segunda-feira, 22 de setembro de 2014


“HELLION”, 2013, filme norte-americano independente, conta o drama de Hollis Wilson (Aaron Paul, de “Need for Speed”), um jovem pai que, depois de ficar viúvo, enfrenta sérias dificuldades para cuidar dos dois filhos, Jacob (Josh Wiggins), de 13 anos, e Wes, de 10 anos. O problema maior é Jacob, um adolescente rebelde e revoltado, com grandes chances de ingressar na delinquência. Em alguns aprontos com sua turma nada comportada, ele envolve seu irmão menor. Aí não teve jeito. Alertado pela cunhada de Hollis, Pam (Juliette Lewis), o Serviço Social entra em ação. Hollis corre o risco de perder a guarda dos filhos e se desespera. A situação caminha para um final bem triste. O filme conta com as ótimas atuações de Aaron, Juliette Lewis e, principalmente, de Josh Wiggins em sua estreia como ator. Wiggins, aliás, lembra muito o jovem Leonardo DiCaprio em seus primeiros filmes. “HELLION”, dirigido por Kat Candler, estreou em janeiro de 2014 no Sundance Film Festival e recebeu ótimos críticas. Uns meses depois foi exibido no Festival de Dallas, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri. 

domingo, 21 de setembro de 2014

O drama turco “CLIMAS” (“Iklimler”), de 2006, é daqueles filmes que podemos enquadrar no gênero cinema de arte. É contemplativo e arrastado, feito de silêncios, olhares e gestos, sem uma narrativa linear. Lembra os filmes de Antonioni nos anos 60, com protagonistas depressivos, infelizes e vazios. Numa viagem a trabalho para fotografar as ruínas de um templo, o professor universitário Isa (Nuri Bilge Ceylan, também roteirista e diretor do filme) se desentende com a sua jovem mulher Bahar (Ebru Ceylan, esposa do diretor), que já se mostrava entediada com o casamento. O casal revolve dar um tempo. Isa volta para Istambul e segue dando suas aulas de Arquitetura, enquanto Bahar viaja a trabalho (ele é produtora de TV) para Dogubeyazit, na região montanhosa e gélida da Turquia. Em sua condição de solteiro, Isa passa o tempo, além de ministrar as aulas, visitando os pais (que são seus pais também na vida real) e buscando conforto nos ombros - e no corpo inteiro - de uma antiga namorada, Serap (Nazan Kirilmis). Mas Isa ainda ama Bahar e vai fazer o possível para se reaproximar dela. Como o filme dá a entender, o título “Climas” refere-se às estações do ano em que o drama é ambientado. Começa, por exemplo, num clima de verão escaldante, e termina num rigoroso inverno. O filme foi lançado no Festival de Cannes e recebeu o Prêmio de Melhor Filme da Crítica Internacional. Nuri  Ceylan também dirigiu “Era uma vez na Anatólia” (2011) e “3 Macacos” (2008).        

