“AGENTE DAS SOMBRAS”
("BLACKLIGHT”), 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália/China,
1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Williams, que também assina o
roteiro com a colaboração de Nick May. O ator irlandês Liam Neeson ficou mais
conhecido do público depois de interpretar o empresário Oskar Schindler em “A
Lista de Schindler” (1993). Continuou com prestígio depois de, já veterano,
atuar em filmes de ação, principalmente a trilogia de “Busca Implacável”, depois
do qual fez vários filmes de ação. Neste último “Agente das Sombras”, aos 70
anos (hoje está com 72), Neeson dá mostras de que não tem mais a vitalidade de
outrora para filmes do gênero. Está visivelmente alquebrado, sem a mobilidade
de quem precisa correr, dar socos e pontapés. Nesse filme, Neeson é Travis
Block, um agente do FBI prestes a se aposentar. Sob a supervisão direta de
Gabriel Robinson (Aidan Quinn), diretor do FBI, Travis sempre agiu nas sombras,
ajudando a salvar agentes em perigo ou com algum trauma de trabalho. A história
de “Agente das Sombras” começa com o assassinato de uma jovem militante
política que resolveu enfrentar o sistema, denunciando corrupção e a
participação do governo em planos para eliminar opositores políticos.
Resultado: acabou assassinada. O jovem agente Dusty Crame (Taylor John Smith),
revoltado com a morte da moça, decide procurar a jornalista investigativa Mira
Jones (Emmy Baver-Lampman) para denunciar uma tal Operation United como
responsável pela morte da jovem militante. Dusty também terá destino igual e
Travis acaba descobrindo que tudo é obra justamente do FBI, assim como o
desaparecimento de sua filha e de sua neta. Com a ajuda da jornalista, Travis
irá atrás dos responsáveis. Embora tenha algumas boas cenas de ação, “Agente
das Sombras” não é “aquele” filme que mereça uma recomendação entusiasmada, mas
também não chega a ser totalmente decepcionante.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
“BATALHÃO 6888” (“THE SIX
TRIPLE EIGHT”), 2024, Estados Unidos, 2h07m, em cartaz na
Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry (“Madea”, “Divórcio em Família”).
Mais uma história da fonte inesgotável de histórias ocorridas durante a Segunda
Guerra Mundial e adaptadas para o cinema. Dessa vez, uma história pouco conhecida
por aqui, ou seja, a formação do primeiro batalhão de mulheres negras do
exército norte-americano. Comandadas e treinadas pela capitã Charity Adams (Kerry
Washington, ótima), 855 mulheres foram enviadas para a Inglaterra com a difícil
– e quase impossível – missão de selecionar, separar e enviar 17 milhões de
cartas esquecidas e armazenadas na cidade inglesa de Birmingham. Parte dessas
cartas havia sido escrita pelas famílias dos soldados que estavam no front
europeu e outra parte escrita pelos soldados com destino às suas famílias. O
maior objetivo dessa tarefa era levantar o moral dos soldados norte-americanos
com notícias de seus familiares, assim como estes receberem notícias de seus
entes queridos envolvidos na guerra. Para resumir a história, as mulheres do intitulado
“6888º Batalhão do Diretório Postal Central” conseguiram cumprir sua missão em
apenas três meses, ou seja, muito antes do estipulado. O filme destaca o forte
racismo existente na época, o que fez muitos acreditarem que as mulheres negras
não conseguiriam executar sua tarefa. Pois mesmo com esse incrível feito, elas
nem sequer receberam qualquer homenagem quando voltaram ao seu país e a
história de sua vitoriosa missão ficou escondida até agora. Também estão no
elenco Ebony Obsidian, Sarah Jeffery, Oprah Winfrey, Shanice Williams, Dean
Norris (da série Breaking Bad), Sam Waterston e Susan Sarandon, esta última irreconhecível como Eleanor
Roosevelt, mulher do presidente. O filme é uma superprodução digna de Hollywood,
com centenas de figurantes e uma primorosa recriação de época. Para coroar, o
espectador ainda poderá conhecer, durante os créditos finais, alguns personagens reais que viveram aquela
incrível história. Imperdível!
sábado, 21 de dezembro de 2024
“O TREM ITALIANO DA FELICIDADE”
("IL TRENO DEI BAMBINI”), 2024, Itália, 1h45m, em cartaz na
Netflix, direção de Cristina Comencini, seguindo roteiro assinado por Giulia
Calenda, Furio Andreotti e Camille Dugay Comencini. Importante destacar o
contexto histórico no qual o filme é baseado. Cidades do sul da Itália, mais
afetadas pela Segunda Guerra Mundial, apresentavam um cenário de miséria
absoluta. Em 1946, o Partido Comunista Italiano, em conjunto com a União das
Mulheres Italianas (Unione Donne Italiane), teve a ideia de enviar as crianças
do sul para Milão e outras cidades do norte do país não tão atingidas pelas
consequências do conflito. Dessa forma, de 1946 até 1952, 70 mil crianças foram
levadas para o norte em trens especiais reservados para elas pela Rede
Ferroviária Nacional. O plano, executado com sucesso, previa o retorno das
crianças seis meses depois, quando deveriam estar melhor de saúde e bem de saúde. Toda essa
história foi contada em dois livros: “Crianças da Guerra: A História sobre o Trem Italiano da Felicidade", de Viola Ardone, e “Il Treni Della Felicitá.
