segunda-feira, 25 de abril de 2022

 

“GRANIZO”, 2022, Argentina, 1h58m, produção original e distribuição Netflix, direção de Marcos Carnevale, seguindo roteiro elaborado por Fernando Balmayor e Nicolás Giacobone. Trata-se de uma comédia muito interessante cuja história é centrada em Miguel Flores (Guillermo Francella), um meteorologista que mantém um programa televisivo dedicado à previsão do tempo. Em 20 anos, ele nunca errou. Por isso, virou um ídolo na Argentina. Em Buenos Aires, onde mora, ele é querido pelos espectadores, pelos vizinhos e pelo pessoal da TV. Enfim, uma celebridade televisiva. Até que um dia, logo na estreia de um programa especial que a emissora criou só para ele, Miguel divulgou que o tempo ia ficar bom, ensolarado e ideal para um passeio. Ledo engano, e dos mais graves, pois caiu uma tempestade acompanhada por uma chuva violenta de granizo, causando inúmeros estragos em Buenos Aires, incluindo a morte de animais de estimação, quedas de árvores e veículos amassados pelas pedras de gelo. Enfim, uma catástrofe. A repercussão foi extremamente negativa, com Miguel tornando-se figura non grata não só na emissora como em toda a capital argentina. Perdeu o lugar no programa, sendo substituído pela assistente de palco Mery Oliva (Laura Fernández), que de meteorologia não entende nada. Como um fugitivo, ele retorna em segredo para Córdoba, sua cidade natal, e resolve morar um tempo com a filha Clara (Romina Fernandes). Em suas andanças pela cidade, Miguel cruza com um sujeito esquisito e místico chamado Bernardo (Horacio Fernández), que lhe dará dicas preciosas sobre a previsão do tempo em Buenos Aires nas próximas horas. Dessa forma, Miguel retorna às pressas para a capital e tentará reverter sua situação diante da opinião pública. O filme é bastante agradável de assistir, tem um humor leve e inteligente, não do tipo de provocar gargalhadas. A cenografia é outro ponto forte, principalmente nas cenas onde Buenos Aires sofre a tempestade de granizo. Mas é o ator Guillermo Francella quem carrega o filme nas costas. Só para lembrar, Francella já atuou em inúmeros filmes de sucesso, entre os quais “O Segredo dos Seus Olhos”, “Minha Obra-Prima”, “O Clã” e “Coração de Leão – O Amor Não tem Tamanho”. Em “Granizo”, Francella atua mais uma vez sob a direção de Marcos Carnevale, o cineasta argentino responsável pelos excelentes “Elza & Fred”, “Viúvas” e “Inseparáveis”.                                                                      

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

 

“AS AGENTES 355” (‘THE 355”), 2021, coprodução Estados Unidos/China, 2h04m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro de Theresa Rebeck e direção de Simon Kinberg. É um filme de ação e espionagem centrado em um grupo de espiãs de cinco países cuja missão é recuperar um dispositivo capaz de provocar atentados e explosões remotamente pelo mundo afora. Mason “Mace” Brown (Jessica Chastain), agente da CIA, é a primeira a ser convocada para a missão de resgatar o dispositivo de um grupo terrorista. Durante esse trabalho, ela se junta a outras agentes de países como a Alemanha, Inglaterra, China e Colômbia. Essa equipe, só de mulheres, vai encarar desafios e perigos até o desfecho. Há algumas boas cenas de ação, mas o grande atrativo é realmente o time feminino, da melhor qualidade em termos de competência e beleza. Além de Jessica Chastain, estão Diane Kruger, Penélope Cruz, Bingbing Fan e Lupita Nyong’o. Também estão no elenco Sebastian Stan, Edgar Ramírez, Jason Flemyng, Sylvester Groth, Raphael Acloque e Waleed Elgadi. A trama percorre várias partes do mundo, culminando com o desfecho em Xangai. Claro, a história é mirabolante, mas o ritmo é bem movimentado e deve agradar os espectadores que curtem filmes de ação. Se não é uma Brastemp, pelo menos não ofende nossa inteligência. Ah, lembrei: o número 355 refere-se ao codinome de uma espiã que atuou durante a independência dos Estados Unidos infiltrada nas forças britânicas. Trocando em miúdos, “As Agentes 355” é um ótimo entretenimento para quem quer dar folga aos neurônios.                                                                  

 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

 

“AJUSTE DE CONTAS” (“A SCORE TO SETTLE”), 2019, Canadá/Estados Unidos, produção original Netflix, 1h43m, Roteiro de John Stuart Newman e direção de Shawn Ku. A mediocridade tem sido a característica principal dos últimos filmes do ator Nicolas Cage. Neste drama psicológico, apesar da divulgação tratá-lo como um suspense de ação, o tédio predomina do começo ao fim. Cage interpreta Frank, que acaba de sair da cadeia depois de 19 anos encarcerado. Sua pena inicial era prisão perpétua por assassinato, mas transformada em condicional depois que um exame médico constatou que ele sofre de uma doença incurável provocada por uma insônia crônica, fazendo com que ele tenha alucinações constantes, perdas de memória e desmaios. Na verdade, Frank ganhou US$ 450 mil para assumir o assassinato em nome do chefe da quadrilha, este sim o responsável pelo crime. Ao sair da prisão, Frank reencontra o filho Joey (Noah Le Gros) para tentar reparar uma paternidade irresponsável. Frank sentia culpa de não ter participado da educação do filho, que entrou cedo para o mundo das drogas. Grande parte do filme é dedicada aos diálogos entre pai e filho, conversas entediantes e de pouco conteúdo. Quando saiu da prisão, Frank partiu para a vingança contra os antigos parceiros de crime pelo que fizeram com seu filho. Ação mesmo, só perto do desfecho. O filme já começa errado, quando a primeira cena mostra Frank saindo da cadeia e andando sem rumo por uma estrada de terra. De repente, vindo na direção contrária, aparece um sujeito misterioso de capuz. Era justamente Joey, o filho dele. Que coincidência mais patética! E segue por aí mais essa bomba de Cage. Também são cúmplices nessa bobagem cinematográfica Benjamin Bratt, Karolina Wydra, Mohamed Karim, Ian Tracey e Nicole Muñoz. O diretor Shawn Ku também é conhecido como coreógrafo de vários filmes. Dessa forma, só posso afirmar que Ku, como diretor, é um excelente coreógrafo. O filme é tão ruim que só obteve 15% de aprovação dos leitores do site Rotten Tomatoes, além da rara unanimidade dos críticos especializados em considerá-lo um dos piores filmes de Cage. Assino embaixo.                                                                    

