quarta-feira, 9 de abril de 2014

Convém tomar um Dramin antes de começar a assistir “Até o Fim” (“All is Lost”). Afinal, serão 106 minutos no mar ao lado de Robert Redford, cujo personagem, um experiente navegador, não tem nome, profissão ou outra qualquer indicação de sua vida civil. Ele está navegando em seu belo veleiro de 12 metros pelo Oceano Pacífico (não há também explicação sobre o motivo da viagem). A embarcação tem o nome de “Virginia Jean” (quem será essa mulher?). Um dia, ele acorda com um estrondo: um contêiner à deriva bate no barco e provoca um rombo no casco. A água que entra danifica o rádio e os instrumentos de navegação. Mas isso não é o pior. Uns dias depois, vem uma violenta tempestade que acaba por afundar o veleiro. O jeito é se virar com o bote salva-vidas inflável. Impossível não associar a situação do navegador com a da astronauta vivida por Sandra Bullock em “Gravidade”. Ambos buscam sobreviver, sozinhos e abandonados à própria sorte: Bullock perdida no espaço e Redford no vasto oceano. Assim como em “Gravidade”, o suspense e a tensão predominam desde o começo até o final do filme. E mesmo com apenas um personagem, sem qualquer diálogo ou monólogo, “Até o Fim” não fica monótono em nenhum momento. O filme recebeu apenas uma indicação para o Oscar 2014 (Melhor Edição de Som), uma grande injustiça com Redford, que merecia concorrer a Melhor Ator.  

terça-feira, 8 de abril de 2014

“Metro Manila” (co-produção Reino Unido/Filipinas de 2012), dirigido pelo inglês Sean Ellis, justifica plenamente  toda a fama que o precede. Foi aclamado em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no Sundance Film Festival 2013, no qual fez sua estreia, além de ter sido indicado para concorrer ao Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro pelo Reino Unido, embora seja falado em filipino. Não é para menos. Este ótimo drama social, que a partir da sua metade ganha ação e suspense e se transforma num vigoroso thriller policial, conta a história de Oscar Ramirez (Jake Macapagal), um pequeno e pobre agricultor que abandona os campos de arroz no norte das Filipinas para tentar uma vida melhor na capital Manila (Metro Manila é o nome dado à região metropolitana da cidade).  Ele leva a esposa Mai (Althea Vega) e as duas filhas pequenas. O casal vai encarar a dura realidade de uma cidade grande e se deparar com gente da pior espécie. Oscar consegue o emprego de motorista numa empresa de segurança transportadora de valores e Mai vai trabalhar como dançarina numa casa noturna. Ao ser bajulado pelo seu chefe Ong (John Arcilla) na firma de segurança, Oscar não percebe que está sendo manipulado para participar de um golpe. Quando finalmente percebe, é tarde demais, pois ele já está envolvido até o pescoço na tramoia. Um incidente fatal, porém, vai fazer o plano ir por água abaixo. É aí então que Oscar deixa a ingenuidade de lado e parte para a ação, o que vai levar a um desfecho surpreendente e, ao mesmo tempo, tocante. Um filmaço simplesmente imperdível!    

