quarta-feira, 25 de maio de 2022

 

“438 DIAS” (“438 DAGAR”), 2019, Suécia, 2h4m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Jesper Ganslandt e roteiro assinado por Peter Birro. A história é baseada em incríveis fatos reais, ou seja, na aventura vivida pelos jornalistas suecos Martin Schibbye e Johan Persson, transformada depois em livro escrito pelos próprios. No dia 27 de junho de 2011, Martin e Johan cruzaram ilegalmente a fronteira da Somália com a Etiópia levados por guerrilheiros rebeldes do grupo ONLF. O objetivo de Martin (jornalista) e de Johan (fotógrafo), interpretados respectivamente por Gustaf Skarsgard e Matias Varela, era realizar uma reportagem sobre a exploração de petróleo na região etíope de Ogaden, onde a petrolífera sueca Lundin Oil, entre outras, estaria afetando, de forma negativa, a vida da população local. Cinco dias depois de ingressar na Etiópia, a dupla de jornalistas acaba capturada por soldados do exército etíope. Levados à capital Adis Abeba, são julgados e condenados como terroristas, já que alguns vídeos mostravam um deles segurando um rifle, dando a entender que ministrava ensinamentos militares - pura mentira, pois os vídeos foram editados. Os jornalistas ficariam presos durante o período que dá nome ao título, ou seja, 438 dias, numa penitenciária onde cada um cuidava de si, já que os guardas só ficavam olhando. O filme acompanha o sofrimento dos jornalistas e os esforços diplomáticos para soltá-los, o que garante muita tensão do começo ao fim. Completam o elenco Faysal Ahmed, Josefin Neldén, Jesper Ganslandt, Philip Zandén, Sivuyile Ngesi, Lena B. Nilsson e Fredrik Skaulan. No desfecho da história, antes dos créditos finais, aparecem em cena os verdadeiros Gustaf e Matias participando de uma entrevista coletiva logo depois de libertados. O filme é muito bom, realista ao extremo e intenso como exigia o contexto. Além disso, propõe reflexões sobre a  liberdade de expressão, senso de justiça e busca da verdade por intermédio do jornalismo. Um filmaço IMPERDÍVEL, assim mesmo, com  letras maiúsculas.                 

 

terça-feira, 24 de maio de 2022

 

“A FAMÍLIA PERFEITA” (“LA FAMILIA PERFECTA”), 2022, Espanha, disponível na plataforma Netflix, 1h50m, direção de Arantxa Echevarria (“Carmen & Lola”), seguindo roteiro elaborado por Olatz Arroyo. Trata-se de uma comédia leve e divertida, utilizando um humor irreverente e bem dosado que em nenhum momento ofende nossa inteligência. Enfim, um ótimo entretenimento, com a vantagem de ter no elenco dois grandes astros do cinema espanhol, Belén Rueda e José Coronado. Vamos à história. Os jovens Pablo (Gonzalo Ramos) e Sara (Carolina Yuste) estão apaixonados e decidem se casar. Antes, porém, resolvem reunir as famílias para se conhecerem. Só que tem um problema: a família de Pablo é muita rica, a mãe Lucía (Rueda) é uma madame das mais destacadas da sociedade de Madrid e o pai Ernesto (Gonzalo de Castro) é um cientista reconhecido internacionalmente. Por outro lado, os pais de Sara moram na periferia, são pobres e sem qualquer verniz social. Amparo (Pepa Aniorte), a mãe, é motorista de ônibus, e o pai Miguel (José Coronado) trabalha como marceneiro. Será que essa união pode dar certo? Alguém terá de ceder, e este alguém é justamente a socialite mãe de Pablo, que vive de nariz empinado e agora será obrigada a conviver com as grossuras da família da futura nora. É desse contexto que saem as situações mais engraçadas do filme, principalmente quando começam os preparativos para o casamento, durante os quais Lucía e Miguel terão um caso. Um dos maiores trunfos do filme é o desempenho de Belén Rueda como madame. A diva do cinema espanhol está sensacional, com a ajuda do veterano Coronado. Como curiosidade, a trilha sonora apresenta dois hinos consagrados da música brasileira: logo na abertura, “Águas de Março”, de Tom Jobim, cantada por Stacey Kent, e, perto do desfecho, “Eu Te Amo”, de Chico Buarque, com Ana Carolina. Ou seja, atrações não faltam para tornar “A Família Perfeita” um filme bastante agradável de assistir.        

 

domingo, 22 de maio de 2022

 

“HÓSPEDE INDESEJADO” (“THE INTRUDER”), 2019, distribuição Netflix, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h42m, direção de Deon Taylor (“A Corrente do Mal”), seguindo roteiro assinado por David Loughery. Fazia algum tempo que eu não via um bom suspense como este. E, melhor, além dos sustos, com uma atuação impressionante do veterano ator Dennis Quaid como o vilão da história, um psicopata de dar medo. Vamos à história. Após fechar um grande negócio em seu escritório, Scott Russell (Michael Ely) compra a casa dos sonhos de sua esposa Annie (Meagan Good) em Napa Valley, a uma hora e meia de São Francisco, onde residem. Ele compra a casa de um solitário viúvo, Charlie Peck, o papel de Dennis Quaid. Charlie decidiu vender a propriedade onde viveu com a mulher e uma filha porque se viu afundado em dívidas. Annie e Scott mudam-se para a bela casa e começam a nova vida cheios de planos, um deles ter filhos. Porém, eles terão de enfrentar sérios problemas com Charlie, que não consegue se desapegar da casa e começa a assediar o casal quase que diariamente. Sua presença frequente, levando presentes e se oferecendo para ajudar em alguns consertos, começa a incomodar Scott. Annie, porém, tem pena do viúvo e o trata bem, abrindo as portas sempre que ele aparece. Um dia, porém, o lado obscuro de Charlie se revela e a partir daí o casal terá de enfrentar os seus piores pesadelos. Completam o elenco Michael Ely, Joseph Sikora, Lili Sepe, Alvina August, Erica Cerra, Kurt Evans, Roxanne Avent e Debs Howard. O clima do filme é de muita tensão, do começo ao fim, graças, principalmente, ao excelente desempenho de Dennis Quaid, tornando “Hóspede Indesejado” um ótimo entretenimento para quem curte um bom suspense e gosta de tomar sustos. Não perca!       

