sábado, 30 de outubro de 2021

 

“A VIOLINISTA” (“VIULIST”), 2018, Finlândia, 2h04m, produção original Amazon Prime, direção de Paavo Westerberg, que também assina o roteiro com a colaboração de Emmi Pesonen. Trata-se de um drama com excelente elenco e uma trilha sonora da maior qualidade (veja abaixo). A história é centrada na violinista Karin Nordström (Matleena Kuusniemi), que no auge da carreira sofre um acidente que provoca a perda dos movimentos de três dedos de sua mão esquerda. Segundo os médicos, ela não poderá tocar mais violino, tendo que desistir dos concertos já programados pelo mundo inteiro. Dessa forma, Karin aceita o convite para ensinar jovens talentos do violino na Escola de Música de Helsinque. Entre seus alunos está o jovem Antti (Olavi Uusivirta, astro do rock na Finlândia), que Karin adota como seu principal pupilo e logo como seu amante. Quando o maestro Björn Darren (Kim Bodnia), antigo amigo de Karin e parceiro profissional, pede a ela que indique um talento para a orquestra sinfônica de Copenhagen (Dinamarca). Claro que ela indica Antti, que não era o preferido do maestro, e sim a jovem Sofia (Misa Lommi), justamente a namorada de Antti. Para o início dos ensaios para um grande concerto, o maestro, Karin e Antti seguem juntos para Copenhagen. Karin e Antti ficam no mesmo hotel e já dá para imaginar o clima entre os dois. Tudo vai bem até que o marido de Karin, Jaakko Nordström (Samuli Edelmann), resolve visitá-la em um final de semana. O filme é excelente, principalmente para quem curte música clássica. A trilha sonora inclui desde Mozart, Dvorak, Bach até Mendelssohn e seu concerto para violino e orquestra minor Op.64. Imperdível!           

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

 

“MINARI: EM BUSCA DA FELICIDADE” (“MINARI”), 2020, Estados Unidos, 1h55m, roteiro e direção de Lee Isaac Chung – um dos produtores executivos é o ator Brad Pitt. Sensível e comovente drama centrado em uma família de imigrantes sul-coreanos em busca do seu sonho americano. Estamos nos anos 80 do século passado. Depois de tentarem se estabelecer na Califórnia, Jacob (Steven Yeun) e Monica (Han Ye-Ri), juntamente com seus filhos Anne (Noel Cho) e David (Alan S. Kim), compram um pedaço de terra no interior do Arkansas, onde pretendem montar uma fazenda para cultivar vegetais coreanos (Minari do título é um tipo de raiz muito utilizada na culinária coreana). As dificuldades são imensas, mas Jacob trabalha duro para concretizar seu sonho. Além da fazenda, ele e a mulher trabalham em uma granja, selecionando pintinhos pelo sexo. Em seu cotidiano na fazenda, Jacob recebe a ajuda de Paul (Will Patton), um fanático religioso de alma boa e que vira amigo da família. Sentindo-se sozinha naquele lugar ermo, Anne pede que sua mãe venha da Coreia para ajudá-la. Soonja (Yoon Yeo-Jeong) chega dias depois de mala e cuia para morar com o casal. É a presença dessa simpática idosa que dá um certo alívio ao contexto dramático da história, principalmente na sua relação com o neto David, de 7 anos, garoto esperto que é responsável pelos momentos mais engraçados do filme. Se a vida já era dura, fica pior ainda depois de um evento trágico ocorrido na fazenda. A partir daí, o sonho americano se transforma em um verdadeiro pesadelo. A história do filme é baseada nas memórias afetivas de infância do diretor Lee Chung, ele também filho de imigrantes sul-coreanos que foram atrás do sonho americano. “Minori” se destaca não apenas pela sua tocante história, mas também pelo excelente elenco e por uma trilha sonora envolvente – assinada por Emille Mosseri -, responsável por reforçar cada cena dramática das muitas que permeiam o filme. Não foi à toa que “Minori” recebeu seis indicações ao Oscar 2021 – Melhor Filme, Diretor, Ator (Steven Yeun), Atriz Coadjuvante (Yoon Yeo-Jeong), Trilha Sonora Original e Roteiro Original. A única estatueta foi conquistada pela veterana e maravilhosa atriz Yoon Yeo-Jeong, que rouba a cena a cada aparição, como já havia feito em vários filmes sul-coreanos, como, por exemplo, “A Dama de Baco” e “A Empregada”. Yoon Yeo-Jeong se tornou a primeira atriz sul-coreana a ganhar um Oscar. Além do grande prêmio do cinema norte-americano, o filme também conquistou estatuetas em festivais pelo mundo adora, como no importante BAFTA Film Awards, concedido pela Britsh Academy Film. Imperdível!         

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

 