domingo, 6 de abril de 2014

Os irmaõs Joel e Ethan Coen escreveram e dirigiram “Balada de um Homem Comum” (“Inside Llewyn Davis”), produção de 2013. Conta a história de Llewyn Davis (Oscar Isaac), que na Nova Iorque do início da década de 60 abandona um emprego na marinha mercante para tentar o sucesso como cantor e compositor de música folk, gênero que consagrou Bob Dylan e Joan Baez. O personagem Llewyn Davis foi inspirado num cantor que realmente existiu, um tal de Dave von Ronk. Um achado dos irmãos Coen. Fracassado, sem dinheiro, ele não tem nem onde dormir, nem casaco para vestir no inverno rigoroso de Nova Iorque. Passa as noites de favor na casa de um ou outro amigo. Apesar disso, é arrogante e se acha o máximo. Até que ele agrada a plateia quando canta num barzinho especializado em apresentações ao vivo de músicos de folk. Quando finalmente consegue um teste com um empresário importante que pode alavancar sua carreira, estraga tudo ao cantar a canção “The Death of Queen Jane”, cuja letra fala da morte de uma mulher durante o parto. Ou seja, sem nenhuma chance de conseguir sucesso junto ao público e nem de vendagem. Apesar do tom melancólico da história e do seu personagem principal, há ótimos e divertidos diálogos. O filme teve duas indicações para o Oscar 2014: de melhor fotografia e mixagem de som. Não ganhou nem um nem outro. Talvez tenha sido injusta a não indicação do ator guatemalteco Oscar Isaac, ótimo no papel de Davis.  
Anunciado como comédia, o filme francês “Pai por Acaso” (“Monsier Papa”), de 2012, é mais sentimental do que cômico. Filho de mãe solteira, o garoto Marius (Gaspard Meier-Chaurand), de 12 anos, sente falta de um pai. Sua mãe, Marie Vallois (Michèle Laroque), é presidente de uma empreiteira da construção civil e não tem muito tempo para dedicar ao filho. Ela sempre diz a Marius que seu pai está viajando pelo mundo e que no momento está na Amazônia. Revoltado, Marius começa a dar trabalho na escola e a cometer pequenos delitos, até ser detido num shopping center. Sem saber o que fazer, Marie tem a ideia de arranjar um pai “postiço” e consegue convencer Robert Pique (Kad Merad, também diretor do filme) a interpretar esse papel. A intenção inicial é promover apenas um único encontro entre os dois. Entretanto, Marius e Robert se dão tão bem que será muito difícil separá-los. Marie ainda tenta, contratando Robert para sua empresa e o enviando para comandar uma obra na África do Sul. O filme é muito agradável de assistir, tem lá seus momentos de humor e deixa uma mensagem muito clara para quem ainda acha que os pais biológicos jamais podem ser substituídos. Um programa gostoso para curtir com a família.

sábado, 5 de abril de 2014

Uma reflexão sobre a China contemporânea. Foi assim que o filme “Um Toque de Pecado” (“Tian Zhu Ding”, ou no inglês “A Touch of Sin”) foi lançado nos cinemas e apresentado no Festival de Cannes de 2013, quando conquistou o prêmio de Melhor Roteiro. Se você estiver em busca de entretenimento leve, porém, passe longe. São quatro episódios, independentes uns dos outros, que contam a história de personagens comuns cuja única ligação será o desfecho trágico destinado a cada um deles. No primeiro episódio, um trabalhador se revolta contra a corrupção em sua aldeia; no segundo, um homem comete crimes brutais para ajudar a família; no terceiro, uma jovem recepcionista numa sauna masculina revida com violência o assédio sexual de dois homens; no último, um jovem não aguenta a pressão de ser explorado nos empregos. Não é um filme agradável de assistir, pois tem muitas cenas de violência explícita, duas delas contra animais. Mas é um filme importante por destacar o estilo de um diretor que está sendo considerado um dos melhores do cinema chinês atual. Uma coisa é certa: impossível ficar indiferente ao filme durante e ao final de sua exibição. É claro que muitos críticos profissionais escreveram verdadeiros tratados sociológicos para explicar as intenções do diretor. É melhor você assistir e tirar suas próprias conclusões. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

