domingo, 7 de agosto de 2022

 

“LEONA”, 2018, México, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Isaac Cherem (seu filme de estreia como diretor), que também assina o roteiro com a colaboração de Naian González Norvind, que também atua como a principal personagem da história. Ao contrário do que o título sugere, “Leona” quer dizer “Leoa”, e não o nome de uma personagem. A história é centrada em Ariela (Naian), uma jovem artista plástica que se dedica a pintar murais pela Cidade do México. Ariela pertence a uma família tradicional judaica com ascendência síria que há vários anos se estabeleceu naquele país. Aos 25 anos, ela ainda não pensa em se casar, apesar dos apelos incessantes da família, que a toda hora recrutam um noivo judaico, como é tradição das famílias mais ortodoxas. Ariele, porém, acaba conhecendo e se apaixonando por Ivan (Christian Vázquez), um jovem “gói”, ou seja, não judeu. Entre idas e vindas, encontros e desencontros. Ariela resolve não rever os seus conceitos e permanecer fiel aos seus sentimentos, o que acarretará uma forte rejeição por parte de sua família. Por sua atuação, Naian ganhou, merecidamente, o prêmio de Melhor Atriz no Morelia International Film Festival 2018. Realmente, um desempenho magistral dessa jovem atriz  que já demonstrou enorme competência no excelente “Nuevo Orden”, disponível na plataforma Amazon Prime Video. Trocando em miúdos, “Leona” é cinema de qualidade, mais um excelente drama mexicano que merece ser visto.  

sexta-feira, 5 de agosto de 2022




“ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE YUBA COUNTY” (“BREAKY NEWS IN YUBA COUNT”), 2021, Estados Unidos, 1h36m, disponível na Amazon Prime Video, direção de Tate Taylor e roteiro de Amanda Idoko. Comédia de humor negro com um elenco de primeira tendo à frente a ótima Allison Janney, que tem em seu currículo um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2018 por “Eu, Tonya”. A história começa no dia do aniversário de Sue Buttons (Janney). Convencida de que o marido Karl lembrará da data, ela reserva uma mesa para dois em um restaurante chique, prevendo depois uma noite romântica. Doce ilusão. À tarde, Sue está passando por uma rua quando, de repente, vê o marido sair de uma floricultura com um buquê de flores. Ela segue Karl pensando que ele vai para sua casa, mas no meio do caminho ele para em um motel. Sue invade o quarto e surpreende Karl na cama com sua amante. Com o susto, Karl enfarta e morre. A amante (Bridget Everett) foge correndo e Sue tem a infeliz ideia de enterrar o o marido adúltero, junto com sua mochila, no jardim perto do motel. Ela não sabia que a mochila escondia uma grande soma de dinheiro, fruto de uma trambicagem. Para dar uma de inocente, ela anuncia pela imprensa que seu marido foi sequestrado. A partir daí, ela vira quase que uma celebridade na mídia. Enquanto isso, várias situações paralelas vão acontecendo, como uma dupla de ladrões querendo receber o dinheiro do resgate, além da investigação comandada pela detetive Cam Harris (Regina Hall) e seu atrapalhado assistente. Muita água vai rolar até o desfecho, muito sangue vai jorrar e o humor corre solto. Também estão no elenco Juliette Lewis, Mila Kunis, Awkwafina, Ellen Barkin, Jimmi Simpson, Samira Wiley, Clfiton Collins, Wanda Sykes e Keong Sin. Além do elenco afinado, méritos para a direção de Tate Taylor, também conhecido como diretor de "A Garota no Trem", "Histórias Cruzadas", "Ma", e "Get on Up: A História de James Brown", entre outros, e para a roteirista Amanda Idoko, que assinou as séries "Central Park" e "The Mayor". Só para esclarecer: Yuba é um condado do Kentucky. Trocando em miúdos, o filme é muito bom, diverte bastante, em portanto, merece ser conferido. 





       

 

 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

 

“CAÇADA SELVAGEM” (“DAUGHTER OF THE WOLF”), 2019, Canadá, disponível na plataforma Netflix, 1h28m, direção de David Hackl, seguindo roteiro assinado por Nika Agiashvili. É um filme de ação e aventura ambientado nas montanhas geladas do Alasca. Clair Hamilton (Gina Carano) é uma ex-militar com experiência de combate no Afeganistão que tem o filho sequestrado por uma gangue chefiada por um idoso psicopata chamado apenas de “Father” (Richard Dreyfuss). Esse apelido justifica-se pelo fato de que o bando é formado por seus filhos. Para soltar o menino, eles exigem uma grande soma de dinheiro, justamente toda a herança que Clair ganhou após a morte do pai. Com uma sacola levando o dinheiro do resgate, Clair começa a subir as montanhas para resgatar o filho. Logo ela encontra um dos sequestradores, obrigando-o a indicar o local onde o filho está preso. Até o desfecho – um final feliz previsível desde o começo da história -, Clair enfrentará toda a gangue com a ajuda (pasme!) de lobos selvagens, que em nenhum momento a atacam, justificando o título original. A bonitona Gina Carano é uma ex-lutadora de MMA, tendo abandonado os ringues para se dedicar à carreira de atriz. Está dando certo, pois é bastante requisitada para filmes de ação, quando quase sempre encarna personagens do tipo Rambo de saias. Atuação patética tem o veterano Richard Dreyfuss, que demorei a reconhecer no papel do velho psicopata. Também estão no elenco Brendan Fehr, Joshua Murdoch, Sydelle Noel, Stew McLean, Jason Brooks, Chad Riley, Brock Morgan e Nika Agiashvili (responsável pelo roteiro). O filme não foi bem recebido pela crítica especializada, mas acho que resultou em um bom entretenimento para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

