domingo, 28 de janeiro de 2018

Selecionado para representar a Índia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro (não ficou entre os cinco finalistas), “NEWTON”, escrito e dirigido por Amit Masurkar, consegue fazer rir tendo como pano de fundo um assunto sério. A história é centrada no jovem Newton Kumar (Rajkummar Rao), um funcionário público dedicado e honesto. Ou seja, uma raridade, inclusive na Índia. Às vésperas das eleições gerais, ele se apresenta como voluntário para presidir a votação numa zona eleitoral perigosa, constituída por apenas 76 eleitores, um vilarejo longínquo, no meio da selva, com forte presença de rebeldes comunistas. Newton e sua equipe de mesários são escoltados e protegidos por forças de segurança locais, comandadas por Aatma Singh (Pankaj Tripathi). O primeiro desafio de Newton é convencer a população local a participar da eleição. O pessoal tem medo de sofrer retaliações por parte dos rebeldes. Newton, mesmo correndo risco de vida, fará de tudo para conseguir seu objetivo. Como escrevi no início do comentário, o roteirista e diretor Amit Masurkar transformou uma história que poderia ser tratada com seriedade, numa quase comédia, com momentos realmente hilariantes. O filme apresenta um trunfo adicional: a ausência daquelas cenas de dança e música insuportáveis que são marca registrada dos filmes de Bollywood. Apesar de ser um bom filme, divertido e agradável de assistir, não tinha chance mesmo de disputar o Oscar. Aqui no Brasil, ainda não chegou ao circuito comercial. Apenas foi exibido durante o Festival Internacional de Cinema de Curitiba, em junho de 2017.      

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018



“MULHERES DIVINAS” (“DIE GÖTTLICHE ORDNUNG”), 2017, Suíça, escrito e dirigido por Petra Biondina Volpe. A história, ambientada em 1971, é centrada num grupo de mulheres de um vilarejo no interior da Suíça que resolve aderir à campanha pelo direito ao voto feminino. Imaginem só, na Suíça, país desenvolvido, as mulheres ainda não podiam votar até aquele ano. O filme começa com um clipe bastante elucidativo, mostrando cenas reais de 1968, destacando as manifestações feministas em todo o mundo. Até 1971, os avanços obtidos três anos antes não haviam chegado à pequena vila da Suíça, radicalmente conservadora, onde as mulheres continuavam submissas aos maridos, presas aos afazeres domésticos, proibidas de trabalhar fora e emitir qualquer tipo de opinião, principalmente de cunho político. Esse contexto começa a mudar a partir de Nora (Marie Leuenberger), casada e mãe de dois filhos, que resolve se engajar na campanha pelo direito ao voto feminino. A ela juntam-se outras mulheres decididas a se libertar do machismo reinante. A coisa pega fogo, pois além do direito de votar elas resolvem também reivindicar o direito de trabalhar e de conquistar sua emancipação sexual, o que rende cenas de muito bom humor, principalmente quando uma sueca resolve fazer uma palestra sobre o prazer feminino, incluindo temas como o orgasmo e a masturbação. Dessa forma, a diretora Petra Volpe conseguiu tratar de um tema sério de maneira bem leve e divertida, tornando o filme bastante agradável de assistir. “Mulheres Divinas” foi o filme selecionado para representar a Suíça no Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ficou entre os cinco finalistas. Aqui no Brasil, foi exibido como uma das atrações da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro/novembro de 2017.         

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

“VERÃO 1993” (“ESTIU 1993”), selecionado para representar a Espanha no Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, foi apontado por alguns críticos especializados como um dos grandes favoritos, mas ficou de fora dos cinco finalistas, apesar de ter conquistado prêmios em vários festivais de cinema pelo mundo afora em 2017. Trata-se do filme de estreia da roteirista e diretora Carla Simón, que escreveu a história baseando-se em suas memórias de infância. O filme é centrado na menina Frida (Laia Artigas), de apenas seis anos de idade, que perdeu o pai e logo em seguida a mãe, tendo de sair de Barcelona para morar com os tios Marga (Bruna Cusí) e Esteve (David Verdaguer) na zona rural da Catalunha. Revoltada e invejosa, sentindo muito a falta da mãe, Frida vai tumultuar o ambiente da nova família, o que inclui maltratar a priminha mais nova. Para domá-la, Marga e Esteve terão que adotar as mais diferentes formas de psicologia, mas não será nada fácil. Destaque para a ótima atuação da atriz mirim Laia Artigas. Resumo da ópera: um filme de crianças feito para adultos. De qualquer forma, um bom filme, mas exageradamente valorizado.          

