quinta-feira, 9 de junho de 2016

“CEMITÉRIO DO ESPLENDOR” (“Rak ti Khon Kaen”), 2015, Tailândia, roteiro e direção de Apichatpong Weerasethakul. Neste seu mais recente filme, o cineasta tailandês retoma os temas que já havia explorado no abominável “Tio Boonme, que pode recordar Vidas Passadas” (Palma de Ouro em Cannes/2010, um absurdo): vidas passadas, espíritos, sonhos, mediunidade, deuses, filosofia de vida, religião etc. O filme é ambientado num pequeno hospital onde antes funcionava uma escola infantil, numa floresta no interior da Tailândia. Nesse hospital, estão internados 27 soldados acometidos de uma rara doença do sono. Uns dormem o tempo todo, outros acordam de vez em quando. Quem domina a cena é Jenjira (Jenjira Pongpas), uma mulher de meia-idade voluntária no hospital, e Keng (Jarinpattra Ruengram), uma jovem médium. Elas conversam o tempo todo sobre diversos assuntos, um deles o fato de que a escola, hoje hospital, foi construída em cima de um cemitério onde estão enterrados os corpos de antigos reis e rainhas. No hospital, Keng tenta decifrar os sonhos e desejos dos soldados dorminhocos, enquanto Jenjira se afeiçoa por um dos soldados, Itt (Banlop Lomnoi), com o qual costuma ter longas conversas. Assim como os soldados, há grandes chances do espectador dormir durante o filme.     

terça-feira, 7 de junho de 2016

“O CONVITE” (“The Invitation”), 2015, EUA, direção de Karyn Kusama (“A Garota Infernal”, com Megan Fox). Trata-se de um suspense, quase um terror. Aqui, não há monstros, e nem necessidade deles, pois os verdadeiros monstros são os próprios seres humanos. O casal Eden (Tammy Blanchard) e David (Michiel Huisman) convida um grupo de amigos para jantar. Entre os convidados, Will (Logan Marshal Green), ex-marido de Eden, além de Pruitt (John Carroll Lynch), que anos antes assassinara a esposa, “acidentalmente”, diz ele. Os demais convidados também são esquisitos. Já nos aperitivos a gente percebe um clima de tensão no ar, prenunciando que a reunião não acabará bem. A coisa piora quando os anfitriões exibem um vídeo de um guru charlatão que prega a morte como a solução para todos os problemas. Depois disso, o clima entre os convidados fica ainda pior. A tensão aumenta, as pessoas ficam cada vez mais inquietas e aí a coisa desanda de vez. E não há como escapar, pois os anfitriões trancam todas as portas. Como suspense, o filme até que funciona. Nada mais que mereça uma indicação entusiasmada. Recomendo apenas para os fãs do gênero.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

