segunda-feira, 15 de junho de 2015

“TUDO INCLUÍDO” (“ALL INCLUSIVE”), Dinamarca, 2014, direção de Hella Joof, é uma ótima comédia. A história: três semanas antes de viajar com o marido para comemorar seu 60º aniversário na Ilha de Malta, Lise (Bodil Jørgensen) recebe um “presentão” antecipado. Seu marido a abandona por outra mulher mais jovem. Ela entra em depressão e não quer mais viajar, mas as filhas Ditte (Danica Cursic) e Sigrid (Maria Rossing) resolvem convencê-la a ir e também vão junto. Um dos problemas que pode afetar a convivência é que Ditte é completamente diferente de Sigrid. Ditte é solteira, adepta do sexo livre, fuma, bebe e adora uma balada. Sigrid é casada, tem três filhos, é um tanto tímida e muito séria. Mesmo com essas diferenças, as duas vão se unir e tentar fazer a mãe sair da depressão, o que inclui contratar um amante latino, Antonio (Diogo Infante), o barman do hotel. O ponto alto do filme é o relacionamento das três mulheres, que tentarão aparar velhas arestas, se entender e tocar a vida adiante. Trata-se de um filme muito divertido e, acima de tudo, bastante sensível. As três atrizes têm uma atuação inspiradíssima, principalmente Bodil Jørgensen como a mãe depressiva e depois expansiva, liberada. Um show de atriz e um filme simplesmente imperdível! 

domingo, 14 de junho de 2015

“AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU” (“Les Vacances du Petit Nicolas”), 2014, é uma divertida comédia francesa, sequência de “O Pequeno Nicolau”, que fez enorme sucesso em 2010. Embora tenha um pano de fundo infantil, com Nicolau e sua turma aprontando as maiores confusões, o filme deve agradar mais aos adultos, principalmente porque as cenas mais engraçadas envolvem os pais de Nicolau, interpretados por Kad Merad e a ótima Valérie Lemercier – os mesmos pais do primeiro filme (mudou o ator de Nicolau, agora interpretado por Mathéo Boisselier). A família e mais a avó (Dominique Lavanant) vão para um hotel na praia passar as férias de verão. Ao conhecer uma garota chamada Isabelle, Nicolau ouve uma conversa dos pais e acredita que eles querem forçar seu casamento com a menina. Nicolau e sua turma de amigos, então, farão tudo para desfazer a ideia do tal casamento. O melhor do filme, porém, é a transformação da mãe de Nicolau após receber o convite de um diretor de cinema italiano para ser a estrela do seu próximo filme, o que vai gerar situações hilariantes. As duas versões, inspiradas nos quadrinhos franceses publicados entre 1956 e 1964, foram dirigidas por Laurent Tirard (“Asterix e Obelix: Ao Serviço de Sua Majestade”). Diversão garantida do começo ao fim, essencial para esses tempos tão difíceis. 

sábado, 13 de junho de 2015

Difícil de encontrar uma comédia romântica de qualidade. Na verdade, uma raridade. De vez em quando surge alguma que merece ser recomendada, como é o caso de “SIMPLESMENTE ACONTECE” (“Love, Rosie”), Inglaterra, 2014. Tudo funciona bem, a começar pelos atores que fazem os protagonistas principais, Lily Collins e Sam Claflin, bonitos, charmosos e simpáticos. O filme não apresenta o chororô habitual do gênero, tem humor na dose certa e romance sem pieguice. Tudo bem que não dá para fugir dos clichês que caracterizam o gênero, mas é um filme bastante agradável, entretenimento garantido. Rosie (Collins) e Alex (Claflin) são amigos desde a infância. Amigos inseparáveis. Em nome dessa amizade, eles mantiveram a paixão enrustida por muitos anos. Cada um levou sua vida – Alex foi morar nos EUA -, casaram com outros pares e seguiram em frente, pouco sabendo um do outro. É claro que, um dia,  voltarão a se ver e você vai torcer para ficarem definitivamente juntos. A história é baseada no romance “Onde Terminam os Arco-Íris”, escrito pela irlandesa Cecelia Ahern e publicado em 2004. No livro, a história percorre um período de 45 anos. No filme, foi reduzido para 12 anos. A direção é do alemão Christian Ditter. Informação adicional: Lily Collins é filha do cantor e compositor Phil Collins. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

