sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


“Jovem e Bela” (“Jeune & Jolie), 2013, é mais um ótimo drama do diretor francês François Ozon, que recentemente já nos havia presenteado com o suspense “Dentro da Casa”. Agora, Ozon conta a história de uma jovem de 17 anos, Isabelle (Marine Vacth), que, depois de perder a virgindade nas férias de verão, resolve trabalhar como prostituta de luxo, atividade que intercala com as aulas. A maioria dos seus clientes é formada por homens muito mais velhos. Seu preferido é Georges (o ator belga Johan Leysen), que tem idade para ser seu avô. Será justamente por causa dele que a família de Isabelle descobrirá sua atividade, digamos, “extracurricular”. Não há como não lembrar do enredo de “A Bela da Tarde” (1967), clássico de Luis Buñuel, com Catherine Deneuve. Bem casada com um médico (Jean Sorel), ela também passa as tardes com clientes de cama. No caso de Isabelle, porém, o conflito após a descoberta será com a mãe Sylvie (Géraldine Pailhas). Como agir com uma filha que entra para essa vida? Melhor ver o filme, valorizado ainda mais pelo trabalho espetacular dessa jovem e bela atriz Marine Vacth. Ainda de Ozon, não deixe de assistir também  "Swimming Pool" (2003), "O Refúgio" (2009), "Potiche, Esposa Troféu" (2010) ou qualquer outro que leve a sua assinatura. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vem da Estônia (co-produção com a Geórgia) esta pérola de filme: “Tangerinas” (“Mandariinid”), de 2013. Tanto o filme quanto seu diretor, Zaza Urushadze, receberam prêmios em vários festivais de cinema. A história: quando estoura a guerra entre os separatistas da Abecásia e as forças da Geórgia (1992/1993), os estonianos que habitavam desde o Século 19 várias aldeias na Abecásia (região do Cáucaso) fogem em massa de volta para a Estônia. Ivo (Lembit Ulfsak) e seu sócio Markus (Elmo Nüganen), donos de uma plantação de tangerinas, resolvem ficar para recolher a última safra. Um dia, porém, bem em frente à plantação, uma van com soldados georgianos intercepta um jipe com dois mercenários que lutam pelos separatistas. Depois de um intenso tiroteio, vários combatentes morrem e sobram dois feridos: um dos mercenários, de origem chechena, e um georgiano. Ou seja, inimigos mortais. Ivo presta os primeiros socorros aos dois feridos e depois os leva para casa, colocando-os em quartos separados. Utilizando-se de muita sabedoria e psicologia nas conversas com os dois feridos, Ivo vai administrar e controlar um possível conflito entre os dois. É nesses diálogos, inclusive entre o georgiano e o checheno - ácidos, bem-humorados e sensíveis -, que o filme adquire seu encanto e sua força maior. A presença arrebatadora do ator Lembit Ulfsak,  como Ivo, é um dos maiores trunfos dessa pequena obra-prima do cinema. Um filme mais do que imperdível, obrigatório!