“A GAROTA DINAMARQUESA” (“The Danish Girl”), 2015, EUA/Reino Unido, direção de Tom Hooper (“O Discurso do Rei”, “Sombras do Passado”, “Os Miseráveis”). Baseado no livro biográfico escrito por David Ebershoff, e, portanto, baseado em fatos reais, o filme conta a história do pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener, que se tornaria a primeira pessoa no mundo a se submeter a uma operação de mudança de sexo. Isso na década de 30, com uma Copenhagen retratada numa maravilhosa recriação de época. Einar (Eddie Redmayne),  começou a gostar de ser mulher ao servir de modelo para sua esposa, a também pintora Gerda (Alicia Vikander). A princípio, Gerda via o marido se vestir de mulher e achava tudo divertido. Mas ele levou a sério, mudou o nome para Lili Elbe e até arrumou um namorado, Henrik (Ben Whishaw), para desespero da esposa. Depois, é claro, quis ser mulher no sentido biológico, sendo operada pelo Dr. Warnekros (Sebastian Koch). Se já em “A Teoria de Tudo”, no qual interpretou o cientista Stephen Hawking, o ator britânico Redmayne havia demonstrado um enorme talento (ganhou o Oscar 2015 de Melhor Ator), neste ele se superou, com uma atuação nada menos do que espetacular. Merecia o bis no Oscar 2016, mas perdeu, injustamente, para Di Caprio, o queridinho da Academia. Justiça foi feita, porém, com a atriz sueca Alicia Vikander, que ganhou o Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante. Ela tem também uma atuação marcante. O filme foi indicado ainda para os prêmios de Melhor Direção de Arte e Figurino. Resumo da ópera: o filme é ótimo e simplesmente imperdível!     
“KAMCHATKA”, 2002, Argentina/Espanha. Ambientado em 1976, logo após o golpe militar na Argentina que deu início a uma violenta ditadura, o filme acompanha o cotidiano de uma família que foge de Buenos Aires e se refugia numa fazenda. O advogado David Vicent (Ricardo Darín) e sua esposa (Cecília Roth) estão sendo procurados pelos militares. Eles e os filhos são obrigados a trocar de nome. O mais velho, de 11 anos, escolhe Harry, por causa de seu grande ídolo, o mágico ilusionista Harry Houdini. A história é toda narrada sob a ótica de Harry, que não entende muito bem o que está acontecendo e nem por que são obrigados a viver fugindo. As barreiras militares nas estradas são a única referência explícita dos novos e tenebrosos tempos. No mais, o filme destaca o amor do casal, a preocupação com os filhos e como uma família é capaz de sobreviver num total anonimato. A família costuma jogar TEG (versão argentina do jogo de tabuleiro WAR), onde aparece um país fictício chamado Kamchatka – na verdade, trata-se de uma península que realmente existe a leste da Rússia. O diretor Marcelo Piñero (“Plata Quemada” e “Cinzas do Paraíso”) recheou o filme de momentos sensíveis e até comoventes, amenizando a carga dramática. É um filme bonito que merece ser visto e revisto, ainda mais porque é valorizado pela presença de Ricardo Darin e Cecília Roth, além do grande Hector Altério.               

domingo, 5 de junho de 2016

“RUA CLOVERFIELD, 10” (“10 Cloverfield Lane”), 2015, EUA. O maior mérito do diretor estreante em longas Dan Trachtenberg foi manter um clima de tensão crescente num filme com apenas três personagens e cuja ação ocorre, em grande parte do filme, num ambiente fechado. A jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) briga com o namorado, junta suas coisas e sai estrada afora. Depois de um acidente no qual quase perde a vida, Michelle acorda confinada num lugar estranho. Como vai descobrir logo depois, ela foi sequestrada – ou “salva” – pelo ex-soldado da Marinha Howard Stambler (John Goodman), um homem esquisito com jeito de psicopata. Michelle está, na verdade, dentro de um abrigo subterrâneo, um bunker todo protegido do ambiente externo. Segundo Howard, houve um ataque com armas químicas (alienígenas?) e a população toda foi dizimada. Howard, portanto, a salvou da morte certa. Michelle descobrirá também que tem a companhia de outro “refém”, Emmett (John Gallagher Jr.), que será seu companheiro de infortúnio. O suspense rola solto durante os 105 minutos de duração desse bom thriller psicológico, cuja receita ainda conta com algumas pitadas de humor negro e ficção científica. A atuação dos três protagonistas principais é ótima, com destaque para o veterano John Goodman. Suspense dos melhores!

            

quinta-feira, 2 de junho de 2016

“SPECIAL CORRESPONDENTS” (“Correspondentes Especiais”, na tradução literal) é mais uma produção da Netflix, cujo lançamento aconteceu diretamente na TV dia 29 de abril de 2016. Não sei se terá exibição por aqui no circuito comercial, o que seria uma pena se não acontecer. Vamos aguardar. Trata-se de uma comédia escrita e dirigida por Ricky Gervais, que também atua como um dos protagonistas principais. O repórter Frank Bonneville (Eric Bana) e o técnico de som Ian Finch (Gervais) trabalham numa pequena emissora de rádio de Nova Iorque. Com o objetivo de aumentar os índices de audiência, Geoffrey Mallard (Kevin Pollak), diretor da emissora, envia Frank e Ian para o Equador (apesar do mesmo nome, é um país fictício), que vive momentos de tensão por causa de um grupo de guerrilheiros que pretende iniciar uma revolução e derrubar o governo. No caminho do aeroporto, porém, acontece um acidente e Frank e Ian não conseguem embarcar. Não querendo decepcionar seus superiores, os dois resolvem forjar que chegaram ao Equador e montam um estúdio no andar superior de um restaurante. Logo em seguida, começam a transmitir flashes ao vivo, com direito a notícias falsas e sonoplastia especial. A situação rende momentos hilariantes. Enquanto isso, Eleonor Finch (a ótima Vera Farmiga), esposa de Ian, aproveita a situação para ganhar dinheiro e aparecer na mídia. Garanto: é uma comédia bem divertida, o que é raridade hoje em dia.  