sábado, 20 de janeiro de 2018

Já foi o tempo em que Bruce Willis era o grande astro dos filmes de ação – quem não se lembra da série “Duro de Matar”? Mas o tempo passou e o astro norte-americano envelheceu e já não consegue papeis que correspondam ao seu carisma e à sua competência como ator. Em seu mais recente filme, o suspense “CAÇADA BRUTAL” (“FIRST KILL”), 2017, direção de Steven C. Miller com roteiro de Nick Gordon, Willis aparece somente no começo, apresentado como o chefe de polícia da cidade, e depois no final, num tiroteio que marca o desfecho da história. Quem trabalha o tempo inteiro é Hayden Christensen (o ator canadense conhecido como o Anakin Skywalker de “Star Wars”), que leva o filho de 11 anos para caçar na floresta – mania de americano achar que um garoto só vira homem depois de dar uns tiros e matar um animal. Ele presencia a briga de dois homens por causa do dinheiro de um assalto a banco. Um deles é assassinado e o outro ferido. O que sobreviveu sequestra o filho de Will (papel de Christensen), o que desencadeia a tal caçada brutal. Haverá algumas reviravoltas, pois quem parecia o mocinho vira o vilão e vice-versa. Steven Miller já havia dirigido Willis em outros dois filmes: "Assalto ao Poder" e "Operação Resgate", bem melhores do que este. Triste constatar que Willis já não é tão duro de matar. Filme bem fraquinho, sem chance de ser recomendado.         

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O drama dinamarquês “UMA GUERRA” (“KRIGEN”), 2015, escrito e dirigido por Tobias Lindholm, foi um dos cinco finalistas na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Era o grande favorito, mas acabou perdendo para “O Filho de Saul”. Merecia ganhar. O filme é centrado na rotina de um pelotão do exército dinamarquês no Afeganistão, responsável por realizar patrulhas, prender guerrilheiros talibãs e ajudar a população civil no que for necessário. O grupo é comandado pelo oficial Claus M. Pedersen (Pilou Asbaek). Numa dessas patrulhas, Pedersen e seus homens são emboscados por atiradores talibãs e pedem ajuda aérea. Ao informar as coordenadas de uma casa onde estariam os atiradores para que seja atacada pelo reforço aéreo, Pedersen comete um trágico engano: na casa havia somente civis, 11 dos quais, incluindo várias crianças, morreram no ataque. Pelo erro, Pedersen é obrigado a voltar para a Dinamarca para ser submetido a julgamento por uma corte marcial, acusado de crime de guerra. Entre uma cena e outra de guerra, o diretor Tobias Lindholm dá destaque também à árdua rotina da esposa de Pedersen, Maria (Tuva Novotny), que se vira como pode para cuidar dos três filhos pequenos, um deles causando problemas quase que diários na escola. Maria e os filhos sentem muita falta de Pedersen. Para Maria, sua casa também é uma espécie de “campo de batalha”, um aspecto pouco explorado nos outros filmes que têm uma guerra como pano de fundo. Imperdível!          

domingo, 14 de janeiro de 2018

“UM REINO UNIDO” (“A United Kingdom”), 2016, Inglaterra/França, terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Amma Asante – o primeiro foi “A Way of Life”, de 2004, e o segundo, “Belle”, de 2013. A história de “Um Reino Unido” é baseada em fatos reais relatados no livro “Colour Bar”, de Susan Williams, lançado em 2006. No final dos anos 40, o príncipe Seretse Khama (David Oyelowo), herdeiro do trono de Bechuanalândia (mais tarde Botswana), estudava Direito em Londres quando conhece a britânica Ruth Williams. Os dois curtiam dançar e ouvir jazz. E, claro, acabam se apaixonando e casando, provocando uma série de protestos por parte da família real de Bechuanalândia, na época um protetorado britânico, e das autoridades inglesas, que apoiavam a política do apartheid implementada pela vizinha África do Sul. Seretse Khama e Ruth Williams resolveram enfrentar todas as dificuldades, lutando contra o preconceito e as fortes ingerências políticas - imagine um casamento inter-racial naquela época. Depois da independência de Bechuanalândia, em 1966, Seretse Khama seria eleito o primeiro presidente de Botswana. Uma história de amor muito bonita, tendo como pano de fundo o contexto político da época envolvendo a Inglaterra e suas colônias na África. Além de um ótimo filme, uma verdadeira aula de História.     

