sábado, 25 de agosto de 2018


“O DESAPARECIMENTO DE SIDNEY HALL” (“The Vanishing of Sidney Hall”), USA, 2017, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Shawn Christensen. Filme independente muito interessante e bem elaborado, com um elenco de muita competência: Logan Lerman (“Percy Jackson”), Elle Fanning, Michelle Monaghan, Blake Jenner, Kyle Chandler e Nathan Lane. A história é centrada no jovem escritor Sidney Hall (Lerman), que desde o colégio sonhava em ser escritor. Sempre foi um jovem rebelde, mas muito inteligente. Seus textos no jornal da escola eram bastante elogiados, até que um dia resolveu escrever um livro que virou best-seller e o levou à fama, inclusive sendo indicado ao badalado Prêmio Pulitzer. Em meio à jornada literária de Sidney, o roteiro destaca também, em flashbacks, o seu primeiro grande amor e depois sua esposa, a bela Melody (Fanning), a amizade com seu colega de classe Brertt Newport (Jenner) e sua relação com a mãe (Michelle Monaghan). Depois do sucesso alcançado com seu primeiro livro, Sidney some do mapa, vira andarilho/mendigo e sai pela estrada de ferro afora a bordo de trens de carga. Seu sumiço é investigado por um policial misterioso (Chandler), seguindo uma pista referente ao incêndio de vários livros escritos justamente por Sidney. Enfim, um filme que se mostra acima da média vigente, como comprovam as críticas positivas quando estreou no Festival de Sundance 2017.                                                 


“15h17 – TREM PARA PARIS” (“The 15:17 to Paris”), EUA, 2018, direção de Clint Eastwood, com roteiro de Dorothy Blyskal. O filme conta a história dos três norte-americanos que evitaram o ataque de um terrorista árabe num trem de alta velocidade que ia de Amsterdam (Holanda) para Paris no dia 21 de agosto de 2015. Armado com um fuzil AK-47, pistolas e munição suficiente para matar os 554 passageiros do trem, o terrorista marroquino Ayoub El-Khazzani foi dominado e preso pelos três rapazes, o soldado Alek Skarlatos, o piloto da Força Aérea Spencer Stone e Jaleel White. O filme volta no tempo para mostrar a antiga amizade que uniu os rapazes até os dias atuais, culminando com o ato heroico em território francês. A grande inovação de Eastwood foi escalar os próprios personagens para representá-los no filme. Não prejudicou em nada, embora a gente perceba, em algumas cenas, que não são atores profissionais. Aliás, as atrizes Jenna Fischer e Judy Greer foram duas das poucas profissionais do elenco. Ator em 71 filmes e diretor em outros 40, além de quatro Oscar no currículo, Eastwood tem respeito e crédito suficientes para fazer o que quiser no cinema. Para escrever o roteiro, Dorothy Blyskal baseou-se no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train and Three American Soldiers”, de Jeffrey E. Stern. Em se tratando de Eastwood, eu esperava um filme bem melhor. Não que seja ruim, mas bem abaixo da qualidade de outros filmes do grande Eastwood. Vale apenas pela história incrível de heroísmo.                                                 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018


Ao contrário do que diz o material de divulgação, “DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR” (“UN BEAU SOLEIL INTÉRIEUR”), 2017, França, não é uma comédia romântica, mas sim um drama. Talvez comédia dramática, mas romantismo passa longe. A história é centrada na vida amorosa da artista plástica Isabelle (Juliette Binoche). Mulher de meia-idade, divorciada e com uma filha, Isabella vive vários relacionamentos, ao mesmo tempo em que tem um amante fixo, Vincent (Xavier Beauvois), um banqueiro arrogante e ainda por cima casado. Ela quer mais afeição e busca conseguir quando sai pela noite para dançar, programa que acaba quase sempre na cama com alguém. Foi assim com um ator de teatro (Nicolas Duvauchelle, que tem uma incrível semelhança com o grande Marcello Mastroianni jovem), com um diretor de galeria e com outros tantos. Mesmo com essa variedade de amantes, Isabelle sofre de carência afetiva, pois quase sempre seus romances acabam rápido, entre brigas e desilusões. Já no final, Isabelle consulta um terapeuta (Gérard Depardieu, em participação especial) para tentar resolver sua carência. Aos 54 anos, Juliette Binoche ainda é uma mulher muito bonita, charmosa e sensual, além de ótima atriz (ela é a mais bem-paga do cinema francês). Binoche tem um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “O Paciente Inglês”, de 1996, e nada menos do que seis indicações para o César (o Oscar francês), sendo que numa delas, justamente em “Deixe a Luz do Sol Entrar”, conquistou o prêmio de Melhor Atriz. Realmente, ela é fantástica, a alma desse bom drama francês dirigido pela veterana diretora Claire Denis (“Minha Terra, África”, “Desejo e Obsessão” e “35 Doses de Rum”).                                               

