sábado, 21 de janeiro de 2017

“ALWAYS SHINE” (a tradução literal é “Sempre Brilhe”, mas não sei como chamará por aqui, se chegar), 2016, EUA, 85 minutos. Trata-se de um filme com a pretensão de ser suspense, mas não passa de um drama dos mais medíocres. Beth (Caitlin Fitzgerald) e Anna (Mackenzie Davis) são grandes amigas e atrizes em busca de bons papéis no cinema. Beth é mais bem sucedida, o que faz com que Anna morra de inveja. O clima entre as duas fica ruim e então elas resolvem aparar as arestas num final de semana numa casa de campo nas montanhas de Big Sur, na Califórnia. O que era para ser uma reconciliação da amizade vira uma verdadeira guerra psicológica, aumentando o clima de tensão entre as duas. É o segundo filme dirigido pela atriz Sophia Takal, com roteiro assinado por Lawrence Michael Levine, seu marido. A história é fraca, mal contada, o filme se arrasta sem nada acontecer até perto do desfecho, os diálogos são de uma profundidade milimétrica, coroando um filme de mediocridade quilométrica. Nada mais a acrescentar, a não ser um conselho: passe longe!                                          

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“O PIROMANÍACO” (“PYROMANEN”), 2016, Noruega, roteiro e direção de Erik Skjoldbjaerg, é um suspense inspirado no romance policial “Far Jeg Brenner Ned”, escrito por Gaute Heivoll. Numa região rural ao sul da Noruega, várias casas são incendiadas durante a noite, o que mobiliza a brigada de bombeiros formada por cidadãos voluntários e comandada por Ingemann (Per Frisch), cujo filho, Dag (Trond Nilssen) também faz parte. A polícia local começa a investigar as ocorrências e as primeiras suspeitas dão conta de que pode ser obra de algum piromaníaco vindo de fora. O maluco começa a ficar mais ousado. De início, só incendiava casas vazias. Depois, com gente dentro. A caçada ao autor dos incêndios aumenta cada vez mais e você acha que o mistério só será resolvido no final. Ledo engano. Já na metade do filme, o espectador fica sabendo quem é o verdadeiro culpado, o que de fato acaba amenizando o clima de suspense. A partir daí, o diretor explora o aspecto psicopatológico do piromaníaco, tentando explicar porque está agindo dessa forma. Para mim, a explicação não acabou muito convincente. O desfecho enigmático também não me agradou. Por esse, não ponho minha mão no fogo. A estreia do filme aconteceu durante a mostra Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2016, sem provocar muito entusiasmo tanto nos críticos quanto no público. Do mesmo diretor norueguês, recomendo “Mergulho Profundo” (2013), este sim um ótimo suspense.                                      

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

“A QUALQUER CUSTO” (“Hell or High Water”), EUA, foi exibido pela primeira vez em maio do ano passado no Festival de Cannes 2016. Recebeu muitos elogios da crítica especializada, que o considerou o melhor “neo-western” (faroeste moderno) dos últimos anos. O roteiro é assinado por Taylor Sheridan (“Sicario: Terra de Ninguém”) e a direção é do cineasta escocês David Mackenzie (“Encarcerado” e “Sentidos do Amor”). Ambientada no interior do Texas, a história é centrada nos irmãos Howard, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que começam a praticar assaltos a bancos. Tanner, recém-saído da prisão, onde cumpriu pena de 10 anos, quer dinheiro para gastar em cassinos e com mulheres. Ou seja, tirar o atraso do tempo em que ficou trancafiado. Toby, o mais contido, quer juntar dinheiro para saldar dívidas do rancho da família e garantir o pagamento de pensão aos dois filhos, que moram com a ex-mulher. Quem vai atrás da dupla é o policial Marcus Hamilton (Jeff Bridges), à beira da aposentadoria, e seu assistente de origem mexicana Alberto (Gil Birmingham). A perseguição se transforma num verdadeiro road-movie pelas estradas empoeiradas do Texas, que parecem não ter mudado muito em comparação com aquelas que eram mostradas nos antigos faroestes. Só que agora não são mais os cavalos que levam os bandidos e os mocinhos e sim potentes veículos off-road. Além de ação, o filme ainda tem bom humor, principalmente nos diálogos entre Marcus e seu auxiliar mexicano, recheados de comentários preconceituosos. Embora tenha gostado do filme, achei o desfecho um tanto forçado. Assista e veja se não tenho razão.        
 

