“Stockholm Östra” é um
drama sueco produzido em 2011. A história é baseada num romance de Pernilla
Okjelund. Johan (Mikael Persbrandt) atropela e mata uma menina de 9 anos, filha
do casal Anna (Iben Hjejle) e Anders (Henrik Norlén). O caso vai a julgamento e Johan
é inocentado – realmente, ele não foi o culpado pelo acidente, mas vai ficar
bastante traumatizado pelo que aconteceu. Anders vai assistir ao julgamento –
Anna não quis ir - e faz questão de encarar Johan. O acidente desestrutura o
casamento dos pais da menina. E vai ficar muito pior quando, por uma dessas
coincidências da vida – e da ficção –, Anna conhece Johan numa viagem de trem. E
pinta um clima entre os dois, embora Johan saiba que ela é a mãe da menina
morta. Anna, aliás, nunca comenta com Johan que perdeu uma filha. Anna fala da
filha como se ela estivesse viva. O romance começa a ficar sério demais e acaba
afetando os dois casamentos. Como a paixão é forte, eles se arriscam muito e Anders
acaba descobrindo a traição da mulher. Em meio a essa situação um tanto
desconfortável, Anna ainda descobre que está grávida. Mais não dá para contar.
Sem dúvida, um bom filme, com excelentes atores e a mão firme do diretor Simon
Kaijser da Silva. Ah, o título do filme é o mesmo do restaurante em que o casal
de amantes costuma frequentar, numa estação ferroviária.
“Pura Poesia Cinematográfica”. Este seria o slogan que melhor definiria o
filme italiano “Shun Li e o Poeta” (“Io Sono Li”). A produção é de
2011, participou da 36ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo/2012 e recebeu
vários prêmios em festivais pelo mundo inteiro. É o primeiro filme dirigido por
Andrea Stegre, um especialista em documentários. O filme conta a história da
chinesa Shun Li (Tao Zhao), que chega à Itália por intermédio de uma
cooperativa que traz imigrantes chineses para trabalhar no país. Ela trabalha praticamente
de graça, pois quer custear a vinda do seu filho de 8 anos para a Itália. Sem
falar uma palavra em italiano, Shun Li vai trabalhar na “Osteria Paradiso”, uma
taverna em Chioggia, cidade conhecida também como a “Pequena Veneza”, localizada
ao sul da lagoa veneziana, pertinho da Veneza original. A taverna é frequentada
por pescadores e trabalhadores italianos aposentados, que logo fazem amizade
com Shun Lin, inclusive ensinando-a a falar italiano. Um dos pescadores é o
velho Bepi (o ator croata Rade Serbedzija), apelidado de “Poeta” por gostar de
fazer rimas. Ele se sensibiliza com a situação de Shun Lin e passa a ajudá-la,
pois sabe, por experiência própria – chegou da Iugoslávia há 30 anos - como é difícil
começar a vida num país estranho sem ao menos saber falar sua língua. Bepi e
Shun Lin iniciam uma relação de amizade despida de qualquer outra intenção
senão a solidariedade, a companhia e a pureza de sentimentos. As imagens do mar
de Chioggia, valorizadas pela ótima fotografia, são deslumbrantes. Um filme, enfim, sensível e comovente.
O
cinema nacional não tem tradição de produzir filmes de suspense. E, quando o
faz, nem sempre o resultado é satisfatório. São raros os que escapam. Este é o
caso de “Confia em Mim”,
2013, o primeiro longa dirigido por Michel Tikhomiroff. Trata-se da história de
Mari (Fernanda Machado), chef de um restaurante fino. Ela não é valorizada em
seu trabalho, é atormentada pelo dono e, por isso, sonha em abrir o seu próprio
restaurante para ter liberdade de criar novos pratos. Mas falta-lhe dinheiro e
coragem. Num curso de degustação de vinhos, ela conhece Caio (Mateus Solano), um
cara charmoso e sedutor que diz ser dono de uma empresa de
importação/exportação. Os dois começam a ter um caso e ela revela sua intenção
de abrir um restaurante e conta, na maior inocência, que sua mãe é rica e pode
ajudar. Caio dá maior força à ideia e ainda se propõe a cuidar do investimento.
Mari consegue R$ 200 mil e coloca tudo na mão de Caio. A partir daí, não dá
para contar mais para não estragar as reviravoltas e surpresas que acontecem
depois. O trabalho dos dois atores globais é muito bom, valorizando um filme
que, por si só, merece ser conferido.