“O ESPIÃO INGLÊS” (“THE COURIER”), 2020, Inglaterra, distribuição Amazon Prime Video, 1h51m, direção de Dominic Cooke, seguindo roteiro de Tom O’Connor. Este é um dos melhores filmes já feitos tendo como pano de fundo a época da Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética trocavam ameaças de um ataque nuclear. A história é baseada em fatos reais e relembra um episódio histórico de espionagem da maior importância. Estamos em 1960, auge da Guerra Fria, e ficamos conhecendo o empresário inglês Greville Maynard Wynne (Benedict Cumberbatch). Por seu perfil dinâmico e com muitas viagens de negócios pela Europa, ele logo chama a atenção da CIA norte-americana e do serviço secreto inglês (M16), que na época buscavam encontrar uma pessoa para cumprir papel de espião na União Soviética. Depois de muito relutar, Greville aceita a missão, utilizando como disfarce a condição de empresário que intenciona explorar o mercado dos países do leste europeu, principalmente a União Soviética. Logo que chega a Moscou, Greville conhece o coronel Oleg Penkovsky (Merab Ninidze), herói de guerra e influente membro do alto escalão do governo soviético. Com poucos meses de contato, Oleg confessa a Greville que não concorda com a política belicista do então primeiro-ministro Nikita Kruschev e que pretende contribuir com o Ocidente no que for possível. Dessa forma, ele utiliza o agora seu amigo Greville para repassar informações para os serviços secretos da Inglaterra e dos Estados Unidos. A informação mais importante seria fornecida durante a chamada crise dos mísseis de Cuba, em 1962, fazendo chegar ao governo norte-americano a exata localização dos mísseis em solo cubano. Essa informação foi muito importante para os EUA, fornecendo-lhe dados para denunciar e confirmar a presença dos mísseis em Cuba, ganhar apoio da opinião mundial e forçar o governo soviético a retirar os mísseis da ilha de Fidel. Resumindo a história, a KGB descobriria que Oleg e Greville enviavam informações sigilosas para o Exterior. Os dois acabaram presos. O filme conta os bastidores de tudo o que aconteceu, além de retratar o sofrimento de Greville na prisão durante dois anos em que esteve preso em péssimas condições. Oleg seria executado por traição. Vale destacar as  atuações sensacionais do inglês Benedict Cumberbatch e do georgiano Merab Ninidze. O elenco de apoio também é ótimo: Rachel Brosnahan, Angus Wright, Jessie Buckley, Kirill Alfredowitsch Pirogow, Zeljko Ivanek, Anton Lesser, Elina Alminas e Alice Orr-Ewing. Outro grande destaque desse ótimo drama de espionagem, além da eficiente direção, é o primoroso roteiro de Tom O’Connor. Para elaborá-lo, Tom se baseou nos livros “The Man From Moscow” (1967) e “The Man From Odessa” (1981), escritos pelo próprio Greville Wynne, que aparece em vídeo nos créditos finais dando entrevista coletiva logo após ser libertado. Trocando em miúdos, “O Espião Inglês” é um filme envolvente, emocionante e repleto de tensão, certamente um dos melhores já feitos sobre a Guerra Fria. Não perca!     

terça-feira, 26 de outubro de 2021

 


“THE TRIP” (“I ONDE DAGER”), 2021, Noruega, produção original Netflix, 1h53m, direção de Tommy Wirkola (“João e Maria: Caçadores de Bruxas”), e roteiro de John Niven e Nick Ball. Comédia surpreendente que mistura ingredientes como sadismo, escatologia, trash e muita violência, tudo temperado com um agradável toque de humor negro e diálogos ácidos. Enfim, muito divertido, apesar do sangue jorrando aos borbotões. E com a vantagem de contar no elenco com a atriz sueca Noomi Rapace ("Os Homens que não Amavam as Mulheres") e com o ator norueguês Alksel Hennie, ambos com uma atuação primorosa e uma química perfeita. Vamos à história. Lisa (Rapace) e Lars (Hennie) resolvem passar um final de semana em um chalé nas montanhas. Lars é um renomado diretor de novelas televisivas e Lisa uma atriz em busca de um papel importante. Ao contrário do que possa parecer, ou seja, passar dois dias para ajustar o casamento em crise, na verdade a intenção de cada um é assassinar o outro. Para isso, Lars convoca como cúmplice o atrapalhado e bobalhão Viktor (Stig Frode Henriksen), que trabalha como jardineiro para o casal. Para tumultuar ainda mais a situação, que por si só já caminhava para uma tragédia, surgem em cena três presidiários psicopatas que acabam de fugir de uma penitenciária. De inimigos mortais, Lisa e Lars terão que se transformar em aliados para sobreviver ao trio de bandidos. A confusão está formada, com muito sangue jorrando. Mas não pense que a violência seja difícil de encarar. Pelo contrário, tudo é feito com muito humor. “The Trip” é um filme hilariante e muito divertido. Um humor como o cinema norueguês nunca fez. Imperdível!

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 

“A BATALHA ESQUECIDA” (“DE SLAG OM DE SCHELDE”), 2020, produção original Netflix, Holanda/Lituânia/Bélgica, 2h4m, segundo longa-metragem dirigido por Matthijs Van Heijningen Jr., seguindo roteiro escrito por Paula Van Der Oest, Jesse Mainan, Pauline Van Mantgem e Reinier Smit. Mais uma história da fonte inesgotável de histórias verídicas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Desta vez, o foco é a libertação da Holanda da ocupação nazista, em meados de 1944, depois da violenta batalha de Walcheren Causeway, travada ao norte da Bélgica e sudeste da Holanda, na província da Zelândia, em Antuérpia, pelos exércitos britânicos e canadenses contra os algozes nazistas. A vitória dos britânicos e canadenses empurrou as forças alemãs para o interior, ajudando na estratégia da invasão dos países aliados na Normandia. O filme destaca, em especial, três personagens principais: um aviador britânico piloto de planador, uma jovem holandesa filha de um médico e um holandês que luta pelo exército alemão. Cada um deles viveu de perto os horrores da guerra, sobrevivendo graças a verdadeiros milagres. Esses três personagens só se encontrarão no desfecho, em uma cena bastante comovente. Estão no elenco Susan Radeer, Tom Felton, Giss Blom e Jamie Flatters. Destaco o excelente trabalho dos roteiristas e do cineasta holandês Van Heijningen Jr., mais conhecido como diretor de curtas. As cenas de batalha, tanto aéreas como terrestres, são sensacionais. Parece que você está lá, dentro do avião ou nas trincheiras, com bala passando por tudo que é lado. Para quem gosta de filmes históricos, principalmente envolvendo guerras, “A Batalha Esquecida” é um ótimo programa.             