 

sábado, 21 de maio de 2022

 

“INSTINTO ASSASSINO” (“DANGEROUS”), 2021, Estados Unidos, distribuição Netflix, 1h39m, direção de David Hackl, seguindo roteiro assinado por Christopher Borrelly. Mais uma bobagem cinematográfica repleta de situações estapafúrdias. Uma delas: o mocinho está trocando tiros com os bandidos e, no meio do tiroteio, liga para o seu psiquiatra pedindo conselho. E não para por aí. Até o desfecho, muitas cenas constrangedoras iguais a esta estarão à sua espera (se você decidir assistir, mesmo depois do meu comentário). Bem, vamos à história. Dylan Forrester (Scott Eastwood) é um ex-presidiário em liberdade condicional. Por causa dos seus transtornos mentais que inspiram seu instinto psicopata, ele está em fase de reabilitação com o psiquiatra Dr. Anderwood (Mel Gibson), que o trata na base de remédios e muita conversa. Quando Dylan recebe a notícia da morte de seu irmão Sean, ele viaja para participar do funeral, em desobediência à condicional, pois a cerimônia acontece na remota Ilha Guardian (ilha fictícia no litoral de Washington). Chegando lá, Dylan não é bem recebido por seus familiares, principalmente por sua mãe Linda (Brenda Bazinet). Enquanto esse mal-estar acontece, chegam à ilha uns sujeitos violentos chefiados por um tal de Cole (Kevin Durand), cujo objetivo, de início, não é esclarecido. Eles invadem a casa e fazem reféns os familiares de Dylan, que naquela hora estava preso na cadeia da ilha por ter infringido a condicional e por outra acusação de homicídio. Pois é essa ovelha negra da família quem lutará para tentar salvar os parentes. E dá-lhe tiros, sopapos e facadas, até que o segredo que motivou a chegada da gangue seja revelado, resultando em um desfecho previsível e violento. O ator Scott Eastwood é a cara do pai, Clint, mas muito distante da competência do veterano ator. Scott não consegue convencer como ator nem mesmo quando tenta fazer aquele olhar que o pai fazia nos antigos filmes de faroeste, com a inseparável cigarrilha na boca. O restante do elenco também é muito fraco, com exceção talvez do ator Kevin Durand, o vilão da história. Mel Gibson, então, nem se fala, com uma interpretação pífia de um personagem patético e de pouca relevância. Enfim, só uma palavra para definir “Instinto Assassino”: péssimo!       

quinta-feira, 19 de maio de 2022

 

“PONTO DE INFLEXÃO” (“LA SVOLTA”), 2021, Itália, disponível na plataforma Netflix, 1h35m, estreia na direção do cineasta Riccardo Antonaroli, seguindo roteiro assinado por Roberto Cimpanellli e Gabriele Scarfone. Trata-se de um suspense policial com algumas pitadas de humor negro. A história é centrada em Ludovico (Branco Pacito), um tipo nerd que passa os dias desenhando histórias em quadrinhos, vive isolado em um apartamento e só recebe a visita do pai, que cuida da limpeza e sempre tem palavras bem ácidas para criticar o comportamento do filho, principalmente com relação ao fato de não trabalhar. Um dia, porém, essa situação muda completamente. Ao fugir de um violento mafioso, depois de roubar uma maleta cheia de dinheiro, o marginal Jack (Andrea Lattanzi) invade o apartamento de Ludovico e o faz refém. É a relação entre os dois que alimentará toda a história. Confinados, eles conversam sobre os mais variados assuntos, inclusive cinema, do qual ambos são fãs. Essas conversas resultam em diálogos saborosos e bem-humorados. O bandido fica com pena da situação de Ludovico e tenta tirá-lo da depressão, inclusive encorajando-o a abordar uma jovem vizinha, Rebecca (Ludovica Martino), pelo qual ele é apaixonado. A relação entre Jack e Ludovico pode ser comparada com a Síndrome de Estocolmo ao contrário, ou seja, quando o sequestrador se afeiçoa à vítima. O primoroso roteiro é, sem dúvida, o grande trunfo de “Ponto de Inflexão”, notadamente no que diz respeito ao inesperado e surpreendente desfecho. O filme estreou no 39º Festival Internacional de Cinema de Turim (Itália), com merecidos elogios dos críticos e do público. Antes de finalizar o comentário, lembro que uma das definições relativas ao título é “Ponto de Inflexão trata do momento no qual uma decisão pode mudar o rumo de sua vida”. Tudo a ver com a história. Termino afirmando que “Ponto de Inflexão” é muito bom. Não perca!   

