segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Baseado em fatos reais, o drama “SOBREVIVENTE” (“Djúpio”), 2012, foi o candidato oficial da Islândia ao Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. A história é impressionante. Em 1984, um barco pesqueiro com 6 tripulantes sofre naufrágio nas águas mais do que gélidas do Atlântico Norte. Um dos tripulantes é Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um gordo simpático de trinta e poucos anos. Pois ele é o único sobrevivente. Gulli nadou cerca de 6 horas e, por incrível que pareça, não sofreu hipotermia, a causa da morte da maioria dos outros tripulantes – é impossível sobreviver nadando em águas geladas por mais de 20 minutos. Milagre ou um fenômeno humano? O caso virou manchete nos jornais da Europa e atraiu a atenção da comunidade médica. Gulli foi levado até para Londres para ser examinado. Depois de inúmeros testes, os médicos não chegaram a nenhuma conclusão. Ou seja, o caso de Gulli permaneceu inexplicável, ou explicável para quem acredita em milagre. É um filme bastante interessante, pois mostra como aconteceu o acidente, o sofrimento de Gulli ao assistir a morte dos companheiros e a sua luta pela vida até chegar em terra firme. O mais interessante, porém, são mesmo as análises médicas que tentaram descobrir como Gulli conseguiu sobreviver. Nos créditos finais há uma entrevista com o verdadeiro Gulli. 

domingo, 7 de setembro de 2014

“FRONTERA”, 2013, EUA, é um drama em torno da velha história dos imigrantes ilegais mexicanos que tentam entrar escondidos no território do Tio Sam. Os clichês estão todos aqui: deserto, muita poeira, calor infernal, violência, “coyotes” (servem de guias para os imigrantes), policiais corruptos, pobreza, fome, sede, sonhos e, principalmente, desilusões. Nas imediações da fronteira entre os dois países, é comum alguns norte-americanos praticarem tiro ao alvo mirando os mexicanos. No filme, tentando assustar alguns mexicanos com alguns tiros, três rapazes acabam assustando, na verdade, o cavalo de Olivia (Amy Madigan), esposa de Roy (Ed Harris), ex-xerife do pedaço. Olivia cai, bate com a cabeça numa pedra e morre. Miguel estava bem do lado dela e acaba sendo preso como suspeito. Roy, é claro, vai investigar por conta própria. Enquanto isso, quase que como uma história paralela, o filme mostra a tentativa de Paulina (Eva Longoria), esposa de Miguel, de também atravessar a fronteira para encontrar o marido. Outro drama vai começar. Enfim, um filme sem muitos atrativos.   
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO” (“God’s not Dead”), EUA, 2013, propõe discutir a existência de Deus. Para isso, cria um embate bastante interessante entre um aluno da universidade, Josh Wheaton (Shane Harper), e seu arrogante professor de Filosofia, sr. Radisson (Kevin Sorbo). Tudo tem início no primeiro dia de aula. O professor começa a falar de sua matéria citando vários filósofos, cientistas, escritores e outras figuras famosas. “O que eles têm em comum?”, pergunta o professor, para logo em seguida responder: “Nenhum deles acredita em Deus”. Depois, pede aos seus alunos que escrevam num papel “Deus está morto”, afirmando que não permitirá nenhuma discussão a respeito. Josh, porém, nega o pedido e então o professor o desafia a provar, em três aulas, que Deus não está morto. Josh topa o desafio e ainda pede que os alunos sejam os jurados, mesmo que todos tenham escrito o que o professor pediu. Embora o filme apresente outras histórias paralelas, todas envolvendo a fé, o melhor mesmo fica restrito ao debate entre o aluno e o professor. Josh, em sua argumentação, também utiliza citações de filósofos e cientistas, alguns dos quais, inclusive, nomeados pelo professor na primeira aula. O debate, dessa forma, torna-se muito interessante, esclarecedor e até emocionante. Quem assistir ao filme não vai deixar de refletir sobre este assunto tão polêmico. Pode ver que vale a pena!     
“ISSO É O QUE EU SOU” (“That’s What I Am”), 2011, é um filme indicado para tanto para jovens como para adultos. E quando digo adultos, refiro-me, principalmente, ao pessoal que era adolescente em 1965, ano em que é ambientada toda a história. Nostalgia pura. Estão lá os personagens que nos fazem reviver aquela época no colégio, como a menina que “ficava” com todo mundo, a menina mais linda cobiçada por todos, a turma dos garotos valentões, o professor legal, os nerds, as feias e feios que sofriam com o bullyng, o primeiro beijo, a trilha sonora etc. A história gira em torno do garoto Andy Nichol (Chase Ellison), de 12 anos, que muito a contragosto ingressa na turma dos nerds para fazer um trabalho para a aula de literatura do Professor Sr. Simon (Ed Harris). Ele fica amigo de Stanley “Big G” Minor (Alexander Walters), um garoto esquisito e grandão, que é atazanado constantemente pela turma dos valentões. Andy é apaixonado por uma menina, com a qual sonha dar o seu primeiro beijo. Só que ela é a namorada do principal valentão do colégio. Histórias assim permeiam todo o filme. Nem mesmo o boato sobre a condição de “homo” do Sr. Simon estraga a diversão. Toda a história é narrada in off  por Andy Nichol adulto (voz do ator Greg Kinnear). É um filme sem qualquer pretensão, a não ser garantir uma deliciosa sessão da tarde.      

