
segunda-feira, 8 de setembro de 2014

domingo, 7 de setembro de 2014
“FRONTERA”, 2013,
EUA, é um drama em torno da velha história dos imigrantes ilegais mexicanos que
tentam entrar escondidos no território do Tio Sam. Os clichês estão todos aqui:
deserto, muita poeira, calor infernal, violência, “coyotes” (servem de guias
para os imigrantes), policiais corruptos, pobreza, fome, sede, sonhos e,
principalmente, desilusões. Nas imediações da fronteira entre os dois países, é
comum alguns norte-americanos praticarem tiro ao alvo mirando os mexicanos. No
filme, tentando assustar alguns mexicanos com alguns tiros, três rapazes acabam
assustando, na verdade, o cavalo de Olivia (Amy Madigan), esposa de Roy (Ed
Harris), ex-xerife do pedaço. Olivia cai, bate com a cabeça numa pedra e morre.
Miguel estava bem do lado dela e acaba sendo preso como suspeito. Roy, é claro,
vai investigar por conta própria. Enquanto isso, quase que como uma história
paralela, o filme mostra a tentativa de Paulina (Eva Longoria), esposa de
Miguel, de também atravessar a fronteira para encontrar o marido. Outro drama
vai começar. Enfim, um filme sem muitos atrativos.
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO” (“God’s not
Dead”), EUA, 2013, propõe discutir a existência de Deus. Para isso, cria um
embate bastante interessante entre um aluno da universidade, Josh Wheaton
(Shane Harper), e seu arrogante professor de Filosofia, sr. Radisson (Kevin
Sorbo). Tudo tem início no primeiro dia de aula. O professor começa a falar de
sua matéria citando vários filósofos, cientistas, escritores e outras figuras
famosas. “O que eles têm em comum?”, pergunta o professor, para logo em seguida
responder: “Nenhum deles acredita em Deus”. Depois, pede aos seus alunos que
escrevam num papel “Deus está morto”, afirmando que não permitirá nenhuma
discussão a respeito. Josh, porém, nega o pedido e então o professor o desafia
a provar, em três aulas, que Deus não está morto. Josh topa o desafio e ainda
pede que os alunos sejam os jurados, mesmo que todos tenham escrito o que o
professor pediu. Embora o filme apresente outras histórias paralelas, todas envolvendo
a fé, o melhor mesmo fica restrito ao debate entre o aluno e o professor. Josh,
em sua argumentação, também utiliza citações de filósofos e cientistas, alguns
dos quais, inclusive, nomeados pelo professor na primeira aula. O debate, dessa
forma, torna-se muito interessante, esclarecedor e até emocionante. Quem
assistir ao filme não vai deixar de refletir sobre este assunto tão polêmico. Pode
ver que vale a pena!
“ISSO É O QUE EU SOU” (“That’s
What I Am”), 2011, é um filme indicado para tanto para jovens como para adultos.
E quando digo adultos, refiro-me, principalmente, ao pessoal que era
adolescente em 1965, ano em que é ambientada toda a história. Nostalgia pura.
Estão lá os personagens que nos fazem reviver aquela época no colégio, como a
menina que “ficava” com todo mundo, a menina mais linda cobiçada por todos, a
turma dos garotos valentões, o professor legal, os nerds, as feias e feios que
sofriam com o bullyng, o primeiro beijo, a trilha sonora etc. A história gira
em torno do garoto Andy Nichol (Chase Ellison), de 12 anos, que muito a
contragosto ingressa na turma dos nerds
para fazer um trabalho para a aula de literatura do Professor Sr. Simon (Ed
Harris). Ele fica amigo de Stanley “Big G” Minor (Alexander Walters), um garoto
esquisito e grandão, que é atazanado constantemente pela turma dos valentões. Andy
é apaixonado por uma menina, com a qual sonha dar o seu primeiro beijo. Só que
ela é a namorada do principal valentão do colégio. Histórias assim permeiam
todo o filme. Nem mesmo o boato sobre a condição de “homo” do Sr. Simon estraga
a diversão. Toda a história é narrada in off
por Andy Nichol adulto (voz do ator Greg
Kinnear). É um filme sem qualquer pretensão, a não ser garantir uma deliciosa sessão da tarde.
