sexta-feira, 20 de outubro de 2023

 

“RASTOS DE SANGUE” (“DER SCHUTZENGEL”), 2022, Áustria, em cartaz no Prime Vídeo, 1h29m, roteiro e direção de Götz Spielmann (de “Revanchen”, filme indicado para disputar o Oscar 2009 de Melhor Filme Estrangeiro). Se você se surpreendeu com a palavras “Rastos”, ao invés de “Rastros”, saiba que ambos estão corretos. Trata-se de um filme policial que não faz muito jus ao gênero. O ritmo é morno, quase sem ação, suspense e nem mesmo reviravoltas, muito menos tiros e perseguições. O filme começa com o encontro de um cadáver de mulher boiando em um lago na zona rural não muito longe de Viena. O detetive Thomas Werner (Fritz Karl) assume o caso e inicia as investigações com a ajuda da polícia local. A vítima é identificada como Fanny Hofstatterr (Susi Stach), que trabalhava como empregada em um castelo da família Lanner, bastante conhecida na região. De início, parecia caso de afogamento, mas depois da autópsia chegou-se à conclusão de que foi assassinato. Na lista de suspeitos estão o próprio sobrinho da vítima, um fazendeiro em dificuldades financeiras, e um integrante da família Lanner, além de um policial novato que retorna ao vilarejo depois de 12 anos. Paralelamente a este caso, o detetive Thomas resolve investigar também o desaparecimento de uma jovem há mais de uma década. Completam o elenco Oliver Rosskopf, Michael Steinocher, Nicole Heesters e Henrietta Rauth. Não há muito mais a comentar sobre este filme, mas apenas afirmar que não há motivos suficientes para uma recomendação entusiasmada.       







quinta-feira, 19 de outubro de 2023

 

Da fonte inesgotável de histórias da Segunda Guerra Mundial chega mais uma: “A VOZ DA RESISTÊNCIA” (“BURNING AT BOTH ENDS”), 2022, Estados Unidos, 1h51m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Landon Johnson, que também assina o roteiro com Matthew Hill e Jonah M. Hirsch. Não se surpreenda se encontrar o mesmo filme com o título de “Sem Tempo a Perder” (“Resistance: 1942”). Não sei por que toda essa confusão, um verdadeiro samba do cinema doido. Vamos à história – que também não esclarecem se é baseada em fatos reais ou uma ficção, ou seja, mais um defeito. Em 1942, com a França ocupada pelos nazistas, um operador de rádio-amador transmite mensagens otimistas e motivacionais para a população de Paris. Tipo “Continuem lutando, Deus ajudará a nos libertar” etc. Os alemães não gostaram nada e acionaram a Gestapo para descobrir quem estava enviando as mensagens. O locutor é Jacques (Cary Elwes), que mora com a filha Juliet (Greer Grammer) e um casal de judeus, Agnes (Mira Furlan) e Bertrand (Judd Hirsch), escondidos em um sótão. O oficial alemão Klaus Jager (Sebastian Roché), chefe da Gestapo em Paris, resolveu investigar e chegar ao locutor misterioso que inflamava os franceses a lutar contra a ocupação nazista. Quando essa turma estava prestes a ser presa, entra na história Andre (Jason Patric), um milionário que, embora tenha ligações comerciais com os alemães, decide ajudar os fugitivos. Algumas cenas de suspense valorizam a história, como o jantar que Andre oferece a oficiais alemães e cuja comida e o serviço ficam a cargo dos seus protegidos. Na mesa, o papo é de estragar o apetite, com os oficiais alemães conversando sobre as experiências científicas com humanos para chegar à raça pura. De vomitar. Trocando em miúdos, o filme apresenta uma história interessante, que poderia render um filme mais emocionante e comovente. O resultado final, porém, é decepcionante.         

terça-feira, 17 de outubro de 2023

 

“O PRÓPRIO ENTERRO” (“THE BURIAL”), 2023, Estados Unidos, lançamento do Prime Vídeo, 2h06m, direção de Margaret Betts, que também assina o roteiro com Doug Wright. O filme relata os bastidores de um caso jurídico que ficou famoso nos Estados Unidos na década de 90. O empresário Jeremiah O’Keefe (Tommy Lee Jones), dono de 8 pequenas funerárias e uma empresa seguradora no estado do Mississippi, resolveu entrar na justiça contra um investidor bilionário. Prestes a entrar em falência, O’Keefe tenta vender parte de suas empresas ao poderoso empresário Ray Loewen (Bill Camp), que adia a concretização do negócio esperando conseguir um preço menor. Jogo sujo. Mas O’Keefe resolveu revidar. Contratou o advogado Willie Gary (Jamie Foxx), famoso por não perder um caso em 12 anos, e partiram para os tribunais. As empresas Loewen também contavam com uma excelente equipe de advogados, comandados por Mame Downes (Jurnee Smollett). Com todos esses ingredientes, a previsão é de que os embates no tribunal sejam acirrados e muito interessantes. E, de fato, são, contribuindo e valorizando ainda mais este ótimo drama de tribunal. Não espere muita seriedade, pois há muito humor acontecendo nos bastidores. Também estão no elenco Pamela Reede, Mamoudou Athie, Amanda Warren e Alan Ruck. Enfim, um filme delicioso de assistir. Recomendo.      