Storie Di Bambini in Viaggio Tra Due Italie”. Foi nos relatos de ambos que os
roteiristas criaram o filme, cuja história é centrada no personagem fictício de Amerigo
Speranza (Christian Cervone), de 7 anos, enviado por sua mãe para Milão. Aqui,
ele foi acolhido por uma família ligada ao partido comunista. Tão fanáticos que
seus três filhos se chamavam Revo, Lucio e Nario. Amerigo se adaptou bem à
família, principalmente ao pai, que gostava de tocar violino, instrumento que
Amerigo aprendeu a tocar e que o levaria, no futuro, ao posto de maestro de uma
importante orquestra. Completam o ótimo elenco Serena Rossi, Barbara Ronchi,
Stefano Accorsi, Francesdo Di Leva, Antonia Truppo e Nunzia Schiano. Embora o
contexto seja dramático, o filme consegue ser leve principalmente por colocar as
crianças como personagens principais, vítimas inocentes de um conflito que não
entendiam. Enfim, “O Trem Italiano da Felicidade” é um filme sensível e comovente, ao mesmo
tempo poderoso e impactante. Não perca!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
“BECO DO PESADELO” (“NIGHTMARE
ALLEY”), 2021, Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, com roteiro assinado por Kim Morgan. A
história é baseada no romance “Nigthtmare Alley”, escrito em 1946 por William
Lindsay Gresham. Como cinéfilo amador, sempre fico atento às novidades e
lançamentos, e, portanto, não sei dizer como deixei de ver esse filme
maravilhoso, que recebeu 4 indicações ao Oscar de 2022: Melhor Filme, Melhor
Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Não levou nenhuma estatueta,
mas é um grande filme. O elenco é um luxo. Só para citar os nomes principais:
Bradley Cooper, Toni Collette, Rooney Mara, David Strathairn, Cate Blanchet,
Willem Dafoe, Mary Steenburgen, Ron Perlman e Richard Jenkins. Vamos à
história: no final dos anos 30 do século passado, em plena recessão econômica nos
EUA, o malandro Stanton Carlisle (Bradley Cooper) foge de um passado tenebroso
e vai parar num circo itinerante, onde consegue emprego. Ele se entusiasma com o número de
mediunidade apresentado por Pete Krumbeim (Strathairn) e sua mulher Zeena
(Collette). Com Pete e Zeena ele aprende os truques do show que é um dos mais
requisitados pelo público. Disposto a ganhar dinheiro, Stanton parte para Nova
Iorque com sua namorada Molly (Rooney Mara), que também trabalhará como sua
assistente de palco. Num golpe de sorte, Stanton conhece Lilith Ritter
(Blanchet), uma refinada e conhecida psicóloga cujos pacientes, em sua maioria,
são figuras da alta sociedade e muito ricos. Em associação com Lilith, Stanton,
agora “O Grande Stanton”, arrasta multidões para suas apresentações mediúnicas
e consegue algumas consultas particulares com gente da alta sociedade. O
dinheiro chega fácil, mas as consequências da enganação chegarão logo. Não
apenas pela história em si ou pelo maravilhoso elenco, o filme se destaca também pela
primorosa fotografia e pela espetacular recriação de época. Enfim, mais uma
verdadeira aula de cinema do diretor Guillermo Del Toro, que já havia nos
presenteado com filmes que se transformaram em verdadeiros clássicos, como “O
Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo”, indicado ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 2006, além de “A Forma da Água”, pelo qual conquistou o Oscar em
2017 como Melhor Diretor. Se você gosta de cinema de alta qualidade, não deixe
de assistir “O Beco do Pesadelo”.
domingo, 15 de dezembro de 2024
“A VIRGEM VERMELHA” (“LA
VIRGEN ROJA”), 2024, Espanha, 1h54m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Paula Ortiz, seguindo roteiro assinado por Eduard Sola e
Clara Roquet.. A história, baseada em fatos reais, é centrada na jovem
Hildegart Rodríguez Carballeira (Alba Planas), que, no início dos anos 30 do século passado, surgiu no campo literário espanhol como uma escritora à frente
do seu tempo. Com apenas 18 anos, ela já havia escrito vários livros sobre a
sexualidade feminina, tornando-se um ícone precoce do feminismo e da revolução
sexual – seus livros mais conhecidos são “Sexo e Amor” e “A Rebeldia Sexual da
Juventude”. Também foi uma ativista política, militante do Partido Socialista
Operário Espanhol. Todo esse contexto de liberdade não condiz com a educação
autoritária da mãe (Najwa Nimri), que em nenhum momento revelou à filha quem
era seu pai biológico – um segredo guardado a sete chaves, apenas revelado ao
espectador. As atitudes abusivas da mãe autoritária acabarão tolhendo a
liberdade de ir e vir da garota, que um dia finalmente se rebela depois de
conhecer o jovem Abel Vilella (Patrick Criado), militante do partido
socialista. A relação conflituosa entre mãe e filha é o fio condutor da
história, e aqui deve ser destacado o excelente desempenho das atrizes Alba
Planas, Najwa Nimri e Aixa Villagrán, esta última como a empregada da casa e
confidente de Hildegart. Trocando em miúdos, “A Virgem Vermelha”, filme lançado durante
o 72º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, é um dos melhores
lançamentos da Prime este ano. Não perca!
