segunda-feira, 16 de junho de 2014

 
 “Apenas Henry – A Verdade de uma Vida” (“Just Henry”), dirigido por David Moore, é um drama produzido em 2011 para a TV inglesa baseado no livro "Goodnight Mister Tom", de Michelle Magorian. O ano é 1950 na Inglaterra. O garoto Henry (Josh Bolt), de 15 anos, vive numa pequena casa na periferia de Londres. Ele mora com a mãe, o padrasto e a avó. O pai, morto em 1941, era um soldado considerado herói de guerra. Henry nunca se deu com o padrasto (Dean Andrews), no que é apoiado pela avó, mãe de seu pai. Em meio a essas rusgas familiares, um dia Henry vai ao cinema com a namoradinha Grace (Charlie May-Clark) e, ao fim da sessão, a fotografa na rua. Ao revelar a foto, Henry vê ao fundo um homem que parece muito ser seu pai. É apenas um vulto, mas o garoto, ao contrário de todos, acredita piamente que aquele é seu pai que ressurgiu. E não é que ele está certo? A partir daí, porém, muitas verdades virão à tona e revelarão que o pai de Henry não é exatamente o homem que Henry idolatrava. Próximo ao seu final, o filme deixa o clima  novelão de lado (a mãe de Henry vive desmaiando) e parte para um movimentado policial noir, com direito a sequestros e perseguições.                  

     

domingo, 15 de junho de 2014

“O Invasor” (“L’Envahisseur”), 2011, é um vigoroso drama belga. Trata-se do primeiro longa dirigido por Nicolas Provost. Começa o filme com dois africanos chegando, extenuados - provavelmente náufragos de alguma embarcação vinda da África – a uma praia de nudismo no litoral europeu (sul da Espanha?). A primeira visão humana que eles têm é de uma estonteante loira ao natural. Devem ter pensado: “Será aqui o Paraíso?”. Entram os créditos e, na cena seguinte, um dos africanos, Amadou (Isaka Sawadogo), está em Bruxelas (Bélgica) trabalhando duro numa obra juntamente com outros clandestinos. Um dia, Amadou consegue fugir de uma batida do serviço de imigração belga e começa a peregrinar pelas ruas de Bruxelas. Com seu jeito simpático e carismático, Amadou começa a conversar com as pessoas, que o tratam bem, sem qualquer tipo de rejeição. Um tanto inverossímil essa liberdade de Amadou pelas ruas sem ser interpelado pela polícia. Afinal, trata-se de um sujeiro enorme e evidentemente imigrante que pode estar com sua situação irregular, como de fato está. Em suas andanças, ele vai conhecer Agnès Yael (a atriz italiana Stefania Rocca), uma bela e rica executiva casada com um grande empresário. Amadou, que agora se apresenta como Obama, diz que é um homem de negócios em busca de novas oportunidades. Agnès fica encantada com o charme de Amadou/Obama e se entrega à sedução do africano, uma atitude da qual se arrependerá mais tarde. O filme é muito bem feito e tem como trunfo, além da história em si, dois atores estupendos: Sawadogo e a italiana Stefania.             
“Uma Vida Tranquila” (“Uma Vita Tranquilla”), 2010, é uma co-produção Itália/Alemanha/França dirigida por Claudio Cupellini e traz, encabeçando o elenco, o ator italiano Toni Servillo (de “A Grande Beleza”). Trata-se de um drama que, perto de seu desfecho, vira um suspense policial bem ao estilo dos filmes que envolvem mafiosos – Cupellini, aliás, dirigiu uma série de TV baseada no livro “Gomorra”. Servillo é Rosario Russo, um homem de passado obscuro na Itália e que há 15 anos mora nos arredores de Frankfurt (Alemanha), onde possui uma pousada. Ele é casado com a alemã Renate (Juliane Köhler), uma mulher bem mais jovem, e tem um filho pré-adolescente. O filme começa mostrando Rosário em sua rotina de trabalho na pousada, o que inclui supervisionar o pessoal da cozinha na elaboração dos pratos. Não há qualquer indício de seu passado nebuloso na Itália e essa calma aparente – a vida tranquila do título – só será abalada quando um dia chega à pousada Diego (Marco D’Amore), o filho italiano que Rosario abandonara na Itália. Diego chega com um amigo, Edoardo (Francesco di Leva). Quando Rosario descobre o verdadeiro motivo da visita dos dois, terá que agir rápido não só para proteger sua vida como também a da sua família. O filme estreou no Brasil durante a 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2011.  

