sexta-feira, 28 de julho de 2023

 

“QUANDO HITLER ROUBOU O COELHO COR-DE-ROSA” (“ALS HITLER DAS ROSA KANICHEN STAHL”), 2020, coprodução Alemanha/Suíça, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta alemã Caroline Link. Não se espante com o título, na verdade o mesmo do livro de memórias escrito por Judith Keer (1923-2019), lançado em 1971 e que se transformou num clássico da literatura juvenil alemã. Em 1933, Judith tinha 10 anos quando o partido de Hitler ganhou as eleições e começou com as perseguições, incluindo a sua própria família. No filme, ela foi renomeada Anna Kemper (Riva Krymalowski), pertencente a uma família judia cujo pai Arthur (Oliver Masucci) era jornalista e crítico teatral em Berlim. Em suas críticas publicadas nos jornais, Arthur costumava alertar sobre o perigo do nazismo. Ameaçado de prisão, foi obrigado a fugir com a família, sua esposa Dorothea (Carla Juri), Max (Marinus Hohmann) e, claro, Anna. Moraram na Suíça, depois Paris e finalmente Londres. Em todos esses lugares, Arthur dificilmente arrumava trabalho e a família sempre suportou a barreira das línguas e preconceito racial, sem contar as fases em que não tinham dinheiro nem para a comida. Mesmo diante desse contexto, o filme consegue ser sensível, comovente e até bem-humorado, graças, principalmente, à personagem da menina Anna. O filme não chega a ser alegre, mas consegue entreter sem partir para o drama pesado. Recomendo.

 

“OPERAÇÃO HUNT” (“HEON-TEU”), 2022, Coreia do Sul, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Lee Jung-Jae, que também assina o roteiro com a colaboração de Jo Jeung-Hee. Mais um excelente exemplar do cinema sul-coreano, que nos últimos anos tem se destacado cada vez mais no cenário mundial. Desta vez, trata-se de um filme político de espionagem baseado em fatos reais ocorridos no final dos anos 70 do século passado. O filme começa com uma tentativa de assassinato do presidente Park Chung-Hee, da Coreia do Sul, durante visita oficial aos Estados Unidos. Houve a desconfiança de que um agente da Coreia do Norte teria se infiltrado nos serviços de segurança da Coreia do Sul e estava vazando informações. Park Pyong-Ho (Lee Jung-Jae) e Kim Jeong-Do (Jung Woo-Sung), ambos funcionários do alto escalão da Agência Central de Inteligência sul-coreana (HCIA), foram encarregados de investigar, identificar e prender o espião. Também havia muita gente interessada em prejudicar a reunificação das duas Coreias, um dos objetivos diplomáticos que havia na época. Só que até chegar perto da verdade, e a quem interessa a conspiração, muita água vai rolar, incluindo assassinatos, torturas físicas, tiroteios, explosões e reviravoltas, enfim, muita ação do começo ao fim. Verdade que o telespectador, como eu tive, terá alguma dificuldade em identificar quem é quem e, principalmente, o que está acontecendo. Ou seja, o roteiro poderia ser mais fácil, mas esse aspecto não prejudica o resultado final, que é muito bom. As cenas de ação, principalmente, são excelentes. Méritos totais ao roteirista, diretor e ator Lee Jung-Jae (da série “Round 6”). Exibido fora de competição no Festival de Cannes 2022, “Operação Hunt” foi muito elogiado pela crítica especializada, comprovando que o cinema sul-coreano está cada vez melhor. Resumo da ópera: trata-se de um thriller de espionagem da melhor qualidade.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

 

“A BALEIA” (“THE WHALE”), 2022, Estados Unidos, 1h57m, disponível para alugar no Prime Vídeo, direção de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”), seguindo roteiro assinado por Samuel D. Hunter. O filme é uma adaptação para o cinema da peça de teatro “The Whale”, escrita pelo próprio roteirista. Trata-se de um drama psicológico cujo personagem central é o professor Charlie (Brendan Fraser), um gordo mórbido de quase 300 quilos que vive recluso e dá suas aulas de inglês on-line (por vergonha de seu corpo, ele mantém a webcam desligada). Aos poucos a gente acaba conhecendo sua história, a separação da mulher e da filha e o suicídio do amante, situações que o levaram a sofrer de transtorno de compulsão alimentar. Durante as visitas constantes da filha Ellie (Sadie Sink), da ex-mulher Mary (Samantha Morton), da vizinha e enfermeira Liz (Hong Chau) e de Thomas (Ty Simpkins), catequista de uma igreja evangélica, o roteiro constrói diálogos fortes, inteligentes e sarcásticos, durante os quais Charlie mostra arrependimento com relação às suas ações e sua vontade de reconstruir o passado. Tarefa difícil, já que os visitantes demonstram pouca paciência com o estado de saúde e a figura grotesca – para não dizer nojenta - que Charlie se transformou. Acompanhamos o cotidiano de uma pessoa cujo tempo de vida é cada vez menor. Charlie tem consciência disso, mas continua comendo suas três pizzas diárias, fora as barras de chocolate etc. e tal... A história é muito triste, pois apresenta um ser humano sem qualquer perspectiva, nenhuma alegria e completamente entregue a uma doença que logo o levará à morte. Pior: ele tem plena consciência disso. Esse aspecto me levou a recordar os vários episódios que assisti de “Quilos Mortais”, com o Dr. Younan Nowzaradam, o doutor “Now”. Indicado a três categorias do Oscar 2023, “A Baleia” venceu duas: Melhor Ator (Brendan Fraser) e Melhor Maquiagem (só para se ter uma ideia, Fraser utilizou 130 quilos de próteses durante as filmagens). Não sei se gostei ou não do filme. A única certeza é a de que o personagem principal me sensibilizou bastante.  