domingo, 19 de agosto de 2018


“DESEJO DE MATAR” (“DEATH WISH”), EUA, 2018, direção de Eli Roth e roteiro de Joe Carnahan, que readaptou o livro “Death Wish”, escrito por Brian Garfield. Trata-se da refilmagem do clássico de grande sucesso lançado em 1974. Sai Charles Bronson e entra Bruce Willis, que finalmente encontra um filme de ação à sua altura, depois de inúmeros fracassos recentes. Desta vez, volta à sua velha forma de durão e canastrão, com aquele sorriso sutil que esbanja ironia. Willis é o médico cirurgião Paul Kersey (Bronson era arquiteto). Uma noite, ele é chamado para atender a uma emergência no hospital, deixando sozinhas a esposa Lucy (Elisabeth Shue) e a filha adolescente Jordan (Camila Morrone). Três bandidos invadem a casa e fazem miséria com as duas, matando Lucy e deixando Jordan em estado grave. Ao perceber que a polícia não se empenha como devia nas investigações, Kersey resolve agir por conta própria. Ao sair pela noite em busca de informações que o levem aos marginais, Kersey cruza com vítimas sendo assaltadas e enfrenta os bandidos na base da bala. Depois de matar alguns, ele acaba virando notícia nos jornais como o “Anjo da Noite”, o herói que está “limpando” Chicago. Sem nunca ser identificado, Kersey prossegue na busca dos assassinos de sua esposa, utilizando mil artimanhas para não ser preso, até encontrá-los e finalmente executar sua vingança. O filme é muito bom, têm ótimas sequências de ação e Willis novamente em forma. Entretenimento dos melhores!                                             

sábado, 18 de agosto de 2018


Representante de Israel na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora, o drama “FOXTROT” surpreende positivamente pelo modo de filmar criativo, um roteiro inteligente e bem elaborado, um humor sutil e um desfecho dos mais inesperados. Ah, e tem dois atores israelenses maravilhosos, Sarah Adler e Lior Ashkenazi, que formam o casal de pais que vive em Tel Aviv e que um dia recebem a notícia de que seu filho Jonathan, soldado do exército, foi morto num atentado. Arrasados, Michael e Daphna Feldmann entram numa espiral de tristeza, desilusão e histerismo, comprometendo até o casamento. Um corte abrupto e a história muda radicalmente de cenário, passando a enfocar quatro jovens soldados num posto de fronteira, entre eles Jonathan. Numa vistoria de rotina a um veículo com quatro jovens árabes, os soldados israelenses cometem um equívoco que acaba numa tragédia. As autoridades israelenses, porém, resolvem esconder o ocorrido da maneira mais sórdida. Prefiro não comentar o restante do filme, já que está reservada uma grande surpresa no desfecho. Só posso adiantar a principal mensagem do filme: ninguém pode com a força do destino. O filme causou grande polêmica em Israel, já que mexeu com os brios do seu exército, uma instituição sagrada para os israelenses. A ministra da Cultura Miri Regev fez duras críticas ao filme, considerando-o uma espécia de traidor da pátrica. O filme foi escrito e dirigido por Samuel Maoz, consagrado diretor israelense que venceu o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza de 2009 com “Lebanon”. “FOXTROT” foi premiado em festivais como o de Toronto, Zagreb e Londres, além de conquistar o “Leão de Prata” (2º lugar) no Festival de Cinema de Veneza em 2017. Um filme muito interessante que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.                                           