sábado, 14 de dezembro de 2024
“CIDADE DE ASFALTO” (“ASPHALT
CITY”), 2023, Estados Unidos, 2h4m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta francês Jean Stéphane Sauvaire (“Johnny Mad Dog”), seguindo
roteiro assinado por Ben Mac Brown e Ryan King. A história toda é baseada no
livro “Black Flies”, escrito em 2008 por Shannon Burke. Se você está infeliz no
seu emprego e estressado é porque não assistiu a esse suspense, que mostra o
trabalho dos paramédicos – socorristas, aqui no Brasil – em Nova Iorque. O
personagem central é o jovem Ollie Cross (Tye Sheriden), que ingressa no grupo de
paramédicos enquanto se prepara para tentar o seu grande sonho, a faculdade de
medicina. Novato no trabalho, ele é escalado para o turno da noite/madrugada, e
como parceiro conta com o experiente Gene Rutkovsky (Sean Penn), que será o seu
tutor por um bom tempo. O trabalho não é fácil, principalmente quando são
chamados para atender emergências em bairros perigosos, como é o caso de
Brownsville, no Brooklyn. Aqui, a maioria dos atendimentos refere-se a feridos
em confronto de gangues, vítimas de overdose e outras ocorrências que nem
sempre terminam bem. A rotina estressante é apresentada no filme de forma bastante
realista, fazendo com que o espectador se sinta participante das cenas. Também
participam do elenco Michael Pitt (sempre em papéis de personagens
desagradáveis), Kali Reis, Raquel Nave, Katherine Waterston e Mike Tyson. Isso
mesmo, o grande lutador de boxe, que no filme desempenha o papel de chefe da
equipe de paramédicos. E olha que ele trabalhou direitinho. A primeira exibição
de “Cidade de Asfalto” aconteceu no Festival de Cannes 2023, mas a recepção por
parte dos críticos e do público não foi muito satisfatória. Eu gostei e
recomendo.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
“TRÊS MULHERES – UMA ESPERANÇA”
(“LOST TRANSPORT”), em cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução Holanda/Luxemburgo/Alemanha,
1h45m, roteiro e direção de Saskia Diesing, cineasta
alemã radicada na Holanda. A história, baseada em fatos reais, é ambientada na
primavera de 1945, nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Como último
esforço de guerra, os nazistas tentaram transportar judeus da Bélgica, Holanda
e Polônia aprisionados no campo de concentração da Baixa Saxônia para o
interior da Alemanha. O objetivo era utilizar esses prisioneiros como moeda de
troca por soldados alemães presos pelo exército russo. No total, foram três
comboios, mas um deles não chegou ao seu destino, sendo abandonado perto do
vilarejo de Tröbitz. Ao mesmo tempo, tropas do exército russo chegavam à região
tentando organizar o problema, ou seja, garantir a sobrevivência dos judeus
libertados do comboio. A população alemã de Tröbitz foi obrigada a acolher e
alimentar os antigos prisioneiros em suas próprias casas. É nesse momento que uma
improvável amizade acontece entre três mulheres: a alemã Winnie (Anna
Bachmann), a oficial russa Vera (Eugénie Anselin) e a judia holandesa Simone
(Hanna Van Vliet). Winnie mora na casa em que se hospedam a judia e a oficial
russa. É justamente a relação entre essas mulheres que o roteiro coloca como
fio condutor da história. Embora o filme, falado em holandês, alemão e russo, adote
um tom dramático de novelão, vale a pena assisti-lo não só pelo fato histórico
relatado e pouco conhecido por aqui, mas também pela primorosa ambientação de
época.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
“A INFORMANTE” (“WINNER”),
2024, coprodução Canadá/EUA, 1h52m, em cartaz na HBO Max, direção de Susanna
Fogel, que também assina o roteiro juntamente com Kerry Howley. Grata surpresa
este drama baseado em fatos reais. Depois de ter sido militar na Força Aérea
dos Estados Unidos, a jovem Reality Winner (Emilia Jones, ótima) foi trabalhar
como analista no Serviço de Inteligência da Agência de Segurança Nacional. Em 1916
ela foi acusada de vazar informações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais
norte-americanas naquele ano, sendo presa pelo crime de traição à pátria. Quem
conviveu com a família da moça certamente adivinhou esse desfecho, pois Reality,
a exemplo do pai Ron (Zach Galifianakis), cresceu como ativista e defensora do
meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Ou
seja, uma mulher politicamente correta. Também estão no elenco Connie Britton, Danny Ramirez e Kathryn Newton. O roteiro não deixou o filme descambar
para um drama, pois adotou um tom mais leve e bem humorado, diluindo a
gravidade dos eventos retratados, tornando o filme mais acessível e menos
impactante. Talvez este seja o único defeito do filme, já que a história
merecia um tratamento mais sério como drama político. De qualquer forma, “A Informante” consegue captar
a atenção do espectador do começo ao fim. Não perca.
