedade. De forma realista e impactante, “Athena” comprova que é uma situação muito difícil de resolver. Começa o filme e uma revolta explode em um conjunto habitacional na periferia de Paris, onde os moradores são, em sua maioria, imigrantes negros e árabes. O protesto é contra a polícia, acusada de ser a responsável pela morte de um menino árabe de 13 anos. Seus três irmãos maiores são os principais protagonistas da história: Karim (Sami Slimani), líder da revolta, Mokhtar (Ouassini Embarek), traficante do bairro, e o “ovelha negra” da família, Abdel (Dali Benssalah), policial das forças de elite. E dá-lhe muita confusão, conflitos violentos, tiros e explosões. Na verdade, juntando tudo, o que deve ser mais destacado no filme é sua estética, as cenas de ação filmadas de forma a colocar o espectador dentro do conflito. Méritos para o diretor Romain Gavras, que tem o DNA de um cineasta consagrado, seu pai, o grande Costa-Gavras – ainda vivo, aos 89 anos -, que ficou conhecido com seus filmes de denúncia política, como “Z” (Oscar de melhor filme estrangeiro em 1969), “A Confissão” e “Missing”, no qual expõe fatos tenebrosos da ditadura de Pinochet, no Chile. Costa-Gavras também tem uma filha cineasta, Julie Gavras. Resumo da ópera: “Athena” é um filme bastante impactante, de muita tensão, ideal para cinéfilos que curtem cinema de qualidade.                  

terça-feira, 22 de novembro de 2022

 

“MAJOR SANDEEP” (“MAJOR”), 2022, Índia, 2h30m, em cartaz na Netflix, direção de Sashi Kiran Tikka, seguindo roteiro assinado por Advi Sesh, Abburi Ravi e Akshat Ajay Sharma. Com este filme de ação, Bollywood presta uma homenagem a um herói nacional indiano, o major Sandeep Unnikrishnan, oficial da Guarda Nacional de Segurança (NSG), que morreu no dia 26 de novembro de 2008 depois de enfrentar um grupo de terroristas paquistaneses que invadiu o luxuoso Taj Hotel, em Mumbai. Naquele dia, Mumbai foi vítima de 10 atentados que resultaram na morte de 166 pessoas e outras centenas de feridos. No hotel, Sandeep comandou uma equipe de soldados da NSG e conseguiu resgatar dezenas de hóspedes, lutou com os terroristas e acabou morrendo em combate. O ator estreante Adivi Sesh, que também colaborou no roteiro, interpreta o major Sandeep. Completam o elenco Saiee Manjrekar, Sobhita Dhulipala, Prakash Raj e Murli Sharma. Além das cenas de ação, que ocupam praticamente toda a segunda metade da projeção, o filme destaca a vida particular do major, o relacionamento amoroso e respeitoso com os pais, o romance e o casamento com uma colega de universidade e sua carreira no exército indiano. Como é comum ao cinema indiano, o filme exagera na dramatização e ainda mais na exaltação ao major herói, mas as cenas de ação, tiros e explosões são muito bem feitas. Bem ao contrário do estilo de Bollywood, “Major Sandeep” não conta com aquelas cantorias e cenografias irritantes, o que torna este filme bastante assistível.                    

 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

 

“O MILAGRE” (“THE WONDER”), 2022, coprodução Irlanda/Inglaterra/EUA, 1h43m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta chileno Sebastián Lelio (de “Uma Mujer Fantástica”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018), que também assina o roteiro com Emma Donoghue e Alice Birche. Donoghue, aliás, é autora do livro homônimo cuja história mereceu essa adaptação para o cinema. Toda a trama é ambientada durante o século 19 em uma comunidade isolada na Irlanda. Visitada por peregrinos e turistas, em verdadeiras romarias, depois que se espalhou a notícia de que naquela vila havia uma menina de 11 anos de idade que não se alimentava há meses, e que, de uma hora para outra, acabou sendo tratada como uma “santa”. Os chefes da comunidade, entre os quais um padre e um médico, contrataram uma enfermeira e uma freira para observar a menina durante 24 horas e constatar - ou não - o tal milagre. Não vou entrar em detalhes sobre o desfecho, quando acontece uma surpreendente revelação. Embora a história seja bastante interessante, o ritmo é muito lento, exigindo uma boa dose de paciência por parte do espectador. Destaque para a excelente fotografia, assim como para o ótimo elenco, formado por Florence Pugh, Kila Lord Cassidy, Tom Burke, Ciarán Hindes, Elaine Cassidy, Toby Jones, Josie Walker e Niamh Algar. Como informação complementar, lembro que Emma Donoghue também foi responsável pela história e pelo roteiro do filme “O Quarto de Jack”, de 2015, muito elogiado e indicado a várias categorias do Oscar (a atriz Brie Larson ganhou o de Melhor Atriz). Resumo da ópera: “O Milagre” é um drama de muita qualidade.                       

