sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

“O QUARTO DE JACK” (“Room”), Canadá, 2015, direção de Leonard Abrahamson (“What Jack Did”). Drama pesado e triste sobre uma jovem mulher (Brie Larson) que, aos 17 anos, foi sequestrada e trancada num pequeno quarto. No cativeiro, ela foi estuprada pelo sequestrador e teve um filho. A primeira parte do filme apresenta a rotina de mãe e filho num quarto de 10 m², os problemas de relacionamento entre os dois e ainda as visitas nada agradáveis do sequestrador, que incluíam ir para a cama com Ma, enquanto Jack ficava dentro de um armário. A segunda parte é dedicada às dificuldades de readaptação dos dois ao mundo real. Jack (Jacob Tremblay), por exemplo, acreditava que as imagens da TV eram de um mundo que não existia. Tudo ficção. O roteiro não abre concessão ao humor nem a momentos sensíveis ou comoventes. Tudo é muito duro e dramático, frio e melancólico. A história foi inspirada num caso real abordado no livro “Room”, de Emma Donoghue. O filme recebeu 4 indicações ao Oscar, inclusive para Melhor Atriz (Brie Larson). William H. Macy e Joan Allen também fazem parte do elenco. Nada contra, mas não merecemos mais tanta tristeza, pois já convivemos com um mundo real muito triste e cruel.                                            

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

“O REGRESSO” (“The Revenant”), 2015, EUA, é apontado como o grande favorito ao Oscar 2016. Recebeu 12 indicações – e já venceu o Globo de Ouro em três categorias, Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Filme Dramático. Trata-se de um bom filme de aventura, sem dúvida, com ótimas cenas de ação, atuação brilhante de Leonardo DiCaprio, cenários maravilhosos e uma fotografia belíssima. Apesar de tudo isso, não é “aquele” filme para receber tantas indicações. Talvez tenha pesado o fato de ter à frente do projeto o badalado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que levou o irregular “Birdman” a conquistar vários Oscars em 2015, inclusive Melhor Diretor e Melhor Filme. E, claro, a presença do astro DiCaprio. Ele interpreta o explorador e caçador de peles Hugh Glass, personagem que realmente existiu no início do Século XIX (a história é baseada no livro “The Revenant: A Novel of Revenge”, escrito por Michael Punke). Numa caçada ao longo do Rio Missouri, depois de um combate sangrento contra os índios, Glass e sua turma conseguem fugir. Na floresta, Glass é atacado por um urso (a cena é espetacular) e fica à beira da morte, sendo abandonado pelos companheiros. Um deles, em especial, John Fitzgerald (Tom Hardy, irreconhecível), será o alvo da vingança de Glass. O filme é muito bom e DiCaprio dificilmente deixará de ganhar a estatueta de Melhor Ator. Sua atuação realmente é espetacular.                                              

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

“A LAGOSTA” (“THE LOBSTER”), 2014, Grécia/Inglaterra. Dos filmes esquisitos ou meio malucos que vi nos últimos anos, este talvez seja o mais interessante. Produção de primeira, elenco de astros (veja abaixo), fotografia primorosa e uma história, embora fantasiosa, bastante digerível. Os diálogos foram construídos na base do nonsense, acentuando o humor negro que atravessa o filme na maioria das cenas. A ficção não é datada, apenas presumida como se fosse um ano qualquer do futuro. As pessoas não podem viver sozinhas, não podem ser solteiras. Aquelas que estão nessa condição são detidas e levadas para um hotel no meio da floresta. Se não encontrarem um (a) parceiro (a) em 45 dias, serão transformadas num animal de sua própria escolha. No caso do arquiteto David (Colin Farrel, gordo como nunca se viu), numa lagosta (daí o título). A história toda gira em torno de David, “hospedado” no tal hotel. Ali, ele será obrigado a conviver com os tipos mais esquisitos e obedecer a normas das mais estranhas e estapafúrdias. O diretor grego Yorgos Lanthimos (de “Dente Canino”), co-autor do roteiro, deve ter bastante prestígio, pois neste seu primeiro filme em língua inglesa conseguiu um elenco de primeira linha. Além de Farrel, trabalham Rachel Weisz (esposa de Daniel Craig, o atual James Bond), Léa Seydoux, Jessica Barden, Olivia Colman, John C. Reilly, Ariane Labed, Ashlei Jensen e Ben Whishaw. O filme teve sua exibição de estreia no Festival de Cannes 2015, com ótimas críticas. Para sair da mesmice das fitas comerciais, indico esta como opção das mais interessantes.              