sexta-feira, 17 de agosto de 2018


“SOMENTE O MAR SABE” (“The Mercy”), 2018, Inglaterra, com Colin Firth e Rachel Weisz. Baseado em fatos reais. O ano é 1968. Endividado até o pescoço, o empresário inglês Donald Crowhurst (Firth) imaginou uma maneira de sair do buraco financeiro: inscreveu-se na Corrida Globo de Ouro, promovida pelo Jornal Sunday Times, com um polpudo prêmio em dinheiro ao vencedor. A famosa prova náutica exigia que os competidores dessem a volta ao mundo sem paradas. Navegante amador, Donald enfrentaria adversários muito mais experientes e mais bem equipados. A jornada começou e a imprensa inglesa deu grande destaque à competição, cobrindo cada etapa como um feito histórico. Em terra, Clare (Rachel Weisz), a esposa de Donald, dava inúmeras entrevistas sobre o marido e acabou também virando celebridade. O filme dedica-se, em grande parte, a acompanhar a façanha de Donald em alto-mar, as dificuldades enfrentadas por causa de sua inexperiência, o seu sofrimento físico e psicológico, principalmente em razão da solidão por meses a fio. Não vou contar o desfecho, mesmo porque quase ninguém conhece a história e revelar o final pode estragar a surpresa. O filme foi realizado por gente competente: o diretor James Marsh (“A Teoria de Tudo”) e o roteirista Scott Z. Burns (“Terapia de Risco” e “O Ultimato Bourne"). Sem falar em Colin Firth e Rachel Weisz, atores da maior qualidade - Rachel está cada vez mais bonita. O filme é um ótimo entretenimento, principalmente para quem não conhece essa história tão incrível.                                               

segunda-feira, 13 de agosto de 2018


“HONRA AO MÉRITO” (“THANK YOU FOR YOUR SERVICE”) – já vi capinha de DVD do mesmo filme com o título “Marcas da Guerra” – 2017, EUA, estreia na direção de Jason Dean Hall. Um dos melhores filmes que já vi sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), distúrbio ou perturbação mental que atinge, principalmente, os soldados que retornam de uma frente de guerra. Um aspecto que valoriza ainda mais esse filme é o fato de ter sido baseado em fatos reais narrados no livro escrito pelo jornalista David Finkel, do Jornal Washington Post. A história é centrada em três soldados que voltaram do Iraque após um período de um ano e três meses. Traumatizados com o que viram e com o que vivenciaram, eles têm pesadelos diários, dificuldade de se socializar, inclusive com a própria família, e muitos deles com tendências suicidas. O personagem principal é o sargento Adam Schumann (Miles Teller), que se sente responsável por alguns fatos trágicos ocorridos com seu pelotão. O filme revela, de uma forma contundente, um fato um tanto desconhecido para nós: o governo norte-americano não valoriza muito os seus veteranos de guerra – sinta a ironia do título original. São milhares de soldados que precisam de ajuda psicológica e que entram numa fila pior que o nosso SUS para comprovar que realmente estiveram numa zona de guerra e precisam de ajuda. O ator Miles Teller, do espetacular “Whiplash: Em Busca da Perfeição, de 2014, comprova mais uma vez sua competência, num papel que exige um forte tom dramático. O filme é muito bom, sério, esclarecedor, um gol de placa do estreante diretor Jason Dean Hall, mais conhecido como excelente roteirista. É dele, por exemplo, o roteiro do ótimo “Sniper Americano”, de 2014.                                                 

domingo, 12 de agosto de 2018


O drama alemão “EM PEDAÇOS” (“AUS DEM NICHTS”), 2017, roteiro e direção do turco radicado na Alemanha Fatih Akin, conta a história de Katja Sekerci (Diane Kruger), uma mulher atingida por uma terrível tragédia: a morte de seu marido Nuri Sekerci (Numan Acar) e do filho Rocco num atentado terrorista. No início das investigações, a polícia descobre que o marido de Katja, um imigrante turco, havia cumprido pena por tráfico de drogas e, a partir daí, passa a desconfiar que o assassinato tem a ver com alguma vingança de traficantes. Enquanto a polícia investiga, Katja entra em depressão, passa a beber e a usar drogas, contando apenas com o apoio de sua amiga Birgit (Samia Chancrin) e do advogado amigo da família Danilo Fava (Denis Moschitto). Depois de algum tempo, a polícia alemã consegue prender os terroristas, um jovem casal ligado ao movimento neonazista. Eles vão a julgamento e são defendidos pelo advogado Vertidiger Haberbeck (o ótimo Johannes Krisch), enquanto a acusação fica a cargo do advogado Danilo. O resultado do julgamento é anunciado e Katja não se conforma, o que a leva a planejar uma vingança com as próprias mãos. A parte final do filme é repleta de suspense, culminando com um desfecho dos mais surpreendentes e chocantes. A atuação da atriz alemã Diane Kruger como a viúva arrasada é sensacional, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. O filme é ótimo, como comprovam a conquista do Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro e a indicação como representante da Alemanha ao Oscar 2018. Como ganhou o Globo de Ouro, esperava-se que ficasse entre os cinco finalistas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, o que, surpreendentemente, não aconteceu. Resumo da ópera: um filmaço!
                                               