                                   

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Aos 80 anos de idade, autor de 48 filmes, devidamente consagrado como um dos maiores cineastas da atualidade e ainda em grande forma, Woody Allen acerta mais uma vez em “CAFÉ SOCIETY”, 2016, talvez seu melhor filme dos últimos anos. Além de ter escrito o roteiro e dirigido, Allen também é o narrador da história, ambientada nos anos 30 do século passado. O jovem Bobby (Jesse Eisenberg), de família judia, resolve sair de Nova Iorque rumo a Los Angeles acalentando o sonho de trabalhar como escritor em Hollywood. Ele tem um trunfo para isso: seu tio, Phil Stern (Steve Carrell), é um poderoso agenciador de artistas. Para começar, Bobby aceita o trabalho de mensageiro do escritório de Phil. Aqui, trabalha como secretária a jovem Vonnie (Kristen Stewart), pela qual Bobby se apaixona. Está formada a confusão, pois Vonnie tem um namorado famoso que quer casar com ela. A situação acaba sendo não muito favorável a Bobby, que volta para Nova Iorque e vai trabalhar na boate de luxo dirigida pelo irmão Ben, ligado a uma turma de gângsters. Com seu trabalho na boate, Bobby acaba conhecendo Veronica (a loiraça Blake Lively), por quem também se apaixona. A chegada de Vonnie a Nova Iorque, alguns anos depois, vai perturbar a cabeça de Bobby. O estilo verborrágico do diretor, com diálogos inteligentes e irônicos, continua marcante no estilo do diretor. O filme apresenta ainda uma primorosa recriação de época no que diz respeito a cenários e figurinos, com muita classe e glamour, tudo isso valorizado pela fotografia do mestre italiano Vittorio Scoraro. Como já é hábito em quase todos os filmes de Allen, a trilha sonora é repleta de jazz tradicional, o que torna o filme ainda mais delicioso.  


                                                                                  

 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Vencedor do Globo de Ouro/2017 como Melhor Filme Estrangeiro, o drama francês “ELLE” desponta como o principal favorito a conquistar o Oscar na mesma categoria. Além disso, Isabelle Huppert, que interpreta a principal protagonista, recebeu o prêmio como Melhor Atriz em Drama. Dirigido pelo veterano cineasta holandês Paul Verhoevan (“A Espiã”, “Instinto Selvagem”), o filme é centrado na empresária Michèle Leblanc (Huppert), executiva de uma empresa de videogames. Ela mora sozinha num casarão, que um dia é invadido por um sinistro homem com máscara de esqui. Michèle é agredida e estuprada, mas não vai à polícia denunciar o fato. Ela relata o ocorrido num jantar íntimo com o ex-marido e amigos. Para surpresa de todos, Michèle conta o que aconteceu de forma natural, como se contasse uma visita ao supermercado. Michèle é assim, uma personagem controversa, fria, neurótica e, de certa forma, malévola, personalidade de alta complexidade moldada por uma terrível tragédia ocorrida quando era apenas uma adolescente. O roteiro do filme, assinado por David Birke, foi inspirado no romance “OH...”, escrito por Phillippe Djian, e reúne situações de vários gêneros cinematográficos, como suspense, sedução e pitadas bem dosadas de humor negro. Mas o grande trunfo do filme realmente é o desempenho magistral de Isabelle Huppert. Ainda estão no elenco Laurent Lafitte, Anne Consigny, Virginie Efira, Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Christian Berkel e Charles Berlin. Um filme sem dúvida desconcertante e,
ao mesmo tempo, espetacular. Cinema da melhor qualidade. Simplesmente imperdível!                                                                      

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Joe Albany foi um pianista norte-americano de jazz dos mais conceituados. Entre as décadas de 40 e 70, gravou vários discos e tocou com Lester Young, Benny Carter, Charlie Parker e Joe Venuti, entre outras feras do jazz. O drama “A DECADÊNCIA DE JOE ALBANY” (“LOW DOWN”), 2015, EUA, ambienta a história do músico na década de 70, segundo lembranças relatadas num livro escrito pela filha do músico, Amy-Jo Albany, que depois escreveria o roteiro do filme, juntamente com Topper Lilien. A direção coube a Jeff Preiss, mais conhecido pelos seus documentários, um deles dedicado ao músico, cantor e compositor Chet Baker. Abandonada pela mãe alcoólatra aos seis anos de idade, Amy-Jo foi criada por Joe num ambiente nada saudável de músicos desempregados, prostitutas e, como o pai, viciados em drogas pesadas, como a heroína. Joe e a filha viviam num quarto de pensão na periferia de Hollywood, onde o músico ensaiava e reunia amigos para algumas jams sessions. Amy-Jo, então uma garota adolescente, delirava com as performances do pai, cuja relação era de pura veneração quase incestuosa. Ela chegou até a se prostituir para comprar heroína para o pai. O desempenho do elenco é espetacular, a começar por John Hawkes como Joe Albany. Elle Fanning como Emy-Jo também dá um show de interpretação, assim como Glenn Close, a avó paterna, e Lena Headey, como a mãe alcoólatra. Um filmaço!                                                                
 