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

“ADULTOS INEXPERIENTES” (“Adult Beginners”), 2014, EUA, direção de Ross Katz, é uma comédia independente simpática, leve, mas bem fraquinha. Começa o filme com uma festa superbadalada promovida pelo empresário Jake (o comediante Nick Kroll) para lançar seu novo produto. Até o final dos créditos iniciais, Jake perderá tudo: empresa, todo o dinheiro dos investidores (2,5 milhões de dólares), a namorada, os amigos e a própria autoestima. Sem eira nem beira, pede para morar com a irmã Justine (Rose Byrne), o cunhado Danny (Bobby Cannavale) e o sobrinho de 3 anos de idade.  Por incrível que pareça, e ao contrário de tantos outros filmes, os cunhados se dão bem, os irmãos se dão bem e Jake é bem recebido na casa deles, sem prazo para ir embora. Para compensar, porém, recebe uma árdua missão: ser babá do terrível sobrinho. Nada acontece de especial no desenrolar da história. O filme se arrasta sem ter muito a dizer, sem provocar risadas, apenas um leve sorriso de vez em quando. O filme não reserva nenhum atrativo especial, a não ser a presença da bela e competente atriz australiana Rose Byrne. É pouco para justificar uma recomendação. Descartável pode ser a definição mais correta.     
“A ONDA” (“BØLGEN”), 2015, direção de Roar Uthaug, é mais um disaster movie do cinema. Com uma novidade: este é norueguês. Para introduzir a história: ao longo dos anos, o país nórdico vem sendo atingido por vários tsunamis, causando a morte de muita gente. Sua geologia favorece a ocorrência desses fenômenos. Baseado em fatos reais, portanto, esta produção mostra o que poderá acontecer se o desastre ocorrer no Fiorde de Geiranger, um dos lugares turísticos mais badalados da Noruega. Aliás, os cenários do filme são deslumbrantes. O filme reúne uma dupla de atores dos mais prestigiados na Noruega: Kristoffer Joner e Ane Dahl Torp. Kristoffer é o geólogo Kristian, que trabalha numa central que controla e prevê mudanças geológicas que podem provocar esses tipos de desastre. É ele quem dá o alerta de que algo está para acontecer. De início, acham que ele está errado, mas quando a coisa acontece não dá mais tempo de fugir. Desce da montanha, com fúria total, uma onda de 80 metros de altura, de dar medo a qualquer surfista, imagine gente normal. Daí para frente, todo mundo na cidade terá que se desdobrar para conseguir sair vivo. Dá pra ver numa boa, mas esse tipo de filme Hollywood faz melhor.                                       

sábado, 16 de janeiro de 2016

“NOCAUTE” (“Southpaw”), 2015, EUA, direção de Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”, com Denzel Washington). O lutador Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal) é um grande campeão dos meio-pesados. Está invicto há 43 lutas, ganhou muito dinheiro, mora numa mansão, é casado com uma linda mulher, Maureen (Rachel McAdams, vá ser bonita assim em Hollywood!) e tem uma filha que é uma gracinha, Leila (Oona Laurence). Uma tragédia familiar, porém, mudará os rumos do que estava sendo uma vida boa. Eis aqui o verdadeiro nocaute a que se refere o título. Billy Hope acaba perdendo tudo, inclusive a filha, entregue ao Serviço Social do Tio Sam. Quando parecia que tudo estava perdido, o lutador é recebido na academia do técnico Titus Willis (Forest Whitaker). É Titus que tentará reverter a situação, domando o gênio indomável de Hope e colocando-o de volta aos ringues. As cenas de luta são as melhores que já vi no cinema. Ator e coadjuvantes parecem bater e apanhar de verdade. Até o sangue que jorra parece de verdade. O ator Jake Gyllenhaal está ótimo, superando seus excelentes desempenhos em outros filmes, principalmente em “O Abutre” e “Brokeback Montain”. 124 minutos de pura emoção. Um filmaço!                                       