segunda-feira, 18 de abril de 2022

 

“PRAZER, KALINDA” (“BO WE MNIE JEST SEKS”), 2021, Polônia, produção original Netflix, 1h45m, direção de Katarzyna Klimkiewicz, que também assina o roteiro com a colaboração de Patricia Nowak. Cinebiografia de Kalina Jedrusik (1930-1991), atriz e cantora que fez grande sucesso na década de 60 do século passado. Entre 1953 e 1991, ela fez mais de trinta filmes, além de programas na TV e shows. Por sua beleza e sensualidade, era conhecida como a Marilyn Monroe da Polônia, embora tivesse cabelos pretos. Seu comportamento liberal não agradava a sociedade conservadora da época (a Polônia sempre foi um dos países mais católicos do mundo) e muito menos as autoridades polonesas. Por exibir decotes escandalosos, além de cantar e dançar com uma sensualidade exagerada, ela chegou a ser impedida de aparecer na TV. Entretanto, o filme deixa bem claro que o principal motivo foi ela ter-se negado a ir para a cama com o novo diretor de cultura, Ryszard Molski (Bartlomiej Kotschedoff). O filme ainda revela o casamento aberto que a artista mantinha com o escritor Stanislaw Dygat (Leslek Lichota) – o amante oficial de Kalina era Lucek (Krzysztof Zalewski), amigo de Stanislaw. Os amantes curtiam a cama enquanto o marido lia jornal na cozinha. A atriz Maria Debska dá um show no papel de Kalina. Sem dúvida, merece um destaque especial por sua maravilhosa atuação. Como quase sempre, vou remar contra a maré, ou seja, contrariar a opinião de vários críticos profissionais, que não gostaram do filme. Pois eu achei o filme muito bom, criativo, inteligente e agradável de ser visto. Destaco a primorosa recriação de época, a cenografia e ainda a saborosa trilha sonora, assinada por Radoslaw Luka. As músicas têm uma levada de jazz e as letras acompanham o que acontece na história. O título de uma delas é o mesmo do título original do filme, “Bo We Mnie Jest Seks”, cuja tradução literal é “Porque Há Sexo em Mim”, que foi uma das músicas de maior sucesso do repertório de Kalina. Resumindo, trata-se de um dos filmes mais criativos do cinema polonês. Recomendo.                                                                    

 

domingo, 17 de abril de 2022

 

“ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO” (“ANATOMY OF A SCANDAL”), 2022, Inglaterra, minissérie da Netflix em seis capítulos, direção da cineasta norte-americana S.J. Clarkson, seguindo roteiro de David E. Kelley e Melissa James Gibson, que adaptaram o livro homônimo de Sarah Vaughan, não a diva do jazz já falecida, mas o pseudônimo da escritora Sarah Hall, ex-jornalista inglesa de política e ex-repórter de tribunais. Lançada no último dia 15 de abril pela Netflix, a minissérie é um suspense psicológico e drama de tribunal. A história é centrada no personagem James Whitehouse (Rupert Friend), ex-ministro e atual membro importante do governo britânico. Ele é casado com Sophie (Sienna Miller), uma antiga colega de universidade. O casal tem dois filhos e, publicamente, vive um casamento harmonioso e feliz. Um dia, porém, tudo vira do avesso. James é acusado de estupro por Olivia Lytton (Naomi Scott), uma de suas assessoras, com a qual teve um caso durante cinco meses. Mesmo diante da grave acusação, James recebe o apoio da esposa e do próprio primeiro-ministro Tom Southern (Geoffrey Streatfeild), seu amigo e antigo colega de universidade. Grande parte da minissérie é dedicada às cenas de tribunal, durante as quais destaca-se os embates entre a promotora Kate Woodcroft (Michelle Dockery) e a advogada de defesa Angela Regan (Josette Simon). Até o veredito do júri, muita água vai rolar sob a ponte do charmoso e um tanto arrogante político, que tem muito a explicar não só para seus eleitores, mas principalmente para a sua esposa. Muitos fatores contribuem para o sucesso da minissérie, que chegou ao Top 10 de Netflix logo em seu lançamento. O roteiro funciona perfeitamente, mantendo um desenrolar bastante movimentado e com muita tensão, notadamente durante as inúmeras cenas no tribunal, além de uma surpreendente reviravolta no final do 4º episódio, envolvendo a promotora Kate Woodcroft. Destaque para a atuação das atrizes Michelle Dockery e Sienna Miller, bonitas e muito competentes. Resumo da ópera (ou da minissérie): excelente entretenimento, inteligente, sério e adulto. Mais um gol de placa da Netflix. Não perca! 