sábado, 11 de agosto de 2018


“EUTANÁSIA” (“Armomurhaaja” – pesquisei a tradução literal: “A Graça de Assassino"), 2017, Finlândia, roteiro e direção de Teemu Nikki.  Trata-se de uma comédia de humor negro centrada num mecânico de meia-idade, Veijo Haukka (Matti Onnismaa), que utiliza as dependências de sua oficina para sacrificar animais domésticos. As pessoas levam seus bichinhos para Veijo porque ele cobra o “serviço” muito mais barato do que a veterinária do vilarejo. Ele utiliza dois métodos: um tiro na cabeça do animal ou asfixia por gás. O solitário e esquisito Veijo é metido a psicólogo de bichos. Ele analisa cada um deles antes de sacrificá-lo e diz se ele foi feliz ou não, bem tratado ou não. Em meio a esse trabalho, Veijo faz visitas ao pai que está para morrer e encontra tempo para ter um caso com a enfermeira do hospital, uma jovem completamente biruta. Além disso, o filme ainda destaca um grupo de alienados neonazistas que se intitulam “matadores de negros”. Que fique claro que a matança dos animais não é explícita, mas apenas sugerida. Mesmo assim, não é nada agradável imaginar o que acontece. Na verdade, o filme é mórbido demais, desagradável de assistir. Mesmo assim, depois de estrear no Festival de Toronto 2017, venceu os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Música no Jussi 2018, o Oscar finlandês, onde também foi indicado como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante. Aqui no Brasil, foi exibido na programação da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017. Só para espectadores com estômago forte.                                                            


quarta-feira, 8 de agosto de 2018


“O FANTASMA DA SICÍLIA” (o título original ficou sendo “Sicilian Ghost Story”, talvez para facilitar a entrada do filme nos países de língua inglesa – achava mais legal se o título fosse em italiano, "Il Fantasma Della Sicilia" em tradução literal), 2017, Itália, escrito e dirigido por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, os mesmos de “Salvo” (2013). O pano de fundo é o assustador predomínio da Máfia na Sicília nos anos 80. O garoto Giuseppe, de 13 anos, some misteriosamente numa floresta próxima ao vilarejo onde mora. Na verdade, como se poderá verificar no transcorrer da história, o adolescente foi sequestrado pela máfia siciliana em represália às delações de seu pai, também integrante da organização criminosa. Para amenizar o contexto trágico, Grassadonia e Piazza construíram o roteiro baseados no romance entre Giuseppe (Gaetano Fernandez) e Luna (a estreante Julia Jedlikowska).  Os dois tinham uma ligação muito forte de amizade que depois se transformou em paixão juvenil antes do desaparecimento do garoto. Durante os dois anos seguintes, Luna jamais esqueceu de Giuseppe, tentando encontrá-lo de tudo o que é jeito. O filme vira uma fábula diante da fantasia de Luna em imaginar o encontro com seu grande amor, em cenas que os diretores transformaram em bela poesia visual. O filme é bom, mas talvez arrastado demais. Nos créditos finais aparece a explicação de que o filme é dedicado a Giuseppe Di Matteo (1981-1996), um jovem sequestrado e assassinado pela máfia siciliana, o caso real em que a história é baseada. “O Fantasma da Sicília” foi escolhido para abrir a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2017, além de ter conquistado o prêmio de melhor roteiro no Festival de Sundance (EUA). Por aqui, foi exibido, também em 2017, durante a programação do Festival do Cinema Italiano, realizado em oito cidades brasileiras.    
                                                          

segunda-feira, 6 de agosto de 2018


“EM BUSCA DA LIBERDADE” (“ON WINGS OF EAGLES”), 2017, China/EUA, roteiro e direção da dupla Stephen Shin e Michael Parker. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a vida do corredor escocês Eric Liddell, medalha de ouro nos 400 metros da Olimpíada de Paris, em 1924. Uma parte da biografia de Liddell já havia sido apresentada em “Carruagem de Fogo”, Oscar de melhor filme em 1981. No filme “Em Busca da Liberdade”, o enfoque é dado ao trabalho de missionário presbiteriano que Liddell desenvolveu na China anos depois da medalha de ouro, dando aulas para crianças das comunidades pobres. Em 1941, porém, quando a China é invadida pelo Japão, Liddell sofrerá na pele as consequências da guerra, sendo preso e muitas vezes torturado num campo de concentração japonês destinado a norte-americanos e britânicos. Vale a pena assistir porque a história é bastante interessante, principalmente por apresentar o empenho de um astro do esporte num esforço de solidariedade humana. Um exemplo e tanto!                                                            