              

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

“9 DE ABRIL” (“9.april”), 2015, Dinamarca, 93 minutos, direção de Roni Ezra. No dia 9 de abril de 1940, as tropas alemãs de Hitler invadem a Dinamarca e a Noruega na chamada “Operação Weserübung”. O filme foca a invasão da Dinamarca e os esforços de seu exército para conter o avanço dos nazistas. A história é esclarecedora com relação ao despreparo dos soldados dinamarqueses. Quando a notícia da invasão chega aos quartéis, o exército é mobilizado. Cabe ao 2º Batalhão de Bicicletas, comandado pelo Tenente Sand (Pilou Asbak), a missão de deter as tropas invasoras na fronteira até que cheguem reforços de outras partes do país. Só que os dinamarqueses não imaginavam o poderio dos alemães, que chegaram com milhares de soldados apoiados por blindados, tanques e aviões. Os jovens soldados dinamarqueses, despreparados para o combate e com munição contada – 40 balas de fuzil para cada um -, não tiveram a mínima chance contra o poderoso e bem armado exército alemão. Apesar disso, lutaram bravamente e, no final, sem os reforços aguardados, tiveram de se entregar. Para aumentar sua decepção, também souberam que o governo dinamarquês havia se rendido horas antes. Produzido para exibição na TV dinamarquesa, o filme apresenta ótimas cenas de batalha e muita tensão. Nos créditos finais, o diretor acrescentou depoimentos de soldados que participaram daquele combate. Recomendo para quem gosta de filmes de guerra e curte fatos históricos.                                                                
 

              

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Depois de conquistar o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro com “Paradise Now”, em 2006, o diretor israelense Hany Abu-Assad ganhou prestígio no meio cinematográfico e foi parar em Hollywood, onde dirigiu “Entrega de Risco”, um filme de ação mediano. Em 2013, ele escreveu e dirigiu “OMAR”, este sim um filmaço. Tanto que, após sua exibição no Festival de Cannes daquele ano, foi aplaudido de pé por 5 minutos. Palmas merecidas, pois realmente é um filme de grande impacto. Conta a história de Omar (Adam Bakri), um jovem padeiro que vive pulando o muro que divide o lado palestino de Israel para ver os amigos e flertar com Nadia (Leem Lubany). Um dia, Omar acaba detido por uma patrulha de Israel, sendo humilhado e espancado pelos soldados. Ele se revolta e combina uma vingança com os amigos Amjad (Samer Bicharat) e Tarek (Eyad Hourani), que resulta no assassinato de um soldado israelense. Omar é preso e torturado para entregar quem deu o tiro no soldado. A partir daí, uma série de intrigas envolve  o rapaz, incluindo a desconfiança de Nadia e seus amigos de que ele agiu como traidor. Esse conflito acompanhará Omar até o desfecho surpreendente. O diretor acerta ao retratar uma realidade bastante desconfortável nos territórios palestinos ocupados por Israel, onde as pessoas, tanto de um lado como do outro, vivem num constante clima de forte tensão. Abu-Assad acertou também ao escalar nos papéis principais alguns excelentes atores novatos. Somando tudo isso, um filme imperdível!                                                             
 