sábado, 20 de setembro de 2014

Mulher rejeitada é um perigo. Amante rejeitada, então, e ainda mais desequilibrada e psicótica, sai de baixo, da frente, de cima... O perigo torna-se real e imediato, com grande possibilidade de virar tragédia. Foi o que não conseguiu prever Bernardo (Milhem Cortaz) quando conheceu a jovem e bela Rosa (Leandra Leal) numa estação de trem de subúrbio no Rio de Janeiro. A paixão avassaladora veio em seguida. O drama “O LOBO ATRÁS DA PORTA”, 2013, dirigido por Fernando Coimbra, gira em torno desse caso de adultério (Bernardo é casado) e suas nefastas consequências, o que inclui o sequestro da filha de Bernardo. O roteiro do filme foi concebido de forma magistral pelo próprio Coimbra, que se baseou num caso policial famoso ocorrido no Rio de Janeiro nos anos 60. A partir dos depoimentos de todos os envolvidos e testemunhas numa delegacia de polícia, Coimbra vai montando as peças do quebra-cabeça da história com flashbacks e, ao mesmo tempo, situando os fatos de forma cronológica, até chegar ao trágico desfecho. Um primor de roteiro. Ainda estão no elenco Fabíula Nascimento como Sylvia, esposa de Bernardo, e Juliano Cazarré como o delegado responsável pelo inquérito. Exibido em vários festivais pelo mundo afora, o filme conquistou inúmeros prêmios. Cinema nacional da melhor qualidade.
O drama sueco “PURA” (“Till Det Som är Vackert”), 2009, marcou a estreia da atriz Alicia Vikander (“O Amante da Rainha”) no cinema, com direção da também estreante Lisa Langseth. Catherine (Alicia) é uma jovem de 20 anos que há muito tempo, em decorrência de uma mãe alcoólatra e irresponsável, vive sob a supervisão do serviço social sueco. Ao assistir a um concerto com o namorado no Concert Hall de Gotemburgo, ela descobre a beleza da música de Mozart. Um dia, ao retornar ao teatro e enquanto assiste ao ensaio da orquestra, ela é convidada para cumprir um período de experiência na recepção. Era tudo que Catherine queria. Assim poderia conviver com os músicos e ouvir os ensaios. Ao receber a atenção carinhosa, quase paterna, do maestro Adam (Samuel Fröler), Catherine acaba se apaixonando. Eles iniciam um caso, só que ela não percebe que se trata apenas de uma paixão temporária, pelo menos no caso do maestro. Quando Adam, casado, deixa a situação bem clara, Catherine se desespera, a ponto de tomar atitudes que a levarão a ser demitida do teatro. Só que ela não vai aceitar assim tão fácil a rejeição do maestro nem a perda do trabalho. O filme é ótimo, e o que o torna ainda melhor é a sua irresistível trilha sonora - música clássica da melhor qualidade. Além disso, não se pode deixar de admirar o trabalho dessa estupenda jovem atriz Alicia Vikander em seu primeiro filme. Em resumo, não dá para perder!   
Todo mundo com mais de 40 anos lembra aquele dia trágico, 28 de janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger explodiu 73 segundos após ser lançado de Cabo Canaveral, matando seus 7 astronautas. Uma tragédia e tanto, não apenas pelas mortes, mas também para a credibilidade do programa espacial dos EUA. O que muita gente não se lembra - e aqui no Brasil não tivemos a oportunidade de acompanhar -, é que o presidente Reagan nomeou uma comissão especial para investigar as causas do acidente. O trabalho desta comissão é o tema do drama “ÔNIBUS ESPACIAL CHALLENGER” (The Challenger Disaster”), filme produzido pelo Science Channel da BBC em 2013, dirigido por James Hawes e exibido – aqui e nos EUA - pelo Discovery Channel. O enredo é centrado no cientista Richard Feynmann (William Hurt), único membro independente da comissão. Como ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, Feynmann era muito respeitado e suas conclusões sobre o acidente não foram muito favoráveis à NASA. Apesar das pressões, Feynmann não mudou seu diagnóstico. Um filme muito interessante que, com certeza, vai agradar não só a comunidade científica, mas também quem tem algum interesse sobre o assunto. O elenco traz ainda, entre outros, Bruce Greenwood e Brian Dennehy. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os franceses já produziram bons filmes policiais e de ação, mesmo que esses dois gêneros não façam parte do seu melhor cardápio. “VINGANÇA EM PARIS” (“Le Jour Attendra”), de 2013, é um exemplo de como o cinema francês de vez em quando “pisa na bola”. O diretor Edgar Marie quis imitar uma fórmula que costuma dar certo nos filmes de Hollywood: reunir uma dupla de protagonistas para viver uma aventura, colocando até algumas pitadas de humor (sem graça). No caso dessa produção francesa, a dupla é formada por Victor (Jaques Gamblin) e Milan (Olivier Marchal), dois amigos de infância que, adultos, abrem uma casa noturna. Os dois ficam endividados e apelam para o tráfico de drogas. Se envolvem com o gângster sanguinário Serki (Carlo Brandt) numa negociação com traficantes mexicanos – o filme começa, inexplicavelmente, em algum deserto do México. A polícia prende os três, mas Victor e Milan, para se livrarem da prisão, depõem contra Serki, que pega seis anos de cadeia. O filme dá um pulo de seis anos e agora Victor tem um restaurante de sucesso em Paris e Milan continua gerenciando a casa noturna. Serki sai da cadeia e vai atrás da dupla para se vingar. Daí para a frente, o filme é todo dedicado a essa caçada. As cenas de ação – poucas, aliás – são muito mal feitas e chegam a ser constrangedoras, como no caso dos tiroteios. Uma curiosidade: Olivier Marchal também é diretor e já realizou bons filmes de ação, como, por exemplo, “MR 73”, de 2008.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