sábado, 6 de setembro de 2014
O drama chileno “MATAR A UN HOMBRE”
(“To Kill a Man”), 2013, passa longe, muito longe, de um
entretenimento leve e relaxante. É violento no sentido da violência psicológica,
da tensão permanente. Conta a história de Jorge (Daniel Candia), um pacato pai
de família que vive num bairro pobre de periferia e que se vê constantemente ameaçado
por Kalule (Daniel Antivilo), um marginal grandalhão e valentão que reside nas
redondezas. Toda vez que Jorge volta do supermercado, por exemplo, Kalule e sua
gangue costumam roubar suas compras, além de outros pertences pessoais como,
por exemplo, celular e até os remédios que ele toma para diabete (pois é, além
de tudo, Jorge ainda é diabético). Todo dia era a mesma coisa. Jorge vai à
delegacia de polícia e denuncia o que está acontecendo. A polícia, como sempre,
não faz nada. Dá vontade de chamar Van Damme, um Steven Seagal ou um Bruce
Willis para dar um jeito no valentão e em sua turma. O filme segue e, depois de
alguns acontecimentos inesperados, Kalule volta a perseguir a família de Jorge,
sendo que desta vez o alvo é a sua filha. Aí Jorge finalmente resolve dar um basta.
O filme, dirigido por Alejandro Fernández Almendras, ganhou vários prêmios em
festivais, inclusive sendo eleito o Melhor Filme, na categoria “World Cinema”,
do Sundance Fim Festival 2014.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
“BELLE”, 2013, dirigido por Amma Asante, é um
drama inglês de época ambientado na segunda metade do Século XIII na
Inglaterra. A história, verídica, é baseada na vida de Dido Elizabeth “Belle”, uma
mulata filha de um Capitão da Marinha e uma escrava. O pano de fundo do filme é
justamente o início de uma campanha na Inglaterra para abolir a escravidão. O filme
começa com o capitão John Lindsay (Matthew Goode) indo buscar “Belle” para levá-la
aos cuidados do tio, Lord Mansfield (Tom Wilkinson), e da tia, Lady Mansfield
(Emily Watson), que muito a contragosto acolhem a menina, que vai crescer ao
lado da prima branca Elizabeth Murray (Sara Gadon). “Belle” é finalmente aceita
pela família e até começa a chamar os Mansfield de pai e mãe. Ela recebe a
melhor educação possível, mas é discriminada nos almoços e jantares quando há
convidados. Segundo a etiqueta da época, é uma ofensa que uma pessoa de cor desfrute
da companhia de convidados numa mesa. A situação de “Belle” e outros fatos
ligados à questão escravagista influenciarão as futuras decisões de Lord
Mansfield, na ocasião o mais importante magistrado da Inglaterra. Apesar desse
pano de fundo, vamos dizer sério, o filme dá muito destaque aos flertes de
jovens, intenções casamenteiras das famílias e muito blá-blá-blá do tipo “olha
como ele é simpático”, naquela fala empolada da época. Isso tudo deixa o filme
com cara de novela, o que tira um pouco do seu mérito. Mas não o descarte. Além
da história em si, o filme vale pelos cenários suntuosos, pelos figurinos e
pela espetacular reconstituição de época.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
“CONGELADO” (“FREEZER”),
2013, EUA, é um drama de suspense dirigido por Mikael Solomon. A história: o
mecânico Robert Saunders (Dylan McDermott) acorda dentro de um contêiner/frigorífico
com peças de carne. Não sabe por que está ali. A única certeza é de que está um
frio bárbaro e, se não sair logo, morrerá congelado. Ou seja, entrou literalmente
numa grande fria. Um tempo depois, dois homens e uma mulher, todos russos, entram
no frigorífico e querem saber de Saunders onde estão os 8 milhões de dólares
que ele roubou do chefão Oleg. Ele diz que não tem nada a ver com isso, que
eles pegaram o carro errado. Saunders leva uma surra, é ameaçado de morte e continua
congelando. Mesmo assim, consegue fazer piadinhas sobre a sua situação. O filme
continua com o entra e sai dos russos no contêiner e as tentativas de Saunders
de fugir dali. O roteiro absurdo ainda abre espaço para o surgimento de um
policial ferido escondido no contêiner. Uma reviravolta - pra lá de ridícula - no
desfecho consagra a mediocridade desse filme, que termina sem explicar como
tudo aconteceu ou começou. Tirando uma ou outra piadinha de Saunders e a beleza
da atriz russa Yuliya Snigir, nada se aproveita desse abacaxi. No final, a
conclusão mais do que óbvia: na realidade, quem entrou numa fria foi você.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014


segunda-feira, 1 de setembro de 2014
“ACONTECEU EM SAINT-TROPEZ” (“Des
Gens qui S’Embrassent”), 2013, é uma comédia francesa dirigida por Danièle
Thompson. A história gira em torno de dois irmãos judeus, o milionário Ronie
(Kad Merad) e o violinista clássico Zef (Eric Elmosnino). Ronie mora em Paris e
Zef está em turnê por Nova Iorque. Começa o filme com Ronie e sua esposa
Giovanna (a musa Monica Bellucci) às voltas com os preparativos da festa de
casamento da filha Melita (Clara Ponsot). Dois dias antes do casório, porém, a
esposa de Zef morre atropelada em Nova Iorque. Como a família dela também é
francesa, o corpo deve ser removido para Paris. Como conciliar uma festa de
casamento com um velório no mesmo dia, para os quais os convidados são os mesmos?
