quinta-feira, 14 de julho de 2016

“MORTE EM BUENOS AIRES” (“Muerte en Buenos Aires”), Argentina, 2014, marca a estreia na direção de Natalia Meta, que também escreveu o roteiro, e também a estreia de Chino Darín (filho do astro Ricardo) como protagonista. Trata-se de um filme policial ambientado nos anos 80 cuja história é centrada nas investigações de um homicídio de um homem da alta sociedade portenha. Quem cuida do caso é o inspetor Chavez (o ator mexicano Demian Bichir), que nomeia como seu assistente direto o agente Gómez “El Ganso” (Chino Darín). Logo no começo das investigações, descobre-se que a vítima gostava de rapazes e logo aparece um suspeito, o afetado, prepotente e trambiqueiro Kevin González (Carlos Casella). É nele que o inspetor Chavez mira sua lupa, utilizando “El Ganso” como isca. O filme termina sem uma conclusão fácil para o espectador, que é obrigado a adivinhar quem, afinal, é o verdadeiro assassino. Achei exagerada e um tanto forçada a insinuação de que o inspetor Chavez, pai de família e um rígido policial, é chegado num lance homossexual. Ficou fora do contexto, assim como a correria dos cavalos pelas ruas de Buenos Aires. Se o filme não é tão bom, pelo menos tem a presença de dois bons atores, o mexicano Bichir, que atuou no último filme de Tarantino, “Os Oito Odiados”, e chegou a ser indicado para o Oscar de Melhor Ator pelo filme "Uma Vida Melhor", e Chino Darín, que tem talento – talvez nem tanto quanto o pai – e que se entrega de corpo e alma – principalmente corpo – ao papel do agente Gómez. Um filme apenas interessante, bem longe dos melhores argentinos.  

“MEMÓRIAS SECRETAS” (“Remember”), Canadá, 2015, direção de Atom Egoyan (dos ótimos “O Doce Amanhã”, “À Procura”, “O Preço da Traição”). O diretor egípcio, naturalizado canadense, acerta mais uma vez num drama repleto de suspense, com uma surpreendente reviravolta no desfecho e um desempenho magistral do veterano ator Christopher Plummer. Companheiros de sofrimento no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial, Zev (Plummer) e Max (Martin Landau), ambos agora à beira dos 90 anos, se reencontram numa casa de repouso para idosos nos EUA. Max planeja uma vingança contra o nazista Rudy Kurlander, responsável pelo assassinato da sua família e a de Zev em Auschwitz, e que estaria morando nos EUA provavelmente com outro nome. Max, preso a uma cadeira de rodas e respirando por aparelhos, pede a Zev que encontre e mate Kurlander. Só que tem um problema: Zev está apresentando sintomas de demência. O filme vira um road movie, acompanhando a aventura de Zev por várias cidades dos EUA. O clima é de suspense e tensão, culminando com um desfecho inesperado, a cereja do bolo de um ótimo filme. Além de Plummer e Landau, estão no elenco Jürgen Prochnow e Bruno Ganz. Filmaço!
 

domingo, 10 de julho de 2016

“XXY” é um drama argentino de 2007 que trata de um tema pouco explorado pelo cinema: o hermafroditismo. Escrito e dirigido por Lucía Puenzo (do ótimo “O Médico Alemão”), o filme conta a história de Alex (Ines Efron), uma garota de 15 anos hermafrodita. Seus pais, Kraken (Ricardo Darín) e Suli (Valeria Bertuccelli), sempre se recusaram submetê-la a uma cirurgia para resolver o problema. Cansados dos constrangimentos habituais, resolvem mudar-se para um vilarejo litorâneo no Uruguai, onde o biólogo marinho Kraken consegue um emprego. Tudo transcorre normalmente até a chegada de um casal amigo trazendo o filho Álvaro (Martin Piroyansky), de 16 anos, que na hora faz amizade com Alex. Uma amizade, aliás, que trará consequências para determinar o rumo dos acontecimentos. Segundo alguns entendidos que assistiram “XXY”, o problema de Alex não chega a ser o hermafroditismo e sim a Síndrome de XXY, também conhecida como Klinefelter. Como não conheço o assunto, para mim Alex é mesmo uma hermafrodita. O filme é muito bom, tanto que foi o vencedor do Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2007, além de ter sido premiado em vários festivais importantes, entre eles o Goya (Oscar espanhol).       