Quando
a atriz é competente, tanto faz o gênero, ela sempre se sai bem. É o caso da
atriz alemã Diane Kruger, que tem uma carreira bastante sólida no cinema
francês. Consagrada em papéis sérios e dramáticos, pela primeira vez ela encara
a principal protagonista de uma comédia. E dá show. Trata-se de “Um
Plano Perfeito” (“Um Plan Parfait”), 2012,
comédia francesa em que Diane faz o papel de Isabelle, uma solteirona prestes a
se casar com Pierre (Robert Plagnol). Só que tem um problema. Todas as mulheres
da família de Isabelle, da sua tataravó em diante, enfrentam uma maldição: o
primeiro casamento sempre dá errado e termina em divórcio. Para escapar desse
estigma, Isabelle, juntamente com a irmã – que está no segundo casamento –,
bola um plano dos mais estapafúrdios: casar com um desconhecido na Dinamarca,
onde é permitido se divorciar dez minutos depois do casamento. Durante a viagem
para Copenhagen, porém, ela conhece Jean-Yves Berthier (Dany Boon), um “mala
sem alça” tagarela e inconveniente, redator de um guia turístico. Daí para a
frente, a viagem de Isabelle complica de vez. Para se ter uma ideia, ela vai
parar com Jean-Yves no Quênia e em Moscou. Muito doido, não? Finalmente uma comédia que faz rir. E bastante. E ainda tem Diane Kruger. Não perca!
Boas
doses de ação e suspense estão garantidas em “Sem Escalas” (“Non-Stop”), 2013, EUA, direção de Jaume
Collet-Serra, embora a história inteira aconteça dentro de um avião. Bill Marks
(Liam Neeson) é um policial encarregado da segurança nos voos de uma companhia
aérea, prática adotada nos EUA após o 11 de Setembro. Desta vez, Bill embarca num avião
com 150 passageiros que sai de Nova Iorque em direção a Londres. Logo após a
decolagem, Bill recebe uma mensagem de texto em seu celular de alguém que
ameaça matar uma pessoa do avião a cada 20 minutos se a companhia aérea não
depositar US$ 150 milhões numa conta. Como num livro ou num filme de Agatha Christie,
vários suspeitos começam a aparecer, o que leva o espectador a iniciar um jogo
de adivinhação. Um dos suspeitos é o próprio Bill. A tensão aumenta depois que
aparece o primeiro cadáver. Estão ainda no filme a ótima Julianne Moore,
Michelle Dockery e Lupita Nyong’o, esta última como uma das aeromoças do avião.
Ela trabalhou neste filme antes de “12 Anos de Escravidão”, pelo qual ganhou o
Oscar 2014 de Melhor Atriz Coadjuvante. Mesmo
aos 61 anos, Neeson ainda dá conta do recado em filmes de ação, como comprovam
os dois que fez antes deste, “Busca Implacável” partes 1 e 2. “Sem Escalas” vai fazer você comemorar o fato de estar sentado
na poltrona de sua casa e não em uma desse avião.
Antes
de ser exibido em nossos cinemas, o drama nacional “Hoje
eu Quero voltar Sozinho” estreou na
mostra paralela Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro de 2014. Foi
sucesso de público e de crítica. E com toda razão. O filme é uma verdadeira
pérola de sensibilidade. Conta a história de Léo (Guilherme Lobo), um
adolescente cego que tem em Giovana (Tess Amorim) sua melhor amiga, confidente e anjo da guarda. É ela quem o defende dos bulliyngs no colégio e o leva para
casa todos os dias. Até o dia em que chega Gabriel (Fabio Audi) para estudar na
mesma classe. O garoto novo vai tumultuar a relação entre os dois amigos e
despertar a homossexualidade latente de Léo. O filme é uma extensão do curta “Eu
não quero voltar Sozinho”, de 2010, dirigido pelo mesmo diretor e roteirista,
Daniel Ribeiro. Apesar do clima dramático, o filme é pródigo em cenas e
diálogos bem-humorados, o que o torna leve e agradável. A impressionante
interpretação do jovem ator Guilherme Lobo como o jovem cego é um dos pontos
altos do filme, assim como a comovente cena final. Simplesmente imperdível!