“INSENSÍVEIS” (“Insensible”), Espanha/França, 2014, é um drama bem pesado com pitadas de terror gótico e algumas doses de trash. A trama se desenrola com duas histórias distintas que vão se alternando até o final, quando acontece a ligação. No início dos anos 30, a comunidade científica mundial é convocada para um internato localizado numa montanha dos Pirineus, em território espanhol, para presenciar uma descoberta incrível: crianças imunes à dor. A notícia chega à Alemanha e Hitler envia o dr. Holzmann (Derek de Lint) para estudar o assunto. Já pensou um exército nazista com soldados que não sentem dor? Além disso, algumas crianças têm poder sobrenatural, a ponto de realizar cirurgias em cães – pasmem, a sangue-frio! O asilo servirá como pano de fundo para o diretor Juan Carlos Medina, também autor do roteiro, abordar fatos históricos envolvendo a Espanha, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a Ditadura de Franco. A história que segue em paralelo apresenta, nos dias atuais, o dilema do renomado neurocirurgião David Martel (Àlex Brendemühl), que sofre de câncer e precisa com urgência de um transplante de medula óssea. Na busca dos pais biológicos que poderão servir de doadores, o médico vai descobrir a história do tal asilo. É quando haverá a ligação das duas histórias. Pena que o desfecho é fantasioso demais e acaba destoando do restante do filme, que, aliás, é mais interessante do que bom. Recomendo sem muito entusiasmo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O drama “O FALSIFICADOR” (“The Forger”), 2014, EUA, direção de Philip Martin, traz John Travolta como o ex-presidiário Ray Cutter, um pai que sempre foi ausente para o filho adolescente Will (Tye Sheridan), situação que só piorou com a temporada na prisão. Tye sofre de uma doença incurável e, pelo jeito, não tem muito tempo de vida. Cutter ainda terá que cumprir 10 meses de pena, mas recorre ao pessoal do crime para soltá-lo antes em condicional. Cutter quer passar mais tempo com o filho. Um juiz recebe propina para soltá-lo. Para pagar a dívida, Cutter terá de realizar a falsificação do quadro “Mulher com Sombrinha”, do pintor impressionista Claude Monet, e roubar o original, exposto num museu de Boston. Para executar o plano, Cutter recorre ao pai Joseph Cutter (Christopher Plummer) e ao próprio filho. Em meio aos preparativos, Cutter ainda tem de atender aos últimos desejos de Will, o que inclui conhecer a mãe biológica Kim (Jennifer Ehle) e fazer sexo com uma prostituta. O melhor do filme é realmente a retomada da relação do pai com o filho, capaz de gerar bons e até divertidos diálogos. As cenas mostrando Cutter pintando a falsificação são bastante interessantes. Fora isso, o filme não tem atrativos suficientes para ser recomendado. Nem mesmo a presença de Travolta e de Plummer. Completam o elenco Abigail Spencer e Anson Mount.    
Nos últimos anos, a Suécia tem revelado ótimos escritores de romances policiais. Tão bons quanto os seus congêneres norte-americanos. Muitos desses livros foram adaptados para o cinema, como, por exemplo, a Série Milleniumm, do jornalista Stieg Larsson. “O HIPNOTISTA” (“Hypnotisoren”), Suécia, 2012, é mais um filme inspirado num romance policial, desta vez escrito por Lars Kepler. Uma família inteira é assassinada nos arredores de Estocolmo. Só sobrou o jovem Josef (Jonatan Bökman), levado ainda vivo ao hospital, mas num estado bastante grave, inconsciente. Encarregado da investigação, o policial Joona Linna (Tobias Zilliacus) pede ao dr. Erik Maria Bark (Mikael Persbrandt) que faça algumas sessões de hipnose com o rapaz para tentar descobrir alguma pista. O assassino fica sabendo e vai atrás da família de Erik. Com exceção da cena final, muito bem feita e de um suspense de entortar os braços da poltrona, o filme não tem muita ação e o suspense é mais psicológico. O filme merece ser conferido, ainda mais que o diretor é o consagrado Lasse Hallström, dos ótimos “Sempre ao Seu Lado”, com Richard Gere, e “A 100 Passos de um Sonho”, entre tantos outros. A atriz Lena Olin, casada na vida real com o diretor, também está no elenco, como Simone, a esposa de Erik.