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

“NO RITMO DO AMOR” (“Sipur Hatzi-Russi”), Israel, 2006, gira em torno do menino Chen (Vladimir Volov), que mora com os pais numa cidade litorânea de Israel onde há uma comunidade bastante grande de judeus russos. Filho de mãe russa e pai judeu, Chen pratica judô num centro comunitário. Aqui, ele se apaixona por uma garota russa que frequenta a academia de balé. Chen ingressa nas aulas de dança para se aproximar da menina, o que não será nada fácil. Embora vivendo na mesma comunidade, russos e israelenses vivem em pé de guerra. Além desse aspecto, Chen é obrigado a conviver com as brigas constantes dos pais. Sua mãe é extrovertida, gosta de sair para dançar e se divertir, enquanto o pai, fotógrafo de casamentos, fica em casa remoendo os ciúmes. Com o casal de russos que comanda a academia acontece o contrário: é ele quem assedia as alunas e toda hora está pulando a cerca. O filme, dirigido por Eitan Anner, tem uma levada de comédia e é muito alegre, muito musical. Imagine russos e israelenses dançando ao som de rumba e chá-chá-chá. Não me lembro se o filme passou por aqui no circuito comercial, mas provavelmente não. De qualquer forma, trata-se de um filme leve e divertido, garantindo um bom entretenimento.   

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O drama holandês “A ACUSADA” (“LUCIA DE B.”), 2014, direção de Paula van der Oest, conta a história do rumoroso caso judicial que durante quase 10 anos mobilizou os holandeses e a Europa. Em 2001, a enfermeira Lucia de Berk (Ariane Schluter) foi presa sob a acusação de sete assassinatos e três tentativas de homicídio – as vítimas eram bebês e idosos. Logo apelidada de “Anjo da Morte”, Lucia foi julgada e condenada à prisão perpétua em 2003, sempre jurando inocência. Seu advogado Quirijn Herzberg (Fedja van Huet) recorreu da sentença inúmeras vezes, não conseguindo absolver sua cliente. O caso teria uma reviravolta somente em 2010, graças a uma revelação bombástica de uma assistente da Promotoria, Judith Jansen (Sallie Harmsen). Embora apresente a história de forma documental, o filme mantém um clima de tensão e suspense até o seu final. A quem quiser assistí-lo e não conhece a história, recomendo que não pesquise o que aconteceu para não estragar a surpresa do desfecho. Destaque para a atuação da veterana Ariane Schluter (“A Montanha Matterhorn”). Como representante da Holanda, o filme concorreu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 2015. Sem dúvida, um bom filme de tribunal.  

sábado, 9 de janeiro de 2016

O drama “A ILHA DO MILHARAL” (“Simindis Kundzuli”), roteiro e direção de George Ovashvili, foi o representante oficial da Geórgia (ex-república soviética) na disputa do Oscar 2015 de “Melhor Filme Estrangeiro”. Não passou para a fase final, mas conquistou crítica, público e prêmios em vários festivais pelo mundo afora. O filme mostra a rotina árdua de trabalho de um velho camponês (Ilyas Salman), que pretende utilizar uma pequena ilha no Rio Enguri – separa a Geórgia da Abecásia – para plantar um milharal. Nessa tarefa, ele recebe a ajuda da neta (Marian Buturishvili), órfã de pai e mãe. O filme apresenta, passo a passo, o trabalho do velho em preparar a terra, construir uma casinha, plantar as sementes. Os personagens não têm nome e há poucos diálogos, pois as imagens dizem tudo, com grande carga dramática. Embora lento, o filme não chega a ser monótono nem tedioso, sendo valorizado por um excelente trabalho de fotografia. O roteiro prima pela simplicidade e situa a história em meio ao momento político da região, caracterizado por lutas sangrentas entre soldados da Geórgia e da Abecásia, conflito que dura desde a década de 80 até hoje. Barcos levando soldados de um lado ou de outro passam toda hora pela pequena ilha, deixando apreensivos o avô e sua neta. A Natureza tem um papel fundamental na trama, como parece dizer a mensagem embutida na história: “A Natureza dá, a Natureza tira”. Um filme muito interessante. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

