sexta-feira, 22 de março de 2024

 

 

“ANATOMIA DE UMA QUEDA” (“ANATOMIE D’UNE CHUTE”), 2023, França, 2h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Justine Triet, que também assina o roteiro com Arthur Harari (marido da diretora). O badalado drama estreou no Festival de Cannes e já ganhou o prêmio “Palma de Ouro”. Também venceu o “Globo de Ouro” nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Filme em Língua Estrangeira, além de ter sido indicado em cinco categorias ao Oscar 2024 (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição). Tudo isso merecido, pois o filme é excelente, fruto de um primoroso roteiro e atuações brilhantes. Trata-se de um drama familiar e jurídico que tem início com a morte misteriosa do escritor Samuel (Samuel Theis) no chalé de inverno na região dos Alpes Franceses, onde vivia com a esposa Sandra (Sandra Hüller) e o filho Daniel (Milo Machado Graner), de 11 anos, deficiente visual. A pergunta que logo surge é a seguinte: foi suicídio, homicídio ou acidente? Depois de muita investigação, interrogatórios e perícias técnicas, Sandra é indiciada e levada a julgamento, sendo defendida pelo advogado Vincent (Swann Arlaud), amigo antigo do casal. O filme é verborrágico demais, mas em nenhum momento cansa o espectador, apesar da sua longa duração. Pelo contrário, a trama é envolvente, prende a atenção do começo ao fim. Destaque muito especial para a atuação da atriz alemã Sandra Hüller (indicada ao Oscar de Melhor Atriz), que também participa de outro filme em cartaz, “Zona de Interesse”. Sandra atua falando francês e inglês, o que não deve ter sido fácil quando precisou demonstrar as emoções da protagonista, o que valorizou ainda mais o seu incrível desempenho. Trocando em miúdos, “Anatomia de Uma Queda” é um grande filme, de muita qualidade, que merece ser visto por todos aqueles que curtem filmes inteligentes e bem feitos. Imperdível!          

quinta-feira, 21 de março de 2024

 

O DEFENSOR: A HISTÓRIA DE BERT TRAUTMANN (TRAUTMANN), 2021, coprodução Inglaterra/Alemanha, 1h59m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Marcus H. Rosenmüller, que também assina o roteiro com a colaboração de Nicholas J. Schofield. É daqueles filmes que você descobre escondido e que acaba surpreendendo com uma incrível história baseado em fatos reais. Trata-se da história do alemão Bert Trautmann (David Kross), que foi soldado nazista – paraquedista da Luftwaffe -, capturado pelos ingleses e que, depois do conflito, virou ídolo como goleiro do Manchester City. O filme conta a trajetória de Trautmann desde que ficou prisioneiro no campo Ashton-in-Makerfield, em Lancashire, suas atuações na equipe amadora do St. Helens Town e depois no Manchester City, onde jogou até 1964. O filme destaca sua espetacular atuação no final da Copa da Inglaterra, em 1956, quando quebrou o pescoço numa dividida e continuou jogando até o final. Outros dois aspectos da vida de Trautmann também são explorados: seu romance com a inglesa Margaret Friar (Freya Major), com a qual casou, e a rejeição violenta dos torcedores do Manchester City por contratarem um ex-soldado nazista. Trautmann jogou até 1964 no City, tendo disputado 545 partidas. Completam o elenco Harry Melling, John Henshaw, Michael Socha, Gary Lewis e Chloe Harris. Resumo da ópera, “Trautmann” é um grande filme que merece ser descoberto Imperdível!          

quarta-feira, 20 de março de 2024

A ARTE DE AMAR (ROMANTIK HIRSIZ), 2024, Turquia, em cartaz na Netflix, 1h38m, direção de Recai Karagöz (“Táticas do Amor”), seguindo roteiro assinado por Pelin Karamehmetoglu. Se a história não é grande coisa, repleta de situações inverossímeis e fantasiosas, não se pode negar que se trata de um filme bonito para se ver. As atrizes são lindas e os cenários deslumbrantes, tanto nas cenas internas em museus, palácios, restaurantes, como também nas externas, principalmente com planos gerais de Istambul e Praga, duas das cidades mais bonitas da Europa. Tudo é muito chique também, os figurinos, os restaurantes e hotéis de luxo etc. Mas o roteiro decepciona. Começa com uma pegada de filme policial, com o roubo de várias peças de arte em museus e o início das investigações pela Interpol. A partir daí descamba, infelizmente, para um romance água com açúcar, que estraga qualquer boa intenção de se fazer um filme inteligente. Alin (Esra Bilgiç) é a policial da Interpol que parte para caçar o ladrão das obras de arte. Aí ela descobre que o ladrão é justamente seu ex-namorado milionário, Güney (Birkan Sokullu). A moça fica em dúvida se prende o sujeito ou se entrega à antiga paixão. Nesse meio tempo, surge em cena um poderoso mafioso colecionador de arte, cujas obras atraem a atenção de Güney e o desafiam a tentar mais um roubo. E por aí vai a história, chegando a um desfecho no mínimo decepcionante, para não dizer risível. Como vivemos numa democracia relativa, como afirmou o nosso notável presidente, fique à vontade para assistir. Mas não diga que não avisei...           