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
“ECOS DO PASSADO” (“KALÁVRYTA 1943”), 2021,
Grécia, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicholas Dimitropoulos, que
também assina o roteiro com Dimitrios Katsantonis. Dois motivos especiais me
motivaram a assistir a este filme grego. Primeiro, o fato histórico retratado,
baseado em fatos reais, ou seja, o massacre, por parte dos soldados nazistas,
contra a população do vilarejo de Kalávryta, em 1943. Segundo motivo é relativo
à presença no elenco do grande ator sueco Max Von Sydow neste que foi seu
último filme de uma longa carreira vitoriosa. Ele faleceu pouco depois do término das
filmagens. “Ecos do Passado” é filmado em flashbacks, contando com grande
realismo o que aconteceu no pequeno vilarejo grego. Em retaliação à morte de
soldados nazistas, o comandante do exército alemão que ocupava a Grécia ordenou
que a população local fosse totalmente dizimada. Ao final, centenas de pessoas
foram mortas. No tempo presente, o filme é centrado na advogada Caroline Martin
(Astrid Roos), que representa o governo alemão contra as reivindicações gregas
por indenização pelo massacre de Kalávrita. Caroline viaja à Grécia para
investigar o caso e encontra o único sobrevivente masculino daquela tragédia, o
escritor Nikolaos Andreou (Max Von Sydow). É o próprio Nikolaos que narra a
história, relembrando o que aconteceu. Caroline não tinha ideia das atrocidades
praticadas pelos soldados alemães e se emociona com o relato. Sob o ponto de vista histórico, o filme é
ótimo, pois revela um caso pouco conhecido pelo grande público. Trata-se de uma superprodução do cinema grego, considerado o filme mais caro dos últimos anos. Trocando em miúdos,
“Ecos do Passado” é obrigatório, poderoso e realista como poucos.
Imperdível!
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
“JOY”, 2024,
Inglaterra, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Ben Taylor (“Sex Education”),
seguindo roteiro assinado por Jack Thorne, Rachel Mason e Emma Gordon. O filme
é baseado em fatos reais que culminaram no nascimento do primeiro bebê in
vitro, que depois ficaria conhecido popularmente, no mundo inteiro, como bebê de proveta. A história começa em 1968, em Cambridge e
depois em Bristol, quando o cientista Robert Edwards (James Norton), a
enfermeira e embriologista Jean Purdy (Thomasin McKenzie) e o ginecologista Patrick
Steptoe (Bill Nighy) começaram a pesquisar um processo envolvendo a combinação
de óvulos e espermatozóides em um ambiente laboratorial, fora do corpo da
mulher. O filme acompanha passo a passo todas etapas do trabalho do trio, as
pesquisas com mulheres inférteis, a violenta oposição dos religiosos, que
chamavam Edwards de “Dr. Frankestein”, e a perseguição incessante da imprensa
inglesa. O primeiro bebê de proveta somente nasceria em 1978, fato alardeado no mundo inteiro como um grande avanço da
ciência. Louise Joy Brown, o bebê, hoje aos 46 anos, continua viva e saudável. Embora
o filme seja muito interessante como registro histórico, o espectador comum talvez
tenha dificuldade de entender a linguagem técnica utilizada em muitos diálogos.
Eu passei batido em vários. Certamente o pessoal da área médica terá mais
facilidade de acompanhar os acontecimentos, principalmente no que se refere às
pesquisas. Para as novas gerações, que talvez não imaginem como nasceu a
fertilização in vitro, “Joy” é bastante esclarecedor.
domingo, 1 de dezembro de 2024
“TIGRES E HIENAS” (“TIGRES Y HIÈNES”),
2024,
França, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérémie Guez, que também
assina o roteiro com a colaboração de Louis Lagayette. Não é de hoje que o
cinema francês tem nos ofertado ótimos filmes de ação, alguns deles do próprio Jérémie
Guez, como “Asfalto de Sangue” e “Ligados pelo Sangue”, entre outros. O cineasta francês
volta ao submundo do crime em Paris para desenvolver a história de “Tigres e
Hienas”. Quando soube que seu padrasto Serge (Vincent Pérez), um conhecido
assaltante de bancos, foi preso novamente, o jovem Malik (Waël Sersoub) retorna
da Espanha para Paris para saber o que aconteceu e também para dar apoio para a
mãe. Serge foi preso juntamente com outros três assaltantes, um deles Chérif
Zhaoui (Omar Salim). Durante o julgamento da quadrilha, a advogada Irís
(Géraldine Nakache), defensora de Chérif, faz uma proposta maluca e improvável
para Malik: em troca da liberdade de seu padrasto, ele terá que planejar e praticar
um audacioso assalto e ainda participar de um plano para libertar os presos que
estão sendo julgados. Como deve sua vida ao padrasto, quando este o livrou da
morte quando era apenas um adolescente, Malik topa a empreitada, devendo recrutar,
para isso, alguns marginais indicados pela advogada. Completam o elenco Olivier Martinez, Evelyne El Garby Klaï, Samir Guesmi, Cassandra Cano e Sofiane Zermani. Recomendo que você não ligue tanto para o conteúdo um tanto inverossímil da história, mas sim para as sequências de
ação, algumas delas de tirar o fôlego. Importante destacar que a maioria dos
personagens – como também os atores que os interpretam – são de origem árabe e
africana. Ou seja, a participação de imigrantes na vida francesa, para bem e
para o mal, está cada vez maior.
