sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

 

“ARMADILHA DO CAÇADOR” (“THE BIRD CATCHER”), 2021, coprodução Noruega/Inglaterra/Irlanda do Norte, 1h40m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Ross Clarke (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro, de 2014, foi “Desiree”), seguindo roteiro assinado por Trond Morten Kristensen, que se baseou em fatos reais. Estamos em 1942, com a Noruega dominada pelos nazistas. Numa pequena cidade do interior, a jovem Esther (Sara-Sofie Boussnina), consegue fugir dos alemães depois que seu pai e sua mãe são mortos, como aconteceu com muitos judeus noruegueses. Em meio a um cenário de gelo e muito frio, com fome e perdida, Esther consegue chegar a uma fazenda, onde é acolhida e escondida no celeiro pelo jovem Aksel (Arthur Hakalahti), filho do casal de fazendeiros, Johann (Jacob Cedergren, de “Culpa”) e Anna (Laura Birn). Esther mal podia adivinhar que Johann é simpatizante dos alemães e odeia judeus, ingleses e russos. Quando o cerco aperta, Esther resolve cortas os cabelos bem curtos e se transforma em um rapaz que se diz à disposição para trabalhar na fazenda. Aos poucos, Ola (o novo nome que inventou) ganha a confiança dos patrões, a ponto deles a considerarem mais filho do que Aksel, que, por sua deficiência física, sempre foi rejeitado pelo pai. Enquanto isso, sem querer, Ola/Esther descobre que sua patroa Anna está de caso com um oficial alemão, Herman (August Diehl). Realmente, as coisas não vão bem para o lado de Johann. Além da traição da mulher, ele terá que enfrentar o embargo de sua fazenda pelos alemães. O telespectador logo percebe que a história caminha para um final trágico. Dito e feito! “Armadilha do Caçador” é um drama bastante pesado, como a maioria dos episódios de uma guerra, mas é um belo filme que merece ser assistido por quem curte cinema de qualidade. Só achei um grande defeito, o fato de ser falado em inglês. Mas nem isso tira os méritos desse excelente drama norueguês.          

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

 

“OBSERVADORES” (“THE VOYEURS”), 2021. Estados Unidos, 1h56m, produção original Amazon Studios, distribuição pela Amazon Prime Video, roteiro e direção de Michael Mohan. Trata-se de um suspense muito interessante, com altas doses de erotismo e um roteiro com muitas reviravoltas. A jovem oftalmologista Pippa (Sydney Sweeney) e seu namorado Thomas (Justice Smith) alugam um apartamento no centro de Montreal (Canadá). No edifício em frente, do outro lado da rua, em um amplo apartamento com grandes janelas sem cortinas, eles começam a acompanhar a rotina de um casal, ele um fotógrafo profissional que mantém um estúdio dentro do próprio apartamento. Pippa e Thomas, com um binóculo, acompanham o casal fazendo sexo várias vezes. Enquanto Thomas não liga muito para o cenário, Pippa começa a ficar obcecada pelo casal, que depois descobriria ser ele Seb (Ben Hardy) e ela Julia (Natasha Liu Bordizzo). Pippa flagra Seb fotografando belas modelos e depois transando com elas. Com pena da mulher traída, e contra os conselhos de Thomas, Pippa resolve interferir, acabando por se envolver com o casal, se metendo numa grande enrascada. A partir daí, o roteiro torna-se mais dinâmico com muitas surpreendentes reviravoltas, valorizando o suspense e o clima de tensão, fazendo a gente lembrar o clássico “Janela Indiscreta” (1954), de Alfred Hitchcock. Não estou querendo comparar a qualidade de um ou de outro, mas pelo tema semelhante. Ao contrário do filme de Hitchcock, aclamado até hoje, a grande maioria dos críticos especializados não gostou de “The Voyeurs”, mas eu, modesto cinéfilo, achei bastante interessante, ousado e criativo.       

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 

“DUAS BALAS” (“TUER UM HOMME”), 2017, França, produção Eurochannel, 1h25m, roteiro e direção de Isabelle Czajka. Meio escondido no catálogo da Amazon Prime Video, encontrei este excelente drama familiar, um thriller psicológico da melhor qualidade. O ponto de partida é o assalto à joalheria de Matteo Belmonte (Frédéric Pierrot). Mesmo ameaçada com uma arma apontada para sua cabeça, Christine (Valérie Karsenti), a esposa de Matteo, se recusa a entregar as joias e o bandido diz que vai matá-la. Da oficina da joalheria, Matteo ouve as ameaças do ladrão, pega seu revólver e corre para a joalheria. Quando vê que sua mulher corre perigo, Matteo atinge o bandido com dois tiros (as duas balas do título). O bandido morre e, pasmem, Matteo é acusado de assassinato e pode pegar cadeia. Tudo porque o revólver do ladrão era de brinquedo. Segundo a justiça francesa, o fato de o bandido estar com uma arma de brinquedo não justifica a atitude de Matteo, principalmente pelo fato de ele dar o segundo tiro. Para nós, espectadores, e para os comerciantes da rua, vizinhos e amigos de Matteo, ele simplesmente agiu no instinto de autodefesa. Melhor ainda, em defesa da esposa. Sem falar que a joalheria já tinha sido assaltada três vezes. Com a morte do bandido, um rapaz negro de 22 anos, o caso ganha grande repercussão e acaba afetando o relacionamento de Matteo com a esposa e a filha Romy (Eva Lallier). Se o casamento já não ia muito bem, piorou muito depois do assalto, principalmente depois que Christine começa a ter surtos histéricos. E por aí vai o drama do coitado do Matteo até o seu julgamento no desfecho do filme. E que atores maravilhosos são Frédéric Pierrot e Valérie Karsenti. “Duas Balas” é um drama muito interessante que aborda questões polêmicas da atualidade, como racismo, culpa, controle de armas e leis que favorecem os bandidos (não lembra outro país?). Não perca!