domingo, 23 de julho de 2023

 

“KING RICHARD: CRIANDO CAMPEÃS” (“KING RICHARD”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na HBO Max Brasil, 2h25m, direção de Reinaldo Marcus Green, seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. O personagem principal da história é Richard Williams (Will Smith) e como ele conseguiu transformar duas de suas cinco filhas, Serena e Venus Williams, em duas maravilhosas tenistas, várias vezes campeãs dos torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledom e US Open). A história é fascinante, a começar pela obsessão doentia de Richard em transformar Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) em grandes estrelas do tênis mundial. Para tanto, quando elas eram pequenas, Richard estabeleceu um plano de 78 páginas instituindo métodos próprios e nada convencionais, seguindo-o à risca até elas ficarem famosas. Um dos pontos mais controvertidos era a proibição das duas disputarem torneios juvenis, ao contrário da maioria das outras grandes tenistas. Teimoso ao extremo, Richard chegava a contrariar as orientações dos técnicos que contratava, além de não aceitar patrocínios milionários. Enfim, uma história e tanto, valorizada por um roteiro primoroso e pela atuação espetacular de Will Smith. O filme foi indicado a seis categorias do Oscar 2022 (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Edição, Roteiro Original e Canção Original). Will Smith ganhou a estatueta de Melhor Ator, que quase perde depois de dar aquela famosa bofetada no humorista Chris Rock durante a solenidade de premiação. Também estão no elenco Tony Goldwyn, Jon Bernthal, Dilan McDermott, Liev Schreiber, Susie Abromeit, Judith Chapman e Aunjanue Ellis. Filme obrigatório para quem gosta de tênis e excelente para quem curte histórias de coragem e superação. Filmaço!

quinta-feira, 20 de julho de 2023

 

“JUDAS E O MESSIAS NEGRO” (“JUDAS AND THE BLACK MESSIAH”), 2021, Estados Unidos, 2h06m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Shaka King, que também assina o roteiro com Will Berson. Embora tenha recebido cinco indicações ao Oscar (leia no final do comentário) e conquistado uma estatueta (Melhor Ator Coadjuvante), o filme não teve a divulgação que merecia, decepcionando nas bilheterias. É um grande filme, um dos melhores a tratar das manifestações pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Em 1969, logo após a morte de Martin Luther King, surgia um novo líder: Fred Hampton (o ator inglês Daniel Kaluuya, de “Corra”). Com apenas 21 anos, Fred já era presidente dos Panteras Negras e seus discursos atraiam milhares de pessoas nas principais cidades dos EUA. Fred era radical. Não só defendia os direitos civis dos negros, mas também a luta armada, principalmente contra os policiais e os capitalistas. Ele era comunista convicto, admirador de Mao, Stalin e Che Guevara. A ascensão de Fred começou a preocupar o FBI. O agente Roy Mitchell (Jesse Plemons) recrutou Bill O’Neal (Lakeith Stanfield), um ladrão de carros, para se infiltrar nos Panteras Negras e vigiar Fred Hampton. As informações fornecidas por Bill ajudaram o FBI a desbaratar a organização Panteras Negras, culminando com o assassinato de Fred. Trocando em miúdos, “Judas e o Messias Negro” é um grande filme, poderoso, tocante. Mereceu com justiça as 5 indicações ao Oscar (a Academia inovou ao criar duas indicações para Melhor Ator Coadjuvante - vencido por Daniel Kalluuya, mas Lakeith Sanfield também merecia – Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia. Merecia muito mais, pois é um filmaço! (Nos créditos finais, o filme mostra o informante Bill O'Neal dando uma entrevista nos anos 90). 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

 

“O ASSASSINO PERFEITO” (“THE ENFORCER”), 2023, Estados Unidos, 1h31m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta australiano, seguindo roteiro assinado W. Peter Iliff. Quando verificamos que atores consagrados começam a atuar em filmes de qualidade duvidosa, para não dizer medíocres, pode acreditar: eles estão na fase de decadência. Estava sendo assim com Bruce Willis e está sendo assim com Stallone, Nicolas Cage, Schwarzenegger, Al Pacino e De Niro, sem falar nas atrizes que não encontram mais um papel à sua altura. A vida também passa em Hollywood. Pensei nisso ao ver o ator espanhol Antonio Banderas atuar em “O Assassino Perfeito”, um filme B muito fraquinho. Banderas trabalha como assassino profissional e cobrador de “impostos” para a mafiosa Estelle (Kate Bosworth), que controla o crime em Miami. Cuda ganha um assistente, o lutador de rua Stray (Mojean Aria), um cara violento com um cérebro de ameba. Tudo muda de contexto quando Cuda conhece a adolescente Billie (Zolee Griggs), que vive nas ruas perigosas de Miami. Cuda a abriga em um hotel e paga por uns dias até ela arrumar o que fazer. Só que a moça é sequestrada por uma gangue que explora prostituição e pornografia e só mais tarde Cuda descobrirá que sua própria chefe mafiosa é a responsável pelo sequestro. Muita pancadaria, tiros e sangue jorrando, boas cenas de ação e pouco conteúdo. Recomendo, mas com restrições.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