segunda-feira, 18 de março de 2024

 

O mais famoso vampiro do cinema volta a atacar em DRÁCULA – A ÚLTIMA VIAGEM DE DEMETER (THE LAST VOYAGE OF THE DEMETER), 2023, em cartaz na Prime Vídeo, 1h59m, coprodução, Estados Unidos, Inglaterra, Malta, Itália e Alemanha, direção do cineasta norueguês André Øvredal (“A Autópsia”), seguindo roteiro assinado por Zak Olkewicz e Bragi Schut. A história foi adaptada de um capítulo do livro clássico "Drácula", do escritor irlandês Bram Stoker. O navio mercante “Demeter” foi contratado para transportar 50 caixotes de madeira da Romênia para a Inglaterra. O contratante era desconhecido para a tripulação do navio, o que seria um engano fatal. Os caixotes levaram todos os pertences e objetos de um castelo da Transilvânia, pertencente ao Conde Drácula. Claro que num dos caixotes estava o próprio. Sedento de sangue, ele saía de madrugada pelo navio chupando o sangue de um por um, humanos ou animais. Resultado: o navio chegou à costa da Inglaterra sem nenhum tripulante vivo, com exceção de um, o próprio Drácula, que agora deverá fazer a festa na Inglaterra. Na cena do desfecho, fica claro que haverá uma sequência. Estão no elenco Corey Hawkins, Liam Cunningham, Ailing Franciosa, Woody Norman, Davi Dastmalchian, Nikolai Nikolaeff e Stefan Kapicic. Trocando em miúdos, “Drácula – A Última Viagem de Demeter” é um ótimo filme de terror, que prende a atenção – e assusta – do começo ao fim.            

domingo, 17 de março de 2024

A PROFISSIONAL (THE PROTÉGÉ), 2022, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h49m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Martin Campbell, seguindo roteiro assinado por Richard Wenk. Filme de ação cuja personagem central é uma assassina profissional, Anna (Maggie Q.). Ela ainda era uma criança, no Vietnã, quando testemunhou seus pais serem assassinados na própria casa. A primeira falha do roteiro: não explicar porque eles foram mortos. Naquele mesmo dia, Anna é resgatada por um mercenário norte-americano, papel de Samuel L. Jackson, que treinou a menina durante vários anos para ser uma assassina profissional, especialista em armas e em artes marciais. Ao longo do tempo, Anna matou várias pessoas pelo mundo afora, em sua maioria gente da pior qualidade, incluindo chefões de máfias, principalmente na Europa. Quando Moody é assassinado, Anna vai atrás dos responsáveis e, por coincidência, retorna ao seu país natal, já que o mandante do crime é uma figura importante no mundo empresarial do Vietnã. Eis então que surge Rembrandt (Michael Keaton), outro assassino profissional que trabalha para o poderoso mafioso. Até o desfecho, será ele o seu principal adversário e, ao mesmo tempo, um amante temporário, mais um absurdo de um roteiro repleto de situações inverossímeis, inclusive a reviravolta no desfecho. As cenas de ação até que são bem feitas, certamente com a mão do experiente cineasta neozelandês Richard Wenk, que tem no currículo bons filmes de ação como “Limite Vertical”, “007 Contra Goldeneye”, “007: Cassino Royale” e “A Marca do Zorro”, entre outros. Uma boa surpresa é a atuação da atriz Maggie – nascida Margaret Denise Quigley no Havaí. Com sua beleza exótica e em grande forma física, ela carrega o filme nas costas, tendo como coadjuvantes astros consagrados como Michael Keaton e Samuel L. Jackson. Trocando em miúdos, “A Profissional” é um bom filme de ação, mas sem muitos trunfos a mais para justificar uma recomendação entusiasmada.          


sexta-feira, 15 de março de 2024

 

 

“ARMADILHA EXPLOSIVA” (“DÉFLAGRATIONS”), 2022, França, em cartaz na Prime Vídeo, 1h30m, estreia na direção de um longa do cineasta Vanya Peirani-Vignes, que também assina o roteiro com a colaboração de Pablo Barbetti. Suspense que começa no estacionamento de um edifício em Paris. Parecia um dia comum para Sonia (Nora Arnezeder), que se preparava para levar os dois filhos para a escola. Ledo engano. Especialista em desarmar bombas – ela acaba de voltar de uma missão na Ucrânia -, Sonia percebe que há uma bomba instalada no carro, que deverá explodir em 30 minutos. Ela então telefona para seus colegas especialistas Igor (Radijoue Bukvic) e Camilla (Sara Mortensen), que também estiveram trabalhando na Ucrânia, para desarmarem a tal bomba, que logo descobririam tratar-se de uma mina antitanque. E dá-lhe suspense até o desfecho, sem muita ação, é verdade, mas jamais entediante. Um filme simples, produção bastante econômica, sem muita novidade para agradar um público mais exigente. Essa história de bomba no carro já aconteceu em outros filmes, o melhor deles, sem dúvida, o sul-coreano “Ligação Explosiva”, de 2021, já comentado neste blog. O filme francês não é nenhuma maravilha, mas pelo menos não ofende nossa inteligência. E tem a bela atriz francesa Nora Arnezeder, filha de mãe egípcia e pai austríaco, enfeitando a telinha.       