“CHAMADA A COBRAR”, 2013, conta a história angustiante e dramática de Verinha (Bete Dorgam), uma senhora de classe média alta da capital paulista, que cai no golpe do falso sequestro. Numa manhã, ela atende um telefonema a cobrar e ouve alguém que se diz bombeiro avisando que uma de suas filhas sofreu um acidente. Ela se desespera e informa, inocentemente, os nomes das três filhas. O homem que se dizia bombeiro passa o telefone para outro, que assume a condição de sequestrador e vai manter Verinha em contato direto durante as próximas 12 horas. A primeira meia hora de filme é de pura aflição e muita tensão - para o espectador, inclusive. Aos poucos, Verinha vai se habituando ao jeito ao contato com o  bandido, o que inclui uma constante pressão psicológica e xingamentos da pior espécie. Durante a viagem que faz ao Rio de Janeiro – uma das exigências do falso sequestrador -, finalmente um pouco de humor. Ela para num posto, toma umas doses de conhaque e, de repente, está utilizando a mesma linguagem chula do marginal. A cena é muito engraçada. Enquanto isso, em São Paulo, as três filhas se desesperam ao não conseguir descobrir o paradeiro da mãe. Até chegar à conclusão de que foi vítima de um falso sequestro, muita coisa ainda vai acontecer durante a viagem de Verinha. Mais um ótimo filme da diretora paulista Anna Muylaert, que já havia nos brindado com “Durval Discos”, “O Ano em que meus pais saíram de férias” e “Xingu”. Mas, sem dúvida, a alma do filme é a atriz Bete Dorgam. Se o filme já é bom, Bete o torna ainda melhor. Mais uma produção nacional imperdível.    

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

“MAR DA ESPERANÇA” (“Wir Wollten aufs Meer”), 2012, dirigido por Toke Constantin Hebbeln, é um drama alemão que coloca novamente em evidência a Alemanha Oriental nos tempos da chamada Guerra Fria. Em 1982, dois amigos estivadores no Porto de Rostock acalentam o sonho de ingressar como marinheiros na Marinha Mercante – e, com isso, fugir para o Ocidente. Para isso, porém, teriam que colaborar com algumas informações para a STASI, a polícia secreta do governo comunista. Dessa forma, Cornelis Schmidt (Alexander Fehling) e Andreas Homung (August Diehl) tornam-se informantes. Um se arrepende no meio do caminho depois de denunciar um companheiro de trabalho, Matthias (Ronald Zehrfeld). Andreas, porém, segue firme na atividade de dedo-duro, traindo o próprio amigo. O enredo sombrio e dramático é amenizado pelo romance proibido entre Cornelis e a vietnamita Mai (Phuong Thao Vu). Romance, aliás, também denunciado por Andreas. "MAR DA ESPERANÇA" lembra muito outro excelente filme alemão, “A Vida dos Outros”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007. Ambos tratam de amizade e traição, num clima de total desconfiança alimentado pelo próprio regime vigente na Alemanha Oriental. Vigilância dia e noite. Não se podia confiar em ninguém, nem no amigo, no parente, no vizinho. E a STASI ali no pé de todo mundo, e coitado (a) de quem caísse nas suas garras.    