sábado, 6 de junho de 2015

O drama romântico “DOIS LADOS DO AMOR”, que também recebeu o título “O DESAPARECIMENTO DE ELEANOR RIGBY” (“The Disappearance of Eleanor Rigby: Them”), é um drama romântico norte-americano de 2013. A história já havia sido contada em dois filmes anteriores, um sob o ponto de vista dela e outro sob o ponto de vista dele. Neste mais recente, o ponto de vista é de ambos. Daí o "Them". Vamos à história: o casamento de Eleanor Rigby (Jessica Chastain) com Connor Ludlow (James McAvoy) vai bem até que um acontecimento faz desandar a relação. Ela sai de casa, é vítima de um surto mental, tenta o suicídio e acaba voltando para a casa dos pais, Mary e Julian Rigby (Isabelle Huppert e William Hurt). Connor não se conforma com a situação e vai atrás de Eleanor na esperança de reatar o casamento. E assim vai o filme inteiro: ele tentando a reaproximação. Os personagens são infelizes, à beira da depressão. O filme é bem baixo astral. De qualquer forma, é mais uma produção para demonstrar o talento da ruiva Jessica Chastain, atriz das mais requisitadas atualmente pelo cinemão do Tio Sam, além de abrir espaço para a ótima Viola Davis e para os veteranos William Hurt e a francesa Isabelle Huppert. Dirigido por Ned Benson (“Heróis Imaginários”), o filme estreou no Festival de Cannes 2014 na Mostra “Um Certo Olhar”. Ah, o nome Eleanor Rigby tem tudo a ver com a música dos Beatles, dos quais Mary e Julian eram fãs na juventude. Pena que a música propriamente dita não esteja na trilha sonora.  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

“O LIMITE DA SUBMISSÃO” (“The Duke of Burgundy”), 2014, é um drama psicológico inglês de fundo erótico, esquisitão e sinistro. Conta a história de duas mulheres, Evelyn (Chiara D’Anna) e Cynthia (Sidse Babett Knudsen), que moram juntas, são amantes e adeptas dos mais estranhos jogos sexuais, típicos de mentes doentias. Além disso, as duas mulheres são estudiosas de borboletas e mariposas, frequentando palestras sobre o assunto na universidade local. Parece que o diretor Peter Strickland – que também escreveu o roteiro - tentou fazer uma analogia entre a relação das lésbicas e o ciclo de vida dos insetos, mas não tive inteligência suficiente para entender. As cenas de sexo entre as mulheres são bastante contidas, sem nudez ou algo mais explícito. O filme é arrastado demais, monótono, lembrando às vezes os antigos filmes do falecido diretor brasileiro Walter Hugo Khoury, embora este trabalhasse com atrizes mais bonitas. O filme inglês é indicado apenas àqueles espectadores que gostam de assistir a filmes diferentes e excêntricos. Se depender da minha recomendação, fuja a galope...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

“EFFIE GRAY”, 2014, direção de Richard Lexton (“Um Inglês em Nova Iorque”) é um drama de época baseado num escândalo que abalou a sociedade inglesa em meados do Século 19. A atriz Emma Thompson leu a história e a adaptou para o cinema, escrevendo o roteiro. Ela também atua no filme. A história começa com o casamento da jovem escocesa Euphemia “Effie” Gray (Dakota Fanning) com o aristocrata inglês John Ruskin (Greg Wise), pertencente a uma família da alta aristocracia e um consagrado crítico de arte da época. Ruskin é um marido frio e insensível, não dá a mínima para a mulher. Tão frio e insensível que durante anos não foi capaz nem de tocá-la, não consumando o casamento. Essa infelicidade matrimonial, além do amor por John Everett Millais (Tom Sturridge), um pintor pré-rafaelita que se tornaria famoso, fez com que “Effie” entrasse na Justiça com pedido de divórcio. Além da belíssima fotografia – de Veneza e dos cenários rurais da Escócia, especialmente - e da caprichada reconstituição de época, o filme conta com um elenco de primeira linha. Além de Fanning, Thompson, Sturridge e Wise, atuam Julie Walters, David Suchet, Derek Jacob, Claudia Cardinale e Riccardo Scamarcio. Um filme para espectadores mais sensíveis.         