sábado, 6 de setembro de 2014

O drama chileno “MATAR A UN HOMBRE” (“To Kill a Man”), 2013, passa longe, muito longe, de um entretenimento leve e relaxante. É violento no sentido da violência psicológica, da tensão permanente. Conta a história de Jorge (Daniel Candia), um pacato pai de família que vive num bairro pobre de periferia e que se vê constantemente ameaçado por Kalule (Daniel Antivilo), um marginal grandalhão e valentão que reside nas redondezas. Toda vez que Jorge volta do supermercado, por exemplo, Kalule e sua gangue costumam roubar suas compras, além de outros pertences pessoais como, por exemplo, celular e até os remédios que ele toma para diabete (pois é, além de tudo, Jorge ainda é diabético). Todo dia era a mesma coisa. Jorge vai à delegacia de polícia e denuncia o que está acontecendo. A polícia, como sempre, não faz nada. Dá vontade de chamar Van Damme, um Steven Seagal ou um Bruce Willis para dar um jeito no valentão e em sua turma. O filme segue e, depois de alguns acontecimentos inesperados, Kalule volta a perseguir a família de Jorge, sendo que desta vez o alvo é a sua filha. Aí Jorge finalmente resolve dar um basta. O filme, dirigido por Alejandro Fernández Almendras, ganhou vários prêmios em festivais, inclusive sendo eleito o Melhor Filme, na categoria “World Cinema”, do Sundance Fim Festival 2014.  

 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

“BELLE”, 2013, dirigido por Amma Asanteé um drama inglês de época ambientado na segunda metade do Século XIII na Inglaterra. A história, verídica, é baseada na vida de Dido Elizabeth “Belle”, uma mulata filha de um Capitão da Marinha e uma escrava. O pano de fundo do filme é justamente o início de uma campanha na Inglaterra para abolir a escravidão. O filme começa com o capitão John Lindsay (Matthew Goode) indo buscar “Belle” para levá-la aos cuidados do tio, Lord Mansfield (Tom Wilkinson), e da tia, Lady Mansfield (Emily Watson), que muito a contragosto acolhem a menina, que vai crescer ao lado da prima branca Elizabeth Murray (Sara Gadon). “Belle” é finalmente aceita pela família e até começa a chamar os Mansfield de pai e mãe. Ela recebe a melhor educação possível, mas é discriminada nos almoços e jantares quando há convidados. Segundo a etiqueta da época, é uma ofensa que uma pessoa de cor desfrute da companhia de convidados numa mesa. A situação de “Belle” e outros fatos ligados à questão escravagista influenciarão as futuras decisões de Lord Mansfield, na ocasião o mais importante magistrado da Inglaterra. Apesar desse pano de fundo, vamos dizer sério, o filme dá muito destaque aos flertes de jovens, intenções casamenteiras das famílias e muito blá-blá-blá do tipo “olha como ele é simpático”, naquela fala empolada da época. Isso tudo deixa o filme com cara de novela, o que tira um pouco do seu mérito. Mas não o descarte. Além da história em si, o filme vale pelos cenários suntuosos, pelos figurinos e pela espetacular reconstituição de época.  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