 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

“AMOR AO PRIMEIRO FILHO” (“ANGE & Gabrielle”), 2015, é uma comédia romântica francesa ainda não exibida por aqui nos cinemas. Foi lançada diretamente em DVD. Pena, pois o filme é bastante divertido e simpático, além de ambientado nos cenários deslumbrantes de Paris. O casal de protagonistas é formado pelo feio/charmoso Patrick Bruel e pela bonita Isabelle Carré, atores franceses muito competentes. Trata-se do primeiro filme escrito e dirigido por Anne Giafferi. Uma ótima estreia. A história: o arquiteto Ange Pagani (Bruel) é surpreendido em seu escritório com a visita de Gabrielle (Carré), até então, para ele, uma ilustre desconhecida. Ela diz que sua filha Claire (Alice de Lencquesaing) ficou grávida e acusa o filho de Pagani, Simon (Thomas Soliveres), de tê-la engravidado. Pagani fica uma fera, pois afirma que nunca soube que tinha um filho. O primeiro encontro entre Pagani e Gabrielle termina em desavença, tapas e ofensas, mas o espectador logo percebe que os dois vão acabar se apaixonando. Nem mesmo esse fato tão previsível prejudica o transcorrer da história, repleta de cenas divertidas (Pagani é hipocondríaco crônico e suas consultas com o médico são hilariantes). Para um gênero repleto de bobagens cinematográficas, esta comédia romântica é uma das poucas raridades que merecem ser vistas. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“BLACKWAY”, 2015, EUA, direção do sueco Daniel Alfredson (“A Menina que brincava com Fogo” e “Jogada de Mestre”). É um filme de ação e suspense baseado no romance “Go With Me”, escrito por Castle Freeman Jr. Aliás, foi com esse nome que o filme foi exibido no Festival de Veneza 2015, mas, quando lançado comercialmente, recebeu o título "Blackway". O vilão da história é Blackway (Ray Liotta), um ex-policial psicopata que um dia resolve assediar de forma violenta a jovem Lillian (Julia Stiles), atendente de um bar. Ela procura o xerife da cidade e denuncia Blackway. Com medo, o homem da lei a aconselha a deixar a cidade. Revoltada com a situação, ela procura ajuda junto aos trabalhadores de uma madeireira e consegue o apoio de Lester (Anthony Hopkins) e Nate (Alexander Ludwig). Lester também tem uma razão especial para se vingar de Blackway. Os três partem então para uma floresta onde Blackway tem seu reduto. O desfecho é mais do que previsível. Algumas cenas, de tão ruins, acabam sendo constrangedoras, como a briga no bar logo no início. Os Trapalhões faziam brigas bem melhores. O filme, no geral, é muito fraco e não entendo por que um ator da grandeza de Anthony Hopkins se propôs a participar. Quem sabe pela amizade com o diretor, que já o dirigiu em “Jogada de Mestre”. Portanto, fica a dica: se o filme chegar por aqui, prefira levar a família para comer uma pizza...