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Este é mais um aviso do que um comentário: não assista “Heli”, drama mexicano de 2012. A não ser que você curta os mais sórdidos tipos de violência não apenas contra seres humanos, mas também contra animais. Tem cachorro morto a tiros, outro estrangulado, cadáveres pendurados em ganchos, enforcamento em passarelas de estrada, torturas com crianças assistindo e vai por aí afora. Quando foi exibido no Festival de Cannes de 2013, muita gente saiu da plateia horrorizada e revoltada com as cenas de violência. E não é que, no mesmo festival, Amat Escalante recebeu o prêmio de Melhor Diretor por esse filme? Não dá para entender. Aliás, dá sim, pois de um festival que premia com a Palma de Ouro filmes execráveis como “Árvore da Vida” (2011) e “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas” (2010) pode se esperar qualquer absurdo. Eu me recusei a continuar assistindo. Parei no meio com o estômago embrulhado. Essa monumental excrescência só pode ter sido produzida para agradar psicopatas, sádicos e maníacos. Não se engane com a singeleza da foto da capa do DVD. A menina tem 12 anos e vai se envolver com um soldado traficante. Depois disso tudo, vai querer assistir?  
“O Lobo de Wall Street” (“The Wolf of Wall Street”), dirigido por Martin Scorsese, é um filme bastante desagradável de assistir. É preciso estômago forte para ver, durante três horas, num ritmo alucinante, inúmeras cenas de orgias sexuais, consumo quase ininterrupto de drogas, diálogos verborrágicos e histéricos e uma verdadeira aula de como ganhar dinheiro enganando milhares de pessoas honestas. A história é baseada no livro de memórias de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor de títulos em Wall Street que no final dos anos 80, começo dos 90, ficou milionário à frente da empresa Stratton Oakmont, responsável por fraudes milionárias no mercado de ações. O escândalo abalou Wall Street, Belfort acabou preso e, para ter sua pena diminuída, entregou os colegas de empresa. O filme começa com Belfort, aos 22 anos, ingressando numa corretora de Wall Street. Ele ganha um mentor na figura de um dos sócios da firma, Mark Hanna (Matthew McConaughey), que o ensina a aplicar as mais sórdidas estratégias para ganhar dinheiro explorando investidores inocentes. Depois de seis meses, Belfort arruma um sócio, Danny Porush (Jonah Hill), e resolve fundar sua própria corretora, a Stratton Oakmont. À base de cocaína, consumida aos potes no próprio escritório, Jordan e seus corretores ganham milhões, numa ascensão vertiginosa, assim como será sua queda. E viva o American Dream!  E por falar em sonho, reparem na atriz inglesa Margot Robbie, que faz Naomi, segunda mulher de Belfort. Além de tudo, ela ainda trabalha muito bem.                                     