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

 

“ENTRE FRESTAS” (“HYACINTH”), 2021, Polônia, 1h52m, disponível na plataforma Netflix desde 13/10/2021, direção de Piotr Domalewski e roteiro de Marcin Ciaston. Trata-se de um thriller policial baseado em fatos reais ocorridos na década de 80 na ainda comunista Polônia. Para situar o contexto, o filme retrata a Operação Jacinto (Hyacinth), realizada entre 1985 e 1987, cujo objetivo era catalogar nomes de homens da comunidade gay de Varsóvia. A preocupação do governo era coibir a prostituição e a propagação da Aids. A ação envolveu o Ministério de Segurança Pública da Polônia e a Milícia Cidadã Comunista MO). Em meio a esse trabalho, surgiu um serial killer matando gays. Dessa forma, o Departamento de Polícia foi acionado, cabendo ao detetive Robert (Tomasz Zietek) e ao seu parceiro Wojtk (Tomasz Schuchardt) o comando das investigações. Quando um dos suspeitos acaba assassinado, autoridades governamentais obrigam Robert e Wojtk a encerrar os trabalhos, atribuindo os crimes à vítima. Claro que havia a intenção de esconder alguns podres, como, por exemplo, evitar que os nomes de alguns gays importantes venham a público. Robert resolve continuar a investigação por conta própria, mesmo com a pressão das autoridades, inclusive do seu pai Edward (Marek Kalita), coronel da polícia secreta. Em meio a toda essa confusão, Edward recebe a notícia de que foi selecionado para a carreira de oficial da academia de polícia, além de estar prestes a se casar com Halinka (Adrianna Chlebicka). Durante suas investigações particulares, Robert conhece o jovem estudante universitário Erik (Hubert Milkowski), que acaba se transformando em seu informante e, depois, seu... Bom, deixa pra lá. “Entre Frestas” foi aclamado pela crítica em vários festivais pelo mundo, recebendo nada mais do que 25 prêmios, um deles de Melhor Filme no Festival do Cinema Polonês de 2021. Realmente, o filme é muito bom, prende a atenção do começo ao fim, repleto de suspense, graças a um roteiro muito bem elaborado e uma primorosa recriação de época. Mais um filmaço do excelente cinema polonês.               

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 

“A FUGA DOS AVÓS” (“JOYEUSE RETRAIT!”), 2019, França, disponível na plataforma Netflix, 1h40m, direção de Fabrice Bracq, que também assina o roteiro com a colaboração de Guillaume Clicquot De Mentque. Comédia bem divertida dirigida ao público adulto, principalmente aos avós e aposentados. Marilou (Michèle Laroque) e Philippe Blanchot (Thierry Lhermitte) acabam de se aposentar e pretendem concretizar um sonho antigo: sair de Paris para morar em Portugal. Ou seja, sonham em curtir a aposentadoria – e a velhice – longe dos filhos e dos netos. Enfim, querem sossego. Na prática, porém, a teoria é outra. Enquanto planejam os preparativos para a mudança, os problemas da família crescem num ritmo vertiginoso. Mamiline (Judith Magre), mãe de Philippe, recebe a notícia de que está gravemente doente e tem poucos meses de vida. O genro Arnaud (Omar Mebrouk), casado com Cécile (Nicole Ferroni), é expulso de casa com o cachorro e se refugia na casa de Marilou e Phiippe. O outro filho do casal, Martin (Gérémy Crédeville), embora casado com Lea (Constance Labré), é flagrado na cama com outro homem. A confusão está formada na família, arruinando de vez o sossego pretendido pelo casal de aposentados. Diante de tantos problemas, Philippe e Marilou aceleram os preparativos para a mudança, mas, até lá, muita água vai rolar. De todos os momentos divertidos do filme, um em especial merece destaque. A cena acontece na casa de repouso onde Mamiline é internada. A piada sobre Brigitte Bardot é a cereja do bolo desta ótima e saborosa comédia francesa. A atuação de Michèle Laroque é outros dos trunfos do filme. Resumindo, tudo funciona bem em “A Fuga dos Avós”. O roteiro, os diálogos, as piadas, o elenco, a fotografia, a trilha sonora. O filme estreou no circuito comercial da França no início de 2020 e teve um grande sucesso de bilheteria, o que motivou a realização de uma sequência. Não deixe de ver e se divertir!           

sábado, 16 de outubro de 2021

 

“DANO COLATERAL” (“KIN”), 2021, Turquia, produção original Netflix, 1h45m, direção da cineasta Türkan Derya, seguindo roteiro assinado por Yilmaz Erdogan, que também atua no filme no papel do personagem principal. O bom cinema turco surpreende novamente, desta vez sem explorar aqueles dramas chorosos lançados recentemente, também pela Netflix, como, por exemplo, “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”. Agora chega arrasando com este ótimo drama policial repleto de suspense e reviravoltas. Começa a história com o inspetor-chefe Harum (Erdogan) recebendo o prêmio de “Policial do Ano”, o que lhe dará direito a uma promoção. Ele é um policial respeitado pelos colegas e considerado um exemplo de retidão. Depois da comemoração, ele entra em um táxi para ir para casa, mas a corrida termina em tragédia. Explico: o taxista leva Harum para um lugar ermo e tenta matá-lo, sem nenhuma razão aparente. Harum se defende e acaba matando o motorista. Para não se comprometer, ele não comunica o ocorrido aos seus colegas. No dia seguinte, o corpo do motorista de táxi aparece pendurado numa grua de um edifício em construção bem em frente à delegacia. Quem assume a investigação é justamente a equipe de Harum, que tentará esconder qualquer indício de sua participação no crime. Só que Tuncay (Cem Yigit Üzümoglu), um jovem policial da sua equipe, encontra dentro do táxi o prendedor de gravata que Harum havia sido presenciado na comemoração, mas não conta a ninguém. Para piorar, durante uma batida policial noturna, Harum mata uma possível testemunha do crime do taxista. Aí a coisa complica para o seu lado. Ainda mais depois que entra na história uma prostituta viciada, Gül (Doygu Sarisin), que tem contas a acertar com Harum pela prisão de seu pai, vinte anos antes. Graças a um roteiro bem elaborado, o filme consegue prender a atenção até o seu desfecho, num clima de tensão que aumenta cada vez mais à medida que a história avança. Há que se destacar, como outro trunfo desse excelente suspense policial, a atuação do ator, cineasta, roteirista e poeta turco, de origem curda, Yilmaz Erdogan, um dos principais atores do cinema turco atual, que ficou conhecido a partir do ótimo “Era Uma Vez na Anatólia”, de 2011. Trocando em miúdos, “Dano Colateral” é um filmaço!              