 

sábado, 19 de novembro de 2022

 

“MEU POLICIAL” (“MY POLICEMAN”), 2022, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Michael Grandage, com roteiro assinado por Ron Nyswaner. A história é baseada no livro homônimo escrito por Berthan Roberts e lançado em 2012. A autora teve a ideia de escrever o livro depois de estudar a biografia do escritor A.M. Forster (1870-1970), que em 1930 do século passado foi envolvido em um escândalo judicial, acusado de manter um caso homossexual com um policial, o que na época era considerado um delito grave. No filme, a história foi ambientada em dois momentos: o primeiro na segunda metade dos anos 50, quando começa uma grande amizade entre os jovens Tom Burgess (Harry Styles), o policial do título, Patrick Hazlewood (David Dawson), curador de museu, e a professora Marion Taylor (Emma Corrin). O segundo momento nos leva a quarenta anos depois, com os mesmos protagonistas já bem mais velhos. Tom, vivido por Llinus Roache, Patrick por Rubert Everett e Marion por Gina Mckee. De início, a história parece caminhar para um triângulo amoroso, ou seja, os dois jovens apaixonados pela mesma mulher. Ledo engano. Os amigos Tom e Patrick eram amantes. Só que Tom, por ser policial, tinha de manter as aparências, e casa com Marion. O filme começa com os três mais velhos. Marion, ainda casada com Tom, acolhe o debilitado Patrick, vítima de um derrame, contrariando o marido. Em inúmeros flashbacks, Marion recorda os fatos ocorridos no passado, resultando na revelação de um segredo que abalará o seu casamento de tantos anos. Há muitas cenas fortes de sexo entre os dois homens, o que pode incomodar alguns espectadores. Há que se destacar, além do excelente elenco, a primorosa recriação de época e os cenários deslumbrantes do litoral de Brighton (East Sussex). O ritmo é lento, mas não prejudica o resultado final. Trocando em miúdos, um drama que merece ser conferido.                  

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

 

“HACKERS NO CONTROLE” (“THE TAKEOVER”), 2022, Holanda, 1h27m, produção original e distribuição Netflix, direção de Annemarie Van de Mond, seguindo roteiro assinado por Tijs Van Marle e Hans Erik Kraan. Misto de suspense e policial, com muita ação. A história é centrada na especialista em TI Mel Bandison (Holly Mae Brood), que durante o dia presta serviços a instituições e empresas, mas durante a noite transforma-se numa hacker ativista, invadindo os softwares de empresas que poluem o meio ambiente e outras envolvidas em algum delito. Mel é um tipo de justiceira, uma “Robin Hood” cibernética. Tudo caminha na normalidade até que Mel é contratada pela Rotramax, uma empresa de alta tecnologia, para fazer a verificação final no software de um projeto de um ônibus conduzido por piloto automático. Mel acaba descobrindo que o tal ônibus possui câmeras capazes de fazer a varredura facial dos passageiros. Pior: o tal software foi desenvolvido por uma empresa chinesa com a intenção de montar um banco de dados faciais para o governo chinês. Meio complicado entender tudo isso, mas o que vale mesmo é que a partir daí Mel vira alvo de uma poderosa organização criminosa. Além disso, também será perseguida pela polícia, que recebeu um vídeo onde ela aparece matando uma pessoa. Até provar que o vídeo é falso, Mel terá de passar por vários desafios, arriscando ser morta em cada esquina. Ao lado da moça também correrão perigo seus dois novos amigos: o hacker veterano Buddy Benschop (Frank Lammers) e seu pretendente a namorado Thomas Deen (Geza Weisz). O filme tem um ritmo alucinante e muita ação, com destaque para a corrida descontrolada do tal ônibus com piloto automático. Uma boa dica de entretenimento para assistir numa sessão da tarde comendo pipoca.                  

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

 