“SUBMISSÃO” (“ALICE:
SUBSERVIENCE”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de S.K. Dale (Scott Dale), seguindo roteiro assinado por
Will Honley e April Maguire. O filme explora, com muita competência, um tema da
maior atualidade: a Inteligência Artificial. O roteiro mistura ficção científica,
suspense, terror e erotismo. A história acontece num futuro difícil de afirmar se
é próximo ou longínquo - mas sabemos que vai chegar. Enquanto sua esposa Maggie
(Madeline Zima) permanece internada num hospital à espera de um transplante de
coração, seu marido Nick (Michele Morrone) resolve adquirir uma androide (Megan
Fox) para executar os serviços domésticos e de babá dos filhos do casal. Aliás,
foi Isla (Mathilde Firth), a filha mais velha, que escolheu o nome da sua babá
robô: Alice. A partir da chegada de Alice na casa o espectador mais atento logo
percebe que a androide e seu dono vão acabar tendo um caso. Mas como, se ela é
um robô, que imaginamos sem sentimentos? Nada é impossível para Hollywood. Quando Maggie volta para casa,
depois do transplante, a harmonia da família acaba indo (literalmente) escada
abaixo. Nick terá que administrar a confusão para salvar a família de uma tragédia.
O filme garante um bom suspense e muitas cenas eróticas. Pelo desfecho já dá para prever que vem uma sequência logo logo. A bela Megan Fox, é
claro, arrasa como a robô erótica, num de seus papeis mais difíceis. O ator
italiano Michele Morrone, o garanhão de “365 Dias”, também não destoa, neste
que é seu primeiro filme nos States. Trocando em miúdos, “Submissão” é um
entretenimento de primeira, mas é bom dar um alerta: tirem as crianças da sala.
terça-feira, 26 de novembro de 2024
“TRANSMITZVAH”, 2024,
Argentina, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Daniel Burman (“Ninho Vazio”,
“O Décimo Homem”), que também assina o roteiro com Ariel Gurevich. Divulgado
como uma comédia, longe disso, “Transmitzvah” é um drama com muita música que tem
como pano de fundo a tradição judaica. Se tivesse partido para a comédia, o
filme certamente seria muito melhor e não tão decepcionante. Começa o filme e temos uma
família de judeus ortodoxos sentada para jantar e anunciar que o seu filho
Rubén (Milo Burgess-Webb), de 12 anos, participará em breve do seu Bar Mitzvah,
cerimônia de passagem para a vida adulta. Só que a passagem foi outra. Rubén
anunciou que dali em diante seria Mumy, ou seja, uma menina. E, portanto, sem
Bar Mitzvah. A história dá um salto de vinte anos e agora Mumy é a cantora
trans Mumy Singer (Penélope Guerrero, de “Sky Rojo”, “Nacho” e “Vestidas de
Azul”), que faz enorme sucesso pelo mundo afora cantando músicas pop em
iídiche, língua falada pelos judeus no mundo inteiro. Ao retornar à Argentina -
ela estava morando na Itália -, para
fazer shows e rever os pais e o irmão mais velho Eduardo (Juan Minujín,
de “Golpe Duplo” e “Dois Papas”), Mumy resolve procurar um rabino que
concorde em fazer o seu Bar Mitzvah. No fim, os irmãos viajam para a Espanha em busca de um guru - e aí o filme descamba realmente para o desastre. Recheado de números musicais e coreografias
com bailarinos – o que me fez lembrar dos filmes indianos que abusam daquelas
irritantes danças coletivas – e uma história um tanto mirabolante e pouco
convidativa, “Transmitzvah” se arrasta em ritmo lento, o que faz com que a
1h42m pareça muito mais. O consagrado diretor Daniel Borman desta vez pisou em la pelota.
domingo, 24 de novembro de 2024
“VENCER OU MORRER” (“VENCER O
MORIR”), 2024, Chile, minissérie baseada em fatos reais de 8 episódios em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Rodrigo Sepúlveda e Gabriel Díaz, com roteiro de Josefina
Fernández, Mauricio Dupuis e Francesca Bernardi. Dez anos após o golpe militar
desfechado contra o presidente Salvador Allende, um grupo de jovens resolve
fundar a Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR) para lutar contra a ditadura
do General Augusto Pinochet. A FPMR atuava sob a orientação do partido
comunista chileno, que indicava os atentados que deveriam ser efetuados contra a
ditadura, mas o planejamento e a execução eram de responsabilidade dos jovens.