“QUE HORAS ELA VOLTA”, 2015, escrito e dirigido por Anna Muylaert, tentou a sorte ao Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro como o representante brasileiro. Não deu. De qualquer forma, é um filme muito bom, sensível e comovente. Regina Casé interpreta Val, que há 13 anos chegou do Nordeste para trabalhar na casa de uma família classe média alta no Morumbi. Durante esse tempo, além de empregada doméstica, ela foi babá de Fabinho, com o qual sempre manteve um relacionamento mais próximo e íntimo do que a própria mãe do menino, Bárbara (Karine Teles). Como as empregadas de antigamente, Val sabia o seu lugar. Simplória, cuidava da casa sem transpor os limites de sua função. As coisas se complicam quando sua filha Jéssica (Camila Márdila) chega a São Paulo para prestar vestibular de Arquitetura. De outra geração, mais liberal e emancipada, Jéssica não admite a submissão da mãe. Sua aproximação com o chefe da família Carlos (Lourenço Mutarelli) e seu comportamento despertam o ciúme de Bárbara, iniciando um conflito psicológico que vai tumultuar de vez o ambiente da casa. Casé está ótima e muito menos chata do que a Casé televisiva (por sua atuação no filme, Casé ganhou o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Sundance - EUA). O filme, repito, é muito bom, mas não justifica toda essa euforia dos críticos em achar que seria um bom candidato ao Oscar. A roteirista e diretora Anna Muylaert, que já mostrou competência em filmes como “É Proibido Fumar”, “Chamada a Cobrar” e “Durval Discos” (roteiro e direção), além do excelente “O Ano em que meus Pais saíram de Férias” (roteiro), marcou mais um gol de placa.                         

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

“EVERESTE” (“Everest”), 2015, Inglaterra/EUA, do diretor islandês Baltasar Kormákur (de “Dose Dupla” e do ótimo “Sobrevivente”). A história é baseada em fatos reais, descritos no livro “No Ar Rarefeito”, do jornalista e alpinista Jon Krakauer (o livro é ótimo: eu li). Em agosto de 1996, dois grupos de alpinistas juntam-se para escalar os 8.848 metros de altura do Evereste (o mais alto do mundo). Depois de chegarem ao topo, os alpinistas são surpreendidos, na descida,  por uma violenta nevasca. Resultado: oito deles morreram e os outros saíram com ferimentos e sequelas graves. O roteiro não é muito diferente dos filmes que já vimos mostrando a aventura de alpinistas tentando atingir o pico das montanhas mais altas do mundo. Preparativos, despedidas das esposas, quedas espetaculares, muito suspense, falta de oxigênio, mortes pelo caminho e, claro, cenários gelados o tempo inteiro. Ou seja, mais do mesmo. O elenco é de primeira: Jason Clarke, Jake Gyllenhaal, Josh Brolin, Keira Knightley, Emily Watson, Sam Worthington e Michel Kelly. As cenas são bastante realistas e devem fazer com que muita gente com espírito aventureiro desista de fazer o mesmo. O filme, porém, não transmite a mesma emoção que a gente encontra ao ler o livro de Krakauer. Essa espetacular e trágica aventura merecia um filme muito melhor.                       

domingo, 3 de janeiro de 2016

“A TRAVESSIA” (“The Walk”), 2015, EUA, conta a incrível – e insana – façanha do francês Philippe Petit, que na manhã do dia 7 de agosto de 1974 atravessou os 42 metros que separavam as Torres Gêmeas do World Trade Center se equilibrando num cabo de aço. Detalhe: sem autorização das autoridades de Nova Iorque nem dos administradores dos edifícios. O feito do francês foi notícia de primeira página no mundo inteiro. O mérito do veterano diretor Robert Zemeckis (“De Volta para o Futuro”, “Forrest Gump: O Contador de Histórias” e “Náufrago”) foi transformar a história real num filme de aventura – e que aventura! - e criar um ótimo entretenimento, com bastante humor, ação e suspense. A primeira metade do filme mostra como Petit (Joseph Gordon-Levitt) toma o gosto pelo malabarismo, os ensinamentos de “Papa” Rudy (Ben Kingsley), seu grande mentor, a briga com a família e sua vida de artista de rua em Paris, quando conhece aquela que seria sua futura namorada, Annie Allix (Charlotte Le Bon). A segunda parte é dedicada aos preparativos para a grande aventura, como foi feito o planejamento, a formação da equipe de "cúmplices" e o desfecho espetacular, com o francês fazendo aquilo que poucos seres humanos teriam a coragem de fazer. As cenas da façanha são no mínimo sensacionais, de causar frio polar na espinha e fazer eriçar os pelos da nuca. Não recomendado para quem tem medo de altura. Resumindo: um filmaço!                     