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“Bebê de Outubro” (“October Baby”), EUA, 2011, dirigido por Jon e Andrew Werwin, é um drama sensível que trata de vários temas polêmicos como aborto, família, adoção, culpa, paternidade e perdão. Tem um pano de fundo religioso, mas enfoca todos esses assuntos com extrema leveza e sensibilidade. Enfim, um filme que nos motiva a fazer uma reflexão sobre o nosso modo de agir e pensar. Hannah (a bela Rachel Hendrix) tem 18 anos e saúde bastante frágil. Sofre de asma, já fez diversas cirurgias no quadril e, ainda por cima, é epilética. Numa conversa com o médico da família, junto com os pais, descobre que seus problemas de saúde provavelmente tenham ligação com o fato de ter nascido prematuramente. Para jogar mais lenha na fogueira do drama, Hannah também descobre que seus pais não são os biológicos. Aí ela entra em crise, briga com os pais adotivos e sai em busca dos pais biológicos. Para isso, parte com alguns amigos para uma longa viagem. Durante essa busca, Hannah vai descobrir outros segredos que mudarão o seu modo de pensar. Um filme bonito, sensível, merece ser assistido por toda a família

domingo, 16 de fevereiro de 2014

“O Quarto das Borboletas” (“The Butterfly Room”), uma produção EUA/Itália de 2012, é um suspense de terror que conta a história de Anna (Barbara Steele), uma senhora elegante que mora sozinha num apartamento. Ela é solitária e misteriosa. Num dos quartos, preserva uma grande coleção de borboletas, sua única distração. Anna só recebe as visitas de Julie (Ellery Sprayberry), uma menina que é sua vizinha, e de Alice (Julia Putnam), outra menina que conhecera num shopping center. Ao longo desses dois relacionamentos, que vão envolver ainda as mães das meninas, Anna aos poucos vai revelando sua verdadeira personalidade maligna, o que inclui algumas mortes e cadáveres no poço do elevador. A atriz Barbara Steele é bastante conhecida por ter atuado em diversos filmes de terror na década de 60 e 70, incluindo alguns do diretor Roger Corman. Chegou a fazer um pequeno papel no clássico ”Oito e Meio” (1963), de Federico Fellini. Dirigido por Jonathan Zarantonello, “O Quarto das Borboletas” não passa de um terror B, mas consegue manter um certo suspense e dar alguns sustos, mais pela interpretação de Barbara do que pelo próprio filme.        
Finalmente, em meio a tanta mediocridade, surge um filme inteligente, sensível e divertido. “Questão de Tempo” (“About Time”), 2013, é uma comédia romântica britânica dirigida por Richard Curtis (“Um lugar chamado Notting Hill”, “O Diário de Bridget Jones”). Ao completar 21 anos de idade, o jovem Tim (Domhanall Gleeson) recebe do pai Dad (o ótimo Bill Nighy) a notícia de que pode voltar no tempo, tradição que envolve os homens da família há gerações. Para isso, basta entrar num lugar fechado e escuro, fechar os olhos e as mãos e escolher o dia e o local. É claro que ele fica desconfiado, pensando que o pai está brincando. Tim resolve comprovar a história e, para sua surpresa, a magia funciona. Ele resolve então fazer o teste com a prima Charlotte (a belíssima Margot Robbie, que também está em “O Lobo de Wall Street”), por quem está apaixonado. Depois do teste, frustrante, ele vai para Londres morar com um amigo do pai, o dramaturgo e mal-humorado Harry (Tom Hollander), dono de algumas das "tiradas" mais engraçadas do filme. Na capital inglesa, acaba conhecendo Mary (a gracinha Rachel McAdams), o que vai mudar radicalmente sua vida. O final é muito bonito e, com certeza, vai emocionar os mais sensíveis. Além da história bem elaborada, o elenco é de primeira linha. Domhannal dá conta do recado como um Tim meio feio, meio charmoso, meio atrapalhado, mas muito engraçado. “Questão de Tempo” é puro entretenimento. Simplesmente imperdível!     
Baseado num conto escrito por James Thurber e publicado em 1937 pela Revista New Yorker, “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life ofd Walter Mitty”), 2013, não engrena e se arrasta por 125 minutos contando a história de Walter Mitty (Ben Stiller, que também é o diretor), responsável pelo arquivo e revelação de fotos da Revista Life. Prestes a se transformar apenas em edição on-line (como aconteceu com a verdadeira em meados da década passada), a revista prepara-se para produzir sua última edição impressa. A foto de capa deverá ser o negativo de nº 25, escolhido entre os vários enviados pelo fotógrafo Sean O’Connell (Sean Penn). Sem uma explicação no mínimo razoável, Walter parte mundo afora em busca do fotógrafo, indo parar no Himalaia, depois de passar pela Groelândia e pela Islândia. Tudo, é claro, fruto da imaginação dele. Por longos e entediantes minutos, você estará assistindo a um tipo de documentário do National Geographic Channel – pelo menos as imagens são bonitas. A maioria dos diálogos não tem o mínimo nexo. Fora a bonita e sensível mensagem final revelada pela foto de capa, associada à razão do sucesso da verdadeira revista – impossível comentar para não estragar a surpresa -, o filme é bastante decepcionante. Faltou ritmo de ação para um filme que pretendia ser de aventura.   