Paralelamente a esta situação inusitada, várias outras surgem no meio do
caminho, como as peripécias do velho Aron (Ivry Gitlis), chefe do clã, que está com
Alzheimer, a traição do noivo com outra integrante da família e por aí vai filme
adentro com uma incontável série de divertidas confusões. O filme tem locações em
Nova Iorque, Londres, Paris e Saint-Tropez. Se não bastasse ser bastante
engraçado, o filme ainda apresenta, como atração adicional, a presença de três belas
e competentes atrizes: Monica Bellucci, é claro, Lou de Laâge e Clara Ponsot.

domingo, 31 de agosto de 2014
Tudo leva a crer que é um filme de Woody Allen. Os cenários destacam Nova
Iorque, mais especificamente o bairro judeu do Brooklyn, a trilha é feita de
jazz anos 30/40, tem piadas com judeus e os diálogos são construídos com aquela
ironia característica do grande diretor. Com o transcorrer do filme, porém,
você vai descobrir que “AMANTE A
DOMICÍLIO” (“Fading Gigolô”), 2013, não é um Allen genuíno, e sim uma imitação,
reforçada pela presença do próprio Woody Allen no elenco. Na verdade, o filme
foi escrito e dirigido por John Turturro, que também é o protagonista principal.
Ele é Fioravante, funcionário de uma floricultura. Seu amigo Murray (Allen) está
sem dinheiro e não sabe o que fazer. Até surgir a ideia de ser o gigolô de um “garoto
de programa”, justamente Fioravante. A primeira “cliente” é a dra. Parker
(Sharon Stone, ainda em grande forma), seguindo-se a socialite Selemina (a
vulcânica atriz colombiana Sofia Vergara) e Avigal (Vanessa Paradis), viúva de
um rabino. Com seu jeito tímido, Fioravante cai nas graças da clientela. Mesmo anunciado como comédia, o humor
do filme é morno e a história não engrena. Resumo da ópera, ou melhor, do
filme: Turturro não é Allen.
sábado, 30 de agosto de 2014
“A LOUCURA DE ALMAYER” (“La Folie
Almayer”), 2009, é uma co-produção Bélgica/França dirigida pela diretora belga
Chantal Akerman. A história é baseada no romance homônimo escrito por Joseph
Conrad, aliás, seu primeiro livro, escrito em 1895. É um filme bastante pesado,
melancólico, desagradável de assistir. A história é ambientada em 1950 em algum
ponto da selva da Malásia, onde mora o holandês Kaspar Almayer (Stanislas
Merhar), que se estabeleceu naquele local ermo com a perspectiva de encontrar
ouro e ficar rico. Ele se casou com a filha adotiva do capitão Lingard (Marc
Barbé) e tem uma filha chamada Nina (Aurora Marion). Ainda menina, Lingard leva
a menina embora para um internato, justificando a Almayer que ela merece uma educação
melhor. Com o tempo, Almayer fica na miséria e acaba louco. Nem o retorno de
Nina, já adulta, trará de volta a alegria a Almayer. Chantal dirigiu o filme imaginando
criar uma obra-prima do cinema. O resultado ficou muito distante dessa
pretensão. O filme é monótono demais, cansativo, algumas cenas mostram os
personagens estáticos por um longo tempo, como se a diretora tivesse gritado “Congela!”,
ao invés de “Ação” ou “Corta”. Alguns críticos profissionais gostaram, mas,
como já disse e admitiu Rubens Ewald Filho, “Crítico adora o que não entende”. Indicado
para estudantes de Cinema ou para quem sofre de insônia.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014


terça-feira, 26 de agosto de 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

“OS HOMENS SÃO DE MARTE... E É
PRA LÁ QUE EU VOU!”, 2013, direção de Marcos Baldini, é uma comédia
adaptada para o cinema da peça homônima que ficou em cartaz durante 8 anos nos
teatros brasileiros, sempre com grande sucesso de público. No filme, Fernanda é