“A IMPERATRIZ” (“DIE KAISERIN”), minissérie alemã em seis capítulos na sua 1ª temporada, produção original Netflix (início dia 29 de setembro de 2022), direção de Frorian Cossen e Katrin Bebbe, com roteiro de Katharina Eyssen, Bernd Lange, Janna Maria Nandzik e Lena Sthal. A Imperatriz do título é Elizabeth Von Wittelsbach (1837/1898), que ficou famosa como a Imperatriz Sissi nos três filmes com a atriz austríaca Romy Schneider – “Sissi” (1955), “Sissi, A Imperatriz” (1956) e “Sissi e Seu Desejo” (1957). Na minissérie, Sissi é interpretada pela atriz alemã Devrin Lingnau, tão bonita quanto Romy. Baseada em fatos históricos, a minissérie destaca o romance turbulento de Sissi com seu marido Franz Joseph, imperador da Áustria e Rei da Hungria, Croácia e Boêmia, de 1848 a 1916. Como pano de fundo, a minissérie percorre os bastidores da Corte Austríaca, luta pelo poder, vingança e traições, envolvendo principalmente a arquiduquesa Sophie (Melika Foroutan), mãe de Franz, e o duque Maximiliam (Johannes Nussbaum), irmão do imperador que, além do trono, também queria o amor de Sissi. As tensões políticas na Europa também ganham destaque com o prenúncio de uma guerra entre Áustria e Rússia, com o imperador Franz querendo aliar-se à França, Inglaterra e Império Otomano. Além desse aspecto histórico e do romance entre Sissi e o imperador, a minissérie conta como trunfos uma primorosa recriação de época, com cenários suntuosos, figurinos impecáveis e um elenco de primeira qualidade. A Netflix ainda não anunciou o início da segunda temporada, mas não deve demorar muito, pois a primeira tem alcançado uma grande audiência. Imperdível!                      


 

“O PESO DO TALENTO” OU “O INSUPORTÁVEL PESO DE UM GRANDE TALENTO” (“THE UNBEARABLE WEIGHT OF MASSIVE TALENT”), 2022, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Tom Gormican, que também assina o roteiro com Kevin Etten. O ator Nicolas Cage interpreta ele mesmo nessa comédia repleta de sátira, mas ao mesmo tempo metida a “filme cabeça”, misturando ficção e realidade. Em decadência na carreira, não muito diferente da vida real, pelo menos em termos de qualidade dos seus últimos filmes, Nicolas recebe uma negativa para um papel no novo filme do diretor Quentin Tarantino. Com muitas dívidas a pagar, ele aceita um cachê de US$ 1 milhão para passar um final de semana na mansão do espanhol Javi Gutierrez (Pedro Pascal), na Ilha de Maiorca, na Espanha, e marcar presença na festa de aniversário do milionário. O relacionamento entre os dois marcará o restante da história, assim como os problemas familiares de Cage, principalmente seu relacionamento com a filha adolescente Addy. Gutierrrez é fã de Cage e sua intenção também é escrever um roteiro para um futuro filme com o astro norte-americano. Em meio a tudo isso, Cage é cooptado por uma agente da CIA para vigiar os passos de Gutierrez, suspeito de pertencer a uma organização criminosa e talvez envolvido em um recente caso de sequestro. É a partir daqui que a trama se transforma num filme de ação, gênero que consagrou Cage. Também estão no elenco Tiffany Haddish, Alessandra Mastronardi, Sharon Horgan, Lily Mo Sheen e Lucas Gutierrez, além de uma participação especial da atriz Demy Moore. Embora tenha conquistado um Oscar de Melhor Ator por ”Despedida em Las Vegas”, em 1996, Nicolas Cage nunca foi considerado um ator de primeira linha, mas neste “O Peso do Talento” seu desempenho é excelente. Achei que este filme foi feito para homenagear sua carreira – Cage é um dos produtores. Recomendo, com ressalvas, somente para os fãs de carteirinha do ator.                          

 

 

                           

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 

“5 DIAS SEM NORA” (“5 DÍAS SIN NORA”), México, 1h32m, roteiro e direção de Mariana Chenillo. Quem procura, acha. Pois eu procurei e achei uma pequena pérola do sempre surpreendente cinema mexicano. O filme foi produzido em 2008 e só chegou aos cinemas brasileiros em 2011, passando praticamente – e injustamente – despercebido. Só recentemente chegou à Netflix, o que dá uma excelente oportunidade de descobri-lo. É uma comédia intimista sensível e divertida na medida certa, que tem como ponto de partida o suicídio de Nora (Silvia Mariscal), que vive sozinha em seu apartamento de alta classe média. Seu corpo é descoberto pelo ex-marido José Kurtz (Fernando Luján) que mora em um apartamento vizinho e que de vez em quando leva a correspondência de Nora. Como Nora e o filho Ruben (Ari Brickman) obedeciam aos preceitos da lei judaica, José foi obrigado a aceitar o fato de que os preparativos para a cerimônia do velório e enterro sejam organizados pelo rabino Kolatch (Martin La Salle) e seus auxiliares da sinagoga. Aceitar em termos, pois José se revolta quando fica sabendo que a ex-esposa teria que ser enterrada numa ala do cemitério judeu destinada a criminosos e suicidas. A confusão está formada. Começa no apartamento da falecida um incessante entre-e-sai de familiares, amigos, vizinhos e religiosos. José, o viúvo, apronta das suas para se livrar principalmente dos religiosos, pois é ateu convicto. A confusão fica maior ainda depois que José descobre uma foto comprometedora da falecida. “5 Dias sem Nora” foi premiado em vários festivais mundo afora, como em Havana, Mar Del Plata, Miami, Moscou e Biarritz. Realmente, um filmaço. Não perca!         