quinta-feira, 14 de março de 2024

UMA FAMÍLIA EXTRAORDINÁRIA (WILDFLOWER), 2023, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h45m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Matt Smukler, que também assina o roteiro com a colaboração de Jana Savage. Em 2020, Smukler dirigiu o documentário “Wildflower”, no qual apresentou a incrível trajetória de sua sobrinha adolescente, Christina Stahl, que desde cedo aprendeu a cuidar dos pais, ambos com deficiência intelectual. Ao realizar o filme atual, com atores verdadeiros, Smukler ampliou a história, salpicando-a com muito humor, sem cair no politicamente incorreto. Pelo contrário, conseguiu criar um filme bastante agradável, sensível e comovente. A figura central, que representa a sobrinha, é Bea Johnson (Kiernan Shipka, de “O Mundo Sombrio de Sabrina”). O roteiro explora o processo de amadurecimento de Bea, cuidando dos afazeres domésticos e dos pais deficientes desde criança, Dderek (Dash Mihok) e Sharon (Samantha Hyde, a única do elenco realmente deficiente). Além da história em si, o que torna o filme ainda melhor é a qualidade do elenco, principalmente o ótimo desempenho das avós Peg e Loretta, respectivamente representadas pelas veteranas Jean Smart e Jacki Weave. Ainda estão no elenco Alexandra Daddario, Reid Scott, Brad Garrett, Charlie Plummer, Ryan Kiera Armstrong, Chloe Rose Robertson e Kannon Omachi. Embora elogiado pela crítica desde que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, o filme não teve a divulgação que merecia, pois é excelente e merece ser visto. A Prime Vídeo proporciona essa oportunidade. Não perca!       

terça-feira, 12 de março de 2024

DESTINOS À DERIVA (NOWHERE), 2023, Espanha, 1h49m, produção original e distribuição Netflix, direção de Albert Pintó (“O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña”), seguindo roteiro assinado por Indiana Lista, Ernes Riera e Miguel Ruz. Estranhei o título original: não seria mais lógico “Destinos a La Deriva”? De qualquer forma, o filme é um dos 10 mais vistos da Netflix desde que foi lançado, em 29 de setembro de 2023. Merece esse sucesso, pois trata-se de um suspense realmente muito bom, angustiante, nervoso, uma corajosa e sacrificante luta de sobrevivência como poucos filmes já mostraram. Vamos à história. Numa Espanha imaginária – os mais moderninhos diriam numa Espanha “distópica” -, chefiada por um governo autoritário, a escassez de alimentos provoca uma perseguição mortal contra crianças e mulheres grávidas. Dessa forma, Mia (Ana Castillo) e seu marido Nico (Tamar Novas) pagam a contrabandistas para tirá-los do país e os levarem para a Irlanda. Mia está prestes a ter nenê. Eles pretendiam fugir escondidos em contêineres que seriam embarcados clandestinamente em um navio. Na hora da partida, porém, soldados descobrem os refugiados e promovem uma enorme matança. Somente Mia consegue escapar, mas separada do marido. Resumindo, Mia fica escondida sozinha em um contâiner e segue viagem no navio. Em pleno alto-mar, porém, uma tempestade atinge o navio e faz com que os contêineres caiam ao mar, inclusive o de Mia. Aí começa a luta angustiante pela sobrevivência da moça e de sua filha – que Mia dará o nome de Noa, feminino de Noé - que acaba de nascer no contâiner. A situação é de grande suspense do início ao desfecho, o que certamente tem levado os espectadores mais sensíveis a roer as unhas dos dez dedos. Para criar a história, a roteirista Indiana Lista diz ter pesquisado bastante sobre vários casos de fugas de refugiados e rotas de tráfico humano no México, Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua. Trocando em miúdos, “Destinos à Deriva” é um ótimo drama, com grande suspense.         

domingo, 10 de março de 2024

BLACKBERRY (o mesmo título no original), 2023, Canadá, 1h59m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Matthew Johnsson, com roteiro de Jay Baruchel, Glenn Howerton e Michael Ironside. Os quatro, diretor e roteiristas, estão no elenco representando os principais protagonistas, um fato realmente inusitado. O filme conta a história do sucesso e queda da empresa canadense Research In Motion, que se tornou mundialmente conhecida, no final dos anos 90, por ter desenvolvido o BlackBerry, o primeiro aparelho smartphone capaz de combinar internet e computador com telefone. Uma revolução e tanto no mundo da tecnologia digital. De 1997 a 2007, a empresa dominou o mercado mundial. Só nos Estados Unidos, chegou a dominar 45% do mercado de telefonia celular. Em 2007, porém, a Apple, de Steve Jobs, surgiu com o iPhone, acabando com a então líder do mercado, que logo depois descontinuou a produção do BlackBerry. A empresa continua existindo até hoje, atuando no mercado de soluções de ciber-segurança. O filme conta toda a história dessa trajetória mostrando todos os bastidores do que aconteceu, com riqueza de detalhes e boa dose de humor, além do estresse quase que diário que toma conta de quem disputa um mercado tão competitivo. Nesse contexto, a atuação histérica do ator Glenn Howerton como o principal gestor da empresa é digna de premiação. Completam o elenco Cary Elwes, Rich Sommer, Saul Rubinek e Martin Donovan. Resumo da ópera, um filme muito interessante que vai agradar, principalmente, aqueles que acompanham o mercado de TI.    