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

 

“PESADELO NAS ALTURAS” (“HORIZON LINE”), 2020, coprodução EUA/Suécia, 1h31m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção do cineasta sueco Mikael Marcimain (“Rua Cloverfield,10”), seguindo roteiro de Josh Campbell e Matthew Stuecken. Um drama com toques de suspense e aventura, com 90% de duração ambientados dentro de um pequeno avião e com muita turbulência, o que talvez exija que os espectadores mais sensíveis tomem um Dramin antes de ligar o play. Bem, vamos à história. Acostumada a passar períodos de férias nas Ilhas Maurício (apesar do nome, é apenas uma ilha e, mais, um país), Sara (Allison Williams, de “Corra”) tem um caso rápido com o mergulhador profissional Jackson (Alexander Dreymon) e, sem se despedir do namorado, volta para Londres. Um ano depois, ela retorna às Ilhas Maurício para prestigiar o casamento de uma amiga, que será realizado numa tal de ilha Rodrigues, a cerca de 100 quilômetros (só em filme!). Uma balsa está programada para levar os convidados e Sara não consegue embarcar. A solução foi recorrer ao aluguel de um pequeno e velho avião que, olhando, não inspira muita confiança (lembra aqueles velhos Teco-Tecos de antanho). O piloto é um antigo amigo de Sara, Freddy Wyman (Keith David). Quando Sara está prestes a embarcar, eis que surge justamente Jackson, que pelo jeito também perdeu a balsa, e também embarca. No começo da viagem, porém, lá nas alturas, acontece o pior: Freddy sofre um enfarto e morre. Ou seja, “Apertem os Cintos que o Piloto Enfartou”. Daí para a frente Sara e Jackson passarão por terríveis situações de perigo que, não fosse o cinema, acabaria com todo mundo morto. Mas os roteiristas apelaram para o absurdo, incluindo abastecer o tanque do avião com rum. E, pior, o bocal do tanque fica numa das asas. Dá para imaginar o que vai acontecer? Tanta baboseira, sem falar no fraco desempenho dos atores, levou os críticos especializados a decretar que este é um dos piores lançamentos da Amazon Prime, no que concordo em gênero, número e grau. Isso não quer dizer que você não possa assistir, mas quem avisa amigo é.    

sábado, 27 de novembro de 2021

 

“SOLDADO ANÔNIMO - A LEI DO RETORNO” (“JARHEAD – LAW OF RETURN”), 2019, coprodução EUA/Israel, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h41m, roteiro e direção de Don Michael Paul. É um filme de ação ambientado no Oriente Médio, mais uma vez reunindo como oponentes israelenses e árabes. A história começa com o major Ronan Jackson (Devon Sawa), piloto de caça norte-americano servindo a força aérea israelense (a tal Lei do Retorno, que explico no fim do comentário) sendo abatido durante uma missão na Síria. Ele consegue se ejetar, mas é capturado em solo por membros de uma organização terrorista síria. Ronan é filho de um senador norte-americano (Robert Patrick) e, por isso, mesmo, seu sequestro mobiliza não só o exército de Israel, como também uma força especial dos Estados Unidos. Juntos, sob a coordenação do Mossad (serviço secreto israelense), os soldados ingressarão no território sírio para resgatar Ronan. O filme inteiro envolve essa tentativa de localizar o paradeiro do piloto, missão que resultará em muitos tiroteios, mortes e explosões. As cenas de ação são bem feitas e a tensão predomina do começo ao fim. A tal Lei do Retorno do título refere-se à lei que confere a todos os judeus, originários de qualquer nação, direito a residência e cidadania em Israel. Ainda estão no elenco Shanti Ashanti, Amaury Nolasco, Yael Eitan, Tsahi Halev e Ben Cross. Um detalhe triste é o registro da morte do ator inglês Ben Cross alguns meses após o final das filmagens. Cross ficou conhecido por interpretar o campeão olímpico Harold Abrahams no filme “Carruagens de Fogo”, de 1981, e também como o pai de Spock em “Star trek, de 2009. Para concluir, recomendo “Soldado Anônimo: A Lei do Retorno” como um filme de ação que merece ser visto.          

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

 

“AS LEIS DA FRONTEIRA” (“LAS LEYES DE LA FRONTERA”), 2021, Espanha, 2h10m, direção de Daniel Monzón (“Cela 211”, “Yucatán”), seguindo roteiro de Jorge Guerricaechevarría. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo escrito por Javier Cercas em 2012, lançado no Brasil pela Editora Biblioteca Azul em 2013. Definir o filme como um gênero único é difícil, pois a história mistura drama, filme de ação, romance, sexo, drogas, suspense e policial, tudo junto e misturado, mas elaborado de forma competente no roteiro. O cenário é a cidade de Girona, na região da Catalunha, e o ano é 1978. A história é centrada no jovem Nacho (Marcos Ruiz), um estudante tímido que é azucrinado (o termo bullying ainda não era utilizado) pelos colegas pelo fato de usar óculos. Seu apelido era “Oclitos”. Até que um dia, em um salão de jogos, ele conhece Zarco (Chechu Salgado) e sua namorada Tere (Begoña Vargas). Zarco chefia uma gangue de delinquentes que costuma praticar assaltos em pequenos comércios da cidade. Nacho participa de um deles e acaba gostando da aventura, além do fato de estar apaixonado por Tere. Zarco, porém, começa a planejar assaltos mais ousados, principalmente a farmácias e bancos. Diante de tal quadro, a polícia aperta o cerco, o que garante boas cenas de perseguição e tiroteios. Vamos ficar por aqui para não estragar as surpresas do final. O filme estreou  durante a programação oficial do 69º Festival Internacional de Cinema de San Sebastíán, em setembro de 2021 e acaba de chegar à Netflix, podendo ser considerado, sem dúvida, como um dos melhores lançamentos da plataforma este ano.     