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 

“O CULPADO” (“THE GUILTY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h31m, direção de Antoine Fuqua, com roteiro de Nic Pizzolatto. Trata-se de um remake do filme dinamarquês “Culpa”, de 2018 – mais uma comprovação da tese de que, atualmente, há falta de bons roteiristas em Hollywood. O drama policial é centrado no policial Joe Baylor (Jake Gyllenhaal), tirado das ruas depois de uma falha operacional e colocado como atendente de ligações da linha emergencial do 911. Já aviso que o filme inteiro é ambientado em um cenário único, ou seja, dentro da central telefônica da polícia de Los Angeles. Baylor aparece atendendo ligações das mais variadas emergências, como acidentes, roubos, violência doméstica e alguns trotes, além de ligações de bêbados e drogados. Para piorar, um grande incêndio acontece na floresta e se aproxima perigosamente de Los Angeles. É o plantão da madrugada e o policial recebe finalmente um telefonema que atrai seu interesse e que mobiliza toda a sua atenção. Uma mulher liga desesperada dizendo que foi sequestrada pelo ex-marido e está no porta-malas de um veículo. Ela também afirma que ele matou seu bebê. Pela comunicação interna da polícia, Baylor faz de tudo para localizar o carro e enviar socorro. O filme inteiro gira em torno do esforço de Baylor para tentar ajudar a moça sequestrada, o que fornece um clima de grande tensão até o desfecho, quando acontece uma surpreendente reviravolta. As vozes que Baylor ouve são de atores conhecidos, entre os quais Ethan Hawke, como o sargento Bill Miller, Riley Keough, como a vítima Emily Lighton, Peter Sarsgaard e Paul Dano. “O Culpado”, assim como o original dinamarquês, exige uma certa paciência por parte do espectador em acompanhar a trama dentro de um pequeno cenário. Mas, se resistir em desligar o vídeo, poderá curtir um bom entretenimento.           

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 



“A AUSÊNCIA QUE SEREMOS” (“EL OLVIDO QUE SEREMOS”), 2020, Colômbia, 2h16m, disponível na plataforma Netflix desde 22/09/21, direção do espanhol Fernando Trueba e roteiro de David Trueba (irmão do diretor). Trata-se de uma pequena joia do pouco conhecido cinema colombiano, selecionado para disputar o Oscar 2021 de Melhor Filme Estrangeiro (não aceito a nova nomenclatura “Internacional”). Achei uma injustiça não ter sido classificado, pelo menos, entre os cinco finalistas. Por mim, seria um dos grandes favoritos. Trata-se de um drama baseado em fatos reais, cujo personagem central é o médico sanitarista e professor universitário Héctor Abad Gómez (Javier Cámara). A história contada no filme foi relatada no livro “El Olvido Que Seremos”, escrito pelo jornalista Héctor Abad Faciolince, filho do médico. Estamos na década de 80 na cidade de Médellin, onde Héctor Abad vive com sua esposa e seus seis filhos. A Colômbia vivia os anos de chumbo de uma ditadura militar e os violentos atentados praticados tanto por narcotraficantes como por militantes das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Em meio a esse ambiente turbulento, o filme acompanha o cotidiano da família de Héctor, um pai dedicado, carinhoso e atencioso com a esposa e os filhos. Ao mesmo tempo, destaca o trabalho do médico sanitarista na periferia de Médellin e sua luta em favor da saúde dos pobres e da desigualdade social. Héctor também era ativista dos direitos humanos e militante da organização “União Patriótica”, razão principal do seu assassinado, em 1987, cuja autoria é um mistério até hoje. Apesar do fundo claramente político e do contexto trágico que vivia a Colômbia naquele ano, o filme é sensível e comovente, mostrando um pai de família carinhoso e, ao mesmo tempo, corajoso a ponto de combater as injustiças de peito aberto, sem medo de represálias seja de onde vierem. Um verdadeiro herói. O ator espanhol Javier Cámara é a alma do filme, com uma atuação magistral. Nenhuma surpresa, pois ele é um dos principais atores do cinema espanhol, inclusive um dos preferidos do diretor Pedro Almodóvar. Para valorizar ainda mais esta verdadeira pérola do cinema colombiano, há que se destacar o currículo do diretor Fernando Trueba, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1993 por “Belle Époque”, que chegou ao Brasil com o título “Sedução”. Resumindo, "A Ausência Que Seremos" é simplesmente imperdível, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.       

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

 

“JE SUIS KARL”, 2021, coprodução Alemanha/República Tcheca, 2h06m, disponível na plataforma Netflix, direção de Christian Schwochow, seguindo roteiro de Thomas Wendrich. Trata-se de um drama de cunho fortemente político, bastante esclarecedor sobre as ideologias que dominam a mente de grande parte da juventude na Europa contemporânea. A história é centrada nas atividades de uma organização chamada “Re/Generation”, grupo juvenil de extrema-direita, neofascista, radical e violento. Suas ações são baseadas nas ideias de supremacia branca europeia e xenofobia, incentivando o ódio a imigrantes árabes e africanos. A personagem central da história é a jovem Maxi Baier (Luna Wedler), cuja mãe e seus dois irmãos menores são mortos em um atentado à bomba. Revoltada e desiludida com o trabalho ineficiente da polícia de Berlim em identificar os autores do atentado, ela ingressa na tal organização “Re/Generation”, cooptada por seu porta-voz Karl (Jannis Niewöhner), um jovem sedutor pelo qual Maxi se apaixona, sem saber que ele foi um dos autores da carnificina que vitimou sua família. Nesse contexto, a organização costuma praticar atentados atribuindo-os aos imigrantes árabes. Outro personagem importante na história é o pai de Maxi, Alex Baier (Milan Peschel), um pacifista que sempre protegeu os refugiados, inclusive acolhendo um deles, o jovem líbio Yusuf (Azis Dyab). Filmado em locações nas cidades de Berlim, Praga e Paris, o filme revela um lado sinistro da juventude europeia, que pretende “limpar” seu continente na base da força e do ódio aos imigrantes. Toda essa motivação é mostrada em cenas das reuniões do grupo radical bastante esclarecedoras sobre sua ideologia, muito próxima do nazismo. O grand finale acontece em Paris, onde os militantes da organização marcam presença no discurso da candidata francesa de ultradireita Odile Leconte (Fleur Geffrier), resultando em uma batalha campal. Resumindo, “Je Suis Karl” é um filme bastante impactante, sério, contundente, revelador. Será, provavelmente, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional defendendo a Alemanha. Um filmaço!         