quarta-feira, 6 de março de 2024

 

HYPNOTIC – AMEAÇA INVISÍVEL (HYPNOTIC), 2023, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Robert Rodriguez, que também assina o roteiro com a colaboração de Max Borenstein. Quando surgiu em Hollywood, dirigindo o ótimo “El Mariachi”, em 1992, o cineasta Robert Rodriguez parecia que se destacaria no meio cinematográfico. Em seguida, fez alguns filmes bons no mesmo estilo - ação com muita violência -, como foi o caso de “Um Drink no Inferno”, mas depois sumiu. Dirigiu ainda o noir “Sin City: A Dame for Kill For”, abandonando o seu estilo original. Depois de muitos anos sem muito destaque, Rodriguez volta agora com uma produção pra lá de polêmica. “Hypnotic” é um filme policial que se alimenta de muita fantasia, realidade virtual e uma história bastante inverossímil. O personagem principal é o detetive Danny Rourke (Ben Affleck), cuja filha pequena é sequestrada em um parque infantil. Pouco tempo depois, ele é encarregado de investigar vários assaltos a bancos. Surge o principal suspeito, o misterioso Dellrayne (William Fichtner). Auxiliado por uma médium, papel da brasileira Alice Braga (sobrinha da Sonia), Rourke acaba descobrindo que Dellrayne possui o poder de entrar na mente das pessoas, fazendo com que elas o obedeçam para praticar os crimes. Se já é difícil acreditar no que você está vendo, pior ainda é a revelação perto do desfecho, capaz de causar confusão mental no espectador. Se o filme já é estranho por si só, fica pior ainda com o desempenho pouco convincente do astro Ben Affleck, que parece atuar no piloto automático. Ainda bem que Alice Braga dá conta do recado. “Hypnotic”, portanto, é aquele tipo de filme que você vai adorar ou odiar. Assista e escolha sua opção.    

O JOGO DA ESPIONAGEM (AGENT GAME), 2022, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Grant S. Johnson, seguindo roteiro assinado por Mike Langer e Tyler W. Konney. Quando lancei meu blog, em 2011, deixei claro que indicaria os melhores filmes, mas também os piores, aconselhando a evitá-los. Neste último caso está “O Jogo da Espionagem”, certamente um dos mais desqualificados lançamentos da Prime. Trata-se de um suspense de espionagem, no qual quase todos os personagens são agentes da CIA, manipulados de Washington por um diretor da agência, um tal de Olsen (Mel Gibson). Depois que um suspeito de terrorismo é executado durante um interrogatório, um grupo de agentes é encarregado de eliminar o outro. O roteiro é um verdadeiro samba do crioulo doido, uma confusão danada, do começo ao fim. Aliás, o desfecho confunde ainda mais a cabeça do espectador, como foi o meu caso. Pior que dá ideia que haverá uma continuação, o que duvido muito, tamanha mediocridade. Além de Gibson, estão no elenco Dermot Mulroney, Katie Cassidy, Adan Canto, Annie Ilonzeh, Gabby Kono, Barkhad Abdi, Jason Isaacs, Katherine McNamara, Sara Areiyano e Luca de Massis, além de outros cúmplices desse absurdo cinematográfico, uma verdadeira ofensa à nossa inteligência.       


domingo, 3 de março de 2024

 

MEA CULPA (o mesmo título original), 2024, Estados Unidos, 120 minutos, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry (“O Limite da Traição”, “O Homem do Jazz”). Trata-se de um suspense com algumas pitadas de erotismo. Mea Harper (Kelly Rowland), uma conceituada advogada criminalística de Chicago, é contratada para defender o artista plástico Zyair Malloy (Trevante Rhodes), acusado de ter assassinado sua namorada. Todos os indícios levam a crer que ele realmente é culpado, mas mesmo assim Mea continua trabalhando em sua defesa. Enfrentando uma crise conjugal com o marido Kal (Sean Sagar), Mea também entra em conflito com a família dele, já que o irmão de Kal é o promotor que acusará o artista. É apenas mais uma crise familiar na vida de Mea, já que sua sogra a detesta e sempre empurra o filho para outra mulher. A história até que é interessante e melhora ainda mais perto do desfecho, quando uma grande reviravolta acontece, revelando uma conspiração realmente inesperada e surpreendente. O filme foi feito para destacar o talento da atriz Kelly Rowland, que nos anos 90 alcançou grande sucesso como cantora do grupo “Destiny’s Child”. O restante do elenco é muito fraco. O pior mesmo é o ator Trevante Rhodes, que atua parecendo estar anestesiado, talvez pela quantidade de maconha consumida por seu personagem. Trocando em miúdos, vale a pena assistir pela reviravolta bem bolada no desfecho. Fora isso, nada demais para sugerir uma indicação entusiasmada.        