terça-feira, 23 de novembro de 2021

 

“SANGUE DE PELICANO” (“PELIKANBLUT”), 2019, Alemanha, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 120 minutos, roteiro e direção de Katrin Gebbe – é o seu segundo longa-metragem (o primeiro foi “Nada de Mau Pode Acontecer”, de 2013). Trata-se de um ótimo suspense valorizado pela presença de uma das melhores atrizes alemãs do momento, Nina Hoss. A história é centrada na treinadora de cavalos da polícia Wiebke Landal (Hoss), mãe adotiva de Nicolina (Adelia Ocleppo), de 10 anos de idade. Ela mora em um pequeno haras na zona rural, onde mantém um estábulo e um galpão para o treinamento dos animais. Ela resolve adotar outra criança e consegue, pela internet, uma menina de 5 anos chamada Raya (Katerina Lipvska). Mal sabe ela em que fria está se metendo. Sua vida se transforma num verdadeiro inferno. A menina logo se revela violenta e incapaz de estabelecer conexões emocionais ou sentir empatia. E, pior ainda, ela pode estar possuída por um ser demoníaco. As atitudes intempestivas de Raya amedrontam não só Wiebke como sua outra filha, Nicolina. Sem falar na escola infantil, que, por pressão das mães, expulsa a menina. Wiebke tenta de tudo para conseguir “domar” a criança, desde um psiquiatra infantil e até mesmo uma curandeira. O sacrifício que Wiebke faz para curar a menina é o que justifica o título. Existe uma lenda que diz que os pelicanos machucam o próprio peito para alimentar os filhotes com o seu sangue. “Sangue de Pelicano” estreou, com ótimas críticas, durante a programação oficial do Festival de Cinema de Veneza/2020. Realmente, o filme é muito bom. Vale a pena!          

 

“O MISTÉRIO DE HAILEY DEAN – PRESCRIÇÃO PARA MATAR” (“HAILEY DEAN MYSTERIES – A PRESCRIPTION FOR MORDER”), 2019, Canadá/Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h23m, direção de Allan Harmon e roteiro de Michelle Ricci. Este é um dos filmes da série “Hailey Dean Mysteries”, exibida pelo canal de TV Hamark Movies & Mysteries. No total, foram produzidos 9 episódios, de 2016 a 2019, cada um com uma história, sempre com personagem da psicóloga Hailey Dean (Kellie Martin), uma ex-promotora de justiça que ajuda a polícia de Atlanta (Geórgia) a resolver crimes misteriosos. Em “Prescrição para Matar”, penúltimo episódio da série, o mistério gira em torno de três assassinatos ocorridos no Hospital Atlanta Memorial. As vítimas eram pacientes cuja morte, segundo a autópsia, foi ocasionada por overdose de um medicamento. Os detetives Charlene (Lucia Walters) e Fincher (Viv Leacock), com o auxílio de Hailey Dean, iniciam as investigações. O espectador é levado a conhecer vários suspeitos, entre eles dois enfermeiros, uma farmacêutica, um médico e o próprio diretor do hospital, já que uma das vítimas é uma médica que tinha sido cotada para o cargo. Enfim, até o desfecho, a gente fica na expectativa da revelação do assassino, tendo que aguentar uma enrolação danada, incluindo a relação amorosa da psicóloga com um médico-legista e seu sogro, além de uma série de interrogatórios com os suspeitos. Também estão no elenco Cameron Bancroft, Matthew MacCaull, Emily Holmes, Lauren Holly, Kellie Martin, Bradley Striker e Barbara Patrick. Não assisti aos demais filmes da série, mas se pegarmos este como exemplo, não dá para fazer uma recomendação entusiasmada, mas pelo menos não ofende nossa inteligência.               

domingo, 21 de novembro de 2021

“ALERTA VERMELHO” (“RED NOTICE”), 2021, Estados Unidos, produção original Netflix, 1h55m, roteiro e direção de Rawson Marshall Thurber. Este é o filme mais caro já produzido pela Netflix (200 milhões de dólares). Trata-se de um filme com muita ação, humor, cenários exuberantes e uma história no mínimo mirabolante e radicalmente fantasiosa. Mas que diverte muito. O elenco é comandado por três dos melhores atores da atualidade no gênero, o brucutu simpático Dwayne Johnson, Gal Gadot e Ryan Reynolds. A Interpol e o FBI estão atrás de Nolan Booth (Reynolds), um famoso ladrão de joias e obras de arte. O agente John Hartley (Dwayne), do FBI, e a inspetora Urvashi Das (Ritu Arya), estão em Roma (Itália) para iniciar a caçada a Booth, que estaria por lá para roubar um dos três ovos de ouro que teriam sido presentados à rainha egípcia Cleópatra pelo imperador romano Marco Antônio (a História não registra o fato, ou seja, é tudo ficção). O tal ovo também é cobiçado por outra ladra famosa, Sarah Black (Gadot), conhecida no mundo do crime como o “Bispo” – no masculino, para disfarçar a identidade. Os três, uns contra os outros e às vezes juntos, enfrentarão muitas aventuras e perigos, numa sucessão de viagens que farão por cenários espetaculares na Itália, República Tcheca, Espanha, França, Rússia e até na Argentina. Sempre atrás dos ovos de ouro. Aliás, a maior gafe do filme acontece justamente quando a América do Sul surge na história. No mapa em que os ladrões descobrem as coordenadas de onde estaria estaria o tal ovo de ouro, o local é exatamente na fronteira de São Paulo com o Paraná, ou seja, no Brasil. O filme define o local como a Argentina. Um erro geográfico lamentável, mas, convenhamos, quem liga? “Alerta Vermelho” não economiza na ação nem nas inúmeras sacadas de humor, nas situações e também nos diálogos repletos de piadas. Ou seja, é um filme que diverte o tempo inteiro. Do trio principal de atores, a atriz israelense Gal Gadot, a atual “Mulher-Maravilha”, merece um destaque muito especial. Ela rouba todas as cenas em que aparece, e são muitas, e parece estar se divertindo muito. Aqui, ela é mais do que a “Mulher-Maravillha”, mas sim uma maravilha de mulher, sensual, linda e perigosa. Só ela vale o ingresso. Para se ter ideia do humor que permeia o tempo inteiro, numa cena dentro de uma caverna aparece o personagem de Ryan Reynolds assobiando o tema da trilha sonora de “Indiana Jones”. Hilariante. A cena final dá a entender que vem uma continuação por aí. Tomara que sim, mas que mantenham o trio central de atores. “Alerta Vermelho” não tem a pretensão de ser um ativador de neurônios, mas garante um divertimento de primeira. E viva Gal Gadot!         