A minissérie destaca a atuação no grupo guerrilheiro da professora de
sociologia Cecília Magni Camino (a ótima Mariana Di Girolamo), que ingressou na
FPMR como soldado e logo atingiu o posto de comandante, sob o pseudônimo de
Tamara. Acima dela estava o comandante Rodrigo (o ator uruguaio Nicolás
Furtado), guerrilheiro mais experiente por ter lutado pela causa comunista em
outros países. O grupo terrorista era perseguido pelos agentes da Central
Nacional de Informações (CNI), comandados pelo violento comissário Bareta
(Gabriel Urzúa). Depois de vários atentados, incluindo o sequestro de um
general de alta patente, o FPMR resolveu planejar o assassinato do próprio Pinochet.
Quem conhece um pouco essa história saberá o seu final, mas deixo a surpresa
para quem não conhece. Não tenho dúvida em apontar a minissérie chilena como uma das melhores do
ano, bastante movimentada, roteiro bem elaborado e uma primorosa ambientação de
época, na qual se destacam os cenários, os figurinos e a trilha sonora. “Vencer
ou Morrer” – o grito de guerra da FPMR – é um registro histórico da melhor
qualidade. Imperdível!
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
“APENAS CORRA” (“RUN RABBIT
RUN”), 2023, Austrália, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Daina Reid (das séries “Iluminadas” e “O Conto da Aia”), seguindo roteiro
assinado por Hannah Kent. A tradução literal do título original é “Foge Coelho
Foge”, que também vi em outro material de divulgação. Trata-se de um misto de
suspense e terror sobrenatural, com a vantagem de não ter efeitos especiais, o que garante maior credibilidade. A
história é centrada na médica Sarah (Sarah Snook), uma mulher divorciada mãe da
pequena Mia (Lily Latorre). Aos poucos, a menina começa a apresentar um
comportamento estranho, dizendo ser alguém que jamais conheceu. Em vez de
consultar algum psiquiatra ou psicólogo para diagnosticar o que se passa com sua filha, Sarah mostra
uma atitude muito passiva, mesmo depois que Mia começa a sangrar pelo nariz.
Ora, qualquer mãe teria levado a filha para ser examinada, fazer uma tomografia.
Sarah, porém, começa a apresentar um comportamento também estranho, que, logo o
espectador irá saber, tem tudo a ver com seu passado. Até que o filme mantém um
clima de tensão bastante acentuado, garantindo o suspense necessário para levar
o espectador a esperar alguma revelação bombástica, o que realmente acontece
perto do desfecho. A atriz australiana Sarah Snook se destaca no elenco,
comprovando sua competência consagrada na série “Succession”, pela qual ganhou
2 Globos de Ouro e também um Emmy. Outro destaque no elenco é a presença de
Greta Scacchi, que já foi uma das atrizes mais bonitas do cinema – e uma das
minhas divas. Em respeito justamente à antiga beleza da atriz, hoje com 64 anos, a diretora mostrou Greta entre sombras. Trocando em miúdos, “Apenas Corra” garante uns bons sustos, não
muito mais que isso.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
“O HOMEM QUE AMAVA OS DISCOS
VOADORES” (“EL HOMBRE QUE AMABA A LOS PLATOS VOLADORES”), 2024,
Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Diego Lerman, seguindo
roteiro assinado por Adrián Biniez. Na base da sátira bem-humorada, o filme
relembra os fatos reais que envolveram, em 1986, o jornalista e apresentador de
TV José Bernardo Kerzer, cujo nome artístico era José de Zer. Interpretado pelo
ator Leonardo Sbaraglia, o jornalista ficou famoso na Argentina depois que seu
programa alcançou picos de audiência ao explorar o tema “Não Estamos Sozinhos”.
Tudo começa quando José de Zer recebe uma dica de pauta nos pampas argentinos,
próximo ao vilarejo La Candelaria, na província de Córdoba. Aqui, os habitantes
descobrem um círculo perfeito desenhado na mata que mobilizou toda a população
do vilarejo. Enquanto cobre o evento misterioso, o jornalista tem a ideia de
explorar a hipótese de uma aeronave alienígena ter pousado naquele local,
lançando a teoria de que os alienígenas teriam visitado a Argentina. Com
entrevistas forjadas e encenações bizarras, o jornalista exibe várias
reportagens que alavancam a audiência de seu programa, transformando-o numa
celebridade nacional. Audiência que aumentaria ainda mais após um acidente
envolvendo o jornalista. Depois de assistir ao filme fiquei em dúvida se tudo
isso aconteceu mesmo ou o roteiro aumentou a dose. Em todo caso, vale a pena
assistir, pois trata-se de mais um ótimo e interessante filme argentino. Ainda
mais pela presença impecável de Leonardo Sbaraglia, ator de filmes como “Relatos
Selvagens”, “Puan”, “No Fim do Túnel” e “Plata Quemada”, entre outros clássicos.