sábado, 2 de março de 2024

 

FICÇÃO AMERICANA (AMERICAN FICTION), 2023, Estados Unidos, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Cord Jefferson. Sem muito alarde nem estreia nos cinemas, acaba de chegar (27/02) diretamente ao Prime Vídeo, marcando a estreia no cinema de Cord Jefferson, mais conhecido como diretor de séries televisivas (“The Good Place”, “Watchmen”, “Master of None”. E que estreia!  Basta dizer que o filme foi indicado para disputar o Oscar 2024 (dia 10 de março) em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Trilha Sonora e Melhor Roteiro Adaptado (é baseado no livro “Erasure”, escrito por Percival Everett,  lançado em 2001). “Ficção Americana” é um filme bastante inteligente, sem ser pedante ou metido a erudito. Com muita sátira e humor, discute conceitos de arte, cultura – literatura, principalmente -, racismo e comportamento social. Conta a história do escritor Thelonious “Monk” Ellison (Jeffrey Wright, indicado para  Melhor Ator), cujos livros eruditos vendem muito pouco. Os editores acham que “Monk”, apesar de ser negro, não é “negro o suficiente”. Enquanto isso, livros como “Vivemos no Gueto”, da escritora afrodescendente Sintara Golden (Issa Era) são grandes sucessos de vendas. Desiludido e com problemas financeiros, “Monk” resolve adotar um novo estilo, inserindo em seu novo livro temas de apelo mais popular e de acordo com a condição dos afro-americanos nos Estados Unidos. Para isso, explora o tráfico de drogas, roubos, pobreza e assassinatos, utilizando a linguagem das periferias. Ele assina a autoria sob pseudônimo, vendendo a ideia de que se trata de um fugitivo da justiça e que, portanto, não pode se identificar. Ao mesmo tempo em que se envolve com o lançamento do livro, “Monk” é obrigado a administrar os problemas enfrentados por sua família, como a doença da mãe, a morte repentina da irmã, a “saída do armário” do irmão e o difícil relacionamento com a nova namorada. Completam o ótimo elenco Sterling K. Brown (indicado para Melhor Ator Coadjuvante), Trace Ellis Ross, John Ortiz, Adam Brody, Erika Alexander, Leslie Uggams, Keith David, Miriam Shor e Myra Lucretia Taylor. Resumindo, “Ficção Americana” é cinema de alta qualidade e muito inteligente. Difícil acreditar, portanto, que tenha sido indicado ao Oscar em categorias tão importantes, mas a Academia de Hollywood às vezes é imprevisível. Vamos aguardar.      

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

 

ANTON – LAÇOS DE AMIZADE (ANTON), 2021, coprodução Ucrânia, Lituânia, Geórgia, Estados Unidos e Canadá, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Zaza Urushadze, que também assina o roteiro com a colaboração de Dale Eisler. O cineasta Zaza, que eu já conhecia de “Tangerinas” (“Mandariinid”), indicado pela Estônia ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, faleceu logo após o término das filmagens e, portanto, não viu a estreia do seu último filme. “Anton” é um drama ambientado em 1919, logo após o fim da 1ª Guerra Mundial. O cenário é uma pequena vila de camponeses na Ucrânia, perto do Mar Negro. A população é formada, em sua grande maioria, por migrantes alemães católicos e judeus. Embora de religiões diferentes, os habitantes se davam bem, as famílias eram amigas e solidárias. É o caso da grande amizade entre os garotos Anton (Nikita Shlanchak) e de Jacob (Mykyta Dziad), o primeiro católico e o segundo judeu. Desde crianças eles são amigos inseparáveis e a história do filme transcorre sob a perspectiva dos dois, principalmente de Anton, cuja família sofreu na pele as atrocidades dos soldados do exército vermelho de Leon Trótsky, que assassinaram sem piedade o pai e o irmão de Anton. Os meninos foram testemunhas dos crimes praticados pelo pelotão comandado pela sádica Dora (Tetiana Grachik), também amante de Trótsky, figura histórica que também é um dos personagens do filme, interpretado por Oleg Simonenko. Os laços de amizade referidos no título nacional referem-se a Anton e Jacob bem mais velhos, numa cena bastante comovente que encerra a história. O filme nos apresenta um retrato bastante realista do sofrimento ao qual os ucranianos foram submetidos pelo exército vermelho. Uma boa oportunidade para conhecer um contexto histórico lamentável, triste e trágico, apenas amenizado pela amizade dos garotos.       