terça-feira, 2 de junho de 2015

O escritor norte-americano Philip Roth escreveu “The Humbling” em 2009. A história do livro foi adaptada agora para o cinema, sob a direção de Barry Levinson, e recebeu, no Brasil, o título de “O ÚLTIMO ATO” (“The Humbling”), trazendo no papel principal o grande Al Pacino. Ele é Simon Axler, um famoso ator de teatro que tem um surto durante uma peça, sofre um acidente e acaba numa instituição psiquiátrica. Quando sai do hospital, recebe a visita de Pegeen Stapleford (a insuportável Greta Gerwig), filha de antigos colegas de trabalho. Ela se declara a Simon, dizendo que desde criança é apaixonada por ele. E ainda diz que continua apaixonada, apesar da sua condição de lésbica assumida. O filme conta a história desse tumultuado romance, como também a frágil condição psicológica do ator diante da velhice iminente (no filme, o personagem de Pacino tem 65 anos de idade, enquanto o ator, na vida real, tem 74). Simon passa grande parte do filme conversando com seu terapeuta, Dr. Farr (Dylan Baker). O filme é verborrágico demais, com muitos diálogos sarcásticos e bem-humorados, ao estilo Woody Allen. O elenco conta ainda com Diane West (por sinal, atriz de muitos filmes de Allen), Kyra Sedgwick e Nina Arianda. Só para lembrar: o diretor Barry Levinson é o mesmo de “Rain Man”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1988. 
“OS ENCONTROS DA MEIA-NOITE” (“Les Rencontres d’Après Minuit”) é um filme francês certamente adaptado de uma peça de teatro para o cinema. Trata-se, na verdade, de um filme experimental, meio surreal, diálogos sem sentido e nenhum compromisso com o espectador comum que está a fim apenas de entretenimento. Minha paciência durou uns 30 minutos e se esgotou com tanta bobagem. Toda a ação transcorre apenas num cenário, o apartamento de um casal cuja empregada(o) é um travesti tarado. O casal, Ali (Kate Moran) e Matthias (Niels Schneider), espera alguns convidados para uma festa. Os convidados são um garanhão com fama de bem dotado, um adolescente, uma prostituta e uma estrela. Os diálogos têm a profundidade de um pires, tudo muito doido e sem nexo. O cenário é pós alguma coisa, talvez pós-modernista. O filme estreou durante a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2013 e marcou a estreia na direção de longas do diretor francês Yann Gonzalez, mais conhecido por seus curtas-metragem. Resumo da ópera: um filme chato, metido a besta, com a intenção de ser cult, um surto de megalomania criativa.       

segunda-feira, 1 de junho de 2015


Liam Neesson continua batendo um bolão em filmes de ação, apesar dos 63 anos de idade. Em “BUSCA IMPLACÁVEL 3” (“Taken 3”), França, 2014, o último da trilogia iniciada em 2008, o ator irlandês mais uma vez não nega fogo. Ele faz o ex-agente especial Bryan Mills, que cai numa cilada e é acusado de ter assassinado a ex-mulher Lenore (a atriz holandesa Famke Janssen, em grande forma aos 50 anos). Mills passa a ser caçado pela polícia, comandada pelo detetive Franck Dotzler (o sempre competente Forest Whitaker), e, ao mesmo tempo, tenta descobrir quem matou sua ex-esposa, o que vai levá-lo a enfrentar mafiosos russos comandados pelo temível Oleg Malankov (Sam Spruell). A trama ainda vai envolver a filha de Mills, Kim (Maggie Grace), que também correrá perigo. O filme é dirigido pelo francês Olivier Megaton – que também dirigiu o nº 2 da série - e o roteiro foi elaborado pelo também diretor francês Luc Besson. Os dois são especialistas em filmes de ação, o que é um aval e tanto. Para quem gosta de filmes com ritmo alucinante, pancadaria, perseguições e tiros, este não decepciona. É ação o tempo inteiro.
 