“Diana” é um filme inglês de 2012 que conta a história do romance da Princesa Diana (Naomi Watts) com o médico paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). O caso começou em 1995, quando Lady Di, separada do Princípe Charles e em processo de divórcio, conhece o médico durante visita a um amigo no Hospital Royal Brompton, em Londres. Eles ficaram juntos até poucos meses antes da morte de Diana, em agosto de 1997. A história é baseada no livro “Diana: her Last Love”, escrito em 2001 por Kate Snell. O curioso é que o médico paquistanês, cirurgião cardíaco, sempre negou – e nega até hoje – que teve um caso com Diana. Os ingleses odiaram o filme, não só atacando sua qualidade cinematográfica, mas, principalmente, por revelar a vida íntima de sua querida princesa. O filme, dirigido por Oliver Hirschbiegel, acirrou ainda mais a polêmica. Além do romance com o médico, o filme destaca a participação de Lady Di em causas humanitárias por todo o mundo, além da sua privacidade constantemente ameaçada pelos paparazzi, assédio que provavelmente tenha sido a causa do acidente que a matou. A atriz australiana Naomi Wattis está ótima como Diana, papel destinado inicialmente à americana Jessica Chastain (“A Hora mais Escura”). A maioria dos críticos profissionais não gostou do filme. Eu gostei e recomendo.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

“O Guardião das Causas Perdidas” (“Kvinden I Buret” ou no inglês “The Keeper of Lost Causes”), dirigido por Mikkel Norgaard, é um suspense dinamarquês de tirar o fôlego. Depois de ser baleado numa missão em que resolveu agir por conta própria, sem esperar a chegada de reforços, como estava combinado, o detetive Carl Morck (Nikolaj Lie Kaas) é transferido para um setor de casos arquivados sem solução. Muito a contragosto, é obrigado a aceitar como assistente o policial Assad (Fares Fares). O primeiro caso que reabrem envolve o desaparecimento de uma mulher, Merete Lynggaard (Sonja Richter), há cinco anos. As conclusões da época levam a crer que ela se suicidou, atirando-se ao mar de uma balsa. As investigações de Carl e Assad, porém, vão mudar o rumo da história. O resumo fica por aqui para não estragar as surpresas do enredo. O filme foi um grande sucesso de público quando estreou nos cinemas da Dinamarca, no final de 2013. E realmente, o filme é muito bom. Tem ação e suspense na dose certa, uma história bem elaborada, um vilão assustador e um detetive mal-humorado, arrogante, rebelde e estressado. Enfim, os clichês que fazem um bom filme policial. Um programão para quem curte o gênero.         

segunda-feira, 31 de março de 2014

Produzido em 2012 e dirigido por Walter Doehner, o filme mexicano “Viento en Contra” é um policial com muita ação e suspense. Nesse ponto, não decepciona. Luiza (Bárbara Mori) é uma executiva em ascensão numa empresa de fundos de investimento na Cidade do México. Ela descobre, porém, um desvio de dinheiro da empresa para as Ilhas Cayman. A partir daí, passa a ser perseguida tanto por bandidos como pela polícia. O roteiro tem algumas mancadas. Uma delas: em fuga alucinada com o filho, ela diz que está morrendo de fome e resolve parar num restaurante chique para jantar, pede um suco de maçã para o filho e um copo d’água. “O que vamos pedir, mamãe?”, pergunta o filho. Ela responde: “Nada, não tenho dinheiro”.  O menino paga o suco e eles vão embora. Por que então entraram no restaurante? Impossível também não associar a interpretação dos atores ao estilo dos novelões mexicanos. Mas o filme não é tão ruim quanto parece e, para os padrões mexicanos, deve ser encarado como uma superprodução. As cenas de ação são bem feitas, a história prende a atenção e há uma reviravolta no final que realmente surpreende. A atriz uruguaia Bárbara Mori é muito bonita e dá conta do recado. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. 