 
“A TERRA E A SOMBRA” (“La Tierra y La Sombra”), 2015, Colômbia, marca a estreia na direção de longas de César Acevedo. Uma bela estreia, aliás, pois o filme é muito bom. Toda a história é ambientada numa região de plantações de cana-de-açúcar. O filme começa com a volta de Alfonso (Haimer Leal), depois de 17 anos, à sua antiga casa, onde vivem seu filho, a nora, o neto e sua antiga esposa. Seu filho Gerardo (Edison Raigosa) está gravemente doente, o que obrigou sua esposa Esperanza (Marleyda Soto) e sua mãe Alícia (Hilda Ruiz) a trabalhar como cortadoras de cana para suprir as despesas da casa. O filme é impactante ao mostrar a realidade nada fácil dos cortadores de cana, que trabalham muito e em condições insalubres, ganham mal e vivem abaixo da linha da miséria. Gerardo, por exemplo, que trabalhava como cortador de cana, acabou tendo sérios problemas respiratórios que o paralisaram na cama. Diante de tantas dificuldades, a família de Alfonso permanece unida e com força para seguir adiante. Todos os atores são amadores e suas faces sofridas fornecem maior credibilidade aos personagens. O filme conquistou o Prêmio “Caméra D’Or” (melhor filme de diretor estreante) e o Grande Prêmio da Mostra Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016. Por aqui, foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Um belo filme a ser conferido. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Representante da Áustria na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, “BOA NOITE, MAMÃE” (“Ich Seh, Ich Seh”) é um terror psicológico dos melhores. Não economiza nos sustos, nas torturas sádicas e no clima de tensão que percorre toda a duração do filme (1h40). Toda a ação é ambientada numa bela casa à beira de um lago. Os irmãos gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), de 9 anos, recebem a mãe de volta do hospital, onde passou por uma cirurgia de reconstrução facial depois de um acidente. Dia após dia, Lukas e Elias reparam que as atitudes e o comportamento da mãe mudaram e passam a desconfiar que a mulher não passa de uma farsante. O desenrolar dos acontecimentos também leva o espectador a duvidar da real identidade da mulher, mas, ao mesmo tempo, faz acreditar que ela pode ser a verdadeira mãe. Os gêmeos, porém, não têm dúvida: a mulher não é sua mãe verdadeira. Criar a expectativa sobre o que vai acontecer no final é o grande mérito do roteiro, escrito pela dupla Veronica Franz e Severin Fiala – eles também dirigiram. Aliás, sou obrigado a confessar: terminou o filme e eu não soube definir o que aconteceu. Assista e tire suas próprias conclusões.  
Em 1952, uma violenta tempestade atingiu a Costa da Nova Inglaterra (EUA), resultando no naufrágio de dois navios petroleiros. Um deles, o “SS Pendleton”, foi partido ao meio, deixando mais de 30 tripulantes à beira da morte. Numa missão quase suicida, um pequeno barco da Guarda Costeira sai em socorro dos possíveis sobreviventes. E consegue salvá-los, naquele que é considerado o maior ato heroico da Guarda Costeira dos EUA. Claro que a história dava um filme. A Disney apostou e bancou “HORAS DECISIVAS” (“The Finest Hours”), 2015, direção de Graig Gillespie (“A Garota Ideal”). O herói é Bernie Webber (Chris Pine), que topa conduzir o pequeno barco para o alto-mar, enfrentando ondas de mais de 20 metros de altura e ventos com a força de um furacão. Além disso, no trajeto, perde a bússola e o motor do barco começa a apresentar defeito. Enquanto isso, na metade que sobrou do “SS Pendleton”, Raymond Sybert (Casey Affleck, irmão do Ben) assume o comando da tripulação, tentando fazê-la acreditar que o salvamento chegará. As cenas no mar são bem feitas e não há como o espectador não ficar tenso com a situação. O filme é um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca. E dramin, claro... Completam o elenco Eric Bana, Ben Foster e Holliday Grainger. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Baseada nas últimas semanas de vida do poeta romântico alemão Heinrich von Kleist, em 1811, a austríaca Jessica Hausner escreveu o roteiro e dirigiu “AMOR LOUCO” (“AMOUR FOU”), 2014. Em dificuldades financeiras e em crise existencial, Kleist fica obcecado pela ideia de se suicidar. O problema é que ele não quer morrer sozinho. Quer um suicídio duplo, conforme manda a tradição romântica da época, de preferência junto com a mulher amada. Ele tenta persuadir a prima Marie a entrar no seu jogo trágico. Não consegue. Então desvia sua atenção para a bela Henriette Vogel (Birte Schonoeink), esposa de um empresário bem sucedido que o recebe em casa para os saraus de sexta-feira, onde o poeta recita seus novos poemas e Henriette canta para os convidados. De início, Henriette foge ao assédio de Kleist. Porém, poderá mudar de ideia quando descobre que sofre de uma doença incurável e tem pouco tempo de vida. O tratamento dado à história é bastante teatral, a casa de Henriette funcionando como palco. Na maioria das cenas, Hausner utiliza a câmera fixa, com enquadramentos que lembram quadros de pintores clássicos da época. O filme foi apresentado no Festival de Cannes e venceu o Prêmio de Melhor Filme no Lisbon/ Estoril Film Festival. Alerto: não é um filme fácil de assistir. É monótono e, em alguns momentos, como nas cantorias dos saraus, terrivelmente entediante.
“MIDNIGHT SPECIAL”, 2015, EUA, roteiro e direção de Jeff Nichols (“Amor Bandido” e “O Abrigo”), é um filme de ficção científica ambientado nos dias atuais. A história é centrada no garoto Alton (Jaeden Liberher), de 8 anos de idade, que possui poderes especiais, entre os quais ouvir ondas de rádio e decifrar coordenadas de satélites. Além disso, não pode sair à luz do dia e é obrigado a usar óculos escuros, já que seus olhos emitem raios de luz. A notícia de um garoto com esses poderes chega não apenas à Imprensa, mas também às autoridades norte-americanas, entenda-se o FBI. Preocupado em proteger o garoto, seu pai biológico, Roy (Michael Shannon), o sequestra de onde estava vivendo, um rancho administrado por religiosos extremistas. Para isso, conta com a ajuda do amigo policial Lucas (Joel Edgerton). Daí para frente, o filme se transforma num road movie com algum suspense. Estão ainda no elenco Kirsten Dunst, Sam Shepard e Adam Driver. Como não sou fã de filmes de ficção científica, não gostei também deste – achei a história uma bobagem sem tamanho -, embora tenha sido elogiado pela crítica quando de sua exibição no Festival de Berlim. Recomendo apenas para os fãs do gênero.     
 