terça-feira, 8 de novembro de 2022

 

“OVERDOSE”, 2022, França, 1h59m, em cartaz na Amazon Prime Video – desde 4 de novembro de 2022 – direção de Olivier Marchal. Colaboraram no roteiro Christophe Gavat e Pierre Pouchairet, este último autor do livro que inspirou a história, “Mortels Trafics: Prix Du Quai Des Orfèvres”, de 2016. Mais um excelente policial com a assinatura do cineasta francês Olivier Marchal. Hollywood que me desculpe, mas o cinema francês está produzindo, atualmente, os melhores filmes do gênero. Marchal está à frente de vários deles, como “Pacto de Sangue”, “MR 73, A Última Missão”, “Bronx” e “Carbono”, só para citar alguns. Em “Overdose”, a trama segue o trabalho da polícia de Toulouse para desvendar os misteriosos assassinatos de dois jovens dentro de um hospital. A capitã Sara Bellaiche (Sofia Essaïdi), encarregada das investigações, descobre que os crimes têm ligação com um poderoso cartel de drogas espanhol comandado por Alfonso Castroviejo (Carlos Barden, irmão do Javier). E dá-lhe muita ação do começo ao fim, com destaque às perseguições pelas estradas da Espanha e da França. Tudo muito bem feito, cenas de suspense, violência na medida certa e personagens que têm tudo a ver com o submundo do crime, como o sanguinário Eduardo Gracia (Alberto Ammann), braço direito de Castroviejo. Completam o elenco Zoé Marchal (filha do diretor), Kenza Fortas, Bruno Lopes e Simon Abkarian. Nos créditos finais, Marchal dedica o filme ao seu amigo e ator Jean Paul Belmondo, falecido em setembro de 2021. Trocando em miúdos, “Overdose” é imperdível.       

 

domingo, 6 de novembro de 2022

 

“A HORA DO DESESPERO” (“THE DESPERATE HOUR”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h24m, direção do cineasta australiano Phillip Noyce, seguindo roteiro assinado por Chris Sparling. Trata-se de um suspense com praticamente um único personagem em cena do começo ao fim, Amy Carr (Naomi Watts), uma mulher que recentemente ficou viúva. Ela acorda os filhos, a pequena Emily (Sierra Maltby) e o adolescente Noah (Colton Gobbo), e sai para sua corrida matinal. Claro, com os fones de ouvido ligados no celular. E não para ouvir música, mas para fazer chamadas telefônicas e escrever mensagens de texto. Correndo, imaginem. De repente ela recebe a notícia de que uma das escolas da cidade está sendo alvo de um atirador. Aí começa de verdade o desespero da mulher, primeiro querendo saber se a escola é a mesma dos seus filhos. De tão atordoada, Amy perde o senso de direção e acaba literalmente perdida no meio de uma floresta. E dá-lhe mensagens e telefonemas até o desfecho. Lançado no Festival de Toronto 2021, o filme dividiu a opinião dos críticos. Só houve unanimidade nos elogios ao desempenho da veterana atriz Naomi Watts, que realmente carrega o filme nas costas. Resumo da ópera: fico em dúvida em afirmar se a “A Hora do Desespero” é só da mãe em questão ou então dos espectadores que ficaram em frente da tela aguentando suas irritantes conversas e chamadas pelo celular. Ao invés de entreter, o filme realmente irrita.     

sábado, 5 de novembro de 2022

 

“NADA DE NOVO NO FRONT” (“IM WESTEN NICHTS NEUES”), 2022, Alemanha, em coprodução com EUA e Inglaterra, 2h28m, em cartaz na Netflix, direção de Edward Berger, que também assina o roteiro com Leslie Patterson e Ian Stokell. Esta é a segunda adaptação feita para o cinema do clássico homônimo escrito por Erich Maria Remarque – a primeira é de 1930. No Brasil, o livro foi lançado com o título de “Sem Novidade no Front”. Selecionado para disputar o Oscar 2023 de Melhor Filme Internacional representando a Alemanha, “Nada de Novo no Front” conta a história de um grupo de jovens soldados alemães recrutados em uma escola do ensino fundamental. Era 1918, quase final da Primeira Guerra Mundial, e a Alemanha tentava queimar seus últimos cartuchos, apelando de forma irresponsável ao recrutar jovens sem nenhuma experiência de combate. Inocentes ao extremo, empolgados com a onda de fervor patriótico que ainda restava, eles marcham decididos para o território francês, pensando que teriam pela frente uma grande aventura. Quando chegam ao front, porém, a realidade brutal da guerra aparece nua e crua: muita violência, fome, frio, combates corpo a corpo e outras tragédias ocorridas naquele conflito que chegou a ser chamado de “Guerra das Trincheiras”. Desde a convocação no colégio, até o desenrolar dos combates no front, o filme acompanha o soldado Paul Bäumer (o ator austríaco Felix Kammerer) e sua luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, destaca o trabalho do diplomata Matthias Erzberger (Daniel Brühl, o nome mais conhecido do elenco) nas negociações para a rendição alemã. “Nada de Novo no Front” é uma superprodução, com um grande elenco e milhares de figurantes. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.                     