“CONGELADO” (“FREEZER”), 2013, EUA, é um drama de suspense dirigido por Mikael Solomon. A história: o mecânico Robert Saunders (Dylan McDermott) acorda dentro de um contêiner/frigorífico com peças de carne. Não sabe por que está ali. A única certeza é de que está um frio bárbaro e, se não sair logo, morrerá congelado. Ou seja, entrou literalmente numa grande fria. Um tempo depois, dois homens e uma mulher, todos russos, entram no frigorífico e querem saber de Saunders onde estão os 8 milhões de dólares que ele roubou do chefão Oleg. Ele diz que não tem nada a ver com isso, que eles pegaram o carro errado. Saunders leva uma surra, é ameaçado de morte e continua congelando. Mesmo assim, consegue fazer piadinhas sobre a sua situação. O filme continua com o entra e sai dos russos no contêiner e as tentativas de Saunders de fugir dali. O roteiro absurdo ainda abre espaço para o surgimento de um policial ferido escondido no contêiner. Uma reviravolta - pra lá de ridícula - no desfecho consagra a mediocridade desse filme, que termina sem explicar como tudo aconteceu ou começou. Tirando uma ou outra piadinha de Saunders e a beleza da atriz russa Yuliya Snigir, nada se aproveita desse abacaxi. No final, a conclusão mais do que óbvia: na realidade, quem entrou numa fria foi você.                                  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Em 1993, três adolescentes foram presos, julgados e condenados pela morte de três crianças de 8 anos de idade. O caso é verídico e aconteceu na cidade de West Memphis (Arkansas), num episódio jurídico dos mais polêmicos. Esta é, basicamente, a história do drama “SEM EVIDÊNCIAS” (Devil's Knot"), 2013, do aclamado diretor canadense Atom Egoyan. O filme mostra os bastidores do caso, as controvérsias e deixa bem claro que a polícia local não conseguiu evidências conclusivas. Pesou mais contra os acusados o fato de serem adeptos de cultos satânicos e ouvirem heavy-metal. Egoyan concentra a história em Ron Lax (Colin Firth), um investigador particular que se propõe a ajudar os advogados de defesa. É o primeiro a desconfiar que os jovens podem ser inocentes. Pelo lado das vítimas, o destaque é dado a Pam Hobbs (Reese Witherspoon), mãe de um dos meninos assassinados, que no final também passa a suspeitar da decisão da justiça. Nos créditos finais surgem as informações sobre o que aconteceu depois, revelando muitas surpresas e uma reviravolta. Com um diretor tão conceituado como Egoyan (de “O Preço da Traição” e “O Doce Amanhã”) e atores como Colin Firth e Reese Whitherspoon, podíamos esperar um filme bem melhor. Foi feito de forma burocrática, no piloto automático. Mas vale como interesse pelo caso que teve grande polêmica nos EUA.
Mais um bom filme argentino (como se isso fosse novidade). Trata-se de “UM AMOR” (“Un Amor”), 2011, dirigido por Paula Hernandez. É um drama romântico e nostálgico, centrado na amizade de dois homens e uma mulher que se conheceram na adolescência. Nos anos 70, Bruno e Lalo moram em Victoria, cidadezinha no interior argentino, e são amigos inseparáveis. Até que chega Lisa, uma menina extrovertida, alegre e sensual, para passar as férias de verão. Todos por volta dos 15 anos de idade. Lisa logo se enturma com a dupla de amigos e não se desgruda deles. Os dois, é claro, se apaixonam por ela, sem que isso interfira na amizade de ambos. Não mais que de repente, Lisa vai embora com a família, deixando Bruno e Lalo desconsolados. O tempo passou e cada um seguiu um caminho diferente pela vida. Lisa foi morar no Brasil e depois na Venezuela. Bruno virou roteirista de séries de TV, casou e mudou para Buenos Aires. Lalo ficou em Victoria e assumiu a oficina de automóveis do pai. Trinta anos depois, Lisa chega a Buenos Aires para participar de uma conferência relacionada ao seu trabalho e resolve procurar os antigos amigos. O reencontro trará recordações alegres, colocará à tona alguns segredos escondidos e reavivará as paixões de antigamente. No fim, mais uma vez, a amizade estará acima de tudo. Os atores que fazem o trio jovem é muito bom (Alan Dalca, como Bruno, Denise Groesman, como Lisa, e Agustin Pardella, como Lalo). O elenco adulto mantém a qualidade: Diego Peretti (Bruno), Elena Roger (Lisa) e Luis Ziembrowski (Lalo). Um filme simples, mas com conteúdo. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