 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

“ROCK EM CABUL” (“Rock The Kasbah”), EUA, 2015, direção do veterano Barry Levinson. Richie Vance (Bill Murray) é um empresário norte-americano decadente, quase falido, que vende seus serviços dizendo (mentindo) que descobriu Madonna e outros astros da música. A fase é terrível e ele só tem uma cantora para empresariar, a jovem Roonie (Zoey Deschanel, ótima). Cansado de tentar colocá-la para atuar em bares de quinta categoria, ele aceita a ideia de um bêbado: levar Roonie para entreter as tropas norte-americanas no Afeganistão. Chegando lá, com medo da reação dos afegãos, Roonie foge e leva todo o dinheiro e o passaporte de Richie. A partir daí, o empresário se meterá em muitas confusões, principalmente depois de conhecer o mercenário Bombaim Brian (Bruce Willis), a garota de programa Merci (Kate Hudson, linda e sedutora) e, principalmente, a jovem Salima Khan (Leem Lubany). Esta última, descoberta por Richie enquanto cantava escondida numa caverna, é levada para cantar no programa Afghan Star, equivalente ao famoso American Idol. Só que Salima é uma jovem pachtun e sua família a proíbe de se apresentar na TV, ainda mais cantando em inglês. A vida dela e a de Richie correm perigo depois do sucesso da apresentação. Nos créditos finais aparece que o filme é dedicado à jovem Setara Hussainzada, que desafiou a família e os talibãs para cantar no Afghan Star. O filme é uma comédia e quem dá show é novamente Bill Murray. Uma das cenas mais hilariantes é quando ele fica desorientado depois de seu carro ser atingido por uma bomba. É pra rolar de rir. Diversão garantida!                           