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

É claro que a ideia foi trazer de volta e reunir para relembrar dois personagens míticos do mundo do boxe que fizeram o maior sucesso no cinema nas décadas de 70 e 80: Rocky Balboa (Silvester Stallone), de “Rocky, um Lutador”, e Jake La Motta (Robert De Niro), de “Touro Indomável”. Só que na comédia “Ajuste de Contas” (“Grudge Match”), de 2013, dirigida por Peter Segal, De Niro é Billy “The Kid” McDonnen e Stallone é Henri “Razor” Sharp. Ex-campeões mundiais dos pesos meio-pesados, agora beirando os setenta, eles vão encarar uma revanche que poderia ter sido realizada mais de 30 anos atrás, mas não foi por desistência de Sharp. Embora fisicamente em forma para suas idades, De Niro e Stallone deixam a desejar no quesito “estética facial". De Niro está bem melhor, mas Stallone lembra aquelas pessoas que aparecem em programas médicos de TV a Cabo do tipo “A Plástica deu Errado”. Ah, e continua falando como se tivesse um ovo cozido inteiro na boca. Kim Bassinger, porém, continua um assombro. Além de estar em ótima forma, continua muito bonita e charmosa. A comédia é bem legal, reforçada pelo ótimo Alan Arkin como o técnico de “Razor”. Na luta final, Stallone e De Niro também dão conta do recado no ringue.  Diversão garantida!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Robert De Niro, Michael Douglas, Kevin Kline e Morgan Freeman. Esse verdadeiro quarteto fantástico de atores comanda o elenco da comédia “Última Viagem a Vegas” (“Last Vegas”), dirigida em 2013 por Jon Turtelbaub. Billy (Douglas), Archie (Freeman), Paddy (De Niro) e Sam (Kline) são amigos desde a infância no Bairro do Brooklyn (New York). Cresceram e cada um tomou seu rumo, mas mantiveram a amizade, alimentada por telefonemas e encontros esporádicos. Agora, todos setentões, resolvem ir a Las Vegas para a despedida de solteiro de Billy, que vai casar com uma mulher 40 anos mais jovem. Quando um telefona para o outro para combinar a viagem, quem recebe o telefonema pergunta de cara: “Desta vez foi a próstata?” ou “Já sei, teve um infarto...”. Em Las Vegas, eles vão se divertir muito durante todo um final de semana, em baladas, jogatinas e até como jurados num concurso de meninas de biquíni. Lá, conhecem a crooner de boate Diana (Mary Steenburgen), pela qual Billy e Paddy vão se apaixonar (um replay do que aconteceu com os dois quando eram jovens). A graça maior da comédia está nos diálogos entre os quatro amigos, cujo bom humor consegue colocar de lado as agruras da velhice. Dá pra perceber que os atores também estão se divertindo, o que torna a comédia ainda mais engraçada.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Theodore (Joaquin Phoenix) é o personagem principal do filme “Ela” (“Her” no original – vai entender a tradução...), de 2013. A história é situada numa Los Angeles de um futuro próximo (20, 50, 100 anos?). Ele é escritor de cartas para os outros – ao estilo de Fernanda Montenegro em “Central do Brasil”, só que pela Internet. Numa fase terrível de baixo astral em virtude do processo de divórcio, Theodore tenta conhecer alguém em chats de bate-papo, mas acaba desistindo. Resolve, então, adquirir e instalar em seu computador um sistema operacional cujo pacote compreende a voz de uma mulher, Samantha (Scarlett Johansson, que infelizmente não aparece). Papo vai, papo vem, ele acaba se apaixonando perdidamente pela tal Samantha, a ponto de recusar duas transas com lindas mulheres (uma delas interpretada por Olivia Wilde). Theodore passa 90% do filme conversando com a tal voz. Imagine a chatice. Um dia, num ataque de ciúme, ele pergunta a Samantha se ela conversa com mais alguém. Ela responde que conversa com mais de 8 mil. “Você se apaixonou por  alguém?”, ele pergunta. Meio sem jeito, ela responde: “Por 641”. E por aí vai... Os cenários futuristas até que são interessantes. Não me surpreendi pela esquisitice do filme, já que o diretor Spike Jonze é especialista no assunto, vide “Adaptação” e “Quero ser John Malkovich”.  Que me desculpem os críticos profissionais, que adoram Jonze e elogiaram “Ela”, mas minhas reações durante o filme não passaram de alguns sonoros bocejos... 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

“A Última Gangue” (“Le Dernier Gang”), de 2007, dirigido por Ariel Zeitoun, é um filme de ação francês que conta a história real da “Gangue das Perucas”, que nos anos 80 praticou inúmeros assaltos a bancos em Paris. O nome “Gangue das Perucas” é por causa dos disfarces que utilizavam durante os roubos. O chefe da quadrilha era Simon (Vincent Elbaz), que começou no crime nos anos 70, junto com alguns amigos, praticando pequenos furtos no Bairro de Belleville. Quando foi preso, ele conheceu na cadeia o marginal Casa (Sami Bouajila). Quando foram soltos, ambos resolvem montar uma gangue para assaltar bancos. De 81 a 86, a quadrilha praticou inúmeros assaltos e sempre conseguia despistar a polícia. O filme tem ainda o romance de Simon com Julie (Clemence Poesy). Mesmo sabendo da vida de Simon, ela continua apaixonada, o que configura um típico amor bandido. A caçada policial é comandada por Milan (Gilles Lellouche). O filme é bem feito, conta com um ótimo elenco, tem muita ação e alguns momentos de humor, comprovando que os franceses também sabem fazer bons filmes policiais e de ação.   