sábado, 20 de novembro de 2021

 

“SUSPEITA” (“KLEC”), 2019, República Tcheca, 1h26m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Jirí Strach, com roteiro de Marek Epstein. Trata-se de um drama psicológico com altas doses de suspense. A sra. Kveta Galová (Jirina Bohdalova) é uma idosa solitária cuja única atividade se resume em realizar trabalho voluntário na igreja da comunidade. Durante 15 anos ela ajudou o padre Jan (Viktor Preiss) nos afazeres da igreja, fazendo faxina, lavando roupas, arrumando as flores e levando, duas vezes por semana, o almoço do pároco. Uma verdadeira e fiel sacristã. Um dia, porém, quando Jan é transferido para outra paróquia, o novo padre dispensa Galová. Quando parecia que a idosa teria um futuro ainda mais solitário, eis que surge em sua vida Daniel Baxa (Kristof Hádek), um jovem e simpático rapaz que se identifica como um membro distante de sua família. Animada com a nova amizade, Galová abre as portas de sua casa para o rapaz, sem saber que ele tem outras intenções. Com um roteiro enxuto, impecável, Jiríu Strach conduz o filme com enorme competência, ressaltando o suspense até o fim. Embora mais de 90% do filme envolva apenas dois personagens, a idosa e o jovem, presos em um apartamento, não há espaço para o tédio, restando um jogo psicológico entre vítima e agressor que permanecerá até o desfecho. “Suspeita” é aquele tipo de filme que leva você a querer saber o que acontecerá no final, ou seja, um suspense de qualidade. Vale a pena conferir.               

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

“TENHO MEDO TOUREIRO” (“TENGO MIEDO TORERO”), 2020, coprodução Chile/Argentina, 1h33m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Rodrigo Sepúlveda, que também assina o roteiro com a colaboração de Juan Elias Tovar. Trata-se de uma adaptação para o cinema do livro homônimo escrito em 2001 por Pedro Lemebel (1952-2015). Lemebel foi um polêmico militante do partido comunista chileno, além de artista assumidamente gay. A história do filme é centrada no velho e solitário travesti conhecido como “La Loca Del Frente” (Alfredo Castro), que mora numa casa localizada na periferia pobre de Santiago. Estamos em 1986, com o Chile vivendo em plena ditadura do General Augusto Pinochet. A fonte de renda do travesti vem de programas amorosos à noite e de bordar toalhas de mesa. Algumas de suas clientes são esposas de militares. “La Loca” faz amizade com o jovem Carlos (Leonardo Ortizgris), que no começo esconde o fato de ser militante e guerrilheiro da Frente Patriótica Manoel Rodríguez, organização que luta contra o governo Pinochet. Ao ganhar a confiança do travesti, Carlos pede a ele que guarde algumas caixas de livros em sua casa – no fundo delas estão escondidas armas que serão utilizadas pelos membros da organização. Além disso, a casa de “La Loca” serve como local de reuniões clandestinas de Carlos e seus companheiros. Mesmo sabendo que corre perigo ao ceder sua casa para os guerrilheiros, o travesti assume o risco em nome do amor. Sim, ele está apaixonado por Carlos. No decorrer da história, esse amor é correspondido, mas não espere por um happy end. A estreia do filme ocorreu durante o Festival de Cinema de Veneza/2020 e arrancou muitos elogios da crítica e do público, assim como aconteceu em inúmeros festivais pelo mundo afora. Realmente, o filme é muito bom, destacando-se, em primeiro lugar, a impressionante atuação do veterano ator chileno Alfredo Castro (“Post Mortem”, “Neruda” e “El Club”). Outro destaque fica por conta da deliciosa trilha sonora, com ótimos boleros (“Tengo Miedo Torero” é um deles) e a presença da nossa Elis Regina cantando “Na Batucada da Vida” em espanhol. O elenco também é destaque. Além de Castro e Ortizgris, participam Julieta Zylberberg, Amparo Noguera, Sergio Hernandez, Luis Gnecco e Paulina Urrutia. Trocando em miúdos, “Tengo Miedo Torero” é imperdível, mais um gol de placa do  cinema chileno.              