sábado, 2 de julho de 2016

Imagine você lá em Londres no dia 8 de maio de 1945, comemorando com os ingleses o “Dia da Vitória”, ou seja, a derrota dos alemães e o fim da Segunda Grande Guerra. A produção inglesa “UMA NOITE FORA DO PALÁCIO” (“A Royal Night Out”), 2015, proporciona essa verdadeira viagem no tempo. O cenário de toda a ação é este, mas a história do filme é centrada nas princesas irmãs Elizabeth (Sarah Gadon), que alguns anos mais tarde seria coroada Rainha Elizabeth II, e Margaret (Bel Powley). Elas queriam ir para as ruas, incógnitas, para se juntar à multidão. E foi o que fizeram, com a devida autorização dos pais, o Rei George VI (Rupert Everett) e a Rainha Mãe Elizabeth (Emily Watson), e com a companhia de dois oficiais do Exército. Nas ruas, as princesas confraternizaram, fizeram amizades, dançaram e visitaram lugares pouco adequados para moças da realeza. A saída delas do Palácio de Buckingham, naquela noite, realmente aconteceu, mas os roteiristas Kevin Hood e Trevor de Silva, além do diretor Julian Jarrold (“Amor e Inocência”), certamente criaram fatos fantasiosos para dar maior sabor à história, como o namorico de Elizabeth com o aviador Jack (Jack Reynor) ou a bebedeira da princesa Margaret. O filme tem muito de conto de fadas e é muito agradável de assistir. Recomendo. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

“DEMÊNCIA” (“Dementia”), 2015, EUA, direção de Mike Testin. Trata-se de um filme de suspense cuja história é centrada em George Lockhart (Gene Jones), um setentão veterano e herói da Guerra do Vietnã. Ele sofre um AVC e os médicos também constatam o início de uma demência. Seu filho Jerry (Peter Cilella) e a neta Shelby (Hassie Harrison) resolvem então contratar uma enfermeira. Eis que surge Michelle (Kristina Klebe), aparentemente um anjo de pessoa. Shelby é a única a desconfiar da enfermeira. A partir daí, os fatos que se desenrolam até o desfecho trágico estão todos relacionados com o passado de George e a Guerra do Vietnã. Aliás, muito mal explicados. O filme é um suspense de quinta categoria, elenco fraco, história que não se sustenta, tensão superficial e uma solução para o desfecho pra lá de lamentável, com cenas constrangedoras. Nem a surpreendente revelação no final, causando uma reviravolta na história, consegue salvar. Não dá para indicar. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A produção cinematográfica da Romênia é bastante acanhada em comparação com outros países. Produz cerca de 10 filmes por ano, no máximo. Mas, se perde na quantidade, ganha na qualidade. Posso citar dois exemplos recentes: “Instinto Materno” e “Casamento Silencioso”. Na maioria deles, o pano de fundo tende a ser a política do país pós-comunismo. Não é o caso de um filme que resgatei de 2006: “AMOR LOUCO” (“LEGATURI BOLNAVICIOASE”), escrito e dirigido por Tudor Giurgiu. Trata-se da adaptação do romance homônimo escrito por Cecília Stefaneson. A história: Alex (Joana Barbu) sai da distante cidade de Pietrosita, zona rural da Romênia, e vai estudar na capital Bucareste. Na faculdade, faz amizade com Kiki (Maria Popistasu). Começam a namorar em segredo. Kiki, porém, passa a se revelar emocionalmente desequilibrada, além de manter um relacionamento muito estranho com o irmão Sandu (Tudor Chirila), beirando o incestuoso. O caldo engrossa quando Alex resolve levar Kiki para passar uns dias em sua cidade interiorana. Tratado de forma novelesca, o que me fez lembrar “Malhação”, com muito papo furado, o filme pode encantar o público mais jovem. O que eu mais gostei, porém, foi da interpretação das duas atrizes principais. Ah, também de bom posso citar o fato de que, ao contrário da maioria dos filmes que envolvem relacionamentos homossexuais, as (poucas) cenas de sexo não são apelativas. Pelo menos isso. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

