terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um terrível e chocante fato histórico pouco conhecido é o tema central do excelente drama francês “AGNUS DEI” (“LES INOCCENTES”), 2015, roteiro de Madeleine Pauliac e direção de Anne Fontaine. Ao final da Segunda Guerra Mundial, soldados russos estupraram várias freiras de um convento no interior da Polônia. Muitas delas engravidaram e precisaram de cuidados médicos. A enfermeira francesa Mathilde Beaulieu (Lou de Laâge), que na ocasião trabalhava para a Cruz Vermelha no atendimento a cidadãos do seu país num acampamento próximo ao convento, foi procurada por uma das freiras para realizar o parto de uma delas. No convento, Mathilde viu que outras freiras precisavam de cuidados médicos, pois também estavam grávidas. Para isso, Mathilde teria de enfrentar duas grandes dificuldades. A primeira delas: as freiras não permitiam que fossem tocadas. Segunda dificuldade: Mathilde estava proibida de sair de seu posto. Ela saía escondida, na maioria das vezes de madrugada, para prestar atendimento às freiras. A jovem atriz francesa Lou de Laâge dá um show de interpretação. Também deve ser destacado o trabalho das atrizes polonesas que formam o resto do elenco, principalmente Agata Kulesza (madre superiora), Agata Buzek (irmã Maria) e Joanna Kulig (irmã Irena). Um filme forte, de grande impacto, que merece ser visto. Da mesma diretora, recomendo o ótimo “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, bem mais leve.       

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O drama biográfico canadense “BORN TO BE BLUE” (ainda sem tradução por aqui) é baseado na vida do lendário trompetista e cantor de jazz Chet Baker (1929/1988). A história é toda ambientada nos anos 60, quando Chet (Ethan Hawke) tenta recuperar a carreira depois de ficar preso por porte de drogas. Seu vício em heroína o levaria à decadência artística e à morte. O roteirista e diretor Robert Budreau (este é o seu segundo longa) centra a história no romance de Chet com Jane (Carmen Ejogo), uma atriz em início de carreira, e nos desafios enfrentados pelo músico para voltar à cena do jazz. Além das drogas, ele tinha problema com seus dentes da frente, arrebentados por capangas de um traficante para o qual Chet devia uma grana. Ele tocava com os dentes colados e, muitas vezes, tinha de segurá-los para não caírem durante as apresentações. O filme é simplesmente espetacular, um primor para os olhos e ouvidos. O desempenho de Hawke é incrível e a trilha sonora simplesmente deliciosa. Uma das cenas mais bonitas e emocionantes acontece num estúdio onde Chet se apresentaria para importantes produtores musicais. Ele canta e toca “My Funny Valentine”. Mesmo com o pedido dos técnicos do estúdio para que a plateia não se manifeste durante e depois da apresentação, já que seria tudo gravado, o pessoal não consegue segurar os aplausos no final.  É de arrepiar, assim como sua apresentação ao vivo no Birdland, famoso clube de jazz de Nova Iorque, onde ele toca e canta "Born to be Blue", a canção que dá nome ao filme. Na plateia, entre os que aplaudem Chet com entusiasmo, estão nada menos do que Dizzy Gillespie e Miles Davis, outros monstros sagrados do jazz. O filme estreou no Toronto International Film Festival, em setembro de 2015, arrancando elogios do público e dos críticos. Realmente, um filmaço. Simplesmente imperdível!    

domingo, 18 de setembro de 2016

O drama “MEU AMIGO HINDU”, 2015, foi o último filme escrito e dirigido pelo diretor argentino – naturalizado brasileiro – Héctor Babenco, que morreu em julho de 2016. O filme é todo falado em inglês, certamente para facilitar o trabalho do ator Willem Dafoe, o principal protagonista. O restante do elenco é de primeira: Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara Paz, Selton Mello, Ary Fontoura, Dan Stulbach, Dalton Vigh, Maitê Proença e Tânia Khalill. Conforme prometeu nos créditos iniciais – “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei” –, Babenco conta sua própria história de sofrimento na luta contra um câncer linfático. O longo tratamento ao qual foi submetido, antes e depois do transplante de medula óssea, toma conta de grande parte do filme. É num hospital de Washington (EUA) que ele conhece o tal amigo hindu do título, um garoto indiano de 8 anos também internado para tratar de um câncer. Babenco – que no filme é Diego Fairman – costumava contar histórias para o menino durante as sessões de quimioterapia. Os críticos profissionais não gostaram do filme. Eu não achei assim tão ruim. Concordo, porém, que não faz jus à competência habitual de Babenco, comprovada em filmes como “Pixote, A Lei do mais Fraco”, “Lúcio Flácio, Passageiro da Agonia”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Carandiru” e “Ironweed”, no qual dirigiu Jack Nicholson e Meryl Streep.   