sábado, 14 de junho de 2014

“Bola 8” (8-Pallo”), Finlândia, 2013, dirigido por Aku Louhimies, é um drama barra pesada que não economiza na violência. Conta a história de Pike (Jessica Grabowsky), uma jovem que se envolve com um grupo de viciados em drogas e engravida de um deles, o violento e psicótico Lalli (Eero Aho). Numa noite de embalo regada a muita cocaína e heroína, Pike é presa e, uns meses depois, sua filha nasce na penitenciária. Quando é solta em condicional, Pike recebe toda a assistência do governo finlandês, o que inclui moradia, vale-compras e uma importância em dinheiro por mês. Ela, porém, terá de seguir as normas da condicional, ou seja, andar na linha, o que é, aliás, sua intenção. Mas um dia Lalli volta a procurá-la. O amor bandido, então, vai prevalecer por um tempo e Pike vai fazer de tudo para não voltar às drogas, o que teria consequências drásticas, como perder os benefícios do governo e a tutela da filha. Não é um filme muito agradável de assistir, mas interessante e esclarecedor por apresentar um retrato pouco conhecido, realista e triste da sociedade finlandesa, com muita gente drogada e violência doméstica.                  
O drama “Uma Noite” (“Una Noche”), 2011, co-produção EUA/Cuba, dirigido por Lucy Molloy, estreou no Festival de Berlim em 2012 com muitos elogios de público e crítica. O filme mostra um retrato da desesperança que tomou conta da juventude cubana com relação ao seu futuro e o do próprio país. A história, baseada em fatos reais, gira em torno dos irmãos gêmeos Elio (Javier Nuñez Florian) e Lila (Nailin de La Rúa de la Torre) e do amigo de ambos Raúl (Dariel Arrenchaga). Confinados na periferia de Havana e proibidos de chegar perto de locais frequentados por turistas, assim como os jovens pobres da capital cubana, eles passam o seu dia-a-dia alimentando o sonho de fugir para Miami, principalmente Elio e Raúl, este último para viver com o pai, que se exilou nos EUA há anos. Lila ainda não sabe que seu irmão e o amigo têm planejada uma fuga pelo mar. Quando Raúl se envolve numa agressão a um turista - o que é um crime gravíssimo em Cuba – e a polícia inicia uma caçada para prendê-lo, os dois amigos resolvem antecipar a fuga, com um pequeno barco que ambos estavam construindo às escondidas. Lila, porém, descobre o plano e, para não abandonar o irmão, também embarca na aventura. Será que eles vão conseguir? Um fato teve enorme repercussão quando a equipe do filme viajou para participar do Festival de Tribeca, em 2012. Os atores Javier e Anailin sumiram e logo depois apareceram pedindo asilo ao governo dos EUA. Como dizia Oscar Wilde, a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida. “Uma Noite” é um filme esclarecedor e de grande impacto.    
Muita gente não vê um filme só porque é preto e branco. Quem pensa dessa forma pode estar perdendo filmes magistrais. Só para citar dois exemplos: o recente “Nebraska” e “Manhattan”, a obra-prima de Woody Allen. E, se por causa disso, não assistir “Oh Boy”, 2012, vai se arrepender por não ter visto um dos filmes alemães mais surpreendentes, criativos e inteligentes dos últimos anos. Já começa pela deliciosa trilha sonora, bem ao estilo de Allen, com um jazz instrumental das décadas de 30/40. Vamos à história. Chegando aos 30 anos, Niko Fischer (Tom Schilling) não tem emprego, acabou de largar a faculdade de Direito, brigou com a namorada, o pai cortou sua mesada, perdeu a carteira de motorista e ainda foi atestado por um psicólogo como um desequilibrado emocional. Enfim, um fracassado. Independente de tudo isso, Niko é boa gente. O filme, narrado pelo próprio Niko, dura um dia e uma noite. É durante esse período que ele vai peregrinar por Berlim com o amigo Matze (Marc Hosemann), visitar um estúdio onde é produzido um filme sobre o nazismo, conversar com os tipos mais estranhos e ainda reencontrar uma antiga colega de colégio, a maluquete Julika (Friederike Kempter). Mesmo quando o assunto exige um pouco mais de seriedade, os diálogos são construídos dentro do mais fino humor, assim como também são bem-humoradas as situações envolvendo Niko. Com uma fotografia deslumbrante, que lembra mais uma vez “Manhattan”, de Allen, o diretor Jan Ole Gerster apresenta cenários pouco conhecidos de uma Berlim pulsante, moderna, em contínuo movimento. Imperdível!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Para quem ainda não viu, recomendo como imperdível. Quem já viu quando chegou aqui em 2007, ou depois que foi lançado em DVD no ano seguinte, rever também é uma delícia. Trata-se de “Conversas com meu Jardineiro” (“Dialogue avec mon Jardinier”), dirigido por Jean Becker, um dos filmes franceses mais sensíveis produzidos nos últimos anos. A história é baseada no livro de Henri Cueco. Daniel Auteuil é um consagrado pintor de Paris que, recém-separado da mulher, retorna à sua casa na cidadezinha onde nasceu e passou a infância e juventude, no interior da França. Chegando lá, vê a necessidade de contratar um jardineiro para cuidar do jardim em péssimo estado. Ele coloca um anúncio e logo aparece um candidato (Jean-Pierre Darroussin), que nada mais é do que um de seus amigos de infância e colega de escola. Eles vão rememorar muitos fatos engraçados e os inúmeros aprontos que faziam no colégio. Vão conversar também sobre os mais variados assuntos. Enfim, nasce uma forte amizade entre os dois. O pintor apelida o jardineiro de “Dujardim” e o jardineiro apelida o pintor de “Dupincel”. Os dois vão se tratar assim o filme inteiro. Os diálogos são primorosos, inteligentes e bem-humorados. Mas o filme não é só de conversas entre Dujardim e Dupincel. Aliás, as cenas mais engraçadas acontecem quando Dupincel vai a uma exposição de arte, quando recebe a visita da filha com o namorado 30 anos mais velho e quando ele vai com Dujardim ao velório de um ex-colega. A amizade entre os antigos amigos resultará num desfecho dos mais comoventes. Não dá para perder um filme como esse!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