                                    

quinta-feira, 14 de abril de 2022

 

“UM JANTAR ENTRE ESPIÕES” (“ALL THE OLD KNIVES”), 2022, Estados Unidos, produção original Amazon Studios, 1h41m, direção do cineasta dinamarquês Janus Metz Pedersen (da série “True Detective”). Trata-se de uma adaptação para o cinema do livro homônimo de 2015 escrito por Olen Steinhauer, que também é o autor do roteiro, por sinal primoroso. Trata-se de um thriller de espionagem envolvendo um caso ocorrido em 2012. Um avião foi sequestrado por terroristas chechenos no aeroporto de Viena. Os agentes do escritório da CIA na capital austríaca foram mobilizados para ajudar a polícia. Entre os passageiros do avião havia um agente que fornecia informações sobre o que estava ocorrendo dentro da aeronave. Não se sabe como, os terroristas foram avisados de que havia o tal agente entre os passageiros. Ele foi morto e seu corpo atirado para fora do avião. Não havia o que fazer e logo aconteceria uma matança generalizada, provocando a morte de todos os passageiros, tripulantes e terroristas. Quando o pessoal da CIA em Viena começou a investigar o que aconteceu, chegou-se à conclusão de que alguém do escritório ajudou os terroristas a identificar o agente entre os passageiros. Ou seja, um traidor. Mas quem? O agente Henry Pelham (Chris Pine) ficou encarregado da investigação. Oito anos depois, sem chegar a nenhuma conclusão, Henry vai até a Califórnia para reencontrar Celia Harrison (Thandiwe Newton), que na época também trabalhava no escritório da CIA em Viena. Henry e Celia eram amantes e, depois da tragédia, se desencontraram. Celia voltou para os Estados Unidos, casou e agora era mãe de três filhos. Os antigos colegas de trabalho combinaram um jantar para conversar sobre os fatos que aconteceram em Viena. Durante o encontro, eles rememoraram todos os pormenores que envolveram o trabalho da CIA em Viena, tentando, com essas memórias, quem sabe descobrir quem havia sido o traidor. O jantar toma quase metade da projeção, entremeado pelas lembranças transformadas em flashbacks, o que não deixa o filme cair no tédio em nenhum momento. No desfecho, para valorizar ainda mais a história, acontece uma surpreendente e inesperada revelação. Além de Thandiwe e Pine, completam o elenco Jonathan Price, Laurence Fishburne, Orli Shuka, Gala Gordon, Corey Johnson, Colin Stinton, Erhard Kamel, David Bedella, David Dawson, Nasser Memarzia e Jonjo O’Neill. Resumo da ópera: o filme é excelente, muito acima da média entre os filmes de espionagem lançados nos últimos anos. Filmaço!                                                                

 

terça-feira, 12 de abril de 2022

 

“LAÇOS DE AFETO” ("IL FILO INVISIBLE”), 2021, Itália, disponível na plataforma, 1h43m, direção de Marco Simon Puccioni, que também assina o roteiro em parceria com Luca De Bei e Gianluca Bernardini. A atriz e diretora Valeria Golino é a produtora. Trata-se de uma comédia dramática, com mais humor que drama, leve, sensível e comovente. A história é centrada no adolescente Leone Ferrari (Francesco Gheghi), filho do casal de gays Paolo Ferrari (Filippo Timi) e Simone Lavia (Francesco Scianna). Com a “colaboração técnica” de ambos, Leone foi gerado na barriga de uma amiga norte-americana, Tilly Nolan (Jodhi May). Mesmo com as gracinhas que ouve diariamente no colégio, Leone adora os pais, tanto que está produzindo um vídeo sobre sua família, com a colaboração de seu colega e melhor amigo Jacopo (Emanuele Maria Di Stefano). Trata-se de um trabalho de encerramento de curso, para ser exibido na festa de formatura. Mesmo com a traição de um dos seus pais e a consequente crise conjugal, Leone continuou a produzir o vídeo. Nesse meio tempo, ele também conhece Anna (Giulia Maenza), uma aluna nova no colégio, por quem se apaixona. O elenco é ótimo, a história é contagiante, o ritmo é intenso e as cenas de humor são hilariantes. Tudo funciona com perfeição no filme, que é muito simpático e divertido, agradável de assistir. Não perca!                                                               

 

domingo, 10 de abril de 2022

 

“FURIOZA”, 2021, Polônia, 2h19m, direção de Cyprian T. Olencki, que também assina o roteiro com a colaboração de Tamasz Klimala. Desde que estreou na Netflix, dia 6 de abril de 2022, “Furioza” é um dos filmes mais vistos da plataforma. Trata-se, sem dúvida, de um filme bastante impactante, um dos mais violentos produzidos nos últimos anos e, sem dúvida, o mais violento no cardápio da Netflix. Quando o grupo foi criado, seu principal objetivo era formar uma torcida organizada para torcer pelo time de futebol local. Aos poucos, porém, a violência começou a fazer parte da sua rotina. Dessa forma, marcavam brigas coletivas com outras torcidas, em confrontos bastante violentos, muito sangue jorrando. Uma parte da “Furioza”, porém, passou a traficar drogas e isso chamou a atenção da polícia. Diante do problema, a policial Dzika (Weronika Ksiazkiewicz) pediu ao seu namorado, o médico e ex-hoolligan David (Mateusz Banasiurd), para se infiltrar na gangue, prometendo que não prenderia seu irmão Kashubian (Wojciegh Zielinski), acusado de um outro delito. Muita água vai rolar e muito sangue vai jorrar até o desfecho. Pelas cenas de luta bastante realistas e violentas, o filme é desagradável de assistir e difícil de digerir, mas uma coisa é certa: é muito bem feito e tem tudo para agradar quem curte filmes de ação com pancadaria. Aliás, o filme tem sido um grande sucesso de público e crítica na Polônia desde que chegou aos cinemas em outubro de 2021 – proibido para menores de 18 anos, claro. O filme agradou tanto que no começo deste ano foi transformado em uma minissérie em quatro capítulos a ser exibida no Canal+. Além disso, concorreu em várias categorias ao Prêmio “Polish Film Awards”. Não é recomendável para quem tiver estômago sensível.                                                     