sábado, 2 de outubro de 2021

 

“O ÚLTIMO RESGATE” (“WE GO IN AT DAWN”), 2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h25m, roteiro e direção de Ben Mole. Quem vê a foto de divulgação (ao lado) pensa que vem aí mais um filme de guerra recheado de tiros, tanques, trincheiras, aviões, artilharia pesada e exércitos se enfrentando no front. Propaganda enganosa. O filme é claramente de baixo orçamento, certamente feito para a TV, com um elenco de atores desconhecidos – pelo menos para nós. Tal qual “Atrás da Linha: Fuga para Dunkirk”, do mesmo diretor e comentado recentemente neste blog, este drama de guerra ambientado durante a Segunda Guerra Mundial é muito fraco, com inúmeras falhas de continuidade – exemplo: combatente da resistência francesa aparece com uma arma na mão e na mesma cena aparece com outra, como num passe de mágica, e tantas outras falhas bem perceptíveis. Bem, vamos à sinopse. Estamos em 1944, pouco antes do Dia D, quando as forças aliadas invadem a Normandia e afugentam o exército alemão, dando um grande passo para o final do conflito. Victor Lawrence (Christos Lawton), oficial inglês de alta patente, é capturado pelos alemães em solo francês e enclausurado numa prisão de segurança máxima. Com receio de que ele seja torturado e entregue os planos do Dia D, o governo inglês envia à França John Seabourne (Kelvin Fletcher), oficial das forças especiais, para tentar resgatar o prisioneiro. Para essa missão, Seabourne contará com a ajuda de uma combatente da resistência francesa, Ellie (Audrey L’Ebrellec), cujo irmão também é prisioneiro dos alemães. A missão é quase impossível, mas sabe como é o cinema. Quem gosta de filmes de guerra certamente vai se decepcionar, principalmente com a falta de ação e com o roteiro de extrema pobreza. Ainda bem que só dura 1h25m e, mesmo assim, dá para lamentar esse tempo perdido.         

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 

“SERVOS DA GUERRA” (“SLUGI WOJNY”), 2020, Polônia, 1h50m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, roteiro e direção de Mariusz Gawrys. Trata-se de um filme policial com muito suspense e boas, mas não muitas, cenas de ação - a melhor delas é a perseguição nos telhados. A história é centrada na investigação do assassinato do professor Marek Abramski (Daiusz Jakubowski), médico especialista em transplante de medula óssea e fundador da organização “Helping Hand”. O caso é entregue ao comissário Wojciech “Sambor” Samborski (Piotr Stramowski) e a uma policial novata, Marta (Maria Kania). Durante as investigações, os policiais encontram pistas que levam a crimes envolvendo um complicado caso de corrupção, comércio de órgãos humanos e venda de informações do DNA de soldados do exército polonês. Tudo leva a crer que Joop Holten (Michael Schiller), diretor da fundação, e uma ministra do governo polonês estão envolvidos em toda essa trama. O roteiro não facilita um rápido entendimento sobre o que está acontecendo na tela. São citados vários nomes de personagens que a gente demora a identificar na história. Grande parte do roteiro abre espaço para o relacionamento amoroso secreto entre o comissário Sambor e a policial Marta, protagonistas de várias cenas de sexo, uma delas beirando o explícito. Aliás, como é de praxe nos filmes poloneses, mulheres bonitas não faltam no elenco. Trocando em miúdos, “Servos da Guerra” tem todos os ingredientes para agradar quem curte o gênero policial, mesmo com o roteiro um tanto complicado.           

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

 

“OS SEGREDOS QUE GUARDAMOS” (“THE SECRETS WE KEEP”), 2020, Estados Unidos, 1h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, direção do cineasta israelense Yuval Adler, que também assina o roteiro com a colaboração de Ryan Covington. A história é ambientada em meados dos anos 50 em uma pacata cidade do interior dos Estados Unidos, onde Maja (Noomi Rapace) vive com seu marido Lewis (Chris Messina) e um filho pequeno. Eles se conheceram na Europa pós-guerra, Lewis como médico do exército e Maja como uma refugiada romena. De volta aos Estados Unidos, Lewis levou Maja e se casaram. Quando já eram casados por alguns anos, Maja reconhece um homem como o soldado alemão que, durante a Segunda Grande Guerra, a estuprou e matou sua irmã. Maja resolve sequestrar o sujeito, que nega ter sido um soldado alemão e que se identifica como Thomas (Joel Kinnaman), um imigrante originário da Suíça e que agora trabalha como empregado em uma refinaria. Obcecada por vingança, Maja prende o suposto nazista no porão de sua casa. O marido exige uma explicação para o que está ocorrendo e Maja revela o segredo que escondeu durante todo o tempo em que se conhecem. Ela e sua família eram ciganos que foram perseguidos pelos nazistas e submetidos a torturas cruéis. Maja nunca mencionou esse fato ao marido. Mesmo diante da certeza dela de que Thomas foi seu estuprador, Lewis começa a desconfiar de que sua esposa está cometendo um grave erro. E essa dúvida permanecerá até o desfecho, mantendo a atenção do espectador para a expectativa do que vai acontecer, aumentando cada vez mais o suspense da história. Não há dúvida de que é atriz sueca Noomi Rapace quem leva o filme nas costas, com uma primorosa atuação. Ela demonstra mais uma vez que é uma atriz bastante versátil, principalmente quando a gente lembra dela como aquela garota punk masculinizada do filme “Os Homens que não Amavam as Mulheres” e em mais dois filmes da trilogia baseada nos livros do escritor sueco Stieg Larsson. Trocando em miúdos, “Os Segredos que Guardamos” é um bom suspense que merece ser conferido. Aproveito para recomendar mais um ótimo filme do diretor israelense Yuval Adler: “Belém: Zona de Conflito”, de 2013.             