O
cinema argentino chega com mais um filmaço: “Coração de Leão – O Amor
não tem Tamanho” (“Corazón de León”), 2013, dirigido por Marcos Carnevale. Trata-se de uma comédia romântica centrada na advogada Ivana
Cornejo (Julieta Diaz). Um dia, ao discutir no celular com o ex-marido Diego
(Maurício Dayub), do qual está separada há 3 anos, ela perde o controle e joga
fora o aparelho no jardim de uma praça no centro de Buenos Aires. Algums horas
depois, ela recebe o telefonema de um homem que diz ter encontrado o seu
celular e quer devolvê-lo. Antes de combinar o encontro, eles ainda se falam
algumas vezes e o papo do homem começa a encantar Ivana. Quando afinal se
conhecem, num restaurante, ela terá uma grande surpresa: o homem tem apenas
1m35 de altura. Ele é León Godoy (Guillermo Francella), um bem sucedido
arquiteto de fama internacional. De início, ela fica chocada, mas aos poucos
irá desenvolver um carinho todo especial por ele. A pouca altura de León dará
margem a muitas situações hilariantes. Portanto, esqueça o politicamente
correto e embarque nessa ótima comédia. Se o filme por si só já é ótimo, há
mais um motivo que o torna ainda melhor: a presença da atriz Julieta Diaz. Ela
é a dona do filme. Julieta prova, mais uma vez, que, além de bonita, simpática
e sensual, é uma grande atriz, talvez a melhor do cinema argentino atual. Carnevale também dirigiu outra comédia imperdível, "Elza & Fred", de 2005.
O
bom e velho Arnold Schwarzenegger está de volta à ação no filme “Sabotagem” (“Sabotage”), EUA, 2013, dirigido por
David Ayer. Schwarzenegger faz o agente especial John Wharton, líder de uma
equipe secreta ligada à DEA, agência do governo dos EUA que combate o tráfico
internacional de drogas. A turma de Wharton, incluindo o próprio, é da pesada.
São policiais violentos e sanguinários que não querem saber de seguir regras. Só
para se ter uma ideia, Lizzy (Mireille Enos), a única mulher do grupo, é
viciada em anfetaminas e outras drogas, mas briga e atira como poucos. Wharton
e sua equipe invadem o QG de um cartel de drogas e roubam 10 milhões de
dólares. Os traficantes partem para a vingança. Eles começam a
matar os membros da equipe de Wharton com toques de crueldade – um deles é “crucificado”
no teto de uma casa. A policial Caroline Brentwood (Olivia Williams), do FBI, é
encarregada de investigar os crimes. Ela terá a infelicidade de conviver com os
integrantes da equipe de Wharton e, num determinado momento, vai acabar desconfiando
que um ou alguns deles podem ser os verdadeiros criminosos. O filme ainda terá
uma vingança pessoal de Wharton contra um traficante mexicano que matou sua
mulher e seu filho. É tiro e pancadaria do começo ao fim, sangue espirrando na
telinha. Programão para quem gosta de filmes violentos. Estão ainda no elenco Sam Worthington, Josh Holloway e Terrence
Howard.
“Filha de Ninguém” (“Nugu-ui Ttal-do Anin”), Coreia do Sul, 2013, é o terceiro longa do
diretor Hong Sang-Soo. Trata-se de um drama altamente depressivo envolvendo a jovem
Haewon (Jeong Eun-Chae), estudante de Cinema numa faculdade de Seul. Começa o
filme e ela está se despedindo da mãe, que vai passar uma temporada com o outro
filho no Canadá. No meio da longa conversa entre ambas, a mãe pergunta a Haewon
se ela vai ficar bem com o pai, que não aparece o filme inteiro, o que talvez
justifique o título do filme. Sentindo-se abandonada, Haewon marca encontro com
seu amante SeonGjun (Lee Seon-Gyoon), professor de Cinema, que é casado e morre
de medo do seu caso ser descoberto. Na faculdade, porém, todo mundo comenta
sobre os dois, situação que vai levar Haewon a tentar terminar com o amante,
que não aceita a separação e entra em depressão. Os diálogos são intermináveis
e cansativos. Haewon é cheia de incertezas sobre o que quer da vida, o que a
torna uma protagonista das mais chatas. O diretor exagera na utilização do recurso do zoom para aproximar os protagonistas do espectador, como se a gente não tivesse ouvindo o que eles estão falando. De interessante, o filme tem uma
participação especial da atriz francesa Jane Birkin. E só. Do mesmo diretor,
recomendo apenas “Em outro País”, também traduzido por “A Visitante Francesa”,
com Isabelle Huppert, este sim um filme que vale a pena.