“Alexandra”, 2007, é mais um filme autoral do aclamado diretor russo Alexandre Sukurov. Deixo claro que o “aclamado” fica por conta de grande parte dos críticos de cinema. A história gira em torno da visita que Alexandra Nikolaevna (Galina Vishnevskaya) faz a seu neto Denis (Vasily Shevtsov), um oficial russo, num acampamento na Chechênia. A velha senhora, de 80 anos, viúva, não vê o neto há sete anos e agora, sozinha, resolve revê-lo. Desde o início do filme, quando mostra Alexandra viajando em veículos militares, Sokurov filma os rostos dos soldados em close, talvez com a intenção de mostrar como são jovens e, por suas expressões, muito tristes. Denis leva a avó para conhecer os alojamentos, os banheiros, a cozinha. Parece uma reportagem mostrando como os soldados russos vivem em tempos de guerra. As cenas mais interessantes são aquelas que mostram Alexandra visitando uma vila chechena, onde conversa com alguns civis e faz amizade com a dona de uma barraca no mercado local. A fotografia do filme é toda em tom sépia, reforçando a sensação de aridez dos cenários naturais. Sukurov, aliás, é chamado por muitos de “poeta visual”. Para quem não sabe, como eu não sabia, Galina Vishnevskaya foi uma famosa soprano russa que fez sua estreia no cinema neste filme. Ela morreu em 2012. “Alexandra” não é um filme fácil de assistir - muito lento, contemplativo -, mas interessante para aqueles que tiverem curiosidade de conhecer o estilo daquele que é considerado o maior cineasta russo da atualidade. 
“Em Segredo” (“In Secret”), EUA, 2013, dirigido por Charlie Stratton, é um drama/suspense baseado no romance “Thérèse Raquin”, escrito por Emile Zola. No elenco, Elizabeth Olsen, Oscar Isaac (de “Inside Llewyn Davis”), Jessica Lange e Tom Felton. Thérèse, ainda menina, órfã de mãe e praticamente abandonada pelo pai aventureiro, é levada para morar com sua tia Madame Raquin (Jessica Lange), no interior da França. Ela vai crescer ao lado do primo Camille, filho de Madame Raquin, um menino doente e que, por isso mesmo, supermimado pela mãe. Quando Thérèse (Olsen) e Camille (Felton) já estão adultos, Madame Raquin resolve que eles devem se casar. Camille fica animado. Thérèse não gosta da ideia, mas resolve obedecer a tia. Logo em seguida ao casamento, Madame Raquin decide vender a casa e mudar para Paris, onde vai montar uma loja de tecidos. A rotina na loja e no casamento vai entediar Thérèse. Esse quadro só vai mudar quando ela conhece Laurent (Isaac), colega de trabalho de Camille num escritório. Os dois vão se apaixonar perdidamente. As consequências dessa paixão, porém, serão trágicas. A partir dos encontros às escondidas dos dois amantes, o filme parte para o suspense, ficando ainda melhor. O excelente trabalho dos atores valoriza ainda mais esse bom drama de época.  