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

“7.500”, 2019, Alemanha/Áustria/EUA, 1h32m, produção Amazon Studios, disponível na plataforma desde o dia 18 de junho de 2020, direção de Patrick Vollrath, que também assina o roteiro com a colaboração de Senad Halilbasic. Conhecido como diretor de curtas – ele tem até um Oscar de Melhor Curta-Metragem, em 2016, por “Alles Wird Gut” -, com “7.500” Vollrath faz sua estreia na direção de um longa. E que estreia auspiciosa. O cineasta alemão consegue prender a atenção e manter um clima de tensão do começo ao fim, mesmo que toda a ação seja ambientada no pequeno espaço da cabine de comando do avião onde ficam o piloto e o copiloto. O avião com 85 passageiros está prestes a decolar de Berlim com destino a Paris. O piloto Michael Lutzmann (Carlo Kitzlinger) e o seu copiloto Tobias Ellis (Joseph Gordon-Levitt) iniciam os preparativos, tomando todas as providências para iniciar a contagem regressiva para o início do taxiamento. O diálogo entre piloto e copiloto é bastante realista, pois leva o espectador a conhecer os detalhes técnicos do procedimento. Logo depois da decolagem, quando a aeronave entra em ritmo de cruzeiro e com o piloto automático ligado, terroristas islâmicos anunciam que estão sequestrando o avião. Dois deles conseguem invadir a cabine de comando, assassinando o piloto. Caberá ao copiloto Tobias deter os terroristas e ainda pilotar o avião, mesmo com um grave ferimento no braço. Os demais terroristas tentam derrubar a porta da cabine, ameaçando matar os passageiros caso Tobias não os deixe entrar. A tensão aumenta a partir do primeiro passageiro assassinado. O desespero de Tobias aumenta ainda mais quando um dos terroristas ameaçam matar uma aeromoça, justamente sua namorada. A gente acompanha toda a ação como se estivesse na cabine, ou seja, quem for claustrofóbico vai passar mal. Até a metade do filme a ação e a tensão correm soltas e o suspense é de tirar o fôlego. Mas na segunda parte, quando o copiloto tenta convencer um jovem terrorista, também preso na cabine, a se entregar, o ritmo da ação diminui e dá lugar a um frustrante período de calmaria.  Não que isso prejudique o resultado final, graças, principalmente ao roteiro engenhoso e à atuação magistral de Joseph Gordon-Levitt. Ah, só para esclarecer, o “7.500” do título refere-se ao código do Transponder de Emergência para “Interferência Ilícita”. Pode encarar essa viagem. Garanto que você não vai se arrepender.       

 

“PÁSSAROS DA LIBERDADE” (“BIRDS OF PARADISE”), 2021, Estados Unidos, 1h54m, produção da Amazon Studios, disponível na plataforma desde o dia 24 de setembro de 2021, roteiro e direção de Sarah Adina Smith. A história é baseada no romance “Bright Burning Stars”, escrito por A.K. Small. O filme começa com a chegada em Paris da jovem norte-americana Kate Sanders (Diana Silvers), bailarina que ganhou uma bolsa de estudos para participar de uma seleção para a consagrada Companhia Balé da Ópera de Paris. Ela não é muito bem recebida pelas outras bailarinas e logo constata que o ambiente é muito traiçoeiro e competitivo. Uma de suas principais concorrentes é Marine Elise Durand (Kristine Froseth), filha da embaixadora dos EUA na França, Celine Durand (Caroline Goodall) e do rico empresário Lucien Durand (Roger Barclay). Marine carrega o trauma de ter sido responsável pelo suicídio do irmão gêmeo, que era também bailarino e seu par nos concursos de dança. No começo da relação entre Marine e Kate havia uma certa rivalidade, pois as duas eram consideradas as favoritas. Mas a aparente concorrência se transformou em amizade e as duas enfrentarão juntas o rigoroso treinamento ministrado por Madame Brunelleschi (Jacqueline Bisset). Até o desfecho, o filme acompanha a amizade entre as duas jovens, o ambiente competitivo, a inveja, o ciúme, o consumo de drogas, o sofrimento dos exaustivos e doloridos ensaios e os romances nos bastidores. Ou seja, o mundo do balé não é só charme e beleza. Nos bastidores há um mundo cruel e nada saudável. O excelente desempenho das jovens atrizes Kristine Froseth e Diana Silvers é fundamental para acentuar a carga dramática e sensual que acompanha toda a história. Destaque também para a participação da veterana Jacqueline Bisset, ainda em grande forma. Uma curiosidade é a presença do bailarino brasileiro Daniel Camargo, que também faz papel de garanhão do pedaço. Totalmente filmado em Budapeste (Hungria), “Pássaros da Liberdade” se destaca também pela primorosa fotografia, que valoriza ainda mais as apresentações de balé. Não é um baita filme, mas muito interessante e que merece ser conferido.   

sábado, 25 de setembro de 2021

 