sábado, 13 de janeiro de 2018

“VIOLAÇÃO DE CONFIDENCIALIDADE” (“La Mecanique de L’Ombre”), 2017, filme de estreia de Thomas Kruithof como roteirista e diretor. Também vi um DVD com a tradução “A Mecânica das Sombras”. Como não foi exibido por aqui no circuito comercial, não há uma tradução oficial. A história é centrada no cinquentão Duval (François Cluzet, de “Intocáveis”), um homem solitário, com um passado ligado a problemas com bebida, e que de uma hora para outra perde o emprego e não consegue outro. Fica desempregado durante dois anos e, depois de inúmeras entrevistas, consegue finalmente um trabalho. Ele é contratado por um empresário misterioso chamado Clement (Denis Podalydes) para transcrever gravações de conversas telefônicas. Um trabalho simples, mas muito bem pago. Num amplo escritório, o único móvel é uma mesa com uma máquina de escrever – o filme não especifica o ano em que se passa a ação. Duval começa a trabalhar e acaba percebendo que algumas fitas possuem conteúdo bastante confidencial, envolvendo políticos importantes e gente ligada ao governo francês, incluindo agentes do serviço secreto. Enfim, descobre que as gravações estão ligadas a uma conspiração política. Duval chega à conclusão que entrou numa grande fria e quer pular fora. Só que é tarde demais, ele está envolvido numa trama sinistra, é acusado de assassinato e vai ter que fugir para sobreviver. Suspense e tensão garantidos, num filme cuja ação tem o ritmo frenético, não deixando o espectador respirar. E, ainda mais com a competência habitual do ator François Cluzet, torna-se um ótimo entretenimento. Também estão no elenco Sami Bouajila, Simon  Abkarian e Alba Rohrwacher.
    

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A primeira exibição do drama húngaro “CORPO E ALMA” (“Teströl És Lélekröl”) aconteceu no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017. O filme, escrito e dirigido pela diretora húngara Ildikó Enyedi, foi aclamado pela crítica, público e jurados, conquistando o “Urso de Ouro” como o melhor filme do festival. Além disso, foi selecionado para representar a Hungria na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. Sem dúvida, um dos filmes mais interessantes dos últimos anos, criativo e sensível, além de bem-humorado. Tudo para contar uma história inusitada de amor entre Mária (Alexandra Borbély) e Endre (Géza Morcsányi). Os dois são colegas de trabalho num grande matadouro de gado, ela recém-contratada como inspetora de qualidade; ele, bem mais velho, é o diretor financeiro da empresa. Ao realizar o programa de entrevistas com os funcionários, a psicóloga do matadouro faz uma descoberta incrível: Mária e Endre têm os mesmos sonhos todos os dias. Endre sonha que é veado (o bicho, não a bicha!) e está sempre em companhia de uma cerva numa floresta. Ela, por seu lado, sonha que tem como companheiro um veado. Os sonhos sempre combinam. A psicóloga fica brava e acha que os dois estão brincando com ela, o que resulta em algumas cenas bastante engraçadas. Mária e Endre tentarão viver o mesmo romance dos sonhos, mas a realidade não é tão fácil quanto possa parecer. Enfim, um filme muito inteligente e agradável. Simplesmente imperdível!      

domingo, 7 de janeiro de 2018

Selecionado para representar a Romênia na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, “SIERANEVADA” é uma comédia dramática escrita e dirigida por Cristi Puiu (“A Morte do Sr. Lazarescu” e “Aurora”). O filme, quase inteiramente ambientado dentro de um apartamento, acompanha a reunião da família do médico Lary (Mimi Branescu), que se encontra num sábado para homenagear o 1º aniversário da morte do patriarca Emil. Enquanto aguardam a chegada de um padre da Igreja Ortodoxa para realizar o serviço religioso e benzer o apartamento, os familiares de Lary passam por situações inusitadas que transformarão o encontro familiar numa grande bagunça. Uma jovem croata, totalmente drogada, é levada por uma jovem da família para se recuperar no apartamento; uma tia revela as traições do marido com detalhes escabrosos; a avó defende o tempo da ditadura comunista, o que faz surtar a dona da casa, e por aí vai. Nesse meio tempo, as discussões familiares abordam temas como os atentados de 11 de setembro nos EUA e o cometido contra a redação do semanário parisiense Charlie Hebdo – o encontro familiar acontece alguns dias após o atentado de Paris. A câmera de Puiu acompanha tudo bem de perto, como se fosse um convidado invadindo a intimidade da família. O filme é bastante longo (2h53m) e verborrágico demais, embora contenha diálogos muito interessantes e bem-humorados. Busquei informações sobre o título escolhido e descobri que o diretor queria referir-se a um antigo faroeste. "Sieranevada" foi exibido por aqui durante a Mostra “Panorama do Cinema Mundial”, no Festival Internacional do Rio de Janeiro, e concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016.    