terça-feira, 16 de setembro de 2014

“GOD’S POCKET”, 2013, EUA. Se este, como tem sido divulgado, foi o último filme de Philip Seymour Hoffman, então podemos dizer que não foi uma despedida à altura do grande ator que ele foi. Não que o filme seja ruim, tanto que estreou no Sundance Film Festival e foi muito elogiado pela crítica. Trata-se de um drama sombrio, até mesmo tétrico, com altas doses de humor negro, o que quase o transforma numa comédia. A história é baseada no romance homônimo escrito por Pete Dexter.  O enteado de Mickey Scarpato (Seymour), um jovem maluco e encrenqueiro chamado Leon (Caleb Landrey Jones), morre no canteiro de obras em que trabalha. Os trabalhadores dizem à polícia que foi acidente, mas a mãe do garoto, Jeannie (a ótima Christina Hendricks), não acredita nessa versão. Aí aparece o jornalista Richard Shelburn (Richard Jenkins) para “cobrir” a morte de Leon, e Jeannie conta a ele sobre a sua desconfiança. Enquanto isso, Mickey aposta nos cavalos o dinheiro que seria usado no velório de Leon. A funerária devolve o corpo a Mickey, que fica sem saber o que fazer. Até o enterro, muita coisa vai rolar, inclusive algumas mortes. Trata-se do primeiro filme dirigido pelo ator John Slattery, que contou ainda com a presença de John Torturro como Arthur, o melhor amigo de Mickey. Um filme interessante e que merece ser conferido. Ah, “God’s Pocket” é o nome do bairro operário onde a toda a história é ambientada. 
“VOCÊ ESTÁ AQUI” (“Are you Here”), EUA, 2013, foi lançado como comédia. Propaganda enganosa, pois é impossível ao menos esboçar um sorriso durante a 1h54 de duração do filme. Culpa da historinha boba, do elenco, que conseguiu a proeza de reunir atores chatos como Owen Wilson e Zack Galifianakis (“Se Beber, não Case”), além da também chata Amy Poehler, e ainda colocá-los para representar personagens mais chatos ainda. Difícil acreditar que o diretor seja o mesmo das séries “Mad Men” e “Família Soprano”, Matthew Weiner. Vamos dar um desconto pelo fato de ser o seu primeiro longa. Ben Baker (Zack), um desempregado convicto, recebe a notícia da morte do pai. Com seu melhor amigo Steve Dallas (Owen), ele viaja para assistir ao funeral, numa cidade do interior. Depois do enterro, o testamento do velho é lido e praticamente toda a fortuna do falecido é deixada para Ben, o que enfurece sua irmã Terri Couter (Poehler). Ah, e o morto ainda deixa uma viúva, uns 50 anos mais moça, Angela (Laura Hamsey), que também é ignorada no testamento. Terri vai tentar reverter a sentença judicial, alegando, com toda razão, que o irmão não tem condições de administrar tanto dinheiro. Afinal, ele passa o dia inteiro fumando maconha e realizando reuniões do um grupo de ambientalistas alienados. E por aí vai a história, chegando a um final ainda mais constrangedor. Um verdadeiro atentado ao humor - e ao espectador.   

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Além de bonita e competente, a atriz norte-americana Michelle Monaghan já participou de vários filmes como protagonista, mas nunca lhe deram um papel de destaque num grande filme, embora tenha participado de produções badaladas como "Missão Impossível", ao lado de Tom Cruise, e “A Supremacia Bourne”.  Em “LAÇOS DE FAMÍLIA” (“Fort Bliss”), 2013, EUA, ela mais uma vez é a protagonista principal, a sargento Maggie Swan, médica do Exército. Depois de ficar mais de um ano em missão no Afeganistão, ela volta para casa e vai buscar o filho Paulie (Oakes Fegley), de 5 anos, na casa do ex-marido Richard (Ron Livingston), que agora vive com Alma (Emmanuelle Chriqui). Depois de tanto tempo fora, é claro que Maggie terá sérios problemas de relacionamento com o filho, que insiste em dizer que sua mãe verdadeira é Alma. Pronto: a confusão está lançada. Em meio aos esforços para conquistar novamente o filho, Maggie é promovida a 1º Sargento, sendo designada para chefiar uma unidade do Exército. Não demora muito e chega uma convocação para uma nova missão no Afeganistão. Será que ela optará pelo filho ou pelo país? A resposta, só você vendo o filme. Monaghan comprova novamente que é uma ótima atriz. Exemplo: quando está de farda e cabelo preso, ela é uma pessoa; quando está em trajes civis e cabelo solto, ela é outra, esbanjando sensualidade. Quase como se representasse dois papéis. Não deixe de ver, não só por causa de Monaghan, mas porque o filme é bastante interessante e não perde o ritmo até o final.    