domingo, 9 de fevereiro de 2014

“A Vida durante a Guerra” (“Life during Wartime”), EUA, 2009, leva a assinatura do diretor Todd Solondz (“Felicidade”, “Bem-Vindo à Casa de Bonecas”, “Palíndromos”). Trish Jordan (Allison Janney) é a mãe de três filhos, um deles na universidade, cujo marido Bill (Clarán Hinds) está preso por pedofilia. Para os menores, ela contou que o pai havia morrido. Enquanto isso, sua irmã Joy (Shirley Henderson) convive e conversa com os fantasmas de dois ex-namorados, enquanto a terceira irmã escreve roteiros para Hollywood. Timmy (Dylan Riley Snyder), filho do meio de Trish, descobre que o pai está vivo e ainda por quê foi preso. Timmy é o responsável pelos melhores diálogos do filme, principalmente quando tenta entender os atos do pai pedófilo e o mundo em que vive. Com tanta coisa acontecendo, parece que o filme é uma miscelânea, mas não. Pelo contrário, o roteiro é muito bem elaborado (ganhou o Prêmio de  Melhor Roteiro no Festival de Veneza em 2010), os diálogos são inteligentes e o elenco é ótimo, com destaque para Allison Janney, Shirley Henderson e Charlotte Rampling, sensacional como a mulher de meia idade que seduz Bill num hotel. Quem não viu os outros filmes de Solondz, principalmente “Felicidade”, pode estranhar o seu estilo. Ele gosta de chocar com as atitudes de seus personagens desequilibrados, mas de uma forma que deixa seus filmes muito interessantes.    

sábado, 8 de fevereiro de 2014

“Frauensee” (“Womans Lake”) é um drama alemão de 2012, dirigido por Zoltan Paul, que conta a história do romance de duas quarentonas, Rosa (Nele Rosetz), uma pescadora na zona campestre ao norte de Berlim, e Kirsten (Therese Hämer), uma arquiteta de sucesso que passa os finais de semana em sua bela casa à beira do lago onde Rosa pesca. O caso das duas, que já dura um ano e meio, vai bem até a chegada de duas jovens berlinenses que também formam um casal. Elas são convidadas a se hospedar na casa de Kirsten. Uma delas, Evi (Lea Draeger), joga seu charme pra cima de Rosa, que não rejeita o assédio. Aí a coisa se complica e vai deixar o ambiente pesado. As poucas cenas de sexo são feitas com bom gosto, sem apelação. A fotografia, baseada em imagens do lago, é muito bonita, mas não salva o filme.   
“Não se pode viver sem amor” é um drama nacional de 2010 dirigido por Jorge Durán. Foi lançado no Festival de Gramado, onde recebeu os prêmios de Melhor Atriz (Simone Spoladore), Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. De tanto seu filho Gabriel (Victor Navega Motta) insistir em conhecer o pai, que os abandonou uns anos antes, Roseli (Spoladore) o leva para o Rio de Janeiro a fim de ambos tentar encontrá-lo. Enquanto isso, João (Cauã Raymond), um advogado fracassado e falido, tenta reconquistar Gilda (Fabíula Nascimento), uma prostituta, e parte para o crime. Em paralelo, corre a história do professor Pedro (Ângelo Antonio), cujo pai sofre um infarto e morre. Num determinado momento, esses personagens vão se cruzar, o que vai provocar uma mudança radical em suas vidas.  Mesmo com um elenco de bons atores, incluindo ainda Maria Ribeiro e Rogério Fróes, o filme não consegue engrenar e é prejudicado ainda mais pelas demonstrações meio forçadas de paranormalidade do menino Gabriel. O happy end é constrangedor.   