Começa
o filme e estão lá no ringue, trocando socos, um veterano lutador chamado
Sailor O’Connor (Dominic Purcell) e um jovem boxeador com metade de sua idade, King (Izaak
Smith). Em flashbacks alternados com os rounds da luta, o filme vai contar a
história dos dois lutadores e os motivos que os levaram a subir no ringue. Este
é, basicamente, o enredo do drama canadense “Lutando por uma Chance” (“A Fighting Man”), 2013, dirigido por
Damian Lee. Sailor está afastado dos ringues há quatro anos, depois de 64 lutas
sem nunca ter sido nocauteado. Ficou famoso por isso. Ele só concorda em voltar para ganhar dinheiro e
pagar uma viagem da mãe (Sheila McCarthy), que está muito doente, para seu país
natal, Irlanda. King quer juntar dinheiro para casar com a namorada que está
grávida. No meio da história, surge a ex-mulher de Sailor, Diane (Famke Janssen),
em busca de perdão por algo que fez no passado. O filme não é de todo ruim e vai agradar quem gosta de boxe e não for muito exigente. Mas vale a
pena assistir pelo menos pela oportunidade que nos dá de rever dois bons atores
veteranos em evidente final de carreira: James Caan e Louis Gosset Jr. Outro
destaque é a também veterana atriz canadense Sheila McCarthy, que dá show como a mãe de Sailor. Seu diálogo com o padre Brennan (Kim Coats), que vai visitá-la, é hilariante, aliás, o único momento bem-humorado do filme.
“O Assassino do Rosto Feliz” (“Happy Face Killer”) é um telefilme canadense de 2013, produzido pelo
Canal Lifetime e dirigido por Rick Bota, que conta a história, verídica, do
serial killer Keith Hunt Jesperson (David Arquette), que no início da década de
90 assassinou 8 mulheres no Estado do Oregon (EUA). Abalado com o casamento
fracassado e também pela recusa da Royal Canadian Mouted Police - a famosa
Polícia Montada - em aceitá-lo em suas fileiras, Keith despertou uma segunda
personalidade psicótica que o incentivou a matar e ter prazer em fazer isso. A
maldade vinha desde criança, aliás. Ele adorava esganar pombos e colocar
gatinhos no aparelho de micro-ondas. Keith cresceu, virou caminhoneiro e, quando surtou, passou a atacar prostitutas que conhecia em postos de estrada. Qualquer palavrinha que
saísse da boca delas e não lhe agradasse era motivo para matá-las. Ele gostava
de assinar seus crimes desenhando um rosto feliz, igual ao que a gente vê por
aí em adesivos. O filme mostra os esforços da agente do FBI Melinda Gand (Gloria
Reuben) para prender o criminoso, hoje cumprindo pena na Penitenciária Estadual
do Oregon. David Arquette conseguiu deixar de lado seu rosto simpático para incorporar um semblante assustador de um psicopata assassino. Vale o
filme.
“Estrada para Paloma” (“Road to Paloma”), 2013, EUA, é um road movie que gira em torno de Robert Wolf (Jason Momoa), um
descendente de índios procurado pelo FBI por assassinato. Ele vai aproveitar a
fuga para levar as cinzas da mãe para serem despejadas num lago. Durante a
viagem, Wolf conhece o Cash (Robert Mollohan), um roqueiro fracassado e alcoólatra.
Os dois ficam amigos e partem, cada um em sua moto, estrada afora. Enquanto
isso, o agente do FBI Williams (Timothy V. Murphy) sai no encalço de Wolf. O filme,
pelo menos no visual, nas motos dos protagonistas e nos enquadramentos nas
cenas de estrada, lembra muito “Easy Rider” (“Sem Destino”), com Peter Fonda e
Jack Nicholson. A trilha sonora, recheada de muito rock and roll, é excelente, assim como a fotografia. O ator Jason Momoa (de “Game of Thrones”), além de atuar,
também foi responsável pelo roteiro, direção e produção. Para quem gosta de
filmes de estrada, com todos os clichês do gênero, é um ótimo programa.