 

“COMO ME APAIXONEI POR UM GÂNGSTER” (“JAK POKOCHALAM GANGSTERA”), 2021, Polônia, produção original Netflix, 2h59m, direção de Maciej Kawulski, que também assina o roteiro com Krzysztof Gureczny. Mais uma joia do sempre surpreendente cinema polonês, desta vez uma superprodução cuja história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida de Nikoden “Nikos” Skotarczak, considerado um dos maiores gângsters da história da Polônia. O filme acompanha a trajetória de “Nikos” (Tomasz Wlosok) durante três décadas a partir do começo dos anos 70, quando começou sua vida de crimes na cidade de Gdansk, berço político do sindicalista Lech Walesa, que mais tarde seria presidente da Polônia. Nos primeiros anos, Nikos, ao lado do irmão e de alguns amigos, roubava carros na Alemanha e Áustria e os revendia na Polônia. Dessa forma, “Nikos” enriqueceu e comandou a mais famosa máfia polonesa. Seu poder era tão grande que chegou a comprar o Lechia Gdansk, time de futebol da 3ª divisão. Com o investimento no clube, “Nikos” levou o time à divisão principal, chegando a conquistar a Copa da Polônia na temporada 82/83. O filme também apresenta o gângster como um mulherengo incorrigível e seu amor por uma prostituta que durou até o final de sua vida. Ao mesmo tempo em que acompanha a sua ascensão ao cargo de poderoso mafioso, o filme também mostra sua decadência, dedicando-se no final de sua vida ao álcool e às drogas. Ou seja, um relato bastante realista de quem foi um dos gângsters mais poderosos da Polônia. Seu mantra era: “É melhor viver um ano como um tigre, do que vinte como uma tartaruga”. Seu poder, porém, incomodava outras máfias, o que resultou no seu assassinato. Tudo isso é contado no filme a partir do depoimento de uma mulher enigmática a um jornalista que queria fazer uma reportagem sobre a vida de “Nikos”. Além do ótimo ator Tomasz Wlosok, que dá um show no papel do gângster, estão no elenco outros nomes conhecidos do cinema polonês, como Agnieszka Grochowska, Magdalena Lamparska, Julia Wieniawa, Mikolaj Kubaiki e Sebastian Fabijanski. Trocando em miúdos, um filme sensacional e imperdível!     

 

sábado, 30 de julho de 2022

 

Quem curte um bom filme de ação vai se deliciar com “AGENTE OCULTO” (“THE GRAY MAN”), 2022, coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h02m, disponível na plataforma Netflix, direção dos irmãos Joe e Anthony Russo (“Capitão América” e “Vingadores”), que também assinam o roteiro com a colaboração de Christopher Markus e Stephen McFeely. A história foi inspirada no livro homônimo de 2009 escrito por Mark Greaney. O elenco é de primeira: Ryan Gosling, Ana de Armas, Chris Evans (“Capitão América”), Billy Bob Thornton, Regé-Jean Page, Julia Butterrs, Jessica Henwick, Alfre Woodard e o brasileiro Wagner Moura, cada vez mais requisitado pelo cinema norte-americano. Anunciado como o filme original mais caro da história da Netflix – 200 milhões de dólares -, “Agente Oculto” realmente não economizou, como comprovam, além do elenco estrelado, as locações em vários países, começando pelos Estados Unidos e percorrendo França, Tailândia, Áustria, Croácia, China e República Tcheca. Vamos à história. Court Gentry (Gosling), um jovem presidiário cumprindo pena por homicídio, é recrutado pela CIA para se transformar em um agente oculto, ou seja, ninguém saberá sua identidade. Será conhecido apenas como “Sierra 6”. Seu trabalho compreenderá sair pelo mundo afora assassinando autoridades ou chefes de organizações criminosas. O filme dá um salto de 18 anos e Court aparece em mais uma missão importante na capital tailandesa Bangkok. Só que a vítima é um ex-agente da CIA que mantinha em seu poder um pen drive com informações que incriminam agentes do alto escalão da agência. Com o pen drive em suas mãos, Court será alvo de mercenários internacionais, entre os quais Lloyd Hansen (Chris Evans, ótimo), ex-agente da CIA e líder de uma organização criminosa internacional. As cenas de ação são de tirar o fôlego, principalmente aquelas de perseguição em Praga e Viena. Diante do grande sucesso alcançado pelo filme, a Netflix já anunciou que pretende produzir uma sequência. Vamos aguardar.     