 “O PACTO” (“PAGTEN”), 2021, Dinamarca, 1h55m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Bille August, seguindo roteiro assinado por Christian Torpe (não confundir com outro filme do mesmo nome também no Prime Vídeo, um norte-americano de ação). A história deste drama dinamarquês é baseada em fatos reais, ou seja, na relação entre a escritora Karen Blixen (Birthe Neumann) e o jovem escritor e poeta Thorkild Bjornvig (Simon Bennebjerg) nos anos 30 do século passado. Ao perceber que Bjornvig é um escritor promissor, Karen, já famosa como escritora, resolve ser a mentora do jovem, com o qual faz um pacto (daí o título): ele moraria com ela na casa de campo isolada em Rungsted, ao norte de Copenhague, e ela o ajudaria a se tornar um grande escritor. Aos poucos, porém, Bjornvig percebe que Karen é manipuladora, dominadora, frustrada e arrogante, a ponto de se meter na vida pessoal do seu pupilo, prejudicando até mesmo o seu casamento com a doce Grete (Nanna Skaarup Voss), com quem tem um filho. A escritora chega a arranjar uma amante para Bjornvig, a jovem Benedicte (Asta August, filha do diretor). Até o desfecho, o jovem escritor tentará se livrar da dominação imposta pela consagrada escritora – um de seus livros mais conhecidos é “A Fazenda Africana” (“Den Afrikanske Farm”), adaptado para o cinema em 1985 como “Entre Dois Amores”, com Meryl Streep. “O Pacto” é um belo drama dinamarquês, com diálogos saborosos e inteligentes, sem pedantismos ou erudição gratuita. Outro mérito é a primorosa recriação de época. Claro que o filme leva a marca do veterano cineasta Bille August, diretor de filmes como o premiadíssimo “Pelle, o Conquistador”, de 1988 (Palma de Ouro, Oscar e Globo de Ouro), além dos excelentes “Casa dos Espíritos”,

domingo, 16 de julho de 2023

“DESTEMIDA” (“TRUE SPIRIT”), 2023, Austrália/EUA, 1h49m, produção original Netflix, direção da cineasta australiana Sarah Spillane, que também assina o roteiro com a colaboração de Rebecca Banner e Cathy Randall. Trata-se de uma história real, o incrível feito da adolescente australiana Jessica Watson (Teagan Croft), de 16 anos, que se tornou a mais jovem velejadora a circum-navegar sozinha a Terra. De outubro de 2009 a maio de 2010, ou seja, em 210 dias, Jessica percorreu 22 mil milhas náuticas – pouco mais de 40 mil quilômetros – enfrentando tempestades, ondas gigantes e até mesmo depressão em função da solidão, mas ela venceu todos esses desafios com muita coragem e determinação. O filme conta tudo isso com base no livro escrito pela própria Jessica depois da aventura (“The Spirit: The Aussie Girl Who Took on the World”; traduzindo, “Espírito Verdadeiro: A Garota Australiana Que Encarou o Mundo”). Os detalhes das filmagens tiveram o aval da própria garota, que trabalhou como consultora da diretora Spillane. Dessa forma, acompanhamos a trajetória de Jéssica desde criança, quando aprendeu a velejar com os pais, participando de campeonatos e estudando a fundo a arte de velejar. Depois de ler o livro escrito pelo jovem velejador Jesse Martion, que com 17 anos circum-navegou a Terra, Jessica resolveu enfrentar o desafio. Para isso, contou com a ajuda do experiente velejador Ben Bryant (Cliff Curtis), que a orientou e treinou durante vários anos, durante os quais Jessica fez cursos de navegação, mecânica e primeiros socorros. A adolescente teve todo o apoio dos pais Julie (Anna Paquin) e Roger Watson (Josh Lawson), além dos irmãos. Embora tenha uma “pegada” de sessão da tarde, “Destemida” tem muita ação e cenas de tirar o fôlego, principalmente aquelas nas quais Jessica enfrenta violentas tempestades em alto-mar (aos espectadores mais sensíveis, recomendo tomar um dramin). Trocando em miúdos, o filme é ótimo e merece ser visto. Ah, durante os créditos finais são apresentados vídeos da época mostrando a Jéssica original e seus familiares, além das filmagens feitas por ela no barco durante a viagem. Não perca!      