domingo, 30 de março de 2014


Como a maioria das comédias românticas, “Noivos por Acaso” (“One Small Hitch”), 2013, não foge à regra: é previsível demais. Molly (Aubrey Dollar) está no aeroporto aguardando o voo para Chicago, onde sua mãe se casará pela segunda vez. Ela vai levar o namorado para a família conhecer, mas, enquanto espera a chamada para embarcar, fica sabendo sem querer que ele é casado. Claro que a relação vai acabar ali. Ela, então, fica arrasada, mas eis que aparece Josh (Shane McRae), um amigo de infância que também vai para Chicago visitar o pai que está muito doente. Josh conta a Molly que o sonho do seu pai, antes de morrer, é ver o filho casado ou pelo menos encaminhado nesse sentido. Sensibilizada, Molly topa fingir que é noiva de Josh. As duas famílias ficam entusiasmadas com a notícia do futuro casamento e aí começam as confusões. E mesmo com algumas reviravoltas, você já sabe de antemão quem vai formar o casal do “happy end”. O filme até que começa bem, mas não engrena. Em nenhum momento consegue ser engraçado nem engraçadinho. Apenas bobinho.  
“O Grande Herói” (“Lone Survivor”), 2012, é um drama de guerra baseado numa história real que aconteceu em 2005, durante a Operação “Asa Vermelha”, criada e planejada pela Marinha dos EUA para localizar e matar o líder terrorista talibã Shah, escondido numa vila remota no Afeganistão. Quatro soldados de elite, liderados pelo oficial Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), foram designados para a missão, até então considerada de fácil execução. Eles verão, porém, que na prática as coisas não acontecerão como o planejado. Ao se aproximarem da vila, os soldados são surpreendidos por três pastores de cabras. Ao invés de prendê-los, impedindo que avisem os talibãs, os soldados resolvem soltá-los. Por causa desse imprevisto, acham melhor abortar a missão e chamar os helicópteros para resgatá-los. Tarde demais. De repente, centenas de talibãs saem em seu encalço e aí eles vão sofrer na pele - e nos ossos – as consequências do escrúpulo que tiveram ao liberar os pastores. As cenas são de um incrível realismo, principalmente aquelas em que os soldados despencam morro abaixo, chocando-se contra pedras e árvores. Um filmaço, repleto de ação e suspense do começo ao fim. O famoso filme super bonder: você não consegue desgrudar da poltrona. Outro ótimo filme nessa linha é “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, dirigido por Ridley Scott, também baseado em fatos reais.                                         

 

sábado, 29 de março de 2014

“Ninfomaníaca” (Partes 1 e 2) é mais um filme polêmico do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Encontrada caída na rua e toda machucada, Joe (Charlotte Gainsburg) é levada por Seligman (Stellan Skarsgard) para sua casa. Ele cuida dos ferimentos dela e ela resolve contar a história de sua vida conturbada. Sem nenhum tipo de censura, Joe relata em detalhes todas as suas experiências sexuais desde os 12 anos de idade. Seligman, um homem simples e de grande erudição, comenta os fatos contados relacionando-os à História, aspectos religiosos, música clássica, filosofia, psicologia, literatura etc. O filme tem muitas cenas de sexo explícito e torturas físicas, o que pode incomodar muita gente.  Portanto, tire as crianças, adolescentes e idosos da sala. É claro que Lars Von Trier faz tudo para chocar, como na maioria dos seus filmes anteriores. Ele mesmo gosta de ser polêmico. No Festival de Cannes 2011, por exemplo, elogiou Hitler numa entrevista e foi banido do festival. “Ninfomaníaca” ainda tem no elenco Stacy Martin (a jovem Joe), Shi Labeouf, Christian Slater, Uma Thurman e Jamie Bell. Tem gente que detesta Trier, outros o suportam e outros tantos o adoram. Mas uma coisa é certa: ele é um diretor muito criativo. Assistir a um de seus filmes pode ser uma experiência bastante interessante. É seguir em frente ou clicar stop. A opção é sua.                                