 

 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

 

“BATALHA BILIONÁRIA: O CASO GOOGLE EARTH” (“THE BILLION DOLLAR CODE”), 2021, Alemanha, produção original da Netflix, minissérie com 4 capítulos, direção de Oliver Ziegenbale, que também assina o roteiro com a colaboração de Robert Thalheim. A minissérie, toda baseada em fatos reais, conta a incrível história de Carsten e Juri Müller, dois jovens que, no início dos anos 90 – logo após a queda do muro de Berlim -, criaram o algoritmo que daria origem ao Terra Vision, que depois serviria como base para a criação do Google Earth. O roteiro acompanha o trabalho dos jovens gênios em informática e sua excêntrica equipe desde o início do projeto, a fundação da empresa Art+Com., a apresentação à Deutsch Telekon, que viria a entrar com o investimento, até os preparativos para o início do processo judicial contra a Google por violação de patente, culminando com o julgamento nos Estados Unidos, acompanhado com grande interesse pela mídia mundial. Além do primoroso roteiro, há que se destacar o ótimo elenco, capitaneado por Mark Waschke (Carsten moço), Leonard Scheicher (Müller moço), Marius Ahrendt (Carsten mais velho) e Misel Maticevic (Müller mais velho). Também aparecem com grande destaque Lavinia Wilson, como a advogada Lea Hauswirth, e Selminas Sargent, como o advogado Eric Stears. Não tenho dúvida em afirmar que esta é melhor minissérie lançada pela Netflix este ano, não só pela incrível história, como também pela competente realização. Imperdível!

terça-feira, 26 de julho de 2022

 

“ÚLTIMA CHANCE” (“LINE OF DUTY”), 2019, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h38m, disponível na plataforma Netflix, direção de Steven C. Miller, seguindo roteiro escrito por Jeremy Drysdale. Trata-se de uma comédia policial com muita ação e suspense. A história é centrada no policial Frank Penny (Aaron Eckhart), que durante uma perseguição acaba matando um suspeito. Frank não sabia que o morto era o sequestrador da filha do capitão Volk (Giancarlo Esposito) e que só ele sabia o local onde a menina está prisioneira. Pior: chegou para a polícia a informação de que a vítima estaria presa em um tipo de aquário que aos poucos se encheria de água. Uma situação realmente desesperadora. Ao lado da jovem Ava Brooks (Courtney Eaton), repórter de um site da internet, Frank fará de tudo para encontrar a menina sequestrada. Com uma câmera na mão, Ava filma toda a ação, acompanhada ao vivo pelos canais de tv e pela internet. Completam o elenco Ben McKenzie, Dina Meyer, Jessica Lu e Nishelle Williams. As cenas transcorrem em ritmo alucinante até o desfecho, com perseguições, tiroteios nas ruas, pancadaria e muito humor. Não dá para piscar! Méritos para o diretor Steven C. Miller, craque em filmes de ação, como já comprovou em "Assalto ao Poder", "Rota de Fuga 2" e "Caçada Brutal", entre outros. Diversão garantida. Não perca!

 

“SPIDERHEAD”, 2022, Estados Unidos, 1h47m, disponível na plataforma Netflix, direção de Joseph Kosinski (“Top Gun: Maverick”). O roteiro, assinado por Paul Wernick e Rhett Reese, foi inspirado no conto “Escape from Spiderhead”, escrito por George Saunders e publicado em 2010 na Revista The New Yorker. Confesso que logo me invoquei com o título, que na tradução literal fica “Cabeça de Aranha”. Em todo caso, segui adiante e tive a oportunidade de assistir a um filme de ficção científica muito interessante, com bastante suspense e cenas de muito impacto. O filme é ambientado em uma penitenciária futurista instalada em uma ilha distante do continente. Nela, detentos voluntários recrutados em prisões normais – atraídos pela diminuição de suas penas – concordam em participar de um projeto inovador com drogas que estimulam as emoções e sentimentos. Através de um dispositivo instalado no fim da coluna vertebral, os detentos – ou as cobaias – são levados a sentir pânico, medo, fome, desejo sexual, alegria e a se tornar violentos. Quem comanda o espetáculo é o cientista Steve Abnesti (Chris Hemsworth), ao lado do seu assistente Mark (Mark Paguio). Entre os detentos submetidos aos testes estão Jeff (Miles Teller), Lizzy (Jurnee Smollett), Heather (Tess Halbrich), Rogan (Nathan Jones) e Sarah (Angie Milliken). Embora o ator grandalhão Chris Hemsworth, o “Thor” não combine fisicamente com um cientista, sua atuação é ótima, assumindo às vezes uma postura sádica e outras como um cientista que pretende colaborar com a humanidade. Outra boa atuação é a de Miles Teller, conhecido pela série “Divergente” e pelos filmes “Quarteto Fantástico” e “Whiplash”. Como escrevi no início, “Spiderhead” é um filme de ficção bastante interessante e vale ser conferido.             

 

domingo, 24 de julho de 2022

 