terça-feira, 31 de maio de 2016

“O CIDADÃO DO ANO” (“KRAFTIDIOTEN”), 2014, Noruega, direção de Hans Peter Moland, estreou no Festival de Berlim 2014. Trata-se de um filme de ação, recheado de humor negro. Nils Dickman (Stellan Skarsgard) é um trabalhador dedicado e competente. Há muitos anos que sua tarefa é eliminar a neve nas estradas de uma região montanhosa da Noruega. Começa o filme com Nils sendo homenageado pelas autoridades locais com o título de “Cidadão do Ano” em reconhecimento ao seu trabalho. Nils almeja se aposentar e viver uma vida tranquila ao lado da esposa. Tudo vai bem até chegar a notícia de que seu filho Ingvar (Aron Eskeland) aparece morto. Segundo a polícia, a morte foi causada por overdose de drogas. Nils não aceita essa versão oficial e resolve ir atrás da verdade. E parte para a vingança, mesmo depois de descobrir que os responsáveis pertencem à perigosa máfia norueguesa comandada por Greven (Pal Sverre Hagen). A máfia sérvia, chefiada por Papa (o ótimo ator suíço Bruno Ganz), acaba se envolvendo na história e a confusão aumenta ainda mais. O cenário de violência e matança, que lembra o estilo Tarantino, é amenizado por toques de humor negro da melhor qualidade. Após cada execução – e são muitas –, a tela seguinte fica negra, destacando-se uma cruz acompanhada do nome da vítima. Enfim, um ótimo filme de ação que merece ser visto, ainda mais pelo desempenho do ator sueco Stellan Skarsgard, de “Ninfomaníaca” e “Os Vingadores”.

domingo, 29 de maio de 2016

“APRENDENDO COM A VOVÓ” (“Grandma”), EUA, 2015, escrito e dirigido por Paul Weitz (“Entrando numa Fria Maior ainda com a Família” e “Tudo pela Fama”). Embora o título nacional faça parecer que é uma comédia do tipo sessão da tarde, o filme é um drama, incrementado com alguns bons momentos de humor. A poetisa Elle Reid (Lily Tomlin), em depressão após a morte da companheira com quem viveu 38 anos e recém-separada de Olivia (Judy Greer), recebe a visita da neta Sage (Julia Garner), que lhe pede ajuda para financiar um aborto. A avó não tem o dinheiro necessário para pagar o procedimento, mas resolve ajudar Olivia. Avó e neta partem em busca desse dinheiro, recorrendo a antigos amigos e até a um antigo namorado, Karl (Sam Elliott, que de ator machão em filmes de cowboy passou a galã da terceira idade). No meio do caminho, elas também recorrem à mãe de Sage, Judy (Marcia Gay Harden), uma executiva de sucesso que nunca ligou para a filha e cuja relação cm Elle também não era das melhores. Resumo da ópera: trata-se de um filme sério, que aborda com sensibilidade e humor temas como lesbianismo, aborto e relacionamento familiar, valorizado pelo ótimo desempenho das atrizes. Curiosidade: o carro utilizado pela avó para pegar estrada com a neta é um Dodge Royal modelo 1955, pertencente à própria Lily Tomlin. Por esse papel, aliás, ela foi indicada ao Globo de Ouro 2016 como Melhor Atriz. Um filme muito agradável de assistir.               