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

“EM BUSCA DE VINGANÇA” (“Aftermath”), EUA, 2016, direção de Elliott Lester (“Blitz” e “Nightingale”), com roteiro de Javier Gullón (“O Homem Duplicado”). O título nacional dá a entender que vem pancadaria grossa, ainda mais que o ator principal é Arnold Schwarzenegger. Ledo engano. Já foi o tempo em que o brucutu austríaco encantava plateias no mundo inteiro distribuindo socos e tiros em bons filmes de ação. Hoje, aos 70 anos, não tem mais a mobilidade para encarar uma briga. Nesse drama, ele vive Roman Melnik, um imigrante russo que trabalha na construção civil. Às vésperas do Natal, ele espera a volta de sua esposa e de sua filha grávida que retornavam de Kiev. Ao buscá-las no aeroporto, ele recebe a trágica notícia: o avião onde elas estavam colidiu com outro, matando dezenas de pessoas, incluindo sua esposa e a filha. Enquanto Melnik tenta se recompor do choque, o filme passa a acompanhar o drama do controlador de tráfego aéreo Jake Bonaos (Scoot McNairy), responsabilizado pelo acidente e obrigado a mudar de cidade e até mesmo de identidade. Roman vai fazer de tudo para encontrá-lo e parte em busca de vingança. A história toda é baseada em fatos reais, ou seja, o acidente ocorrido no dia 1 de julho de 2002 no espaço aéreo da Alemanha, onde se chocaram um Boeing 757 cargueiro e um Tupolev com dezenas de crianças russas. O inquérito concluiu que houve erro dos controladores de voo. Talvez  Schwarzenegger não tenha sido a melhor escolha para o papel, mas o carisma do ator acaba compensando.             

terça-feira, 2 de janeiro de 2018



“INEXPLICÁVEL” (“Unspeakable”) foi produzido pelo Channel 4 da Inglaterra e exibido no dia 5 de novembro de 2017. Trata-se de um drama que contém um conselho bastante importante – mais do que um conselho, um alerta: não acredite em toda mensagem enviada para o seu celular, principalmente as anônimas. A história é centrada em Jo (Indira Varma), que passa a viver um dilema terrível depois de receber uma mensagem anônima pelo celular. Segundo o ou a  remetente, seu namorado Danny (Luke Treadaway), alguns anos mais moço, estaria tendo um caso com Katie (Nina Sorrentino), sua filha de 11 anos. Mesmo não querendo acreditar, Jo fica desesperada com a mensagem e não sossega enquanto não descobrir toda a verdade, nem que para isso tenha de confrontar seu namorado, seu ex-marido Des (Neil Maskeil) e a própria filha. Todo o suspense engendrado pelo roteirista e diretor David Nath culmina num desfecho bastante previsível, o que torna essa produção televisiva pouco recomendável.  

domingo, 31 de dezembro de 2017

“FLORES” (“Loreak”), 2015, Espanha, direção de Jon Garaño e José Mari Goenaga. Trata-se do primeiro filme espanhol inteiramente falado em basco. Além disso, foi selecionado para representar a Espanha na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Merecia melhor sorte, pelo menos estar entre os cinco finalistas, pois o filme é muito bom. Talvez o seu maior trunfo seja o primoroso roteiro, elaborado pelos diretores – com a colaboração de Aitor Arregi – para contar uma história extremamente sensível. Ane (Nagore Aranburu), uma mulher de meia idade, está fragilizada pela indiferença do marido e, para piorar, recebe a notícia do seu médico informando que acabara de entrar numa menopausa precoce. Ao mesmo tempo, passa a receber flores de algum admirador anônimo, o que de certa forma faz com que recupere o ânimo e passe a se sentir melhor. Numa cena tocante dentro de um ônibus lotado, ela fica olhando os homens imaginando qual deles ela gostaria que fosse o seu admirador. Numa segunda vertente da história, Lourdes (Itizar Ituño) vive uma crise no casamento com Beñat (Josean Bengoetxea) por conta da intromissão constante da sogra Tere (Itziar Aizpurn) em sua rotina doméstica. Tere fica xeretando a vida íntima do casal e ainda interfere na decoração da casa, o que deixa Lourdes furiosa. Beñat assiste a tudo sem tomar partido. Ele é colega de trabalho de Ane num canteiro de obras, responsável pela operação de um guindaste e passa o dia nas alturas. Com um binóculo, ele costuma bisbilhotar tudo o que se passa na área, inclusive os passos de Ane. Um dia, para consternação geral, Beñat morre num acidente de carro. Semanas depois, ao depositarem flores no local do fatídico acidente, a mãe e a esposa de Beñat percebem que mais alguém faz o mesmo. Tere logo descobre quem deposita as flores. Lourdes demora a descobrir. A reação de ambas em relação à pessoa é completamente diferente. As três mulheres comandam o filme inteiro, ressaltando o maravilhoso desempenho das atrizes que as interpretam, motivando o crítico Luiz Zanin, do Estadão, a afirmar que “Loreak revela-se uma obra de alma feminina”. Não dá para acreditar que um filme tão bom não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial. Só o viu quem esteve no 25º Cine Ceará – Festival Íbero-Americano de Cinema, realizado em junho de 2015. Imperdível!     