domingo, 14 de setembro de 2014


É claro que Hollywood não ia deixar de adaptar um best-seller como “A culpa é das Estrelas”, do escritor John Green, que vendeu e continua vendendo milhões de exemplares pelo mundo todo. Então produziu “A CULPA É DAS ESTRELAS” (“The Fault in our Stars”), 2013, EUA, dirigido por Josh Boone (“Ligados pelo Amor”), e o resultado não poderia ter sido outro: recordes de bilheteria no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil. Para quem ainda não sabe, a história é de dois jovens com câncer que se conhecem numa sessão de um Grupo de Apoio. Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus Waters (Ansel Elgory) acabam se apaixonando. Em meio à paixão avassaladora, eles enfrentarão os desafios naturais advindos da sua condição física, mas jamais deixarão de se amar. Amor, aliás, concretizado fisicamente em Amsterdam, na Holanda, para onde viajam com o intuito de conhecer um escritor que Hazel admira, um tal de Peter Van Houten (o intragável Willem Defoe). Impossível tornar mais leve uma história em que os dois principais protagonistas têm uma doença grave, ainda mais com Hazel usando, o tempo inteiro, uma cânula nasal ligada a um cilindro de oxigênio. Mesmo assim, o diretor Josh Boone deu uma amenizada, colocando pitadas de humor e romance nas situações em que Hazel e Augustus estão juntos. Aliás, os dois atores estão bastante entrosados e, além de tudo, são bonitos e simpáticos. Uma coisa é certa: até os mais insensíveis vão se emocionar no final. Portanto, além da pipoca, tenha à mão uma caixinha, ou duas, de lenços de papel.       

sábado, 13 de setembro de 2014

 

Uma pena que esse belo e surpreendente drama “MÃE DE GEORGE” (“Mother of George”), 2012, co-produção Nigéria/EUA,  não tenha sido exibido em nossos cinemas. É um filmaço de encher os olhos pela sensacional fotografia e de lágrimas pela situação triste e trágica da protagonista principal, a tal “Mãe de George”. O filme estreou no Sundance Filme Festival/2013 e foi aclamado pelos críticos. A história é centrada num casal de nigerianos que reside no bairro nova-iorquino do Brooklin, Ayodele (Isaach de Bankolé) e Adenike (Danai Gurira). Pela tradição familiar, Adenike deve engravidar logo. O tempo passa e nada de gravidez, o que pode terminar com o casamento. Ayodele se recusa a ir ao médico fazer qualquer tipo de tratamento. O casal participa até de rituais africanos de candomblé. A mãe de Ayodele, matriarca de grande influência na família e na comunidade nigeriana, sugere a Adenike uma alternativa pra lá de chocante e radical. Uma boa história, com ótimos atores, mas o destaque maior fica mesmo para a exuberância do visual, graças ao incrível trabalho do diretor nigeriano Andrew Dosunmu, que também é fotógrafo e responsável por videoclipes de artistas como Aaron Neville, Tracy Chapman e Isaac Hayes. Imperdível para quem aprecia cinema de qualidade.   

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

São raros os atores e atrizes capazes de, com sua presença em cena, salvarem um filme ou, pelo menos, torná-lo menos medíocre. Um deles é o veterano Robert Duvall, que já ganhou um Oscar de Melhor Ator, em 1983, pelo filme “A Força do Carinho” (“Tender Mercies”), e outros importantes prêmios. Aos 83 anos, Duvall é o principal protagonista de “UMA NOITE NO VELHO MÉXICO” (“A Night in Old Mexico”), de 2014, dirigido pelo cubano Emilio Aragón. O filme conta a história de Red Bovie (Duvall), que acaba de perder seu rancho no Texas por causa de dívidas. Ele tenta o suicídio, mas não tem coragem. Quando se prepara para sair do rancho, aparece um rapaz, Gally (Jeremy Irvine, de “Cavalo de Guerra”), dizendo ser seu neto. Os dois pegam a estrada por insistência de Bovie, que quer se divertir, dançar e beber em algum lugar que tenha muitas mulheres. No caminho, porém, eles vão se defrontar com dois marginais e uma sacola cheia de dólares. Por causa disso, eles enfrentarão enorme perigo, pois o dinheiro também é disputado por outro bandido, Panamá (o ator espanhol Luis Tosar). Para amenizar um pouco a situação, eles conhecem a bela Patty (a atriz colombiana Angie Cepeda, de “Pantaleão e as Visitadoras”), uma cantora fracassada que se junta aos dois na aventura. O filme tem ação, humor e, claro, a presença de Duvall, o que garante um bom entretenimento. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