 

 

quarta-feira, 12 de julho de 2023


“DEIXANDO O AFEGANISTÃO” (“BRATSTVO”), 2021, Rússia, em cartaz no Prime Vídeo, 1h53m, direção de Pavel Lungin, que também assina o roteiro com a colaboração de  Aleksandr Lungin. Não são muitos os filmes sobre a guerra entre União Soviética e o Afeganistão.  Este é o mais recente, cuja história é baseada nas memórias do general Nikolay Kovalyov, agente da KGB na frente afegã. Estamos em 1989, quando as últimas unidades do exército russo deixam o país inimigo depois de dez anos de guerra – a intenção dos russos era implantar o comunismo no Afeganistão, objetivo não concretizado. O filme acompanha os trabalhos de desmobilização da 108ª Divisão de Infantaria. Só que acontece um fato inesperado: um avião russo é abatido e seu piloto, Alexander Vasiliev, acaba sequestrado por guerrilheiros mujahidins. Vasiliev é filho de um general, que ordena aos seus comandados que o resgatem a qualquer custo. Ao mesmo tempo em que mostra a ação sendo planejada e executada, o roteiro destaca a rotina dos soldados russos, com cantorias, muita bebida, corrupção desenfreada e tráfico de armas e drogas, configurando uma crítica ácida e contundente aos invasores russos. Repleta de reviravoltas e traições de lado a lado, a história termina convidando a uma reflexão sobre quem ganha com uma guerra em que não há vencedores, somente vencidos. Exibido em vários festivais mundo afora, “Deixando o Afeganistão” teve uma boa aceitação por parte da crítica especializada, mas não é um filme muito fácil de digerir.                

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terça-feira, 11 de julho de 2023

 

“REI DO RINGUE: A HISTÓRIA DE JEM BELCHER” (“PRIZEFIGHTER: THE LIFE OF JEM BELCHER”), 2022, Inglaterra, 1h47m, direção de Daniel Graham, seguindo roteiro assinado por Matt Hookings, lançamento da Prime Vídeo. Trata-se da adaptação para o cinema da biografia do lutador inglês Jem Belcher (Matt Hookings), que no início do século 19 foi campeão de boxe da Inglaterra. Desde garoto, o ídolo de Jem era o avô Jack Slack (Russell Crowe, ótimo), um beberrão que costumava lutar pelas ruas de Bristol. Jem cresceu e também começou a participar de lutas. Numa delas, derrubou um adversário muito mais forte e chamou a atenção do treinador Bill Warr (Ray Winstone), que o treinou para ser um campeão. O que de fato foi, quando enfrentou o então campeão inglês em Londres. Como a mãe já previra, o sucesso levou Belcher a frequentar a elite da capital inglesa, o que incluiu mulheres e muita bebida. Como na maioria dos filmes que tratam de boxe, a luta decisiva ficou para o desfecho, quando Jem coloca seu título em jogo. Completam o elenco Marton Csokas, Jodhi Mae, Julian Glover, Lucy Martin, Olivia Chenery, Steven Berkoff, Joe Egan e Emily Haigh. Como história baseada em fatos reais, o filme agrada completamente. O que me incomodou em demasia foi a fotografia em tons escuros nas cenas de interiores. A claridade só aparece nas cenas diurnas ao ar livre. Trocando em miúdos, o filme é indicado apenas para os amantes de boxe, que terão a oportunidade de conhecer uma história ambientada nos primórdios do esporte.       

 

sábado, 8 de julho de 2023

 

“ALERTA MÁXIMO” (“PLANE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h48m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta francês Jean-François Righet, seguindo roteiro assinado por Charles Cumming e J.P. Davis. O ator escocês Gerard Butler retorna a mais um filme de ação, gênero que o catapultou para o estrelato. Desta vez, ele é o piloto Brodie Torrance, da empresa Trailblazer Airlines. Seu próximo voo, o 119, decolará de Singapura com destino a Honolulu. Além do copiloto Dele (Yoson An), estão a bordo três comissárias e 19 passageiros, um deles Louis Gaspare (Mike Colter), transportado por um agente do FBI por uma acusação de homicídio. Antes de continuar o comentário, devo citar a famosa Lei de Murphy (aquela que diz “Se algo pode dar errado, dará”), que se aplica com perfeição à história. Logo de cara, o avião entra em uma tempestade e, durante os fortes solavancos, morrem o agente do FBI e uma comissária. Como se não bastasse, um raio atinge a aeronave, afetando todos os seus comandos, o que leva o comandante a decidir por um pouso forçado. Ele escolhe uma terra firme qualquer e consegue pousar. O que não se imagina é que a ilha está nas mãos de violentos milicianos filipinos que lutam contra o governo estabelecido. Desgraça atrás de desgraça, o filme segue com muito suspense e ótimas cenas de ação. Aliás, a ação corre solta desde o início, destacando-se a excelente cena em que o avião é envolvido pela tempestade. De tirar o fôlego! O elenco ainda traz Tony Goldwyn, Daniela Pineda, Evan Dane Taylor e Paul Ben-Victor. Por causa de todos esses ingredientes, “Alerta Máximo” recebeu incríveis 95% de aprovação no rigoroso site Rotten Tomatoes e, entre os críticos, conquistou 74% de avaliações positivas. Imperdível!      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 6 de julho de 2023

 