sábado, 28 de maio de 2016

Exemplar típico do cinema independente, “SPARROWS DANCE” (“Dança dos Pardais”, em tradução literal), EUA, 2012, é um filme enxuto, não apenas no orçamento (U$ 175 mil), como também na duração (81 minutos), como no elenco (apenas dois atores) e como no único cenário (um minúsculo apartamento). Uma atriz (Marin Ireland), cujo personagem não tem nome, está reclusa em seu apartamento há um ano, depois de ter sofrido um ataque de pânico no palco, onde atuava numa peça. Ela pede comida e faz compras por telefone, sem nunca aparecer na porta. Deixa o dinheiro no chão e só depois que o entregador vai embora ela abre e pega suas encomendas. Sua esquisitice não tem limites, reforçada por tiques nervosos. Só que um dia ocorre um vazamento no banheiro e ela é obrigada a chamar um encanador, Wes (Paul Sparks). Conversa vai, conversa vem, eles se entrosam e acabam criando um vínculo bastante forte. Wes conta que também é músico de jazz (saxofonista), o que gera um diálogo bastante interessante, com a citação, por ambos, de vários jazzistas famosos. Também conversam sobre literatura, pois a moça é uma leitora voraz. Numas dessas conversas, Wes pergunta a ela qual o seu livro preferido. Ela responde que é “O Ousado Jovem do Trapézio Voador”, da William Saroyan. Exibido em vários festivais, o filme conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Austin. Eu achei que o filme não é tão bom assim – apenas interessante -, mas a atriz, esta sim, é ótima.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

A Eutanásia já foi tema de inúmeros filmes, geralmente dramas pesados. “A FESTA DE DESPEDIDA” (“Mita Tova”), Israel, 2014, foge desse estereótipo, pois trata o tema com rara sensibilidade e humor. A história é ambientada num asilo de velhos em Jerusalém. Quando Yana (Aliza Rozen) pede aos amigos que aliviem a dor do marido Max, que sofre de câncer, o engenheiro aposentado Yehezkel (Ze’ev Revaca) resolve construir uma pequena máquina de eutanásia, adaptando um dispositivo que deve ser comandado pelo próprio doente. Apesar dos prós e contras, o equipamento é utilizado por Max. A notícia se espalha pelo asilo e outros velhos com doença terminal resolvem também utilizar a máquina. Em meio a discussões sobre questões éticas e religiosas, o roteiro e a direção da dupla Tal Granit e Sharon Maymon encontraram espaço para momentos de muito humor, como aquele em que Yehezkel telefona para uma velhinha dizendo ser Deus, ou aquela cena em que os velhinhos resolvem ficar pelados e são repreendidos pela direção do asilo. Claro, não há como ficar imune à tristeza de determinadas cenas, principalmente aquelas em que os doentes se despedem dos familiares e amigos. O elenco, constituído de artistas famosos em Israel e desconhecidos por aqui, é ótimo e valoriza ainda mais esse excelente drama, desenvolvido em enxutos 95 minutos. O filme, exibido por aqui durante o 19º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, conquistou vários prêmios em festivais pelo mundo afora, inclusive o de Público no Festival de Veneza 2014.  
“O ROSTO DE UM ANJO” (“The Face of an Angel”), 2015, Reino Unido/Itália, é um drama de suspense baseado no livro “Angel Face”, escrito pela jornalista norte-americana Barbie Latza Nadeau, que cobriu para a revista Newsweek todo o caso envolvendo o assassinato da estudante inglesa Meredith Kercher, em 2007, na cidade italiana de Perúgia, pelo qual foram presos, julgados e condenados a norte-americana Amanda Knox e o seu namorado italiano Raffaele Sallecito. O personagem principal do filme é o cineasta Thomas (o ator alemão Daniel Brühl), que vai para a Itália recolher subsídios sobre o caso e escrever o roteiro de um filme. Ele recebe a ajuda da jornalista Simone Ford (Kate Beckinsale), que cobre o caso desde o ínicio. Mesmo com a ajuda de grandes doses de cocaína, Thomas não consegue inspiração para montar um script. Então resolve dar uma de investigador para tentar descobrir a verdade, nem que para isso precise arriscar sua vida. O roteiro, escrito por Paul Viragh, é um tanto confuso, principalmente na primeira metade do filme, quando ficção e cenas reais do julgamento misturam-se num verdadeiro “samba do crioulo doido”. O diretor Michael Winterbottom tem um currículo invejável (“O Preço da Coragem”, “Bem-Vindo a Sarajevo”), mas desta vez ficou devendo.      
“TODOS OS CAMINHOS LEVAM A ROMA” (“All Roads Lead to Rome”), 2015, EUA, é uma comédia romântica que marca a estreia da diretora sueca Ella Lenhagen em Hollywood. Maggie (a feiosa Sarah Jessica Parker) parte em viagem com a filha adolescente Summer (Rosie Day) para a Toscana (Itália). Seu objetivo é, em primeiro lugar, afastar a filha do namorado envolvido com o tráfico de drogas. Em segundo, tentar melhorar o relacionamento com Summer. Chegando à Toscana, Maggie reencontra um antigo namorado italiano, Luca (Raoul Bova). Carmen (Claudia Cardinale), mãe de Luca, convence Summer a roubar o carro do filho e fugir para Roma, onde um antigo namorado a está esperando para casar. Aí começa a confusão. Summer e Carmen partem para Roma num verdadeiro passeio turístico pelo interior da Itália e o espectador embarca junto nessa viagem (os cenários são muito bonitos). Para complicar ainda mais a situação, a polícia é notificada de que houve um sequestro e começa a perseguição. Luca e Maggie também embarcam nessa aventura tentando localizar mãe e filha, respectivamente. Há bons momentos de humor, mas, no geral, o filme decepciona por insistir nos clichês do gênero, incluindo o final feliz. Triste mesmo foi ver a diva Claudia Cardinale tão envelhecida. Para compensar, tem a beleza estonteante da atriz espanhola Paz Vega, que faz apenas figuração, mas quando aparece ilumina a telinha. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