domingo, 5 de agosto de 2018


Representante oficial da Lituânia na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, o drama “FROST” (“Serksnas”), escrito e dirigido por Sharunas Bartas, conta a história de um casal de namorados, Rokas (Mantas Janciaauskas) e Inga (Lyja Maknaviciute), que aceita o pedido de um amigo para conduzir uma van com ajuda humanitária – roupas e mantimentos – para a população civil da Ucrânia. Na verdade, o estilo é de um road movie, saindo da Lituânia, passando pela região fronteiriça da Polônia, até chegar à Ucrânia. No meio do caminho, eles encontram vários personagens com os quais conversam sobre a situação de conflito na Ucrânia e na Crimeia. Um desses personagens é a jornalista Marianne (participação especial da atriz francesa Vanessa Paradis, ex-mulher do ator Johnny Depp). A viagem dos namorados transcorre em meio a cenários gélidos, estradas sob a neve e, provavelmente, a muitos graus abaixo de zero. É angustiante acompanhar os viajantes por esses cenários melancólicos. O desfecho transforma-se num suspense de grande tensão, pois Rokas se perde pelo caminho e vai parar direto na violenta zona de conflito bélico separatista da Ucrânia. O ritmo do filme é extremamente lento, o que, no resultado final, não prejudica sua qualidade como cinema. Mas é bom esclarecer: não é um filme para neófitos. Estreou e foi uma das atrações da Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes 2017.                                                           

sábado, 4 de agosto de 2018


“ASSASSINO EM SÉRIE” (“Xin Li Zui Zhi Cheng Shi Guang”), 2017, China, roteiro e direção de Xu Jizhou (seu primeiro longa-metragem). Confesso que fiquei em dúvida: assisto ou não assisto? Afinal, não tinha referências, nem do diretor nem dos atores, ainda mais um policial chinês. Decidi conferir e, para minha surpresa, acabei assistindo a um ótimo filme policial, com muita ação, suspense e cenas bastante criativas – a sequência inicial, uma perseguição na roda gigante de um parque de diversões, é espetacular. A história é centrada na busca de um serial killer que se intitula “A Luz da Cidade”, um psicopata metido a justiceiro que mata pessoas que cometeram crimes e que conseguiram escapar da polícia e da justiça. Para tentar identificá-lo e prendê-lo, entram em ação o psicólogo criminal Fang Mu (Chao Deng) e a especialista forense Mi Nan (Liu Shishi).  Com seu grande poder de dedução, Fang Mu consegue chegar a um suspeito dos mais evidentes, mas precisa provar que ele é o assassino. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, incluindo uma briga das mais sangrentas entre o vilão e o mocinho. A história é baseada no livro homônimo escrito por Mi Lei, um professor de psicologia criminal na China Police University. Um ótimo programa para quem curte filmes policiais.                                                                  



quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Mais um filme argentino para dar inveja a nosotros: “A CORDILHEIRA” (“La Cordillera”), 2017, roteiro e direção de Santiago Mitre. Trata-se de um drama político, tendo como pano de fundo uma conferência dos presidentes latino-americanos no Chile, cujo principal objetivo é discutir e aprovar um tratado de compra e venda de petróleo entre as nações participantes. O astro Ricardo Darín é novamente o protagonista principal, no papel do presidente argentino Hernán Blanco. O filme é quase todo destinado a mostrar os bastidores da cúpula, as intrigas e negociatas por trás do pano. Participam da reunião e têm papel de destaque, além do presidente argentino, o presidente do Brasil, Oliveira Prette, (o ator brasileiro Leonardo Franco), a presidente do Chile, Paula Sherson (Paulina Garcia), e líderes de outros países, sem falar na presença, na calada da noite, do representante do governo dos EUA, Dereck McKinnley (Christian Slater em participação especial), este último apresentado como um sujeito arrogante e sem escrúpulos com muitos dólares para comprar votos. O presidente do Brasil também não é mostrado de forma muito simpática, mas autoritário e um tanto ignorante (lembraram de alguém?). Em meio ao estresse político da reunião, onde cada presidente é obrigado a firmar uma posição, o indeciso presidente argentino ainda tem de administrar as atitudes de sua filha Marina Blanco (Dolores Fonzi), uma jovem com graves problemas psicológicos. Achei o filme muito bom e destaco principalmente os cenários deslumbrantes da Cordilheira dos Andes, um show de visual. Para dar mais crédito à minha opinião sobre o filme, lembro que o jovem diretor Santiago Mitre, de 37 anos, é o mesmo do excelente “Paulina”. Mas sua qualidade maior é como roteirista, como provam filmes como “Leonora”, “Elefante Branco”, “Paulina” e, principalmente, “Abutres”. “A Cordilheira” foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017, e participou da mostra “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2017.                                                                 