 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Nova Iorque. O ano é 1955. Um grupo de meninas adolescentes decide criar uma sociedade secreta chamada Foxfire. O objetivo das garotas é reunir forças para se defender e se vingar do assédio masculino, aqui incluídos o sexo e a violência. Só que elas acabam extrapolando os limites do bom senso, passando ao roubo, chantagem e até sequestro. Este é basicamente o enredo do filme “Foxfire – Confissões de uma Gangue de Garotas” (“Foxfire – Confessions of a Girl Gang”), uma co-produção França/Canadá de 2013, sob a direção do francês Laurent Cantet. A história é baseada no livro “Foxfire – Confessions of a Girl Gang”, escrito pela norte-americana Joyce Carol Oates e publicado em 1993. A liderança do grupo de meninas é exercida por Legs (Raven Adamson), uma jovem problemática, rebelde e radical, inconformada com a sociedade capitalista e o sonho americano – as demais seguem a mesma cartilha. Legs é influenciada por um velho que, num banco de praça, fala sobre os ideais socialistas que fizeram a  cabeça de muitos jovens no início do século 20. Por outro lado, impossível dissociar as  atitudes das garotas do movimento feminista que se fortalecia cada vez mais nos EUA naquela época. Embora sua duração alcance as duas horas e meia, o filme nunca perde o ritmo. As atrizes que interpretam as garotas do Foxfire são todas iniciantes, mas muito competentes, em especial a que faz Legs, Raven Adamson. Do mesmo diretor, recomendo também “Entre os Muros da Escola” (2008) e “Em direção ao Sul” (2005).

terça-feira, 25 de março de 2014

“Poklosie” (no inglês, “Aftermath”) ainda não tem tradução no Brasil, mas podemos chamá-lo de “Consequências”. É um filme polonês de 2012, considerado o mais polêmico já feito naquele país. E não é à toa. O filme revela um grande segredo guardado a sete chaves desde a Segunda Guerra Mundial: o massacre, em 1941, de mais de 300 judeus poloneses que moravam na aldeia de Jedwabne. O crime sempre foi atribuído aos alemães, que ocupavam a Polônia desde 1939. No entanto, o filme, dirigido por Wladyslaw Pasikowiski, revela que essa história foi muito mal contada. E a verdade revelada em “Poklosie” revoltou os poloneses, tanto que o diretor e os atores foram execrados por uma grande parte da opinião pública. Baseado, portanto, em fatos reais, o filme mostra o retorno de Józef Kalina (Maciej Stuhr) à sua aldeia natal para visitar o irmão, Franciszek Kalina (Irineusz Czop), que não via há 20 anos. Józef encontra o irmão completamente obcecado pela ideia de proteger e conservar as lápides de um antigo cemitério judeu, as quais encontrou enterradas numa estrada perto de sua propriedade. Contrariando a vontade da população local, os irmãos Kalina passam a investigar o que realmente aconteceu aos judeus. Uma das descobertas dos irmãos, porém, fará com que se arrependam terrivelmente de ter escarafunchado esse passado. O filme é um drama pesado, mas muito intenso e revelador, pois reabre uma ferida que os poloneses - pelo menos os daquela aldeia - acreditavam estar definitivamente cicatrizada. Um filme obrigatório para quem se interessa por histórias da 2ª Guerra Mundial.                    

segunda-feira, 24 de março de 2014

“Eu, Anna” (“I, Anna”), uma co-produção Inglaterra/França/Alemanha, de 2012, é um misto de policial e suspense. Chamado para investigar o assassinato de um homem num edifício residencial de Londres, o detetive Bernie Reid (Gabriel Byrne) cruza acidentalmente com uma mulher de meia idade que sai apressada do lugar. Esta mesma mulher, Anna Welles (Charlotte Rampling), Bernie virá a reencontrar numa festa destinada a aproximar pessoas interessadas em conhecer novos parceiros. Anna e Bernie vêm de divórcios traumáticos. Anna trabalha numa loja de departamentos e vive num apartamento pequeno com a filha (Hayley Atwell) e a neta, mas está infeliz. Bernie não dorme bem desde que se separou da mulher e vive solitário. Em meio às investigações do crime, policiais subordinados a Bernie levantarão suspeitas sobre Anna, o que colocará o detetive numa situação complicada. O filme, dirigido por Barnabie Southcombe (filho de Rampling na vida real), é baseado no livro “I, Anna”, de Elsa Lewin. No livro, a história acontece em Nova Iorque. Trata-se de um suspense muito bom, valorizado ainda mais pelo ótimo desempenho de Rampling e Byrne.   