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

 

“O ENFERMEIRO DA NOITE” (“THE GOOD NURSE”), 2022, Estados Unidos, 2h1m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta dinamarquês Tobias Lindholm (“Guerra”, “A Caça”), com roteiro de Krysty Wilson-Cairns. Um suspense de primeira, baseado em fatos reais, ou seja, na história do serial killer Charlie Cullen, enfermeiro que durante 16 anos (de 1988 a 2003) assassinou dezenas de pessoas em hospitais de Nova Jersey e Pensilvânia. O seu método criminoso: adulterava medicamentos com doses fatais de insulina e digoxina. Para escrever o roteiro, Krysty adaptou a história do livro “The Good Nurse: A True Story of Medicine, Madness and Murder”, escrito em 2013 pelo jornalista norte-americano Charles Graeber. O psicopata só foi preso graças às denúncias de sua colega de trabalho Amy Loughren, que atuava com ele no turno da noite em um hospital de Nova Jersey. Condenado por 30 crimes comprovados e confessados, Cullen, hoje com 62 anos, cumpre prisão perpétua. Acredita-se, porém, que ele foi responsável por pelo menos 400 mortes. Ele nunca declarou os motivos que o levaram a assassinar os pacientes, um mistério até hoje. Se o filme já é bom por si próprio, com destaque para o roteiro, direção e fotografia, ainda contou com dois trunfos muito especiais: o ator inglês Eddie Redmayne (Oscar de Melhor Ator por “Teoria de Tudo”, em 2015) e a atriz Jessica Chastain (Oscar de Melhor Atriz por "Os Olhos de Tammy Faye", em 2022), ambos dando show de interpretação, ele como o assassino e ela como a enfermeira corajosa que o denunciou. Ainda fazem parte do elenco Kim Dickens, Noah Emmerich e Nnandi Asomugha. Mais um excelente lançamento da Netflix em 2022. Filmaço!                  

 

“CLEMÊNCIA” (“CLEMENCY”), 2019, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Chinonye Chukwu, cineasta nigeriana radicada nos EUA. Um drama impactante, embora intimista, lento e de poucos diálogos muitas cenas silenciosas. A história é toda centrada em Bernardine Williams (Alfre Woodard), carcereira-chefe de uma unidade prisional com condenados aguardando a injeção letal (nos EUA, 29 estados aplicam a pena de morte). A cena inicial é chocante, mostrando os preparativos e a execução de Victor Gimenez (Alex Castillo). De embrulhar o estômago. Bernardine está lá presente, como em outras 12 ocasiões, comandando os trabalhos com pulso firme. Ela é aparentemente insensível às execuções, mas no fundo, como o filme deixa bem claro mais tarde, ela sofre as consequências psicológicas desse trabalho, o qual afeta o relacionamento com o marido Jonathan (Wendell Pierce), que tenta convencê-la o tempo todo a se aposentar. Anthony Woods (Aldis Hodje), acusado de assassinar um policial, será o próximo a ser executado, embora continue alegando inocência. É a partir do relacionamento com esse preso que Bernardine começa a desabar emocionalmente. O trabalho da atriz Alfre Woodard é sensacional. Vale o ingresso. Para escrever o roteiro, Chinonye Chukwu inspirou-se no caso de Troy Davis, um prisioneiro executado em 2011. Chukwu realizou um excelente trabalho, tanto que mereceu várias indicações no Sundance Film Festival, conseguindo o Grande Prêmio do Júri, a primeira mulher negra a conquistá-lo (o Sundance é um festival dedicado ao cinema independente). O filme é ótimo, com o mérito de apresentar, de forma realista e ao mesmo tempo sensível, o trabalho nos bastidores de um corredor da morte. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix em 2022.                     