O drama biográfico “REDENÇÃO” (“Machine Gun Preeacher”), EUA, 2011, direção de Mark Foster (“Guerra Mundial Z”, “007 – Quantun of Solace” e “O Caçador de Pipas”), conta a incrível história do norte-americano Sam Childers (o ator escocês Gerard Butler, de "300"), um ex-viciado em drogas que se tornou pastor da igreja pentecostal, depois um construtor de sucesso e, por fim, voluntário na África, ajudando crianças no Sudão e em Uganda, países envolvidos em sangrentas guerras civis. A história começa nos anos 90, quando aconteceu a conversão de Sam. Em 1998, depois de ouvir uma palestra de um pastor voluntário sobre os problemas enfrentados pela população pobre da África, Sam resolve viajar para Uganda com o objetivo de reconstruir as casas destruídas pela guerra. Durante esse trabalho, Sam se comove com a situação das crianças órfãs no sul do Sudão e resolve ajudá-las, construindo um orfanato (“Angels of East Africa”). Casado com Lynn (Michelle Monaghan), que o levou para a igreja, e pai de Paige (Madeline Carrol), Sam enfrentou muitos desafios na África e chegou até a pegar em armas para enfrentar os sanguinários mercenários do perigoso Grupo LRA. Nos créditos finais, o verdadeiro Sam Childers é apresentado em fotografias. Ainda no elenco, Michael Shannon e Katy Baker. Um belo filme e uma história que merece ser conhecida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“FIM DE SEMANA EM PARIS” (“Le Week-End”), 2013, Reino Unido, roteiro de Hanif Kureishi e direção de Roger Michell. Trata-se de uma comédia dramática, mas, no geral, é um filme melancólico sobre o desgaste de um casamento. Os professores universitários ingleses Nick Burrows (Jim Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) resolvem comemorar o 30º aniversário de casamento passando um final de semana em Paris. A ideia é relembrar a lua de mel que passaram na “Cidade Luz”, incluindo reservas no mesmo hotel. Só que, aos poucos, Nick e Meg percebem que a relação está um tanto desgastada. Não são mais o marido e a esposa apaixonados de trinta anos atrás. Nas andanças do casal pela capital francesa, eles discutem a relação, alternando alguns momentos românticos e outros de desentendimentos. O convite para jantar na casa de um ex-aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), provocará uma repentina mudança no relacionamento do casal. O roteiro força a barra em algumas cenas, como aquela em que Nick e Meg saem correndo pelas ruas de Paris (um casal normal de meia idade não faria isso nem teria esse fôlego) e outra onde eles fogem de um restaurante sem pagar. De qualquer forma, a dupla de atores é excelente e o cenário deslumbrante. Paris à noite é uma festa para os olhos, compensando alguns momentos tediosos do filme.                    