domingo, 17 de novembro de 2024
"BACK TO BLACK", 2024,
Inglaterra, 2h02m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta inglesa Sam
Taylor-Johnson (“O Garoto de Liverpool”, “Cinquenta Tons de Cinza”), seguindo
roteiro assinado por Matt Greenhalgh. Cinebiografia da cantora e compositora
Amy Winehouse (Marisa Abela), que se notabilizou não apenas como artista, mas por
causa da sua vida particular tumultuada, principalmente com relação ao consumo
de álcool e drogas pesadas, além do seu gênio explosivo. Resultado: morreu jovem, em 2011, aos 27 anos, no
auge do sucesso. Era considerada uma cantora de jazz, no que discordo. Era mais
do soul e R & B, embora tenha tido uma grande influência das grandes
cantoras de jazz, como, por exemplo, Sarah Vaughan, além da avó Cynthia (Lesley
Manville), uma antiga cantora de jazz. O filme relembra sua adolescência e o
início da fase adulta, quando começa a fazer sucesso. Destaca ainda a influência
musical da família judia, seu polêmico casamento com Blake (Jack O’Connell), um
notório viciado em drogas, e a relação conflituosa com os paparazzi, que
não a deixavam em paz um minuto sequer. O foco principal, porém, é a série de
músicas que fizeram sucesso e que a levaram a conquistar vários prêmios Grammy,
interpretadas pela atriz Marisa Abela, cuja ótima atuação é um dos trunfos do
filme. A crítica especializada não gostou muito, mas eu gostei e recomendo.
“BANCO CENTRAL SOB ATAQUE” (“ASALTO
AL BANCO CENTRAL”), 2024, Espanha, minissérie da Netflix em
cinco episódios, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro assinado por
Patxi Amezcua. O pano de fundo dessa excelente minissérie, baseada em fatos reais, é a situação política
caótica da Espanha no início dos anos 80. Três meses após a tentativa de golpe de
Estado no congresso espanhol, em fevereiro de 1981, onze homens encapuzados invadem o Banco Central de Barcelona
fazendo 300 reféns, entre funcionários e clientes. Eles exigiam do governo
espanhol que libertasse o tenente-coronel Antonio Tejero Molina, que comandou
a tentativa de golpe contra o congresso. Enquanto isso, arrombaram o cofre para roubar o dinheiro.
Durante 37 horas, os assaltantes e os reféns mantiveram-se trancados no banco, enquanto
o líder da quadrilha negociava com as autoridades. A jornalista novata Maider
(María Pedraza), que cobria o assalto juntamente com o fotógrafo Berni (Hovik
Keuchkerian), desconfiou que havia algo mais por trás do assalto. E começou a
investigar, contando com informações sigilosas do comissário Paco (Isac Férriz),
da polícia de Barcelona, estranhamente afastado do caso. Atuam também com
destaque no elenco Miguel Herrán, como José Juan Martinez Gómez, o chefe da
quadrilha, e Patrícia Vigo, esposa do diretor na vida real, como a
editora-chefe do jornal. Graças a um roteiro bem elaborado, o clima da
minissérie é de tensão do começo ao fim, prendendo a atenção do espectador para
o que acontecerá no desfecho. Minissérie para não perder.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
"LIVRE: ENCANTO CRIMINAL” (“LIBRE”), 2024,
França, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mélanie Laurent – mais
conhecida como atriz, é seu oitavo filme como diretora -, que também assina o
roteiro com Christophe Deslandes. Baseado em fatos reais, o filme conta a
história de Bruno Sulak (Lucas Bravo), que no início dos anos 80 ficou famoso
como ladrão de supermercados e joalherias. Sem nunca ter disparado um tiro ou
cometido nenhum tipo de violência em suas ações, Bruno chegou a ser chamado de
Arsène Lupin dos anos 80, Robin Hood francês e Inimigo nº 1 da França. Bruno também
ficou famoso pelas suas fugas espetaculares das prisões. O filme ressalta também
sua fama de galã, aqui demonstrada pelo charmoso ator e modelo Lucas Bravo, que
fez sucesso na série “Emily in Paris” como chef de cozinha e par romântico da personagem
principal. Em “Livre”, seu par romântico é Annie (Léa Luce Busato), cúmplice em
seus assaltos como motorista nas fugas. Outro personagem de destaque na
história é o comissário de polícia George Moréas (Yvan Attal), que prendeu o
ladrão várias vezes e no final acabou ficando seu amigo. Completam o elenco
Radivoje Bukvic, David Murgia, Steve Tientcheu e Slimane Dazy. Como entretenimento, o filme é
ótimo, pois tem ação, romance, humor e uma deliciosa trilha sonora, com vários
sucessos da época.
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
“O CANDIDATO INDEPENDENTE” (“THE
INDEPENDENT”), 2023, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Amy Rice, seguindo roteiro assinado por Evan Parter.