terça-feira, 10 de junho de 2014

Bettie (Catherine Deneuve) atravessa uma fase difícil em sua vida. Viúva, perto dos 70 anos, ela recebe a notícia de que seu amante, um rico industrial, se separou da esposa para ficar, não com ela, mas com uma jovem de 25 anos. Além disso, seu restaurante começa a dar prejuízo. Como se não bastasse tudo isso, sua mãe Annie (Claude Gensac) pega no seu pé o tempo inteiro. Um dia, Bettie, não aguentando tanta pressão, pega o carro e sai sem destino pela estrada. Você pode pensar que lá vem mais um drama francês. Pelo contrário. “Ela Vai” (“Elle s’em Va”), França, 2012, dirigido por Emmanuelle Bercot, é um filme bem-humorado e alegre. Bettie vai encarar esse road movie particular como uma viagem para refletir sobre sua vida e como refazê-la depois de tudo. Bettie vai viver uma aventura, o que inclui juntar-se a um animado grupo de mulheres de terceira idade num bar, ir para a cama com um rapaz que poderia ser seu filho e ainda participar de um encontro de ex-misses. Mas os melhores momentos do filme – e os mais engraçados – acontecem a partir do reencontro de Bettie com seu neto pré-adolescente, o terrível Charly (Nemo Schiffman), que ela terá que levar, a pedido de sua filha, para passar uns dias na casa do avô. Ao final dessa viagem, o astral de Bettie é outro, inclusive motivado por um amor inesperado. Vale a pena ver a diva Deneuve ainda em grande forma, apesar dos inúmeros cigarros consumidos no filme e na vida particular. Aliás, um dos momentos mais tocantes do filme é quando Bettie espera, aflita para fumar, um velhinho preparar um cigarro de palha. Ele enrola a palha sem nenhuma pressa, alheio à aflição de Bettie, como se tivesse uma vida toda pela frente. Faz a gente pensar, não?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