“CHAMAS DA FÚRIA” (“DAS FLAMMENMÄDCHEN”), 2021, Áustria, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Catalina Molina, cineasta argentina radicada em Viena (Áustria). Trata-se de um suspense policial que entrega o vilão – no caso, a vilã - já no começo do filme. Resta ao espectador aguardar pelas respostas: Por que ela fez o que fez e como a polícia agirá para chegar até ela? Estamos em Salzburgo, famosa por ser a cidade natal de Mozart. Um incendiário já colocou fogo em casas, celeiros, barracões, provocando medo na população, apesar de que o fogo só consumiu imóveis abandonados, ou seja, em nenhum dos casos houve vítimas. Franziska “Franzi” Hilmayr (Stefanie Reinsperger), chefe da polícia local, não conseguiu nenhuma pista e, por isso mesmo, recebeu o reforço do agente federal Merana (Manuel Rubey) para ajudar nas investigações. O caso se complicou ainda mais quando mais uma casa abandonada é destruída por um incêndio, mas desta vez havia um cadáver carbonizado, justamente o filho do chefe dos bombeiros. A incendiária é Sophie (Annika Wonner), uma adolescente problemática órfã de mãe e filha de um alcóolatra. E por aí vai a história, repleta de reviravoltas, algum suspense e pouca substância. Ou seja, um filme que merece entrar na categoria dos esquecíveis, sem qualquer atrativo que mereça uma recomendação entusiasmada.     

segunda-feira, 3 de julho de 2023

 

“O PROTOCOLO DE AUSCHWITZ” (“THE AUSCHWITZ REPORT”), 2021, coprodução Eslováquia/Alemanha/ República Tcheca/Polônia, 1h36m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta eslovaco Peter Bebjak, que também assina o roteiro juntamente com Jozef Pastéka e Tomás Bombik. O filme relembra mais um acontecimento histórico importante ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial envolvendo o campo de concentração de Auschwitz, ao sul da Polônia, considerando o maior símbolo do holocausto perpetrado pela Alemanha Nazista. Dois jovens judeus eslovacos, Freddy (Noel Czuczor) e Walter (Peter Ondrejicka), prisioneiros do campo, conseguem fugir em 1944 e atravessar a fronteira para chegar à Eslováquia. Eles levavam documentos e relatórios denunciando as barbaridades praticadas em Auschwitz, apresentando-os às autoridades eslovacas, aos representantes dos países aliados e até à Cruz Vermelha Internacional. Por incrível que pareça, os dois foram desacreditados, ou seja, ninguém foi capaz de acreditar que as barbaridades descritas fossem verdadeiras, o que, naturalmente, causou mais mortes até o final da guerra, em maio de 1945. A história do filme se desenrola em três fases. A primeira, mostrando o dia a dia do campo de concentração, com cenas chocantes e perturbadoras. A segunda etapa acompanha a fuga de Freddy e Walter pela floresta até chegar à Eslováquia, ajudados por membros da resistência polonesa.  A terceira e última etapa apresenta os dois fugitivos tentando convencer as autoridades dos terríveis acontecimentos ocorridos em Auschwitz e também em Birkenau. Há que se destacar a estética desenvolvida pelo diretor Peter Bebjak, utilizando várias posições da câmera – há planos de cabeça para baixo -, muito diferente e mais criativa do que estamos acostumados a ver. Ponto para a coragem do diretor. Embora recebido com restrições pela crítica especializada, o filme foi selecionado para representar a Eslováquia na disputa do Oscar 2022 de Melhor Filme Estrangeiro. Eu gostei, mas alerto que não é um filme muito fácil de digerir. Se você assistir, não desligue antes dos créditos finais, pois neles aparecem falas legendadas de líderes mundiais sobre vários temas, incluindo o nosso glorioso presidente Jair Bolsonaro.      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 29 de junho de 2023


 

“TILL – A BUSCA POR JUSTIÇA” (“TILL”), 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Prime Vídeo (estreou dia 23/06/2023), direção de Chinonye Chukwu, cineasta nigeriana radicada nos EUA, que também assina o roteiro com Michael Reilly e Keith Beauchamp. Baseado em fatos reais, o filme nos leva a 1955, contando uma história chocante de racismo, injustiça e impunidade. Emmett “Bo” Till (Jalyn Hall), de apenas 14 anos, sai de Chicago e viaja para a cidade de Money, no Mississipi, para passar as férias ao lado dos primos. Antes da viagem, sua mãe, Mamie Till-Mobley (Danielle Deadwiler), o alerta sobre como deve se comportar, pois lá em Money o racismo é muito forte. Não adiantou muito o conselho. Em uma loja de conveniência, “Bo” fala para a recepcionista (branca) que ela parece uma artista de cinema e, logo depois, ainda assobia um “fiu fiu”. Quatro dias depois, “Bo” é sequestrado da casa dos tios por dois homens brancos. Não passou muito tempo e o cadáver do garoto é encontrado inchado, com marcas de torturas e uma bala na cabeça. Começa o inferno de Mamie, que viaja para Money a fim de resgatar o corpo do filho e levá-lo para ser enterrado em Chicago. Ela insiste que, durante o velório, o menino seja exposto em caixão aberto para que as pessoas, e principalmente os repórteres fotográficos, vejam e registrem o estado em que ficou o filho. O caso teve ampla repercussão na mídia, sensibilizando a opinião pública dos Estados Unidos. Por causa do testemunho de um jovem negro, a polícia de Money consegue prender os dois responsáveis pelo assassinato do menino. Mamie resolve comparecer ao julgamento, sendo obrigada a presenciar um clima totalmente favorável aos assassinos, incluindo testemunhos falsos e, pior, ver o júri de 12 homens brancos inocentarem os acusados. Depois de tudo o que aconteceu, Mamie se transformou numa importante ativista pelos direitos civis dos negros. A atriz Danielle Deadwiler dá um show de interpretação, merecedora não só de uma indicação, mas da premiação do Oscar 2023, mas foi esquecida injustamente, pela Academia. Mas houve quem reconhecesse o seu impressionante trabalho, como a Britsh Academy of Film and Television Arts, que lhe concedeu o prestigiado Prêmio Bafta de melhor atriz. Completam o elenco de “Till” uma irreconhecível Whoopi Goldberg como a avó do garoto morto (ela é uma das produtoras do filme), Haley Bennett, Sean Patrick Thomas, Jayme Lawson, Jaylin Webb, Frankie Faison e Sean Michel Weber. Não tenho dúvida em afirmar que “Till” é o melhor lançamento do ano da Prime Vídeo. IMPERDÍVEL - assim mesmo, com maiúsculas.   