“CIRKUS COLUMBIA”, 2010. Vem da Bósnia – e com a assinatura do diretor Danis Tanovic (“Terra de Ninguém”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002) - este ótimo drama ambientado em 1991, cujo enredo é baseado no livro homônimo do escritor Ivica Dikic. O cenário é uma pequena vila cuja população tenta se adaptar às mudanças causadas pela recente queda do regime comunista e, ao mesmo tempo, vive a expectativa do início de um conflito armado (a guerra que atingiria a Bósnia e Herzegovina nos anos seguintes). A história começa com o retorno de Divko Buntic (Miki Manojlovic) à vila, depois de 20 anos morando na Alemanha. Com seu jeito arrogante e autoritário, ainda mais agora rico, ele volta como se fosse o dono do lugar e com uma namorada, Azra (Jelena Stupljanin), 40 anos mais jovem. A primeira atitude de Divko é despejar de sua antiga casa a ex-mulher Lucija (Mira Furlan) e o filho Martin (Boris Ler). É em torno da relação de Divko com a namorada, a ex-mulher e o filho, mais o pano de fundo político, que se desenrolará a história. Também tem o gato preto que Divko trouxe da Alemanha e que diz dar sorte. O gato some na vila e, realmente, as coisas começam a dar errado para Divko. O diretor Tanovic acrescentou algumas pitadas de humor e lirismo para suavizar o contexto dramático. Dessa forma, o filme ficou agradável de assistir, ainda mais pelos excelentes atores, em especial Mira Furlan, Jelena Stupljanin e Miki Manojlovic. Um filme para quem gosta de cinema de qualidade.  

quarta-feira, 10 de setembro de 2014


Apesar do tom sentimentalóide e do enredo um tanto inverossímil, o drama espanhol “TUDO O QUE VOCÊ QUISER” (“Todo lo que Tú Quieras”), 2010, dirigido por Achero Mañas, não decepciona e até emociona. A história é a seguinte: o advogado Leo (Juan Diego Botto) fica repentinamente viúvo e tem de cuidar sozinho da filha Dafne (Lucía Fernández), de 4 anos de idade. Só que a menina sente muito a falta da mãe e pede ao pai que arrume uma “mãe falsa”. Pensando nisso, Leo se aproxima de Marta (Najwa Nimri), uma ex-namorada, só que não dá certo. Um dia, então, Dafne pede ao pai que passe batom para ficar parecido com a mãe. Pronto, aqui chegamos ao título do filme, ou seja, Leo vai fazer tudo o que Dafne pedir. Leo fará sacrifícios que colocarão em cheque não apenas o seu trabalho, como também sua vida pessoal e até mesmo a sua masculinidade. O filme em nenhum momento descamba para o chororô, mas tem lá seus instantes de sensibilidade. A atriz mirim que faz Dafne é uma gracinha, além de atuar com uma desenvoltura rara para uma criança da sua idade. Sua presença em cena vale o ingresso. Juan Diego Botto é um galã ao estilo Gianecchini, com aquela cara de bom moço e de coitadinho - ele lembra mesmo o galã brasileiro. Mas o inusitado mesmo é o visual da atriz Najwa Ninri, que faz Marta. Ela parece ter saído de um daqueles filmes dos irmãos Marx feitos na década de 40. Pode reparar! 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O drama polonês “VENEZA” (“Wenecja”), 2010, dirigido por Jan Jakub Kolski, tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. O ano é 1939. A Polônia vivia a expectativa da iminente invasão alemã. Em consequência, os pais de Marek (Marcin Walew), de 11 anos, resolvem cancelar a viagem que fariam com os filhos a Veneza nas férias de verão. Era o grande sonho de Marek, que havia estudado todos os detalhes sobre a famosa cidade italiana, sua história, seus principais pontos turísticos, praças, monumentos etc. Com a mudança de planos, Marek é enviado, juntamente com o irmão Victor, para morar no casarão da avó no interior, onde já estavam suas tias e primas, todos vindos de Varsóvia. Um dia, quando o porão do casarão é inundado, Marek resolve construir uma espécie de maquete de Veneza, que se transforma, para a família, numa pequena cidade de sonho, capaz de fazer esquecer que lá fora está acontecendo uma guerra. Além de destacar os momentos em que Marek e as primas passam nessa Veneza de fábula, o filme acompanha o processo de amadurecimento de Marek, o que não exclui alguns fatos trágicos. A história é baseada no livro “Um Verão em Veneza”, do escritor polonês Wlodzimierz Odojewski. Aqui no Brasil, o filme foi exibido pela primeira vez em 2012 durante o 4º Festival de Cinema Polonês, em Florianópolis.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014