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

 

“O COBRADOR DE IMPOSTOS” (“THE TAX COLLECTOR”), 2020, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h35m, roteiro e direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida” e “Corações de Ferro”). Um retrato realista do submundo violento de Los Angeles. David Cuevas (Bobby Soto) e seu capanga psicopata Creeper (Shia Labeouf) trabalham para um poderoso chefão do crime organizado. A missão da dupla é cobrar “impostos” de comerciantes e traficantes de drogas, aos quais prometem proteção. Até o dia em que chega à cidade o sanguinário Conejo (Jose Conejo), chefe de um poderoso cartel mexicano. Com a intenção de dominar o tráfico local, Conejo será uma pedra no sapato de David e Creeper. E dá-lhe violência explícita, muitos tiros, pancadarias e sangue jorrando. Ha que se reconhecer: as cenas de ação são ótimas. A história destaca os dois lados da personalidade de Cuevas. O primeiro, o de um pai e marido sempre presente na família. O segundo, de um sádico cobrador de impostos. O ator que o interpreta, Bobby Soto, é conhecido pela série “Narcos: México”. Shia Labeouf, o mais conhecido do elenco, deixou de ser aquele ator considerado uma grande promessa de Hollywood. Completam o elenco Cle Shaheed Sloan, Lana Parrilla e Cinthya Carmona. Sem dúvida, um bom filme de ação, violento na medida certa.                    

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

 

“LICORICE PIZZA”, 2021, Estados Unidos, 2h14m, em cartaz na Amazon Prime Video, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson. Trata-se de uma comédia romântica juvenil ideal para os adultos que, como eu, viveram sua juventude no início da década de 70. Um filme divertido e nostálgico, com uma deliciosa trilha sonora. Indicado em três categorias ao Oscar 2022 (Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor), “Licorice Pizza” apresenta como personagens principais Gary Valentine (Cooper Hoffman), de 15 anos, e Alana Kane (Alana Haim), de 25 anos, que vivem um romance que não se concretiza nunca. Depois de tantos encontros e desencontros, sempre aos trancos e barrancos, eles finalmente se apaixonam. Gary é aquele adolescente que quer crescer mais do que a idade e Alana ainda não amadureceu como mulher. Uma dupla improvável para um romance. O filme apresenta muitas atrações durante o desenrolar da história, como as participações especiais de astros como Sean Penn, Tom Waits, Bradley Cooper, Maya Rudolph, as irmãs Destry Allyn e Sasha Spielberg, filhas do diretor Steven Spielberg e da atriz Kate Capshaw. As surpresas do elenco não param por aí. Também participam George DiCaprio, pai do Leonardo, e ainda toda a família da atriz Alana Haim: suas irmãs Danielle e Este, além de seus pais, Moti e Donna Haim. Méritos totais para a genialidade do diretor Paul Thomas Anderson, responsável por dois grandes clássicos (“Boogie Nights” e “Magnolia”), que deu o papel central ao jovem Cooper Hoffman, filho do falecido ator Philip Seymour Hoffman. Com seu carisma e a química perfeita com Alana Haim, que, além de atriz, atua em uma banda de rock com as irmãs, Cooper faz jus total à competência do pai. Para concluir, insisto em destacar alguns nomes presentes na ótima trilha sonora: Paul McCartney & Wings, Blood, Sweat & Tears, David Bowie, Chuck Barry, The Doors e Nina Simone. Um luxo. O filme é uma delícia e merece ser visto por quem curte cinema de primeira qualidade. Imperdível!                    

 

                           

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

 

“ARGENTINA, 1985”, 2022, Argentina, 2h21m, em cartaz na Amazon Prime Video, (desde 21/10/22), direção de Santiago Mitre, que também assina o roteiro ao lado de Mariano Llinás. O cinema argentino volta à sua melhor forma com esse drama político baseado em fatos reais, ou seja, o julgamento, em 1985, de nove comandantes militares que estiveram à frente da ditadura argentina de 1976 a 1983, acusados por crimes contra a humanidade, sendo responsáveis pelo desaparecimento, tortura e morte de mais de 30 mil pessoas. Este foi o primeiro julgamento no mundo por um tribunal civil contra comandantes militares. Os bastidores de toda essa história são contados em “Argentina, 1985”. O personagem central é o promotor Julio Strassera (Ricardo Darín), que, ao lado do jovem promotor Luis Moreno Ocampo (Peter Lanzani) e de uma pequena equipe de estudantes de Direito inexperientes em julgamento, enfrentaram o desafio de condenar importantes comandantes militares, entre os quais o general Jorge Rafael Videla, Roberto Eduardo Viola, Leopoldo Galtieri e Emílio Eduardo Massera. As cenas de julgamento são sensacionais, com destaque ao depoimento de vítimas e familiares de vítimas. Apesar do contexto sério, o filme abre espaço para alguns toques de humor, o melhor deles quando Strassera faz caretas provocando os réus. O filme estreou no 79º Festival Internacional de Cinema de Veneza, sendo indicado a melhor filme, melhor diretor, prêmio especial do júri e melhor ator (Darín, claro). Também recebeu indicações e muitos elogios no Festival Internacional de Cinema de San Sebastian e no Festival Internacional de Cinema do Rio, entre tantos outros mundo afora. Desde já, “Argentina, 1985” está sendo considerado o melhor filme de 2022 pela crítica especializada e grande favorito para conquistar o prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar 2023. Sem dúvida, trata-se de cinema político da mais alta qualidade, com o trunfo de contar no elenco com o grande Ricardo Darín em mais um desempenho magistral. Méritos também para o diretor Santiago Mitre, que já havia demonstrado grande competência em filmes como “A Cordilheira”, “El Estudiante”, “Elefante Branco” e “Paulina”. Resumo da ópera; “Argentina, 1985” é simplesmente IMPERDÍVEL, assim mesmo, com letras maiúsculas.             