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

“UM ROMANCE PROIBIDO” (“AMIRA & SAM”), EUA, 2014, roteiro e direção de Sean Mullin, estreante em longas – ele é mais conhecido como roteirista e diretor de curtas. O filme é um drama romântico com algumas – poucas - pitadas de humor. Conta a história de Amira (a atriz saudita Dina Shihabi), uma imigrante ilegal iraquiana que vive em Nova Iorque vendendo DVD’s piratas. Por intermédio de seu tio, Amira acaba conhecendo Sam (Martin Starr), ex-soldado americano que lutou no Iraque. No começo, Sam é rejeitado por Amira por causa da guerra – os americanos mataram seu irmão. Aos poucos, os dois acabam se apaixonando. Tudo muito previsível e forçado demais. Insosso demais. O ator Martin Starr é feio e sem graça, tem um jeito meio bobalhão. Com essa falta de carisma, fica difícil aturá-lo durante os 90 minutos de projeção. Dina Shihabi também não é bonita, mas tenta pelo menos ser espontânea, mas também não consegue angariar muita simpatia. Enfim, um casal sem aquele “tchan” para comover o espectador e fazê-lo torcer por um final feliz.  Aliás, para quem assistir, o final feliz será quando o filme termina. Descartável!   

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

“O EXÉRCITO DO CRIME” (“L’ARMÉE DU CRIME”), 2009, França, roteiro de Gilles Taurand e direção de Robert Guédiguian. Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes sobre a resistência francesa à ocupação nazista durante a Segunda Grande Guerra. Baseada em fatos reais, a história relembra a luta de um grande grupo de militantes autodenominado Exército de Libertação, responsável por inúmeros atentados que mataram oficiais e soldados alemães. Interessante que, além de franceses, o grupo tinha imigrantes romenos, espanhóis, poloneses, judeus, italianos, húngaros e armênios, pessoas que amavam a França, lutaram e morreram por ela. O maior mérito do filme foi destacar a vergonhosa e covarde colaboração das autoridades policiais francesas aos nazistas, principalmente na repressão ao pessoal da Resistência. Em fevereiro de 1944, 22 homens e uma mulher, militantes do Exército de Libertação, foram fuzilados pelos alemães, que depois distribuíram cartazes com a foto de cada um deles e com o título de “O Exército do Crime”. No ótimo elenco, os mais conhecidos são Simon Abkarian, Virginie Ledoyen e Jean-Pierre Darkoussin. Filme obrigatório para quem quer conhecer um pouco mais sobre esse período negro - e ao mesmo heróico - da história mundial. Do diretor Guédiguian, recomendo também o maravilhoso “As Neves do Kilimanjaro”, um dos melhores filmes franceses deste século.     

terça-feira, 13 de setembro de 2016

“BISTRÔ ROMANTIQUE” (“Brasserie Romantiek”), 2014, Bélgica, longa de estreia do diretor Joël Vanhoebrouck. Comédia inteligente e muito divertida, cuja ação é toda ambientada no restaurante do título. Pasqualine (Sara de Roo), uma das proprietárias, é quem organiza as reservas e recebe os clientes. A relações-públicas da casa. Seu irmão e sócio, Angelo (Axel Daeseleire), é o chef da cozinha. É noite do Dia dos Namorados e, portanto, as reservas foram feitas só por casais, com exceção de um cliente: Frank (Koen de Bouw), antigo namorado de Pasqualine. Ela vai pirar depois de receber uma inusitada proposta de Frank. Entre os clientes da noite, um casal de meia-idade passando por um momento difícil no casamento, um quarentão tímido que marca encontro pela Internet, uma quarentona bonita prestes a se suicidar fazendo “roleta-russa” com uma caixa de bombons, um velho metido a besta querendo mostrar que entende de vinhos, enfim, tipos estranhos colocados em situações bastante divertidas. Ao mesmo tempo, a câmera invade a todo instante a cozinha do restaurante, mostrando o estressante trabalho de Angelo e seus assistentes na elaboração dos pedidos. É de dar água na boca. O filme é, literalmente, uma delícia. Imperdível!           
 