“Detalhes” (“Details”), EUA, 2012, é uma comédia dirigida por Jacob Aaron Estes e que tem no elenco Tobey Maguire (“Homem Aranha”), Elizabeth Banks, Ray Liotta, Laura Linney e Kerry Washington. A vida não está nada fácil para o médico ginecologista Jeff Lang (Maguire). Além de enfrentar uma crise no casamento de 10 anos com Nealy (Banks), ele é obrigado a conviver com um guaximin que cismou em estragar o jardim de sua casa. A fase, quando é ruim, parece atrair mais problemas. Quando Jeff procura sua amiga psicoterapeuta Rebecca (Washington), rola um clima e os dois acabam indo para a cama. Só que o marido de Rebecca, Peter Mazzoni (Ray Liotta) acaba descobrindo e a coisa fica feia. É claro que o inferno de Jeff não vai terminar por aqui. Ele ainda vai se envolver com a vizinha louca, Lila (Linney), cujas consequências serão trágicas. É uma boa comédia, bem bolada e movimentada, além de reservar duas gratas surpresas: as ótimas interpretações de Elizabeth Banks como a esposa traída e de Laura Linney, bastante à vontade no papel da biruta Lila. Diversão garantida!
“Antes do Inverno” (“Avant L’Hiver”), 2012, é um drama francês escrito e dirigido por Philippe Claudel. O enredo gira em torno do relacionamento do médico neurocirurgião Paul (Daniel Auteuil) com sua esposa Lucie (Kristin Scott-Thomas), casados há 30 anos. Num determinado dia, chega à luxuosa casa em que eles moram um buquê de rosas vermelhas sem nenhuma identificação, nem de quem mandou nem para quem se destina. O mesmo acontece no consultório que Paulo mantém em sociedade com o amigo e psiquiatra Gérard (Richard Berry). Em meio às desconfianças tanto de Paul com relação a Lucie, e desta com relação ao marido, aparece no caminho do médico a jovem Lou Vallé (Leila Bekhti), que se diz estudante de arte e afirma ter sido operada de apendicite por Paul quando era criança. O mistério está criado e dá margem a algumas perguntas: quem é o remetente ou a remetente das rosas? Para quem elas se destinam? E quem é essa jovem que começa a virar a cabeça de Paul? Essas dúvidas e as desavenças com a esposa vão tirar o cirurgião do sério, a ponto de ter que se afastar do trabalho por estresse. O casamento com Lucie entra em crise e Paul decide dedicar seu tempo a conversas “paternais” com a jovem Lou. No final do filme, porém, uma reviravolta inesperada, causada por uma tragédia, esclarecerá todo o mistério. Daniel Auteuil comprova mais uma vez porque ainda é o principal ator francês e Kristin Scott-Thomas continua sendo a atriz mais charmosa e classuda do cinema atual. O filme foi exibido por aqui em abril de 2014 no Festival Varilux do Cinema Francês, em São Paulo. Um bom drama que merece ser conferido.    

domingo, 8 de junho de 2014

“Mistérios da Carne” (“Mysterious Skin”), EUA, 2004, dirigido por Gregg Araki, é um drama bastante perturbador, pois aborda com um realismo pra lá de chocante temas pesados como pedofilia e prostituição juvenil. Incomoda e muito as cenas com crianças, assim como os diálogos cheios de palavrões e linguagem pornográfica. O sexo chega a ser quase explícito. A história começa em 1981 e gira em torno de dois meninos que são molestados sexualmente pelo técnico do time de baseball. Os garotos crescem e levam consigo os traumas dessa experiência tão sórdida. Um deles, Neil McCormick (Joseph Gordon-Levitt), vira garoto de programa dos mais vulgares. O outro, Brien (Brady Corbet), tenta lembrar o que aconteceu, mas não consegue. Seu nariz continua sangrando quando em situações de estresse, como quando chegou em casa, dez anos antes. Ele acredita que foi sequestrado por um OVNI. Neil e Brien voltam a se encontrar e, juntos, tentarão descobrir o que realmente aconteceu e se livrar dessas recordações tão traumáticas. O elenco conta ainda com Elizabeth Shue, Michelle Trachtenberg e Bill Sage. O filme foi exibido no Brasil, pela primeira vez, no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e na 29ª Mostra BR de Cinema de São Paulo.  Só pra quem tem estômago forte.     
Nos países europeus que invadiram durante a 2ª Guerra Mundial, os alemães saquearam museus, galerias, igrejas, casas e castelos, roubando milhões de objetos de arte, inclusive quadros famosos. Quase ao final do conflito, quando os alemães voltavam derrotados para o seu país, um grupo de sete especialistas em artes, comandado pelo oficial norte-americano George Stout (George Clooney), foi formado para resgatar todo esse material, escondido em várias partes da Alemanha. Eles teriam que cumprir essa missão antes da chegada dos russos. Portanto, corriam contra o tempo. No final, o grupo conseguiu recuperar mais de 5 milhões de peças, entre quadros, esculturas e outros objetos de arte. Essa fascinante história, baseada em fatos reais, é contada no filme “Caçadores de Obras-Pimas” (“The Monuments Man”), dirigido e interpretado por George Clooney, que também escreveu o roteiro adaptado do  livro homônimo escrito por Robert M. Edsel. Apesar da seriedade do tema e de mostrar a Europa como uma zona de guerra arrasada ao final do conflito, Clooney aliviou o clima pesado acrescentando humor à história, o que, ajudado por uma trilha sonora bem ao estilo dos filmes de aventura, tornou o filme leve e agradável de assistir. Além de Clooney, estão no elenco Kate Blanchett, Matt Damon, John Goodman, Jean Dujardin e Bill Murray.   