“REAPRENDENDO A AMAR” (“I Will See You in my Dreams”), EUA, 2015, é um drama bastante simpático, dirigido com sensibilidade pelo diretor Brett Haley. Ainda como destaque, a atriz Blythe Danner (mãe de Gwyneth Paltrow na vida real), ainda muito competente e charmosa aos 73 anos. No filme, ela interpreta Carol, uma viúva de 70 anos que vive de remoer o passado ao lado de seu fiel cão Haezel. Sua única diversão é encontrar as amigas (Mary Kay Place, Rhea Perlman e June Squibb) uma vez por semana para jogar cartas e fofocar. É nessas reuniões que acontecem os momentos de humor. Carol, porém, entra em depressão depois da morte do seu cão e só melhora quando faz amizade com Lloyd (Martin Starr), o jovem limpador de piscina. Aliás, um dos melhores momentos do filme é quando Lloyd leva Carol a um karaokê e ela canta “Cry Me a River”. De arrepiar. Logo depois, Carol conhece Bill (Sam Elliott), um “coroa” charmoso por quem se apaixona. O tema principal do filme é a velhice e o que fazer para enfrentá-la da melhor maneira possível. A maioria dos diálogos discute o assunto de forma realista e, ao mesmo tempo, com muita leveza. Faz a gente refletir. Resumindo, um filme bastante agradável.  

domingo, 22 de maio de 2016

“TRAUMAS DE INFÂNCIA” (“The Adderall Diaries”), 2015, EUA, é uma adaptação cinematográfica do livro homônimo do escritor, jornalista, roteirista e cineasta Stephen Elliott. O roteiro e a direção ficaram a cargo de Pamela Romanowsky. Robert Redford aparece nos créditos como produtor executivo desse ótimo drama estrelado por James Franco, Amber Heard, Ed Harris, Christian Slater e Cynthia Nixon. Stephen Elliott (Franco) é um jovem escritor atormentado pelo passado. Não consegue esquecer o péssimo relacionamento que teve com o pai Neil (Ed Harris), um homem violento que abandonou Stephen e a esposa por outra mulher. Durante o lançamento do livro em que escreve suas memórias, Stephen é surpreendido pela presença do pai, que não via há anos. Os dois terão de se confrontar novamente, relembrar o passado e discutir quem foi o culpado por tudo o que aconteceu. Enquanto isso, além de namorar Lana Edmond (Amber Heard), Stephen fica obcecado por um assassino confesso, Hans Reiser (Slater), que matou a esposa. Stephen quer escrever a história de Reiser, relembrando “A Sangue Frio”, de Truman Capote. Romanowsky fez um excelente trabalho de roteiro e direção, provando ser uma jovem talentosa com um futuro bastante promissor.       