          

                                                 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

“A MARCHA” (“La Marche”), França, 2015, roteiro e direção do belga Nabil Ben Yadir. Baseado em fatos reais, o filme aborda um assunto que continua mobilizando a Europa: a questão dos imigrantes. O filme francês relembra o caso que ficou famoso em 1983, ou seja, a marcha por direitos civis, pela igualdade e contra o racismo, organizada por um pequeno grupo de imigrantes árabes e alguns simpatizantes, entre eles o padre Dubois (Olivier Gourmet), a canadense Claire (Charlotte Le Bon) e o francês Sylvain (Vincent Rottiers). Inspirado nos exemplos de Gandhi e Martin Luther King, o grupo partiu de Marselha com o objetivo de chegar a Paris, em meio ao rigoroso inverno francês, num trajeto de cerca de 800 km. Durante o percurso, eles foram chamando a atenção da opinião pública e da mídia, o que era um dos objetivos da marcha, além de receber o ingresso de muitos voluntários e simpatizantes da causa pelo caminho. Aos poucos, a turma foi crescendo e, em Paris, já eram mais de 100 mil pessoas. A marcha assumiu tal importância que o presidente da época, François Mitterrand, fez questão de receber seus líderes. Depois da marcha, os imigrantes na França conseguiram algumas conquistas, mas, como se vê hoje em dia, ainda falta muito para serem considerados verdadeiros cidadãos franceses. Embora em outro contexto, o filme lembra muito o norte-americano “Selma”, que aborda a marcha organizada por Martin Luther King, na década de 60, pelo fim do racismo. Ainda no elenco do ótimo filme francês estão Hafsia Herzi, Jamel Debbouze e Lubna Azabal. Programão!        
 

          

sábado, 10 de setembro de 2016

Suspense dos melhores este “ZIPPER”, 2015, EUA, roteiro e direção de Mora Stephens, cuja primeira exibição aconteceu no Festival de Sundance/2015. O procurador federal Sam Ellis (Patrick Wilson) está em franca ascensão em sua carreira. Faz tanto sucesso que já é cogitada sua candidatura ao Senado. Em países sérios como os EUA, porém, o candidato a um cargo público é obrigado a manter um comportamento exemplar, além de um passado sem nenhuma mácula. Ou seja, ter a ficha limpa tanto na vida particular como na profissional. A história de Ellis começa numa festa com o pessoal do escritório para comemorar mais uma de suas vitórias no Tribunal. Copo vai, copo desce, Ellis acaba aos beijos com a bela estagiária Dalia (Dianna Agron), que confessa estar apaixonada por ele. O procurador, pensando nas consequências, dá um basta na hora. Para aliviar a tensão causada por Dalia, Ellis acaba procurando uma agência de “acompanhantes” de alta classe, embora tenha em casa uma esposa da melhor qualidade (Lena Headey, de “Game of Thrones”). Ellis fica viciado no sexo “clandestino”, não consegue manter o zíper fechado, o que justifica o título original do filme. Só que um dia o FBI começa a investigar a tal agência de “acompanhantes”. Ellis entra em pânico, pois precisa apagar suas “digitais” da tal agência para não comprometer a sua já anunciada candidatura ao Senado. Daí pra frente o suspense só aumenta e o filme fica ainda melhor. Completam o elenco Richard Dreyfuss, Ray Winstone e Alexandra Breckenridge. Programão!      
 