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

“MEADOWLAND” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2015. Drama independente com Olivia Wilde e Luke Wilson (irmão de Owen), Giovanni Ribisi, Juno Temple, Elizabeth Moss e John Leguizamo. O desaparecimento misterioso de Jessie, filho do casal Sarah (Olivia), professora, e Phil (Luke), policial, num posto à beira de uma estrada, desencadeia uma grave crise no casamento. A situação chega a um ponto em que Sarah perde a noção e acaba surtando, o que vai levá-la a se envolver com a família de um garoto problemático da escola. Em sua estreia como diretora, Reed Morano constrói um drama com sabor de suspense, conduzindo o espectador a criar uma grande expectativa para o final. O que vai acontecer? Será que vão encontrar o garoto? A história se arrasta de forma monótona, sobressaindo-se o lado psicológico dos personagens em detrimento de qualquer tipo de ação. Embora boa atriz, como já demonstrou em outros filmes, Olivia Wilde aparece aqui de cara “lavada”, sem nenhuma maquiagem, chegando a parecer feia na maioria das cenas. Uma decepção para os fãs dessa bela atriz, embora seu desempenho seja muito bom. O filme estreou no Festival de Tribeca (EUA) em abril de 2015, sem muitos elogios. E com razão. É apenas assistível, nada mais.                      

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

“SEDE DE VINGANÇA” (“Return to Sender”), EUA, 2015, roteiro e direção de Fouad Mikati – este é seu segundo filme; o primeiro foi “Operação Fim de Jogo”. A história é centrada em Miranda Wells (Rosamund Pike), enfermeira de alto padrão de um hospital de uma pequena cidade norte-americana. Seu grande sonho é trabalhar no centro cirúrgico. O destino, porém, reserva-lhe uma surpresa cruel. Ela é espancada e estuprada por um jovem que se faz passar por alguém com o qual Miranda tinha um encontro “às escuras”. Por causa dessa violência, além do trauma psicológico, ela acaba sofrendo uma terrível sequela: um tremor crônico na mão direita, o que a impede de ser admitida no centro cirúrgico. Sonho desfeito. O autor do estupro, William Finn (Shiloh Fernandez), é preso e condenado a 10 anos de cadeia. Como se tivesse adquirido a Síndrome de Estocolmo (a vítima acaba gostando do vilão), Miranda resolve escrever cartas e visitar o seu estuprador na prisão, dando a entender que pretende perdoá-lo. O comportamento dela até pressupõe o desejo de uma amizade. Será que ela está sendo sincera? Só vendo o filme para você descobrir. Nem os bons desempenhos da atriz inglesa Rosamund Pike (indicada ao Oscar 2015 por “Garota Exemplar”) e do ator Shiloh Fernandez – este, em especial - conseguem segurar esse suspense, cujo maior defeito é o roteiro tão previsível. Se você não esperar muito, dá para assistir numa boa.  

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O drama independente “BLEEDING HEART” (ainda não estreou por aqui e, portanto, ainda não tem tradução, mas a literal é “Coração Sangrando”), foi exibido pela primeira vez no Festival de Tribeca/2015 (EUA). Roteiro e direção da escocesa Diane Bell, contando a história de duas irmãs – May (Jessica Biel) e Shiva (a feiosa Zosia Mamet) -, filhas de pai biológico, e que nunca se conheceram. Um dia qualquer, May resolve procurar a irmã (não fica bem claro como a achou). May é professora de Ioga. Shiva é prostituta, disfarçada de massagista. As duas acabam se conhecendo melhor e May, a mais velha, vai tentar tirar Shiva da vida que leva. Só que encontra a resistência feroz e violenta do cafetão e namorado da moça, Cody (o ator inglês Joe Anderson). A forte ligação entre as irmãs será a única defesa contra Cody. Há um bom clima de suspense no filme, principalmente nas cenas em que Cody vai atrás de Shiva. Mas não é suficiente para garantir uma recomendação entusiasmada, a não ser pela presença sempre marcante da bela e competente Jessica Biel. Na verdade, trata-se de um filme descartável: você vê hoje e no dia seguinte já esqueceu.    
O drama “VIVER SEM ENDEREÇO” (“Shelter”), 2014, EUA, marca a estreia na direção do ator inglês Paul Bettany, que escalou para o papel principal a bela atriz Jennifer Connelly, sua esposa na vida real. Ela interpreta Hannah, uma mulher que vive como moradora de rua em Nova Iorque. Pior, viciada em heroína. Em suas andanças, Hannah conhece Tahir (Anthony Mackie), um refugiado nigeriano que possui um passado tenebroso. Um vai ajudar o outro a sobreviver nas ruas da cidade, no que vai resultar numa grande amizade e, aos poucos, numa grande paixão. Merece destaque a corajosa atuação de Jennifer, que deve ter perdido muitos quilos para representar a viciada. Ela aparece esquelética, pele e osso, além de enfrentar cenas um tanto fortes e chocantes, tais como uma com nu frontal onde injeta heroína na virilha. Poucas atrizes do nível de Jennifer teriam a coragem de se expor tanto. Bettany também escreveu o roteiro, que disse ter sido inspirado num casal de moradores de rua que vivia próximo ao seu edifício. Ele dedica o filme justamente a esse casal – veja os créditos finais. Quem assistir vai perceber que Bettany também é bastante criativo com a câmera na mão e na elaboração estética das cenas. Enfim, uma boa e promissora estreia num filme bastante dramático e, ao mesmo tempo, comovente.      