“ACONTECEU EM SAINT-TROPEZ” (“Des Gens qui S’Embrassent”), 2013, é uma comédia francesa dirigida por Danièle Thompson. A história gira em torno de dois irmãos judeus, o milionário Ronie (Kad Merad) e o violinista clássico Zef (Eric Elmosnino). Ronie mora em Paris e Zef está em turnê por Nova Iorque. Começa o filme com Ronie e sua esposa Giovanna (a musa Monica Bellucci) às voltas com os preparativos da festa de casamento da filha Melita (Clara Ponsot). Dois dias antes do casório, porém, a esposa de Zef morre atropelada em Nova Iorque. Como a família dela também é francesa, o corpo deve ser removido para Paris. Como conciliar uma festa de casamento com um velório no mesmo dia, para os quais os convidados são os mesmos? Paralelamente a esta situação inusitada, várias outras surgem no meio do caminho, como as peripécias do velho Aron (Ivry Gitlis), chefe do clã, que está com Alzheimer, a traição do noivo com outra integrante da família e por aí vai filme adentro com uma incontável série de divertidas confusões. O filme tem locações em Nova Iorque, Londres, Paris e Saint-Tropez. Se não bastasse ser bastante engraçado, o filme ainda apresenta, como atração adicional, a presença de três belas e competentes atrizes: Monica Bellucci, é claro, Lou de Laâge e Clara Ponsot.   
“GUERRILHA SEM FACE” (“The Dancer Upstairs”) é um suspense político de 2001 (co-produção EUA/Espanha). Trata-se do filme de estreia do ator John Malkovich na direção. Não lembro se o filme foi exibido nos cinemas ou se saiu direto em vídeo. A história é inspirada no caso real da perseguição e prisão, em 1992, de Abimael Guzman, líder do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso. O enredo é centrado no trabalho do ex-advogado e agora capitão de polícia Agustin Rejas (o ator espanhol Javier Bardem), chefe da equipe responsável pelas investigações que resultaram na captura de Guzman. Agustin sofre uma pressão muito grande do governo peruano – na época, uma ditadura -, que exige a rápida prisão de Guzman. O filme mostra os bastidores das investigações, incluindo a interferência do exército peruano, cujos métodos violentos o chefe de polícia repudia e luta contra, colocando em risco o seu próprio cargo. Durante as investigações, Agustin se envolverá num romance com a professora de balé da sua filha. A professora, Yolanda (a bela atriz italiana Laura Morante), terá um papel de destaque na história. O filme mostra a face violenta e sanguinária do Sendero Luminoso, de tendência maoísta, responsável, em seus 20 anos de existência (1980 a 2000), por pelo menos 70 mil assassinatos. Malkovich fez um bom filme político, não ao mesmo nível, mas ao estilo de diretores como Costa-Gravas e Gillo Pontecorvo, e vale a pena assistí-lo para relembrar um dos fatos mais importantes da história do Peru e da própria América Latina.   