          

                                                 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

 
“CALVÁRIO” (“Calvary”), 2014, Irlanda, roteiro e direção de John Michael McDanagh (do ótimo “O Guarda”). A história é ótima. Ambientada numa pequena cidade litorânea da Irlanda, começa com o padre James Lavelle (Brendan Gleeson) no confessionário, ouvindo um homem que diz ter sido molestado por um padre quando era ainda uma criança. Depois de fornecer detalhes escabrosos sobre o que aconteceu, o homem encerra o assunto afirmando que vai assassiná-lo no próximo domingo. O padre Ravelli passa a viver a tensão que precederá esse dia fatídico, iniciando o seu período de calvário. Enumerando os dias da semana antes do domingo tristemente aguardado, o filme faz uma clara referência às etapas que antecederam a crucificação e morte de Jesus Cristo. Nesse período, o padre tenta resolver o problema da filha Fiona (Kelly Reilly), que nasceu antes de Ravelle ser ordenado. Fiona tentou se matar por causa de um amor fracassado. Além disso, se vê às voltas com paroquianos nada católicos, como uma mulher que trai o marido com um negro, uma outra mulher viciada em cocaína, um homem rico que trata a Igreja com total desdém e um padre auxiliar que não tem “jogo de cintura”. Embora todas essas situações sejam abordadas em meio a diálogos inteligentes e bem-humorados, o clima de tensão até o desfecho permanece sempre latente até o trágico desfecho. O filme é muito bom e a atuação do ator inglês Brendan Gleeson melhor ainda. “Calvary” recebeu os prêmios de Melhor Filme, Roteiro e Ator (Gleeson) no Irish Filme & Television Awards 2014 e também o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Berlim 2014.            

                                                 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O veterano cineasta alemão Werner Herzog escreveu e dirigiu “RAINHA DO DESERTO” (“QUEEN OF THE DESERT”), 2015, EUA, baseado na fascinante história de Gertrude Bell (1868-1926), uma aristocrata inglesa que viveu durante muitos anos no Oriente Médio e que trabalhou como representante do governo britânico na região. Arqueóloga formada na Universidade de Oxford, resolveu abandonar a tediosa vida em família para se aventurar no Oriente Médio nos primeiros anos do século 20. Pelo seu conhecimento do mundo árabe, Gertrude passou a representar o governo britânico na região, fez amizade com T. E. Lawrence, que ficaria famoso como o Lawrence da Arábia, e ainda contribuiu e participou da criação dos estados do Iraque e Jordânia. Uma história e tanto, que também teve inúmeras aventuras e perigos. Em suas andanças pelo deserto, fez amizade com os sheiks mais sanguinários, seduzindo-os com seu charme e presentes. Nicole Kidman interpreta Gertrude, numa atuação bastante contestada pelos críticos, que também não gostaram do trabalho de Herzog. Quando foi exibido no Festival de Berlim, ganhou até algumas vaias. Eu não achei o filme tão ruim assim. A história é fascinante, a produção caprichada e os cenários deslumbrantes, embora concorde que Nicole não tenha atuado muito bem. Também completam o elenco James Franco, Robert Pattinson (mais uma vez, um desastre) e Damian Lewis. Vale pela história.   

                                                 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

 
“NINGUÉM QUER A NOITE” (“NADIE QUIERE LA NOCHE”), Espanha, 2015, direção de Isabel Coixet, conta a incrível aventura da exploradora Josephine Peary (Juliette Binoche) para ir ao encontro do marido, o também explorador norte-americano Robert Peary, lá pelos lados do Pólo Norte. Esses dois personagens realmente existiram. Robert, inclusive, é considerado o primeiro homem branco a chegar ao Polo Norte, em 1909. Pelo que a divulgação do filme dá a entender, porém, a história do filme é fruto da imaginação do roteirista Miguel Barros São duas horas de uma tela praticamente branca de neve, tempestades e um frio de muitos graus abaixo de zero. Dá para tremer só de assistir. Josephine é uma mulher teimosa. Mesmo depois do conselho do amigo e também explorador Briem Trevor (Gabriel Byrne), que a alertou sobre os perigos de viajar em pleno inverno polar, lá foi ela para o meio da neve e das tempestades. Ela sofre o diabo até chegar a um acampamento e se instala numa cabana aparentemente segura. Mas o pior virá depois. Ela fica amiga de Allaka (Rinko Kikuchi), uma jovem esquimó que mora num iglu perto da cabana. As duas irão dividir um sofrimento ainda maior. O filme foi escolhido para a abertura do Festival de Berlim 2015. Ainda da diretora Isabel Coixet, recomendo os filmes ”Fatal” e “Minha Vida sem Mim”.  