              

domingo, 8 de janeiro de 2017

“UM DIA PERFEITO” (“Um Día Perfecto”), 2015, Espanha, roteiro e direção de Fernando Léon de Aranda. A história é ambientada no final dos anos 90 em algum lugar dos Bálcãs, quando o conflito étnico na ex-Iugoslávia caminhava para o seu final e mostra o cotidiano de uma equipe de voluntários de uma organização humanitária. Da equipe fazem parte o porto-riquenho Mambrú (Benício Del Toro), a francesa Sophie (Mélanie Therry), o norte-americano B (Tim Robbins) e o sérvio Damir (Fedja Stukan), guia e intérprete. Seu trabalho é supervisionado pelo pessoal das Nações Unidas, que recruta a croata Katya (Olga Kurylenko) para coordenar os trabalhos da equipe humanitária. Entre as missões do grupo está o resgate do cadáver de um homem atirado no único poço de água de uma cidade com o objetivo de contaminá-la. Para retirar o corpo, porém, será necessária a utilização de uma corda. Lutando contra todo tipo de dificuldade, incluindo a falta de cordas e os entraves burocráticos da ONU, a equipe terá de se desdobrar para cumprir a difícil missão. Para amenizar o contexto dramático da trágica guerra, Aranda impõe um tom irônico aos diálogos, acrescentando altas doses de humor negro, como nas cenas em que o comboio da equipe é obrigado a desviar de vacas mortas na estrada sem saber para que lado devem ir para evitar as minas. Além disso, o pop impera na trilha sonora, com Marilyn Mason, Lou Reed e Ramones. O filme estreou no Festival de Cannes 2015 e ganhou elogios da crítica especializada. Do mesmo diretor, gostei muito mais de “Segunda-feira ao Sol”, um retrato dramático do desemprego na Espanha no início deste século.                                                          
 
              
 
 
                                                      

                                  
“A INFÂNCIA DE UM LÍDER” (“THE CHILDHOOD OF A LEADER”), 2015, EUA, roteiro e direção de Brady Corbet. Confesso que demorei um tempo para assimilar o choque pela novidade estética proporcionada pelo jovem ator norte-americano de 28 anos e agora diretor Brady Corbet, em seu primeiro longa-metragem. Trata-se de um filme que passa longe de qualquer apelo comercial. Ou seja, é um filme difícil de digerir, lento e um tanto soturno, com a utilização de uma fotografia em tons esmaecidos, opacos, e uma trilha sonora que aumenta o já dominante clima de tensão. A história foi inspirada no conto “A Infância de um Líder”, do filósofo Jean Paul Sartre, e no romance “The Magus”, de John Robert Fowles. Um representante do governo dos EUA chega à Europa, com a esposa e o filho, para coordenar os trabalhos que resultarão no Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Grande Guerra. Embora o pano de fundo seja a situação política da Europa no pós-guerra, o enredo destaca a situação familiar vivida pelo representante norte-americano (Liam Cunningham). Casado com uma mulher fria, infeliz e inescrupulosa (Bérénice Bejo), ele tem dificuldades para educar o filho, Prescott (Tom Sweet), que se mostra rebelde e sempre contraria as ordens do pai e da mãe. O garoto não aceita ingerências, quer mandar na casa. Enfim, está nascendo um verdadeiro tirano fascista. Talvez seja esta a principal e mais evidente metáfora da história, como o desfecho ressalta ao mostrar um grande líder (Robert Pattinson) sendo aclamado pelo povão em delírio, como aconteceria pouco depois com Mussolini e Hitler. Por seu trabalho criativo e inovador, Brady Corbet – mais conhecido como ator de filmes como “Melancolia”, “Acima das Nuvens” e “Enquanto Somos Jovens” – conquistou dois importantes prêmios no Festival de Veneza: “Melhor Realizador” e “Melhor Primeiro Filme”.                                           
 
              
 

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Mesmo com uma trama inverossímil demais e um personagem que parece ter saído de uma história em quadrinhos – só faltou a fantasia de super-herói – “O CONTADOR” (“The Accountant”), 2015, EUA, funciona muito bem como um filme de suspense e ação, garantindo um ótimo entretenimento. Christian Wolff (Ben Affleck) é o tal personagem. Desenvolveu a Síndrome de Asperger, ou seja, é autista. Filho de pai militar, cresceu aprendendo artes marciais, tornou-se atirador de elite e, para coroar o currículo, se especializou como contador de organizações criminosas, encarregado de lavar o dinheiro ilícito. Quando assumiu a contadoria de uma empresa chamada Living Robotica, dirigida por Lamar Blackburn (John Lithgow), Wolff virou bonzinho, o mocinho do filme, principalmente depois de conhecer Dana Cummings (Anna Kendrick). Só que passou a ser caçado pela Agência Federal norte-americana depois de ter executado várias pessoas em nome de uma vingança. Dirigido por Gavin O’Connor (“Guerreiro” e “Em Busca da Justiça”), com roteiro de Bill Dubuque, o filme conta ainda com a participação de J.K. Simmons, Jon Bernthal e Cythia Addai-Robinson.                                         
 