 

 

“MEDO DE CHUVA” (“FEAR OF RAIN”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h32m, roteiro e direção de Castille Landon. Trata-se de um suspense psicológico com algumas pitadas de terror. A história é centrada na jovem Rain Burroughs (Madison Iseman), que sofre de esquizofrenia, ouve vozes e de vez em quando tem surtos e alucinações, além de visões fantasmagóricas. Em suas alucinações, ela é atacada por um psicopata na floresta, vê larvas saindo das suas mãos e sangue jorrando das paredes. Rain sofre bullying na escola, onde tem a fama de louca. Por causa disso tudo, Rain, filha única, torna-se um tormento e uma preocupação constante para os pais Michelle (Katherine Heigl) e John (Harry Connick Jr.). A situação se complica ainda mais quando Rain afirma que viu a vizinha Dani McConnell (Eugenie Bondurant) torturando uma menina na janela. Foi mais um delírio? A acusação acaba envolvendo a polícia, que chega à conclusão que Rain está mentindo. Para provar o que afirmou, ela conta com a ajuda de Caleb (Israel Broussard), um novo colega de classe por quem ela se apaixona, mesmo que tenha dúvida se ele existe ou é mais uma alucinação. Mesmo com o risco de ser internada em uma clínica psiquiátrica, Rain enfrenta o desafio de esclarecer o mistério da casa da vizinha, que por sinal é sua professora no colégio. O filme é um tanto arrastado, com muito papo furado entre a jovem e seus pais. Pouca coisa acontece, não há sustos convincentes nem mesmo muita tensão, restando esperar pelo desfecho. Madison Iseman convence como a jovem doente, assim como Katherine Heigl, uma bonita atriz que estamos acostumados a ver em comédias românticas, e por fim Harry Connick Jr., um cantor e pianista de jazz que também deu certo no cinema. Até agora estou tentando descobrir a relação do título “Medo de Chuva” com a história. Trocando em miúdos, trata-se de mais uma bobagem cinematográfica daquelas bem descartáveis.                                                             

quinta-feira, 7 de abril de 2022

 

“MÃES PARALELAS” (“MADRES PARALELAS”), 2021, Espanha, 2h03m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Pedro Almodóvar. Trata-se de um drama estilo novelão, mas nas mãos de Almodóvar resulta em cinema da melhor qualidade, principalmente quando ele acrescenta fatos políticos como pano de fundo da narrativa. É o sétimo filme em que o grande diretor espanhol trabalha com a atriz Penélope Cruz. E, mais uma vez, o resultado é uma ótima história vinculada ao universo feminino, como já fez em outros tantos filmes. Penélope é Janis (o nome foi dado por sua mãe hippie em homenagem a Janis Joplin), uma mulher entrando na casa dos 40 que trabalha como fotógrafa de publicidade e editoriais de moda. Ela engravida depois de um sexo casual com o antropólogo Arturo (Israel Elejalde), personagem de um ensaio fotográfico para uma revista. O filme dá um salto de 9 meses e lá está Janis no hospital já em trabalho de parto. No mesmo quarto, também em trabalho de parto, está a jovem Ana (Milena Smit), que engravidou por acidente. Nascem duas meninas e Janis e Ana se transformam em grandes amigas. Um dos bebês, porém, morre de repente, aumentando a dosagem dramática, principalmente depois que se descobre que as crianças foram trocadas no berçário. Perto do desfecho, a história dá uma guinada total. Janis resolve acompanhar Arturo nas escavações na zona rural de sua cidade natal, onde seu bisavô e outras pessoas teriam sido enterrados depois de assassinados pelo grupo fascista “Falange Espanhola” durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A cena final é bastante impactante, que só um gênio criativo como Almodóvar teria coragem de realizar. “Mães Paralelas” concorreu ao Oscar 2022 em duas categorias: Melhor Atriz (Penélope Cruz) e Melhor Trilha Sonora, assinada por Alberto Iglesias. Não foram premiadas, mas Penélope já havia conquistado o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza. O elenco é outro trunfo do filme. Também estão no elenco Aitana Sánchez-Gijón, Rossy De Palma, Daniela Santiago, Ainhoa Santamaria, Julieta Serrano, Inma Ochoa e Julio Manrique. Faço questão de destacar a presença da atriz italiana Aitana Sánchez Gijón. Aos 53 anos, ela continua linda e competente. Aitana domina cada cena em que aparece e sua beleza desbanca atrizes mais jovens também bonitas como a própria Penélope Cruz e Milena Smit, sua filha na história. Por sua atuação, Aitana ganhou o prêmio “Feroz” de Melhor Atriz Coadjuvante concedido pela Asociación de Informadores Cinematográficos de España. Tudo isso junto e misturado com a belíssima trilha sonora, a fotografia e a arte de Almodóvar resultam em um filme de alta qualidade. Não perca!                                                             

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

 