                                                 
O drama norte-americano “AMOR POR DIREITO” (“Freeheld”), 2015, direção de Peter Sollett, coloca lado a lado duas das mais competentes atrizes do cinema atual, a veterana Julianne Moore e a jovem Ellen Page. Elas arrasam como o casal de lésbicas da história, baseada em fatos reais ocorridos no Condado de Ocean Bounty, em New Jersey, nos primeiros anos da década de 2000 e que já havia sido tema do documentário “Freeheld”, que ganhou o Oscar em 2007. A policial Laurel Hester (Julianne) conhece a mecânica Stacie (Page), 20 anos mais moça. Elas se apaixonam, resolvem juntar os trapos e vão morar juntas. Desde que entrou para a polícia, Laurel sempre escondeu sua opção sexual para não prejudicar a carreira, pois ela almejava o cargo de Tenente. Só que o destino lhe reservou uma notícia trágica: um câncer em estágio avançado. A partir daí, o filme entra na seara jurídica, já que Laurel quer deixar sua pensão de policial para a parceira. Começa a briga judicial contra os vereadores do condado, que são contra a concessão. Quem entra na briga, a favor de Laurel, é o advogado judeu Steve Goldstein (Steve Carell), um ativista radical dos direitos da turma homossexual – ele mesmo é gay. Laurel também conta com a ajuda do seu fiel parceiro na polícia, Dane Wells (Michael Shannon). O embate jurídico toma conta da meia-hora final do filme, ao mesmo tempo em que Laurel enfrenta seus últimos dias, resultando em cenas bastante realistas e comoventes. É excepcional o trabalho de Julianne Moore e Ellen Page, com grandes chances de indicações ao próximo Oscar. Page, aliás, ganhou coragem para sair do armário e se declarar lésbica após as filmagens. Nos créditos finais, o filme mostra fotos das verdadeiras Laurel e Stacie. Imperdível!                                                 

domingo, 4 de setembro de 2016

 

“COMO O VENTO” (“COME IL VENTO”), 2013, Itália, roteiro e direção de Marco Simon Puccioni. A história é baseada em fatos reais, no caso a trajetória de Armida Miserere (Valeria Golino), que por 15 anos (1988 a 2003) foi diretora de várias prisões na Itália, a maioria delas com bandidos de alta periculosidade. Com muita coragem e pulso forte, Armida enfrentou a ira de terroristas e organizações criminosas como a Camorra e a Máfia. Por causa disso, ela era chamada de “Coronel” e também de “A Fêmea Besta”. Sua principal motivação na luta contra o crime foi o assassinato, em 1989, do seu namorado Umberto Mormile (Filippo Timi), educador na prisão de Milão. Ela não mediu esforços para descobrir os responsáveis pelo crime, um mistério que seria solucionado somente em 2001. Enfim, uma história de coragem que terminaria tragicamente em 2003, quando Armida, em estado de profunda depressão, atentaria contra a própria vida. A atriz Valeria Golino, bem mais bonita que a personagem original, dá um show de interpretação. Um gol de placa do diretor italiano Puccioni, mais conhecido pelos seus documentários. Um filme instigante, forte, uma história incrível de uma mulher sem medo. Um filmaço!                                           

sábado, 3 de setembro de 2016

“LITTLE BOY – ALÉM DO IMPOSSÍVEL” (“Little Boy”), 2015, EUA, direção do mexicano Alejandro Gómez Monteverde. Ambientada durante a Segunda Grande Guerra na pequena O’Hare (Califórnia), a história é centrada no garoto Pepper (Jacob Salvati), de 8 anos. Ele se desespera quando o pai, James Busbee (Michael Rapaport), seu maior ídolo e parceiro, é enviado para o front nas Filipinas. Depois de participar de um show com um mágico (Ben Chaplin), Pepper acredita que o poder da mente pode acabar com a guerra e trazer seu pai de volta. O filme inteiro gira em torno dessa esperança do garoto, alimentada pelo padre Oliver (Tom Wilkinson), que o orienta a cumprir algumas tarefas para conseguir seu objetivo. Uma delas é fazer amizade com o japonês Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa), discriminado pela população local pela sua origem. Ainda estão no elenco Emily Watson, como a mãe de Pepper, e David Henrie, como o irmão mais velho. O astro do filme, porém, é sem dúvida o pequeno ator Jacob Salvati, cuja atuação garante momentos bastante comoventes. Embora não seja um filme religioso, o filme tem como pano de fundo a fé como elemento primordial da esperança e, na cabeça inocente de um menino, assume uma força ainda maior. O filme comove e diverte, garantindo um ótimo entretenimento para uma sessão da tarde com a família.                      