 

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

 

“DESEJO OBSESSIVO” (“OBSESSION”), 2023, coprodução Inglaterra/Irlanda do Norte, minissérie Netflix em 4 episódios, direção de Glenn Leyburn e Lisa Barros D’Sa. O roteiro foi adaptado por Morgan Lloyd Malcolm e Benji Walters do livro “Perdas e Danos” (“Damage”, no original), da escritora irlandesa Josephine Hart (1942-2011). Trata-se de uma história de traição e obsessão sexual, com várias cenas eróticas bem perto do explícito, mesmo exibido pela TV inglesa. Histórias de traição já foram exploradas em inúmeras produções cinematográficas, mas desta vez o caso foge da normalidade. O conceituado médico-cirurgião William Farrow (Richard Armitage) começa a trair a esposa Ingrid (Indira Varma) com a misteriosa Anna Barton (Charlie Murphy), muitos anos mais jovem. Até aí tudo normal, pois não é segredo que a maioria dos homens pensa com a cabeça de baixo. Só que tem um detalhe pra lá de escabroso: a garota é noiva de Jay (Rish Shah), filho do médico. Já dá pra imaginar que a coisa não vai terminar bem, não só pelo lado familiar, mas também profissional, já que o médico está prestes a ocupar o cargo de Secretário de Saúde do governo inglês. A situação só piora a partir da obsessão doentia do médico pela jovem. A história mereceria um roteiro mais caprichado, incluindo algum suspense. Infelizmente, o tratamento é morno, com pouca tensão e muito blá blá blá. De qualquer forma, se você for assistir, tire as crianças da sala.      

sábado, 14 de outubro de 2023

 

“A MILHÕES DE QUILÔMETROS” (“A MILLION MILES AWAY”), 2023, coprodução México/Estados Unidos, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Alejandra Márquez Abella (“Os Céus do Norte Sobre o Vazio”), seguindo roteiro assinado por Hernán Jiménez e Bettina Gilois. A história é baseada em fatos reais descritos no livro “Reaching for The Stars: The Inspiring Story of a Migrant Farmworker Turned Astronaut”, de José Hernández, o primeiro imigrante mexicano astronauta da NASA. A trajetória de Hernández é realmente incrível. Sua família imigrou para os Estados Unidos com o objetivo de trabalhar nas plantações de milho. Mesmo diante das dificuldades, o garoto José tinha como sonho um dia ser astronauta. Graças ao seu próprio esforço e inteligência, José cursou a faculdade de Engenharia e, desde então, enviava todos os anos pelo correio um formulário de inscrição para o programa espacial da NASA. Já casado e com cinco filhos, Hernández finalmente foi aceito, 12 anos depois da primeira inscrição, participando de um voo tripulado ao espaço. O filme conta com muitos momentos comoventes, como o reencontro de José com sua antiga professora e incentivadora miss Young, além do apoio de sua família mexicana e, principalmente, de sua esposa.  Outro destaque do filme são as cenas que mostram o difícil e exaustivo treinamento ao qual os astronautas são submetidos. Atuando como José Hernández está Michael Penã, ator que finalmente consegue ser o protagonista principal, depois de atuar em papéis secundários em inúmeros filmes de Hollywood, como “Homem-Formiga”, “Crash: No Limite” e “Trapaça”, entre tantos outros. Também estão no elenco Rosa Salazar, Julio Cesar Cedillo, Veronica Falcon, Sarayu Rad e Michelle Krusiec. O que vale mesmo é a história de perseverança e muitos sacrifícios de um homem simples que, vencendo inúmeros desafios, conseguiu realizar seu sonho.    

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

  