“O Sistema” (“The
East”), EUA, dirigido por Zal Batmanglij, estreou no Festival de Sundence em
2013. Trata-se de um drama de suspense focado na história da agente Sarah Moss
(Brit Marling), pertencente a uma empresa privada de inteligência e espionagem,
que se infiltra num grupo ativista que tem atacado os dirigentes de grandes
corporações. As indústrias química e farmacêutica são os principais alvos dos
anarquistas. O grupo em que Sarah consegue infiltrar-se é intitulado “The East”
e é liderado por Benji (Alexander Skarsgard). Ao conviver com os ativistas,
numa casa escondida no meio de uma floresta, Sarah começa a entender as suas
razões e até vê com alguma simpatia os seus ideais, mas não os seus métodos, que
incluem envenenar convidados de uma festa ou fazer com que os dirigentes de uma
empresa química entrem num rio contaminado. Fazem parte ainda do elenco Ellen
Page, como a anarquista Izzy, e Patrícia Clarkson, como Sharon, a chefe de
Sarah, entre outros. Não dá para dizer que o filme é bom, apenas interessante.
Ninguém
volta de uma guerra incólume ou sem traumas. Ou sem cicatrizes. Alguns voltam em
caixões. Outros, como diria Djavan, faltando um pedaço. O drama “A
Volta dos Bravos” (“Home of the Brave”), 2006, EUA, aborda
justamente esse aspecto trágico das guerras. No caso, a Guerra do Iraque. A
história acompanha o retorno de quatro protagonistas, o médico Will Marsh
(Samuel L. Jackson), Vanessa Price (Jessica Biel), Tommy (Brian Presley) e
Jamal Aiken (Curtis Jackson). Todos cumpriram um ano de serviço no Iraque e
todos voltaram com sérios problemas psicológicos. Vanessa ainda pior, pois perdeu
parte do braço numa explosão. Cada um deles vai tentar se readaptar à vida
normal junto à família e no trabalho, vão tomar remédios para dormir e
participar de tratamentos de terapia. O filme, lançado diretamente em vídeo no
Brasil, não foi bem aceito pela crítica norte-americana, mas é impactante e
bastante esclarecedor quando mostra o que normalmente acontece com os soldados
que retornam dos campos de batalha. A sequência inicial, quando um comboio de
veículos norte-americanos é emboscado numa cidade iraquiana, é muito bem feita
e cheia de tensão, tão vigorosa quanto aquelas do espetacular “Falcão Negro em
Perigo” (2001), de Ridley Scott.
“Alemão”, 2013, dirigido
por José Duarte Belmonte, é um filme nacional de ação e suspense ambientado durante
as 48 horas que antecederam a invasão das Forças Armadas ao Morro do Alemão, no
Rio de Janeiro, em novembro de 2010. Na história, cinco policiais que
trabalhavam infiltrados no morro foram identificados pelos traficantes comandados
pelo chefão “Playboy” (Cauã Reymond). Os policiais se escondem no subsolo de
uma pizzaria, que funcionava como uma espécie de QG da operação policial, e
ficam esperando o resgate – ou a chegada dos traficantes. Essa espera
angustiante dá margem a um forte clima de tensão que predomina no filme do
começo ao fim. As cenas são fortes e realistas, com muita violência explícita e
linguajar chulo e agressivo. Não é, portanto, um entretenimento dos mais
agradáveis. Mas não há dúvida de que Belmonte conseguiu compor um retrato fiel de
como se vive numa verdadeira selva humana. O elenco é muito bom: além de
Reymond, trabalham Gabriel Braga Nunes, Caio Blat, Otávio Muller, Milhem Cortaz,
Antonio Fagundes, Marcelo Melo Jr. e Mariana Nunes, entre outros.
“Presa na Escuridão” (“Penthouse North”), 2013, EUA, direção de Joseph Ruben (“Dormindo com
o Inimigo”). A história é a mesma de outros filmes de suspense que utilizaram o
mesmo tipo de enredo. Mulher cega em apartamento sendo atacada por um maníaco. No
caso deste, porém, a cega é atacada por dois psicopatas sádicos e violentos. A
história começa com a repórter fotográfica Sara Frost (Michelle Monaghan) em
missão no Afeganistão. Ela é vítima da explosão de uma bomba e fica cega. O
filme pula três anos e ela está morando com o namorado Danny (Trevor Hayes)
numa luxuosa cobertura em Nova Iorque. Ela não sabe, porém, que o namorado ficou
rico no mundo do crime e está sendo procurado por seus dois ex-parceiros, Hollander
(Michael Keaton) e Chad (Barry Sloane). Eles acham o endereço e vão querer
vingança, além de uma fortuna em diamantes que Danny ficou de dividir e não
dividiu. Sara, que não tem nada a ver com a história, vai passar maus momentos
com a dupla de maníacos. O filme até que funciona como suspense, tem ritmo e
ação constantes, além de uns bons sustos. Mas quem vai gostar mais do filme são
os arquitetos, pois a cobertura é nada menos do que espetacular.