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

“DECISÃO DE RISCO” (“Eye in the Sky”), 2015, Inglaterra, roteiro e direção de Gavin Hood (“Infância Roubada”). A coronel Katherine Powell (Helen Mirren), do exército inglês, está no comando de uma operação que visa a captura de perigosos terroristas, entre eles uma cidadã britânica que passou para “o outro lado”. Eles estão em Nairobi, no Quênia, onde seus movimentos são vigiados por um avião-drone espião. As imagens são transmitidas para o centro de operações onde está a coronel Powel e também para uma sala de reuniões onde estão importantes autoridades do governo inglês, além do general Frank Benson (Alan Rickman). As imagens também chegam a uma base nos EUA, de onde o piloto Steve Watts (Aaron Paul) comanda o avião-drone. Os planos de captura mudam quando descobrem que na casa onde os terroristas estão reunidos encontram-se dois homens-bomba prestes a sair para praticar algum atentado. Nesse caso, a ordem é exterminar o grupo utilizando um míssel instalado no avião-drone. A situação, que já era tensa, transforma-se num dilema para as autoridades, pois temem que o míssel possa causar efeitos colaterais, atingindo a população civil, incluindo crianças. Aí ninguém quer tomar a tal “decisão de risco”. O filme é ótimo, tem clima de suspense do começo ao fim e até algumas tiradas cômicas, como a dor de barriga do Ministro das Relações Exteriores. Entretenimento de primeira! O filme é dedicado ao ator inglês Alan Rickman, que faleceu em janeiro deste ano.  

                                      

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Como cinéfilo inveterado, não perco filmes biográficos de artistas ou que contam histórias de bastidores do cinema. Por isso, não podia deixar de assistir – para depois comentar - “LIFE: UM RETRATO DE JAMES DEAN” (“Life”), 2014, EUA, direção do holandês Anton Corbijn (“Um Homem Misterioso”, com George Clooney). O filme, cuja primeira exibição aconteceu no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, conta a história da relação entre o então desconhecido James Dean (Dane DeHaan) e o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). O encontro entre os dois aconteceu em 1955 pouco antes da estreia de “Vidas Amargas”. Stock teve a intuição de que Dean seria um astro famoso e propôs a ele um ensaio fotográfico para a revista Life. Meio a contragosto, já que detestava os holofotes, Dean topou a empreitada, e o ensaio fotográfico foi um grande sucesso, principalmente porque o ator se consagraria no filme “Juventude Transviada” e morreria logo depois num acidente automobilístico. O filme também aborda o caso amoroso tumultuado de Dean com a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi). O roteiro, escrito por Luke Davies, foi baseado no livro “James Dean: Fifty Years Ago”, escrito pelo próprio Dennis Stock em 2005. Também estão no elenco Ben Kingsley, como Jack Warner, e Joel Edgerton. Trata-se de um filme obrigatório para os cinéfilos de plantão ou para quem quiser conhecer um pouco da personalidade de um dos maiores ídolos do cinema, apesar de ter feito apenas dois filmes.                                       