              
 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Coincidência trágica, “ATENTADO EM PARIS” (“Bastille Day”), coprodução Inglaterra/França/EUA, estreou nos cinemas franceses um dia antes do atentado de Nice, em julho do ano passado, durante as comemorações do Dia da Bastilha, que resultou na morte de 84 pessoas. O filme foi imediatamente retirado de cartaz e teve o nome mudado para “The Take”. Trata-se de um ótimo filme de ação estrelado pelo brucutu inglês Idris Alba (“Beasts of no Nation”, o primeiro filme produzido pela Netflix). Ele é o agente especial da CIA Sean Briar, recrutado para investigar um atentado terrorista à bomba em Paris, no qual morreram quatro pessoas. Briar descobrirá que o jovem norte-americano Michael Mason (Richard Madden, da série “Game of Thrones”), um habilidoso bateador de carteiras e ladrão de celulares, acabou se envolvendo no crime ao roubar uma sacola de Zoe Naville (Charlotte Le Bon), uma jovem francesa recrutada por nacionalistas radicais que intencionam colocar a culpa nos árabes. Dirigido pelo inglês James Watkins (“A Mulher de Preto”), o filme traz ótimas cenas de ação, principalmente aquela que mostra uma perseguição de tirar o fôlego sobre os telhados da capital francesa. O bom elenco ainda é valorizado pelas presenças de José Garcia e Kelly Reilly. Bom programa para uma sessão da tarde com pipoca.                                        
 
              

 
Representante oficial da Palestina na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, “O ÍDOLO” (“Ya Tayr El Tayer”) conta a história verídica do jovem cantor Mohammed Assaf, que em 2013 saiu de Gaza para vencer o Arab Idol – versão árabe do American Idol – no Cairo Opera House, na capital egípcia. Escrito e dirigido pelo israelense Hany Abu-Assad (dos ótimos “Paradise Now” e “Omar”), o filme pode ser visto em duas partes. A primeira mostra o garoto Assaf (Kaís Attalah) e sua turma querendo montar um grupo musical, sonho desfeito quando Nour, a irmã, fica gravemente doente. Ela sofre de insuficiência renal e precisa de um transplante. Numa das visitas que Assaf faz à irmã no hospital, ela pergunta por que contraiu a doença. Assaf responde que se ela fosse uma criança sueca não ficaria doente dessa forma. “Deve ser por causa das nossas frustrações”. Dá o que pensar. O filme dá um salto para 2012, quando Assaf (agora interpretado por Tawfeek Barhom) trabalha como motorista de táxi. Nessa parte, o diretor Abu-Assad explora a situação de calamidade vivida pela população de Gaza, com imagens de bairros inteiros destruídos pelos ataques de Israel. O desfecho, é claro, reproduz a vitória de Assaf no Arab Idol, com direito a imagens do verdadeiro cantor no dia em que venceu a disputa, tornando-se um grande herói para o povo palestino. Enfim, um filme biográfico e musical com pano de fundo político, com alguns momentos sensíveis e até comoventes, principalmente na primeira fase. Mas está longe de ser um grande filme ou merecedor de um Oscar.                                           
 

              

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

“THE BEATLES – OITO DIAS DA SEMANA” (“The Beatles – Eight Days a Week – The Touring Years”), 2016, EUA, direção de Ron Howard (“Uma Mente Brilhante” e “Apolo 13”). O foco principal do documentário são as turnês realizadas pela banda entre 1963 e 1966, com destaque para as apresentações realizadas nos EUA. Nesse período, a banda inglesa participou de nada menos do que 250 concertos no mundo inteiro. Além das cenas desses shows ao vivo, incluindo a participação no programa de Ed Sullivan na TV norte-americana, vista por 73 milhões de telespectadores, o documentário apresenta depoimentos exclusivos de personalidades como Woopi Goldberg e Sigourney Weaver, que estiveram presentes em alguns shows da banda nos EUA e se declaram fãs de carteirinha da banda inglesa. Howard também conseguiu entrevistar Paul McCartney e Ringo Starr, além de reproduzir depoimentos de John Lennon e George Harrison. Muitas informações curiosas e, para mim, surpreendentes, também estão no documentário. Por exemplo, que foi o empresário Brian Epstein que teve a ideia, em 1962, de substituir os casacos de couro com os quais os músicos se apresentavam no Cavern Club e em Hamburgo pelos famosos terninhos. Outra revelação: Paul, Lennon, Ringo e Harrison, numa fase de desgaste profissional, chegaram a pensar em fundar uma nova banda, com outro nome. Além disso, Howard abriu espaço para mostrar a dura rotina de trabalho dos Beatles: gravações em estúdio, entrevistas coletivas, shows ao vivo, participação em clipes etc. Também ganhou destaque no documentário o pedido de desculpas de John Lennon, em entrevista coletiva, depois de afirmar que os Beatles eram maiores do que Jesus. Enfim, um documentário que proporciona uma viagem fantástica aos anos 60 na companhia da banda que revolucionou a cultura musical e influenciou milhões de jovens pelo mundo inteiro, inclusive este humilde comentarista. Impossível não se emocionar com tantas canções maravilhosas. Mais do que imperdível, OBRIGATÓRIO!                                       