segunda-feira, 30 de julho de 2018


“A MÚSICA DO SILÊNCIO” (“La Musica del Silenzio”), 2017, Itália, direção do inglês Michael Radford, que também escreveu o roteiro com a ajuda de Anna Pavignano. O filme é baseado na autobiografia do tenor italiano Andrea Bocelli. No filme, seu nome foi substituído por Amos Bardi – não entendi o porquê. Desde o seu nascimento, em 1958, a descoberta da doença que o deixará cego anos mais tarde, sua experiência como cantor de restaurante, sua primeira namorada, suas aulas de música e canto até o sucesso mundial após vencer o Festival de San Remo, em 1994, o filme acompanha a vida de Bocelli com uma trilha sonora de altíssima qualidade, principalmente as árias de ópera. O diretor Michael Radford, como já demonstrara no ótimo “O Carteiro e o Poeta”, dirige o filme com muita sensibilidade, como a história merece. Afinal, Bocelli sempre batalhou para conseguir o seu lugar, ganhar seu próprio dinheiro e pagar suas aulas de canto e a Faculdade de Direito que o formou advogado, profissão que nunca exerceu. A música sempre foi o seu objetivo maior e, como talento lhe sobrava, conquistou um espaço de destaque no mundo da música. Fazem parte do elenco Toby Sebastian (o jovem Bocelli), Jordi Mollà (o pai), Luisa Ranieri (a mãe) e Ennio Fantastichini (o tio e grande incentivador). O verdadeiro Bocelli aparece em algumas cenas, além de narrar alguns episódios de sua vida. Pena que o vídeo que assisti é falado em inglês e não na língua original, o italiano. De qualquer modo, é um filme bastante comovente. Não entendo como não chegou por aqui para ser exibido no circuito comercial. Uma pena, pois é imperdível!                                                                  

domingo, 29 de julho de 2018


“TUDO COMEÇA NO BROOKLYN” (“First We Take Brooklyn”), 2018, EUA, filme de estreia como roteirista e diretor do ator israelense Danny A. Abeckaser, que também atua como o personagem principal. Ele é Mikki, um presidiário que cumpre pena perpétua numa prisão de segurança máxima em Israel. Numa brecha da lei, seus advogados conseguem sua libertação após 18 anos preso. Ao sair da penitenciária, Mikki resolve mudar para Nova Iorque, onde vai morar com seu tio (Eli Danker). Ele procura emprego e acha um no restaurante de Avi (Guri Weinberg), amigo de seu tio. Só que tem um porém: Avi é obrigado a pagar uma pesada taxa mensal a uma gangue russa chefiada por Anatoly (Harvey Keitel). A coisa começa a ficar fora de controle quando o tio de Mikki é espancado pela gangue. Mikki resolve se vingar e organiza uma gangue para combater os russos. Começa a traficar cocaína, roubada dos russos, é aí a guerra é declarada. Não é nenhuma maravilha como filme, mas garante um bom entretenimento para uma tarde com pipoca. Ah, e tem no elenco, num papel de destaque, uma das mais bonitas atrizes norte-americanas da atualidade: AnnaLynne McCord, um colírio. 