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

 

“VINGANÇA A SANGUE-FRIO” (“COLD PURSUIT”), 2019, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h59m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Hans Petter Moland, com roteiro de Frank Baldwin. É o remake do norueguês “Cidadão do Ano”, de 2014, cuja história foi escrita pelo romancista e roteirista dinamarquês Kim Fupz Aakeson – o diretor é o mesmo Hans Petter Moland. Na adaptação hollywoodiana, o filme é ambientado na pequena cidade de Kehoe (Estado do Colorado), situada nas Montanhas Rochosas. O personagem principal é Nels Coxman (Liam Neeson), motorista de um caminhão limpa-neves (snowplow). Logo no começo do filme, Nels é homenageado com o título de “Cidadão do Ano” da cidade em reconhecimento ao seu importante trabalho. Mas sua alegria dura pouco, pois em seguida fica sabendo que seu filho Kyle (Micheál Neeson, filho de Liam na vida real), foi encontrado morto por causa de uma overdose de cocaína. Logo depois, ele é abandonado pela mulher, Grace (Laura Dern). Como Nels sabia que o filho não era viciado, passou a investigar por conta própria e conseguiu descobrir que Kyle, na verdade, foi assassinado pela gangue do poderoso traficante Trevor Calcote, o “Viking” (Tom Bateman, ótimo). Nels vai atrás de cada um dos responsáveis e elimina todos, um por um, só faltando o mandante, o “Viking”. No meio de toda essa matança, a história acaba envolvendo uma tribo de índios traficantes de cocaína, chefiados pelo chefe “Búfalo Branco” (Tom Jackson), além de um assassino profissional arrogante, Leighton “O Esquimó” (Arnold Pinnock). Muita gente vai morrer na história, jorra sangue o tempo inteiro, mas o bom humor permeia todo o filme. Humor negro, mas muito engraçado, de gargalhar. São ótimas sacadas do roteiro, como “homenagear” cada morto com um obituário especial na cena seguinte à sua morte. Os diálogos e as situações são hilariantes. Para você ter uma ideia, dois capangas do temível traficante “Viking” são homossexuais e amantes. O espaço é pequeno para enumerar tantas cenas engraçadas. A grande sacada é justamente essa, começar o filme com jeito de sério e de repente descambar para a comédia, mas tentando ainda manter uma aparente seriedade. “Vingança a Sangue-Frio” também marca a estreia do diretor norueguês Hans Petter Moland em território hollywoodiano. E que estreia. Não perca!          

terça-feira, 16 de novembro de 2021


“O PLANO PERFEITO 2” (“INSIDE MAN: MOST WANTED”), 2019, Estados Unidos, produção Universal Studios, distribuição Amazon Prime Video, 1h45m, direção de Michael J. Bassett, seguindo roteiro de Brian Brightly. Mais do que uma sequência do primeiro “O Plano Perfeito", de 2006, este nº2 é praticamente uma refilmagem, só que uma diferença importante: o primeiro foi dirigido por Spike Lee e tinha no elenco Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Christopher Plummer e Willem Dafoe. Só tinha fera e acabou sendo um enorme sucesso de bilheteria. Este nº2 tem como principais protagonistas Roxanne McKee, Rhea Seehorn e Aml Ameen. Convenhamos, é impossível qualquer comparação. Não que a sequência seja ruim. Enquanto no primeiro o objetivo dos assaltantes eram os diamantes nazistas, neste segundo o alvo é o ouro confiscado dos alemães em 1945, no final da Segunda Grande Guerra e que desde então estava guardado no Banco Central dos EUA (Federal Reserv), em Nova Iorque. A quadrilha age em nome de uma organização neonazista alemã. Os assaltantes ocupam o banco, fazendo dezenas de reféns. É aí que entram em ação dois negociadores, um da polícia de Nova Iorque, o policial Remy Darbonne (Aml Ameen), e a dra. Brynn Stewart (Rhea Seehorn), do FBI. Da parte dos bandidos, quem assume a negociação é Ariella Barashe (Roxanne McKee). Enquanto isso, os assaltantes tentam cavar um túnel para fugir pelo outro lado do banco, beirando o rio Hudson, e assim burlar o grande cerco policial. Para enganar, eles pedem dois carros-forte e um avião. Enfim, não há muita ação durante o roubo, a não ser no desfecho, que é quando tudo acontece de verdade. Trocando em miúdos, esta segunda versão não chega a decepcionar, mas passa muito longe da qualidade do original de Spike Lee. Para encerrar meu comentário, um aviso: não desligue antes dos créditos finais, quando há uma cena que explica o destino de um dos personagens principais.         

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

 

“O CÂNTICO DOS NOMES” (“THE SONG OF NAMES”), 2019, Canadá/Estados Unidos, 1h53m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de François Girard, com roteiro de Jeffrey Caine. Trata-se de um belíssimo drama ficcional inspirado no livro homônimo escrito em 2001 pelo jornalista inglês e crítico musical Norman Lebrecht. Às vésperas da invasão alemã à Polônia, em 1939, o menino Dovidl Rappaport é levado pelo pai judeu para a Inglaterra para se aperfeiçoar nos estudos de violino e, ao mesmo tempo, escapar da invasão nazista. Aos 9 anos, um gênio do violino, Dovidl é acolhido pela família de Gilbert Simmonds (Stanley Townsend), um aficionado pela música clássica. Dovidl logo faz amizade com o filho de Gilbert, Martin (Misha Handley), e ambos são criados como irmãos. A partir daí, o filme acompanha a trajetória e Dovidl e Martin durante os próximos 45 anos. A amizade entre os dois seria abalada por um fato ocorrido em 1951. Martin promoveu um importante concerto em Londres durante o qual Dovidl seria o violinista principal. Resumo da ópera, Dovidl não apareceu. Simplesmente sumiu. E assim ficou sumido por mais de 40 anos. Martin jamais desistiu de achar o amigo, viajando pela Europa toda e depois para os Estados Unidos, onde finalmente o reencontraria. No filme, Dovidl é vivido, aos 9 anos, por Luke Doyle (ator que também é um excelente violinista), na juventude, por Jonah Hauer-King, e como adulto por Clive Owen. Martin menino é interpretado por Misha Handley, na juventude por Gerran Howell e adulto por Tim Roth. Também estão no elenco Stanley Townsend, Catherine McCormack, Jeffrey Caine, Saul Rubinek, Amy Sloan, Magdalena Cielecka e Marina Hambro. Além de ter como pano de fundo a questão do holocausto judeu durante a Segunda Grande Guerra, a história possui um forte conteúdo musical. Não poderia ser de outra forma, pois o diretor canadense François Girard é especialista no gênero musical, como já provou dirigindo filmes como, por exemplo, “O Coro (2014), “O Violino Vermelho” (1998) e ”Bach Cello Suite #2: The Sound Of Carceri” (1997). O ator Tim Roth também tem seu currículo ligado à música, pois atuou como personagem principal também no filme "A Lenda do Pianista do Mar", de 1998, mais uma pequena obra-prima do diretor italiano Giuseppe Tornatore. Outros destaques que merecem ser citados dizem respeito à excelente fotografia, ao competente roteiro e à primorosa recriação de época. Sem falar na exuberante trilha sonora – na verdade, os solos são executados pelo violinista Ray Chen, nascido em Taiwan e radicado atualmente na Austrália. Aspectos da tradição judaica também merecem destaque na história, como aquele que dá nome ao filme, que é o ato de cantar e citar em voz alta, na sinagoga, os nomes dos judeus que perderem a vida nos campos de concentração - no caso do filme, o campo de Treblinka. Momentos comoventes como esse permeiam por todo o filme, valorizando ainda mais a história que, por si só, já coloca “O Cântico dos Nomes” como um dos melhores lançamentos da Amazon Prime Video neste ano. Imperdível!      