“Unidas pela Vida” (“Decoding Annie Parker”), 2012, EUA, é um drama baseado em fatos reais
dirigido por Steven Bernstein. Conta duas histórias interligadas, ambas envolvendo
a temática do câncer de mama, a partir dos anos 60. A primeira apresenta a
trajetória da doença na família de Annie Parker (a atriz inglesa Samantha
Morton), cuja avó, a mãe e a irmã mais velha morreram em consequência desse
tipo de câncer. A segunda mostra os estudos desenvolvidos durante anos pela
equipe de pesquisadores da Universidade Berkeley, da Califórnia, chefiada pela
geneticista Marie-Claire King (Helen Hunt), que culminaram com a descoberta do
BRCA1, gene do câncer da mama. O enfoque principal do filme, porém, é a vida de
Annie Parker, seu casamento, suas perdas afetivas e seu drama com a doença. Ela
sofre muito e não se entrega. Ao mesmo tempo, é capaz de encarar a doença com
algumas tiradas bem humoradas, o que minimiza – e muito – o aspecto dramático
do filme, valorizado ainda mais pelos ótimos desempenhos de Samantha Morton e Helen Hunt. Entretenimento dos mais interessantes, tanto sob o ponto-de-vista
científico como humano.
“Salvo – Uma História de Amor e Máfia” (“Salvo”), 2012, dirigido por Fabio Guassadonia
e Antonio Piazza, é um drama italiano centrado no assassino profissional Salvo
Mancusso (o ator de origem árabe Salen Bakri), contratado por um chefão da
Máfia para assassinar um desafeto. Quando chega à casa do seu alvo, Salvo dá de
cara com a irmã da vítima, uma moça cega, Rita (Sara Serraiocco). Numa longa e
tediosa cena, Salvo anda pela casa um tempão até achar sua vítima. Depois de matá-la,
vai atrás de Rita, mas não tem coragem de executar a moça. Então, a leva para o
galpão de uma fábrica abandonada, onde a manterá prisioneira. De vez em quando,
ele leva comida para a moça, que, de forma inexplicável, volta a enxergar. O
chefão mafioso descobre que Salvo não matou a moça e vai atrás dele e dela com seus
capangas. Ao contrário do que poderia se esperar de um enredo envolvendo a
Máfia, este é terrivelmente arrastado e sonolento, com poucos diálogos, filmado
em ambientes sombrios e atores que não conseguiriam passar num teste para “Malhação”.
O filme recebeu o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes
2013, mais um absurdo do mundo dos festivais. Eu daria um prêmio do tipo "Abacaxi do Ano".
“Tudo por um Furo” (“Anchorman 2: The Legend Continues”), 2013, dirigido por Adam Mckay, é
besteirol puro. Nada a se levar muito a sério, tudo politicamente incorreto,
incluindo piadas infames, escatológicas e de cunho racista. O filme é a
continuação de “O Âncora – A lenda de Ron Burgundy”, realizado há uma década. A
história gira em torno de Ron Burgundy (Will Ferrel), a grande estrela dos
telejornais de San Diego. Depois de perder o emprego, ele estava trabalhando no Sea
World como apresentador de shows de orcas e golfinhos. Em 1980, onde se situa o
filme, ele recebe uma proposta para ser o “âncora” de um dos programas de
jornalismo de uma nova emissora em Nova Iorque, a GNN, cuja proposta é apresentar
notícias durante as 24 horas do dia – alusão clara à CNN,
fundada naquele mesmo ano por Ted Turner. Ron forma uma equipe com seus antigos
companheiros Champ (David Koechner), Brick (Steve Carell) e Brian (Paul Rudd), abobados a nível psiquiátrico. Com
seus métodos inovadores e sensacionalistas, eles farão um tremendo sucesso na
GNN. Atores e atrizes famosos toparam participar da brincadeira (o filme todo é
uma grande brincadeira), em rápidas aparições, como Harrison Ford, Marion Cotillard,
Will Smith, Liam Neeson, Vince Vaughn, Sacha Baron Cohen, Kirsten Dunst, Tina
Fey e outros. Quem curte o gênero besteirol vai gostar e se divertir.