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tudo em “Trapaça” (“American Hustle”), EUA, 2013, dirigido por David O. Russell, funciona às mil maravilhas. A história, o roteiro bem elaborado, o elenco em estado de graça, humor na medida certa, suspense e uma trilha sonora deliciosa, que vai de Duke Ellington a Paul McCartney, passando por Elton John e Bee Gees – numa das cenas mais saborosas, a idem Jennifer Lawrence arrasa cantando e dançando “Live and Let Die”. A história é baseada em fatos reais acontecidos no final dos anos 70. Os trambiqueiros Irving Rosenfeld (Cristian Bale) e Sydney Prosser (Amy Adams) são presos pelo FBI e obrigados, em troca de uma prometida futura liberdade, a participar de um esquema para mandar alguns figurões – políticos e mafiosos – para a cadeia. Para isso, contam com a assessoria direta do agente Richie Dimaso (Bradley Cooper). Mas nem tudo vai sair como o esperado. Algumas reviravoltas no final incrementam ainda mais o enredo. Para fazer o personagem do trambiqueiro Irving, Bale engordou 18 quilos. Robert De Niro, quase irreconhecível, aparece numa ponta como um chefão mafioso, papel que adora fazer e com grande competência. Mais uma curiosidade: em Portugal, o filme foi lançado como “Golpada Americana”... Enfim, um filme imperdível!
“As Vidas de Arthur” (“Arthur Newman”), EUA, 2012, é uma comédia dramática dirigida por Dante Ariola em seu primeiro longa. Divorciado, rejeitado pelo filho adolescente, sem amigos e entediado com o trabalho e com a própria vida, Avery Wallace (Colin Firth) simula a própria morte e sai por aí com outra identidade, a de Arthur Newman. Numa das suas andanças, acaba conhecendo a maluquete Michaela “Mike” Fitzgerald (Emily Blunt). Os dois fazem amizade e saem pelo interior dos EUA de cidade em cidade, invadindo casas para transar, comer e tomar banho. É claro que, no meio do caminho, acabam se apaixonando. De conversa em conversa, acabam se revelando e chegando à conclusão que deveriam voltar à vida que levavam. O filme é conduzido em 1ª marcha e termina como começou: sem qualquer emoção. Não sei por quê rotularam o filme de “comédia dramática”, pois nem um leve sorriso é capaz de arrancar. E o drama quem sofre é o espectador. Dois ótimos e consagrados atores como os ingleses Firth e Blunt poderiam ter escolhido melhor.  
“Bonitinha, mas Ordinária” teve esta terceira adaptação para o cinema do livro de Nelson Rodrigues. O filme foi produzido em 2008, mas lançado apenas em 2013. Esta nova versão, dirigida por Moacyr Góes, tem no elenco os atores João Miguel, Leandra Leal, Letícia Colin, Gracindo Júnior, Giselle Lima, Ligia Cortez, Ângela Leal e André Valli. A bonitinha do título é Maria Cecília (Letícia Colin), filha de um grande empresário, Dr. Werneck (Gracindo Júnior). Ela carrega o trauma de ter sido violentada por cinco marginais durante um baile funk numa favela. Para limpar sua barra, o pai “contrata” um funcionário subalterno de sua empresa, Edgard (João Miguel), para casar com a filha. Só que Edgar ama de verdade outra mulher, sua vizinha Ritinha (Leandra Leal). Esse dilema vai acompanhar Edgard durante toda a história. Para modernizar a história, Moacyr Góes adaptou ao filme a linguagem e o cenário do Rio de Janeiro dos dias atuais. Embora tenha conseguido um bom resultado, principalmente pelo desempenho do elenco, a segunda adaptação para o cinema, de 1981, com Lucélia Santos, ainda é a melhor. Porém, há de se reconhecer que a atriz Letícia Colin é muito mais bonitinha e ordinária. O filme foi dedicado ao ator André Valli – o Visconde de Sabugosa do Sítio do Pica-Pau Amarelo -, falecido logo após as filmagens.  