 

terça-feira, 17 de maio de 2022

 

“O SOLDADO QUE NÃO EXISTIU” (“OPERATION MINCEMEAT”), 2021 Inglaterra, 2h8m, disponível na plataforma Netflix (estreou dia 11 de maio de 2022), direção de John Madden, seguindo roteiro escrito por Michelle Ashford. Mais um episódio ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, que continua gerando mais histórias do que o Estúdio Disney. Trata-se de um capítulo incrível do conflito e pouco conhecido, já que só foi revelado muitos anos depois, em 2010, no livro de Ben MacIntyre. Em 1943, Ewen Montagu (Colin Firth) e Charles Chalmondeley (Matthew MacFadyen), oficiais do serviço secreto inglês, foram encarregados de elaborar um plano destinado a ludibriar os nazistas. Exércitos aliados pretendiam ingressar na Europa atráves da Sicília (Itália), até então sob o domínio do exército alemão. Para que a invasão ocorresse com menos baixas e com maiores chances de sucesso, a ideia era convencer os nazistas de que os aliados entrariam pela Grécia, fazendo com que os alemães deslocassem suas tropas da Sicília, facilitando a entrada dos aliados. Essa missão de espionagem foi chamada de “Operation Mincemeat” (“Operação Carne Moída”). O plano era no mínimo mirabolante e muito ousado. A equipe comandada pela dupla de agentes arranjou um cadáver de um morador de rua e o transformou em um oficial da marinha, o fictício major William Martin. Com uma pasta repleta de documentos, o corpo foi desovado no litoral da Espanha, onde espiões ingleses ficaram encarregados de encaminhar os documentos para os agentes secretos alemães. E então rezar para que todo o material chegasse aos altos escalões do exército alemão. “O Soldado que não Existiu” conta tudo o que aconteceu nos bastidores dessa incrível operação. Um dos tantos destaques do filme é a participação de Ian Fleming (Johnny Flynn) na equipe encarregada de elaborar o plano. Como todo mundo sabe, Ian Fleming, anos depois, seria o criador do personagem James Bond e das histórias do famoso 007. Completam o elenco Kelly MacDonald, Lorne MacFadyen, Penelope Wilton, Jason Isaacs, Simon Russell Beale (Winston Churchill), Nicholas Rowe, Hattie Morarhan e Paul Ritter. Uma história e tanto que merece ser conhecida e um filmaço para não perder!

 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

 

“CRUZANDO A LINHA” (“THE GATEWAY”), 2022, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h31m, segundo longa-metragem dirigido pelo cineasta italiano Michele Civetta (o primeiro foi “The Executrix”, em 2020), que também assina o roteiro com a colaboração de Alex Felix Bendaña e Andrew Levitas. A história é centrada no assistente social Parker Jode (Shea Whigham), que leva muito a sério sua profissão, cuidando de famílias desestruturadas em Saint Louis. Uma delas é a de Dhalia (Olivia Munn), mãe solteira de Ashley (Taegen Burns) e cujo namorado Mike (Zach Avery) sai da prisão depois de cumprir uma pena de quatro anos. Ele volta para casa e, cheio de ciúmes por Dhalia ter arrumado um namorado, acaba retornando à rotina de espancar Dhalia na frente da filha. Além disso, Mike também volta para a gangue chefiada por Duke (Frank Grillo) e se envolve no roubo de uma carga de cocaína. No meio de toda essa agitação, Parker tenta proteger Dhalia, o que lhe acarreta muitos problemas. Também estão no elenco Bruce Dern, Alexander Wraith, Mark Boone Jr., Taryn Manning e Keit David. Em sua concepção, “Cruzando a Linha” adotou o clima dos filmes policiais noir dos anos 80, carregando na atmosfera pesada e no baixo-astral. O personagem Parker é o maior exemplo. Vive depressivo, fuma e bebe sem parar, frequenta bares de segunda e não dá um sorriso. Trocando em miúdos, achei o filme muito bom e recomendo.             

 

 

Quem curte a Sétima Arte sabe que o cinema da Coreia do Sul é um dos melhores. Sem falar de “Parasita”, Oscar de Melhor Filme e Palma de Ouro, entre outros tantos prêmios, nem da série de sucesso “Round 6”, o cinema sul-coreano tem proporcionado aos cinéfilos ótimos filmes de ação. Já vi inúmeros, muitos dos quais comentados neste blog. Lançado recentemente pela plataforma Netflix, chega mais uma boa opção de entretenimento: “YAKSHA: OPERAÇÃO IMPLACÁVEL” (“YAKSHA: RUTHLESS OPERATIONS”), 2022, produção e distribuição Netflix, 12h05, roteiro e direção de Na Hyeun. Como quase todos os outros sul-coreanos do mesmo gênero, este não economiza em tiros, pancadarias, perseguições e muito suspense. Embora a história não seja assim tão legal, com um roteiro meio complicado, as cenas de ação são primorosas. A história contempla uma trama de espionagem. Yaksha (Sul Kyung-Gu) é o codinome de Kang-In, chefe do serviço secreto sul-coreano que chefia uma pequena equipe de espiões na cidade de Shenyang, maior cidade da província de Liaoning, no nordeste da China. Desconfiada de que os relatórios de Yaksha são falsos, a direção do serviço secreto sul-coreano envia à China o inspetor Han Ji-Hoon (Park Hae-Soo, da série “Round 6). Sem experiência no trabalho de espionagem, Ji-Hoon será envolvido em uma verdadeira guerra entre espiões sul-coreanos, norte-coreanos, japoneses e chineses. Legalista ao extremo, Ji-Hoon é contra as atitudes radicais de Yaksha, mas dependerá dele para sobreviver em território chinês. Como afirmei antes, a ação predomina do começo ao fim, o que vai agradar, e muito, os fãs do gênero. Sem dúvida, mais um gol de placa do cinema sul-coreano.              

segunda-feira, 9 de maio de 2022

 