“ÂNGELA”, 2023, Brasil, lançamento do Prime Vídeo, direção de Hugo Prata (do ótimo “Elis: Viver é Melhor que Sonhar”), seguindo roteiro assinado por Duda de Almeida. O filme relembra um dos casos de feminicídio mais famosos do País. Em 1976, Raul Fernando do Amaral Street, mais conhecido como “Doca Street”, assassinou a tiros sua amante, a socialite mineira Ângela Diniz. O crime ocorreu na Praia dos Ossos, na região de Búzios, e chocou a sociedade e a opinião pública em geral. O filme relembra como Ângela conheceu Doca Street e a relação conflituosa entre os dois, principalmente por causa do ciúme doentio do amante. Ficou famosa a frase dita por Doca a Ângela antes de matá-la, conforme destacou o testemunho da empregada da casa. Doca teria dito “Se você não vai ser minha, não será de mais ninguém”. Presença frequente nas colunas sociais e festeira assumida, Ângela era conhecida como “A Pantera de Minas”, como o colunista Ibrahim Sued a chamava. Aliás, Ibrahim foi um dos (muitos) namorados de Ângela, que foi casada com um rico empresário, com o qual teve três filhos e cuja guarda, depois da separação, ficou com o pai, em troca de uma rica pensão dada a Ângela, interpretada no filme por Isis Valverde. O papel de Doca Street ficou com Gabriel Braga Nunes. Também estão no elenco Bianca Bin, Chris Couto, Alice Carvalho, Gustavo Machado e Emílio Orciollo Netto. Fora a ótima atuação de Isis, pouco há o que se destacar no filme, que não se aprofundou, como deveria, na prisão e no julgamento de “Doca Street”, fatos que só foram mencionados em letreiros antes dos créditos finais. Enfim, fora a história, o filme nada acrescenta para justificar uma indicação entusiasmada. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

 

“UMA MULHER DE NEGÓCIOS” (“SOCCER MOM MADAM”), 2022, Estados Unidos, 1h27m, direção de Kevin G. Fair, seguindo roteiro de Barbara Marshall. A história é baseada em fatos reais ocorridos na primeira década deste século. A personagem principal é Anna (Jana Kramer), uma viúva com dois filhos para criar e pouco dinheiro para sustentar a família. O jeito foi pedir ajuda à sua prima Letty (Leah Gibson), proprietária de uma casa de massagens. Anna concorda em assumir o cargo de recepcionista, o que inclui fazer faxina nos quartos. Ambiciosa e disposta a vencer na vida, Anna tem a ideia de criar um serviço de prostituição de luxo, atendendo somente clientes de alto poder aquisitivo, incluindo políticos e empresários. Ela recruta uma equipe de moças belíssimas e, em pouco tempo, fica milionária. Para disfarçar o negócio e “lavar” seus lucros, Anna monta um salão de beleza. Tudo vai bem, mesmo que durante o caminho Anna é obrigada a enfrentar os concorrentes e desafetos, na verdade mulheres invejosas que até pouco tempo eram suas colaboradoras. Mesmo avisada de que seu negócio corria riscos de ser denunciado, Anna continuou investindo ainda mais, o que acabou chamando a atenção do FBI. O final, não conto. As atrizes do elenco são muito bonitas, começando por Jana Kramer e Leah Gibson. Outro destaque é Samantha Di Francesco, mais uma beldade do elenco, que conta ainda com Morgan Holmstrom, Matty Finochio, Taylor Dianne Robinson, Toby Levins e Tanya Jade. O filme apresenta uma boa história e, apesar do contexto, não conta com cenas vulgares. Enfim, não ofende nossa inteligência.  

domingo, 8 de outubro de 2023

 

“JOGO JUSTO” (“FAIR PLAY”), 2023, Estados Unidos, 1h53m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Chloé Domont. Suspense psicológico cuja história envolve um casal de namorados que trabalha em um grande escritório que atua na área financeira de fundos de investimentos. Emily Meyers (Phoebe Dynevor, da série "Bridgerton") e Luke Edmunds (Alden Ehrenreich) são analistas e mantêm seu namoro em segredo, pois a empresa não permite que haja relacionamentos amorosos entre funcionários. Tudo caminha na normalidade até que abre uma vaga de gestor, para a qual todo mundo do escritório acreditava que o preferido seria Luke. Puro engano. O dono da empresa (Eddie Marsan) promove Emily. Aparentemente, Luke aceita a situação, mas aos poucos o relacionamento entra em crise. A situação encontrada para o desfecho não é das melhores, comprovando que o filme tem começo e meio, mas não um fim satisfatório para o espectador. Também estão no elenco Rich Sommer, Sebastian de Souza, Sia Alipour e Brandon Bassir. Assim definiu o filme o crítico de cinema do Chicago Sun Times: “Um thriller psicossexual intenso e sórdido no mundo das altas finanças”. Eu acrescentaria que se trata da história de um romance alimentado de paixão e ódio. Trocando em miúdos, “Jogo Justo”, que teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance (EUA), pode ser visto como um bom suspense.     