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Uma das frases mais famosas criadas pelo jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues foi “NINGUÉM AMA NINGUÉM... POR MAIS DE DOIS ANOS”. A frase virou o título de um ótimo filme nacional, produzido em 2015 e dirigido por Clóvis Mello. A história adapta cinco contos do livro “A Vida como Ela é”, que reúne as crônicas escritas por Nelson no Jornal Última Hora na década de 50. O filme envolve os bastidores do casamento de cinco casais jovens da classe média carioca. O adultério é o tema de todos. Num episódio, o marido é o traidor. No outro, a mulher. Marido cafetina a mulher. Mulher se vinga do amigo do marido que não quis nada com ela. Marido trai a patroa com a empregada. As mulheres são todas lindas... e carentes. As situações são tratadas com muito bom humor, embora algumas terminem em tragédia. Uma das frases mais engraçadas é dita pelo marido durante o velório da esposa: “Ela era uma mulher tão séria e fiel que só tomava injeção no braço”. O que mais gostei, porém, foi a primorosa recriação de época, como os cenários, a decoração dos escritórios e das casas, os figurinos e ainda os nomes de alguns personagens que hoje parecem ridículos, mas que eram comuns naqueles anos: Asdrubal, Orozimbo, Juventino etc. O elenco também é ótimo: Gabriela Duarte, Marcelo Faria, Ernani Moraes, Pedro Brício, Branca Messina, Juliane Trevisol e até Luana Piovani numa ponta, além da morena Lidi Lisboa, de fechar o comércio da 25 de Março e adjacências.
Deus existe e mora em Bruxelas (Bélgica). Este é o ponto de partida da comédia belga “O NOVÍSSIMO TESTAMENTO” (“Le Tout Nouveau Testemant”), 2015, 113 minutos. Aqui, Deus (Benoît Poelvoorde) é casado e tem uma filha de 10 anos. É um cinquentão rabugento, beberrão e fumante inveterado. Passa o dia de pijama na frente do computador, inventando catástrofes naturais, guerras e graves acidentes, além de tramar de que forma cada um dos habitantes da Terra deve morrer. A filha de Deus, Ea (Pili Groyne), com a ajuda do irmão JC, resolve interferir nos projetos do Pai, alterando os programas do computador divino. Dessa forma, envia mensagens, via internet, aos celulares das pessoas, informando da data que cada uma vai morrer. Daí para frente, só confusão. Claro que é uma fantasia, um filme surreal, escrito e dirigido por Jaco Van Dormael (“O Oitavo Dia”). O Vaticano e os católicos mais fervorosos não devem ter gostado. Claro que, se a história envolvesse Maomé, diretor e produtores já teriam sido assassinados. Não achei o filme ofensivo, pois entendi que não passa de uma brincadeira. Apenas uma comédia ousada e irreverente. O filme representou a Bélgica na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. No elenco, além de Poevoorde, estão Yolande Moreau, Catherine Deneuve e François Damiens. Um filme mais interessante do que bom.   

terça-feira, 21 de junho de 2016

Eleito o Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, além de premiado com o Melhor Roteiro no Festival de Cannes e vencedor do Globo de Ouro, o drama russo “LEVIATÔ, direção de Andreï Zviaguintsev (“Elena” e “O Retorno”), causou grande polêmica na Rússia. As autoridades não gostaram e dificultaram sua exibição comercial. Afinal, o filme escancara o que o país de Putin tem de pior atualmente, ou seja, corrupção deslavada, abuso de poder, policiais irresponsáveis e incompetentes, além da aliança sórdida entre a Igreja (Ortodoxa) e o Estado. Ao mesmo tempo, apresenta um painel social nada recomendável, principalmente ao mostrar os russos como beberrões crônicos – todos os personagens passam o filme bebendo rios de vodka. Ambientada em Teriberka, pequena cidade litorânea ao Norte da Rússia, a história é centrada no mecânico Kolia (Aleksey Serebryakov), ameaçado pela prefeitura local de ter sua casa desapropriada. O prefeito corrupto Vadim Cheleviat (Roman Madianov) quer o terreno para construir um luxuoso empreendimento. Kolia resolve lutar na Justiça e, para isso, pede ajuda a um amigo advogado de Moscou, Dmitriy (Vladimir Vdovitchenkov). A história do filme é toda baseada nessa luta inglória e suas consequências, como um grande conflito familiar envolvendo Kolia e sua bela esposa Lilya (Elena Lyadova), o filho do casal e ainda Dmitriy. Um dos melhores filmes da década. Imperdível! 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O suspense australiano “VISÕES DO PASSADO” (“Backtrack”), 2015, roteiro e direção de Michael Petroni (mais conhecido como roteirista de “A Menina que Roubava Livros”), traz no papel principal o ator Adrien Brody (“O Pianista”). Ele é o psicólogo Peter Bower, que há anos vive atormentado por lembranças trágicas, como a morte de sua filha Evie, de 12 anos, e um antigo acidente ferroviário que matou 47 pessoas, quando ele ainda era um adolescente. Em meio a muitos sustos, aparição de fantasmas e outros clichês do gênero, Peter resolve procurar o Dr. Duncan Steward, um renomado psiquiatra, que resolve ajudá-lo. Peter começa a desconfiar que está ficando louco e a acreditar que seus pacientes e as pessoas que o cercam não passam de criaturas do outro mundo. Parece que tudo pode estar relacionado com o acidente ferroviário. Seguindo conselho do Dr. Duncan e seu próprio instinto, Peter volta à cidade natal para tentar decifrar e relembrar o que realmente aconteceu no dia do acidente ferroviário, além de se confrontar com o pai, um policial aposentado com um comportamento muito misterioso. O estilo do filme lembra um pouco o clássico “O Sexto Sentido”, só que com muito mais personagens, ação e sustos. Para uma sessão da tarde ou numa noite chuvosa, até que funciona como entretenimento.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