Acabamos de acompanhar a eleição de Donald Trump, do partido Republicano,
contra Kamala Harris, do Democrata. Essa disputa tornou o filme ainda mais
interessante, pois na história entra como favorito um candidato independente,
Nate Sterling (John Cena), um ex-atleta de renome que ingressou recentemente na política. O filme explora os bastidores das campanhas dos três
presidenciáveis, Sterling, Patricia Turnbull (Ann Dowd), do Democrata, e o
presidente Archer (Victor Slezak), candidato republicano à reeleição. No
jornal The Washington Chronicle, a jornalista novata Elisha “Eli” James (Jodie
Turner-Smith) é designada para assessorar o experiente Nick Bocker (Brian Cox),
principal colunista político do jornal. O filme dá oportunidade ao espectador
de acompanhar tudo o que acontece por trás do noticiário, inclusive aquelas sujeiras
que fazem parte das campanhas políticas de eleições em qualquer país do mundo. Elisha
descobre que um dos candidatos está envolvido em corrupção. Mas conseguir a
aprovação da direção do jornal para publicar a grande notícia é um enorme
desafio, mesmo que tenha o aval de seu mentor Nick Bocker. E, pior, um dos principais assessores do candidato é seu namorado. Situação bem complicada. E que atuação
da atriz inglesa Jodie Turner-Smith (Queen & Slim”, “Sem Remorso”), sem
dúvida um dos maiores trunfos desse ótimo suspense político. Não perca!
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
“PRISCILLA”, 2023, Estados
Unidos, 1h53m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Sofia Coppola. Ao
contrário da cinebiografia “Elvis”, de 2022, onde o rei do rock é o personagem
principal, em “Priscilla” o foco central é a ex-mulher do astro. O roteiro foi
inspirado no livro “Elvis and Me”, escrito pela própria Priscilla em 1985. A
história começa em 1958, quando Elvis, já famoso aos 24 anos, servia como soldado
numa base militar norte-americana na Alemanha. Aqui ele conhece a adolescente
de 14 anos Priscilla Ann Beaulieu, cujo padrasto era oficial do exército dos
EUA. Priscilla se apaixonou pelo astro e este por ela. Entre idas e vindas,
eles se casaram em 1962 e ficaram juntos durante 10 anos. A relação tumultuada é
vista sob a ótica de Priscilla, que sofreu um bocado nas mãos de Elvis. O filme
mostra as desavenças do casal, a solidão de Priscilla na mansão Graceland
enquanto Elvis saía em turnês ou participava de filmes, as fofocas nos jornais
sobre os supostos romances de Elvis com Ursula Andress, Ann-Margareth e Nancy
Sinatra, entre outras, o vício do marido em remédios e em livros esotéricos, além da submissão às ordens do
astro, que inclusive exigia as roupas que ela deveria usar, a maquiagem e o cabelo.
Estão no elenco Caille Spaeny como Priscilla, Jacob Elordi como Elvis, a atriz
polonesa Dagmara Dominczyk como Anna Beaulieu, mãe de Priscilla, Ari Cohen como
o pai e Tim Post como o pai de Elvis. O filme teve sua primeira exibição em
setembro de 2023 no Festival de Veneza, com sucesso de público e crítica. Aos 53 anos, Sofia, filha do também diretor Francis Ford Coppola, firma-se cada vez mais
como uma cineasta de respeito, responsável por outros bons filmes como “As
Virgens Suicidas”, “Encontros e Desencontros”, “O Poderoso Chefão III”, “O
estranho que nós Amamos” e “Maria Antonieta”, entre outros. Sofia foi a
primeira mulher a ganhar o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza, em 2010, por “Somewhere”.
Também foi a terceira mulher indicada para o Oscar de Melhor Diretor”. Com
relação a “Priscilla”, Sofia também fez um excelente trabalho. Nem mesmo a
altura exagerada do ator Jacob Elordi e o tipo mignon da atriz Caille Spaeny,
que evidenciam um enorme contraste, prejudicaram o resultado final. Vale a pena
conhecer a história sob o ponto de vista da ex-mulher do astro.
domingo, 10 de novembro de 2024
“ARMAGEDDON TIME” (o título original permaneceu quando chegou ao catálogo da Prime Vídeo), 2022, Estados Unidos,
1h55m, roteiro e direção de James Gray (“AD Astra: Rumo às Estrelas”, “Era uma
Vez em Nova York”). Trata-se de um drama familiar inspirado nas lembranças da infância
e adolescência do diretor no início dos anos 80, tendo como pano de fundo as
eleições que colocaram Ronald Reagan na presidência dos EUA. O diretor aparece
na figura de Paul Graff (Banks Repeta), um garoto de 13 anos muito inteligente
e esperto, mas que causa constantes problemas de comportamento na escola. Seus
pais, Esther (Anne Hathaway) e Irving Graff (Jeremy Strong), não conseguem
controlar o gênio intempestivo e rebelde de Paul, cuja atenção é dedicada quase
que exclusivamente à arte de desenhar. As únicas pessoas em que ele confia e
com os quais consegue se comunicar são o avô Aron Rabinowitz (Anthony Hopkins)
e o colega de escola Johnny Davis (Jaylin Webb), um garoto negro que mora com a
avó. “Armageddon Time” é uma crônica familiar bastante sensível e tocante, à
medida que explora temas como a amizade, o racismo e o amadurecimento. Destaque
para a aparição rápida da atriz Jessica Chastain como a magistrada Maryanne
Trump, irmã do presidente norte-americano recentemente eleito. Enfim, “Armageddon
Time” é um belo filme que merece ser visto.