 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Confesso que fiquei em dúvida se assistia ou não o drama japonês “PIETÁ NO BANHEIRO” (“Toire no Pieta” no original, ou “Pieta in the Toilet” em inglês), 2015, roteiro e direção de Daishi Matsunaga. A começar pelo título suspeito (explicado no desfecho), a falta de referências sobre o diretor e os protagonistas, além do fato de ser baseado num mangá (história em quadrinhos), arte mais direcionada para os jovens. Mas resolvi assistir e acabei diante de uma obra bastante interessante. A história é baseada num mangá autobiográfico do escritor Osamu Tezuka. O jovem Hiroshi (o ator e astro da música pop Yojiro Noda) desiste da carreira de pintor e resolve trabalhar como limpador de janelas de escritórios em grandes edifícios. Ao realizar exames médicos depois de passar mal durante o trabalho, ele descobre que tem um tumor maligno no estômago e poucos meses de vida. A história toda gira em torno da relação de Hiroshi com a proximidade da morte, sua amizade com a estudante Mai (Hana Sugisaki), que se passa por sua irmã, e com os doentes terminais do hospital. Hiroshi terá a oportunidade de refletir sobre a doença, sobre sua vida, o relacionamento com os pais e, principalmente, sobre a falta de perspectivas. Trata-se de um filme lento e contemplativo, mas que em nenhum momento torna-se tedioso. Um digno representante japonês do cinema de arte. Como aval, informo que o filme foi premiado no Japan Tokyo International Film Festival de 2015.                                            

 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O escritor britânico John Le Carré já teve vários de seus livros adaptados para o cinema, entre os quais obras-primas da espionagem, como “O Espião que Sabia Demais” e “O Homem mais Procurado”. Em 2016, mais um de seus romances ganhou versão cinematográfica. Trata-se de “NOSSO FIEL TRAIDOR” (“Our Kind of Traitor”, nome original do livro e do filme), cujo roteiro foi assinado por Hossein Amini e a direção pela inglesa Susanna White. A história começa no Marrocos, onde o professor universitário Perry Makepeace (Ewan McGregor) e sua esposa, a advogada Gail Perkins (Naomi Harris), passam alguns dias de férias. Lá, conhecem o russo Dima (o ator sueco Stellan Skarsgard, em mais uma ótima atuação), responsável por lavar dinheiro para uma poderosa organização criminosa. Sentindo-se ameaçado, Dima quer se desligar da máfia e pede a Perry que entregue um pen drive ao Serviço Secreto Britânico com provas de corrupção contra importantes políticos ingleses, um deles ministro de Estado. Em troca, Dima pede proteção e asilo para sua família na Inglaterra. A partir daí, Perry e Gail acabam se envolvendo numa trama bastante complicada e repleta de ação e suspense, escrita com maestria por Le Carré (o livro foi lançado em 2010) e transformada num excelente filme de espionagem. Programão!                                           

 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

“SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON” (“Sully”), 2016, EUA, direção de Clint Eastwood, com roteiro de Todd Komarnicki. No dia 15 de janeiro de 2009, logo depois de decolar do aeroporto LaGuardia, em Nova Iorque, o avião pilotado por Cheslei “Sully” Sullenberger, com 155 passageiros a bordo, teve suas turbinas avariadas pelo choque com pássaros. “Sully” foi obrigado a realizar um pouso forçado nas águas geladas do Rio Hudson. Como todo mundo sobreviveu, “Sully” virou herói nacional. Mas não para a agência de regulação aérea dos EUA, que submeteu o piloto a um rigoroso julgamento a fim de esclarecer se, sob o ponto de vista da segurança aérea, o Rio Hudson foi a melhor alternativa para um pouso forçado. O filme de Eastwood conta toda essa história em apenas 96 minutos, alternando cenas do acidente e o resgate dos passageiros com as cenas do julgamento do piloto. “Sully” é interpretado por Tom Hanks, numa atuação que pode lhe valer mais um Oscar em 2017 – a Academia adora personagens heroicos, além de idolatrar Eastwood. Ainda estão no elenco Laura Linney como a esposa de “Sully” e Aaron Eckhart como o co-piloto Jeff Skiles. O filme já estreou por aqui depois de ter seu lançamento adiado em duas semanas por causa do acidente do avião da Chapecoense.                                         
 