sábado, 13 de novembro de 2021

 

“DARROW & DARROW ASSOCIADOS: VESTÍGIOS DE UM CRIME” (“DARROW & DARROW: BODY OF EVIDENCE”), 2020, coprodução Canadá/Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h28m, direção de Mel Damski, seguindo roteiro de Phoef Sutton. Trata-se de um dos filmes da série televisiva “Darrow & Darrow”, com histórias geralmente policiais que acabam em julgamento. Neste “Vestígios de um Crime”, o foco central é o assassinato de um homem (Michael Patrick Denis) que resultou na prisão de sua esposa, Laura Graham (Jordada Largy), julgada e condenada, apesar de alegar inocência desde o começo. Cerca de um ano depois, um jovem policial (Vincent Cole) procura os advogados do escritório Darrow & Darrow dizendo que seu instinto supõe que a mulher é inocente. A advogada Claire Darrow (Kimberly Williams-Paisley), auxiliada pelo promotor e seu amigo Miles Strasberg (Tom Cavanagh), consegue reabrir o caso através de novas evidências, reforçadas por um aspecto fundamental: o corpo ainda não foi encontrado. As investigações de Claire e de Miles provocam uma reviravolta no caso, culminando em novo julgamento no desfecho, depois de muita enrolação e papo furado envolvendo a família de Claire. De qualquer forma, o filme deve agradar a quem curte filmes de casos policiais que terminam em julgamento. É um filme simpático, mas longe de merecer uma recomendação entusiasmada.        

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

 

“CRIME EM BUDAPESTE” (“BUDAPEST NOIR”), 2017, Hungria, 1h35m, distribuição Amazon Prime Video, direção de Éva Gardos. Trata-se da adaptação para o cinema do livro homônimo escrito por Vilmos Kondor, o primeiro de sete romances policiais com as aventuras do jornalista investigativo Zsigmond Gordon, publicados entre os anos 1930 e 1950, que fizeram grande sucesso na Hungria. Kondor, que também assina o roteiro, é considerado o criador da ficção policial húngara. “Crime em Budapeste” é ambientado em 1936. A história começa com o encontro de um corpo estendido no chão com sinais claros de espancamento. A vítima é uma jovem prostituta e o local onde foi encontrada é uma rua barra-pesada. Como a polícia não se esforça para encontrar o assassino, o jornalista Zsigmond Gordon (Krisztián Kolovratnik) resolve investigar o caso por conta própria, mesmo porque identificou a moça como a mesma que lhe pediu para acender seu cigarro na noite anterior. Não demora muito para o jornalista perceber que aquela morte pode envolver gente importante de Budapeste. Ele tem a certeza disso depois que sofre uma violenta agressão por parte de dois homens misteriosos, que deixam a mensagem de que ele não deve mais investigar o caso. Além dele, também correrá perigo sua amante Krisztina (Réka Tenki), uma fotógrafa amadora que ajuda Gordon em sua investigação. “Crime em Budapeste” apresenta todos os ingredientes daqueles filmes noir de Hollywood nos anos 30/40/50, a começar da figura do jornalista, de chapéu quase cobrindo os olhos, capote com a gola levantada e sempre com um cigarro na mão. Ajudada pela própria fisionomia do ator, ficou parecendo Dick Tracy, aquele famoso detetive das histórias em quadrinhos. A semelhança é impressionante. Há outros tantos clichês do gênero policial noir. Só faltou ser preto e branco. Gostei da caprichada recriação de época, principalmente os figurinos. Não é um filmaço, mas garanto que, com certeza, agradará muito àqueles que curtem o gênero noir.           

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

 