domingo, 31 de agosto de 2014

Tudo leva a crer que é um filme de Woody Allen. Os cenários destacam Nova Iorque, mais especificamente o bairro judeu do Brooklyn, a trilha é feita de jazz anos 30/40, tem piadas com judeus e os diálogos são construídos com aquela ironia característica do grande diretor. Com o transcorrer do filme, porém, você vai descobrir que “AMANTE A DOMICÍLIO” (“Fading Gigolô”), 2013, não é um Allen genuíno, e sim uma imitação, reforçada pela presença do próprio Woody Allen no elenco. Na verdade, o filme foi escrito e dirigido por John Turturro, que também é o protagonista principal. Ele é Fioravante, funcionário de uma floricultura. Seu amigo Murray (Allen) está sem dinheiro e não sabe o que fazer. Até surgir a ideia de ser o gigolô de um “garoto de programa”, justamente Fioravante. A primeira “cliente” é a dra. Parker (Sharon Stone, ainda em grande forma), seguindo-se a socialite Selemina (a vulcânica atriz colombiana Sofia Vergara) e Avigal (Vanessa Paradis), viúva de um rabino. Com seu jeito tímido, Fioravante cai nas graças da clientela. Mesmo anunciado como comédia, o humor do filme é morno e a história não engrena. Resumo da ópera, ou melhor, do filme: Turturro não é Allen.  

sábado, 30 de agosto de 2014

“A LOUCURA DE ALMAYER” (“La Folie Almayer”), 2009, é uma co-produção Bélgica/França dirigida pela diretora belga Chantal Akerman. A história é baseada no romance homônimo escrito por Joseph Conrad, aliás, seu primeiro livro, escrito em 1895. É um filme bastante pesado, melancólico, desagradável de assistir. A história é ambientada em 1950 em algum ponto da selva da Malásia, onde mora o holandês Kaspar Almayer (Stanislas Merhar), que se estabeleceu naquele local ermo com a perspectiva de encontrar ouro e ficar rico. Ele se casou com a filha adotiva do capitão Lingard (Marc Barbé) e tem uma filha chamada Nina (Aurora Marion). Ainda menina, Lingard leva a menina embora para um internato, justificando a Almayer que ela merece uma educação melhor. Com o tempo, Almayer fica na miséria e acaba louco. Nem o retorno de Nina, já adulta, trará de volta a alegria a Almayer. Chantal dirigiu o filme imaginando criar uma obra-prima do cinema. O resultado ficou muito distante dessa pretensão. O filme é monótono demais, cansativo, algumas cenas mostram os personagens estáticos por um longo tempo, como se a diretora tivesse gritado “Congela!”, ao invés de “Ação” ou “Corta”. Alguns críticos profissionais gostaram, mas, como já disse e admitiu Rubens Ewald Filho, “Crítico adora o que não entende”. Indicado para estudantes de Cinema ou para quem sofre de insônia.   
Apesar do título adocicado, “LIGADOS PELO AMOR” (“Stuck in love”), EUA, 2012, dirigido por Josh Boone, não é um filme romântico. Anunciado como comédia dramática, também não faz rir nem chorar. É um filme de relacionamentos, muito falatório e pouco entendimento. William Borgens (Greg Kinnear) é um escritor consagrado que, depois de três anos, ainda não se conforma de ter sido abandonado pela mulher Erica (Jennifer Connelly), que agora está morando com outro homem. Borgens costuma ir até a casa de Erica e, sorrateiramente, fica verificando pelas janelas o que está acontecendo. Borgens mora com o filho adolescente Rusty (Nat Wolff), com o qual não se entende muito bem. No feriado de Ação de Graças, Borgens recebe a visita da filha Samantha (Lily Collins), que também é escritora. Esta, por sua vez, não fala com a mãe, acusando-a de ser a responsável pelo fim do casamento. Em meio a esse conflito familiar, o filme dedica bastante espaço para enfocar os anseios e dúvidas  de Samantha e Rusty. Ela não quer saber de namorar ninguém, de ter um relacionamento sério. Ele começa a namorar Kate (Liana Liberato), uma colega de classe que adora se drogar. Esses encontros e desencontros percorrerão o filme até o seu desfecho, mais do que previsível, na base do “Happy End”. Um filme despretensioso, mas com bons diálogos e ótimos atores.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

“NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÕES” (“No se Aceptan Devoluciones”), 2013, é um filme mexicano anunciado como comédia, começa como comédia e depois vira um novelão - mexicano, claro - com direito àquelas cenas chorosas de tribunal e música de fundo triste para reforçar a dramaticidade das cenas. Valentin (Eugenio Derbez, também o diretor) é um mulherengo daqueles. Toda hora acaba na cama com uma mulher diferente. Só que uma, Julia (Jessica Lindsey), a quem ele jura amor eterno no auge da transa, volta a procurá-lo um ano depois com um bebê no colo, dizendo que ele é o pai. Julia se manda e deixa o bebê com Valentin. O tempo passa, Maggie (Loreto Peralta) já está com sete anos de idade. Valentin mora com ela agora em Los Angeles e trabalha como dublê de cenas perigosas num estúdio de cinema. Pai e filha ficam grudados o tempo inteiro e se dão às mil maravilhas. Não mais que de repente, Julia, agora uma importante advogada num escritório de Nova Iorque, aparece de volta e se apega à filha que não conhecia, a ponto de querer tirá-la de Valentin. Como se não bastasse, duas surpreendentes revelações acontecem no final, elevando ainda mais o nível dramático da história, iniciando um chororô geral. Resumo da ópera, aliás, do filme: ria bastante nos momentos engraçados, pois no final, se for muito sensível, vai acabar em lágrimas. Portanto, assista com um pacote de pipoca e uma caixa de lenços.  

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Quando menos a gente espera, eis que surge uma joia rara do cinema. Confesso que não tinha referência nenhuma sobre NINGUÉM ALÉM DE VOCÊ” (“Poupoupidou”), filme francês de 2011 dirigido por Geráld Hustache-Mathieu. Simplesmente uma delícia de filme, inteligente, divertido e, como se não bastasse, com uma trilha sonora de premiar os ouvidos – só como aperitivo: “California Dreamin”, com José Feliciano. A história começa com o escritor de livros policiais David Rousseau (Jean-Paul Rouve) chegando à cidade de Mouthe, na região de Franche-Comté, interior da França, conhecida também como “A pequena Sibéria”. Ele foi notificado para receber parte da herança de um tio recentemente falecido. Só que na cidade só se fala na morte de Candice Lecouer, nome artístico de Martine Langevin (Sophie Quinton), uma jovem loira que achava – e agia como tal - que era a reencarnação da atriz Marilyn Monroe. Rousseau resolve, por conta própria, investigar a morte da moça como forma até de inspiração para o seu novo livro. Rousseau encontra o diário escrito por Candice. O filme transforma em flashbacks as partes mais importantes do diário, fazendo Rousseau acreditar que a conclusão de suicídio não passou de uma grande mentira. Apesar do tema e dos cenários gélidos, o filme é todo realizado em tom de humor, mas um humor refinado e com diálogos inteligentes e impagáveis. É daqueles filmes irresistíveis. Tem ótimas sacadas, a principal delas, é claro, a criação da "cover" de Marilyn Monroe, interpretada pela espetacular Sophie Quinton. Outra é a interpretação cheia de ironia do escritor, o tempo inteiro com aquela expressão de sarcasmo. A cena inicial também é uma grande sacada: Rousseau está na estrada dirigindo seu carro e ouvindo uma música que adora. Quando ele entra num desvio, o sinal do rádio desaparece. Ele não tem dúvida: dá marcha-a-ré de volta à estrada para curtir o final da música. Finalmente um filme que dá enorme prazer em recomendar e afirmar “Não Perca!”.    
“UM ANJO NO MAR” (“Um Ange à La Mer”), 2008, direção de Frédérick Dumont, é um drama belga um tanto depressivo e melancólico. Não chega a ser aquele tipo de “filme-cabeça”, mas tem lá seus momentos de afetação, como citações entediantes de um poema de Baudelaire e imagens no mar que você é obrigado a tentar decifrar a relação delas com a história. O cenário do filme é uma cidade litorânea ao sul do Marrocos. Lá vive Bruno (Olivier Gourmet), sua mulher (Anne Consign) e os dois filhos adolescentes. Ao retornar de uma viagem à Itália, Bruno ingressa num período de depressão profunda. Um dia, ele chama seu filho mais novo, Louis (Martin Nissen), de 12 anos de idade, e confessa que naquela noite cometerá suicídio. Bruno pede a Louis que não comente com ninguém. A partir daí, o menino não faz outra coisa senão vigiar o pai o tempo inteiro, nem que para isso tenha que permanecer durante longos períodos empoleirado no topo de uma árvore que tem uma visão privilegiada do quarto onde está Bruno. Não se pode deixar de destacar o trabalho de interpretação do jovem ator que interpreta Louis e o dos “veteranos” Anne Consign e Olivier Gourmet. Foi o primeiro e único longa do diretor belga. O filme, evidentemente voltado para um público especial, é mais interessante do que bom.    