              

 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

“SNOWDEN – HERÓI OU TRAIDOR” (“SNOWDEN”), 2016, EUA, roteiro e direção de Oliver Stone. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Shaiene Woodley, Nicolas Cage, Melissa Leo, Zachary Quinto e Tom Wilkinson. Trata-se da cinebiografia de Edward Snowden, que trabalhou para a CIA e para a NSA (Agência de Segurança Nacional) e que, em 2013, denunciou publicamente a existência de programas de vigilância e espionagem executados – a nível mundial - a mando do governo norte-americano. Como todo mundo lembra, o caso teve uma enorme repercussão. Mais uma vez Oliver Stone explora um tema polêmico, como já havia feito em “Nascido em 4 de Julho”, “Nixon” e “JFK – A Pergunta que não quer Calar”. Faz parte também do seu estilo dar um jeito de colocar o dedo na ferida de quem esteve ou está na Casa Branca. Em “Snowden”, Stone percorre o período de 2004 a 2013, durante o qual Edward Snowden trabalhou para o governo norte-americano. Um dos grandes méritos do primoroso roteiro – Stone teve a colaboração de Kieran Fitzgerald – foi conseguir condensar tantas informações em pouco mais de 2 horas de filme, desde que Snowden entrou para o exército e depois para a CIA e NSA até a decisão de denunciar os atos do governo norte-americano, em 2013, através dos jornais The Guardian e The Washington Post. Nos créditos finais, Stone ainda acrescenta outras importantes informações sobre o caso. “Snowden” é um dos 336 títulos selecionados para concorrer ao Oscar 2017 de Melhor Filme, além de outras premiações. Aposto no Melhor Roteiro e Melhor Diretor. Um filmaço. Imperdível!                                         

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Confesso que nunca tinha ouvido falar do drama russo “COMO TERMINEI ESTE VERÃO” (“Kak Ya Provel Etim Letom”). O filme caiu na minha mão e resolvi assistir. Procurei referências e descobri que foi lançado em 2010 durante o Festival de Berlim, sendo muito elogiado pelos críticos, pelo público e pelo júri, que conferiu ao filme escrito e dirigido por Alexei Popogrebsky o Urso de Prata. Além disso, também foi premiado em festivais de cinema realizados em Londres, Dublin e Chicago. Realmente, o filme é muito bom,  foge do lugar-comum reinante e tem uma fotografia (Pavel Kostomarov) maravilhosa. A história é toda ambientada numa estação metereológica russa instalada numa ilha isolada no Oceano Ártico. Lá trabalham o experiente Pavel (Grigroriy Dobrygin) e o jovem estagiário Sergei (Sergey Puskepalis) – os dois atores são excelentes. A função dos dois na estação é fazer leituras diárias da radioatividade do terreno e transmitir o resultado das medições pelo rádio para o escritório central. Embora seja verão, o frio é de lascar e a sensação de isolamento angustiante. Um dia, enquanto Pavel sai para pescar trutas, Sergei recebe uma mensagem que decide omitir do companheiro, atitude que acaba gerando ótimas situações de suspense e um pouco de humor. Uma reviravolta acontece perto do desfecho, o que trará consequências nada positivas para o relacionamento de Sergei e Pavel. Apesar do tédio que exala da tela, do ritmo lento e apenas dois protagonistas, além de poucos diálogos, o filme é muito interessante e merece ser conferido.                     