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

 

FILHA DO PRISIONEIRO (PRISIONER’S DAUGHTER), 2023, EUA, 1h40m, lançamento da Prime Vídeo, direção de Catherine Hardwicke, que também assina o roteiro juntamente com Mark Bacci. Trata-se de um drama familiar conduzido com maestria pela cineasta Hardwicke, de filmes como “Crepúsculo”, “Aos Treze” e “Miss Bala”, entre outros. A história reúne em seu núcleo central o presidiário Max (Brian Cox), que, devido a um câncer terminal ganha uma libertação compassiva, sua filha Maxine (Kate Beckinsale) e o filho dela, Ezra (Christopher Convery), um adolescente esperto que sofre de epilepsia e de bullying no colégio. Resumindo, Max vai morar com Maxine e o neto, depois de muitos anos afastado da família. A princípio, Maxine não vê a situação com bons olhos, pois já tem problemas demais com a falta de dinheiro, com a saúde do filho e ainda é obrigada a aturar as tentativas do ex-marido Tyler (Tyson Ritter) de se aproximar do filho, ainda mais sendo um músico que vive drogado. A chegada de Max, porém, consegue colocar um pouco de ordem na casa. Fica amigo e conselheiro do neto, além de começar a se entender com a filha. Enfim, um filme que valoriza o perdão, a empatia e a resiliência. Destaco ainda o desempenho da atriz inglesa Kate Beckinsale, que comecei a admirar quando apareceu no filme “Pearl Harbor”, em 2001, e depois na franquia “Anjos da Noite”. Aos 50 anos, Beckinsale continua linda e em grande forma. Também merece elogios o veterano Brian Cox, que acaba de se consagrar como ator na série “Succession”. O jovem ator Christopher Convery merece um destaque especial no papel de um adolescente esperto e inteligente, mas ao mesmo tempo problemático e carente. Trocando em miúdos, “Filha do Prisioneiro” é um entretenimento bastante agradável de assistir.              

 

              

domingo, 25 de fevereiro de 2024

 

UM LOBO COMO EU (WOLF LIKE ME), 2023/2024, coprodução Austrália/Estados Unidos, série da Prime Vídeo que já teve duas temporadas e 13 episódios (a terceira temporada está prestes a chegar), roteiro e direção de Abe Forsythe. Elenco: Isla Fisher, Josh Gad, Ariel Donoghue, Emma Lung, Anthony Taufa e participação especial do ator venezuelano Edgar Ramirez. Trata-se de uma comédia romântica muito agradável de assistir, com humor inteligente, diálogos afiados e cenas de comédia hilariantes. A história é ambientada na cidade australiana de Adelaide, quando Gary (Josh), um viúvo pai de uma menina de 11 anos, conhece a maluquete Mary (Fisher), que guarda um segredo dos mais escabrosos. Aos poucos, e aos trancos e barrancos, eles se apaixonam e tornam-se cúmplices do misterioso segredo de Mary. Emma (Donoghue), a filha pré-adolescente de Gary, é uma garota problemática, convive com crises de pânico e ansiedade, tomando remédios e frequentando psiquiatras. É justamente Mary que consegue conciliar a família, aproximando-se da menina. Nos 13 episódios das 2 primeiras temporadas, o espectador tem a oportunidade de se divertir bastante e acompanhar as aventuras de uma família envolvida numa lenda fantasiosa. E, mérito principal, em nenhum momento deixa o espectador pensar que está assistindo a uma fantasia maluca e nem fica “enchendo linguiça”, como a maioria das séries. As duas primeiras temporadas foram tão bem recebidas que já foi anunciada a terceira. Vale a pena conferir. Eu me diverti muito até agora.           

 

              

sábado, 24 de fevereiro de 2024

VIDA DUPLA (DOUBLE LIFE), 2023, Canadá, 1h29m, lançado recentemente pela Prime Vídeo, direção de Martin Wood, seguindo roteiro assinado por Michael Hurst e Chris Sivertson. Este suspense conta a história de uma viúva cujo marido, Mark Setter (Niall Matter), um importante empresário, morre de forma misteriosa. Sharon Setter (Pascale Hutton), a viúva, afirma à polícia que desconfia de um possível assassinato. O mesmo pensamento passa por Jo Creuzot (Javicia Leslie), a fogosa amante do falecido, que diz ter visto o amante negociar com um conhecido pilantra no bar em que é atendente. Por um capricho do destino, viúva e a amante do morto reunirão forças para descobrir o que de fato aconteceu, o que acaba complicando o trabalho da detetive Traxler (Carmen Moore), encarregada de investigar o caso. Como um dos clichês mais utilizados pelo cinema, vários suspeitos atravessam o caminho das duas mulheres, que acabam se tornando amigas. Até chegar o desfecho, elas correrão muito perigo. Completam o elenco John Cassini e Vincent Gale. O motivo disso tudo é um pen drive que conteria informações ligando um mafioso a um promotor público. O problema é que o roteiro não explica com clareza esse envolvimento do falecido com o tal pen drive. As cenas de ação são poucas, limitando-se às habilidades de luta de Jo, a amante de Mark, uma morena que impõe respeito não apenas por ser boa de briga (a morenaça Javicia Leslie arrasa). Quem não exigir muito de qualidade cinematográfica pode curtir este suspense canadense sem culpa, pois não chega a ofender nossa inteligência. Resumo da ópera, o resultado final chega perto de decepcionar.             