“SILVERTON: CERCO FECHADO” (“SILVERTON SIEGE”), 2022, África do Sul, produção original e distribuição Netflix, direção de Mandla Dube e roteiro de Sabelo Mgidi. A história foi inspirada em fatos reais ocorridos no dia 25 de janeiro de 1980, quando ativistas contra o regime do apartheid tentaram cometer um atentado contra um depósito de petróleo na periferia da capital sul-africana Pretória. Eles foram surpreendidos pela polícia e tentaram fugir. Quando o cerco se fechou, três ativistas invadiram um banco no bairro de Silverton, fazendo 25 reféns. A polícia logo foi mobilizada e várias guarnições chegaram ao local e cercaram o banco, impedindo qualquer tentativa de fuga. O capitão Johan Langerman (Arnold Vosloo) ficou encarregado de negociar com os ativistas, que se identificaram como integrantes do grupo Umkhont Wesizne (MK), que lutava contra o regime de apartheid, e exigiam que Nelson Mandela fosse libertado. Este evento, por sinal, foi considerado o ponto de partida para a criação do movimento “Free Mandela”, que exigia a libertação do líder Nelson Mandela, preso desde 1964 e condenado à prisão perpétua pelo governo sul-africano. Grande parte da ação é ambientada no interior do banco, relatando o que aconteceu entre os invasores e os reféns, um deles Christine (Elani Dekker), filha do Ministro da Justiça. O filme é eletrizante, com muito suspense e tensão do começo ao fim. Os atores são muito bons, destacando-se Thabo Rametsi como um dos ativistas e Arnold Vosloo, ator sul-africano que todo mundo reconhecerá como aquele mesmo que interpretou o personagem Imhotep no filme “A Múmia” e Darkman em “Darkman II: The Return of Durant”. Associo-me a muitos críticos especializados que consideraram “Silverton: Cerco Fechado” um filmaço.               

 

 

“O RITMO DA VINGANÇA” (“THE RHYTHM SECTION”), 2020, coprodução Inglaterra/EUA/Espanha/Irlanda, 1h50m, disponível na plataforma Netflix, direção da cineasta norte-americana Reed Morano, seguindo roteiro assinado por Mark Burnell, o próprio autor do livro homônimo. É um misto de filme de espionagem, ação, drama e suspense. Depois de perder os pais e dois irmãos em um acidente de avião, Stephanie Patrick (Blake Lively) entra em parafuso, vira prostituta e drogada. Até que recebe, como “cliente”, quatro anos depois, o jornalista Keith Proctor (Raza Jaffrey). Ele quer apenas conversar e revela que a tragédia com o avião não foi acidente e sim um atentado terrorista. Stephanie resolve se vingar dos responsáveis e topa ser treinada por um ex-agente do M-16 (serviço secreto inglês), Iain Boyd (Jude Law). Dessa forma, ela se transforma em uma hábil atiradora e especialista em artes marciais. Disposta a se vingar, Stephanie viaja para Marselha, Madrid e Tânger (Marrocos), atrás dos assassinos de sua família. Até chegar nas cenas de ação, o filme demora a engrenar. A fase de treinamento, por exemplo, chega a ser entediante. A ótima atriz Blake Lively, acostumada a interpretar mulheres que esbanjam glamour, charme e beleza, está irreconhecível, com cabelos curtos e pele manchada e, em algumas cenas, com peruca ruiva. Ela demonstra que também é boa em cenas de ação. Confesso que fiquei meio perdido no meio do filme, não sabendo quem é quem. Essa confusão também deve ter atingido outros espectadores. Por exemplo, faltou explicar melhor quem é realmente o personagem Serra (Sterling K. Brown), ou então quem é o ricaço que patrocina a vingança de Stephanie. Somando os prós e os contras, porém, admito que o filme tem mais prós. Portanto, é um suspense que garante um bom entretenimento. E tem a bela Blake Lively, um motivo e tanto para assistir.                  

quinta-feira, 5 de maio de 2022

 

“A PRINCESA DA YAKUZA” (“YAKUZA PRINCESS”), 2021, Brasil, produção e distribuição Netflix, 1h52m, direção de Vicente Amorim, seguindo roteiro assinado por Fernando Toste e Kimi Lee. Trata-se da adaptação para o cinema da graphic novel “Shirô: Yakuza, Honra e Sangue no Coração de São Paulo”, de Danilo Beyruth. É um filme interessante, nada mais. Esteticamente impecável, uma fotografia digna de prêmio (Gustavo Hadba) e boas cenas de ação, principalmente as coreografias de luta. Infelizmente, o roteiro apresenta muitas falhas, a principal delas é não propiciar um bom entendimento do que está acontecendo e nem quem são todos aqueles personagens, o que confunde a cabeça do espectador por um bom tempo. A trama começa em Osaka, no Japão, quando um poderoso chefão da Yakuza (a máfia japonesa) e toda sua família são assassinados. A única sobrevivente é uma bebê, Akemi, levada em segredo para o Brasil e entregue para seus avós, no bairro da Liberdade, em São Paulo. O roteiro dá um salto de 20 anos e vemos Akemi (Masumi Harukawa) sendo treinada em artes marciais e plenamente adaptada ao nosso País. Os antigos rivais do seu pai na Yakuza descobrem o seu paradeiro e vêm para São Paulo com o objetivo de matá-la e recuperar uma katana (espada utilizada pelos antigos samurais). No meio dessa confusão surge um personagem misterioso (o ator norte-americano Jonathan Rhys Meyers), que perdeu a memória, está muito ferido e anda sem destino pelo bairro da Liberdade armado com uma katana. Não explicar de onde veio esse personagem e por que está em São Paulo é outro mistério que o roteiro não explica. Como desde o início estava previsível, esse homem misterioso encontra Akemi, e ambos terão de lutar contra os algozes japoneses da Yakuza. A partir daí a matança não acaba mais. O filme é falado em inglês, japonês e algumas vezes em português. Assim como os idiomas, o elenco também é misto, com um norte-americano (Meyers), vários japoneses e alguns brasileiros (André Ramiro, Charles Paraventi, Nicolas Trevijano, Iuri Saraiva, Ricargo Gelli e Lucas Oranmian). O diretor brasileiro Vicente Amorim é filho do ex-ministro Celso Amorim, ex-ministro do governo Lula. Em seu currículo constam filmes como "Corações Sujos" e "O Homem Bom". Trocando em miúdos, “A Princesa da Yakuza” é um filme que deve agradar apenas a um público específico, por exemplo, aos fãs de Quentin Tarantino (lembram-se de "Kill Bill"?).                 