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Para quem gosta de filmes de ação, “O ASSASSINO: O PRIMEIRO ALVO” (“American Assassin”), 2017, EUA, não nega fogo. Tem pancadaria à vontade, tiros, perseguições e muita ação. A história é baseada no livro “American Assassin”, escrito por Vince Flynn, especialista em romances políticos e de espionagem. A direção é de Michael Cuesta (“O Mensageiro” e o roteiro assinado pelo quarteto Edward Zwick, Marshall Herskovitz, Michael Finch e Stephen Schiff. Depois de presenciar a morte de sua noiva Katrina (Charlotte Vega) num atentato terrorista, o jovem Mitch Rapp (Dylan O’Brien, de “Maze Runner: Prova de Fogo”) jura vingança, passa a praticar artes marciais e consegue infiltrar-se no grupo responsável pelo atentado. Quando parte para a ação, sozinho, ele elimina os assassinos. Sem saber, Mitch está sendo monitorado pela CIA, que resolve recrutá-lo e treiná-lo. Mitch é encaminhado para um centro de treinamento comandado pelo ex-militar e ex-agente da CIA Stan Hurley (Michael Keaton). Os métodos são violentos e desencorajadores, mas Mitch é durão e passa no teste. Nesse meio tempo, a CIA consegue informações a respeito de um grupo terrorista iraniano que tem em seu poder uma bomba atômica cujo destino é Israel. A CIA entra imediatamente em ação e escala a turma de Hurley, incluindo Mitch, para a difícil missão de descobrir o paradeiro do grupo terrorista e desarmar a bomba. As cenas de ação são muito bem elaboradas e o filme teve locações em cidades como Istambul, Varsóvia e Roma, entre outras. “American Assassin” é um dos maiores sucessos em vendas (só nos EUA foram 12 milhões de exemplares) do escritor Vince Flynn, falecido precocemente, aos 47 anos, em 2013. Mitch Rapp é personagem de vários livros escritos por Flynn.   

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Premiadíssimo filme iraniano, o drama “NAHID – AMOR E LIBERDADE” (“NAHID”), 2015, marca a estreia na direção da jovem diretora Ida Panahandeh, também autora do roteiro. A história é centrada em Nahid (Sareh Bayat), que conseguiu obter o divórcio de Ahmad (Navid Mohammadzadeh), um viciado que não consegue largar as drogas, principalmente a heroína. Eles têm um filho de 10 anos, Amir Reza (Milad Hossein Pour), que ficou com a guarda da mãe depois de um acordo acertado com o pai – segundo as leis religiosas iranianas de divórcio, o pai obtém automaticamente a guarda do filho. No Irã, os divórcios só podem ser concretizados mediante a autorização do marido. Nahid obteve a guarda do filho, mas jamais poderá casar novamente. Só que ela acaba se apaixonando por Masoud (Rejman Bazeghi), um viúvo proprietário de um pequeno hotel no litoral. Nahid enfrentará um grande dilema, ou seja, assumir o romance com Masoud, que quer casar com ela, e perder a guarda do filho para o ex-marido drogado ou então ficar com o filho e renunciar ao amor de Masoud. Complicado, principalmente depois que a família de Ahmad fica sabendo da relação de Nahid com Masoud. O filme é todo de Sareh Bayat, a ótima atriz que estreou no cinema em “A Separação”, de 2011, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Nahid” foi premiado no Festival de Cannes 2015 com o “Prix Avenir Prometteur”, destinado a diretores estreantes.   