novamente interpretada pela atriz Mônica Martelli, que esteve nos palcos como a
principal protagonista da peça (ela também é a autora). A história conta as
aventuras e desventuras amorosas de Fernanda, que é dona de uma empresa organizadora
de eventos especializada em casamentos. Ela tem 39 anos de idade, é bonita,
charmosa, alta, corpão... Enfim, um mulherão. Mas solteira. A frustração dessa
condição virou trauma e ela resolve partir para o ataque. Conhece alguns caras
promissores, fica toda animada, mas logo vem a decepção e a frustração. Todo
esse esforço para colocar uma aliança na mão esquerda é acompanhado pelos seus dois
assistentes na empresa, Aníbal (Paulo Gustavo) e Nathalie (Daniele Valente),
responsáveis pelos momentos mais engraçados do filme, que ainda tem no elenco
Eduardo Moscovis, Humberto Martins, Marcos Palmeira, Irene Ravache, Peter
Ketnath e Herson Capri. Comparada com outras comédias nacionais mais recentes, esta fica um pouco acima da média em termos de qualidade. Diversão garantida!
domingo, 24 de agosto de 2014
“PEDALANDO COM MOLIÈRE” (“Alceste
à Bicyclette”), 2013, dirigido por Phil ippe le
Guay, é daqueles filmes para se curtir e degustar com calma, apreciar os
diálogos inteligentes, cultos – sem pedantismo – e, acima de tudo, bem
humorados. Todos esses predicados fazem desse filme francês uma delícia de
assistir e saborear. Gauthier Valance (Lambert Wilson), um ator famoso em
evidência numa série de TV, vai até Île de Ré (as locações são lindas) tentar
convencer Serge Tanneur (Fabrice Luchini) a voltar aos palcos para atuar na
peça “O Misantropo”, de Molière. Afastado
dos holofotes há três anos, Serge era um grande ator de cinema e teatro. Ele
concorda em ensaiar a peça com Gauthier, mas não deixa claro se vai participar
ou não. Durante alguns dias, Serge e Gauthier terão uma convivência bastante
difícil. Em meio aos atritos, os dois protagonistas vão garantir momentos de
muito humor, alguns até hilariantes. Mas é nos diálogos inteligentes que o
filme se sobrepõe, lembrando o também ótimo “Conversas com meu Jardineiro”, com
outra dupla de atores franceses consagrados, Daniel Auteuil e Jean-Pierre
Darroussin. Os dois filmes são imperdíveis.
“BELÉM – ZONA DE CONFLITO” (“Bethlehem”),
2013, direção de Yuval Adler, é um drama israelense centrado na história de Sanfur
(Shhadi Marei), jovem palestino que há dois anos é informante do serviço
secreto de Israel. Ele foi cooptado pelo agente Razi (Tsahi Halevi), com o qual
mantém um relacionamento de amizade. As coisas se complicam quando o irmão mais
velho de Sanfur, Ibrahim, assume a autoria de um atentado à bomba que matou dezenas
de israelenses em Jerusalém. O filme mostra claramente que as facções que lutam
pela causa palestina não se entendem, embora tenham em comum um ódio mortal a
Israel. Algumas são radicais, outras moderadas. Só que divergem o tempo inteiro
sobre como devem agir. E acabam brigando entre si. Quando Ibrahim é assassinado
pelos soldados de Israel, por exemplo, duas facções disputam o cadáver à tapa, cada
qual querendo associar o “mártir” à sua sigla. Em meio a tudo isso, alguns
palestinos começam a desconfiar que Sanfur é colaboracionista. Ele terá de sujas as mãos de sangue para provar que não é. O clima de
tensão predomina durante todo o filme, mostrando que viver por aquelas bandas não é nada fácil. É caminhar todos os dias na corda bamba. Quando o filme termina, com tantas demonstrações de ódio de um lado e de outro, você tem a sensação mais do que evidente de que a paz nunca
chegará àquela região. Sempre será uma zona de conflito.
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