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

“O VINHO PERFEITO” (“VINODENTRO”), 2013, Itália, direção de Ferdinando Vicentini Orgnani. Um misto de policial, comédia e mistério. O vinho aparece como importante protagonista, atuando como condutor das atitudes dos principais personagens. A história, baseada no livro “Vinodentro”, escrito por Fabio Marcotto, é centrada no especialista em vinhos Giovanni Cuttin (Vincenzo Amato), preso como principal suspeito do assassinato da esposa Adele (Giovanna Mezzogiorno). Só que na noite do crime ele estava com uma bela e misteriosa mulher (Daniela Virgílio). O filme vai e volta em flashbacks que mostram como era o relacionamento de Giovanni com a esposa e também como ele conheceu a mulher misteriosa. Mas o fato principal de toda a história é a mudança na vida de Giovanni depois que tomou sua primeira taça de vinho a convite de um misterioso professor (Lambert Wilson). Aliás, não um vinho qualquer, mas simplesmente um Marzemino, citado no folhetim da ópera Don Giovanni, de Mozart. A partir dessa primeira taça, a vida de Giovanni começa a mudar radicalmente. De simples funcionário do banco, ele é promovido a gerente e passa a se dedicar a conhecer a fundo o mundo dos vinhos, transformando-se num sommelier dos mais respeitados. O filme é repleto de citações dos principais rótulos do mundo, além de conversas didáticas sobre como se deve apreciar um vinho e como analisá-lo. Para os enólogos de plantão, o filme é um copo cheio. Eu achei bastante interessante, um filme diferente e bastante agradável de assistir.                                       

domingo, 28 de agosto de 2016

“PARIS, TE AMO” (“PARIS, JE T’AIME”), 2006. Primeiro filme do Projeto “Cities of Love”, idealizado pelo produtor e diretor francês Emmanuel Benhiby. O filme é composto por 18 curtas com histórias ambientadas cada qual num bairro (arrondissement) diferente de Paris. Os pequenos episódios foram dirigidos por diretores de várias nacionalidades e de comprovada competência, tais como Olivier Assayas, Alexander Payne, os irmãos Coen, Gus Van Sant, Wes Craven, Alfonso Cuarón e até o brasileiro Walter Salles. O elenco contou com atores bastante conhecidos, como Nick Nolte, Ben Gazzara, Gérard Depardieu, Natalie Portman, Elijah Wood, Juliette Binoche, Steve Buscemi e Gena Rowlands, entre outros. Independente do tema utilizado em cada capítulo, seja ele o amor , o humor ou os desencontros, o pano de fundo é sempre a capital francesa. Afinal, a grande homenageada. Outros dois filmes do Projeto “Cities of Love” já foram concluídos e lançados, estando disponíveis nas locadoras: “New York, I Love You”, de 2008, e “Rio, Eu Te Amo”, de 2014. Shangai e Jerusalém serão as próximas protagonistas.                           

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

“99 CASAS” (“99 Homes”), 2015, EUA, direção de Ramin Bahrani (“A Qualquer Preço”). A história, baseada em fatos reais, tem como personagem central o jovem Dennis Nash (Andrew Garfield), pai solteiro, desempregado, que passa por uma crise financeira e tem enormes dificuldades para sustentar, sozinho, a mãe (Laura Dern) e o filho. Como desgraça pouca é bobagem, ele ainda perde a casa por conta da hipoteca. Quem o despeja é o agente imobiliário Rick Carver (Michael Shannon), um empresário sem escrúpulos, ganancioso e mau-caráter. Sua frieza ao despejar as famílias é revoltante. Carver fez fortuna no ramo de penhoras, utilizando os meios mais sórdidos para comprar e revender as casas cujas famílias foram despejadas. Como não vê saída, Nash concorda em trabalhar para Carver fazendo o mesmo serviço sujo: comunicar e providenciar o despejo, inclusive com a utilização de violência. Nash torna-se o braço direito de Carver e começa a ganhar dinheiro. Trabalha tão bem que Carver promete que um dia devolverá sua casa. Aos poucos, porém, Nash começará a ter conflitos de consciência. Afinal, ele mesmo foi vítima do agente imobiliário para o qual trabalha. Como de costume, Michael Shannon toma conta da cena como o empresário inescrupuloso. O filme é forte, impactante. As cenas de despejo são realistas. Parece que foram feitas com famílias de verdade. Dá enorme tristeza ver o sofrimento dessa gente. Como informação adicional, o filme concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.            