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Poucos atores hoje em dia personificam tão bem o tipo machão quanto o ator espanhol Javier Bardem. Mas ele já teve seu momento “delicado”, interpretando um amante gay. Foi no dramalhão “A SEGUNDA PELE” (“Segunda Piel”), de 1999, dirigido por Gerardo Vera. Bardem é Diego, um conceituado médico-cirurgião de Madri que vive um caso de amor com o engenheiro Alberto (Jordi Mollá), que é casado com Elena (Ariadna Gil) e tem um filho. Elena acaba descobrindo o caso e ameaça Alberto com a separação. A partir daí, Alberto entra naquela fase de incerteza, quando não sabe se fica com a família e se separa de Diego ou vice-versa. Uma tragédia, no desfecho, resolverá o problema. O diretor Vera exagerou nas cenas de sexo, longas e beirando o explícito. Incomodam. A trilha sonora, de Roque Baños, tenta amplificar o drama, mas só consegue ser chata e um tanto deslocada da ação. Os atores estão muito bem, principalmente Bardem, Jordi Mollá e Ariadna (uma das atrizes espanholas mais bonitas). Mollá, aliás, ganhou o prêmio Goya de Melhor Ator em 2000. Completa o elenco Cecilia Roth. Não é daqueles filmes que a gente possa recomendar com elogios. Prefiro ficar com “arrisque e tire suas conclusões”.  Mas pode ser interessante para ver esses atores, hoje consagrados, então em início de carreira.  

segunda-feira, 16 de maio de 2016

“PAPÉIS AO VENTO” (“Papeles em el Viento”), 2015. Mais um gol de placa do cinema argentino. Literalmente, pois a história tem como pano de fundo o futebol, a começar pelo título do filme, que se refere aos papéis jogados pelas torcidas nos estádios de futebol da Argentina. O enredo é saboroso: El Mono (Diego Torres) resolve investir na compra do passe de um jogador promissor, um tal de Pittilanga, um perna-de-pau cujo único mérito foi ter sido convocado pela seleção argentina sub-17. Aos 21 anos, joga num timeco da 3ª divisão do campeonato argentino. Com a morte de El Mono, o irmão Fernando (Diego Peretti) e seus dois melhores amigos, Maurício (Pablo Echarri) e Russo (Pablo Rago), tentam fazer de tudo para negociar o passe do jogador e recuperar o dinheiro, que pretendem destinar à ex-esposa e à filha pequena do falecido. O diretor Juan Taratuto (“A Reconstrução” e “Um Namorado para Minha Esposa”) soube dosar com maestria momentos dramáticos com outros de muito humor, o que torna esse filme muito agradável de assistir, mesmo que destinado ao público masculino. Bom lembrar que a história é baseada no livro homônimo do escritor Eduardo Sacheri, o mesmo que escreveu o roteiro do ótimo “O Segredo dos seus Olhos”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, um aval e tanto para mais este excelente - e imperdível - filme argentino.        

sábado, 14 de maio de 2016

“O DONO DO JOGO” (“Pawn Sacrifice”), 2014, EUA, direção de Edward Zwick (“Diamante de Sangue” e “O Último Samurai”) e roteiro escrito por Steven Knight (“Senhores do Crime”). Para quem nunca ouviu falar, o norte-americano Bobby Fischer foi um dos maiores enxadristas do mundo. Este filme conta sua história, destacando a conquista do Campeonato Mundial de 1972, em Reykjavik, capital da Islândia, quando Fischer enfrentou e venceu o até então invencível jogador russo Boris Spassky, naquela que foi chamada a “Batalha da Guerra Fria”. Ao quebrar a hegemonia dos russos no Xadrez, Fischer ganhou notoriedade mundial. Ele já era famoso nos EUA, quando, aos 15 anos, ganhou o título de “Grande Mestre” e o Campeonato Nacional de Xadrez. O filme mostra Fischer como um gênio mentalmente perturbado, com mania de perseguição, egocêntrico e irascível. Tinha verdadeiro horror dos comunistas, embora sua mãe tenha sido filiada ao partidão. Enfim, um gênio genioso. Na vida real, teve um fim triste, como mostra o filme nos seus créditos finais. Tobey Maguire (“Homem-Aranha”) é Bobby Fischer, numa excelente interpretação. Também estão no elenco Liev Schreiber (Boris Spassky), Michael Stuhlbarg (Paul Marshall) e Peter Sarsgaard (Padre Bill Lombardy). O maior mérito do diretor Steven Zwick foi criar, de forma irrepreensível, o clima político que predominava naqueles anos, tendo como pano de fundo a Guerra Fria. A recriação de época, cenários e figurinos, também é o grande destaque desse ótimo filme, que merece ser visto não apenas pelos aficionados do Xadrez. Imperdível!    