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

 

“CAMALEÕES” (“REPTILE”), 2023, Estados Unidos, 2h16m, produção original e distribuição Netflix, estreia na direção de Grant Singer (mais conhecido como diretor de vídeos musicais), seguindo roteiro assinado por Benjamin Brewer e Benicio Del Toro (ator do filme). Suspense policial de muito mistério e repleto de reviravoltas. Prende a atenção do espectador até o final, o que já é um mérito. O filme começa com o assassinato de uma jovem corretora de imóveis, cujo namorado Will Grady (Justin Timberlake) é dono da imobiliária. Tom Nichols (Benicio Del Toro), um detetive veterano e durão, fica encarregado de investigar o caso. A lista de suspeitos é grande, a começar do próprio namorado da vítima, além de um viciado em drogas (Michael Pitt) e o ex-marido da vítima, um sujeito também envolvido com o tráfico de drogas. Uma surpreendente reviravolta está reservada para o final. Destaque especial para a participação da atriz (ex-patricinha) Alicia Silverstone, ainda em forma apesar da idade, e da veterana Frances Fisher, atriz de clássicos como “Titanic” e “Os Imperdoáveis", entre outros. “Camaleões” estreou com boas criticas no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Realmente, trata-se de um bom suspense. Recomendo.        

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

 

“UM DIÁRIO PARA JORDAN: MEMÓRIAS DE AMOR E PERDA” (“A JOURNAL FOR JORDAN”), 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Denzel Washington, seguindo roteiro assinado por Virgil Williams. A história é baseada em fatos reais, descritos no diário do primeiro sargento Charles Monroe King e no livro de memórias de sua viúva Dana Canedy. Trata-se de um drama comovente centrado no romance de Dana Canedy (Chanté Adams), editora sênior do jornal New York Times, e de Charles Monroe King (Michael B. Jordan), primeiro sargento do exército dos EUA. Eles se conheceram no final da década de 90 e tiveram um filho, Jordan (Jalon Christian, adolescente). Quando Jordan ainda era um bebê, em 2001, aconteceu o atentado contra as torres gêmeas e logo depois a guerra contra o Iraque, para o qual Charles foi enviado no comando de um pelotão. No intervalo de suas missões, ele começou a escrever um diário para o filho, com conselhos de como se tornar uma pessoa decente, digna e honesta, além de valorizar sempre a família. Completam o elenco Tamara Tunie, Marchánt Davis, Jasmine Batchelor, Robert Wisdom, Susan Pourfar, Joey Brooks e Vanessa Aspillaga. Este é o quarto filme dirigido pelo astro Denzel Washington – os outros foram “Voltando a Viver”, de 2002, “O Grande Desafio”, de 2007, e “Um Limite Entre Nós”, de 2016. Trocado em miúdos, “Um Diário para Jordan” é um drama sensível e comovente que merece ser visto.   

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

 

“ALGUÉM AVISA?” (“HAPPIEST SEASON”), 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Clea DuVall, que também assina o roteiro com a colaboração de Mary Holland (atriz do filme). Sabe aqueles filmes de Natal com histórias bem água com açúcar, luzinhas nas casas, corais natalinos, gente fazendo compras, Papai Noel dizendo OH, OH, OH e famílias se confraternizando? Na comédia romântica “Alguém Avisa?”, embora ambientada nos festejos natalinos, o Natal fica em segundo plano, pois o centro da história é um casal de jovens lésbicas, Abby (Kristen Stewart) e Harper (Mackenzie Davis), que vivem juntas há um ano. Como Abby não tem família, Harper a convida para passar o Natal junto com sua família, prometendo anunciar o seu relacionamento, até então escondido dos pais e das duas irmãs. A situação começa a se complicar a partir do momento em que o pai de Harper anuncia que está em plena campanha para prefeito e nenhum fato novo deve ocorrer para prejudicar a imagem de sua família. Diante disso, Harper decide que não é hora de sair do armário, o que provoca desgaste no romance com Abby. Mas não é só isso. O ambiente familiar também está tumultuado por conta das irmãs complicadas de Harper, Sloane (Alison Brie) e Jane (Mary Holland, que também é autora do roteiro). O bom humor está em quase todas as cenas, algumas hilariantes. Kristen Stewart, atriz que surgiu na série “Crepúsculo”, adapta-se perfeitamente ao papel, já que na vida real assumiu seu homossexualismo, sendo até casada. Não sei a preferência sexual da canadense Mackenzie Davis, mas ela e Kristen mostram uma química perfeita. O elenco também conta com Mary Steenburgen, como a mãe de Harper, Aubrey Plaza, como uma antiga namorada de Harper, e Daniel Levy, como o amigo homossexual de Abby. Este foi o segundo filme escrito e dirigido pela atriz Clea Duvall – o primeiro foi “Intervenção”, de 2016. Resumo da ópera, “Alguém Avisa?” é um ótimo entretenimento, leve e divertido.

domingo, 1 de outubro de 2023

 