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O drama francês “UMA HISTÓRIA BANAL” (“Une Histoire Banale”), 2014, escrito e dirigido por Audrey Estrougo, conta a história de Nathalie (Marie Denarnaud), uma mulher bonita e charmosa que, aos 30 anos, vive uma fase bastante feliz. Está prestes a morar com o namorado Wilson (Oumar Diawr), por quem está apaixonada, vive cercada de amigos e curte seu ambiente de trabalho como enfermeira num hospital. Toda essa felicidade vai durar pouco. Depois de sair com os amigos para dançar, Nathalie aceita a carona de um deles, Damien (Renaud Astegiani), que demonstrava há tempos uma evidente obsessão por ela, assediando-a com telefonemas e convites para sair. Ao chegar à casa de Nathalie, Damien parte para o ataque, mas é rejeitado. Ele se vinga estuprando a moça. Depois do que aconteceu, a vida de Nathalie vira um tormento. Traumatizada e com sérios problemas psicológicos em razão do que aconteceu, Nathalie passa a se comportar de maneira estranha. Para quem não passou pela mesma experiência traumática, talvez seja difícil entender a Nathalie pós-estupro. O desfecho dá margem às mais variadas interpretações e motiva as espectadoras a fazer uma difícil reflexão: o que eu faria no lugar de Nathalie? O desempenho da atriz Marie Denarnaud é excelente. Mais um bom filme francês que merece ser visto.   


domingo, 17 de dezembro de 2017

Para atuar em “Clube de Compras Dallas”, o ator Matthew McConaughey teve de emagrecer 22 quilos, o que contribuiu, além da sua ótima atuação, para conquistar o Oscar 2014 de Melhor Ator. Em “OURO E COBIÇA” (“GOLD”), 2017, para interpretar o personagem do empresário Kenny Wells, McConaughey precisou engordar 19 quilos. No filme, além de gordo, o ator aparece bastante calvo e usando uma dentadura falsa, adotando um visual bem diferente do galã que estamos acostumados a ver na tela. E seu desempenho é também muito bom, o que pode garantir uma nova indicação ao Oscar 2018. Vamos aguardar. “Ouro e Cobiça” é baseado em fatos reais que resultaram num grande escândalo financeiro no início dos anos 90 envolvendo a empresa canadense BRE-X Mineral Corporation. No filme, McConaughey vive o empresário e aventureiro Kenny Wells, que em meados dos anos 80 se associa ao geólogo Michael Acosta (o ator venezuelano Edgar Ramirez) para explorar uma possível mina de ouro na Indonésia. A notícia do resultado positivo dessa exploração chega a Wall Street e a empresa de Wells passa a ser um grande sucesso na Bolsa, atraindo milhares de investidores. Logo depois, porém, a verdade virá à tona e não será nada agradável, nem para Wells e muito menos para os investidores. O filme vale pela história em si, desconhecida por aqui, como pelo desempenho magistral de McConaughey, que na vida real é casado, desde 2012, com a modelo brasileira Camila Alves. 
“DUNKIRK”, 120 minutos, EUA, retrata um dos episódios mais impressionantes e incríveis da Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1940, mais de 300 mil soldados ingleses e aliados foram encurralados pelas tropas alemãs nas praias de Dunkirk, em território francês (nos livros de história que li, o nome que aparecia era sempre Dunquerque). Se não houvesse a evacuação imediata, os soldados certamente teriam sido mortos pelo exército nazista, maior em número e bem mais armado. A estratégia emergencial colocada em prática – que recebeu o nome de Operação Dínamo foi a utilização de embarcações civis e militares para buscar os soldados do outro lado do Canal da Mancha e levá-los para a Inglaterra. No total, foram utilizados 665 barcos civis e 222 embarcações militares. O primeiro-ministro Winston Churchill queria os soldados de volta para reforçar a defesa da Inglaterra contra uma possível invasão alemã. No filme, escrito e dirigido pelo inglês Christopher Nolan (conhecido pela trilogia Batman, “Intersestelar”, “Amnésia” e “A Origem”), a ação predomina em ritmo frenético, numa proposta visual bastante ousada, com algumas cenas realmente sensacionais e poucos diálogos. O filme foi realizado sob três perspectivas diferentes: terra, mar e ar. Na terra, o enfoque envolveu as tentativas do soldado Tommy (Fionn Whitehead) e de seus companheiros de fugir da praia e entrar numa das embarcações. No mar, a ação privilegiou os esforços das embarcações civis em chegar a Dunkirk e resgatar os soldados, em especial o barco de Dawson (Mark Rylance). No ar, o filme destacou os esforços do piloto Ferrier (Tom Hardy) em afastar os aviões alemães de Dunkirk, em ótimas cenas de batalha aérea. O filme de Nolan é muito bom e tem tudo para conquistar algumas indicações ao Oscar 2018, incluindo até mesmo a trilha sonora criada por Hans Zimmer. Sem dúvida, um dos melhores filmes de guerra feitos nos últimos anos.                   