sábado, 26 de dezembro de 2015

“O BEIJO DO VAMPIRO” (“KISS OF THE DAMNED”), 2013, EUA, não segue a fórmula original dos filmes de vampiro. Escrito e dirigido por Xan Cassavetes (filha do diretor John Cassavetes e da atriz Gena Rowlands), o filme não tem castelo na montanha, carruagens com cavalos pretos, morcegos, crucifixo e muito menos estacas. Mas tem glamour, sexo, as mordidas tradicionais e muita mulher bonita – as francesas Joséphine de La Baume e Anna Mouglalis, Roxane Mesquida, Riley Keough, Alexia Landeau e Caitlin Keats. A história gira em torno da vampira Djuna (La Baume), que vive enclausurada numa casa isolada. Só sai para alugar filmes antigos, que assiste com lágrimas nos olhos. Resumindo, uma vampira bastante sensível. Ao conhecer Paolo (Milo Ventimiglia), sua solidão vampiresca se transformará numa paixão doentia. Eis que surge no pedaço a exuberante Mimi (Mesquida), irmã de Djuna. O comportamento de Mimi é completamente diferente. Extrovertida, gosta de sair pela noite, frequentar baladas, transar e morder à vontade. A chegada de Mimi também vai abalar a relação de Djuna com Paolo. Os fãs de filmes de vampiros vão gostar.    

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Depois de “O Sexto Sentido”, de 1999, o então jovem diretor indiano M. Night Shyamalan foi aclamado como um futuro gênio do cinema. Em seguida, porém, escreveu e dirigiu filmes medianos e de qualidade duvidosa, como “Corpo Fechado”, “A Vila”, “Sinais” e “A Dama na Água”, entre outros. No seu mais recente filme, “A VISITA” (“The Visit”), EUA, 2015, Shyamalan experimenta um terror mais explícito. Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxebould), jovens adolescentes, são enviados pela mãe (Kathryn Hahn) para passar uma semana na fazenda dos avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), com os quais não tem contato há 15 anos, depois de uma briga familiar que a obrigou a sair de casa. Logo que chegam, Becca e Tyler percebem que algo de muito estranho está acontecendo e resolvem, claro, investigar. E só no último dia, depois de uma semana de muita tensão, acabam descobrindo um grande segredo e terão que correr para se salvar. O diretor indiano utiliza o recurso da câmera amadora, como em “A Bruxa de Blair”, e dá a entender que quem a manuseia é Becca e o irmão. Como terror, até que o filme funciona, pois proporciona suspense e alguns bons sustos. Nada a mais, porém, que justifique uma recomendação entusiasmada. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

 