“AMOR ESQUECIDO” (“ZNACHOR”), 2023, Polônia, 2h20m, produção original e distribuição Netflix, direção de Michal Gazda e roteiro assinado por Marcin Baczynski e Mariusz Kuczewski. O filme é um remake de título homônimo realizado também pelo cinema polonês em 1982, cuja história é baseada no romance “Znachor”, best seller escrito em 1937 por Tadeusz Dolega-Mostowicz. Trata-se de um drama beirando o dramalhão. O conceituado cirurgião Rafal Wilczur (Leszek Lichota) é abandonado pela mulher, que levou junto a filha de 4 anos, à qual ele era muito ligado. Ela foi morar com o amante em uma casa na zona rural. Desesperado, Rafal sai à procura das duas e à noite, numa viela, acaba sendo espancado por dois assaltantes. O médico perde a memória e some do mapa. Seu corpo nunca foi achado. A história dá um salto de 15 anos, chegando a um vilarejo do interior. Lá vive a filha do médico, Marysia (Maria Kowalska, em sua estreia como atriz), agora moça e linda. Ela trabalha como atendente em um bar de estrada decadente e frequentado pelos bêbados do lugar. O conde Leszek Czynski (Ignacy Liss) vai pela primeira vez ao bar e se apaixona por Marysia. Enquanto isso, por uma daquelas coincidências da vida literária, aparece no vilarejo um tal de Antoni Kostra, o médico que perdeu a memória. Ao salvar a vida de um garoto e curar o ombro de um idoso, ele começa a ficar famoso como curandeiro. Ninguém imagina que ele é um médico renomado. Por causa do furto de uma maleta com instrumentos médicos, Antoni é preso. Durante o julgamento, inúmeras testemunhas aparecem para confirmar as suas curas. De qualquer forma, fica a expectativa se a filha o reconhecerá e qual será o destino dos dois. Tudo isso será esclarecido no final. Trocando em miúdos, “Amor Esquecido” é mais um bom drama do cinema polonês, elaborado com muita competência. Recomendo.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

 

“O ACUSADO” (“ACCUSED”), 2023, Inglaterra, 1h28m, lançamento da Netflix, com direção de Philip Barantini, seguindo roteiro assinado por Barnaby Boulton e James Cummings. O jovem Harri Bhavsar (Chaneil Kular, de “Sex Education”), filho de imigrantes paquistaneses radicados em Londres, está prestes a viver momentos terríveis e de alta tensão. No caminho da casa dos pais, ele pega o metrô da capital inglesa e, perto do seu ponto de destino, fica sabendo que um atentado terrorista havia ocorrido na estação onde entrou no trem. Várias pessoas morreram e logo a notícia se espalha pelo noticiário das emissoras de TV e pelas redes sociais. Já na casa dos pais, que viajaram no dia seguinte em férias, Harri descobre que é o principal suspeito do atentado, conforme filmagens feitas pelas câmeras do metrô. Nas redes sociais, os ingleses prometem vingança e farão de tudo para encontrar Harri antes da polícia. Harri fica totalmente descontrolado, não sabe o que fazer. Ele até liga para a polícia dizendo-se inocente, mas sua ligação não é levada a sério. Até que dois sujeitos encontram o endereço e vão atrás dele. A primeira vítima é Flinn, o cachorro da família. E por aí vai o suspense, com momentos realmente de alta tensão, até o surpreendente desfecho. Completam o elenco Nila Aalia, Nitin Ganatra, Frances Tomelty, Lauryn Ajofo, Jay Johnson, Robbie O’Neil e Kimberley Marren. “O Acusado” prende a atenção, levando o espectador a desejar chegar até o final para ver o que vai acontecer. Não é nenhuma Brastemp, mas fica longe de uma geladeira de isopor.                  

 

Embora o título seja propício para definir o atual clima aqui no Brasil, “ONDA DE CALOR” (“HEATWAVE”), 2022, é um suspense policial norte-americano, 1h40m, um dos mais recentes lançamentos da Netflix, com direção de Ernie Barbarash e roteiro assinado por Chris Sivertson. Com pitadas de erotismo lésbico, nada do chocante e muito menos explícito - mas as atrizes são lindas -, a história é centrada em Claire Valens (Kat Graham, atriz nascida na Suíça), que trabalha em um grande escritório imobiliário. Com seu talento profissional, ela logo se transforma no “braço direito” do chefe, o empresário Scott Crane (Sebastian Roché). Solteirona disponível, Claire conhece Eve (Merritt Patterson), com a qual começa um relacionamento amoroso. Mal sabe Claire que Eve é a esposa do seu chefe e, quando descobre, a situação se complica. Não demora muito e Scott Crane é encontrado morto. Os detetives Parker (Roger Cross) e Arlo Leonard (Cardi Wong) iniciam as investigações e logo vários suspeitos viram alvo da polícia, entre os quais Claire e a esposa do falecido, além de alguns funcionários do escritório. O mistério só será revelado no desfecho, com uma surpreendente reviravolta. Também estão no elenco Jacqueline Breakweel, Alicia Hannah, Kayla Wallace e Aren Buchholz. A história até que prende a atenção, mas o filme está longe de merecer uma indicação entusiasmada.                