“ZONA DE CONFRONTO” (“SHORTA”), 2020, Dinamarca, disponível na plataforma Netflix, 1h48m, roteiro e direção de Anders Ølholm e Frederick Louis Hviid. Filme policial violento e tenso. Começa com um jovem árabe sendo detido pela polícia de Copenhague. Com um joelho pressionando seu pescoço, ele grita dizendo que não consegue respirar (claro que você vai lembrar do caso George Floyd nos EUA, em maio de 2020, que repercutiu no mundo inteiro). Gravemente ferido, Talib Ben Hassi (Jack Pedersen) é levado em estado grave para o hospital. A notícia logo correu pela periferia de Copenhague, onde reside a maior parte dos imigrantes árabes e africanos, que se rebelam e prometem vingança. O clima fica muito tenso e as autoridades recomendam que os policiais não cheguem perto dessas comunidades. Os policiais Mike Andersen (Jacob Lohmann) e Jens Høyer (Simon Sears) desconsideram a recomendação e resolvem patrulhar pelas ruas do bairro de Svalegarden, reduto onde reside grande parte da comunidade árabe. Depois de deter o jovem Amos Al-Shami (Tarek Zayat) para uma verificação de rotina, são atacados por uma multidão e são obrigados a se esconder para não morrer. Muita tensão diante da situação, que fica ainda pior depois que lhes é negado reforço. Eles ficam encurralados nos prédios do conjunto habitacional e sofrerão um bocado tentando permanecer vivos. O roteiro lembra muito o filme francês “Bac Nord – Sob Pressão”, de 2020. Achei “Zona de Confronto” muito bom, assim como críticos e público que o assistiram em sua primeira exibição no Festival de Veneza 2020. Vale lembrar também que o filme foi um dos 3 concorrentes à indicação da Dinamarca ao Oscar 2021 na categoria Melhor Filme Internacional. Filmaço!                                                           

 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

 

“PROJETO GEMINI” (“GEMINI MAN”), 2019, Estados Unidos, 1h57m, disponível na plataforma Netflix, direção de Ang Lee, seguindo roteiro de Darreri Lemke e Billy Ray. É um filme de ação e ficção que traz o astro Will Smith como o assassino profissional Henry Brogan, especialista em artes marciais e atirador de elite com uma mira impressionante, como já comprova a cena inicial. Henry está na Bélgica com a missão de assassinar um terrorista. A cena é ótima. A vítima está em um trem-bala a 238 km/h e Henry aguarda a hora de atirar acomodado em um morro distante. E, claro, consegue acertar. Uma mentira que só o cinema é capaz de produzir e tornar aceitável. Depois dessa missão, Henry decide se aposentar, mas a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, para a qual trabalha, quer obrigá-lo a continuar. Ou então matá-lo. Henry não sabe, mas criaram um clone seu mais moço, treinado para ser um combatente feroz e assassino. Até o desfecho, Henry terá de enfrentar ele mesmo mais moço – para representá-lo, o ator foi submetido a um incrível processo digital de rejuvenescimento. “Projeto Gemini” também inovou ao utilizar a nova tecnologia 3D+, um formato digital de projeção de cinema em 60 quadros por segundo, quando o normal é 24. A nova tecnologia, entre outros recursos, coloca o espectador no centro da ação. Por falar nisso, as cenas de ação são espetaculares, destacando-se aquela que mostra uma incrível perseguição de motos pelas ruas de Cartagena, na Colômbia. Mas tem muito mais, inclusive em Budapeste (Hungria). O ótimo elenco é outro trunfo deste emocionante filme de ação. Além de Will Smith, atual a bela Mary Elizabeth Winstead, Clive Owen, Benedict Wong, Lina Emond e Douglas Hodger. Destaque especial também para o dublê de Will Smith nas cenas de ação: trata-se de Victor Hugo, nascido no Guarujá (SP) e radicado em Londres. Desde o início fica claro que quem comanda o espetáculo é o veterano cineasta taiwanês Ang Lee, premiado duas vezes com o Oscar de Melhor Diretor por “O Segredo de Brokeback Montain” e “As Aventuras de Pi”. Outros filmes de Lee imperdíveis são “O Tigre e o Dragão”, “Desejo e Perigo”, “A Arte de Viver” e “Comer Beber Viver”, estes dois últimos os meus preferidos. Resumo da ópera: apesar da história mirabolante, “Projeto Gemini” é um filmaço! Em tempo: no filme, Will Smith entra na pancadaria para valer, batendo pesado, ao contrário do tapinha que deu em Chris Rock na cerimônia do Oscar.                                                         

 

domingo, 3 de abril de 2022

 