terça-feira, 10 de maio de 2016

O tema “vingança com as próprias mãos” já ganhou inúmeros e incontáveis filmes. O melhor deles talvez ainda seja “Desejo de Matar”, com Charles Bronson, na década de 70. Assassinos matam alguém da família – ou a família inteira – do mocinho, que espera seja feita justiça pela polícia ou pela própria Justiça. Como isso não acontece, ele parte para a vingança pessoal. Clichê dos clichês. Agora chega mais um nessa linha. “EU SOU A FÚRIA” (“I Am Wrath”), 2015, EUA, traz John Travolta no papel de Stanley Hill, um ex-agente do governo americano cuja esposa é brutalmente assassinada no estacionamento de um aeroporto. A polícia não faz nada e o viúvo resolve, então, com a ajuda de um antigo companheiro, sair à caça dos criminosos. No meio do caminho, porém, descobre que os assassinos não agiram por conta própria, numa trama envolvendo policiais corruptos, um traficante de drogas psicopata e até uma alta autoridade governamental. Apesar do diretor Chuck Russell (“O Máskara”, “Queima de Arquivo” e “O Escorpião Rei”) e da presença de Travolta, além de outros atores bastante conhecidos como Christopher Meloni, Rebecca de Mornay (ainda em grande forma) e Amanda Schull, “Eu sou a Fúria” não passa de um filmeco B, que mais merecia Nicolas Cage no papel principal, o que quase aconteceu, e não Travolta, que aliás, ultimamente, só tem feito filmes medíocres. Este é mais um da lista.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O drama francês “O VALE DO AMOR” (“La Vallée de L’Amour” ou “Valley of Love”) teve sua primeira exibição no Festival de Cannes 2015, onde disputou a Palma de Ouro. A história: os atores Gérard (Gérard Depardieu) e Isabelle (Isabelle Huppert), há muitos anos separados, recebem, cada um, uma carta de Michael, o filho que se matara sete meses antes, pedindo que os dois viajem para o Death Valley (Vale da Morte), na Califórnia, em determinados dias de novembro. Lá, segundo ele escreveu nas cartas, Gérard e Isabelle teriam a oportunidade de revê-lo. Um toque de mediunidade. Durante os dias em que passam juntos, sob um calor escaldante, Gérard e Isabelle aproveitam para aparar algumas arestas do passado, entre as quais o arrependimento de ambos por não terem dado a atenção devida ao filho, com o qual não tinham relação há anos. Isabelle acredita no que o filho diz nas cartas, mas Gérard não vê com bons olhos qualquer manifestação espiritual. O diretor Guillaume Nicloux (“A Religiosa”) manteve os nomes dos atores em seus personagens. Tem até uma passagem engraçada no filme, quando Gérard é reconhecido por um hóspede do hotel, que lhe pede um autógrafo. Gérard escreve “Bob De Niro”. Falando no ator francês, ele nunca esteve tão gordo. Parece um ogro. Mas, de qualquer forma, é um grande ator. E Isabelle Huppert, a atriz competente de sempre. Os dois, praticamente os únicos protagonistas, seguram o filme. Só por Depardieu e Huppert, vale uma visita. Ah, o filme ganhou, merecidamente, o Prêmio César (o Oscar francês) de Melhor Fotografia. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016