sábado, 7 de junho de 2014

Baseado em fatos reais, o drama húngaro/romeno “Aglaja”, 2012, direção de Kristina Deák, faz uma bela homenagem ao mundo do circo, de tanta tradição nos países do Leste Europeu, principalmente na Romênia – o famoso circo Stankowich, por exemplo, foi fundado por romenos. A homenagem fica mais evidente quando o filme mostra os artistas nos bastidores do circo, uma vida nada fácil, cheia de sacrifícios, muito treinamento duro e acidentes - muitas vezes trágicos - de percurso. A história, situada nos anos 70, é narrada in off  por Aglaja, filha de dois artistas de circo, a trapezista Sabine (Eszter Onodi) e o palhaço Tandarica (Zsolt Bogdán).  O filme acompanha a trajetória do casal e da filha desde a fuga da Romênia, para escapar da polícia do ditador Nicolae Ceausescu, até seu périplo por circos em várias capitais europeias. Numa delas, onde é proibido o trabalho infantil, Aglaja é separada dos pais e encaminhada a um internato. O filme avança 10 anos e mostra Aglaja, que se tornou uma bela jovem aos 15 anos de idade, saindo do internato para se encontrar com a mãe, na época conhecida em toda a Europa pelo número acrobático em que fazia malabarismos nas alturas içada pelos cabelos. Por causa dessa atração, Sabine ficou famosa como “A Mulher dos Cabelos de Aço”. Um acidente com Sabine, porém, vai colocar Aglaja de volta ao picadeiro. As duas atrizes que interpretam Aglaja - Babette Javor aos 5 anos, e Piroska Moga aos 15 - são excelentes. Mas o maior destaque é mesmo Eszter Onodi, que faz Sabine. O filme foi exibido aqui no Brasil pela primeira vez na Mostra “Geração Praça Moscou: O Cinema Húngaro”, em São Paulo, em junho de 2013. Um filme que merece ser descoberto por quem gosta de cinema de qualidade.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

“Elena” é um drama russo produzido em 2010 e dirigido por Andrey Zvyagintsev (de “O Retorno”). O enredo gira em torno de Elena (Nadezhda Markina), uma enfermeira aposentada que vive, há 10 anos – seu segundo casamento - com Vladimir (Andrey Smirnov), um rico homem de negócios de Moscou. Sergei (Aleksey Rozin) é o filho de Elena, um preguiçoso que passa o dia sentado no sofá tomando cerveja e vendo TV. Não quer nada com o trabalho, embora tenha que sustentar mulher e um filho adolescente. Sergei vive às custas da mãe, que todo mês vai até a periferia de Moscou entregar o dinheiro de sua aposentadoria ao filho malandro. Por causa dessa rotina de anos, Elena vive às turras com o marido, que critica a atitude da mulher dizendo que ela transformou o filho num acomodado e vagabundo. Ela defende o filho com unhas e dentes, dizendo que ele é vítima da crise econômica. Vladimir sofre um infarto e, enquanto se recupera, decide escrever seu testamento. Ele comunica suas intenções a Elena. A filha de Vladimir, Katerina (Elena Lyadova), será a grande beneficiada. Elena acha que seu filho também deve ser incluído no testamento. A partir daí, o filme passa a ter um clima de suspense policial e fica melhor ainda. É impossível não enxergar nas atitudes da superprotetora Elena uma evidente analogia com a “Mãe Rússia” e seu caráter assistencialista. “Elena” foi o grande destaque da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter conquistado o Prêmio Especial do Júri na Mostra “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2011.  

quinta-feira, 5 de junho de 2014

 