 

              

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

 

BELFAST, 2021, coprodução Inglaterra/Irlanda do Norte, 1h38m, disponível no Prime Vídeo, roteiro e direção de Kenneth Branagh. Não me conformo, como cinéfilo amador, ter deixado de assistir a esta pequena joia do cinema inglês quando de seu lançamento e superpremiado em vários festivais mundo afora. Baseado nas suas recordações de infância, Kenneth Branagh criou um filme nostálgico, dramático e, ao mesmo tempo, encantador, sensível e bem humorado. Toda a história é contada sob a perspectiva de Buddy (Jude Hill), um garoto esperto de 8 anos que vive com a família, pais e um irmão, em um bairro de trabalhadores de Belfast, capital da Irlanda do Norte. Estamos em 1969, ano tumultuado para os irlandeses do norte, principalmente devido aos conflitos constantes entre católicos e protestantes. Buddy acompanha tudo com aquele interesse infantil aguçado, vivendo seu cotidiano com a mãe (Caitriona Balfe) e o irmão adolescente (o pai trabalha na Inglaterra e só retorna a Belfast duas ou três vezes por mês). O garoto mantém uma ligação forte com o avô (Ciarán Hinds) e com a avó (Judi Dench), relacionamento feito de diálogos delicados e sensíveis. Destaque para o desempenho dos atores principais, o talentoso estreante Jude Hill, a maravilhosa Caitriona Balfe, Jamie Dornan e os veteranos Judi Dench e Ciarán Hinds, todos ótimos em seus papéis. Filmado em preto e branco, com uma fotografia exuberante do cipriota Haris Zambaploukos, “Belfast” pode ser considerado uma crônica familiar e, certamente, o filme mais pessoal do ator e diretor Kenneth Branagh. Indicado a sete categorias no Oscar 2022, conquistou a estatueta com o prêmio de Melhor Roteiro Original. Também conquistou o prêmio BAFTA de Melhor Filme Britânico e ainda o prêmio People’s Choice Award (“Escolha do Público”) no Festival de Cinema de Toronto. Enfim, um filme que merece ser visto por qualquer público. Imperdível!         

 

              

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 

O ABISMO (AVGRUNDEN), 2024, coprodução Suécia/Finlândia, 1h43m, em cartaz na Netflix, direção de Ricard Holm, que também assina o roteiro com Robin Sherlock Holm e Nicola Sinclair. Uma falha geológica na área de uma mina exploradora de minério de ferro na cidade de Kiruna – norte da Suécia – provoca desabamentos e abre fendas no solo, causando um grande pânico na população. Na verdade, parte da cidade está afundando (com as devidas proporções, lembra o que está acontecendo em Maceió), como já havia ocorrido na própria Suécia em 1961, na cidade de Dalarna. A experiente Frigga (Tuva Novotny), chefe de segurança da mina, assume a responsabilidade de administrar a situação e sua primeira providência é evacuar a cidade. A segunda, ingressar na mina com uma equipe e avaliar os danos e suas possíveis consequências. O momento não poderia ser pior para a vida particular de Frigga, cujo filho adolescente está desaparecido, a filha namora uma colega de escola e ela mesma vive assediada pelo ex-marido, que não aceita a separação e não quer que a ex leve para casa um novo namorado. Crises familiares à parte, “O Abismo” garante momentos de alta tensão, muito suspense e cenas bastante realistas, garantidas por efeitos especiais bem elaborados. Trocando em miúdos, um bom entretenimento.        

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

 

A AVÓ (LA ABUELA), 2021, Espanha, 1h40m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Paco Plaza, que também assina o roteiro com a colaboração de Carlos Vermut. O cineasta espanhol é especialista em filmes de terror e suspense, tendo em seu currículo sucessos como “A Freira”, “Irmã Morte” e “A Possessão de Veronica”, entre outros. Neste “A Avó”, na minha opinião o melhor, o terror é mais psicológico, embora garanta bons sustos. Garanto: seus pelos da nuca vão se arrepiar. A história tem poucos protagonistas e é praticamente toda ambientada em um apartamento. Despontando para o sucesso na carreira de modelo em Paris, a jovem Susana (Almudena Amor) é obrigada a suspender seus trabalhos em Paris e voltar para Madrid, onde sua avó Pilar (Vera Valdez – veja no final do comentário informações sobre a atriz, nascida no Brasil). Depois que seus pais morreram, Susana foi criada por Pilar e, portanto, resolve cuidar dela. No dia a dia, porém, Susana começa a perceber que sua avó, mesmo doente, parece ter ligação com o sobrenatural, fato ligado ao seu passado, quando teve relacionamento amoroso com outra mulher. Os acontecimentos fantasmagóricos levam Susana a achar que está ficando louca. E dá-lhe sustos. Também estão no elenco Karina Kolokolchykova, Alba Bonnin, Chacha Huang, Maru Valdivielso, Laura Del Sol, Vicky Peña e Marina Campos. Conforme prometi, escrevo sobre Vera Valdez, na verdade nascida no Rio de Janeiro em 1936 como Vera Barreto Leite. Nos anos 50, ela foi para a Europa e lá se consagrou como modelo da Christian Dior, Chanel e Schiaparelli. Na época, chegou a namorar com os cineastas Louis Malle e Roger Vadim. Ao voltar para o Brasil, na década de 60, trabalhou no cinema (“As Cariocas”, “O Homem Nu” e “A Volta do Bandido da Luz Vermelha”. Também fez teatro (“Navalha na Carne”, “Rei da Vela” e outros). Ela casou com Pedro Moraes, filho de Vinícius, com o qual teve a filha Mariana de Moraes. Voltando a falar de “A Avó”, trata-se de um filme que prende a atenção do começo ao fim, garantindo um entretenimento dos melhores – pelo menos para quem gosta de tomar sustos.     