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

 

“BELA VINGANÇA” (“PROMISING YOUNG WOMEN”), 2020, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Emerald Fennell. Este suspense foi indicado em cinco categorias ao Oscar 2021 (veja no final deste comentário), vencendo o de Melhor Roteiro Original, justiça feita à atriz inglesa Emerald Fennel em seu filme de estreia no roteiro e direção. A história é centrada em Cassandra (Carey Mulligan), que abandonou a faculdade de medicina e agora é atendente em uma pequena cafeteria. À noite, ela sai pelos bares da cidade fingindo-se de bêbada para atrair as atenções dos homens que querem se aproveitar do seu estado e levá-la para a cama. Ela se vinga dos mal intencionados, mudando o comportamento a ponto de ser comparada com uma psicopata. Aos poucos, o espectador percebe que sua intenção é uma vingança declarada ao que fizeram com sua amiga Nina Fisher há 7 anos. Sua vingança será ainda mais maligna quando ela consegue identificar os responsáveis diretos pela tragédia ocorrida com Nina, incluindo a reitora da faculdade, um advogado e estudantes de medicina, incluindo o seu namorado. A cereja do bolo, ou seja, a bela vingança propriamente dita, está reservada para o desfecho, valorizando ainda mais a ótima história. Além da atriz inglesa Carey Mulligan, completam o ótimo elenco Alfred Molina, Laverone Cox, Alison Brie, Chris Lowell, Bo Burnham, Clancy Crow, Molly Shannon, Adam Brody, Jennifer Coolidge, Lorna Scott e Christopher Mintz-Plasse. “Bela Vingança” foi indicado ao Oscar 2021 nas categorias Melhor Roteiro Original – foi o vencedor -, Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan, premiada com o Globo de Ouro), Melhor Direção e Melhor Edição. A deliciosa trilha sonora também merecia pelo menos uma indicação. Enfim, "Bela Vingança" é um ótimo entretenimento.               

domingo, 24 de setembro de 2023

 

“O CONDE” (“EL CONDE”), 2023, Chile, 1h50m, lançamento da Netflix, direção de Pablo Larraín, que também assina o roteiro juntamente com Guillermo Calderón. Trata-se de uma fábula macabra, satírica, fantasiosa e bem-humorada centrada no personagem do ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1915-2006), agora como vampiro, interpretado por Jaime Vadell. O filme começa narrando a trajetória “vampiresca” de Pinochet, iniciada na França durante o período da Revolução Francesa, no século 18, até chegar ao Chile, quando derrubou Salvador Allende e em seguida governou como ditador até 1990. Pinochet agora mora num casarão isolado na Patagônia, com a esposa Lucía (Gloria Münchmeyer) e o também vampiro e fiel mordomo Fyodor Krassnoff (Alfredo Castro). Depois de 250 anos voando por aí, matando gente para beber o sangue, Pinochet confessa que está cansado e decide que quer morrer. Sabedores da intenção do pai, seus cinco filhos vão visitá-lo em seu refúgio, ávidos para se aproveitar de uma suposta herança milionária. Em meio à confusão familiar que se instala no casarão, surge no cenário a jovem Carmencita (Paula Luchsinger), que se apresenta como contadora, mas na verdade é uma freira designada para assassinar Pinochet. O roteiro do filme também conta com um forte componente político, principalmente nas reflexões sobre o seu período como ditador, com direito a uma inusitada e surpreendente visita da dama de ferro inglesa Margaret Tatcher (Stella Gonet), agradecida pelo fato de Pinochet ter ajudado a Inglaterra durante a Guerra das Malvinas. Além da ótima história, “o Conde” apresenta uma estética que remonta aos grandes clássicos do terror, como fotografia em preto e branco, mansão gótica e cenários enfumaçados. Além disso, é falado em espanhol, inglês e francês. Também estão no elenco Antonia Zeggers, Diego Muñoz, Catalina Guerra e Amparo Noguera. A estreia mundial de “O Conde” aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2023, quando foi indicado para premiações em diversas categorias, conquistando o “Leão de Ouro” de Melhor Roteiro. Muito pouco para um grande filme, tanto que acredito que será indicado como representante do Chile para disputar o Oscar 2024 como Melhor Filme Internacional. Termino o comentário afirmando que “O Conde” é a cereja do bolo da Netflix, com certeza seu melhor lançamento de 2023 e, sem dúvida, mais um gol de placa do diretor chileno Pablo Larraín, que possui no currículo excelentes filmes como "No" (indicado para o Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro), "O Clube" (vencedor do Globo de Ouro), "Neruda", "Spencer" e "Jackie", entre outros, todos comentados aqui no blog. Trocando em miúdos, "O Conde" é IMPERDÍVEL, assim mesmo com letras maiúsculas.                