“O Homem Duplicado” (“Enemy”), 2013, é um filme canadense baseado em livro do escritor português José Saramago. Conta a história de Adam Bell (Jake Gyllenhaal), professor universitário, que um dia descobre, assistindo a um filme, que tem um sósia perfeito. Pelos créditos, Adam conclui que seu sósia é o ator Anthony St. Claire (papel também de Gyllenhaal, claro). Aí ele não sossega enquanto não encontrar o outro pessoalmente. O relacionamento entre os dois vai envolver ainda a esposa de Adam, Helen (Sarah Gadon), e a namorada de Anthony, Mary (Mélanie Laurent). Vai dar uma confusão maluca, mas nada de comédia. É tudo levado muito a sério pelo diretor Denis Velleneuve, dos ótimos “Incêndios” e “Os Suspeitos”, este último também com Gyllenhaal, que se mostra mais uma vez um excelente ator. Com muita sutileza nos gestos e expressões, Gyllenhaal faz com que o espectador consiga identificar, sem muito esforço, quando ele é Adam e quando ele é Anthony. Isabella Rossellini, numa pequena ponta, faz a mãe de Adam. O filme foi massacrado pela maioria dos críticos e também não conseguiu muita simpatia do público, haja vista o resultado fraco das bilheterias. Não é um filme tão ruim assim, mas também não é tão bom para ser recomendado. Não deixa, porém, de ser um filme interessante, diferente, com um ótimo elenco e uma história, embora surreal, criativa e instigante.   

terça-feira, 3 de junho de 2014

Se você pretende assistir a um filme para relaxar e se divertir, esqueça “O Homem que Virá” (“L’Uomo che Verrà”), Itália, 2009, direção de Giorgio Diritti. Trata-se de um drama pra lá de pesado que conta a história do Massacre de Marzabotto, fato ocorrido em setembro de 1944, no qual soldados da SS nazista executaram cerca de 800 camponeses da região de Marzabotto, nas colinas de Bolonha, naquele que é considerado um dos maiores crimes de guerra cometidos até hoje. Em termos cinematográficos, porém, é um filme de altíssima qualidade. Toda a história é vista e contada sob a ótica de uma menina de 8 anos, Martina (Greta Zuccheri Montanari), cuja família é numerosa e paupérrima. Cansados da ocupação dos soldados alemães, o que incluía ceder hospedagem, as mulheres e os já escassos alimentos, os camponeses formam um grupo de partizans para combater os nazistas. Depois de algumas baixas, os alemães resolvem partir para a retaliação, o que envolve a execução em massa - e sem distinção - de crianças, mulheres, idosos, deficientes, enfim, quem não for alemão. Embora muito bem feitas, as cenas de execução são chocantes de tão realistas. Mas o filme também tem algumas cenas comoventes, como aquela em que Lena (Maya Sansa), que está grávida, toca na barriga de uma imagem da Virgem Maria, também grávida, o que dá a entender que a esperança daquela gente tão sofrida está no "Homem que Virá".   

segunda-feira, 2 de junho de 2014

“Ilo Ilo”, 2012, Singapura, primeiro filme do diretor Anthony Chen. É um drama que tem como pano de fundo a crise asiática no final dos anos 90. O ano é 1997. Teck (Tian Wenchen) e sua esposa Hwee Leng (Yann Yann Yeo) trabalham fora e passam maus bocados com o filho Jiale (Koh Jia Ler), um garoto de 10 anos terrível que sempre apronta alguma no colégio ou em casa. Hwee está grávida e cansada, pois também cuida dos serviços caseiros. Ela tem o gênio forte e é comum destratar o marido, além de não ter a mínima paciência para lidar com o filho. Para aliviar Hwee, o casal decide, então, contratar uma empregada filipina, Teresa (Angeli Bayani). Aos poucos, Teresa consegue “domar” o menino. Ambos vão criar um laço de amizade que deixará a mãe de Jiale com ciúmes. Quando parece que a situação vai melhorar, Teck perde o emprego de vendedor e também o seguinte, de vigilante. A condição financeira da família fica insustentável e o filme assume uma dramaticidade que poderá tocar fundo em quem já passou ou passa por situação semelhante. “Ilo Ilo” conquistou o Prêmio “Caméra d’Or”, destinado a cineastas estreantes, no Festival de Cannes 2013. Também representou Singapura como candidato a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Ah, Ilo Ilo é uma cidade localizada nas Filipinas e onde a babá do diretor nasceu. Ele quis homenageá-la com o título. Um belo filme que merece ser conferido.      