“Uma Juíza sem juízo” (“9 mois Ferme”), 2012, é uma comédia francesa dirigida por Albert
Dupontel, que também escreveu o roteiro e é um de seus principais
protagonistas. Foi um grande sucesso de bilheteria na França, com mais de 2 milhões de espectadores. A juíza do título é Ariane Feldier (Sandrine Kiberlain), que aos
40 anos acaba de ser indicada para ocupar um cargo importante no Tribunal de
Justiça da França. Ela trabalha demais, é rigorosa nas sentenças e muito
conceituada entre os colegas. No plano pessoal, porém, é uma mulher sozinha,
solteira e muito recatada. Isso tudo vai mudar quando, na festa de final de ano
do Tribunal, ela toma umas doses de champanhe a mais e acorda no dia seguinte
sem lembrar o que aconteceu. Meses
depois, descobre que está grávida, mas não sabe como nem de quem. Ela inicia
uma investigação particular para descobrir quem é o pai da criança e chega à conclusão
que é Bob Nolan (papel de Dupontel, o diretor), um assaltante envolvido num
caso em que ela é a juíza. Ou seja, vai virar uma confusão total. O filme tem
algumas cenas muito engraçadas, mas perde um pouco o ritmo do meio para o
final. De qualquer forma, é uma boa pedida para distrair. Um detalhe curioso é
a participação do ator Jean Dujardin (“O Artista”), fazendo uma paródia dos
tradutores para surdos (aqueles que aparecem no canto direito da TV). Sandrine
Kiberlain, como sempre, está ótima. É daquelas atrizes versáteis que tanto atuam
com competência em comédias como em dramas. Uma Meryl Streep francesa.
“Perseguição Implacável” (“The
Treatment”, ou, no original, “De Behandeling”), 2013, dirigido por Hans
Herbots, é um filme policial belga com muito suspense, cujo pano de fundo é a
pedofilia. Ou seja, não é um entretetimento dos mais agradáveis. A história
gira em torno do detetive Nick Cafmeyer (Geert van Rampelberg), encarregado de
investigar a morte de um menino de 9 anos que havia sido sequestrado juntamente
com o pai e a mãe. É a oportunidade que Nick esperava para ir atrás de Ivan
Plettinckx (Johan van Assche), o homem suspeito de ter sequestrado seu irmão
mais novo, Bjorn, quando ambos eram crianças. Na época, Plettinckx havia sido
detido, interrogado e depois solto, mas Nick sempre acreditou ter sido ele o
responsável pelo desaparecimento do irmão. Por isso, em todas as etapas da investigação
atual, Nick relembra do que aconteceu e, em determinados momentos, acaba
perdendo o controle, principalmente depois que outra família é sequestrada. Com o pedófilo/assassino
à solta, a investigação transforma-se numa corrida contra o tempo e Nick fica
cada vez mais descontrolado. Até o desfecho, a ação corre solta. A história é
baseada no romance policial “The Treatment”, escrito pela autora inglesa Mo
Hayder.
“Penitência” (“Repentance”),
2013, EUA, é um bom filme de suspense, daqueles de ficar apertando os braços da
poltrona. Conta a história do terapeuta, conselheiro espiritual e escritor de
livros de autoajuda Tommy Carter (Anthony Mackie), que numa tarde de autógrafos
conhece Angel Sanchez (Forest Whitaker, de “O Mordomo da Casa Branca”), que declara
ser seu fã ardoroso e pede ajuda psicológica. Carter concorda em realizar
sessões com Angel, que se mostra um homem atormentado – tem um trauma
relacionado com a morte da mãe -, sofre de transtorno bipolar e depressão. Carter
ordena que ele pare de tomar os remédios e diz que vai curá-lo com tratamento
psicológico. Ledo engano. Um dia, cansado de ouvir o “palavrório” de Carter e
também por causa da falta dos remédios, Angel tem um surto psicótico que vai
colocar em risco não só o terapeuta, mas toda a sua família. O filme funciona
bem como suspense, valorizado ainda mais pelo ótimo desempenho de Whitaker.