sábado, 16 de dezembro de 2017

O que você faria se sua filha de 17 anos resolvesse, de uma hora para outra, ingressar no Estado Islâmico e virar uma terrorista? O drama francês “NÃO ME ABANDONE” (“Ne M’Abandonne Pas”), 2015, direção de Xavier Durringer, pode ajudar você a dar essa resposta. A jovem Chama (Lina El Arabi), de 17 anos, sofre a tradicional lavagem cerebral e acaba se casando pela Internet com um antigo namorado francês, que foi cooptado pelo EI e que agora mora na Síria. Está tudo preparado para que Chama vá para a Síria fazer parte do grupo terrorista. A médica Inès (Samia Sassi), mãe de Chama, descobre o plano e fará tudo para que a filha não entre nessa “furada”. Para isso, conta com a ajuda do ex-marido Sami (Sami Bouajila) e de Adrien (Marc Lavoine), pai de Louis, o jovem francês recrutado pelo EI e marido “virtual” de Chama. Pela Internet, Inès fica sabendo como o EI faz a cabeça dos jovens – o filme, de forma didática, mostra alguns vídeos do EI com mensagens motivacionais e os métodos empregados para atrair candidatos para a causa. O filme também acompanha o sofrimento de Inès e sua luta para resgatar a filha das garras dos terroristas. “Não me Abandone” foi produzido originalmente para ser uma minissérie para a TV francesa, exibida em 2016, e que agora virou filme. O tema é bastante atual e merece ser motivo de reflexão. Ninguém está livre dessa situação.              

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



“EU SOU UM ASSASSINO” (“JESTEM MORDERCA”), Polônia, 2016, escrito e dirigido por Maciej Pieprzyca. Baseado em fatos reais, o filme relembra o caso do “Vampiro”, como foi apelidado o serial killer Zdzislaw Marchwicki, responsável pelo assassinato de 14 mulheres em cidades próximas a Varsóvia. A polícia não conseguia encontrar o assassino e foi ainda mais pressionada depois que ele assassinou a sobrinha de Edward Gierek, um alto dirigente do partido comunista, então no poder na Polônia. Policiais mais experientes foram afastados do caso e as investigações passaram a ser comandadas pelo detetive Janusz Jasinski (Miroslaw Haniszewski, em ótima atuação), sem muita experiência nesse tipo de caso. Até chegar ao assassino, inclusive com a ajuda de um computador, o policial sofrerá uma grande pressão não só de seus superiores como da mídia em geral. Jasinski chegará ao limite físico e psicológico, tentando aplacar a situação com um cigarro atrás do outro e muita vodka, além dos favores de uma amante bem mais jovem que sua esposa. Mesmo depois de chegar ao criminoso – que no filme recebeu o nome de Wieslaw Kalicki (Arkadiusz Jakubik), e se transformar num verdadeiro herói, Jasinski não desestressou. Passou a duvidar das evidências e, depois de visitar diariamente o assassino na prisão, chegou à conclusão de que Kalicki não tinha o perfil de um serial killer. Na última quarta parte do filme, a história passa a destacar o julgamento do assassino e sua possível condenação à morte. O filme é excelente, tem muito suspense e um ritmo frenético. Imperdível!       

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Para quem gosta de filmes históricos, “A JOVEM RAINHA” (“The Girl King”), 2015, coprodução Finlândia/Alemanha/Canadá/Suécia/França - falado em inglês - é um ótimo programa. Escrito por Michel Marc Bouchard e dirigido pelo diretor finlandês Mika Kaurismäki, o filme conta a atribulada trajetória da Rainha Cristina da Suécia, em meados do Século XVII. Órfã de pai aos seis anos de idade, depois da morte do Rei Gustavo II, Cristina era a única herdeira do trono, só que para os padrões daquela época, inconcebível uma mulher assumir cargo tão importante. Dessa forma, nas mãos do seu tutor, Chanceler Axel Oxenstierna, ela foi criada como um príncipe. Aos 18 anos, foi finalmente coroada rainha. Após assumir, Cristina passou a cultivar as artes e as ciências, além da filosofia – ela se correspondia e depois ficaria amiga do filósofo francês René Descartes (1596-1650). Cristina ficou famosa também por gostar de mulheres (o título original é esclarecedor). Seu caso mais rumoroso foi com a dama de companhia, a condessa Ebba Sparre. Nos papéis principais, ótimos desempenhos da atriz sueca Malin Buska (Rainha Cristina), Michael Nyqvist (ator sueco falecido em junho de 2017) como o Chanceler Axel Oxenstierna, a canadense Sarah Gadon como a condessa Sparre, e o ator francês Patrick Bauchau, como René Descartes, além da atriz alemã Martina Gedeck e do ator francês Hippolyte Girardot. Outros destaques positivos são a ótima fotografia e a recriação de época, especialmente os cenários e os figurinos. “A Jovem Rainha” pode ser considerada uma refilmagem livre do clássico “Rainha Cristina”, de 1933, com Greta Garbo arrasando no papel principal. Irmão do também diretor de cinema Aki Kaurismäki, Mika tem uma relação antiga e muito próxima com o Brasil. Ele foi o responsável, por exemplo, pelos documentários “Brasileirinho – Grandes Encontros do Choro”, de 2005, “Bem-Vindo a São Paulo, de 2004, e “Moro no Brasil”, de 2002. Mika mora há 25 anos no Rio de Janeiro, é casado com uma baiana e tem dois filhos brasileiros.       