 

                           

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

 

“BLACKOUT”, 2022, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Netflix, direção de Sam Macaroni, seguindo roteiro assinado por Van B. Nguyen. Trata-se de um suspense policial, repleto de ação, muita pancadaria e tiros, mas sem conteúdo. Começa o filme e um homem com uma maleta é perseguido na estrada e sofre um acidente. Ele acaba no hospital sem saber quem é – o espectador sabe que ele se chama John Cain (Josh Duhamel), que pode ser um agente infiltrado da DEA (Departamento Antigrogas dos EUA) ou um traficante. A dúvida permanecerá até o desfecho e depois dele também.  O hospital é invadido por uma gangue pertencente a um poderoso cartel mexicano de drogas, que faz inúmeros reféns, entre eles, pacientes, enfermeiros e médicos. Uma bagunça infernal. Enquanto isso, John Cain foge da cama com a ajuda da misteriosa Anna (Abbie Cornish), que também pode ser uma policial ou uma traficante. Ou seja, é tudo muito confuso. O filme garante muita ação, o ritmo é frenético, mas o roteiro é simplesmente ridículo e complicado, com destaque para os diálogos nada mais do que lamentáveis. O elenco conta ainda com o acabado Nick Nolt e um time de figurantes de dar dó, de tão ruins. Se o filme todo é muito fraco, o desfecho é a cereja estragada do bolo. Apesar de ter feito algum sucesso na pele do tenente-coronel William Lennox nos filmes “Transformers”, o ator Josh Duhamel ainda não emplacou. Resumo da ópera: “Blackout” é um dos lançamentos da Netflix mais fracos deste ano.            

domingo, 16 de outubro de 2022

 

“BROAD PEAK”, 2022, Polônia, produção original e distribuição Netflix, 1h41m, direção de Leszek Dawid, seguindo roteiro assinado por Lukasz Ludkowski. O título refere-se ao nome de uma montanha localizada na região de Karakoram, no Himalaia, próxima à fronteira com o Paquistão. Também chamada de K3, Broad Peak é a 12ª montanha mais alta do mundo, com 8.051m. A história do filme, baseada em fatos reais, é centrada no alpinista polonês Maciej Berbeka (Ireneusz Czop) que em 1988 tentou chegar ao topo. Faltavam apenas 17 metros quando avisou sua equipe que estava passando mal, que não sentia mais as pernas. Para resgatá-lo ainda com vida, sua equipe conseguiu convencê-lo de que havia chegado ao topo. Quando soube da mentira, Berbeka ficou revoltado e jurou que voltaria à montanha para chegar finalmente ao cume. Em certo momento, Maciej diz: “É difícil viver com a sensação de que você é uma fraude. Há vinte e cinco anos venho tentando me livrar disso”. Portanto, em 2013, Maciej forma uma equipe com mais três alpinistas e finalmente consegue chegar ao topo, mas na descida acontece uma tragédia. As filmagens, feitas na própria montanha, mas “apenas” a 5 mil metros de altura, são primorosas. O diretor Leszek Dawid utilizou drones e helicópteros com câmeras equipadas com giroscópio, descortinando cenários deslumbrantes. As tempestades de neve também são muito bem realizadas. Enfim, um filme que garante uma história incrível de coragem, sofrimento e muitos desafios. Imperdível.            

 

sábado, 15 de outubro de 2022

 

“O TELEFONE DO SR. HARRIGAN” (“MR. HARRIGAN’S PHONE”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de John Lee Hancock. A história desse suspense, com pitadas de sobrenatural, é baseada em um conto do escritor Stephen King incluído na antologia “If It Bleeds”. John Harrigan (Donald Sutherland), um milionário recluso e solitário, contrata o jovem Craig (Colin O’Brien), de 9 anos, para ler livros em voz alta três vezes por semana, já que o velho tem uma certa deficiência visual. Ao longo dos anos, a amizade entre Craig e o idoso torna-se cada vez mais forte. Nos intervalos das leituras, Harrigan sempre conversa com o garoto e lhe dá conselhos. Agora vemos Craig (Jaeden Martell) aos 15 anos e ainda muito feliz com a convivência com Harrigan. O filme destaca algumas frases escritas nos livros, identificando os autores, o que dá um tom de erudição nos encontros. O filme torna-se ainda mais interessante quando Craig dá de presente a Harrigan um iPhone, ensinando-o a manuseá-lo. Embora goste da novidade, Harrigan transmite a Craig sua preocupação quanto aos malefícios do aparelho, um ponto de vista muito interessante que dá margem a muita reflexão. Para resumir, o milionário morre de repente e Craig coloca o celular no caixão. Paro por aqui para não estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme realmente é bastante interessante e mesmo o ritmo lento não prejudica o resultado final. E ainda temos, como trunfo, o veterano ator canadense Donald Sutherland em mais uma ótima performance. Completam o elenco Kirby Howell Baptiste, Cyrus Arnald, John Tippett e Alexa Niztak. Ótimo entretenimento. Recomendo.            