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

 

“CAÇA MORTAL” (“THE SILENCING”), 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h33m, em cartaz na Netflix, primeiro filme dirigido pelo cineasta belga Robin Pront nos Estados Unidos, com roteiro de Micah Ranum. Trata-se de um suspense policial centrado na investigação dos assassinatos de garotas adolescentes em uma região montanhosa dos Estados Unidos ou do Canadá – um absurdo o filme não dar referências sobre o local. O tal serial killer sequestra as moças e desaparece com elas. A história começa quando uma das garotas aparece morta dentro de um rio. Quem comanda as investigações é a xerife Alice Gustafson (Annabelle Wallis). O primeiro suspeito que aparece é justamente o irmão da policial, um jovem problemático chamado Brooks (Hero Fiennes Tiffin). Outro que aparece no cenário é Rayburn Swanson (Nikolaj Coster-Waldau), um ex-caçador responsável por uma área de proteção florestal cuja filha de 14 anos desapareceu há 5 anos. É ele quem vê pela primeira vez, através de câmeras instaladas na floresta, o assassino agir, utilizando uma camuflagem cheia de plantas, um disfarce bem ridículo que lembra o Rambo. Seu modus operandi é inusitado: uma arma especial que atira flechas. Nem a reviravolta perto do desfecho salva esse filme, repleto de situações mal explicadas e uma história pra lá de mirabolante. O ator dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, de “Game of Thrones, é o único que se salva em meio ao elenco um tanto medíocre. Também do lado negativo destaco a fraca atuação da atriz inglesa Annabelle Wallis, que é bonita e frágil demais para uma policial que precisa ser durona no meio de tantos machos valentes. Trocando em miúdos, “Caça Mortal” não é motivo para uma recomendação entusiasmada.               

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

 

“DEPOIS DA CABANA” (“LIEBES KIND”), 2023, Alemanha, minissérie em 6 episódios, produção original da Netflix (estreou no dia 7 de setembro), direção de Jeanette Wagner e Julian Pörksen, seguindo roteiro assinado por Isabel Kleefeld e Kim Riedle. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é baseada no best-seller da escritora alemã Romy Hausmann. Depois que uma mulher é atropelada à noite em uma pequena estrada, a polícia quer identificar o atropelador, que não socorreu a vítima, mas teve a decência de solicitar socorro médico. Quando a ambulância chega ao local do acidente, ao lado da vítima está uma menina de 12 anos, identificada mais tarde como Hannah (Naila Schuberth), que seria filha da moça atropelada. Essa ocorrência levou a polícia a acreditar que pode haver uma relação com o desaparecimento misterioso, há 13 anos, de uma moça chamada Lena Beck. A detetive Aida Kurt (Haley Louise Joses) e o agente especial Gerd Bühling (Hans Löw) iniciam as investigações, chegando à conclusão de que um homem estaria sequestrando mulheres, trancando-as com duas crianças em uma casa no meio de um quartel militar abandonado. O cativeiro é descoberto, mas o mistério continuará sem solução até o desfecho. A história realmente prende a atenção, pois apresenta revelações surpreendentes e algumas reviravoltas, resultando numa trama bastante envolvente. Não perca!             

domingo, 17 de setembro de 2023

 

“O REI DAS FUGAS” (“NAJMRO: KOCHA, KREADNIE, SZANUJE”), 2022, Polônia, 1h40m, em cartaz na Netflix, direção de Mateusz Rakowicz (“A Mãe do Ano”, comentado recentemente neste blog), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Wieckiewicz. Cinebiografia baseada na história do criminoso polonês Zdzislaw Najmrodzki (1954/1995), que nas décadas de 70 e 80 se notabilizou não apenas pelos seus golpes audaciosos, mas, principalmente, por suas fugas “cinematográficas”. No total, foram 29, incluindo uma pela janela de um tribunal, de um trem, de delegacias e penitenciárias. O filme, ambientado um pouco antes do fim do comunismo e da queda do muro de Berlim, mostra alguns golpes praticados por Zdzislaw (Dawid Ogrodnik) e sua gangue, da qual fazia parte a própria mãe Mira (Dorota Kolok). O investigador-chefe Barski (Robert Wieckiewicz), com seu assistente trapalhão Ujma (Rafal Zawierugha), prendeu o lendário bandido várias vezes. Prendê-lo virou uma obsessão para a dupla de policiais. O roteiro utilizou um tom bem-humorado, perto de uma comédia, para apresentar a trajetória do famoso fujão. O filme é bastante movimentado, divertido e fácil de digerir, tornando-se um ótimo entretenimento. Não perca!         