 “SEGUNDA CHANCE” (“EN CHANCE TIL”), 2014, Dinamarca, é um drama bastante pesado, com altas doses de suspense, muita tensão e reviravoltas. Mais um bom filme dinamarquês a ser visto. Andreas (Nikolaj Coster-Waldau, da série Game of Thrones) é policial, casado com Anna (Maria Bonnevie) e pai de um bebê. Ao atender a uma chamada de briga doméstica, Andreas e seu parceiro Simon (Ulrich Thomsen) encontram Tristan (Nikolaj Lie Kaas) e Sanne (May Andersen) completamente drogados e fazendo o maior escândalo. Tristan é um ex-presidiário que acabou de sair da cadeia. Os policiais encontram o bebê do casal em péssimas condições. A cena é chocante. Por causa de uma tragédia pessoal envolvendo sua esposa e seu filho Alexander, Andreas acabará se ligando ao casal de drogados, numa trama que deixará o espectador ansioso para descobrir o que acontecerá no final. O elenco, constituído por alguns dos melhores atores dinamarqueses do momento, é o grande trunfo do filme, ainda mais valorizado pela direção de Susanne Bier, consagrada com o Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro pelo excelente “Em um Mundo Melhor”.                 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A comédia dramática francesa “EM UM PÁTIO DE PARIS” (“DANS LA COUR”), 2014, começa de forma leve, até engraçada, mas, aos poucos, vai adquirindo tons dramáticos, culminando num desfecho trágico. A história: por causa de uma crise depressiva, o músico quarentão Antoine (Gustave Kervern) abandona sua banda de rock e vai trabalhar como zelador de um antigo edifício em Paris. Com seu jeito bonachão, cativa os moradores, fazendo amizade com alguns deles, como Mathilde (Catherine Deneuve), esposa do síndico e também depressiva, e Stéphane (Pio Marmai), um ex-jogador de futebol agora viciado em drogas. Antoine terá uma ligação mais forte com Mathilde. Um é mais depressivo que o outro e, juntos, tentarão superar seus traumas. Mais do que uma comédia dramática, trata-se de uma comédia melancólica, como melhor definiu o crítico Rubens Ewald Filho. O filme é muito bom e a presença da diva Catherine Deneuve é um motivo a mais para uma visita. O roteiro e a direção levam a assinatura do diretor tunisiano Pierre Salvadori, que já concebeu filmes bem mais leves, como as comédias românticas “Uma Doce Mentira” e “Amar não tem Preço”.  

domingo, 20 de dezembro de 2015

“VIRANDO A PÁGINA” (“The Rewrite”), 2015, EUA, é uma comédia romântica que traz no papel principal um dos especialistas no gênero, o galã inglês Hugh Grant. Ele interpreta Keith Michaels, um roteirista que já foi sucesso em Hollywood, tendo até conquistado um Oscar, mas que há muitos anos não emplaca um sucesso. Com muitas dívidas, aceita, muito a contragosto, a sugestão de sua agente para dar aulas de Roteiro na Universidade de Binghamton (Estado de Nova Iorque). Chegando lá, arrumou briga com a coordenadora Mary Weldon (Allison Janney) por causa de Jane Austen, se envolveu com uma aluna, Karen (Bella Heathcote), e se enrabichou por outra aluna mais velha, Holly Carpenter (Marisa Tomei). Destaque para o ator J.K. Simmons, que interpreta o diretor da universidade. Hugh Grant continua com o charme e a competência de sempre, além do ar jovial que sempre encantou suas fãs, embora as rugas denunciem seus 54 anos. A direção é de Marc Lawrence, que já dirigiu Grant em seus três outros filmes, “Letra e Música”, “Cadê os Morgan?” e “Amor à Segunda Vista”. O filme é bastante leve e engraçado. Indicado para uma sessão da tarde com pipoca. Quem quiser conhecer melhor o talento de Grant para a comédia, assista “Mickey Olhos Azuis”, de 1999.                

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ao estrear (fora de competição) no Festival de Cannes 2015, o drama erótico francês “LOVE”, escrito e dirigido pelo argentino Gaspar Noé, provocou enorme polêmica. Não apenas pelas inúmeras cenas de sexo explícito e pelo cartaz obsceno (foto), mas por ter sido feito para ser visto em 3D. O filme é muito fraco e foi, com justiça, execrado pelo público e pelos críticos. Por que uma produção tão medíocre consegue espaço num festival importante como Cannes?  A história: Murphy (o ator norte-americano Karl Glusman, de “Tropas Estelares”) recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada Electra (Aomi Muyock). Ela diz que a filha está desaparecida e que está muito preocupada. O telefonema desencadeou em Murphy um processo de depressão profunda, causada pelas lembranças dos momentos dele com Electra. Momentos recheados de sexo, experiências com novos parceiros e diálogos com a profundidade de um pires. Aliás, as camisinhas utilizadas pelo ator têm mais conteúdo do que o filme inteiro. Do trio central de protagonistas, o único ator profissional é Glusman. A suíça Muyock é modelo, assim como a dinamarquesa Klara Kristin, a outra ponta do triângulo amoroso. O argentino Gaspar Noé já havia criado polêmica em 2002, quando apresentou, também em Cannes, o drama “Irreversível”, com a diva Monica Bellucci. Enfim, um filme descartável, como as camisinhas de Murphy.