“QUE VIVA EISENSTEIN!” (“Eisenstein in Guanajuato”), 2014, México, direção de Peter Greenaway. Os filmes do veterano cineasta britânico não são para iniciantes. Sabe disso quem já assistiu a alguns deles, como “O Livro de Cabeceira”, “Afogando em Números” e, principalmente, “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”. Baseado num fato real, ou seja, a viagem do diretor russo Sergei Eisenstein ao México, em 1931, para filmar “Que Viva México!”, Greenaway inventou uma série de acontecimentos que provavelmente foram frutos de sua fértil imaginação. E transformou tudo num filme em que fica difícil distinguir a ficção da realidade. Uma biografia surreal. Greenaway apresenta um Eisenstein (o ator finlandês Elmer Bäck) excêntrico, egocêntrico, verborrágico e inconveniente, o que talvez não tenha sido o diretor de filmes conceituados como “Encouraçado Potemkin”, “Greve” e “Outubro”. Greenaway utiliza um recurso visual bastante interessante para ilustrar as conversas de Eisenstein com seu guia mexicano, Palomino Cañedo (Luis Alberti). Cada vez que o diretor russo cita o nome de uma personalidade, seja um artista de cinema, escritor, filósofo ou político, imediatamente aparece na tela a foto de quem é citado. Num desses diálogos, Eisenstein cita os artistas que teve a oportunidade de conhecer em sua viagem a Hollywood, o que entendi ser uma homenagem de Greenaway ao cinema do Tio Sam. Achei que o diretor britânico explorou em demasia a homossexualidade do diretor russo, inclusive por intermédio de longas cenas de sexo entre ele e o seu guia mexicano. O filme estreou no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, sem muitos elogios. Enfim, mais um filme de Greenaway difícil de digerir, mas interessante de assistir.
 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Produzido em 2008 inicialmente para ser exibido na TV francesa, o drama “A BELA JUNIE” (“La Belle Personne”) ganhou espaço no circuito comercial de cinemas e fez sucesso junto ao público jovem e também adulto. Trata-se de uma adaptação do romance “La Princesse de Clèves”, escrito no século 17 por Madame de La Fayette. O roteiro e a direção ficaram a cargo de Christophe Honoré. A jovem Junie (Lea Seydoux), de 16 anos, vai morar em Paris na casa dos tios depois da morte de seus pais. Em seu novo colégio, Junie começa a atrair a atenção de outros jovens, encantados por sua beleza. Jacques Nemours (Louis Garrel), professor de italiano, acaba se apaixonando por Junie, mas ela está namorando Otto (Grégore Leprince-Ringuet), um rapaz tímido e quieto. Em meio a esse triângulo amoroso, o filme transcorre abordando a insegurança dos jovens a respeito de suas emoções, paixões, desilusões e ciúmes. O filme não é apenas interessante pela história em si, mas também pela oportunidade de ver alguns atores franceses que hoje são sucesso em início de carreira, como Lea Seydoux (morena e um pouco mais gordinha, mas já uma ótima atriz), Louis Garrel e Anaïs Demoustier.  Assim como é interessante a pequena e quase anônima participação da atriz Chiara Mastroianni. Gostei e recomendo.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

“PAIXÕES UNIDAS” (“United Passions – La Légende du Football”), 2014, direção de Frédéric Auburtin, é um filme dos mais interessantes para quem curte futebol. Em suas quase duas horas de duração, conta a história dos 111 anos da FIFA (Federação Internacional de Futebol), desde sua fundação em Paris, em 1904, até a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. O filme dá destaque especial a três dos principais personagens que construíram essa história, Jules Rimet (Gérard Depardieu), João Havelange (Sam Neill) e Joseph Blatter (Tim Roth). A produção francesa destaca também os bastidores e os intensos preparativos para a realização da primeira Copa do Mundo de Futebol, no Uruguai, em 1930, e a final de 1950, no Maracanã, quando o Uruguai calou 200 mil torcedores com sua vitória sobre a seleção brasileira. Também são destacados os bastidores das negociações da FIFA com fabricantes de materiais esportivos, a eleição de João Havelange e depois de Blatter e as crises financeiras da entidade. Pena que essa história tão bonita tenha sido manchada pela acusação de corrupção que atingiu seus principais dirigentes em 2015, o que prejudicou, e muito, o lançamento dessa caprichada produção francesa. De qualquer forma, trata-se de um filme que merece ser visto.