terça-feira, 26 de agosto de 2014


O drama inglês “CINZAS” (“Ashes”), 2012, conta a história do jovem James (Jim Sturgess), que, depois de anos, volta a procurar o pai Frank (Ray Winstone). James vai encontrá-lo num hospital psiquiátrico. Frank sofre do Mal de Alzheimer, não conhece ou reconhece ninguém e seu comportamento alterna períodos de calma e outos de extrema agressividade. James resolve sequestrar Frank e os dois pegam estrada. A partir daí, o filme vira um road movie muito louco. Num momento de total irresponsabilidade, James deixa Frank dirigir o carro pela estrada. Depois de algumas situações engraçadas, o filme volta ao drama e aí você começa a desconfiar que nem tudo o que está vendo correspondente à verdade. Aos poucos, toda a situação vai sendo explicada e você vai perceber que foi enganado o tempo todo. O desfecho é um tanto inexplicável. Trata-se de um filme no mínimo curioso, intrigante. Mas só. O que vale o filme, no entanto, não é a história em si, meio mirabolante, mas sim a fabulosa interpretação de Ray Winstone como um doente de Alzheimer. Ele prova, mais uma vez, por que é um dos melhores atores ingleses do momento. Segundo o diretor Mat Whitecross, o personagem Frank foi baseado na própria história do seu pai, que também foi portador da doença.   

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

“WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS”, (tradução infeliz para “Saving Mr. Banks), 2013, conta a história verídica da visita da escritora australiana Pamela Lyndon Travers, mais conhecida por P.L. Travers, aos Estúdios Disney em 1961. Ela foi convidada pelo próprio Walt Disney, que há 20 anos tentava comprar de Travers os direitos de “Mary Poppins”. Travers nunca cedeu, temendo que seu romance fosse transformado, como ela dizia, num dos “desenhos bobocas” da Disney. Durante a visita, a escritora, interpretada por Emma Thompson, mostra-se uma mulher mal-humorada, intransigente e grosseira. Ao apresentar a Travers o roteiro, as músicas e como seriam desenvolvidos os personagens, a equipe de Walt Disney (Tom Hanks) quase vai à loucura com as interferências da escritora. O ambiente, que já era pesado, fica insuportável quando Travers recusa a utilização de animação na cena em que Dick Van Dyke dança com os pinguins. “Vocês que treinem pinguins de verdade”, ordenava. Revoltada, ela não assina a cessão dos direitos e volta para a Inglaterra, onde morava na época. Walt vai até Londres tentar convencê-la. O resto todo mundo conhece. “Mary Poppins” foi lançado em 1964 e se transformou num dos maiores sucessos mundiais da Disney. Tão interessante quanto à visita aos estúdios Disney é o enfoque dado, em flashbacks, ao relacionamento de Travers com seu pai, Roberto Goff (Colin Ferrel), que sempre incentivou a filha a inventar personagens de fantasia. A influência do pai talvez tenha sido a principal motivação de Travers para se tornar escritora. 
“OS HOMENS SÃO DE MARTE... E É PRA LÁ QUE EU VOU!”, 2013, direção de Marcos Baldini, é uma comédia adaptada para o cinema da peça homônima que ficou em cartaz durante 8 anos nos teatros brasileiros, sempre com grande sucesso de público. No filme, Fernanda é novamente interpretada pela atriz Mônica Martelli, que esteve nos palcos como a principal protagonista da peça (ela também é a autora). A história conta as aventuras e desventuras amorosas de Fernanda, que é dona de uma empresa organizadora de eventos especializada em casamentos. Ela tem 39 anos de idade, é bonita, charmosa, alta, corpão... Enfim, um mulherão. Mas solteira. A frustração dessa condição virou trauma e ela resolve partir para o ataque. Conhece alguns caras promissores, fica toda animada, mas logo vem a decepção e a frustração. Todo esse esforço para colocar uma aliança na mão esquerda é acompanhado pelos seus dois assistentes na empresa, Aníbal (Paulo Gustavo) e Nathalie (Daniele Valente), responsáveis pelos momentos mais engraçados do filme, que ainda tem no elenco Eduardo Moscovis, Humberto Martins, Marcos Palmeira, Irene Ravache, Peter Ketnath e Herson Capri. Comparada com outras comédias nacionais mais recentes, esta fica um pouco acima da média em termos de qualidade. Diversão garantida!               