“O CRIME DE GEORGETOWN” (“GEORGETOWN”), 2019, Estados Unidos, 1h39m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, filme de estreia na direção do ator austríaco Christoph Waltz, com roteiro assinado por David Auburn, inspirado em artigo do jornalista Franklin Foer para a New York Times Magazine. A história é ótima – ainda mais por ser baseada em fatos reais -, o roteiro é primoroso e um trio de atores do mais alto nível: o próprio Christoph Waltz, Vanessa Redgrave e Annette Bening. Juntos e misturados, todos esses aspectos fazem de “Georgetown” um grande filme. Na história que realmente aconteceu, o personagem principal é Albrecht Gero Muth, um pilantra mentiroso e alpinista social, que em 1991, aos 26 anos, casou com a socialite e milionária Viola Hermes Drath (1920-2011), então com 71 anos, uma figura de destaque na elite da capital Washington. Em 2011, Viola foi encontrada morta e Muth acusado de tê-la assassinada. No mesmo ano, ele foi preso e condenado a 50 anos de prisão. Essa história foi adaptada pelo roteirista David Auburn, sendo que no filme Albrecht virou Ulrich Mott (Christoph Waltz) e Viola virou Elsa Brecht (Vanessa Redgrave). O filme conta as façanhas mentirosas de Ulrich, a maior delas ter sido general do exército iraquiano e herói de guerra. Há muitas outras incríveis de acreditar. E, dessa forma, Ulrich conseguiu enganar ministros, embaixadores e empresários, até o assassinato da esposa, quando foi devidamente desmascarado. Também com atuação magistral no filme está a atriz Annette Bening como Amanda Brecht, a filha única de Elsa que sempre foi contra o casamento da mãe com Ulrich, de quem suspeitava ser um pilantra, o que se comprovaria posteriormente. Achei muito estranho o filme não ter recebido indicações ao Oscar. Recém-lançado pela Amazon, “Georgetown” é uma ótima opção para quem curte cinema de alta qualidade. IMPERDÍVEL!, assim mesmo, com letras maiúsculas.           

sábado, 23 de julho de 2022

 

“NOVA ORDEM” (“NUEVO ORDEN”), 2020, coprodução México/França, 1h28m, roteiro e direção de Michel Franco (“Depois de Lúcia”). O filme estreou no Festival de Cinema de Veneza em setembro de 2020, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri. Também participou de vários festivais mundo afora, sempre causando polêmica e conquistando críticas elogiosas. Ambientado na cidade do México, num futuro próximo, mas que poderia estar acontecendo hoje, “Nova Ordem” tem como pano de fundo temas dos mais atuais, como a desigualdade social, luta de classes, violência e ditadura militar. Como justificou o diretor Michel Franco, “O mundo distópico do filme parece-me perto do que vivemos”. Vamos à história. Enquanto nas ruas e avenidas da cidade ocorre uma revolta popular, com saques a lojas, supermercados, matança e vandalismo generalizado, em uma mansão está acontecendo um casamento de alto luxo, reunindo importantes figuras da sociedade da capital mexicana. Os manifestantes invadirão a festa, matando e saqueando. O exército é mobilizado para tentar frear os ânimos, mas a situação piora cada vez mais, principalmente depois que a noiva é sequestrada e presa. Tudo isso resulta no estabelecimento de uma violenta ditadura militar, a tal nova ordem. Uma de suas várias polêmicas está no fato de mostrar os rebeldes e vândalos como cidadãos pardos e as vítimas brancas. Por isso, foi considerado racista. Estão no elenco Diego Boneta, Naian González Norvind, Dario Yazbek Bernal (irmão do também ator Gael Garcia Bernal), Fernando Cuautle, Lisa Owen e Mónica Del Carmen. Com cenas de extrema violência, “Nova Ordem” é um dos filmes mais impactantes e perturbadores dos últimos anos. Pena que está meio escondido na plataforma Amazon Prime, pois merece ser visto pelos amantes do cinema de qualidade. “Nova Ordem” foi exibido por aqui durante a programação da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Não deixe de ver.    

quarta-feira, 20 de julho de 2022

 

“A VIÚVA NEGRA” / “BLACK WIDOW” (“PENOZA – THE FINAL CHAPTER”), 2019, Holanda, disponível na Amazon Prime Video, 1h56m, roteiro e direção de Diederik Van Rooijen. O filme é praticamente o resumo de uma série holandesa chamada “Penoza”, que fez grande sucesso no período em que esteve no ar, de 2010 a 2017. Em “A Viúva Negra”, o diretor e o elenco são praticamente os mesmos. Com a morte dos personagens principais, o filme encerra a possibilidade de uma nova série. Carmen Van Walraven (Monic Hendrickx) está no Canadá trabalhando como garçonete em uma lanchonete, depois de fugir da Holanda, onde era uma famosa traficante de drogas. Para a polícia de Amsterdã, ela morreu em um tiroteio, embora seu corpo nunca tenha sido encontrado. Até que, depois de se envolver em uma confusão para defender uma colega de trabalho, Carmen é filmada e aparece no noticiário. Policiais holandeses conseguem trazê-la de volta para a Holanda, mas sua vida correrá grande perigo, pois tem muita gente disposta a se vingar, inclusive a filha de um poderoso traficante que ela supostamente matou. Além de Carmen, seus três filhos também correrão perigo. Também estão no elenco Maarten Heijmans, Loek Peters, Peter Brok, Stijn Tavern, Niels Gomperts e Sigrid Tem Napel. Dá para assistir numa boa sem ligar muito para algumas falhas do roteiro.                 

terça-feira, 19 de julho de 2022

 