“A SOMBRA DE STALIN” (“MR. JONES”), 2019, disponível na plataforma Netflix, 1h59m, coprodução Polônia/Ucrânia/Inglaterra, direção da veterana cineasta Agnieszka Holland, seguindo roteiro assinado por Andrea Chalupa, com base no livro “More Than a Grain of Truth”, escrito por Margaret Siriol Colley, sobrinha do jornalista que dá nome ao personagem principal do filme. “Mr. Jones” é um drama baseado em fatos reais e centrado no jornalista galês Gareth Jones (James Norton), que em 1934 revelou ao mundo aquele que ficou chamado de “Holodomor”, o holocausto da fome promovido pelo ditador Josef Stalin que levou à morte milhões de russos, principalmente na Ucrânia, Cazaquistão e região de Kuban. Explico: em nome da revolução, o governo stalinista confiscava os suprimentos de grãos da população dessas regiões – sua maior fonte de alimentos -, enquanto divulgava que a União Soviética vivia um momento de grande desenvolvimento social, econômico e industrial. Jones não apenas desmentiu essa grande mentira como também desmascarou o famoso jornalista norte-americano Walter Duranty (Peter Sarsgaard), que durante 14 anos foi correspondente em Moscou do jornal New York Times. Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1932, Duranty ganhava propina do governo soviético para noticiar, de forma mentirosa, os supostos avanços do país comunista, escondendo o genocídio praticado por Stalin. O trabalho de Gareth Jones começou com a autorização para viajar para Moscou e tentar uma entrevista com Stalin – Jones já era um nome respeitado no jornalismo depois de ter entrevistado Hitler. Além de jornalista, Jones também trabalhava como assessor de assuntos internacionais do governo inglês, respondendo diretamente ao primeiro-ministro Lloyd George (Kenneth Granham). Hospedado no Hotel Metropol, Jones recebeu ordem das autoridades soviéticas de não sair de Moscou, assim como os demais correspondentes internacionais hospedados no Metropol. Ao visitar Walter Duranty no escritório do New York Times na capital russa, Jones terá a oportunidade de conhecer a jornalista Ada Brooks (Vanessa Kirby, indicada ao Oscar 2021 por sua atuação em “Pices of a Woman”), que tenta alertá-lo sobre o perigo que correrá se sair de Moscou. Jones não se intimida e consegue burlar a vigilância, embarcando em um trem de passageiros com destino à Ucrânia – além da reportagem em si, ele também gostaria de conhecer a casa onde morou sua mãe em num pequeno vilarejo. Durante essa viagem, Jones presenciou cenas chocantes de pessoas passando fome e frio e cadáveres abandonados nas ruas, muitos deles servindo de comida. Um triste cenário que estava escondido do mundo. A história contada por Jones serviu de inspiração para o escritor George Orwell (Joseph Mawle) criar sua famosa fábula “O Triunfo dos Porcos”. Trocando em miúdos, “Mr. Jones” é dos filmes mais impactantes e reveladores sobre o sofrimento da população soviética sob a ditatura do genocida Josef Stalin. Imperdível!       

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

 

“PACTO DE FUGA” (“PACTO DE FUGA”), nos países de língua inglesa chegou como “Jailbreak Pact”, 2020, Chile, distribuição Amazon Prime Video, 2h18m, direção de David Albala, que também assina o roteiro juntamente com Loreto Caro-Valdes e Susana Quiroz-Saavedra. Incrível e de certa forma lamentável que um filme tão bom tenha sido pouco divulgado e esteja meio escondido no catálogo da Amazon Prime. Espero que este comentário motive as pessoas a descobri-lo e assisti-lo. A história, ambientada nos dois últimos anos da ditadura do general Augusto Pinochet, é inspirada em fatos reais, ou seja, aqueles que envolveram a fuga de presos políticos de uma penitenciária de segurança máxima em Santiago. Entre os presos estavam os sete que praticaram um atentado contra Pinochet em 1986. Havia, portanto, uma grande possibilidade de um julgamento e uma quase certa condenação à pena de morte. Diante desse quadro desanimador, alguns presos resolveram planejar uma fuga. A liderança ficou a cargo de Rafael Jiménez (Roberto Farías), Eusebio Arenas (Patricio Velásquez) e León Vargas (Benjamín Vicuña), este último engenheiro. Vargas elaborou todo o projeto, desde o planejamento e a execução de um túnel de cerca de 80 metros de uma cela até a rua. A obra demorou 18 meses para ser concluída, com os presos se revezando a cavar com poucos recursos, calor insuportável e o perigo iminente de desabamento, o que quase ocorreu durante um terremoto que atingiu Santiago. O espectador terá a oportunidade de acompanhar todo esse árduo processo, do começo ao fim, como também o dia a dia dos prisioneiros, além de muito papo sobre política. Sem contar, é claro, com os espancamentos que faziam parte da diversão dos sádicos policiais de plantão. Também fazem parte do elenco, entre outros, Francisca Gavilán, Paz Bascuñán, Victor Montero, Amparo Noguera, Diego Ruiz e Eusébio Arenas. Filmaço é pouco para definir este drama chileno. Imperdível!  

terça-feira, 9 de novembro de 2021

 

“O VETERANO” (“THE VETERAN”), 2011, Inglaterra, 1h38m, distribuição Amazon Prime Video, roteiro e direção de Matthew Hope. A história é centrada no ex-soldado do exército Robert Miller (Toby Kebell). Veterano de guerra, ele cumpriu várias missões como paraquedista no Iraque e Afeganistão. Depois de dar baixa no exército, ele volta para a Inglaterra e tenta arranjar um emprego. Enquanto não consegue, Miller aceita o convite de um ex-colega do exército para ingressar numa organização governamental encarregada de descobrir células suspeitas de terrorismo em Londres. Ele recebe ordens diretas de dois membros importantes da organização, Gerry Langdon (Brian Cox) e Chris Turner (Tony Currran), que logo dá para perceber não são pessoas muito confiáveis. Durante esse trabalho, Miller recebe a incumbência de seguir Alayna (Adi Bielski), envolvida com uma das células terroristas e que mais tarde se revelaria informante da organização governamental inglesa. Ao mesmo tempo, Miller terá de lidar com uma gangue de traficantes que aterroriza o bairro onde mora, na periferia da capital inglesa. Diante de todo esse contexto, você, espectador, espera que ocorra muitas cenas de ação. Mas não é o que acontece. O filme segue monótono e arrastado até próximo ao desfecho, quando então a ação toma conta, para culminar com uma decepcionante cena final. Com muitos furos e reviravoltas, o roteiro não facilita muito o entendimento do que está acontecendo na tela. O resultado final, entre prós e contras, não é dos melhores, ficando difícil encontrar motivos para recomendá-lo.                               