                                                                    



“BASEADO EM FATOS REAIS” (“D’APRÈS UNE HISTOIRE VRAIE”), 2017, França, direção de Roman Polanski, que também é autor do roteiro ao lado do diretor francês Olivier Assayas. Trata-se de um thriller psicológico baseado no livro escrito por Delphine De Vigan e lançado em 2016. A história envolve duas mulheres, a famosa escritora Delphine Dayrieux (Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski na vida real) e a também autora de livros Elle (Eva Green), ghost writer especialista em biografias de celebridades. Além de fã incondicional, Elle nutre uma obsessão mórbida por Delphine, a ponto de comandar sua vida pessoal. Delphine, em crise existencial, fragilizada emocionalmente e com falta de inspiração para um novo livro, aceita a companhia de Elle a ponto de deixá-la morar em seu apartamento. O embate psicológico entre as duas mulheres conduz a história até o desfecho. Polanski mantém o suspense graças à excelente interpretação das duas grandes atrizes, principalmente Eva Green, que exala maldade a cada gesto e a cada olhar. O filme lembra um pouco o estilo de suspense praticado por Hitchcock, com a utilização da trilha sonora para aumentar o clima de tensão de determinadas cenas. “Baseado em Fatos Reais” foi exibido pela primeira vez no encerramento do Festival de Cannes 2017. Suspense da melhor qualidade e com a assinatura de um dos melhores diretores ainda em atividade.                                                                   

sábado, 28 de julho de 2018


“SUBMERSÃO” (“Submergence”), 2017, EUA, direção de Win Wenders, com roteiro de Erin Dignam, que se baseou, para escrevê-lo, no livro homônimo escrito pelo autor inglês J. M. Ledgard. É uma história de amor, reunindo como personagens principais a pesquisadora oceanográfica Danielle Flinders (a atriz sueca Alicia Vikander) e o agente secreto britânico James Moore (o ator escocês James McAvoy). Antes de suas respectivas missões – ela no Ártico, para estudar as profundezas do oceano e ele num trabalho de espionagem na Somália -, eles se conhecem num hotel à beira-mar e durante dias conversam, vão para a cama e, por fim, claro, se apaixonam perdidamente. Depois que eles se separam para cumprir suas respectivas missões, o filme praticamente se divide em dois, alternando-se entre as atividades dela no Ártico e a prisão de Moore logo que ele chega à Somália. Jihadistas africanos resolvem torturá-lo de forma cruel, mantendo-o na prisão na pior condição possível. O único elo entre os dois amantes é o mar, uma forçada de barra do autor da história. O cultuado diretor alemão Win Wenders, de “Paris, Texas” e “Asas do Desejo”, seus dois melhores filmes, ficou devendo desta vez. E não sou apenas eu que está dizendo isso. Quando o filme estreou, no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2017, os críticos especializados também não gostaram.                                                                 


sexta-feira, 27 de julho de 2018


Há tempos que o cinema francês aprendeu a fazer excelentes filmes policiais, recheados de ação, tiros, perseguições, pancadaria e mulheres bonitas, todos os clichês do gênero. É o caso de “GO FAST – NO CORAÇÃO DO TRÁFICO” (“Go Fast – Au Coeur Du Trafic”), produção de 2008 dirigida por Olivier Van Hoofstadt - foi o seu segundo longa-metragem -, que também escreveu o roteiro, baseado em fatos reais, o que dá maior veracidade e emoção à história. Malek Slimane (o carismático e competente ator Roshdy Zem) é um policial de Paris especialista em se infiltrar em gangues de traficantes de drogas. Numa dessas missões, a equipe policial é cercada por bandidos e, após intenso tiroteio, Jean (Olivier Gourmet), parceiro e amigo de Malek, é atingido e acaba morto. Durante as investigações posteriores, a polícia descobre que os assassinos de Jean estão ligados a uma gangue que está prestes a trazer drogas para a França através do Sul da Espanha. Para isso, a quadrilha utilizará carros potentes com seus motores turbinados, um deles pilotado justamente por Malek, que se infiltrara com sucesso na organização criminosa, mas correndo o risco de ser desmascarado. Do começo ao fim, ação de perder o fôlego, garantindo um ótimo programa para quem gosta do gênero policial.                                                               