“CODA: NO RITMO DO CORAÇÃO” (“CODA”), 2021, Estados Unidos, 1h51m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro e direção de Sian Heder. Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Troy Kotsur) e também premiado no Festival de Sundance, “CODA” é um sensível e comovente drama centrado em uma família de quatro pessoas, sendo que apenas uma delas, a filha caçula, não é surda/muda. Só para esclarecer: o filme é um remake do francês “A Família Bélier” (“La Famille Bélier”), de 2014. Outra nota explicativa: CODA é a sigla para “Child of Deaf Adults” (Filha de Adultos Surdos). A personagem principal é Ruby Rossi (Emilia Jones), filha de Frank (Troy Kotsur) e de Jackie Rossi (Marlee Matlin, a primeira atriz surda/muda a ganhar um Oscar de Melhor Atriz por “Os Filhos do Silêncio”, em 1987. Além dos pais, o seu irmão mais velho Leo Rossi (Daniel Durant) também é deficiente auditivo. Ou seja, Ruby é a principal interlocutora da família, que tem um barco de pesca e vive da comercialização dos peixes na pequena comunidade de Gloucester (Massachusetts). Sem Ruby não tem negócio, até mesmo em alto-mar, já que a lei exige que uma pessoa da embarcação seja capaz de escutar as sirenes dos navios e falar no rádio. Estudante do ensino fundamental, Ruby decide ingressar no coral da escola para ficar perto de Miles (Ferdia Walsh-Peelo), um garoto pelo qual é apaixonada. Nas aulas do professor de canto Bernardo Villalobos (o ótimo ator mexicano Eugenio Derbez), Ruby revela uma grande capacidade vocal. Entusiasmado com sua descoberta, Villalobos incentiva a menina a seguir carreira de cantora e a aconselha a se inscrever no conceituado Berklee College of Music, em Boston. Apesar do desejo de seguir o conselho do seu professor de música, Ruby reluta em abandonar a família e só recebe o apoio do irmão mais velho. Ruby sofrerá muito com essa dúvida até o desfecho da história. Eu gostei do filme, mas gostaria de fazer um último comentário: não é filme para ganhar o Oscar, a começar pelo fato de ser uma refilmagem. Acrescento que achei uma injustiça enorme não indicarem a jovem Emilia Jones para Melhor Atriz. Afinal, ela carrega o filme nas costas. Apesar dos pesares, com alguns momentos bastante comoventes e outros de bom humor, “CODA” é um ótimo entretenimento, pois emociona e diverte.                                                 

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

 

“O HERDEIRO DAS DROGAS (“INHERIT THE VIPER”) – a tradução literal do título original é “Herdar a Víbora” -, 2019, Estados Unidos, 1h24m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Anthony Jergen, seguindo roteiro de Andrew Crabtree. Trata-se de um drama familiar bem pesado, com algum suspense e pouca ação. A história, ambientada numa pequena cidade na zona rural de Ohio, é centrada nos irmãos Conley, Kip (Josh Hartnedtt), Josie (Margarita Levieva) e Boots (Owen Teague). Como meio de subsistência, já que o emprego na região é escasso, Kip e Josie traficam drogas, principalmente opióides em pílulas. Boots, o irmão caçula, ficou fora do negócio para ser preservado dos perigos da atividade criminosa e, quem sabe, mais tarde, cursar uma universidade. Um dia, porém, uma mulher morre de overdose no banheiro de um bar após consumir a droga vendida por Josie. Os irmãos Conley, dessa maneira, entram no radar da polícia e também sofrem ameaças dos familiares da vítima. Para piorar a situação, numa negociação mal sucedida, um tiroteio acaba causando a morte de um jovem amigo de Boots. Aí a coisa complica de vez. Kip quer abandonar o tráfico, mas sua irmã insiste em continuar, o que resulta numa grande traição e em uma tragédia perto do desfecho. Para ressaltar ainda mais o contexto dramático, a fotografia do filme foi elaborada em tons escuros. Além do mais, a maioria das cenas acontece à noite. Um dos destaques do filme é o ator Josh Hartnett, que um dia já fez sucesso em Hollywood, ao protagonizar filmes como o excelente “Falcão Negro em Perigo” e “Pearl Harbor”, ambos grandes sucessos de 2001. Outro destaque é, sem dúvida, a boa atriz Margarita Levieva. Nascida na Rússia e radicada nos Estados Unidos desde criança, ela ainda não teve muitas chances em Hollywood, só participando de filmes independentes. Também estão no elenco Bruce Dern, Chandler Riggs, Valorie Curry, Dash Mihok, Brad William e Garrett Kruithof. Resumo da ópera: “O Herdeiro das Drogas” não merece uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo uma recomendação.                                          

 

quinta-feira, 31 de março de 2022

 

Nas minhas consultas habituais na relação da plataforma Amazon Prime Video, li a sinopse de um filme da República Tcheca chamado “NOTAS DE LIBERDADE” ("RYTMUS V PATÁCH”), produção de 2010 feita para a TV. Com 1h37m de duração, o filme é ambientado nos anos 50 do século passado em Praga, quando a vigilância da comunista União Soviética, exercida por uma filial da KGB, era impiedosa sobre os cidadãos tchecos. Na época, o país ainda era a Tchecoslováquia. A história do filme é baseada no livro “Histórias de Um Saxofonista Tenor”, escrito por Josef Skvorecky. Ou seja, os fatos aconteceram de verdade. Naqueles anos, Skvorecky tocava saxofone numa pequena orquestra que se apresentava no bar “Boulevard”. Os integrantes da banda, incluindo sua principal vocalista, são os personagens principais da história. A partir do momento em que o repertório da orquestra era jazz e swing, originários do inimigo Estados Unidos, cada um dos músicos acabou sendo alvo da vigilância do partido comunista, que impunha regras das mais estapafúrdias. As músicas, por exemplo, não podiam ser cantadas em inglês, e quem dançava o swing no bar já entrava na lista de vigiados. Enfim, um clima insuportável de se viver, amigo denunciando amigo, filho denunciando o pai etc. O roteiro e a direção da cineasta tcheca Andrea Sedlácková criam, com muita competência, esse clima tenso em que viviam os tchecoslovacos sob a o martelo e a foice da União Soviética. Além do ótimo elenco, destaco também a primorosa recriação de época, principalmente no que se refere a cenários e figurinos, além da deliciosa trilha sonora, que faz jus ao título. Entre os principais nomes do elenco estão Frantisek Nemec, Marika Soposká e Vojtech Dik. Enfim, um filme bastante esclarecedor que tem como principal trunfo a conjuntura política da então Tchecoslováquia. Imperdível!                                    