“ASSASSINO SEM RASTRO” (“MEMORY”), 2022, Estados Unidos, disponível na plataforma   Amazon Prime Video, 1h54m, direção de Martin Campbell (“007- Cassino Royale”), seguindo roteiro assinado por Dario Sardapane. A história é baseada no livro “De Zaak Alzheimer”, de Jef Geeraerts. O ator irlandês Liam Neeson, apesar de já ter passado dos sessenta, ainda bate um bolão em filmes de ação, enquanto outros continuam tentando, como Van Damme, Stallone, Schwarzenegger, Bruce Willis, Jackie Chan, que também estão perto dos setenta, mas sem a vitalidade de Neeson. Em “Assassino sem Rastro”, Neeson é um veterano assassino profissional prestes a se aposentar, não só pela idade, mas por estar sofrendo de Alzheimer, a ponto de anotar no braço os nomes das suas próximas vítimas, endereços e telefones. Ele aceita um último serviço, mas se recusa a concretizá-lo, pois o alvo não passa de uma criança. Ao mesmo tempo, uma equipe do FBI, investiga uma rede mexicana de prostituição infantil, que sequestra crianças e as leva para os EUA para atender clientes pedófilos. Os destinos dos agentes do FBI e do assassino interpretado por Neeson entrarão em sintonia contra a gangue que explora o contrabando de crianças. Juntos, chegarão à poderosa chefona da organização criminosa, Davana Sealman (Monica Bellucci). Embora a crítica especializada tenha feito críticas negativas, eu achei um bom filme de ação, muito movimentado e agradável de assistir. O elenco conta ainda com Guy Pearce, Taj Atwal, Ray Stevenson, Natalie Anderson, Harold Torres, Rebecca Calder, Stella Stocker, Ram Fearon, Antonio Jaramillo, Kate Nichols e Lee Boardman. Para concluir, não poderia deixar de destacar a presença da atriz italiana Monica Bellucci, que aos 57 anos ainda se mantém digna de continuar sendo chamada de diva.             

sábado, 16 de julho de 2022

 

“POR JUSTIÇA” (“JANA GANA MANA”), 2022, Índia, 2h45m, disponível na plataforma Netflix, direção de Dijo Jose Antony, seguindo roteiro de Sharis Mohammed. Mais um bom filme com a assinatura de Bollywood. Entretanto, não é tarefa fácil aguentar as quase três horas de duração, embora a história seja envolvente e o ritmo perto do alucinante. Claro que não poderiam faltar aquelas cantorias irritantes, mas que não prejudicam o resultado final. Depois que a professora universitária Saba Mariyam (Mamtha Mohandas), da Universidade Central de Ramanagara, é brutalmente assassinada, um clima de revolta se instala praticamente em todo o país, com manifestações contidas com violência pela polícia. O inspetor Sajjan Kumar (Suraj Venjaramoodu) é encarregado de investigar o crime, chegando a prender quatro suspeitos. A pressão popular exige que eles sejam linchados. Então entram em jogo questões políticas e os quatro são realmente assassinados. O caso vai a júri popular e o julgamento ocupa praticamente toda a segunda parte do filme. Muitas reviravoltas acontecem até o desfecho, favorecendo a história. Muitas questões, baseadas em fatos reais, são abordadas no tribunal, como a desigualdade social, o racismo do regime de castas, a violência contra as mulheres e a corrupção em alta na política indiana. Enfim, um filme sério que incentiva muitas reflexões. Recomendo, lembrando que a paciência também é requisito para ser um bom cinéfilo.        

quinta-feira, 14 de julho de 2022

 

“A PERFEIÇÃO” (“THE PERFECTION”), 2019, Estados Unidos, 1h31m, disponível na plataforma Netflix, direção de Richard Shepard, que também assina o roteiro com Nicole Snyder e Eric C. Charmelo. Um misto de terror psicológico e suspense, com pitadas de erotismo, pedofilia e violência física. A jovem Charlotte Willmore (Molly Grace) é um prodígio do violoncelo, a melhor aluna da The Banchoff Academy. Ela, porém, decide interromper sua carreira para cuidar da mãe doente. Dez anos depois, Charlotte (agora Allison Williams, de “Corra!”) tenta retornar à música e resolve procurar o seu antigo professor e tutor, Anton Banchoff (Steven Weber), que está em Shangai, na China, em busca de novos talentos. Numa grande forçada de barra do roteiro, Charlotte parte para a cidade chinesa a fim de reencontrar seu mestre. Para sua decepção, porém, Anton tem sob sua tutela um novo talento musical, a violoncelista Elizabeth “Lizzie” Wells (Logan Browning). Tudo caminha para uma crise de ciúme e uma disputa entre as duas. Ledo engano. Elas ficam amigas. Aliás, mais do que amigas... Em outra decisão forçada do roteiro, as duas partem juntas para uma viagem ao interior da China em um ônibus caindo aos pedaços. Lizzie fica gravemente doente, oportunidade para o roteiro associar o problema com algum vírus chinês. A partir desse momento acontecem várias reviravoltas para culminar em um desfecho dos mais impactantes. Para explicar o título, a perfeição musical é uma das exigências da The Banchoff Academy. Quem erra uma nota vai sofrer as consequências. Trocando em miúdos, “A Perfeição” é um filme bastante perturbador que chega a chocar em algumas cenas, incluindo escatologia e mutilação. Um ótimo programa para espectadores com estômago forte.     

terça-feira, 12 de julho de 2022

 