quinta-feira, 26 de julho de 2018


O drama nacional “AOS TEUS OLHOS”, 2017, Globo Filmes, traz à tona um assunto muito em evidência: a pedofilia. O filme foi escrito por Lucas Paraízo, cuja inspiração surgiu da peça teatral “O Princípio de Arquimedes”, do dramaturgo espanhol Josep Maria Miró. A direção é de Carolina Jabor (filha do Arnaldo), que já havia mostrado qualidade no excelente “Boa Sorte”, de 2014. A história: Rubens (Daniel de Oliveira) é um professor de natação de um clube carioca. Todos gostam dele. Até que um dia um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), revela à sua mãe Marisa (Stella Rabello) que Rubens o levou ao vestiário e deu-lhe um beijo na boca. Rubens nega de pés juntos para a diretora do clube, Ana (Malu Galli), que se vê na posição de um marisco, entre o mar (os pais de Alex) e a rocha (o professor). Não havia testemunhas e nem câmeras para comprovar o que realmente aconteceu, mas a vida do professor vira um verdadeiro inferno depois que Marisa denuncia o fato no WhatsApp e depois no Facebook, promovendo um linchamento virtual dos mais cruéis. Mas afinal, quem está falando a verdade? Você fica esperando a resposta no desfecho, mas ela não vem. Cabe ao espectador decidir. “Aos Teus Olhos” estreou durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em outubro de 2017. Ainda completa o elenco o ator Marco Ricca. Uma informação adicional: Carolina Jabor é casada com Guel Arraes, badalado diretor da Globo. Uma dica: o drama dinamarquês “A Caça”, de 2012, dirigido por Thomas Vinterberg, explora o mesmo tema de forma muito mais convincente.  Tanto é que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e representou a Dinamarca no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.                                                                

quarta-feira, 25 de julho de 2018


Quem gosta de violência e pancadaria vai adorar “GUERREIRO DA ESCURIDÃO” (“Underverden” – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “Darkland”), Dinamarca, 2017, direção do checo Fenar Ahmad, que também escreveu o roteiro juntamente com Adam August. O médico cirurgião Dr. Zaid (Dar Salim) é bastante conceituado em Copenhague. Vive um casamento feliz, sua esposa está grávida e, além disso, convive em total harmonia com os pais, imigrantes iraquianos. Como em toda família, porém, existe uma ovelha negra, no caso o irmão mais novo de Zaid, Yazin (Anis Alobaidi), metido com traficantes de drogas. Ameaçado de morte por dever dinheiro a uma gangue, Yazin recorre a Zaid para conseguir uma grana para pagar a dívida - bem alta, aliás. Zaid se recusa a ajudar o irmão, que dias depois aparece morto. Aliás, cruelmente morto, com sinais evidentes de tortura e muito sofrimento. Sentindo-se responsável pela tragédia, Zaid parte para a vingança, utilizando armas de fogo e seus conhecimentos de carateca faixa-preta. Ele vai bater e apanhar muito, em sequências de ação muito bem elaboradas e realistas. O ator iraquiano Dar Salim já demonstrou sua competência em filmes como os ótimos “O Dublê do Diabo” e “Guerra”. O filme teve sua primeira exibição no Festival Internacional de Moscou, sendo elogiado tanto pelo público como pela crítica especializada. Eu gostei e recomendo.                                                            

segunda-feira, 23 de julho de 2018


“12 HERÓIS” (“12 Strong”), EUA, 2018, direção do dinamarquês Nicolai Fuglsig. O filme é baseado em fatos reais, ou seja, a primeira missão militar dos Estados Unidos logo após o atentado contra as Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Com o objetivo de dar uma pronta resposta ao ataque perpetrado por terroristas da Al-Qaeda a mando de Osama Bin Laden, as Forças Especiais dos EUA designaram 12 soldados de elite, sob o comando do capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth), para ingressar no Afeganistão, tentar destruir algumas bases dos talibãs e, quem sabe, descobrir o paradeiro de Bin Laden. Ao serem desembarcados, os soldados norte-americanos se uniram a uma tropa afegã insurgente comandada pelo General Dostum (David Negahban). E lá foram eles, alguns montados a cavalo, em busca dos terroristas talibãs. A partir daqui, haverá muito enfrentamento, tiros e explosões em excelentes sequências de ação. Tudo o que você verá na telinha foi baseado no livro “12 Heróis – As Forças Especiais que fizeram História”, escrito pelo jornalista Doug Stanton, também autor do roteiro adaptado para o cinema. Para garantir a veracidade dos fatos mostrados no filme, o diretor Fuglsig contou com a colaboração direta dos próprios 12 soldados que participaram daquela ação. Realmente, eles foram muito corajosos para encarar a perigosa missão e, exatamente por isso talvez, o filme tenha exagerado no tom patriótico, como é feitio de Hollywood. Também estão no elenco Michael Shannon, Michael Peña, a atriz espanhola Elsa Pataky e William Fichiner.