 

“MEIA-NOITE NO SWITCHGRASS” (“MIDNIGHT IN THE SWITCHGRASS”), 2021, Estados Unidos, 1h39m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Randall Emmett, seguindo roteiro de Alan Horsnail. A começar pelo lamentável título original, nada funciona neste suspense policial que marca a estreia na direção de Randall Emmett, mais conhecido como produtor. Estreia medíocre, conforme a opinião de vários críticos especializados (veja algumas delas no final deste comentário). A escalação do elenco também faz parte dos aspectos negativos do filme. O ator Emile Hirsch, por exemplo, é franzino e baixinho, nada que caracterize um policial do interior. O astro Bruce Willis, cuja foto aparece como destaque nos materiais de divulgação, faz praticamente uma ponta (propaganda enganosa). E, aliás, atuando muito mal, talvez já afetado pela tal Afasia, doença que o fez anunciar, recentemente, seu afastamento definitivo dos estúdios. Lukas Haas também não convence como o vilão da história. Para quem possa lembrar, ele é aquele garoto amich que, aos 8 anos de idade, contracenou com Harrison Ford no filme “A Testemunha”. A imagem de menino continua em seu semblante. Um lado positivo, talvez o único, é a atuação da atriz Megan Fox como a agente do FBI parceira de Bruce Willis. A história é baseada em fatos reais, ou seja, os crimes praticados no Texas, entre os anos 70 e 90, por um serial killer que ficou conhecido como “Assassino das Paradas de Caminhões” (“Truck Stop Killer”), responsável pelo assassinato de cerca de 50 pessoas, a maioria prostitutas e garotas na fase de adolescência. Também estão no elenco Sistine Rose Stallone (filha de Sylvester), Caitlin Carmichael, Lydia Hull, Katalina Viteri, Michael Beach e Donovan Carter. Como prometi no início deste comentário, destaco agora algumas frases pinçadas de opiniões de críticos sobre esse filme: “Um dos piores filmes que já vi na vida”; “O filme parece ter sido feito por amadores”; “Um dos thrillers policiais mais genéricos do ano”. “Bruce Willis está perdido na ação”; “Totalmente terrível”; “Estúpido e previsível”. Acrescento a minha: “Abominável e descartável”.           

 

terça-feira, 3 de maio de 2022

 

“GIRL – O FLORESCER DE UMA GAROTA” (“GIRL”), 2018, Bélgica/Holanda, disponível na plataforma Netflix, 1h45m, direção de Lucas Dhont, que também assina o roteiro com a colaboração de Angelo Tijssens. Este surpreendente e impactante drama marca a estreia em longas do cineasta belga Lucas Dhont, mais conhecido como diretor de curtas. E que estreia! Para começar, “Girl” foi escolhido para representar a Bélgica na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, foi premiado com o “Camera D’Or” no 71º Festival Internacional de Cinema de Cannes, além de receber o troféu “Sutherland” na categoria “Best First Feature” do Festival de Cinema de Londres. A fantástica performance do ator Victor Polster também foi reconhecida no Festival de Cannes: Melhor Performance do Júri da Mostra “Um Certain Regard”. O filme realmente é espetacular, sem dúvida um dos melhores do catálogo Netflix. Trata-se de um intenso e comovente retrato da transsexualidade feminina, realizado com grande sensibilidade. A história acompanha o dilema de Lara (Victor Polster), de 15 anos, que nasceu e foi batizado como Victor. Com o apoio do pai Mathias (o ótimo Arieh Worthalter) – a mãe não aparece nem é citada -, Victor assumiu sua nova sexualidade como Lara e, como tal, foi aceita nos colégios em que estudou. Seu sonho de criança é ser bailarina profissional. Para isso, ingressou em uma prestigiosa escola de balé da Bélgica (o material de divulgação informa que a história é baseada em fatos reais, sem citar nomes ou situações). Uma das temáticas do filme é o esforço de Lara nas aulas de balé e as dificuldades físicas por conta de sua estrutura óssea e muscular. Além disso, “Girl” acompanha a rotina diária de Lara indo a médicos e psicólogos, o tratamento carinhoso e solidário do pai e o relacionamento difícil de Lara com as colegas de escola e academia. Lara insiste na cirurgia de readequação de gênero, além de exigir doses maiores de hormônio feminino. O drama de Lara é comovente. Nesse contexto, vale aqui destacar o impressionante desempenho do ator estreante Victor Polster, também dançarino profissional na vida real. Enfim, “Girl” é sensacional. Imperdível!         

segunda-feira, 2 de maio de 2022

 

“HYPNOTIC”, 2021, Estados Unidos, 1h28m, produção e distribuição Netflix, direção de Suzanne Coote e Matt Angel (“Vende-se Esta Casa”), que também assinam o roteiro com a colaboração de Richard D’Ovidio. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é centrada em Jennifer Tompson (Kate Siegel), uma mulher com sérios problemas emocionais depois da morte do filho durante a gravidez, o que provocou o fim do noivado com Brian (Jaime Callica). Em fase depressiva, Jennifer é convidada pela amiga Gina (Lucie Guest) a uma festa em sua casa. Na ocasião, Jennifer é apresentada ao médico Colin Meade (Jason O’Mara), terapeuta de Gina e especialista em hipnoterapia. Depois de várias sessões, Jennifer começa a demonstrar um comportamento estranho, com perda de memória e alucinações. Ao estudar a fundo a biografia do médico, Jennifer descobre que o dr. Colin teve como principal orientador um psiquiatra que havia sido responsável pelo projeto “MKultra”, encomendado pela CIA nos anos 60, em plena Guerra Fria. Conforme Jennifer conseguiu apurar, o objeto do estudo era tornar possível o comando da mente humana, favorecendo o controle de ações e atitudes, nem sempre para o bem. A situação faz com que Jennifer procure a polícia. O detetive Wade Rollins (Dule Hill) começa a investigar o médico. “Hypnotic” é um bom suspense, com uma trama envolvente e cercada de mistério e tensão. Destaque para mais uma ótima atuação da atriz Kate Siegel, esposa na vida real do cineasta Mike Flanagan. Além de bonita, Kate é excelente atriz, mas infelizmente pouco reconhecida por Hollywood. Trocando em miúdos, "Hypnotic" é um um bom entretenimento.     