terça-feira, 23 de agosto de 2016

 
“DESAJUSTADOS” (“Fúsi”), 2015, coprodução Islândia/Dinamarca, roteiro e direção de Dagur Kári (“O Bom Coração”). Drama centrado no quarentão Fúsi (Gunnar Jónsson), solteiro convicto, ainda virgem, tímido e solitário. Enorme de gordo, é o tipo bonachão, que mora com a mãe dominadora. Sua única diversão consiste em brincar numa maquete onde reproduz batalhas da Segunda Guerra Mundial com miniaturas de soldados e tanques. Também gosta de ouvir bandas de heavy metal. Seu comportamento beira à apatia, principalmente quando aguenta quieto, sem reagir, as brincadeiras dos seus colegas de trabalho no aeroporto. Quando questionado pelo seu chefe se sofre bullying, ele nega. Mesmo acusado de pedofilia pelo pai de uma menina vizinha, Fúsi mantém seu jeito sereno e apático. Ele só começa a mudar depois de conhecer Fjóla (Margrét Helga Jóhannsdóttir) numa aula de dança country (mais brega, impossível), na qual é inscrito, a contragosto, pelo namorado da mãe. O título nacional contraria completamente o que os personagens representam. Tanto Fúsi e Fjóla são pessoas boas, apenas carentes, não justificando a denominação de “desajustados”. Quando Fjóla entra em depressão, é Fúsi quem vai cuidar dela. Impossível não se emocionar com a dedicação do grandalhão. Resumo da ópera, aliás, do filme: sensível e comovente.                    

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

“UMA REPÓRTER EM APUROS” (“WHISKEY TANGO FOXTROT”), 2016, EUA, direção de Glenn Ficarra e John Requa (“Golpe Duplo”). Apesar da presença da comediante Tina Fey no papel principal e do título nacional infeliz, que passa a ideia de uma comédia, o filme é muito sério. A história é baseada no livro “The Taliban Suffle: Strange Days in Afghanistan and Pakistan”, no qual a repórter norte-americana Kim Barker relata sua experiência como correspondente de guerra no período de 2004 a 2009 no Afeganistão e no Paquistão. No filme, a personagem passa a se chamar Kim Baker (Tina Fey). Os bastidores da cobertura jornalística nas zonas em conflito são mostrados de forma bastante realista, apresentando os correspondentes de guerra no seu cotidiano repleto de adrenalina, o esforço e os desafios constantes para conseguir um “furo”, os perigos enfrentados durante as reportagens e ainda as festas regadas a muito álcool e outras substâncias. Tina Fey está ótima, assim como seus coadjuvantes principais, Margot Robbie, Martin Freeman e Billy Bob Thornton. Faço um alerta: nos cartazes de divulgação e nos sites e blogs de cinema, o filme é tratado como comédia (é claro que quem escreveu não viu, só copiou a sinopse). Mas, repito, o filme é sério e muito bom, um dos melhores que já vi sobre o trabalho dos correspondentes de guerra. Imperdível!                            

domingo, 21 de agosto de 2016

“AVE, CÉSAR!” (“Hail, Caesar!”), 2015, EUA, direção e roteiro dos irmãos Ethan e Joel Coen. Trata-se de uma comédia tendo como pano de fundo a indústria cinematográfica. Ambientada nos anos 50, época de ouro de Hollywood, a história é centrada em Edward Mannix (Josh Brolin), principal assistente do estúdio Capitol Pictures. Mannix é uma espécie de relações-públicas, encarregado de zelar pela imagem dos seus principais artistas. Sua missão mais difícil será descobrir o paradeiro do astro Baird Whitlock (George Clooney), sequestrado em meio às filmagens do épico “Hail, Caesar!”. Além disso, é obrigado a escutar as reclamações de diretores e produtores com relação a atores e atrizes incompetentes, além de lidar com uma colunista de fofocas, representada em dose dupla por Tilda Swinton. A comédia é uma sátira inteligente sobre os bastidores nem sempre glamorosos de Hollywood. Ao mesmo tempo, os irmãos Coen fazem uma homenagem à época de ouro do cinema norte-americano (anos 40/50), evocando, inclusive, os musicais de Esther Williams (coreografias na piscina) e Gene Kelly. Aqui, cabe destacar o talento de cantor e dançarino do ator Channing Tatum. Dois outros grandes destaques do filme são os ótimos desempenhos de Josh Brolin e George Clooney, este perfeito como o ator cínico e canastrão sequestrado por uma organização chamada “Futuro”. Ainda estão no elenco Alden Ehrenreich, Scarlett Johansson, Frances McDormand, Christopher Lambert e Ralph Fiennes. Diversão garantida e da melhor qualidade!