sábado, 30 de maio de 2015

Em 2008, quando ainda eram ilustres desconhecidos, Kristen Stewart e Eddie Redmayne participaram do drama “O LENÇO AMARELO” (“The Yellow Handkerchief”), também traduzido por “OS CAMINHOS DO AMOR”. Stewart ficaria famosa logo depois, quando apareceu na saga “Crepúsculo”, e Redmayne mais recentemente, quando atuou em “Teoria da Vida”, pelo qual ganhou o Oscar/2015 de Melhor Ator. O filme conta a história dos jovens Martine (Stewart) e Gordy (Redmayne), que resolveram pegar estrada e sair sem rumo de sua cidadezinha. No caminho, dão carona para um estranho, Brett Hanson (William Hurt), que depois se revelaria um ex-presidiário recentemente saído da cadeia depois de cumprir pena por assassinato. Papo vai, papo vem, Hanson relembra que esteve envolvido com uma mulher chamada May (Maria Bello), pela qual se apaixonou e ainda está apaixonado. O filme é um road-movie pelos cenários um tanto tristes e pantanosos da Louisiana. Os atores são ótimos, mas o drama é meio arrastado, monótono, culpa do diretor indiano Udayan Prasad. O desfecho deve agradar os espectadores mais românticos. De qualquer forma, trata-se de uma opção interessante, principalmente por dar a oportunidade de conferir o trabalho de Kristen Stewart e o ator inglês Eddie Redmayne em início de carreira, ambos já bastante talentosos.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não li e nem tive vontade de ler o livro, certo de que se tratava de literatura de segunda classe, mas fiz questão de conferir o filme, o que comprovou o que eu já pensava sobre o livro. “CINQUENTA TONS DE CINZA” (“Fifty Shades of Grey”), 2013, não passa de um drama romântico erótico, baseado no romance homônimo escrito por E.L. James e que virou um best-seller mundial. Pelo tom erótico, o filme lembra um pouco “Nove e Meia Semanas de Amor”, de 1986 (tem até a cena do gelinho). Só que Dakota Johnson não chega nem perto do mulherão que era – e ainda é – Kim Basinger, nem o ator irlandês Jamie Dornan lembra o machão “pegador” Mickey Rourke. Mais parece um garoto mimado, o queridinho da mamãe. A direção é da inglesa Sam Taylor-Johnson (do ótimo “O Garoto de Liverpool”, sobre a juventude de John Lennon). Resumo da história: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante que um dia vai entrevistar o poderoso e jovem empresário Christian Grey (Jamie Dornan) para um trabalho da faculdade. Esquisitão e cheio de manias, Grey acaba se apaixonando por Anastasia. E vice-versa. O filme não dá uma explicação convincente sobre a razão pela qual Grey se transformou numa pessoa doente, um sádico sexual. Como o cara é rico, bonito e poderoso, a mulherada deixa se convencer e cai nas garras do jovem sedutor, submetendo-se às suas fantasias sexuais. O que acontece também com Anastasia. As cenas de sexo são bem feitas e nada apelativas. Apenas eróticas. Enfim, um filme apenas mediano, que não merecia todo a alarde que teve quando foi lançado, em 2014.        