 
“7 Caixas” (“7 Cajas”), 2012, é um bom filme de ação e suspense, humor e aventura. E, acreditem, paraguaio. Aliás, o maior sucesso de bilheteria até hoje naquele país. Um feito e tanto para uma indústria que produziu, até hoje em toda a sua história, apenas 25 longas de ficção. O filme tem como locação o Mercado 4, um conjunto de barracas, lojas e boxes que ocupa grande parte do centro de Assunção. Víctor (Celso Franco) tem 17 anos e trabalha como carregador (carretillero), ajudando os clientes a transportar mercadorias. Um dia, o funcionário de um açougue o contrata para transportar sete caixas sem revelar seu conteúdo. Aí começa uma série de confusões que irão colocar em risco a vida de Víctor, que se vê caçado por bandidos, pela polícia e pelo pessoal que o contratou para levar as caixas. Aliás, como nas ruas do mercado não há espaço para carros, o jeito foi criar/improvisar as cenas de perseguição com os carrinhos utilizados pelos carregadores, uma das bem boladas gozações da dupla de diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori. O filme é bastante criativo, mantém um bom ritmo de ação do começo ao fim. Os bandidos são caricatos e atrapalhados. Nem o desfecho trágico consegue estragar o bom humor do filme. Pode ver que você vai se divertir.              

“Rota de Fuga” (“Escape Plan”), 2013, EUA, dirigido por Mikael Hafstrom, reúne os dois grandes astros dos filmes de ação de Hollywood, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os dois “velhinhos” ainda impõe respeito, além de dar conta de correr, bater e apanhar. A história é fantasiosa, mas com esses dois astros tudo é permitido. Stallone é Ray Breslin, que trabalha para uma empresa que vende tecnologia de segurança para presídios. A função de Breslin é ser preso e depois fugir de penitenciárias de segurança máxima. Em oito anos, conseguiu escapar de 14. Um gênio da fuga. Um dia, porém, ele é sequestrado, sedado e levado para uma prisão que ninguém sabe que existe, uma tal de Prisão Internacional, comandada na base da violência por Willard Hobbes (Jim Caviezel) e pelos seus guardas – na verdade, mercenários – altamente treinados. É lá que Breslin conhece Emil Rottmayer (Schwarzenegger). Em meio a socos e pontapés, torturas, rápidas temporadas em solitárias e algumas piadinhas, os dois vão se aliar para tentar fugir. O elenco ainda conta com Sam Neil, Vincente D’Onofrio, Amy Ryan, Vinnie Jones e a belíssima Caitriona Balfe. Para quem não exige muito e gosta de filmes de ação, o entretenimento é garantido!   

domingo, 1 de junho de 2014

“O Segredo – Pecado em Família” (“Perfect Parents”), de 2006, dirigido por Joe Ahearne, um drama inglês que mistura suspense, assassinatos e chantagens com temas como religiosidade, família e educação. Não é entretenimento de fácil absorção. Stuart (Christopher Ecleston) e sua esposa Alison (Susannah Harker), ateus de carteirinha, querem colocar a filha Lucy (Madeleine Garrood), de 10 anos, num colégio público católico dirigido por freiras. Só que precisam cumprir algumas normas exigidas pela instituição, como, por exemplo, serem católicos praticantes e terem batizado a filha. Eles conseguem o aval do padre Thomas (David Warner) mediante o pagamento de propina. Há um intermediário no negócio, Ed (Brendan Coyle), um cidadão aparentemente correto, mas nas sombras um psicopata e chantagista. As mentiras do casal serão descobertas graças às denúncias de uma mãe invejosa cuja filha não foi aceita no colégio católico. Duas pessoas serão assassinadas e outra ainda será alvo de uma tentativa. No filme, ainda há espaço para muitas discussões de cunho religioso, o que nos leva a refletir sobre questões como fé, perdão e solidariedade.