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

 

“O SEQUESTRO” (“TAKE BACK”), 2022, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Christian Sesma, seguindo roteiro assinado por Zach Zerries. Zara (Gillian Iliana Waters) vive uma rotina de muito trabalho como advogada e treinos de luta com o técnico e seu marido Brian (Michael Jai White). Tudo vira de cabeça pra baixo, porém, quando ela, especialista em artes marciais, desarma e derruba um homem que ameaçava matar a namorada em uma cafeteria. A ação é filmada e o vídeo começa a aparecer nas redes sociais. Zara vira uma celebridade, o que chama a atenção de um antigo desafeto, o asqueroso Patrick (o ainda mais desfigurado e intragável Mickey Rourke), chefão de uma quadrilha que sequestra meninas para serem vendidas para gangues do tráfico sexual. Zara tenta de todas as maneiras esconder o seu passado de vítima do mesmo Patrick, que agora quer se vingar do que ela lhe causou. Essa vingança chegou até a enteada de Zara, a adolescente Audrey (Priscilla Walker), sequestrada pela gangue de Patrick. Até o desfecho, Zara terá que se livrar de alguns capangas de Patrick e ainda tentar negociar a libertação de Audrey. Completam o elenco Paul Sloan, James Russo, Jessica Uberuaga, Chris Browning, Nick Vallelonga, Jay Giannone, Victoriya Dov e Jay Montalvo. Com exceção de algumas cenas de luta muito bem coreografadas e pitadas de suspense, o filme não traz atrativos que motivem uma recomendação entusiasmada. Como curiosidade, a atriz Gillian Waters é casada na vida real, desde 2015, com o ator Michael Jai White, seu marido no filme.     

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

 





“BRINCANDO DE DEUS” (“PLAYING GOD”), 2021, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem e talentoso cineasta Scott Brignac. Como cinéfilo amador, muitas vezes resolvo arriscar e assistir a um filme sem muitas referências. De vez em quando faço uma descoberta interessante e agradável. Foi o que aconteceu quando vi “Brincando de Deus”, um drama com pitadas de humor que me agradou bastante. Resumindo, o filme começa apresentando dois jovens irmãos gêmeos vigaristas, Rachel (Hannah Kasulka) e Micah (Luke Benward). Órfãos desde crianças, eles cresceram praticando pequenos furtos e depois partiram para golpes mais lucrativos. Chega o dia, porém, que os irmãos picaretas recebem a visita, não muito gentil, de um poderoso mafioso – ou será agiota? -, um tal de Vaughn (Marc Menchaca), a quem Micah deve uma grana preta. Caso contrário, a situação também poderá ficar preta para os irmãos. A luz no fim do túnel é o bilionário Ben (Alan Tudyk), que vive um período de luto por causa da morte da filha e fica obcecado em cobrar Deus pela tragédia. Ao ingressar em uma igreja e promover um escândalo, Ben acaba no noticiário, o que chama a atenção dos irmãos. Com a colaboração de um velho amigo, Frank (Michael McKean), Rachel e Micah resolvem dar um golpe no fragilizado bilionário. Golpe muito sujo aliás, pois, entre as muitas enganações, inventam um Deus de carne e osso para conversar com Ben. Aí a confusão está formada, prendendo a atenção do espectador até o final. Hannah Kasulka, além de bonita, é ótima atriz, assim como seu colega de cena Luke Benward, por sinal uma cópia do ator Jim Carrey quando moço. Garanto, o filme é muito interessante, inteligente e delicioso de assistir. Não perca!   

domingo, 10 de setembro de 2023

 

“UM DIA E MEIO” (“EN DAG OCH EN HALV”), 2023, Suécia, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta e ator libanês naturalizado sueco Fares Fares, que também assina o roteiro com a colaboração de Peter Smirnakos. O filme começa com um homem armado entrando em um centro médico e fazendo reféns funcionários e pacientes. A situação chegou ao conhecimento da Força-Tarefa Nacional, que enviou ao local uma equipe sob o comando do oficial Lukas (Fares Fares). Como o negociador oficial da polícia estava trabalhando em outra ocorrência, coube ao próprio Lukas conversar com homem, que logo veremos tratar-se de Artan (Alexej Manvelov), cuja ex-esposa, Louise (Alma Pöysti), é funcionária do centro médico. Artan quer recuperar a guarda da filha Cassandra, ainda um bebê. Artan exige ver a filha, agora aos cuidados dos pais de Louise em um pequeno sítio na zona rural. O policial Lukas solicita um carro para levar Artan e Louise até o sítio. Começa então um road movie, sendo que o carro dirigido por Lukas é o primeiro de um comboio formado por várias viaturas policiais. O suspense aumenta cada vez por causa do revólver sempre apontado para a cabeça de sua ex-mulher e pela expectativa do que irá acontecer quando Artan chegar ao local onde está a filha. “Um Dia e Meio” é um bom suspense, prende a atenção até o desfecho. Segundo os materiais de divulgação, a história é baseada em fatos reais, mas nem tudo. Segundo o próprio diretor, a única cena baseada em fatos reais foi aquela em que Artan invade o centro médico armado com um revólver para exigir a guarda da filha. O restante é fruto da imaginação de Fares Fares e do seu colaborador roteirista. Trocando em miúdos, é um bom suspense que merece ser conferido.