“ÁRVORES DA PAZ” (“TREES OF PEACE”) , 2021, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix (estreou na plataforma dia 10 de junho de 2022), 1h37m, roteiro e direção da atriz e produtora Alanna Brown, em sua estreia em longas-metragens. Vou logo avisando: é preciso ter estômago forte para chegar até o final, além de não sofrer de claustrofobia. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em 1994 durante a guerra civil em Ruanda (África oriental), envolvendo milícias da etnia tutsi contra os hutus. “Árvores da Paz” conta a história de quatro mulheres diferentes que se esconderam em um cubículo embaixo de uma cozinha: uma freira católica, uma jovem tutsi, uma mulher grávida e uma jovem branca norte-americana voluntária em uma missão de paz. Elas esperaram, em vão, a chegada de forças da ONU para libertá-las. Doce ilusão, pois a ONU não fez nada para acabar com o conflito. Simplesmente ignorou. Com pouca comida e água, além de nenhuma higiene, elas ficaram presas durante 81 dias, até o final do conflito. O elenco, excelente, conta com Ella Cannon, Omono Okojie, Eliane Umahire, Charmanie Bingwa e Tongayi Chirisa. Mesmo que toda a ação seja ambientada dentro de um cubículo, o filme em nenhum momento é entediante. Pelo contrário, a diretora Alanna Brown fez com que a emoção tomasse conta de cada cena. Premiado em vários festivais mundo afora - injusto não ter sido indicado ao Oscar -, “Árvores da Paz” consagra a valentia de quatro mulheres que enfrentaram o desafio e a coragem de sobreviver em condições sub-humanas. Essa história contribuiu para que as mulheres passassem a ocupar importantes cargos no governo de Ruanda. Filmaço!   

segunda-feira, 11 de julho de 2022

 

“O ATIRADOR: O FIM DE UM ASSASSINO” (“SNIPER: ASSASSIN’S END”), 2020, Estados Unidos, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Kaare Andrews, seguindo roteiro assinado por Oliver Thompson. Trata-se do oitavo filme da franquia “Sniper”, iniciada em 1993 com “Sniper, O Atirador”. Cada filme tem uma história diferente, embora com os mesmos personagens. Ou seja, dá para assistir um independente do anterior. Em “Sniper: Assassin’s End” o sargento Brandon Beckett (Chad Michael Collins), um atirador de elite do exército, é acusado de assassinar o presidente de Costa Verde, um país fictício da América Central. Yuki Mifune (Sayaka Akimoto), uma sniper japonesa treinada pela Yakusa, a máfia japonesa, recebe a missão de matar Brandon, contratada por uma organização criminosa. Brandon se esconde na propriedade rural do pai, o também sniper, agora aposentado, Thomas Beckett (Tom Berenger). É aqui que se passa quase toda a ação, envolvendo os mocinhos, agentes da CIA, e os bandidos, a mando de um grupo interessado em obter vantagens no mercado farmacêutico, razão do assassinato do presidente da Costa Verde. Há boas cenas de ação, mas não são muitas, o que prejudica o ritmo do filme. O desfecho é um tanto forçado, mas não chega a prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Lochlyn Munro, Emily Trennant, Ryan Robbins, Michael Jonsson, Bethany Brown, Vincent Gale, Jason Day, Alex Barima e Victor Favrin. Resumo da ópera: um bom programa para acompanhar uma pipoca.       

sábado, 9 de julho de 2022

 

“SPENCER”, 2021, coprodução Inglaterra/EUA/Chile, 1h57m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Pablo Larrain, com roteiro assinado por Steven Knight. A história acompanha a visita da princesa Diana (Spencer é seu nome de solteira) à propriedade real de Sandringham House, situada na zona rural de Norfolk, para os três dias festivos de Natal. Estamos no início dos anos 90, quando o casamento de Diana com o príncipe Charles está em plena crise. À sua espera estão seu então marido, os dois filhos, a rainha Elizabeth II e seu marido, príncipe Filipe. Ou seja, toda a família real reunida. Conforme o filme anuncia em seus créditos iniciais, trata-se de “Uma fábula inspirada numa tragédia real”. Diana é retratada como uma esposa infeliz, perturbada e à beira de um ataque de nervos, indicando que estava prestes a se divorciar, atingida em cheio pela descoberta de que seu marido a traía com Camilla Parker Bowles. Fica claro que Diana detestava as rígidas normas rígidas da família real. Entendi o filme como um estudo psicológico do estado mental de Diana e sua total infelicidade, com direito a ter alucinações, como as várias aparições do fantasma de Ana Bolena, esposa rejeitada pelo Rei Henrique VIII no século 16. Sem falar na enorme pressão exercida pelos paparazzi, que não a deixavam em paz nem mesmo no período natalino. Nesse aspecto, é preciso destacar a excelente performance da atriz Kristen Stewart, que realizou, sem dúvida, o melhor desempenho de sua carreira, tanto que foi indicada ao Oscar 2022 (a única indicação do filme). Aliás, Stewart está linda. O restante do elenco também merece um destaque especial: Jack Farthing, Sally Hawkins, Timothy Spall, Sean Harris, Stela Conet e Amy Manson. “Spencer” consagra ainda o talento do cineasta chileno Pablo Larrain, responsável por filmes como “No”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013, e “O Clube, indicado ao Globo de Ouro 2015. Além destes, também são dele “Jackie”, “Neruda”, “Tony Manero” e “Post Mortem”, entre outros. Resumo da ópera: “Spencer” é um filme de altíssima qualidade. Imperdível!     

quinta-feira, 7 de julho de 2022

 