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


“A Grande Beleza” (“La Grande Bellezza”), 2013, dirigido por Paolo Sorrentino, é um verdadeiro exemplo do que se convencionou chamar “Cinema de Arte”. Como tal, desperta reações e sentimentos variados. Uns gostam, outros detestam. Sorrentino fez uma crônica da Roma atual, revelando a face mundana da alta sociedade romana e sua decadência moral e intelectual. O cronista que nos levará a esta viagem é o personagem Gep Gambardelli (Toni Servillo, sensacional), um escritor de 65 anos que escreveu apenas um livro e que agora vive a maior parte do seu tempo frequentando as mais badaladas festas da capital italiana. Tal como Fellini fez em “A Doce Vida” e em “Roma”, a arquitetura da capital italiana, com seus mais representativos monumentos e locais turísticos, aparece como cenário de quase todas as cenas. O contraste com a modernidade é mostrado em várias situações, como na festa de aniversário de Gep, no início do filme. Enquanto os convidados dançam ao som de música techno, aparece ao fundo o Coliseu. “A Grande Beleza” é um filme, sem dúvida, instigante, e, por isso mesmo, merece ser visto. Grande parte da crítica especializada o colocou no pedestal das grandes obras-primas do cinema. Eu gostei, mas não chegaria a tanto. Assista e tire suas próprias conclusões. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Antes de ficar mundialmente famoso pela transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, em 1938, que narrava de forma realista a invasão da terra por alienígenas, levando pânico à população de Nova Iorque e dos EUA, e por ter dirigido “Cidadão Kane”, em 1941, seu primeiro longa e talvez o filme mais cultuado até hoje, Orson Welles era diretor de teatro. Em 1937, lançou a ideia de encenar as obras de William Shakespeare no Mercury Theater, em Nova Iorque. A primeira peça foi “Júlio César”. “Eu e Orson Welles” (“Me and Orson Welles”), filme inglês de 2008 dirigido por Richard Linklater, mostra os bastidores dessa produção teatral, mas com a inclusão de um personagem fictício, o jovem Richard Samuels (Zac Efron), de 17 anos, que conhece Orson acidentalmente na porta do Mercury Theater e acaba participando da peça. O filme enfoca com destaque como Orson era egocêntrico, megalomaníaco e prepotente, mas, sem dúvida, um gênio da arte. Quem o interpreta é o ator inglês Christian McKay, que impressiona não só pela atuação como também pela incrível semelhança com Orson. O elenco ainda conta com a charmosa Claire Danes e Ben Chaplin. A trilha sonora, basicamente com músicas de George Gershwin, é uma delícia. Só para lembrar: a peça “Júlio César” foi um grande sucesso da Broadway, com 157 apresentações sempre com casa cheia, o que alavancou ainda mais a competência de Orson.  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Europa Report”, suspense de ficção científica de 2013, tem em sua produção uma salada de nacionalidades. O filme é norte-americano, o diretor (Sebastián Cordero) é equatoriano e o elenco tem uma polonesa (Karolina Widra), uma romena (Ana Maria Marinca), um sueco (Michael Niqvist), um norte-americano (Christian Camargo), os sul-africanos Embeth Davidtz e Sharlto Copley, além do chinês Daniel Wu. A história: alguns estudos científicos realizados pela Europa Ventures, uma empresa privada de exploração espacial, aventaram a possibilidade de haver vida na Europa, uma das luas de Júpiter. Para confirmar essa teoria, um grupo dos melhores astronautas do mundo é treinado e enviado para a tal lua, numa viagem cuja distância será a maior percorrida no espaço pelo ser humano até aquele momento. Quando chegam lá, porém, as coisas não saem como o esperado e o resultado... Bom, você vai ver. O filme até que consegue manter um certo clima de tensão e suspense até o final, mas a sensação claustrofóbica pode incomodar.            

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A comédia romântica “À Procura do Amor” (“Enough Said”), de 2013, dirigida por Nicole Holofcener, é muito agradável de assistir. É leve, divertida, com diálogos afiados e humor na medida certa. Conta a história do relacionamento amoroso da massagista Eva (Júlia Louis-Dreyfus, de “Seinfeld”) com Albert (James Gandolfini). Os dois são separados, têm filhos e mais uma característica em comum: são bem-humorados. Daí tantos diálogos engraçados. Eva arranja uma cliente, Marianne (Catherine Keener), que desabafa sobre o ex-marido, contando seus principais defeitos e manias, enfim, seus podres e até segredos de alcova. Por uma coincidência daquelas, esse ex-marido é justamente Albert. Eva fica na moita e se aproveita das confidências de Marianne para descobrir a personalidade do namorado e se aproveitar desse trunfo. Vai ter uma hora, óbvio, que o estratagema de Eva será descoberto e sua relação com Albert acaba na corda bamba.  Essa comédia é uma boa pedida para quem deseja relaxar e se divertir. Foi um dos últimos filmes de Gandolfini, falecido em junho de 2013. Fica a lembrança alegre e simpática desse competente ator.