sábado, 30 de abril de 2022

 

“CHAMADA EXPLOSIVA” (“DHAMAKA”), 2021, Índia, disponível na plataforma Netflix, 1h43m, direção de Ram Madhvani, que também assina o roteiro com a colaboração de Puneet Sharma. Trata-se de uma refilmagem (remake) do filme sul-coreano “The Terror Live” (título original é “Deu Tae-ro Ra-i-Beu”), de 2013. No filme de Bollywood, a ação acontece em Bombaim. O apresentador Arjun Pathak (Kartik Aaryan) está ao vivo em seu programa de notícias na rádio, durante o qual abre espaço para ligações dos ouvintes. Um deles ameaça explodir uma importante ponte da cidade. Arjun não lhe dá ouvidos, pensando ser mais um maluco querendo aparecer. Só que dali a alguns segundos uma violenta explosão ocorre na ponte, visível pelas janelas da emissora. Prevendo a oportunidade de ganhar audiência para a TV, a editora Ankita Malaskar (Amruta Subhash) providencia de imediato a montagem de um estúdio para que Arjun entre ao vivo pela TV. O tal terrorista é então levado a sério e a emissora abre espaço para que ele explique suas intenções. Ele conta que está se vingando da morte do pai e outros dois trabalhadores que morreram, anos antes, em um acidente no canteiro de obras da mesma ponte. E faz nova ameaça: se um determinado ministro do governo não for ao programa e pedir desculpas, ele explodirá mais uma parte da ponte. Arjun tenta levar o programa adiante nesse clima de grande tensão, pressionado não só pelo terrorista, mas também pela direção da emissora e pelas autoridades policiais, sem contar que sua ex-esposa Soumya (Mrunal Thakur), repórter da TV, está presa no meio da ponte com outros reféns. O suspense segue em ritmo acelerado até o desfecho, proporcionando um ótimo entretenimento. O desfecho, porém, quase põe tudo a perder, exagerando demais na dramaticidade e, para piorar, com uma irritante cantoria. O resultado final, porém, pode ser encarado como um bom filme de suspense. Recomendo!  

sexta-feira, 29 de abril de 2022

 

“JOGO PERIGOSO” (“MOST DANGEROUS GAME”), 2021, Estados Unidos, 2h7m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Phil Abraham, seguindo roteiro assinado por Scott Elder, Nick Santoro e Josh Harmón. A história foi adaptada para o cinema do conto “The Most Dangerous Game”, escrito em 1924 por Richard Connell. Sem dúvida, “Jogo Perigoso” (não confundir com o filme homônimo de 2017, cuja história é completamente diferente) é um dos piores lançamentos da Amazon neste ano. Sou até bonzinho ao afirmar isso, pois alguns críticos especializados já o consagraram com o título de “O pior filme já realizado”. Tudo começa quando Dodge Maynard (Liam Hemsworth, irmão de Chris, o Thor da Marvel), depois de receber o diagnóstico de que está com um tumor maligno no cérebro, concorda em participar de uma caçada humana pelas ruas de Detroit. Atolado em dívidas e com a mulher grávida, ele se transforma na caça para divertimento de cinco caçadores. Se sobreviver durante 24 horas, ganhará algo em torno de 2 milhões e meio de dólares. Aí começa a lamentável, ridícula e patética aventura, uma soma de cenas inverossímeis e, o pior, quatro caçadores que não passam de caricaturas mal elaboradas, interpretados por atores da pior qualidade. Cada um deles recebeu o pseudônimo de um presidente dos Estados Unidos: Reagan (Billy Burke), Carter (Jimmy Akingbola), Kennedy (Natasha Bordizzo) e Nixon (Chris Webster). Liam Hemsworth, então, apresenta uma interpretação lastimável: quando chora, parece que está com dor de barriga. Um péssimo ator. Também estão no elenco Christoph Waltz e Sarah Gadon. O roteiro tem tantos absurdos que chega a ofender nossa inteligência. Escrevo este comentário revoltado com tamanha mediocridade. Assistir a este “Jogo Perigoso” é um ato de puro masoquismo. Fuja a galope!   

quarta-feira, 27 de abril de 2022

 

“FOGO CRUZADO” (“COPSHOP”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h48m, direção de Joe Carnahan, que também assina o roteiro com a colaboração de Mark Williams e Kurt McLeod. Trata-se de um thriller policial de ação quase que totalmente dentro de uma delegacia de uma pequena cidade do interior. Teddy Murretto (Frank Grillo) roubou dinheiro de uma máfia e agora é perseguido por assassinos profissionais. Para não ser morto, ele provoca sua prisão e vai parar na cadeia daquela delegacia, onde imaginou que ficaria seguro. Logo em seguida chega preso um alcóolatra que depois se revelaria um dos potenciais matadores de Teddy. Ele é Bob Viddick (Gerard Butler). Aí começa a confusão. Os policiais tentam administrar a situação, que só piora a partir do momento em que a delegacia é invadida por psicopata armado com uma metralhadora. Aí é sangue pra todo lado até o desfecho. Além da dupla principal de atores, destaca-se a atriz Alexis Louder como a policial Valery Young, recém-chegada à delegacia e muito mais corajosa do que os seus colegas, um deles, inclusive, associado à bandidagem. “Fogo Cruzado” tem mais suspense do que ação, o que não é prejudicial ao resultado final. Gerard Butler, a gente conhece, é um ator que trabalha bem em filmes de ação, alguns muito bons. Por seu lado, Frank Grillo é um ator de filmes medianos, quase sempre fazendo o papel do vilão, mas que até agora não conseguiu um papel de destaque em Hollywood. É ator de filmes independentes. Ainda estão no elenco Toby Huss, Ryan O’Nan e Chad Coleman. Somando os prós e os contras, “Fogo Cruzado” tem mais prós, resultando em um ótimo entretenimento.                                                                           