 

terça-feira, 29 de março de 2022

 

“RESPECT: A HISTÓRIA DE ARETHA FRANKLIN” (“RESPECT”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h26m, direção de Liesl Tommy (é o seu primeiro longa-metragem), seguindo roteiro assinado por Callie Khouri, disponível na plataforma Amazon Prime. Trata-se da cinebiografia da cantora Aretha Franklin (1942-2018), famosa como a Rainha do Soul. Durante sua carreira, vendeu mais de 75 milhões de discos no mundo inteiro, ganhou 18 prêmios Grammy e foi a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame. Também participou do ativismo pelos direitos civis dos negros. Aretha começou a cantar ainda menina no coral da Igreja Batista da qual seu pai era o reverendo. “Respect” (título de uma canção lançada por Aretha em 1967, considerada o seu maior hit) é um filme muito musical, apresentando nada menos do que 17 clássicos da cantora, mas não esconde os dramas de sua vida particular, como abuso sexual que sofreu quando era criança, o fracasso de seu primeiro casamento – o marido a espancava –, o vício em álcool e o tumultuado relacionamento com empresários e com a família, principalmente o pai centralizador que queria que ela cantasse apenas músicas gospel. A própria Aretha, antes de morrer, escolheu para interpretá-la no filme a cantora e atriz Jennifer Hudson, de 40 anos, que já havia conquistado o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante/secundária em 2007 por sua atuação em “Dreamgirls”. Como Aretha, Jennifer realmente dá um show, não só interpretando como também cantando ela mesmo todas as músicas. E que vozeirão. Estranhei que Jennifer e o próprio filme não tenham sido indicados ao Oscar. Mistérios! Além de Jennifer, estão no elenco Forest Whitaker (ótimo, como sempre), Marlon Wayans, Mary J. Blige, Audra McDonald e Albert Jones. FILMAÇO com letras maiúsculas!                                      

segunda-feira, 28 de março de 2022

 

“CARANGUEJO NEGRO” (“SVART KRABBA”), 2021, Suécia, disponível na plataforma Netflix, 1h52m. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Adam Berg, mais conhecido como diretor de curtas e clipes musicais. O roteiro, assinado por Pelle Radström, é baseado no livro homônimo de Jerker Virdborg. A história é ambientada em um mundo pós-apocalíptico, mostrando uma Suécia em pleno caos, devastada por uma guerra e por eventos climáticos que causaram milhares de mortes. O país está inteiramente coberto por neve e gelo. Com relação à guerra, o roteiro não define quem são os inimigos, ou seja, quem luta contra quem. A história mostra um dos lados, um exército que, aparentemente, obedece ao governo. Em uma operação intitulada “Caranguejo Negro”, seis militares são destacados para chegar ao inimigo levando uma carga ultrassecreta, entre os quais a soldada Carolina Edh (Noomi Rapace) e o tenente Nylund (Jacob Offtebro). Para chegar ao QG do exército inimigo, os seis terão de percorrer muitos quilômetros pelo mar congelado, utilizando patins de gelo. Durante a missão, alguns deles morrerão, ou em acidentes ou baleados pelo inimigo. Como filme de ação, “Caranguejo Negro” agrada bastante, embora a história seja um tanto mirabolante. Os cenários são deslumbrantes, apresentando um país coberto pelo gelo e pela neve, cadáveres à vista e muita tensão. Não poderia deixar de destacar o desempenho da atriz sueca Noomi Rapace, uma das minhas preferidas do cinema atual. Agora famosa, Rapace surgiu para o estrelato depois de atuar na trilogia Millennium: “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, “A Rainha do Castelo de Ar” e “A Menina que Brincava com Fogo”. Depois disso, começou a ser requisitada para atuar em vários filmes de Hollywood e agora, com “Caranguejo Negro”, volta a trabalhar em seu país natal. Filmaço!                                    

quinta-feira, 24 de março de 2022

 

“ÁGUAS PROFUNDAS” (“DEEP WATER”), 2020, Estados Unidos/Austrália, produção original Amazon Studios, 2h33m, direção de Adrian Lyne, seguindo roteiro de Zach Helm e Sam Levinson. Trata-se de mais uma adaptação para o cinema de um livro da escritora Patricia Highsmith (“Deep Water”, de 1957). A história é centrada no casal Vic Van Hallen (Ben Affleck) e Melinda (Ana de Armas). Em crise conjugal, eles resolvem adotar um casamento aberto para evitar o divórcio, ainda mais pela filhinha Trixie (Gracie Jenkins). Vic e Melinda convivem com um grupo de amigos acostumados a festas particulares regadas a muito champanhe. São todos ricos e bem sucedidos em suas profissões. Nessas festas, Melinda costuma levar algum amigo e não volta para casa com o marido. Isso acontece várias vezes. Vic engole quieto as puladas de cerca da esposa, mas sua paciência tem limite e o ciúme começa a perturbá-lo. Ao mesmo tempo, os namorados de Melinda começam a morrer ou desaparecer, um deles afogado na piscina, o que remete ao título. E dá-lhe suspense do começo ao fim. Destaque para o desempenho da cubana Ana de Armas, hoje uma das mais requisitadas atrizes de Hollywood, esbanjando competência, beleza e sensualidade, como exige o papel de uma libertina. Ana de Armas, aliás, estava namorando com Affleck durante as filmagens. Logo depois, dizem as revistas de fofocas, engatou um breve namoro com o brasileiro Wagner Moura quando protagonizaram “Sérgio”. Outro destaque merece ser dado à atriz mirim Gracie Jenkins, que atua com uma espontaneidade e segurança impressionantes para a idade. Tanto é que a menina ganhou um clipe especial nos créditos finais. Realmente, uma gracinha. Completam o elenco Jacob Elordi, Finn Wittrock, Brendan Miller, Rachel Blanchard, Tracy Letts, Jade Fernandez, Dash Mihok, Devyn A. Tyler e Lil Rel Howery. Das inúmeras adaptações para o cinema das histórias de Patricia Highsmith, esta é uma das mais fracas, principalmente se comparadas com os clássicos “Pacto Sinistro”, de 1951, “O Sol por Testemunha”, de 1960, ou “O Talentoso Ripley”, de 1999, entre tantos outros. “Águas Profundas” também marcou a volta do veterano diretor inglês Adrian Lyne, de 81 anos, depois de 20 anos longe dos estúdios. Só para recordar, Lyne dirigiu filmes de grande sucesso, como “Flashdance”, “Atração Fatal”, “9 ½ Semanas de Amor”, “Infidelidade” e “Proposta Indecente”. Seu retorno, porém, não foi muito satisfatório. Muito criticado pela imprensa especializada, “Águas Profundas” realmente apresenta um resultado decepcionante.                                 