“13 HORAS: OS SOLDADOS SECRETOS DE BENGHAZI” (“13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi”), 2015, EUA, 2h24m. A história é baseada em fatos reais, ocorridos no dia 11 de setembro de 2012 em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia. Terroristas islâmicos atacam a embaixada dos EUA e, na mesma noite, tentam invadir um complexo secreto da CIA. Em ambos, correm risco de vida vários funcionários norte-americanos, incluindo o embaixador e outras autoridades. Para defendê-los, apenas seis soldados de uma empresa de segurança particular, sem qualquer apoio militar, o que gerou muitas críticas à então Secretária de Defesa Hilary Clinton. O filme mantém um forte clima de tensão e suspense do começo ao fim, com muita ação, tiros, explosões, perseguições, em cenas muito bem realizadas pelo diretor Michael Bay (da franquia “Transformers” e “Sem Dor, Sem Ganho”). No elenco, o mais conhecido é o ator John Krasinski (“Caminho para o Coração” e “Licença para Casar”), que interpreta Jack da Silva, um dos soldados da equipe. O roteiro, escrito por Chuck Hogan, é baseado no livro “13 Hours”, de Michael Zuckoff. Enfim, um prato cheio para quem gosta de filmes de ação baseados em fatos reais.  Dá arrepios só de imaginar que tudo o que o filme mostra aconteceu de verdade. Filmaço! Ah, na mesma linha de filmes de ação e suspense, recomendo "Falcão Negro em Perigo", de 2001, dirigido por Ridley Scott. 

     

quinta-feira, 16 de junho de 2016

“CINCO GRAÇAS” (“Mustang”), 2015, marca a estreia em longas da diretora Deniz Gamze Ergüven. Embora a diretora, equipe técnica e todo o elenco sejam turcos, trata-se de uma produção francesa. Aliás, disputou o Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro como candidato oficial da França. É um belo drama que tem como pano de fundo a condição feminina sob as rígidas regras e preceitos da religião islâmica. O cenário é um vilarejo na Turquia, a 1.000 km de Istambul. Toda a história é centrada em cinco irmãs adolescentes que, no último dia de aula antes das férias, vão à praia com seus colegas. Tomam banho de mar e brincam com os meninos. Tudo na maior inocência. Só que no vilarejo corre a história de que elas estavam se esfregando nos meninos. O pai delas, um islâmico ultraconservador, resolve então trancafíá-las em casa, colocando grades e cadeados em todas as portas. A prisão não é suficiente. Ele quer casá-las como manda a tradição: casamentos arranjados. Assim consegue com uma, com duas e com três. As duas mais novas se revoltam e resolvem planejar uma fuga para Istambul. O filme é ótimo, o elenco feminino é excelente e a história tem todos os ingredientes para agradar a qualquer público.