 

 

 


domingo, 25 de junho de 2023

 

“O PACTO” (“THE COVENANT”), 2023, Estados Unidos, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy Ritchie, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. Filmaço de ação ambientado em 2018 no Afeganistão, três anos antes dos Estados Unidos retirarem suas tropas daquele país, no qual estiveram desde 2001. A história é centrada no sargento John Kinley (Jake Gyllenhaal), comandante de um batalhão encarregado de encontrar e destruir depósitos de explosivos do Talibã. O perigo rondava a cada missão, que às vezes resultava em emboscadas e mortes. Em uma delas, morreu o intérprete. Para as próximas missões, Kinley entrevistou e contratou um novo intérprete, Ahmed (o ator iraquiano Dar Salim). Numa das missões mais perigosas, Kinley é ferido gravemente e teria sido preso pelos talibãs não fosse a coragem de Ahmed, que o levou de volta à base distante cerca de 100 quilômetros, grande parte deles percorrido em uma maca de madeira levada com grande esforço pelo intérprete. O sargento é levado de volta aos Estados Unidos e Ahmed é obrigado a se esconder com sua esposa e filho, pois virou inimigo número 1 dos talibãs. Kinley se sentiu obrigado a retribuir o ato heroico de Ahmed, voltando ao Afeganistão para tentar resgatá-lo e levá-lo a salvo aos EUA. Completam o elenco Alexander Ludwig, Antony Starr, Jason Wong, Bobby Schofield, Emily Beecham e Swen Temmel. O filme é repleto de muito suspense e inúmeras ótimas cenas de ação, valorizando uma história incrível de coragem e solidariedade. Nos créditos finais, são mostradas várias fotos dos personagens reais, o que dá a entender que a história é verídica, embora os materiais de divulgação omitam esse fato. Trocando em miúdos, “O Pacto” é ótimo. Assista e confira.             

sábado, 24 de junho de 2023

 

“O FIM DA VERDADE” (“DAS ENDE DER WAHRHEIT”), 2019, Alemanha, 1h45m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção de Philipp Leinemann. Suspense cuja história envolve espionagem e terrorismo. Martin Behrens (Ronald Zehrfeld), especialista em Oriente Médio da agência de inteligência alemã BND consegue informações sobre o paradeiro de um terrorista islâmico cuja base está localizada no (país fictício) Zahiristão. Segundo Behrens, os terroristas planejam um atentado na Alemanha. Para evitá-lo, Behrens passa a informação à CIA, que, utilizando drones, invade o território do Zahiristão e mata o chefe terrorista. Integrantes do mesmo grupo prometem vingança e, durante um atentado em um restaurante de Munique, matam várias pessoas, incluindo a jornalista Aurice Köhler (Antje Traue), namorada de Behrens. Em meio a esses acontecimentos, Behrens resolve agir de forma isolada, quando descobre que a verdade não é exatamente aquela demonstrada pelos fatos, e sim o que uma surpreendente reviravolta revelará, ou seja, uma conspiração de alguns integrantes do próprio governo alemão. Também estão no elenco Alexander Fehling, Claudia Michel, Katharina Lorenz, Axel Prahl e Alipeza Bayram. Como a maioria dos filmes de espionagem, o roteiro, de início, não é de fácil compreensão, exigindo um pouco de esforço da nossa inteligência, mas aos poucos as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. De qualquer forma, é um excelente filme no gênero, movimentado e repleto de suspense. Imperdível.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

 