domingo, 23 de março de 2014

Quando o filme termina, você se sente compelido a fazer a seguinte pergunta: “Será que o resultado do julgamento foi um grande erro judiciário? O filme é “Lizzie Borden pegou o machado” (“Lizzie Borden took an axe”), produzido para a TV em 2013 e dirigido por Nick Gomez. Não para nós, mas para o pessoal dos EUA o caso teve uma enorme repercussão, que perdurou durante muitos anos. A história é, portanto, baseada em fatos reais. Em 1892, na cidade de Fall River (Massachusetts), a jovem Lizzie Borden (Christina Ricci) foi acusada, presa e julgada pelo assassinato, a machadadas, do pai Andrew Borden e da madastra Abby Borden. O filme mostra, em sua primeira metade, o dia-a-dia e o relacionamento entre os integrantes da família Borden, na qual se inclui Emma (Clea Duvall), a irmã de Lizzie, e os assassinatos. A segunda metade detalha as investigações, os interrogatórios e, finalmente, o julgamento. Aqui no Brasil, certamente, poucos já ouviram falar de Lizzie Borden ou de seu julgamento. Talvez por isso mesmo seja muito interessante assistí-lo. Aliás, o filme foi indicado para vários prêmios Emmy, inclusive de melhor atriz. Julgue você mesmo!
 “Uma Armadilha para Cinderela” (“Trap for Cinderella”) é um filme inglês de 2013 dirigido por Iain Softley. Trata-se de um suspense baseado no livro de Jean-Baptiste Rossi. A trama começa meio complicada. Uma explosão seguida de incêndio atinge duas jovens amigas. Uma morre e a outra fica desfigurada e desmemoriada. Esta é levada para a Suíça e lá operada por um cirurgião plástico de renome. Ela volta a Londres e, por causa da amnésia, não sabe quem é e não conhece ninguém. Fica sabendo que é muito rica. Aí entram os flashbacks que contam a história das amigas de infância Micky (Tuppence Middleton) e Domenica (Alexandra Roach). Agora adultas, elas voltam a se encontrar casualmente e reatam a velha amizade. Domenica vem de família pobre e trabalha num banco. É toda certinha. Micky é rica, descompromissada e meio muluquete, adora baladas e não dispensa um copo de bebida. Até a explosão, o filme explora a amizade entre as duas moças, incluindo a obsessão de Domenica por Micky, fato que acabará abalando a relação. Uma reviravolta na história, perto do final, vai mostrar que nem tudo era o que parecia ser, e todas as dúvidas deixadas no ar serão finalmente esclarecidas.  