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

 

“GRANIZO”, 2022, Argentina, 1h58m, produção original e distribuição Netflix, direção de Marcos Carnevale, seguindo roteiro elaborado por Fernando Balmayor e Nicolás Giacobone. Trata-se de uma comédia muito interessante cuja história é centrada em Miguel Flores (Guillermo Francella), um meteorologista que mantém um programa televisivo dedicado à previsão do tempo. Em 20 anos, ele nunca errou. Por isso, virou um ídolo na Argentina. Em Buenos Aires, onde mora, ele é querido pelos espectadores, pelos vizinhos e pelo pessoal da TV. Enfim, uma celebridade televisiva. Até que um dia, logo na estreia de um programa especial que a emissora criou só para ele, Miguel divulgou que o tempo ia ficar bom, ensolarado e ideal para um passeio. Ledo engano, e dos mais graves, pois caiu uma tempestade acompanhada por uma chuva violenta de granizo, causando inúmeros estragos em Buenos Aires, incluindo a morte de animais de estimação, quedas de árvores e veículos amassados pelas pedras de gelo. Enfim, uma catástrofe. A repercussão foi extremamente negativa, com Miguel tornando-se figura non grata não só na emissora como em toda a capital argentina. Perdeu o lugar no programa, sendo substituído pela assistente de palco Mery Oliva (Laura Fernández), que de meteorologia não entende nada. Como um fugitivo, ele retorna em segredo para Córdoba, sua cidade natal, e resolve morar um tempo com a filha Clara (Romina Fernandes). Em suas andanças pela cidade, Miguel cruza com um sujeito esquisito e místico chamado Bernardo (Horacio Fernández), que lhe dará dicas preciosas sobre a previsão do tempo em Buenos Aires nas próximas horas. Dessa forma, Miguel retorna às pressas para a capital e tentará reverter sua situação diante da opinião pública. O filme é bastante agradável de assistir, tem um humor leve e inteligente, não do tipo de provocar gargalhadas. A cenografia é outro ponto forte, principalmente nas cenas onde Buenos Aires sofre a tempestade de granizo. Mas é o ator Guillermo Francella quem carrega o filme nas costas. Só para lembrar, Francella já atuou em inúmeros filmes de sucesso, entre os quais “O Segredo dos Seus Olhos”, “Minha Obra-Prima”, “O Clã” e “Coração de Leão – O Amor Não tem Tamanho”. Em “Granizo”, Francella atua mais uma vez sob a direção de Marcos Carnevale, o cineasta argentino responsável pelos excelentes “Elza & Fred”, “Viúvas” e “Inseparáveis”.                                                                      

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

 

“AS AGENTES 355” (‘THE 355”), 2021, coprodução Estados Unidos/China, 2h04m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro de Theresa Rebeck e direção de Simon Kinberg. É um filme de ação e espionagem centrado em um grupo de espiãs de cinco países cuja missão é recuperar um dispositivo capaz de provocar atentados e explosões remotamente pelo mundo afora. Mason “Mace” Brown (Jessica Chastain), agente da CIA, é a primeira a ser convocada para a missão de resgatar o dispositivo de um grupo terrorista. Durante esse trabalho, ela se junta a outras agentes de países como a Alemanha, Inglaterra, China e Colômbia. Essa equipe, só de mulheres, vai encarar desafios e perigos até o desfecho. Há algumas boas cenas de ação, mas o grande atrativo é realmente o time feminino, da melhor qualidade em termos de competência e beleza. Além de Jessica Chastain, estão Diane Kruger, Penélope Cruz, Bingbing Fan e Lupita Nyong’o. Também estão no elenco Sebastian Stan, Edgar Ramírez, Jason Flemyng, Sylvester Groth, Raphael Acloque e Waleed Elgadi. A trama percorre várias partes do mundo, culminando com o desfecho em Xangai. Claro, a história é mirabolante, mas o ritmo é bem movimentado e deve agradar os espectadores que curtem filmes de ação. Se não é uma Brastemp, pelo menos não ofende nossa inteligência. Ah, lembrei: o número 355 refere-se ao codinome de uma espiã que atuou durante a independência dos Estados Unidos infiltrada nas forças britânicas. Trocando em miúdos, “As Agentes 355” é um ótimo entretenimento para quem quer dar folga aos neurônios.                                                                  

 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

 