“MARIYA – O SÍMBOLO DE UMA GUERRA” (“MARIYA. SPASTI MOSKVU”), 2022, Rússia, 1h51m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Wera Michailowna Storoschewa, seguindo roteiro assinado por Elena Rayskaya. Embora tenha pesquisado, não consegui saber se a história, ambientada no início da Segunda Grande Guerra, é verídica ou criada. A personagem central é Mariya Petrova (Mariya Lugovaya), jovem que renuncia à sua fé e ao seu pai, um padre da Igreja Ortodoxa, para servir ao exército soviético como membro da NKVD (Comissariado do Povo dos Assuntos Internos). Ela é recrutada para uma difícil e perigosa missão: resgatar o ícone milagroso da Virgem Maria em uma igreja localizada numa cidade ocupada pelo exército alemão. A ordem veio diretamente do ditador Stalin, que consultou uma vidente que o aconselhou a resgatar o ícone naquela tal cidade, afirmando que, com a posse do objeto sagrado, salvaria Moscou da invasão nazista. Entusiasmada por servir à sua pátria, Petrova enche-se de coragem e parte para a missão quase suicida, recebendo a ajuda de alguns guerrilheiros e do padre Vladimir (Arthur Smolianinove), da igreja que guarda o ícone milagroso. Além dos alemães, Petrova tem de enfrentar o terrível inverno russo, muitas vezes sem água ou comida. As cenas são de um realismo chocante, com muito suspense e cenas fortes que retratam com competência a tragédia que o povo russo foi obrigado a viver por causa das loucuras de Hitler. Fica aqui minha dúvida se Mariya Petrova existiu mesmo ou foi fruto de invenção do roteiro. De qualquer forma, trata-se de uma heroína criada para enaltecer a coragem do povo russo. Recomendo.    

 

 

terça-feira, 20 de junho de 2023

 

“O MATEMÁTICO” (“ADVENTURES OF A MATHEMATICIAN”), 2021, em cartaz na Prime Vídeo, 1h42m, coprodução Alemanha/Polônia/Inglaterra, roteiro e direção do cineasta alemão Thorsten Klein. A história é centrada no matemático judeu polonês Stanislaw Ulam (Philippe Tlokinski), que nos anos 40 participou, com outros renomados cientistas, do ultrassecreto Projeto “Manhattan”, responsável pela criação e construção das bombas atômicas que, pouco mais tarde, arrasariam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Nascido na Polônia, Stan, como era mais conhecido, chegou aos Estados Unidos em 1931, foi um estudante prodígio na Universidade de Harvard e, logo em seguida, seu professor. Era considerado um gênio em matemática e, por isso mesmo, foi recrutado para a base de Los Álamos, onde um grupo de renomados cientistas, entre eles Robert Oppenheimer (Ryan Gage), desenvolveria a bomba atômica. A ideia inicial do governo norte-americano era utilizá-la contra os nazistas, até que estes, em maio de 1945, se renderam aos aliados. A guerra continuou contra o Japão, que teimava em não se render. Daí, as bombas em Hiroshima e Nakasaki. “O Matemático” revela os bastidores das reuniões de trabalho dos cientistas, suas vidas particulares e depois toda a sua angústia e sentimento de culpa por terem contribuído para a criação de uma arma tão mortífera. O roteiro coloca o polonês Stan Ulam no centro de toda a história, destacando ainda a relação com sua esposa Françoise (a atriz francesa Esther Garrel, irmã do ator Louis Garrel), com o irmão mais novo Adam (Mateusz Wieclawek) e com seu melhor amigo Johnny Von Neumann (Fabian Kociecki), com o qual seria a responsável pela invenção do primeiro computador que daria origem, mais tarde, à era digital. Trocando em miúdos, o filme vale a pena por revelar os detalhes de um fato histórico que teve um papel fundamental para a humanidade. Recomendo.   

 

 

 

                 

 

                   

segunda-feira, 19 de junho de 2023

 


“RESGATE 2” (“EXTRACTION 2”), 2023, Estados Unidos, lançamento da Netflix, 2h02m, direção de Sam Hargrave e roteiro de Joe Russo. Filme de ação, assim como o primeiro “Resgate”, também baseado na graphic novel “Ciudad”, criada por Ande Parks, Joe e Anthony Russo, Fernando Leon González e Eric Skillman. O personagem principal é novamente Tyler Rake (Chris Hemsworth, o ator australiano de “Thor”), que deixou de ser um soldado de elite para se transformar em um mercenário letal. No primeiro filme, Rake ficou encarregado de resgatar o filho de um grande empresário indiano. Nesta segunda versão, ele recebe a missão de resgatar uma mulher e seus dois filhos de uma penitenciária na Geórgia – antiga república soviética –, mantidos presos por ordem do marido dela, o violento Zurab (Tornike Gogrichiani), chefão de uma poderosa máfia georgiana. A equipe de Tyler conta com os irmãos mercenários Nik Khan (a atriz iraniana Golshifteh Farahani) e Yaz (Adam Bessa), combatentes de primeira linha. As cenas de ação são muito bem feitas, mas exageradamente mentirosas. Só para citar uma: o herói entra no presídio e enfrenta, sozinho, dezenas de presos e policiais, bate em todo mundo e sai ileso. Tudo bem, Hollywood pode tudo. A cena perto do desfecho, onde o herói luta com o vilão no telhado de vidro de um edifício em Viena (Áustria) é uma das melhores e muito bem realizadas. Para os fãs de filmes de ação, este “Resgate 2” deve agradar em cheio, pois não faltam, do começo ao fim, muita pancadaria, perseguições, explosões e tantos tiros que dá vontade de se esconder atrás da poltrona. Também estão no elenco Olga Kurylenko, Idris Elba, Sinead Phelps e Tina Dalakishvili. Repito: como filme de ação, nota 10. Imperdível! Ah, e já estão falando no “Resgate 3”, que também não vou perder.     