Se a presença de Colin Firth e Nicole Kidman já representa um grande atrativo, a incrível história, baseada em fatos reais, valoriza ainda mais “UMA LONGA VIAGEM” (“The Railway Man”), 2012, uma co-produção Inglaterra/Austrália. Todo o enredo é inspirado no livro autobiográfico do inglês Eric Lomax. Em 1942, oficiais ingleses são capturados pelos japoneses em Cingapura. Como alguns tinham formação em Engenharia, o grupo é enviado para a Tailândia com o objetivo de trabalhar na construção da estrada de ferro Burma-Sião (que passa pela famosa ponte do Rio Kway). No campo de prisioneiros, Lomax, um dos oficiais, construiu um aparelho de rádio para ouvir as notícias da guerra. Os japoneses descobriram e Lomax foi torturado brutalmente. Muitos anos depois, Lomax (Colin Firth) ainda carrega consigo os traumas dessa experiência, a ponto de abalar seu casamento com Patti (Nicole Kidman). Finlay (Stellan Skarsgard), seu melhor amigo e companheiro daquela época, descobre que Nagase Takashi, soldado japonês que testemunhou as torturas, está vivo e trabalhando como guia turístico no mesmo local onde tudo aconteceu em 1942, e conta para Lomax. Este, então, decide fazer novamente essa longa viagem de volta e se defrontar com Nagase (Kiroyuki Sanada). O filme, dirigido por Janathan Teplitzky, estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2013. Um belo drama que merece ser visto, principalmente pelo seu surpreendente e comovente desfecho.  
Baseado em fatos reais, o drama “SOBREVIVENTE” (“Djúpio”), 2012, foi o candidato oficial da Islândia ao Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. A história é impressionante. Em 1984, um barco pesqueiro com 6 tripulantes sofre naufrágio nas águas mais do que gélidas do Atlântico Norte. Um dos tripulantes é Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um gordo simpático de trinta e poucos anos. Pois ele é o único sobrevivente. Gulli nadou cerca de 6 horas e, por incrível que pareça, não sofreu hipotermia, a causa da morte da maioria dos outros tripulantes – é impossível sobreviver nadando em águas geladas por mais de 20 minutos. Milagre ou um fenômeno humano? O caso virou manchete nos jornais da Europa e atraiu a atenção da comunidade médica. Gulli foi levado até para Londres para ser examinado. Depois de inúmeros testes, os médicos não chegaram a nenhuma conclusão. Ou seja, o caso de Gulli permaneceu inexplicável, ou explicável para quem acredita em milagre. É um filme bastante interessante, pois mostra como aconteceu o acidente, o sofrimento de Gulli ao assistir a morte dos companheiros e a sua luta pela vida até chegar em terra firme. O mais interessante, porém, são mesmo as análises médicas que tentaram descobrir como Gulli conseguiu sobreviver. Nos créditos finais há uma entrevista com o verdadeiro Gulli. 