“CASA GUCCI” (“HOUSE OF GUCCI”), 2021, coprodução Canadá/Estados Unidos, 2h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Ridley Scott, seguindo roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, que se inspiraram no livro homônimo escrito por Sara Gay Forden. O enredo contempla três décadas de história da famosa grife italiana Gucci, a partir de meados da década de 70, quando já era um verdadeiro império mundial da moda. O filme explora, principalmente, as questões familiares, envolvendo traição, ambição, vingança e assassinato. A história começa a partir do momento em que Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma jovem de origem simples, ingressa na família casando com um de seus principais herdeiros, Maurizio Gucci (Adam Driver). O poder da empresa ainda estava com os irmãos Aldo (Al Pacino) e Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), este último pai de Maurizio. O outro herdeiro era Paolo Gucci (Jared Leto), filho de Aldo. Aos poucos, Patrizia começa a se envolver nos negócios, saindo em defesa do marido durante as desavenças familiares e, principalmente, relativas à sua participação acionária. Algum tempo depois, Maurizio arranja uma amante e se divorcia de Patrizia, que não aceita a situação e parte para a vingança. Em 1978, com a cumplicidade da sua amiga vidente Giuseppina Auriema (Salma Hayek) e dois capangas, Patrizia combina o assassinato de Maurizio. O caso virou manchete mundial na mídia e chocou o mundo da moda. Anos depois, Patrizia e os comparsas são presos, julgados e condenados. Junto e misturado, isso tudo está no filme, graças ao primoroso roteiro. O diretor inglês Ridley Scott, mesmo aos 83 anos, esbanja vitalidade e competência, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Só para citar alguns: “Thelma & Louise”, “Blade Runner”, “Alien, o 8º Passageiro”, “Chuva Negra” e “Falcão Negro em Perigo”. O elenco é outro fator de destaque, especialmente o desempenho de Lady Gaga, na verdade a novaiorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta. Além de um talento enorme como cantora, ela se revela também uma excelente atriz. Acho até que pelo seu trabalho em “Casa Gucci” deveria ter sido indicada ao Oscar 2022. Mais uma injustiça da premiação. Destaque especial para o ator Jared Leto, cuja maquiagem deixou-o irreconhecível. Também está ótimo como um dos herdeiros Gucci. Além dos veteranos Al Pacino, Salma Hayek e Jeremy Iron, também em atuações destacadas, estão no elenco Jack Huston, Reeve Carney, Camille Cottin e Florence Andrews. Os herdeiros atuais da família Gucci criticaram o filme, afirmando em nota à imprensa: “A produção não se preocupou em consultar os herdeiros antes de descrever os Gucci como bandidos, ignorantes e insensíveis ao mundo ao seu redor”. Apesar dessa grande polêmica, “Casa Gucci” é cinema de Hollywood na sua melhor forma. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.   

segunda-feira, 4 de julho de 2022

 

“MADRES, MÃES DE NINGUÉM” (“MADRES”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h24m, roteiro e direção de Ryan Zaragoza. Mais do que um filme de suspense e terror, trata-se de um filme-denúncia, pois relata, de forma realista, a prática, nos Estados Unidos, da esterilização não consentida em mulheres grávidas que chegam ao país como imigrantes ilegais, principalmente mexicanas. Ao longo do século passado, mais de 64 mulheres e homens foram esterilizados à força nos EUA como parte do infame Movimento Nacional de Eugenia, cujo objetivo era restringir os direitos reprodutivos dos considerados geneticamente inferiores. Em 1975, um grupo de imigrantes mexicanas processou um hospital de Los Angeles onde foram esterilizadas sem permissão. Não deu em nada. A prática voltou neste século no Estado da Geórgia. A história de “Madres” é ambientada nos anos 70 e tem como personagem principal um casal de origem mexicana, Diana (Ariana Guerra) e Beto (Tenoch Huerta), ela grávida prestes a dar à luz. Eles chegam a uma pequena cidade da Califórnia e alugam uma casa assombrada pelo fantasma de uma mulher. Sem entrar muito nos detalhes da história para não estragar as surpresas, Diana acaba como paciente de uma dessas clínicas de esterilização. O filme tem o clima de suspense e alguns sustos, mas está longe de ser um filme de dar medo, ou seja, um terror digno do nome. Quando o filme começa há uma citação do escritor Joseph Conrad que explica o que vamos assistir: “A crença em uma origem sobrenatural do mal não é necessária; o Homem, por si só, é capaz de qualquer maldade”. Trocando em miúdos, “Madres” consegue o objetivo de denunciar uma prática execrável da medicina nos EUA (até hoje, nenhuma das vítimas foi indenizada).  

domingo, 3 de julho de 2022

 