terça-feira, 26 de maio de 2015

O drama australiano “PROMESSAS DE GUERRA” (“The Water Divine”), 2014, marca a estreia do ator Russel Crowe na direção de longas. A história, baseada em fatos reais, é muito bonita. Durante a I Guerra Mundial (1914-18), soldados australianos participaram das forças aliadas que ajudaram a Inglaterra a combater o império otomano em acirradas e sangrentas batalhas na Turquia. Entre os soldados estavam os três jovens filhos do fazendeiro Joshua Connor (Crowe), desaparecidos e, quatro anos depois, finalmente dados como mortos em batalha. Desesperada, a esposa de Joshua comete suicídio, mas antes pede a ele que vá para a Turquia resgatar os corpos para enterrá-los em solo sagrado, ou seja, na terra natal, Austrália. O filme conta a aventura de Joshua na Turquia para encontrar os restos mortais dos filhos. Joshua ficará frente a frente com o oficial turco (Yilmaz Erdogan) comandante do batalhão que matou seus filhos. A aventura de Joshua também incluirá ajudar os turcos a se livrar dos invasores gregos, o que garante alguns momentos ao estilo “Indiana Jones”. Como estreante na direção, Crowe até que não compromete. Tudo bem que exagerou um pouco no tom novelesco, pretendendo fechar a história com um chororô, mas não conseguiu. Tentou romancear o enredo, incluindo um flerte de Joshua com Ayshe (a atriz ucraniana Olga Kurylenko). Ficou no platônico. Um destaque positivo é a bonita fotografia, tanto dos cenários australianos quanto dos cenários na Turquia. Resumindo: o filme poderia ser muito melhor, fazendo jus à bela história por ele contada.   

segunda-feira, 25 de maio de 2015

“PAS SON GENRE” (traduzido para o inglês como “Not My Type”, ainda não traduzido por aqui, mas algo como “Não é meu Tipo”), 2014, co-produção França/Bélgica, com direção de Lucas Belvaux. Trata-se de uma comédia romântica baseada na novela homônima escrita por Philippe Vilain. O professor de Filosofia Clément (Loïc Corbery) é transferido de Paris para dar aulas na Universidade de Arras - cidade ao norte da França. Ele conhece Jennifer (Émilie Dequenne), uma cabeleireira, e juntos vão viver um caso de amor. É claro que um dia a diferença cultural entre os dois vai pesar no romance. Além disso, o professor é calado, introspectivo, e só fala em Filosofia. Jennifer é expansiva, alegre, adora cantar e dançar. Tudo isso cria um abismo entre o casal. Só vendo o filme para ver como termina. O importante é destacar o trabalho da belga Émilie Dequenne, atriz que exala simpatia e muito charme. O feioso ator francês Loïc Corbery também não compromete, apesar de passar longe de um galã tradicional. O filme destaca também alguns lugares turísticos de Arras, realmente uma bela cidade. É um filme apenas simpático e que pode agradar ao espectador pouco exigente e que esteja a fim apenas de uma diversão sem compromisso com o intelecto. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Errol Flynn foi um dos mais importantes atores de Hollywood nas décadas de 30, 40 e 50. Fazia filmes de capa e espada, além de ter protagonizado o Robin Hood mais famoso do cinema. Na vida real, porém, além de alcóolatra, era um mulherengo de marca maior. Nos bastidores, costumavam chamá-lo de “Pênis ambulante”. Ele dava preferência a meninas bem mais jovens. A última delas, Beverly Hadland, tinha 15 anos quando Flynn a levou para a cama. E foi nos braços dela que o ator morreria, em 1959, aos 50 anos de idade. A história do romance de Flynn e Beverly é contada no filme “A ÚLTIMA AVENTURA DE ROBIN HOOD” (“The Last of Hobin Hood”), 2013, direção de Richard Glatzer e Wash Westmoreland. O papel de Flynn ficou para Kevin Kline, que, além de viver o ator com muita competência, ainda se parece muito com o próprio. Dakota Fanning, ótima, faz Beverly Hadland, e Susan Sarandon sua mãe, Florence. Beverly sempre quis ser atriz, no que foi incentivada pela mãe desde criança. Aos 15 anos, com certidão de nascimento falsa de 18, Beverly tentou ingressar no elenco da Warner Brothers, onde conheceu o já consagrado ator. Na esperança de que Flynn ajudasse Beverly, Florence fez vistas grossas para o romance, na verdade um caso que poderia acabar na polícia. Com a morte de Flynn, o romance proibido veio à tona e virou escândalo mundial. Vale pela história, pelos ótimos atores e pela reconstituição de época - repare a de Nova Iorque, um primor.   