 

 

 

domingo, 18 de junho de 2023

 

“AMOR E MORTE” (“LOVE & DEATH”), 2023, Estados Unidos, minissérie em 7 episódios da HBO Max, direção de Leslie Linka Glatter e Clark Johnson. A história é baseada em fatos reais, narrados no livro escrito por John Bloom e Jim Atkinson, ou seja, o assassinato de uma mulher a machadadas praticado pela ex-amante do marido da vítima. O caso, de grande repercussão nos Estados Unidos, começou em 1978, quando Candy Montgomery (Elizabeth Olsen) começou um relacionamento extraconjugal com Allan Gore (Jesse Plemons), marido de sua amiga Betty (Lily Rabe), que dura cerca de oito meses. Pouco mais de um ano depois, o caso seria descoberto pelo marido de Candy, Pat (Patrick Fugit) e também por Betty. Em junho de 1980, viria ocorrer o assassinado de Betty, encontrada morta por vizinhos, pois Allan estava viajando a negócios. Em sua segunda parte, a minissérie acompanha as investigações da polícia até chegar à principal suspeita, Candy, e destaca também o seu julgamento, cujo resultado é uma grande surpresa, que não revelo aqui para não estragar a expectativa de quem não conhece a história. Também estão no elenco da minissérie Kristen Ritter, Tom Pelphrey, Olivia Grace Applegate, Elizabeth Marvel e Bruce McGill. É justo destacar o desempenho da atriz Elizabeth Olsen, que já demonstrou o seu talento em outras séries, tais como “WandaVision”, de 2021. Agora, em “Amor e Morte”, ela é, sem dúvida, o grande trunfo para o sucesso da minissérie, uma das melhores do ano.        

 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

 

“SAYEN”, 2023, Chile, 1h36m, produção original e distribuição Prime Video, direção de Alexander Witt (“Resident Evil 2: Apocalipse”), seguindo roteiro assinado por Patricio Lynch, Julio Rojas e Carla Stagno. Este talvez seja o primeiro filme de ação feito pelo cinema chileno. Não me lembro de outro. O tema da história está em grande evidência há anos: a exploração dos indígenas pelos homens brancos. No caso de “Sayen”, os brancos representam uma grande corporação internacional que almeja comprar terras ao sul do Chile, nas florestas da Araucanía, para exploração de cobalto. Só que nelas vivem os índios Mapuche, que ser recusam a vendê-las e muito menos deixar que a explorem. Uma grande empresa sediada na Espanha resolve conquistar as terras à força, utilizando mercenários violentos. Quando Ilwen Lemunko (Teresa Ramos), proprietária de uma parte dessas terras, é assassinada ao se negar a vendê-las, sua neta Sayen (Rallen Montenegro) parte para a vingança. Aí ninguém segura a índia vingativa, que se aproveita da vivência nas florestas para ir atrás dos assassinos de sua avó. Entre as cenas de ação, o roteiro destaca mensagens contra os invasores de terras indígenas e ainda coloca em discussão as atitudes que afetam o meio ambiente. Completam o elenco Arón Piper, Roberto García Ruiz, Loreto Aravena, e Enrique Arce. O filme é bastante interessante e esclarecedor, tem boas cenas de ação e um roteiro bem elaborado. Recomento, principalmente, para o público ligado à proteção do meio ambiente.      

 

“PURA PAIXÃO” (“PASSION SIMPLE”), 2020, coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta libanesa Danielle Arbid. O roteiro, assinado pela própria Arbid, foi baseado no romance autobiográfico “Simple Passion”, de 1992, da escritora Annie Ernaux – em 2022, Ernaux ganhou o Nobel de Literatura. O filme, selecionado para o Festival de Cannes, é um drama erótico envolvendo a professora universitária de Literatura Hélène August (Laetitia Dosch) e o russo Aleksandr (Sergei Polunin), encarregado da segurança da embaixada russa em Paris. Divorciada e com um filho entrando na adolescência, Hélène se entrega, literalmente, de corpo e alma, a essa paixão desenfreada e intensa, mesmo sabendo que Aleksandr é casado. A paixão logo se transforma em obsessão, principalmente por parte de Hélène. Para ilustrar esse fogo ardente, a diretora libanesa abusa das cenas de sexo, algumas delas muito perto do explícito. A estética do filme, incluindo uma primorosa fotografia, deve agradar, de forma especial, o público que curte o tal cinema de arte – para mim, todo filme é arte -, gênero em que o cinema francês sempre se sobressaiu. Há que se destacar ainda o desempenho da atriz Laetitia Dosch, que aos 42 anos se entrega a um papel difícil e que exige coragem para se expor com tanta entrega e desenvoltura. Outro destaque deve ser atribuído ao ator, dançarino e modelo ucraniano Sergei Polunin, que tem no currículo filmes como “Assassinato no Expresso Oriente” e “Operação Red Sparrow”, entre outros. Também estão no elenco Caroline Ducey, Grégoire Colin, Dounia Sichov, Slimane Dazi e Lou-Teymour Thion. Trocando em miúdos, apesar de não ser um filme muito fácil de digerir, gostei muito, indicando como especiais e de grande beleza as cenas filmadas em Florença, em Moscou e na própria Paris. Para terminar, faço um importante alerta: ANTES DE ASSISTIR, TIRE AS CRIANÇAS DA SALA.