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 

“YARA”, 2021, Itália, 1h36m, produção original Netflix, direção de Marco Tullio Giordana, seguindo roteiro de Graziano Diana. A história é baseada em fatos reais de um caso que comoveu a Itália, em especial a população da pequena cidade de Brembate Di Sopra, na comuna de Bérgamo. Às vésperas do Natal de 2010, a adolescente Yara Gambirasio (Chiara Bono), de 13 anos, desaparece misteriosamente depois de sair da academia de ginástica rítmica. A investigação ficou a cargo da promotora Letizia Rugeri (Isabella Ragonese). O corpo da menina somente seria encontrado três meses depois, jogado em um terreno baldio a 10 km da academia. A autópsia revelou que a garota foi espancada e, provavelmente, tenha morrido por hipotermia. Sem qualquer pista que possa ajudar, a promotora e sua equipe trabalharam duro nas investigações, que duraram três anos. Prestes a ter o caso encerrado sem solução, a equipe da promotora finalmente chegaria, por intermédio de pesquisas de DNA, a um forte suspeito, o pedreiro Massimo Bossetti (Roberto Zibette), que desde o início negou o crime. Bossetti continuou preso e somente em 2016 seria julgado e finalmente condenado à prisão perpétua, graças às evidências conseguidas pela promotora Rugeri. O filme todo é de grande tensão, culminando com as ótimas cenas de tribunal durante as quais a promotora consegue provar a culpa de Bossetti. Também estão no elenco Mario Pirrello, Sandra Toffolati, Andrea Bruschi, Miro Landoni, Thomas Trabacchi, Alessio Boni, Rodolfo Carsato e Elena Cotta. O maior destaque do elenco é, sem dúvida, a atriz Isabella Ragonese no papel da promotora em seu angustiante trabalho para chegar ao assassino e provar sua culpa. Para tornar o filme ainda mais realista, o diretor Marco Tullio Giordana acrescentou vídeos captados dos noticiários de TV da época, que comprovam de forma evidente a grande comoção que o crime causou em toda a Itália. Trocando em miúdos, o filme é excelente, um programão.                          

sábado, 6 de novembro de 2021

 

“EM GUERRA COM O VOVÔ” (“THE WAR WITH GRANDPA”), 2020, Estados Unidos, 1h38m, distribuição Amazon Prime Video, direção de Tim Hill, seguindo roteiro assinado por Tom J. Astle e Matt Ember, que se inspiraram no livro homônimo escrito por Robert Kimmel Smit. Trata-se de uma boa comédia com um elenco de peso, incluindo os veteranos Robert De Niro, Uma Thurman, Christopher Walken, Jane Seymor e Cheech Marin, além de alguns atores infantis de futuro, como o esperto Dakes Fegley. As confusões começam quando Sally (Uma Thurman) resolve levar o pai problemático e recém-viúvo Ed (De Niro) para sua casa. Peter (Fegley) é obrigado, muito a contragosto, a ceder o seu quarto para o avô e vai morar no sótão. Para o garoto, essa mudança merece uma declaração de guerra. Claro, contra o avô. Peter começa a implantar várias armadilhas contra o avô inimigo, incluindo colocar uma enorme cobra na cama dele, entre outras travessuras. Ed contra-ataca, aprontando algumas surpresas desagradáveis para o neto. Evidente que não há intenção, de nenhuma das partes, de machucar a outra, mas os aprontos são hilariantes, culminando na festa de aniversário da irmã de Peter, durante a qual a bagunça chega ao clímax. Se há momentos muito engraçados – como as cenas em que Sally se defronta com um policial de moto -, há alguns que merecem apenas um riso amarelo, como a ridícula disputa de um jogo de “queimada” em um parque de pula-pulas. O resultado geral, no entanto, é bastante favorável. A comédia é muito divertida, ideal para curtir com a família numa sessão da tarde. Pode encarar numa boa.                    

 

“INDECÊNCIA” (“MO”), 2019, Romênia, 1h16m, distribuição Amazon Prime Video, filme que marcou a estreia no roteiro e direção de Radu Dragomir. Inspirado em fatos reais, o filme causou grande polêmica quando de seu lançamento na Romênia, principalmente entre os críticos, muitos dos quais o saudaram com muitos elogios. Não é um filme muito fácil de digerir, mas quem conseguir chegar ao seu final terá visto um drama bastante inquietante cuja tensão cresce a cada cena. Inédito nos cinemas brasileiros, “Indecência” conta a história de Monica, a “Mo” do título (Dana Rogoz, esposa do diretor) e Vera (Madalina Craiu), que, apesar de amigas de infância, possuem o temperamento completamente diferente uma da outra, como poderá ser constatado durante o transcorrer da história. Elas chegam a Bucareste para prestar as provas de ingresso à universidade – equivalente ao nosso vestibular. Em uma das provas, elas são flagradas pelo rigoroso professor Ursu (Razvan Vasilescu). Na tentativa de reverter a situação, elas pedem a Ursu uma segunda chance. Então ele as convida para jantar em seu apartamento. E é aqui que as coisas acontecem, na base de muito papo, vinho e as tentativas de sedução por parte do professor. Além do excelente desempenho do trio principal de protagonistas e do aumento do clima de tensão a cada cena, o filme contém diálogos primorosos, principalmente aqueles em que o professor faz um pequeno “vestibular” com perguntas sobre música e cinema. Destaco como impressionante a presença da atriz Dana Rogoz, que faz o papel de uma jovem estudante com cara de adolescente, quando na verdade tem 35 anos na vida real. Deve ter tomado baldes da fonte da juventude. Incrível! Como já escrevi no início deste comentário, “Indecência” não é um filme fácil, aproximando-se daqueles que a crítica especializada costuma chamar de “cinema de arte”. De qualquer forma, é um filme bastante inovador e surpreendente do excelente cinema romeno. Recomendo.