quarta-feira, 20 de maio de 2015

“VÍCIO INERENTE” (“Inherent Vice”), 2014, EUA, é um drama bem-humorado baseado em livro de Thomas Pynchon. A história, ambientada em 1970 na cidade de Los Angeles, é centrada no detetive particular Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), que, a pedido da ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine Waterston), começa a investigar o desaparecimento do atual namorado dela, um empresário do ramo imobiliário. Em meio ao seu trabalho, “Doc” acaba se desentendendo com o detetive Christian “Bigfood” Bjorsen (Josh Brolin), encarregado oficial do caso. “Doc” passa o filme inteiro totalmente chapado, maconha como combustível – de vez em quando, cocaína. É um personagem asqueroso, sujo e maltrapilho, enfim, um hippie da pior qualidade. Seu único fator positivo é ficar igualzinho a John Lennon quando coloca aqueles óculos escuros redondinho. Joaquin Phoenix está ótimo no papel, provando que é um ator bastante versátil. A trama é meio complicada e pode confundir o espectador, principalmente pelos inúmeros personagens que aparecem no meio da história. Para complementar o quadro geral meio estranho, o escritório de “Doc” fica dentro de uma clínica médica. Tem até uma cena onde um grupo de rock aparece comendo pizza ao estilo do quadro da Santa Ceia. É claro que todo esse cenário é obra do diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “O Mestre”, “Magnólia”), acostumado em não economizar esquisitices. Vale pelo humor, ambientação de época e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta também com Reese Witherspoon, Benício Del Toro, Martin Short, Owen Wilson e Eric Roberts (o irmão da Júlia). Não chega a ser bom, mas um filme bastante interessante.     

quinta-feira, 14 de maio de 2015

“A ENTREGA” (“The Drop”), EUA, 2013, é um drama, com pitadas de policial e suspense, baseado no romance “Animal Rescue”, escrito por Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”). A trama gira em torno do bar gerenciado por Marv (James Gandolfini), que na verdade funciona como uma espécie de banco clandestino, onde gângsters, mafiosos e bandidos em geral depositam seus “lucros”. Enfim, um estabelecimento de fachada para lavagem de dinheiro. O bar, aliás, era de Marv e foi “comprado” por um chefão mafioso checheno. O braço direito de Marv é seu primo e barman Bob Saginowski (Tom Hardy). A história é filmada num ritmo bastante lento, quase arrastado. Alguns personagens parecem ter sido colocados para preencher espaços na trama, como o psicopata Eric (Matthias Schoenaertes) e Nadia (Noomi Rapace), o que no livro talvez funcione, mas no filme pouco acrescentam. Assim como o filhote de pit bull que Bob acha na lata de lixo da casa de Nádia. Além de uma figura bonitinha, nada mais acrescenta à história. De vez em quando aparecem os capangas do chefão checheno fazendo ameaças, mas fica por isso mesmo. Quando você acha que algo vai acontecer, nada acontece. Essa sensação perdura até o final, deixando o espectador com uma pergunta na ponta da língua quando o filme termina: “E daí?”. Uma estreia fraca do diretor belga Michael R. Roskam no cinema norte-americano. O filme foi o último do ator James Gandolfini, que morreu logo depois do final das filmagens. Fora esse fato, nada mais de interessante que justifique uma recomendação. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