 

domingo, 18 de dezembro de 2016

“O VERÃO DE SANGAILE” (“Sangailè”), Lituânia, 2015, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Alanté Kavaïté – o primeiro foi “Écoute Le Temps”. A história é centrada na jovem Sangaïle (Julija Steponaitite), de 17 anos, introspectiva e tímida, enfim, apática, que tem uma fascinação obsessiva por aviões de acrobacia. Num desses shows acrobáticos, durante o verão, Sangaïle conhece Auste (Aiste Dirziute), uma jovem de sua idade que se diferencia porque é extrovertida, alegre e falante. Auste consegue resgatar Sangaïle de sua apatia, convidando-a para sair com sua turma. A amizade entre as duas acaba virando uma paixão desenfreada, com direito a inúmeras cenas eróticas, exploradas com bastante sensibilidade pela diretora Alanté. Apesar do romance, Sangaïle continua a enfrentar seus demônios internos. Para tentar descrevê-los, a diretora exagera numa sequência de situações absurdas e fantasiosas difíceis de entender, como aquela em que Sangaïle se joga no mar e, aparentemente, tenta se afogar. Acho que a diretora tentou realizar um filme de fundo psicológico, mas conseguiu apenas confundir o espectador. De qualquer forma, o filme foi selecionado para representar a Lituânia na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Aqui, foi exibido durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema, em outubro/novembro de 2016.                     
 

              

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A indústria do cinema no Vietnã nunca foi de produzir muitos filmes, mas de vez em quando nos presenteia com uma pérola, como foi o caso de “O Cheiro do Papaia Verde”, de 1993, um drama sensível e comovente que foi premiado em Cannes, além de ter sido o primeiro filme do Vietnã a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Outra pérola é o recente "FLORES AMARELAS NA GRAMA VERDE” (“Tôi Thây Hoa Vàng Trên Có Xanh”), também candidato oficial daquele país para disputar o Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. A história, baseada no romance escrito por Nguyen Nhat Anh e que virou best-seller, é ambientada na década de 80 num vilarejo da zona rural do Vietnã. Num cenário de extrema pobreza, mas rodeado por uma Natureza deslumbrante, vivem os irmãos Tuong (Khang Trong) e Thieu (Thinh Vinh). Eles levam uma vida normal comum aos garotos de sua idade (8 e 12 anos), vão à escola, caçam insetos para o sapo de estimação, enfrentam um vilão infantil, adoram ouvir histórias assustadoras. O foco principal do filme, porém, é o processo de amadurecimento dos irmãos, a primeira paixão, os dramas vividos por algumas famílias do vilarejo e o despertar para uma realidade que não faz parte da inocência do mundo infantil, a pobreza em primeiro plano. O filme é dirigido com muita sensibilidade por Victor Vu, que também assina o roteiro. A belíssima fotografia é mais um trunfo desta elogiada produção vietnamita. Para quem curte cinema de arte, uma ótima pedida.                 
 
              
 

 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A comédia “WILD OATS” (ainda sem tradução por aqui, mas algo como “Aveia Selvagem” – título esquisito, não?), 2016, direção de Andy Tennant, reúne três das mais consagradas e competentes atrizes de Hollywood: Shirley MacLaine, Jessica Lange e Demi Moore. A história é centrada em Eva (MacLaine), que acaba de ficar viúva e aguarda receber um seguro de vida de 50 mil dólares. Ao receber o cheque, tal qual não é sua surpresa: por um erro de digitação ou falha do computador, o valor veio com a astronômica quantia de 50 milhões de dólares. Ela não tem dúvida: convoca sua melhor amiga Maddie (Lange), uma fogosa sessentona recém-separada, para uma viagem à paradisíaca Las Palmas, nas Ilhas Canárias. A ordem é gastar todo o dinheiro em diversão. É claro que a gastança chamará a atenção de alguns vigaristas que tentarão roubar o dinheiro da viúva. Mas o problema não é só esse: ao verificar o erro no preenchimento do cheque, a companhia seguradora convoca um especialista para tentar recuperar o dinheiro e o envia a Las Palmas em companhia da filha de Eva, Crystal (Demi Moore). A confusão, portanto, está formada. Os raros momentos de bom humor ficam por conta de Jessica Lange, ainda em grande forma para os seus 67 anos. Demi Moore, como Crystal, a filha da viúva, aparece pouco e sem nenhum brilho. MacLaine sempre foi ótima em comédias, mas nesta ficou devendo uma atuação digna de sua competência. Também está no elenco a brasileira Rebecca da Costa, que faz carreira nos EUA como atriz e modelo – ela já atuou até com Robert De Niro em “Profissão de Risco”, filme de 2014. Mais uma bola fora do diretor Tennant, que já havia dirigido, entre outros, as comédias românticas “Caçador de Recompensa” e “Hitch – Conselheiro Amoroso”, que também não merecem recomendação.