“AJUSTE DE CONTAS” (“A SCORE TO SETTLE”), 2019, Canadá/Estados Unidos, produção original Netflix, 1h43m, Roteiro de John Stuart Newman e direção de Shawn Ku. A mediocridade tem sido a característica principal dos últimos filmes do ator Nicolas Cage. Neste drama psicológico, apesar da divulgação tratá-lo como um suspense de ação, o tédio predomina do começo ao fim. Cage interpreta Frank, que acaba de sair da cadeia depois de 19 anos encarcerado. Sua pena inicial era prisão perpétua por assassinato, mas transformada em condicional depois que um exame médico constatou que ele sofre de uma doença incurável provocada por uma insônia crônica, fazendo com que ele tenha alucinações constantes, perdas de memória e desmaios. Na verdade, Frank ganhou US$ 450 mil para assumir o assassinato em nome do chefe da quadrilha, este sim o responsável pelo crime. Ao sair da prisão, Frank reencontra o filho Joey (Noah Le Gros) para tentar reparar uma paternidade irresponsável. Frank sentia culpa de não ter participado da educação do filho, que entrou cedo para o mundo das drogas. Grande parte do filme é dedicada aos diálogos entre pai e filho, conversas entediantes e de pouco conteúdo. Quando saiu da prisão, Frank partiu para a vingança contra os antigos parceiros de crime pelo que fizeram com seu filho. Ação mesmo, só perto do desfecho. O filme já começa errado, quando a primeira cena mostra Frank saindo da cadeia e andando sem rumo por uma estrada de terra. De repente, vindo na direção contrária, aparece um sujeito misterioso de capuz. Era justamente Joey, o filho dele. Que coincidência mais patética! E segue por aí mais essa bomba de Cage. Também são cúmplices nessa bobagem cinematográfica Benjamin Bratt, Karolina Wydra, Mohamed Karim, Ian Tracey e Nicole Muñoz. O diretor Shawn Ku também é conhecido como coreógrafo de vários filmes. Dessa forma, só posso afirmar que Ku, como diretor, é um excelente coreógrafo. O filme é tão ruim que só obteve 15% de aprovação dos leitores do site Rotten Tomatoes, além da rara unanimidade dos críticos especializados em considerá-lo um dos piores filmes de Cage. Assino embaixo.                                                                    

segunda-feira, 18 de abril de 2022

 

“PRAZER, KALINDA” (“BO WE MNIE JEST SEKS”), 2021, Polônia, produção original Netflix, 1h45m, direção de Katarzyna Klimkiewicz, que também assina o roteiro com a colaboração de Patricia Nowak. Cinebiografia de Kalina Jedrusik (1930-1991), atriz e cantora que fez grande sucesso na década de 60 do século passado. Entre 1953 e 1991, ela fez mais de trinta filmes, além de programas na TV e shows. Por sua beleza e sensualidade, era conhecida como a Marilyn Monroe da Polônia, embora tivesse cabelos pretos. Seu comportamento liberal não agradava a sociedade conservadora da época (a Polônia sempre foi um dos países mais católicos do mundo) e muito menos as autoridades polonesas. Por exibir decotes escandalosos, além de cantar e dançar com uma sensualidade exagerada, ela chegou a ser impedida de aparecer na TV. Entretanto, o filme deixa bem claro que o principal motivo foi ela ter-se negado a ir para a cama com o novo diretor de cultura, Ryszard Molski (Bartlomiej Kotschedoff). O filme ainda revela o casamento aberto que a artista mantinha com o escritor Stanislaw Dygat (Leslek Lichota) – o amante oficial de Kalina era Lucek (Krzysztof Zalewski), amigo de Stanislaw. Os amantes curtiam a cama enquanto o marido lia jornal na cozinha. A atriz Maria Debska dá um show no papel de Kalina. Sem dúvida, merece um destaque especial por sua maravilhosa atuação. Como quase sempre, vou remar contra a maré, ou seja, contrariar a opinião de vários críticos profissionais, que não gostaram do filme. Pois eu achei o filme muito bom, criativo, inteligente e agradável de ser visto. Destaco a primorosa recriação de época, a cenografia e ainda a saborosa trilha sonora, assinada por Radoslaw Luka. As músicas têm uma levada de jazz e as letras acompanham o que acontece na história. O título de uma delas é o mesmo do título original do filme, “Bo We Mnie Jest Seks”, cuja tradução literal é “Porque Há Sexo em Mim”, que foi uma das músicas de maior sucesso do repertório de Kalina. Resumindo, trata-se de um dos filmes mais criativos do cinema polonês. Recomendo.                                                                    

 

domingo, 17 de abril de 2022

 

“ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO” (“ANATOMY OF A SCANDAL”), 2022, Inglaterra, minissérie da Netflix em seis capítulos, direção da cineasta norte-americana S.J. Clarkson, seguindo roteiro de David E. Kelley e Melissa James Gibson, que adaptaram o livro homônimo de Sarah Vaughan, não a diva do jazz já falecida, mas o pseudônimo da escritora Sarah Hall, ex-jornalista inglesa de política e ex-repórter de tribunais. Lançada no último dia 15 de abril pela Netflix, a minissérie é um suspense psicológico e drama de tribunal. A história é centrada no personagem James Whitehouse (Rupert Friend), ex-ministro e atual membro importante do governo britânico. Ele é casado com Sophie (Sienna Miller), uma antiga colega de universidade. O casal tem dois filhos e, publicamente, vive um casamento harmonioso e feliz. Um dia, porém, tudo vira do avesso. James é acusado de estupro por Olivia Lytton (Naomi Scott), uma de suas assessoras, com a qual teve um caso durante cinco meses. Mesmo diante da grave acusação, James recebe o apoio da esposa e do próprio primeiro-ministro Tom Southern (Geoffrey Streatfeild), seu amigo e antigo colega de universidade. Grande parte da minissérie é dedicada às cenas de tribunal, durante as quais destaca-se os embates entre a promotora Kate Woodcroft (Michelle Dockery) e a advogada de defesa Angela Regan (Josette Simon). Até o veredito do júri, muita água vai rolar sob a ponte do charmoso e um tanto arrogante político, que tem muito a explicar não só para seus eleitores, mas principalmente para a sua esposa. Muitos fatores contribuem para o sucesso da minissérie, que chegou ao Top 10 de Netflix logo em seu lançamento. O roteiro funciona perfeitamente, mantendo um desenrolar bastante movimentado e com muita tensão, notadamente durante as inúmeras cenas no tribunal, além de uma surpreendente reviravolta no final do 4º episódio, envolvendo a promotora Kate Woodcroft. Destaque para a atuação das atrizes Michelle Dockery e Sienna Miller, bonitas e muito competentes. Resumo da ópera (ou da minissérie): excelente entretenimento, inteligente, sério e adulto. Mais um gol de placa da Netflix. Não perca!