“BAC NORD: SOB PRESSÃO” (“BAC NORD”), 2020, França, disponível na plataforma Netflix, 1h47m, direção de Cédric Jimenez (“A Conexão Francesa", de 2014), que também assina o roteiro com a colaboração de Audrey Diwan (esposa do diretor) e Benjamin Charbit. Não é novidade que o cinema francês está dominando o gênero policial, muitas vezes superando os melhores de Hollywood. É o caso deste “Bac Nord”, repleto de ação, tensão e muita violência. E, melhor ainda, baseado em fatos reais ocorridos em 2012. Estamos na cidade de Marseille, que registra o maior índice de criminalidade da França – e talvez de toda a Europa. A história acompanha o desafio diário de três policiais na linha de frente da Brigada Anticrime no combate ao tráfico de drogas em Marseille, mais especificamente na parte norte da cidade, habitada, em sua grande maioria, por imigrantes árabes, muçulmanos e africanos. O QG dos traficantes fica localizado num conjunto de edifícios populares. Nem mesmo a polícia chega perto, pois a barra é bem pesada. Os policiais Antoine (François Civil, Grégory Cerva (Gilles Lellouche) e Yassine (Karim Leklou) resolvem tirar partido da situação e ganhar um dinheirinho por fora. A estratégia é simples: eles esperam os viciados saírem dos prédios e confiscam suas drogas e depois as vendem. Para obter mais informações sobre as atividades dos traficantes, Antoine mantém uma informante, a viciada Amel (Kenza Fortas), que dá as dicas em troca de porções de maconha. Quando o prefeito exige uma ofensiva contra os traficantes, um grande número de policiais é mobilizado para a perigosa e difícil missão. As cenas que virão a seguir são de uma tensão extrema, quando os policiais são cercados pelos traficantes, que contam com o apoio dos moradores. O diretor Cédric Jimenez, com uma câmera de mão, filma tudo de forma muito realista, fazendo com que o espectador se veja no meio de toda a ação. São cenas de tirar o fôlego, valorizando ainda mais este excelente filme francês. Como se não bastasse tudo isso, o elenco, além dos ótimos atores que interpretam os três policiais, ainda conta com a jovem diva Adèle Exarchopoulos, que, além de bonita, é excelente atriz. Lançado no Festival de Cannes de 2020, recebendo elogios da crítica e do público, “BAC Nord” é um filme obrigatório para quem curte o gênero policial. E para quem não curte também. Simplesmente IMPERDÍVEL, com letra maiúscula e negrito.     

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

 

“UNTOUCHED” (este é o título original, assim como está na Amazon Prime Vídeo; na tradução para o português, pode ser “Intocado” ou “Intocável”), 2017, Estados Unidos, 1h20m, direção do brasileiro Raphael Vieira, seguindo roteiro de Chip Lane, Angelique Chase, Megan Lambardo e Sandra Elise Williams. Filme certamente feito para a TV, com uma produção de poucos recursos – para não dizer pobre - e um elenco de ilustres desconhecidos e péssimos atores. Eis que surge de repente na tela, para minha surpresa, um rosto conhecido: a atriz brasileira Maria Zilda Bethlem. Dei stop na filmagem e fui pesquisar o que ela estaria fazendo em um filme norte-americano. Descobri na hora: ela é mãe do diretor, cujo pai é Roberto Talma, falecido em 2015, famoso por aqui como diretor da TV Globo. Bem, vamos à história de “Untouched”, ambientada na pequena cidade de Savannah (Estado da Geórgia). Primeiro, quero dizer que resolvi assistir esse drama porque a sinopse anunciava que se tratava de um filme de tribunal, o que eu adoro. Triste ilusão. Tem só uma pequena cena de julgamento, o resto é só um drama mesmo. O advogado Mitchell Thomas (Chip Lane, também um dos roteiristas) é designado para defender uma jovem de 16 anos acusada de ter assassinado seu bebê recém-nascido e o jogado em uma lixeira. Ela não se recorda do que aconteceu e também não quer dizer o nome do pai da criança. Para piorar a situação, a moça é filha de um conhecido pastor da igreja, de quem escondeu que estava grávida. No início, Mitchell relutou em assumir o caso, pois carrega um trauma do passado relacionado justamente com a questão do aborto. Maria Zilda interpreta Alex, outra advogada do escritório. Ela aparece pouco, num papel sem muita importância, mas não compromete. Acho que por conta de alguma brincadeira combinada durante a filmagem, Mitchell cumprimenta Alex com um “bom dia” em português, e, numa outra cena, Maria Zilda diz um “merda” também em português. Não há muito mais o que se comentar, apenas dizer que o filme é muito fraco, sem dúvida um dos piores lançamentos da Amazon este ano (2021).

   

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

“O SÉTIMO DIA” (“THE SEVENTH DAY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, 1h27m, roteiro e direção de Justin P. Lange. Depois do clássico “O Exorcista”, de 1974, muitos outros filmes foram feitos com o tema exorcismo. Mas, até hoje, nenhum superou em impacto e qualidade o filme dirigido por William Friedkin, com Max von Sidow, Ellen Burstyn e Linda "Jato Verde" Blair. Eu mesmo já assisti a alguns, e posso afirmar, do alto da minha condição de cinéfilo amador, que a maioria é uma grande porcaria. “O Sétimo Dia” também faz parte da tropa medíocre, apesar de trazer no elenco Guy Pearce, um nome de um certo respeito no cinema atual. Mas nem ele foi capaz de salvar esse filme. Ele interpreta o padre Peter, um dos mais experientes na prática do exorcismo. Peter é designado para treinar o padre novato Daniel (o fraco ator mexicano Vadhir Derbez) a encarar o demônio de perto e tentar vencê-lo. O primeiro teste acontece num reduto de mendigos. Daniel terá que descobrir, entre eles, quem está possuído, e, para nosso espanto, sem usar batina, nem crucifixo, Bíblia ou água benta. Ou seja, não se fazem mais padres como antigamente. O segundo teste, agora na prática, acontece quando Daniel é obrigado a enfrentar o diabo no corpo do garoto Charlie (Brady Jenness). Aí o bicho pega. Como tantos outros filmes, “O Sétimo Dia” apresenta alguns clichês do gênero: tabuleiro Ouija, criança com voz grossa, gosma verde, olhos virando, levitação, mortes provocadas pelo possuído etc. Com exceção de alguns bons sustos, nada desse filme é capaz de motivar uma recomendação entusiasmada. Vade retro!  