“A RECOMPENSA” (“Dom Hemingway”), 2013, Inglaterra, direção de Richard Shepard, é um filme que mistura gêneros como comédia, drama e ação. Mas é com base no seu afiado humor que o filme garante um entretenimento de primeira. Os diálogos são repletos de ironia e sacadas inteligentes. O ator inglês Jude Law dá um verdadeiro show na pele de Dom Hemingway, um criminoso que acaba de sair da cadeia depois de cumprir uma pena de 12 anos por roubo. Por ter ficado quieto e não ter denunciado seu antigo chefão Ivan Fontaine (Demián Bichir), que participou do roubo, Hemingway vai cobrar seu prêmio por ter ficado calado. Ele recebe de Ivan uma volumosa quantia em dinheiro, mas uma amante do chefão acaba dando um golpe e fica com tudo. Ao lado de seu fiel escudeiro e companheiro Dickie (o ótimo Richard E. Grant), ele vai tentar recuperar a grana, ao mesmo tempo em que tenta reatar com sua filha Evelyn (Emilia Clarke), a qual abandonou quando ela ainda era uma criança. Jude Law, que já foi considerado o homem mais bonito do mundo, está quase irreconhecível como Dom Hemingway: mais gordo, com acentuadas entradas de calvície, dentes mal cuidados e umas costeletas ao estilo do super-herói Wolverine. Mas ele é a alma do filme, provando mais uma vez ser um ótimo ator também em comédia. O filme tem bastante ação e é muito divertido, garantindo uma ótima sessão de cinema.    

domingo, 10 de maio de 2015

Depois de emplacar boas comédias no início de carreira, o que um tornaram um astro, Adam Sandler fez muitos filmes medianos, até mesmo medíocres. Nos últimos anos, porém, tenta dar uma guinada de qualidade. Ele melhorou muito seu currículo ao abandonar aquela cara de garoto bobão que já não faz mais sentido quando se chega quase aos 50 anos (ele tem 48). No ano passado, fez um papel sério no bom drama “Homens, Mulheres e Filhos” e agora volta à comédia em “TROCANDO OS PÉS” (“The Cobbler"), 2014, direção de Thomas McCarthy. Aliás, uma ótima comédia. Aqui, Sandler é Max Simkin, um sapateiro de descendência judaica proprietário de uma sapataria em Nova Iorque. Desde seu tataravô, todos exercem a profissão. Ao utilizar uma antiga máquina de costurar solas de sapato, Max descobre um poder mágico. Ao experimentar um par de sapatos costurados pela tal máquina, Max se transforma fisicamente no dono. Além das situações muito engraçadas que a mágica proporciona, também dá margem a momentos de rara sensibilidade, quando Max veste os sapatos do pai (Dustin Hoffman) para atender a um desejo da mãe. Trata-se de uma das cenas mais tocantes do filme. No final, acontece uma surpreendente reviravolta, o que dá um toque de qualidade a mais nessa história que por si só já é bastante interessante. Estão ainda no elenco Steve Buscemi, Ellen Barkin, Melonie Dias e Dan Stevens. Finalmente, um filme de Adam Sandler que merece ser recomendado.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

“GAROTA DE PROGRAMA” (“Call Girl”), 2012, é um filme sueco baseado em fatos reais. A história é estarrecedora. “Havia algo de podre no reino da Suécia” poderia ser a outra opção de título. Nos anos 70, uma rede de prostituição chefiada por Dagmar Glans (Pernilla August) tinha como seus principais clientes desde ministros do governo – inclusive o da Justiça – e políticos até empresários e figuras importantes da alta sociedade de Estocolmo. Dagmar promovia festas de luxo, verdadeiras orgias palacianas, além de aliciar jovens, inclusive menores, para ingressar na profissão mais antiga do mundo. Foi o caso de Íris (Sofia Karemyr) e Sonja (Josefin Asplund). É baseada no recrutamento e na “atuação” dessas duas jovens que o diretor estreante Mikael Marcimain desenvolve toda a história. Houve uma investigação e até uma tentativa de prender Dagmar e denunciar os ilustres “clientes”, mas o caso foi abafado. Inacreditável que esse tipo de impunidade possa ter acontecido num país tão sério como a Suécia. Se o filme já é bom pela história em si, vale mais ainda pela primorosa ambientação de época. Figurinos, cenários, trilha sonora, enfim, tudo foi feito com muito capricho. Para quem viveu essa época, trata-se de uma ótima viagem no tempo. Há ainda algumas cenas de sexo e nudismo, mas realizadas sem apelar para a vulgaridade. Destaque para as ótimas atuações da veterana atriz Pernilla August, que atuou na obra-prima “Fanny and Alexander” (1982), de Ingmar Bergman, e da jovem estreante Sofia Karemyr. Filme sério e de qualidade. Recomendo sem fazer figa.