 

              

sábado, 17 de fevereiro de 2024

 

JERRY E MARGE TIRAM A SORTE GRANDE (JERRY E MARGE GO LARGE), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Dave Frankel (“O Diabo Veste Prada”, “Marley & Eu”), seguindo roteiro assinado por Brad Copeland. Baseado em fatos reais, ou seja, o filme relembra a incrível história do aposentado Jerry Selbee (Bryan Craston) e sua esposa Marge Selbee (Annette Bening), moradores de uma pequena e pacata cidade do Michegan, que entre 2003 e 2012, ganharam cerca de US$ 26 milhões apostando na Loteria Windfall, de Massachusetts. Para ganhar, Jerry descobriu uma brecha matemática na loteria, de forma a garantir os prêmios de acordo com a quantidade de bilhetes comprados. Jerry e a esposa chegaram a criar uma empresa (GS Investment Strategies LLC) para administrar os prêmios e distribuir pelos sócios, todos moradores da pequena cidade. No meio do caminho haveria, porém, um estudante universitário gênio da matemática que descobriu o método e passou a concorrer com Jerry. Confusão formada. Completam o elenco Uly Schlesinger, Rainn Wilson, K.D. O’Hair, Tori Kelly, Anna Camp, Larry Wilmore, Jake McDorman e Michael McKean. Levado num tom de comédia, o filme tem produção simples, roteiro enxuto e poucos trunfos a apresentar, a não ser a dupla de protagonistas principais, Annette Bening e Bryan Craston. Daí surgiu uma dúvida: por que dois atores tão talentosos, famosos e premiados, toparam participar de um filme de tão pouca repercussão. Annette Bening, por exemplo, é uma das favoritas ao Oscar 2024 de Melhor Atriz por “Nyad”, este sim uma produção à altura do seu talento (por esse papel, recebeu o Globo de Ouro). Annette também teve outras três indicações ao Oscar, por “Os Imorais” (1990), “Beleza Americana" (1999) e “Adorável Júlia (2004), pelo qual ganhou o Globo de Ouro. No caso de Bryan Craston, se destacou na série de grande sucesso “Breaking Bad”, conquistando vários Emmys e um “Globo de Ouro”. Em 2016, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por “Trumbo”. Voltando a “Jerry e Marge Tiram a Sorte Grande”, não espere muito, mas não chega a decepcionar. Trata-se apenas de um filme leve, agradável de assistir, mas fica longe de uma recomendação entusiasmada.      

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A CONFERÊNCIA (DIE WANNSEEKONFERENZ), 2022, Alemanha, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Matti Geschonneck, seguindo roteiro assinado por Magnus Vattrodt e Paul Mommertz. O filme apresenta um fato da maior importância da história mundial ligado à Segunda Grande Guerra. No dia 20 de janeiro de 1942, representantes do alto escalão do regime nazista se reuniram em uma mansão à beira do lago Wannsee, próximo a Berlim, para planejar o assassinato em massa de milhões em toda a Europa. Convidados por Reinhard Heydrich, chefe da polícia de segurança de Hitler, estavam lá 15 líderes da SS, do NSDAP (Partido Nacional Socialista) e ministros do governo alemão. O tema colocado em discussão foi a “Solução Final da Questão Judaica”, ou seja, qual o destino que deveriam dar aos judeus presos em toda a Europa. O objetivo comtemplaria pelo menos 11 milhões de judeus. O filme é verborrágico demais, mas não poderia ser diferente, já que a conferência foi feita com discussões, sugestões, apresentação de relatórios etc. O roteiro é bastante fiel aos fatos, já que foi baseado na ata da reunião escrita por Adolf Eichmann, aquele mesmo que seria capturado anos depois pelo Mossad (serviço secreto de Israel) na Argentina e executado em 1962. É preciso ter estômago forte para ouvir tanta maldade, tanto ódio destilado contra os judeus. Mesmo dentro desse contexto pesado demais, o filme foi sucesso em vários festivais internacionais de cinema, entre os quais o do Rio de Janeiro, o Riga International Film Festival e o Norwegian International Film Festival. Para quem curte fatos históricos mundiais, como eu, trata-se de um filme obrigatório, repleto de informações importantes, uma verdadeira aula de História.