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 


“O ÚLTIMO VERMEER” (“THE LAST VERMEER”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na plataforma Amazon Prime Video, 1h58m, direção de Dan Friedkin (é o seu longa de estreia), seguindo roteiro assinado por Hawk Ostby, James McGee, John Orloff e Mark Fergus. A história é baseada em fatos reais, descritos no livro “The Man Who Made Vermeers”, escrito em 2008 pelo escritor e historiador de arte norte-americano Jonathan Lopez. Antes de iniciar o comentário propriamente dito, lembro que o filme destaca o pintor holandês Johannes Vermeer (1632-1675). O filme começa logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas resgatam na Alemanha o quadro “Cristo e a Mulher Adúltera”, que havia sido comprado pelo líder nazista Hermann Göring acreditando ser um genuíno Vermeer. Enquanto isso, o capitão Joseph Piller (Claes Bang), judeu e membro da resistência holandesa, agora oficial dos aliados, coordenava as investigações sobre pessoas acusadas de colaborar com os nazistas por ocasião da ocupação do país. Um dos suspeitos de colaboração era o renomado pintor holandês Han Van Meegeren (Guy Pearce), justamente aquele que vendeu o quadro de Vermeer para Göring. Preso e prestes a ir a julgamento, descobriu-se que a tela vendida por Meegeren era falsa. O filme repassa os acontecimentos e a tentativa de Meegeren de não ser condenado, até perto do desfecho, quando a descoberta de um livro provoca uma grande reviravolta. Completam o elenco Vicky Krieps, August Diehl, Roland Moller e Olivia Grant. “O Último Vermeer” vale ser visto não só pela história em si, mas também pelo ótimo elenco e pela primorosa recriação de época. Ótimo lançamento da Amazon Prime Video.           

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 

“UMA GAROTA DE MUITA SORTE” (“LUCKIEST GIRL ALIVE”), 2022, Estados Unidos, 1h55m, lançamento da Netflix (7/10/2022), direção do cineasta inglês Mike Barke. O roteiro é assinado por Jessica Knoll, autora do livro homônimo de 2015. A história é baseada na experiência traumática vivida por Jessica na adolescência. A figura central do filme é a jornalista Ani Fanelli (Mila Kunis), talentosa editora de uma revista feminina de glamour. Fanelli sempre escondeu seu passado trágico, pois foi vítima de estupro coletivo e testemunha de um atentado a tiros praticado por um colega de classe – não ficou claro que esse último caso aconteceu na realidade, mas o estupro sim. Fica evidente, porém, que Ani continua traumatizada pelos fatos ocorridos na adolescência, a ponto de prejudicar seu relacionamento com o noivo Luker Harrison (Finn Wittrock). Uma das cenas mais poderosas do filme aconteceu quase no desfecho, quando a jornalista é obrigada a se confrontar com um de seus estupradores. A atriz Mila Kunis, 38 anos, já comprovou sua competência em outros filmes, entre os quais “Cisne Negro”, talvez o mais conhecido. Mila nasceu na Ucrânia, filha de uma família judia, e chegou aos Estados Unidos em 1991. Três anos depois estreava como atriz na série “Days of Our Lives”. Hoje ela é, sem dúvida, uma das atrizes de maior sucesso em Hollywood. Outro destaque do elenco é a presença de Jennifer Beals, que ficou famosa depois do clássico “Flashdance: Em Ritmo de Embalo”, de 1983. Jennifer, hoje aos 58 anos, parece que não envelheceu. Continua bonita e em grande forma. Também estão no elenco Chiara Aurelia, Justine Lupe, Connie Britton, Alexandra Beaton, Scoot McNairy, Thomas Barbusca, Carson MacCormac, Iaac Kragten, Dalmar Auzeid e Alana Pancyr. Trocando em miúdos, “Uma Garota de Muita Sorte” é um drama que merece ser visto, embora contenha uma história indigesta e impactante. O roteiro é bem elaborado e o elenco é de primeira. Imperdível!