sábado, 22 de março de 2014

“O Julgamento de Nuremberg”, co-produção Canadá/EUA de 2000, é talvez o melhor filme já feito sobre o maior acontecimento jurídico do Século XX. O julgamento, ocorrido logo depois do final da 2ª Guerra Mundial, colocou no banco dos réus, na cidade alemã de Nuremberg, vinte e quatro importantes oficiais nazistas acusados dos mais hediondos crimes, o maior deles o assassinato de milhões de judeus em campos de concentração. O filme é uma verdadeira aula de história. Os depoimentos de juízes, promotores, advogados de defesa, sobreviventes e réus foram copiados das fitas gravadas durante o julgamento original. Cenas de bastidores, incluindo os prisioneiros em seu dia-a-dia, também obedeceram fielmente os relatos da época. É impossível não se emocionar com as cenas que mostram trechos de filmes produzidos pelas forças aliadas nos campos de concentração libertados. São chocantes. A impressão que dá é que os atores também ficaram chocados, muitos deles com lágrimas nos olhos. O elenco é excelente: Alec Baldwin, Jill Hennessy, Brian Cox, Christopher Plummer, Roger Dunn e Max Von Sidow, entre outros. A atriz Charlotte Gainsbourg faz uma sobrevivente que dá um depoimento emocionado sobre o que viu e sofreu num campo de concentração. É marcante, por exemplo, a cena seguinte, quando ela termina de testemunhar e passa diante dos reús, encarando um por um. O filme tem três horas de duração, mas vale cada minuto.  

sexta-feira, 21 de março de 2014

Em fase de treinamento numa academia para formação de oficiais de polícia, dois colegas da mesma turma acabam se apaixonando. Só que existe um problema: os dois são homens. Outro problema maior: um deles é casado com uma moça e está prestes a ser pai. Estes são os pontos de partida do drama alemão “Queda Livre” (“Freier Fall”), de 2013, dirigido por Stephan Lacant. A convivência na academia fez com que Kay (Max Riemelt) se apaixonasse por Marc (Hanno Koffler). Numa das corridas que ambos faziam pela floresta, Kay assedia Marc, que rejeita a investida do colega. Kay continua insistindo, até o dia em que Marc resolve se entregar. É claro que seu casamento com Bettina (Katharina Schüttler) vai balançar, mas o nascimento do bebê faz com que Marc repense a situação. Ele tenta se afastar de Kay. Será que conseguirá? O filme mostra o quanto é difícil alguém “sair do armário” e assumir a nova condição perante a família, amigos e colegas de trabalho. O filme foi premiado em festivais da Alemanha e EUA. Os críticos o consideraram como a versão alemã de “O Segredo de Brokebeck Montain”, dirigido por Ang Lee em 2005, cuja temática é bastante semelhante. O filme alemão é ainda melhor, embora as cenas ousadas de sexo entre os dois amantes possa chocar os menos liberais. O trabalho dos três atores principais - os dois amantes e a mulher traída - é muito bom. Esqueça o preconceito e confira esse ótimo drama!   

quarta-feira, 19 de março de 2014

“O Fundamentalista Relutante” (“The Reluctant Fundamentalist”) é um drama baseado no best-seller, com o mesmo título, do escritor paquistanês Mohsin Hamidhr. O filme, dirigido pela indiana Mira Nair, foi produzido em 2012 e estreou no mesmo ano no Festival de Veneza. O enredo do filme segue a história contada pelo paquistanês Changez Khan (Riz Ahmed) na entrevista ao jornalista norte-americano Bobby Lincoln (Liev Schreiber).  Ele conta como, aos 18 anos, saiu de Lahore, no Paquistão, para estudar nos EUA, onde se destacou na Universidade de Princeton. Depois de se formar, foi trabalhar como analista financeiro na Empresa Underwood Samson, uma das mais importantes de Wall Street. O trabalho de Khan impressiona Jim Cross (Kiefer Sutherland), um dos diretores, que se transforma em seu mentor e responsável por promovê-lo a sócio. Khan vive o sonho americano. Além de ganhar dinheiro, ele conhece a bela fotógrafa Erica (Kate Hudson), pela qual se apaixona. Mas aí acontece o atentado de setembro de 2011 contra o Word Trade Center.  E a vida de Khan muda do avesso e o sonho americano parece ir água abaixo. Mesmo que seja baseado num romance de ficção, o filme mostra um retrato de como os estrangeiros, principalmente os de origem árabe e muçulmanos, passaram a ser tratados nos EUA após o atentado. Numa das frases que diz ao jornalista, Khan afirma que, apesar de amar os EUA e lamentar as vítimas inocentes, não deixou de sentir um certo orgulho pelo atentado às torres gêmeas. “Um David derrubando Golias”, diz. Um filme vigoroso que merece ser conferido.  