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Momentos de muita tensão e suspense estão garantidos no drama de guerra “NA MIRA DO ATIRADOR” (“THE WALL”), 2017, EUA, direção de Doug Liman. Iraque, 2007, os sargentos norte-americanos Allen Isaac (Aaron Taylor Johnson) e Shane Matthews (John Cena) são enviados a um local extremo no deserto iraquiano para investigar um possível atentado que matou vários engenheiros e militares que trabalhavam na construção de um oleoduto. Ao chegarem ao local, porém, descobrem que as vítimas foram mortas a tiros precisos na cabeça, indicando que a matança tenha sido obra de um franco-atirador, ou seja, um sniper. A confirmação viria logo depois, quando ambos são atingidos por tiros disparados não se sabe de onde. Encurralados pelo atirador, os dois soldados norte-americanos só contam com a proteção de uma antiga parede de tijolos. Para piorar ainda mais a situação, o atirador iraquiano consegue interceptar uma comunicação via rádio que Isaac tentava concluir para pedir ajuda ao seu pelotão. O iraquiano fala um inglês fluente e inicia uma longa conversa com Isaac, transformando o embate num claro duelo psicológico. Não será muito fácil para os soldados norte-americanos saírem vivos dessa situação, a não ser que cheguem reforços, a famosa “cavalaria”. O maior mérito do diretor Liman foi manter o nível de tensão mesmo com apenas dois personagens e uma voz in-off em cena, o que poderia deixar o filme arrastado e monótono. Mais uma prova da competência do diretor, responsável também por bons filmes de ação como “A Identidade Bourne” e “Sr. & Sra. Smith”, entre outros. "Na Mira do Atirador" revela-se, portanto, um ótimo programa.           

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O drama norte-americano “CASTELO DE VIDRO” (“The Glass Castle”), 2017, com roteiro e direção de Destin Daniel Cretton, é baseado no livro autobiográfico da jornalista Jeanette Walls, “The Glass Castle”, lançado em 2005 e traduzido para mais de 30 idiomas. Enfim, um grande best-seller. Walls relembra todos aqueles anos em que ela e os três irmãos conviveram com os pais totalmente desequilibrados e irresponsáveis, Rex (Woody Harrelson) e Rose Mary (Naomi Watts). Ele, um sonhador lunático, desempregado crônico e alcoólatra. A mãe, uma artista plástica que imagina um dia sagrar-se uma grande pintora, mas sem nenhum talento para tal. Pai e mãe sempre encararam a vida contrários a qualquer tipo de rotina familiar convencional. Nem com os quatro filhos eles foram capazes de mudar a filosofia de vida. Viraram nômades, mudavam de cidade para cidade, sempre morando em casas caindo aos pedaços. Para disfarçar sua incompetência como chefe de família, Rex prometia que um dia construiria uma grande casa de vidro, o tal castelo do título. Jeanette e os irmãos podem se queixar que, por causa dos pais irresponsáveis, passaram por muitas dificuldades, incluindo falta de comida e lugar para dormir. Mas jamais poderiam se queixar de que a vida da família era uma rotina chata. Pelo contrário, foi, durante anos, uma grande aventura, cheia de imprevistos, a cada dia uma novidade, boa ou ruim. No filme, interpretada pela excelente Brie Larson (Oscar de Melhor Atriz em 2016 por “O Quarto de Jack”), Walls aparece já como uma jornalista de sucesso em Nova Iorque, querendo esquecer o seu passado, mas não consegue, principalmente em razão da sua forte ligação com o pai, uma relação de amor e ódio. A atuação de Woody Harrelson é excelente, tanto que muitos críticos já estão acreditando numa possível indicação ao Oscar 2018 para disputar o prêmio de Melhor Ator. No geral, o filme é muito bom. Nos créditos finais, o diretor Cretton apresenta os verdadeiros personagens como estão nos dias de hoje.