domingo, 7 de setembro de 2014

“FRONTERA”, 2013, EUA, é um drama em torno da velha história dos imigrantes ilegais mexicanos que tentam entrar escondidos no território do Tio Sam. Os clichês estão todos aqui: deserto, muita poeira, calor infernal, violência, “coyotes” (servem de guias para os imigrantes), policiais corruptos, pobreza, fome, sede, sonhos e, principalmente, desilusões. Nas imediações da fronteira entre os dois países, é comum alguns norte-americanos praticarem tiro ao alvo mirando os mexicanos. No filme, tentando assustar alguns mexicanos com alguns tiros, três rapazes acabam assustando, na verdade, o cavalo de Olivia (Amy Madigan), esposa de Roy (Ed Harris), ex-xerife do pedaço. Olivia cai, bate com a cabeça numa pedra e morre. Miguel estava bem do lado dela e acaba sendo preso como suspeito. Roy, é claro, vai investigar por conta própria. Enquanto isso, quase que como uma história paralela, o filme mostra a tentativa de Paulina (Eva Longoria), esposa de Miguel, de também atravessar a fronteira para encontrar o marido. Outro drama vai começar. Enfim, um filme sem muitos atrativos.   
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO” (“God’s not Dead”), EUA, 2013, propõe discutir a existência de Deus. Para isso, cria um embate bastante interessante entre um aluno da universidade, Josh Wheaton (Shane Harper), e seu arrogante professor de Filosofia, sr. Radisson (Kevin Sorbo). Tudo tem início no primeiro dia de aula. O professor começa a falar de sua matéria citando vários filósofos, cientistas, escritores e outras figuras famosas. “O que eles têm em comum?”, pergunta o professor, para logo em seguida responder: “Nenhum deles acredita em Deus”. Depois, pede aos seus alunos que escrevam num papel “Deus está morto”, afirmando que não permitirá nenhuma discussão a respeito. Josh, porém, nega o pedido e então o professor o desafia a provar, em três aulas, que Deus não está morto. Josh topa o desafio e ainda pede que os alunos sejam os jurados, mesmo que todos tenham escrito o que o professor pediu. Embora o filme apresente outras histórias paralelas, todas envolvendo a fé, o melhor mesmo fica restrito ao debate entre o aluno e o professor. Josh, em sua argumentação, também utiliza citações de filósofos e cientistas, alguns dos quais, inclusive, nomeados pelo professor na primeira aula. O debate, dessa forma, torna-se muito interessante, esclarecedor e até emocionante. Quem assistir ao filme não vai deixar de refletir sobre este assunto tão polêmico. Pode ver que vale a pena!     
“ISSO É O QUE EU SOU” (“That’s What I Am”), 2011, é um filme indicado para tanto para jovens como para adultos. E quando digo adultos, refiro-me, principalmente, ao pessoal que era adolescente em 1965, ano em que é ambientada toda a história. Nostalgia pura. Estão lá os personagens que nos fazem reviver aquela época no colégio, como a menina que “ficava” com todo mundo, a menina mais linda cobiçada por todos, a turma dos garotos valentões, o professor legal, os nerds, as feias e feios que sofriam com o bullyng, o primeiro beijo, a trilha sonora etc. A história gira em torno do garoto Andy Nichol (Chase Ellison), de 12 anos, que muito a contragosto ingressa na turma dos nerds para fazer um trabalho para a aula de literatura do Professor Sr. Simon (Ed Harris). Ele fica amigo de Stanley “Big G” Minor (Alexander Walters), um garoto esquisito e grandão, que é atazanado constantemente pela turma dos valentões. Andy é apaixonado por uma menina, com a qual sonha dar o seu primeiro beijo. Só que ela é a namorada do principal valentão do colégio. Histórias assim permeiam todo o filme. Nem mesmo o boato sobre a condição de “homo” do Sr. Simon estraga a diversão. Toda a história é narrada in off  por Andy Nichol adulto (voz do ator Greg Kinnear). É um filme sem qualquer pretensão, a não ser garantir uma deliciosa sessão da tarde.