terça-feira, 22 de março de 2022

 

“INFILTRADO” (“WRATH OF MAN”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h58m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Guy Ritchie, que também assina o roteiro juntamente com Eric Besnard. O cineasta inglês Guy Ritchie, que ficou famoso por ter sido casado com a diva do pop Madonna, volta a trabalhar com seu conterrâneo, o ator Jason Statham, neste filme de ação, depois de 15 anos. Ritchie levou o brucutu Statham ao estrelato depois de dirigí-lo em dois ótimos filmes policiais ingleses, “Snatch: Porcos e Diamantes” e "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, ambos grandes sucessos de crítica e público. “Infiltrado” é uma refilmagem do filme francês “Assalto ao Carro-Forte” (“Le Convoyeur”), de 2004. Statham é Harry, ou “H”, um sujeito misterioso contratado para trabalhar em uma firma de segurança de valores, que mantém uma frota de carros-fortes que transportam milhões de dólares diariamente por Los Angeles. Em um de seus primeiros trabalhos, Harry elimina sozinho uma quadrilha de assaltantes, tornando-se um verdadeiro herói na empresa. Como outros assaltos se repetem, começam a desconfiar que há um informante infiltrado na equipe de seguranças. Harry é também um infiltrado, só que de outra maneira, ou seja, é o mocinho da história. Enquanto isso, os assaltantes planejam dar uma cartada final: um assalto dentro da própria empresa de segurança no final do dia do “Black Friday”, quando o montante a ser protegido chegaria a mais de 160 milhões de dólares. “Infiltrado” tem boas cenas de ação, tensão do começo ao fim e muitos, mas muitos tiros, bem ao estilo de Guy Ritchie. Também tem muita mentira, pois é impossível sobreviver depois de ser baleado tantas vezes, mas o herói sempre sobrevive. O que me incomodou bastante foi o jeito de falar do personagem de Statham, um cara grandão, com cara de mau, falando como se estivesse sussurrando, lembrando um asmático com enfisema pulmonar. Também estão no elenco Scott Eastwood (a cara do pai, Clint), Josh Hartnett, Niamh Algar, Holt McCallany, Andy Garcia, Eddie Marsan, Alex Ferns, Lyne Renée, Darrell D'Silva e Jeffrey Donovan. Somando os prós e os contras, o resultado final é um bom filme de ação, bastante movimentado e que não compromete nossa inteligência. Entretenimento garantido.                              

domingo, 20 de março de 2022

“EXORCISMOS E DEMÔNIOS” (“THE CRUCIFIXION”), 2018, coprodução Estados Unidos/Romênia/Inglaterra, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção do francês Xavier Gens, seguido roteiro assinado pelos irmãos gêmeos Chad e Carey Hayes, estes últimos responsáveis pelos filmes da franquia “Invocação do Mal”, entre outros. O título nacional “Exorcismos e Demônios” parece fazer referência a um documentário. Nada disso. Apenas uma escolha mal feita. A história é baseada em fatos reais ocorridos na Romênia em 2005. O padre Daniel Corogeanu foi preso acusado de assassinar a freira Maricica Irina Cornici, de apenas 23 anos, durante uma sessão de exorcismo no monastério Santa Trinidad, no pequeno vilarejo de Tanacu.  No filme, a jovem jornalista investigativa Nicole Hawlins (Sophie Cookson), de um jornal de Nova Iorque, se interessa pelo caso e recebe a aprovação do seu editor-chefe para viajar para a Romênia. Seu objetivo é entrevistar o padre Dimitru (Catalin Babliuc) na penitenciária e também todos os envolvidos na sessão de exorcismo que vitimou a freira Adelina Marinescu (Ada Lupu). Ateia radical e convicta, Nicole terá de enfrentar situações que a farão rever os seus conceitos. Sorte que ela terá ao seu lado o jovem padre Anton (Corneliu Ulici), por quem Nicole tem uma atração muito especial e quase sexual. O desfecho reserva como gran finale um exorcismo surpreendente e com uma cena muito bem feita e impactante. Dos últimos filmes que assisti sobre possessões demoníacas, este revela-se bem melhor, garantindo muitos sustos e um clima de tensão do começo ao fim. Uma das falhas que notei está relacionada com o fato de a jornalista norte-americana falar com todo mundo em inglês, inclusive as pessoas mais simples do vilarejo. Isso me incomodou. Em todo caso, o filme funciona perfeitamente como um bom entretenimento para quem curte histórias de exorcismo.