domingo, 24 de agosto de 2014

 

“PEDALANDO COM MOLIÈRE” (“Alceste à Bicyclette”), 2013, dirigido por Phil ippe le Guay, é daqueles filmes para se curtir e degustar com calma, apreciar os diálogos inteligentes, cultos – sem pedantismo – e, acima de tudo, bem humorados. Todos esses predicados fazem desse filme francês uma delícia de assistir e saborear. Gauthier Valance (Lambert Wilson), um ator famoso em evidência numa série de TV, vai até Île de Ré (as locações são lindas) tentar convencer Serge Tanneur (Fabrice Luchini) a voltar aos palcos para atuar na peça “O Misantropo”, de Molière.  Afastado dos holofotes há três anos, Serge era um grande ator de cinema e teatro. Ele concorda em ensaiar a peça com Gauthier, mas não deixa claro se vai participar ou não. Durante alguns dias, Serge e Gauthier terão uma convivência bastante difícil. Em meio aos atritos, os dois protagonistas vão garantir momentos de muito humor, alguns até hilariantes. Mas é nos diálogos inteligentes que o filme se sobrepõe, lembrando o também ótimo “Conversas com meu Jardineiro”, com outra dupla de atores franceses consagrados, Daniel Auteuil e Jean-Pierre Darroussin. Os dois filmes são imperdíveis.             
“BELÉM – ZONA DE CONFLITO” (“Bethlehem”), 2013, direção de Yuval Adler, é um drama israelense centrado na história de Sanfur (Shhadi Marei), jovem palestino que há dois anos é informante do serviço secreto de Israel. Ele foi cooptado pelo agente Razi (Tsahi Halevi), com o qual mantém um relacionamento de amizade. As coisas se complicam quando o irmão mais velho de Sanfur, Ibrahim, assume a autoria de um atentado à bomba que matou dezenas de israelenses em Jerusalém. O filme mostra claramente que as facções que lutam pela causa palestina não se entendem, embora tenham em comum um ódio mortal a Israel. Algumas são radicais, outras moderadas. Só que divergem o tempo inteiro sobre como devem agir. E acabam brigando entre si. Quando Ibrahim é assassinado pelos soldados de Israel, por exemplo, duas facções disputam o cadáver à tapa, cada qual querendo associar o “mártir” à sua sigla. Em meio a tudo isso, alguns palestinos começam a desconfiar que Sanfur é colaboracionista. Ele terá de sujas as mãos de sangue para provar que não é. O clima de tensão predomina durante todo o filme, mostrando que viver por aquelas bandas não é nada fácil. É caminhar todos os dias na corda bamba. Quando o filme termina, com tantas demonstrações de ódio de um lado e de outro, você tem a sensação mais do que evidente de que a paz nunca chegará àquela região. Sempre será uma zona de conflito.