segunda-feira, 17 de março de 2014

“Sunlight Jr.”, dirigido por Laurie Collyer, estreou no Tribeca Film Festival (o segundo festival de cinema independente mais importante dos EUA depois de Sundance) em novembro do ano passado. Trata-se de um drama triste e pesado, que mostra a realidade de trabalhadores pobres para os quais o sonho americano está muito distante. É inspirado no livro “Nickel and Dimed”, de Barbara Ehrenreich.  Melissa (Naomi Watts), funcionária de um mercado, mora com o namorado Richie (Matt Dillon) numa espelunca. Ele é paraplégico e está desempregado. Apesar das dificuldades financeiras, o casal vive feliz e vai tocando o barco do jeito que dá. Eles se amam e fazem sexo toda hora. Mas depois que ela fica grávida e logo em seguida perde o emprego, as coisas vão ficar cada vez mais difíceis. Richie aumenta o consumo de bebida, fica violento e a relação acaba entrando numa grave crise. Será que eles conseguirão superar a situação? Sem maquiagem e despida de qualquer glamour, Naomi Watts não se importou até em parecer feia em prol do papel e seu desempenho comprovou o que a gente já sabia: ela é uma ótima atriz. Matt Dillon está longe do galã que já foi, mas continua um bom ator. Um bom drama que vale a pena ser visto.    

domingo, 16 de março de 2014

O suspense “Conexão Perigosa” (“Paranoia”), 2012, dirigido por Robert Luketic, traz no elenco ótimos atores como Harrison Ford, Gary Oldman e Liam Hemsworth, este último irmão mais novo de Chris Hemsworth (“Thor” e “Rush”). Tem ainda a bela Amber Heard, um colírio, Embeth Davidtz, Lucas Til, Josh Holloway e Richard Dreyfuss. Liam interpreta Adam Cassidy, um funcionário ambicioso da gigante Wyatt Corporation. Ele dá uma mancada terrível e, além de perder o emprego, pode ir para a cadeia. Só que o chefão da empresa, Nicholas Wyatt, tem outros planos. Chama Adam e promete perdoá-lo se ele aceitar uma missão, ou seja, espionar a empresa de Jack Hoddard (Ford) – as duas empresas operam na área de tecnologia (Wyatt e Hoddard haviam sido sócios e se odeiam). Daí para a frente, haverá muito suspense, bem ao estilo dos filmes de espionagem, e, quase no final, duas reviravoltas que conseguem deixar a história mais interessante.  

Entre 1998 e 1999, uma gangue formada por jovens judeus ortodoxos de uma comunidade do bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, contrabandeou, de Amsterdam (Holanda) para os EUA, mais de um milhão de comprimidos de Ecstasy. Essa história, que abalou a comunidade judaica do Tio Sam, é contada no filme “Caminhos Opostos” (“Holy Rollers”), de 2010, dirigido por Kevin Asch. O jovem Sam Gold (Jesse Eisenberg) é filho de um judeu ortodoxo e estuda para ser rabino. Seu vizinho Yosef (Justin Bartha) o convence a participar de um esquema de transporte de “remédios” da Holanda. Sam começa a ganhar muito dinheiro e, como é inteligente, acaba ocupando um cargo de destaque na quadrilha. Uma de suas funções é cooptar novos integrantes na comunidade judaica. Aos poucos, também, Sam vai abandonando os preceitos religiosos e de comportamento do povo judeu, o que vai acarretar seu desligamento da família. A história não ganhou muito destaque no noticiário aqui no Brasil. Apesar de muito interessante, ainda mais pelo fato de ser baseado em fatos reais, o filme não foi lançado no circuito comercial. Saiu direto em DVD. Vale a pena conferir!