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

 

“PALESTINA: UMA TERRA EM CONFLITO” (“PALESTINE”), 2019, disponível na plataforma Amazon Prime Video, coprodução Marrocos/Israel/Espanha, 1h18m, direção de Julio Soto Gurpide e Mohamed El Badaoui – que também faz o papel principal no filme – seguindo roteiro de Suha Arraf. A história é baseada em fatos reais descritos no livro “Palestine” (2007), do escritor tunisiano Hubert Haddad. Quem se depara com o título nacional pode pensar que vai ver atentados, explosões, mísseis e tiroteios. Nada disso, embora tenha cenas de alguma violência e tensão. A história começa com homem caminhando à beira de uma estrada da Palestina, ao lado do muro que separa seu território de Israel. Ele apresenta um ferimento na cabeça e está mentalmente perturbado, como alguém que não sabe o que está acontecendo. Um carro para ao seu lado e o identifica como Nassim (Mohamede El Badaoui), um palestino que foi preso há 10 anos pelo exército israelense. Quando é levado para a casa da mãe, em Hebrom - cidade palestina na Cisjordânia -, Nassim é recebido com muita festa e lágrimas e fica claro que ele perdeu a memória, pois não se lembra de nada. Aos poucos, porém, com a convivência diária com sua mãe Ismahan (Amal Ayduch) e com a prima Rana (Sarah Perles), Nassim percebe que tem algo errado com ele, ou seja, está sendo difícil acreditar que é mesmo um palestino. Um dia, durante o sono, ele fala em hebraico, o que gera suspeitas por parte da prima. Como o roteiro faz questão de esclarecer bem antes do desfecho, Nassim é, na verdade, um soldado israelense chamado Chaim. Embora a história seja bastante interessante, faltou ao roteiro explicar alguns aspectos que poderiam acrescentar um melhor entendimento por parte do espectador. Por exemplo, como Nassim/Chaim foi ferido, por que estava com roupas de civil quando foi encontrado e como ele fala tão bem a língua árabe. Somando os prós e os contras, acredito que o filme merece ser conferido, principalmente por aqueles que, como eu, gostam de histórias ambientadas naquela zona de conflito.            

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 

“NORMANDIA NUA” (“NORMANDIE NUE”), 2018, França, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, roteiro e direção de Philippe Le Guay. Na mão de outros diretores, a história talvez ganhasse tons de drama, pois tem como pano de fundo a crise econômica. Nas mãos de Philippe Le Guay, porém, o filme se transformou em uma ótima comédia, leve e agradável de assistir, como já tinha sido com dois de seus maiores sucessos, como “As Mulheres do Sexto Andar” (2010) e “Pedalando com Molière” (2013). Em “Normandia Nua”, a história envolve fazendeiros, agricultores e criadores de gado na região da Normandia, ao redor da pequena cidade de Mêle Dur Sarthe. Revoltados com a baixa de preços, principalmente do leite e da carne, e ainda pela concorrência de países como a Romênia e a China, os fazendeiros, sob o comando de George Balbuzard (François Cluzet, de “Intocáveis), prefeito do vilarejo, resolvem realizar manifestações de protesto, o primeiro deles fechar uma estrada com tratores, arados e colheitadeiras. O resultado foi o inverso. A mídia criticou a manifestação e recebeu apoio dos consumidores. Pra resumir a história, Balbuzard resolve aceitar a proposta inusitada do fotógrafo norte-americano Blake Newman (Toby Jones), famoso por fotografar dezenas de pessoas nuas, todas juntas, e dizer que aquilo é arte. Balbuzard acredita que essa foto com a população do vilarejo terá grande repercussão, dando a oportunidade para que os fazendeiros locais encontrem espaço na mídia para denunciar a situação. Porém, há um grande problema: convencer os habitantes a posar sem roupa. Daí começa a parte mais engraçada do filme, que é Balbuzard visitando os moradores para convencê-los a tirar a roupa e posar para a tal fotografia. Entre os lances mais engraçados está a torcida dos homens do vilarejo para que a mulher do açougueiro, ex-Miss Calvados, concorde em participar da foto, mesmo totalmente fora de forma. Outra grande sacada foi completar o elenco com os próprios moradores do vilarejo. Entre os atores profissionais, destaco a presença de François-Xavier Demaison, Vincent Regan, Arthur Dupont, Julie-Anne Roth, Philippe Rebbot, Grégory Gadebois e Lucie Muratet. Em tempos de tanto estresse, nada como uma boa comédia para melhorar o ânimo. “Normandia Nua” é a dica perfeita para isso. Não perca!       

 

“MEU ANO EM NOVA YORK” (“MY SALINGER YEAR”), 2020, Canadá, disponível dede 15 de setembro de 2021 na plataforma Netflix, 1h41m, roteiro e direção de Philippe Falardeau. Filme de abertura do Festival Internacional de Cinema de Berlim, este simpático drama é baseado em fatos reais relatados no livro biográfico da jornalista, poetisa, crítica e romancista Joanna Smith Rakoff. “Meu Ano em Nova York” destaca a experiência vivida por Joanna (Margaret Qualley) em 1995, quando saiu da Califórnia para morar em Nova York, onde conseguiu emprego como assistente de uma grande editora de livros. Seu trabalho era responder às cartas enviadas por leitores e fãs do consagrado escritor J. D. Salinger, o principal escritor agenciado pela editora, cuja proprietária era a mal-humorada e prepotente Margaret (Sigourney Weaver). Joana era obrigada a responder com cartas-padrão determinadas há anos pela editora. As cartas não deveriam chegar jamais às mãos de Salinger, autor do best-seller “O Apanhador no Campo de Centeio”, também famoso por viver recluso e avesso a encontros sociais, principalmente entrevistas. Ao contrário das normas estabelecidas e com pena dos remetentes, Joanna começou a responder as cartas dando conselhos, o que lhe causaria problemas com Margaret. O filme também destaca o namoro tumultuado de Joanna com o pretendente a escritor Don (Douglas Booth), com o qual dividia um pequeno apartamento. Embora Joanna seja o personagem principal da história, numa interpretação simpática da atriz Margaret Qualley, é Sigourney Weaver quem domina todas as cenas em que aparece. A veterana atriz arrasa no papel de proprietária da editora. Só sua presença vale o ingresso. Trocando em miúdos, “Meu Ano em Nova York” é apenas um filme bonitinho e agradável de assistir, indicado para apreciadores de literatura. Trata-se, enfim, de um filme muito interessante.