“GREED – A INDÚSTRIA DA MODA” (“GREED”), 2019, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Michael Winterbotton, que também assina o roteiro com Sean Gray. Trata-se de uma sátira bastante ácida mostrando o lado obscuro e nefasto do mundo empresarial da moda, além de críticas pesadas à exploração de mão-de-obra, desigualdade social e a questão dos imigrantes ilegais que chegam à Europa. A figura central da história é o empresário inglês Richard McCreadie (Steve Coogan), que há 30 anos impera no mundo da moda fast fashion – segundo alguns críticos, o personagem foi criado à imagem e semelhança do empresário Philip Green, presidente da Arcadia Group, empresa de varejo proprietária de várias marcas e franquias. O enredo de “Greed” contempla quatro vertentes. A primeira, e mais destacada, refere-se aos preparativos da festa de 60 anos de McCreadie em cenário suntuoso na ilha grega de Mykonos com o tema “Gladiador”. Para isso, foi construída uma arena romana à beira da praia, com direito até a um leão. A segunda explora a infância e juventude do polêmico empresário, no tempo em que começou a manipular e enganar as pessoas. A terceira vertente diz respeito ao julgamento de McCreadie pela acusação de abuso financeiro e ético na indústria da moda, evasão fiscal, corrupção financeira e exploração implacável de mão-de-obra (ele pagava uma miséria para trabalhadores em Bangladesh, Mianmar, Índia e Sri Lanka). O filme ainda aborda a questão dos imigrantes ilegais que costumam desembarcar nas praias da Grécia, no caso de “Greed”, imigrantes sírios. O ator Steve Coogan está ótimo no papel do empresário ganancioso, prepotente, desonesto e manipulador, capaz de humilhar seus assistentes mais diretos com ofensas e xingamentos. Também estão no elenco Jamie Blackley (o jovem McCreadie), David Mitchel (o jornalista contratado para escrever a biografia do empresário), Isla Fisher (a ex-mulher), Shirley Henderson (a mãe dele), Sophie Cookson (a filha), Asa Butterfield (o filho), Shanina Shaik (a atual namorada), Dinita Gohil e Sara Solemani (assistentes). O filme conta ainda com rápidas participações especiais de Keira Knightley, Colin Firth, Keith Richards, Ben Stiller, Stephen Fry e Louis Walsh. Em resumo, o filme é ótimo, esclarecedor e impactante, além de bem-humorado. Imperdível!   

quinta-feira, 30 de junho de 2022

 

“SOBREVIVA AO JOGO” (“SURVIVE THE GAME”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, direção de James Cullen Bressack, seguindo roteiro de Ross Peacock. Trata-se de um filme policial cuja história começa quando dois detetives tentam dar um flagrante numa gangue de traficantes. A estratégia não dá certo, os traficantes fogem levando como refém um dos policiais feridos na ação, o detetive David (Bruce Willis). O outro policial, Cal (Swen Temmel), sai em perseguição aos traficantes, que acabam invadindo uma fazenda, de propriedade do ex-soldado do exército Eric (Chad Michael Murray), cuja esposa e filha faleceram recentemente em um acidente. Com a ajuda de Eric, o detetive Cal tentará libertar o parceiro David e prender a quadrilha. Também estão no elenco Donna D’Errico, Kate Katzman, Sarah Roemer, Kristos Andrews, Sean Kanan e Michael Sirow. Mais uma enorme bobagem cinematográfica, talvez o pior filme deste século, mas com certeza deste ano. É um dos últimos filmes com o astro Bruce Willys, que recentemente anunciou o fim de sua carreira por motivos médicos – ele sofre de Afasia. Apesar de somar alguns créditos, Willys se despede de forma melancólica do cinema, pois nos últimos anos só fez porcaria, incluindo este “Sobreviva ao Jogo” e mais “Meia-Noite no Switchgrass”, “Ameaça no Espaço” e “Sobreviver à Noite”, entre tantos outros. “Sobreviva ao Jogo” realmente é o pior. Tudo é lamentável, desde o roteiro, o péssimo elenco e cenas de ação que lembram os filmes dos Trapalhões. Fuja a galope!     

terça-feira, 28 de junho de 2022

 

“VERDADE E JUSTIÇA” (“TÕDE JÁ ÕIGUS”), 2020, Estônia, 2h45m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, primeiro longa escrito e dirigido por Tanel Toom, mais conhecido como diretor de curtas. A história é baseada no livro homônimo do romancista Anton Hansen Tammsaare (1878-1940), considerado um dos mais importantes escritores da literatura estoniana. Elogiadíssimo pela crítica, o filme representou a ex-república soviética na disputa do Globo de Ouro e do Oscar 2021. Trata-se de um grande clássico épico, que acompanha a família de Andres (Priit Loog) durante 24 anos a partir de 1872. Disposto a se aventurar pelo interior do país, Andres compra, a prestação, uma fazenda numa região inóspita e pantanosa conhecida curiosamente como “Ascensão do Ladrão”, antes chamada de “Campo dos Abetos”. Andres chega com a jovem esposa Krööt (Maiken Schmidt), que está grávida. O casal enfrentará inúmeros desafios pela frente, principalmente muito trabalho,  além de um vizinho bêbado e encrenqueiro, Pearu (Priiit Võigemast). Os dois vivem às turras e acabam sempre no tribunal do vilarejo. O desafio maior, porém, são os filhos gerados por Krõõt, seis em poucos anos. A história acompanha a trajetória de muitos sacrifícios dessa família, gerando um drama muito pesado e triste, mas poderoso ao extremo. Além da história e do excelente elenco, a fotografia, de Rein Kotov – o mesmo do ótimo “Tangerinas”, de 2013 – é outro trunfo do filme, explorando ambientes internos e os cenários selvagens que permeiam a região. O filme é bastante lento, o que levou um crítico de mau humor a afirmar que se trata de “forte candidato ao maior ansiolítico cinematográfico de 2020”. Realmente, é lento demais, mas com muita qualidade. Filmaço!